Disclaimer: Rurouni Kenshin não me pertence.
Nota da autora: Aiihn gente... Nem leia esse fanfic. Pare agora! Ainda dá tempo...
(ou é tarde demais pra avisar?)
Se você tiver paciencia de ler, já vou avisando que são páginas, páginas e páginas de blablabla que saem dessa mente transloucada. Õ .õ
Tentei colocar uma passagem de tempo de modo suave e...
Bem tá quase no fim...mas não vai ser o último capitulo, sorry de gozaru! Marismylle acho que você vai encontrar algo familiar nesse capitulo. hehehehe
e por favor fanfiction (ponto) net, não coma minhas palavras... isso é irritante, é muita coisa pra revisar...
"Koi no Yokan"
Capitulo 24
Por Chibis
O tique-taque no relógio da família Himura acelerou surpreendentemente.
Enquanto Kaoru estava internada no hospital, Kenshin lutava, literalmente, contra o tempo. ...Que loucura é essa de montar uma casa inteira para a família em apenas uma semana?...
Kenshin começava a desconfiar que talvez devesse hospeda-los em um hotel e terminar a obra com calma.
Mas o que já tinha começado precisava terminar de um jeito ou de outro, então o pobre homem praticamente atingiu o desgaste físico com horas e horas de trabalho sem cessar.
Infelizmente a casa de Shitamachi não estava tão pronta como ele acreditava estar, e o ruivo tinha que deixar tudo pronto para receber uma esposa em repouso, e um filho de apenas um mês e meio.
A parte de acabamento era desgastante e cara, e Kenshin queria tudo fosse melhor e duradouro, já que repetiu várias vezes que tinha a intenção de passar o resto da sua vida naquele lugar.
Banheiros e cozinha era importantes, mas aprontar o quarto de Kenji e o quarto do casal eram as prioridades de Kenshin. O ruivo escolheu exatamente a mesma decoração do apartamento para o quarto do bebê, motivo safari. Essas escolhas foram momentos felizes vividos pelo casal durante a gestação que Kenshin queria trazer para a casa nova.
Aoshi, Sanosuke e Yahiko, e até mesmo Hiko o ajudaram na finalização da pintura da casa, enquanto que Misao e Megumi ajudavam com Kenji e Kaoru no hospital.
Kaoru estava tão diferente do habitual. Pensativa, melancólica.
Silenciosamente digerindo tudo que havia acontecido desde o ataque de Enishi até o momento que recebeu a noticia sobre o machucado no útero. A hemorragia, a cirurgia, a possibilidade de não ter mais filhos...
A morena sorria quando alguém a visitava no hospital. Seu rosto ainda roxo e inchado demonstrava contentamento, principalmente quando Kenji estava nos seus braços, mas os olhos azuis índigos agora tinham um brilho diferente do habitual.
Kaoru não conseguia disfarçar o brilho cansado e apagado de seus olhos e o sorriso murchando quando percebia que ninguém estava prestando atenção nela.
Mas ela não conseguia fingir, não para o ruivo. Kenshin estava secretamente apavorado pela esposa, e pelo futuro da sua família.
E trabalhou obstinadamente para trazer de volta o sonho maravilhoso que estava vivendo com Kaoru, Kenji e Yahiko antes do ataque de Enishi.
O falecido Enishi recebeu muito odiosidade dos amigos de Kaoru, ninguém o perdoaria. Varias vezes Kenshin foi obrigado a pedir para que Sanosuke, Megumi, Misao e Yahiko se segurassem ao falar do psicopata perto de Kaoru.
Kenshin não tinha tempo de pensar em Enishi nem ficar destilando ódio contra o homem. Ele apenas desligava a televisão toda vez que o nome de Enishi era citado pelos telejornais e dizia um sonoro "BASTA" . O ruivo estava focado em resolver a situação da sua família, que estava temporariamente desabrigada.
Nesse momento de dificuldade Kenshin agradeceu pela conta bancaria bem recheada.
Como milagre ele conseguiu matérias de construção que faltavam de um dia para o outro. Pisos, azulejos, assoalhos, louças, torneiras que custavam do que todos os outros itens juntos.
A decoração ficou por conta de Kamatari, e de seis montadores disponibilizados pela loja de moveis que trabalhou dia e noite para fazer tudo como o ruivo queria.
Kenshin comprou a mobília toda nova, já que nenhum móvel veio do apartamento destruído, pois tudo cheirava a queimado e produtos químicos. E a última coisa que ele queria era trazer uma trágica memoria olfativa para a esposa já tão fragilizada.
O ruivo agora só podia torcer para que Kaoru, quando conhecesse a casa nova, aprovasse e ficasse feliz as suas escolhas.
Kenshin já tinha até emagrecido um pouco, ganhando uma bela bronca de Megumi, pois comia mal e dormia desconfortável em um pequeno colchonete no chão do quarto recém-terminado de Kenji. E para completar nem cuidou tão bem do machucado no rosto, a cicatriz em forma de X ficaria bem visível quando sarasse completamente.
Megumi estava preocupada com Ken-san. O ruivo parecia obstinado, embora dissesse que estava bem e que apenas priorizava o bem estar de sua família. "Quando Kaoru voltar pra casa tudo vai ficar bem!"
A médica não insistiu, apenas pediu para que Sanosuke ficasse de olho em Kenshin, já que a depressão e outras enfermidades emocionais poderiam se manifestar de diversas formas. Enquanto isso ela mantinha seu olhar analítico em Kaoru.
Mas a verdade é quem poderia imaginar que Kenshin, Kaoru e Kenji perderiam o apartamento todo ajeitadinho de uma hora para outra, mesmo com uma mudança de bairro programada para o futuro próximo?
Quem poderia imaginar que uma tragédia desse porte ocorreria no condomínio, que agora estava em luto pela morte dos funcionários, e pelo incêndio que interditou parte do prédio?...
Com toda sinceridade que Kenshin possuía , o ruivo simplesmente não gastou pensamentos a respeito da antiga residência, apesar de ter sido um presente de seus pais.
Kenshin apenas voltou ao local para recolher fotos, documentos e objetos pessoais e de valor, e imediatamente colocou o imóvel a venda, prometendo para si mesmo que não voltaria mais a aquele endereço.
Ele nem se importava com o valor monetário que conseguiria pelo apartamento, o corretor de imóveis que cuidasse disso.
Kenshin só não queria mais ver as marcas de destruição, fogo e sangue nas paredes e no terraço. Ele não queria mais se lembrar da sua própria falta de controle e sede de sangue ao arrebentar sem piedade o ombro de Enishi.
A perigosa satisfação que sentiu ao ver o outro homem se contorcendo de dor enquanto seus olhos brilhavam com o assustador tom dourado. Ao subir no terraço e ver a piscina onde Enishi foi baleado e que agora tinha se transformado em uma macabra poça enorme de sangue que ainda não havia sido drenada, o ruivo decidiu. "Eu não volto mais aqui..."
Um vento congelante percorreu a espinha de Kenshin ao descer as escadas para sair do apartamento, apesar do calor que estava fazendo naquele dia. Era como se Enishi ainda estivesse ali, observando e tramando alguma coisa.
"Espirito por espirito eu também tenho um bem forte por perto!" Kenshin sorriu misteriosamente, e seus olhos brilharam dourados pela última vez.
Em todo caso ele deixaria a sugestão de que os novos proprietários deveriam exorcizar, e limpar as energias do lugar antes de se mudar.
Já não era mais da alçada do ruivo, essa pagina já tinha virado. Kenshin fechou a porta daquele apartamento para nunca mais voltar.
Até mesmo seu tio Hiko, impressionado ao saber que o sobrinho tinha usado o estilo Hiten Mitsurugi em uma luta real, colocou seu imóvel no andar de baixo a venda, e estava procurando uma casa maior para viver com Natsu e os filhos.
Foi um momento difícil na vida dos Himura, mas dias depois e com a ajuda dos amigos, Kenshin foi capaz de terminar a casa de Shitamachi em tempo recorde para receber os novos moradores.
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Os Yukishiros, envergonhados e constrangidos pelos acontecimentos e o comportamento obsessivo e psicopata de Enishi, se esconderam, literalmente, após a cremação do corpo
As cinzas foram entregas a um templo onde a família acreditava que a alma do ex policial poderia receber um pouco de paz e iluminação. Muitas orações seriam feitas em seu nome, e no nome de todas as suas vitimas fatais. A chinesa Mei Lee, a prostituta Masako, o porteiro Fugihara, e o segurança Kouga...e por muito pouco Kaoru Kamiya Himura.
A intensa cobertura do caso pela imprensa local e internacional fez com que os pais de Tomoe e Enishi já cogitassem a possibilidade de mudar para o exterior, de preferência do outro lado do mundo, no Brasil.
Tomoe, grávida de uma menina, fugiu com o Akira para as montanhas após a cerimonia de cremação. Porém tanta ansiedade e tristeza colocaram a gravidez em risco com um possível descolamento de placenta.
Antes da viagem para as montanhas, Tomoe realizou diversos exames e visitou Kaoru no hospital.
A bela mulher, mais pálida que o comum, com seus olhos castanhos inchados e vermelhos, mal conseguia pronunciar seu imenso pesar no meio de tantos soluços que escapavam de sua boca.
E no final a própria Kaoru, acabou consolando Tomoe com um abraço carinhoso e emocionado.
"Tomoe-san..." Kaoru, mesmo muito machucada por dentro, pronunciou palavras de carinho e conforto a amiga. "Você precisa ser forte. Precisa se cuidar e cuidar da sua bebezinha... Seja forte e no final tudo vai ficar bem..."
...É o que eu vou tentar fazer...
"Arigato...Você e Kenshin são pessoas especiais. Vocês merecem toda a felicidade! Peço perdão pelo Enishi, ele te machucou e matou aquelas pessoas... Minha família pede perdão... Me desculpe Kaoru-san...!"
"Moushiwake Arimasen deshita!" As palavras extremamente polidas de se desculpar foram as últimas palavras de Tomoe antes de se curvar respeitosamente e deixar, aos prantos, o quarto do hospital.
Algo dizia para Kaoru que aquilo era uma despedida, que Tomoe se afastaria da vida deles, pelo menos por um tempo.
Antes da porta se fechar, Kaoru pôde ver Akira abraçando Tomoe no corredor do hospital, com muita emoção e carinho enquanto a moça, em luto, chorava copiosamente.
Kaoru olhou para as próprias mãos machucadas, depois para Kenji dormindo no bercinho ao seu lado na cama e se perdeu em seus próprios pensamentos e lágrimas.
...Tomoe está tão magoada...
...Enishi machucou meu corpo, bagunçou minha mente... Mas indiretamente ele traiu e machucou o coração de Tomoe ainda mais...
... Enishi era o irmãzinho... O caçula mimado da família.. Uma criança que foi muito amada...
...Tomoe o conhecia desde o dia de seu nascimento.
... Ela o criou... Anos depois Enishi se transformar naquele monstro sem sentimentos...
... O que os Yukishiros fizeram de errado?...Eles não são más pessoas... Tomoe é tão boa e calma...
. ...Será que Enishi já nasceu assim, errado?...
Kaoru olhou para Kenji alarmada.
...Kenji...
"Kenji-chan...!" A morena se inclinou e mirou seu bebê mais de perto. O ruivinho dormia tão gostoso, com os braços abertos como se não tivesse uma preocupação no mundo que perturbasse seu sono.
Kaoru observou a respiração do filho e se arrepiou com o tamanho da responsabilidade que é criar alguém.
Dar amor, educação, ensinar valores, ensina-lo a viver em sociedade, fazer a diferença positiva no mundo, respeitar sua personalidade e sua individualidade... Isso tudo sem a garantia do que Kenji faria no futuro...
Kaoru apenas poderia ter fé que Kenji seguisse o exemplo dos pais e trilhasse o caminho certo e justo quando chegasse a hora.
"É assustador..."
Pela primeira vez, desde que recebeu a noticia de que talvez não pudesse se tornar mãe novamente, Kaoru achou que não era uma coisa tão ruim assim.
Talvez seu coração ainda estivesse pesado demais, cheio de mágoa e rancor por Enishi, e dos malditos jornalistas que rodeavam o hospital como abutres, que foi dominado pelo pessimismo.
Kaoru não admitiria em voz alta, mas nesse hospital, sem Kenshin por perto o dia todo ela estava se sentindo cada dia mais mal-humorada. ...Essa não é Kaoru Kamiya...
E agora depois de ver Tomoe sofrendo como uma mãe em luto, Kaoru começou a ponderar que talvez fosse melhor ser responsável apenas por Kenji mesmo...
"Kenji..." A morena, desobedecendo as ordens médicas de não fazer força, se contorceu na cama e puxou o berço de Kenji ,que tinha rodinhas deslizantes nos pés para perto, e o tirou do berço, abraçando-o carinhosamente em seu colo.
Kaoru colocou o nariz no cabelo ruivo ralinho do pequeno e respirou fundo o suave perfume natural de um bebê tão pequeno.
...Que cheirinho gostoso...
"Eu...Eu preciso parar..." Kaoru sentiu as lagrimas escorrendo dolorosamente pelo rosto machucado. Ela suspirou profundamente. "Eu preciso voltar ao normal... Kenshin está lá se matando de trabalhar e eu aqui... Odiando o mundo... E sentindo pena de mim mesma. "
"Eu vou me recuperar, dar voltar por cima e ser a mesma Kaoru de sempre... Eu prometo Kenji..."
"Meu bebê!" O bebezinho abriu os olhos azuis, porém alheio aos conflitos internos da mãe, apenas suspirou profundamente e voltou a dormir.
Horas depois, como o sol alaranjado se pondo do no horizonte, Kenshin encontrou sua esposa e seu filho perfeitamente aninhados na cama do hospital. Ambos dormiam tranquilamente e ele não teve coragem de acorda-los. "Kaoru."
A morena finalmente tinha relaxado depois dias e noites de tensão total. Ela dormia profundamente.
Kenshin traçou os dedos levemente sobre os machucados de Kaoru que já estavam mudando de cor, do roxo para o amarelo. O corte já estava bem seco e com uma casquinha consistente e logo os pontos poderiam ser removidos totalmente.
"Koishii..." Ele murmurou bem baixinho.
Ele sabia que os dois precisavam conversar com franqueza sobre os traumas, mas enquanto estivesse no hospital a oportunidade perfeita para um momento intimo nunca surgia, e Kaoru estava tão fechada... Kenshin previu que ela estaria pra baixo, ainda mais depois de saber sobre a cremação de Enishi e a visita de Tomoe...
Mas o rosto dela estava relaxado, isso era bom sinal. "Aishiteru..."
Kenshin beijou a testa de Kenji com muita leveza, também inalou o cheirinho gostoso que o bebê emanava. ""Kenji-chan, você está ajudando sua mamãe não é meu garoto?...É tá ficando gordinho!"
O ruivo sorriu, agradecendo a Kami-sama pela boa aceitação do filho à fórmula de leite materno artificial, já que Kaoru não podia amamentar devido as medicações.
"Kaoru..." Depois Kenshin beijou a bochecha da esposa, em seguida posicionou silenciosamente uma poltrona ao lado da cama dela.
Exausto, e embalado pelo silêncio hospitalar, o ruivo adormeceu ao lado de sua família. Kenshin segurou a mão de Kaoru até a manhã seguinte.
O ruivo acordou no dia seguinte com uma baita dor nas costas por ter dormindo de forma tão desconfortável, mas o sorriso sincero e amoroso de Kaoru e um ""Ohayo Kenshin..." surpreso da morena seguido de um "Baka!" compensaram tudo.
"Ohayo Kaoru dono! Vamos para casa?"
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A semana passou, a alta hospitalar foi concedida, a tão esperada mudança para a casa nova aconteceu.
Tóquio se reerguia das cinzas mais uma vez, após a tragédia do último furacão, muitos moradores ficaram desabrigados, muitas árvores caíram, casas antigas desabaram, bairros inteiros ficaram sem luz e internet, mas a perda de vidas humanas por causa da tempestade foi nula, por incrível que pareça.
E no meio de tudo isso Kaoru e Kenshin não tiveram tempo para remoer tristezas e revisitar o trauma criado pelos ataques e assassinatos de Enishi.
Existiam muitas coisas pra organizar na casa nova, e apesar da restrição de repouso Kaoru queria ajudar de alguma maneira, nem que fosse sentada no sofá, dobrando peças de roupas novas compradas por Misao para a família.
O jantar de inauguração da nova residência trouxe de volta a casa cheia, as risadas e a falação dos amigos. O nome de Enishi, ou o que aconteceu com o apartamento antigo era um assunto banido por Kenshin, os amigos respeitaram o pedido sem pestanejar.
Enquanto Tae e Kenshin cuidavam dos deliciosos pratos de japoneses na cozinha, a sala de estar, que levemente ainda cheirava a tinta, borbulhava de vida.
O namorado de Tae, Shogo Amakusa também veio, e já tinha dado uma canja no karaokê para a alegria da vizinha que escutou a famosa voz ecoando através do microfone.
O entusiasmo esfuziante de Misao, que fazia planos para seu casamento com Aoshi, invadia o ambiente.
Enquanto que as brigas divertidas entre Sanosuke, levemente embriagado, com Megumi traziam ainda mais entusiasmo.
As risadas de Ayame e Suzume perseguindo o pobre Yahiko no quintal faziam Kenshin sorrir.
E Tsubame com seus "ownnss" e "Kawaiis!" enquanto mimava Kenji sem limites faziam Kaoru se sentir bem, acolhida e protegida.
Ela estava bem, era reconfortante estar ao lado dos amigos depois de tudo que viveu... Sua força era impressionante, e todos comentavam, até mesmo Megumi que costumava pegar no seu pé por lhe achar mimada e cheia de dengos.
Megumi tinha que admitir que Kaoru havia amadurecido bastante desde o dia em que a conheceu. Kaoru a deixou orgulhosa, sua amiga mais nova nem parecia uma mulher que sofreu um ataque mortal de um psicopata. "Ainda bem que a Tanuki ainda não pode beber, lembra da última vez saímos para uns drinks? Hohohohoho! Pobre Ken-san..." A médica provocou de proposito, deixando Kaoru ruborizada.
"Megumi-san!" Kaoru ficou constrangida.
Era verdade, da última vez que saíram pra beber Kaoru se atrapalhou toda porque não lidava bem com álcool e derrubou um copo cheio de cerveja no colo de Kenshin. O pobre ruivo passou a noite com a calça molhada em um lugar bem estratégico, exatamente como se tivesse feito xixi nas calças. Pior foi quando Kaoru tentou secar o liquido e acabou amassando dolorosamente as partes intimas do então namorado.
... Realmente, pobre Kenshin...
"Raposa para de provocar a Jou-chan...Ela é apenas uma moça sem maldade." Sanosuke ergueu-se em defesa da amiga.
"Arigato Sano!" Kaoru sorriu com sinceridade. Ela olhou ao redor, e era tão gostoso estar acompanhada dessas pessoas.
Claro que o que aconteceu não desapareceria de uma hora para outra, mas enquanto estivesse ao lado de seus amigos e família, Kaoru colocaria seus sentimentos negativos para escanteio.
"Minna-san... domo arigatou gozaimasu..."
Os dias se tornaram semanas e Kaoru permitiu que as cores primárias dos brinquedinhos de Kenji se esparramaram pela casa, e levassem os pensamentos depressivos para longe.
Vermelho, azul e verde coloriram seus olhos índigos, já curados dos ferimentos. O som de guizos e chacoalhos invadiram seus ouvidos, assim como o choro escandaloso de Kenji na hora que a fome batia, ou a risada gostosa quando o pequeno se divertia no colo do pai, que falava de um jeito bobo e babão.
O coração de Kaoru explodiu de emoção ao ser capaz de amamentar o filho com o próprio leite novamente. Era tão importante para Kaoru ser a fonte de alimento de Kenji e estreitar esse vínculo apertado entre mãe e filho. "Que fome! Que fome Kenji-chan, vai com calma!"
O garoto não queria saber de nada, apenas mamar.
E o sorriso de Kaoru ficava mais largo a cada dia que passava.
"Oro!" Kenshin sempre reclamava que era jogado para escanteio nessas horas. A ele restava apenas a dura tarefa de trocar as fraldas do ruivinho, que sempre mirava o xixi nas suas camisas recém trocadas.
"Ororororo!" Kenshin começava a desconfiar que Kenji fazia de proposito, pois o menino sempre tinha um sorrisinho maneiro escapando da pequena boa depois de uma bela mangueirada.
Semanas se tornaram meses, e mesmo quando uma frente fria passava por Shitamachi, o cinza do tempo nublado e chuvoso se transformava em algo leve e colorido com as horas de diversão ao lado de Kenji, Kenshin e Yahiko.
A alegria em voltar a viver se refletia na energia de Kaoru.
A morena reassumiu seu posto de treinadora, e voltou a dor ordens para Yahiko enquanto o adolescente treinava kendo. "Mais forte Yahiko, ataque novamente! Não descuide da defesa! Observe o posicionamento dos quadris! Repita 100 vezes!"
"100 VEZES BUSU?" Yahiko sempre reclamava.
"Só porque me chamou de feiosa vai ter que repetir 200 vezes... Seu moleque!"
"Oro!" Kenshin fazia cara de bobo ao ver a instrutora e o aluno em ação.
Kenji, já firme no colo de Kenshin, adorava ver a mãe assim se mexendo para lá e para cá, e batia palma demonstrando seu contentamento, porém a pequena criatura ruiva adorava mesmo era puxar dolorosamente os longos cabelos do pai. "Bah baah!"
"Isso doi ! Orororo!" Kenshin Himura estava propenso a cortar a longa cabeleira que cultivava há décadas por causa da coisinha gorducha com dedinhos ligeiros.
Kaoru não foi capaz de conter a emoção ao ver o dojo funcionando novamente, cheio de crianças e adolescentes preparados para o treino matinal. Mas o dojo de seu pai agora não era apenas uma escola de kendo. A espada para a vida tinha expandido para algo que ajudaria toda a comunidade.
"Otou san... Arigatou gozaimasu !"
Kojishirou Kamiya, onde quer que estivesse certamente estava sorrindo, por causa do dojo e por causa do neto.
Kenji Kamiya Himura já sentava sozinho e tentava engatinhar, ou melhor escorregar, através do assoalho brilhante da sala de treinamento, ele mais parecia gatinho pequeno, vermelho e arteiro demais para sua tenra idade.
...Esse menino vai me dar trabalho...
E assim, com passos curtos de quem está aprendendo a andar, Kaoru foi se recuperando dos ataques de Enishi, aprendendo a sorrir e a confiar nas pessoas novamente.
Obviamente não foi de um dia para o outro, pois a mudança repentina para o dojo Kamiya enquanto Kaoru ainda se recuperava dos ferimentos físicos e psicológicos gerou certo sentimento de melancólica.
As memorias de infância e de seus pais deixaram Kaoru um pouco para baixo a principio.
"Você não se casou com uma mulher, se casou com uma montanha russa Kenshin... Acho melhor devolver para a fabrica...!" Na cama antes de dormir ela brincava com Kenshin e o abraçava com força.
"Oro!" Kenshin fazia questão de abraça-la e beija-la de volta sempre que Kaoru começava a ficar triste.
"Eu não quero ficar triste, mas é que as vezes eu me lembro... e tenho pesadelos..."Kaoru murmurava, fazia um bico com os lábios e franzia a testa de um jeito que Kenshin não conseguia resistir.
"Vem cá Kaoru-dono!"
Muitos e muitos beijos apaixonados vinham na sequência.
"È tudo muito recente, são apenas alguns meses... O tempo vai se encarregar de tudo!"
Apesar de tanta intimidade e cumplicidade, desde a noticia recebida no hospital, os dois nunca mais conversaram sobre esse assunto. Kenshin não sabia exatamente como começar sem machucar Kaoru no processo. E ela também não queria estragar o clima agradável falando sobre isso.
Apesar de que certas duvidas lhe tomavam a mente vez ou outra. ...Será que Kenshin quer outro filho?...E se eu não for capaz?...
Kenshin por outro lado esperava que Kaoru se abrisse, e ela esperava o mesmo dele...
No final nenhum dos dois tocaram nessa ferida por um bom tempo.
Por experiência própria ele sabia que voltar de um trauma era difícil . Recuperar a autoestima e a autoconfiança eram processos lentos. "Tenha paciência Koishii!"
"E saiba que não precisa esconder nada de mim..." Kenshin sabia que nada é preto ou branco. A vida é cheia de nuances e surpresas.
Para Kaoru não era fácil vestir a carapuça de mulher forte e inabalável o tempo todo sem se tornar amarga, principalmente quando ela sentia que queria desmanchar por dentro.
Os problemas que Kenshin e Kaoru viveram no começo do relacionamento, tais como a falta de rumo da morena apos o fim de namoro entre Kaoru e Enishi, a agressão física, o vídeo intimo exposto na empresa, não se comparava com assassinatos, espancamentos e luta até a morte, mas serviram de base para lidar com essa nova fase da vida do casal e estreitar ainda mais esse laço de confiança entre eles.
"Kenshin... Não estou escondendo nada..." Kaoru sorria, porém louca para mudar de assunto.
"Ok..." Kenshin não era bobo. Ele sabia dizer quando Kaoru escondia seus sentimentos.
"Eu nunca escondi nada de você anata!" Kaoru, que não tinha malicia suficiente para esconder uma mentira, estampava na sua face uma poker face que não enganava nem um cego.
"Sei..." Kenshin apenas abraçou Kaoru com mais força. "Kaoru você é transparente como um cristal."
"Desculpe!" A verdade é que a morena quis lidar com a própria dor sozinha e não ser um fardo para ninguém.
Não mais do que já tinha sido.
Kenshin se mostrou um marido extremamente paciente e doce, Kaoru sentia um pouco de remorso pelos momentos que não foi capaz de corresponder à altura. Pelos momentos que rejeitou a atenção e carinho. Ela nunca quis passar ingratidão, só queria contornar seus pesadelos sozinha.
A loucura impressa na face de Enishi enquanto a espancava voltava a tona de vez em quando. Assim como os dedos frios e cheios de sangue do assassino tocando sua intimidade, separando suas coxas, apertando seus seios, preparando-se para lhe tomar contra a vontade... Causava náusea.
"Não escondendo nada Kenshin!" Kaoru balançava a cabeça e queria esquecer-se de Enishi e tudo que aconteceu.
"Koishii..."
O pior período para Kaoru foi após a alta hospitar, ela não podia tomar banho sozinha, não podia fazer esforço e forçar os pontos, foi um pouco humilhante se tornar tão dependente de Kenshin...
Sem mencionar que período imediato ao ataque de Enishi foi repleto de pesadelos. Pesadelos que Kaoru lutava para esconder de Kenshin, mas seu sono era leve, inquieto e agitado demais para não notar.
Diversas vezes Kaoru acordava assustada, completamente paranoica, acreditando que alguém estava tentando invadir a casa nova. Ou que tinha alguém andando pelo dojo no meio da madrugada.
Uma dessas noites, Kenshin a pegou correndo desesperada para o quarto de Kenji.
E várias outras madrugadas o ruivo encontrou Kaoru sentada na poltrona do quarto com Kenji nos braços, chorando e soluçando. "Que ele arda no inferno!" Ela confessou cheia de raiva e frustração.
Era um dilema moral para Kaoru, entre não desejar a morte de ninguém, como manda o estilo Kamiya Kasshin, e se sentir aliviada e livre pela morte de Enishi.
Quando ela abaixava a guarda e revelava seus medos, o olhar de Kaoru cortava o coração de Kenshin. "Ken shin...Eu sonhei que... Ele tinha voltado... Anata...me abraça!"
...Tão frágil e delicada...
... Como aquele desgraçado teve coragem de bater nela?... "Kaoru!"
Kenshin era incrível, sua paciência e seu carinho...
Esse período tão traumático poderia destruir um casamento comum, mas não o deles.
"Eu estou aqui Koishii... Calma...Xiii...EU estou aqui, ninguém vai te atacar novamente... Nunca mais..." Diversas vezes os dois atravessam a madrugada agarrados um no outro.
Durante esse período conturbado, Kenshin entendeu plenamente as palavras de Megumi.
Não era momento para revolta. Jogar tudo, socar, gritar, amaldiçoar Enishi...
Era momento de amar Kaoru como Kenshin nunca a amou antes...
O tom suave da médica na verdade queria dizer em alto e bom som que o ruivo devia ser firme, forte, maduro, decisivo e oferecer o suporte que a esposa, e sua família precisavam.
Suporte físico, mental e emocional.
O ruivo amadureceu tanto desde aquela noite com Megumi no hospital. Aquela conversa foi divisora de águas na vida de Kenshin Himura.
Kenshin entendeu o que era um casamento quando trouxe Kaoru para casa após o ataque de Enishi.
Um vínculo tão profundo que uma pessoa se tornava o ar para a outra que estava sufocando. Se tornava a luz para a outra que ainda estava na escuridão.
E Kenshin soube que Kaoru seria sua luz, quando ele próprio se encontrasse na escuridão. E que ela seria seu ar quando ele próprio se sentisse sufocado.
E aconteceria eventualmente, pois a vida dá voltas e voltas, e ele precisaria de Kaoru, assim como ela precisou dele.
Obviamente Kenshin também sentiu tristeza sobre a dificuldade de uma nova gestação. E ele meditava sobre isso fazendo a coisa que mais gostava, além de amar a esposa, e brincar com o filho, lavar roupa.
E com o quintal amplo da nova residência, Kenshin se tornou mestre na arte de lavar roupas. O ruivo pode lavar todas as roupas da casa de uma vez só.
Em uma manhã ele lavou a roupa dele, de Kaoru, de Kenji e de Yahiko e sorriu absolutamente satisfeito quando viu tudo estendido, limpinho balançando ao vento. "Ah...Masshiro de gozaru!"
Foram horas e horas esfregando, enxaguando e torcendo, e meditando sobre sua trajetória de vida e de sua família.
"Cada louco com a sua loucura!" Sano costumava brincar e aparecer no dojo Kamiya de surpresa para filar a boia e perturbar Yahiko.
Kaoru o observava com afeto e admiração.
Se o ruivo desviava o olhar da sua adorada bacia de roupa, e notava que estava sendo observado, ficava bem vermelho e soltava um esganado. "Oro..."
"Você gosta mais de lavar roupa do que gosta de mim!" Kaoru provocava... "Pra compensar, hoje eu faço o almoço."
"Não!" No ímpeto de impedir tal insanidade, Kenshin tropeçava no balde de água toda vez. "ORORORORO!"
...Que medo...
"Pelo amor de Deus, Jouchan não, onegai!" Sanosuke, mais intrometido do que nunca se metia no almoço alheio.
E Yahiko dramático, já sentia dor no estomago. "Busu vai envenenar todo mundo!"
"BAKAAASSS!" Com a pontaria perfeita o balde de água voava para a cabeça ruiva de Kenshin. "Venha querido, não se misture com esses bobões!" Kaoru agarrava Kenji no colo, que gargalhava com a cena hilária do pai apanhando, e ia para a cozinha preparar o almoço mortal.
Tirando esses momentos loucos, Kaoru não poderia estar mais agradecida e enamorada. Ela não sabia de onde Kenshin tinha saído exatamente, nem que força cósmica havia os unido, mas uma certeza absoluta ela tinha, esse ruivo era uma benção na sua vida. Kenshin era sua alma gêmea.
A outra parte do seu espirito.
A morena estava aliviada por ter conseguido expressar seu pedido, para que Kenshin não matasse Enishi.
Seu marido não merecia esse fardo, e essa mancha na consciência. Kenshin estava puro e livre de culpa e sangue.
... Graças a Kami sama...
E Kaoru se declarava sempre que possível. "Hei... Seu ruivo boboca... Eu te amo sabia?"
"ORO?"
"Kenshin...Meu coração é seu... Sempre foi! Sempre será."
Kenshin calou Kaoru com um beijo repleto de com paixão e ternura, demonstrando com seus atos o sentimento que ele não sabia como colocar em palavras. "Kaoru dono... Você é o amor da minha vida! Você só me traz felicidade Koishii. Você me deu um filho incrível ...Tudo que eu preciso é você perto de mim..."
Kaoru devolveu o beijo, também expressando com seus lábios os sentimentos de afeto mais profundos que sentia pelo marido. "Oh Kenshin..."
A morena fez a declaração de amor mais profunda que significava que queria ficar com ele para o resto da vida. "Koishiteru, anata... Koishiteru..."
"Koishiteru mo Kaoru dono!" ...Eu também te amo ...
Semanas se transformaram em meses, meses em anos.
Os dois cortes na bochecha de Kenshin cicatrizaram completamente, mas as marcas de lamina em forma de X ficaram para sempre.
Um milhão de beijos faziam com que as cicatrizes ficassem cada vez mais apagadas e Kenshin amava cada um deles.
Assim como Kaoru, que amava cada um dos beijos de Kenshin em suas próprias cicatrizes, nas costas e no ventre.
O problema é que o que começava com um carinho inocente sempre terminava como paixão ardente e corpos nus, suados e agarrados um no outro noite adentro, como duas trepadeiras agarradas em muro.
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A vida mansa e tranquila em Shitamachi confirmou ser tão maravilhosa ou mais, do aquela vivida em Shibuya, no coração do luxo e da badalação, o que fez de Kenshin um homem muito feliz.
Apesar do dinheiro, o ruivo nunca foi adepto ao estilo de vida dos ricos e famosos. E não queria que Kenji crescesse sabendo sobre os cifrões da sua poupança no banco. Ele queria que o filho se tornasse uma pessoa simples, respeitosa e desse valor as pequenas coisas da vida.
Pelo menos no aspecto material Kenshin teve uma infância super privilegiada, ele tinha que admitir isso. Nunca lhe faltaram as melhores roupas, os melhores brinquedos, a babá seguindo seus passos e empregados fazendo suas vontades.
Mas Kenshin trocaria tudo isso pelo afeto dos seus pais, essa parte da infância foi muito difícil. Quando ele precisava de um abraço de pai e Hiko simplesmente não sabia como lhe oferecer esse conforto.
Dinheiro nenhum compensava o afago maternal, e orientação e proteção de um pai.
Hiko fazia o melhor que podia e o que conhecia sobre como educar uma criança. Mas colocar o sobrinho no colégio mais caro do Japão não significava que tudo estava tranquilo, foi exatamente o oposto disso. Aquelas situações traumáticas na vida infantil de Kenshin o fizeram buscar um tipo de tranquilidade e segurança na vida adulta que ele nem imaginava que buscava.
E foi exatamente isso que encontrou no dojo Kamiya.
A vida em Shitamachi proporcionava exatamente aquilo que ele sempre quis, e cada dia no dojo Kamiya se tornava um desafio e um aprendizado para todos.
Yahiko foi aconselhado, porém nunca obrigado a nada por Kaoru e Kenshin, o próprio garoto fez questão de responder pelas suas ações erradas voluntariamente. Quando mudou novamente para Shitamachi pintou muros pichados, ajudou idosos, e mesmo sendo considerado "careta e filhinho de papai" passou a aconselhar os outros adolescentes sobre os prejuízos do fumo, da bebida e das drogas.
O rapaz, agora um adolescente, além de estudar e ajudar no dojo, também trabalhava no Akabeko de Tae e ajuntava seu próprio dinheiro. Para o orgulho de Kaoru, Yahiko estava seguindo um bom caminho e tinha a ambição de se tornar policial.
Kaoru saiu da concha e perdeu o medo de sorrir com sinceridade. De fazer amizades, de confiar, de se entregar as pessoas.
Ela permitiu que o amor guiasse seus passos. E encontrou conforto na ética e na filosofia do budismo, que seu pai seguia. Não foi atoa que Kaoru encontrou junção da filosofia budista com o estilo Kamiya Kasshin, de seu pai. Ambos focavam na atitude de compaixão, da benevolência, de amor, e de comunidade com todos os seres vivos. Sem ferir, sem ofender, sem depreciar nenhum deles.
A espada que revigora a vida...Os ensinamentos que agora começava a passar para seu filho, e para as crianças da comunidade.
Os jornalistas de folhetins que rodeavam o dojo Kamiya despareceram completamente com passar do tempo, assim como o nome de Enishi que já não era mais citado na mídia.
Algum tempo depois outros jornalistas apareceram no dojo, mas dessa vez para uma reportagem sobre o incrível centro de convivência Kojishirou Kamiya.
O dojo era um farol de luz para crianças e adolescentes carentes de Shitamachi e regiões próximas.
A vida profissional de Kaoru estava tão firme e consolidada quanto à vida em família.
Os traços de seus desenhos impressionantes e vivos.
Para completar suas realizações, Kaoru conseguiu satisfazer um sonho antigo, a pintura de quadros que já começavam a ser valorizados monetariamente por colecionadores de galerias famosas.
Enquanto Kenshin cuidava da casa, do dojo , de Kenji, realizava trabalhos sociais e ensinava kendo para crianças carentes, Kaoru, esposa, mãe, se tornava uma profissional respeitada na área de marketing. E ainda tinha tempo para ser instrutora de kendo no final de tarde para crianças pequenas.
Para Kaoru uma tempestade comum agora não passava de um fenômeno meteorológico e não havia mais motivo para pânico.
A chuva e o vento batendo forte no telhado do dojo tinham apenas se transformado na trilha sonora para as aventura eletrizantes de piratas e marinheiros que Kaoru lia para Kenji antes de dormir.
O garoto nunca teve medo da tempestade ou do granizo.
Pelo contrario, desde muito pequeno o ruivinho ficava animado quando chovia e sua imaginação voava longe. Alto como os raios e trovões.
Kaoru só podia acompanha-lo e colocar de lado seus próprios medos. Kenji não tinha ciência do que aconteceu com a mãe quando ele tinha apenas um mês de vida.
Foram noites escandalosas sem dormir por causa de febre ou de dentinhos nascendo.
Foram sorrisos e surpresas no primeiro sentar, engatinhar, balbuciar papai e mamãe.
Fotos e risos quando ele "resolveu" que já podia comer sozinho, o macarrão do prato foi parar até na parede, depois de sujar a cara bochechuda e travessa do ruivinho.
E os primeiros passinhos... Kenshin estava sentado no tapete da sala, em volta de trezentos brinquedos coloridos, mas o brinquedo preferido era o cabelo do pai, e Kenji atravessou a sala para poder puxar os fios ruivos semelhantes aos seus...
Aos prantos, como um bobão, Kenshin chamou Kaoru para ver, e ambos se emocionaram juntos.
Um mês depois de ter aprendido os primeiros passos o casal já tinha entrado em desespero em casa com Kenji. Ninguém controlava mais a pequena criatura ruiva arteira e super curiosa.
Logo Kenji, e seus pequenos pés gorduchos, havia dominado a casa, o quintal e dojo e a vizinhança.
Fazer compras e levar o pequeno junto era sempre uma aventura alucinada, e geralmente Kenshin ficava encarregado disso, pois Kaoru tinha entrado em um ritmo intenso de trabalho na Ryu Sen, seus desenhos cada vez mais solicitados para campanhas de todos os tipos.
Kenji adquiriu a incrível habilidade de desaparecer entre os corredores do supermercado.
Com três anos, o garoto quase causou um infarto em Kenshin, o pequeno simplesmente desapareceu enquanto o pai colocava um caixote de leite no carrinho.
Kenshin o encontrou quase meia hora depois comendo bolacha despreocupadamente na seção de brinquedos.
Kaoru começava a desconfiar que o filho tivesse algum traço de DNA de gato no sangue, Kenji tinha mania de subir nas coisas e não sabia descer. Aos cinco anos ele escalou a enorme arvore vermelha de Momiji e ela foi obrigada a chamar o adolescente Yahiko para ajudar. Melhor Yahiko do que os bombeiros.
Com o passar do tempo, o choro de Kaoru não era mais por causa dos traumas que Enishi lhe causou, mas sim pela emoção e felicidade de ver o filho crescendo e aprendendo coisas novas a cada dia.
E Kenshin e Kaoru nunca explicaram certas coisas para Kenji. Nem o motivo de não conseguirem lhe dar um irmãozinho por mais que ele insistisse em pedir.
Kenji era jovem demais para entender...
Ao invés de focar nos problemas e ficar remoendo o passado, o casal fez um acordo, seguir em frente, sempre...
Sempre em frente... Sem medo e sem tempo a perder.
Anos se tornaram uma década.
E foram muitos domingos de primavera, e pique-niques preguiçosos no parque.
Muitos verões quentes com risos, cantoria e churrascos no quintal do dojo.
Muitas noites de inverno, repletas de paixão e gemidos de prazer. Noites quentes, apesar da nevasca branca caindo lá fora.
A época favorita de Kenshin. O clima que era uma tentação para namorar debaixo das cobertas. Para sentir o cheiro da madeira queimando dentro da lareira e envolvendo o quarto como um perfume sensual, e observar as chamas alaranjadas iluminando o quarto e criando sombras nas paredes. A iluminação que servia como um convite erótico para imprimir a própria sombra dos amantes na parede enquanto Kenshin e Kaoru faziam amor.
Em onze anos nem tudo foram flores, obviamente...
Mas para Kenshin e Kaoru até mesmo as brigas eram estimulantes... Para desespero de Kenji e Yahiko que não aguentavam esses dois malucos...
Volta e meia as discussões viravam a desculpa perfeita para fazer as pazes e apimentar as coisas.
Uma tortura e um estímulo, ambos tinham que admitir.
E era tanta paixão que Kaoru e Kenshin tiveram que dominar a arte da discrição enquanto faziam amor madrugada adentro.
Com crianças em casa, que ficavam cada dia mais espertas, o casal foi obrigado a abrir mão de certas fantasias mais espalhafatosas.
Mas para compensar quando as fantasias podiam se completar aconteciam em ocasiões bem especiais, o que deixava tudo ainda mais excitante.
O ruivo nunca jogou fora as cordas que amarravam a esposa de vez em quando, e a morena guardou o chicote, as algemas e as vendas que torturavam Kenshin na parte mais alta do armário.
"Oro ORORORORORORO!" Kenshin nunca conseguiu esquecer o dia em que o pequeno Kenji achou um dos acessórios de Kaoru e saiu correndo pela casa com um pequeno chicotinho.
Kaoru quase morreu de tanta vergonha, o rosto dela atingiu uns cem tons de vermelho.
Na verdade Kenshin e Kaoru não eram praticantes de sadomasoquismo, apenas brincar de vez em quando, mas a maioria das fantasias acabava em gargalhadas, e o sexo, apesar de deliciosamente quente, acabava sendo bem simples e sem teatros no final das contas.
Kenshin, agora com algumas rugas no rosto e alguns fios brancos na cabeleira ruiva bem mais curta, amava sentar no engawa do dojo e beber seu chá tranquilamente.
Frequentemente, ele se lembrava de como o tempo passou rápido.
O ruivo fechava os olhos e se deixava levar... E viajava dentro de suas memorias.
Viajava para dez anos atrás quando Kenji, valente, tentou correr pela primeira na vida. Seus pés descalços e gorduchos cambaleavam e marcavam a grama do parque, enquanto ele tentava pegar a bola colorida.
Bola mais sem vergonha que sempre fugia quando ele chegava perto. Kenshin, ajoelhado na grama, batia as mãos e dizem. "Vem Kenji... Pega a bola filho!"
E sete anos atrás, naquele final de semana na praia, em que pai e filho construíram um enorme castelo de areia.
Kenshin mal teve tempo de terminar, pois Kenji gargalhando com o jeito paspalhão do pai, sentou em cima destruindo tudo. "Ororororo!"
Pra completar a maré subiu rápido, e as ondas levaram os chinelos, pás e o baldinho de praia pra longe.
"ORO!" Os dois ruivos corriam atrapalhados atrás dos seus pertences levados pelas ondas, enquanto isso Kaoru tirava fotos e fotos, que depois de reveladas foram parar no porta retrato em cima da estante da sala.
E aquele escândalo cinco anos atrás, quando Kenji esfolou o joelho caindo da bicicleta. Kaoru quase chorou junto enquanto limpava o sangue e fazia o curativo no seu pequeno ruivinho todo sentido. "Mamãe vai dar um beijinho para sarar!" Ela dizia com todo carinho.
E como esquecer o primeiro dia de aula de Kenji?
O ruivinho uniformizado e com a mochila nas costas, aos prantos dentro do carro porque não queria se separar da mãe...
Mas orgulhoso, enxugou as lagrimas e engoliu o choro quando se aproximou do portão da escola..
Impossível esquecer a voz carinhosa de Kaoru, assegurando ao seu pequeno, que tudo ficaria bem... "Nada vai mudar meu amor. Mamãe vem te buscar assim quando a aula acabar... Você vai se divertir, vai aprender coisas legais e vai fazer um montão de amigos! Confie na mamãe... Ok?"
Como não se lembrar do orgulho que Kenshin sentiu, torcendo, enquanto Kenji participava do primeiro torneio infantil de kendo aos oito anos de idade. "Isso! Não descuide da defesa! Bloquei. Ataque... Agora Kenji... Vai filho!"
Os olhos de Hiko, a figura de avô de Kenji, brilhavam com o neto praticando kenjutsu com tamanha perfeição.
O ruivinho tinha um gênio bem forte, e havia herdado seu talento com a espada e energia dos pais, mas estava aprendendo a lidar com seu espírito de luta.
Com disciplina, com a confiança e com a alegria de evoluir no esporte Kenji seguia em frente, Hiko, como mestre que era, sempre o guiava.
O juiz do torneio anunciou o campeão, Kaoru e Kenshin não foram capazes de conter os sorrisos e o orgulho o que sentiam pelo filho "E o campeão da modalidade infantil é Kenji Himura do dojo Kamiya Kasshin!".
Nem tudo foram flores nesses onze anos, principalmente para Kaoru.
Os dois abortos que Kaoru sofreu a fizeram endurecer e amadurecer um pouquinho mais.
Ao longo dos anos, ela engravidou duas vezes, mas perdeu seus bebês no primeiro trimestre de gestação.
Kenshin não sabia o que fazer para ajuda-la, ele não queria que Kaoru passasse por toda essa dor e tristeza dos abortos, mas infelizmente o ruivo não tinha o poder de comandar o organismo da esposa, nem a própria Kaoru tinha.
Havia esperança, porém esse, junto a tudo relacionado à Enishi, era um assunto que os Himuras não traziam à tona.
No lar que Kenshin criou para sua família não havia lugar para violência. Nem gritos, ofensas e palavras bruscas... Só amor, compreensão, carinho e conforto.
Nem tudo era perfeito, obviamente, Kenji tinha um gênio bem difícil, e lidar com um pré adolescente requeria uma dose extra de paciência.
O garoto era um mix efervescente de personalidades.
Kenji era carinhoso, rabugento, amoroso, teimoso, prestativo, preguiçoso, popular e cheio de amigos, apesar dos momentos que gostava de ficar sozinho apenas ouvindo música no quarto...
Onze anos e Kenshin e Kaoru se tornaram insuportavelmente inseparáveis, como Sanosuke costumava provocar.
^^x
Com casamentos, nascimentos, falecimentos... A vida seguiu seu curso.
Foram quatro mil dias até chegar a janeiro, dois dias após o Ano Novo ocidental.
Pleno inverno no hemisfério norte.
"Aoshi, se continuar desse jeito você vai ter um colapso ... de gozaru..."Kenshin não se lembrava de ter visto o promotor tão aflito antes.
Talvez fosse a primeira vez que Aoshi demonstrava tantos sentimentos publicamente.
O trio já estava nessa agonia a dez horas, sabendo que ainda poderia durar mais um tempão.
"Ou fazer um buraco no chão..." Sanosuke completou.
O promotor, carinhosamente apelidado de Buda por Sanosuke, andava de um lado para outro no corredor da maternidade ainda enfeitado com motivos natalinos e pisca-piscas.
"A Doninha vai ficar bem... Ok OK." Sano se calou.
Os olhos azuis de Aoshi miraram Sano com uma frieza polar para que o Crista de Galo parasse por aí
O moreno de olhar cor de chocolate levantou as duas mãos em sinal de paz. "Só estou tentando ajudar!"
Kenshin cutucou Sanosuke pedindo para que ele parasse de provocar agora. "Sano... chamar a Misao de Doninha e falar que ela vai explodir feito uma fruta madura não ajuda..."
O administrador também conhecido como Cabeça de Galo, fez uma careta engraçada. "Hei cara, desculpa. Na verdade eu conheço a sua dor..."
Sanosuke lembrava bem do dia que Megumi quase lhe quebrou os dedos da mão e os dentes durante o parto dos gêmeos, Sasuke e Seiche, dez anos atrás.
Megumi começou bem, praticando o tal do Lamaze, cheia de carinho e amor pelo marido, mas duas horas depois perdeu a paciência com Sanosuke, querendo lhe arrancar os cabelos espetados.
...Relaxamento através da respiração uma ova...
Megumi ganhava forças de lutador de MMA toda vez que as contrações intensificavam.
O parto da caçula, três anos atrás, foi bem diferente. Megumi e Sanosuke não tiveram tempo de chegar ao hospital, foi tudo tão rápido que Hikari, a luz brilhante na vida de Sanosuke, nasceu no banco traseiro do seu carro.
Aoshi e Misao eram constantemente perturbados por ser o último casal a ter filhos.
Nesses onze anos, o grupo de amigos levou a sério a famosa frase "crescei-vos e multiplicai-vos!"
Kenshin e Kaoru tinham um pré-adolescente em casa, o terrível Kenji Himura.
Sanosuke e Megumi tinham três, os gêmeos de dez anos e uma caçula de três.
Tomoe e Akira tinham uma doce menina de dez anos chamada Chizuru, mas o casal mudou para Dubai anos atrás, e o contato entre eles era mais via computador e as visitas durante as férias escolares. Akira conseguiu um emprego como um dos principais engenheiros na construção de um ambicioso arranha-céu no centro de Dubai e estava bem firme no projeto.
Mizuku Amakusa, filha de Shogo e Tae, estava com um ano e três meses, e era uma perfeita bonequinha japonesa.
Hiko Seijuro, com seus 54 anos, tinha se tornado um verdadeiro pai de família e com a casa bem cheia, com os filhos de sua esposa Natsu, e adotado mais um quarto filho, Noboru, de apenas cinco anos.
Pelo que parecia, o pequeno se tornaria um grande espadachim. Noboru tinha uma habilidade com o kenjutsu similar à de Kenshin, e seu progresso deixava Hiko super feliz, o que aumentava o ciúmes de Kenji do garoto.
Saitou e Tokio, que já tinha três filhos Tsutomu, Tsuyoshi e Tatsuo, seguiram o exemplo de Hiko e adotaram mais um garoto. O órfão Eiji, que sofreu muito com pais usuários de drogas e agora se adaptava a uma vida saudável e regrada no lar da família Saitou.
Quando as provocações começavam, Misao ficava brava e vermelha e gritava que aquilo era bulliyng contra ela e Aoshi, mas ela sabia que tudo não passava de brincadeira, o grupo de amigos tinha intimidade suficiente para isso.
A verdade é ambos queriam sim uma criança, mas toda vez o casal postergava essa decisão, a saída de Tomoe da empresa empurrou Misao para horas extras no emprego.
Durante nove anos de casamento, Aoshi dedicou-se à profissão de promotor, estudando e trabalhando em demasia. O promotor compreendeu quanto esse cargo exigia do profissional e em alguns momentos chegava a se arrepender de ter aceitado a promoção.
Enquanto isso Misao entrou na faculdade, se formou administradora, depois fez pós graduação.
Seu talento perspicaz, junto com o de Sanosuke e a grande ajuda sempre versátil de Soujirou Seta, fizeram com que a empresa fundada por Kenshin crescesse, tanto que Ryu Senn ganhou reconhecimento internacional.
Uma campanha humanitária em prol de vitimas de desastres naturais no Japão, idealizada e realizada com os desenhos de Kaoru concorria a um premio internacional nos Estados Unidos no mês de janeiro.
E com a licença maternidade de Misao, Kaoru é quem se preparava para embarcar para a "terra do Tio Sam".
A morena representaria a empresa Ryuu Sen no evento de gala em Nova Iorque e Kaoru tinha muitas chances de ser premiada. E de quebra a morena ainda ganhou um curso de cinco semanas em uma das principais escolas de arte avançada dos Estados Unidos, o que faria com que Kaoru se afastasse da família durante 40 dias pela primeira vez em muitos anos.
A ansiedade tomou conta das duas amigas, e as duas riram com o paralelo engraçado que havia se formado em suas vidas.
Kaoru estava dividida entre agarrar a incrível chance profissional e deixar a família no Japão.
E Misao, que deixaria a vida profissional e a empresa que tanto amava de lado para se dedicar exclusivamente a família durante os próximos seis meses.
Com essa vida profissional atribulada de Misao e Aoshi, o bebê ficou para depois, e o depois deles se transformaram em nove anos.
Mas ambos estavam estabilizados e satisfeitos, era hora de trazer um novo membro à família.
E era uma menina, Midori-chan.
"Deixem-me... Vocês são terríveis!" Carregando com sua infalível garrafinha de água mineral, Aoshi deu as costas para Kenshin e Sanosuke, e voltou para o quarto onde estava Misao, sofrendo há mais de dez horas com um trabalho de parto interminável.
O pobre homem estava tão nervoso que mal podia engolir.
Aoshi sabia que Sano e Kenshin só queriam ajudar, e era muito grato por isso.
Eles eram amigos verdadeiros, deixaram seus afazeres de lado e cancelaram seus compromissos para dar apoio nesse momento tão esperado na vida de Aoshi e Misao.
Para o promotor isso tinha muito valor.
Aoshi não costumava ser aflito e desesperado, mas também não achava que o trabalho de parto de Misao fosse durar tanto tempo.
Sua esposa fez todo o planejamento para ter uma gestação mais saudável possível; alimentação balanceada, exercícios, yoga, massagens, drenagens, hidroginástica...
Misao tinha se tornado a fiscal da saúde no grupo, enlouquecendo seus amigos no processo, principalmente Sanosuke, que adora um fast food como ninguém.
"Hei Aoshi vai lá! Não se preocupa tudo vai dar certo"
Sanosuke, checando o celular, não deu muita importância para a resposta de Aoshi, era a milésima vez que o promotor entrava e saia da sala.
A verdade é que o sol já estava se pondo e Sanosuke estava com fome... Estava nevando lá fora, um frio de fazer os ossos doer.
Pra ser sincero Sano estava um pouco preocupado também, já que sua pequena Hikari estava com Megumi passando por uma consulta na ala pediátrica por causa de uma febrícula e dor de garganta.
Megumi era médica, mas era mãe antes, e não bobeava quanto à saúde dos filhos e não arriscaria medicação sem a consulta do especialista.
"AOSHIIII SAMAAAA!"
Na confortável e quente sala de espera da maternidade chique, Kenshin e Sanosuke se encolheram com os berros que seguiram a entrada de Aoshi na sala de parto.
"Kami Sama! Essa Doninha é louca"
"Oro!"
O grito de Misao era sinal de que estava tendo mais uma onda de contrações.
"Não seria hora pra a anestesia?" Aoshi perguntou baixinho bem perto do ouvido da esposa que respirava ruidosamente fazendo um som "fu fu fu" com a boca. "Misao, você não tem que provar nada pra ninguém! Os médicos sabem o que estão fazendo."
Aoshi concordou com Misao sobre o parto sem anestésicos para ver até onde ela ia com isso, mas estava claro que Misao estava sofrendo demais para continuar com essa ideia, não parecia certo. "Já se passaram dez horas..."
Os olhos dela brilharam mirando Aoshi como se fossem duas orbitas de neon azul turquesa.
"Eu não quero anestesia. Eu quero uma kunai!" Misao rangeu os dentes, uma nova contração a deixou com o rosto tão vermelho quanto um tomate. "IAAHHH!"
Kenshin espiou pela fresta e voltou para a sala de espera com medo. "Oro!"
Aoshi insistiu mais uma vez. "Lembra? A mãe relaxada sente menos dor e com isso libera mais hormônios e oxigênio para o filho. Foi você mesma que me disse isso... O problema é que você não relaxa Misao, não relaxa porque está sofrendo com uma dor desnecessária..."
"QUIETOO!" Misao, quando enfiava alguma coisa na cabeça, conseguia ser teimosa feito uma mula empacada no brejo. "Eu quero um parto natural... AOSHIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII SAMMMMMMMMMA"
Aoshi fechou os olhos, procurando paciência do fundo da alma e sentou ao lado de Misao, segurando carinhosamente a mão da esposa.
...Eu devia ter cortado a tv a cabo e TODOS aqueles canais americanos sobre maternidades e partos humanizados... Maldito Discovery...
"Misao querida... Aoshi-san tem razão...Eu sei que você quer um parto como o das nossas avós e bisavós... mas não precisa sentir tanta dor pra isso, existem recursos modernos para evitar o sofrimento desnecessário..." Okon, prima de Misao, também não aguentava mais ver a jovem sofrer durante dez horas ininterruptas.
"Eu também acho... Não faz sentido. Eu aposto que se a Bachan aparecesse aqui agora falaria "Tá sofrendo pra que? Baka! Se eu tivesse isso na minha época tinha tido mais uns cinco filhos..." Omasu, outra prima de Kyoto, riu e colocou um pano úmido na testa dela.
Misao ponderou.
"Ok...ok..."
A jovem administradora de olhos azul turquesa também começa a achar que toda essa sua teimosia não fazia sentido.
Misao queria que Midori viesse ao mundo rodeada de felicidade, não de sofrimento, e ela estava sofrendo. "Eu aceito a sugestão do anestesista!"
"Aleluia!" Okon e Omasu sussurraram ao mesmo tempo, enquanto isso Aoshi partia sem demora atrás do anestesista.
"AHHHHHHH" Misao se controlou, sabendo que ainda não era hora de começar a empurrar pois não estava dilatada o suficiente para Midori nascer. Ela se contorceu toda com mais uma onda dolorosa de contração. "AOSHIIIIIIII SAMAAAAAA!"
Do lado de fora Sanosuke e Kenshin se entreolharam enquanto Aoshi corria atrás da equipe obstétrica atrás do anestesista.
"Wow, finalmente..."
Ambos passaram por isso.
Bem, Kenshin não passou por isso, por causa da pressão de Kaoru, o parto de Kenji foi todo programado e ela não sofreu essas dores alucinantes durante dez horas seguidas.
Mas Sano sim...
"Megumi fez igual. Insistiu com parto natural sem drogas, falou no meu ouvido durante nove meses sobre os contra do uso de medicamento no trabalho de parto, e na hora H ela que não aguentou e pediu socorro para o anestesista! Vou ser sincero cara, não vejo razão pra sofrer assim. Os meninos nasceram chutando e berrando. São saudáveis, hiper ativos e comem feito dois lutadores de sumo e tem energia de sobra!" Sanosuke sorriu, lembrando do par de pestinhas que detonavam a casa, literalmente.
"Kenji nasceu através de cesariana e também está saudável... até demais!" Kenshin não falou mais sobre essa época, ele não gostava de lembrar desse momento tão conturbado que viveram onze anos atrás.
"Por falar nisso, a Jou-chan acabou de me mandar uma mensagem. Ela está vindo... Trazendo meus meninos também!" A maternidade logo se tornaria um hospício, seus gêmeos Sasuke e Seiche quando se juntavam com Kenji .
"Coitada dela!"
"Oro! Que ótimo minha esposa te manda mensagem e não responde as minhas." Kenshin deu uma de difícil. Ele andava meio rabugento porque sabia que Kaoru embarcaria para o exterior em breve. A morena estava cuidando da documentação a manhã toda.
"Hei, não pega no pé dela, Jou-chan está com os meninos... Tenho dó!" Sanosuke partiu em defesa da amiga que ele considerava uma irmã.
A maternidade logo se tornaria um hospício, seus gêmeos Sasuke e Seiche, acompanhados de Kenji era um sinal de alerta.
Yahiko, alto como Sanosuke e fardado de policial, chegou ao hospital de mãos dadas com Tsubame. "Hei! A mini Doninha ainda não nasceu?"
"Baka! É Midori-chan...!" Tsubame balançou a cabeça, o tempo passava, porém Yahiko continuava o mesmo, provocando eternamente Kaoru e Misao.
"Yahiko, Tsubame-dono" Educadamente Kenshin os cumprimentou.
O namorico que começou na infância atravessou a adolescência e acabou ficando tão sério, que o noivado dos dois foi comemorado duas semanas atrás no Akabeko.
O casamento estava marcado para o final do ano, pois o casal ainda estava montando o pequeno apartamento em Shitamachi próximo ao dojo Kamiya, e as mulheres precisam de tempo para preparar toda a cerimônia, roupas e a festa de casamento.
Yahiko Myiojin, agora era um jovem adulto de 22 anos.
Um policial recém-formado na corporação, que era o orgulho de Kaoru Kamiya, pois além de policial, havia se tornado um mestre do estilo Kamiya Kasshin e ajudava junto com Kenshin toda a população de Shitamachi.
Yahiko escolheu essa profissão para proteger e servir a população do distrito que tanto amava. E era muito respeitado por isso, apagando completamente os erros que cometeu antes de ser adotado por Kaoru e Kenshin.
Junto com os Himuras se dedicava nas horas livres ao incrível dojo Kamiya, que se tornou um centro de convivência para crianças e jovens de toda a cidade. E inclusive para idosos.
"Nope... Nada dessa menina nascer..." Sanosuke se esparramou na poltrona, ele com fome ficava todo ranzinza.
"Poxa vida, desde cedo! Pobrezinha da Misao-san!" Tsubame, uma estudante universitária prestes a terminar seu curso de assistência social, continuava delicada e meiga como sempre.
"Bem, corremos para a maternidade assim que Aoshi ligou, eu pensei que Midori nasceria em umas duas horas no máximo... e aqui estamos... o dia todo!" Kenshin se encolheu dentro de sua jaqueta fofinha.
"Hmm Kenshin-san... Onde está Kaoru-san? Ela está lá dentro com Misao?" Tsubame questionou Kenshin timidamente.
Era difícil encontrar com um sem que o outro estivesse por parto. Ainda mais se tratando do parto de Misao, a melhor amiga de Kaoru.
Antes que Kenshin pudesse responder que Kaoru teve compromissos para acetar todas as documentações referentes a sua viagem aos Estados Unidos, e depois foi chamada para ir com urgência à escola de Kenji, a morena surgiu, saindo do elevador no fim corredor da maternidade.
Kaoru estava com pressa. "Gomen, gomen..." Ela queria ter chegado muito antes para poder dar apoio à Misao, mas foi impossível.
O tempo só fez bem, com seus trinta e três anos, Kaoru estava com um corpo maduro bem feminino e esculpido, cheio de curvas e seios firmes e fartos que eram acentuados pelo sutiã com bojo que ela usava por baixo da blusa fininha. Mesmo com o trench coat comprido na cor marrom que ela usava por cima.
Kaoru Himura era uma visão de parar o transito.
Para Kenshin era como observar uma modelo na passarela caminhando pelo corredor em câmera lenta e cabelos esvoaçantes.
Ah como ele amava essa mulher...Deslumbrante com uma calça jeans apertadinha que acentuava o quadril curvilíneo em baixo do casaco, contrastando com a blusinha de viscose esvoaçante amarela com flores vermelhas estampadas.
"Gomem, estou super atrasada ne?"
O sapato de salto alto fazia *toc toc toc* por causa do ritmo acelerado de seus passos pareciam acompanhar as batidas do coração de Kenshin.
E longo cabelo, que mais parecia uma seda negra quase chegando a cintura preso por uma tiara simples balançava para lá e para cá.
"Oiee! Para de babar!" Sanosuke cutucou Kenshin.
"Vai começar a seção de "olhares intensos"!" Yahiko riu, também provocando.
Tsubame não disse nada, apenas ficou ruborizada.
A verdade é que os olhares intensos trocados entre Kenshin e Kaoru eram bem famosos.
Doze anos se passaram desde a primeira vez que Kenshin a viu na entrevista de emprego, mas o seu coração batia por ela exatamente do mesmo jeito.
"Konbanwa Minna-san!" Kaoru sorriu para todos.
Ela estava ansiosa pelo nascimento de Midori-chan, mesmo assim deu um beijinho carinhoso na bochecha de Tsubame, sua "nora" . "Tudo bem Tsubame-chan?"
"Hai Kaoru-san! A bebê ainda não nasceu..." Tsubame olhou para a porta da sala onde estava Misao com preocupação. "Está demorando, não é?"
"Não se preocupe, tudo vai ficar bem! Misao e Midori estão em boas mãos! Eu já vou dar uma espiadinha lá dentro, ok!" Kaoru sorriu. Ela tinha chegado a tempo afinal de contas.
Kaoru tinha muito carinho pela jovem assistente social, Tsubame era tão delicada e preocupada. "Me deram um chá de cadeira no consulado, mas pelo menos meus documentos estão todos certos! Graças a Kami Sama..."
"Busu tá querendo virar americana pelo jeito!" Yahiko recebeu um olhar mortal de Kaoru.
Essa mania de chama-la de feiosa nunca iria passar?
Kenshin olhou para o chão, seu estomago contorcia, e não era gastrite. Era nervoso quando pensava nisso. ...O momento da despedida está chegando...
"Isso é ótimo!" Tsubame tentou aliviar a situação antes que Kaoru e Yahiko virassem cão e gato. A universitária percebeu o olhar entristecido de Kenshin olhando para o chão.
...Vai ser difícil...
Kaoru ignorou Yahiko.
A morena caminhou até Kenshin com tanta suavidade que mais parecia uma força natural a atraindo até ele. "Oi!" Carinhosamente ela beijou os lábios do marido.
"Oi!" Kenshin abriu um belo sorriso para a esposa, ele não conseguiu evitar e passar a ponta da língua nos lábios dela, Kenshin adorava aquele batom com gloss, tinha um gostinho tão bom de morango.
Esse cumprimento não era nada comum para entre os casais japoneses, mas Kenshin e Kaoru estavam em família. E essas pessoas já estavam mais do que acostumadas com o grude entre eles.
Quarenta e quatro anos de idade, e como um adolescente, Kenshin não conseguia desviar as mãos das curvas da esposa e vice-versa.
Kenshin respirou o perfume gostoso dela, lavanda e jasmim. E deu mais um beijo nela, dessa vez na bochecha, bem pertinho da orelha. "Tudo bem?"
"Eu nem te conto..." Kaoru disse bem baixinho e balançou a cabeça negativamente.
"O que ele aprontou dessa vez?..." Kenshin fez uma careta.
Kaoru não havia sido chamada até a escola, as aulas haviam apenas começado após a breve parada para as férias de inverno. Kenji não demorou nem vinte e quatro horas para arrumar confusão com a nova turma?
"Vamos conversar em casa!" Kaoru parecia contrariada e preocupada ao se lembrar do motivo de ter sido chamada as pressas no primeiro dia de aula.
Kenshin se alarmou.
O motivo da preocupação de Kenshin e Kaoru apareceu logo em seguida, descendo pelo mesmo corredor que Kaoru veio.
Kenji Himura...
O boné cobria metade do rosto do garoto, e a outra metade ele escondia bebendo uma lata de refrigerante. Acompanhado dos dois filhos de Sanosuke, seus melhores amigos, o trio mais parecia mais uma pequena gangue de adolescentes.
"Pai, tô com fome!" Sasuke, o mais velho dos gêmeos de Sanosuke não cumprimentou ninguém, ele estava com o estomago roncando demais pra isso. "Tá um puta frio lá fora..."
"SASUKE!" Sanosuke não sabia como controlar a boca desses meninos.
"Foi mal..."
Seiche também, morto de fome, tirou a mochila das costas e jogou em cima da poltrona, em cima das coisas de Aoshi.
...Adolescentes não temo menor senso de espaço mesmo...
"Boa noite para vocês também!" Yahiko bufou.
Esses três estavam entrando em uma fase terrível. O próprio Sano se lembrou dessa época e de como deu trabalho para seus pobres pais. Yahiko então nem queria lembrar.
Mas antes de se preocupar em ficar pensando como se controla filhos adolescentes, Sanosuke pegou o celular e discou para a pizzaria.
Infelizmente Seiche e Sasuke tinham puxado ao pai, e estavam absolutamente famintos, tanto que dava pra escutar o estomago roncando de longe.
"Oi pai..." Kenji murmurou para Kenshin, depois sentou na cadeira ao lado dos pais.
Abaixou a cabeça, e escondeu o rosto com o boné.
"Tudo bem Kenji?" Kenshin juntou as sobrancelhas tentando desvendar o enigma.
Kenji apenas deu de ombros.
Os olhos de Kaoru rolaram, Kenji estava emburrado por causa da chamada que tinha levado ao sair da escola.
"Bem, vou ver como está Misao, Tsubame quer vir comigo?..." Kaoru sorriu para a moça, que aceitou o convite imediatamente.
Kaoru fechou a cara para o filho. "Kenji, já sabe, não é?..."
"Tá mãe..." Kenji apenas se afundou dentro da jaqueta fofa de inverno.
As mulheres entraram na sala de parto deixando somente os homens na sala de espera.
Kenji sabia que o sermão de Kaoru ainda não tinha acabado. E sabia também que tinha muito pela frente quando chegassem em casa, quando o pai ficasse sabendo... A batata dele iria assar, como dizem popularmente...
Kaoru parecia frágil, doce e tranquila, só parecia. Sua mãe costumava ser mais brava que Kenshin.
Muito mais brava.
Mas quando Kenshin se irritava, nem precisava falar muito... Kenji tinha medo das broncas e dos olhos do pai... Apesar de Kenshin nunca ter lhe encostado a mão ou faltado com respeito.
Enquanto Sanosuke conversava com Yahiko e os gêmeos, Kenshin sentou-se ao lado de Kenji e perguntou discretamente "O que aconteceu?"
Kenshin estava curioso, sentindo-se uma carta fora do baralho, sem saber o que se passava entre sua esposa e seu filho.
E isso acontecia com frequência, a proximidade entre Kaoru e Kenji era muito grande. As vezes Kenshin ficava até um pouco enciumado com os dois, e depois se sentia culpado por isso.
O ruivo não queria esperar chegar em casa pra descobrir o que o garoto aprontou dessa vez.
Kenji abaixou a cabeça, ele não queria contar para Kenshin o que estava acontecendo na escola. Ele estava envergonhado e aborrecido com o motivo da briga.
O filho de Sanosuke se meteu. "Foi uma briga...Kenji desceu porrada no Miura Sasaki!"
"Seiche! Poxa vida! Você não consegue ficar com a boca fechada nem pra salvar a própria vida?" Kenji reclamou com o amigo.
"Hei, calma lá rapaz!" Kenshin colocou ordem, antes que virasse bagunça.
Eles eram amigos desde que nasceram, o filho de Sanosuke sempre o metia em encrenca por causa da boca grande. O gêmeo mais novo de Sanosuke não era capaz de guardar um segredo.
"O que?" Kenshin finalmente notou o rosto do filho embaixo do bone.
Kenji tinha um belo de um olho roxo escondido.
"Kenji Himura. O que foi isso?" Kenshin tirou o boné do filho, e levantou a franja do ruivinho para cima, para analisar bem o machucado.
...Foi um soco...
Kenji começou a ficar vermelho. Seus olhos transbordaram com lagrimas nervosas. "Ah pai...Foi o Miura que começou!"
O garoto se irritou ainda mais quando percebeu que todos tinham parado o que estavam fazendo para prestar atenção nele. Yahiko imponente, vestido de policial, Sanosuke, Sasuke, Seiche e seu pai... Só faltava o Aoshi... e o senhor Hiko...
Kenji não queria chorar na frente de ninguém, era humilhante.
"Quem é esse Miura?" A voz de Kenshin mudou, ele estreitou o olhar cor de violeta.
...Ninguém vai praticar bulliyng com meu filho...
...Eu vou cortar isso pela raiz e vai ser agora...
Kenji puxou o boné de volta e colocou na cabeça com raiva. "É um garoto do colegial! Uma verdadeira peste dos infernos. Ele inferniza todo mundo, e toda a turma do colegial faz o que ele manda. E eu só estava defendendo ela…"
Kenshin se levantou.
Deu passo pra trás e cruzou os braços na frente de Kenji.
Ele precisava de mais detalhes sobre essa confusão para tomar as devidas providencias. …Então tem uma garota na parada?... "Defendendo quem?" Kenshin perguntou.
"A..." Kenji começou a falar por impulso, mas se calou automaticamente ao perceber que só iria complicar ainda mais a situação.
Kenji olhou para a sala fechada de parto e se calou por um segundo, pelos sons que vinham de lá de dentro, Misao estava prestes a dar a luz, as pessoas já diziam "Empurre, empurre!" pra Misao
Kenji queria que seu pai mudasse o foco da conversa. Ele sentia muita raiva só de lembrar.
"Kenji..."
Preocupado, Kenshin ajoelhou na frente do filho, colocando as mãos no joelho do garoto.
"Kenji, eu preciso saber..."
"A mamãe... Eu estava defendendo a mamãe..." Kenji soltou o ar com tanta força que Kenshin sentiu o vento da expiração no seu rosto.
"Sua mãe?" A historia ficava cada vez mais confusa pra Kenshin.
...Por que garotos do colegial estariam falando da Kaoru?...
Novamente Seiche se meteu, ao contrario dos adultos, ele estava era entusiasmado pelo melhor amigo detonar os valentões do colegial, isso aumentaria a popularidade deles e ganhariam respeito dentro do colégio. "Os garotos do colegial estavam chamando a tia Kaoru de MILF!"
Sasuke dessa vez também se meteu. "Eles estavam falando várias coisas sobre a tia!"
Kenshin se perdeu. "Que?"
"Que porr...porcaria é essa?" Sanosuke agora se enfezou.
Ele ia dizer outra coisa ao invés de porcaria, mas se controlou pelos meninos.
"Como crianças da sua idade sabem o que isso significa?" Sano olhou para os filhos e se alarmou. ...Eu vou cortar a internet de casa e vai ser hoje... "Espera só a Megumi saber disso!"
"Oh oh...!" Seiche e Sasuke se entreolharam.
Os gêmeos perceberam que também tinham se metido em uma enrascada mexendo onde não deviam. Os dois resolveram sentar e calar bem a boca antes que a situação piorasse muito.
"A feiosa? Uma MILF?" Yahiko gargalhou, mas parou quando lembrou que Tsubame poderia ficar sabendo disso.
Yahiko era um adulto agora, já tinha passado do tempo de ser desrespeitoso com Kaoru, que só tinha o ajudado durante todos esses anos. Ele era um homem adulto, responsável, estava prestes a se casar, e tinha se tornado um policial por causa dela.
"Isso não está certo!" Yahiko também, fechou o semblante.
...Kaoru não merece...
Kenji apertou a calça jeans com força e se enervou novamente.
"É tudo mentira! Minha mãe nunca faria as coisas que eles falaram! Disseram que tem fotos dela nua e um vídeo antigo em que ela está na cama com um homem que não é você!" Os olhos de Kenji ardiam tanto, e de azuis índigos similares aos de Kaoru, estavam mudando para um âmbar, exatamente como os de Kenshin quando ficava irritado.
Kenji chorava de raiva e frustração e não conseguia parar. O ruivinho de onze anos enfrentaria a escola toda para defender sua mãe. "Minha mãe NUNCA faria isso! NUNCA!"
"Ah filho..." Kenshin estava perplexo.
Sanosuke se entristeceu por causa dessa historia, não tinha graça alguma. "Ow...Até hoje a Jouchan tem problemas por causa daquela mer...daquele vídeo... Quantas vezes a gente vai ter que tirar esses sites do ar?" Tudo isso aconteceu sem o consentimento ou culpa dela, e volta e meia esse vídeo ficava voltando para as suas vidas.
Foi uma decisão absolutamente infeliz ter deixado Enishi filmar o momento intimo deles. Mas Kaoru pagaria por isso para sempre?
"Kenji..."
A ficha de Kenshin finalmente caiu a respeito da palavra MILF.
MILF... Era um termo em inglês, Mom I'd Like To Fuck. ...Mães que eu gostaria de foder...
O ruivo se enervou apesar de não demonstrar sua raiva como costumava fazer antigamente.
Agora mais maduro, ele guardava e relevava muitas coisas para manter o equilíbrio e a ordem dentro de casa.
Kenshin foi obrigado a sentar ao lado de Kenji para digerir essa informação. "Garotos de colegial falando isso sobre a minha mulher?"
...Isso não vai ficar assim...Eu quero o nome de cada uma desses garotos... Eu vou conversar com o diretor do colégio e o pai desses moleques...
...Pobre Kenji... Ele não tem ideia sobre Enishi e o vídeo que vazou na internet mais de onze anos atrás...
"Filho, olha..." Kenshin não sabia por onde começar.
Kaoru tinha razão era um assunto para ser discutido em casa com calma e não na sala de espera de uma maternidade.
Quando Kenshin começou a coordenar a fala, um choro bem alto de bebê explodiu dentro da sala de parto e contagiou também a sala de espera.
Absolutamente emocionada, Kaoru abriu uma fresta da porta e anunciou com um enorme sorriso no rosto. "Nasceu! Finalmente Midori nasceu! 2,950 kg e 49 cm!"
Todos os homens se levantaram ao mesmo tempo comemorando. "OMEDETOU GOZAIMASU! OMEDETOU DE GOZARU!"
Aoshi, com a minúscula Midori no colo estava ao lado de Misao, absolutamente exausta, mas radiante, chorava e ao mesmo tempo não continha o sorriso dos lábios, que ia de orelha a orelha.
Foi o maior sorriso que Aoshi deu em sua vida."Bem vinda ao mundo Midori Makimachi Shinomori , seja bem vinda meu amor!"
Pelo visto Aoshir se tornaria um super pai coruja.
Sanosuke comemorou a chegada da pizza com a mesma felicidade. "Pizza!Graças a Kami-sama! Arigato Senhor!"
Ele distribuiu um guardanapo, e um copo descartável de refrigerante para cada um, e quebrando todos os protocolos do hospital os amigos dividiram uma pizza ali mesmo. Ainda bem que ele pediu três, pois todos estavam absolutamente famintos.
Kaoru, percebendo que tinha sido bem dura na bronca que deu em Kenji o abraçou com muito carinho. "Desfaz esse bico e dá um sorriso pra mamãe vai!"
Kenji ia reclamar, ele já tinha 11 anos, Kaoru não era mais a mamãe, era mãe... mas obedeceu e sorriu depois de alguns segundos de hesitação. "Ok!"
Kenshin suspirou ao ver o abraço entre Kaoru e Kenji.
O garoto já tinha passado o tamanho de Kaoru.
O chefe do clã Himura caminhou até a esposa e o filho e também os abraçou. "Em casa eu vou te contar tudo, ok? Concorda Koishii?"
Kenshin prometeu para Kenji. Já estava na hora dele saber sobre Enishi e tudo que viveram no passado.
"Sim!" Kaoru enxugou a lágrima teimosa que insistia em ficar no canto direito do olho. "Vamos explicar tudo que você quiser saber Kenji. Só promete não arrumar mais briga por minha causa tá?"
"Hei Jou chan, aqui!" A morena aceitou um pedaço de pizza de Sanosuke. E puxando um delicioso pedaço de queijo, olhou novamente para a direção de seus ruivos, e foi uma visão rara ultimamente, mas que enchia seu coração de alegria toda vez que via.
Kenshin e Kenji frente a frente. O pai beijando a testa do filho.
Os ruivos faziam isso desde quando Kenji era pequeninho e agora o garoto praticamente já passava a altura do pai.
Kenji permitiu o carinho publico rapidamente, pelo menos ninguém estava prestando atenção neles.
O embaraço adolescente não seria tão grande afinal de contas.
"Chega Ottousan! As pessoas estão vendo!" Kenji tentou disfarçar um pouco envergonhado.
"ORO!" Kenshin apenas sorriu e coçou a nuca.
Kenji fez exatamente igual, passou a mão na nuca e se afastou dos seus "velhos" para ir comer pizza com Seiche e Sasuke.
Conhecendo Kenji e o modo como ele sempre foi super protetor em relação à Kaoru, Kenshin teve medo de que o garoto fosse até o tumulo de Enishi Yukishiro e colocasse fogo em tudo.
Kenji ressuscitaria Enishi só para dar uma surra nele novamente.
Kaoru estava pensando em como ficaria a relação entre Kenji e Tomoe, que era sua madrinha.
Tomoe estava longe, mas eles se comunicavam através do computador o tempo todo. E a filha de Tomoe e Akira, Chizuru, que era a paixonite eterna de Kenji. O ruivinho sofreu quando ela foi embora, e ainda contava os minutos para que a garota voltasse em definitivo para o Japão.
O futuro de Chizuru e Kenji parecia que foi traçado na maternidade, e era bem similar ao de Yahiko e Tsubame.
...No final... Tudo vai ficar dar certo...Tenho certeza...
"Que raio tá acontecendo aqui?" Megumi chegou algum tempo depois, com sua filha de três anos Hikari no colo...
Megumi estava absolutamente chocada com a bagunça do marido e dos filhos em pleno hospital. ...pois é, essa é a minha família... "Sempre meu Cabeça de galo e meus pintinhos aprontando... Eu mereço!"
A médica passou Hikari para o pai, que ficou mais do que feliz em ter sua caçulinha de volta aos seus braços.
"Pizza filhota?" Sanosuke era um babão pela caçula.
"Hai papa!"
Megumi entrou na sala de parto, deu os parabéns aos novos pais. Tirou fotos fofas da recém nascida bochechuda e vermelhinha. Depois voltou para o lado do marido e dos filhos, afinal a médica também merecia um pedaço de pizza.
"EU TAMBÉM QUERO!" Ainda cheia de energia, Misao gritou da cama. Todos caíram na gargalhada.
Aoshi com a filha no colo, sorriu e balançou a cabeça de um lado para outro, sua Doninha não mudaria nunca pelo visto. As bochechas de Misao ficaram ruborizadas, ela mesma gargalhou, e a ajeitou Midori-chan novamente nos seus braços. "Que? Estou em jejum sabe-se lá desde quando!"
Quinze minutos depois o segurança expulsou o grupo todo para fora da maternidade, mesmo com a oferta de propina na forma de uma bela fatia de pizza.
^^x
"Vôo 1435 com saída as 00:25 para New York, chegada no aeroporto internacional JFK embarque no portão 15 em 10 minutos!"
Kaoru estava extremamente ansiosa, seria a primeira viagem de avião tão longa. Quase 15 horas de voo até chegar a famosa "Big Apple!"
"Pegou tudo?!" Kenshin não conseguia esconder o brilho apagado em seu olhar.
Ele antecipou esse momento o dia todo, a semana toda.
O momento da despedida.
Ver Kaoru partir finalmente para dentro do túnel que a levaria até a aeronave.
"Hai!" Kaoru conferiu a bagagem de mão uma última vez. Documentos, passagens, voucher do hotel, dólares, cartões de credito, celular, goma de mascar, chocolate. ...Tudo ok...
"É isso..." Kaoru suspirou profundamente.
...Oh droga, mais de um mês longe deles...
"Mãe..." Kenji parecia um cachorrinho abandonado.
"Toma cuidado aquela cidade é perigosa... o lugar é cheia de serial killers e...!" Kenji puxou os ombros de Kaoru para frente, para que pudesse abraça-la bem apertado, ele ainda estava um pouco impressionado depois de descobrir sobre Enishi.
Kaoru riu emocionada.
Seu filhote estava tão grande que já passava sua altura e como um bom adolescente não tinha a menor noção do seu tamanho e força física.
"Promete que vai tomar cuidado..." Kenji não queria mais que sua mãe viajasse sozinha.
"Ai que exagero...Menos televisão pra você moleque!" Kaoru deu um tapa de leve na cabeça de Kenji.
...Minha quota de serial killers acabou onze anos atrás . Graças a Kami sama...
Mesmo sabendo que era uma viagem estritamente profissional, Kenji tinha medo de Kaoru perdida em Nova Iorque... Afinal sua mãe era jovem, tinha apenas 33 anos. Muito linda com seus longos cabelos negros, e chamativos olhos azuis índigos, o corpo curvilíneo esculpido pelo kendo, era inteligente e comunicativa... Chamava muita atenção por onde passava, principalmente entre a população masculina.
O garoto às vezes parecia ser mais ciumento que Kenshin, que confiava na esposa cega e incondicionalmente...
"Tá me esmagando Kenji-chan!" Kaoru exclamou com uma voz engraçada e esganiçada.
Kenshin que observava o abraço entre a esposa e o filho riu alto.
Sua teoria de que Kenji era super protetor em relação à Kaoru se confirmava a cada gesto do moleque. "Viu? Kenji é mil vezes pior que eu!"
Por mais que Kaoru insistisse em dizer que "é coisa da idade" Kenji nunca mudaria, ele nasceu assim.
E o fato de que o moleque amava tanto sua mãe enchia o coração de Kenshin de alegria, o garoto sempre cuidaria dela, principalmente se Kenshin não estivesse mais lá por eles.
"Kenji nem liga pra este servo..." Kenshin disse em tom magoado.
"Baka!" Kenji se separou de Kaoru e mostrou a língua para o pai zombeteiramente.
Obvio que Kenji amava o pai igualmente. O ruivo era seu mestre, seu guia. Ele tinha uma admiração imensa por aquela pessoa especial que lhe deu a vida e cabelos vermelhos.
Kenshin era como um herói para Kenji, ainda mais depois de saber que o pai enfrentou um assassino psicopata para salvar a vida de Kaoru e a sua própria. E ainda deu uma bela surra no maldito usando as técnicas antigas e dificílimas do estilo Hiten Mitsurugi Ryu.
Kenji nunca soube que seu pai teve um apartamento no mesmo prédio que seu avô Hiko, apesar de Hiko não morar mais naquele lugar, ainda era proprietário de outros imóveis.
No entanto o choque maior para Kenji foram as tais fotos nuas, e o maldito vídeo da sua mãe... Que ele prometeu para si mesmo nunca ver, ou então precisaria de terapia para o resto da vida.
E ciúmes de pensar em Kaoru envolvida com outro homem que não fosse seu pai...
O garoto ainda estava aprendendo a lidar com essa informação.
Na noite seguinte a fatídica conversa não conseguiu pregar os olhos, tanto que sentiu até um pouco de raiva por sua mãe ter deixado isso acontecer. Na manhã seguinte acordou esbravejando que queria processar meio mundo.
Kenshin deu dois tapinhas no ombro de Kenji, garantindo que todas as medidas legais já haviam sido tomadas, e que Kenji não deveria ficar com raiva de Kaoru. A culpa não foi dela. Enishi era um homem muito mau e manipulador que agiu de má fé abusando de uma jovem que tinha acabado de perder o pai.
Mesmo assim Kenji quase morreu de tanto embaraço com o fato dos alunos do colegial terem conhecimento sobre a intimidade da sua mãe.
O garoto de onze anos queria enfiar a cabeça em um buraco e nunca mais sair quando seus pais confirmaram isso...
Kenshin convocou uma reunião com os pais desses adolescentes para conversar sobre isso e explicar a situação constrangedora, tudo isso sem matar ninguém no processo.
Kenji tinha muito que aprender. O garoto, com muito custo, admitiu que deveria começar a absorver aquilo que seu pai tentava lhe ensinar... Ou então passaria o resto da vida arrumando encrenca, com um olho roxo pra cá, e punhos machucados para lá.
"Vôo 1435 com saída as 00:25 para New York, chegada no aeroporto internacional JFK embarque no portão 15 em 5 minutos!"
Cada vez que a voz anunciava a proximidade da partida, Kenshin sentia um tambor batendo no peito. O ruivo tentou disfarçar a lagrima no canto do olho, mirando para todos os cantos menos para Kaoru, mas estava difícil conter a emoção.
Seria a primeira vez em doze anos que eles ficariam sem se ver por tanto tempo.
Nem quando Kaoru ficou internada apos os ataques de Enishi, e os abortos, eles ficaram separados. Kenshin a visitava no hospital todos os dias.
Mas Kenji não podia se ausentar da escola por tanto tempo bem no inicio do ano letivo, e Kenshin tinha a responsabilidade de cuidar do dojo e ajudar a comunidade.
Muita gente dependia de Kenshin Himura, e esse curso de Kaoru não estava no planejamento anual do dojo Kamiya.
"Eu preciso... ir..."
A voz de Kaoru cheia de ondulações apertou ainda mais o nó na garganta de Kenshin.
"Kenji, se comporta, ok? Eu prometo que quando você entrar de férias de verão na escola a gente vai fazer uma viagem inesquecível! Eu e seu pai te levaremos para Orlando na Florida... O que você acha?" Kaoru nem ia contar esse segredo agora, mas só de ver o rosto de Kenji se iluminando já tinha valido a pena.
"Hontoni? Wow! Arigato! Otousan, Okasan!" Kenji mal ficou sabendo da novidade e já se afastou dos pais, agarrado ao aparelho celular para contar a novidade para seus melhores amigos, os gêmeos, Sasuke e Seiche. "Cara, você nem vai acreditar..."
"Oro! Nós vamos é?" Kenshin fez cara de tonto.
Ele e Kaoru só estavam pesquisando sobre isso por enquanto, e de repente tinha virado uma promessa concreta. Mas o ruivo não ia reclamar, ele faria qualquer coisa para ver sua família feliz.
...Finalmente um momento nosso... Se bem que a noite passada foi toda nossa... Kenshin sorriu ao se lembrar do amor que os dois fizeram.
"Desculpe anata, eu só queria vê-lo feliz?" Kaoru colocou os braços ao redor.
"Não se preocupe Koishii..." Secretamente Kenshin também contava os minutos para as férias em julho. Para poder passar momentos inesquecíveis com sua família, quem sabe uma segunda lua de mel com Kaoru enquanto Kenji se divertia nos parques temáticos de Orlando.
"Vem cá!" Kenshin passou os braços ao redor da cintura dela, e trouxe Kaoru para mais perto.
Os dois se beijaram. Como em um filme romântico os dois compartilharam um longo e apaixonado beijo no saguão do aeroporto.
Relutante, os lábios se separaram, mas as testas continuaram encostadas.
"Eu vou sentir sua falta!" O ruivo disse baixinho, ele simplesmente não conseguia desfazer o abraço.
"Nem me fala!" Lagrimas escorreram pelo rosto de Kaoru.
Kaoru confessou. " Anata... Eu... eu... não vou aguentar ficar sem você!"
Cinco semanas é tempo demais.
Kaoru agora estava arrependida de ter aceitado. Mas ela sabia que era uma oportunidade maravilhosa que tinha surgido na sua vida profissional. Não é todo dia que se ganha um curso de desenho para marketing nos Estados Unidos com tudo pago, e de quebra ainda participaria de um jantar de gala que premiaria a melhor campanha publicitaria internacional do ano.
E o bônus é que uma das campanhas projetada e desenhada por Kaoru estava na disputa pelo premio e era uma forte concorrente.
"Talvez eu deva recusar o curso... E a premiação... Esperar para fazer esse curso quando vocês pudessem ir junto..."
Kenshin finalmente desfez o abraço.
O ruivo prometeu para si mesmo anos atrás que nunca faria isso com Kaoru. Ele nunca impediria o crescimento professional da sua esposa por motivos egoístas. Era muito talento para ser desperdiçado.
"De maneira alguma Kaoru! Você vai... E vai arrasar! Como sempre faz! E quando voltar pra casa vai ter um monte de historias para me contar... E vai voltar com esse prémio nas mãos..."
Kaoru balançou positivamente a cabeça. "Hai!"
"Sim, eu vou..."
O casal ficou frente a frente, em silencio alguns segundos.
"Não esquece de pagar as contas? Kenshin, você esqueceu e o dojo quase ficou sem luz mês passado. Vamos combinar que você é meio avoado quando o assunto é dinheiro né? ... A internet também está pra vencer, e o convênio médico... E você precisar pegar o edredon do Kenji na lavanderia, ele derrubou refrigerante em tudo... E...Não esquece que tem uma sobra de frango na geladeira que precisa colocar no lixo...E...Nosso arroz está quase acabando também...e... por favor, confira a lição do Kenji, se a gente não pegar no pé, ele deixa pra fazer na última hora e sai tudo um belo garrancho!"
Kenshin gargalhou, Kaoru já tinha repassado essas tarefas umas três vezes naquele dia... "Eu sei amor. Eu sei..."
"Vôo 1435 com saída as 00:25 para New York, chegada no aeroporto internacional JFK International embarque imediato no portão 15 !"
"Meu voo..." Kaoru tinha que caminhar até o portão 15, mas seus pés simplesmente não conseguiam se mover.
"Não vai me arrumar um amante americano..." Kenshin brincou, oferecendo sua mão para ela, e pegando a bagagem de mão que estava no chão. O ruivo começou a caminhar na direção do portão 15, trazendo Kaoru junto.
"Baka!" Uma lagrima teimosa escorreu.
"Mãe..." Kenji agarrou a outra mão de Kaoru, e ela foi conduzida pelos seus dois ruivos.
Kaoru beijou a cabeça do filho. "Kenji, cuida do seu pai, onegai. Você sabe como ele consegue ser pateta né?"
"Pode deixar!"
O garoto não queria ver a mãe indo embora, estava difícil, ele nunca ficou um dia sem ela até hoje.
"Mãe..." De repente ele se sentiu um garotinho no primeiro dia de aula novamente.
Kaoru já não tinha mais alternativa, a partir daquele ponto ela deveria seguir sozinha até a aeronave.
A morena pegou a mala de Kenshin e colocou a alça no ombro, em seguida virou as costas para Kenji e Kenshin e caminhou sem olhar para trás e sem se despedir novamente.
Se ela visse os rostos de Kenshin e Kenji, provavelmente desistiria e voltaria correndo para eles. Kaoru não queria que Kenshin visse as lagrimas escorrendo pelas suas bochechas, nem o soluço que escapava da sua garganta.
"Tchau mãe!" Kenji tinha feito uma promessa para si mesmo, enviaria um milhão de mensagem para o celular que Kaoru estava levado. Só para que ela nunca se esquecesse dele... Ninguém precisaria ficar sabendo disso, só Kenji e sua mãe.
"Boa viagem Koishii..." Kenshin murmurou entristecido para si mesmo. Mas o ruivo sabia que era melhor assim, se Kaoru virasse o rosto veria suas lagrimas, e provavelmente desistiria da viagem.
Ela não perderia essa oportunidade por sua causa...
"Bem Kenji, só nós dois..." Kenshin passou o braço ao redor dos ombros do filho que já passava sua altura.
...Quem esse menino puxou? Ele cresce um palmo a cada noite...
Os dois começaram a caminhar lado a lado na direção do estacionamento do aeroporto. enquanto isso, o avião de Kaoru levantava voo rumo aos Estados Unidos
"Não se preocupa Velhinho, eu vou cuidar bem de você... E a gente pode organizar uma festa pra mamãe quando ela voltar..." Kenji já estava bolando mil planos para receber sua mãe.
Pelo visto quem ia comandar a casa não seria Kenshin, e sim Kenji Himura.
"Oro!"
Kenshin olhou entristecido uma última vez para o caminho que Kaoru seguiu, ele prometeu para si mesmo que nunca seria um obstáculo na vida profissional dela... mas essa promessa não o impedia de sentir saudades. Muitas saudades.
...Volta logo Koishii...
Kaoru sentou na sua poltrona e afivelou o cinto de segurança apertando as unhas no couro da poltrona conforme a aeronave decolava, ela nunca gostou de sentir aquele friozinho na barriga, ainda mais estando sem companhia dentro do avião. "Kenshin..."
...Isso vai ser muito estranho...
O casal nunca foi de esbanjar, mas as passagens na primeira classe da empresa aérea Japan Airlines Kenshin fez questão de comprar para ela. Sua esposa viajaria na melhor poltrona do avião, recebendo o melhor serviço e sendo tratada como uma VIP. O ruivo também fez questão que ela ficasse hospedada no melhor e mais seguro hotel em New York, e contratou um motorista para leva-la para todos os lugares que ela precisasse ir.
Kaoru ficou até brava dizendo que o marido estava exagerando, mas Kenshin afirmou que "o seguro morreu de velho". Pelo visto não era só Kenji que tinha visto muito filme americano e tinha ficado paranoico com a historia de serial killers.
"Baka!" A morena olhou para a pequena janela e riu, Tóquio ficava pequeninha conforme o avião subia.
Uma lágrima escorreu e ela enxugou rapidamente antes que alguém notasse. ... Ah que patético... Pessoas viajam a trabalho o tempo todo...
Nem meia hora de separação e Kaoru já estava querendo voltar para casa. Como ela sobreviveria cinco semanas longe Kenji e Kenshin?
Kaoru tentou se distrair com algo, e uma revista em inglês até que era uma boa opção, afinal ela estaria em contato com a língua o tempo todo durante o proximo mês e precisa ir treinando. A morena disse em voz alta a frase de uma propaganda de marketing. "If you fight like a married couple, talk like best friends, flirt like lovers, and protect each other like siblings, then you were meant to be…"
"Se vocês brigam como casados, conversam como melhores amigos, flertam como amantes e protegem um ao outro como irmãos, então vocês foram feitos para ser..."
...Não poderia ser mais verdadeiro...
...A historia das nossas vidas...
... Kenshin, espere por mim...
Sentido-se mais solitária do que nunca, Kaoru encostou a cabeça na janelinha de vidro do avião e adormeceu.
^^X
Continua... Desculpa gente pelo capitulo enorme... mas eu precisava fechar esse ciclo, afinal esse fanfic começou com Kaoru buscando sucesso profissional, e ela vai alcançar tudo aquilo que Enishi tentou podar com seu egoísmo e possessividade. Sabe por que? Porque ela tem talento e tem Kenshin Himura do seu lado... Ai esse homem não existe, seria tão bom se existisse, ne? hehehehe Kaoru sortuda!
Muitíssimo obrigada pelos reviews e mensagens Jou chan, Lica, Maria Nelly, Marismelly, Himura, Mizkenzo, HarunoKuchiki e todo mundo que acompanha esse fanfic e não deixa review!
Beijinhos e até o proximo.
Chibis
