Casa de Elliot
22 de novembro
"NÃO OUSE CHEGAR PERTO DE MIM" ela gritou com ódio no olhar.
Elliot estava completamente perdido com essa reação extrema de Olivia.
"Liv, o que está acontecendo?" ele perguntou, se aproximando devagar, tentando entender.
"Como se você não soubesse o que fez... pare de mentir Stabler, PARE DE MENTIR!" ela gritou fazendo um sinal pra ele não se aproximar.
"Liv, não sei exatamente o que você lembrou, mas por favor, me dê a chance de contar toda a história... por favor!" Elliot pediu com os olhos marejados, o que ele mais temia de fato havia acontecido. Olivia recordou justamente o momento errado, de forma errada.
"Eu sei o que lembrei, não preciso ouvir mais nada... eu só... como você pode? Eu acreditei que você era realmente meu amigo, acreditei quando você disse que nunca faria mal algum a mim... e o que eu lembro? Justamente o contrário... eu amarrada em uma mesa... você em cima de mim... meu Deus, COMO VOCÊ PODE?!" ela questionou chorando, o nojo era visível na expressão de Olivia.
"Eu... eu fui obrigado Liv... você não lembrou de tudo... por f..." Elliot tentou se explicar mas logo foi interrompido por Olivia saindo do quarto segurando sua bolsa e a de Emma.
"Liv! Espera! Pra onde você vai?! Por favor, vamos conversar, eu imploro!" Elliot pediu correndo atrás dela, a segurando pelo braço.
Olivia vagarosamente olha para a mão de Elliot a segurando, a raiva que estava sentindo aumentava a cada segundo.
"OU O QUE?! Vai atirar em mim como Thomas?!" Ela gritou tremendo de nervoso.
"Nunca me compare com esse lixo!" Elliot disse, soltando o braço de Olivia, irritado com a comparação.
"E por que eu não compararia? Ambos mentiram pra mim... ambos me estupraram e graças a vocês, sempre que eu olhar para um homem a partir de hoje, vou me perguntar se não estava entre os cinco que me estupraram. Então, sim, pra mim vocês e Thomas são iguais." ela respondeu com tanto ódio no olhar e nas palavras que Elliot ficou sem reação, apenas observou Olivia pegando Emma, saindo pel porta.
Ter Olivia de volta, viva, e perder dessa forma, com tanto ódio, quebrou Elliot por dentro.
Olivia estava transtornada, os pontos da cirurgia já estavam começando a sangrar. Sentada em uma praça, ela tentava distrair Emma, não queria passar todo o ódio que estava sentindo para a filha, até que Phill finalmente apareceu.
"Liv, o que aconteceu? Você está bem?" ele saiu do carro correndo, preocupado com Olivia.
"Ele mentiu pra mim Phill... não sei mais em quem confiar... ele mentiu!" ela soltou começando a chorar novamente.
"Ele quem? Elliot?" - ele perguntou, mas ao perceber o estado de Olivia preferiu a tirar dali - "Calma... respira! Venha, vamos até minha casa e lá você me conta exatamente o que aconteceu ok?!" ele completou pegando as bolsas, levando as duas até o carro.
"Phill... sua esposa não vai achar ruim?" depois de muito tempo em silêncio Olivia questiona. Havia lembrado que ele era de Jersey, tinha esposa e filho.
"Mudei pra Manhattan essa semana, recebi uma proposta irrecusável de emprego aqui... e minha esposa... pediu o divórcio, já não estávamos muito bem há algum tempo... na verdade ela nunca aceitou a maneira como eu levo minha carreira, meus plantões, minha dedicação..." ele respondeu não sabendo ao certo como explicar. Era estranho falar de si, geralmente era o contrário que acontecia, o que pra ele era mais fácil, ouvir e ajudar.
"Meu Deus Phill, por que não me contou isso antes? Não foi por minha culpa isso tudo, foi?" ela perguntou apreensiva, já sentindo a culpa pelo divórcio dele, afinal desde que a encontrou, ele a acompanha.
"Liv, a paciente aqui é você, não tinha o porque eu te encher com meus problemas pessoais. E nunca, nunca mesmo, pense que você foi o motivo do meu divórcio. Como eu disse, há tempos que eu e Judy não nos entendíamos, o que nos unia era nosso filho. Agora dividimos a guarda e somos felizes, cada um com sua vida..." ele respondeu tentando esquivar do assunto
"Paciente? Eu sempre considerei você mais que um psicólogo... considero você um amigo e sinceramente esperava o mesmo de você, mas como sempre, desde que perdi minha memória, acredito em coisas que não existem." ela falou ligeiramente irritada com a forma que Phill havia falado.
"Desculpa... considero você uma amiga também... apenas não gosto ou não sei falar sobre mim." ele disse lançando um sorriso sincero de desculpas, fazendo Olivia soltar um sorriso tímido também.
Seguiram o resto do caminho em silêncio.
Ao chegar no apartamento de Phill, improvisaram na cama uma barreira para Emma não cair. Ela havia dormido no caminho, o que de certa forma deixava Olivia aliviada, não queria que a filha ouvisse a conversa entre ela e Phill, mesmo sendo pequena demais para entender, os sentimentos eram muito pesados.
"Pronto. Está mais calma para contar o que aconteceu?" Phill perguntou sentando no sofá junto com Olivia.
"Sim..." ela respondeu bebendo o último gole de água que tinha no copo. "Essa manhã uma amiga, Alex, foi nos visitar. Eu não conseguia recordar nada, o que apenas aumentava minha frustração... ela me abraçou tão forte, era visível a saudade que ela sentia de mim, única coisa que eu pude fazer foi sorrir... não demorou um minuto essa sensação, logo senti uma pontada na cabeça que me deixou cega por alguns instantes, senti aquela mesma dor de cabeça de quando recordei sobre Thomas e Anne." Olivia começou a contar, tentando ser o mais específica possível.
"Quando você sente essa dor, você consegue distinguir a causa, o que desencadeou?" Phill perguntou a forçando a pensar.
"Dessa vez, quando Alex me abraçou, o perfume dela... aquele perfume, não sei se tem relação, mas ao sentir o perfume dela tive uma sensação estranha, não sei explicar... a dor de cabeça veio em seguida, mas o que eu recordei não tem nada a ver com ela..." Olivia disse forçando sua memória para lembrar o cheiro, sensação.
"A memória olfativa é muito importante nos casos de amnésia, é ótimo você conseguir distinguir cheiros e ligá-los a fatos passados, vamos trabalhar melhor isso. Agora continue, o que aconteceu depois das pontadas na cabeça?" Dr. Phill mostrou-se animado com esse avanço de Olivia, por menor que fosse, já era um ótimo caminho a se trilhar.
"Fui deitar, sabia que corria o risco de cair novamente, preferi ficar em um lugar seguro. A memória veio em flashes confusos, eu via Anne com uma faca na mão, eu tentava me mexer mas não conseguia, meus braços estavam amarrados em uma mesa... a dor que eu sentia... Elliot estava dentro de mim... era ele o motivo de toda minha dor" - ela parou de contar por um minuto, respirou fundo tentando acalmar o choro - "Ele... ele gozou dentro de mim... dentro de mim!.. depois despencou como um animal... Anne filmou... ela filmou. Meu Deus... que nojo de mim, dele, dela..." ela concluiu sentindo todo o ódio novamente.
"E o que Elliot disse sobre isso? Vocês conversaram?" Phill perguntou tentando ser o mais profissional possível, a vontade que ele tinha era ir até Elliot e socar a cara dele, mas sabia que isso era um sentimento pessoal e não ajudaria Olivia em nada.
"Eu fiquei cega de raiva... ele insistia que eu não havia lembrado de tudo, pra eu ouvir dele a história toda, que ele tinha sido obrigado a me estuprar... Obrigado a fazer isso, como eu vou acreditar em algo assim?!" ela disse indignada.
"Que fique claro que eu não estou defendendo ninguém, apenas questionando. Já pensou nessa possibilidade, dele realmente ter sido obrigado? Nesses flashbacks a expressão dele era de satisfação? E a de Anne? Tinha mais alguém além deles dois?" Phill perguntou forçando Olivia a considerar todos os fatos.
"O que você que de mim Phill? Ele me estuprou... você me ouviu?! ME ESTUPROU! Não tem desculpa pra isso, não importa a circunstância... não importa!" Olivia se exaltou, levantando nervosa.
"Meu Deus Liv... " Phill levantou também exaltado ao ver todo o sangue no vestido de Olivia.
Ao olhar pra baixo e ver que estava sangrando, Olivia desmaiou. Por sorte Phill conseguiu segurá-la.
Com cuidado a levou até o quarto, pegou seu kit de primeiros socorros e com cuidado a acordou.
"O que...?" ela acordou assustada, mas foi logo interrompida por Phill.
"Liv, você teve uma queda de pressão. Agora você está deitada na minha cama. Há um sangramento na sua barriga, eu preciso verificar o motivo, tudo bem?" ele explicou com calma, pedindo permissão para cuidar do ferimento.
"Tudo bem..." ela disse com a voz quase inaudível, erguendo o vestido até o meio da barriga.
Phill colocou as luvas e com cuidado limpou todo o sangue.
"Você fez muito esforço hoje Liv, dois pontos abriram, vou improvisar um curativo, mas se não funcionar teremos que ir até o hospital refazê-los. Não podemos correr o risco de uma infecção." ele disse passando uma pomada com cuidado no corte.
"Não, sem hospital... não aguento mais..." ela soltou apreensiva.
"Liv, sua cirurgia é recente... vamos torcer para o curativo dar conta do recado, senão vamos sim ao hospital!" falou Phill sério, finalizando o trabalho.
"Eu preciso trocar de roupa, não quero ficar com esse vestido cheio de sangue." Olivia falou tentando sentar.
"Hey! Nada de movimentos bruscos. Eu te ajudo a trocar de roupa, continue deitada, eu já volto." ele disse buscando a bolsa de Olivia, voltando ao quarto em menos de um minuto.
Olivia ficou sem reação com todo esse cuidado de Phill.
"Phill eu sei me trocar sozinha..." ela disse rindo com a forma que ele ajeitava outro vestido nas mãos.
"Eu sei que você sabe, mas não pode fazer esforço algum da mesma forma que não quer voltar ao hospital, então aceite minha ajuda... prometo ficar com os olhos fechados se for deixar você menos desconfortável." ele disse com um sorriso. Ele achava Olivia maravilhosa, mas nunca, em hipótese alguma se aproveitaria de qualquer situação com ela.
"Não precisa fechar os olhos... confio em você." ela disse erguendo os braços pra ele puxar o vestido. Phill foi o homem que a encontrou, não veria nada diferente do que já tinha visto, se quisesse fazer algum mal à ela já teria feito há tempos, partindo desse princípio, ele era a única pessoa em quem ela realmente confiava no momento
Com cuidado ele tirou o vestido cheio de sangue, jogando no chão, logo pegando o limpo, vestindo Olivia.
"Pronto! Agora vou ver como Emma está, enquanto isso aproveite para descansar. Vocês duas ficarão aqui o tempo que for preciso!" ele disse com um sorriso sincero.
"Phill, obrigada por tudo, mas não posso aceitar... você tem sua vida, seu trabalho..." ela começou a falar sendo prontamente interrompida por Phill.
"Olivia Benson, você e a pequena Emma, são mais que bem vindas aqui no meu simples e aconchegante apartamento. Temos lugar para todos nós, então pare de se desculpar. Como você mesma disse, somos amigos, e é exatamente isso que amigos fazem!" ele disse confiante, segurando a mão dela.
"Obrigada Phill... obrigada!" ela disse abrindo um sorriso aliviado.
Assim que ele saiu do quarto Olivia ficou pensativa. Por instantes ela havia esquecido completamente todo o inferno que havia recordado naquele dia.
Enquanto Olivia descansava Phill decidiu fazer algo para eles jantarem.
Uma música distante repetia insistentemente começando a irritá-lo, até que depois de alguns minutos ele finalmente encontrou a fonte. Era o celular de Olivia, havia dezenas de ligações perdidas e mensagens de Elliot.
Assim que pegou o celular na mão ele começou a tocar novamente, Phill não pensou duas vezes antes de atender.
"Liv? Olivia, que bom que você atendeu, por favor me escute..." Elliot começou a falar empolgado.
"Não, não é a Olivia. Inclusive eu preciso conversar seriamente com você Stabler." Dr. Phill falou sério, deixando-se levar pela raiva que estava sentindo.
