Disclaimer: Rurouni Kenshin não me pertence.
Só um alerta: Violencia, palavrões, alusões a estupro e violencia contra menores, o Enishi está em pleno surto... desculpe gente! Não me xinguem!
"Koi no Yokan"
Parte 21
Por Chibis
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O café dentro da xícara já estava esfriando, um tanto quanto esquecido entre as mãos de Kenshin . O ruivo apertou a xícara e murmurou para si mesmo. "Clima mais estranho!" Ele trouxe o liquido até boca e fez uma careta. Estava horrível, frio.
...Sete da manhã... O dia não clareia. A chuva não para... O vento fica mais forte...
Na cozinha, o ruivo se pegou hipnotizado pela chuva intensa que caia sobre Shibuya. O vento, tão forte fazia a copa das árvores na avenida lá embaixo balançar de um lado para outro. O granizo tinha o tamanho de bolas de ping pong, e já se acumulava no asfalto como se fosse neve.
Um clarão fez com que ele tomasse um susto e se encolhesse. Foi um relâmpago rasgando o céu, caindo no para-raios do prédio vizinho. "Oro!" Na sequência, a vidraça estremeceu com o estrondo assustador do trovão.
Quando Kenshin leu a previsão do tempo, chegou a duvidar que fosse verdade. Um tufão? Em plena primavera.
...Só porque eu tenho que pegar estrada hoje... E a vontade de Kenshin de dirigir estava perto de zero naquela manhã. Mesmo se cancelasse o compromisso, ele teria que ir até Shitamachi verificar as consequências da chuva no dojo e na casa, praticamente terminada.
Tufões não eram comuns na primavera, geralmente ocorria em decorrência das altas temperaturas do verão japonês.
O ruivo passou os dedos no vidro da janela da cozinha, desembaçando um pouco. A avenida lá em baixo estava começando a alagar, e alagamento no bairro mais rico da cidade era uma tremenda ironia.
"Ninguém está livre da fúria da natureza!"
Kenshin dispensou o café na pia.
Com um estalo ele acordou para suas tarefas, afinal de nada ajudaria ficar olhando para o céu, que parecia despencar, de tão carregado.
Ele voltou a preparar o Asagohan, o desjejum japonês, que na verdade era um almoço. Bolinhos de arroz conhecidos como onigiris. File de salmão grelhado conhecido como shake. Missoshiru. Picles. Algas marinhas. Chá verde.
Todos os elementos que também comporiam os bentõs, ou seja as marmitas, da residência.
Kenshin não precisou virar o corpo, pois já sabia quem entrava no ambiente. Ele conhecia o som dos passos de Kaoru e a energia dela. "Que relâmpago assustador!"
"Bom dia!" Ele exclamou com um sorriso simpático, mas continuou escorrendo o arroz, enquanto Kaoru entrava na cozinha.
Kenshin havia acordado bem cedo naquela manhã, saiu do quarto de casal na ponta dos pés enquanto a esposa ainda dormia.
"Bom dia!" Kaoru deu uma espiada através da janela. "Wow, que chuva!" A morena agradeceu por não ter que sair do apartamento tão cedo naquela manhã.
"Hai, de gozaru!" Era o jeito de Kenshin concordar com Kaoru.
Com uma habilidade impressionante com a lamina da enorme faca, o ruivo cortou os files de peixe com precisão. Definitivamente, daria um perfeito "sushi man" se quisesse montar um restaurante especializado. Mas dessa vez o salmão não seria servido cru como sashimi, e sim grelhado.
"Ai que cheirinho bom !" O estômago da morena roncou mais alto do que o normal ao sentir o cheiro da carne de peixe grelhando "Que fome!"
Kenshin sorriu para ela. "Quase pronto, só mais um minutinho!"
"Dormiu bem?" Ele perguntou, mas já sabia a resposta.
Pela primeira vez desde o nascimento de Kenji, os três, e Yahiko dormiram cinco horas seguidas, e isso era um marco na nova vida dos Himuras.
Kaoru abraçou o marido por trás, e passou os braços ao redor da cintura dele.
"Hai hai, dormi bem... Com meu maridinho perto, dormi muito bem... "
O ruivo continuou com seus afazeres culinários, mas como um adolescente apaixonado, não conseguia parar de sorrir quando Kaoru estava por perto. "Koishi!"
Qualquer dia o ruivo começaria a ter câimbra no rosto de tanto sorrir.
"Já fiz minha escala no quarto do meu ruivinho. Mamou feito um bezerro..." Kaoru fez uma careta já imaginando a fralda atômica que teria que trocar em breve.
"Não acordou com o trovão?" Kenshin se surpreendeu. Kenji era uma caixinha de surpresas.
"Nada! Está todo satisfeito com a barriguinha cheia." Kaoru riu, ainda agarradas nas costas do marido.
"Explicada sua fome..." Kenshin riu, e começou a fatiar algumas fatias de tofu e picles com uma rapidez impressionante. "Já estou deixando seu bentõ pronto para o almoço, ok?"
"Ok, minha dona de casa!" Kaoru gargalhou com a inversão dos papeis.
O bentõ tradicionalmente ficava por conta da esposa, mas Kenshin preparava com maestria a "marmita do dia". Aliás, Kenshin era perfeito em todos os afazeres domésticos. Lavava, passava, preparava as refeições, trocava fraldas, dava banho no bebê como ninguém.
Se pudesse provavelmente amamentaria Kenji também... O rosto de Kaoru começou a se contorcer imaginando o marido gravido e no papel de mãe, literalmente.
...Creio em Deus pai! Que visão bizarra! APAGA ISSO!... Kaoru começou a rir sem parar. "Hahahahaha"
"Oro!" Ele sentiu a esposa chacoalhando nas suas costas de tanto rir.
Kenshin parou um pouco com seus afazeres e virou o pescoço para visualizar o rosto dela. "Você está pensando besteira, não é?"
"Não!" Ela riu ainda mais.
O ruivo voltou a cozinhar, mas antes segurou as mãos de Kaoru que ainda o agarrava pela cintura, e as trouxe até os lábios, dando beijinhos demorados nos dedos finos da esposa. "Kaoru..."
"Só estou pensando que o Kenji está ficando gordinho, e as próximas fraldas você quem vai trocar..." Ela mentiu.
"Oro!"
Um sorriso maroto escapava lábios, Kenshin não estava vendo, mas estava sentindo. "Sei..."
Kaoru, grudada nas costas dele, acompanhou Kenshin, da pia para o fogão, do fogão para a pia novamente.
Ele já estava terminando a comida, quando sentiu as mãos de Kaoru, percorrendo todo seu tórax, cintura, pousando novamente nas suas costas.
Kaoru tirou o longo cabelo de Kenshin do caminho, jogou o rabo de cavalo ruivo, que chegava à cintura, por cima do ombro esquerdo.
Kenshin inclinou a cabeça expondo-se ainda mais para a esposa. Agora seu ombro direito, nuca e pescoço livres para Kaoru. "Hm..."
A morena despejou vários beijinhos no ombro, na nuca, pescoço e nas costas do marido, Kenshin arrepiou-se cada vez que a boca de Kaoru encostava na sua pele.
O ruivo riu quando percebeu as mãos de Kaoru puxando insistentemente a barra da sua camisa, tirando-a de dentro da calça social. "Maa maa... Kaoru dono..."
"Hmm... sim?" A morena indagou inocentemente.
Os dedos finos e ligeiramente frios de Kaoru invadiram o tecido da camisa dele, chocando-se contra sua pele quente.
As unhas femininas rasparam pelo dorso de Kenshin, depois deslizaram para a barriga e subiram para o tórax, causando cócegas no processo.
"Kaoru!"
Kenshin se contorceu todo quando as unhas de Kaoru subiram e rasparam seus mamilos masculinos.
Kaoru mordeu o próprio lábio inferior, suprimindo seu sorriso e a risada que queriam escapar. Ela simplesmente adorava torturar Kenshin desse jeito. Era quase uma rotina matinal.
"Fome..." Os lábios dela tocaram a pele dele. Kaoru rosnou contra a pele quente do ruivo. "Fome! Grr" Como uma vampira, Kaoru começou a morder o pescoço de Kenshin, obviamente sem machucar.
Kenshin abaixou a cabeça e apertou o cabo da faca que estava na mão direita. ...Kaoru... Ela estava despertando seu desejo.
Propositalmente, Kaoru deixou que sua língua quente e molhada tocasse a pele do quente do pescoço do ruivo. "Fome de Kenshin..."
A morena riu ao perceber os pelos avermelhados dos braços de Kenshin arrepiando-se.
Kenshin se encolheu, todo ouriçado. "Koishii...Yahiko vai entrar a qualquer minuto..."
...Que tortura...
O coração do ruivo estava batendo acelerado, bombeando sangue massivamente para todas as veias e artérias do seu corpo. E pra piorar ele começou a sentir fisgadas em lugares que não poderiam receber atenção àquela hora da manhã. Ele não tinha tempo de tomar banho gelado agora, Kenshin ficaria o dia todo com o desejo latente caso a esposa continuasse com aquela brincadeira. "Para por favor!"
"Hmm! Ok... Sem mordida!" Kaoru desistiu das mordidinhas.
Mas a tortura não acabou, ela voltou aos beijinhos leves no pescoço do marido. As mãos da morena estavam novamente por dentro da camisa, pousando no peito, sentindo o coração louco de tão acelerado. Tumtum tum tum tumtum...
"Kaoru!" A voz de Kenshin soou bem diferente agora. Quase como se ele estivesse bravo, mas Kaoru sabia bem que não era o caso...
""Kaoru..." Ele exclamou novamente. Era um aviso.
A voz masculina, rouca e baixa a fez suspirar.
Kaoru amava escutar Kenshin dizendo seu nome desse jeito. Ela amava esse tom de voz, lotado com todo o desejo que o ruivo sentia. Era um tom que Kenshin só usava com ela, nos momentos mais íntimos.
"Ken...shin..." Kaoru o apertou mais um pouco com seus braços. Ela não tinha palavras para expressar como amava e desejava aquele homem. O que ela podia fazer, era enchê-lo de carinho e afeto.
Kenshin fechou os olhos se concentrando. As unhas de Kaoru desenhando círculos em volta do musculo peitoral dele. "A senhora está mesmo disposta a fazer com que os próximos dez dias sejam os mais torturantes da minha vida não é?"
"Exatamente!" Kaoru provocou. Ela sorriu sensualmente pertinho do ouvido dele.
"Hm!" Kenshin só precisava de mais uma gota.
Apenas uma pequena gota, e seu copo transbordaria.
Compromisso. Imposição. Ele levaria essa mulher para o quarto agora mesmo e...
Mas Kaoru percebeu que o ruivo estava no limite, e tirou as mãos de dentro da camisa do marido finalmente. "Ok..."
Kenshin não gostou de perder o contato.
Ela sorriu inocente. "Hei, Kenshin, são só nove dias"
Kenshin virou o rosto pra olhar para ela. O sorriso de Kaoru aumentou mais ainda.
"Masaka...Não faz isso...Doutor Gensai vai me matar..." O ruivo lembrou das palavras do médico...
Mas Kaoru Kamiya Himura era sua tentação ambulante.
Kaoru piscou pra ele de um jeito malicioso. "Baka!"
A jovem deu um passo pra trás, mas antes de se afastar completamente do marido, deu um aperto forte no traseiro de Kenshin, com as duas mãos. Não contente, o empurrou contra a pia usando seu próprio corpo. Kaoru encoxou Kenshin com sua virilha e suas coxas bem torneadas.
"Ororororo!"
Ele quase engasgou e Kaoru gargalhou alto.
"Kaoru...Onegai!"
Essas provocações...
A voz dele era de alerta. "Para agora!"
Os olhos de Kenshin já estavam mudando de cor, se Kaoru continuasse, o ruivo seria obrigado a ensinar umas lições até que ela perdesse o folego e pedisse misericórdia.
"Eu já parei... já parei!" Inocentemente a morena colocou as duas mãos para o alto e se afastou.
Kaoru apanhou uma maça que já estava lavada na pia e mordeu, o gosto doce e suculento da fruta explodiu na sua boca. "Viu? Parei!"
Até pra comer a fruta ela provocava, e Kenshin precisou fechar os olhos, para acalmando o lado mais explosivo, impaciente e passional do seu espirito.
O lado que volta e meia o deixava com um desejo incontrolável, e penetrantes olhos dourados .
Kenshin colocou o arroz na panela elétrica. Mais alguns minutos, e o ruivo já poderia preparar seus famosos onigiris, se bem que ele desconfiava que não daria tempo de preparar bolinho nenhum.
"Você faz isso só porque eu estou todo atrapalhado hoje, e com esse temporal lá fora! Ainda tenho algumas caixas com as antiguidades para levar para o carro. Deixar Yahiko na escola, ir para Shitamachi encontrar com Kamatari e depois pra..." Ele olhou para Kaoru e parou imediatamente.
Inocente, Kaoru fazia biquinho com os lábios, fingindo magoa. "Desculpa! Foi sem querer... Me perdoe por atrapalhar o seu dia! Me perdoe por atrapalhar a preparação do nosso bentõ diário!"
"Vem cá!" Kenshin esqueceu do arroz e dos compromissos.
Ele acabou com a distancia entre os dois, a puxou de uma vez só para perto, enlaçando-a pela cintura. Os dois trocaram um beijo extremamente apaixonado.
...Difícil controlar...
Kaoru aceitou imediatamente, e passou os braços ao redor do pescoço dele, oferecendo sua boca e sua língua para o deguste de Kenshin.
O ruivo se deliciou com o gosto doce e suculento da maça que Kaoru tinha acabado de morder.
O beijo começou a ficar quente e molhado demais para aquela manhã chuvosa e cheia de compromissos. Ambos diminuíram um pouco as lambidas e sucções, aliviando a pressão dos lábios que já estavam bem vermelhos.
"Delícia de marido!" Kaoru apertou as nádegas de Kenshin com vontade.
Os beijos seguintes foram selinhos rápidos e barulhentos.
Relutantemente, mas necessariamente, Kenshin se afastou dela de vez.
...Kami-sama...
Kenshin precisou de concentração para tentar reencontrar seu rumo e terminar o bendito desjejum. "O que minha esposa tem programado pra hoje?"
"Vejamos... Se a chuva diminuir, eu preciso passar na farmácia para comprar algodão, creme para assadura e... A manhã está bem tranquila..." Kaoru deu mais mordida na suculenta maça e se afastou de Kenshin seguindo na direção da geladeira.
"Pela internet eu posso pagar as contas, a fatura do cartão e...hmmm...Como eu pude esquecer?" Conforme ia lendo, apontava para o calendário com as anotações diárias da casa que estava grudado no eletrodoméstico.
"O que?" Kenshin indagou curioso.
"Kenji tem consulta com o pediatra hoje... às 13 horas."
Kaoru colocou a mão na cintura.
"Ai Kenshin, dessa vez quero sair antes da hora do almoço. Não quero passar vergonha como da última vez." Ela ficou vermelha ao lembrar-se da primeira consulta de Kenji.
Kaoru saiu de casa parecendo uma muambeira com tantas coisas que estava carregando. Carrinho de bebê, malas, cobertores, chupetas, fraldas. Tanta preparação, tanto ensaio e chegou à consulta com quase uma hora de atraso.
Kenshin também foi olhar o calendário na geladeira. "É mesmo?..."
Ele também havia se esquecido desse compromisso. "Oh não... droga!"
"Que foi?" Kaoru olhou para Kenshin com curiosidade.
O ruivo dificilmente não xingava.
Kenshin coçou a cabeça.
Ele não gostou disso. Nem um pouco.
"Encontramos uma madeireira em Takasaki. Eles possuem uma quantidade excelente de carvalho antigo que foi retirado de um dojo da era Meiji demolido. Acho que dá para terminar todo o engawa em volta da casa, e terminar essa obra de uma vez, mas o dono é um velhinho bem chato e está relutante em me vender todo o material."
"Por quê?" Kaoru não entendeu muito bem. Kenshin pagaria por cada peça, porque esse senhor não queria vender?
"Ele se revoltou com a destruição do dojo centenário e quer preservar essas madeiras... então só vende se for usado para reconstruções históricas... É um senhor de quase cem anos. Eu entendo o lado dele, mas Kamatari não tem tanta paciência assim... Então eu tenho que ir negociar... Não queria pegar estrada com essa chuva, mas preciso resolver isso..."
O ruivo continuou, Kaoru estava fazendo cara de "O que uma coisa tem a haver com a outra?"
"Bem, ele aceitou conversar comigo hoje... Combinei de deixar mais uma parte das antiguidades lá em Shitamachi e encontrar com Kamatari... Depois de deixar Yahiko na escola... mas são quase duas horas de viagem, acho que eu não volto a tempo da consulta do Kenji... Ainda mais junto com Kamatari, que enrola pra caramba..."
"Ah..." Agora fez sentido pra Kaoru. "Sem problemas, eu vou sozinha! A tarde a chuva já vai ter diminuído bastante..."
Yahiko entrou na cozinha para tomar seu café da manhã e escutou parte da conversa. "A escola vai dispensar os alunos mais cedo hoje...mas eu posso faltar de vez e ir com a Busu!"
O menino já estava uniformizado para a aula, com sua mochila nas costas.
Yahiko estava com vontade zero de fazer mais uma prova, e não fazia o menor segredo a respeito. Se Kaoru e Kenshin permitissem que ele faltasse na escola hoje, ele soltaria um rojão lá no terraço.
"Há há há ...Bela tentativa moleque! Essa prova é importante demais pra isso" Kaoru riu falsamente, depois ignorou as reclamações do menino que dirigiu "belas" palavras para sua busu, ou melhor shihandai.
"Droga..." Derrotado, Yahiko parou de reclamar e enfiou um pedaço de shake de salmão na boca.
Mas a atenção de Kaoru estava em Kenshin, e só pela cara que o marido estava fazendo, Kaoru já sentiu um baita drama se formando. "Kenshin vai tranquilo! Depois de um mês eu já posso dirigir e..."
"Eu também acho Kenshin. Quem em sã consciência vai querer cruzar o caminho de uma mulher tão feia? Nem São Pedro!" Yahiko gargalhou, mas parou quando sentiu um raio furioso passando pelos olhos de Kaoru.
"O que você disse? Seu moleque?" Kaoru levantou o braço, e apertou o punho. Ela mostrou músculos de marinheiro para o garoto.
Kenshin ignorou os dois, que começaram a se matar como cão e gato, e fez cara feia. "De jeito nenhum. Vai chover muito hoje... Não vou te deixar sozinha com um bebê de um mês debaixo de chuva... E todas aquelas coisas para carregar! Eu vou ligar agora para o Senhor Kabuki e Kamatari e cancelar..."
Kaoru parou de socar Yahiko.
"Debaixo de chuva?" Os olhos dela rolaram com o desespero do marido.
Kaoru repetiu.
"Debaixo de chuva?" Que chuva Kaoru tomaria se o carro sairia da garagem do prédio direto para a garagem do hospital?
"Sim!"
"Que exagero!" Kaoru bateu o pé. "Himura! Uma hora eu vou ter que sair de casa sozinha. Você sabe disso não sabe?"
Kenshin fez cara feia. "Não! Não com essa chuva..."
Um lado de Kaoru sabia que fazia sentido, mas sua teimosia chutou forte.
"Como não?" Kaoru cruzou os braços. "Nunca mais vou poder sair de casa se estiver chovendo?"
Kenshin ficava louco com a teimosia dela. "Kaoru, você só tem um mês de cirurgia, seu corpo nem se recuperou e o bebê..."
Kaoru também conseguia fazer cara feia pra ele se fosse necessário. "Você está exagerando, eu estou ótima. E o senhor sabe bem disso!"
"Xi...Começou! Tô fora" Yahiko saiu de fininho da cozinha.
Os olhos da morena rolaram. Kaoru sabia que não adiantava ficar discutindo com Kenshin, ainda mais quando ele começava com "Kaoru dono". Então resolveu se calar dessa vez, mas não se rendeu por completo.
Às vezes Kenshin conseguia fazer com qualquer assunto não tivesse mais fim.
Com esse jeito calmo e bonzinho, Kenshin geralmente conseguia fazer com que tudo saísse exatamente do jeito que ele queria que fosse. Ele era um tantinho manipulador às vezes e sabia usar as palavras certas. "Kaoru dono, este servo acha mais prudente que a você seja preservada de certas situações e a chu..."
"Matte!" Kaoru fez sinal com as mãos para que ele parasse ali mesmo. "Matte! Eu já sei..."
Claro que Kaoru tinha suas inseguranças, mas não podia permitir que o medo e os pesadelos dominassem sua vida.
Kenshin a olhou fixamente, daquele jeito que chegava a ser desconcertante.
"Sanosuke pode me levar. Eu vou combinar com ele agora mesmo! Ele estaciona na garagem... ninguém vai tomar chuva! E no caminho de volta a gente passa na escola e já pega o Yahiko que vai sair mais cedo, ok? Satisfeito?" Kaoru já tirou o telefone do suporte da parede e saiu da cozinha discando.
"Eu vou mudar meu compromi..." O ruivo pretendia continuar com as suas negativas, mas a panela elétrica do arroz apitou. "Kaoru?"
"ORO?" Kenshin se deu conta de que estava falando sozinho.
A morena foi para a sala conversando animadamente com Sanosuke e ignorando Kenshin. Kaoru e Sanosuke combinaram tudo, Sano também tinha que colher alguns exames de sangue no hospital e aproveitaria enquanto Kenji passava pela consulta com o pediatra.
"Kenshin, quase sete e vinte. Yahiko já está atrasado para a escola! E você está cheio de compromisso. Melhor se mandar agora... BAKA!" Kaoru gritou do corredor, acabando com as chances que Kenshin tinha de continuar com qualquer protesto.
"Oro!"
Uma batalha perdida para Kenshin.
Kaoru apareceu na cozinha novamente, ela piscou para Kenshin, e jogou um beijo pra ele, e depois sumiu novamente para o corredor, a morena tinha uma fralda bem sujinha para trocar.
Mas Kenshin e Kaoru eram igualmente teimosos. Ele não deixaria Kaoru sozinha com essa chuva caindo lá fora. Assim que a esposa sumiu, o ruivo alcançou o aparelho celular que estava no balcão e apertou o número de Kamatari.
"Moshi, moshi...Kamataru desu!"
"Kamatari surgiu um imprevisto. Não consigo ir para Takasaki e voltar. Você pode resolver isso pra mim? Vai calma, pelo amor de Kami sama..."
O arquiteto garantiu que sim, que conseguiria dar conta de convencer o idoso de 99 anos.
"Deixa o Senhor Kabuki saber que as madeiras serão usadas para uma reconstrução histórica como foi combinado..."
Os olhos de Kamatari rolaram do outro lado da linha. "Claro que sim Kenshinzinho! Confia em mim... Gente, por que esse velho é não quer vender as madeiras? Não tá de graça não..." Kamatari exclamou com uma voz bem afetada.
"Masaka... Kamatari..."Kenshin reclamou.
Kamatari ia assustar o idoso e perder toda a negociação, o ruivo já previa.
"Olha, vamos fazer o seguinte Kamatari. Me encontre em Shitamachi em um hora, vou lhe passar todo o material necessário para terminar o dojo"
"Ok, baby!" Kamatari simplesmente não entendia porque esse velhinho de Takasaki era tão encrenqueiro.
Kenshin mal terminou seu café da manhã, beijou a esposa e o filho. Carregou caixas com obras de arte para o carro, e quinze minutos depois já estava dentro do carro levando Yahiko para o colégio.
Com certeza, até meio dia ele resolveria todos os problemas, e estaria de volta para casa para acompanhar Kaoru na consulta.
A esposa concordando ou não.
Kenshin ensinaria Kaoru que no quesito teimosia, ele conseguia ganhar dela.
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Kabuki cho. Sete e quarenta da manhã.
Uma nova tempestade, ou melhor, um tufão fora de hora, passava furiosamente pela cidade de Tóquio.
Ventania, raios, trovões e granizo explodiam sem misericórdia desde a madrugada, ironicamente esse clima combinava com o humor de Hajime Saitou.
Também pudera. O policial não dormiu suficiente. Não se alimentou suficiente. Ainda saiu de casa discutindo com a esposa, que acreditava que ele teria um infarto a qualquer momento se continuasse nesse ritmo.
Pra ajudar foi chamado para uma cena de crime no lugar que era praticamente o quartel general da máfia japonesa.
Os letreiros de neon balançaram com a forte rajada de vento. A meteorologia garantiu que a tempestade perderia força nas próximas horas, mas era meio difícil de acreditar.
Hajime Saitou estacionou seu carro cinza na viela do distrito vermelho. A rua era tão estreita, que seu veiculo impediu a passagem de outros automóveis.
Saitou visualizou duas viaturas de policia com o giroflex, vermelho e azul, acionados e concluiu qual porta deveria entrar. Os hotéis, motéis nessa região eram amontoados e muito parecidos, e ele não tinha o número exato do local do crime.
O lobo sentiu uma ponta de compaixão pelos coitados que estavam guardando a cena, molhados das cabeças as pés, debaixo da chuva congelante da manhã.
Saitou estava tendo algum surto de compaixão ultimamente, talvez fosse toda essa conversa de Tokyo sobre saúde e bem estar, o lobo sentiu até pena de Heero Yui, seu jovem parceiro nessa investigação, que estava dentro de um helicóptero rumando para uma ilha deserta no meio do oceano revolto, bem no olho de um tufão.
Antes de embarcar, Heero recebeu as instruções via telefone, e animado pela missão importante brincou com sua falta de medo em voar com aquele tempo. "Dentro do helicóptero pelo menos sobrevivo a tsunami, já vocês...!" O jovem provocou, e riu brevemente, mas cortou o humor negro e ficou sério novamente quando percebeu que teria que atravessar uma nuvem imensa negra, eletrificada, e carregada de raios.
Saitou não desejou boa sorte ao novato, que estava pronto para invadir a ilha metralhando tudo e todos, como em um filme americano de ação. Ele não precisava verbalizar a confiança, o fato de dispensar tanta atenção, e dar tantas dicas ao jovem já demostrava que simpatiza com a personalidade e gostava de trabalhar com Heero,
Mas Heero que não esperasse sentado pra escutar em o lobo dizer isso em voz alta.
Saitou apenas afirmou que "Odiava sapatos molhados, tanto quanto odiava a máfia." antes de terminar a ligação. E essa foi sua tentativa, esquisita, de demonstração de humor.
E Saitou realmente odiava a máfia.
A Yakuza frequentemente brincava de "Robin Hood" para manipular a sociedade, mas raramente cooperava com a policia. Mas do que Saitou poderia reclamar afinal? Eles eram bandidos afinal, e a própria corporação policial tinha seus esquemas.
O submundo era assim, e provavelmente continuaria assim pra sempre, para Hajime Saitou restava lutar para manter o mal sob controle.
Ele desceu do carro finalmente. Enfrentou a maldita chuva gelada, e as poças de água que molhava seus sapatos. No canto do olho cor âmbar, já percebeu o olhar desconfiado e ameaçador de alguns homens tatuados se escondendo atrás de portas.
... Isso vai manter os jornalistas longe...Pra alguma coisa esses tatuados servem...
Saitou não tinha medo de bandido. Se a coisa engrossasse o lobo não hesitaria em acabar com dois, três ou uma dúzia.
Mas ele estava em outra missão agora.
Encontrar Enishi Yukishiro, que estava a ponto de se tornar o mais novo assassino em série do Japão, caso esse assassinato em Kabuki cho também seja de sua responsabilidade.
O chefe da policia tirou a caixa de cigarros do bolso, e bufou frustrado. "Meu maço acabou!?"
...Ou Tokyo tirou os cigarros da caixa...Era só o que faltava...Apunhalado pela própria esposa...
Sua "alma gêmea" estava convencida de que faria Hajime parar de fumar.
Na marra.
...Próximo passo é me proibir de comer massa....
Saitou amava comer Soba, macarrão a base de trigo, e ninguém o impediria desse prazer gastronômico ... ou essa tempestade vai ser garoa perto de minha revolta..
...Enfisema, infarto, AVC... Maldito Discovery Channel...Amanhã mesmo eu mando arrancar a tv a cabo de casa...
Saitou resolveu preservar o último cigarro para depois.
Algo dizia que ele ia precisar.
"Vamos lá!" Ele parou de enrolar, e entrou ligeiro para dentro do prédio.
O motel, um prédio baixo de quatro andares, ficava em uma ruela no coração do bairro de prostituição.
Com agilidade impressionante para um fumante que já passou dos quarenta, Saitou subiu rapidamente as escadas, dando de cara com outros policiais no corredor.
"Bom dia Saitou-san!"
A eficiência japonesa funcionando a todo vapor, pois os peritos já estavam no local analisando a cena do crime de forma bem avançada.
Saitou entrou no quarto.
O assassinato aconteceu no terceiro andar, mas o prédio todo foi evacuado.
Em uma sala no primeiro andar, restaram somente o proprietário, o gerente e duas testemunhas, que não ajudaram em muita coisa, pois estavam mais bêbadas que um gamba.
Os olhos de cor âmbar registraram os detalhes.
O quarto era pequeno, projetado apenas para que casais o usassem por uma noite.
No teto uma luminária que imitava um balão oriental não fornecia muita claridade.
A parede decorada com papel de parede, rasgado, cor de vinho com o desenho de um ikebana laranja e branco estampado.
No chão de tatame japonês simples, garrafas de bebidas e algumas peças decorativas quebradas.
Resquícios de um pó branco, provavelmente cocaína, ainda estavam sobre uma mesinha baixa que ficava no canto do quarto.
E encostada à janela, uma cama ocidental ocupava um espaço grande do ambiente.
A equipe forense parou o que estava fazendo para cumprimentar o chefe. "Bom dia senhor Saitou!"
Saitou meneou a cabeça brevemente.
Os olhos do lobo vagaram através da cama de lençóis desarrumados, parando finalmente no corpo da mulher morta. "E então?"
...Parece alguém que eu conheço... Saitou ficou intrigado. Enishi tinha um padrão afinal de contas. Além de Mei Lee e provavelmente essa moça, quantas outras mulheres assim ele vitimou?
A vitima feminina era jovem, pequena e magra. Não media mais que 1,55 de altura.
Estava completamente nua. Deitada de barriga para cima. As mãos para alto amarradas sobre a cabeça, com o que parecia ser o cinto estreito do vestido.
Pele branca, agora já pálida e arroxeada por causa das mudanças bioquímicas da morte. Ela possuía longos cabelos negros, espalhados por cima do rosto e dos seios pequenos.
O perito parou de fazer anotações na prancheta para responder as perguntas do chefe.
"Segundo o documento encontrado na bolsa o nome é... Masako Mekaru."
"É possível visualizar as mãos do agressor em volta do pescoço... Ela sofreu constrição ativa do pescoço exercida por força muscular. A força foi usada foi tanta que ocasionou asfixia e fraturas das vértebras cervicais."
...ok. Exatamente como Mei Lee...
Saitou caminhou ao redor da cama, analisando a vitima.
A mulher provavelmente não pesava mais que 55 quilos e parecia jovem demais. Enishi deve ter tido facilidade em subjugá-la.
O fotografo forense continuava a tirar dezenas de fotos com a câmera especial e barulhenta.
Outro policial incluiu algumas informações importantes que colheu das testemunhas. "Ela trabalhou no prostíbulo até 01 da madrugada. Saiu de lá acompanhada de um homem alto e robusto. Ele vestia roupa preta e um capuz sobre a cabeça... Ninguém conseguiu uma boa identificação do rosto do sujeito... Quem sabe as câmeras de segurança pegaram alguma coisa."
Saitou pensou a mesma coisa, mas não disse nada.
"A vitima portava uma identidade falsa bem grosseira, com a idade de 21 anos, mas na bolsa encontramos a original que atesta que ela tinha apenas 16 anos..."
"16 anos?" Saitou parou imediatamente e estreitou o olhar.
O legista olhou para Saitou e encolheu os ombros. "Com toda essa maquiagem... até que conseguia enganar..."
Saitou inclinou-se um pouco sobre a cama. Ele tirou uma caneta do bolso, e a usou para mover a mecha de cabelo que cobria o rosto da moça.
"Que filho da puta..." O lobo murmurou para si mesmo.
Ele não costumava ter esse tipo de reação, pelo menos não na frente de seus subordinados.
A feição no rosto de Saitou foi de pura desaprovação e nojo. Ele que tinha três filhos em casa revoltava-se sempre que se deparava com esse tipo de situação envolvendo menores, e essa vida desregrada de prostituição e drogas.
...Era uma criança...
Uma vida perdida em vão. Provavelmente já era controlada pela Yakuza e usada como escrava sexual.
Saitou sentiu uma dor de cabeça surgindo, mas voltou para seu estado frio e compenetrado. "Ok..." Ele se afastou do corpo, e olhou para o perito colhendo diversas digitais da mesinha com cocaína espalhada. As garrafas quebradas já estavam dentro dos sacos, catalogadas e separadas como provas do crime.
Esse caso, quando vazasse para a mídia, causaria um escândalo entre polícia, sociedade e máfia. Mas Saitou já sabia, depois de muito debate, ninguém assumiria a responsabilidade por essa menor.
Saitou caminhou para a porta e perguntou algo óbvio. "Atividade sexual?"
O perito foi claro. "Sim! Foi coletado sêmen no corpo e nos lençóis."
O perito, homem de confiança de Saitou, continuou, apesar da cara feia do chefe. "As mãos da vitima estão bem amarradas sobre a cabeça. Sinal claro de submissão. Existem sinais de ato sexual violento. Mordidas, escoriações, pancadas, marcas roxas."
"Com ou sem consentimento fica difícil dizer... O fato de ela ser uma prostituta dificulta muito a conclusão... Mas o corpo vai para o serviço medico legal agora. Logo vamos saber quais detalhes vai revelar..."
"Esse caso é bem parecido com o da chinesa, Mei Lee, não é?" O perito disse o que Saitou estava pensando desde que recebeu a informação sobre o crime.
Saitou não disse nada a respeito disso. ...Sim, Enishi é o responsável por isso...
"Analisem cada detalhe. Cada prova com o máximo de cuidado... O responsável vai pegar pena de morte no tribunal..." Saitou necessitava de tudo que provasse a culpa de Enishi no tribunal. Pelo menos faria sua parte, o resto seria com o promotor, júri e juiz.
. ...Isso se Enishi conseguir escapar do "Mau eliminado imediatamente!"...
Saitou olhou para o perito de um jeito que fez o pobre homem tremer. "...Sem vazar para a imprensa..."
O corpo da jovem já seria colocado no saco para cadáveres. O resto da investigação aconteceria no instituto médico legal. "Ok..."
"Quero imagens da câmera de segurança..." Saitou tinha certeza que Enishi era o responsável por mais esse crime e queria a imagem atual do assassino.
"O gerente está providenciando!"
Saitou rosnou uma resposta, saiu do quarto e finalmente acendeu seu último cigarro.
Frio e compenetrado, ele rumou até a sala da gerencia. Outro policial já estava lá conversando com o gerente e com o proprietário do estabelecimento. Aparentemente os homens estavam relutantes em fornecer as imagens das câmeras de segurança naquele momento. Eles sabiam que homens ligados a máfia poderiam aparecer nas gravações. E a última coisa que eles queriam era expor a Yakuza.
"Imagens!" Saitou já chegou ordenado.
O olhar feroz do policial não deixava brechas para "espere, poréns, ou talvez."
"Eu quero um advogado antes!" O gerente arriscou. Ele já sabia que vinha chumbo grosso.
Saitou riu.
O gerente percebeu que pela postura dos outros policiais quando Saitou entrou, que esse homem não era de brincadeira.
"Ah meu caro... Acredite, você vai precisar de um... " Saitou foi sarcástico.
O lobo apontou para o gerente.
"Você permitiu a entrada de uma menina de 16 anos aqui nessa espelunca. Para sua sorte ela foi morta e violentada no seu motel. Nem vou comentar sobre o uso de bebidas alcoólicas e cocaína..." Saitou estava extremamente irritado e estava descontando no cidadão.
O proprietário do motel e o gerente se entreolharam.
"Enquanto vocês estavam aqui embaixo contavam dinheiro, o inferno se quebrava lá em cima... Ninguém viu ou escutou nada com as trezentas câmeras que existem nos corredores, e nos quartos? Aposto que vocês filmaram tudo e já tinham planos de vender por alguns milhares de dólares na indústria do "lado obscuro do pornô" ..." Saitou estreitou os olhos.
O gerente começou a soar frio.
Maldito policial, já tinha previsto tudo que eles intencionavam.
E eles tinham ficado animados por conseguir um assassinato em vídeo durante ato sexual. Isso era uma mina de ouro no lugar mais perverso do submundo.
"Se quer tentar salvar seu traseiro é bom começar a ajudar e colocar as imagens na tela... agora." Saitou soltou a fumaça do cigarro na cara dos dois.
O proprietário do prédio não disse nada, apenas voltou a gravação para o exato momento em que a moça entrava no motel acompanhada de um homem.
Saitou apontou para a tela. "Ali, dê zoom no rosto do homem..."
O assassino estava com um capuz na cabeça, o que dificultava a visualização, mas quando ele se virou para a câmera em um ângulo revelador foi possível ver perfeitamente o rosto.
Como Saitou suspeitava, era a imagem mais atual do rosto de Enishi Yukishiro. "Congele essa imagem."
Os olhos dourados do lobo estreitaram.
Saitou tirou o celular do bolso. Ele sacou uma foto de Enishi e anexou o arquivo em uma mensagem para o jovem policial Heero, que estava com sua própria missão na ilha, desmantelando a quadrilha do bandido.
"Salve e imprima... "
Enishi estava bem diferente. Mesmo com o capuz na cabeça pode-se ter noção. O cabelo bem preto, comprido e volumoso até o ombro, e agora usava barba e cavanhaque no rosto. Ele parecia mais velho, porém mais forte do que antes. Ombros largos e musculosos de quem praticou musculação ou alguma outra atividade física.
"Quero um alerta imediato desse rosto para os policias dos aeroportos, estações de trem e metro, e para a guarda costeira... É um assunto interno da policia de Tóquio, portanto imprensa fica fora dessa..."
Saitou apenas apontou para o gerente e o proprietário do motel. "Esses dois aqui vão para a delegacia responder por todas as irregularidades."
"Sim senhor!" O policial que o acompanhava fez como foi instruído.
...Heero já deve estar terminando a operação na ilha... Sem os seus aliados, Enishi vai ficar isolado na cidade...
O próprio Saitou agora faria uma varredura por Tóquio à procura de movimentações suspeitas.
E o primeiro lugar que receberia sua visita seria a casa de Tomoe Kiyosato, irmã de Enishi. "Vamos ver se ela está protegendo o irmãozinho..."
Depois disso, Saitou faria uma visita para a ex namorada de Enishi, Kaoru Himura. Amiga de seu sobrinho Sanosuke Sagara.
Saitou começou a dirigir pelas ruas molhadas, a chuva cai sem trégua no para-brisa de seu automóvel cinza. A cidade estava totalmente acordada agora, e o transito travado já o irritava. "Esses idiotas não sabem dirigir na chuva, ou o que?"
Parado no semáforo fechado, Saitou olhou para o retrovisor e visualizou o reflexo âmbar de seus olhos.
... Da última vez que Enishi esteve em Tóquio quase matou os dois. Eu aposto todas as minhas fichas nessa moça...
... Kaoru Kamiya Himura...
...1,55. 50 quilos. Longos cabelos negros...
... Então Enishi está procurando por Kaoru Himura nessas vitimas... "Exato!"
^^X
"Ugh!" Enjoado, Enishi sentou-se na cama, colocou as duas mãos na cabeça tentando conter a náusea.
O cérebro pulsava dolorosamente dentro da caixa craniana. O ex policial apertou os olhos com firmeza tentando se livrar da dor de cabeça.
Sem sucesso, ele agarrou a garrafinha de água mineral, e o pote de analgésicos. Rapidamente jogou um comprimido para o fundo da garganta e engoliu.
A madrugada anterior foi como uma alucinação. As lembranças voltavam como ondas.
Enishi se lembrava de alguns flashs malucos quando fechava os olhos.
O homem tentou ordenar as memórias, e mesmo assim não conseguia se lembrar de como tinha voltado de Kabuki cho para o hotel na região portuária durante a madrugada, e isso era inquietante.
Ele se lembrava das ligações para Gein, que evaporou o dia todo.
O encontro com Raijuta...
O dossiê sobre Kaoru...
O momento que escolheu uma moça na casa de prostituição...
Quando eles subiram para o quarto, rasgando as roupas dela no corredor...
Até quando ele se entupiu de álcool e cocaína, e começaram a transar e...
"Droga... Que merda!"
Ela parecia Kaoru, mas não era sua namorada...Ex namorada. Ele nunca aceitaria essa condição.
Enishi estava tão louco que só percebeu que a prostituta era jovem demais quando já estava no meio do sexo mais selvagem possível. A moça começou a implorar para que ele fosse devagar, que estava doendo. "Moço, por favor para! Eu nem quero mais o seu dinheiro! Me deixe ir embora!"
"Para de se mexer tanto! PARA" Ele ordenou.
Enishi foi se irritando, irritando... e quando percebeu não conseguia mais parar... A garota suplicava e se contorcia, tanto que ele foi obrigado a amarrar os braços dela para cima, só assim que ela ficou quieta e parou com de arranhar no seu rosto.
Essa foi a primeira vez que Enishi fez isso, sexo com menor de idade. "Ela se contorcia e pulava na cama feito uma cabrita!"
....A porra da menina estava usando um quilo de maquiagem, e uma roupa bem vulgar de mulher adulta...
...Como eu poderia saber?...
Enishi não mentiria para si mesmo. Ele nunca se interessou muito por ninfetas, mas a garota era bem apetitosa, uma pequena fruta proibida. Tenra, petit, apertadinha...
Mesmo assim, ela não era Kaoru Kamiya. Ela não tinha o mesmo olhar de Kaoru.
E no final das contas o pescoço dela acabou se quebrado embaixo dos seus dedos, exatamente como aconteceu com Mei Lee.
Enishi percebeu que estava virando um padrão.
Talvez ele tivesse mesmo perdendo mesmo a cabeça. Mas era tudo culpa de Kaoru.
Se Kaoru não tivesse mudado tanto. Se ela ainda estivesse ao seu lado, nem Mei Lee, nem essa adolescente que ele não sabia o nome estariam mortas agora.
...Kaoru! Nenhuma outra mulher tem o seu olhar ...Nenhuma outra me provoca e excita como você costumava fazer...
...Lembra das nossas manhãs?...
... Quando você me enlouquecia de proposito justo quando eu tinha que sair para trabalhar?...
...Você adorava fazer isso comigo...
...Por quê Kaoru?...
...Por quê?...
...Você deve estar fazendo todas aquelas coisas com aquele demônio Ruivo...
Enishi enfiou a mão no cabelo e começou a puxar com muita força.
"AHHH MALDIÇÃO!" O ex policial gritou alto.
Ele não conseguia parar de sentir aquele ódio só de pensar que Himura agora estava tendo o que ele teve.
O carinho, a paixão, a atenção de Kaoru.
"Tudo culpa sua Kaoru! SAIA DA MINHA CABEÇA MULHER! SAIA!" Enishi deu um pulo da cama, e rapidamente passou a bater a testa contra a parede.
...Olha só as coisas que você está me obrigando a fazer...
Ele parou com sua auto flagelação pois a testa estava ficando vermelha.
O homem tirou as mãos do cabelo, a força para puxar o couro cabeludo foi tanta que ele arrancou os próprios fios.
"Não, não saia da minha cabeça Kaoru, eu preciso de você!"
Enishi caminhou de um lado pra o outro pelo quarto, dando algumas pancadas na própria cabeça.
A verdade é que era tão insuportável ficar sozinho. Sozinho consigo mesmo, que ele precisava pensar em Kaoru para ocupar sua mente.
As vozes contraditórias dentro de sua cabeça gritavam tão alto, eram tão estridentes.
Enishi fechou os olhos e forçou a memoria, tentando se lembrar do restante da madrugada anterior.
"Que merda! Isso vai dar uma merda! Eu preciso me controlar...Eu preciso começar a raciocinar... Sair logo do Japão antes que me peguem..."
Depois de ter quebrado o pescoço da menina, Enishi voltou para o porto, o carro voando baixo, deslizando nas curvas traiçoeiras da estrada.
A estava chuva muito forte no para-brisa, ele mal conseguia enxergar.
Como ele conseguiu chegar ao hotel sem voar com o carro pelo precipício era um mistério.
No quarto, ele deitou na cama e apagou.
Bebida, cocaína, sexo, e a adrenalina do assassinato o fizeram desmaiar na cama. Como ele se permitiu ficar tão vulnerável assim? Ainda mais com a policia na sua cola!
Que idiotice.
"Lamentável...Deplorável!".
Enishi correu para o banheiro, tomou um banho ligeiro.
Ele tinha uma missão a cumprir até o final daquela manhã, lá fora o clima estava tão tempestuoso quanto sua própria mente
Mas Enishi precisava ir para a ilha encontrar Gein e os outros, mas dessa vez levando Kaoru junto, se pudesse eliminar o maldito Kenshin Himura faria com certeza.
Mas recuperar Kaoru era sua prioridade.
Mas Enishi não podia fazer isso no estado que se encontrava.
Ele barbeou o rosto, depois pegou uma tesoura e cortou o próprio cabelo, na altura das orelhas. Não precisava ser nada perfeito, apenas que ficasse menos bagunçado embaixo do quepe da policia que usaria. Os policiais japoneses tinham aparência impecável, mas ele não tinha tempo pra isso, mas também não engaria ninguém se aparecesse no prédio dos Himura com um cabelo de que estava em show de "heavy metal".
Enishi vestiu a roupa da corporação. Calça azul marinho, camisa de manga comprida branca e colete azul marinho por cima, cheio de medalhas e símbolos. E pensar que um dia da sua vida ele estudou e realmente almejou um uniforme daqueles.
"Melhorou!" Depois penteou todo o cabelo negro para trás e colocou o quepe na cabeça, e até as luvas brancas nas mãos.
Enishi agora era um perfeito policial japonês. Impecável, ninguém duvidaria dele. Ele colocou a tonfa, o cassetete vermelho de um lado do cinto e uma arma de fogo do outro.
Nas costas, ele ajeitou sua faca de caça no cinto, e dentro do colete a prova de balas a seringa com o famoso anestésico que fazia uma pessoa apagar na mesmo hora.
Já passava das nove e meia da manhã quando ele deixou o hotel. A ventania tinha passado um pouco, e a chuva diminuiu, mas a manhã continuava molhada. Ele olhou brevemente para o mar, cheio de ondas altas, batendo violentamente contra as pedras do porto.
Na garagem do hotel, ele teve uma surpresa agradável finalmente.
Raijuta havia conseguido uma viatura de policia, e estacionou na sua vaga, provavelmente enquanto Enishi estava dormindo, morto para o mundo. "Não acredito que o filho da mãe do Raijuta conseguiu! Saiu caro, mas pelo menos foi um dinheiro bem aplicado."
Uma replica perfeita do carro da corporação policial japonesa. O veiculo era um Nissan, branco e preto com um giroflex vermelho em cima do teto, e tudo funcionava de verdade.
O cara era um tremendo "mala se alça", mas pelo menos era competente.
Enishi sorriu. Ele provavelmente conseguiria ir para onde quisesse com esse carro, esse uniforme e o distintivo falso.
Munido com a mala recheada com as coisas que Raijuta tinha providenciado, armas, fita adesiva, corda, passaporte falso, documentos.
Enishi sentou na viatura de policia. Sentindo-se mais uma vez como um policial, ele seguiu para o endereço atual de Kaoru Kamiya.
...minha Kaoru Kamiya...
^^x
Coração de Tóquio.
"Avenida Omotesando, 365!"
Às dez da manhã Enishi circulava através das ruas de Shibuya. Duzentos mil habitantes zanzando para lá e para cá como formigas em volta de um formigueiro gigante.
Na avenida Omotesando ele passou a dirigir bem devagar, como se fosse apenas um policial patrulhando, mas na verdade estava procurando o número exato.
A avenida chique, larga e arborizada, era também conhecida como Champs-Élysées japonesa, possuía edifícios arquitetônicos que pareciam obras de arte, e muitas boutiques de Luxo.
Enishi havia acabado de passar pelo prédio da Prada, com sua fachada de vidro lapidado, quando localizou o número do condomínio onde viviam milionários.
"365"
...Veja só onde Kaoru Kamiya veio parar...
Enishi estacionou a viatura do outro lado da rua, seis faixas de transito de distancia do prédio e começou a pensar no melhor jeito de tirar Kaoru dali sem causar alvoroço.
Ele tirou o binoculo de dentro da mala de Raijuta e começou a observar a movimentação do condomínio. E obviamente do último andar do prédio.
O prédio era incrível, Enishi tinha que dar o braço a torcer.
Os apartamentos eram duplex, um por andar com a sala revestida por uma gigante fachada de vidro. A cobertura onde Kenshin morava contava com um grande jardim com pomar e até piscina no terraço.
"Isso que é ironia. E pensar que Kaoru vivia dizendo que queria uma vida simples, e agora está morando no lugar mais caro de toda a cidade."
Enishi visualizou Kaoru através do binoculo.
Ela estava lá, atrás do grande vidro que ficava na sala de estar, ele identificou o corpo dela passando agitada para lá e para cá dentro do apartamento. Kaoru parecia que estava se preparando para alguma coisa.
...Uma viagem talvez?...
O coração de Enishi começou a bater acelerado. Kaoru Kamiya estava tão perto e ao mesmo tempo tão longe.
...Kaoru...
Era a primeira vez que a via quase um ano depois.
Através do binoculo, Enishi estreitou os olhos e observou com cuidado o apartamento. ...Nenhum sinal do ruivo...
Aparentemente Kaoru estava sozinha no andar. Dar fim em Himura era uma missão que Enishi fazia questão de cumprir, mas recuperar Kaoru era sua prioridade.
Enishi calculou que o horário de almoço seria a melhor hora para agir e preferiu esperar até meio dia, o ideal seria aborda-la na rua, mas com esse temporal caindo na cidade Enishi duvidou que Kaoru fosse sair.
...Ela teve um filho um mês atrás não teve?...
...Kaoru está vulnerável agora...
...Ela não terá forças físicas para resistir...
...Eu vou subir e trazer Kaoru comigo...
...Só preciso de mais meia hora...
Quando as pessoas estivessem distraídas alimentando seus estômagos. Os restaurantes caros de Omotesando estavam lotados, as lojas fervilhando de madames para lá e para cá.
Todo mundo distraído, Enishi pegaria o porteiro e os seguranças na melhor hora.
Enishi ficou de tocaia por mais um tempo, dentro do carro escutando a chuva cair no teto do veiculo da policia. Ele estava acostumado com isso, treinou para esse tipo de coisa.
Esperar não era nada demais...Não pra quem esperou quase um ano para tê-la de volta.
Enishi visualizou novamente o apartamento, nada de diferente acontecendo lá. Ele olhou para seu relógio, já marcava 11:50.
"Agora!"
O homem desceu final da viatura, atravessou as seis faixas de transito e entrou no prédio de luxo. A recepção do prédio de Himura lembrava um hotel de luxo.
A luz do enorme lustre de cristal refletia no piso. Do balcão ao piso e porta dos elevadores, tudo ornava, e tudo brilhava dourado.
Um porteiro devidamente uniformizado estava sentado atrás do balcão de mármore italiano. Digitando no computador alguma coisa.
"Bom tarde senhor policial! Em que posso ser útil?"
O bom de entrar em um lugar desses é que os ricos geralmente são mais reservados em relação a suas visitas, eles se programa e informam a segurança do prédio com antecedência, e dificilmente o hall de entrada fica cheio de gente esperando para subir.
...ponto positivo...
Enishi olhou ao redor, memorizando o porteiro atrás do balcão, um segurança na porta dos elevadores e claro as trezentas câmeras de segurança...mas isso ele resolvia depois.
...Importante é subir até o andar...
"Policial Heero Yuy" Enishi mostrou o distintivo falso.
E ele era um bom ator, tinha personificado até o jeito que o ex colega de academia falava. "Quero falar com a senhora Kaoru Kamiya. É uma emergência!"
"Kaoru Kamiya?" O porteiro parecia um pouco confuso. Ele trabalhava nesse prédio somente três meses. Precisou buscar a informação na memoria.
"Ah, Kaoru Himura..." Ele a conhecia apenas como senhora Himura.
Enishi olhou para o pobre homem com muito ódio.
O porteiro foi obrigado a engolir seco.
"Exatamente, Kaoru...Himura!" Enishi pronunciou o Himura como se tivesse dizendo o nome da Besta.
"Senhor Yuy...Só...Só um minuto, por favor." O porteiro, um homem franzino por volta dos seus quarenta anos, lembrou-se de algum muito importante. Desconfiar de todos que procurassem pela senhor Himura.
Era uma ordem direta.
...Por favor, nunca deixe um estranho subir para o nosso apartamento sem me informar antes... Se alguém que não está nessa lista procurar pela minha esposa, telefone-me imediatamente... Mesmo se for um delegado, policial, juíz, o Batman, tanto faz, me telefone...
O porteiro conseguia escutar a voz de Kenshin Himura na sua cabeça, o ruivo baixinho que vivia no último andar era muito calmo e tranquilo, mas existia uma resolução absoluta em sua voz ao falar sobre a segurança da esposa.
Logo no primeiro dia de trabalho, o porteiro recebeu do chefe da segurança uma lista com a fotografia das pessoas que costumavam frequentar a residência dos Himura.
E foi avisado pelo próprio Kenshin sobre essa condição especial, caso algum estranho tentasse subir.
"Com licença senhor Yuy, anunciarei sua presença em um instante...!"
O porteiro discretamente tirou o celular do bolso, e entrou em uma pequena salinha que ficava atrás do balcão.
Ele avisaria sim Kenshin Himura, e o chefe da segurança sobre esse policial querendo falar com a mulher do último andar.
Desconfiado, Enishi olhou para os lados, o segurança estava distraído com o elevador.
Obviamente aquele porteiro tinha sido instruído para não deixar ninguém subir facilmente.
...Droga. Pelo visto eu vou ter que tirar Kaoru desse prédio a força...
O porteiro já conversava com Kenshin quando Enishi resolveu agir. "Senhor Himura, perdoe minha intromissão, mas... temos um policial aqui. O nome dele é Heero Yui, ele quer conversar com a sua esposa... e como o senhor solicitou..."
Com agilidade e rapidez, Enishi contornou o balcão e entrou na pequena salinha, surpreendendo o porteiro por trás.
Do outro lado da linha Kenshin tentava entender. "Fugihara san?"
...Imbecil... Enishi deu uma gravata no pobre homem.
"Alo? Alo? Não deixe ninguém subir! Estou chegando em casa em dez minutos...Alo?" Kenshin estava com aquela sensação a manhã toda.
Em Shitamachi ele simplesmente não conseguia se concentrar no dojo. Kenshin já estava a caminho do carro para levar Kaoru no médico quando o celular tocou.
O ruivo sentia algo errado no ar desde que saiu de casa. Uma energia estranha, talvez por causa do clima, talvez pela perspectiva de Kaoru saindo sozinha de casa com a criança.
Mas o sangue de Kenshin gelou mesmo nas veias quando escutou a voz do porteiro dizendo que tinha um policial atrás de Kaoru. "Alo?"
O porteiro já não respondia.
Heero tinha seu telefone particular, e nunca apareceria no apartamento sem conversar com Kenshin antes. O ruivo alertou novamente. "Não o deixe subir!"
"Mesmo com um mandato não o deixe subir, me espere!"
Kenshin colocou o ouvido no celular e prestou atenção no que estava acontecendo com o porteiro. Ele escutou sons abafados, como se fosse o som de um animal sofrendo sem poder gritar. "Fugihara san? Fugihara san? Alo?"
Ainda com o celular nas mãos, Himura agora já estava correndo na direção do seu carro. Ele tirou o alarme do bolso e já destravou as portas da Mercedes preta.
O ruivo faria o percurso entre Shitamachi e Shibuya em tempo recorde. Nada o pararia, e se algum policial aparecesse no caminho, ele quebraria todas as leis de transito para chegar até Kaoru e Kenji.
Na sala de vigilância do prédio, Enishi continuava com seu enorme braço ao redor do pescoço do porteiro, aplicando o golpe, e sufocando o senhorFugihara .
O ex policial apertou tão firme que o homem perdeu a consciência.O corpo do porteiro e o celular caíram no chão da pequena salinha.
Com raiva pelo porteiro ter tentado engana-lo, Enishi teve mais um surto violento e passou a chutar o corpo do homem desmaiado.
Algumas vezes na cabeça, algumas vezes no peito. A bota era dura e pesada e já estava tirando sangue do homem franzino.
Enishi deu um passo pra trás, tentando controlar seu ódio.
"Alo?" Kenshin já estava perto da saída de Shitamachi, dirigindo enlouquecidamente sua Mercedes preta pelas ruelas do antigo bairro.
Enishi escutou a voz de Kenshin Himura chamando o nome do porteiro através do aparelho celular. O ex policial pegou o telefone do chão e trouxe até sua orelha. Enishi disparou suas intenções.
"Quando você chegar aqui Himura, a minha Kaoru já vai estar bem longe! E o moleque eu faço voar pela janela!"
O tempo começou a correr bem depressa agora.
Os olhos de Kenshin arregalaram. Suas suspeitas se confirmaram, era mesmo Enishi Yukishiro, alguns andares de distancia de Kaoru e Kenji, e ele a quilômetros dos dois.
Kenshin agora dirigia loucamente pelo acesso que dava acesso a autoestrada. Ele bateu as mãos no volante. "KISAMA! NÃO TOQUE NELA! ESCUTOU?! NÃO ENCOSTE UM DEDO NA KAORU OU NO MEU FILHO. DESGRAÇADO!"
Enishi não respondeu, ele jogou o celular do porteiro no chão e pisou em cima, varias e varias vezes seguidas.
Agora ele não tinha mais tempo a perder. Nenhum dos dois tinham, tanto Enishi quanto Kenshin.
A policia apareceria nesse prédio daqui a alguns minutos.
Enishi olhou para o porteiro desmaiado e sangrado, vivo ou morto, tanto faz. ...com tanto que não me atrapalhe... E puxou o corpo do homem pelos pés, escondendo-o brutalmente embaixo de uma mesa.
...Eu vou com tudo pra cima desse segurança...
...Que se dane...
E assim Enishi fez, o ex policial saiu da pequena sala rapidamente como um touro enlouquecido, para sua sorte a portaria continuava vazia.
O segurança agora estava parado na frente do elevador como uma estatua, mas Enishi não se intimidou.
"Senhor policial?" O segurança perguntou sem entender bem o que estava acontecendo com aquele homem visivelmente alterado. Ele olhou para o balcão e percebeu que o Fugihara não estava lá.
O segurança levantou as duas mãos impedindo a passagem de Enishi.
Enishi levantou o distintivo. "Abra caminho. É uma emergência!"
O segurança deu uma olhada novamente para o balcão da recepção. Policial ou não, ele não deixaria ninguém subir sem falar diretamente com o porteiro. O segurança deu um pequeno passo, mas Enishi não estava com paciência para isso.
"Olha. Para subir, o senhor Fugihara tem que autorizar, e ele não está ali..."
"Qual a parte de "Eu sou a porra de um policial você não entendeu?" Enishi socou o rosto do segurança no rosto sem aviso algum.
Um golpe forte e certeiro, bem no meio do rosto. Foi tão repentino e violento que os ossos dos dedos de Enishi quebraram o nariz do homem.
O segurança se curvou, o rosto encharcado de sangue. "O que?"
"SAI DA MINHA FRENTE, PORRA!"
O homem não teve tempo pra mais nada pois o elevador abriu na melhor hora possível para Enishi.
Com um golpe rápido, como um animal selvagem, ele se jogou para dentro do elevador, levando o segurança junto para dentro do elevador chique.
Enishi apertou furiosamente o botão que dava acesso último andar, nada ficaria no seu caminho agora.
"Que tipo de policial você é?" O segurança não desistiria tão fácil, afinal ele tinha treinamento para isso.
"Você já vai descobrir!" Enishi não tinha um pingo de humor na voz, soou seca e fria.
Enquanto o elevador subia, Enishi e o segurança engataram uma briga de socos e chutes. Enishi passou quase um ano treinando artes márcias na China. Ele tinha se aperfeiçoado e muito no kick boxing e kung fu.
O ex policial então passou a golpear o segurança varias e varias vezes bem no lugar onde o nariz estava quebrado, proporcionando uma dor insuportável. Muitos chutes depois, Enishi acabou ganhando a luta.
Quando o elevador já estava quase no andar de Kaoru, Enishi proporcionou um banho de sangue, quando segurou a cabeça do segurança, que estava ajoelhado e passou sua faca na jugular do homem.
Matando friamente o segurança.
Sangue jorrou alto, molhando a roupa, o rosto, o quepe e até mesmo o cabelo de Enishi.
Ele se olhou no espelho do elevador por um segundo, e quase teve medo do próprio reflexo.
Seu reflexo...
Parecia um filme de terror.
Enishi estava totalmente ensanguentado como se tivesse tomado uma chuva de sangue. Um brilho ensandecido nos olhos. O cabelo na frente do rosto, pois seu quepe tinha voado longe durante a briga. E a faca na mão, pingando com o sangue do segurança.
...Mas Kaoru está aqui...Só mais alguns metros...
...PLIM...
O elevador estava na cobertura, finalmente.
^^X
Kaoru deu uma olhadinha para o relógio. O relógio de parede era uma das poucas obras de arte que ainda estavam no apartamento.
A casa estava meio estranha e "pelada" sem todas as coisas que Kenshin já tinha levado para Shitamachi.
Nesse quase um ano vivendo ali já tinha se acostumado com cada objeto exótico que pertencia a família Himura, e agora faziam falta fora do lugar. Principalmente as espadas, Kaoru ficava fascinada por aquela sala cheia de armas milenares, e agora não tinha restado nenhuma.
Mas em pouco tempo todos eles estariam em Shitamachi, vivendo uma nova vida, criando os filhos naquele quintal maravilhoso, passando a tarde nos jardins japoneses que Kenshin tinha criado.
O som do elevador tirou Kaoru de suas divagações, afinal estava com as mãos bem cheias
"Meio dia em ponto... Seu padrinho chegou!" Ela sorriu para Kenji, que estava com os olhos azuis índigos bem abertos para a mãe.
A morena se atrapalhou um pouco para chegar até a porta. Ela queria levar tudo de uma vez só, e carregava a mala de fraldas no ombro esquerdo, enquanto empurrava o carrinho de bebê para a entrada do apartamento, e com o lado direito apoiava Kenji no colo.
Kaoru riu com a quantidade de tranqueiras que tinha que levar para sair de casa com uma criança de apenas um mês de vida.
...Parece que estou indo para África...
Kaoru balançou Kenji no seu colo um pouquinho. Feliz da vida.
Ela olhou para a carinha que Kenji estava fazendo. "Coisinha mais fofa da mamys!". Kaoru conversava com Kenji com uma voz engraçada.
Kenji apenas observava, completamente enamorado, enquanto a mãe falava com uma voz carinhosa e engraçada. "Kenji-chan, teimoso igual seu papai! Não quer ficar no carrinho de jeito nenhum!"
"Você vai para o colo do tio Sanosuke!"
Kaoru estava com a mão na maçaneta quando percebeu que se esqueceu de uma coisa. Ela deu um passo pra trás ao escutar o celular tocando incessantemente na mesa de centro da sala, e pelo toque do aparelho ela sabia que era Kenshin.
...Ai Kenshin, que desesperado...
Os olhos de Kaoru rolaram com o jeito do marido que não se conformava de não estar ali para levar Kenji ao pediatra.
"Só um minuto Kenshin... Eu já te atendo!"
Kaoru exclamou pra si mesma, enquanto agarrava a maçaneta da porta, afinal ela precisava abrir a porta para o coitado do Sanosuke que estava plantado lá fora.
A porta abriu devagarzinho, Kaoru fechou os olhos e sorriu amistosamente. "Que milagre Sano, cumprindo um horário"
"Precisa me ajudar a..."
A porta escancarou de vez.
"Você casou com o ruivo dos infernos, mas ainda continua recebendo visitinhas do Sanosuke Sagara? Não importa, você vem comigo, e vem agora!"
Enishi, ensanguentado sorriu, e o coração de Kaoru congelou, ainda mais quando o ex namorado psicotico colocou o pé no batente da porta impedindo que ela a fechasse.
^^x
continua...
eita...
Reviews sempre são bem vindos.
Fiquei muito feliz com os reviews, me ajudam muito! Obrigada Artemys, Lica, Marismylle, Himura, Guest 01, Guest 02, Kaos , jou chan himura, Marin, Spooky e todo mundo que me ajuda com reviews e mensagens!
Beijinhos e até o proximo.
Chibis!
