Disclaimer: Rurouni Kenshin não me pertence. A música do Roxette não me pertence. Heero Yuy não me pertence. Terça feira costumava a ser um dia calmo pra mim, agora tá complicado, então mais tarde eu faço uma revisão direitinho, ok ^.^

"Koi no Yokan"

Parte 12

Por Chibis

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O verão japonês só começaria oficialmente em junho, mas na metade de maio todos estavam derretendo com as altas temperaturas. Culpa do efeito estufa, aquecimento global ou sabe-se lá que raio estava acontecendo com o mundo. O Japão era conhecido por ter um verão extremamente sufocante, cheio de insetos, e campos floridos de girassóis.

Mas o verão ainda não tinha começado e o calor e a umidade opressora estavam insuportáveis, o que fez com que Kenshin acelerasse sua decisão. Ele e Kaoru viajariam para o paraíso conhecido como Okinawa naquela tarde. O voo de aproximadamente duas horas estava marcado para decolar às 15 horas. Kenshin cuidava dos últimos detalhes, enquanto Kaoru se arrumava para ir até o hospital se despedir de Sanosuke.

Kenshin queria trazer alguma boa lembrança para Kaoru dessa época, já que seu mês de maio foi simplesmente terrível. E o ruivo optou pelo velho ditado popular, se você não pode com eles, junte-se a eles. E ele e Kaoru, aproveitariam os dias quentes nas praias paradisíacas do arquipélago.

Apesar da gigante sauna que virava o Japão, o ruivo gostava dessa época. Época que o remetia de volta a boa fase de sua infância. Quando os fogos de artifícios explodiam quase todas as noites nos céus. E os festivais começam colorindo as ruas. As crianças faziam filas, para experimentar todos os sabores de gelo raspado com xarope, vendido nas barraquinhas. Sem contar a alegria dos pequenos, que ganhavam novo item para as lagoas e aquários, e carregavam orgulhos saquinhos com seus peixinhos dourados dentro.

Hmm...E as frutas. As melancias crescendo gordas e suculentas quase maduras para o consumo.

Kenshin já sentia o cheiro e o gosto adocicado.

Quando fechava os olhos escutava o som das crianças brincando, perseguindo cigarras e besouros nos parques e margem dos rios. Enquanto os adultos colocavam a conversa em dia, e se deliciam com cerveja leve e gelada.

Kenshin também decidiu viajar agora para fugir do período de tufões.

Ele viajou para Okinawa uma única vez na vida com seus pais. Quando ainda era um molequinho, mas nunca conseguiu esquecer-se do clima tropical, de poder brincar nas areias brancas, e da cor da água do mar, incrivelmente azul.

Kenshin riu ao colocar na mala um yukata e uma geta, uma típica sandália japonesa de madeira. Quantos anos ele não usava um yukata?

Era bem comum entre as meninas e mulheres, mas os homens também gostavam do tradicional tecido fresquinho. E ele queria ver a cara de Kaoru quando o visse vestido assim, obviamente Kenshin também comprou um yukata na cor lavanda, feito especialmente para ela.

O ruivo programou tudo, na ilha alugaria um carro, e logo no dia seguinte, após uma boa noite de sono, exploraria todo o arquipélago. Kenshin tinha entrado em contato com um lugar especial, e estava ansioso com a reação de Kaoru quando visse onde a levaria. E com a ajuda de Misao providenciou roupas próprias para Kaoru usar naquela ocasião em especial.

Tudo em segredo.

Ele se lembrou da expressão de Kaoru de manhã cedo quando contou sobre a viagem. A morena ficou de cabelo em pé, pois segundo ela, não teria tempo de organizar absolutamente nada. Kenshin só disse "Oro!" E apontou para as malas já feitas perto da entrada do apartamento.

"Kenshin baka!" Kaoru sorriu.

Ela o abraçou e o beijou rapidamente nos lábios, despedindo-se. Kaoru e o segurança iriam até o hospital visitar Sanosuke antes da viagem. Quase um mês internado, e o pobre homem já não aguentava ficar preso naquelas quatro paredes.

Kenshin suspirou ao ver Kaoru saindo acompanhada do segurança.

Assim que a porta fechou, o sorriso foi murchando no rosto do ruivo. "Kaoru..."

A morena nunca negou um sorriso para Kenshin, mas o ruivo sabia. Ele sentia, assim que Kaoru virava o rosto após um sorriso ou um beijo, involuntariamente a alegria desaparecia do rosto dela.

Ele não a julgaria por isso, as últimas semanas foram tenebrosas para a moça. Era muita coisa para absorver em pouco tempo. E Kaoru só estava tentando ser forte. Escondendo seus sentimentos para não incomodar as outras pessoas. Kenshin queria que ela se abrisse, mas prometeu para si mesmo que não ficaria magoado enquanto ela não o fizesse, e ele estava cumprindo sua própria promessa, da forma mais paciente possível.

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Kaoru se olhou no espelho do elevador do hospital e fez uma careta.

Ela realmente tentou ficar animada com a viagem surpresa que Kenshin programou. Era um presente especial. Ela só conhecia Okinawa atráves de fotos... O lugar era o paraíso japonês. Porém, quanto mais tentava se alegrar, mais ficava a apreensiva.

E Kaoru odiava sentir-se, de certo modo, ingrata com Kenshin.

A morena estava fazendo o impossível para que Kenshin não percebesse que havia algo errado. O ruivo estava sendo tão atencioso que chegava a ser desconcertante.

Mas todo o carinho e atenção de Kenshin não mudavam o fato de que as coisas tinham se complicado bastante depois do surto psicótico de Enishi. Três semanas depois, e os nomes de Kaoru, Sanosuke e Enishi ainda continuavam na mídia.

Televisão, rádio, jornal, internet... A situação toda acabou virando um constrangedor debate de programa de auditório.

Durante a semana que Kaoru ficou internada para o tratamento da pneumonia provocada pelo afogamento, um repórter invadiu o quarto e criou uma tremenda confusão, deixando Kenshin Himura furioso.

O ruivo contratou um segurança para ficar na porta da morena e acompanhá-la cada vez que ele não podia ir junto. O que fez com que Kaoru passasse o resto dos dias se sentindo envergonhada e desconfortável.

A verdade é que ela só queria ficar em casa. Na casa de Kenshin. Dentro do quarto, ou trabalhando sozinha no estúdio. Algumas manhãs eram difíceis, levantar da cama, tirar as cobertas de cima da cabeça e enfrentar o dia. Kaoru se esforçava para que Kenshin não pensasse que ela estava infeliz por causa dele. E era justamente o contrario, era Kenshin que trazia tranquilidade e normalidade de volta a sua vida.

Mas toda vez que o ruivo saía para trabalhar e Kaoru se via sozinha, a sensação de angústia a chutava com força. Quando Kaoru ficava sozinha com o arquiteto Kamatari, ou qualquer outro estranho tinha vontade de sair correndo. Quando o interfone tocava ela dava um pulo, colocava a mão no peito, poderia ser Enishi...

O policial Heero Yuy, que foi ao hospital pegar o testemunho de Kaoru para o inquérito, garantiu que Enishi não estava mais no Japão. Enishi na verdade se afastava do Japão e se embrenhava cada vez mais no continente. Já tinha passado pela Mongólia, rumo à Rússia.

Heero, juntamente com uma equipe liderada pelo diretor Saito Hajime, e a polícia internacional estavam partindo em uma caçada atrás de Enishi Yukishiro através do continente asiático. Enishi estava conseguindo fama rápida no submundo asiático, e isso era preocupante.

Kaoru estava fazendo de tudo para não pensar em Enishi, e no que ele poderia estar programando como retaliação, caso voltasse ao Japão.

Ao lado de Kenshin, a morena tentou levar as coisas de volta ao normal. Trabalhando duro no estúdio que o ruivo montou em casa. Com os projetos de Shogo Amakusa, da revista Hiten, e de outros clientes de Kenshin que já estavam praticamente terminados.

Uma manhã Kaoru resolveu relaxar, e assistir alguma bobeira na televisão, e se deparou com seu nome rolando solto na boca de estranhos.

E novamente a vida de Kaoru Kamiya estava na tela da televisão, ou na banca de jornais.

"Esse programa não tem outro assunto não?" A morena reclamou para si mesma enquanto mudava os canais.

"Como vimos uma perseguição digna de Hollywood agitou o porto de Tóquio no inicio de maio."

"O investigador da policia de Tóquio, Enishi Yukishiro, acusado de envolvimento com o comercio ilegal de armas na China, foi intensamente perseguido pela policia após sequestrar o publicitário Sanosuke Sagara, e a ex namorada, Kaoru Kamiya."

"Sagara foi esfaqueado no peito por Yukishiro e continua internado. A ex namorada, senhorita Kamiya, que já havia sido vitima da vingança de Yukishiro com um vídeo íntimo do casal exposto na Internet, também foi levada pelo acusado. Que derrubou um helicóptero durante a perseguição.."

"Kaoru Kamiya se afogou durante a fuga de Yukishiro, mas foi socorrida a tempo e também ficou internada no mesmo hospital de Sagara durante um bom tempo...Médicos, familiares e amigos não quiseram informar sobre as condições de saúde ambos. Nem do paradeiro de Kaoru Kamiya..."

"Toda essa situação é terrível, Matsumoto-san. Estamos no ano de 2014 e milhares de mulheres continuam sofrendo nas mãos de companheiros que não aceitam o fim do relacionamento... Eu gostaria de chamar ao palco o psicólogo Miura Uharu para conversarmos sobre as consequências de..."

"Arghhh..."

Irritada, Kaoru jogava o controle remoto longe toda vez.

Kaoru havia se tornado um tipo de celebridade instantânea. E o que já estava ruim ficou ainda pior após a visita do super astro Shogo Amakusa, que lhe trouxe flores e bombons, e serviu para alimentar outros tipos de boatos.

"Eu vi Shogo Amakusa e Kaoru Kamiya juntos..." Algum funcionário disse, e pronto.

Pobre Shogo, só quis ser gentil. Visitou o hospital discretamente às escondidas, mas quando se é o maior artista japonês, qualquer deslize pode causar uma comoção desproporcional. Uma foto tirada de um celular, mostrando Shogo entrando no hospital com boné e óculos escuros, pipocou em todos os sites, revistas e programas de tv.

Mas a noticia sobre a fuga, o afogamento, o suposto "affair" entre Shogo e Kaoru, não foram a pior coisa para a morena.

A pior coisa, foi a divulgação em massa de imagens do maldito vídeo intimo.

Uma rede de televisão chegou a mostrar uma imagem dos seios de Kaoru em rede nacional, o que deixou Kenshin Himura extremamente furioso.

Kenshin que estava calmo quanto ao "affair" de Shogo e Kaoru, quase matou alguém naquele dia. O ruivo, aos gritos, garantiu ao diretor do programa que já estava movendo um processo milionário na justiça.

As bizarrices envolvendo Kaoru não pararam por aí. Ela recebeu convites para fazer ensaios sensuais, e até mesmo um indecoroso convite para filmar vídeo erótico.

Kenshin mandou arrancar o telefone do quarto de Kaoru.

Kaoru pediu alta hospitalar antes do tempo. Ela terminaria o tratamento em casa, pois não aguentava mais. Era isso, ou Kenshin acabaria passando dos limites.

Em casa o ruivo cuidou de Kaoru com perfeição. Ele respeitou os limites e o tempo que ela precisava para se recuperar de todos os traumas.

Kenshin nunca tentou avançar nenhum sinal, e Kaoru sentia que agora o ruivo esperava que ela desse o próximo passo no relacionamento deles...

Kaoru não estava pronta para isso, e se sentia frustrada por ainda não conseguir corresponder as expectativas amorosas de Kenshin.

Na verdade a morena estava enlouquecendo por dentro.

Ela sentia que as pessoas estranhas a olhavam como se ela fosse um bicho do zoológico. "Hei, é aquela moça do vídeo erótico...Hei, olha lá, é a namorado do maluco que derrubou o helicóptero... Nossa, como ela é baixinha...Ela é mais gorda do que na televisão... Ela é uma gostosa!..."

Acolhida até agora naquele apartamento de Kenshin, Kaoru não tinha parado para pensar nas reações dos seus colegas de trabalho ao assistir seu vídeo no escritório. E agora que a verdade estava exposta... Ela se entristecia.

Só queria voltar no tempo e desfazer tudo.

...Pare, por favor...

Ansiosa, toda hora se pegava respirando de um jeito estranho. Ela vivia esfregando uma palma da mão na outra. Inquieta, olhava para todas as direções. Sentia como se as paredes e o teto fossem se fechar sobre ela.

...Pare, por favor...

A noite fechava os olhos e sua cabeça a bombardeava de informações. Toda a exposição que seu nome estava sofrendo. A vergonha que trazia a família Kamiya. Toda sua própria cobrança pessoal em relação ao emprego, a carreira, ao futuro. Onde foi parar o sonho de comprar de volta o dojo do seu pai?

Como daria a volta por cima vivendo nessa sociedade?

Ela seria capaz de fazer Kenshin feliz?

Kaoru dizia para si mesma quase como um mantra. "Para! Kaoru, pare de sofrer por antecipação. Para de ficar viajando em um futuro indefinido, e de permitir que todos esses problemas tomem conta da sua vida. Não seja fraca...Kenshin, Kenshin...Pense no Kenshin..."

A única coisa que não a deixava ansiosa era Kenshin Himura.

O ruivo tinha uma calma transcendente que a fazia relaxar. Só o pensamento nele fazia o pânico ir embora, mas Kenshin não sabia disso.

Kaoru não sabia como contar...

Kaoru nem estava pensando sobre relacionamento amoroso, porque Kenshin realmente não avançou depois do primeiro beijo e da noite que dormiram abraçados, o que por sinal ainda não tinha voltado a acontecer.

Ela pensava na calma e no apoio que ele transmitia como amigo, como ser humano. Como pessoa que a respeitava, e dava espaço e tempo para que Kaoru pudesse respirar e lamber as próprias feridas.

Um ser humano realmente especial, como Shogo dizia.

O problema é que Kaoru não conseguia ficar longe dele, literalmente, fisicamente.

Kenshin era o peso que equilibrava todas as coisas. Mas o ruivo não podia ser o ar que Kaoru respirava. Ele não podia ficar rodando vinte e quatro horas por dia ao seu redor.

Não era justo. Nem sadio.

Kenshin era um ser humano, não um apêndice para aliviar sua dor.

Kaoru pegou discretamente um panfleto no setor de psiquiatria do hospital. Era um informativo sobre um grupo de apoio a vitimas de violência moral e física. Ela ainda não tinha tido coragem de ligar e para pedir mais informações. A morena não queria preocupar Kenshin com mais essa, porém, eventualmente teria que confessar tudo que estava sentindo para o ruivo.

Se após a viagem com Kenshin, Kaoru não se sentisse melhor, ela marcaria uma hora com o psiquiatra e faria tudo o possível para voltar a ser a mesma Kaoru de antes.

...Sim, eu preciso. Senão daqui a pouco começo a pensar loucuras como Enishi . E isso é horrível... Eu só peço a Deus que essa viagem com o Kenshin me ajude...

O elevador tinha aberto as portas, e Kaoru ainda estava parada se olhando no espelho.

"A senhorita está bem?" Shikiyou-san perguntou.

"Sim, claro que sim Shikiyou-san!" Kaoru sorriu para o segurança, membro do grupo de Aoshi Shinomori, o Oniwabanshu.

Para o bem de todos, Kaoru colocou sua mascara feliz de volta no rosto.

Shikiyou era um homem alto como uma porta, forte como um touro, e estava sendo pago para acompanha-la em todos os lugares. Até segunda ordem, o membro da Oniwabanshu, acompanharia os movimentos de Kaoru toda vez que ela colocasse os pés para fora do apartamento de Kenshin.

Exatamente como Hannya estava fazendo com a jovem Misao.

Nem Misao, nem Kaoru ficaram contentes ao saber que teriam guarda-costas, mas tanto Aoshi, quanto Kenshin só trabalhariam em paz nesses termos. E Misao e Hannya estavam se dando super bem, ao contrario de Kaoru e Shikiyou que ainda eram distantes.

Kaoru e Shikiyou não tiveram que rodar muito pelos corredores do hospital. Graças a Kenshin Himura, Sanosuke estava no melhor quarto. No mais confortável e acessível dos quartos. O desafio de Kaoru, de deixar a segurança do apartamento, enfrentar o mundo, e vir até o hospital todos os dias, valia ao enxergar a pessoa que estava lá dentro, sorrindo, depois de tudo que os dois passaram juntos.

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Kaoru bateu duas vezes e abriu a porta. Sanosuke estava com os olhos fechados. "Hei..."

"Senhorita!" Shikiyou a chamou discretamente, o segurança daria privacidade aos dois amigos. "Estou aqui fora, qualquer coisa só chamar..."

"Ok!" Kaoru acenou positivamente e entrou de vez no quarto.

"Sanosuke?!" Kaoru se aproximou devagarzinho.

Imediatamente Sano abriu os olhos. "Hei Jouchan... Ainda por aqui? Kenshin não ia te levar para viajar?"

A voz dele ainda estava um pouco fraca, mas depois de tantas transfusões e da cirurgia cardíaca, Sanosuke já tinha espantado a palidez. Estava em um quarto privativo, já deambulando devagar, conversando e se alimentando bem.

"Hai! Hoje a tarde!" Kaoru puxou uma cadeira e se sentou ao lado de Sano.

"Kenshin arrumou um gladiador pra você?" Sanosuke começou a rir, mas foi obrigado a se controlar, a dor no peito ainda incomodava.

Kaoru riu baixinho. "Sim!"

Os dois sorriram, e fizeram uma pausa.

Um silêncio tomou conta do quarto, característico de quem tinha algo importante para falar, mas não sabia bem como começar.

"Jouchan!"

"Sano!"

Ambos falaram ao mesmo tempo.

"Você primeiro. Pode falar..." Sano sorriu. "Só não me peça desculpas, senão eu te dou um cascudo na cabeça!"

"Me desculpe..." Kaoru sentiu que ficaria emocionada. Ela tentou controlar a emoção, balançou o corpo de um lado para o outro.

"Pode parar Jouchan!" Sanosuke balançou as duas mãos na frente do corpo. Parou de se mover quando sentiu dor. "Você me pede desculpas o tempo todo! Só que enquanto você não se perdoar, não adianta nada Jouchan...Pela milésima vez a culpa não foi sua!"

"Sanosuke... Eu pensei que você tinha morrido!" Kaoru apertou o tecido da própria calça com as mãos.

Sano percebeu algo errado. "Jouchan, você ainda não está muito bem né?... Quer conversar?"

Kaoru encolheu os ombros.

"Tsc!" Sanosuke balançou a cabeça. Ele sentia que Kaoru estava diferente. Alguma coisa tinha acontecido com o brilho dela. Sano precisava conversar urgentemente com Kenshin sobre isso.

Ele tentou brincar. "Hei Kaoru! E eu que caí no plano do Enishi feito um patinho... Um pato patético."

"Pato não, Galo..." Kaoru riu entre lágrimas.

Sanosuke apontou para a testa de Kaoru. "O que está rolando dentro dessa cabecinha sua hein?"

Kaoru o olhou com espanto.

Sanosuke tinha uma percepção incrível e era sempre subestimado.

Ela disse meio envergonhada. "Sano...Eu deveria ter sumido de Tóquio depois daquele vídeo. Eu tentei. Até sequestrei o Kenshin e extorqui dinheiro dele no processo, mas acabei ficando... E subestimei a fúria do Enishi..."

Sanosuke estendeu a mão, Kaoru entendeu o gesto.

A moça apertou a mão de Sanosuke, e os dois ficaram assim, de mãos dadas.

"Jouchan me escuta! Foi assustador, eu tava lá, sei bem. Essa experiência eu não quero repetir."

Kaoru concordou, balançando positivamente a cabeça.Lágrimas rolavam pelo seu rosto.

"Mas a partir de agora vamos deixar tudo isso pra trás? A policia está caçando Enishi pra valer. Meu tio está atrás dele, junto com os melhores policiais do Japão e da China. Enquanto isso vamos virar essa pagina e seguir em frente? Você não pode brecar a sua vida por causa dele Jouchan! Se você fizer isso o Enishi vence... Kenshin é louco por você, e ele está desesperado pra te ver feliz! Dê uma chance pra ele. Tanto profissionalmente, quanto pessoalmente ele vai te ajudar. Eu sei que Kenshin tem seus próprios traumas... Mas eu acho... Não, eu tenho certeza que juntos vocês podem curar um ao outro..."

Kaoru estava de boca aberta.

"Hei!" Kaoru enxugou as lágrimas do rosto e deu uma risadinha, tentando brincar.

"Quanto sangue você recebeu mesmo? Precisamos descobrir a fonte de toda essa inteligência e pedir mais doações." Kaoru sorriu, e isso alegrou Sanosuke.

"AHhh engraçadinha!" Sanosuke fez cara de emburrado, e jogou os dois braços ao lado do corpo com mais força que o necessário. "Itai, itai..."

Kaoru mordeu o lábio e tomou coragem para confessar.

"Hei... Sanosuke... Eu e o Kenshin... Nós estamos juntos... Bem, mais ou menos...Estamos indo bem devagar, sabe? ...Um passo por dia... Eu tenho pavor de me decepcionar novamente, mas...com Kenshin acho que pode dar certo... Eu vou me esforçar..." Kaoru estava vermelha feito um pimentão.

"Ehhhhh?" Sanosuke abriu um enorme sorriso. "Aquele ruivo safado, não me disse nada! Desde quando isso? Ele que cuide bem da minha irmãzinha, ou então..." Sano riu.

Depois fez uma pausa para observar o rosto de Kaoru finalmente relaxando e aliviando.

"Ele me beijou na primeira noite aqui no hospital..." Kaoru sorriu timidamente. Foi tão bom, talvez fosse hora de repetir mais e mais.

Kaoru notou finalmente o que Sanosuke tinha acabado de declarar e ficou contente. "Hei Sano, você também é meu irmão, sabia?" Realmente, Sanosuke Sagara era o irmão que ela sempre quis ter.

"Jouchan..." Sanosuke tinha algo importante para confessar.

Um grande segredo que estava na sua mente desde que acordou na UTI dias atrás.

"MINNA-SAN!" Uma jovem, de brilhantes olhos azuis esverdeados e longos cabelos trançados, abriu a porta do quarto, escancarando de uma vez só.

"Gente, quem colocou o Incrível Hulk pra tomar conta da porta?" Radiante, Misao era só sorrisos. Mesmo com a tipoia ainda contendo o braço engessado, ela deu vários pulos entusiasmados na direção de Kaoru. "Ahhh KAORU! Kaoru! Kaoruuu! Kaorinhuu da minha vida"

"Misao?" Kaoru sorriu muito feliz. "Quanta empolgação!" Ela estava com muitas saudades da amiga, que ainda se recuperava da fratura no braço, mas graças a Deus, não precisou de cirurgia.

As duas se abraçaram, ou melhor, Kaoru abraçou Misao bem forte, e ficou assim por alguns bons minutos. "Que saudade!"

... Graças a Deus você está bem Misao-chan...

Misao sorriu para amiga com muita sinceridade, a moça de cabelos trançados nem fazia ideia do bem que isso fez para o espírito de Kaoru Kamiya.

"Eu estou em uma missão especial para o senhor Sagara!" Misao então mostrou uma sacolinha chique de papel brilhante e laço dourado. Ela a levantou e balançou no ar de um lado para outro, depois começou a cantarolar o tema do filme missão impossível enquanto se aproximava de Sanosuke.

"Missão especial?" Kaoru estava meio perdida.

O que Sanosuke e Misao estavam inventando agora?

Misao entregou o embrulho para Sanosuke. "Aqui meu caro. Diga se não é a coisa mais linda que já viu nessa sua vidinha..."

"Algo me diz que na hora que eu receber a fatura do cartão de credito , vou ter um ataque cardíaco e voltar para UTI, certo?!" Sanosuke brincou.

Sentou-se com a ajuda de uma curiosa Kaoru, já abrindo a pequena sacolinha.

"Hmm, provavelmente!" Misao colocou a mão boa no queixo. "Abre logo lerdeza! Quero ver o seu queixo caindo no chão. É tãoooo maravilhosoo!"

"Deus me ajude!" Sanosuke tirou uma pequena caixinha aveludada de dentro do pacote, e com dedos desajeitados começou a abrir.

Kaoru colocou as duas mãos na boca, ela já tinha noção do que se tratava. "Sano!"

Sanosuke abriu a caixinha e ficou meio pálido, mas com um sorriso enorme no rosto. Lá estava ele. Perfeito. Caríssimo, divido em 10 vezes no cartão de credito.

O belíssimo anel de noivado. "Jouchan! Eu vou pedir a Raposa em casamento!"

"Ehhhh!" Kaoru correspondeu da mesma forma que Sano, com um enorme sorriso. "Que ótima noticia!" Ela juntou as palmas das mãos.

"Parabéns!" Misao e Kaoru disseram ao mesmo tempo, extremamente animadas.

"Hei Cabeça de Galo, fiz tudo como você pediu. Os nomes estão impressos na parte de dentro, tudo direitinho. O anel foi confeccionado em ouro 18 quilates, e o diamante que você escolheu do catalogo. Tão maravilhoso, simbolizando o amor eterno! KAWAII" Misao tinha uma feição sonhadora, ela estava tão animada. Já não via a hora do seu namorado fazer o mesmo.

Misao junto as mãos e balançou o corpo de um lado para o outro."Aoshi sama não pode demorar! Tãooo romântico!"

"Valeu Misao!" Sanosuke riu. "Tá tudo perfeito!"

"Ah! Matte, matte... Espere um pouco! Shikiyou pode me dar por favor?" Misao foi até a porta, o segurança tinha um buquê gigante de rosas vermelhas nas mãos. "Arigato, Shikiyou-san!" Com cara de "vocês parecem loucas" o segurança apenas balançou a cabeça.

Misao colocou o buquê de rosas em cima da cadeira onde Kaoru estava sentada, "E eu pedi para que a moça da floricultura deixasse algumas pétalas soltas. Então me ajude Kamiya!" Rindo feito duas adolescentes, as duas mulheres começaram a espalhar as pétalas soltas pelo quarto.

Sanosuke tinha que admitir, não tinha nenhuma ideia mirabolante em mente, por isso chamou Misao para ajudar. "Hei Doninha, o que mais você..." O pedido em si seria bem simples, mas seria de todo coração.

Misao parou o que estava fazendo. "Me chama de Doninha de novo, e você e a Megumi não poderão ter filhos!"

"ORO?" Kaoru fez a mesma cara que Kenshin fazia. Misao e Sanosuke caíram na gargalhada.

Sanosuke engoliu seco. "Hei, onde está o respeito com as pessoas doentes?"

"Shh, quieto!" Misao, abriu o compartimento do DVD e ligou a televisão. "Agradeça ao chefinho Kenshin Himura, sempre prestativo pagando pelo melhor quarto do hospital. Cheio dos acessórios e talz."

Uma música extremamente romântica começou a tocar baixinho no quarto de Sanosuke.

"Ownn, Roxette? Eu adoro!" Kaoru reconheceu a música. "Listen to your heart. Kawaii!"

"Nee?" Misao sorriu. "Agora vamos esperar o momento que a Megumi entre, e começamos a gravar e..."

"De jeito nenhum, as duas se mandem daqui!" Sanosuke esbravejou. "Xôoo!"

Megumi abriu a porta repentinamente, cruzando os braços e se se encostando ao batente da porta. "Ai estão os três. Fofocando feito comadres. Que bagunça é essa nesse quarto? Andaram usando o buquê dos pacientes como objeto de briga de novo?"

"KYAHH" Misao e Kaoru gritaram ao mesmo tempo. "De onde você surgiu?"

Ilusão de ótica ou não, havia orelhas de Raposa na cabeça da médica. "Com essa idade ainda não sabe de onde as pessoas surgem? Hohohohoho!"

Sanosuke enfiou a caixinha de volta na sacolinha, e escondeu debaixo dos cobertores.

Megumi sorriu, desconfiada

...Eles estão aprontando...

"Tsc...Senhorita Kaoru Kamiya, não tem uma viagem marcada para daqui a pouco não? E senhorita Misao, você precisa fazer um raio x para o tirar o gesso. Esqueceu?"

"Ok, ok!" Kaoru piscou para Sanosuke, já perto da porta do quarto. "Bye Sano, Bye bye Megumi-san."

Misao foi até a televisão e aumentou a música, e apagou umas das luzes para criar um clima. Kaoru começou a puxa-la para fora, a jovem Doninha cantava."Ouça seu coração, quando ele chama por você...Ouça seu coração..."

Misao queria ficar e espiar, mas Kaoru a arrastou para longe do quarto e fechou a porta. "Simm! Raio X, ne?"

A jovem queria pétalas de rosas e música romântica, e declaração de amor, mas Sanosuke provavelmente diria só "Hei Raposa, quer juntar os trapos pra valer?"

E o coitado nem poderia se ajoelhar. Tudo bem, se Sanosuke não fizesse um super pedido de cinema , ainda existia Kenshin Himura, e quem sabe o próprio Aoshi Shinomori para programar.

"O que foi isso?" Megumi perguntou desconfiada, escutando a música romântica, e vendo as pétalas de rosa espalhadas no chão e o imenso buque em cima da cadeira.

A médica caminhou até a cama, já se inclinando sobre seu paciente favorito para lhe dar um beijo. Ela mal podia esconder o sorriso enorme. Sanosuke estava com um pouco de dor no peito por causa da agitação, mas um beijo apaixonado da sua bela ele nunca recusaria.

Sanosuke tirou a sacolinha debaixo das cobertas e disse.

"Você já vai saber Raposa!"

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"Sanosuke, seu chato! Eu queria tanto ver a cara da Raposa!" Misao ainda tentou escutar através da porta. Kaoru riu e a puxou pelo corredor, para o setor de raio x.

"Misao! Deixe eles, sua maluca. A barra que enfrentaram não foi fácil. Megumi sofreu muito. Diversas vezes chegamos a pensar que o Sanosuke não resistiria...É um momento muito importante" Kaoru lembrou dos dias difíceis de UTI e se alegrou pelos amigos.

"Eu sei, que emocionante!" Misao abriu o maior sorriso, se pudesse ajudaria todos seus amigos a encontrar a felicidade. "Megumi provavelmente é a pessoa mais forte que eu conheço, mas aposto dez pratas que agora ela está chorando igual um bebezinho!"

"É... Provavelmente!" As duas riram. "Eu queria ser uma mosca..."

"Misao..." Kaoru abaixou um pouco a cabeça. As duas que caminhavam pelo corredor do hospital até o setor de exames pararam de repente.

"PARA! PARA! PARA!" Misao deu um chacoalhão desconcertante nos ombros de Kaoru. O que fez com que os olhos azuis índigos da moça saltassem de surpresa. "Eu juro Kaoru, vou ter uns petelecos para o seu cérebro pegar no tranco! Será possível um negocio desses?"

Kaoru não podia deixar de gargalhar, só Misao mesmo pra dizer algo assim...

"Eu não quero escutar! Se você pedir desculpas mais uma vez, eu lanço uma kunai bem na sua bunda!" Misao abriu um sorriso."Kenshin vai gostar de fazer curativo!

"Misao-chan..." Kaoru ficou vermelha.

"hmm!" A jovem de cabelos trançados colocou o dedo indicador no queixo, como se estivesse tentando se lembrar de algo."Oh Kami-sama, é claro! Eu já volto."

Misao correu até onde estava Hannya e Shikiyou, não precisou ir muito longe, pois os dois seguranças estavam só uns cinco metros de distancia. A jovem voltou toda animada, balançando sua enorme trança de lado para outro.

"Aqui!" Misao entregou uma sacolinha brilhante com um belo laço cor de rosa para Kaoru.

"O que é isso, um presente?" Kaoru estava surpresa. "Ficou maluca?"

"Kao-chan, se eu fosse você provavelmente não abriria esse pacote bem no meio do corredor do hospital..." Misao fez uma careta de quem estava aprontando alguma coisa.

"Misao?" Kaoru se preocupou.

"Vem cá!" Misao puxou Kaoru para a escada de incêndio do hospital.

Ela percebeu Hannya e Shikiyou se movendo rapidamente, mas balançou a mão, fazendo sinal de que estava tudo bem. Não precisavam se preocupar. Está tudo bem. Conversa de mulheres.

Escondidas na escada de incêndio, Misao disse ansiosa. "Abre o pacote!"

Os olhos de Kaoru saltaram do rosto ao ver qual era o presente. "MISAO-CHAN!"

"Ah, qual é Kaoru...Kenshin merece. Você merece! Essa viagem é perfeita, é quase uma lua de mel. Dê um chance ao amor. Se entregue ao amor Kaoru. Deixa de ser lerda. Eu quero organizar mais um pedido de casamento, tomei gosto pela coisa!" Misao começou a rir.

"Você é terrível!" Kaoru levantou a peça. "Eu nunca usaria algo assim!" A jovem de lindos olhos azuis índigos estava vermelha.

Misao havia comprado o kit completo, um espartilho de seda e renda preta, com cinta liga e meias sete oitavos. "Misao, em que ocasião eu usaria isso?" O corpete era lindo, Kaoru não poderia negar, muito bem feito e elegante, ficaria perfeito no seu corpo.

Os olhos de Kaoru saltaram como dois pratos ao perceber o tamanho da calcinha fio dental. "Isso é..." A morena perdeu a fala.

"Isso é Victoria Secrets!" Misao piscou para a amiga. "Eu também comprei um kit de maquiagem, e alguns óleos de banho e cremes. O cheiro é tão bom que Kenshin vai querer te devorar...No sentido de...ah você sabe..."

Kaoru estava muito vermelha.

"E não se preocupe Kaoru... Você vai saber quando usar tudo isso!" Misao não conseguia esconder a risada.

Kaoru ficaria perfeita com aquela "roupa". Ela tinha um corpo belo, cheio de curvas que seriam acentuadas pela linda lingerie. E Kaoru tinha um belo par de seios, todo mundo comentava sobre isso, infelizmente de forma desagradável.

A jovem de cabelos trançados disse baixinho entre os dentes. "Aquele ruivo vai ficar me devendo pro resto da vida!"

"Você e o Kenshin estão armando alguma coisa nessa viagem?" Kaoru olhou com desconfiança para Misao. Depois levantou o espartilho para o alto, analisando bem a peça.

Era realmente uma coisa muito bonita e elegante, apesar de extremamente sensual.

"Nossa, tem uma receita tão boa de bolo de fubá que eu estou tentando lembrar e não consigo!" Misao colocou a mão no queixo e riu, mudando completamente o assunto.

É claro que ela e Kenshin estavam armando alguma coisa.

Kenshin queria fazer uma surpresa agradável para Kaoru, e Misao foi responsável pela compra das roupas e alguns detalhes. Obviamente o ruivo não sabia sobre a compra da lingerie. Misao fez isso por conta própria. Ela queria que seus amigos fossem felizes.

"Misao... Terrível!" Kaoru repetiu. "Misao, você é terrível!"

"Promete que vai usar?" Misao levantou as duas sobrancelhas algumas vezes de um jeito engraçado.

Kaoru não respondeu, ela então percebeu uma funcionaria da limpeza varrendo as escadas de incêndio, e escutando toda a conversa das duas amigas. A morena enfiou a lingerie de volta na sacola, e voltou rapidinho para o corredor do hospital. A cara de Kaoru tão vermelha quanto um tomate. Misao quase rolou no chão de tanto rir.

Misao abraçou a amiga e deu um beijo carinhoso na bochecha de Kaoru. "Agora se manda daqui. Você tem um voo e um ruivo para pegar!"

Kaoru sorriu sinceramente.

E pensar que ela tinha saído de casa tão pra baixo. Como era bom ter amigos de verdade...

^^x

Misao estava tão feliz. Ela ajudou Sanosuke a pedir Megumi em casamento. Provavelmente deu um belo empurrão no relacionamento entre Kaoru e Kenshin, e se viu livre finalmente do maldito gesso. "Meu braço de volta. Que saudade de você, bracinho querido!"

O braço estava com uma cor toda estranha, esbranquiçada, e coçava pra valer, mas o médico disse que era normal. Misao não teria sequelas, talvez um pouquinho de dor quando houvesse mudanças no clima.

Quando chovia, ou ficava frio de repente, algumas pessoas sentiam pontadas nos lugares do corpo que foram fraturados.

Shikiyou tinha levado Kaoru de volta para casa. E como de costume, Hannya estava alguns passos atrás de Misao falando no celular. Misao já tinha acostumado, Hannya também era de família de ninjas, e ele e Misao acabaram se tornado amigos, compartilhando historias das gerações dessas pessoas tão especiais.

"Eu vou indo!" O guarda costas passou por ela, se adiantando na direção do estacionamento.

"O que? Como assim?" Misao veio com Hannya. Como voltaria para casa? "Eu não acredito que você vai me fazer pegar um taxi. Hei! Cabeça Oca, justo agora que eu começava a gostar..." Misao esbravejava com Hannya, que fingia que nem escutava. Ela parou de falar quando percebeu o som da moto ninja preta se aproximando rapidamente do estacionamento.

Aoshi parou a moto de repente na frente de Misao. Ele fez um movimento interessante, travando os pneus da frente e empinando a traseira da moto. Quando a motocicleta voltou à posição normal, com as duas rodas no chão, o Okashira desligou o motor, e apoiou a ninja no suporte para poder descer finalmente.

Ele vestia uma calça jeans preta, botas pretas, e uma jaqueta de couro com detalhes em branco e amarelo. Aoshi tirou o capacete, e o queixo de Misao foi até o chão, em uma cena digna de comercial de shampoo. Aoshi balançou a cabeça de um lado para outro, seu cabelo negro brilhante acompanhou os movimentos.

Misao quase teve um ataque cardíaco.

"Socorro!" Misao disse baixinho, engolindo seco. Como aquele deus grego tinha se tornado seu namorado era a pergunta que valia um milhão de dólares. "Que homem..."

"Oi" Aoshi rapidamente acabou com a distancia entre eles.

"Oi!" Misao estava com as pernas meio bambas.

"Hannya me disse que você tirou o gesso. Vim te buscar para um passeio. Topa?" Aoshi apontou para a moto, e para o capacete reserva que estava acoplado ao banco.

"Hai!" Misao teria que começar a coordernar as palavras cedo ou tarde, ou Aoshi ia começar a pensar que a namorada estava com algum dano cerebral.

"Cla...claro que sim!"

"Perfeito!" Aoshi disse baixinho.

Colocou a mão no queixo de Misao, puxando-a para perto. Ele a beijou apaixonadamente ali mesmo, no meio do estacionamento, para quem quisesse ver... Normalmente o Okashira não faria algo tão ousado e exposto assim, mas ele realmente estava feliz que a namorada estava bem, e tinha se livrado do gesso sem maiores sequelas.

De certo modo, era a vontade de protegê-la que estava quicando forte. E o desejo de mostrar para todo mundo que Misao era sua.

"Ah Aoshi-sama..." Misao finalmente pode passar os dois braços ao redor do namorado. Era a primeira vez que conseguia isso desde que o namoro começou. Ela abriu a boca e deixou que Aoshi a beijasse com toda a paixão que quisesse demonstrar. Um beijo maravilhoso, suculento, sentindo cada textura e cada gosto.

Os dois se separam depois de alguns minutos. "Eu tava pensando se a gente fosse tomar um sorvete como comemoração de ter meu braço de volta!" Misao tinha um sorriso enorme nos lábios. Forte como o sol, capaz de iluminar o céu.

Aoshi não respondeu, ele não precisava, faria tudo que ela pedisse. O homem de olhos azuis claros tinha um sorriso mais contido, mas sorria sim, levantando só o cantinho da boca.

Enquanto isso Hannya gargalhava alto dentro do carro, ele tinha acabado de ganhar mais um motivo para provocar o Okashira. Aoshi ficava vermelho toda vez que o espião provocava, e Hannya sabia. Só ele tinha liberdade de fazer isso com o chefe.

Rapidamente Misao e Aoshi subiram na moto ninja preta. O casal se mandou na direção da praia. O Okashira conhecia um ponto perfeito em cima da colina para observar o por do sol, que aconteceria dentro de algumas horas. Mas enquanto o sol não se punha, e estivesse alto no céu, aproveitaria a tarde tomando sorvete ao lado de sua petit, energética e amorosa Misao Makimachi.

^^x

Fim...

Kkkkkkk, errr... ainda não kkk!

E não, Kaoru não é fraca, nem nada!... Se é isso que você está pensando. Nesse fanfic Kaoru é uma pessoa comum e sensível, que passou por problemas muitos sérios, desde a morte do pai, até quase ser morta pelo ex namorado violento, e está tentando lidar com isso sozinha, sem afetar a vida de seus entes queridos. Mas querendo ou não, vai afetar, não tem jeito, porque quem está do seu lado conhece todas as suas nuances.

É o que eu disse no começo desse fanfic. Qual a consequência de ter sua vida exposta publicamente? O que sente uma pessoa que passa por essa situação? Ainda mais ela que foi vitima de violência, tanto física, quanto moral. Enishi fez e disse coisas terríveis e cruéis. Esse tipo de coisa machuca, e machuca fundo.

E que venha o próximo, com Kenshin e seu amor como cura...

Obrigada pelos reviews Lica, Jouchan, minha amiga Anônima e todas que tiraram um tempinho dos seus dias agitados para ler minha fanfic bobinha! Obrigada ^^x

Bjs Chibis!