Hospital
05 de novembro
03:00 p.m.
"É arriscado para mãe e para o bebê." Respondeu sinceramente o paramédico.
"Risco por risco, que seja feito tudo no hospital onde teremos mais amparo." Elliot falou decidido.
"Se demorar mais de dez minutos farei o parto aqui mesmo." O paramédico concordou em partes. Se demorasse no trânsito não perderia mais tempo.
Naquele dia o trânsito estava incrivelmente tranquilo, o que permitiu que a ambulância chegasse ao hospital mais próximo em oito minutos. Logo que entraram, já levaram Olivia a uma sala de cirurgia para fazer o parto de emergência.
Elliot estava catatônico no saguão. Era muita informação para ele lidar em pouco tempo. Olivia estar viva, grávida e ter sido baleada por Thomas, milhares de hipóteses pairavam sobre sua mente. Será que Olivia foi mantida em cativeiro por todos esses meses? Será que foi violentada outras vezes? Ou foi um simples acaso Thomas e Olivia surgirem ali no mesmo momento? Será que Anne também estava com Thomas? A filha que ela esperava, quem seria o pai?
Com tantas perguntas e pensamentos, as horas passaram voando. Três horas depois o médico chamou Elliot.
"E então?! Como Olivia está? E o bebê?" Elliot perguntou ansioso.
"Demoramos um pouco para estabilizar a paciente. Depois do parto houve uma hemorragia, mas conseguimos conter. A criança nasceu saudável, mas como o parto foi precipitado, por precaução a manteremos por um tempo na incubadora. A mãe está inconsciente, mas assim que passar a sedação, acordará. O senhor pode vê-la." O médico respondeu calmamente, feliz por ter feito um bom trabalho.
"Eu posso ficar com ela no quarto?" Elliot perguntou demonstrando intenção de passar a noite ali.
"Sim. Mas terá que entrar esterilizado, por conta da cirurgia o organismo dela está com a baixa imunidade, para evitar possíveis infecções o senhor terá que usar uma vestimenta especial." Disse o médico já levando Elliot até a sala de esterilização.
Apartamento de Olivia e Thomas
05 de novembro
03:30 p.m.
Dr. Phill se assustou ao chegar ao apartamento de Oliva, a porta estava aberta, havia alguns cacos de vidro próximos a entrada.
"Olivia! É o Dr. Phill, está tudo bem?" perguntou receoso, entrando devagar no apartamento.
Ao ver uma poça de sangue na cozinha ficou apavorado. Correu até os quartos procurando Oliva, mas de nada adiantou.
Sabia que algo sério havia acontecido, pelo tanto de sangue e pela bagunça que estava por todos os cantos, algo realmente violento havia se passado ali.
A primeira coisa que Dr. Phill fez foi ligar imediatamente para polícia. Estava muito preocupado com Olivia, desde o momento que a conheceu sentiu um carinho imenso, não conseguia imaginá-la sofrendo novamente.
A imagem dela na rodovia, toda machucada não parava de atormentar sua mente. Ao apoiar na mesa para respirar viu um envelope com o nome dele.
Ansioso abriu. Depois de ler a primeira frase precisou sentar. Descobrir que Thomas não era quem parecia ser não espantou o Dr. Phill, apenas o deixou mais preocupado ainda. No fundo se culpava por não ter acreditado em sua intuição, sempre sentiu que Thomas não era uma boa pessoa.
Assim que terminou de ler a carta, decidiu não esperar a polícia chegar, saiu correndo, precisava encontrá-la. Saber que Olivia havia fugido o dava certo alivio afinal aquele sangue não seria dela.
Ainda no elevador tentava ligar no celular dela que insistia em dar fora de área.
Hospital
06 de novembro
01:05 a.m.
Ao entrar no quarto Elliot sentiu uma alegria e um alivio nunca antes sentido em toda sua vida. Ver Olivia na cama, viva, e longe de todos aqueles insanos que os sequestraram, o fazia transbordar de felicidade.
Aproximou-se dela, acariciou os cabelos, olhou cada pedacinho de pele, cada fio de cabelo, precisava ter certeza que aquilo tudo não era apenas um sonho.
Depois de um tempo a admirando, Elliot sentou ao lado da cama e segurando a mão dela cochilou.
Oito horas se passaram quando Olivia finalmente despertou.
Com a vista ainda embaçada tentou se sentar, mas não conseguiu por conta dos pontos da cirurgia. Levou alguns segundos para compreender que estava em um hospital.
Elliot deu um pulo da poltrona ao sentir a mão de Olivia soltar-se da sua.
"LIV!" disse em voz alta, aproximando-se, com a expressão de felicidade estampada no rosto.
"Que susto!" Olivia disse brava.
"Desculpe... não foi minha intenção, mas tanto tempo sem te ver... tento tempo sentindo sua falta... e como você fez falta Liv..." Elliot riu da braveza de Oliva, em seguida começou a falar ficando sério, quando foi interrompido.
"Espera... eu te conheço? Quem é você? Vai me dizer que é meu marido também?" perguntou perplexa pela forma com que ele falava dela.
"Liv... sou eu, Elliot! Não lembra?" perguntou confuso, pensando ser uma brincadeira de Olivia.
"Não, eu não lembro e quer saber, não quero saber da sua boca qual nossa relação, já fui enganada uma vez, pra mim chega!" ela respondeu irritada, lembrando-se de Thomas e de tudo que havia acontecido mais cedo.
"Calma... é sério isso?" questionou ainda confuso com toda a rejeição de Olivia.
"Espera... minha filha...cadê minha filha? Eu... eu perdi? Thomas matou? Cadê?" antes de Olivia responder, ao colocar a mão sobre a barriga sentiu o vazio. Imediatamente entrou em desespero.
"Liv, acalme-se, sua filha está bem! Nasceu saudável e é linda... parece à mãe!" Elliot disse com um brilho no olhar incomparável.
"Ela nasceu... meu Deus! Você a viu? Ela está bem?" perguntou ansiosa, emocionada, feliz, sentimentos indecifráveis surgiam.
"Sim, ela está bem! Os médicos disseram que nasceu saudável, só a colocaram na incubadora por precaução, por ela ter nascido algumas semanas antes do previsto." Elliot explicou se aproximando, e, esquecendo por instantes que ela não se lembrava dele, a abraçou forte.
"O que você está fazendo?!" - Olivia gritou brava, empurrando ele - "Eu quero que você saia daqui! Agora! Preciso do Phill... só ele pode me ajudar..." ela disse firme apontando para porta, em seguida procurando desesperadamente seu celular.
"Liv..." ele pensou em argumentar, mas pelo o olhar dela percebeu que era melhor sair, pelo menos por enquanto.
Chamou os enfermeiros e pediu que trouxessem seus pertences para o quarto, sendo logo atendida.
Assim que pegou o celular viu 29 chamadas não atendidas do Dr. Phill. Retornou imediatamente, ele era o único, no meio de toda essa bagunça, em quem ela podia confiar. Precisava dele ali. Urgentemente.
Rodovia
05 de novembro
06:50 p.m.
Depois de horas dirigindo, procurando o lugar que Anne havia informado, Thomas finalmente havia chegado a um lugar no meio do nada.
Um sítio próximo à Nova Jersey.
Ao entrar se deparou com Anne sentada tomando café com mais cinco homens.
"E então Thomas, o que aconteceu?" Anne perguntou aparentando uma calma assustadora.
"Eu atirei nela." Ele disse receoso, Anne era muito imprevisível, não sabia qual seria sua reação ao saber de tudo.
"Matou?" ela perguntou levantando, sendo acompanhada pelos cinco homens.
"Não sei..." começou a falar, mas foi interrompido.
"Como assim não sabe? Além de incompetente você é cego?" Anne falou finalmente se alterando.
"Não.. Elliot surgiu do nada... a polícia estava chegando... atirei e sai correndo, não posso ser preso, você sabe disso!" Thomas respondeu tentando manter a calma.
"Não pode ser preso... e por isso não foi capaz de finalizar o serviço... muito bem Thomas!" falou Anne com um olhar estranho, se afastando dele.
Conforme Anne andava para trás, os cinco homens se aproximavam dele.
"Não toquem em mim!" Thomas disse nervoso, se sentindo acuado.
"Imobilize!" Anne ordenou sendo logo obedecida pelos homens.
Thomas tentou lutar, mas cinco contra um era quase impossível. O arrastaram até o cômodo seguinte. Havia uma espécie de centro cirúrgico montado ali, e um médico já paramentado estava perto da maca, como se estivesse aguardando um paciente.
"O que está acontecendo? Anne!" Thomas gritou ficando com medo do que aconteceria ali.
"Tente se acalmar querido, senão será pior para você!" Anne respondeu observando o trabalho dos cinco homens imobilizando Thomas na maca.
Depois que conseguiram deixar Thomas completamente preso, sem movimentos, Anne se aproximou com uma tesoura.
"O que você vai fazer? An... eu te ajudei desde o começo, fui leal em todos os momentos... por favor..." Thomas implorou perdão, estava suando desesperadamente.
"Por sua culpa não consegui vendê-la da primeira vez, por sua culpa eu aguardei todos esses meses a negociação de Olivia, e o que você fez? Deixou ela fugir!" Anne falou com a voz travada de raiva, cortando as calças dele, o deixando completamente nu da cintura para baixo.
"O- o que você vai fazer? Por favor... Anne, desculpa! Eu... eu consigo sequestrá-la novamente e faremos negócio com o Gabriel..." Thomas começou a entrar em pânico.
"Shiiii" - Anne disse ficando novamente calma, enchendo a boca dele de algodão e tapando com uma fita. - "Você me fez perder milhões de dólares, e a coisa que mais aprecio no mundo é dinheiro e poder. Agora vou tirar de você as coisas que você mais aprecia no mundo, sua liberdade e o seu prazer... a partir de hoje o seu 'brinquedinho' nunca mais vai funcionar!" ela completou acariciando o membro dele, com o olhar vidrado na expressão de desespero estampada na cara de Thomas.
Não importava o tanto de força que ele fizesse para se soltar da maca, nada surtia efeito. Anne com o olhar ainda vidrado se afastou, dando espaço para o médico.
"Pode castrar!" ela disse excitada, dando a autorização necessária para o médico começar o procedimento cirúrgico.
N/A: REVIEWSSS!
