Hospital em Manhattan
06 de novembro
10:15 a.m.
Quase duas horas depois chegaram enfim ao hospital de Manhattan.
Elliot foi o primeiro a descer. Ao ver Cragen, Fin e Munch o aguardando na entrada do hospital congelou. Não sabia a reação deles ao ver Olivia viva, e não teria como evitar o encontro nem adverti-los antes, afinal ela já estava sendo tirada da ambulância.
Assim que perceberam que eram as ambulâncias com Elliot começaram a se aproximar, mas antes de alcançar Elliot foram interrompidos por Dr. Phill, os paramédicos e Olivia na maca.
Cragen ao ver a paciente entrou em estado de choque, suas pernas ficaram fracas, por sorte Fin o segurou antes que caísse no chão.
"O- o que..?" Fin tentou dizer algo mas não conseguiu.
Os médicos seguiram com a maca, não podiam manter Olivia fora de um ambiente estéril por muito tempo, afinal havia passado por uma cirurgia ha um dia apenas. Por sorte ela estava dormindo e não percebeu toda a movimentação, senão com certeza reagiria.
Dr. Phill percebendo a situação estranha preferiu ficar ali.
"Cap., desculpa, não queria que vocês soubessem dessa forma..." Elliot correu ao encontro deles, preocupado.
"Aquela mulher é m- mesmo Olivia?" Munch perguntou chocado.
"Sim." Concordou Elliot.
"Você planejava contar isso quando? Por que não me disse no telefone?" Cragen perguntou irritado ainda passando mal.
"Se eu tivesse contado ao telefone você com certeza pensaria que eu estava louco..." Elliot respondeu ajudando levar Cragen até uma poltrona no saguão do hospital.
"Mas como isso pode ser verdade? Enterramos ela meses atrás... como?" Fin questionou confuso.
Dr. Phill ia falar, mas Elliot o interrompeu com a mão no ombro.
"É uma história longa e no mínimo estranha... Pra começar este é o Dr. Phill, o homem que encontrou Olivia meses atrás." Falou Elliot apontando para Phill.
"Olá!" Phill disse com um sorriso um pouco sem graça pela situação.
"Enquanto ele explica tudo que aconteceu com Olivia até o dia que a encontrei, vou ver se está tudo bem com ela e assinar os papéis da transferência..." Elliot falou saindo rapidamente dali. Precisava ver se Olivia estava bem e enfim conversar a sós com ela.
Ao entrar no quarto, Olivia estava despertando.
"Já chegamos?" ela perguntou sonolenta.
"Sim. Você dormiu o caminho todo." Elliot respondeu com um sorriso.
"E minha filha, está bem?" ela perguntou preocupada.
"Sim, eu não tirei os olhos dela nem por um segundo. E... você já escolheu um nome para ela, Liv?" Respondeu Elliot se aproximando, curioso para saber o nome da pequena.
"Sim... Emma!" ela respondeu com um sorriso no rosto.
"Lindo nome! Emma!" falou Elliot feliz.
"E Phill, onde está?" questionou apreensiva por estar sozinha com Elliot ali.
"Ele está conversando com alguns amigos no saguão." Ele respondeu de forma reticente.
Olivia em um lapso apoiou os braços no colchão para sentar, mas ao sentir os pontos do braço recuou.
"Posso ajudá-la?" Elliot ofereceu de forma educada.
"Não. Sei me virar sozinha!" Ela disse com a expressão fechada.
"Mesmo com amnésia continua sendo a mesma Olivia Benson!" falou Elliot rindo da situação.
"Benson?" soltou indignada "É claro, como Thomas diria meu nome verdadeiro..." completou irritada. Ainda se punia mentalmente por ter acreditado em tudo que Thomas dizia.
"Você não lembra de nada? Nem da sua infância? nem do seu trabalho? Do sequestro?" Elliot perguntou com calma sentando ao lado da cama de Olivia de forma que conseguia encará-la de frente.
"Não... tive alguns flashes um dia antes de fugir, mas nada muito claro." Ela respondeu frustrada.
"E quem estava nesses flashes?" ele questionou apenas para ter ciência do grau da amnésia.
"Thomas e Anne... mas não sei ao certo o que significou aquilo. Thomas tinha sangue nas mãos e Anne... ela parecia se divertir. Se não fosse ela aparecer no apartamento me ameaçando eu pensaria que ela era minha amiga..." Olivia confessou não entendendo ainda os motivos que a faziam acreditar naquele homem a sua frente.
"Anne e você? Ela te machucou? O que ela disse?" Elliot mudou sua expressão automaticamente ao ouvir o nome dela.
"Ela apareceu dizendo que daria minha filha para um casal e me venderia para um cara... na verdade ela parecia estar fora de si, aquele olhar vidrado... conseguiu cortar meu braço, mas quando ameaçou minha filha com a faca eu reagi e acabamos as duas no chão. De início achei que havia matado ela, mas Phill garantiu que quando chegou no apartamento havia apenas uma poça de sangue..." Olivia explicou de forma tranquila.
"Seus instintos policiais continuam a flor da pele, sempre defendendo uma vítima como uma leoa! Uma pena não ter matado Anne!" Soltou com a expressão menos tensa.
"Como assim instintos policiais?" perguntou sem entender o que ele quis dizer.
"Liv, você é da polícia de New York, trabalhamos juntos por mais de doze anos na unidade de vítimas especiais de Manhattan." Falou Elliot com um brilho no olhar indescritível ao lembrar-se da época em que eram parceiros.
"Meu Deus..." exalou Olivia "E mesmo sendo policial e trabalhando na unidade de vítimas especiais eu dei conta de ser sequestrada e estuprada? Irônico não?" ela completou nervosa.
"Nós fomos... e independente da função, quando se tem uma arma apontada para a cabeça ninguém reage... além disso, Anne é uma das mais perigosas sociopatas com quem já lidamos." Ele respondeu pegando a mão de Olivia.
"Não toque em mim!" ela disse brava tirando sua mão de perto dele.
"Desculpe..." Elliot disse assustado com a reação de Olivia.
"Eu não tenho ninguém? Família? Marido?" ela perguntou curiosa, afinal tinha esperanças de sua filha ser de algum namorado ou marido.
"Seus pais faleceram há um bom tempo, seu irmão, Simon, também acreditava que você havia morrido e até onde eu sei você não estava saindo com ninguém..." ele respondeu de forma atenciosa.
"Espera, meu irmão 'também' achava que eu havia morrido? Como assim?" disse Olivia espantada.
"Foi encontrado um corpo carbonizado no local onde ficamos presos durante o sequestro, sendo concluído pela médica legista que esse corpo era seu..." ele disse com a cabeça baixa.
"Hm... por isso não tinha ninguém procurando por mim..." ela concluiu levemente chocada.
"Sim..." ele respondeu sério. "Eu poderia te contar toda sua história, ou tudo que aconteceu durante o sequestro, mas não acho justo... você sofreria agora, e quando recuperar sua memória sofreria de novo..." depois de pensar por uns segundo, Elliot soltou olhando nos olhos de Olivia.
"Só me diz uma coisa, Thomas pode ser pai da minha filha?" ela perguntou receosa, mas era algo que precisava saber.
"Provavelmente sim..." Elliot respondeu com o olhar triste, rosto vermelho de raiva.
"Quantos foram?" ela perguntou com a voz quase inaudível.
"Cinco..." Elliot sussurrou enchendo os olhos de lágrimas ao lembrar que ele também estava nessa contagem.
Olivia soltou um suspiro pesado. O medo de sentir ódio de sua filha ao lembrar por tudo que passou havia voltado. Quando ia falar sentiu uma dor de cabeça insuportável, a vontade era gritar, mas não o fez. Apenas segurou forte no braço de Elliot.
"M- minha cabeça!" disse com a voz entrecortada.
"Meu Deus... calma, vou chamar o médico!" Elliot desesperou. Saiu correndo do quarto a procura de um médico, sendo logo atendido.
O médico entrou junto com algumas enfermeiras e ao ver o estado de Olivia, aplicou um sedativo. Decidiu refazer a ressonância magnética da cabeça, queria ver o estado atual do cérebro dela.
Enquanto levavam ela para realizar os exames, Elliot decidiu olhar a Emma. A observou dormindo por alguns minutos. Ficava admirado em como a pequena era encantadora.
Depois de um tempo voltou ao saguão.
"Ela teve uma filha!" Cragen disse emocionado ao ver Elliot.
"Sim! Eu ainda acho que estou sonhando com tudo isso!" ele respondeu com um sorriso aliviado.
"Meu Deus! Olivia... nossa Liv está viva!" Cragen exclamou transbordando de felicidade.
"Dr. Phill contou tudo?" perguntou Elliot.
"Sim... Anne e Thomas... Já entrei em contato com a polícia de New Jersey, todos estão avisados sobre os dois, e o alerta com as fotos foi emitido." Respondeu o capitão com mudando a expressão do rosto.
"Quero esses dois atrás das grades ou mortos! Se a polícia não der conta, eu mesmo vou atrás deles!" Elliot disse com os punhos fechados tentando conter a raiva.
"Não vamos discutir isso agora Elliot!" falou Cragen sendo capitão como sempre.
"E Olivia como está? Você conseguiu vê-la?" Fin perguntou ansioso.
"Sim. Conversei um pouco com ela... logo o médico a levou para fazer alguns exames da cabeça..." Elliot comentou reticente.
"Por quê? Ela sofreu algum trauma no crânio?" questionou Munch estranhando.
"Ele quer apenas verificar se houve alguma mudança depois da cesárea, em relação à amnésia..." Elliot disse de forma simples.
"Ela não consegue lembrar nada?" perguntou Fin apreensivo, afinal Olivia era quase sua irmã para ele, e imaginá-la sem memória, sem sua personalidade única, era no mínimo estranho.
"Não... Ela teve alguns flashes essa semana, mas nada claro." Respondeu Elliot.
Eles ficaram conversando por um bom tempo no saguão, até que enfim o médico apareceu procurando por Elliot. Ao perceber que era sobre Olivia, Phill rapidamente juntou-se a eles.
"Sr. Elliot, o resultado dos exames já ficaram prontos. Não houve nenhuma alteração significativa, a dor de cabeça provavelmente é devido ao estresse. Vamos mantê-la em observação por mais dois dias, se tudo ocorrer bem, ela terá alta na sexta!" o médico disse de forma breve.
"Já podemos vê-la?" Phill perguntou ansioso.
"Ela ainda está sob efeito do sedativo, mas pode receber visitas sim! Qualquer dúvida pode me chamar!" respondeu cordialmente o médico, saindo em seguida.
"O Sr. Cragen me pareceu bastante aflito para ver Olivia, melhor ele ser o primeiro..." Phill disse de forma sincera. Estava bem clara a relação de todos com Olivia. O amor e a felicidade em vê-la viva eram evidentes.
"Sim." Elliot concordou, logo avisando a Cragen.
Antes mesmo de entrar no quarto Cragen já estava emocionado.
Assim que a viu não pode conter as lágrimas. Aproximou-se em silêncio.
"Liv... meu Deus...!" ele soltou tocando levemente nos cabelos dela.
"Você não tem ideia da felicidade que estou sentindo em te ver viva..." ele sussurrou transbordando.
Olivia estava em um sono profundo. Com cuidado, Cragen puxou uma cadeira e sentou-se ao lado dela. Ficaria ali até ela despertar.
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