Disclaimer: Rurouni Kenshin não me pertence.

"Koi no Yokan"

Parte 10

Por Chibis

Kenshin simplesmente odiava chegar atrasado. Naquela hora da manhã o elevador sempre lotava. Chegar até o escritório era fazer tour pelo prédio, pois a maioria dos funcionários chegava ao mesmo tempo, e o elevador parava andar por andar.

Ele sempre chegava mais cedo pra fazer suas coisas com tranquilidade, mas com todas as intercorrências atrasou, e muito.

O ruivo que tinha começado o dia tão bem, acompanhando o nascer do sol, agora estava um pouco mal humorado.

...Quase conseguindo um beijo da Kaoru. Por que está tão difícil de encontrar o momento perfeito? Quando eu consigo ultrapassar as barreiras dela, algo acontece para atrapalhar...

Para aumentar o mau humor, pegou um trânsito infernal.

A porcaria do celular ficando sem bateria. ... Não sei pra que um celular cheio de recursos e não dura nada. E justo agora que preciso ficar informado...

E ele tinha uma reunião importante em menos de uma hora e não sabia onde Misao guardava as pastas dos clientes. ...Coitada da Misao, espero que fique bem ...

Kenshin dirigiu-se para o fundo do elevador. "Oro?" Ou melhor, ele foi literalmente empurrado para o fundo do elevador. "Ororo!"

Um paredão de funcionários se formou na sua frente, baixinho, todos impediam sua visão da porta. Mas tudo bem, ele provavelmente seria o último a deixar o elevador mesmo.

Uma musiquinha começou a tocar. As pessoas trocavam "Ohayos e Ganbattes" e comentavam entre si, os sobre os acontecimentos do último episódio de um dorama famoso.

...Por que escolhi montar o escritório no último andar?...

... E ainda por cima lota de gente alta... Baka! Todo mundo é mais alto que você...

...Talvez eu deva começar a analisar a mudança da empresa para um lugar mais simples...

...Como será que ela está? Tão injusto, Kaoru nem pode visitar a melhor amiga no hospital. Vai que Enishi descobre onde ela está morando...mas Kaoru não pode viver a vida toda se escondendo... Cortou o coração sair de casa e deixar Kaoru sozinha. Com olhos cheios de lágrimas, preocupada com a melhor amiga.

Kenshin olhou para a tela de seu celular, que já fazia barulho de que estava morrendo. Qualquer ligação ou mensagem ele voaria, reunião ou não.

...Sorte que Shinomori estava com Misao na hora do acidente. Hannya precisa decodificar logo a placa desse carro. Esse motorista não pode ficar impune...Será que foi mesmo motorista bêbado?...

...O jeito é esperar pra saber...

Por hora, teria que se virar sozinho sem a secretaria, não poderia postergar novamente seus compromissos.

...Droga... Kenshin fez uma careta, mais um motivo para deixá-lo de mau humor, teria que procurar uma substituta para Misao.

"Tsc..."

Encolhido no fundo do elevador, Kenshin deixou um pouco seus pensamentos de lado e começou a prestar atenção na conversa de seus funcionários, principalmente quando o nome de alguém que lhe era muito caro foi citado.

"Minna-san! Onde vocês acham que Kamiya se meteu?... Eu estava ansioso em vê-la... A mulher simplesmente sumiu do mapa..." Chou tinha um sorrisão no rosto. O loiro de cabelos espetados todo animado.

"Há há ha! Chou você e a firma toda." Kanryuu Takeda sorriu perversamente. " Eu quero é saber como a gente encontra a versão completa daquele vídeo!"

"Vimos só um pedacinho, imagine todas as coisas que não foram mostradas...he he he" O sorriso de Chou aumentou ainda mais.

"Hei! Sabe o Soujiro? Aquele moleque nerd do TI, acho que ele consegue caçar a versão original na internet!" Jineh completou, já pensando em um jeito em como obrigar o garoto a fazer isso.

"Uma indecência se você me perguntar! Uma mulher, que nem é casada, se deixar filmar desse jeito!" Misanagi, ex namorada de Aoshi Shinomori, que estava tendo um caso com o alemão do terceiro andar ajeitou seu cabelo comprido, enrolando as pontas nos dedos.

"Sei..." Cho olhou desconfiado para Misanagi ...Como se ela mesma não fosse chegada nesse tipo de coisa...

Misanagi ficou nervosa como se lesse os pensamentos de Cho.

"Ai que vergonha alheia. Unf...Kaoru não volta mais. Você voltaria?" Logo ela que gostava de andar pelo escritório com as roupas mais provocantes, e dava em cima dos executivos estrangeiros...

"Vocês..." Toramaru estava começando a ficar irritado, todo dia era a mesma coisa.

"Kaoru Kamiya é gente boa. Ela nunca fez nada contra ninguém aqui na empresa. Eu acho que vocês deveriam parar com isso." Toramaru tinha o tamanho de um lutador de sumô, e o coração compatível. Desde que Kaoru o ajudou quando ele fazia a manutenção da rede elétrica de sua sala, o homem robusto começou a sentir muita admiração por ela.

A moça sempre o cumprimentava com um sorriso no rosto, mesmo quando ela passava por momentos de dificuldade.

"Isso mesmo, Kaoru é a deusa suprema. A perfeição divina. O brilho eterno das estrelas. Ela não merece esse tratamento e esses comentários vulgares..." Ryuzaburo Higashiyama, o pintor que trabalhava diretamente com Kaoru, tinha uma visão muito peculiar da morena. Sua musa inspiradora.

"AHH. Vocês são uns chatos! Se ela deixou filmar o sexo, é porque queria que alguém assistisse! Kaoru é safada assim... Fufufufufufu" Jineh Udou tinha uma risadinha bastante bizarra.

"Ai Jineh, que horror!" Misanagi rolou os olhos. "Vocês são todos uns pervertidos!"

"O vídeo era coisa pessoal. Foi maldade de quem criou o vírus e expôs a intimidade da Kaoru." Itsuko, namorada de Daigoro Okuma do quarto andar, estava ficando enjoada com os comentários de Chou, Kanryuu e Jineh. "Se acontecesse comigo ,eu mudaria de pais, ou melhor, de planeta."

Itsuko sentiu-se desconfortável com o olhar do trio, e eles não se ligavam. "Esse elevador não chega ao andar, não?"

"Não muda o fato de que Kaoru é uma gostosa!" Chou, Kanryu e Jineh começaram a gargalhar.

"YEAHH"

Kenshin acabaria matando alguém aquele dia.

O sangue estava fervendo nas veias, literalmente fervendo. Lava quente pulsando rápido. Certamente os olhos cor de violeta estavam totalmente tingidos de âmbar.

Um ódio revirando dentro de seu estômago. Não era o dia certo pra ser provocado. E seus funcionários nem faziam ideia...

Silencioso, como se estivesse de tocaia, Kenshin escutava tudo que esses homens falavam sobre a mulher que ele amava.

"Hei, tem um boato de que o tal namorado batia nela. E que a Kaoru gostava!" Kanryuu disse com as duas mãos levantadas. Fazendo sinal de que "não fui eu que inventei isso".

Kenshin estava saindo do sério. Cada palavra irritava mais e mais seu espírito.

"Caramba, Kamiya curte bondage também? Só de pensar, aquela delicia toda amarradinha tomando uns tapas!" Jineh tinha o sorriso mais malicioso do mundo no rosto.

"Parem, por favor..." Itsuko, Misanagi, Toramaru e Ryuzaburo estavam chocados.

"Kisamaaa" Kenshin abaixou a cabeça, escondendo-se atrás das franjas, respirando fundo. O ódio fazendo zigue zague, tingindo seus olhos de dourado. Se ele não se controlasse voaria violentamente para cima dos funcionários dentro daquele elevador, e ganharia um processo na justiça.

O ruivo imaginava o pescoço de Cho quebrando com a força de suas mãos.

Como ele queria uma espada agora, para atravessar Jineh de um lado a outro.

Arrebentar o rosto de Kanryuu, até que não tivesse mais conserto.

"PLIM"

A porta do elevador abriu, Kenshin voou para fora, se adiantando como uma vespa irritada.

"Daqui vocês não passam..." Ele parou no meio do corredor, impedindo a passagem dos funcionários que saíam do elevador. Com seus olhos dourados escondidos debaixo das franjas ruivas e sua postura e energia conseguia até assustar.

Como uma pessoa tão baixinha e magra conseguia intimidar tanto assim?

"Uma jovem desaparece. Uma colega de trabalho que conviveu com vocês durante seis meses desaparece..."A voz furiosa. "E o que escuto?"

O sorriso nos rostos de Jineh, Kanryuu e Cho foi murchando.

"Que tipo de ser humano zomba e gargalha da agonia alheia? DIGA-ME!" Kenshin elevou o tom de voz rouco e cheio de raiva, chamando a atenção de todos os funcionários da empresa, inclusive aqueles que já estavam trabalhando.

...Maldito ruivo. Nanico dos infernos... Jineh pensou.

...Ferrou... Cho olhou para Kanryuu e fez sinal de que perderiam a cabeça.

Kenshin olhou feio para Jineh, Cho e Kanryuu. "Mais alguma piada que desejam compartilhar? Por favor, não se acanhem... Que tal rirmos um pouco do constrangimento do outro? Que tal sermos porcos nojentos comentando perversidades sobre uma pessoa que nem pode se defender? "

Não era de seu feitio chamar a atenção de seus funcionários em publico, mas isso não poderia passar batido.

A empresa toda agora acompanhava a cena.

"Olha Himura, a culpa não é nossa se a Kamiya participou filme pornô, cara..." Jineh estava fazendo de propósito, ou era muito burro mesmo.

"Jineh Udo..." Kenshin fechou a mão tão forte que suas unhas entraram na pele da palma.

Esses homens...

Kenshin começou a se lembrar do colegial... Quando era o motivo de piadas... Quando era vítima de trotes... "Eu não vou permitir perseguição ou assédio físico ou moral aqui dentro..."

Chou , Kanryuu e Jineh o lembraram daqueles que fizeram da sua vida um inferno durante a escola e colegial.

"Jineh..." O ruivo rosnou.

"Relaxa cara, a gente só tava conversando... Todo mundo aqui viu o vídeo, todo mundo comentou como a Kaoru é toda boa. Por que esse chilique agora?" Jineh não estava dando muita importância para o que Kenshin estava tentando alertar.

Ele levantou o rosto, seus olhos absurdamente dourados. Todos da empresa seguraram suas respirações, ninguém tinha visto Kenshin tão zangado antes.

O trio deu um passo para trás.

"JINEH...O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO?" Kenshin estava tão bravo que sua energia fez com que até as folhas de papel das mesas vizinhas começaram a voar.

"Vocês estão em uma empresa! NA MINHA empresa. Vocês não são adolescentes praticando bulliyng. Vocês são adultos. Profissionais!" Kenshin não tinha mais dez anos de idade, ele não ficaria quieto aceitando que alguém sofresse abuso moral ou físico. "ESSE PRAZER MÓRBIDO EM FAZER O OUTRO MISERÁVEL... EU NÃO VOU MAIS PERMITIR QUE ABRA A BOCA PRA FALAR DA KAORU... VOCÊS VÃO ENGOLIR..."

O ruivo partiu para cima de Jineh pronto para arrebentar com a cara do funcionário.

"KENSHIN HIMURA!"

Uma voz suave ousou interrompê-lo, e o fez parar no meio do caminho.

"Kenshin, calma, por favor..."

Tomoe escolheu bem essa hora pra sair do elevador, e testemunhar a briga mais bizarra que essa empresa já teve. Ela caminhou rapidamente na direção de Kenshin, e com sua graça e elegância de sempre e impediu o que se tornaria um grande imbróglio na justiça.

"Pare, antes que alguém se machuque!" Tomoe puxou a camisa do ruivo, que ainda lutava se controlar.

Tomoe sabia exatamente o que Kenshin era capaz. Ela não queria vê-lo canalizando sua energia para o ódio como quando ele fazia quando tinha dezesseis anos de idade.

Usando sua voz mais doce, ela suplicou baixinho. "Você é melhor que isso Kenshin, onegai..."

A mulher que ajudou Kenshin a encontrar o equilíbrio durante a adolescência, novamente o fazia parar e respirar.

Tomoe colocou uma mão no ombro de Kenshin "Por favor!"

Kenshin respirou fundo.

Partir para cima de Jineh, Chou e Kanryuu não resolveria nada. Ele só ganharia um belo processo na justiça e ainda teria que dar dinheiro para esses três pulhas.

"Kaoru sempre tratou todos aqui de forma respeitosa! Sem distinção de cargo ou condição social... Exijo a mesma retribuição..."

Ele fez uma pausa. A feição cheia de censura e desapontamento, nenhum funcionário tinha visto Kenshin assim antes.

"O que cada um de vocês faz com seu tempo livre, não me interessa. Mas enquanto vocês estiverem dentro dessa empresa, trabalhando e recebendo salario, pago por mim, exijo respeito..."

"Não só com a senhorita Kaoru Kamiya, mas com todos os funcionários dessa empresa... Que o que aconteceu com essa moça não volte a acontecer com nenhuma outra funcionária, ou funcionário..."

Kenshin percebeu muitos de seus funcionários consentindo com a cabeça. Cochichando que concordavam com o que ele estava falando.

"Vocês deveriam se envergonhar..."

O trio, Jineh, Cho e Kanryuu vinha passando do limite já fazia um tempo.

"Serei simples. Deste momento em diante, comentário pejorativo dentro dessa empresa, será sinônimo de demissão por justa causa!" O ruivo percebeu alguns de seus funcionários se contorcendo. Ele estava sendo duro, mas se não colocasse um ponto final, Kaoru nunca mais poderia voltar a trabalhar em paz ali.

Tomoe olhou para os funcionários e disse. "Voltem aos seus trabalhos por favor. Estamos cheios de prazos e reuniões para ficar perdendo tempo com essa discussão que não deveria nem ter iniciado para começo de conversa."

^^x

Os funcionários dispersaram rapidamente, deixando Kenshin e Tomoe sozinhos no corredor.

"O que foi tudo isso Kenshin? Eu não te via nesse estado desde os dezesseis anos..." Tomoe cruzou os braços na frente do corpo.

"Tomoe..." Tomoe e Kenshin se entreolharam.

Kenshin agradeceu baixinho, abaixando levemente a cabeça. "Mais uma vez você salvou minha pele de uma enrascada! É como anjo da guarda mesmo... Arigato de gozaru yo!" Kenshin se curvou respeitosamente, agradecendo novamente.

Mesmo com todos seus problemas, a bela moça sorriu por meio segundo. Kenshin era mesmo muito querido.

Tomoe juntou as mãos na frente de seu lindo vestido azul e branco e se curvou também. "Não se preocupe com isso."

"Kenshin...Podemos conversar por um momento?" Ela estava se segurando, tão triste que sentiu que começaria a chorar ali mesmo no meio do corredor.

Seu irmão Enishi finalmente tinha ultrapassado todos os limites. Tomoe, finalmente se deu conta de que seu irmão tinha fugido de vez do seu alcance.

"Claro!" Kenshin notou que a amiga estava emocionada pelos olhos marejados de lágrimas. "Enishi?"

Angustiada, a bela consentiu balançando brevemente a cabeça. "Você ainda não sabe?... Eu não aguento mais receber péssimas noticias..."

"Vem!" Kenshin colocou a mão nas costas dela, direcionando-a para a sala livre ao lado.

A sala de artes estava vazia, os dois entraram e o ruivo fechou a porta para terem um pouco de privacidade.

"Tomoe, toda situação que seu irmão criou, fugiu do controle..." Kenshin colocou as mãos na testa, esfregando-a . Ainda não tinha voltado ao seu estado normal.

...Quando Enishi vai começar a pagar pelos seus crimes? Desde a adolescência causando problemas, e Tomoe tentando contornar... Quando pensei que ele finalmente tinha tomado jeito...

"Fugiu completamente. Ele perdeu de vez o juízo depois que Kaoru rompeu o namoro!" Tomoe não aguentava mais.

"Eu não sei mais o que fazer com Enishi. A policia agora está atrás dele... Ele se envolveu com a máfia, com criminosos. Akira está furioso, ele diz que Enishi destruiu Kaoru e vai fazer o mesmo comigo."

Tomoe começou a chorar.

"Meu noivo quer que eu me afaste do meu irmão. Quer que eu me desligue de Enishi... Mas como?"

"Polícia?" Kenshin se surpreendeu. ...Então o esquema dele foi descoberto? Será que a Kaoru já viu a noticia? É bom que Kaoru não saia do apartamento por nada...Acho melhor voltar para casa...

"Estou nesse dilema entre Akira e Enishi..." Tomoe começou a chorar copiosamente.

"Mais essa agora..." Kenshin estava querendo arrancar o cabelo.

O dia tinha começado tão bonito, não tinha?

"Tomoe..." Kenshin caminhou de um lado para outro na sala inquieto.

O ruivo escutou um barulho, um alarme baixinho, o celular tinha morrido de vez. Ele não queria ser insensível nem nada, mas precisava arrumar um atalho. Ele tinha ainda tanta coisa pra resolver. E o relógio estava correndo rápido demais, já era quase dez.

Kenshin começou a acelerar a conversa.

"Misao sofreu um acidente... Você nesse estado... Só falta o Sanosuke faltar... Toda essa confusão com Cho, Kanryuu e Jineh... Melhor cancelar a reunião, fechar a empresa e dar férias coletivas..." Kenshin respirou fundo, tentando se controlar.

"Misao-chan?" Tomoe levantou o rosto. "Oh meu Deus!"

"Calma! Está tudo bem, ela fraturou o braço somente. Vai ficar de licença por um tempo, eu vou resumir tudo que sei..." Kenshin passou a explicar rapidamente para Tomoe tudo que Aoshi Shinomori lhe contou.

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Tomoe e Kenshin deixaram rapidamente a sala de artes.

"Sano está bem atrasado, ne?" Kenshin se preocupou, ele precisava da ajuda de Sanosuke hoje.

"Não se preocupe, ele vai chegar. Eu só vou pegar as pastas da Misao e já vamos para a reunião, ok?" Tomoe só precisava passar no banheiro e dar uma retocada na maquiagem toda borrada.

"Não se preocupe. Kenshin, eu estou do seu lado, não se esqueça!" Tomoe sorriu levemente para Kenshin.

"Como sempre não é?" Kenshin correspondeu.

Tomoe definitivamente era uma das pessoas mais queridas.

Quando cada um já virava para a direção de seus destinos, escutaram um bochicho vindo de onde trabalhavam os representantes comercias.

"Hei, o cara vai demitir a internet? Porque o vídeo dela tá na rede toda faz tempo e tá todo mundo comentando." Kanryuu que não tinha amor ao salário, falou baixinho. Jineh começou a rir.

"Pssiii...Brinca não rapaz...O ruivo e seu amante advogado conseguem deletar a internet! FU FU FU fu fu fu fu fu fu" Jineh sussurrou de volta. Um olhou para a cara do outro e caíram na gargalhada. Escondendo-se atrás dos seus monitores para que não fossem pegos no flagra.

"Hei...Cuidado, Ariel está nervosa hoje" Chou que tinha mania de chamar Kenshin de "pequena sereia", calou a boca porque Kenshin apareceu bem na frente deles.

Antes que Kenshin pudesse dizer qualquer coisa, ou melhor, jogá-los janela abaixo, fazendo-os voar por dezessete andares, Tomoe deu um passo à frente e interrompeu.

Kenshin nunca viu sua melhor amiga tão furiosa assim.

A sempre elegante e moderada mulher tinha uma resolução desconcertante em seu tom de voz. O gelo que ela tinha no olhar e na boca curvada para baixo, fez Kenshin arrepiar e lembra-se que não se deve subestimar e enervar Tomoe Yukishiro.

Depois de uma bronca homérica, Tomoe disse categoricamente e sem dó.

"Kanryuu Takeda, Cho Sawagejo e Jineh Udo, limpem suas mesas e dirijam-se para o RH imediatamente! Estão demitidos. Vocês têm quinze para desinfetar daqui! MEXAM-SE"

Até mesmo uma rosa tem seus espinhos bem afiados.

^^x

"Tudo bem Aoshi-sama?" Aoshi tinha uma ruga bem no meio da testa. Desde que recebeu a informação de que Enishi estava por trás da tentativa de atropelamento, não conseguia disfarçar a feição preocupada. Ele estacionou o carro na frente do apartamento de Misao.

"Sim, estou tentando falar com Himura, mas o celular está na caixa postal. E o telefone de seu escritório só chama." Aoshi soltou o cinto de segurança dele, e de Misao. Ele olhou pelo retrovisor reconhecendo o carro que os seguia. Era Hannya que ficaria de vigília, Misao não precisava saber desse detalhe.

"Oh meu Deus! Himura deve estar todo atrapalhado na empresa. Eu lembro que a gente tinha uma reunião muito importante marcada para hoje." Misao abriu a porta do carro. "Espero que ele não fique muito bravo comigo..."

Aoshi correu para abrir a porta do carro pra ela. "Não se preocupe com isso!"

"Arigato!" Antes que Misao pudesse colocar o pé para fora do carro, Aoshi educadamente já a ajudava a descer do veiculo.

"Deve ser isso! Himura está ocupado. De qualquer jeito, vou passar na empresa para conversar pessoalmente. Você vai ficar bem sozinha?" Misao parou na frente de Aoshi. Ela estava sem os sapatos de salto alto, e a diferença de altura entre eles, que não parecia tanta na noite passada, agora se fazia notar.

"Sim! Minhas primas vão chegar a qualquer momento." Misao e Aoshi caminharam lado a lado até o portão do prédio.

"Sinto muito Misao, por tudo!" Os dois pararam na entrada do prédio.

"Oh por favor, eu só tenho a lhe agradecer Aoshi Sama..." No hospital, Aoshi tinha colocado seu casaco ao redor dos ombros de Misao, ele viu que a jovem começar a tirar a peça para lhe devolver e a impediu. "Não, não!"

A chave do carro balançava nas mãos dele. "Fique com o casaco. Não tome friagem agora. Você me devolve mais tarde."

"Vamos nos ver mais tarde?" Misao mal podia acreditar.

"Claro" Aoshi deu um passo para trás.

Com a mão boa, Misao o segurou pela camisa, puxando Aoshi novamente para perto. Ela ficou nas pontas dos pés, esforçando-se, mas não precisou fazer de muito, pois Aoshi entendeu o recado e se curvou para ficar na altura dela.

Aoshi segurou o rosto de Misao com as duas mãos, conforme os lábios se encontraram e se exploraram nesse primeiro beijo.

Misao esqueceu toda a dor, e a tontura causada pela noite mal dormida e pelos remédios. Ela abriu a boca, sentindo a textura e gosto de Aoshi. E se entregou totalmente nesse beijo carinhoso, e ao mesmo tempo apaixonado. O beijo não durou mais que um minuto, mas foi o suficiente para deixar Misao de perna bamba.

"Vai descansar agora!" O Okashira sussurrou dando alguns passos para trás.

"Ok!" Misao abriu um sorriso enorme.

Hannya que estava a alguns metros de distancia, dentro do seu carro de vigília, teria munição para provocar seu Okashira, que agora parecia não querer mais se despedir da pequena e espevitada jovem ...Por isso que ele pediu proteção total para a moça! hahahaa...

"Arigato, Aoshi-sama..." Misao piscou para Aoshi conforme caminhava finalmente para a hall de entrada do seu condomínio, e Aoshi caminhava de volta para o seu carro.

"Até mais tarde, Misao-chan..."

^^X

"Wow esse tal cloridrato de etorfina! Quem diria... Uma seringa pequena e apagou o infeliz de verdade. Hahahaha." Dirigindo seu carro na direção do porto de Tóquio, Enishi começou a rir.

Enishi lutou contra o tempo a manhã inteira, ainda mais depois que sua foto apareceu nos noticiários. Ele passou feito um furacão pelo apartamento. Encheu duas mochilas com roupas e dinheiro, joias e documentos. Conforme ia organizando suas coisas um plano foi se formando.

Uma cartada final.

Enishi tinha essa droga em casa, apenas duas seringas. Era pouca coisa, mas serviria para o que ele precisava. E realmente fez, em um efeito espetacular.

E o plano era muito bom.

E ele escolheu o lugar perfeito, um armazém abandonado bem perto do Porto. Sua fuga para a China estava logo ali, virando a esquina.

"Meio dia estarei aí, me espere Heixing!" Ele já tinha combinado tudo com seu parceiro, o chinês Heixing. Um barco pesqueiro os levaria clandestinamente para a China. Tudo estava perfeito.

As risadas só aumentaram. Ele diminuiu o som do carro, que tocava um punk rock bem pesado, e estacionou o veiculo bem no meio do galpão.

Dentro do porta malas um telefone celular não parava de tocar. Mas tudo bem, ele já resolveria isso. Era hora de colocar a fase final do plano para funcionar.

Enishi desceu do veiculo e abriu o porta malas. Ele viu o corpo encolhido do homem lá dentro e começou a vasculhar os bolsos a procura do celular.

Ainda bem que Enishi tinha roubado um carro grande de Shishio, o tal Sanosuke era enorme e pesava uma tonelada, foi um tormento enfiar o infeliz no porta malas. Nada que algumas pancadas não resolvessem.

"Idiota!"

Enishi olhou pra o homem inconsciente com desprezo. Sanosuke Sagara nem teve tempo de reagir, a agulha entrou no pescoço, direto na artéria, feito um dardo acertando o alvo.

O ex investigador ficou de tocaia enquanto o idiota se preparava para sair para trabalhar. Furar todos os pneus do carro de Sanosuke foi fichinha. O rapaz estava tão entretido e indignado com seu jipe amarelo avariado, que nem percebeu Enishi, com a agulha engatada, se aproximando rapidamente por trás.

O liquido entrou no pescoço de Sanosuke caindo na corrente sanguínea, e pronto, alguns segundos depois tinha apagado, morto para o mundo. "Que benção essa tal de M99. Vou guardar uma seringa pra ela..."

Sano era a cartada final. Se Enishi queria ter Kaoru de volta, ele tinha certeza que Sanosuke era o caminho. Se não desse certo, pelo menos ele se vingaria do imbecil.

"Achou mesmo que as porradas na porta do bar passariam batido? Achou mesmo que poderia acariciar minha namorada e dar em cima dela, e eu não faria nada? Achou mesmo que poderia tirar Kaoru de mim e ficaria assim?" Enishi deu um soco no rosto do inconsciente Sanosuke, tirando sangue do homem que não podia se defender.

"NÃO! NÃO MESMO!"

Enishi achou finalmente o celular de Sanosuke. Na tela dezenas de chamadas perdidas vindo da médica, Megumi Takani. "Alguém vai ficar viúva..." Enishi riu, ele discou finalmente.

A voz de Megumi desesperada. Ela sentiu um alivio enorme ao ler que a ligação vinha do celular de Sanosuke. Entrou rapidamente em uma das salas de exame que estava vazia para poder dar uma bela bronca no namorado. "Onde você está pelo amor de Deus? Isso não se faz Sanosuke..."

"Errada!" Enishi fechou o porta malas. Entrou novamente no carro, sentando-se no banco do motorista. "Você está completamente errada Megumi Takani."

Megumi deixava toda sua aflição escapar em sua voz. "Quem é você? Cadê o Sano?"

"Enishi Yukishiro falando, senhorita Megumi Takani, me escute com bastante atenção. Afinal você tem só uma hora pra salvar a vida desse imbecil..." Enishi se olhou pelo retrovisor.

"O QUE?" Megumi estava extremamente aflita e chorado muito. "ENISHI? DEIXE O SANOSUKE EM PAZ! O QUE VOCÊ QUER? SEU MONSTRO..."

"O eu quero? Tudo que eu sempre quis é ter a minha mulher de volta. Você tem uma hora pra trazer a Kaoru aqui... É uma troca Megumi-san. Troquemos a Kaoru pelo Sanosuke. Simples assim... Se você fizer isso ninguém se machuca... Se não fizer, é melhor encomendar um caixão para o seu namorado." Enishi usou uma voz bem calma.

Megumi estava tremendo tanto, ela mal conseguia raciocinar. O que ele estava propondo? Como trair sua amiga? O que fazer? "SEU MONSTRO...A KAORU NÃO MERECE VOLTAR PARA UM CRÁPULA COMO VOCÊ! VOCÊ NÃO VAI ME USAR PRA ISSO... DEIXE O SANOSUKE EM PAZ. A KAORU ESTÁ..."Megumi percebeu que estava falando demais e se calou.

"Hmm!" Eu sabia que esse era o caminho. Enishi mudou o tom. "Você sabe onde ela está não sabe? Esse tempo todo você e o Sanosuke sabem bem onde ela se escondeu, não é?"

Enishi sorriu satisfeito. "Eu prometo, eu nunca mais vou machucar a Kaoru. Eu amo a Kaoru mais do que a própria vida. E o Sanosuke? Nada aconteceu com ele... Até agora...E não vai acontecer...Só traga minha mulher pra mim Megumi-san."

Megumi tentava se controlar. "Eu..."

"Estou te passando uma mensagem com a minha exata localização Megumi-san. É melhor correr, porque o porto fica um pouco longe de onde você está!"

"Eu não posso, eu não posso..." Megumi colocou a mão no coração.

A voz de Enishi desceu alguns decibéis, ele falava com muita seriedade agora. "Presta atenção mulher... Não me subestime...Eu vou sumir da vida de todos vocês sim, mas com a minha esposa ao meu lado...Mas se você não me trouxer a Kaoru...Você nunca mais vai ver Sanosuke Sagara com vida...E esse vai ser um presente de despedida que eu não queria dar. Mas eu vou, para você e para a Kaoru...Vamos ver as duas vão conseguir viver com essa culpa... Eu conheço a Kaoru, ela dormiu ao meu lado todas essas noites. Eu conheço cada pensamento...Ela nunca te perdoaria..."

"Eu...eu..." Megumi mal conseguia falar, ela chorava muito. O maldito a estava convencendo.

"Eu nem preciso dizer pra não envolver a policia nisso, preciso?" Enishi desligou o celular.

Ele pegou o potinho de compridos no console do carro, colocou sete pílulas na palma da mão e engoliu de uma vez só. "Mulheres..."

Desceu do carro, tirando uma mochila do banco traseiro, escondendo-a em um lugar estratégico perto da porta de saída do galpão. Tudo que ele precisava estava ali. Um mochila com algumas trocas de roupas, dinheiro, documentos falsos. Para ele e para Kaoru.

Enishi já imaginava que o esquema com Shishio fosse dar problema. Ele já tinha planejado essa fuga varias vezes. Só não imagina que fosse tão difícil de encontrar Kaoru Kamiya.

...Hmmm vamos aumentar a pressão...

Ele abriu o porta malas, puxou Sanosuke para fora sem o menor cuidado, machucando o rosto do homem no processo conforme ele caía no chão. Arrastou Sanosuke pelo piso do galpão sujo e mal iluminado.

Enishi deu alguns chutes no rosto do homem inconsciente, arranco sangue.

O homem de cabelos descoloridos tirou uma fotografia bem sanguinolenta do rosto machucado. E usando o próprio celular de Sanosuke, enviou uma mensagem para Megumi, junto com as coordenadas para ela chegasse até aquele lugar.

O efeito da droga passaria em pouco tempo, então Enishi precisaria conter Sano. O homem de cabelos descoloridos voltou ao carro, e pegou a outra mochila contendo cordas, fita adesiva, adagas e duas armas. Uma das armas colocou na costas, presa no cinto da calça, e a outra menor, na bota.

Agora só restava amarrar Sanosuke, e contar os minutos.

A essa altura Megumi já tinha recebido a foto e entrado em desespero. Como policial ele sabia que o raciocino ia por agua abaixo em uma situação como essa, médica ou não, a mulher faria de tudo para salvar a vida da pessoa que amava. Ela provavelmente entraria em contato com Kaoru, e com a polícia. Por isso Sanosuke tinha que ficar em um lugar estratégico, que servisse de escudo. Por via das duvidas, Enishi já vestia o colete a prova de balas.

...Foda-se esse idiota. Kaoru aparecendo, nós saímos daqui voando...

"Agora falta pouco...Kaoru, meu amor..."

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"Agora falta pouco meu anjo! Só precisamos tirar as medidas finais do terraço. Himura é o cliente perfeito. Ele me deixar ter as ideias mais geniais. ha há há. E nem reclama, só responde "oro " pra cá, "oro" pra lá. Eu tinha um outro cliente ótimo Shishio Makoto, aquele tesouro...Imagina minha surpresa quando descobri que ele é um mafioso, e pior, foi em cana! Tanto dinheiro, só podia ser isso... Não que Himurinha também tenha envolvimento com algo ilegal nem nada..."

Kamatari falava sem parar. O arquiteto, arquiteta, quase fez Kaoru cair para trás diversas vezes naquela manhã.

"Masaka Kenshin..." Os olhos de Kaoru rolaram.

Kenshin poderia ter ao menos avisado que Kamatari se vestia como mulher. Imagina a surpresa quando Kaoru abriu a porta.

"Kasshin docinho. Uma equipe especializada em jardinagem vem amanhã pra mexer na cobertura. Kenshin me deu carta branca, então eu vou forrar todo o piso com grama e flores. Ai mas eles precisam instalar a tubulação que drena a água. Vamos plantar arvores frutíferas e algumas coisas na horta. Tomates, pepinos, abobora... O sindico provavelmente vai pegar no meu pé, mas com o dinheiro que o Himura tem, não vai ser muito difícil de conseguir o alvará." Kamatari riu, mas Kaoru não estava prestando muita atenção. "O telhado é grande suficiente para criar um jardim botânico. Do lado de lá vamos instalar um ôfuro e um gazebo."

Kamatari continuava a falar, falar e falar sem parar.

...Imagina só Misao e Kamatari conversando. Oh meu Deus...

Kaoru riu, mas tinha algo incomodando, uma sensação de que alguma coisa ruim estava para acontecer. Um aperto no coração.

"Kasshin meu docinho. Você pode receber os jardineiros amanhã? Vamos escolher o modelo do ofuro ou jacuzzi. O que você prefere? Quer vir comigo até a loja? Himura vai ficar entusiasmado com tudo que eu estou criando para esse apartamento magnífico."

Kaoru olhou para Kamatari, um sorriso meio forçado em seu rosto. "Parece maravilhoso! Kenshin vai ficar mais pobre pelo visto. Você vai transformar o telhado em um SPA...Mas o Kenshin aprovou tudo isso?"

"Helloo, é claro!"

"Ok..." Kaoru se afastou um pouco, enquanto Kamatari anotava algumas coisas no seu tablet. A jovem parou no seu lugar favorito em todo o apartamento, o parapeito.

...O que será?...Provavelmente estou preocupada com Misao... Kenshin está bem, na reunião...Tá tudo bem Kamiya, deixa de ser boba...

Antes de Kamatari chegar, Kaoru perdeu quase uma hora se olhando no espelho do banheiro. Simplesmente se olhando, enquanto o cabelo molhado pingava e pingava.

Ela não conseguia esquecer os lábios de Kenshin. Toda vez que fechava os olhos visualizava aquela perfeição.

Kaoru queria que Kamatari fosse logo embora. Não que Kamatari fosse uma má companhia, não era realmente. Mas a jovem de olhos azuis queria voltar a sonhar acordada com seu ruivo.

Talvez Kaoru estivesse desenvolvendo algum tipo de síndrome de pânico envolvendo outras pessoas. Homens desconhecidos...

Kenshin era sua zona de conforto, e ficar sem ele era estranho.

Sem ele por perto Kaoru se sentia acuada.

E ainda tinha essa sensação de algo ruim.

...Não é saudável isso...Talvez seja hora de começar a pensar em ajuda especializada...Kenshin contou sobre os anos de terapia. Kaoru não poderia continuar o resto da vida escondida nesse apartamento, sem contato com estranhos.

"Kaoru, meu anjo, acorda! O interfone está tocando alucinadamente!" Kamatari não se importou com o jeito fechado da moça.

Kenshin o tinha chamado por um motivo, porque confiava nas suas habilidades como arquiteto e design de interiores, não era sua função perder tempo imaginando o que se passava com a namorada nova de Himura. ...Falta de sexo provavelmente. Ai que miséria Himura...

"Sumimasen..." Kaoru correu para atender a ligação. "O que?" Ela se surpreendeu ao escutar o nome da pessoa que estava na portaria. "Claro que ela pode subir!"

"Mas como?..."

...Como Megumi sabe que eu estou aqui?...Por que Kenshin não me disse nada?...Não acredito! Kenshin mentiu pra mim? Se Megumi sabe, Sanosuke provavelmente também sabe!...

Kaoru ficou chateada.

"Megumi-san! Como você... "

O elevador mal abriu, Megumi pulou e agarrou o braço de Kaoru. "Você precisa vir comigo. KAORU! É um caso de vida ou morte!"

Tum tum tum tum. O coração de Kaoru quase saiu pela boca.

Maldita sensação ruim... "Eu sabia!"

^^x

Kamatari foi despachado. Ele ficou indignado. "Como um profissional consegue trabalhar nessas condições? Me diz!" Ele reclamava sem parar no elevador. Kaoru olhou feio pra ele. Se Kamatari não se calasse, Kaoru daria com uma bokken no joelho dele, e ele teria um motivo real para choramingar.

...Ok. A culpa não é de Kamatari. Ele só me pegou em um momento ruim, em dia ruim. Espero que Kenshin me compreenda...Mas Kenshin não vai escapar de uma punição...Não acredito que ele mentiu pra mim esse tempo todo...Eu confiei nele...

"Que bagunça...Eu causei uma bagunça na vida de todo mundo..."Kaoru olhou para a janela do carro. Lágrimas corriam pelo seu rosto. "Eu devia ter sumido quando tive a chance..."

Ela estava tão chocada, com tudo e não conseguia parar de tremer, e desfazer o nó na garganta.

A briga entre Sanosuke e Enishi. Sanosuke respondendo por um processo na justiça por causa disso. Como passou despercebido o fato de que Kenshin levou o casal no meio da noite para vê-la?

...Eu estava no mundo da fantasia esse tempo todo?...

... Necrotério? Sanosuke me procurou em um necrotério?...

...Misao distribuiu panfletos pela cidade. Por que ela não me contou?..

...E o atropelamento de Misao...

"Kenshin mentiu sobre tudo isso..." Kaoru mordeu o lábio com força.

Megumi estava acelerando o carro pra valer. Entrando em vielas, cortando caminho. Ela só tinha mais vinte minutos, e já tinha jogado o GPS longe, irritada com a voz que lhe passava os comandos. "Kenshin fez o que foi preciso para te proteger. Todos nós fizemos."

Kaoru parou de olhar para fora. Ela mirou Megumi, extremamente concentrada na direção, e murmurou. "Não acredito que ele mentiu pra mim!"

Megumi bateu as duas mãos no volante. "Olha Kaoru, o que está acontecendo aqui é grave demais. Engole essa chateação e pronto, porque agora não é hora pra isso! Quando tudo isso passar, você bate o pé e se joga no chão. Ok?"

Kaoru engoliu seco, seu queixo tremeu. Ela estava se comportando como uma criança? A moça não aguentou a nova onda de emoção e começou a chorar de novo. "Eu não aguento mais! Eu...Fiquei nessa vida só pra sofrer, é uma porrada atrás da outra..."

"Kaoru...Olha, me desculpa. Eu estou nervosa, e você reclamando não está me ajudando. OK?" Megumi se sentiu culpada, ela não devia descontar tudo em cima de Kaoru. Não era justo. O vilão da historia era Enishi e não Kaoru.

E Megumi ainda estava levando Kaoru para um encontro extremamente perigoso. Megumi não deixaria Enishi levar Kaoru embora, mas ela precisava resgatar Sanosuke de algum modo.

Por mais cuidado que tomassem, a vida de Kaoru estava em risco, sim. Ainda mais sem a proteção de ninguém." Conseguiu falar com alguém? Saitou Hajime ainda não me retornou o recado...Maldição, na hora que a gente precisa do tio corregedor, ele some. Eu não sei se chamo a policia ou não. E se Enishi escutar sirenes ou helicóptero e matar o Sanosuke?"

"O celular do Kenshin está desligado! Ele não atende o da sala..." A partir do momento que Kaoru ficou sabendo que Sanosuke estava com Enishi, ela não pensou em mais nada, a não ser salvar a vida do seu amigo.

Botou Kamatari pra fora do apartamento, colocou um tênis no pé, um moletom com capuz por cima do shorts jeans e correu com Megumi pra dentro do carro.

O que Kaoru ia dizer para fazer Enishi desistir de qualquer plano maluco e se entregar, a jovem ainda não sabia. "Deixei recado no celular da Tomoe também. Provavelmente eles estão em uma reunião. Kenshin tem um cliente importante agora cedo... Quanto tempo nós temos?"

"Mais quinze minutos, mas o galpão é logo ali Kaoru..." Megumi já estava bem perto do porto agora. Não dava tempo de ir até a agência avisar Kenshin. "Aoshi Shinomori! Claro. Ele vai saber o que fazer...Liga pra ele Kaoru e passa todas as coordenadas!"

...Que desespero...Precisar de ajuda e não conseguir ninguém... Megumi estacionou o carro na entrada do galpão. "É isso..."

"Megumi-san...Eu quero que você fique no carro. Eu vou tirar Enishi daqui. Só depois disso você entra... Sanosuke vai ficar bem. Não se preocupe, ok? Eu não vou deixar que Enishi faça mais nada contra nenhum dos meus amigos." Kaoru abriu a porta do carro, já colocando o pé pra fora.

Aoshi tinha atendido o celular finalmente.

"Shinomori falando...Aló? Aló?"

Kaoru entregou o celular para Megumi "Me desculpe por tudo Megumi-san..."

...sayonara...

"Espera, Kaoru,não vai assim não...Espera!" Megumi foi deixada dentro do carro, a voz de Aoshi a chamando.

O advogado tinha escutado parte da conversa das duas.

"Megumi-san. O que está acontecendo? Megumi-san?"

Kaoru olhou mais uma vez para o carro. Megumi ainda sentada no banco do motorista agora falava desesperadamente no celular. Kaoru se virou, empurrando a imensa porta de ferro do galpão, abrindo-a e fechando em seguida.

Ela deu alguns passos.

Mesmo usando um grosso moletom com capuz, Kaoru sentiu um arrepio frio passando pelo corpo. O lugar era escuro, sujo e silencioso, a não ser pelo som insistente de água, que gotejava de um cano enferrujado.

"Finalmente..."

Enishi apareceu atrás de Kaoru. Ele observou a chegada das duas pela janela imunda. Quem diria, essas duas mulheres tinham mais culhões que muitos marmanjos. Elas realmente vieram! E sem policia, ou guarda costas para ajudar. "Amor da minha vida! Como eu senti sua falta."

"Enishi..."

Ela se virou devagar, rapidamente foi arrebatada por um forte abraço. Um beijo possessivo e violento nos lábios, que lhe fez doer os dentes. Enishi não a largava, mesmo sem ser correspondido continuava a beija-la.

Kaoru parou de se debater ao sentir o gosto de fel e sangue na boca. Enishi mordeu dolorosamente seu lábio inferior, como um selvagem, deixando sua marca.

Enishi se afastou um pouco, segurando o rosto de Kaoru com as duas mãos. Arrancando o capuz da cabeça dela, as gotas de sangue do lábio escorriam pelo moletom, assim como as lágrimas. "Seu cabelo cresceu! Fico feliz! Eu não conseguia parar de pensar nisso, o maldito tocando seu cabelo..."

Ele sorriu alucinado. " Mas todo esse sofrimento vai ficar pra trás agora meu amor. Nossa vida vai começar de novo, bem longe desse lugar...Longe dessa gente...Só nós dois...Como no começo...Eu e você pra sempre!"

Kaoru usou todo o controle, físico, mental e espiritual que possuía. Seus joelhos, nús por causa do shorts jeans curto que usava, batiam um no outro. "Deixe ele ir... Onegai...Eu vou com você Enishi, mas deixe ele ir. Megumi e Sanosuke... Você não pode separa-los..."

"Nunca mais diga o nome dele..." Enishi apertou o couro cabeludo de Kaoru, balançando a cabeça dela. Kaoru apertou os olhos com força. "Me prometa, nunca mais dizer o nome dele!"

"Eu prometo, eu prometo. Mais deixa ele ir..." Kaoru olhou bem fundo nos olhos esverdeados de Enishi. "Onde está o homem que salvou minha vida naquela noite fria? O homem que me fez mulher com tanta doçura? Lembra da nossa primeira vez? Lembra quem me apoiou e me ajudou quando eu não tinha mais meu pai? Quem me deu um teto quando perdi a minha casa, meu dojo? Onde está o homem que eu amei durante dois anos. Porque eu te amei Enishi... Eu amei! Mas você precisa de ajuda!"

Enishi sorria ao ver que Kaoru ainda se lembrava de tudo que tinham vivido juntos. "Você ama! Corrija isso Kaoru! VOCÊ AMA!"

"Sim!" Ela mentiu, imediatamente explodindo de choro. "Sim! Mas você tem que parar com esses comprimidos. Você tinha me prometido e nunca parou! A culpa é minha, eu sabia que você usava isso, e nunca falei nada pra Tomoe. Olha só o que aconteceu com você Enishi..."

"Eu vou parar, eu vou parar. Eu juro. Eu vou voltar a ser a pessoa que você quer. Só diz que me ama Kaoru!" Enishi fechou os olhos. Ele disse isso tantas vezes. Ele tentou parar com as anfetaminas, mas nunca conseguiu. Ele sabia que estava mentindo pra ela agora, mas ele voltaria a ser aquele homem. Ou não, ele não conseguia mais raciocinar como aquele homem de dois anos atrás. "Diz que me ama agora!"

Kaoru respirou fundo, o queixo tremendo. Se fosse necessário para acalma-lo, sim, ela diria. "Eu te amo!" A mentira deixou um gosto amargo na boca.

Enishi mal podia conter a felicidade. Ele sabia! Ele tinha certeza! Kaoru ainda o amava.

Animado o ex policial se afastou de Kaoru, pegou uma mochila que estava pendurada perto do portão e colocou nas costas. "Vem!" Ele pegou a mão de Kaoru com força, praticamente a arrastando.

Kaoru finalmente viu Sanosuke. Jogado no chão, todo amarrado, com uma silvertape na frente da boca. Sangrando muito com cortes na testa, na boca. Sano começava a recobrar a consciência e estava muito confuso e desorientado. Seja lá o que Enishi tinha aplicado nele era uma coisa muito forte.

"Libertar esse idiota vai te fazer feliz?" Enishi puxou Sanosuke pelo cabelo. Sano se contorceu de tanta dor, o efeito da droga definitivamente tinha passado.

Kaoru entrou em pânico. Ela tinha que calcular muito bem o que falar, pra não servir de gatilho pra mais um ataque de ódio. "Não..."

"Não?" Enishi soltou a cabeça de Sanosuke de uma vez, fazendo com que o moreno batesse no chão. Enishi não conseguia esconder o imenso sorriso... Ela não se importa com Sanosuke?...

"Não vai me fazer feliz Enishi. Vai fazer Megumi feliz...Megumi e Sanosuke são almas gêmeas...Eles pertencem um ao outro." Kaoru tremia tanto, ela só rezou para que Enishi acreditasse nas suas palavras.

"Assim como nós dois não é?" Enishi puxou Sanosuke para que ficasse de pé. Ele arrancou a fita adesiva da boca do homem

"Si...sim..." Kaoru não conseguia olhar para Sanosuke. Se ela olhasse não teria coragem para mais nada.

"Vai! Se manda logo daqui Imbecil!" Enishi tirou as cordas das pernas de Sano, que mal conseguia ficar de pé. Sanosuke começou a caminhar, cambaleando na direção da porta. Infelizmente, mesmo com todo o cuidado de Kaoru até agora, ele se virou e disse a coisa mais errada possível.

"Jou chan..." Ele respirava com dificuldade. "Não vai com ele Jou-chan...Você não deve. Pensa no Ken..."

Kaoru colocou as duas mãos na frente da boca, seus olhos imensos com o choque, tudo aconteceu extremamente rápido. "ARRRGGG. VOCÊ NÃO VAI TIRAR A KAORU DE MIM. MALDITOOOOOO" Enishi avançou pra cima Sano, uma imensa faca que ele pegou do chão na mão direita, o ex policial fincou violentamente no peito de Sanosuke. Que caiu no chão imediatamente. Uma poça de sangue já começou a se formar, sujando as pernas e o tênis branco de Kaoru.

"NÃOOOOOOOO! OH MEU DEUS!"

^^X

Fim.

...

brinks hehehehe