Disclaimer: Rurouni Kensin não me pertence
"Koi no Yokan"
Parte 15
Por Chibis
O dia virou noite, literalmente.
Um monstro gigante conhecido como Cúmulus Nimbus pairava sobre Tóquio no final de tarde. As nuvens escuras carregadas de água gelada e granizo começaram a se chocar, causando a tempestade de raios. Estrias grossas de eletricidade cortavam o ar, e som dos trovões vibravam, estremecendo o vidro da janela da sala de estar.
E pensar que algumas horas atrás, durante o casamento, tudo estava bem, céu límpido e azul. Só verão consegue ser assim, previsível, e ao mesmo tempo instável.
"TOK TOK TOK"
"Hã?"
Um trovão alto e forte fez com que o pequeno apartamento estremecesse. Misao acordou meio desorientada.
...O que estou fazendo no chão?... Ela piscou varias vezes seus olhos esverdeados. Ela estava sentada no chão. Encostada contra a porta de entrada do apartamento.
Lá fora granizo, raios e trovões. O som "woo wooo" do vento forte.
O vento que entrava por uma fresta na janela fazia com que sua cortina lavanda de voal flutuasse para todas as direções.
A água da chuva estava entrando e molhando o piso de madeira da pequena sala. "Ai, meu piso..." Ela tinha gastado uma pequena fortuna com isso, provavelmente mancharia a madeira recém instalada.
"TOK TOK TOK"
A jovem fez uma careta. Novamente aquelas batidas.
"Misao Makimachi!"
"Abra a porta, Misao, por favor!" Era a voz dele, Aoshi.
Aoshi Shinomori repetiu, dessa vez em um tom mais alto. "MISAO! Estou sentando aqui fora te chamando a mais de uma hora!"
"Tok tok tok!" As batidas na porta ficaram mais altas, Aoshi provavelmente tentava competir com os trovões.
"Aoshi..."
Misao pronunciou o nome dele bem baixinho, esquecendo-se do piso molhado.
Imediatamente as memorias do que havia acontecido na festa de casamento vieram à tona.
Claro, Misao chorou até se esgotar e pegou no sono do jeito mais desconfortável possível.
...Aoshi e a loira...
"Eu sei que você está ai. O porteiro te viu subir...E eu sei que você acordou! Agora abre a porta." Aoshi parou de bater na porta, e falou com um tom bem seguro.
Quando Misao quebrou o braço dois meses atrás, ela precisou da ajuda de Aoshi, então a jovem autorizou formalmente a entrada de Aoshi no condomínio sempre que ele quisesse.
...Obvio que o porteiro deixou Aoshi subir...
Misao se levantou finalmente, ignorando os pedidos de Aoshi. Ela caminhou até a janela, deslizando o vidro e fechando a fresta finalmente.
Ela se enxergou momentaneamente no espelho da sala de jantar. "Argh!" A visão da derrota.
O cabelo, que de manhã estava tão bonito no penteado sofisticado, agora todo solto e bagunçado.
O vestido azul royal manchado de maquiagem, Aoshi teria que arcar com a conta da lavanderia. ...Culpa dele...
O rosto preto pelo rímel escorrido nas bochechas.
Os pés descalços. ...Onde joguei meu sapato?...
Durante seu pequeno ataque de fúria ao entrar no apartamento, seu sapato tão lindo, tão caro, tinha atingido justamente o enfeite de cristal que ela mais gostava, e o chão estava cheio de cacos.
Misao pisou em um caco, que penetrou na sua sola, encravando na planta do pé. Imediatamente um filete de sangue começou a surgir. "OH Droga!"
"ITAI..." Misao se contorceu para ver o que tinha acontecido com o próprio pé. ...Preciso de uma pinça...
"Misao? O que foi? Responde!"
...Aoshi está com o ouvido na porta?...Só pode... Na verdade a audição de ninja era bem aguçada.
Pulando em um pé só. Misao foi até porta, e bateu na madeira. "Vai embora!"
"Abre a porta!" Aoshi mexeu na fechadura varias vezes, sem sucesso.
Teimosa e extremamente irritada Misao respondeu rudemente. "Some daqui Aoshi! Quero ficar sozinha!"
"Por que você está se comportando de forma tão tempestiva?" Aoshi não entendeu exatamente o que estava acontecendo. Ele recebeu a ligação de Hannya, avisando que Misao simplesmente estava deixando a festa em um taxi e ficou muito bravo. Misao tinha esquecido que Enishi ainda está à solta?
"Abre a porta!" Aoshi sentiu-se muito incomodado a respeito....Por que está se comportando assim?...
"..."
"Seu..." Misao queria que Aoshi sumisse. "Vai embora, eu não quero te ver!"
"Sem me oferecer uma explicação você está parecendo uma criança birrenta..." O Okashira cruzou os braços.
Ah... se olhar matasse... Sorte que tinha uma porta entre eles, ou Misao voaria no pescoço de Aoshi.
"Criança birrenta?" Ela repetiu baixinho, mal podia acreditar.
...criança birrenta?...
Furiosa, Misao abriu a porta finalmente. "Como é?"
Aoshi se adiantou, ele entrou no apartamento sem convite. Fechou a porta atrás dele e encarou uma Misao fumegante.
Como alguém tão pequeno conseguia emanar uma energia tão furiosa, ligeiramente homicida?
"Que você é uma pessoa temperamental todo mundo sabe, mas por que está se comportando com uma crian..."Aoshi abriu os braços.
E Misao perdeu o controle.
Impulsivamente ela avançou e deu alguns tapas no peito de Aoshi. "Pare de me chamar de criança!" Contrariando exatamente aquilo que havia acabado de pronunciar.
"Hei! HEI! Misao! Pare com isso!" Aoshi segurou o braço dela, impedindo que ela continuasse com aquilo. Os tapas não o machucavam obviamente, mas ele queria entender.
Misao puxou o braço, desvencilhando de Aoshi, ela deu alguns passos para se afastar dele. Mancando por causa do maldito caco encravado na sola do pé.
"Você se machucou? Me deixe ver!" Aoshi já foi se ajoelhando para segurar a perna dela e enxergar o machucado.
Ela se afastou ainda mais. Pena que o apartamento era pequeno, daqui a pouco ela não teria para onde fugir. "Não encoste em mim! Eu não preciso da sua ajuda!"
Misao não queria chorar, mas ela estava quase explodindo com tantos sentimentos.
Que difícil segurar aquelas lágrimas que escorriam pelas suas bochechas.
Aoshi e Erika, a dupla dinâmica...
Os sorrisos;
Os toques;
A conversa cheia de palavras difíceis;
Aoshi me considerou só uma amiga...
"Deixa de ser arredia Misao... Você está sendo ridícula. Não pode se comportar assim! Não pode fazer o que te dá na telha e esperar que os outros te compreendam. Saiu do casamento em um taxi, sem falar nada! Esqueceu que o Enishi ainda está solto? Não fosse o Hannya me ligar eu nem saberia... Eu tive que largar a Erika no meio da conversa e..." Aoshi estava tentando ser paciente com a namorada, mas essa birra toda estava complicando a situação e esgotando a paciência.
E Aoshi era paciente como Buda.
Misao começou a tremer. ...Eu tive que largar a ERIKA no meio da conversa...
A jovem olhou para baixo e fechou o punho com força, balançando-o. "Mas você é muito frio e sem coração mesmo... Vem aqui na minha casa...Pra falar da tal Erika...Faz uma coisa Aoshi..." Ela fez uma pausa pois doía muito ter que dizer essas palavras.
Ela gostava tanto dele.
Ela estava apaixonada por ele, mas ela também tinha uma coisa chamada amor próprio...
Misao finalmente disse. "Vá embora e não volte mais aqui... Volta pra tal Erika e leva o Hannya junto ok? Eu não quero mais ter guarda costas. Eu só tenho vinte anos mas posso me virar muito bem sozinha como sempre fiz... Acabou Aoshi!"
Misao não poderia mais olhar para Aoshi. "Acabou..."
Aoshi arregalou os olhos pela primeira vez em muitos anos. "O QUE? O que acabou?"
Misao começou a chorar muito. Era melhor cortar esse mal agora, antes que tudo ficasse mais sério e complicado. Mas o problema é que pra Misao esse relacionamento já era sério e complicado... "A Erika pode te oferecer muito mais... Você são iguais... Nosso caso não passou disso, um caso. Um mero divertimento Aoshi..."
"Deixe a Erika fora disso. Ela nunca te fez nada. Que ciúmes mais sem sentido! Ninguém te fez nada!" Aoshi colocou a mão no cabelo, bagunçando os fios. Misao o estava enlouquecendo.
"Some daqui..." Misao apontou para a porta. "Quero ficar sozinha!"
"Você está não sendo razoável! Vamos conversar direito, por favor. Eu não fiz absolutamente nada que justifique isso... Você não pode simplesmente desistir de tudo sem uma explicação plausível." Aoshi pronunciou as palavras como um professor de colegial tentando entender um aluno rebelde.
"Eu vou te dar uma explicação plausível!" Misao se abaixou e pegou os sapatos nas mãos.
Ela jogou um na direção de Aoshi. "VAI EMBORA!"
O sapato acertou dolorosamente a barriga de Aoshi, ela jogou com raiva.
O moreno finalmente percebeu que aquele era um caso perdido. Hoje ele não conseguiria nada. Misao estava irritada demais pra qualquer coisa. "Ok, eu te vou...Mas amanhã quando você tiver mais calma a gente vai conversar sobre tudo isso..."
"Conversa com isso aqui Aoshi Shinomori!"
Misao jogou o outro sapato nele.
Dessa vez Aoshi não foi pego de surpresa, ele conseguiu desviar e finalmente foi embora, deixando Misao sozinha. Recolhendo seus cacos, literalmente.
^^x
Do outro lado da cidade, na incrível avenida Omotesando, a "natsu no arashi", tempestade de verão, começou a despencar do céu assim que Kenshin estacionou o carro na sua vaga de garagem.
"Vai chover hoje o que não choveu o mês inteiro " O ruivo dissecasualmente, enquanto entrava no elevador com Kaoru ao seu lado. Kenshin puxou a mala de rodinhas com as roupas usadas no casamento, e algumas sacolas de compras. Enquanto Kaoru levava os álbuns da viagem, e um arranjo de flores que Tomoe lhe presenteou. "Nee?"
Kaoru não respondeu.
O clima entre eles também estava tempestuoso.
O ruivo estava tentando ser casual, mas falhava miseravelmente. No fundo sua vontade era voar dali direto para o hospital, contrariando o pedido de Kaoru.
Kenshin apertou o botão do último andar e observou a namorada se encostando ao espelho no fundo do elevador.
Introspectiva, Kaoru ficou olhando para o chão conforme o elevador subia para o andar.
O ruivo assoprou baixinho...
"Ainda bem que a festa já estava no fim, ne?" Kenshin continuava a puxar assunto.
A morena balançou a cabeça positivamente. "Hai!"
Kenshin notou Kaoru colocando a mão na testa novamente. "Não melhorou?" ...Essa dor de cabeça que não passa...
"Estou melhor sim..." Kaoru ofereceu um sorriso forçado que não enganou ninguém.
Kenshin levantou uma sobrancelha. Antes que ele dissesse alguma coisa, Kaoru completou. "O calor e agitação do dia me fizeram mal. Só isso ok? Os enjoos e o vomito devem ter sido por causa da pressão que caiu..."
Kaoru completou bem baixinho.
"Eu não quero que você brigue mais comigo por causa disso..."
Kenshin se espantou "Kaoru?"
No carro eles discutiram sim, mas... "Eu nunca briguei...Só estava preocupado!"
Quando o casal saiu do elevador finalmente, um forte estrondo fez o prédio tremer. Kaoru se encolheu com o ruído. "Tenho aflição dos raios e trovões!"
"Koishii... Vem cá!" Kenshin a abraçou.
Ele beijou amorosamente o cabelo depois o rosto de Kaoru. Kenshin se sentia super protetor. Era um sentimento inconsciente.
O apartamento de Kenshin ficava no prédio mais alto da rua. E justamente no último andar para piorar as coisas, aumentando a agonia da morena, pois eles estavam literalmente no centro da tempestade.
E Kenshin não gostou nem um pouco do clima pesado que se instalou entre os dois dentro do carro na volta do casamento. Estava errado.
Kaoru deu alguns passos entrando finalmente no apartamento."Itai!"
Kenshin percebeu que ela estava mancando. "O sapato te encheu de bolhas, não é? Mulher teimosa...de gozaru"
A morena fez cara feia.
"Ok! Você venceu Kenshin. Tenho que admitir, devia ter te escutado certo?!" Kaoru admitiu. Ela realmente estava arrependida de ter escolhido algo tão desconfortável, apesar de ser maravilhosamente fashion.
Kenshin sorriu um pouco sem graça. ...Como alguém tão doce consegue ser tão brava de vez em quando?...
O ruivo jogou a chave do carro em cima da mesinha de centro. Ele parou a mala com rodinhas, com as roupas usadas por Kaoru no casamento ao lado da porta de entrada. Amanhã cuidaria disso...
"Que dia, nee Koishii" Ele mesmo se viu cansado, foi um dia exaustivo e cheio de emoções.
O ruivo usou um controle remoto que controlava o apartamento e acendeu as luzes da sala e corredor.
"Sim! Graças a Kami Sama estamos em casa!" Kaoru inalou fundo. Como era bom sentir o cheirinho do apartamento de Kenshin.
O lugar onde ela se sentia confortável e segura.
Um silêncio desconfortável tomou conta do apartamento.
O trajeto do salão de festas até o apartamento não foi dos melhores. Eles ainda estavam sentindo as consequências das palavras ditas sem a intenção de machucar, mas que machucaram..
"Kaoru..."
Kenshin não sabia por onde começar. Ele precisava desfazer esse clima imediatamente.
Kaoru estava tão silenciosa, como se estivesse realmente magoada.
E essa era última coisa que Kenshin queria.
"Sim?" Ela se virou para Kenshin, piscando seus belos olhos azuis.
"Desculpa ter levantado a voz Kaoru! Nunca foi minha intenção soar como se eu fosse seu dono... A última coisa que eu quero é te deixar chateada." Kenshin disse arrependido, lembrando-se da discussão dentro do carro. "Ainda mais quando você não está bem..."
Kaoru respirou fundo e soltou o ar.
"Sou difícil, não é?" Kaoru confessou um pouco embaraçada. "Às vezes... Digo coisas que não quero... Eu fui longe demais dizendo que você estava começando a falar igual ao Enishi... Nunca em um milhão de anos você merece escutar isso..."
Foi a primeira vez que os dois tiveram uma discussão acalorada e com tom de voz elevado.
"Eu não devia ter falado com você como quem está dando uma ordem Kaoru..." Ser comparado à Enishi doeu mais do que Kenshin admitiria, mas ele também não era nenhum santo, e o gênio forte às vezes escapava sem querer no meio de tantos "oros" abobalhados. "Peço desculpas."
A teimosia de um querendo falar mais alto que a teimosia do outro.
Kaoru queria ir para o apartamento de Misao, Kenshin queria ir para o hospital.
Ela passando mal, e ele tendo um ataque nervoso, porque ela estava passando mal.
As vozes dentro do carro de repente ficaram altas demais. Kenshin foi obrigado a parar o carro.
No final nenhum dos dois ganhou.
Kenshin ligou para Hannya e recebeu a informação de que Misao tinha chegado à sua casa a salvo. Furiosa, mas a salvo e Aoshi estava a caminho para tentar amansar a fera.
E Kaoru admitiu que estava mesmo muito mal, que eles poderiam parar na farmácia.
Sorte que havia uma farmácia no caminho. O ruivo parou e comprou medicação para o mal estar e o enjoo dela. No final Kaoru acabou prometendo que se o enjoo não passasse até a hora de dormir, eles iriam para o hospital.
Kenshin foi obrigado a estacionar diversas vezes durante o trajeto. Kaoru enjoava com balanço do carro, o calor excessivo e o medo da tempestade de relâmpagos que cortavam o céu de Tóquio.
"Tudo bem! Ok? Vamos virar essa pagina?" Kaoru não queria voltar a esse assunto.
"Ok!" Kenshin concordou.
Ela sentou no sofá de couro preto finalmente. Kaoru sentiu um arrepio e os pelinhos dos braços sinalizaram isso. A sensação de enjoo voltando. "Nunca mais vou beber champanhe e misturar tantas comidas. Meu mundo está rodando."
"Kaoru..."
Kenshin estava ficando preocupado novamente.
Kaoru colocou a mão na testa inutilmente tentando aplacar a dor de cabeça.
"Ugh" Kaoru sentiu a náusea ficando forte, mas já não tinha mais nada no estomago para colocar para fora.
"Coloca a cabeça pra trás, fecha os olhos, vai respirando fundo ... Eu vou buscar um copo!" Kenshin colocou a mão na cabeça de Kaoru antes de ir para a cozinha, ela estava gelada e pálida.
Talvez fosse a hora de ser firme pra valer e colocar Kaoru no carro. Ela ficaria muito brava, mas não dá mais... O ruivo encheu rapidamente um copo com água potável.
Enquanto isso Kaoru fez o que Kenshin disse, ela se encostou completamente no sofá, jogando a cabeça para trás, largada no encosto de couro.
Kenshin voltou da cozinha com um copo nas mãos, ele jogou a pastilha dentro do copo de água e a reação química foi imediata. O liquido ficou laranja e efervescente.
O ruivo puxou uma mesinha de centro para perto do sofá, depois se sentou. Ficando frente a frente com Kaoru "Bebe isso..." Ele ofereceu.
"Hai!" Kaoru obedeceu.
Kenshin pegou a bula e começou a ler. "Quem teve a ideia de escrever uma letrinha tão miúda?"
Após beber o liquido, a morena sorriu. "Arigato Kenshin!"
Ela voltou a se encostar-se no sofá. Kaoru fechou os olhos e murmurou. "Minha cabeça está doendo!"
"Vai passar. Se não passar eu vou te levar para o hospital. E dessa vez é ficar brava não vai adiantar..." Kenshin largou a bula do remédio.
Ele levantou uma perna de Kaoru, tirando o salto alto dela e jogando no chão. Depois repetiu a mesma coisa com a outra perna. "Olha o tamanho dessa bolha... Droga de sapato... Como é que você estava conseguindo andar com isso?"
"Hmm hmm!" Kaoru murmurou alto incoerente.
O ruivo passou as mãos nós pés dela, massageando o calcanhar, a planta do pé, e os dedos com bastante carinho. "Eu vou fazer curativo."
"Tudo bem não se preocupe... Só me deixe mais uns minutinhos assim, quietinha!" Quando Kaoru ficava assim, parada, de olhos fechados melhorava bastante.
Alguns minutos de silencio passaram.
Lá fora o som da chuva forte, dos ventos violentos balançando as arvores da avenida, e dos raios e trovões explodindo sem parar.
Sentado na frente de Kaoru, Kenshin matutava alguma coisa ao ler novamente a bula dos remédios.
"Kenshin..." Depois de alguns minutos de silencio, Kaoru abriu os olhos e sorriu para o ruivo a sua frente.
"Sim?" Ele se inclinou, e colocou a mão no joelho dela.
"Estou melhor, de verdade. Acho que eu só precisava vir pra casa mesmo..."
"Talvez eu deva ligar para a Megumi. Não sei se você pode tomar esses remédios." Kenshin fez uma careta ao ler certas contra indicações.
Kaoru foi contra. "De jeito nenhum. deixe a Megumi em paz, hoje é folga dela! Não vejo porque não poderia tomar. Nunca fui alérgica a medicação, e só um mal estar passageiro causa da bebida e comida em excesso!"
"Ok!" Kenshin deixaria assim por enquanto.
Novamente eles ficaram em silencio.
"Você acha que tudo vai dar certo entre Misao e Aoshi?" A morena disse baixinho.
"Espero que sim...As vezes Aoshi tem uma personalidade estranha, mas ele se importa com a Misao." O ruivo encolheu os ombros.
Kenshin percebeu Kaoru se movendo para sentar no sofá. "Se Aoshi magoar a Misao, eu arranco a cabeça dele..."
"Oro!" Kenshin não duvidava.
Kaoru puxou a presilha que segurava o belo penteado, libertando assim as madeixas negras que agora já passavam discretamente dos ombros. Pelo menos os cabelos destruídos por Enishi estavam crescendo a todo vapor.
Ela se levantou finalmente.
"Onde vai?" Kenshin se levantou também.
"Vou encher a banheira. Quero tomar um banho bem quente e bem demorado. De preferencia com você junto." A morena sorriu para o namorado. "Porque Kenshin... Não tem coisa melhor do que a gente fazer as pazes depois de uma discussão..." Kaoru piscou pra ele.
Descalça, ela pegou seus sapatos, e já deu alguns passos na direção do seu quarto.
"Já gostei! Mas eu não quero que a gente brigue mais Kaoru." O ruivo sorriu.
Kenshin a seguiu até o quarto de Kaoru.
O casal tinha voltado de viagem a apenas três noites, e não haviam elegido oficialmente um quarto.
E provavelmente não elegeriam.
Uma noite eles dormiram juntos no quarto dela, na outra do quarto dele. O importante para Kenshin era dar privacidade para que Kaoru pudesse respirar e sentir confortável no seu próprio espaço. Com seu próprio armário, seu computador, sua cama, seu travesseiro, seu banheiro. No fundo ele também queria isso. E essa era a vantagem de se morar em apartamento desses. Eles estavam sempre juntos, mas sem sufocar um ao outro.
Kenshin observou enquanto Kaoru tirava os brincos, pulseiras e o colar de ouro, depositando-os sobre sua penteadeira. A morena fez um coque bem alto e desajeitado no cabelo para não molha-lo no banho.
Kaoru virou de costas para ele, e apontou para as costas do vestido. "Desce o zíper pra mim por favor?" Kenshin obedeceu imediatamente, descendo o zíper, e tirando o lindo vestido coral do corpo dela. Deixando Kaoru somente de calcinha e sutiã.
A morena já soltou o fecho do sutiã, libertando o par de seios que Kenshin tanto amava.
O ruivo não conseguia desviar o olhar... Impressão minha ou estão os seios estão mais cheios? Que vontade de apertar...Hentai! Dá um tempo Kenshin. Ela estava passando mal até agora...
Controlando seus desejos, Kenshin estava disposto a se comportar, afinal ele tinha uma coisa importante para resolver. Mesmo com essa resolução em mente, as mãos do ruivo percorreram a coluna vertebral de Kaoru.
"Depois do banho você pode me se deitar comigo? Ficar bem apertadinho até amanhã cedo?" A morena se virou para ficar de frente com Kenshin. Já tirando o gi preto dos ombros e dos braços dele, e desfazendo o nó do hakama cinza escuro.
...Claro que sim... Kenshin sorriu maliciosamente.
Mas ele tinha uma coisa pra resolver, não tinha?
"Kaoru, espera..."
Com muita seriedade Kenshin voltou para a sala e pegou um pacote da farmácia que estava sobre a mesinha de centro e caminhou novamente para o quarto de Kaoru.
Ele tirou três caixas de dentro do saco de papel.
"Podemos fazer isto aqui antes de qualquer coisa?" Kenshin entregou uma das caixas para ela, Kaoru piscou varias vezes tentando entender.
Ela pegou nas mãos e leu os dizeres da embalagem. "Clear Blue?"
Kaoru olhou para Kenshin. "Oh!"
"Sim! Onegai..." Existia urgência na voz dele, Kenshin pensou nisso quando estava na fila do caixa da farmácia.
Enjoo, dor de cabeça, tonturas...A ideia não era tão absurda assim, afinal a primeira noite deles foi sem proteção.
Alguns segundos depois a ficha de Kaoru caiu, e a morena perdeu a fala. "Ken..."
A ideia parecia empolgante e divertida na primeira noite na ilha. No calor do momento praticaram varias e vezes, não usaram nada, e Kaoru não tomou a pílula no dia seguinte.
Mas quando a loucura inicial passou, eles conversaram novamente a respeito e passaram a se proteger com preservativo.
O relacionamento estava muito no começo para um bebê, se já tivesse acontecido tudo bem, mas se ainda não... Poderiam esperar mais um pouquinho...
Kaoru teve sangramento três semanas depois da primeira noite, e eles nem cogitavam mais gravidez.
Mas com a natureza não se brinca, e agora a imprudência daquela excitação toda vinha a tona de modo chocante...
Com esses testes de gravidez nas mãos, a coisa de repente ficou real demais. "Você acha que?... Mas já? Wow, mas... foi só na primeira noite que nós..."
Kenshin encolheu os ombros. "A possibilidade existe..."
"Mas..." Kaoru ficou toda atrapalhada. "Meu período veio semana passada, foi menos que nos outros meses, mas eu tive sangramento e cólica sim... Você acha que?..."
"Eu não sei! Quer dizer... Eu não sei. Pode acontecer, não pode?... Só tem um jeito de descobrir." O ruivo não tinha certeza, ele não estava pensando nessa possibilidade até algumas horas atrás.
Kenshin puxou Kaoru para o banheiro finalmente.
Kaoru leu todo o procedimento escrito na bula de um dos teste e fez passo a passo como estava escrito nas instruções. "Como você é exagerado, fazer três de uma vez só?! Como eu nem vi você comprando tudo isso na farmácia!"
Kenshin sorriu. "Oro...Eu só quero ter certeza..."
"É a primeira vez que eu faço um desses..." Kaoru confessou.
Ela se sentou na tampa da privada, enquanto Kenshin sentava no chão do banheiro, com as pernas cruzadas, encostado contra a parede.
"Cinco minutos e nós já vamos saber..." Kaoru murmurou baixinho para si mesma....Cinco minutos é muito tempo...
"Em dois anos você e Enishi nunca desconfiaram de gravidez?" Kenshin a mirou com surpresa no olhar.
Inconscientemente, Kaoru estava tão vermelha quanto o cabelo de Kenshin.
"Não! Nunca falhou...Nunca tive sintomas..." Kaoru disse baixinho
Durante o namoro com Enishi, Kaoru costumava ser super certinha e organizada em relação à anticoncepção. O que deixava Enishi bravo, dizendo que Kaoru tinha pavor de ficar grávida dele.
"Eu estava pagando as despesas hospitalares do meu pai, terminando a faculdade, e dependendo totalmente do Enishi. Não tinha como! Então sempre segui as instruções do meu médico... A primeira vez que eu fiz sexo sem preservativo foi com você... "
Kaoru ficou vermelha como um tomate, e nem sabia por que. "Pele contra pele... Só com você... Que despejou... sêmen... lá dentro da..." Extremamente envergonhada, Kaoru escondeu o rosto com as duas mãos. Uma mulher adulta, que durante o mês de namoro na ilha já tinha experimento de quase tudo com Kenshin, mal conseguia pronunciar certas palavras sem ficar da cor de um pimentão.
"Você está falando sério?" Kenshin riu. Bem vermelho, envergonhado e com o coração disparado, ele tinha que admitir. Kaoru o fazia sentir como um adolescente novamente.
"Hai" Kaoru deixou a tampa da privada, e foi se sentar ao lado de Kenshin no piso do banheiro. "Eu estou falando sério! Sim! Foi minha primeira vez... desse jeito..."
O orgulho masculino do Kenshin inchou e ele nem conseguia disfarçar.
De certo modo era bom saber que ele era o primeiro homem que Kaoru compartilhava esse tipo de situação.
Kenshin descobriu que, de certo modo, foi o primeiro de Kaoru e não conseguia parar de sorrir. "E você gostou de experimentar "in natura"?
"Kenshin!" Ruborizada ao extremo, a morena deu um tapa no ombro dele. "A sensibilidade é maior e a sensação de quando você jo... BAKAAAAAAAAAAA!"
"Oro!" O ruivo caiu na gargalhada.
"Estou brincando Koishii...Para mim também foi diferente e importante. E daqui pra frente eu só quero com você! Você é uma deusa pra mim...Perfeita, tão quente, tão deliciosa..." Kenshin parou de rir.
O dois se beijaram, demoradamente. Antes que esquecessem de o que estavam fazendo ali no chão do banheiro,Kaoru se afastou um pouco. "Hei Ken...!"
Os azuis olharam bem fundo naquela íris violeta.
Kaoru mordeu o lábio inferior de levinho "Você já passou por isso antes? Suspeita, teste, e tal?"
Apesar da pontada de ciúmes de ver Kenshin falando sobre uma ex namorada, Kaoru queria saber. Assim como Kenshin sabia tudo sobre sua vida antes do namoro começar e não a infernizava por isso, ela também deveria aprender a se comportar.
"Hai!" O ruivo primeiro fez uma careta, depois sorriu. "Há muito tempo atrás..."
Kenshin riu, Kaoru lutava com todas as forças para não deixar o ciúmes transparecer , e ela ficava cada minuto mais fofa fazendo isso. "Um tanto inapropriado falar sobre isso bem no dia do casamento da Tomoe, mas sim, nós passamos por uma situação parecida. Dois adolescentes, compartilhando nossas primeiras experiências. Absolutamente apavorados por causa de um teste de gravidez... Deu negativo obviamente e foi um pouco traumático."
"Ehhh? Tomoe-san..." Kaoru fez uma careta.
Ela não sabia realmente como se sentir a respeito disso. Mas tinha que lidar com o ciúmes, assim como Kenshin fazia quando falava sobre ela e Enishi.
Kenshin continuou, lembrando-se de coisas que aconteceram há mais de treze anos atrás. "Depois disso Tomoe deu uma pirada e resolveu romper nosso namoro. A verdade é ela já estava apaixonada pelo Akira, e se aquele triangulo amoroso continuasse, poderíamos ter terminado de forma conturbada, e com uma criança inocente no meio da bagunça."
Kaoru mordeu a cutícula do dedo indicador. Ela estava começando a ficar tensa, mas tinha que saber. "Você sofreu muito?"
"Muito..." Kenshin não poderia ser mais sincero e verdadeiro.
"Hmm" Ela reclamou inconscientemente.
Kenshin percebeu as sobrancelhas de Kaoru se juntando, e continuou rapidamente.
Era importante que a mulher na sua frente entendesse e acreditasse nas suas palavras.
"O primeiro ano foi difícil, eu só tinha dezessete anos. Fui rejeitado e ela foi meu primeiro amor...Mas o sentimento foi mudando com o passar do tempo. Eu comecei a enxergar o que acontecia entre Tomoe e Akira, e reconhecer que nosso amor era outro tipo, era amizade. Hoje não consigo me imaginar casado com a Tomoe, ou sendo o pai dos filhos dela de jeito algum..." Kenshin disse calmamente, depois ofereceu um sorriso para Kaoru.
Os dois ficaram em silencio por um tempo.
Kenshin a mirou atentamente.
Ele podia ler na feição da morena, que Kaoru matutava alguma coisa. "Kenshin..."
"Hum?"
"Você acha que daqui um tempo seu sentimento em relação a nós dois vai mudar também?" A voz de Kaoru cheia de expectativa.
"Kaoru?..." Kenshin se surpreendeu com a pergunta.
"Eu fecho meus olhos e só consigo ver você no meu futuro. Como minha mulher e mãe dos meus filhos... Eu sei que o destino prega peças, mas é assim que eu me vejo daqui uns anos..." Kenshin estava sendo muito sincero.
"E você Kaoru? Acha que seus sentimentos vão mudar? "
Kaoru respirou bem fundo. Que pergunta difícil que ela fez para Kenshin e agora recebia de volta. O começo do namoro com Enishi foi tão arrebatador, ela achava que o amava logo de cara. Com Kenshin foi tão diferente, foi gradual.
Ela não sentiu o tal "Koi no yokan". Kaoru não sentiu a tal sensação de amor no primeiro dia que conheceu Kenshin, mas agora ela tinha absoluta certeza de quem era seu par para toda a vida.
A morena balançou a cabeça em negativa. "Não Kenshin, eu não acredito que meus sentimentos vão mudar! E...é meio apavorante chegar a essa conclusão, afinal, eu só tenho vinte e dois anos, mas já percebi que você é a pessoa...Minha pessoa!"
Kenshin não escondia o sorriso gigante. "Vem cá"
Ele passou um braço ao redor dela. ...Mais dois minutos...
"Já ouviu falar que o primeiro amor é superestimado? Produto da ficção, da mídia e dos filmes de Hollywood?" Kenshin soltou uma leve gargalhada.
Kenshin olhou para ela "Concorda?"
"Sim!" Pensando agora, Kaoru concordava sim.
O primeiro nem sempre quer dizer que é o certo. Quem disse que é pra toda vida? "Quando passa aquele encantamento a coisa fica bem diferente, ne? Amor a primeira vista é uma coisa meio perigosa... Por que quem garante que é mesmo amor?"
"Sim!" Kaoru sorriu.
"Paixão é perigosa, viciante. Geralmente é um fogo que arde forte, mas se extingue rápido demais!" Kenshin encaixou Kaoru no seu abraço, beijando o cabelo dela.
Kaoru precisava confessar agora.
"Eu não senti isso com você. Não me leve a mal Kenshin, mas eu nunca senti essa urgência desenfreada de me jogar na sua cama... Seu amor foi como um carimbo. Cada dia deixava uma marca diferente em mim. Um "oro" aqui , um sorriso ali, um gesto, uma palavra, um beijo. O jeito que você diz "eu te amo". Seu rosto tranquilo depois da gente ter feito amor...E quando dei conta estava toda carimbada de Kenshin Himura..."
Kaoru gargalhou, e Kenshin riu também.
No piso chique do banheiro de Kenshin, o ruivo puxou Kaoru para um beijo amoroso. Depois que se separaram, ele falou baixinho... "Esse carimbo tem uma tinta bem forte Kamiya..."
"Baka!" Kaoru mostrou a língua para Kenshin. Ele riu.
...Um minuto...
Os dois estavam tão entretidos que se esqueceram do tal teste.
O exame de gravidez demorava apenas cinco minutos para acusar o resultado. E estes estavam se tornando os cinco minutos mais longos e reveladores da vida de Kenshin Himura e Kaoru Kamiya.
...quarenta segundos...
Kenshin procurou pela mão de Kaoru, e enlaçou seus dedos com os dela. "Saiba que eu vou ficar feliz com qualquer resultado...Se não for agora tudo bem... A gente tem a vida toda pela frente...mas se for..."
...vinte segundos...
"Agora estou com um pouco medo!" Kaoru apertou a mão dele. "O que eu sei sobre um bebê? Minha morreu antes de me ensinar qualquer coisa sobre isso e...Se eu não for uma boa mãe?"
"Koishii..." Kenshin sorriu. "Você vai ser a melhor mãe..."
...piii piii piiii piiii...
O alarme tocou antes que Kaoru pudesse responder.
E Kenshin também não sabia nada sobre crianças, ainda mais recém nascidos.
O ruivo se levantou e pegou os testes nas mãos. Comparando os três resultados.
Kaoru também se levantou, mas covardemente fechou os olhos. "Eu não consigo olhar! Você é que vai ter que descobrir o resultado Kenshin!"
"..." O ruivo arregalou os olhos cor de violeta.
Com os olhos fechados, Kaoru escutou Kenshin puxando o ar, arfando o peito.
Em seguida ela o escutou chorando.
Kaoru abriu os olhos, bastante preocupada. "Kenshin?"
"Nós temos nove meses para aprender pelo menos o básico! Os três deram positivo." O ruivo estava tremendo e chorando.
"Kaoru Kamiya, você vai ser mamãe!" Kenshin quase nem conseguia falar. Ele mostrou a marca positiva nos três testes de gravidez para Kaoru.
Não havia duvida alguma, todos os testes acusaram positivo.
"Oh meu Deus!" Kaoru colocou a mão na testa e desmaiou.
"Koishi!" Kenshin jogou os testes longe e segurou Kaoru nos seus braços.
"ORORO! Mas a gente faz tudo ao contrario mesmo, né?" Ele sorriu.
Kenshin estava feliz da vida, vida essa que estava prestes a mudar, radicalmente.
Ele a chacoalhou levemente em seus braços
"Acorda! Amor, abra os olhos..."
Kaoru piscou os grandes olhos azuis varias vezes para Kenshin, voltado finalmente a consciência. "Kenshin! Eu sonhei que você me disse que eu estava grávida!"
Kenshin gargalhou, chorando e rindo ao mesmo tempo.
Ele a beijou com amor, com carinho, com paixão, com sentimentos que ele nem era capaz de nominar. Kaoru abriu um enorme sorriso, distribuindo beijinhos no rosto dele.
Os dois se abraçaram emocionados, eles ficaram assim, se balançando de um lado para outro por quase um minuto.
"Agora vem cá..."
Com o sorrisão ainda nos lábios, o ruivo começou a tirar sua roupa rapidamente. Ficando completamente nu na frente de Kaoru. E depois ajudou Kaoru a tirar a roupão felpudo dela.
Kenshin passou carinhosamente a mão na barriga dela.
... Que emoção...
"Ah Koishii!" Kenshin se ajoelhou e beijou ali, bem embaixo do umbigo de Kaoru. O lugar onde seu bebezinho estava se desenvolvendo.
Seu pulso estava tão acelerado, o sangue estava correndo tão quente dentro das veias. Era muito cedo pra isso, não existia mudança física alguma. A não ser os seios de Kaoru um pouco mais inchados e pesados que o normal.
Kenshin se levantou, e beijou carinhosamente cada seio da morena. Agora não era uma atitude sexual, era um carinho sincero, sem duplo sentido, era um sentimento realmente profundo. "Eu vou cuidar de você! Eu juro!"
Kaoru suspirou tão fundo que até doeu um pouco os pulmões.
"Koishiteru!" Ela sussurrou o jeito especial de dizer "eu te amo".
Koishiteru só é dito quando os japoneses tem certeza de que passarão o resto da vida ao lado de uma pessoa. Ao lado de sua alma gêmea.
"Koishiteru!" O ruivo olhou fundo pra os olhos azuis de Kaoru e respondeu do mesmo jeito especial.
Os dois ficaram assim se olhando por quase um minuto.
Kenshin finalmente ofereceu a mão para Kaoru. "Vem Koishii!"
Ela aceitou o convite, os dois subiram a escadinha de três andares para se acomodar na imensa e quente hidromassagem, já cheia de água, sais e essências deliciosamente cheirosas e caras.
O casal se sentou na banheira, envoltos pela maravilhosa água quente.
Preocupada, Kaoru já começou a arrancar dolorosamente a pele envolta da cutícula da unha. "Kenshin!"
"Sim!" Ele perguntou baixinho.
Trilhões de pensamentos bombardearam a cabeça de Kaoru ao mesmo tempo .
"Ah meu Deus!" Ela começou a chorar novamente e tremer um pouco. "É muita reponsabilidade Kenshin!"
"É sim!" Kenshin a abraçou. "Você tem razão!
Kenshin ponderou. "Mas se nossos pais e nossos avôs conseguiram, nós também podemos..."
Quanta responsabilidade, colocar outra pessoa no mundo.
Um filho para cuidar, educar e proteger. Para que traga alegria para uma casa. E seja uma pessoa humana, com princípios e valores, e faça diferença na vida familiar e na sociedade. E para que seja feliz acima de tudo.
"Sim, podemos!" Kaoru fechou os olhos e começou a visualizar imagens.
Um bebê fofo ruivo. Roupinhas de recém nascido. Quartinho de bebê todo enfeitado com motivo safari. Carrinhos de bebê. Fralda. Pediatra. Criança brincando em parquinho. Criança fazendo birra e gritando. Criança na escolinha. Criança jogando futebol. Criança aprendendo a andar de bicicleta...Um pequeno ruivinho, o clone do pai, segurando uma shinai na mão. Ela própria beijando um joelhinho machucado. "Kenshin... Ahhhh Sugoi! Sugoi...! Imagina daqui um tempo um bebezinho nosso correndo pela casa? Um menino ruivo como você!"
"Sim!" Kenshin fechou os olhos e visualizou uma garotinha com cabelos negros e olhos azuis, um pequeno clone de Kaoru. Homem nenhum seria bom o suficiente para sua filha. ...ORO?... "Uma menininha linda como a mãe!"
"Menina? Eu acho que é menino!" Kaoru juntou as sobrancelhas.
"A gente faz os dois!" Kenshin começou a rir. Kaoru riu também.
Kaoru ficou um pouquinho séria. "Gostaria de marcar uma consulta com o médico da nossa família lá em Shitamachi! Doutor Gensai nem vai acreditar... Acredita que ele fez o meu parto? Depois me acompanhou da minha menarca até minha vida adulta... Agora estou preocupada com esse sangramento que eu tive semana passada..."
Kenshin já estava se levantando. "Você quer ir para o hospital agora?"
Kaoru não queria que ele se alarmasse, mas pelo visto os próximos nove meses seriam assim...
A morena rolou os olhos. "Não quero ir para o hospital. Ok? A Megumi nem está lá, ela está de folga hoje. Eu prefiro esperar e conversar com o Doutor Gensai amanhã... Fica tranquilo Kenshin, eu estou me sentindo bem agora! Ok?"
"Ok!" Ele acompanharia o pré-natal onde quer que fosse. "Fique a vontade Kaoru!"
"Eu estou feliz" Kaoru confessou. "Ao mesmo tempo com medo!"
"Shhh...Fica calma amor...Tudo vai dar certo! Relaxa agora..." Kenshin se deitou no apoio da banheira, trazendo Kaoru para deitar a cabeça no seu peito, beijando carinhosamente o cabelo dela.
Ela fechou os olhos novamente, envolta e protegida pela água bem quente da banheira e pelos braços fortes de Kenshin.
O ruivo ficou olhando para Kaoru por diversos minutos, beijando o cabelo dela. Traçando a pele dela com a ponta dos seus dedos, até que a morena pegasse no sono nos seus braços.
Kenshin olhou brevemente para a janela levemente embaçada do banheiro, e se surpreendeu.
Em meio ao vapor ele viu seu reflexo lá, com Kaoru em seus braços dentro da banheira. Os olhos do ruivo estavam extremamente dourados.
...Âmbar...Como olhos de um gato no escuro...
E Kenshin nem sabia dizer o porquê.
Olhando para seu reflexo na janela do banheiro, Kenshin se sentiu com um leão protegendo sua fêmea. "Eu vou proteger minha família." ... Agora, mais do que nunca Enishi deve de ser preso e começar a responder pelos seus crimes...
"Se ele ousar..." Kenshin abraçou Kaoru com mais força, e fechou seus olhos dourados.
^^x
Kenshin já estava pensando nisso há algum tempo. A gravidez de Kaoru foi o chute final que ele precisava para dar esse giro de 360 graus na sua vida. O problema é que existia todo um processo legal para fazer o que ele estava planejando.
A ajuda de Aoshi agora seria fundamental.
Kaoru adormeceu na banheira. Ele queria contar sobre sua nova resolução, mas a morena estava tão esgotada, fisicamente e emocionalmente, era melhor deixa-la dormir. Na manhã seguinte conversariam seriamente sobre isso.
...É agora ou nunca...
O ruivo tomou coragem, pegou o celular e discou finalmente para seu advogado.
"Diga Himura!" Aoshi foi bem grosso ao responder o telefonema.
"Pelo tom da sua voz as coisas não deram muito certo entre você e a Misao?" Kenshin colocou um lençol leve sobre Kaoru. Ela pegou no sono pra valer dentro da banheira, e o ruivo a secou e levou no colo até o quarto, depositando-a carinhosamente na cama de casal.
"Misao é geniosa! Mas amanhã a gente se entende... Então o que você precisa?" Provavelmente era o máximo que Kenshin conseguiria tirar de Aoshi sobre esse assunto.
"Eu sei bem como é!" Kenshin riu, ele também tinha uma fera dormindo em sua cama.
O ruivo saiu do quarto fechando a porta com cuidado para não acorda-la. Ele caminhou para a direção do seu escritório. Já separando algumas pastas com documentos que estavam na prateleira.
"Aoshi eu preciso de três favores para amanhã. Eu sei que é muita coisa de uma hora para a outra. Mas se possível, gostaria que providenciasse toda a papelada até a hora do almoço. Vou levar a Kaoru no médico bem cedinho, depois vou para o escritório. Me escuta..."
Kenshin contou todos os seus planos para seu advogado. Aoshi estava surpreso com todas as noticias e mudanças que seu amigo pretendia colocar em pratica daqui pra frente. "Arigato Aoshi-san...Vou ligar para Misao, Sanosuke e Tomoe agora mesmo...Boa noite!"
E no seu escritório dentro do apartamento, Kenshin fez exatamente como combinado.
"Mochi mochi!" Misao nem olhou para a tela do celular. Ela atendeu reconhecendo o toque era de seu chefe Kenshin Himura. *snif* *snif*
"Que você quer Himura?" Misao não estava com paciência. Ela estava em um espiral depressivo agressivo. Chorando na frente da tv e atacando agressivamente o enorme pote de sorvete na sua frente. Quem pode julgar? Ela acabou de perder o namorado para uma loira alemã de 1,80.
...Tomara que o chuveiro dela queime, bem no meio do banho...
"Boa noite para você também!" Kenshin sorriu baixinho.
"Himura..." Misao respirou fundo. Kenshin não tinha culpa dos seus problemas, e mandar o chefe para "aquele lugar" não era uma coisa muito inteligente.
Kenshin decidiu não perturba-la muito, ele tinha certeza que Misao e Aoshi se acertaria, o ruivo foi direto ao ponto. "Olha Misao, tudo vai dar certo... Eu tenho certeza disso... Mas não liguei para isso... Liguei para informar que nós teremos uma reunião importante amanhã às treze horas no cartório de Shiba. Quero que você use sua roupa mais especial, porque eu tenho certeza que vai gostar da novidade e vai querer comemorar! E leve toda suas pastas de documentos. O Aoshi vai precisar de certidão de nascimento, registro de pessoa física, tudo... Por favor, preciso que você passe essas mesmas informações para Sanosuke, ok? Eu vou tentar encontrar Tomoe. Para que ela vá para o cartório antes da viagem de lua de mel. Pode fazer isso por mim?"
Misao não estava entendendo nada. Reunião no cartório. Documentos. Melhores roupas. Pelo menos agora ela teria outra coisa pra pensar, a não ser no Aoshi, seu namorado insensível, e a Loira do banheiro...
"Ok...Que você está tramando Himura?" Misao desligou a televisão e se interessou pela conversa.
"Amanhã todos vocês saberão..." Kenshin sorriu.
Pelo visto ele teria que dar um empurrão e bancar o cupido. "Hei Misao! Sinceramente, depressão não combina com você... Aoshi está gamado na sua, não existe nada mais entre ele e a Erika, faz tempo. Não deixe que um mal entendido acabe com seu namoro... Aproveite o dia de amanhã e faça com que Aoshi fique de queixo caído! Seja feliz Misao..."
"Que? Seu ruivo intrometido!" Misao começou a fumegar via telefone celular. "Eu vou te esganar! Seu..."
"Oro..."
Kenshin gargalhou. "Ok desligo agora. Ainda tenho que conversar com Tomoe e achar meu tio. Hiko vai ficar maluco e querer me matar, mas tudo bem..."
O chefe desligou, deixando uma Misao totalmente confusa olhando para a tela do celular. Imediatamente ela ligou para Sanosuke e informou exatamente as mesmas coisas. Para que ele separasse seus documentos, vestisse a melhor roupa e fosse para o cartório de Shiba as treze horas em ponto. Quando Sanosuke disse que não entendeu nada, Misao simplesmente exclamou. "Himura pirou de vez! E aquele advogado safado está metido nisso..."
Em todo caso a jovem fez exatamente como foi instruída. Pegou suas pastas de documentos.
"Fazer com que Aoshi fique de queixo caído, né?" Misao colocou uma mão no queixo. Pensando em que roupa poderia usar na tal "reunião". Ela abriu as portas do seu armário e começou a tirar todas as roupas para fora. Jogando longe e fazendo um monte em cima da cama.
"Hmm! Gostei!" Misao achou finalmente a peça de roupa que comprou e nunca usou. Ela iria à tal reunião maluca totalmente diferente daquilo que todos estavam acostumados.
...É ISSO!...
^^x
Continua...
^^X
Kaoru grávida! o que Kenshin está tramando? E o que vai acontecer com Aoshi e Misao? E qual o destino de Enishi, qual castigo ele merece?
Obrigada pelos reviews ^_^
Lica, obrigada pelo review, não fique brava porque eu não cheguei "naquilo" ainda, já vem na sequencia ok?
Artemys Ichihara - Aoshi é um pouco sem noção kkkkk mas acho que a Misao também exagera um pouquinho, eles precisam de equilíbrio. Ne
Kaos- estou tentando colocar todas as nuances de um relacionamento para Kenshin e Kaoru, provavelmente estou falhando porque esse capitulo foi tão doce que até doeu os dentes mhahahahaa mas é o amor!
Nana- Eu não sou má :( sou boazinha. Você provavelmente vai gostar do próximo se for fã de Misao e Aoshi, ops, spoiler kkkkkkkkkk
Beijos até o próximo!
Chibis
