Casa de Olivia e Thomas
05 de novembro
11:30 a.m.
"Se afasta de mim!" Olivia disse nervosa andando para trás.
"Ou o quê? Olhe para você 'Liv', está quebrada ainda, nem consegue andar direito, e ainda tem esse filho maldito pesando na sua barriga." Anne disse com o sorriso irônico.
"Não fale assim da minha filha!" Olivia gritou começando a se descontrolar.
"Está sentindo? Isso é adrenalina minha querida! Eu te deixo assim?" Anne perguntou se aproximando e fechando a porta atrás de si.
"O que você quer?!" Olivia perguntou entrando em pânico ao ver Anne trancando a porta e vindo em sua direção. Ainda não estava completamente recuperada e tinha a gravidez, mas apesar de todos os obstáculos não permitiria que Anne fizesse nada com sua filha.
"Você não lembra?" - Anne riu de forma sarcástica - "Por que você acha que a filhinha de vocês ainda não tem um quarto? Vamos lá Olivia, você não é tão burra assim..." completou em tom de deboche.
"Não importa o que eu lembro ou deixo de lembrar, saia daqui agora senão eu vou começar a gritar!" Olivia falou nervosa recuando.
"De fato... sua filha não pertence mais a você, então pra que se lembrar de tudo? Assim que ela nascer será adotada e você será vendida a um homem muito rico... contente-se com esse futuro e esqueça o passado." Anne continuou se aproximando devagar. Sentia que Olivia exalava medo e saber que ela ainda não havia se lembrado de tudo era uma grande vantagem, queria explorar isso para dominá-la.
"Você é louca... saia já do meu apartamento... vou ligar para a polícia!" Olivia disse andando para trás, estava quase no telefone.
Em um gesto rápido Anne pegou uma faca que estava em cima do balcão, avançou para cima de Olivia dando um soco no rosto, em seguida colocando a faca no pescoço dela, a segurando pelas costas.
"Você não ousaria me desafiar querida!" Anne disse ofegante perto do ouvido de Olivia, pressionando com força a faca.
"Me solta... eu prometo não reagir..." Olivia disse ainda aérea por conta do soco. Precisava pensar rápido, mas estava difícil.
"Ajoelhe!" Anne ordenou chutando por trás das pernas de Olivia a fazendo ajoelhar automaticamente.
Sentindo que estava no poder, Anne passou a faca para o braço de Olivia e entregou um par de algemas a ela.
"Algeme suas mãos!" ordenou ainda forçando a faca.
Olivia sabia que se algemasse suas próprias mãos não teria mais chance alguma de se livrar dessa situação. Ficou parada ganhando tempo, precisava de alguma ideia urgentemente.
"Faça o que eu mandei! AGORA!" Anne gritou tremendo de raiva.
"Calma... eu... eu não sei usar isso..." Olivia disse com a voz baixa inventando a primeira coisa que veio a sua mente.
"Não me faça de idiota vadia!" Percebendo que Olivia não faria, enfiou a faca com força, cortando o braço de Olivia.
O grito foi contido por um tapa. Anne não podia levantar suspeita no prédio. Se algum vizinho percebesse a movimentação, ela teria que matar Olivia e fugir.
"O próximo corte será na sua barriga... é melhor não fazer mais nenhuma graça!" Anne advertiu irritada segurando firme a faca agora ensanguentada.
Ao ouvir a mulher ameaçar sua filha, Olivia perdeu a razão. Pegou a mão que a mulher segurava a faca, torceu com força, deu uma cotovelada para trás e aproveitou o momento em que Anne se desestabilizou para ficar em pé novamente.
Mesmo sem a faca Anne se jogou para cima de Olivia, fazendo-a bater com força na mesa.
Por um instante tudo ficou em câmera lenta.
Olivia olhou para o vaso de vidro em cima da mesa e sem pensar duas vezes pegou, virou de frente para Anne e bateu com o máximo de força que pode fazer naquele momento.
As duas caíram no chão.
Por instantes Olivia ficou inconsciente.
Ao voltar à razão, viu suas mãos cheias de sangue, ainda trêmulas.
Assim que olhou para o lado e viu Anne inconsciente, com uma poça de sangue perto da cabeça, Olivia entrou em choque.
Levantou com dificuldade, limpou suas mãos na toalha da mesa, pegou sua bolsa e saiu correndo.
Não sabia se tinha matado Anne, ou não, mas tinha certeza que se ela estivesse apenas desmaiada, assim que acordasse não pouparia esforços para capturá-la.
Ao sair correndo do prédio, pegou o primeiro táxi que passou.
"A senhora está bem? Precisa ir para o hospital?" O taxista perguntou assustado com o sangue no braço da mulher.
Olivia só lembrou que estava ferida naquele momento. Mas não tinha tempo de ir a hospital algum, precisava sair dali o mais rápido possível.
"Está tudo bem. Preciso apenas sair daqui. Me leve até onde esse dinheiro pagar." Ela respondeu entregando todas suas economias na mão do homem.
Sem questionar, o taxista ligou o carro se seguiu.
Rodovia
05 de novembro
08:15 a.m.
"Como você pediu para contatarmos você apenas em caso de emergência... liguei para avisar que prendemos Eric Miller." disse Cragen mudando o tom de voz.
"P- pegaram o Eric! Meu Deus... Eu quero falar com esse desgraçado! Dois dias e eu chego em Manhattan!" o coração de Elliot foi parar na boca com a notícia. Ele precisava encarar esse canalha e não perderia a oportunidade. Já que não poderia trazer Olivia de volta a vida, faria com que cada um que a machucou pagasse por isso.
Assim que desligou o celular, Elliot virou o carro na rodovia e pisou no acelerador.
Elliot estava quase voando com o carro de tão rápido que dirigia. Pisava no acelerador como se o futuro da humanidade dependesse disso.
Já estava a quase 8 horas dirigindo sem parar. Havia avançado bastante e com sorte chegaria à Manhattan em apenas um dia.
Ao se aproximar de Nova Jersey se lembrou da lanchonete que parou no início da viagem e decidiu parar ali para comer novamente.
Como sempre, sentou de frente para a janela de vidro. Logo foi reconhecido pela atendente, mas evitou alongar conversa, estava com pressa e seria o mais breve possível ali.
Comia rapidamente sua comida quando ouviu um tiro e congelou. Era a primeira vez depois do sequestro que ouvia um tiro tão próximo, sinal de uma evidente briga ou situação violenta.
Ao contrário de todos que abaixaram, Elliot ficou em pé imediatamente, observando à movimentação próxima a lanchonete.
Rodovia
05 de novembro
02:10 p.m.
Olivia pegou uma blusa de frio dentro da bolsa e amarrou no seu braço, em cima do corte a fim de estancar o sangramento. Não sentia dor, estava muito agitada, a adrenalina a deixava atenta e elétrica.
Já havia passado mais de uma hora que estavam na estrada, o valor do taxímetro já havia passado a quantia de dinheiro que Olivia havia pagado.
"O senhor pode me deixar em qualquer lugar..." Olivia disse desconfortável com a situação.
"Eu sei que já ultrapassou o valor, mas não posso deixar a senhora nesse estado no meio da estrada, o mínimo que posso fazer é parar em algum lugar que tenha mais pessoas." Ele respondeu com o sorriso simples.
Olivia se surpreendeu com a atitude do senhor, agradecendo com um sorriso.
Minutos depois, já próximo a uma lanchonete o táxi parou lentamente.
"Ali tem uma lanchonete, coma algo e peça ajuda." O taxista disse devolvendo o dinheiro à ela.
"Eu agradeço, mas não posso aceitar o dinheiro de volta..." Olivia disse empurrando gentilmente a mão do taxista.
"Pelo menos metade, por favor. Isso me deixaria mais tranquilo..." o senhor respondeu entregando parte do dinheiro, sendo logo aceito por Olivia.
"Muito obrigada!" ela disse emocionada com um sorriso sincero.
"Cuide-se e fique com Deus!" o taxista respondeu logo partindo.
Olivia ainda acenava para o carro quando ouviu seu nome.
"OLIVIA!" Thomas disse parando o carro e descendo.
Ao perceber que era Thomas, Olivia começou a correr.
"Pare Liv, precisamos conversar!" Thomas gritou nervoso correndo atrás dela.
"Me deixa em paz!" ela gritou correndo e olhando para trás.
"PARE!" gritou Thomas irritado, pegando sua arma e dando um tiro para cima.
Olivia automaticamente congelou.
Virou lentamente de frente para Thomas.
Três metros separavam os dois.
"Liv, eu posso explicar." Ele falou ainda tentando manter a mentira.
"Não precisa explicar nada... eu já sei de tudo... sobre nossa filha ser adotada por outro casal, sobre você e a Anne... sei de tudo!" Olivia gritou, falando de forma generalizada na intenção dele realmente acreditar que ela havia se lembrado de tudo.
"Então você também sabe que se não vier comigo, você e sua filha morrem!" ele gritou completamente transformado. O ódio no olhar era evidente.
"E- eu não posso!" ela gritou começando a chorar. Ali era o fim. Não tinha para onde fugir, era viver um inferno ou morrer.
"Não seja idiota. VENHA!" ele gritou dando um passo para frente.
"NÃO POSSO!" ela gritou histérica. Mal conseguia se manter em pé do tanto que tremia.
"Vou contar até três, se você não vier, fim de linha." - Thomas disse apontando a arma para Olivia, logo começando a contar - "UM..." - Olivia estava desesperada, uma das mãos estava para cima em sinal de calma e outra na barriga protegendo sua filha. - "DOIS..." - Thomas continuou gritando irritado com a resistência.
Pela segunda vez no dia o mundo de Olivia parou. O desespero era tanto que ela abstraiu todos os sons existentes e focou no único que importava ali, o som do coração da filha que carregava em seu ventre.
Tudo se resumia nesses poucos e últimos segundos de vida.
O choro, o corpo tremendo, o homem transtornado de ódio a sua frente apontando uma arma, nada mais importava. Naquele momento eram apenas Olivia e sua filha. Dois corações acelerados no mesmo compasso.
"OLIVIA!" "LIV!" uma voz diferente surgiu no meio do caos tirando Olivia do transe em que se encontrava.
Ao olhar para o lado de onde surgia a voz que a chamava, Olivia viu um homem correndo, emocionado, desesperado, não sabia definir se estava correndo para ajudá-la ou para ajudar Thomas, mas não reagiu, apenas observou. De alguma forma àquela voz era familiar.
"TRÊS!" ele gritou dando uns segundos para Olivia avançar, mas ao ver Elliot correndo em sua direção, atirou.
O som do tirou ecoou.
N/A: REVIEWS! ;)
