Disclaimer: Rurouni Kenshin não me pertence. A música que Kenshin cantarola é Tactics, do Yellow Monkey.
"Koi no Yokan"
Parte 9
Por Chibis
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Cantarolando, Kenshin batia o pé e acompanhava o ritmo da sua música favorita que tocava no rádio. "Hageshiku Lady, Ah Give me your love, Ayashiku Lady I need your love…" Na cozinha, ele preparava desjejum para duas pessoas.
"Sugoi..." Através da imensa janela ele acompanhou todo o raiar do dia. O sol vermelho surgindo no horizonte e colorindo o céu japonês com laranja e rosa. "Sugoi!"
O café da manhã que ele preparava estava um tanto quanto atípico para os orientais. Ovos mexidos, pãezinhos frescos, suco de laranja, e frutas já sobre a mesa da cozinha. Tanto ele, quanto Kaoru necessitariam de energia extra naquela semana agitada.
O ruivo parou de assobiar e abriu um caloroso sorriso ao perceber quem estacionava no batente da porta da cozinha.
"Ohayo!" Ele pegou duas xícaras do armarinho. Retirou a jarra da cafeteira, e despejou o líquido quente e escuro nelas.
"Bom dia Kenshin!" Mais dormindo que acordada, Kaoru olhou para o relógio na parede 06:40 da manhã. Com sua habitual pressão baixa matinal, ela se encostou no batente. "Quanta animação..."
"ORO! O que aconteceu com você?" Kenshin riu da careta que ela estampava no rosto. "Perdoe-me. Fiz muito barulho e te acordei?" ..Ou cólica de novo? Não que eu esteja contando os dias nem nada, mas acho que já acabou, ou está acabando. Não é?...Oro! O que estou pensando?...
Kenshin fechou os olhos e sorriu com seu jeito mais abobalhado.
"Nãoo!" Como uma gata, Kaoru se esticou toda, levantando os braços e ficando nas pontas dos pés. Ela fez um barulho com a garganta, um pequeno gemido. "Hmmm"
Kaoru que ainda estava com pijama e pantufas, nem percebia os barulhinhos que fazia quando se alongava de manhã cedo. Kenshin alegrou-se ao perceber que a intimidade deles tinha aumentado bastante desde que passaram pela fase constrangedora. Comprar absorvente pra ela, fazer massagem, cuidar pra que não tomasse friagem, oferecer remedinhos para não ter colica, não seria tão complicado no próximo mês.
A moça já andava pela casa como se morasse ali a vida toda. Ela tinha cuidado, obviamente, mas já não estava mais medo das obras de artes, esculturas, nem do piso perfeito de carvalho maciço do apartamento. "Olha, vamos ter que deixar o treino pra de noite. Eu tenho um dia bem cheio no escritório hoje. Estou atolado em prazos e papéis. Desculpe se te acordei tão cedo."
"Você não acordou! Meu estômago foi quem me acordou"Kaoru sorriu, entrando finalmente na cozinha. Surrupiou um pedacinho de pão da cesta e parou no balcão de mármore do lado da geladeira, se encostando ao móvel. "... Posso te ajudar em alguma coisa?"
"Com o café da manhã? Não precisa... Lembra que você ainda tem uma medida cautelar pra não se aproximar da cozinha!"
"Masaka, Kenshin..." Kaoru resmungou entre os dentes, uma veia pulsando no canto da testa. "Mou!"
"Oro!" Kenshin realmente não queria dar satisfação para os seguranças do prédio, mas estava na hora de justificar a presença da moça no seu apartamento. Ainda mais que ela estaria sozinha para receber o arquiteto e a mobília nova do escritório. "Mas eu vou te dar uma tarefa hoje, tudo bem? Você precisa receber meu arquiteto Kamatari Honjo. É uma pessoa meio incomum, às vezes viaja demais, mas é gente boa. Vem tirar algumas medidas. Vou fazer umas mudanças no terraço e em um dos quartos. Só nós dois aqui, não precisamos de seis quartos, podemos usar de outro jeito."
"Claro! O que você precisar... Só me passe todas as instruções..." Kaoru levantou o nariz, um cheiro delicioso invadindo a casa.
"Himura Kenshin você está assando croissant? Como em nome de Kami sama você consegue fazer croissant as 06:40 da manhã?" Kaoru abriu os braços derrotada. Por que ela não conseguia nem fritar um ovo?
...Como esse homem consegue?...
"Hmm Kamiya, se te contar serei obrigado a te sequestrar, pra que nunca revele meu segredo..." Kenshin ofereceu seu sorriso mais convencido, e mostrou o pacote de croissants congelados, prontos para assar.
Kaoru riu. "Acho que nós já passamos dessa fase. Eu sou uma princesa aqui, você meu dragão, e essa é sua torre e... Bom, pelo menos meu dragão é bonzinho."
"Eu sou seu dragão?" Com tom carregado de flerte, Kenshin deixou escapar um sorriso um tanto quando presunçoso.
O ruivo deu de ombros. "Que inapropriado! Justo agora que acabei de dizer para o chefe da segurança que minha namorada está morando comigo, ela me chama de dragão..."
"O que?" Kaoru sentiu o rosto ruborizando.
Kenshin estava adorando observar as feições de Kaoru mudando conforme digeria cada palavra que ele pronunciava. "Eu poderia ter dito, irmã, prima, amiga, empregada, mas abriria margem pra fofoca, então eu disse namorada. Se houver mudança no futuro, nós não teremos problema..."
Kaoru perguntou mais para si mesma do que para Kenshin. "Mudança no futuro?"
"Maa maa..." Kenshin colocou as xicaras no balcão, esfregou a nuca e sorriu.
A última coisa que ele queria era assustá-la agora. "Kaoru, os seguranças do prédio já perceberam que você está morando aqui, eu não posso mais fingir. Eu precisei dar uma justificativa, ainda mais quando permiti formalmente seu acesso a todos os ambientes desse condomínio... Eles já têm sua foto, e seu nome Kaoru Kasshin."
"Kaoru Kasshin?" Kaoru estava realmente surpresa, havia mudado de sobrenome e nem sabia.
"Por segurança!" Kenshin pegou as duas xicaras de café novamente, todo esse falatório e o liquido já estava esfriando.
Ela pigarreou e apontou para uma das canecas."Café, ruivo, eu preciso de café..."
"Antes de qualquer coisa Kamiya... Conta-me o que ficou fazendo a noite toda naquele quarto..." O jeito e timbre que ele pronunciou as palavras. O olhar que ele expressava. O ruivo estava passando por algum ritual de acasalamento, ou o que?...
"Naquele quarto?..."Kaoru ficou com a impressão de que tinha duplo sentido. A voz dele cheia de galanteio. ...Kenshin andou bebendo e eu não sei? Ele está flertando, ou é impressão?...
"Aposto que passou a noite pensando no...!"
"BAKA!" Kaoru acertou a cabeça dele com uma colher de pau.
"ORO! Eu não disse nada demais! Ou você estava mesmo fazendo algo estranho?" Kenshin passou a mão no pequeno calo que apareceu bem no topo da cabeça. Ele entregou finalmente a xicara para Kaoru.
"Kenshin!" Ruborizada, Kaoru quis esconder o rosto, talvez fosse ela quem estivesse vendo duplo sentindo onde não tinha. "Eu passei a noite desenhando! Simplesmente não conseguia parar. Toda aquela conversa sobre estrelas e deuses... Alias, eu preciso da senha do WI FI pra começar a passar os arquivos para o Senhor Shogo."
...E eu fiquei pensando em você a noite toda...
Os olhos azuis de Kaoru estavam vermelhos e ela tinha olheiras, mas pelo menos ficou satisfeita com os desenhos. Tinha conseguido expressar suas ideias e emoções com um simples lápis e algumas folhas de papel sulfite.
"Posso ver?" Kenshin sorriu, cheio de esperança.
"Nãooo..." Ela balançou a cabeça rindo meio sem graça.
...Eu preciso mudar o rosto do meu desenho, o rosto de Kenshin...
"Kamiya. Eu sou seu chefe." O ruivo usou sua voz autoritária. "Esqueceu? Posso te obrigar a me mostrar, ou desconto do seu salário, que por sinal já está separado em um envelope lá no escritório."
"HIMURA!" Kaoru ficou chocada.
"Mas por que desenhou igual uma louca? Shogo te deu pelo menos três semanas..." Kenshin ignorou, bebeu um pouco de seu café. "Argh, amargo. " Ele reclamou.
"A senha do WI FI é azul índigo. Tudo junto..." Kenshin mal conseguia esconder o sorriso escapando no canto dos lábios.
"Azul índigo?" Kaoru franziu a testa pensativa. "Que raio de senha é essa?"
"Tsc... Kaoru...Baka baka..." Kenshin balançou a cabeça rindo. Como Kaoru não percebeu que Kenshin nomeou a senha a partir da cor dos olhos dela? "Teimosa e Baka..."
O armário que guardava o açucareiro ficava bem atrás de onde Kaoru estava encostada. Kenshin deu mais um passo para frente. "O açúcar..."
Aproximou-se ainda mais de Kaoru, encurralando-a contra o balcão da cozinha. Esticou-se para abrir o armário e pegar o pequeno pote de açúcar, propositalmente encostando seu corpo no dela. As coxas de Kenshin e Kaoru se tocaram.
Ele, na ponta dos pés ficou uns bons centímetros mais alto. Kaoru foi arrebatada pelo cheiro dele, um perfume gostoso e masculino que vinha dos fios vermelhos e brilhantes recém-lavados.
Era a primeira vez que os dois ficavam tão perto.
A morena não tinha pra onde fugir. "Hm..."
Bem, Kaoru tinha para onde fugir, mas suas pernas estavam bambas para isso.
"Duas colheres?" Ele perguntou casualmente, bem baixinho, encostando sua bochecha na orelha dela. Depois se afastou um pouco, endireitando os pés. Voltando a altura normal, mas permanecendo a praticamente dez centímetros de distância do rosto de Kaoru.
"Ou você quer mais..."
Kaoru engoliu seco. "Que...querer mais?..."
Por algum motivo cósmico ela não era capaz de desviar seu olhar da boca de Kenshin. Kaoru umedeceu seus próprios lábios com a ponta da língua, e respondeu baixinho. "Não, só duas colheres por favor."
"Creme?" Os dez centímetros entre eles tinha caído novamente, porque Kenshin se inclinou mais uma vez.
Kaoru sentia novamente a respiração quente de Kenshin bem pertinho de sua bochecha.
O ruivo encostou seu corpo no corpo dela. O potinho de açúcar, que agora estava no balcão, bem atrás de Kaoru, virou. Ela bateu a mão sem querer, esparramando o pó branco sobre o tampo de pedra.
Kenshin apoiou as duas mãos na borda do mármore, inclinando-se mais um pouco, Kaoru ainda presa no meio de seus braços.
Ela poderia sair. Ela deveria sair. Mas ela não conseguia se mexer. Ela nem queria se mexer.
"O que você disse?" Kaoru sussurrou, ainda olhando para a boca de Kenshin.
Quem conseguia prestar atenção no que o ruivo falava com aquela boca perfeita estava tão perto da sua?
"Você quer creme no seu café? Ou gosta dele puro?" Assim como Kaoru fez segundos atrás, Kenshin também fez. Umedeceu seus lábios com a língua. A morena sentiu o sangue pulsando forte e quente dentro de suas veias, a boca seca.
"Onegai...creme...sim" ...Oh meu Deus. O que está acontecendo comigo?...
Uma mão de Kenshin deixou a borda do balcão de mármore, deslizando, até tocar a cintura de Kaoru. A palma da mão estava bem aberta, como se ele quisesse que todos seus dedos e digitais tocassem o máximo possível da mulher presa entre seus braços. "Kaoru..." O pijama de seda tão fino e delicado era o único empecilho para que os dedos tocassem a pele quente da cintura dela.
Kaoru ajeitou a coluna, endireitando-se. Arfando, enchendo o pulmão de ar. O que fez com seus seios tocassem o peito de Kenshin. Inconscientemente, ofereceu um convite, separou os lábios em antecipação. A xícara de café na sua mão tremia, ela nem lembrava que ainda segurava a xícara.
"Kaoru!" O nome dela rolava deliciosamente na língua de Kenshin. Ele poderia repetir Kaoru mil vezes e nunca se cansaria. "...Sabe que é só me pedir?...Eu dou tudo que você quiser..." A mão de Kenshin deslizou pelo braço de Kaoru, arrepiando os pelinhos no processo.
"Ken...shin... Doushitte?" ... Por que ele fala essas coisas? Ele não deveria falar essas coisas...
"Porque sim..." O rosto dele foi se aproximando, Kaoru arrepiou-se em antecipação. Ela segurou o ar nos pulmões antecipando o toque dos lábios. ...Como alguém pode ter uma boca tão perfeita? Tão bem desenhada, tão vermelha? Tão desejável?...
O coração de ambos em taquicardia. Kaoru sabia que o coração de Kenshin estava alucinado porque sentia com a palma de sua mão aberta, repousando bem no meio do peito do ruivo.
Kaoru fechou os olhos e inalou profundamente. Sentiu o cheiro gostoso do pãozinho no forno e sussurrou. "O crossaint vai queimar..." Quando ela os abriu, mirou o colorido violeta e dourado da íris de Kenshin, a pupila dilatada focando diretamente nela.
"Eu sei..." Kenshin sorriu. Os lábios prestes a sentir finalmente a textura dos lábios de Kaoru. "Tenho mais no freezer..." Ele sussurrou. E como que em câmera lenta, Kenshin foi acabando com a distância entre eles. Focando intensamente nos olhos azuis cobalto que ele tanto admirava.
"Ken...shin... Eu..." Kaoru separou mais os lábios, deslizando sua mão do peito, até o ombro do ruivo.
"zriiiiii zriiiiiiiiii zriii zriiiiii"
Kaoru abriu rapidamente os olhos ao sentir uma coisa vibrando.
Ela piscou duas vezes.
Realmente tinha uma coisa vibrando.
E vibrava bem perto da virilha. A vibração era bem insistente. Ela não podia lidar com vibração. Alí. Justo naquele... lugar. Com todo esse clima, tão perto da... ...OH MEU DEUS... "OH KENSHIN QUE É ISSO?!"
"Kisama... Kuso... Filho de uma grande... Filho da..." Frustrado, Kenshin deitou sua testa no ombro de Kaoru, e balançou a cabeça de um lado para outro várias vezes.
Decepcionado, deu um passo para trás, resmungando baixinho "Não acredito...". Quebrando finalmente o contato com Kaoru. Enfiou a mão no bolso da frente da calça e agarrou o celular que ainda vibrava. Com mais força do que o necessário, ele deslizou a tela, e viu quem chamava. "Himura falando..." Sua vontade era jogar o maldito aparelho pela janela do apartamento.
Kaoru aproveitou para apoiar suas costas ainda mais no balcão, se tentasse andar cairia vergonhosamente bem no meio da cozinha. As pernas bambas. O pulso acelerado.
...O que esse ruivo está fazendo comigo?...
Os olhos de Kenshin, escondidos embaixo das franjas ruivas estavam mais amarelados do que violeta. "É bom que seja um caso de vida ou morte Shinomori...ou eu juro por Deus..." Kenshin saiu da cozinha.
Enquanto Kenshin escutava o que Aoshi Shinomori tinha pra dizer, Kaoru aproveitava para se recompor
... O QUE FOI ISSO? O QUE FOI ISSO? KAMI SAMA!...
Bebeu o café, amargo mesmo, em um gole só.
Deu dois tapinhas nas próprias bochechas. Percebeu que Kenshin caminhava de um lado para outro na sala ao lado, correu parar abrir a torneira, e molhar o rosto e a nuca com as próprias mãos.
Ainda atordoada com o que quase tinha acabado de acontecer, seus pensamentos ficaram mais que confusos. Alguém tinha ligado uma centrifuga no seu cérebro e no seu coração, porque ela estava a um passo de ir até a sala agarrar Kenshin e terminar o que estava começando.
...Que raios eu estou fazendo?...Oh Meu DEUS!...ELE IA ME BEIJAR?...KENSHIN HIMURA IA ME BEIJAR? ...E... E... E...EU QUERO QUE BEIJE! Depois do Enishi, eu não posso cair nisso de novo!...
Kaoru sentiu o cheiro de queimado, e desligou rapidamente o forninho. Os croissants estavam a um passo da extinção.
A moça sentiu-se mais quente que os pobres pãezinhos. Kaoru encheu um copo grande com suco de laranja e bebeu rapidinho, umedecendo a garganta seca. Enquanto carregava a bandeja quente com a outra mão.
"Kaoru!"
Kenshin apareceu de repente na cozinha.
Essa mania de ser silencioso como um gato.
"COF COF" Kaoru engasgou o liquido que ainda tinha na boca. "KYAHHHH! HAIIII? HAI! " Os pães que estavam na forma quente voaram longe. A sorte é que caíram em cima da mesa, e que ela estava com a luva de silicone senão tinha se queimado "Jesus, você quer me matar do coração... Só pode..."
Com uma mão no coração, ela puxou uma das caríssimas cadeiras cromadas, e se sentou de uma vez só, jogando a forma de metal vazia na mesa.
... Que vergonha, Enishi deve ter batido minha cabeça forte demais, eu perdi a habilidade de raciocinar...
"Me desculpe." Kenshin suspirou. Embora sua vontade fosse continuar de onde foram interrompidos, infelizmente teria que estragar o clima de vez. "Kaoru, eu tenho uma noticia pra te dar. Aoshi Shinomori acabou de me ligar, Misao sofreu um acidente e está no hospital..."
"O que? Misao-chan?..."
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"Ok Himura! Qualquer novidade eu te mando uma mensagem." Aoshi desligou o celular e caminhou para perto de Misao.
"Misao... Você está de licença por tempo indeterminado, ele quer que você descanse o máximo possível. Se precisar de alguma coisa não se acanhe em ligar." Ele nem precisa falar isso, obviamente Misao não era do tipo que se acanhava.
Aoshi Shinomori precisava era de um copo bem grande de café expresso. O sono já estava fazendo com que ele não conseguisse se concentrar direito, e uma leve dor de cabeça estava surgindo. Pudera, sem jantar, e desde dez da noite correndo atrás de Misao sem parar. O socorro, o atendimento de urgência, os exames, a internação, as medicações, tudo demorou demais.
"Arigato!" Impaciente, Misao Makimachi contava as últimas gotas de soro que corria do frasco através mangueirinha até suas veias.
""Aoshi sama..." Internada no hospital Central de Tóquio, leito 29, quarto andar, com escoriações no queixo, joelhos e cotovelos e a fratura no braço direito, aguardava o resultado dos exames, mas agora com a troca de plantão dos médicos, a espera parecia interminável. "Você não precisa ficar. Por favor, vá para casa descansar. Eu fico bem sozinha... Já mandei mensagem para minhas primas. Okon e Omasu estão no trem bala vindo pra Tóquio... "
"..." O homem não respondeu, caminhou até a poltrona e se sentou novamente. Aoshi era quase um Buda, uma paciência impressionante. Permaneceu como um guardião ao lado da jovem, zelando enquanto ela cochilava entre um exame e outro.
"Aoshi sama?" Mas desde que Misao acordou a moça não parou mais de falar.
"Sim Misao?" A essa altura, Aoshi Shinomori já conhecia a história de vida de pelo menos cinco gerações da família Makimachi. Talvez toda essa agitação em Misao fosse por causa do choque. Apesar de que sete horas depois do acidente o choque tinha passado, e esse provavelmente devia ser só o jeito natural dela.
Misao começou a puxar assunto novamente.
"No final das contas irmos para a exposição de metro nem foi tão genial assim...!Eu nunca senti tanta dor na vida! E uma dor profunda, realmente profunda, mas agora me sinto tãoooooo relaxada." Misao riu.
"Woow" A nova dose da medicação começou a surtir efeito.
"Sinto muito..."
Dependendo tomografia a equipe médica definiria como procederiam com o braço de Misao. Aoshi cruzou as pernas de um modo bem masculino, e colocou uma mão na testa, bem no lugar onde a dor de cabeça latejava. "Sinto muito, o socorro demorou... "
"Daijoubo! Você me salvou Aoshi sama... Se não fosse você, nós não estaríamos tendo essa conversa aqui... Arigato!" Misao queria levantar. A cabeça não girava mais, e apesar das escoriações no queixo, nos cotovelos e joelhos ela estava bem... Descontando a fratura no braço direito, obviamente.
Sem um carro, Misao e Aoshi foram obrigados a aguardar a ambulância. Aoshi chegou a pensar na possibilidade de pegar Misao no colo e correr até o hospital, mas desistiu sem a certeza do tipo de lesão que ela realmente possuía.
Por causa de um congestionamento, Misao ficou sentada na calçada por quase dez minutos. Gemendo com a dor lancinante. O queixo e os joelhos esfolados não eram nada, nada comparados com o que tinha acontecido com o braço.
Quando Aoshi viu o carro preto acelerando, reagiu tão rápido e tirou Misao da rota de colisão, como uma águia agarrando um coelho em um mergulho perfeito. Salvou Misao do que provavelmente seria um atropelamento fatal.
Os dois rolaram juntos pela calçada do outro lado da rua, mas na queda, ao bater na guia da rua, com o peso do corpo de Aoshi caindo sobre o seu, Misao teve o braço direito esmagado.
"Obrigada por se importar tanto comigo...Você mal me conhece e eu já te dei o maior trabalhão." Misao sorriu um pouquinho envergonhada. Que tipo de primeiro encontro foi esse?
Aoshi demorou um pouco , mas correspondeu o sorriso. "Descanse Misao..."
"Ok." Ela se deitou novamente, ajeitando-se no travesseiro, fechando os olhos.
"Eu já volto..." Aoshi se levantou e caminhou para o corredor, até a maquina de café. Colocou algumas moedas e apertou a tecla "cappuccino". O advogado escutou a máquina funcionando, enquanto matutava.
... o motorista avançou em cima de Misao como se fosse proposital, ele não parou pra prestar socorro, nem pra ver se ela tinha se machucado seriamente ou não. A rua ficava perto de um shopping, com restaurantes e bares. Sim, existe a possibilidade de não passar de um motorista bêbado, mas eu tenho um mau pressentimento... Droga, não consigo lembrar os números completos da placa para a identificação ser mais rápida...
Sentiu o celular vibrar olhou para a tela reconhecendo quem chamava. Se afastou um pouco mais, caminhando até o fim do corredor. "Shinomori falando."
"Hannya falando...Desculpe a demora Okashira, meus contatos só tem acesso ao banco de dados durante o dia... Porém desembolsando uma quantia generosa a gente sempre consegue. Foi difícil, porque só tínhamos uma parcial, mas o registro está no nome de Shishio Makoto."
"O mafioso?" Aoshi olhou para a porta do quarto onde Misao estava internada.
Hannya continuou "Você não sabe? Já saiu nos noticiários, Shishio Makoto foi preso ontem no começo da noite. Seus asseclas e sócios estão desesperados, fugindo aos montes... Inclusive vários nomes de policiais corruptos estão pipocando, fazem parte de um esquema de manipulação de provas, drogas e trafico de armas. Gente da pesada."
"Policiais como Enishi Yukishiro?" Aoshi automaticamente já ligava os pontos. ...Claro, Enishi é um dos parceiros de Shishio Makoto, ele usou o carro de um homem que já está preso só para despistar...Não era só um motorista bêbado afinal... "Hannya quero que Misao Makimachi fique sob seus cuidados... Vigilância total. Ok?"
"De acordo Okashira! Estou indo." Hannya acabou com o telefonema.
Pensativo, Aoshi ainda continuou olhando para a janela por mais um tempo....Mais do que nunca Himura vai ter quer esconder Kaoru Kamiya. Se Enishi Yukishiro colocar as mãos nela antes de ser preso, provavelmente vai matá-la...
Aoshi caminhou novamente para o quarto onde estava Misao. Uma médica agora estava com ela.
"Misao-chan. O que aconteceu?" Para chama-la de Misao-chan, era uma conhecida.
Megumi Takani, com seu jaleco branco e diversas pastas com fichas de pacientes. "Imagine meu susto quando vi seu nome no meio dos prontuários! Por que não me ligou? Só peguei o plantão agora! Você ficou sozinha esse tempo todo?"
"Megumi-san!" Misao tentou se levantar, mas Aoshi correu para o seu lado, impedindo-a. Misao olhou para ele surpresa, assim como Megumi.
"Eu não fiquei sozinha, Megumi-san. Esse é Aoshi Shinomori. Aoshi essa é a Doutora Megumi Takani..." Os dois se curvaram educadamente.
"Esposa de Sanosuke Sagara?" Aoshi se lembrava dela, viu poucas vezes.
"Hai." Megumi ficou um pouco envergonhada. Ela não era oficialmente a senhora Sagara, mas depois de tudo que ela e Sanosuke viveram juntos. Depois de todos os problemas e alegrias, já se considerava a esposa dele sim.
Misao começou a contar sobre seu acidente, um pouco ruborizada com a mão de Aoshi ainda no seu ombro. "Um bêbado avançou o sinal, bem na hora que eu atravessava. Ele corria feito louco, mas o Senhor Aoshi me salvou. Foi uma coisa de filme de ação. O resultado foi um braço fraturado. E aqui estou a noite toda, tomando soro e aguardando a tomografia!"
Até quando machucada e cheia de analgésicos, Misao falava rápido e de um jeito animado.
"Ohhh Misao-chan, que terrível sinto muito! Bem, vamos lá." Megumi já entrou no seu modo médica. Tirou todos os exames e começou a analisar um por um. "Você sofreu uma fratura de membro superior direito. O local afetado foi o antebraço, terço inferior do rádio associado luxação do rádio ulnar distal, provavelmente porque você tentou se apoiar nas mãos enquanto seu corpo se chocava com a calçada."
Misao não entendeu nada. Só a dor, e a aparência estranha que o braço ficou depois da queda. Aoshi prestava bastante atenção na médica.
"A boa noticia é que pelo laudo do raio x e da tomografia, seu caso não parece cirúrgico, pois não foi uma fratura completa, apesar de ser obliqua. Você vai ficar com gesso durante dez dias, e nós vamos repetir todos os exame para uma nova avaliação. Se for necessário, ai pensaremos em uma cirurgia corretiva com implantação de alguns parafusos...Mas pela sua idade, e pelo modo como a fratura apareceu nos exames, eu acredito que não será necessário." Megumi mostrou os resultados para Aoshi e Misao, e continuou explicando o que tinha acontecido com o osso, e os outros detalhes a respeito da recuperação. "Vou te mandar para o setor de ortopedia pra colocar gesso, fazer a receita médica e você já vai para casa pra descansar! Ok?"
"Ufa!" Misao respirou aliviada. Ela não queria demonstrar, mas estava com pavor de cirurgia. Tinha certeza de que depois desses dez dias não precisaria mesmo operar. "Eu vou fazer tudo certinho, prometo!"
Megumi já estava com a porta aberta e com um pé no corredor quando ouviu Aoshi chamando. "Takani-san!"
Aoshi tinha um olhar os olhos azuis claros compenetrados na tela da tv. O timbre de sua voz bem sério.
" Vejam isso."
Aoshi agora já não olhava para Megumi nem para Misao, ele pegou o controle remoto e aumentou o volume da televisão, que estava pendurada na parede do quarto de Misao.
"Continuaremos agora com mais informações sobre a prisão do mafioso Shishio Makoto..." Uma reportagem sobre a prisão do mafioso Shishio Makoto, sua amante Yumi Komagata, e seus comparsas Hoji Sadojima e Usui Uonuma.
E o envolvimento de alguns policias e investigadores como Saizuchi , Woo Heishi e Enishi Yukishiro.
"ENISHI YUKISHIRO?" Megumi e Misao perguntaram ao mesmo tempo.
Enishi, irmão de Tomoe, ex namorado de Kaoru, agora era um foragido da justiça, envolvido com a máfia de armas, drogas, e manipulação de provas.
Aoshi respirou fundo. O quadro todo sendo pintado em sua mente. "...Creio que Sanosuke Sagara está correndo perigo..."
Megumi não entendeu. "Por quê?"
Megumi olhou bem para a foto de Enishi Yukishiro estampada no noticiário. Ela se lembrou da briga entre os dois, algumas madrugadas atrás.
Aoshi começou a explicar suas conclusões. "Esse acidente da Misao, está na cara que Enishi Yukishiro está por trás. Tenho certeza. E ele vai atrás de seus inimigos, um por um, até Kaoru Kamiya apareça... E eu sei que Sanosuke Sagara é a pessoa que Enishi tem a maior rixa."
Automaticamente Megumi tirou o celular do bolso e ligou para Sanosuke que não atendeu. "Com licença!" Ela caminhou para o corredor, encostando na parede, insistentemente digitando o número de Sanosuke, e recebendo a mesma mensagem. "Esse celular está desligado ou fora da área de serviço." "Oh meu Deus... Cabeça oca... Atende esse telefone Sano..."
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Obrigada por ler
Reviews sempre são bem vindos, se você gosta, me conte! Se não gosta faz melhor, quero ler kkkkkkk (tô brincandooooooo). OBRIGADAAA Lica, Artemys, Soffy, Guest *o* e as mensagens Marin, Kiranamie e Madam Spooky (Imagina minha alegria quando vc disse que tava lendo Koi! Spookynhaaa, que viagem! lembrei da nossa época de Racing kkkk!)
No próximo : Enishi é mau, e vai fazer maldades hehehehe.
NOTA DA AUTORA: ENORME SPOILER, SE VOCÊ NÃO LEU O MANGA COMPLETO PARE AQUI!
Espero ter mantido Aoshi dentro do caráter do personagem. Confesso que nunca liguei para o Aoshi, ele simplesmente era indiferente até o Jinchuu. Porém, como foi o responsável por trazer paz aos nossos corações revelando que Kaoru não estava morta. Virei mais ou menos fã dele kkkkk. *o*
Quem nunca leu um fanfic Aoshi e Kaoru depois dessa que atire a primeira pedra kkkkk. (Kenshin me olhando com cara feia) Ok, eu não disse isso Ruivo. Nopes! Foi meu clone malvado! Calma...Desculpa Kenny...(Olhos dourados brilhando bem minha frente). Maa maa... Battousai, tira essa sakabattou daqui...
Kenshin e Kaoru forever!
Errr...Arigato Aoshi-sama pela sua imensa inteligência! hehehehe!
Alias, eu acho tão curioso o povo mete o pau na Kaoru porque ela ficou naturalmente deprimida quando Kenshin partiu pra Kyoto (dããhh, quem não ficaria? Kenshin indo embora pra uma luta mortal. Onde possivelmente voltaria a ser um assassino e nunca mais o veria novamente). E ninguém comenta o estado power depressivo/suicida que Kenshin ficou no Jinchuu. É só porque a Kaoru é mulher? Que não pode ter um momento de fraqueza?
Kenny simplesmente quis morrer sem o seu amorzinho. (e não tava nem aí pra lição de moral de Megumi, ou soco de Sano, ou revolta de Yahiko e Misao, e choro de Tsubame). Ok eu dou um desconto, o Kenshin se deu conta sozinho (ou melhor, com a ajuda da Tomoe) depois de um tempo e foi lá resgatar sua Kenjutsu Komachi hehehe. (Mas novamente obrigada Aoshi-sama por ser a voz da razão ~.~ tá parei.)
Ok estou divagando aqui, sei lá por que...kkkkkk
Até o próximo
Beijos Chibis.
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