Disclaimer: Rurouni Kenshin não me pertence.
"Koi no Yokan
Parte 20
Por Chibis"
O cheiro que emanava da cozinha dos Himuras era incrível, tão apetitoso que fazia a boca salivar de fome. No forno um enorme salmão assado quase no ponto perfeito. Outros quitutes e saladas também prontos, dando certo clima de Natal ao ambiente, só que bem no meio do ano.
Kenji completava trinta dias naquela noite e para comemorar, Kenshin e Kaoru estavam oferecendo um pequeno banquete para seus amigos.
Na frente do espelho do quarto, Kaoru colocou as mãos nas bochechas e fez cara de choro. "Não acredito nisso! Mou!" Derrotada,ela saiu da frente do espelho, sentando-se e de uma vez só na cama.
"Oro! Que foi?" Kenshin saiu do closet e o queixo de Kaoru foi parar no chão.
"Nossa...Kenshin, kakkoii! Que espetáculo!"
O ruivo realmente estava maravilhoso.
Kenshin vestia uma calça de sarja preta, e uma regata preta e uma jaqueta de couro por cima. O longo cabelo ruivo ele prendeu em um rabo de cavalo bem alto. "Arigato! É a jaqueta que você me deu no Natal. Ficou legal, não ficou? Estava guardando para uma ocasião especial."
A morena fez som de "fiu fiu" com os lábios."Legal? Legal é apelido!"
Kaoru não conseguia parar de babar pelo marido. ...é muita gostosura para um homem só... "Eu amo quando você usa o cabelo assim Kenshin..."
"Arigato!" Kenshin abaixou a cabeça, escondeu os olhos momentaneamente embaixo das franjas. O ruivo sorriu um pouco envergonhando. Só Kaoru conseguia fazer isso com ele.
"No entanto eu... Olha pra mim..." Ela bateu as mãos dramaticamente nas pernas.
"Oro?"
Kaoru fez voz de choro. "O zíper do vestido não fecha. Simplesmente não fecha. Poxa Kenshin..."
"Koishii..." O tom de voz que Kenshin usou foi de repreensão.
Quando percebeu o olhar de derrota no rosto da esposa, tentou ser bem carinhoso. "Maa maa...Você está linda! E se o vestido não fecha mesmo, é só usar outro. Você tem vestidos lindos! E se resolver usar um saco de batatas vai ficar linda do mesmo jeito!"
"Mou!" Kaoru fez biquinho.
Era uma ocasião especial, ela queria muito usar o vestido novo. Ele era branco, com algumas flores vermelhas.
Quando comprou estava tão perfeito, mas o vestido tinha um busto bem justinho, e como agora seus seios estavam enormes, Kaoru não conseguia fechar o zíper. "Isso é frustrante..."
"Vem cá..." Kenshin fez sinal com a mão para que Kaoru se aproximasse.
Ela parou na frente de Kenshin e se virou de costas. O ruivo levantou o zíper rapidamente e fechou o pequeno fecho, conseguindo fechar o vestido. "Está desconfortável?" Kenshin perguntou. Kaoru ainda virada de costas para ele.
Kaoru se contorceu um pouco, sentindo seu corpo dentro do vestido. "Até que não... Só justo." Depois balançou a cabeça negativamente.
Quando Kaoru se virou, Kenshin quase teve um colapso.
"Meu Deus..." Ele sentiu o sangue querendo escorrer pelo nariz. Sua Kaoru estava... apetitosa.
Para o delírio de Kenshin, decote do vestido, ficou bem justo, realçando e apertando os seios. Uma voz, possessiva e um tanto quanto sombria, sussurrava dentro da mente do ruivo insistindo que ele deveria pedir para que Kaoru trocasse de roupa.
...Ela é linda e só minha...
Mas Kenshin fechou os olhos com força, espantando o brilho dourado de seus olhos. Não era hora pra isso. E não havia nada de errado em ter uma esposa tão maravilhosa.
Kenshin prometeu para si mesmo que nunca esconderia Kaoru do mundo.
O ruivo deu um passo pra trás e a admirou. Ele suspirou, controlando o sangue pulsando quente nas veias. "Kirei!"
O vestido de algodão branco, com pequenas flores vermelhas estampadas ia até o joelho, tinha um recorte bem marcado, que acentuava os seios, a cintura, e revelava as lindas pernas. Kaoru também prendeu o cabelo, agora comprido, em um rabo de cavalo bem no alto da cabeça. Nas orelhas e no pescoço, o conjunto de brincos e corrente de ouro e rubis que Kenshin tinha presenteado. Kaoru calçou um sapato salto alto da cor creme que a deixava da mesma altura do marido.
"Honto Kirei. Agora me dá um beijinho..." Kenshin segurou a cintura da esposa, e a puxou pra perto.
"Hai..." Kaoru obedeceu prontamente, e como usava batom vermelho, acabou deixando uma marca exata dos seus lábios na boca de Kenshin.
"Ewww!"
Yahiko entrou no quarto justamente quando o casal estava trocando o beijinho. "Eu juro! Vou comprar um sino e colocar no pescoço. Quando vocês escutarem meu sino tocar parem de fazer "isso" ai!"
"Melhor o sino tocar o dia inteiro Yahiko-CHAN!" Kaoru mostrou a língua pra ele.
"O QUE?" Yahiko ficou bravo, Kaoru conseguiu visualizar a fumacinha saindo das orelhas do menino. Ninguém o chamava de "chan" e saia vivo pra contar a historia...
"Com licença, com licença. Estou entrando... Himura-san. Kaoru-san!" Misao ignorou Yahiko fumegando, e entrou no quarto de Kenshin e Kaoru, Kenji em seus braços. "Ehhhh kirei Kaoru-chan! Que linda!"
Misao sorriu para Kaoru, que se afastou de Kenshin e abraçou a amiga com muito carinho. "Arigato Misao-chan!"
Kenji que estava entre as duas amigas não reclamou, o bebê estava curiosamente enamorado por Misao.
O bebê adorava o colo da jovem. Talvez porque Misao não tinha sossego, e ficava balançando e zanzando com ele no colo pra lá e pra cá. Kenji era um bebê muito curioso, ficava com os olhos bem abertos tentando distinguir tudo ao seu redor.
"O porteiro pediu para avisar que Shogo, Sayo e Shozo estão subindo!" Yahiko informou.
O moleque nem acreditava que ia conhecer um homem tão famoso. Ele quase caiu de costas quando ficou sabendo que um dos melhores amigos de Kenshin era o maior cantor japonês de todos os tempos.
"Ah, me perdoe! Estamos enrolando aqui no quarto, e todo mundo está chegando! Vamos para a sala!" Kaoru ficou ruborizada.
"Hai!" Kenshin saiu rapidamente do quarto, seguido por Yahiko, Misao e Kaoru.
"Hiko, Natsu, Aoshi, Sanosuke, Megumi, Tae, Tsubame, Doutor Gensai, Ayame, Suzume, Tomoe e Akira, tá todo mundo na sala!" Yahiko informou casualmente.
Kenshin e Kaoru se olharam e ficaram envergonhados.
"Ai Kenshin..." A morena sussurrou para o marido.
Os dois ali no quarto se beijando,e a casa cheia de convidados. "Orororo!"
O casal se recompôs e entrou no clima da festa.
"Tudo bem? Você quer que eu o segure Misao?" Com um belo sorriso nos lábios,Kaoru perguntou para a Misao se Kenji não estava a incomodando.
"Nah! Kenji-chan está gostando do meu colo!" Misao não queria se separar do bebê.
Assim como Kenji estava apaixonado por ela, Misao também estava adorando mimar o pequeno ruivinho.
"Aoshi, parece que você perdeu a namorada!" Kaoru brincou com o advogado.
"Exatamente. Fui trocado!" Aoshi sorriu para Kaoru e Misao.
Misao apenas encolheu os ombros e fez careta para ele, balançando Kenji nos seus braços para lá e para cá.
Kaoru ia brincar que talvez fosse hora de fabricar o próprio bebê, mas Aoshi era uma pessoa reservada, e ela não queria constranger ninguém.
"HEI! Kenshin! Meu velho!" Sanosuke cumprimentou o grande amigo. Falando alto, e já bem animado e vermelho com o saquê que Hiko tinha trazido. Sanosuke enchia os copos dele, de Akira, Aoshi, Hiko e também de Kenshin, batendo nas costas do ruivo. "Oro!"
"Boa noite! Minna-san!" Informalmente, Kenshin levantou seu copo de saque para o alto cumprimentando todos de uma vez só. Como o clima era de descontração, ele recebeu vários "boa noite"ao mesmo tempo.
...Nunca vi minha casa tão cheia...
...Ainda bem que a mesa de jantar é grande...
Em sua mente Kenshin já visualizou a disposição de tudo. Quem sentaria onde, as risadas, as conversas, os brindes. Ele estava muito contente.
O sorriso do ruivo ia de orelha a orelha. Sentia-se feliz e orgulhoso por ter seus amigos reunidos na sua casa pela primeira vez na vida. Ainda mais para uma comemoração tão especial, o primeiro mês de vida de seu filho.
Poderia parecer exagero, mas Kenshin quis celebrar a data com um jantar especial entre seus amigos e os de Kaoru também.
...Não é exagero...São só nossos amigos...
E de repente sua casa ficou cheia de gente.
E ter tantos amigos assim só poderia ser um bom sinal.
"Perdoem esse anfitrião! Oro... Sintam-se em casa..." O ruivo fechou os olhos e coçou a cabeça.
Ninguém estava ligando pra ele.
Os homens estavam falando ao mesmo tempo de um lado. E as mulheres também do outro. Tsubame e Yahiko tinham partido para a sala de vídeo para jogar videogame, e Ayame e Suzume corriam pela casa brincando e gargalhando. "Oro!"
"Kenshin Himura, meu amigo!"
Shogo Amakusa entrou no apartamento, elegante e bem vestido como sempre. O cantor carregava uma grande caixa com bolo de chocolate e nozes em uma mão, e uma garrafa de vinho italiano na outra.
"Onde eu coloco tudo isso?"
Kenshin insistiu que levaria tudo para a cozinha, mas Shogo não deixou. O famoso cantor argumentou que era uma pessoa comum, e que pelo menos na casa dos amigos queria ser tratado assim, sem privilégios ou holofotes.
Shogo acabou ganhando a discussão e foi para a cozinha conhecer a futura namorada, Tae Sekihara, amiga de Kaoru e proprietária do restaurante Akabeko de Shitamachi.
"Wow!" Tae, que levava algumas bandejas de aperitivos para a mesa quase derrubou tudo ao dar de cara com Shogo Amakusa, seu ídolo, entrando na cozinha dos Himuras como se fosse algo muito comum.
Ela levou um belo tropicão no processo. "Ops!"
"Senhorita, cuidado!" Shogo socorreu Tae, salvando a moça, o bolo, o vinho e as bandejas de aperitivo.
Ainda envolta pelos braços de Shogo, Tae demorou alguns minutos para encontrar a voz. ""Tae...Tae Sekihara...Obrigada senhor Amakusa!"
Quem poderia culpa-la? Ela estava simplesmente nos braços do seu ídolo. O homem que escutava em seu radio toda noite antes de ir dormir.
O cantor sorriu para Tae, libertando-a dos seus braços.
"Por favor, me chame de Shogo!"
Shogo e Tae passaram o resto da noite conversando e se conhecendo melhor.
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Todos os sofás da residência de Kenshin foram tomados. Os amigos riam e conversavam, e Kaoru estava tão orgulhosa.
Ela escutava a risada gostosa do marido e isso lhe enchia de felicidade. Que sensação boa senti-lo assim, contente.
... e pensar que até um ano atrás ele vivia solitário nesse apartamento enorme...
A morena, assim como as outras mulheres, estava encantada com a bebezinha de seis meses de Sayo, irmã de Shogo Amakusa. ""Sayo-san, Shozo-san! Parabéns!"
Dá última vez que Kaoru e Sayo se encontraram, a artista estava grávida, e agora sua bebê já estava se sentando sozinha. Em pouco tempo começaria a engatinhar. "Sakura-chan é muito linda!"
"Kenji-chan é tão fofo. Tão pequenininho! A miniatura do pai, não é?!" Sayo sorriu.
Kaoru olhou para o marido, depois para Kenji, que ainda estava tranquilo no colo de Misao e sorriu. "É sim... Quem sabe daqui um tempo não vem uma menina com a cara da mãe? Ou será que só vai ter ruivo nessa casa?" Kaoru piscou para Kenshin.
"Oro!" Kenshin escutou a esposa, e fez cara de inocente...Uma menina exatamente como Kaoru... Ele não via a hora de ter uma filhinha, não era lá um grande segredo...
Todo mundo caiu na gargalhada, comentando como a cara de bobo de Kenshin não enganava ninguém.
Tomoe e Akira se entreolharam e decidiram, era o momento para contar.
"Minna-san...Temos uma novidade para contar." O casal ganhou a atenção dos amigos e entrelaçou os dedos.
"Estamos com um bebê a caminho!" Tomoe colocou a mão na barriga, que ainda não tinha nada de diferente aparecendo.
"Ahhh! Parabéns Tomoe, Akira!"
Kaoru, Misao, Sayo, Tae e Natsu se levantaram para comemorar e abraçar Tomoe e Akira.
Os homens foram mais discretos, sem abraços, mas comemoram do mesmo jeito.
"Um brinde a Tomoe e Akira!" Kenshin levantou sua taça, os amigos fizeram o mesmo com suas respectivas bebidas, e sucos, no caso de Kaoru, Sayo e Tomoe.
"Que raio tem na água que esse povo tá bebendo?" Hiko balançou a cabeça e fez careta para sua noiva Natsu.
Os olhos de Natsu rolaram e ela gargalhou. "Anata, sabemos bem que tipo de água eles estão bebendo..."
Natsu sabia que Hiko era um ranzinza que reclamava de tudo, mas no final das contas também ansiava por fazer parte desse clube.
A ex empregada não sabia se conseguiria dar ou não um herdeiro para Hiko, afinal já tinha passado dos quarenta anos. "Quem sabe, ne?"
O jeito que Hiko Seijuro tratava seus dois filhos já demonstrava que ela não precisava se preocupar, caso engravidasse do empresário. Ele era o oposto do seu ex marido alcoólatra que a usava como saco de pancadas.
Hiko, apesar de gostar das suas doses de saquê, era uma pessoa decente, certa, firme. Ligeiramente arrogante, mas também justo... Amoroso...
E romântico, mesmo que nunca admitisse isso em voz alta.
"Anata..." Natsu se encostou-se ao enorme e musculoso braço de Hiko, e o empresário sorriu satisfeito, aconchegando a futura esposa ao seu lado.
O grupo continuou a conversar. Se divertir e se deliciar com os quitutes que Tae trouxe do Akabeko.
O saque foi servido em abundância, causando momentos de riso livre entre os homens. Doutor Gensai já estava com os olhos girando, e chamando por um médico. Yahiko o provocava dizendo que ele era o médico.
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"Com licença... Preciso fazer uma ligação. Tenho um paciente internado e..." Megumi se levantou devagar, afastando-se das outras mulheres. A médica subiu discretamente para o terraço.
O olhar de tristeza no rosto dela era bem sutil, quase imperceptível.
Se Sanosuke não conhecesse Megumi como a palma da própria mão, ele não perceberia.
...Raposa...
Conforme Megumi subia os degraus para o terraço, o sorriso no rosto ia morrendo. Por mais que a médica se esforçasse em continuar, ela conseguia fingir até certo ponto.
Sanosuke que estava do outro lado da sala,observou cada movimento Megumi. E também deu uma desculpa para subir as escadas atrás dela.
Ele encontrou a esposa lá em cima na cobertura, encolhida embaixo da proteção do gazebo perto da piscina. A chuva agora estava caindo bem forte para uma noite de primavera.
Megumi se assustou com a voz grossa de Sanosuke quebrando o som da água.
"Pra fazer uma ligação você precisa de um celular Raposa!"
Sano balançou o aparelho de Megumi nas mãos. Ela tinha esquecido lá embaixo no sofá e nem notou.
"Oh!" Megumi suspirou.
A médica desviou o rosto e olhou fixamente para a chuva. "Eu precisava de ar."
...Todos esses bebês, essas mulheres grávidas...Me sinto tão invejosa...
"Eu sei!"
Sanosuke a abraçou. Megumi abriu os braços e aceitou imediatamente o conforto que o marido estava oferecendo.
"Todo mundo consegue com tanta facilidade... Por que eu não consigo ser racional e fria a respeito disso? Eu sou uma médica afinal de contas Sanosuke!" O rosto de Megumi afundou no peito de Sanosuke.
"Você é humana antes de qualquer coisa..." Sanosuke nunca tinha escutado a voz dela soar tão derrotada.
"Eu deveria aceitar que não vai acontecer e seguir em frente com minha vida." Megumi escondeu o rosto na roupa de Sanosuke.
"Não fala assim!" Ele a abraçou mais forte.
"Eu não queria me sentir assim... Invejosa... Mas é que tem essa parte de mim que não consigo controlar! Namoramos cinco anos Sanosuke, e nunca aconteceu nada...E desde o casamentos estamos fazendo de tudo para engravidar... Quando eu pensei que fosse dar certo..." Megumi abraçou Sanosuke com mais força.
"Perdi nosso bebê..."
"Megumi..." Sano beijou amorosamente o cabelo da esposa, e a balançou para um lado e para o outro.
Ele também confessou seus sentimentos. "Você acha que eu não sinto? Também me sinto frustrado e... Todos os outros homens estão conseguindo e..."
Os dois ficaram em silencio por alguns segundos. Até que a médica se afastou de Sano, e enxugou as lágrimas do rosto.
Aquela não era ela.
Megumi não era essa pessoa que ficava choramingando pelos cantos "Não vamos causar uma cena no jantar do Kenshin, ok? As pessoas vão notar..."
A Raposa não era assim.
"Eu não me importo com as outras pessoas!" Sano balançou a cabeça negativamente. "Eu realmente não me importo!"
Ele odiava ver Megumi assim, lutando pra transparecer uma coisa, e sentindo outra.
"Mas eu sim! Eu me importo...Chega de choradeira!" Megumi se recompôs, arrumou o cabelo e fez sinal de que iria voltar para a comemoração.
"Espera!" Sanosuke puxou o braço dela.
Sano reuniu coragem, e não hesitou agora.
Era importante demais para hesitar, era hora de dar o braço a torcer e parar de se comportar como um homem das cavernas que nem aceitava escutar o que ela tinha pra contar. "Eu aceito Megumi! Eu disse que não faria exames ou tratamentos, mas... Eu aceito. Pode marcar uma hora no hospital... Eu vou fazer o que for necessário... "
"Sanosuke?" Megumi colocou as mãos na frente da boca.
Os dois se olharam intensamente.
Megumi mal podia acreditar, até pouco tempo atrás Sanosuke estava irredutível.
Ele estava todo macho, até bravo quando Megumi sugeriu um a realização de um estudo através do espermograma. Sanosuke rosnou que nunca se masturbaria em um potinho pra que algum cientista maluco examinasse e julgasse a qualidade e quantidade dos seus "bichinhos" em um laboratório.
Sanosuke e Megumi discutiram muito feio, pois Sano garantiu que nunca viraria escravo de ovulações e da temperatura certa e posições loucas para fazer amor e engravidar a esposa.
"Eu mudei de ideia, ok?" Ele confessou.
Mas agora...
Sanosuke faria de tudo por Megumi.
"Você está falando sério?" Megumi estava muito surpresa.
Quem diria que seu marido "ogro" aceitaria isso? Exames e tudo mais.
"Sim, durante 1 ano!"
"Vamos tentar mais um ano, ok? Vamos fazer tudo que for preciso. Hormônio, fertilização in vitro, congelamento de ovulo e esperma e o escambou. Se não der certo nesses 365 dias, tanto eu quanto você Megumi, vamos parar com isso, desencanar e deixar nas mãos de Deus." Poderia parecer duro dizer isso, mas Sanosuke não podia permitir que o resto do casamento deles se resumisse a isso.
"Você concorda ?"
"Eu... Sim, concordo!" Megumi mal podia acreditar que Sanosuke estava disposto a tentar mesmo.
"Eu não vou deixar você na mão Megumi!"
"Poxa vida Sanosuke..."
Megumi se afastou e foi sentar no pequeno sofá do espaço gourmet, ela colocou a mão na frente do rosto para esconder suas lágrimas.
Sanosuke se ajoelhou na frente dela, e tirou as mãos de Megumi da frente do rosto. "Mas...escuta..."
A médica não tinha nada para esconder. Sanosuke não queria mais que Megumi tentasse esconder sua frustração, não dele.
"Nós dois precisamos entender uma coisa... Não ter um filho não te faz menos mulher, ou eu menos homem. Caso não aconteça, nós podemos fazer a diferença de outra forma... E nós seremos felizes sim, de um jeito ou de outro. Ok? Se em um ano não acontecer, nós vamos ser livres disso...Nem desistir, nem tentar, simplesmente deixar o destino decidir sem desespero..."
Sanosuke beijou a mão de Megumi.
Megumi sabia, era a coisa mais sensata. Ela não queria se tornar uma neurótica.
Os dois ficaram em silêncio por um tempo, só escutando a chuva cair.
"Vem Raposa, vamos voltar para a festa? Todos nossos amigos estão aqui...E Kenji é nosso afilhado! Não é?" Sano se levantou, puxando Megumi junto.
"Hai! Hái Cabeça de Galo..." Megumi sorriu finalmente, que honra e alegria poder ser a madrinha do bebezinho.
A médica superaria tudo isso, ela tinha certeza que conseguiria sem enlouquecer e se tornar uma pessoa amarga no processo.
"Você tem razão... Quero muito abraçar o Kenji... Vamos voltar..."
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O jantar foi divino, com a ajuda de Tae, Kenshin preparou um grande salmão no forno assado com manteiga ervas e alcaparras, camarões no saque, e os outros pratos, tipicamente japoneses, que Tae trouxe do Akabeko.
O ruivo recebeu todos os elogios e iniciou uma seção interminável de "oros" envergonhados.
O momento divertido ficou por conta do "parabéns pra você" com o bolo trazido por Shogo Amakusa. Shogo que, com seu violão, cantou algumas músicas para as crianças e animou a festa.
Sua sobrinha, Sakura, que com apenas seis meses, simplesmente já amava quando o tio cantava músicas infantis.
Ayame e Suzume engataram uma briga divertida para ver quem assopraria as velinhas primeiro, e Yahiko e Tsubame, que apesar dos onze anos, se comportaram como criança pequena só para provocar as meninas.
No final todo mundo teve a chance de assoprar velas, menos Kenji, que obviamente só estava completando um mês de vida e não entendeu absolutamente nada que raios essas pessoas malucas estavam fazendo.
Kenshin assoprou as velas no lugar do filho, depois de uma sequencia engraçada de "oros".
O ruivo que não comemorava o próprio aniversario, e agora estava ali comemorando o aniversario de apenas um mês do filho.
Depois de passar o "parabéns" nos braços da madrinha Megumi, e de toda a seção de fotos, Kenji já começou a ficar rebelde, e agora estava mais interessado em mamar, sujar as fraldas e engatar um soninho gostoso no colo de Kaoru.
"O berreiro vai começar!" Kaoru gargalhou , Kenji estava ficando vermelho feito pimentão.
A morena já sabia que a hora critica estava chegando, e que provavelmente o vestido justo nos seios não aguentaria mais muito tempo o peito lotado de leite. "É hora de dar tchau Minna-san..."
"Bem Tanuki pelo menos você já consegue prever a regularidade das mamadas! Vamos, eu te ajudo..." Megumi seguiu Kaoru até o quarto, para ajuda-la a trocar de vestido para amamentar Kenji.
A essa altura da noite os convidados já estavam se despedindo.
Tae, que para sua surpresa eterna, trocou números de telefone com ninguém menos que Shogo Amakusa, já tinha se despedido.
Ela, junto com Doutor Gensai, Tsubame, Ayame e Suzume tinham um longo caminho até Shitamachi.
Shogo, Shozo, Sayo e Sakura também já tinham se despedido, Shogo tinha um show marcado para o dia seguinte e precisava se preparar e descansar a voz para fazer bonito.
Aoshi, satisfeito pelo excelente jantar oferecido pelos Himuras, estava terminando sua xicara de café quando seu celular tocou.
Misao, que ajudava Kenshin e Sanosuke a guardar as últimas louças, veio ao encontro do namorado buscar a xicara de café vazia dele e levar para a cozinha. A jovem travou ao escutar um nome bem conhecido.
"Erika?" A voz de Aoshi estava cheia de surpresa.
"..."
"ERIKA?" Misao olhou rapidamente para o namorado sem saber exatamente como reagir.
...Por que essa mulher está ligando essa hora da noite?...
"O que?" Aoshi conversava com a juíza e sorria "Wow, nossa! Essa é a melhor noticia, estou esperando por isso a tanto tempo..."
Misao não queria ficar chateada, por isso deu as costas para o advogado para voltar para a cozinha. Ela queria levar a xícara para a pia, contar até dez, e segurar o redemoinho estranho que se formava dentro do estômago toda vez que Erika e Aoshi conversavam.
"OHH"
Misao não previu o movimento do namorado. Aoshi a puxou, o braço do advogado a enlaçou pela cintura.
"Ops!" Antes que Misao pudesse desviar, acabou sentando bruscamente bem no colo do advogado.
"Fica!" Aoshi sussurrou baixinho, ele ainda conversa com Erika pelo celular, mas abraçava Misao com firmeza.
"Claro que entendo Erika... Não saiu oficialmente! Manterei em sigilo por enquanto... Sim, sim..."
Sentada no colo de Aoshi, Misao se virou e olhou para ele com cara feia, depois cruzou os braços emburrada e voltou a olhar para frente, se recusando a encara-lo novamente. "Segredo?" Ela sabia que não existia motivo para ciúmes, mas também não queria ficar de testemunha enquanto Aoshi e Erika trocavam confissões noturnas.
Assunto profissional ou não.
Mas Misao não tinha como fugir, o braço enorme de Aoshi a prendia firmemente pela cintura.
O advogado continuou a conversa. "Muito obrigado mesmo Erika...Eu que já estava em uma comemoração com a minha noiva, agora tenho mais um motivo para comemorar?"
"NOIVA?" Misao pronunciou a palavra sem deixar sair o som, e sem conseguir acreditar, e sem a coragem de virar e encarar Aoshi.
...Aoshi acabou de dizer para Erika que está com a noiva?...
...Minha mente está pregando peças comigo?...
"Boa noite Erika. A gente se fala...!"
Aoshi desligou o celular finalmente, agora os dois braços dele agarravam a cintura de Misao com mais firmeza ainda.
O advogado trouxe a namorada para perto do peito, abraçando-a. "Misao, Misao..."
Quando Misao tomou coragem e se virou, ela mal pode acreditar. Existia um sorriso tão grande no rosto de Aoshi. "Hã?" Algo que parecia impossível de acontecer.
Aquele não era o Aoshi de sempre.
"O que foi?" Misao estava começando a achar que Aoshi tinha sido drogado ou coisa assim.
"Eu consegui Misao. Eu passei no teste, 100% de aprovação. Agora eu sou um promotor federal! Um promotor de justiça Misao!" O próprio Aoshi parecia não acreditar.
Todo o estudo, toda a dedicação, ele finalmente tinha chegado onde queria.
"PASSOU?" Misao esqueceu sua birra com a juíza Erika Ferman, e se jogou nos braços do namorado. "Promotor federal! AHH"
"Sim Misao!"
"OH Parabéns Aoshi!"
Os dois despencaram, aos beijos, se agarrando em um dos sofás da sala de Kenshin Himura.
"Ororororo!"
Kenshin chegou bem nessa hora para encontrar Misao e Aoshi rolando, aos beijos em cima do seu sofá. O ruivo, absurdamente vermelho, pegou a xícara de café esquecida no chão bem rapidamente, e sem perturbar o casal e voltou para a cozinha usando velocidade extra.
Agora Kenshin sabia como Yahiko se sentia quando pegava ele e Kaoru aos beijos.
"Você disse para a Erika que estava com a sua noiva?" Misao tinha sumido embaixo de Aoshi. O namorado era tão grande e forte, e estava todo esparramado, relaxado em cima dela.
"Se você aceitar ser minha noiva!" Aoshi apertou Misao ainda mais nos seus braços. "Se aceitar ser esposa de um promotor!" Ele nunca agia assim, não fora de casa. O advogado estava tão feliz que baixou um pouco sua guarda, para a alegria da namorada.
"Simmmm! OH MEU DEUS! EU ACEITO! MIL VEZES ACEITO!" Misao agarrou Aoshi pelo pescoço e lhe beijou como se não houvesse amanhã.
Aos risos Aoshi precisava calar a namorada, antes que ela acordasse o pequeno Kenji que tinha acabado de pegar no sono.
...Arigato...
...Aoshi Sama...
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Kenshin entrou devagarzinho no quarto de Kenji, o ruivo sentiu aquele cheirinho gostoso de perfume de bebê invadindo as narinas.
A casa agora estava silenciosa agora, todos os convidados haviam ido embora, e Yahiko já tinha se recolhido para seus aposentos , afinal era meio da semana, o menino tinha aula logo cedo, e a semana de provas continuava sem trégua pra ele.
O ruivo relembrou o dia que pintou o quartinho de Kenji de verde clarinho, palha e branco. E quando eles escolheram a decoração, de safari, inspirada na selva e savanas. Kenshin colocou uma prateleira em cima da cômoda que Kaoru enfeitou com bichinhos de pelúcia, leões, girafas e crocodilos fofinhos.
...Parece que foi ontem...
...Kenji já tem um mês...
Parado no batente da porta, ele sorriu ao lembrar-se do dia em que cismou de montar o berço branco sozinho. A loja oferecia profissionais para o serviço, mas ele, todo macho, recusou prontamente.
Se não fosse a ajuda de Yahiko em montar o quebra cabeça que era aquele berço, Kenji ficaria sem cama, mas o que fez o sorriso de seu rosto aumentar ainda mais não eram as memorias, e sim a realidade.
A realidade ali na sua frente, a poucos metros de distancia.
Kaoru adormecida na cadeira de balanço, com Kenji, também adormecido em seus braços, ambos balançando levemente para frente e para trás.
Mãe e filho em sintonia total. O pequeno aparelho de som tocava bem baixinho o cd "Beatles for babies". Shogo presenteou Kenji no seu aniversario de um mês, e Kaoru e Kenji já tinham escutado quase tudo, e "Hey Jude" agora embalava os dois.
Aquela visão era a mais perfeita no mundo. Aquela visão conseguiu fazer seu coração derreter.
Emocionado, Kenshin percebeu a respiração travando na garganta.
"Koishii!"
Kenshin caminhou até ela, e tocou levemente o braço de Kaoru. "Vem para o quarto..."
Kaoru abriu seus grandes olhos azuis índigos para ele, enamorando Kenshin ainda mais.
...Como é linda...
"Hmm Anata... Eu cochilei tão gostoso!"
Kaoru sorriu para Kenshin. Com Kenji nos braços, ela levantou devagarzinho e caminhou até o berço. Seu pequeno pacotinho de orgulho e felicidade todo aconchegado em seus braços, dava até dó de tira-lo dos braços, mas ela precisava descansar para ter energia para o dia seguinte.
"Boa noite Kenji-chan..."
A morena beijou a testa do bebê antes de deita-lo no berço. Kaoru o cobriu com o cobertorzinho cheio de girafas fofas estampadas.
"Boa noite Leãozinho!" Kenshin riu, também debruçado no berço observando sua pequena ferinha ruiva, suspirando, agora totalmente relaxado com braços bem abertos. "Até daqui quatro horas..."
"Vem Kaoru..."
O casal foi para o próprio quarto de mãos dadas, apagando as luzes acesas do corredor.
A chuva lá fora caia bem forte agora. E segundo a previsão do tempo, a chuva continuaria assim durante toda a semana. "Mas é tão gostoso dormir de conchinha abraçada ao meu marido. Escutando o barulhinho da chuva batendo no telhado..."
Kaoru deitou na cama, já procurando pelo abraço do marido, que também se deleitava com o conforto do delicioso colchão, dos travesseiros e edredons.
"Hai Koibito!" Kenshin concordava plenamente. "De gozaru..."
Ele puxou a esposa para perto, procedendo como o prometido. Alguns minutos depois o casal dormiu agarradinho de conchinha enquanto a chuva caia lá fora.
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Dois carros estacionaram frente a frente dentro de um gigantesco galpão abandonado, que antes era uma fábrica de tecidos na periferia de Tóquio.
Os faróis dos automóveis eram a única iluminação. A fábrica estava completamente abandonada e não era usado há muito tempo.
No meio de uma noite chuvosa como essa, a fabrica se transformava em um cenário de filme de terror, mas que também podia ser considerado seguro para efetuar transações sem a interceptação pela policia.
O telhado do galpão já não existia mais, tinha despencando há alguns anos. E a chuva caia livremente em cima dos dois automóveis.
Dentro do carro Enishi Yukishiro escutava o som do limpador de para-brisa passando de um lado para outro, limpando as grossas gotas de chuva do vidro.
Enishi não estava lá muito animado em descer do carro, principalmente porque não confiava em Isurugi Raijuta, mas ele precisava. "Esse cara..."
Geralmente Gein resolvia essas coisas para Enishi, mas desde cedo, depois que ele mandou Gein se livrar do corpo de Mei Lee, não teve mais noticia de seu comparsa. Enishi não tinha tempo nem disposição pra ficar dependendo de terceiros e resolveu solucionar esse problema sozinho.
Quando Enishi percebeu Raijuta saiu do seu veiculo de luxo, ele também se moveu. Colocou o capuz sobre a cabeça e encarou a chuva.
Enishi caminhou e parou a poucos metros de Raijuta. Antes de qualquer coisa, Enishi tocou o metal da sua arma. Se Raijuta pedisse por isso, Enishi teria que estar preparado para reagir.
"Ora, ora, você está irreconhecível Yukishiro... mas é sempre um prazer revê-lo..." A voz grave de Raijuta denunciava a ironia por trás daquelas palavras.
"Corta a bobeira Raijuta!" Enishi bufou.
Ele não estava ali para uma social, nem pra ficar falando da sua aparência.
Raijuta tirou a mão do bolso, e Enishi ficou alerta. Mas era só um maço de cigarros e um isqueiro prateado.
"Da última vez você me colocou atrás das grades Yukishiro!" O homem acendeu o seu próprio cigarro, e ofereceu outro para Enishi.
"O que você queria Raijuta? Mesmo com o pagamento do resgate, você quase arrancou o braço do moleque. Yutaro provavelmente está fazendo tratamento na mão até hoje por causa disso!" Enishi tentou acender um cigarro, estava meio difícil por causa da chuva, que agora despencava furiosa, então ele desistiu, jogando-o no chão.
"Quem te escuta falar pensa que você é um santo Yukishiro..."Raijuta levantou sua grossa sobrancelha. "Hmm... E você tinha que atuar no seu papel de policial bonzinho. Salvar o garoto, prender o bandido... Me jogar na cadeia durante anos...Só que na hora de dividir a grana do resgate você exigiu sua parte do mesmo jeito, Enishi!"
Tudo que Raijuta falou era verdade, por isso Enishi não poderia confiar no sequestrador, nem por um segundo.
Raijuta sabia de muitas coisas sobre Enishi e começo da sua vida no crime.
Você foi muito idiota Raijuta! Quer que eu refresque sua memoria?" Enishi fez cara feia.
A historia dos dois era um pouco antiga. Raijuta foi uma das primeiras prisões de Enishi, logo após a formatura na corporação policial.
Bem na época em que Enishi começou a se desviar do caminho correto e decidiu ajudar um grupo de sequestradores em troca de grana. Bandidos e policias corruptos unidos conseguiram organizar e executar de um dos maiores golpes da historia japonesa.
Raijuta era um cabeças do esquema. Ele sequestrou Yutaro Tsukayama, o filho de dez anos do senador Yuzaemon Tsukayama.
O sequestro quase acabou em tragédia, pois Raijuta teve um ataque de loucura e talhou o braço direito da criança, mesmo com milhões de dólares nas mãos.
Raijuta se invocou. "Veio aqui pra negociar ou falar do passado?...E você não tem moral alguma pra me julgar Yukishiro, pelo que eu soube no último anos você tem feito pior que todos nós juntos..."
Enishi caminhou até o capô do carro de luxo de Raijuta e abriu uma maleta cheia de dinheiro. "Tem razão...Vamos negociar! Trouxe ou não trouxe?"
"Kit completo!" Raijuta colocou uma enorme mala de viagem em cima do carro
"Tudo que Gein pediu está aqui! Pistola, silenciador, faca de caça, seringas, tranquilizante, corda, fita adesiva, documentos falsos. Roupa do policial, distintivos com o nome de Heero Yuy e sua foto no lugar da dele... Passaportes..."
Raijuta sorriu. "Vai conseguir fazer isso sozinho? Vai se passar pelo policial Heero?"
Enishi levantou uma sobrancelha. O cara estava se metendo demais nos seus assuntos. Raijuta não era pago pra isso.
"Eu me viro! Aqui tá sua grana Raijuta! Alias que extorsão hein..." Enishi fechou a mala de dinheiro e entregou para Raijuta.
Raijuta encolheu os ombros. ...Cobro mesmo..."Azar o seu..."
"Sua mala, seu dossiê. Histórico, endereços, documentos, familiares, está tudo ai! Esse cara dava um bom sequestro, hein... Hiko Seijuro, tio dele é podre de rico, a gente conseguiria alguns milhões nessa! Ou então o filhinho recém nascido..." Raijuta entregou o mesmo com a mala e a pasta de informações de cor amarela.
Imediatamente Enishi olhou feio para Raijuta. Um daqueles olhares que eram capazes de matar. "Nem pense nisso Raijuta!"
"Não se meta nos meus negócios . Não toque em um fio de cabelos deles..." Enishi não estava interessado em sequestrar Kenshin, ou o maldito filho dele.
O dinheiro do empresário ruivo não interessava para o ex policial.
Era pessoal, era mais do que um golpe pra roubar dinheiro... "Eu já tenho muito trabalho a fazer Raijuta, nem entre no meu caminho..."
...A cabeça de Kenshin Himura é minha...
"Ok, divirta-se sozinho então..." Raijuta sabia que Enishi não era flor que se cheirasse, e que mexer com ele era o mesmo que jogar porcaria no ventilador.
Raijuta e Enishi não se despediram, apenas viraram as costas e caminharam para seus respectivos carros. Raijuta sumiu da fabrica rapidinho.
Enishi continuou ali dentro do carro, ele não matou Raijuta só porque era um contato interessante. O cara era chato pra caramba, mas conseguia bons materiais.
Imediatamente Enishi abriu a pasta e começou a ler todas as informações possíveis a respeito de Kenshin Himura. E tudo que aconteceu com Kaoru Kamiya nos últimos dez meses.
Segundo os arquivos, Kaoru passou por momentos constrangedores. Foi alvo da imprensa e motivos de boatos e fofocas envolvendo até o cantor Shogo Amakusa.
Enishi ficou muito irritado quando viu a exposição dos seios de Kaoru em rede nacional.
Mas era culpa dele mesmo quando cometeu a idiotice de usar o vídeo intimo dos dois como arma para trazê-la de volta pra casa. "IDIOTA. Como eu fui trouxa!"
...Eu nunca deveria ter dado munição esse bando de idiotas...
O maldito Sanosuke sobreviveu, infelizmente, assim como o piloto do helicóptero. Se bem que para Enishi, o piloto não fazia a menor diferença.
Aparentemente todos se esqueceram dele e estavam vivendo normalmente.
Enquanto ele brincava de pega-pega com a policia ao redor da China, Coreia e Rússia, Tomoe e Akira se casaram, a irmã tinha assumido o controle das empresas de Himura.
Conforme lia as informações colhidas, Enishi percebeu que tinha perdido a noção do que realmente acontecia no Japão na sua ausência.
E a noção do tempo que ficou longe.
...Tomoe com o Almofadinha...
Mas Enishi já não se importava com o que a Tomoe fazia ou deixava de fazer. Ela já não ligava mais pra o irmão fazia um tempo.
Tomoe só pensava em Akira...
...Agora Kaoru não. Kaoru é diferente...
...Ela é minha...
... Casada e com um filho...Eu vou fazer esse filho desaparecer...
"Amanhã tudo isso termina..." Enishi se sentiu traído, roubado.
Como um estrategista tão inteligente como ele, não previu que Kaoru cairia na conversa fiada do maldito ruivo?
"Claro que Himura a seduziria." Kaoru era um passarinho carente. Sempre tão desesperada para encontrar um ninho. Desesperada para ser aceita e ter uma família. Apavorada com a solidão.
...Kenshin Himura...
Enishi continuou a ler o dossiê que Raijuta levantou sobre a vida de Kaoru e Kenshin.
E o maldito ruivo recentemente foi noticia em vários veículos de comunicação.
"Kenshin Himura recebe verbas da prefeitura de Shitamachi...Revitalização do dojo... Centro Kamiya Kasshin... Auxilio a crianças carente... "
...Kenshin recuperou o dojo Kamiya em Shitamachi e estava restaurando, recebeu o aval do governo local...
... A vizinhança comemora como se ele fosse algum tipo de salvador da pátria. ...
"Kaoru deve estar seguindo cada palavra que esse Kenshin fala como se ele fosse algum tipo de deus!"
Enishi leu uma última informação antes de fechar o dossiê amarelo. "Avenida Omotesando, 365." O endereço de Kenshin Himura ficava na avenida mais cara de Tóquio.
Enishi apertou o volante com muita força, seu sangue fervendo envenenado com puro ódio. "Eu odeio esse Kenshin! Eu odeio esse Kenshin! EU ODEIO ESSE KENSHIN! ELE TIROU A KAORU DE MIM! ELE ME ROUBOU A KAORUU!"
Ele acelerou furiosamente seu veiculo, cantando pneus, deixando a velha fabrica de tecido abandonada para trás. Enlouquecido, Enishi mal conseguia fazer as curvas. Se não fosse meio da madrugada ele teria causando vários acidentes, pois não conseguia manter o carro na estrada. "AHHHHHHHHH KAORU!"
O homem dirigiu até o distrito vermelho de Tóquio. Enishi seguiu para Kabuki-cho, dominado pela yakuza e cheio de prostitutas. Ele precisava de drogas, ele precisava de sexo.
Enishi ansiava por alguma coisa, ou alguém para descontar a frustração e o ódio que estava sentindo naquele momento.
No dia seguinte Gein teria mais um corpo de mulher, de cabelos negros e compridos, para despejar no oceano. Se ele ao menos conseguisse encontrar onde seu capanga tinha ido parar.
Gein tinha sumido do mapa o dia todo.
^^x
Saitou Hajime só queria ir pra casa. A madrugada estava chuvosa, e ele estava com as botas e o sobretudo molhados. Preso o dia todo em um buraco sujo e mal ventilado na periferia de Tóquio.
...Não tenho mais idade pra isso...
Tudo que ele queria era tomar um banho, jantar e dormir ao lado da esposa. Saitou já estava a quarenta e oito horas sobrevivendo a base de café e cigarro. Só de pensar que em casa, sua esposa Tokyo, tinha preparado uma carne de panela sensacional, o policial salivava.
"Meu amigo... Quase uma da manhã... Ou você começa a abrir o bico, ou eu começo a quebrar sua cara." Heero já estava preparando as mãos para o soco. Gein brincou com ele o dia todo, com aquela cara sarcástica de quem está tirando sarro.
O jovem policial tinha um pouco da personalidade de Saitou, frio e controlado, mas não tinha paciência que durasse com o bandido tirando onda.
E ainda a convivência com Saitou o deixava mal humorado e cheirando cigarro, e Heero odiava cheiro de cigarro... Trabalhar com o policial mais velho era uma experiência e tanto para sua carreira profissional, mas Hajime Saitou não era a pessoa mais agradável do mundo, principalmente quando ficava com fome.
"Violência policial! Vocês não podem fazer isso! Eu não vou falar nada até que vocês dois me digam onde eu estou?" Gein já estava cansado, o dia inteiro sentado naquela cadeira, tentando enrolar os dois policias. Algemado àquela mesa chumbada no chão, sua bexiga estava explodindo. E propositalmente os policias não permitiam que ele fosse ao banheiro.
"Isso é tortura, é contra a lei! Por que não estamos em uma delegacia? Que tipo de policiais são vocês?" Gein foi preso no momento que jogava o corpo de Mei Lee no oceano. A alma do chinês quase saiu do corpo quando ele olhou para o auto e viu um helicóptero na sua cabeça, e os dois policias, em pleno mar, descendo de rapel por uma corda direto na pequena lancha.
Ele não tinha a mesma habilidade para cenas de ação como Enishi tinha.
Tudo que restou a fazer foi a rendição, mas não foi parar na delegacia. Enfiaram um capuz na sua cabeça e o levaram pra algum porão.
"Violência?" O jovem policial Heero Yuy riu sarcasticamente.
Gein não tinha nem ideia do que eles eram capazes. Tanto ele, quanto Saitou estavam fartos de Enishi e sua turma.
"Cara...Você não tem ideia..." Heero estava se preparando para socar o bandido até que não ficasse muito do rosto para salvar.
Saitou não permitiu.
"Calma lá Gafanhoto!"
Saitou contornou a mesa e sentou ao lado de Heero, frente a frente com Gein.
Calmamente ele acendeu mais um cigarro, cruzou os braços e pernas. "Onde Enishi Yukishiro montou o quartel general e o que ele está tramando?"
Hajime Saito era conhecido como lobo de "Mibu" por causa da região onde ele nasceu e foi criado. Ele não tinha chegado ao cargo mais alto da corregedoria a toa, Saitou tinha um código de ética feroz. ...Aku Soku Zan...O mal eliminado imediatamente... e ele reconhecia isso no jovem Heero, apesar da pouca idade, o policial seria um bom aprendiz, só precisava de um pouco mais de paciência.
Saitou começou primeiro falando tanto para Heero, quanto para Gein. "Veja bem... Não estamos em uma operação padrão aqui, não é Heero?"
O jovem policial consentiu.
O lobo continuou, dessa vez olhando para Gein. "Essa operação está correndo em segredo, portanto ninguém sabe que a policia te prendeu Gein , não temos testemunhas... A não ser eu, Heero e o piloto do helicóptero...Ninguém vai se importar caso seu corpo apareça boiando em um rio qualquer daqui uns dias... Então..."
O olhar de Hajime Saitou fez o sangue de Gein gelar.
Saitou soltou a fumaça do cigarro bem na cara do bandido.
"Estou te dando uma chance Gein...Ou você pega e continua vivo... ou você...boia... E confie em mim, você está quase boiando... Tua vida tá em jogo aqui Gein, você quer se salvar ou não?"
Certamente ninguém queria cruzar com um lobo faminto no meio da madrugada, ainda mais quando se está algemado em uma cadeira, em uma salinha pequena e mal iluminada em um porão qualquer.
Por mais que Gein não quisesse admitir, ele sabia que Saitou estava falando a verdade.
Gein tinha uma chance, se tivesse sido levado para uma delegacia de polícia para o interrogatório, mas nesse porão...
Quem saberia? Ele estava nas mãos de Hajime Saitou e Heero Yuy.
Gein notou um brilho sinistro no âmbar nos olhos de Saitou. O comparsa de Enishi sentiu que agora era hora de começar a colaborar com esses dois policiais. Ninguém tinha mais paciência para sua enrolação...
"Uma ilha no pacifico..." Gein engoliu seco e começou a abrir toda a caixa de pandora das coisas que Enishi tinha feito, fazia e pretendia fazer em relação à máfia de armas e drogas.
Gein não contou sobre a obsessão de Enishi com Kaoru Kamiya, ele deixou isso de fora como vingança pelos policias terem feito essa tortura. Sem comida, água e banheiro durante todas essas horas.
Depois de todas as confissões do mafioso, Saitou chamou Heero para fora da sala, trancando Gein lá dentro com hambúrguer, batatinha e refrigerante, que o comparsa de Enishi devorou prontamente.
Heero esfregou as mãos no rosto com vigor, ele estava exausto. "Demorou mais do que eu imaginava."
Saitou não comentou que concordava com seu aprendiz, apenas acendeu mais uma cigarro. "Uma pessoa vai ficar de vigia o resto da noite. Depois de desmantelar a quadrilha leve Gein pra cadeia. Mas antes você vai pra casa, descanse. Amanhã cedo junto com uma equipe você vai pra ilha de helicóptero... Quero todos os comparsas de Enishi presos, quem resistir pode descer bala sem dó... "
Heero concordou, claro. Ele não tinha dó de bandido. E essa turma de Enishi era barra pesada, e o jovem policial já previa que a briga seria bem violenta. "E você?"
Saitou acendeu um cigarro. "Eu vou ficar em Tóquio e cuidar de Enishi!..." "
...Amanhã cedo...
Saitou e Heero saíram da casa na periferia de Tóquio.
Agora Saitou finalmente poderia tomar o tal sonhado banho, comer a carne assada de sua esposa Tokyo e descansar algumas horas.
A brincadeira de gato e rato entre ele e Enishi começaria cedo. Infelizmente Gein não sabia exatamente onde Enishi estava agora, mas Saitou o encontraria. Ele não permitiria que o traidor da corporação policial escorregasse por entre seus dedos assim tão fácil.
"O mal eliminado imediatamente..."
^^x
Continua...
É... Enishi perdeu completamente o rumo. Ele está oficialmente "fora da casinha"...
Só relembrando um pouco os personagens que aparecem nesse fanfic e que não são lá muito famosos.
Natsu (somente manga)- é a princesa que aparece na primeira publicação profissional de Nobuhiro Watsuki. A primeira "versão" de Hiko Seijuro, que a ama e a salva do vilão Iwano em "Sengoku no Mikazuki Lua Crescente sobre um País em Guerra." Eu não achei online essa historinha, somente no meu manga mesmo.
Raijuuta Isurugi (personagem que existe no manga e no anime, com diversas diferenças) é um samurai insatisfeito com o rumo que o kenjutsu estava tomando no Japão, e pretende reviver o velho estilo de esgrima Satsujin. Então ele começa a desafiar os dojos e criar um pequeno "exercito". Ele desafia o dojo Maekawa, naquela cena que eu adoro, que todos os estudantes do dojo ficam com medo dele, e a Kaoru fala algo do tipo "não sou desse estilo, mas eu vou lutar com você para manter a honra do dojo!" No anime a historia é diferente, mas ele também é o "mestre falso" do Yutaro Tsukayama. Tanto no manga, quanto no anime ele machuca o braço do Yutaro
Gein- (personagem que só existe no manga) Comparsa do Enishi. Mercenario filho da p***, conhecedor da tecnica secreta de criação de bonecos que imitam as pessoas, e responsavel pelo nosso sofrimento durante o Jinchuu (sim, ele fez aquele boneco perfeito da replica da Kaoru). Aoshi Shinomori dá cabo do Gein, e do boneco da Kaoru incinerando tudo depois de uma luta no cemiterio! (PONTO PRO AOSHI-SAMA ehhhh! Alias, Aoshi durante o Jinchuu arrasa... pra compensar a idiotice durante o arco de Tokyo, abafa!)
Shougo Amakusa (personagem que só existe no anime) é guerreiro cristão representante do estilo Hiten Mitsurugi Ryuu ensinado por Ryoi Nishida. Ele deseja vingança contra a nação japonesa pela perseguição aos cristões. Ele comete crimes, é preso, mas o governo japonês decide perdoar Shougo, mas também que ele seja exilado do país com toda comunidade cristã para vai para a Holanda, onde muda seu sobrenome para Muto.
Sayo Amakusa (personagem que só existe no anime)- é a irmã caçula de Shougo, muito religiosa que tenta ajudar os outros. Rola um clima entre ela e Sanosuke, mas alem de sofrer com tuberculose também é baleada e morre nos braços de Sano. (cena triste)
Shozo (personagem que só existe no anime) é o seguidor e amigo de infância de Sayo, apaixonado por ela, tem ciumes de Sanosuke.
Heero Yuy é de Gundam Wing, só uma brincadeira com a Lica, porque ela é mega fã dele! ^o^
O resto acho que todo mundo lembra, ne? ^_^
Obrigada pelos reviews:
Marismylle, acho que eu consegui contar um pouquinho o que está acontecendo na vida de todo mundo. Sano e Megumi que ainda estão meio balançados, mas acho que tudo vai dar certo no final! E realmente coitada da Mei Lee, ela não era nenhuma santa, mas não merecia aquilo, tadinha, mas o Enishi tá reservado...muahahaha
Lica- Obrigada por emprestar o Heero, ele tá me ajudando pacas, percebi que ele tá virando o pupilo do Saito (medo dessa dupla) E o Enishi...em breve (pisca pisca) Enishi nessa altura do campeonato não está se importando com mais nada, ele perdeu a cabeça!
HarunoKuchiki- Quantas emoções!Isso não é um fanfic é uma montanha russa kkkkkkkkk Não tema, estou chegando lá... Só falta mais um pouquinho.
Kaoru Himuramiya- Eu falo que vou dar um tempo de escrever fanfic, mas no final, acabo com mais trezentas ideias para novas estorias. Vocês provavelmente não me aguentam mais kkkkkkkk Fiquei super feliz de ter conseguido mostrar Kenshin e Kaoru como casal, sem perder um pouco da magia. E gemeos para Megumi e Sanosuke? Eu gostei...^o~
Até o próximo, finalmente Enishi x Kenshin. Reviews sempre bem vindos.
