Disclaimer: Rurouni Kenshin não me pertence. As músicas citadas, "A Thousand Miles" da Vanessa Carlton e "Oh, Pretty Woman" de Roy Orbison não me pertecem. Dãh!

Nota da autora :

1)Misao e Aoshi estão chegando lá...ou não... *sorriso misterioso* Por que Misao estava escutando "A Thousand Mile"? Porque muito tempo (tipo uns 10 anos) eu li um songfic Aoshi e Misao com essa música e ficou na cabeça, desde então então eu elegi essa música para o casal. Ah, uma coisa que eu estava me esquecendo, eu vi as meninas comentando no tumblr que Watsuki Nobuhiro foi questionado durante um Comic Con se Misao e Aoshi ficaram juntos no final? O Watsuki disse que depois de um tempo eles se casaram. Misao e Aoshi não é meu casal favorito, mas eu achei mega fofo o Watsuki ter confirmado isso! \o/

2)A recuperação de Yahiko pode parecer meio instantânea, mas no manga e no anime Yahiko reencontra rapidamente a alegria de viver por causa de Kaoru e Kenshin, só estou seguindo esse modelo. certo? Aliás sou talibã do manga , não é novidade, mas o resgate de Yahiko no ANIME é muito melhor. Porque Kaoru participa ativamente e desce porrada na Yakuza, (assim como o resgate de Megumi) hehehehe...Mas o manga foi pensado para os meninos e Kenshin é o heroi blablabla, e tanto faz ...^^X

3)Existe uma cena desse capítulo que remete descaradamente ao terceiro filme, Rurouni Kenshin Densetsu no Saigo Hen, não vou falar que cena é. *o* Quando você assistir "The Legend Ends" vai lembrar de Koi no Yokan muahahaha até parece (Rindo histericamente, sim, Chibis perdeu o juízo).

"Koi no Yokan"

Parte 17

Por Chibis

^^x

Kaoru piscou várias vezes. "Que eu saiba você tem que me perguntar antes! Quem disse que eu quero me casar?"

"O que?" Kenshin sentiu como um tapa. "Kaoru?..."

De forma defensiva a moça deu um passo para trás. Kaoru deliberadamente se afastou de Kenshin.

Esse movimento da namorada doeu mais do que o ruivo poderia admitir. ...Por quê?...

Kenshin observou Kaoru balançando a cabeça de um lado para outro. Como se ela quisesse esclarecer uma confusão dentro de sua mente.

Um silêncio embaraçoso se instalou entre o casal. Kenshin aguardou, até que Kaoru dissesse algo. "Então foi por isso que pediu minha certidão de nascimento?"

"Sim!" Ele respondeu baixinho. "Foi sim..." Por mais compreensivo que tentasse ser, o desânimo escapou em seu tom de voz.

Kenshin e Kaoru trocaram um longo olhar.

Kaoru abaixou a cabeça, fechou os olhos e passou os dedos finos na testa.

Casamento é algo muito sério. A lembrança daquela noite veio tão rápida a mente que foi constrangedora...

O casal não tinha conversado sobre isso antes. Kenshin sabia disso, porém, essa reação brusca, ele definitivamente não esperava. "Na nossa conversa noite passada, você disse que seus sentimentos não mudariam. Que eu era sua outra metade..."

"..." Kaoru levantou o rosto.

Kenshin apertou os olhos, estavam ardendo e lacrimejando. "Então por que essa reação?" ...Depois de tudo você não vai me rejeitar, não é Koishii? Não Kenshin, pare de pensar assim, a Kaoru não é assim. Ela te ama!...

Kaoru percebeu a vermelhidão nos olhos de Kenshin.

Ela engoliu seco, arrependendo-se imediatamente pela sua falta de consideração com Kenshin. ...Oh não... "Não é você..."

A morena se virou e caminhou até o engawa do dojo, a varanda de madeira que dava a volta na residência, e se sentou.

Kenshin fez o mesmo, sentou-se ao lado dela, ansioso por uma explicação. "

Você disse que queria ficar comigo pra sempre." O ruivo relembrou da noite anterior.

Ele não queria ser insistente, mas...

Kaoru abaixou a cabeça, entrando em um clima estranho e defensivo. Ela não entendia exatamente o motivo dessa reação, ou melhor, entendia.

...Eu deveria ficar feliz, mas é que...

A última experiência com relação a esse assunto foi tão desagradável...

Extremamente desagradável.

"Eu disse... Eu falei a verdade..."Kaoru confessou baixinho.

A morena resolveu revelar seus medos e lembranças... "É que da última vez que alguém me "informou" que eu iria me casar... Eu falei que ainda não estava pronta. Que eu era a última Kamiya que restou e não queria mudar meu sobrenome. Isso o revoltou tanto... e minha cabeça se chocou violentamente contra a mesinha de centro... Várias e várias vezes... Quando eu desmaiei, meu cabelo foi picotado... Eu acordei na manhã seguinte no meio da cama de casal, nua..."

"Não sei dizer se..." Kaoru engoliu seco.

Ela não foi capaz de terminar essa frase. Nunca foi capaz de terminá-la.

A verdade, se Enishi abusou sexualmente dela ou não, ainda estava suspensa no ar desde a madrugada da briga.

"Koishii..." Kenshin escondeu os olhos embaixo das franjas.

Ainda com a cabeça baixa, Kaoru continuou. "Você me pegou de surpresa Kenshin. E essas memórias voltaram..."

"Oh Kaoru! Eu..." Kenshin entendeu, claro, mas...

"Esse sentimento não foi embora?" ...Mesmo vivendo comigo?...

Como Kaoru ainda poderia fazer essa correlação entre os relacionamentos?

"É complicado. Eu realmente não gostaria de guardar isso Kenshin, mas vira e mexe ele volta e..." Kaoru não queria magoar Kenshin.

O ruivo era a pessoa mais amável que existia no mundo. Ele não merecia essa oscilação.

"Enishi, ele forçou a barra e..." Kaoru levantou o rosto.

Ela parou de falar e notou o olhar de Kenshin. Primeiro cheio de desapontamento, incerteza e agora raiva. Muita raiva.

...Não olhe assim. Você só vai assusta-la... Kenshin dizia para esse lado negro dentro dele que queria sair pra fora toda vez que pensava nas coisas que Enishi fez com Kaoru.

"Maldito Enishi!" Kenshin apertou o gi branco com tanta força que as falanges de suas mãos ficaram brancas.

"Mas eu..." Kaoru estava se sentindo culpada agora. Ela tinha que parar de pensar e falar sobre aquela madrugada, pois isso afetava muito Kenshin.

Kenshin estava mortificado. "Você está grávida da minha criança... E está tão radiante e feliz ultimamente. Não teve mais nenhuma crise de pânico... E eu achei que estava tudo bem... Mas quando menos se espera ele volta no seu pensamento! O que eu estou fazendo de errado? Por que eu não consigo apagar essas lembranças ruins?"

"Eu sei... eu sei" O queixo de Kaoru tremeu. "Não é você Kenshin..." Ela fechou os olhos com bastante força, pois seus próprios olhos ardiam agora.

...Por que ainda é tão difícil esquecer completamente? Kenshin é maravilhoso. Ele não mede esforços para me fazer feliz. Ele só me trouxe felicidades, um bebê, ele me trouxe o dojo de volta...

"Eu deveria dizer. "Hei Kaoru, esqueça o que eu disse"... Esqueça que eu quero me casar com você! Mas agora sua reação me preocupou! Eu nunca te forçaria a nada... Você precisa acreditar nisso..." O ruivo não era tão denso.

Kenshin sabia de onde vinha todo esse medo que Kaoru sentia. O trauma que o ex namorado deixou não se apagaria de uma hora para outra.

E Kenshin odiava Enishi com todas as suas forças por isso.

...Eu entendi... Eu entendo... E eu odeio esse homem por isso...

A violência domestica, seja física, psicológica, sexual, passava com um furacão na vida da pessoa, destruindo e deixando um rastro terrível. Por mais que sorrisse, e que vivesse momentos de alegria... O dano estava feito em algum maldito cantinho escondido da mente.

"Desculpe-me pela reação!" Kaoru abaixou a cabeça envergonhada.

Haveria reminiscências.

Kaoru era muito forte por superar seus traumas de forma quase heroica e sem alarde. Ela sufocava seus pesadelos para não incomodar as outras pessoas com isso, Kenshin sabia.

Mas Kaoru era apenas humana, e não sofria essas crises pânico do nada. Ela foi bastante machucada desde o começo dessa história.

"Eu te magoei?" Uma lágrima escorreu pelo rosto de Kaoru.

"Hei...Meu erro! Eu deveria ter te consultado com mais delicadeza antes de qualquer coisa...!" Kenshin enlaçou seus dedos com os dela.

Kenshin riu baixinho espantando um pouco a nuvem carregada que pairava entre os dois. "Na minha cabeça este servo estava sendo muito romântico."

"E está! Está!" A morena se sentiu culpada. "Eu é que estou um pouco quebrada ainda, não é? Outra mulher estaria soltando fogos... Por que você foi se apaixonar por uma pessoa complicada como eu?!" Kaoru sorriu amargamente.

"Não fala assim. E não precisa chorar!" Kenshin tirou um fio de cabelo da frente dos olhos dela. "Está tudo bem..."

Kenshin reconhecia.

Havia um resquício no olhar de Kaoru. Algo que o ruivo percebia com menos frequência a cada dia de convivência... Mas que ainda estava lá. Detalhes que faziam com que Kaoru se encolhesse.

Quando Kenshin usava um tom de voz mais alto.

Ou quando falava com ela como se tivesse dando uma ordem.

Ou quando a abraçava por trás de supetão. Kaoru se encolhia quando Kenshin aparecia de surpresa atrás dela. Depois relaxava nos braços dele.

Também era comum encontra-la no terraço do apartamento olhando para o horizonte. Silenciosa, pensativa.

Era uma coisa subconsciente, e Kenshin sabia disso.

"Nosso tempo juntos está sendo maravilhoso. O mês que passamos em Okinawa cicatrizou tantas feridas que eu nem poderia..." Kaoru enxugou a lágrima que teimava em escorrer. "Eu quase me esqueci do..."

"Do que?" Kenshin não queria forçar, mas ele também estava ansiosa para que Kaoru se abrisse finalmente.

"Do Enishi" Kaoru fez uma pausa. "Ele ainda está solto..."

"Hoje, escutando essas crianças falando sobre Enishi me fez lembrar de que ele ainda está por aí. Em outro país, mas solto. E enquanto a historia de Enishi não chegar a uma conclusão, essa cicatriz específica vai continuar aberta e sangrando dentro de mim... Eu penso sobre isso o tempo todo..." Kaoru não tinha esquecido do braço quebrado de Misao, da tentativa de assassinato contra Sanosuke, e do seu próprio afogamento.

"Eu sei!" Kenshin balançou positivamente a cabeça.

"Kenshin.." Kaoru tremeu ao expor seu medo.. "Quando Enishi voltar, virá atrás da sua cabeça Kenshin! Ele vai querer te machucar. E agora com o bebê... Isso me apavora!"

"Oh meu amor..." Kenshin fechou os olhos e suspirou, e passou o braço ao redor dela. "Eu não vou permitir que Enishi faça mal a nenhum de nós."

Kaoru arregalou os olhos.

No fundo de seu coração ela sabia que Kenshin estava falando a verdade.

O ruivo sorriu. Seu sorriso mais amável. "Eu nunca te forçaria meu anjo. Você vai assinar os papéis somente se quiser e quando quiser..."

Kenshin inclinou-se na direção dela, e beijou a bochecha de Kaoru com muito amor e carinho.

... Esse ruivo fazendo esse biquinho acaba com qualquer defesa...

"Kenshin..." A morena olhou intensamente para ele. Ela sentiu a mão de Kenshin na sua mão.

...Esse calor não é uma ilusão, não é falsidade. Esse amor é realidade... É pra sempre...

Kaoru levantou a palma da mão de Kenshin até seus lábios e beijou.

... Essas mãos nunca vão me machucar...

Depois sorriu inocentemente para o ruivo. "Você percebeu que até agora ninguém me pediu em casamento?... Baka!"

"Ah! Oro!" O ruivo coçou o couro cabeludo da nuca e sorriu envergonhado.

Realmente, Kenshin havia se esquecido do principal. Ele não tinha feito "o pedido", apenas informado sobre as providências para o casamento no civil.

Novamente o ruivo se precipitando, e colocando a carroça na frente dos bois.

"O amor que eu sinto por você me deixa tão afoito, que eu me esqueço de raciocinar." Kenshin se levantou.

Ele deu alguns uns passos pelo quintal, procurando por algo.

"Ah!" Kenshin finalmente encontrou. O ruivo se abaixou e alcançou uma folha inteira, perfeita e bem vermelha de Ácer.

A velha árvore de Momiji da família Kamiya estava morrendo infelizmente, mas somente uma folha pontuda seria o bastante para que Kenshin realizasse seu sonho.

Segundo a lenda, entregar uma folha dessas era sinal de amor e votos de felicidade, assim como entregar uma rosa vermelha no ocidente.

Normalmente as folhas estariam verdes no verão, mas como infelizmente a árvore estava seca e morrendo, as folhas já desidrataram. Isso era triste, pois os japoneses tinham uma ligação espiritual muito intensa com essas árvores.

Kenshin definitivamente plantaria um novo Ácer quando o quintal ficasse pronto.

Ele se ajoelhou na frente dela. Ele ainda não tinha a aliança, mas tinha seu coração e a folha de Momiji.

"Você é a pessoa que me é mais cara. Quando você é durona e teimosa eu te amo ainda mais ...!" Kenshin riu, e Kaoru também.

" Kaoru tenha certeza que EU SEI e sinto o quanto você me ama... Pois lhe amo na mesma proporção."

Kaoru abriu um enorme sorriso. Era importante escutar Kenshin falando isso.

O ruivo continuou. "Eu estou ao seu lado Kaoru. Não tenha medo, pois não vou permitir que ninguém roube nossa felicidade. Vou te proteger e proteger nossa família! Vou proteger nossa realidade."

Kenshin depositou delicadamente a folha bordo de momiji na palma da mão de Kaoru.

"Eu sei que o passado de uma pessoa não vai embora de uma hora para outra. E que ainda existem algumas coisas pendentes, mas quando tudo chegar a uma resolução... Quero apagar todas suas lágrimas e te encher só de sorrisos... E só para constar, se você quiser agregar o Himura ao seu sobrenome, será uma honra enorme, mas nunca te obrigaria a deixar de ser Kamiya... Mesmo porque eu quero que nossos filhos tenham o Kamiya no sobrenome..."

Kaoru estava encantada com o ruivo ajoelhado na sua frente. "Baka... Você é bobo mais perfeito que existe..." A morena soluçou emocionada.

Kenshin sorriu, ela percebeu uma lágrima escorrendo pelo rosto dele. ...Kenshin me ama muito...

Kaoru olhava para folha e olhava para ele, e escutava atentamente cada palavra. Cada promessa que aqueles lábios perfeitos proferiam.

"Eu quero viver uma nova Era ao seu lado Kaoru dono, aqui nesse dojo, com nossas crianças. Então, Kaoru Kamiya! Você... você aceita se casar comigo?" Os olhos de Kenshin brilhavam ao mesmo tempo da cor violeta e da cor âmbar.

Tum tum tum tum...

O coração tão disparado. Kaoru sentiu seu sangue pulsando forte e rápido por todas as direções.

Kaoru apertou a folha na palma da mão, e trouxe para junto de seu peito.

Ela sabia o simbolismo por trás daquele gesto. Não tinha como não se derreter e abriu o maior sorriso do mundo. "Eu aceito!"

Ela queria ser durona e teimosa, mas... Kenshin fazia a tarefa de se tornar uma pessoa mais racional e menos passional impossível.

Os olhos azuis brilhando como duas safiras. "Sim! Sim... Eu aceito ser a sua Kaoru Kamiya Himura!"

Kenshin se levantou finalmente trazendo Kaoru junto. O ruivo passou os dois braços ao redor da cintura dela. Abraçando-a com muito carinho. Kaoru segurou o rosto de Kenshin com as duas mãos e disse emocionada. "Porque Kenshin! Agora você fez tudo certo! Baka!"

"Oro!"

Depois Kaoru passou os braços ao redor do pescoço dele e o beijou com todo amor que estava sentindo. Kenshin tirou os pés de Kaoru do chão, suspendendo-a. Os dois rodaram no quintal destruído do dojo Kamiya, compartilhando um beijo emocionante.

^^x

Doutor Gensai, que tinha um compromisso marcado para depois do almoço entrou no dojo e viu a cena. Ele precisava se despedir, mas quem tinha coragem de atrapalhar Kenshin e Kaoru? "Opa, parece que eles precisam de mais alguns minutos. Vamos Ayame, Suzume, vocês ainda tem lição de casa para terminar, e sua mãe vai chegar logo logo..."

"Ah Vovô, queremos brincar com o Ken-Neesan!" Suzume reclamou. Ayame também fez bico.

"Meninas, acho que daqui pra frente vocês duas vão ter o Himura-san por perto por muito, muito tempo!" Doutor Gensai já encaminhou as crianças para a saída do dojo abandonado.

"Parece que sim..." Tae escondeu o riso atrás da palma da mão.

"Eles são tão lindos juntos!" Tsubame juntou as duas mãos na frente do peito e suspirou.

Kenshin e Kaoru que continuavam com seus beijos apaixonados, tinham se esquecido da pequena plateia esperando logo ali.

"Eu falei! Esses dois vão fabricar um time de futebol!" Perto do portão do dojo, Doutor Gensai brincou, Tae riu ainda mais.

"Diga aos pombinhos que qualquer problema podem me telefonar , ok? Até mais Tae-san, Tsubame-chan..." Doutor Gensai e as crianças saíram de fininho.

Tae se curvou respeitosamente para o Doutor Gensai. Ela também tinha compromissos, afinal largou o Akabeko no horário mais lotado, só para correr atrás de Kaoru. "Tsubame-chan. Nós também precisamos ir..."

Quando o casal se separou, Kenshin ofereceu um sorriso tão grande e sincero para Kaoru, que chegou a doer o peito o suspiro que a morena deu. O ruivo disse no ouvido de Kaoru brincando. "Melhor nem dizer que você também deve agradecer ao Aoshi, que resolveu todos os problemas legais, vai que você resolver beija-lo assim também!"

"Baka!" Kaoru ficou vermelha.

Kaoru percebeu Tae e Tsubame assistindo a cena, e escondeu o rosto vermelho no ombro de Kenshin.

Kenshin não se importou, ele aconchegou Kaoru no seu abraço uma última vez. "Quero a nossa criança correndo nesse quintal!" O ruivo beijou a bochecha dela, depois laçou seus dedos com os dela.

Tae e Tsubame estavam torcendo pelo casal. ...QUE LINDOS... "A cena está linda demais, mas ...Ehh...Kaoru-san, Himura-san...precisamos voltar o Akabeko!"

"Oh!"

Kaoru se afastou um pouco de Kenshin. Não era comum aos japoneses demonstrar seus sentimentos com tanta paixão assim na frente de terceiros. Beijos de língua eram considerados preliminares do sexo. E geralmente só aconteciam entre as quatro paredes do quarto do casal....Tem crianças no recinto Kamiya...

"Ai tia Kaoru..." Tsubame disfarçou a vergonha olhando para outro lado. A menina estava vermelha como um pimentão. Feliz pelos amigos, mas envergonhada. Ela olhou para o chão, para a antiga sala de treinamentos, e para o depósito.

...O que tem no depósito?...

Tsubame ficou curiosa, afinal, o depósito era o único lugar da propriedade que ainda estava em pé.

E pensar que dois anos atrás ela brincava nesse quintal. "Ainda bem que o tio Himura vai arrumar tudo nee?" Tsubame tinha certeza de que Yahiko voltaria a ser o mesmo garoto de antes quando soubesse da novidade.

Kaoru não tinha abandonado Shitamachi. A ex shihandai se importava com o dojo.

A menina se afastou de Tae, Kaoru e Kenshin e deu alguns tímidos na direção do depósito. Ela escutou os adultos conversando. "Parabéns pelo noivado e..."

No chão de terra, Tsubame percebeu algumas pegadas pequenas. A pessoa que pisou ali naquela lama provavelmente tinha o seu tamanho. "Tae...Tia Kaoru..."

A menina chegou perto do depósito. "Eu acho que tem alguém aqui..."

Tsubame ficou na ponta dos pés e olhou para dentro, através de uma pequena janelinha na porta. Imediatamente se surpreendeu com quem estava lá dentro.

"Ohhh!"

"Tio Himura!" A menina apontou para dentro. "Melhor o senhor dar uma olhadinha aqui..."

Tae, Kenshin e Kaoru prestaram atenção na menina.

"Tsubame vem pra cá agora! O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM VOCÊ MENINA?" Tae já puxou a irmã caçula para perto.

Só Deus sabe que tipo de gente poderia estar escondido nos escombros de um dojo abandonado.

Kaoru e Kenshin caminharam até o depósito e espiaram pela pequena janelinha. "Então é aqui que ele está vivendo!"

Kenshin reconheceu imediatamente, o garoto delinquente da frente do restaurante.

"Oh Yahiko..." Kaoru colocou as mãos na boca.

O estado de Yahiko dava dó.

...Meu Deus, que judiação...

"Jogado no chão como lixo..." Kenshin sussurrou.

O ruivo forçou a porta com o ombro, e entrou rapidamente no deposito. O local estava sujo, escuro, cheirando a mofo, e mal ventilado.

Parecia que Yahiko estava vivendo ali há algum tempo. Vivendo em condições de miséria absoluta.

"O que a gente vai fazer com esse ele?" Tae não sabia bem como lidar com um garoto rebelde como Yahiko. E infelizmente sua casa era pequena e ela ainda tinha Tsubame para se preocupar. "Eu posso tentar arrumar um quartinho pra ele no Akabeko, mas..."

Yahiko Miyogin dormia profundamente, ou melhor, estava alcoolizado. Kenshin percebeu a garrafa de saque vazia ao lado do menino. Como ele conseguiu isso era um mistério, porque bebidas alcoólicas só eram vendidas para maiores de 20 anos no Japão. "Ele deve ter furtado..."

Deitado em um futon todo surrado, provavelmente datava da segunda guerra mundial. Encolhido em posição fetal. Os olhos fechados e inchados, e as bochechas imundas marcadas de tantas lágrimas que escorreram até que a criança pegasse no sono.

Kenshin pegou o garoto no colo.

Tão magro e desnutrido, que dava para sentir todos os ossos das costelas. O menino não pesava nada, isso fez com que Kenshin se sentisse mal. Ele vivendo naquele luxo todo, com as melhores comidas e bebidas e essa criança vivendo no meio de escombros. "Tae-san, não se preocupe com isso! Eu vou cuidar do garoto!" Kenshin disse resoluto.

"Ehhh?" Kaoru se surpreendeu. "Masaka... Kenshin, você está pensando em..."

"Levar ele pra casa? Sim, estou." Kenshin ajeitou a Yahiko no seu colo. "Tudo bem para você?"

"Claro...Claro que sim!" Kaoru se surpreendeu.

Mas como se surpreender se essa era uma atitude digna de Kenshin Himura?

Yahiko estava tão esgotado, fisicamente e psicologicamente que não protestou. Nem abriu os olhos. O garoto estava apagado, literalmente.

Kenshin sorriu. "Eu estava pensando em um gatinho ou cachorrinho pra te fazer companhia... Pelo visto vai ser um pouquinho maior... O apartamento é grande acho que não vamos ter problemas..."

O ruivo não queria perder a privacidade do casal, ainda mais agora que estavam noivos, mas não podia deixar uma criança dormindo no lixo.

Ele e Kaoru se entenderiam de alguma forma... Espaço pra isso eles tinham.

Kaoru sorriu feliz e orgulhosa com as escolhas de seu noivo. "E dizem que eu sou a impulsiva!"

Com Yahiko no colo, Kenshin acenou para que Kaoru, Tsubame e Tae o seguisse para fora do dojo abandonado.

"Arigato! Kenshin. Domo Arigato!"

Nos braços de Kenshin, Yahiko não passava de uma criança pequena. Kaoru o conhecia desde que ele tinha oito anos de idade, ela sabia do potencial desse garoto. Se ele fosse bem guiado, faria diferença no mundo.

Ainda existia esperança para Yahiko. Kaoru tinha certeza disso.

Como seu pai costumava dizer. A espada para vida não era só uma filosofia para ser usada durante uma hora e meia de aula.

"Nosso bushido é uma filosofia para a vida. Vinte e quatro horas por dia."

"Proteger a vida..."

"Dar esperança..."

"Como mudaram os planos, eu vou te deixar em casa com o seu aprendiz e ir para o cartório de Shiba assinar somente os papéis da empresa!" Kenshin olhou para a criança depois para Kaoru. "Você acha que pode ficar sozinha com ele?"

Após a saída de Tae e Tsubame, Kaoru fechou o portão improvisado do dojo e da sua antiga casa em ruínas. ""Ele tem a boca suja, mas um bom coração. Contanto que ele fique longe de bebidas e cigarros, tudo vai dar certo..." Kaoru sorriu.

Essa seria a última vez que Kaoru enxergaria sua propriedade assim. Amanhã a reforma começaria, e todo aquele escombros viriam a baixo. Kenshin recomeçaria do tudo do zero, e graças a ele, o dojo Kamiya viveria mais uma vez.

A jovem morena caminhou por Shitamachi rapidamente na direção do carro, ela colocou a mão sobre o seio esquerdo, ela tinha guardado a folha pontuda de Momiji ali, ao lado do coração.

^^x

Misao desligou o rádio do carro, que tocava "A Thousand Miles" da Vanessa Carlton e estacionou seu Smart vermelho na frente do cartório de Shiba. " droga! Em cima da hora!" A jovem estava atrasada, pra variar. "Himura vai me matar!"

Mas o chefe não poderia culpá-la. Quem poderia culpa-la? Misao estava impecavelmente linda, isso que importava.

A secretaria de Kenshin canalizou toda a raiva que estava sentindo do ex-namorado na sua produção. Dificilmente admitiria , mas toda a produção era justamente para impressioná-lo. Para deixar Aoshi de queixo caído.

...Aoshi vai ver o que perdeu... Essa mega gata aqui que sou eu...

"Ok, não é bem assim né Makimachi! Auto-estima, menos..."

Mas o que Misao deveria fazer?

Passar o resto da semana encolhida em uma bola na cama? Ou na frente da tv? Ou empantufando-se de sorvete e chorando o fim do romance? Ou melhor, o fim da AMIZADE, como Aoshi deixou bem claro para sua super juíza comedora de chucrute?

"Não! Definitivamente não"

Ainda dentro de seu carro, Misao já visualizou o grupo na calçada em frente ao fórum. Todos elegantes entrando no cartório. Sanosuke, Tomoe, o marido Akira e...ele!

Aoshi Shinomori.

"Oh Aoshi..." Misao engoliu seco ao vê-lo. Odiá-lo em casa e de longe era uma coisa, de perto...Esse sentimento já mudava.

...Miserável. Insensível. Frio. Traidor de uma figa tem que estar vestido com sua melhor roupa social?...

...Por que toda vez que vejo esse homem parece que ele saiu de uma revista de moda?...

Aoshi olhou na direção do carro vermelho de Misao estacionado no outro quarteirão. A moça se abaixou um pouco, escondendo-se atrás do volante do carro. "Oh droga! Filho da mãe. Por que tão bonito?" Misao resmungou baixinho.

Por que quando o via, sentia um ataque cardíaco?

"Foco Misao, mantenha o foco!"

...E esse povo todo só está me esperando?...Não calma Misao, Himura ainda não chegou!...

"Mas Himura é o chefe, ele pode atrasar, sua tonta! Anda Makimachi, saí logo desse carro! Eu não vou fazer papel ridículo. Estou linda! Essa roupa é linda! Ok, vamos! Você treinou na frente do espelho para isso..."

Misao respirou e deu inicio a sua entrada triunfal.

Como uma "diva", Misao queria sair de seu carro vermelho.

...Ok! Nenhuma DIVA tinha um minúsculo Smart usado, mas isso é apenas um detalhe...

...Concentração...

Na cabeça de Misao ela conseguia escutar os primeiros acordes de Oh, Pretty Woman de Roy Orbison.

...Tum tum tumtumm...Pretty woman...tum tum tumm...Ou quase isso!...

Misao abriu a porta do carro, levantou a cabeça, o nariz bem alto.

E assim como em um filme de Hollywood, em que a dama primeiro coloca a ponta do salto alto para fora do carro, e na sequência surge a longa perna vestida com a meia calça de seda, até a câmera focar na coxa escondida pela impecável saia, ela desceu do Smart.

Não havia flash, nem paparazzi, mas era tarde demais para voltar atrás.

Não adianta querer voltar pra casa, arrancar tudo e vestir uma calça jeans, com uma blusinha e uma sapatilha simples agora. O gato estava fora da cesta agora... E muitas cabeças já viraram para olhar na sua direção.

"Boa tarde senhorita!" Conforme Misao deu os primeiros passos na direção do estabelecimento, um lindo moço , impecavelmente engravatado a cumprimentou.

Misao sorriu. "Boa tarde!" E respondeu.

Afinal ele foi educado. E ela também era uma pessoa educada e estava solteira. Não estava?

Quem diria! Petit do jeito que era Misao estava chamando atenção da população masculina. Era muito bom sentir isso, principalmente depois de chorar a noite inteira sentindo humilhada pelo ex namorado.

Seu tailleur francês pagou-se dez vezes com todos os olhares e sorrisos que estava recebendo na entrada do cartório.

A roupa custou uma fortuna. Parcelada, obviamente, na boutique da Dior em Omotesando, mas pelo menos seu pequeno despautério era Christian Dior, legitimo importado, coisa fina.

Hoje ela não era a Misao Makimachi, a doninha, maluca e espevitada que tudo mundo conhecia... Hoje, ela queria ser diferente. Como ninguém da empresa a viu até agora.

Misao levantou a cabeça e caminhou pela calçada, balançando discretamente e elegantemente o quadril de um lado para outro.

Juíza alemã nenhuma ficaria no seu caminho.

Advogado nenhum importaria agora.

... Frio, insensível, sem noção, gostoso, lindo , inteligente e sexy e... Droga! de novo...

"Wow! Olha só que moça linda!" Misao escutou um rapaz falando com o outro. Nada discretos, diga-se de passagem. ...E se Aoshi escutasse um elogio desses?...

E ela nem queria chamar "esse tipo de atenção". Seu terninho era cinza claro. Sóbrio.

Adulto.

Com apenas dois botões, e um cintinho preto de couro para marcar a cintura, que por sinal ficava bem acentuada pelo corte preciso do tecido.

Por baixo, Misao usava uma camisa branca simples, bem leve, ligeiramente transparente, mas não importava, porque ela tinha uma lingerie branca maravilhosa por baixo. Victoria Secrets, a renda do sutiã quase pedia para ser visualizada através do leve tecido, mas só se alguém olhasse fixamente pra a blusa branca.

A saia do conjunto era bem justa ao corpo, a barra parava quatro dedos acima do joelho. Nem provocante demais, nem conservadora demais. A saia também cinza clara, porém com alguns detalhes brilhantes no tecido, como um cetim.

Misao tinha essa meia calça de seda pura que nunca tirou da embalagem, mas uma roupa dessas pedia por algo mais sofisticado nas pernas, então ela vestiu finalmente. Atrapalhou-se um pouco na colocação e se surpreendeu. Não era quente como ela imaginava, e dava até uma sensação geladinha.

Para finalizar o sapato social de verniz preto bem alto, com uma tira de couro que prendia no tornozelo.

Misao comprou essa roupa quando começou a trabalhar com Kenshin, mas como na empresa todo mundo usava uma vestimenta mais casual, nunca mais se importou de tira-la do armário.

A jovem usava o cabelo trançado todo dia. Todo santo dia.

E como hoje ela resolveu mudar todo o look, o cabelo não seria diferente. Ela desfez a trança, soltando os fios. O cabelo estava tão comprido que quase chegava à cintura, Misao então resolveu fazer alguns cachos nas pontas e prender só uma parte do cabelo com uma linda presilha, e deixar a outra parte solta.

Ela passou maquiagem, bem simples e bem delicada e um batom rosinha, com um leve gloss nos lábios.

Antes de sair de casa, Misao olhou pela última vez no enorme espelho do quarto e caiu na gargalhada. "Você vai sair assim mesmo? Se achando uma Audrey Hepburn moderna em um Dior?"... Ela colocou a mão na cintura e respondeu pra si mesma. "Hmmm. Vai sim Makimachi! Ah Você vai!"

E aqui estava ela.

Com a cabeça bem alta. Andando pela calçada com elegância e confiança. Uma leve brisa movimentou seus cabelos soltos.

Sentiu vários olhares curiosos, com a pequena beldade desfilando na calçada na frente do cartório.

Misao riu baixinho para si mesma. "Caminhando na calçada como uma alta executiva!"

Kenshin Himura estacionou a Mercedes Benz dele bem na frente do cartório ...gente rica sempre consegue vaga mais fácil, que coisa...

O ruivo já estava na porta do estabelecimento, na porta errada, diga-se de passagem.

...Se eu trocasse meu Smart pelo Mercedez do chefe ficaria ainda mais legal... Quem sabe um dia...Misao riu para si mesma. "Boba!"

"Himura-san! Boa tarde!" Misao chamou o nome do chefe.

O ruivo todo perdido, sem saber qual era a entrada correta do cartório, tinha os olhos rodando. Ele era baixinho e todo mundo o atropelava, o jogando de um lado para outro. "Oro?"

...Baka! Como essa criatura sobreviveu antes que eu começasse a trabalhar com ele?...

"Himura, é por aqui!" Misao apontou a direção certa.

Kenshin foi obrigado a voltar e olhar novamente para ver quem o chamava.

A voz era da sua secretaria Misao, mas a elegante mulher que o chamava não tinha nada de Misao Makimachi. Ela parecia que tinha saído de um filme de Hollywood. "Misao?"

"Eu mesma!" Ela sorriu. "Vamos?"

Assim que Misao e Kenshin entraram no corredor principal, já deram de cara com Sano.

Imediatamente Sanosuke começou a rir e provocar. "Woowoow! Nossa Senhora! Quem é você? E que fez com nossa Fuinha?"

Misao levantou apenas uma sobrancelha.

"Boa tarde senhor Sagara." Para surpresa de todos, ela ignorou a provocação de Sanosuke Sagara.

Era sua proposta para o dia.

Ignorar as provocações, ignorar Aoshi Shinomori. O homem era apenas um inseto no canto do corredor... Inseto lindo de morrer ...DROGA, IGNORE...

Ela estava vestida com uma diva, uma mulher adulta, refinada e segura de si e não era atoa. Misao precisava ter uma postura que fizesse jus. Nada a abalaria. Misao se deu ao prazer de ser "blasé", pelo menos uma vez na vida.

"Misao-san! Que linda!" Tomoe sorriu ao ver a jovem amiga assim, tão diferente e adulta.

Tão séria. Ao mesmo tempo tão feminina.

"Obrigada Tomoe-san. É Dior!" Misao sorriu para Tomoe. "Himura disse que era uma ocasião especial, então..."

"Você também está linda Tomoe-san." Misao a elogiou, mas Tomoe sempre estava impecável, não era surpresa alguma.

Tomoe se curvou para Misao, agradecendo o elogio. Depois fez a pergunta que Misao queria fazer para Himura desde que enxergou tentando entrar pela porta errada. A mulher recém-casada estava realmente curiosa para saber os planos de Kenshin..."Kaoru-san não veio?"

"Infelizmente não. Surgiu um imprevisto de última hora... Aliás, com licença, preciso conversar com Aoshi." Educadamente Kenshin se afastou das duas mulheres.

O ruivo precisava informar Aoshi que os planos para o casamento infelizmente foram por água abaixo. E que quase enfezou Kaoru com a sua pressa, ainda bem que conseguiu contornar a situação, e o noivado foi confirmado afinal.

"Não se preocupe..." Aoshi disse compreensivamente para Kenshin, apesar de ter movido montanhas para conseguir as licenças de casamento de uma hora para outra.

A voz dele ecoou pelo corredor do cartório.

Misao estremeceu ao escutar a voz Aoshi conversando com Kenshin.

Ela podia sentir o perfume do homem. ...Delicioso...

A moça começou a fraquejar, pois seu coração estava realmente acelerado.

Misao sentiu a energia de Aoshi ficando mais próxima. Por que ela se sentia tão atraída por ele?

...Por quê?...

Cada centímetro que o advogado ficava mais próximo um tambor batia bem alto dentro do seu peito. Um calor subia desde o ventre em zigue zague, queimando até seu peito.

...Eu disse pra mim mesma que ignoraria Aoshi... O que ele fez no casamento não foi legal. Ele me tratou como uma criança, ele menosprezou nosso namoro...Por que é tão difícil? Tudo que eu queria hoje era manter-me fria e distante?...

...Acho que eu não sou uma boa atriz no final das contas...

A jovem era inquieta demais pra esse plano. Inquieta demais para lutar contra a sua verdadeira natureza. Por dentro Misao estava em ebulição.

Alucinada pra saber o que Aoshi estava pensando dela. Vestida assim, tão diferente.

E ao mesmo tempo, com vontade de arrancar o salto alto e jogar na cabeça dele.

"Misao..."

Seu pequeno teatro quase desmoronou quando Aoshi surgiu de repente atrás dela. E para aumentar seu desespero, o advogado ainda colocou a palma da mão esquerda na sua coluna lombar. A respiração de Aoshi na sua nuca...

"Misao! Podemos conversar depois da reunião?..." Por trás,Aoshi se aproximou, sussurrando no seu ouvido.

Misao fechou os olhos, saboreando aquela voz. O corpo enorme daquele homem pressionado contra suas costas...

...Hei, como assim?...

Logo Misao voltou a si.

...Não vire o rosto, não olhe para ele... Não estremeça agora...Se afaste, sem escândalo...

Misao deu um passo para frente quebrando o contato com Aoshi.

Ela levantou sua cabeça bem alto. E sem olhar para trás disse. "Existe uma coisa chamada "espaço pessoal" senhor Shinomori. E o senhor está invadindo o meu..."

Mas ignorá-lo era mais difícil do que ela programou. Ah como ela queria olhar para trás, mas Misao estaria perdida se o seu olhar cruzasse com o dele.

"Misao... Olha para mim..." Aoshi tentou novamente.

"Com licença senhor..." Desesperadamente Misao se afastou dele completamente, dando alguns passos na direção de Tomoe.

Tomoe serviria de escudo.

... Droga, eu devia ter trazido um óculos escuros... E essa reunião não começa nunca?...

De proposito, Aoshi resolveu parar bem na sua frente. Misao olhava para tudo, para as cortinas da sala de reunião, par ao lustre, menos para ele... Que linda maçaneta da porta...

"Hum" Mas não tinha jeito. Por mais que Misao tentasse, era impossível ignorar o jeito que Aoshi olhava para suas pernas.

Misao virou-se para de Tomoe. A jovem sussurrou discretamente no ouvido da mulher mais velha, tentando se distrair. "Você acha que eu exagerei Tomoe-san?"

Tomoe sorriu e respondeu baixinho. "Não exagerou nem um pouco. Você está linda querida! Fez uma escolha perfeita..."

"Oh...Arigato!"

Do canto do olho, Tomoe percebeu Aoshi roubando olhares de Misao o tempo todo. Era obvio que o advogado estava louco para conseguir uma brecha e se aproximar novamente da jovem secretaria. "Que interessante!" Tomoe riu discretamente.

Aoshi deu um passo novamente direção de Misao, Misao deu um passo na direção da porta, e mais outro passo, e mais outro...

...Mas que sala de reuniões tão apertada essa que Himura escolheu...

Misao continuou com a tentativa de colocar o máximo de distancia entre ela e Aoshi, até se chocar com Soujiro Seta, que entrava na sala de reunião do cartório com uma caixa de papelão nas mãos.

"Wow!" Soujiro segurou a caixa com uma mão, equilibrando-a para que os papeis não voassem e a cintura de Misao com a outra mão para que a moça não desequilibrasse. "Senhorita Makimachi?"

Misao sorriu sem graça. "Ehh? Soujiro-san!"

Ela olhou para a mão de Soujiro na sua cintura e ficou ruborizada.

"Oh" Soujiro também olhou para sua mão na cintura de Misao e ficou vermelho. O jovem, que tinha a mesma idade de Misao, sorriu e disse com sinceridade. "Como a senhorita está linda hoje!"

"Obrigada Soujiro..."

Soujiro e Misao se olharam e depois desviaram o olhar. "Realmente linda!"

...Pena que namora Shinomori-san...

A mão de Soujiro finalmente deixou a cintura de Misao, para segurar firmemente a caixa de papelão que continha a encomenda especial de Himura.

Aoshi, perplexo com Misao e Soujiro, estreitou seus olhos. De nada adiantou, porque Misao e Soujiro permaneceram, lado a lado.

"Minna-san... Seta-san chegou com a minha encomenda, agora só falta meu tio...Peço um pouco mais de paciência, afinal Hiko está vindo da Alemanha...Pode ser que se atrase mais um pouco...Enviarei uma nova mensagem para ele..." Kenshin, após sua pequena epifania na noite anterior, estava em contato direto com seu tio Hiko Seijuro, via mensagens por celular.

"Por favor sentem-se..." Kenshin convidou seus amigos para assumir seus lugares na mesa de reunião do cartório. Tomoe e Akira estavam um pouco aflitos porque tinham um vôo marcado para as 15:00. Lua de Mel...

Mas Kenshin não poderia começar a passar a empresa para seus amigos sem a presença de Hiko.

Obviamente o ruivo expôs seus planos para o tio na noite anterior, afinal Hiko era parte fundamental da sua vida.

Tanto no lado financeiro, quanto no lado afetivo. Kenshin fez um pedido especial para Hiko na noite anterior, mas enviou uma mensagem a pouco cancelando esse pedido, não havia pressa agora após a negativa de Kaoru em se casar naquele dia.

Seu provavelmente tinha ficado uma fera, afinal, veio da Alemanha para isso...

...Será que ele não recebeu minha mensagem?...

"Onde está Hiko?"

^^x

No apartamento, o coração de Kaoru se quebrou em mil pedaços quanto tirou a camiseta velha e surrada do corpo de Yahiko. O menino estava tão magro que se podiam sentir e visualizar os ossos.

O dorso, o peito e os braços cheios de marcas roxas e amarelados.

...Yahiko tomou uma surra. Deve ter lutado com todas as forças, provavelmente se defendendo dos vagabundos no dojo...

"Oh Yahiko...eu sinto muito!"

Antes de sair para o cartório, Kenshin rapidamente ajudou Kaoru a dar banho e colocar o menino na cama.

O casal precisou esfregar literalmente as sujeiras dele. Pelas crostas na pele, o menino provavelmente não tomava um banho de verdade a mais de um mês.

Yahiko resmungou alguns xingamentos, mas continuou derrotado, permitindo que os adultos o banhassem e vestissem.

"Preciso ir agora...Você vai ficar bem?" Infelizmente Kenshin não teve tempo de ajudar com mais nada, pois já estava atrasado para a reunião.

"Sim! Obrigada Kenshin!"

O ruivo ainda deu mais uma última olhada para Kaoru antes de sair do apartamento, como um cachorrinho abandonado. O que fez com que Kaoru se sentisse compelida a ir junto e assinar os papéis de casamento.

...Mas com Yahiko aqui, agora eu não posso mesmo...

O garoto estava mal, embriagado.

"Yahiko...Você vai ficar bem...Vamos cuidar de você agora...Eu prometo!" Kaoru começou a questionar a quantidade de bebida que essa criança tinha ingerido.

Não era incomum escutar casos de jovens que entravam em coma alcóolico por causa dos excessos. Era muito perigoso para os rins e o fígado, ainda mais se tratando de alguém tão jovem.

Kaoru o vestiu com um pijama que não servia mais para Kenshin. Ficou grande em Yahiko, mas dava pra aguentar um pouco.

Amanhã eles sairiam para comprar roupas novas para o menino.

Espaço não era problema para o apartamento de Kenshin, que tinha seis quartos, apesar de cinco estarem sendo usados. Um para sala de treinamentos de kendo. Um para estúdio e escritório de Kaoru. Um para as antiguidades dos pais de Kenshin. Um que sempre foi do ruivo. E um de Kaoru.

Restava apenas o menor quarto do apartamento, que ficava meio escondido bem no fim do corredor.

Kenshin nunca gastou muita grana com esse quarto. Era bem simples se comparado com o resto do apartamento, porque dificilmente o ruivo recebia visitas ali, mas para quem estava vivendo no meio do lixo de um dojo abandonado, o quarto era luxuoso e confortável.

Kaoru cobriu Yahiko com um edredom fofinho e se sentou ao lado dele na cama.

"Yahiko... Descanse agora..." Estava calor lá fora, mas o apartamento tinha um sistema de ar condicionado que deixava tudo bem geladinho e fresco.

O menino que estava com o sistema imunológico baixo, tinha uma ligeira febre.

Kaoru segurou a mão de Yahiko e cochichou... "Não houve uma noite sequer que eu não tenha sonhado em ter dojo de volta. Eu não podia. Não tinha condições financeiras para isso. Tive que pagar as cirurgias do papai ...mesmo depois da sua morte..."

Ela fez uma pausa.

"Não voltei mais para Shitamachi porque doía demais me sentir impotente e inútil...Perder o dojo que estava na minha família a tantas gerações me machucou demais Yahiko. O dojo significava tanto para mim..."

A jovem apertou um pouco mais a mão de Yahiko.

"Me perdoe pelo que Enishi fez...Enishi foi o maior erro que eu cometi na vida... E ele nunca disse nada sobre você e Tsubame... Ou sobre seus telefonemas...Se eu soubesse sobre a sua mãe Yahiko... Juro do fundo do coração...Teria ajudado..."

"Sumimasen Yahiko-chan, onegai..." Kaoru estava com os olhos cheios de lágrimas.

"Busu..." Sem soltar a mão de Kaoru ,Yahiko murmurou o apelido, e se aconchegou ainda mais nos edredons.

Kaoru soltou a mão do menino, mas percebeu que ele ainda apertava a sua.

"Eu senti sua falta..." A fala de Yahiko saiu quase incoerente devido a sonolência, mas foi o bastante para Kaoru entender.

"Eu também!" Emocionada, a ex shihandai riu para a criança adormecida. "Nós vamos cuidar de você agora Yahiko. Eu nunca mais vou te abandonar, é uma promessa... Mesmo porque vamos precisar da sua ajuda. Kenshin vai reconstruir o dojo de volta... E eu preciso do meu melhor aluno por perto, hã?"

Kaoru se inclinou e beijou a bochecha de Yahiko.

"Kaoru..." Yahiko sorriu. Ele estava dormindo, mas sorrindo para Kaoru.

Kaoru passou seus finos dedos no rosto de seu ex aluno, e saiu do quarto. Deixando uma fresta da porta aberta.

"É um bom menino afinal de contas..."

Do corredor, ela escutou um ronco alto e sabia que agora o menino estava dormindo profundamente.

^^x

Kaoru tinha se molhado durante o banho de Yahiko, e trocou de roupa novamente. Ela passou pelo seu quarto e vestiu uma camiseta branca e larga escrita "Kiss me because, I love you!", calça jeans e tênis.

Amarrou o cabelo em um rabo de cavalo bem alto da cabeça e foi para a cozinha.

Kaoru precisava preparar algum lanche para Yahiko. Ela abriu a geladeira, havia ovos, leite, frutas, legumes, carne, frango... "O que eu faço pra esse garoto comer?"

"Suco de laranja, ok..." Ela colocou a caixa de suco sobre a mesa, e voltou a enfiar a cabeça dentro da geladeira.

Kaoru sabia que a cozinha era seu território proibido.

Tudo que ela tentava cozinhar virava uma pasta intragável de cor estranha. Às vezes explodia no teto, às vezes na parede.

Kaoru tentou fazer manju e anko, um docinho de feijão, e virou uma coisa estranha grudenta no fundo na panela, parecia lama e tinha gosto igual. O anko parecia que tinha vida própria, e ficava soltando umas bolhas...

Resultado, Kenshin jogou a panela no lixo.

...Pra garantir a sobrevivência dessa criança melhor ficar longe do fogão...

"OK, freezer e microondas me salvará!"

Kaoru abriu o freezer e enfiou a cabeça lá dentro, literalmente, para ver o que tinha congelado.

...Hmmm tem Lazanha, Yakissoba e Pizza. ...Oh Kami sama, preciso urgente aprender a cozinhar! Como eu vou fazer com as papinhas do bebê?...

Na ponta dos pés, porque era baixinha, Kaoru continuou a vasculhar o freezer e nem percebeu quem se aproximava.

Um voz grossa e firme vibrou de repente na cozinha do apartamento de Kenshin.

"É bom que tenha saque nessa casa! Meu sobrinho idiota me fez correr igual um imbecil. Que tenha ao menos me separado uma boa garrafa de saquê!"

"KYAHHHHHH!" A morena gritou.

O coração de Kaoru quase saiu pela boca.

Kaoru fechou a porta do freezer com sua cabeça lá dentro, tamanho o susto que levou.

A jovem se virou ainda um pouco tonta pela pancada, e surpreendeu com o homem enorme que estava no meio da cozinha. A jaqueta dele, sobretudo, sei lá, parecia mais uma capa branca. Complexo de super herói compatível com o tamanho do ego desse homem.

"Seijuro Hiko-san!" O tio de Kenshin tinha chegado tão sorrateiramente que Kaoru nem ouviu.

Kaoru piscou varias vezes. "De onde o senhor surgiu?"

"Dali!" Hiko apontou para a porta que ficava na cozinha e dava acesso a entrada de serviço.

Hiko levantou uma sobrancelha. "Kenshin disse que a namorada é péssima cozinheira. Espero que não esteja preparando meu jantar de boas vindas! Não quero chegar ao Japão e sofrer uma congestão logo de cara..."

"Oh que?... Kenshin disse?" Uma veia começou a saltar na testa da jovem.

Kaoru olhou meio desconfiada para a porta da cozinha do apartamento, que dava acesso ao elevador de serviço. O apartamento de Kenshin tinha um mega sistema de segurança por causa das obras de arte. Então como o tio dele tinha acesso assim tão fácil? "Como o senhor entrou exatamente?"

Por acaso é algum tipo de ninja?

"Eu sou dono do apartamento debaixo. Tenho acesso ao apartamento do meu sobrinho. Encurtando a historia, onde está o idiota?" Arrogantemente Hiko explicou, não querendo explicar mais do que já tinha explicado.

"Idiota?" Era estranho para Kaoru escutar alguém tratando Kenshin dessa forma.

Kaoru balançou a cabeça. "Kenshin foi para o cartório. Em Shiba, é bem pertinho daqui! Alias Kenshin disse está lhe esperando no cartório senhor Hiko! O senhor não ia direto do aeroporto pra lá?"

"É claro que está. Deixe que o idiota espere mais um pouco. Afinal ele me perturbou para que eu voltasse para o Japão por causa do casamento surpresa... Fiquei mais de oito horas sentado em um avião para chegar aqui..." Hiko levantou uma sobrancelha analisando a moça na sua frente.

O empresário milionário a reconheceu finalmente e apontou para ela. "Hei, mas você é a moça do vídeo afinal."

O sobrinho falava e falava dessa namorada, mas Hiko nunca parou pra pensar que era a mesma Kaoru da reunião constrangedora.

Ele era um homem ocupado, não tinha tempo para essas besteiras amorosas do sobrinho. Embora voasse da Alemanha ao Japão só para satisfazer a vontade de Kenshin.

"Oh!" Kaoru não poderia ficar mais constrangida.

Sua face toda estava vermelha. Claro, Hiko Soujiro estava na sala de reuniões no dia fatídico do maldito vídeo intimo. "Sim..."

"Se eu ganhasse um prêmio para cada vez que estou certo...Oh, espere eu já ganho prêmios..." Ele sorriu arrogante.

Hiko começou a rir.

"Eu tive certeza seis meses atrás que meu sobrinho idiota estava apaixonado pela nova funcionária. No primeiro dia que te viu, Kenshin me ligou para te elogiar como se tivesse achado petróleo. Nos olhos dele você era uma fusão de Gisele Bündchen com Einstein com Van Gogh ou coisa assim... Criatura exagerada!" Arrogante Hiko tirou o enorme casaco branco que vestia e jogou sobre uma das cadeiras.

"Baka!" Depois riu da cara de choque de Kaoru.

"Que fusão mais estranha..." Kaoru não sabia dizer se deveria ficar ofendida ou agradecida.

"Se Kenshin já está no cartório..." Hiko tirou uma pequena caixinha de dentro do casaco e colocou bem no centro da mesa. "Por que você está aqui, e vestida com essa roupa?"

"Ah!" Kaoru não sabia bem o que dizer. ...Devo falar para o tio que não haverá casamento hoje?...

Ela não tinha ideia do que Kenshin e Hiko combinaram. Nem na noite anterior, na manhã de hoje.

Hiko Seijuro sentou-se na cadeira finalmente. E com um gesto convidou Kaoru para fazer o mesmo, a moça não se mexeu.

O homem olhou intensamente para Kaoru, que ainda segurava um pacote de pizza congelada nas mãos.

"Ontem à noite, meu sobrinho idiota me ligou tão desesperado, tentando me convencer que estava fazendo a coisa certa! Ele me pediu pelo amor de Kami sama e qualquer Deus que tivesses escutando para que eu trouxesse isso aqui..."

Hiko empurrou a pequena caixinha na direção de Kaoru.

O tio de Kenshin continuou. "Atrasei-me justamente porque passei no cofre para pega-la!"

"Cofre?" Kaoru colocou a pizza congelada na pia, e caminhou na direção de Hiko, sentando-se finalmente frente a frente a ele.

A jovem olhou diretamente para a caixinha de veludo azul.

"Vocês mudaram de ideia?" Hiko perguntou. Ele queria saber a versão de Kaoru, não de Kenshin.

Hiko era enorme e intimidador. Mas não de um jeito cruel. Hiko era muito bonito e cobiçado, e tinha autoconfiança e autoestima intimidadoras.

O físico dele impressionava. E segundo Kenshin lhe contou, e era um mestre no kenjutsu. Um excelente espadachim. Kaoru gostaria de vê-lo treinar qualquer dia desses.

"Não, é que..."

Hiko percebeu a incerteza no olhar da moça e resolveu parar de brincar com Kaoru.

Ele abriu a caixa e expôs o que estava lá dentro.

"Essa é a aliança da minha irmã Kiyomi, a mãe de Kenshin. Essa aliança estava no meu cofre pessoal no banco, junto com outras joias da família! O valor nem é tanto monetário, mas sim sentimental... Meu sobrinho baka vai se casar com a mulher da sua vida, e que está esperando um filho dele... E ele quer colocar a aliança de Kiyomi na mão esquerda dessa mulher!"

"Oh!" Kaoru mãos na frente da boca. Kenshin não falou nada sobre isso.

Ele fez o tio vir da Alemanha para pegar a aliança de sua mãe do cofre? "Oh Kenshin! Eu não sabia..."

Era a joia mais linda que Kaoru já viu em toda sua vida. Uma aliança de ouro branco e dourado com um enorme diamante em forma de estrela encrustado bem no centro.

Hiko se debruçou na mesa. "A verdade é que eu sei que Kenshin está no cartório. Ele me mandou uma mensagem cancelando o casamento... Eu vim direto pra cá pra saber o que raio vocês dois estão fazendo? Mudam de ideia como quem muda de cueca. Por que?"

Envergonhada, Kaoru olhou diretamente para Hiko, depois abaixou a cabeça

"Eu... ainda não estou pronta, porque meu ex namo..."

"Você o ama? Kenshin eu digo. Você ama Kenshin Himura?" Hiko foi bem direto.

Ela não hesitou.

"Sim!" Kaoru estava estremecida pela visita surpresa de Hiko, mas não havia dúvida nenhuma sobre isso.

"Então o que está fazendo aqui?" Hiko levantou só o cantinho do lábio. "Meu sobrinho nunca amou ninguém como te ama Kamiya. Ele moveu terra e céu para conseguir um casamento tão rápido com você... Ele me fez vir da Alemanha para isso..."

Kaoru colocou as duas mãos na bochecha.

Ela estava tão vermelha.

Hiko confessou finalmente. "Eu vim até aqui pra te perguntar Kaoru Kamiya... Você realmente ama meu sobrinho?"

"Senhor Hiko..." Kaoru amava Kenshin. "Eu amo Kenshin com todo meu coração..."

Hiko segurou a mãe de Kaoru "Eu espero que as suas intenções sejam puras Kamiya, pois não gostaria de ver meu sobrinho sofrendo... Não brinque com os sentimentos dele... Você provavelmente sabe das coisas que aconteceram com Kenshin... Eu não vou aceitar que..."

Kaoru engoliu seco, não era bem uma ameaça, mas uma demonstração do quanto Hiko se importava. "Nunca, eu nunca o machucaria..."

Ela se lembrou do olhar de Kenshin de manhã, quando não correspondeu a noticia do "casamento" da forma que ele esperava.

O olhar de Kenshin antes de sair do apartamento, como um cachorrinho abandonado.

O pedido de casamento no quintal do dojo foi tudo que Kaoru sempre sonhou, mas ela poderia ter cedido aos esforços dele. Não poderia?

...Oh Kenshin. Ele programou tudo com tanto carinho...

"Depois de tudo que Kenshin fez por mim, ele merecia que eu..." ...que eu passasse por cima dos meus traumas e demonstrasse meu amor...

O enorme tio de Kenshin observou as emoções de Kaoru passando como nuvens pela sua face dela.

O experiente espadachim sentia o ki dela, limpo. Cheio de boas intenções.

"Tsc...Menina, eu sinto que suas intenções são puras. Dá pra ver seu coração de longe...Tão transparente que seus sentimentos são visíveis aos meus olhos...Você é exatamente como Kenshin... Ambos são duas partes de uma mesma peça..."

Kaoru Kamiya estava tão emocionada.

Ela estava quase se levantando e correndo para o cartório.

"Se você sente o mesmo por Kenshin, então não fraqueje Kamiya. A vida passa rápido demais para ter medo do incerto, do que vai acontecer, ou do que aconteceu. Nunca mais permita que alguém te controle e te magoe... Como aquele homem do vídeo fez!" Hiko Seijuro era um mistério, ele sabia de tudo, e ao mesmo tempo...

Era como se Hiko tivesse observando tudo do alto.

"Dificilmente você vai me escutar dizendo isso de novo Kaoru, mas...Sua felicidade é a felicidade do meu sobrinho, e a felicidade de Kenshin é valiosa demais para mim!"

Hiko sorriu muito convencido. Porque ele sabia que suas palavras tinham surgindo efeito.

Claro, ele era capaz de resolver qualquer coisa.

Ele quase podia escutar o coração da moça batendo feito um bumbo do outro lado da mesa.

"Hei moça! Confesso que não vejo a hora de ver meu neto puxando os cabelos do Kenshin. Enlouquecendo aquele tonto. Essa cena valerá mais do que qualquer fortuna que eu possa ter acumulado durante todos esses meus maravilhosos anos de vida!"

Hiko se debruçou sobre a mesa mais uma vez, e olhou profundamente para os olhos de Kaoru. "Pegue essa aliança e vá se casar com meu sobrinho Kaoru Kamiya..."

"Si...sim!" Kaoru respondeu, seus olhos brilhando diferente do que de manhã cedo.

"Hiko-san...a...arigato..."

Mesmo com as pernas amolecidas, Kaoru se levantou. Cheia de energia e confiança.

...Me espere Kenshin, eu estou indo...

Yahiko apareceu, na porta da cozinha. Descabelado, com o pijama enorme de Kenshin e descalço. Mas com certo ar de felicidade ao seu redor. "Você deixou de ir ao seu casamento para cuidar de mim Busu?"

O garoto não esteve totalmente alheio as confissões de Kaoru minutos atrás no quarto. Por mais que fingisse estar dormindo, Yahiko escutou tudo. Não tinha a rebeldia, revolta ou coração de pedra que durasse com o carinho e a proteção que Kaoru estava demonstrando ter.

Hiko se virou e olhou para o garoto. "Quem é esse moleque?"

Yahiko era a própria tradução da palavra ressaca.

"Yahiko Miyojin, Seijuro Hiko e vice versa...É uma longa historia, mas eu não tenho tempo para contar agora..." Kaoru se dirigiu para a porta.

Ela voltou e apontou um dedo para Yahiko.

"Yahiko, não saia desse apartamento por favor...Senhor Hiko...eu não sei o que o senhor vai fazer, mas se ficar aqui...não ofereça saque para essa criança, pelo amor de Deus!...Eu tenho que ir!" Kaoru precisava de dinheiro para o taxi e...

Ela foi até o pote de trocados de Kenshin, e enfiou algumas notas de dinheiro no bolso da calça jeans.

Kaoru olhou para si mesma e percebeu que estava vestida de calça jeans, camiseta e tênis! "Oh droga, não dá tempo de trocar de roupa! E pensar que Kenshin me comprou o mais lindo dos kimonos..."

Hiko se levantou, ele colocou a mão no queixo. "Que kimono ? Quem se importa com kimono? Quem ama de verdade casa até de toalha. Ninguém vai se importar com isso no final. A roupa é de menos, ela vai ser arrancada de qualquer jeito..."

"Francamente...O senhor não é muito romântico Hiko-san!" Kaoru ficou vermelha.

"Tome garota, pegue isso!" Hiko colocou na palma da mão de Kaoru a chave do carro dele.

A Ferrari 458 vermelha de Hiko Seijuroque estava estacionada na garagem do prédio.

"Espero que tenha carteira de habilitação Kamiya. Se bater meu Baka Deshi é quem vai ter que pagar uma Ferrari nova!" O homem falou como se fosse nada.

"O QUE? FERRARI?" Kaoru estava com os olhos esbugalhados.

"Senhor Hiko, o senhor não quer vir? Tanto trabalho da Alemanha até o Japão, e no final Hiko não testemunharia o casamento do sobrinho! Yahiko pode ficar sozinho por um tempo, não pode?"

Hiko cruzou os braços e riu. "Não tenho paciência para esse tipo de evento. E vai ser só a assinatura dos papeis não vai? Quando tiver uma festa com sake e um belo buffet me chame. Por enquanto tire uma fotos, e depois me mande pelo facebook!"

Kaoru abriu um enorme sorriso. ... Que figura...

"Agora vai Sobrinha idiota!" Hiko estava começando a achar que a noiva era tão lesada quanto Kenshin.

"Isso ai! Se manda logo Busu! Sua cara feia tá me dando dor de estômago!" Yahiko fez uma careta.

O garoto acordou no meio da conversa entre e Hiko e Kaoru, escutou tudo escondido e entendeu que Kaoru estava precisando de um empurrãozinho.

Sua shihandai, explosiva, exatamente como, dois anos atrás.

"PIVETE!" Kaoru quase voltou para socar Yahiko, mas não tinha mais tempo a perder.

Ela só podia pedir para aos Deuses para que Kenshin ainda estivesse na reunião no cartório.

A jovem escutou o que Hiko declarou para Yahiko e rolou os olhos.

"Hei, gosto do jeito que você pensa garoto..."

E foi a última coisa que Kaoru escutou antes de sair do apartamento e se pular para dentro do elevador. Caixa com a aliança em uma mão, chave da Ferrari de Hiko na outra. E o coração bombeando cheio de emoções.

Hiko observou o elevador descendo e começou a gargalhar.

Yahiko estava olhando para tudo. Cada canto do apartamento de Kenshin, sem saber dizer exatamente o que era mais maneiro. "Nunca vi um lugar tão legal na minha vida! Aposto que ele tem uns vídeo games super modernos na sala de vídeo..."

Mas a exploração de Yahiko terminou cedo. O menino colocou a mão na própria barriga. "Acho que eu nunca mais vou beber na vida...Minha barriga tá meio estranha"

"Hei garoto, se você quiser atacar a cozinha vai em frente... Eu preciso descer para a garagem porque aposto 100 pratas que Kamiya nem vai ser capaz de dar partida na Ferrari!" O sorriso que o milionário tinha no rosto era terrível e convencido.

Hiko era um homem terrível. De bom coração, mas terrível.

Ele fez de proposito, claro.

Até parece que o milionário ia dar a chave da sua Ferrari de 1 milhão para uma moça que mal tinha tirado habilitação. Ele sabia que Kaoru nem ia conseguir dar partida no motor. Talvez ela nem soubesse qual o botão apertar para abrir o carro.

"Ohhhh, você tá brincando?" Yahiko começou a rir.

Hiko começou a rir também. "Claro que não!

De pijama mesmo Yahiko, pulou pra fora do apartamento de Kenshin para dentro do elevador, junto com Hiko Seijuro.

Kaoru o mataria, mas o menino precisava muito testemunhar essa cena, e rir de Kaoru, shihandai tentando decifrar uma Ferrari, era cômico demais pra deixar passar em branco.

Pelo visto Hiko e Yahiko se dariam bem, isso dava até medo.

^^x

Continua...

O próximo capitulo vai ter uma cena caliente entre ninjas *cof cof*. Alguém interessado?

Mega feliz com os comentários, mensagens e as "favoritadas", muito obrigada mesmo *o*

Artemys Ichihara, a Kaoru se lascou com o Enishi. Eu imagino que um trauma desses faz a pessoa travar de vez em quando. Mas Kenshin é tão perfeito e amoroso que chega a dar vontade de bater O.o muhaahaha

Kaoru Himuramiya, meninaa, você é da época de "Racing" e de "Eu não quero te esquecer", não é? Imagina minha alegria ao saber que você ainda curte Ruroken.

Lica, tenha calma, não me jogue kunais, ok? Eu sei o que você quer, mas você já sabe o que acontece, então espera só mais um tiquinho muhahahaaha... Calminha...Heero, me ajuda!

E DONA SPOOKY foge não, quero meu fanfic Ruroken ¬¬*

Ok, chega, até o próximo

Beijosss!