Disclaimer; Ruroken não me pertence. Eu não fui abduzida gente XD só tirei umas pequenas férias! Já estou de volta escrevendo Ken&Kao enlouquecidamente. Já avisando pra não decepcionar ninguém, ainda não tem Misao e Aoshi nesse capitulo. Sorry!
"Koi no Yokan"
Parte 16
Por Chibis
Que agradável sensação caminhar pelas ruas de Shitamachi depois de dois longos anos afastada. Os mesmos cheiros, o mesmo sotaque, o mesmo colorido do velho distrito. O lugar onde Kaoru viveu sua infância e juventude, e que ainda guardava historias antigas de espadachins, samurais e ninjas em seus museus e casas antigas.
Kaoru ficou tão feliz quando acordou naquela manhã, e notou que uma caixa com um belo laço brilhante a esperava ao seu lado na cama. Ela tinha uma consulta médica marcada com doutor Gensai em Shitamachi, e o yukata que estava dentro da caixa era perfeito para a ocasião.
O típico quimono de verão era da cor lavanda, proposital talvez, para combinar com os olhos de Kenshin, e estampado com pequenas pétalas de sakura, cor de rosa e com borda azul marinho. "Que lindo Kenshin! Oh!"
"Vamos?" Kenshin apareceu na porta do quarto parecendo um espadachim da Era Meiji.
Gi vermelho, puxando para o pink, e um hakama branco. Só faltava a espada. Kaoru brincou que ele poderia usar a sakabattou na cintura para andar por Shitamachi. "Oro!" Ele respondeu, o ruivo guardava essa espada a sete chaves. Era sua antiguidade favorita. Kenshin a usava somente nos seus treinos de kenjutsu, e nunca a tirava de casa.
E assim o casal partiu, lado a lado, batendo seus guetas, as sandálias de madeiras baixas, nos paralelepípedos de Shitamachi.
Caminhar por ali era como voltar no tempo, pois o distrito, na baixa de Tóquio, ao longo do rio, foi construído ainda na era Meiji. A jovem sorriu ao escutar o shitamachi kotoba, o rústico dialeto que ela tanto gostava de ouvir, e que ela mesma possuía.
Rapidamente os vizinhos reconheceram que vinha descendo a rua. "Kaoru-chan! Oh quanto tempo!...Sentimos sua falta!"
"Senhora Matiko! Bom dia!" A morena também sentia saudades daquela vizinhança. "Bom dia senhor Hoshino! Olá senhora Higa!" Com alegria, Kaoru cumprimentou um por um.
"Kaoru-chan! Quanto tempo! Kaoru-chan" A cada passo, mais um cumprimento, mais um sorriso.
Desde ex alunos do dojo Kamiya, até os instrutores dos dojos vizinhos, todos paravam para dizer "oi" para a jovem. "Olá, Kaoru-san!"
"Ola, minna-san!" Kaoru acenou para um grupo de jovens e crianças sentados em uma pequena ponte. Eles ainda usavam gi e hakama do dojo Maekawa e se empantufavam de bolachas, yuki no yado. "Não comam depois do treino! Cuidado com indigestão!"
Kenshin sorriu ao notar a felicidade que Kaoru emanava, mesmo quando dava bronca no grupo de jovens. "A senhorita é bem popular por aqui!"
"Um pouquinho, nee?!" Kaoru riu envergonhada.
O Mercedez Benz de Kenshin era grande para passar pelas antigas ruelas, então o casal teve que percorrer a pé o caminho ao longo do rio. Lado a lado, devagarzinho, para que Kaoru pudesse apontar e explicar cada detalhe de Shitamachi.
As ruas estavam coloridas e enfeitadas por causa do Tanabata. O rio e as árvores. O vendedor de "dango", Kenshin adorava dango! E já tinha um palitinho com os bolinhos japoneses em forma de pequenas bolas nas mãos. "Que delícia!"
Mais alguns metros e o casal passou pelo Akabeko, e as lojinhas de tecido.
"Ah, os laços de seda! Eu tinha um ribbon azul índigo que amava. Infelizmente perdi na mudança para a casa do Enishi. Na volta podemos dar uma passadinha na lojinha?"
Os olhos azuis de Kaoru brilharam com o colorido dos laços expostos, para Kenshin era simplesmente impossível dizer não. "Claro!"
Kaoru sorriu e Kenshin quase derreteu. "Quero comprar um laço para a Misao. Ela estava meio estranha hoje no telefone! Alguma coisa sobre "escavar o armário"!
Kenshin balançou a cabeça. "Vai saber o que a maluca está aprontando. Só sei que a cabeça do Aoshi está na mira! Ela ainda não o perdoou."
A jovem estreitou os olhos. "Onde já se viu chamar a namorada de amiga, e ficar de conversinha com a loirona...Aoshi que peça desculpas, se rastejar aos pés dela...ou então..." e deu um murro na própria mão
"Oro!" Kenshin quase engasgou com o dango que estava na boca. ...Que medo dessas mulheres...
"Chegamos a clinica do doutor Gensai!" Kaoru apontou um prédio para Kenshin.
"Oro!" O ruivo se surpreendeu.
"Não é uma gracinha?" Kaoru juntou as mãos.
"É uma clínica médica ou um museu?" Kenshin sentiu-se na Era Meiji.
"Kenshin. Baka!" Kaoru o cutucou levemente com o cotovelo.
A clinica tinha seus 150 anos. A arquitetura remetia as construções construídas na era Meiji. De madeira escura, brilhante, polida e bem conservada. O interior da clinica passou por uma reforma recentemente para se adequar as normas modernas, mas nada luxuoso. Tudo continuava bem simples se comparado a Shibuya, o distrito milionário onde Kenshin morava.
"É uma construção conservada através das gerações da família Oguni..." Kaoru engoliu o nó formando na garganta.
Os olhos de Kaoru estavam marejados, impossível estar tão perto e não se emocionar..
Ela sabia que o dojo Kamiya, ou melhor, o que restou dele estava ali, virando a esquina. A morena ainda se perguntava se deveria ou não ir até lá. Muitas memórias, muita dor e muita decepção por ser justamente a Kamiya que não foi capaz de mantê-lo.
... Talvez ir até o dojo não faça bem ao bebê...
A morena tentou disfarçar e sorriu novamente, ela percebeu o senhor idoso se aproximando da entrada do estabelecimento. "Kaoru chan está aqui!" Doutor Gensai finalmente apareceu, todo sorridente, na porta da sua clinica.
O idoso que já tinha passado a casa dos sessenta e cinco anos abriu os braços para Kaoru. "Oh Kaoru-chan! Quanto tempo..."
"Gensai-sensei!" Kaoru o abraçou brevemente, e logo apresentou Kenshin. "Kenshin Himura, meu namorado!"
"Prazer Himura-san." Doutor Gensai era mais do que o médico da família, ele era a família. Um dos melhores amigos de Kojishirou Kamiya, a pessoa que Kaoru recorreu nos tempos de necessidade, nos momentos mais tristes... Antes de Enishi aparecer na sua vida...
"Onee-chan! Onee-chan!" Duas meninas saíram correndo na direção de Kaoru, prontas para agarrar as pernas dela.
"Ayame-chan! Suzume-chan!" Kaoru se ajoelhou, abriu os braços e abraçou as duas netas do Doutor Gensai. "Kami sama, meninas como vocês cresceram!"
Ayame era a mais velha, estava com sete anos. Alegre, livre, cheia de vida, como a memória Kaoru conservava. Ela usava um yukata simples verde e um sash pink. E tão fofa com duas longas tranças, uma de cada lado do cabeça.
Suzume, a irmã caçula tinha apenas cinco anos, Kaoru se surpreendeu com a recepção calorosa. Da última vez que viu a pequena, ela tinha só três anos. Ela era uma gracinha, vestida com seu yukata laranja, e um sach amarelo. O cabelo curto, presos em dois rabichos altos, um de cada lado.
As meninas agarraram as pernas de Kaoru, uma de cada lado. "Lindinhas!"
"Meninas comportem-se!" Doutor Gensai colocou a mão na cabeça da neta mais velha. "Estou com elas, pois minha nora foi para a reunião escolar! Esperamos boa noticias e boas notas, não é verdade?"
"Eu me comportei bem Vovô!" A caçula olhou para o doutor Gensai fazendo cara de "eu sou uma santa"!
Ayume ficou vermelha. A menina sabia que tinha aprontando uma confusão na escola, e que provavelmente levaria uma bronca de sua mãe.
"Olá!" Ayume disfarçou, e estendeu sua mão para Kenshin, abrindo um grande sorriso ao cumprimenta-lo. "Prazer em conhecer Senhor!"
"Oh... prazer é meu! Por favor, me chame de Kenshin!" Kenshin sorriu e se ajoelhou, oferecendo a mão para Ayame.
"E eu sou Ayame Oguni!" O sorriso da menina alargou.
"E eu sou Suzume Oguni!" Suzume que repetia cada frase e gesto da irmã fez o mesmo. Depois de um tempo a pequena disse espontaneamente. "Tio, seu cabelo é de verdade? Parece que tá pegando fogo."
"ORO!?" Kenshin piscou varias vezes.
A caçula colocou a mão no queixo "Hmm...Você me deixa fazer uma trança?"
"Suzume..." Ayume cutucou a irmã mais nova.
As duas estavam brincando de cabeleireira até uns minutos atrás, Kenshin seria uma cobaia perfeita!
"Ah me desculpe por isso! Himura-san..." Doutor Gensai interrompeu antes que Suzume puxasse Kenshin para dentro e o convidasse para brincar de bonecas.
"As meninas tem lição de casa para terminar antes que a mãe chegue, e Kaoru-chan e Kenshin-san vieram para um consulta. Correto?"
"Ah não Vovô...!" Com algumas palavras de protesto as meninas partiram para suas obrigações, e Kenshin e Kaoru para o consultório médico.
Dentro do consultório, Doutor Gensai sentou-se na sua cadeira atrás da sua mesa, enquanto Kenshin e Kaoru se sentaram a sua frente. "Imagina minha surpresa quando minha secretaria me informou sobre sua ligação?"
Kaoru e Kenshin se entreolharam, um pouco ruborizados.
"Obrigada por me atender Doutor! Sua secretária disse que o senhor vai se aposentar em breve. Eu fiquei triste e feliz ao mesmo tempo! O senhor merece descansar... porém confesso que agora fiquei um pouco preocupada, gostaria que o senhor me acompanhasse..." Kaoru estava meio receosa que o médico não pudesse atendê-la. Ela tinha total confiança no doutor Gensai para acompanhar seu pré-natal e seu parto.
Doutor Gensai balançou a cabeça positivamente.
"Ah Kaoru... Estou velho demais para os partos. Muitos acontecem no meio da madrugada, e infelizmente minha coluna já não aguenta mais... Está na hora de dar lugar para que a nova geração de médicos assuma essa missão..."
"Oh!"
Quando Kaoru fez cara de desanimo, Doutor Gensai completou. "Mas seu caso é especial. É claro que irei lhe acompanhar Kaoru-chan! É uma felicidade ajudar a trazer esse bebê ao mundo!" Ele teve que fazer uma pausa. "... Se Kojishirou estivesse aqui."
Doutor Gensai entrava no modo profissional quando sentava naquela cadeira, mas ele era um ser humano. Ainda era um pouco difícil falar sobre seu melhor amigo Kojishirou Kamiya. "Perdão! Perdão..."
"Eu sei... Papai ficaria muito feliz com um netinho... Eu gostaria de passar o legado da família Kamiya adiante...mas..." Kaoru também se emocionou.
"Oh Koishii..." Kenshin colocou a mão no ombro de Kaoru, afagando levemente.
Alguns minutos depois o Doutor Gensai se recuperou. "Bem... Peço desculpas por isso"
Kaoru também já tinha se restabelecido. "Hai! Hai!"
"Muito bem! Vamos começar, certo? Vamos cuidar muito bem dessa criança! Preciso de algumas informações básicas e ambos irão fazer vários exames..." Doutor Gensai já começou a fazer anotações no histórico de Kaoru.
Como Doutor Gensai sempre foi o médico de Kaoru, e a acompanhou desde o dia do nascimento, infância, adolescência e vida adulta, a ficha da morena já era enorme. Kaoru sempre foi muito saudável. De vez em quando ralava um joelho, torcia um tornozelo, tinha alguma dor no ombro e braços, mas nada que comprometesse sua saúde.
O médico então abriu uma nova pasta. "Nome completo...Kenshin Himura?"
"ORO?" Kenshin não imaginou que também tivesse que fazer exames. A grávida era Kaoru e não ele. "Hai...Hai de gozaru!"
Kaoru olhou para o ruivo levantando apenas uma sobrancelha. ...Ele está suando?...
"Ororororo!" ... Seu medo por agulhas já começou a gritar.
Kaoru começou a rir.
Ela piscou para Kenshin, fazendo careta de "você se lascou".
Doutor Gensai ignorou totalmente a troca de olhares do casal. "Bem, eu sei já sei de tudo sobre Kaoru-chan, mas preciso dos seus dados também senhor Himura! Vamos começar com o histórico familiar. Teve casos de câncer, infarto, hipertensão ou diabetes na família?"
Kenshin negou.
"Fuma? Bebe? Usa drogas?"
Kenshin negou.
"Rubéola? Sarampo? Mononucleose? Hepatite?"
Kenshin negou.
"Doenças sexualmente transmissíveis? Sífilis? HIV"
"Não! Não Senhor!" Kenshin negou bem rápido.
O ruivo estava começando a ficar apavorado.
A mão do doutor Gensai parecia uma máquina, anotando e anotando sem parar.
"Oro!"
Kenshin olhou para o lado, Kaoru escondia o riso debaixo da palma da mão.
"Ele é assim mesmo!" Ela sussurrou.
"Desculpe todas essas perguntas Himura. Geralmente fazemos os exames pré nupciais, ou seja antes das núpcias! Mas como vocês dois são apressadinhos..." Doutor Gensai tentou parecer sério, mas um sorrisinho escapou. "Necessito indagar a história de doenças anteriores, e a sua história familiar, saber se há casos de doenças na família do futuro esposo que possam aparecer nos seus filhos. A ciência médica já demonstrou amplamente que as boas condições de saúde dos cônjuges são indispensáveis à formação de filhos sadios."
"Oh" Kenshin e Kaoru ficaram vermelhos.
O médico entregou um papel para Kenshin. "Vou precisa de alguns exames de sangue, ok? Os básicos, hemograma, tipagem sanguínea, fator RH, HIV, função renal e alguns outros!"
O ruivo piscou os olhos com um grande ponto de interrogação em cima da cabeça.
"Kaoru também vai fazer esses exames. Quanto tempo estão juntos? Qual a data da última menstruação, e a provável da concepção por favor." Doutor Gensai parou de anotar no papel, e olhou para o casal.
Kenshin e Kaoru ficaram mais vermelhos.
Kaoru fez uma pausa.
Era ligeiramente constrangedor falar sobre a "rapidez" como tudo aconteceu. Afinal não eram eles que estavam dispostos a ir com "calma"?
"Bem...Estamos juntos oficialmente há...umas cinco semanas...e quatro semanas atrás, nós...err..."
Bem, é como o ditado popular diz, se você é capaz de fazer, é capaz de dizer, certo?
"Praticamos sexo sem proteção há um mês! Nas outras vezes usamos preservativo." Kenshin completou rapidamente, antes que ficasse mais intimidado.
"Exato! Uma vez e já foi...e..." Kaoru se enrolou um pouco.
Doutor Gensai levantou uma sobrancelha, mas não disse nada.
O casal se olhou.
Kenshin riu para Kaoru, como se quisesse dizer ...Ops...
Doutor Gensai, sério,explicou. "Bem, para alguns casais que são fisiologicamente compatíveis, uma única vez durante o período fértil pode ser suficiente. Enquanto outros demoram anos para conseguir!"
Kenshin abriu um enorme sorriso. O orgulho masculino gritando alto. "Se for nosso caso então vamos ter um time..."
A jovem balançou a cabeça ignorando o namorado e concluiu. "Doutor Gensai, semana passada eu tive sangramento. Achei que fosse menstruação. Não estava cogitando mais a gravidez... O bebê corre risco por causa disso?" Kaoru finalmente fez a pergunta que estava rodando sua cabeça desde que Kenshin revelou o resultado dos testes.
"Provavelmente não. Entre três a quatro semanas o embrião se instala no útero, e geralmente rompe alguns vasos uterinos no processo. O sangramento nessa fase é comum, mas vou pedir um ultrassom para ter certeza que está tudo bem aí dentro... Em todo caso eu recomendo repouso. A senhorita não vai carregar peso, nem se estressar desnecessariamente. Longas viagens estão fora de questão, pelo menos nos três primeiros meses. Ok?" Doutor Gensai se levantou e já estava pegando seu estetoscópio.
O médico matutou um pouco. "Hmm final de junho certo?...O bebê deve nascer no final de março! Não daria uma data exata por enquanto pois pode variar algumas semanas."
"Hai!" Kaoru mordeu o lábio inferior levemente.
A cada palavra que o médico falava a gravidez ficava mais e mais real.
"Vamos examinar?" Doutor Gensai disse calmamente.
Kaoru já sabia a rotina. Não havia nada escandaloso ou constrangedor. A jovem nunca passou por nenhuma exposição desnecessária durante os exames físicos do doutor Gensai. Tudo era extremamente profissional e rápido, por isso confiava tanto no médico.
Kenshin não sabia disso. O ruivo percebeu o que vinha pela frente, e já estava querendo fugir da sala.
"Agora Kaoru, por favor, retire sua roupa atrás do biombo, vista o avental, depois se deite na maca. Nós já vamos fazer o exame físico e colher seu sangue, ok?" Do canto do olho o médico percebeu Kenshin indo de mansinho para a direção da porta.
"Onde pensa que vai... Himura-san?" O médico riu, já apertando o esfigmomanômetro para aferir a pressão de Kaoru, deitada na mesa.
Kaoru começou a rir. "Kenshin pode ficar. Não tem nada demais!"
"Oro, mas..." Kenshin estava muito vermelho.
Os olhos de Kaoru rolaram. "Baka. O que você está imaginando?"
"Oro! Nada não...!" Kenshin estava imaginando mulheres gravidas, gritando a plenos pulmões, com as pernas abertas, o bebe nascendo, o médico olhando para a...
...Baka... O ruivo já começava a desconfiar que fosse desmaiar na sala de parto.
Ninguém precisava saber disso, por enquanto.
"Meu jovem, os próximos oito meses serão assim... Então é melhor acostumar, o pai tem papel fundamental durante o meu pré-natal..." O médico completou. "Então senta ai e aguarda sua vez!"
"ORO!"
Kaoru adorava o Doutor Gensai, o velho médico era uma figura.
E Gensai estava gostando da pequena tortura ao jovem casal.
A morena escondeu o riso, ao enxergar o olhar desesperado de Kenshin querendo fugir da sala do médico de qualquer jeito. Kaoru estava deitada na maca, enquanto o médico já apalpava seu abdome e o ventre, sentindo já as mudanças na região do útero.
Após constatar que estava tudo dentro do esperado com Kaoru, Doutor Gensai agora focaria no pai.
"Himura-san, pode vir...Eu já vou colher o seu sangue também para mandar tudo para o laboratório ainda hoje."
"ORO!" Kenshin ficou com os olhos esbugalhados. "Mas...Senhor, a grávida é ela...de gozaru!"
O ruivo apontou para a namorada.
"Maa maa... E eu sou o médico da família. Estou acostumado com rotinas antigas... E senhor Himura, o senhor também faz parte do pacote Kamiya! Nunca ouviu falar que a saúde do pai garante uma gravidez tranquila e saudável para a mãe? " Doutor Gensai e Kaoru começaram a rir.
"Ororororo, agulha não, de gozaruuuuuuuu!" Kenshin gritou esganado na hora que a agulha perfurou sua pele.
O grito seria um segredo entre ele, Kaoru, Doutor Gensai e as quatro paredes do consultório médico.
^^x
Após a consulta Kaoru era bolha ambulante de alegria. Apesar de ser muito cedo para escutar o coração do bebê com o sonar do doutor Gensai, ela ficou feliz com a consulta. Ela ficou toda animada porque ganhou um livrinho sobre gravidez, e alguns brindes.
Chupeta, o primeiro pacote de fraldas, e o primeiro par de sapatinhos.
Se fosse feita de sabão sairia voando pelo ar de Shitamachi.
"Te ver feliz me faz feliz, sabe disso, não é?" Kenshin tocou discretamente a mão dela antes de se afastar.
"Obrigada!" Kaoru piscou para Kenshin, ela sorriu apreciando o toque das mãos. Toque tão discreto e tão significativo.
Os dois se distanciaram um pouco, para que a morena caminhasse livre pelo seu lugar mais favorito em todo o mundo, Shitamachi.
Kenshin também estava feliz.
Se fosse confessar diria que ainda estava um pouco abalado, afinal, acabou de expôs seu ponto mais fraco vergonhosamente na frente da namorada e o médico.
"Ororo! Kaoru dono, a agulha era grande de gozaru..." Ele disse todo vermelho.
A morena riu. "Sei..."
Já na ruela, ao longo do rio, que dava acesso ao comercio de Shitamachi, Kenshin olhou para o relógio 11:00. "Temos um compromisso agendado para as 13:00 em Shiba, dá tempo de um almoço rápido. Vamos todos?" O ruivo se virou para as crianças e doutor Gensai.
"Temos um compromisso?" Kaoru piscou duas vezes. Ela nem sabia que teria que ir para Shiba. "Que compromisso?"
...Claro que temos, por isso estamos vestidos com nossas roupas novas... Kenshin sorriu inocentemente.
Kaoru queria conversar algumas coisas sérias com Kenshin, a respeito do seu emprego na firma de propaganda e marketing. Ela queria voltar a trabalhar, já estava na hora de ser firme a respeito disso. E agora com o bebezinho, precisava se preparar para o futuro...
O ruivo virou para a namorada. "Depois do almoço explicarei tudo. Fique tranquila!..."
"Ok!" Kaoru confiaria nele, por hora.
Desde cedo o kenshin estava cheio de segredos. Falando no celular com Aoshi durante o café da manhã. Carregando pastas do escritório. Pedindo documentos para Kaoru. Descendo para a portaria do prédio para pegar algumas papeladas que Aoshi traria.
Kaoru tentaria alguma tática para tirar esse mistério de dentro de Kenshin, quando ninguém tivesse vendo, claro.
Algumas pancadas na cabeça ajudariam.
"E então Ayame-chan, Suzume-chan, Gensai-sensei, quem aceita almoçar comigo?" Kenshin colocou uma mão em cada cabeça pequena e bagunçou o cabelo das meninas.
"Euu! Eu quero tio Kenshin!" Ayame e Suzume gritaram animadas, e pulando ao mesmo tempo.
"Akabeko!" Kaoru juntou as duas mãos entusiasmada. "Assim eu também aproveito e visito a Tae e Tsubame!"
"Ok! Então vamos todos!" O casal juntamente com doutor Gensai e as crianças partiram para um almoço no melhor restaurante japonês da região.
No caminho para o restaurante, seguindo pela ruela ao lado do rio, Suzume, a neta caçula do doutor Gensai, já estava sentada nos ombros de Kenshin. Alta suficiente para puxar as flores de cerejeiras das árvores e colocar no cabelo do ruivo.
Ayame, a mais velha, seguia animada conversando com o novo amigo sem parar, com as mãos dadas com o ruivo.
Kaoru abriu um sorriso tão sincero com a cena que acontecia na sua frente.
"É tão obvio, não é? Kenshin quer uma menina! Ele está encantado pelas suas netas Gensai-sensei." Kaoru cochichou com médico.
"Acho que ele leva jeito com crianças em geral..." O médico riu.
Ele enxergou os olhos de Kaoru brilhando forte por Kenshin. "Ehh pelo visto vocês dois vão ter mesmo um time de futebol!"
Kaoru esbugalhou os olhos e disse a palavra favorita do namorado. "ORO!"
Doutor Gensai elogiou Kenshin, dizendo que agora aprovava a escolha, e tinha certeza que Kojishirou também aprovaria.
"Obrigada!" Significou muito para Kaoru esse elogio. O coração dela estava no rumo certo, finalmente.
O médico não gostava do ex, o antipático Enishi, apesar de encontra-lo brevemente apenas uma vez. Na verdade ninguém em Shitamachi gostava de Enishi, pois quando o policial apareceu na vida de Kaoru, ela desapareceu da vida de seus antigos amigos.
^^x
Com a hora do almoço se aproximando, o Akabeko estava cheio como de costume. "Irashaimase!" As garçonetes prontamente recepcionavam os clientes na entrada do restaurante.
"Kaoru-channn!" Tae balançou os braços para o alto, reconhecendo à amiga.
Tae Sekihara era três anos mais velha que Kaoru. A filha do dono do restaurante tinha completado 24 anos no começo do ano, bem no meio da bagunça que a vida de Kaoru estava por causa de Enishi.
Kaoru foi convidada para o aniversário, mas infelizmente acabou não comparecendo. Enishi não concordou...Ele achava Shitamachi "inseguro" demais para uma mulher andar de noite...
Tae abraçou a amiga, assim como Tsubame, sua irmã caçula, que mais parecia uma filha da comerciante, afinal ela criou a menina, a mãe delas morreu de eclampsia no parto de Tsubame. "Que saudades!" Ela dirigiu o grupo foi para um dos boxes, ocupando seus respectivos lugares.
A conversa rolou fácil e alegre, assim como todas as revelações que Tae considerava "bombásticas".
Kaoru então contou a novidade para Tae, que quase parou o restaurante inteiro com o tamanho da festa que fez. "Um bebê? Que ótima noticia!
Tae correu para a cozinha pedindo ao cozinheiro que caprichasse. "O melhor Gyuunabe da casa para o casal aqui!"
"Hummm" Kaoru salivou, já sentindo o gosto na língua da deliciosa carne ensopada com legumes do Akabeko. "Se prepare Kenshin. Eu vou ter desejos de comer Gyuunabe no meio da madrugada, você vai ter que atravessar a cidade para vir até o Akabeko acordar a Tae."
"Oro!"
O grupo caiu na gargalhada imaginando a cena.
Fazia tempo que Kenshin não via um estabelecimento tipicamente japonês tão animado. Em Tóquio, os fast foods de estilo ocidental, temakerias, e sushi-house para refeições ligeiras é que faziam sucesso e lotavam.
Assim como a clinica do Doutor Gensai, o Akabeko também era simples e antigo.
A comida caseira, suculenta, saborosa e cheirosa. Kenshin definitivamente atravessaria a cidade para comer no Akabeko sempre que possível... Ou pelo menos até o seu projeto ficasse pronto. "Itadakimasu!" O grupo agradeceu o alimento, e depois passou a devorar o caldeirão de carne com legumes.
Quando mais tempo ele passava em Shitamachi, mais ele queria acelerar todas as suas decisões e resoluções.
Ayame e Suzume estavam lhe contando algumas aventuras e lembranças que tinham de Kaoru como assistente mestre do dojo Kamiya.
Kenshin visualizava uma jovem Kaoru Kamiya, valente e corajosa. Com gi, hakama e shinai nas mãos dando aulas para os garotos da região. "Muitas crianças vinham de outros distritos para ter aula no dojo Kamiya!"
Kaoru era a instrutora de crianças até dez anos. E fazia o maior sucesso na vizinhança.
"Kaoru-chan ficava feroz de vez em quando!" Gensai-sensei, que se deliciava com a carne cozida, se lembrou da jovem batendo em um cinco delinquentes juvenis que tentaram roubar um senhor idoso na feira. "Lembra quando você enfrentou uma gangue? Seu pai quase teve um ataque cardíaco! Essa maluquinha voltou para o dojo com gi e hakama imundos de barro, toda descabelada, a shinai quebrada no meio, e alguns cortes e arranhões pelo corpo."
"Uma gangue?" Kenshin espiou a namorada do canto dos olhos, ela estava muito vermelha. O ruivo amava esse aspecto da personalidade dela, sangue quente, explosiva, passional..."Parece perigoso..."
...Enishi quase destruiu esse espirito completamente! Como esse homem a dominou e manipulou de tal forma? Ele pegou Kaoru no seu momento de maior fragilidade e solidão. Kaoru estava desolada com a morte do pai e a perda do dojo. E esse filho da mãe fez isso com ela...Se tivéssemos nos conhecido um pouco antes eu nunca permitiria...
A ex shihandai ficou vermelha como um pimentão. "Eu só tinha catorze anos..."
"Catorze anos e bateu em todo mundo!" Doutor Gensai gargalhou. O saque do almoço já estava fazendo efeito no idoso..
"Nee?" Kaoru sorriu para doutor Gensai, um pouco envergonhada, depois desviou o olhar.
A jovem fixou os olhos na janela do restaurante por alguns segundos. Algo chamou sua atenção e Kaoru estreitou os olhos.
"Hã?"
A ex shihanda travou com o que viu. Kaoru não podia acreditar. Ela piscou várias vezes, conforme o sorriso dos seus lábios foi morrendo aos poucos.
"O que foi?" Kenshin murmurou.
Kaoru não respondeu.
A morena reconheceria aquele cabelo espetado em qualquer lugar.
Claro, ele estava um pouco diferente, um pouco maior, mas era ele mesmo.
Kaoru ficou de pé repentinamente.
"Com licença!"
Com urgência, Kaoru quis sair do restaurante. "Com licença, por favor!"
"ORO?!" Kenshin não entendeu nada.
"Me deixe passar!" Só notou a namorada enfurecendo-se e pulando por cima de todo mundo para sair do restaurante.
O ruivo tentou impedir "KENSHIN! Me deixe passar!"
"Espera, Kaoruu...O que?"Kenshin segurou a namorada pelo rabo de cavalo, mas tomou uma cotovelada no queixo, e foi parar no chão.
"Ororororo...Kaoru dono!" Os olhos violeta do ruivo rodando e rodando.
Kaoru deixou Kenshin estatelado no chão e saiu do restaurante como um tiro.
Atravessou a rua enfurecida, pisando firme.
Kaoru gritou bem alto. "HEI VOCÊ!"
"O que pensa que está fazendo?" Uma veia saltitando na testa da jovem.
O garoto tomou um susto com aquela voz tão conhecida.
"Feia?" A morena baixinha vinha em sua direção como um touro bravo. "BUSU?"
Yahiko levantou uma sobrancelha.
O garoto ironizou. "Quem deixou uma FEIOSA como você solta na rua? Cuidado que a carrocinha tá passando hoje e..."
"Yahiko Myojin!" Kaoru apontou para o cigarro na mão do menino. Ela tentou acertar o cigarro para que caísse no chão, mas não obteve sucesso.
"Hei!" O menino reclamou "Você ficou louca de vez?"
"Que raios significa isso?" A morena não acreditou na garrafa de bebida na outra mão do menino.
Kaoru estava possessa.
Quem permitiu que essa criança fumasse e bebesse?
Yahiko bebeu um belo gole de saque para provocar, e abriu a boca dizendo "Ahhh". Depois tragou o cigarro bem fundo, e jogou a fumaça bem na cara de Kaoru. "Quem você pensa que é, mulher?..."
"Cof cof cof!" Kaoru começou a tossir. Ela foi pega de surpresa e acabou inalando a fumaça nociva do cigarro sem querer.
"O que aconteceu com você?" Ela piscou varias vezes tentando se situar. Era tudo surreal demais pra ser verdade.
Yahiko Myojin. Seu ex aluno mais parecia um mendigo. Uma criança de rua. Magro, sujo, com roupas velhas, mal cuidado. Com olheiras profundas e escuras para uma criança de onze anos.
"Como se você se se importasse!" Yahiko gritou enfurecido.
A essa altura o Akabeko todo já tinha parado para acompanhar a briga entre Kaoru e Yahiko. Kenshin já tinha assumido uma postura defensiva ao lado da namorada.
"Yahiko-chan?" Tsubame escutou os gritos e correu atrás de Kaoru.
Yahiko já deu um passo pra trás.
Inconformado com a falta de noção da menina. ...Ela é cega?..."Yahiko chan? Você tem problemas Tsubame? Eu nunca fui "chan" pra ninguém!" A fúria de Yahiko também atingiu em cheio a pobre Tsubame. A última amiga que lhe restava.
"Larga do meu pé!" Yahiko viu a lagrima nos olhos da menina e ficou ainda mais revoltado.
"Oh...Por que você está fazendo isso Yahiko-chan?" A menina tão delicada de onze anos começou a chorar.
Tsubame era a irmã mais nova de Tae, era a única pessoa que tinha restado para Yahiko Myiogin.
E nem mesmo ela...
Kaoru tentou segurar o braço dele, mas Yahiko deu um tapa na mão da moça. "Hei garoto!"
"Volta pra sua vida de gente rica! Ninguém te quer aqui Kaoru Kamiya!" O garoto só tinha onze anos e já estava terrivelmente rebelde e magoado.
Mal educado, mal criado e delinquente. "Vai se fod..."
"YAHIKO!" Tae repreendeu.
Tsubame implorou. "Não fale assim com a Kaoru-san! Onegai!"
"Exatamente Yahiko!" Tae também brigou.
Ela estava começando a acha que Yahiko era realmente uma má influencia para Tsubame. "Você está indo longe demais!"
"Pro inferno todos vocês! TODOS!" O próprio Yahiko tinha lágrimas nos olhos.
Existia um boato que apesar da pouca idade, Yahiko estava roubando carteiras de idosos na feira. A polícia já estava de olho nele.
...Quem é esse garoto na minha frente? Ele não é Yahiko, meu ex aluno... O mundo de Kaoru estremeceu...
A morena deu alguns passos na direção dele.
"O que? O que aconteceu com você Yahiko? Você costumava a ser o prodígio do dojo Kamiya e agora..." Chocada, Kaoru colocou a mão na frente da boca. Infelizmente o almoço de comemoração agora ganhou um gosto amargo. Todo o sabor da deliciosa comida do Akabeko tinha sumido da boca de Kaoru.
...Cadê a mãe desse menino?...
...Quem está educando essa criança?...
...Por que ele está vestido como um mendigo?...
Yahiko apontou o dedo para Kaoru. "Como você pode ser tão idiota e cínica Kaoru? Tão imbecil..."
"Por que está falando assim comigo?... Você era meu aluno favorito..." Kaoru estava tão chocada.
...Yahiko não é assim...
Esse não era o menino que Kaoru conhecia e treinava desde o cinco anos de idade...
Yahiko balançou a cabeça. "Falou bem feiosa! Eu costumava ser o melhor aluno do dojo Kamiya...Quando existia um dojo...Mas aí VOCÊ foi embora! Você abandonou o dojo! Você abandonou a gente..." A voz do menino falhou, e ele se odiou por isso.
Com muita raiva,Yahiko jogou a garrafa de saquê no chão, espatifando-a nos pés de Kaoru.
"Hei hei hei...Espera aí!" Kenshin deu um passo pra frente.
Essa discussão estava indo longe demais, jogar garrafa na Kaoru, Kenshin não ia permitir não.
Yahiko ignorou Kenshin, ele olhou o novo homem na vida de Kaoru com desprezo ... provavelmente é igual ao outro...
Ele ignorou todos.
Yahiko apontou o indicador para o rosto de Kaoru. "Sabe o que restou Kaoru Kamiya? Não restou NADA!"
"Yahiko..."
Kaoru estava tremendo.
A essa altura, Kenshin já tinha se colocando na frente dela. Para protegê-la, para entender por que essa criança estava tendo uma reação tão forte ao ver Kaoru novamente.
Yahiko olhou para todos aqueles rostos conhecidos, menos o ruivo que o mirava com olhos estreitos, e começou a chorar. Ele odiava essa sensação. Essa fraqueza.
Todos aqueles adultos o olhando. Testemunhando sua...
Humilhação.
Revolta.
Dor.
"Quanta tristeza para uma criança de onze anos. Coitadinho, esse aí já está perdido..." Era o que provavelmente eles estavam pensando.
O pequeno delinquente chorou ainda mais forte e se odiou com mais força por isso.
Malditas lágrimas.
"Você não se importa Kaoru. Você nunca se importou comigo! Tá vivendo toda confortável no centro de Tóquio, enquanto o dojo vai ser demolido para a construção de uma porcaria de estacionamento! VOCÊ NUNCA SE IMPORTOU, SHIHANDAI!"
Kaoru não conseguia acreditar. "Yahi..ko..."
Ela nunca pensou que Yahiko a odiaria com tanta força.
Kaoru começou a chorar. "Não é o que você está pensando Yahiko. Fui obrigada a deixar minha casa e meu dojo...".
E pensar que seu dia estava tão perfeito...
Yahiko gritou. "Eu não quero mais te ver. Eu não aguento mais olhar para você!"
Com lágrimas escorrendo abundantemente pelas bochechas vermelhas,Yahiko deu de ombros. Virou as costas para Kaoru e o grupo e fugiu dali.
...Pra longe de Kaoru...
Ele não queria mais olhar para sua antiga instrutora de kendo. "Você não se importa comigo..."
Yahiko não queria mais se lembrar do passado.
...Nunca mais vai voltar. Minha mãe, minha casa, o dojo...
"Espera, Yahikooo!" Kaorudeu alguns passos para segui-lo.
A mão de Kenshin a segurou, Kaoru não lutou contra o namorado dessa vez.
A morena chacoalhava inteira. Ela olhou mais uma vez para o onde seu o ex aluno tinha ido, mas o menino sumiu por entre as ruelas.
Kaoru bateu a palma da mão contra a própria coxa, com força. "Droga! Eu falhei... Eu falhei com essa criança..."
"Que medo!" Suzume e Ayame agarraram as pernas do avô. E pensar que Yahiko brincava com Ayame e Suzume até dois anos atrás no quintal do dojo, e agora tinha se tornado essa pessoa assustadora.
"Hei Koishii!" Kenshin enxugou as lágrimas que escorriam pelo no rosto de Kaoru. "Quem é o garoto?" Ele apertou levemente o ombro de Kaoru,tomando a atenção dela.
Ela estava tão abalada que nem respondeu, queria voltar logo para dentro do restaurante.
"Yahiko..."
Tae, Tsubame, Doutor Gensai, as crianças, todos se entristeceram, porque eles sabiam o quanto Yahiko amava Kaoru. Ela costumava ser como sua irmã mais velha para ele.
"Isso foi terrível! Doutor Gensai pegou a neta caçula no colo e segurou a mão da mais velha, fazendo com que elas voltassem para dentro do restaurante. "Venham meninas."
"Vamos voltar também para o Akabeko, por favor?" Tae pediu, encaminhando Kaoru para seu estabelecimento.
^^x
Dentro do restaurante, Tae os levou até a sala da gerencia e fechou a porta para terem mais privacidade. Os clientes do Akabeko já começaram a sussurrar sobre o menino delinquente atacando novamente. "A policia tem que tomar providencias..." Alguém já dizia.
Na sala da gerencia, Kaoru sentou-se em uma cadeira, Kenshin de pé ao seu lado.
Tristemente ela começou a contar a historia..."Meu pai realizava um trabalho social com algumas crianças carentes do vilarejo mais pobre. Yahiko Myiogin era uma dessas crianças, eu o treinei por quatro anos... Quando fechei o dojo, Yahiko foi a criança que mais se abalou, mas não nesse ponto... Eu o encaminhei para o dojo Maekawa...Estava tudo bem..."
Kaoru bebeu o copo de água com açúcar para se acalmar, e agradeceu o lencinho de papel que Tae lhe ofereceu.
Tsubame não se conformava. "Tia Kaoru..."
Esse não era Yahiko que Tsubame conhecia. "Por favor, perdoe Yahiko-chan. Ele está passando por um momento muito difícil."
A menina usou a voz mais doce para falar de Yahiko. Era tão triste ver seu melhor amigo sofrendo assim. Os dois cresceram e brincaram juntos até pouco tempo atrás.
"O que aconteceu com ele?" Kaoru não conseguia entender.
Tae puxou uma cadeira, e sentou-se ao lado de Kaoru.
"A mãe dele morreu três meses atrás Kaoru. Pneumonia, após algumas complicações... Existe um boato que ela era uma..." Tae fez uma pausa por causa das crianças no recinto.
Kaoru entendeu. Ela sabia desse boato.
"E foi... atacada pela Yakuza..." Tae falou bem baixinho, só para os adultos entenderem.
"Oh"
"O pai nunca foi presente na vida deles, e existe um boato que também morreu...usuario de drogas... Yahiko, que já estava vivendo no limite da miséria perdeu tudo de vez. Todos nós estamos tentando ajudar essa criança. Mas não sabemos onde Yahiko está vivendo... Ele aparece todo dia no Akabeko para comer... Eu nunca negaria um prato de comida! Mas cada dia que passa esse menino fica mais e mais arredio." Tae suspirou.
Tsubame discretamente se intrometeu na conversa dos adultos. "Yahiko também largou a escola!"
Doutor Gensai também tentou ajudar. "Entrei em contato com o serviço social, consegui um abrigo provisório pra ele. Mas o garoto é selvagem demais. Ele não aceita ir para um abrigo ou orfanato de jeito nenhum. Pulou em cima do último assistente social atacando-o violentamente com um shinai, o pobre homem voltou pra casa com o nariz sangrando."
Os olhos da ex shihandai arregalaram.
"Sinto muito. Eu ensinei as técnicas para ele... e Yahiko está usando para machucar as pessoas?" Kaoru começou a se sentir responsável.
Os olhos de Kenshin estreitaram.
"Sem as aulas no dojo, o menino perdeu o rumo de vez..."
O ruivo se levantou e caminhou de um lado para outro da pequena sala da gerência.
"A culpa é minha... Se o dojo ainda estivesse funcionando, nada disso aconteceria! Yahiko teria um foco assim como as outras crianças carentes." Kaoru secava as lagrimas com o lencinho que Tae tinha arrumado.
"Tia Kaoru..." Tsubame estava se debatendo consigo mesma se deveria contar ou não.
Vendo que a situação estava ficando grave demais, a menina resolveu revelar um segredo que guardava a mais de três meses.
"Tae-san, não fique brava com o que eu vou contar, ok?..." Tsubame olhou para irmã mais velha já esperando uma bronca.
"Fale!" Tae já levantou uma sobrancelha.
"Alguns meses atrás, quando o Yahiko ficou sabendo que a mãe dele estava muito doente... Ele ficou desesperado..." Tsubame mordeu o lábio. "Nós fugimos da aula e fomos para o centro de Tóquio procurar pela tia Kaoru..."
"O QUE?" Tae não podia acreditar que Tsubame fosse capaz disso.
Duas crianças de onze anos zanzando por uma cidade grande como Tóquio, sem falar nada para os adultos?
Tsubame abaixou a cabeça, ela sabia que ficaria de castigo por isso... "Yahiko tinha o número telefônico que a tia Kaoru deu. Ele tentou ligar todos os dias no intervalo da aula, mas você nunca estava em casa. E quando seu namorado Enishi atendia, ele não queria passar a ligação, ou anotar recado. Ele falou para Yahiko parar de telefonar e esquecer que te conhecia... Que você não tinha mais nada a fazer nesse buraco imundo e velho chamado Shitamachi!"
"Eu não acredito..." Kaoru colocou as mãos na boca.
Essas crianças a procuraram em Tóquio, e Enishi nunca disse nada a respeito?
Tsubame continuou.
Já que esse gato estava fora da cesta, seria melhor revelar tudo de uma vez.
"Nós procuramos seu endereço na lista telefônica, e pela internet pelo número do telefone,... Eu ajuntei o dinheiro da passagem e uma manhã de quarta feira, ao invés de ir para aula, pegamos o trem e fomos para o centro...Ficamos na porta do prédio até o final da tarde... O porteiro se distraiu e nós entramos. Yahiko bateu muito na sua porta... Até a mão ficar machucada..."
O queixo de Tsubame começou a tremer. "Yahiko tinha tanta esperança que você pudesse ajudar..."
A menina ainda tinha medo de lembrar-se daquele dia. Ela abaixou a cabeça. "Então..."
"Enishi...O moço que abriu a porta, ficou muito, muito bravo! Ele disse que se nós não parássemos de te importunar, ele iria dar cabo de nós dois. Yahiko brigou muito, falando do dojo abandonado, da mãe doente, que você era a shihandai dele..."
Tsubame fez uma pausa.
"O homem então deu um soco no estômago do Yahiko! Enishi jogou o Yahiko para dentro do elevador de serviço, e me empurrou também com bastante força. Seu namorado falou que você não se importava com dojo nenhum, e que se nós voltássemos para aquele apartamento, ele nós mataria e jogaria nossos pedaços para os cachorros da policia comer!"
Kaoru colocou a mão na frente da boca.
Tsubame começou a chorar novamente. "Foi assustador!"
Tae se levantou, muito brava com a irmã caçula. "E você nunca me disse nada disso?! Como é que eu vou confiar em você novamente Tsubame? "
Tsubame olhou para irmã, extremamente envergonhada e abaixou o rosto.
"Desculpa! Eu fiquei com medo que você ficasse brava...O Yahiko me fez prometer nunca mais voltar a esse assunto, e nunca mais falar sobre a Kaoru novamente! Depois disso o Yahiko desfez nossa amizade, parou de ir na escola... Começou a roubar...Beber e fumar..." Tsubame abaixou a cabeça.
Kaoru se levantou da cadeira.
Com lágrimas escorrendo pelo seu rosto,Kaoru rosnou o nome do ex namorado. "Enishi! Eu mato o Enishi..."Ela não queria sentir ódio por ninguém...mas Enishi estava tornado isso ser impossível.
A morena fechou a mão tão forte que a unha entrou na palma da mão, arrancando-lhe sangue. "Eu preciso achar o Yahiko, explicar tudo..."
Se Enishi aparecesse ali Kaoru daria um murro na cara dele.
Que ódio ela estava sentindo do ex namorado.
Como foi capaz de fazer isso com duas crianças?
Kaoru tentou se desculpar com Tsubame. "Eu nunca soube nada disso. Eu juro Tsubame! Se Enishi tivesse me dito, é claro que eu tentaria ajudar! Depois da formatura eu passei a trabalhar período integral! Saia cedo toda manhã e voltava pra casa só no final da tarde...Se vocês tivessem ido me procurar na empresa... Eu juro, ajudaria..."
"Eu sei Tia Kaoru, mas o Yahiko pegou uma birra muito forte de você... E a culpa nem foi sua." Tsubame encolheu os ombros.
"Enishi..." Kaoru se sentou novamente, ela escondeu o rosto nas palmas das mãos. Ela começou a chorar copiosamente. Os soluços fazia com que ela chacoalhasse os ombros.
Doutor Gensai percebeu que coisa estava ficando fora de controle. "Vai com calma... Senhorita Tae, mais um copo de água, por favor!"
"Kowaii! Que medo!" Tsubame, Ayame e Suzume estavam assustadas com as reações dos adultos.
Não era bom para Kaoru esse tipo de emoção.
Kenshin que caminhava de um lado para outro, parou de repente. "Esse Enishi... Filho da..." O ruivo parou por causa das crianças no recinto.
Seu olhar estava um tanto quanto assustador. O rosto tenso. Os lábios curvados para baixo.
Ah como ele queria esganar Enishi agora mesmo. Um dia esse momento chegaria, Kenshin e Enishi ficariam cara a cara... A policia ainda estava brincando de pega pega com Enishi no continente asiático. Por que não prendia logo o ex policial ? Enquanto isso o filho da mãe estava aumentando sua fama no submundo da máfia chinesa.
...Enishi não tem limites, quando eu penso que ele chegou no fundo do poço, ele consegue cavar mais um pouco... Ele bateu em uma criança, mentiu e manipulou... Kisama... Maldito...
"Kaoru!" Os olhos dele estava estranhos, estreitos, brilhavam friamente. Tanto que existia um risco dourado rajando o violeta escuro de Kenshin.
Não era bem o que ele estava planejando fazer, mas...
...Enishi...
Involuntariamente, mesmo distante, o maldito Enishi acabou atrapalhando todos os seus planos.
Kenshin revelaria antecipadamente conquista que Aoshi conseguiu obter para ele essa manhã.
"Para de chorar!"
Até a voz de Kenshin estava um pouco estranha, bem mais brusca que o normal. "Pare!"
"Hã?" Kaoru estava tentando controlar os soluços, o jeito que Kenshin pronunciou as palavras fez com ela se encolhesse.
Kenshin deu um tapa na própria testa.
Ele fechou os olhos e suspirou. "Onegai!"
Kaoru estava absolutamente surpresa. "Kenshin?"
"Desculpa, não é com você Kaoru... É esse Enishi, esse cara está me tirando do sério..."
O ruivo se acalmou antes de tirar o envelope do bolso interno do seu gi, e oferecer para Kaoru. "Aoshi conseguiu resolver isso esta manhã, não tem porque ficar te torturando Kaoru."
"Como assim?" As lágrimas de Kaoru ainda escorriam.
Kenshin agora falou com uma voz bem mais calma. "Tudo vai ficar bem, ok? A gente também vai dar um jeito de ajudar esse menino! O Yahiko."
"..." Kaoru fechou a boca, tentando controlar suas emoções.
"Hei!"
Kenshin se ajoelhou na frente dela, colocou uma mão no joelho de Kaoru e apertou levemente. "Kaoru! Não foi como eu planejei, ok?... Mas não posso permitir que a mãe do meus filhos continue sofrendo... Então aqui está! Pode abrir! Esse é o nosso primeiro passo..."
Kaoru piscou algumas vezes, a lágrima que ainda estava presa nos seus olhos caiu finalmente.
Ela secou rapidamente com seus dedos finos. A jovem pegou o envelope, os dedos ligeiramente trêmulos. "O que é isso?"
Kenshin sorriu. "Leia com calma, por favor!"
Tae, Tsubame, Doutor Gensai, Ayame, Suzume, todos estavam ansiosos e curiosos. Aquele envelope definitivamente era muito preciso.
Conforme Kaoru lia, seus olhos percorriam as palavras sem parar. E principalmente sem conseguir acreditar naquilo que estava escrito. Foi quase uma eternidade fitando o papel, até que finalmente Kaoru encontrou forças para se levantar e caminhar pela pequena sala. "O dojo..."
"A escritura do dojo Kamiya... No meu nome?" A morena estava chacoalhando. "Mas como?"
Kenshin abriu os braços para ela.
"Era meu segredo. Um deles... Não aconteceu bem como eu tinha imaginado! Eu queria começar a reconstrução ANTES de te contar." Kenshin fez sinal para que ela se aproximasse dele.
Kaoru jogou seus braços ao redor do pescoço de Kenshin e apertou com força. Ela estava feliz novamente. "Como você conseguiu? Gohei e Kihei Hiruma estavam irredutíveis em transformar o dojo em estacionamento!"
Kaoru passou a beijar a bochecha dele. Varias e varias vezes.
"Foi difícil..." Kenshin abriu o maior dos sorrisos. "Acha que eu mereço um beijinho?.."
Kaoru obedeceu prontamente.
O ruivo só achou melhor não revelar a quantia que teve que desembolsar para conseguir o dojo de volta. Foi bem alta...
Uma quantia realmente alta...
Ainda mais porque ele comprou o terreno ao lado, queria construir uma casa bem grande ao lado da sala de treinamento.
"Oh" Enquanto o casal comemorava,Tae, Doutor Gensai, Tsubame e as crianças também leram a escritura.
Eles mal podiam acreditar. "Isso é ótimo! Esse dojo fez tanta falta para nossa comunidade!" Doutor Gensai ficou muito contente, era triste ver o dojo de seu grande amigo abandonado.
O dojo Kamiya voltaria com todos seus trabalhos sociais, toda sua linda filosofia. Kenshin e Kaoru poderiam continuar o trabalho de Kojishirou Kamiya e ajudar as crianças carentes.
"O dojo..."
Kenshin ainda não tinha visto o estado do dojo pessoalmente, mas pelas fotos que recebeu por email a coisa estava feia. Aoshi conseguiu com seus movimentos ninjas comprar o dojo de volta, e coloca-lo no nome de Kaoru.
Naquela manhã, o advogado tinha deixado a documentação na entrada do prédio de Kenshin.
Infelizmente o dojo estava completamente destruído, sobraram apenas escombros. Não tinha muito o que salvar. O ruivo programou começar a reforma antes de contar para Kaoru. Ele não queria que ela sofresse com o estado que a casa e sala de treinamento estavam. Mas não poderia permitir toda essa culpa e sofrimento na futura mãe de seus filhos. Ainda mais com esse tal de Yahiko sofrendo desse jeito.
"O dojo é meu?! O...dojo é meu?" A ficha ia caindo de verdade aos pouquinhos.
Kenshin colocou a mão no ombro dela. "O dojo é seu Kaoru! Ninguém vai transformá-lo em estacionamento agora, certo? Então, por favor, pare de chorar."
Kaoru sorriu, mas se lembrou da criança. "Podemos ajudar o Yahiko?"
"Vamos achar esse garoto e ver o que podemos fazer para ajuda-lo! Desho? Tae-san e Gensai-sensei, vocês podem nós ajudar com isso? Nós temos um compromisso em Shiba daqui a pouco, então vou lhe entregar meu telefone, e assim que o menino aparecer..." Kenshin não foi capaz de terminar, pois Kaoru levantou rapidamente.
"Minna-san...Com licença!" Kaoru se desvencilhou de Kenshin.
"Onde vai? Nãoo, espera!" Kenshin devia ter previsto isso também.
Claro que Kaoru ia querer ver o dojo.
A jovem agarrou o envelope de escritura nas mãos e saiu correndo para fora do Akabeko.
"Espera! Você não precisa ver o dojo nesse estado! Droga! Essa mulher é meio maluca...Kaoru dono!" Novamente, Kenshin estava correndo atrás de Kaoru pelas ruelas de Shitamachi.
E Kenshin correndo atrás dela. "Impulsiva..."
"Eu não tenho mais idade pra isso! O que eu disse sobre fortes emoções? Ninguém prestou atenção na consulta?" Doutor Gensai , Ayame e Suzume partiram atrás do ruivo.
"Hei, eu já volto!" Tae gritou para a gerente do restaurante, e junto com Tsubame também correram.
Kaoru correu.
A jovem mal podia se segurar. O coração batendo louco dentro do peito, ainda mais quando sabia que o dojo estava ali pertinho do Akabeko.
Durante dois anos ela evitou passar por ali. Voltar para Shitamachi, pois as memorias eram dolorosas demais, mas Kenshin estava devolvendo tudo pra ela.
Ele estava resgatando sua vida de volta. O tempo quando Kaoru era feliz, em Shitamachi, ao lado dos amigos.
Kaoru sonhava acordada com o tempo quanto ela cuidava do dojo de manhã, dava aulas para as crianças e fazia seus lindos desenhos no por do sol, encostada na antiga árvore plantada no quintal.
Enishi nunca maculou esse lugar, Enishi nunca fez parte dessas lembranças... Por isso, Kaoru era grata.
Mas o que seus olhos enxergavam agora...
Kaoru imaginou que o mato estivesse alto. As plantas doninhas e trepadeiras tivessem tomado conta dos muros. Ela esperou ver um telhado vazando aqui, uma janela quebrada ali.
Nada a preparou para isso.
O dojo Kamiya estava em ruínas, literalmente.
O portão de entrada destruído, só restaram alguns tapumes. Qualquer um podia entrar e sair quando quisesse. O mato tão alto que passava da sua cintura. A sala de treinamento... Não existia mais nada... Tudo quebrado, demolido, pichado...
Queimado!
"Oh meu Deus..."
Um incêndio havia destruído metade da casa. A outra metade estava completamente inabitável.
O único lugar mais ou menos inteiro era o depósito.
"Oh Meu Deus!" Kaoru se curvou, recuperando o ar que tinha perdido na corrida.
Ver o dojo da sua família nesse estado era como receber um soco no estomago. No chão, vidros quebrados, latas de tintas usadas nas pichações, camisinhas usadas, e seringas...
A casa de seu pai tinha virado ponto de encontro de marginais e viciados...
Décadas e décadas de uma filosofia tão linda... Só isso que restou.
Ruinas!
"Por que tudo sempre tem que ser tão difícil para mim?"
Kenshin que veio correndo, junto com outros, imediatamente visualizou Kaoru estacionada no quintal do dojo abandonado. Choque e tristeza em suas feições. "Doutor Gensai, Tae... Podem me dar um minutinho, por favor?" O ruivo pediu com muita seriedade, ele precisava ficar sozinho com Kaoru por alguns minutos.
"Oh claro!" Doutor Gensai concordou imediatamente. Ele pediu para que Tae e as crianças voltassem para o portão.
Tinha coisas ali, jogadas no chão do dojo, que as crianças não precisavam ver.
O casal ficou sozinho no quintal, próximos ao poço de água.
Preocupado, Kenshin passou os braços ao redor de uma transtornada Kaoru Kamiya. "Não se preocupe Kaoru dono. Prometo que tudo vai ficar exatamente como era...Eu juro, vou reconstruiu tudo para você Koishii!"
"Como a gente vai fazer isso?" Kaoru ainda inconformada, enxugou as lagrimas do rosto.
...A reconstrução vai sair uma fortuna. E agora com o bebê... Meu emprego está todo instável nesses últimos meses... Eu não posso deixar tudo nos ombros do Kenshin...
"Bem..." Kenshin fez uma pausa antes de fazer a grande revelação. "Esse é um dos nossos compromisso no cartório de Shiba as 13 horas. Eu estou abrindo mão da empresa...Hoje eu vou passar o comando e a administração para Tomoe, Sanosuke e Misao...
...Hã?...
Kaoru piscou varias vezes, ela olhou ao seu redor..."O que?
O ruivo sorriu. "Vou me dedicar exclusivamente a reerguer esse dojo!"
Kaoru arregalou os olhos pela milésima vez naquele dia.
Kenshin estava abrindo mão da própria empresa por ela. "Oh Kenshin! Mas você não pode. É o seu emprego..."
O ruivo viu imediatamente todas as preocupações passando pelos olhos de Kaoru e sorriu sinceramente. "Fica tranquila!"
Ela sussurrou bem baixinho, um pouco preocupada. "Mas agora com o bebê, você vai ficar desempregado? Como vai ser?..."
"Kaoru..." Kenshin balançou a cabeça e riu baixinho. "Koishii!"
De certo modo Kaoru ainda era tão inocente. Tão ingênua.
"Kenshin...Não ria! Eu preciso saber sobre essas coisas..." Kaoru olhou meio assustada para Kenshin.
Kenshin não parou de sorrir. ...Ela realmente não tem ideia do quanto eu possuo?...
"Nós não somos casados legalmente. Eu sei, mas estou dependendo de você aqui... Vou trabalhar até quando puder, mas infelizmente eu ainda não tenho estabilidade suficiente para arcar sozinha com o ... e..." Kaoru parou de falar.
Era constrangedor falar sobre isso, afinal ela tinha se matado de estudar e se formado na faculdade para que?
Desde o vídeo intimo exposto no trabalho, tinha parado de trabalhar na empresa. Criou lindos desenhos para a capa do cd de Shougo e recebeu salário por isso... Mas ela nem conversou mais com Kenshin sobre sua situação como funcionaria. Afinal ela estava registrada ou não?
"Você ainda é meu chefe afinal de contas? Ou não? Passamos um mês de férias, e eu nem tinha férias vencidas para tirar... E você não me passou outro trabalho depois do cd de Shougo, então..." Kaoru estreitou os olhos.
Kenshin era o oposto de Enishi, claro. No entanto ela não queria ser tão dependente dele, o problema é que ela já era. Ainda mais agora, gerando uma criança.
...droga, estou confusa...
"O que?" Kenshin riu mais alto.
"Fala sério comigo Kenshin..." Kaoru ainda ficava um pouco desesperada com isso, pois se deu conta de que sua situação poderia ficar difícil caso Kenshin parasse de prover as coisas para ela. "Para de brincar!"
...Pensando assim...Que humilhante...Ser totalmente dependente do namorado...DE NOVO!...
"Shii, Kaoru..." Kenshin falou baixinho no ouvido dela.
O ruivo segurou as mãos dela. "A gente vai conversar melhor sobre isso mais tarde... Não se preocupe! Eu nunca permitira que você ou nosso filho ficassem em uma situação ruim. Eu tenho como garantir o nosso futuro sem necessariamente trabalhar na empresa. Eu sou proprietário do prédio junto com meu tio Hiko. Tenho todos aqueles alugueis para receber... E mais alguns imóveis espalhados por Tóquio... E todo dinheiro que acumulei durante os anos e nunca precisei gastar. Você não vai passar necessidade."
"Wow! HEI!" Kaoru balançou a cabeça. "Não é isso que eu quero dizer Kenshin... Eu não estou pedindo para que você ME sustente... Eu posso e vou trabalhar só que..."
"Como você é teimosa..." O ruivo balançou a cabeça.
"Você é cabeça dura!" Kaoru cruzou os braços.
Kenshin era amável e irritante ao mesmo tempo.
"Aoshi está providenciando nosso casamento no civil! Por isso a gente precisa estar no cartório e..." Droga, Kenshin tinha toda uma programação romântica na cabeça antes de contar isso pra ela. Depois da reunião levaria todos para uma comemoração, por isso pediu para que os amigos se arrumassem com suas melhores roupas, e deu esse quimono novo para ela.
Ele realmente tinha programado uma tarde romântica após a assinatura dos papeis... Flores, pétalas de rosas, velas, champanhe os esperando quando retornassem ao apartamento...
mas agora, com o olhar que Kaoru lhe devolvia, a coisa pareceu meio fria e calculada.
Quando foi que tudo ele planejou na noite anterior ficou tão confuso?
" Como assim? Você decidiu e pronto?" Kaoru piscou várias vezes. "Que eu saiba você tem que me perguntar antes! Quem disse que eu quero me casar?"
"O que?" Kenshin sentiu como um tapa. "Kaoru?..."
Essa não era exatamente a reação que ele estava esperando...
^^x
Continua...
Oh gente desculpa cortar assim, mas tava ficando grande demais e horrível pra revisar, ok? O próximo já posto, só estou terminando "umas coisas"...
MUITOOOO obrigada pelos reviews Artemys Ichihara , Tina, Nana, Lica, Kaos, Himura-san, Spooky, Guest! Não fiquem bravas, ok. Aoshi e Misao já vem logo logo...
até mais!
bjs Chibis
