Disclaimer: Rurouni Kenshin não me pertence! Sério!

Bah, eu sei que vocês estão enjoadas de mim ~o~, mas eu precisava escrever sobre Kenshin como marido e pai, e um pouco de Kaoru e Kenshin como casal adulto, me desculpem, é kawaii demais.

Koi vai acabar em breve, ai vou dar um pouco de sossego para esse site ...

"Koi no Yokan"

parte 19

Por Chibis

Dez meses se passaram desde o casamento, a primavera estava no seu ápice novamente, com suas flores de ameixeiras brancas e cerejas desabrochando. Seus perfumes e cores que traziam vida nova ao bairro. Os passarinhos, e os outros animais com seus filhotes agradeciam pela abundância das frutinhas e flores.

Kaoru e Kenshin deixaram o cinema lado a lado, e de mãos dadas naquele belo final de tarde de domingo.

A jovem mulher bebia seu enorme copo de suco uva, Kaoru leu na internet que a uva estimulava a produção de leite, e essa era sua nova onda, beber suco de uva o tempo todo, para a alegria do bebê Kenji.

Feliz da vida, Kenshin se deliciava com um simples sorvete Melona de morango.

O passeio naquele domingo preguiçoso podia ser considerado um encontro sim. Mas nada de frescuras, ninguém tinha tempo pra isso. Ambos estavam vestidos confortavelmente com camiseta larga de banda de rock, calça jeans, e tênis. Como dois adolescentes.

O ruivo estava extremamente feliz só de ter sua Kaoru ao seu lado.

...Só pra mim ...Por um pouquinho...

"Koishii!" Kenshin suspirou, eternamente enamorado por Kaoru. Ele se sentiu um pouco culpado por sentir uma pontada de ciúmes do próprio filho, mas dizem que todo pai passa por essa fase, a perda da exclusividade. E ele não podia mentir para si mesmo e deixar de admitir que ter a atenção de Kaoru lhe fazia bem.

"Anata..." E Kaoru suspirava por ele da mesma forma. Ela sabia que andava meio chata e negligenciando o marido, e Kenshin não merecia, nem por um segundo.

Ele era o melhor pai e marido do mundo.

Esse passeio veio tão a calhar, Kaoru andava tão tensa e preocupada nos últimos tempos, mas os meses de fevereiro e março foram os mais estressantes. O final da gestação não foi um mar de rosas. Ela teve muito inchaço e oscilações na pressão arterial, o que fez com que doutor Gensai temesse uma eclampsia e antecipasse o parto duas semanas antes com uma operação cesariana.

A cirurgia correu bem, mas toda a expectativa da chegada de Kenji antes do tempo previsto, os problemas de saúde que o bebezinho passou na primeira semana de vida e os horários trocados, transformaram Kaoru em uma bomba relógio ambulante, que alternava entre choro, nervoso e alegria.

Infelizmente o estresse de Kaoru caía nos ombros de Kenshin, tanto que ele até desistiu da mudança de endereço por enquanto. A casa de Shitamachi demoraria um pouco mais pra ficar pronta, mas seu apartamento provia tudo que era necessário para o casal e as crianças. O ruivo tentava ser o mais compreensivo possível, e no fundo também estava como Kaoru, num estado de espírito entre gloria, dúvida, excitação e preocupação.

Desde o nascimento de Kenji, o casal estava se desentendendo mais do que Kenshin gostaria, e o ruivo propôs uma trégua.

Uma tarde só para os dois.

Bem, foi um passeio bem rápido. Só duas horas de cinema no shopping pertinho do apartamento, mas ainda assim podia ser considerado um encontro e serviu para desanuviar um pouco a cabeça.

A primeira saída do casal depois do parto.

Kenshin mal podia acreditar, Kaoru realmente ficou uma hora e meia sem olhar para o aparelho celular, e no escurinho do cinema os dois namoraram um pouco. E trocaram beijos deliciosos entre uma cena mais parada e outra.

Para a surpresa de Kenshin, Kaoru realmente prestou atenção no filme. Mas a surpresa absoluta, foi que Kaoru não mandou mensagens para Yahiko, Sanosuke ou Megumi ,que estavam de babás do pequeno Kenji, perguntando se estava tudo bem em casa.

...Claro que está, senão Sanosuke teria me ligado, não é?... O próprio Kenshin tentava disfarçar sua tensão.

Deixar um bebezinho tão pequeno em casa pela primeira vez não é fácil.

Nem para a mãe, nem para o pai.

Kenshin não comentou quando percebeu o peito de Kaoru enchendo de leite. E ela não reclamou, apesar do já sabia que a produção de leite estava chegando ao seu pico conforme a noite se aproximava.

E essa era a nova rotina noturna na casa dos Himuras. Alimentação e trocas de fraldas do Kenji. Algumas vezes a amamentação era um pouco dolorosa para Kaoru, mas ela fazia sem pestanejar.

Kenji provavelmente começaria o maior berreiro na próxima meia hora, a contagem regressiva estava começando.

...Vamos acelerar o passo...

"Baka!" Kaoru riu com jeito do marido.

Kenshin estava lutando bravamente.

"Oro?"

É claro que Kenshin estava mega ansioso. O ruivo não queria transparecer, mas estava a ponto de mandar uma mensagem para Megumi perguntado se estava tudo bem mesmo.

A vida com um recém-nascido passava longe daquilo que era retratado nas propagandas de televisão. Em que as mães são sempre meigas, calmas e elegantes, e os bebês são uns fofos, simpáticos, comem bem e dormem melhor ainda.

Parece o paraíso, mas não é assim...

O jovem casal estava enlouquecendo com as noites e dias trocados.

Existia muito amor, meiguice e doçura, obviamente, mas muita ansiedade e insegurança também, que ficava ainda mais evidente com as madrugadas sem dormir.

É compreensível quando o recém-nascido tem que passar a primeira semana de vida na UTI neonatal por causa da icterícia. E Kenji ainda perdeu o peso que ganhou dentro de Kaoru em um piscar de olhos no mundo aqui fora. Foi um pouco assustador para Kenshin e Kaoru, principalmente para Kaoru, que não tinha uma figura materna por perto para lhe guiar.

Passado um mês depois do parto, Kenshin e Kaoru tentavam voltar a algum tipo de normalidade. Kenji já estava bem novamente e recuperando o peso perdido.

"Kenshin?" Kaoru desacelerou um pouco o passo.

O combinado não era usar essas duas horas longe de casa para namorar, rir e brincar um pouco? Caminhando como dois adolescentes, lado a lado, de mãos dadas?

Então...

"Humm?" O ruivo piscou algumas vezes para ela.

Kaoru sorriu. "Calma...Daijoubu!"

"Ok!" Kenshin confiou na segurança dela."Ok"

"Hei! Lembra aquela cena? Até parece que o Jack ia pular do carro em movimento, antes de capotar, e cair justo nos braços da mocinha!" Kaoru riu, relembrando o trecho, absolutamente surreal, do filme de ação.

Ela brincou imitando a cena, se jogando nos braços do marido.

"ORO!" Kenshin quase derrubou o sorvete, mas abraçou a esposa mesmo assim.

Kaoru passou os braços em volta do pescoço dele, e disse com uma voz bem engraçada. "O infeliz teria matado a moça esmagada isso sim!"

Kenshin entrou na brincadeira dela, abraçou a esposa, com sorvete e tudo. "Fique a vontade, sempre que você quiser se jogar nos meus braços e me esmagar. Eu aguento seu pes..." Foi uma brincadeira. E ele disse isso em um tom ligeiramente malicioso, mas percebeu que estava prestes a tocar em um tópico quente demais para uma mulher que teve um filho há apenas um mês, e parou imediatamente.

"Kenshin!" Kaoru se afastou dele.

A morena olhou Kenshin com olhos estreitos.

"Ororororo!" O ruivo coçou a nuca.

Kaoru ainda estava um pouco roliça e inchada, e com os peitos lotados de leite, quase três vezes maiores do que o tamanho habitual.

Para desespero dela...

Para delírio dele...

"Você está uma delicia. Eu já disse e posso repetir o dia inteiro até você acreditar!" Kenshin falou no ouvido dela, beijando a orelha e deixando que sua língua tocasse ligeiramente o lóbulo da orelha de Kaoru. "Minha delicia!"

Kaoru se encolheu, arrepiada com a provocação.

"Público! Estamos em público..." Kaoru o lembrou de que ainda estavam no estacionamento, em um local bem aberto. "Mou! Você é terrível Ruivinhol!"

"Sou?" Kenshin abriu o maior sorriso e mandou uma piscadela pra ela. "Vamos logo pro carro! Tem insulfilm, ninguém vai ver..."

"Himura Kenshin..." Kaoru estava vermelha.

"Culpa sua. Você que é uma gostosa! Eu não vejo a hora..." Kenshin piscou pra ela e encolheu os ombros de forma ligeira, como se constatasse um fato óbvio.

Pra ele era óbvio, a esposa era mulher mais desejável do mundo. "Melhor do que ganhar na loteria..."

"Para!" Kaoru arregalou os olhos, depois gargalhou. "Mou Kenshin... devagar!"

"Tudo bem... Este servo para por aqui! Ele só está elogiando a bela esposa." Kenshin fez cara de mágoa.

O bico dele não enganava ninguém.

"Chantagem emocional agora?" Kaoru riu.

"Oro!"

Kaoru se aproximou e sussurrou no ouvido do marido ... "Hm... Essa noite, quando o Kenji pegar no sono depois da mamada..."

Ela fez uma pausa, vermelha como um pimentão com a declaração do que pretendia fazer por Kenshin mais tarde. "...verei o que posso fazer pelo meu marido. Pobrezinho, tão abandonado!"

"Ehh?" Kenshin se animou. Os olhos ametistas brilharam, com um leve brilho dourado, apesar de saber que Kaoru ainda não podia...

"Sim, sim..." A morena piscou para Kenshin sugestivamente. "Meu sorvete favorito é do sabor Kenshin Himura..."

"ORO! Karou dono..."

Quando a ficha caiu, Kenshin estremeceu e sentiu uma fisgada naquele lugar bem conhecido da sua anatomia, e que há um mês solicitava atenção da esposa. Ele era apenas um homem apaixonado pela esposa, e não podia mentir pra si mesmo, estava louco de desejo. Por que não?

"Tirem as crianças da sala..." Kenshin gargalhou.

"Seu tonto!" Kaoru riu também.

Kenshin queria agarrar Kaoru ali mesmo, mas se conteve, obviamente. O ruivo apenas apertou um pouco mais a mão dela.

"Ororororo..."

Ele estava enlouquecendo com as provocações de Kaoru, e ela fazia de propósito...

Mas Kenshin não tinha muito que reclamar. A vida sexual deles durante a gravidez foi tudo, menos escassa. Depois que o doutor Gensai garantiu que sexo era saudável, e até ajudaria a preparar o corpo de Kaoru para o trabalho de parto, o casal aproveitou e muito. Eles inventaram posições loucas para não pressionar a barrigona.

Tempestade hormonal ou não, mas a libido de Kaoru esteve explosiva durante a gestação.

Kenshin Himura não se fez de rogado, e introduziu Kaoru ao maravilhoso mundo dos orgasmos múltiplos.

Kaoru não tinha palavras para agradecer por isso, ou melhor, tinha. E agradecia... Todas às vezes... Ela satisfez muitas das fantasias de Kenshin, algumas polêmicas.

Um dos dias mais divertidos da vida de Kaoru Kamiya Himura,foi quando ela e Kenshin se aventuraram em um sex shop, muito chique por sinal, no centro de Tóquio, para comprar certos "materiais" eróticos. Ela viu coisas que seus olhos azuis jamais esquecerão, Kenshin, absolutamente vermelho pior que a cor do próprio cabelo, tentou vendar os olhos da esposa para não ver o pênis artificial tamanho africano extra gigante. Kaoru gargalhou tão alto, perseguindo Kenshin pela loja com um consolo de borracha gigante, que pensou que ambos seriam expulsos do sex shop. Realmente, o casal foi expulso, aparentemente eles estavam constrangendo os outros clientes com suas gargalhadas.

Kaoru e Kenshin prometeram comprar as coisas pela internet dali por diante, se alguma coisa realmente interessasse. E tinha um óleo que Megumi indicou, e Kaoru não via a hora de poder usar...

A morena nunca escutou um "oro" tão sexy saindo da boca de Kenshin, quanto na noite em que os dois tentaram coisas novas, e se atrapalharam como dois virgens na cama.

Kaoru riu alto quando disse para Kenshin que estava disposta a novas experiências. Foi como uma criança ganhando um presente de Natal, mas não tinha nada de infantil naquela brincadeira.

Em noite de inverno, os dois pervertidos colocaram fogo na cama, e botaram em prática um joguinho maluco de sedução e dominação.

Coisas do casal, que Kaoru não contaria nem para a melhor amiga, e que no final das contas, para a surpresa dela foram prazerosas, mas que Kaoru fez questão de combinar com Kenshin que voltaria a acontecer só em "ocasiões especiais".

O ruivo não podia ficar mais feliz.

E até uma semana antes do parto, Kenshin e Kaoru pareciam dois coelhos, se pegando pelo apartamento todo.

Obviamente lingeries, óleos eróticos, cordas, algemas e o chicotinho não foram mais usados no final da gravidez, e claro que Yahiko foi devidamente poupado da seção erótica dos dois. Sempre que essas aventuras aconteciam, o garoto estava na escola, nas obras do dojo e da casa nova, ou no meio da madrugada enquanto a cidade dormia tranquilamente.

E para o espanto de Kaoru, Kenshin estava meio vidrado e excitado por suas formas arredondas. Kenshin não conseguia manter as mãos longe da esposa, e a apertava toda hora.

Se todos os maridos fossem assim...

E Karou tinha que admitir, também estava ansiosa, e não via a hora de retomar a atividade sexual e ver com as coisas se sairiam agora que ela era uma mãe. Mas Kaoru precisava esperar mais um pouquinho. Pelo menos até completar os quarenta dias após o parto.

A quarentena interminável e perigosa para Kaoru e Kenshin.

Kaoru ficou de cabelo em pé quando soube que existia uma chance de engravidar novamente tão rápido, mesmo amamentando, caso não tomasse as devidas precauções.

"Tsc, tsc...Kenshin, Kenshin... Quem não te conhece pensa que você é um santo..." Kaoru balançou a cabeça. ...Que casamento mais maluco... Ela jogou seu olhar sexy pra cima de Kenshin, só pra provoca-lo.

"Mas você... Você sempre começa as coisas e me deixa ansioso..." Como Kenshin queria entrar no carro logo e trocar uns beijos, e sentir o calor da pele da esposa.

Kaoru escondeu o riso com a palma da mão. "Mas hein..."

"AQUELE ATOR ERA UM GATO!" Ela mudou de assunto radicalmente, se afastando um pouco de Kenshin para provoca-lo ainda mais. Ela disse em voz bem alta chamando atenção das outras pessoas que estavam no estacionamento do shopping.

"Kaoru!" Kenshin fez cara feia e a cutucou. "Tsc...Como você é cara de pau..."

"Qualquer mocinha arranjaria forças para segura-lo !Se Jack quiser se jogar nos meus braços..." Kaoru levantou os dois braços, como se tivesse se rendendo.

Aos risos, ela quase derrubou o copo gigante de suco que estava bebendo em cima de Kenshin.

"Kaoru Baka!" Kenshin fazia careta, e a imitava com voz feminina o jeito que Kaoru falava e elogiava o ator do filme. Kenshin riu, pois sua voz soou extremamente gay. "Ai, porque Jack é enorme. Ai porque ele é musculoso. Ai porque os olhos dele são lindos..."

"Hei! Eu não falo assim não!" Kaoru beliscou Kenshin. Do jeito que ele a imitava fez parecer que Kaoru tinha quinze anos.

"Sei...Eu mereço essa mulher..." Os olhos do ruivo rolaram. "Me trocando pelo ator de Hollywood!"

"O ator de Hollywood pode até ser um gato, mas ele não está na liga de Kenshin Himura!" Kaoru piscou para o ruivo.

Kenshin fez cara de desentendido. Seu sorvete, esquecido, começou a pingar. "ORO!"

Kaoru arregalou os olhos, e tentou limpar o doce. "Kyahh! Baka! Termina logo esse sorvete, tá pingando na camiseta! Vai melecar todo meu carro. KENSHIN"

Durante a gravidez de Kenji, Kaoru teve muito tempo para desenhar e aperfeiçoar seus traços, trabalhando no escritório montado no apartamento.

Depois ela enviava seus projetos para Ryuu Sen, que estava indo de vento em popa sob a nova direção.

Os desenhos de Kaoru passaram a serem muito requisitados pelos clientes de Sano, Tomoe e Misao, e com o salário aumentando, Kaoru finalmente conseguiu comprar seu carro. Pequeno, popular, mas era seu.

Kenshin quis pagar o carro pra ela, mas Kaoru recusou veementemente. O marido já estava fazendo demais construindo a casa deles em Shitamachi, que estava no estagio de final de acabamento, e o dojo que também estava praticamente restaurado. Orgulhosa, Kaoru queria dividir um pouco as despesas, mesmo com Kenshin sendo milionário do jeito que era.

Kaoru se sentia bem assim...

O sorvete começou a derreter rápido demais agora, e Kenshin deu um pulo para trás, puxando o tecido da camiseta. Ele tentou evitar passando a mão na barriga, mas ficou ainda pior, pois espalhou mais o liquido espesso.

O ruivo ficaria doce pelo resto da noite. "Oh droga!"

"Não é estranho? Só você consegue dominar perfeitamente uma espada, mas não consegue chupar um sorvete sem se lambuzar inteiro..." Kaoru entregou seu lencinho pra ele.

"Arigato!" Ele tentou se limpar.

Depois a moça terminou de beber seu enorme copo de suco com o canudinho, fazendo barulho com a sucção e balançando o gelo, como se tentasse criar um pouco mais do liquido açucarado.

"Espada é?" Kenshin balançou a cabeça, lambendo os dedos adocicados.

"Vai começar de novo?" Kaoru riu.

Como na intimidade, Kenshin conseguia ser tão bobo e atrevido?

O ruivo apontou para o copo de suco dela completamente vazio. "Não adianta mais chupar Kaoru, daí não sai mais nada...Já..."

"KENSHIN HIMURA!" Kaoru deu um soco de leve no bíceps dele antes que ele continuasse.

O ruivo gargalhou. "Estou te enchendo!"

"Baka!"

"Quer outro suco? Eu volto pra comprar!" Kenshin já estava com a chave no carro na mão, mas se a vontade dela era grande, ele voltaria lá pra pegar mais bebida.

Kaoru segurou a manga da camiseta dele para que Kenshin parasse.

"Nah. Chega! Eu vou fazer xixi a noite inteira! Já quero correr para o banheiro de novo, e acabei de sair de lá! Como pode uma pessoa fazer tanto xixi? "

"Que?"

Os dois se olharam, e caíram na gargalhada ao perceber o que Kaoru tinha acabado de falar.

"Que raio tinha nesse suco Kaoru?"

"Nee?"

Kenshin e Kaoru estavam se comportando feito dois adolescentes bobos, apesar dos dez meses de casamento. E as coisas eram tão naturais entre eles, quando estavam sozinhos às vezes nem percebiam o que estavam fazendo ou falando.

Volta e meia às pessoas ao redor olhavam para o casal como se fossem dois loucos.

"Culpa sua. Fica comprando só coisas gostosas pra gente comer, vai acabar me deixando diabética" Kaoru se afastou dramaticamente. Ela foi levar o copo vazio até a lixeira que estava a alguns metros do carro azul dela.

"Por falar nisso, amanhã eu estava pensando em fazer um peixe no forno! Tudo bem?" O ruivo declarou casualmente, pronto para abrir o pequeno carro de Kaoru. Ele não podia esquecer que a dieta da Kaoru tinha que ser especial por causa da produção de leite.

"Acho que sim... Peixinho é saudável para o leite do Kenji. " Kaoru abriu um belo sorriso.

Kaoru jogou o copo na lixeira alguns metros do carro. "Por falar nele, vamos parar de bobeiras. Meu peito já está querendo explodir. Meu pequeno tá ficando com fome! Eu quero muito ver a cara de Sanosuke tentando acalmar o Kenji. Quer apostar dez pratas que o Hiko já subiu para o apartamento pra tentar "salvar" o neto dos incompetentes?"

Kenshin destravou o alarme do carro. Era uma aposta perdida, com certeza.

"Plim plim"

Ele nem chegou a colocar a mão para abrir a porta do carro e percebeu algo estranho acontecendo no canto mais escuro do estacionamento.

O ruivo fixou o olhar, e percebeu um brilho se destacando no escuro.

"Kaoru...vem" Kenshin já ficou em alerta.

Um homem com uma blusa grande de moletom e capuz na cabeça se aproximava do casal com rapidez. Esse homem tinha uma coisa brilhante na mão direita, conforme ele levantou o braço, Kenshin percebeu que era revolver.

Kenshin olhou para Kaoru que estava voltando da lixeira. "Kaoru entra no carro!"

O ruivo ia gritar para que ela se movesse mais rapidamente, mas não deu tempo. O segundo seguinte passou como a cena do filme, em câmera lenta nos olhos violeta de Kenshin.

O misterioso homem de moletom escuro levantou a arma na direção da cabeça de Kenshin e disparou. A bala não atingiu exatamente onde o bandido queria, mas raspou pela têmpora do ruivo, causando dano suficiente para arrancar sangue, e deixar Kenshin completamente atordoado e fora do prumo.

No seu ouvido um ruído surdo e abafado ainda ecoava. Kenshin piscou ao perceber o brilho de outras pequenas balas se movendo na sua direção. Furiosamente atingindo seu abdome.

Ele finalmente sentiu a queimação na têmpora, seguida de uma dor latejante no estômago.

Ajoelhado ao lado do carro, Kenshin colocou uma mão na cabeça e a outra na barriga. Ele sentiu o liquido quente e pegajoso do sangue escorrendo pelo seu rosto, e jorrando entre seus dedos.

Os olhos ametistas piscaram na direção dela. "Kaoru...Kenji..." O ruivo não tinha mais forças para pronunciar outras palavras, seus lábios estavam dormentes.

Uma última bala atravessou o tórax de Kenshin, bem no meio do peito. O ruivo despencou no chão finalmente. Ele não tinha mais forças para falar. E não havia mais nada a fazer, a não ser olhar para ela pela última vez.

Seu grande amor.

"Ka...Kao..."

A última coisa que os olhos cor de violeta enxergaram foi Kaoru. Como ele queria que essa última visão fosse diferente.

Kaoru pálida como gesso. Os olhos azuis arregalados. As mãos na boca tampando o grito de puro horror. Ela se jogando no chão, ajoelhada ao lado dele. Os gritos horríveis que saiam da garganta dela. Toda a dor... Kenshin não queria ir embora escutando a voz de Kaoru assim, apavorada.

"KENSHINNNNNNNNNNNNN"

Foi a última coisa antes da escuridão total.

"Não, não , não, não!" Kaoru abraçou o corpo de Kenshin, inutilmente tentando protege-lo de alguma forma. Sua roupa agora toda manchada de sangue. Ela escorregou na piscina de sangue que se formou embaixo do marido.

Ela gritava e chorava, e se agarrava a ele. Louca para acordar desse pesadelo. Kaoru gritava e gritava o nome de Kenshin desesperadamente. "KENSHINN! Não, nãoo!"

"Tzummm" O som de mais balas atiradas na direção de Kenshin zuniram no ouvido de Kaoru.

Todos os disparos foram feitos com puro ódio na direção de ruivo, que infelizmente já estava morto no chão do estacionamento.

"Não! PARAAAA!"

Kaoru colocou a mão inutilmente sobre os ferimentos tentando estancar o sangue de Kenshin. Querendo de alguma forma ter o poder de devolver a vida que foi roubada. "SOCORRO! SOCORRO! Alguém...Pelo amor de Deus..."

"Hahahahhaa!" O homem agora estava a apenas um passo de Kaoru.

Ela olhava para cima tentando enxergar alguma coisa, pois ele nunca tirou o capuz de cima da cabeça, e escondia o rosto nas sombras, Kaoru não o reconhecia totalmente, mas ela podia adivinhar. "Por que você fez isso? Por que?"

Com rosto e mãos cobertos pelo sangue de Kenshin, Kaoru chacoalhava sem conseguir se controlar. ...Que maldade, que maldade...

O queixo batia tanto que seus dentes colidiam dolorosamente uns com os outros.

"Por que?"

Ele não respondeu, apenas colocou a arma na testa de Kaoru.

A jovem fechou os olhos. Sua mente gritando que seu grande amor jamais voltaria, e agora ela provavelmente o seguiria. ...Kenshin está morto...Kenshin...Meu amor, me espere...

...Kenji...

A imagem do pequeno ruivinho veio na sua mente.

...Kenji...

Kaoru abriu os olhos desesperadamente. Os olhos vermelhos ardiam tanto que ela mal os conseguia deixa-los abertos.

"Eu..."

Ela sentiu o cano quente da arma na sua testa. Por causa dos disparos recentes, o metal estava queimando sua pele.

Ela tinha que suplicar.

Kaoru ainda tinha uma tarefa importante para cumprir nessa vida. "Eu tenho um bebê. Ele só tem um mês... Meu filho precisa de mim... Onegai! Ele é só um bebê..."

A risada histérica dele fez Kaoru chorar mais ainda.

Que tipo de ser humano era aquele que sente prazer em torturar uma mãe suplicante?

Que tipo de ser humano ri de uma mãe suplicante?

"Hahahahahaha! UM BEBEZINHO? Como você é patética. Eu avisei que voltaria e destruiria toda essa sua vidinha ridícula. Não avisei? O fedelho não escapou Kaoru. Já passei no apartamento e matei aquele seu amante, a médica vadia, o trombadinha, e joguei seu fedelho da sacada do último andar... Ele caiu tão rápido..."

O diafragma de Kaoru paralisou. Ela não conseguia mais respirar.

O homem se ajoelhou, para nivelar seu olhar com o de Kaoru. Com o capuz e as sombras ela só podia ver o brilho dos olhos.

"Não... Meu bebê! NÃO! Você não fez isso! Não fez..." Kaoru apertou forte a roupa de Kenshin chacoalhando-o, mas ele morto nos seus braços. "Kenshin, acorda...KENSHIN! ME AJUDA!" Não havia nada que Kenshin pudesse fazer por ela ou por Kenji agora.

O homem pressionou o cano da arma dolorosamente na testa de Kaoru. Com a mão livre ele puxou o capuz, revelando totalmente sua identidade.

"Olha para mim Kaoru, pois MEU ROSTO vai ser a última coisa que você vai ver na vida! Olha pra mim!"

Kaoru fez o contrario, ela fechou os olhos com força.

"NÃO!"

Ela queria lembrar-se dos momentos com Kenshin. Do nascimento do seu bebê. A morte era dela, e Kaoru carregaria somente as lembranças que ela mesma tinha escolhido.

Kenshin e Kenji... Eles eram sua vida.

Ela nunca abriria os olhos.

"NUNCA!" Kaoru gritou a plenos pulmões.

O disparo foi certeiro e rápido, bem no meio da testa.

Kaoru não sentiu nada. Nem mesmo dor quando o disparo rachou seu crânio no meio e a bala atravessou seu cérebro.

Nada.

Só escuridão.

O corpo de Kaoru despencou sem vida em cima de Kenshin. Embora nunca mais fosse abrir os olhos azuis, pelo menos tinha imortalizado essa última memoria, os rostos de seus amores, Kenshin e Kenji.

^^x

Kaoru despertou com um supetão. "DEUS!"

"Oh Kami-Sama..." Ela se sentou na cama rapidamente.

A jovem olhou rapidamente em volta, ela estava sozinha dormindo na cama de casal. Completamente molhada de suor. Os lençóis e travesseiros espalhados pelo quarto, ela provavelmente chutou tudo longe durante o pesadelo.

Trêmula, Kaoru colocou a mão sobre a boca impedindo que seus soluços fossem ouvidos.

"Kenshin?" A morena jogou os cobertores para longe, sem se preocupar com chinelo nem nada, ela correu para o corredor. Já era bem tarde, o apartamento estava todo escuro.

"Kenshin?" Ela foi abrindo todas as portas e ligando todas as luzes. Cozinha, a sala, o escritório, quartos. "Yahiko?" Yahiko não estava no quarto dele no fim do corredor. Kenji não estava no quartinho dele, nem no berço, nem no bebê conforto. "Kenji?!"

O apartamento estava vazio?

Por quê?

No meio da madrugada?

"Oh meu Deus! Kenshin?"

...Acorda Kaoru...

...É um pesadelo...Outro pesadelo...

"CADE TODO MUNDO?"

A mente de Kaoru era um misto de esperança e pessimismo. Esperança que não passava de um pesadelo. Pessimismo que a morte foi real e agora estava em algum tipo de inferno sem as pessoas que amava.

Só existia um ultimo lugar para procurar, o terraço.

O coração batia tão forte dentro do peito a cada degrau de escada que ela subia. Era como se o músculo quisesse sair pela boca.

...KENSHIN!...

Finalmente.

A voz era dele, no terraço. ...Graças a Deus...

Kaoru espiou o terraço. Kenshin, Kenji e Yahiko estavam lá. Kenshin estava deitado em uma das balanças, com Kenji de bruços sobre seu peito, quase adormecendo com o balanço, para lá e para cá.

Yahiko estava sentado em um dos sofás conversando com o ruivo.

A moça voltou a se esconder no cantinho da escada, ela fechou os olhos e encostou a cabeça na parede, escutando um pouco da conversa deles e acalmando sua própria respiração.

"Ah sim, existem muitas lendas a respeito Yahiko, mas nada comprovado porque não existem documentos sobre seu nascimento. Nada que ateste sua existência além do imaginário popular... Alguns historiadores alegam que a sakabattou perteceu a Battousai, mas por que o maior hitokiri do bakumatsu usaria uma espada que tem a lamina virada ao contrario? Talvez ele tenha matado alguém que não devia e mudou de nome quando a guerra acabou... Talvez tenha morrido na guerra."

"Você tem razão... Meu professor disse que naquela época era comum a pessoa mudar de nome. Depois da guerra os pobres podiam ter um sobrenome... Hei Kenshin, imagina só se for verdade, você tem uma espada do legendário Battousai , o retalhador, na sua casa..."

Silenciosamente, Kaoru se sentou no último degrau da escada e se encolheu. A última coisa que ela queria era aparecer assim na frente de Kenshin e Yahiko.

A morena fechou os olhos com força, secando as lágrimas grossas das bochechas. O problema é que quanto mais ela tentava parar de chorar, mais chorava, o pesadelo tinha sido real e assustador demais.

A conversa entre Kenshin e Yahiko acabou e Kaoru nem percebeu, o menino estava descendo para pegar um pacote de batatinhas na cozinha. Toda a conversa sobre samurais e guerra deu fome.

"Hei Busu?" Yahiko a encontrou sentada na escada, encolhida, chorando. "...Kenji pegou no sono agora e"

"..Kaoru? O que foi?"

Imediatamente Kenshin se levantou da rede em um pulo, acordando novamente Kenji no processo. Escutar Yahiko chamando Kaoru pelo nome, e com uma voz tão seria, era sempre preocupante.

Infelizmente o bebê começou a berrar alto nos braços de seu pai, mas Kenshin não podia fazer nada, ele precisa ver o que estava acontecendo com Kaoru primeiro.

"Por favor, Yahiko..." O ruivo colocou seu filho nos braços do menino.

Yahiko entendeu imediatamente a mensagem de Kenshin e segurou Kenji bem firme.

O adolescente voltou para o terraço e sentou-se no sofá, Yahiko não tinha muita confiança em segurar o bebê tão pequeno e tão mole de pé. "Xii...calma menino! Sua mamãe já vem..." Yahiko balançou Kenji nos seus braços tentando acalma-lo, enquanto Kenshin se ajoelhava na escada na frente de Kaoru.

"Koishii!" Kenshin levantou a cabeça de Kaoru. "Você está branca igual uma vela. Suando frio...Que foi?"

"Kenshin...Kenshin..." Kaoru não conseguia se controlar, ela abriu os braços para Kenshin, pedindo um aperto forte.

Ela queria parar de chorar, para poder pegar o filho no colo, mas não estava conseguindo lidar com a tremedeira.

Os braços de Kenshin estavam ao seu redor, abraçando-a com firmeza. "Amor, o que foi ?"

"Um pesadelo...Kami-sama. Foi só um pesadelo..." Kaoru poderia derreter com aquela sensação de alivio.

Kenshin se afastou um pouco, suas mãos procuraram pelo rosto dela, tirando os fios de cabelo soltos do rosto de Kaoru. "Hei...Está tudo bem koishii!" Um ano depois do que Enishi fez, o cabelo de Kaoru estava comprido, quase chegando a cintura novamente.

"Nós estávamos no estacionamento do cinema e ele veio...Você morreu, eu morri e..." Kaoru não queria lembrar de mais nenhum detalhe. "Foi real, eu senti...e... Ele disse que jogou Kenji do terraço."

"Kisama..." Kenshin rosnou. "Enishi?" Nem em sonho o maldito a deixava em paz.

Kaoru parou de falar. Ela não queria que o pesadelo se tornasse mais verdadeiro do que já tinha sido.

Kenshin começou a beijar a bochecha dela. "Calma..."

"Eu sei, eu sei... Deve ter sido o filme Kenshin. Foi bem violento, eu fiquei com isso na cabeça." Kaoru precisava ser racional.

O ruivo se levantou, para pegar um copo de água com açúcar pra ela. Com em um flash ele já estava de volta. Kaoru bebeu rapidamente, suas mãos ainda tremulas. "Foi tão real...Eu revivi todos os momentos no estacionamento, até a gente entrar no carro e..."

"Hei...Olha ao redor...Tá tudo bem! Eu vou trazer Kenji pra você!" O ruivo se levantou, e foi buscar o bebê, que estava berrando a plenos pulmões, para desespero de Yahiko.

Kaoru bebeu a água com açúcar e se levantou finalmente. "Não precisa Kenshin, eu vou..."

Ela não podia ficar nesse estado, esse tipo de emoção não fazia bem para o leite do bebê.

Kaoru respirou fundo e se recompôs.

"Vem?"

O domingo foi tão perfeito, ela não podia deixar um pesadelo estragar tudo.

Depois do cinema Megumi e Sanosuke ficaram para o jantar, como agradecimento por terem ficado de babá de Kenji e Yahiko.

O casal de amigos, que aceitou com extrema felicidade o convite para serem os padrinhos de Kenji, voltou para casa voltou entusiasmado em tentar mais uma vez seu próprio bebê.

Megumi infelizmente perdeu o primeiro filho dois meses atrás devido um aborto espontâneo. O casal tentava ainda se recuperar do abalo. Megumi é uma médica, racional, objetiva, mas também é uma mulher sensível... Mesmo sabendo que a incidência de aborto espontâneo nos primeiros meses de gestação é alta. Ela sentiu, e muito...

Quem sabe, essa noite, a vez de Megumi e Sanosuke tenha chegado...

Depois do jantar Yahiko foi para os seus aposentos, como de costume. Kaoru cuidou de Kenji, o trocou e amamentou. E mais tarde, quando a casa estava totalmente silenciosa, Kaoru cuidou de Kenshin como havia prometido no cinema. E Kenshin fez o que pode para retribuir, apesar da proibição de sexo na quarentena, ele conseguiu fazer com que Kaoru sentisse prazer de outras formas. E como Kaoru precisa aliviar um pouco toda aquela tensão dos últimos dias...

Meia hora depois todos adormeceram.

Kenshin acordou com o alarme para verificar o bebê de três em três horas tocando. Kaoru estava dormindo em um sono tão gostoso e profundo que o ruivo não quis acordá-la. Mesmo cansada, ela tinha sido tão amorosa e apaixonada horas atrás quando os dois namoraram debaixo dos cobertores, que ele não teve coragem de incomoda-la.

Durante a troca de fralda, Kenji fez xixi bem alto, mirando certeiro em Kenshin "ORO!" O pior é que Kenji só tinha um mês, mas Kenshin já percebeu um sorrisinho maroto no bebê. "Seu maluquinho... segura essa mangueira aí!"

Quando Kenji percebeu que Kenshin não era a mamãe, obviamente, abriu o maior berreiro. "Onde é o incêndio?"A choradeira acordou Yahiko, e os dois estavam tentando acalmar a criança lá em cima no terraço.

"O que você fez com a Busu? Só tranquilizante pra fazê-la dormir enquanto Kenji berra desse jeito!" Yahiko brincou.

Kenshin preferiu não responder. Daqui alguns anos Yahiko descobriria algumas coisas interessantes sobre homens, mulheres, tensão e relaxamento.

Como ainda não era hora da próxima mamada, Kenshin preferiu deixar Kaoru dormir mais um pouco, enquanto embalava Kenji na rede. A noite estava agradável e morna para isso.

Kenshin e Yahiko engataram uma conversa sobre kendo, kenjtsu e samurais na guerra enquanto Kenji adormecia...

Nenhum deles percebeu o que estava acontecendo com Kaoru lá embaixo, e o desespero dela.

Agora no terraço junto deles, Kaoru murmurou baixinho, mais para si mesma do que para os outros. "Que medo! Que medo de te perder! Você, o Kenji, o Yahiko..."

Kenshin tirou Kaoru do chão com um belo abraço apertado. Mas ele lembrou que tinha que ser delicado com ela, pois Kaoru ainda se recuperava de uma cesariana, e a colocou no chão rapidamente. "Desculpa! As vezes eu esqueço..."

"Não peça desculpas Kenshin!" Automaticamente, a moça passou os braços ao redor do ruivo, apertando com firmeza, sem querer soltar. Kenshin a beijou nos lábios com muito carinho.

"Vocês dois..." Yahiko rolou os olhos. "Vocês não tem vergonha na cara não?"

Kaoru ignorou o menino e continuou abraçada, beijando o marido.

A morena já tinha se acalmado bastante. Ela respirou fundo antes de soltar Kenshin. "Obrigada Anata..."

"Socorro! Alguém pode me ajudar pelo amor de Deus?" Yahiko chacoalhava Kenji nos braços pra lá e para cá sem sucesso. O adolescente olhou para Kenshin e Kaoru com desespero.

Kenji chorava tão alto que estava acordando a vizinhança do prédio.

"Maa maa..." Kenshin soltou Kaoru e sorriu para Yahiko e Kenji, os ouvidos um pouco agoniados com o choro do filho.

"Vem com a mamãe!" A única que conseguia acalmar o pequeno vermelhinho era Kaoru sabia que a hora da próxima mamada já tinha chegado, pois seus peitos cheios de leite começaram a vazar.

"Aleluia!" Yahiko pode respirar finalmente quando Kaoru pegou Kenji, não que ele não amasse o bebê, mas Yahiko sentia agonia em segurar a criança tão pequena.

"Vamos entrar, ok? Kaoru quer que eu pegue Kenji?" O ruivo fez sinal para que todos descessem a escada.

Ele se aproximou do filho, mas o bebê chorou ainda mais forte "Err, acho que não!". Kenji não queria Kenshin, ele queria só Kaoru.

"Ok, ok...Fera ruiva!" Kenji estava da cor de uma berinjela. "Isso que é pulmão!" Kenshin brincou com o filho.

...Duas da manhã e esse escândalo...Coitados dos vizinhos...

Kenshin sorriu de um jeito ligeiramente cruel, ele sabia que no andar debaixo estava seu tio Hiko, tentando dormir com um travesseiro em cima da cabeça.

"Chega de historias de samurais pra você Yahiko..." Kenshin apontou com o dedão para o andar debaixo do apartamento, fazendo sinal para o adolescente descesse. "Já pra cama. Amanhã você tem prova não tem?"

"Infelizmente" Yahiko fez cara de desgosto. Álgebra era um inferno pra ele.

"Hei Busu, depois de dar comida pro Kenji vai dormir pelo amor de Deus. Você tá com cara de quem foi atropelada por um trem! Essa criança vai ficar traumatizada com uma mãe tão feia!" Yahiko mostrou a língua pra Kaoru antes de descer para seu quarto.

"O que? Pivete!" Kaoru esqueceu do pesadelo e deu um peteleco na cabeça do menino.

Os dois eram assim, se preocupavam e se provocavam o tempo inteiro.

"Vem!"

O casal desceu para o quarto, Kenji, absolutamente revoltado com sua fome sendo "ignorada" pelos pais apaixonados.

Enquanto Kaoru cuidava de Kenji e cantava uma canção de ninar.

Kenshin deitou na cama. E ao som de "Nanatsu no ko", a famosa cantiga infantil na voz de Kaoru, ele se entregou ao sono profundo.

O ruivo estava cansado e não queria admitir para a esposa.

Cantando e embalando Kenji, Kaoru olhou para Kenshin com admiração.

As obras, tanto do dojo, quanto da casa nova, o estavam consumindo mais do que tinha sido planejado. Mas a culpa era do próprio Kenshin, que se mostrou um tremendo perfeccionista no final das contas.

Kenshin queria que tudo ficasse exatamente de acordo com seus pensamentos e batendo o máximo possível do dojo original, para o desespero de Kamatari, que tinha que se virar para achar uma madeira de demolição que combinasse com aquela usada há 200 anos atrás.

O ruivo também estava procurando professores para diversas áreas. Ele pegaria uma turma de kendo a partir dos dez anos no período da manhã e Kaoru pegaria uma turma, para crianças pequenas até dez anos, no final da tarde, após o trabalho na agência.

O projeto inicial que era de apenas um centro de treinamento de kendô tinha crescido de modo arrebatador.

Ele construiu outras salas no terreno do dojo que seriam usados para praticas de judô, karatê, ginastica e até balé para as meninas, e meninos também. Não existia preconceito. O centro Kamiya Kasshin também ofereceria aulas de natação e inglês para crianças carentes. O ruivo construiu uma piscina, não era muito grande, mas ofereceria o ensino básico.

Doutor Gensai deixou Kenshin extremamente feliz quando ofereceu sua clinica para cuidar das crianças, pelo menos uma vez por semana. A comunidade de Shitamachi não via a hora do centro Kamiya Kasshin ser inaugurado. Mudaria em definitivo o cenário do bairro e ofereceria atividades saudáveis para os jovens carentes.

Shitamachi era um bairro antigo, com muitos idosos. Os jovens tinham que se deslocar para Toquio se quisessem atividades mais interessantes. Muitos não tinham dinheiro pra ir pra longe todo dia, e ficavam vagabundeando nas redondezas.

E como dizem, mente vazia, oficina do diabo... Kenshin queria mudar tudo isso.

A surpresa veio como um incentivo da prefeitura que também demonstrou interesse no centro, dando isenção dos impostos e fornecendo alimentação para os pequenos. Kenshin não imaginava que a procura fosse ser tão grande, e nem que existiam tantas crianças pobres nos arredores de Shitamachi.

Kaoru estava muito orgulhosa. Embalando Kenji para lá e para cá, ela sussurrou baixinho. "Kenshin é incrível ...Construindo um novo futuro...Lutando pela felicidade de todos...Meu pai ficaria tão feliz...E você, Kenji, quando crescer vai sentir tanto orgulho do seu papai também, viu?..."

Kenji reclamou um pouco, como se quisesse responder a mãe.

Depois de um belo e sonoro arroto, Kenji adormeceu, satisfeito com a barriguinha bem cheia. Kaoru o deitou na cama entre ela e Kenshin.

A cama de casal era bem grande e aconchegava todo mundo.

Deixar Kenji dormir entre eles era uma coisa que Kaoru e Kenshin haviam combinado evitar por diversos motivos, mas ela precisava ter seus dois ruivos por perto naquela noite.

"Iguais..." Ela passou o dedo no rosto de Kenshin, depois no rosto de Kenji. A morena deitou de lado e apoiou a cabeça na mão, contemplando como os dois se pareciam, e como eles dormiam exatamente na mesma posição.

De barriga pra cima. Com as cabeças viradas para sua direção. Um braço levantando e outro abaixado, e roncando levemente. Bem, pelo menos no caso do Kenshin.

"Boa noite..." Kaoru sorriu. Era a visão mais perfeita possível. Quinze minutos depois, ela mesma estava no mundo dos sonhos, dessa vez sonhando coisas agradáveis. Sonhando com o futuro da sua família.

^^x

"Barulho!" Ele acordou com o som dos trabalhadores chegando ao porto as 07 da manhã.

"Maldito barulho!" Pulou da cama e puxou a cortina vermelha, escancarando-a, sem se importar com sua nudez completa.

A luz da manhã invadiu o quarto, e fez sua cabeça latejar ainda mais. A vista do hotel era péssima. Barcos e mais barcos, containers, sujeira e poluição.

Sem falar do cheio de óleo diesel dos motores.

Ele caminhou até o banheiro, desviando de algumas garrafas de whisky vazias jogadas no chão. A noite anterior tinha sido selvagem. Muito sexo e álcool para comemorar sua volta ao Japão. Ele definitivamente precisava de um café puro e bem forte para curar essa ressaca.

Seus olhos verde turquesa encontraram o próprio reflexo no espelho sujo do hotel. O banheiro era bem vagabundo com decoração com gosto duvidoso. Mas quem se importa com decoração quando se está nessa situação?

Ele tinha dinheiro, mas infelizmente não tinha mais sossego. A polícia estava constantemente na sua cola, e um buraco desses resolveria, pelo menos por enquanto.

Olhando-se no espelho, ele percebeu como estava diferente. Tanto que mal se reconhecia.

Enishi parecia mais velho. Muito mais bruto, muito mais rústico e másculo.

A pele queimada de sol. Dura, ressecada . O cabelo, que descoloriu durante anos, agora estava naturalmente escuro, preto. E o que antes era curto e espetado, agora estava liso e comprido e passava dos ombros. Um bigode ralo embaixo do nariz, e um cavanhaque no queixo.

Ele voltaria a ser o mesmo de antes, só precisaria recuperar o que perdeu antes da fuga do Japão e sumir desse lugar. Pra sempre.

Enishi abriu a torneira e usou as duas mãos como concha para juntar água e lavar o rosto.

O som da televisão e o cheiro de cigarro anunciaram que sua companhia havia acordado.

A mulher, já com um cigarro na boca e igualmente nua, caminhou até o banheiro. Sem cerimonia, ela entrou, levantou a tampa do vaso sanitário e esvaziou sua bexiga.

"Francamente..." Enishi mirou a chinesa com desdém. "Não pode esperar o banheiro desocupar?" Ele não esperou a resposta, se virou, pegou o creme dental e começou a escovar os dentes vigorosamente.

"Não tem nada demais! Noite passada você já me viu virada do avesso Enishi" A mulher se enxugou com o papel higiênico, deu descarga, se levantou e já foi apontando o dedo pra Enishi. "Ainda estou puta com você... Bem na hora do orgasmo você fica gritando o nome da outra pessoa.. Meu nome é Mei Lee...MEI LEE...Não Kaoru! Eu sei lá quem é essa tal de Kaoru Kamiya!"

Enishi cuspiu a pasta de dente e a escova voou longe, ele deu uma porrada no azulejo.

Imediatamente as costas da mulher, que exibiam uma enorme tatuagem de tigre e um dragão, cujo rabo passava das nadegas e coxas, estavam dolorosamente pressionadas contra na parede do banheiro. "Hei!"

As mãos de Enishi apertando o pescoço dela.

"Eu te pago vagabunda, então você vai ser quem eu quiser..." Enishi apertava com tanta força que a mulher já estava ficando roxa. "Se eu disser que seu nome é Kaoru, seu nome será Kaoru!"

Mei Lee arregalou os pequenos olhos orientais. Castanhos.

...Não...Nunca...

Enishi percebeu que Mei Lee nunca poderia ser quem ele realmente queria que ela fosse.

"Você não pode nem ser considerada copia mal feita dela... Você não é nada! Só uma vadia. Uma cadela que fica de quatro na minha frente!" O olhar de Enishi era tão assustador, tão insano.

Enishi apertou ainda mais o pescoço da chinesa.

"HEI!" E ela sabia... Alguns homens gostavam disso.

Alguns clientes sentiam prazer no sufocamento, mas Enishi...

...Ele...É mais que um fetiche...

Por mais que Mei Lee estivesse acostumada com esse tipo de tratamento... "Você está me...machucando..."

...Ele vai me matar...

"Machucando..." Mei Lee tentou novamente. Prostituta no submundo asiático desde os doze anos de idade, ela já tinha passado por tudo de pior, e estava acostumada... O tempo com Enishi estava oferecendo algumas regalias para ela, Enishi a sustentava e ela não tinha que vender o corpo para qualquer um no bordel bizarro em Shanghai.

Mas agora o chefe de uma rede de trafico, estava começando a assusta-la pra valer.

Talvez fosse hora de esquecer a grana, e cair fora dessa roubada. "Pare! Por favor"

...Chega...

Mei Lee estava perdendo a consciência.

"CALA A BOCA! CALA ESSA BOCA!" Enishi apertou com mais força.

Enishi era enorme, muito forte, ágil, com um corpo bem trabalhado, sexy. Aquele tipo de homem que chama atenção de qualquer mulher, que desperta desejo, mas...

...Uma hora ele vai quebrar meu pescoço...

"Por favor..."

Enishi estava cada dia mais violento e descontrolado.

Esse comportamento intensificou no barco clandestino. Quanto mais ele se aproximava do Japão, mais estranho ele ficava.

O sexo estava tão violento que a machucava, e Enishi não estava nem aí. Ele tinha sido tão bruto e forçado na noite anterior que o lençol estava todo manchado de sangue.

E pra completar a chamava de Kaoru o tempo todo.

O tempo todo...

"Sol...sol...solta..." As unhas compridas, pintadas de vermelho da mulher afundaram nas mãos de Enishi, tentando machuca-lo de alguma forma, mas quando Enishi entrava nesse estado demente era complicado conseguir controla-lo.

"Vagabunda!" Enishi soltou o pescoço dela finalmente, e deu um tapa violento. Mei Lee voou contra o azulejo, escorregando para o chão. Ela apoiou a cabeça na parede, curvando-se para buscar o ar.

Mei Lee respirava rapidamente com a boca bem aberta.

Enishi a observou impassível.

"Você...Você é... Eu te ajudei a fugir da cadeia na China...Não se esqueça disso Enishi... Não se esqueça..." Ela levantou o rosto machucado pra olhar para o homem.

Enishi estreitou os olhos. "Por isso que você está viva até agora Lee... Mas não me ameace, e não repita mais o nome dela... Não pronuncie mais Kaoru com essa sua boca suja..."

Ele deu as costas para Mei Lee, deixando-a sozinha no banheiro, recuperando o folego. A chinesa puxou uma toalha pendurada, querendo de alguma forma se esconder de tanta humilhação...

Enishi foi para o quarto, começou a vestir uma roupa simples, calça jeans e camiseta.

Ele tinha muito que fazer, pra ficar brincando de casinha com Mei Lee naquele quarto de hotel. Precisava começar a se organizar para reconquistar o que perdeu nesse tempo que ficou longe do Japão.

O capitão de um barco pesqueiro tinha ajudado a entrar no Japão na noite anterior, ele deveria ser discreto agora e chamar menos atenção possível, a policia internacional e aqueles insuportáveis do Heero e do Saitou ainda estavam na sua cola.

Mas a grana que gastou na fuga, não foi nada demais. Nada que abalasse seus investimentos. O submundo do crime era rentável, bem mais do que seu salario de policial.

O próximo passo era encontrar Kaoru, e descobrir o que ela andou fazendo nesses últimos dez meses ficaram sem contato algum.

Enishi a levaria para a ilha no Pacifico que ele tinha comprado. O lugar onde ela ficaria até morrer, e onde ela daria a luz a todos seus filhos.

...Será que ela ainda trabalha na maldita empresa?...Aquele ruivo desgraçado deve ter colocado os dedos nela...Eu vou acabar com a raça desse Himura...

Lee saiu do banheiro, lágrimas escorrendo pelo rosto. Mei Lee nunca chorava, mas aquela situação tinha fugido do controle. "Chega! Eu vou voltar..."

"Faça como quiser!" Na verdade Enishi ia conversar com seu comparsa Gein sobre Mei Lee. Ele não queria essa mulher dedurando seus planos para a polícia.

Ele nunca teve a intenção de levar Mei Lee para a ilha pra começo de conversa.

A mulher se sentou na cama, agarrou o maço que estava no criado mudo e acendeu um cigarro rapidamente. E ela precisa de uma bebida urgente.

Nada de saque, era bebida fraca demais. Ela queria whisky ou conhaque.

As mãos tremulas encheram o copo com a bebida de cor castanha. Lee virou rapidamente, já recarregando nova dose.

...Estou caindo fora...

Pra aguentar o humor sombrio de Enishi só entorpecida mesmo. Lee virou mais um copo de whisky e caminhou até sua mala, para escolher uma roupa.

Os dois ficaram em silêncio, e se lembraram de que a televisão antiga ligada, daqueles modelos antigos de tubo enorme.

Enishi procurou o controle remoto para desligar a televisão velha. A voz dos apresentadores era irritante, e passava um programa japonês sobre fofocas de celebridades. "Breakfest King" ou alguma idiotice parecida.

O ex policial esqueceu do controle remoto e parou na frente do aparelho com a imagem que estava na tela. Ele conhecia aquela pessoa.

As palavras da apresentadora o deixaram fora do orbita.

"A população feminina acordou em choque está manhã! O solteirão convicto mais cobiçado do Japão anunciou oficialmente seu casamento para agosto desse ano. O milionário Hiko Seijuro se casara com a namorada Natsu.

" Natsu trabalhava como faxineira de Hiko-san até o ano passado. O milionário está seguindo os passos do sobrinho Kenshin Himura, que também se casou com a ex funcionaria, Kaoru Kamiya Himura ano passado...E a família dos milionários aumentou bastante repentinamente... Além de adotarem um garoto de dez anos, Kenshin e Kaoru tiveram um bebê há apenas um mês. A pergunta que não quer calar, será que o famoso milionário de 45 anos também está programando um herdeiro? Já que ele ganhou dois enteados, filhos de Natsu..."

"...Dentro de alguns meses teremos uma resposta Keiko-san. Mas desde já desejamos felicidades aos noivos, e muita saúde para o filhinho de Kenshin e Kaoru, o pequeno Kenji que é a coisinha mais kawaii e..."

"CRACK!"

A apresentadora do programa matinal foi interrompida bruscamente.

Uma das garrafas vazias de whisky que estava no chão voou na direção do aparelho, espatifando o tubo.

Faíscas de eletricidade voaram pelo quarto, assim com os pedaços de vidro do tubo.

Enishi colocou as mãos na cabeça e começou a puxar os próprios cabelos."NÃO! NÃO! NÃOOOOOOOOOOO!"

"NÃO É VERDADE!"

Mei Lee, que agora usava um vestido azul escuro, justo e curto demais para uma moça de família, não entendeu nada, sussurrou baixinho perto da porta. "O que foi agora? Eu estou indo embora. Chega Enishi..."

Enishi olhou para ela. "KAORU!"

A chinesa viu puro fogo naquele olhar. Um brilho cruel, quase demoníaco. Mei Lee não teve tempo de alcançar a maçaneta. Enishi voou pra cima dela.

Um tapa certeiro fez a mulher voar para cima da cama.

Enishi pulou pra cima dela, usando o peso do seu corpo, o homem impediu que Mei Lee se movesse. Ele era tão grande e forte, não tinha nada a fazer a não ser gritar e se contorcer."Gah...So... co...rro" Infelizmente a chinesa não teve muita chance de gritar, no segundo murro que Enishi infligiu na sua cabeça, ela já estava inconsciente.

Transtornado. Ele apertava o pescoço. "Kaoru. Por que? Por que você fez isso comigo?"

Não era Mei Lee que estava na cama, era Kaoru... E ele apertava o pescoço dela com tanta força, que o colchão cedeu e formou um molde com a silhueta exata da mulher.

"VOCÊ ME TRAIU! ME ESCUTA KAORU! ME ESCUTAAA! VOCÊ ME TRAIUU. VADIA!"

Enishi continuou a sufocar Mei Lee até sentir os ossos do pescoço dela finalmente se quebrando debaixo dos seus dedos.

"KAORUUUUUU!

Ele soltou o pescoço da mulher, os braços caíram, e a cabeça de Mei Lee tombou para o lado, totalmente sem vida.

Enishi se deu conta do que tinha acabado de fazer.

"Merda! MERDA!" Ele deu um pulo pra trás e escorreu da cama, caindo no chão do quarto. "Inferno!" Ele cortou o próprio braço com os cacos de vidro da televisão e da garrafa que estavam espalhados pelo chão.

O homem começou a bater na própria cabeça, tentando organizar os pensamentos.

...O que eu faço agora?... O que?... Isso não estava nos planos... Eu preciso me livrar dela...Eu não posso chamar atenção!...

Ele olhou rapidamente para a mulher morta estirada em cima da cama. Enishi não sentiu nada, nem pena, nem remorso. Só raiva, Kaoru havia se esquecido dele. Ele se levantou rapidamente, pegou a garrafa de whisky e bebeu direto do gargalo. Ainda bem que o dono do hotel também estava no esquema, senão a policia de Tóquio já estaria na porta do quarto.

Enishi pegou o celular de cima do criado mudo e discou o número do seu comparsa. "Gein, traga esse traseiro pra cá imediatamente ...Aconteceu um imprevisto... Arruma um carro com porta malas grande... Anda. Arruma uma lancha!"

O ex policial desligou o aparelho e o colocou no bolso traseiro da calça jeans. Depois começou a puxar as bordas do lençol para usa-lo para enrolar o corpo de Mei Lee. Ele não queria ter que lidar com o corpo dela por mais tempo que o necessário. Gein que enfiasse a mulher em uma lancha, provocasse os tubarões com sangue e jogasse a no mar aberto.

"Gein que se livre dela!"

O interesse de Enishi era outro. Ele tinha que ensinar uma lição para a ex namorada. Ele tinha que ensinar o ruivo a não tocar naquilo que era dele.

"Ninguém me faz de idiota."

...Kaoru teve um filho daquele desgraçado...

"Um filho!"

...Kenshin Himura roubou aquilo que me era mais precioso. Agora é a minha vez, eu vou roubar tudo dele...

"Primeiro eu vou buscar Kaoru, depois eu vou destruir Kenshin Himura!"

^^x

Continua...

Fiquei um pouco triste com a falta de comentarios do último capítulo, apesar de todas aquelas visualizações... Minha tentativa de Misao e Aoshi não deve ter ficado tão boa assim, desculpem... *snif snif*... ou eles não tem muitos fãs!

Mas os reviews que recebi me deixaram MUITO feliz, Marismylle, Lica, Kaoru Himuramiya, Jessica Yoko e Fernanda Marin que me mandou uma mensagem fofa! Obrigada minhas meninas!

Beijos, até o proximo