Hospital

24 de novembro

10:45 a.m.

A luz do quarto era quase nula, apenas um spot em cima da cama iluminava o necessário para se enxergar as sombras dos objetos.

Phill estava sentado em uma poltrona ao lado da cama desde o ocorrido na madrugada anterior. Elliot pediu para que ele acompanhasse Olivia enquanto estaria ocupado procurando por Emma.

Ela estava sedada. Os pontos da cesárea estavam completamente abertos quando chegou ao hospital e por conta da agitação foi necessário sedá-la.
Muitas horas e uns dez cafés depois, Olivia enfim acordou.

Phill ficou em pé rapidamente ao vê-la abrir os olhos. Acendeu a luz para que ela reconhecesse facilmente o local.

Levou alguns minutos para que Olivia despertasse completamente. Seus olhos ainda estavam se adaptando ao ambiente quando lembrou de sua filha.

"Minha filha, meu Deus! Eu preciso encontrar minha filha!" Ela começou a gritar ainda com a voz rouca, tentando levantar.

"Calma Liv, seus pontos..." disse Phill tentando contê-la.

"EMMA! Eu preciso encontrá-la, eu preciso... me solta!" ela continuou gritando até que ao sentar sentiu uma dor insuportável vindo dos pontos, ao colocar suas mãos viu que foram refeitos.

Percebeu naquele momento que não conseguiria sair dali tão cedo.

A realidade caiu como uma pedra esmagando todas as esperanças que Olivia ainda tinha. Ao sentir-se impotente começou a chorar, um choro desesperado, um choro cheio de lembranças de um passado conturbado e de um presente de escuridão.

"Elliot vai encontrar a Emma... ele e todos seus amigos da unidade estão reunindo todos os esforços necessários para encontrá-la!" Falou Phill tentando consolá-la.

"Por que?! Por que..." Olivia soltou entre soluços.

Phill se aproximou um pouco mais na intenção de abraçá-la, mas ao perceber o que ele pretendia Olivia o empurrou com força.

"Não toque em mim!" Ela gritou o encarando com raiva.

"Você está assim comigo por conta do bilhete, certo? Liv, me desculpa... eu sai para encontrar o Elliot, precisava entender toda a história, ouvir a versão dele e querendo ou não ele teria que me contar. Como vocês tinham acabado de brigar e por sua situação ser delicada, preferi omitir... isso não vai mais acontecer, me desculpe..." ele começou a falar sem parar, sabia que havia errado com Olivia, precisava se explicar, se desculpar, mas ao perceber que ela nem estava ligando para o que ele dizia

"Foi minha culpa... ele levou Emma por minha culpa... eu não consegui impedir..." Olivia soltou ainda chorando. Já estava deitada novamente, mas nada a acalmava.

"Ele quem?" Phill perguntou preocupado.

"Thomas... o pior de todos... minha filha está nas mãos de um sádico doente, meu Deus!" Ela falou transtornada com a ideia.

"O que aconteceu exatamente?" Ele questionou com cautela, não queria deixá-la mais alterada do que já estava.

"Eu estava andando com Emma quando Thomas nos abordou. Assim que ouvi a voz dele saquei minha arma na intenção de protegê-la. Ele também estava armado. Naquele momento eu estava disposta a matá-lo, mas ele começou a falar algumas coisas sobre o que havia acontecido durante o meu sequestro e aquela dor de cabeça absurda começou a me deixar desestabilizada, aos poucos fui perdendo a visão..." Olivia começou a contar, a voz embargada aos poucos foi substituída pelo choro.

"Não se culpe Liv... você não tinha controle sobre o seu corpo, além de estar debilitada, você tinha um caso grave de amnésia com quadros de enxaqueca aguda..." ele disse com a voz suave porém firme tentando passar segurança.

"O pior de tudo é que ele pode realmente ser o pai da minha filha... meu Deus..." ela disse tampando o rosto com as mãos. Lembrar do passado foi sentir tudo novamente, cada surra, cada coação, cada momento de pânico e dor que havia passado.

"Você lembrou exatamente do que? Foram flashbacks confusos ou algo mais concreto?" Phill percebeu que o olhar de Olivia estava diferente, como se algo tivesse mudado drasticamente dentro dela, algo além do sequestro de Emma.

"De tudo..." ela respondeu cansada de chorar. Seus olhos encaravam o vazio como se buscasse ali uma resposta, um motivo pra seguir.

Phill não questionou, sentiu no pesar da resposta de Olivia que ela havia de fato lembrado de tudo.

Pelo o que Elliot havia contado, Phill tinha uma breve ideia do que ela estava sentindo. A extensão dos danos só saberia depois de um tempo e de muita conversa.

"Eu não sei o que é pior... viver na amnésia, desconfiando de tudo e de todos, ou ter minha memória de volta e viver em um inferno..." ela disse com a voz séria, seu olhar era sombrio, sem brilho.

Ao ouvir aquilo Phill sentiu um aperto no peito, uma vontade de abraçá-la e dizer que tudo ficaria bem, mas sabia que isso não seria possível... não naquele momento.

Com cuidado segurou a mão de Olivia. Precisava mostrar pra ela seu apoio, mostrar que sempre que ela precisar, ele estará ali ao lado dela.

Olivia fechou os olhos ao sentir a mão de Phill tocar em sua pele fria. Lutou contra a repulsa do toque, respirou fundo até sentir segurança e retribuir o aperto de mão.

"É impossível eu sentir ódio de você, Phill... se não fosse por você eu nem estaria aqui... " Olivia disse soltando um longo suspiro, com um sorriso tímido no rosto.

"Eu apenas a encontrei, quem te salvou foi você mesma e sua vontade de viver!" Ele retribuiu o sorriso. Estava aliviado por Olivia não o odiar.

Os dois se encararam por alguns instantes. O vínculo que havia nascido entre os dois era algo muito forte, ele a conheceu no pior momento de sua vida e ainda assim ficou, apoiou e suportou todas as fases, toda evolução, todos os problemas que ela passou.


Squad

24 de novembro

05:33 a.m.

Assim que Elliot chegou na central com Cragen, logo começou a emitir chamados sobre o sequestro de Emma.

O Sol ainda estava nascendo quando Elliot, Munch, Fin e Amaro estavam na porta de alguns estabelecimentos próximos a esquina onde Olivia foi encontrada. Buscavam imagens de câmeras de segurança, afinal ainda não sabiam quem havia sequestrado a pequena.

Com as gravações em mãos voltaram correndo para central.

Ao ver Thomas e Olivia discutindo, ao saber que foi ele que sequestrou Emma, Elliot ficou transtornado.

"Filho da puta!" Gritou socando a primeira parede que encontrou na frente.

Todos apenas observaram, entendiam a revolta de Elliot. Apesar de não saberem até hoje o que de fato havia acontecido no sequestro dele e de Olivia, sabiam que era algo muito difícil de lidar, por toda a extensão de danos em Elliot.

"Espalhem a foto desse desgraçado. Quero Manhattan inteira atrás desse covarde! AGORA!" Cragen ordenou transbordando de raiva. Considerava Olivia uma filha, Emma automaticamente havia se tornado uma neta, e ele estava disposto a fazer de tudo para recuperá-la.

"Se esse canalha fizer alguma coisa com Emma, eu acabo com a vida dele!" Elliot gritou com ódio.

"A gente te ajuda." disse Fin também nervoso.

Depois de algumas ligações Cragen voltou para sua sala, estava extremamente preocupado com toda essa situação. Decidiu ligar para Phill a fim de saber o estado de Olivia.

Ao saber que fisicamente Olivia estava bem sentiu um certo alívio, mas ao saber que ela havia recordado de tudo ficou apreensivo, não sabia exatamente se isso era algo bom, principalmente naquele momento.

Elliot havia subido, precisava ficar um pouco sozinho, esfriar a cabeça... estava na janela observando o movimento quando seu celular tocou. Ao ver que o número era desconhecido desceu correndo as escadas chamando a atenção de todos, inclusive dos técnicos, tinha esperanças de ser Thomas.

"Alô" Elliot atendeu se controlando o máximo que conseguia.

"Quanto tempo Stabler! Saudade dos seus gritos..." Anne disse em tom debochado.

"O que você quer vadia?" ele perguntou começando a se alterar. Não esperava uma ligação de Anne.

"Nervosinho você não? Precisa aliviar essa tensão, por que você não estupra a Liv de novo? Deu certo da primeira vez..." ela soltou excitada por perceber a respiração de Elliot alterando conforme ela falava.

"CALA A SUA BOCA DESGRAÇADA!" Elliot gritou tremendo de ódio. Só não havia jogado o celular na parede ainda pois precisava saber o motivo da ligação de Anne.

"Quantas lembranças que esse grito de raiva me traz... " Anne começou a falar mas foi interrompida por Elliot.

"O QUE VOCÊ QUER? SEJA OBJETIVA!" ele gritou querendo encerrar logo aquela ligação.

"Calma Ell! Apenas liguei para informar que sei onde está a filha da Oliva e estou disposta a devolvê-la a você, porém quero algo em troca..." ela respondeu com a voz calma.

"O que você precisa? Dinheiro? Helicóptero?" Elliot perguntou com o coração na boca. Saber que Emma estava nas mãos de Anne era pior que saber que Thomas a tinha sequestrado.

"Não... eu quero sua Liv. Em troca da bebê, quero que você me entregue a Olivia!" - ela soltou de forma direta, ao perceber que Elliot estava estático, continuou - "Daqui duas horas eu ligo novamente para saber sua resposta!" completou Anne, desligando o telefone em seguida.

Elliot estava paralisado. Ainda tremendo colocou o celular na mesa. Não conseguia raciocinar. Escolher entre Emma e Olivia, isso era insano. Anne era completamente louca, faria qualquer coisa para conseguir o que queria e isso o aterrorizava.


N/A: Penúltimo capítulo o/

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