Disclaimer: Rurouni Kenshin não me pertence. Relena e Heero não me pertencem, é só uma brincadeira com Gundam Wing e minha amiga Lica.
Bem, apesar de tudo que aconteceu na minha vida... Ainda faço questão de terminar esse fanfic... Dividi o capitulo final em dois pra não ficar enorme e confuso. Obrigada por ler.
Esse fanfic é sobre crises, dificuldades, contornar e enfrentar os problemas, crescer e realizar sonhos, tudo isso contando com o apoio das pessoas que nos amam e que amamos.
^^x
"Koi no Yokan"
Capitulo Final- parte 1-
Por: Chibis
^^x
"Richard...Solta meu braço!"
"Não Relena. Eu não vou permitir que você fuja para os Estados Unidos!"
"Fugir? Fugir do que? Do que você está falando? Meu Deus não me mate de vergonha pelo amor de Deus! Até na primeira classe você causa cena...!"
"VOCÊ É MINHA!"
^^X
"Quem?!" Kaoru resmungou baixinho. Ligeiramente irritada por ter sido sacada de seu sonho com Kenshin.
A morena piscou e esfregou os olhos, despertando a contra gosto, porém seus olhos nunca foram incomodados pela iluminação do ambiente, que era projetada para o conforto absoluto.
Kaoru esticou os braços discretamente, alongando-se, seu corpo nunca sentiu tanto conforto dentro de um avião. Tudo isso graças a Kenshin Himura e trinta mil dólares gastos na viagem de ida e volta na primeira classe.
O casal nunca foi de esbanjar, apesar da poupança recheada do marido, mas Kenshin insistiu que durante essa viagem, Kaoru teria tudo de melhor. Ela reclamou obviamente, mas o ruivo venceu.
O jantar servido tinha sido maravilhoso. Ela desfrutou de lagosta, caviar e até champanhe francês, a sobremesa foi um mousse de chocolate belga Godiva que Kenji provavelmente adoraria.
...Obrigada Kenshin...
Kaoru já antecipava um café da manhã delicioso com pães ocidentais, frutas e sucos naturais.
A morena não soube distinguir exatamente quanto tempo havia se passado desde a decolagem, mas o sol começava a nascer por entre as nuvens, e lá fora um espetáculo colorido acontecia diante de seus olhos.
"Ah honto kirei!" A morena abriu a janelinha e pode testemunhar a aurora. Os outros passageiros da primeira classe continuavam dormindo nas suas cabines/camas. Talvez tivessem tão acostumados com todo esse luxo que nem se importavam com algo tão simples como o nascer do sol.
Kaoru estava tão agradecida, seria ainda mais perfeito se Kenshin estivesse junto. Aconchegado debaixo de lençóis de algodão egípcio e travesseiros de pena de ganso. A primeira classe mais parecia um hotel de luxo, na próxima viagem longa Kaoru certamente arrastaria Kenshin para essa experiência.
"HEI ME SOLTA!"
Kaoru mal podia acredita nos murmúrios nervosos e mal educados. Justo na primeira classe, onde os passageiros bem afortunados prezavam por discrição?
"NÃO ADIANTA FUGIR! EU NÃO VOU PERMITIR!"
...Que raios está acontecendo? Indagou a si mesma de maneira curiosa.
A voz masculina ficava mais alterada a cada palavra dita.
"VOCÊ É MINHA RELENA!"
Kaoru endireitou-se na poltrona, olhando em sua volta a procura das pessoas por trás da discussão;.
"Richard, volte para seu assento!"
A principio Kaoru imaginou que se travava de um filme, o que já era bem desagradável, afinal foram disponibilizados fones de ouvidos. Todos poderiam apreciar filmes e músicas, e usar seus laptops sem incomodar ninguém.
Kaoru abriu a pequena cabine de madeira que transformava em quartinho particular e se levantou. Ela deu alguns passos no corredor da primeira classe e notou, alguns assentos à frente, um homem parado na frente da cabine 07.
De longe ele tinha um físico bem atraente, era forte, loiro e alto, provavelmente media 1,90 de altura.
"Você tem que me ouvir..." Esse homem tentava a força fazer com que a passageira da cabine 07 se levantasse.
"Isso é patético... Ou você volta para o seu lugar, ou... Cadê a comissária de bordo?!" A passageira sussurrou com veemência.
"Relena! Eu já disse que você vai me ouvir..."
O tal "Richard" devia ter por volta de uns quarenta anos e parecia bem rico. Vestia uma calça social cinza de grife e uma camisa branca provavelmente Armani.
O relógio de ouro, um Cartier legítimo, brilhava conforme ele se mexia para puxar o braço da moça que se recusava em levantar.
"Não me mate de vergonha..." A loira sussurrou envergonhadíssima. "Pela milésima vez, ACABOU. Alias, nunca começou! Volte para sua esposa e seus filhos e me deixe em paz!"
"Olha aqui, sua piranha mimadinha, se não for por bem vai ser por mal... Eu já disse Relena pare de me irritar que você vai ser minha..."O homem, completamente alterado, levantou o braço, a palma da mão bem aberta pronta para acertar o rosto da mulher com um tapa na bochecha esquerda.
"Ahh!?" Kaoru finalmente pode enxergar a passageira, era uma moça pequena, uma bela loira.
Kaoru Kamiya não ia ficar quieta diante de uma situação dessas.
A morena avançou com rapidez na direção do casal.
Relena se protegeu instintivamente, antecipando o golpe no rosto. "O que?...Perdeu a cabeça?"
O golpe nunca aconteceu, pois Kaoru não permitiu, ela segurou com força o braço do agressor impedindo-o de continuar.
A loira, bem mais nova, provavelmente tinha vinte e cinco anos estava absolutamente surpresa e ultrajada. Com o desequilíbrio de Richard, e com a força da pequena morena que o impediu de golpeá-la.
"HEI! O que pensa que está fazendo?" Kaoru exclamou muito brava, ainda segurando o braço do agressor.
Relena se levantou, a loira parecia uma princesa saída de um contos de fadas. A loira possuía um ar de elegância, uma delicadeza verdadeira ao seu redor, mas que também sabia ser dura e olhar feio quando necessário, e foi isso que nunca pensou que um affair passageiro terminaria de tal forma, com esse homem a perseguindo por todos os cantos, até na primeira classe de seu voo para Nova Iorque.
Relena fez questão de romper o breve relacionamento, quando descobriu que Richard era casado e pai de dois filhos pequenos.
O milionário não aceitou ser rejeitado antes de conseguir aquilo que queria, ou seja levar Relena para cama. Richard simplesmente não estava acostumado com isso, receber um não..
O longo cabelo loiro e liso balançou com seus movimentos conforme a loira se levantou para ajudar Kaoru a segurar o agressor, seu penteado não se desfez pois estava preso por duas tranças, que se encontravam em uma fivela de perolas, atrás da cabeça.
...HEI! HEI !...
"Pode parar por aí! O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO?"
Kaoru não ficaria parada testemunhando um homem agredindo uma mulher. Milionário, bilionário, tanto faz, ela impediria esse despautério. Sua quota de psicopatas tinha terminado dez anos atrás, e ela levaria isso a sério. Muito sério.
Como uma mestre do estilo Kamiya que era, Kaoru deu um golpe rápido atrás dos joelhos do homem, fazendo com que ele caísse ajoelhado na frente da cabine da loira.
Na sequencia, Kaoru torceu o braço de Richard para trás e o homem que há poucos segundos atrás estava todo valente reclamou de dor. Isso acordou os outros passageiros da primeira classe, e chamou a atenção dos comissários de bordo.
O homem chocado com as ações de Kaoru reclamou bastante alterado. "Quem você pensa que é mulher? Tem noção com quem está sem metendo? Eu sou Richard Greene, presidente da Greene Corporation!"
Sem a menor piedade, e sem se importar se ele era o presidente dos Estados Unidos, Kaoru continuou a torcer o braço do homem para trás, desarmando-o e dominando-o completamente.
...Nunca mais...
...Eu nunca mais vou aceitar isso...
Sem misericórdia, Kaoru dobrou o dedo médio do agressor, quase quebrando os ossos do homem.
O empresário gritou de dor. "Pare, você está me machucando!"
Sarcástica, Kaoru perguntou. "Ah... Um minuto atrás você não estava se importando com a dor que essa moça sentiria se você a acertasse no rosto, não é? Você não estava se importando em envergonha-la na frente de todos! Você não estava sem importando em parar quando claramente ela pedia para que você PARASSE!"
Os olhos azuis da jovem Relena estavam completamente abertos observando Kaoru dominar Richard com precisão. Ela estava embasbacada com a atitude e autoconfiança de Kaoru. "Wow...Você é incrível!"
"Aulas e aulas de defesa pessoal..." Kaoru deu de ombros, como se estivesse falando de aulas de pintura, bordado e ikebana, para o desespero do tal Richard.
A loira nunca imaginou uma atitude dessas dentro da primeira classe do Japan Airlines, uma companhia aérea japonesa, geralmente os nipônicos eram sutis e reservados e não se intrometiam nos assuntos dos outros, sua temporada como assistente do diplomata havia lhe ensinado isso.
Surpreendentemente o homem se rendeu e parou de lutar para se livrar das mãos da morena. ... Tão pequena e tão forte... Malditas japonesas e seus golpes ninjas... "Me solta!"
"Pouco me importa quem você é! Sua mãe nunca lhe ensinou que não se bate em uma mulher nem com uma rosa?!" Kaoru apertou ainda mais suas mãos, intensificando o golpe.
A essa altura comissárias de bordo, passageiros e até uma figura conhecida, que Kaoru não encontrava em dez anos, rodeavam o trio.
Percebendo que havia se metido em uma situação constrangedora, o empresário tentou se fazer de vitima. "Oh...Sua desequilibrada!"
Kaoru soltou um pouco a pressão de suas mãos liberando o braço do homem.
Ela não se conteve. "Desequilibrada? Acordei com essa jovem pedindo para que o senhor parasse. Não foi uma, não foi duas, nem três vezes... O senhor além de não ceder, ainda levantou a mão para golpeá-la... Então vamos analisar quem realmente está desequilibrado aqui senhor Richard! Temos todos os passageiros da primeira classe como testemunhas..." Realmente a essa altura todos estavam acordados e testemunhavam a cena bizarra.
"Exatamente!" Relena, apesar de parecer uma princesa, estava pronta para ajudar Kaoru a jogar esse homem do avião...
"Essa criatura só me trouxe dor de cabeça!" A loira nunca quis transformar seus assuntos pessoais em um teatro, afinal ela era assistente do diplomata, mas Richard já tinha conseguido chamar a atenção do avião inteiro com seus modos invasivos e persistentes. ....Oh que vergonha...
Um pouco envergonhada pela sua impetuosidade, Kaoru se afastou antes de tudo terminasse muito mal. ...Kenshin vai ficar uma fera quando souber disso...
Richard se levantou e começou a esfregar o próprio braço, a torção foi bem dolorosa.
Mas Kaoru Kamiya era Kaoru Kamiya... E ela deu um passo a frente novamente.
"Nunca mais levante sua mão para bater em uma mulher!" Kaoru apontou o dedo para o peito de Richard e fez uma cara bem feia para ele. "Ou da próxima vez eu torço algo bem mais doloroso do que seu braço!"
Relena não aguentou e riu... "Oh!"
"Senhor... Peço que o senhor me acompanhe, por favor!" Uma comissária de bordo, um tanto quanto constrangida com aquele barraco em plena primeira classe, se aproximou deles impedindo que aquilo continuasse ou seu emprego estaria em jogo.
Richard se levantou, completamente embasbacado com o tamanho de Kaoru Kamiya. Ele que tinha 1,93 de altura havia sido dominado por uma nanica... "Insolente!"
O empresário avançou para cima de Kaoru, querendo lhe ensinar uma lição, mas a pobre aeromoça que pagou por isso porque se meteu no caminho e tomou um safanão tão forte que foi jogada contra uma das poltronas.
"Senhor..." Outra comissária de bordo estava chocada.
Um dos homens mais ricos dentro do avião agindo dessa forma?
"Richard..." Relena se arrependeu desse relacionamento até o último fio de seu longo cabelo loiro. Tudo não passou de uma perda de tempo e uma decepção sem precedentes, pois Richard a enganou desde o começo, e quase colocou um fim a sua carreira de assessora do diplomata americano no Japão. Cargo que a loira almejava desde a adolescência. "Você não vale nada mesmo..."
"Não existe mais respeito?"...Pelo dinheiro?...Richard, percebendo que absolutamente todos o olhavam com indignação, revolta e repudia, resolveu se recompor.
"Hei. Chega!" O conhecido de Kaoru se pronunciou. "CHEGA!"
Ele socorreu a pobre aeromoça impedindo que ela caísse em cima de outro passageiro da primeira classe após o safanão e a ajudou a ficar em pé novamente.
"Pare com isso!" O jovem de cabelos castanhos e olhos azuis da cor do céu olhou o empresário com uma frieza polar e desconcertante. "Ou o senhor prefere passar o resto da viagem algemado?" A voz igualmente fria, uma voz que Kaoru não escutava desde o fechamento do caso de Enishi Yukishiro.
"Policial Heero Yuy!"
Kaoru imediatamente ficou vermelha.
Ela nunca imaginou que uma pessoa conhecida estivesse testemunhando todo o seu momento "Mulher Maravilha lutando contra a injustiça".
O agente especial da policia japonesa Heero Yui seguia de férias para os Estados Unidos e foi acordado de seu cochilo pela discussão que rolava solta na primeira classe.
Seguindo seu instinto policial, Heero estava na tão cobiçada parte chique do avião em questão de segundos.
Toda vez que viajava em avião comercial ficava desconfiado e atento, depois dos ataques no 11/09, Heero sempre achava que poderia ter um terrorista a bordo. Ou talvez fosse consequência dos filmes americanos de ação que assistia demais.
"Policial?" Richard percebeu que sua situação havia se complicado pra valer.
"Vocês estão bem?" Heero perguntou para Kaoru, depois para Relena.
Relena rolou os olhos azuis nilo com o jeito do moreno, cheio de pose, como um herói de filme de ação."Não se preocupe senhor policial, está tudo sob controle...Não precisamos de um príncipe no cavalo branco hoje."
"Percebi... " Heero olhou bem para Relena, e sorriu cheio de sarcasmo.
...Ela é atraente...Deve ser mimada, riquinha e fresca... Mas atraente...
...Ele é atraente... Deve ser um pobretão, rude e mal educado...Mas ele está perfeito com essa calça jeans e essa jaqueta de couro...Oh Droga, lá vou eu de novo atrás do bad boy...
"Ok...Ok..."Kaoru notou que Relena e Heero que não paravam de se encarar, e riu.
"Parece que tudo está sob controle aqui!" A morena resolveu voltar para seu lugar, seu trabalho ali havia terminado.
Com Richard controlado, Relena ofereceu a mão para cumprimentar Kaoru antes que a morena voltasse para seu lugar. "Obrigada pela ajuda senhora..."
"Kaoru Himura!"
"Relena Darlian!"
"Tome cuidado da próxima vez..." Kaoru aconselhou a jovem.
...Que você nunca encontre um tipo como Enishi...
Relena sorriu para Kaoru com doçura. "Obrigada senhora Himura, vou lhe passar meu telefone, o que precisar em Nova Iorque pode contar comigo! Alias, eu lhe convido para um almoço!"
"Eu adoraria. Por favor, me chame só de Kaoru, o "senhora" me faz sentir como se eu tivesse sessenta anos...!" Kaoru ficou feliz com a perspectiva de uma nova amizade.
Se a amizade funcionasse, ela não se sentiria tão solitária nos Estados Unidos afinal de contas. E a melhor coisa é que Relena falava fluentemente tanto japonês quando inglês.
Surpreendentemente Kaoru recebeu uma salva de palmas dos passageiros da primeira classe e ficou extremamente envergonhada.
Kaoru não via a hora de contar isso para Kenshin e descobrir a reação dele.
Ela já até antecipava as palavras de seu marido . ... Kaoru dono... Você não aguenta testemunhar injustiça sem fazer nada de gozaru ka? Tome cuidado, Onegai Koishii...
...Nem desembarcou em Nova Iorque e já está chamando atenção...
... Essa cidade está cheia de serial killers... Kaoru se lembrou das palavras de Kenji , o filho faria um drama.
Kaoru balançou a cabeça saindo do seu mundo imaginário, tentando esconder o sorriso orgulhoso e vaidoso nos lábios por causa da salva de palmas.
Richard, completamente ignorado pelas mulheres que a pouco não lhe deram uma surra, tinha todo o avião o mirando com desprezo.
O empresário percebeu que havia ido longe demais por causa de Relena Darlian.
...Ok, eu desisto de correr atrás dela... Esse papelão por causa um rabo de saia que está se fazendo de difícil?...
Esse escândalo provavelmente alcançaria os jornais e tabloides e colocaria em risco sua carreira e suas negociações... Principalmente com empresas presididas por mulheres...
O loiro arrumou a camisa e se recompôs. "Arrume-me outro lugar, por favor!"
"Todos os lugares estão ocupados..." A aeromoça sem conseguir disfarçar o olhar de repreensão por ter sido empurrada exclamou secamente.
Relena, que voltou a fazer parte da conversa, sorriu misteriosamente. "Hmm!"
Richard merecia cada segundo do castigo que ela iria propor.
"Tão simples, basta trocar de lugar com esse senhor aqui... Richard vai para a classe econômica e você senhor Heero vem para a primeira classe... Assim sua esposa e seus filhos serão poupados de saber sobre esse incidente infeliz!" A loira não era tão inofensiva e angelical quanto parecia, a proposta era um castigo e uma chantagem.
Kaoru já de volta a sua cabine, gargalhou. Mandar o ricaço para a classe econômica por mais algumas horas seria uma bela forma de um castigo. E do jeito que as comissárias de bordo estavam bronqueadas o resto da viagem de Richard seria bem difícil.
"Interessante..." Heero percebeu que havia se dado muito bem afinal de contas. Lagosta, caviar, champanhe francês, chocolate belga, lençóis de fios egípcios e travesseiros de penas de ganso o esperavam, mas o mais lhe chamava atenção era a bela loira rica, delicada e perfumada como uma rosa branca, mas com o caule cheio de espinhos astutos e teimosos.
O resto da viagem foi bem tranquilo.
Volta e meia Kaoru dava uma espiada na direção de Relena e Heero, que aparentemente não tinham nada em comum, mas horas e horas de voo serviram para se conhecer melhor e encontrar algumas similaridades.
O mês de Janeiro seria interessante para Heero e Relena no final das contas.
^^x
O inverno no Japão estava tão intenso.
Um janeiro frio em Shitamachi como há muito não se via.
Kenshin Himura poderia culpar o clima seco e gelado pela sua queda de cabelos, mas a verdade é que ele estava perdendo sua mente, enlouquecendo, e arrancando os fios no processo.
Cada ligação de Kaoru fazia seu coração palpitar.
Ela nem havia desembarcado nos Estados Unidos e já tinha se metido em uma confusão dentro do avião... Ajudou uma moça que estava sendo assediada e agredida. Recebeu uma salva de palmas como agradecimento. ...Posso até visualizar Kaoru tentando esconder o sorriso orgulhoso...
Logo na primeira semana em território americano, Kaoru deu uma guarda-chuvada em um ladrão que estava tentando roubar a bolsa de uma senhorinha idosa.
No primeiro passeio turístico pela cidade da América, Kaoru ajudou um garotinho de quatro anos que se perdeu da mãe dentro do museu. Ela perdeu aula do curso, mas não saiu do lado do menino até que ele estivesse seguro nos braços da mãe desesperada.
Mas essas atitudes de Kaoru não eram novidades para Kenshin.
Ela era como um anjo da guarda, acolhendo quem precisava debaixo de suas enormes asas.
Um anjo guerreiro.
Colecionando amizades, ajudando quem precisava de ajuda, mesmo tão longe de casa.
Enquanto isso, o próprio Kenshin, outro valente guerreiro, outro samurai, enfrentava sua pequena guerra interna longe de sua amada, e estava sendo derrotado miseravelmente pela saudade.
Na primeira semana Kenshin segurou a barra. Lidou com a ausência de Kaoru e suas aventuras americanas como se nada tivesse mudado em casa, como se a rotina continuasse a mesma de sempre.
Na segunda semana Kenji percebeu mudanças significativas no humor de seu pai. Feição fechada, olhar intenso, compenetrado. Os "oros" diminuíram significamente, assim como os sorrisos.
Na terceira semana a diferença de dez horas no fuso horário começou a pesar.
Geralmente quando Kenshin estava livre para conversar com a esposa, ela estava dormindo, ou despertando para se preparar para o curso, onde passava grande parte do dia.
Ou quando Nova York estava cheia de vida, Shitamachi estava adormecida embalada pelas baixas temperaturas do inverno. Ninguém tinha coragem de sair debaixo das cobertas no meio da madrugada, e o inverno parecia afetar o humor de todos os Himuras.
Na quarta semana Kenshin, que era humano e sentia falta da esposa, estava potencialmente insuportável...
E ainda faltava mais uma semana de tortura, para o desespero de Kenji...Que estava tão irritado quanto o pai.
Lavar roupa já não ajudava.
Arrumar a casa era uma obrigação enfadonha.
As birras adolescentes de Kenji o irritavam.
Foram quatro semanas sem dormir apropriadamente. Sem sentir o gosto das comidas, sem sorrir... sem "oros". E com um vazio imensurável dentro de casa.
O ruivo nunca pensou que pudesse sentir tanta falta assim de Kaoru, e a dor chegava a ser física.
Alguns momentos Kenshin sentiu que estava enlouquecendo, sem os abraços, os beijos, o calor da pele dela, o cheiro gostoso de lavanda e jasmim invadindo o quarto todo dia de manhã após o delicioso banho antes de sair para trabalhar.
Onze anos de casamento e Kenshin ainda a desejava da mesma forma...
Como a primeira vez...
Ele desejava ouvir a voz de Kaoru ecoando pela casa. Brava, irritada, mandona, carinhosa, amorosa...
Kenshin nunca foi um marido grudento, pegajoso e ciumento. Um casamento como o deles fundado na confiança e igualdade, parece um pouco constrangedor esse tipo de comportamento cheio de "Benzinho. Xuxuzinho! Onde você está? O que está fazendo? Com quem está? Que horas você chega?".
Ele nunca quis ser possessivo, e evitava ao máximo isso. Não era um sentimento saudável dentro de um casamento sólido que eles construíram. Depois de Enishi, posse não tinha nada de romance. Ciúmes era apenas uma fantasia criada pelos filmes de Hollywood.
... Afinal, ou você sente credibilidade em quem ama, ou não.
...Mas o problema não é a Kaoru. Nunca foi a Kaoru. O problema são os outros ... A ameaça nunca foi traição, mas o medo de alguém a machuque, fisicamente, emocionalmente. ..Isso que me tira o sono...
Mas como não existe nada branco ou preto na vida, a sensação de que deveria proteger aquilo que lhe pertencia estava lá, guardada no fundinho da mente e da alma de Kenshin Himura. Trancafiada junto com poderosos e violentos olhos de cor âmbar.
E ele não poderia deixar escapar. Ele não deveria. E se censurava quando esse sentimento criava força.
... Não depois de tudo que vivemos por causa de Enishi...
Sim, Enishi Yukishiro deixou uma cicatriz na vida de Kaoru e Kenshin.
Era ilusão ignorar e mentir que Enishi nunca aconteceu, Kenshin tinha uma cicatriz em forma de X para provar, e Kaoru tinha suas marcas mais escondidas. Alguns pensamentos eram inevitáveis, e atropelavam a razão de Kenshin Himura.
E sem Kaoru, essa batalha silenciosa e interna o deixava cada vez mais estranho e fechado aos olhos de terceiros.
Ainda bem que ninguém tinha o poder de escutar seus pensamentos ou o internariam como bipolar.
...Idiota, você devia ter dito um sonoro NÃO! Não, Kaoru Himura, você não vai ficar mais de um mês sozinha do outro lado do mundo...
... Cala a boca...
...A Kaoru é uma mulher forte e independente, você não vai podar as asas dela por causa da sua insegurança...
...Baka, quando você resolver agir vai ser tarde demais... E se a Kaoru encontrar outra pessoa, alguém que tenha os mesmos interesses artísticos que ela, ela vai se apaixonar e...
... CALA A BOCA! EU acredito na minha esposa! Você só vai me causar problemas se isso continuar...
Sim, Kenshin Himura era um ser humano complexo afinal de contas.
^^x
Primeiro de fevereiro.
Quatro semanas e meia de curso e tudo explodiu finalmente. O relacionamento de Kenshin e Kenji balançou pra valer, e levou Kaoru de embrulho.
"Pai, você tá bem? Estou começando a ficar preocupado. Acho melhor ligar para a mamãe!" Kenji não estava reconhecendo seu pai.
Kenshin estava até prendendo o cabelo de um jeito diferente, com um rabo de cavalo no alto da cabeça. Como um samurai antigo. "Não vou incomodar sua mãe."
"Eu hein..." Kenji estava irritado. E estava pensando em um jeito de tirar o pai desse estado esquisito. Fazer besteira para um adolescente era redundância.
"Ok... Eu tô indo pra casa do Sasuke e do Seike. Não aguento mais essa sua cara estranha e esse clima!" O garoto andava desconcentrado para as tarefas escolares e os treinos de kendo. Controlar o adolescente fez com que Kenshin ganhasse duas rugas bem no meio da testa e alguns fios de cabelo branco.
Kenshin piscou várias vezes, voltando ao normal, percebendo que o filho adolescente não merecia seu espaçamento. Apesar da malcriação que aprontou nos últimos dias.
"Oro?" Kenshin ainda estava tentando...
"É pai... Eu não aguento mais esse seu humor esquisito... Se você não aguenta mais ficar sem a mamãe seja homem e simplesmente diga isso pra ela e pronto! Se não aguenta beba leite e deixa de ser babaca!" Kenji repetiu algo que Misao sempre dizia, ele achava engraçado, mas se calou quando visualizou o olhar de seu pai.
O adolescente engoliu seco.
Kenshin nunca gritava, e em hipótese alguma levantaria a mão contra sua família, mas bastava um olhar para perceber que Kenji tinha passado dos limites...
O olhar reprobatório de Kenshin era terrível...
"Kenji Himura! Você não está falando com qualquer um... Sou seu pai, me trate com respeito..."
"Desculpa... Foi sem querer...Eu...Eu tô indo..."Kenji abaixou a cabeça e jogou a mochila escolar nas costas.
"Sem querer... É só isso que você sabe me dizer ultimamente Kenji!"
A palavra "vazio" nem começava a traduzir a ausência que Kaoru proporcionava para Kenshin. Não só como marido e mulher, mas como pai e mãe de um adolescente.
Ele sentia falta da sua força, do seu poder de decisão e controle que ela tinha sobre Kenji.
"Seu castigo ainda não acabou Kenji, não se esqueça disso..." Kenshin nunca quis ameaçar o filho, mas ele não poderia deixar que tudo saísse de controle.
A coisa já estava complicada entre Kaoru e Kenshin por causa do último contato via internet,os dois acabaram discutindo por causa de Kenji.
Kenshin foi buscar o filho na escola um pouco mais cedo, e encontrou o ruivinho experimentando um cigarro com os garotos mais velhos do colegial.
Kenji, depois de ter os ouvidos bombardeados com uma bela bronca, garantiu que estava arrependido, foi a primeira e última vez que experimentou. "Me desculpa pai...onegai! "O garoto confessou que odiou o gosto de tabaco que ficou em sua boca, mas isso não o livrou do castigo com horários livres e de lazer restritos. Vídeo game sem pensar...
"Tsc... Kenji, você está fazendo mal para si mesmo..." Kenshin estava preocupado com o rumo que o filho estava tomando. ...Que idade difícil...
O resultado da transgressão de Kenji foi uma briga feia entre seus pais via internet.
Kaoru, do outro lado do globo, se sentiu culpada por não estar por perto cumprindo sua função de esposa e mãe, e Kenshin inconscientemente jogou isso na cara dela sem querer. Kaoru argumentou que Kenshin deveria ser mais firme, Kenshin argumentou que Kaoru deveria estar mais presente.
Mesmo com o acordo que o casal tinha de que Kaoru poderia e deveria ser uma mulher independente, correndo atrás de todos seus sonhos, Kenshin ainda mantinha sua porcentagem machista, pequena, mas que escapava ocasionalmente.
Kenshin Himura não é perfeito afinal...
Ninguém é...
O ruivo arrependido pediu desculpas através do telefone do hotel, do celular, do computador, porém, intencionalmente ou não, Kaoru começou a ficar menos disponível para ele.
Ela não respondia Kenshin com tanto entusiasmo de antes. Kaoru tentava disfarçar, mas parecia estar exausta e sonolenta nos últimos contatos.
A sensação de ter um assunto mal resolvido entre os dois e com milhas e milhas de distância sem poder resolver invadia a casa como uma tragédia natural. Um tsunami imaginário que passou levou a coluna de sustentação da residência dos Himuras, apesar da casa, assim como o dojo, continuar intacta, sem nem mesmo pó acumulado na mobília.
Talvez o inverno estivesse influenciando Kenshin mais do que ele gostaria de admitir, seu corpo estava dolorido, principalmente as juntas, cotovelos e joelhos.
E pelo que ele escutou nos noticiários, os Estados Unidos estava enfrentando um frio ainda pior e começou a se preocupar...
Kenji ficou resfriado, e Kenshin relembrou os tempos de bebê.
Só assim para o adolescente ficar bonzinho e aceitar carinhos e cuidados do pai. Kenshin passou uma noite inteira do lado da cama do filho, cuidando de uma febre tão mal criada quando o próprio adolescente. Kenji permitiu declarações de amor e cafunes sem tirar sarro do pai e chama-lo de brega. "Eu te amo filho. Me perdoe por ser um velho tão chato e ranzinza as vezes... Eu sei que você sente falta da sua mãe, mas tente me ajudar um pouquinho Kenji-chan... "
Culpa da febre ou não, Kenji respondeu da mesma forma.
"Gomenasai!" O ruivinho ainda tinha salvação. "Também te amo pai..."
^^x
Faltava só uma semana para o regresso de Kaoru, e para Kenshin restou ministrar as aulas de kendo como fez nos últimos dez anos, sem pegar a aposentada sakabattou de volta.
Kenshin cuidou do dojo Kamiya, e do centro social com a mesma dedicação de sempre. Contas, impostos, credores, professores, pais, vizinhos...Kenji... E o sistema de aquecedor com problemas que o técnico não conseguia solucionar.
Ele estava enlouquecendo.
Mas crianças carentes de Shitamachi contavam com ele, Kenshin deixou a esposa viajar sozinha para milhas e milhas de distância por causa disso. Ele não falharia agora.
Os alunos questionavam porque Kenshin não dizia mais "Oro...". As crianças adoravam esse jargão; e adoravam também a "tia Kaoru!".
Kenshin soube que Yahiko, que também era um dos professores nas horas vagas de sua função de policial, estava organizando com os alunos e Kenji, um comitê de boas vindas para a "busu" e ficou feliz.
Esse carinho aquecia o coração de Kenshin, mas ao mesmo tempo servia de combustível para a saudade.
"Tsc tsc...Idiota... " Uma voz conhecida invadiu o quintal. Só alguém considerado um irmão tinha liberdade pra entrar na sua casa desse jeito rude. "Oi Kenshin deixa de ser besta! A Jou-chan te ama, ama essa família. Para de colocar besteira na cabeça! Em um piscar de olhos ela tá de volta! " Sanosuke apareceu do nada como sempre fazia.
"Oro... Mas esse servo não disse nada!" Kenshin fez uma careta engraçada.
Sanosuke sentou no engawa do dojo, uma famigerada espinha de peixe rodando na boca, ele estava observando o ruivo há certo tempo, inconformado com o estado de espirito do amigo.
"Não precisa dizer. Suas dúvidas estão passando pelos seus olhos como se fosse um filme! E você não me engana com esse "oro" falso!" Sano foi brutalmente sincero.
"Sano..."
"É que ela parece que está em outro mundo... Sabe?" ...Se afastando da gente... Talvez a morena estive apenas centrada e feliz por alcançar seus sonhos profissionais, obviamente Kaoru sentia falta de Kenshin e Kenji, mas não chegava a afetar seu contentamento com o curso, porque sabia que dentro de uma semana voltaria para o Japão.
...No final acho que eu preciso mais dela do que ela de mim...
Talvez Kaoru estivesse apenas entusiasmada com as pinturas, os museus, os teatros, os lugares turísticos que estava visitando em Nova York... E o premio que havia recebido no jantar de gala...
...Não quer dizer que ela esteja negligenciando a família...
"E dai? Não era isso que você queria? Que a Jou-chan realizasse todos os seus sonhos? Não quer dizer que ela se esqueceu de você! Baka" Sanosuke estava lendo seus pensamentos? O moreno de cabelos espetados tentou passar autoconfiança, décadas de amizade Sano sabia que Kenshin tinha uma tendência a não se achar bom o suficiente.
"Hei cara!"
Sano queria chacoalhar o amigo e colocar sua autoconfiança de volta ao lugar. "Você sabe onde a Jou-chan está, e o que está fazendo o tempo todo..."
"É verdade! Eu sei!" Kenshin sabia onde Kaoru estava o que estava fazendo... Kaoru expunha para o marido todos os seus roteiros nos Estados Unidos
Kenshin tinha que admitir, esse sofrimento era patético.
"Mas é que..."Mas é que mesmo com os longos contatos telefônicos, e as longas conversas via internet a casa continuava vazia.
Kenshin sorriu daquele jeito que não enganava ninguém e confessou... "A Kaoru provavelmente me daria um soco bem dolorido se me visse... Mas eu te digo, nunca imaginei que fosse tão difícil..."
"Faz o seguinte Kenshin. Cometa uma loucura de amor, larga tudo e vai atrás dela!" A resposta era tão simples e clara para Sano.
Kenshin suspirou. "Eu não posso... Aparecer lá vai ser... estranho"
"KAMI SAMA, MAS QUE DRAMA!" Sanosuke gritou e riu. "Até rimou!"
Só Kenshin e Kaoru mesmo pra conseguir complicar algo que poderia ser tão simples. Se eles ainda fossem pobretões, mas eram podres de ricos, Kenshin podia fretar um jatinho particular se quisesse.
"Oro!"
" Pelo menos faz a barba, faz sua idade aparecer. Cara... Jou-chan não vai mais te reconhecer daqui uns dias! Tá parecendo um mendigo"Sanosuke tirou sarrodos fios brancos que cresciam no rosto de Kenshin junto com o ruivo, Kenshin passou a mão no rosto reconhecendo que Sanosuke tinha razão. "Uhhh...Kaoru vai preferir ficar mesmo com o bonitão americano desse jeito..."
"Sano...por favor!" Inconscientemente Kenshin estreitou os olhos em sinal de alerta...
"Foi mau cara...Eu tô zoando, a Jou-chan é louca por você!" Mesmo assim Sano mantinha a provocação de que se o amigo se fechasse mais um pouco se transformaria em um ermitão, e pior, levaria Kenji junto.
No final os ruivos compartilhavam mais do que a aparência, compartilhavam também o mau humor, e Sasuke e Seiche, filhos de Sano andaram se queixando do amigo.
"Hm!" Hai!Foi a resposta mais curta e mais significativa de Kenshin nos últimos tempos.
Sanosuke gargalhou. "Quando a Jou-chan voltar pra casa ela vai chutar a bunda dos dois! Especialmente do Kenji pelo cigarro e as notas baixas..."
Sano zombava do amigo, mas no fundo ponderava que se ficasse um mês sem Megumi, e com a tutela de três crianças provavelmente entraria em parafuso bem mais rápido que Kenshin.
Kenshin fez cara feia para Sano.
Mas a verdade é que não existia fortuna que pagasse toda a ajuda que Kenshin recebeu da família Sagara.
De todos seus amigos na verdade, mas os Sagaras tinham se transformado na tabua de salvação dos Himuras, ou melhor, de Kenshin e Kenji Himura.
Talvez Sanosuke tivesse mais jeito para lidar com adolescentes mesmo, Sano e os gêmeos, conseguiam fazer Kenji se divertir pelo menos um pouco e esquecer que sua própria família andava meio quebrada.
E Megumi colocava os três na linha.
De forma misteriosa Kenji, Sasuke ,Seiche e até a pequena Midori a obedeciam e estudavam pra valer. Megumi e Kaoru tinham um poder secreto, talvez fosse algo que só as mães entendessem.
"Misao me disse a mesma coisa!" A "doninha" estava com vontade de esganar Kenshin pela teimosia, ela podia jurar que o ruivo partiria para Nova York de modo super romântico, mas Kenshin não tomava uma atitude para não "atrapalhar" a esposa.
Aoshi e Misao também queriam ajudar os Himuras, mas estavam ocupados demais com a bebezinha recém-nascida. O casal já não sabia mais o que era dormir uma noite inteira sem o choro de bebê como despertador.
Kenshin não podia permitir que sua falta de rumo afetasse todos os seus amigos, era constrangedor, embora Misao garantisse que "Himura, todo mundo vai precisa de ajuda em algum ponto da vida... Não existe vergonha nisso!"
"Eu entendo Misao, só... não conte para Kaoru, onegai..." Ele confidenciou na última conversa telefônica com sua ex secretaria e amiga.
Kaoru não ficaria nada contente se soubesse que Kenshin estava tão desnorteado na sua ausência, enquanto ela estava tão bem e feliz.
^^X
Kenji Himura encontrou uma distração que Kenshin considerava saudável, e tinha melhorado o vinculo entre pai e filho. Um torneio de kendo.
As notas estavam baixas, mas álgebra não era sua preocupação nesses últimos dias.
Kenji se sentiu desafiado quando novos alunos entraram para as aulas avançadas do Dojo Kamiya. E o garoto não via a hora de contar a novidade para a mãe e pedir conselhos sobre golpes. Seu pai tinha um pouco de frescura em ensinar o estilo Hiten Mitsurugi Ruy para ele, Kenshin dizia que poderia ser violento demais para um garoto de onze anos.
Os filhos encrenqueiros do policial aposentado Saitou Hajime, tio de Sanosuke, agora eram alunos avançados do sensei Maekawa, um instrutor experiente amigo do pai de Kaoru que ensinava uma turma mais velha.
As disputas entre Kenji e o filho mais velho de Saitou estavam se tornando épicas. E os dois tinham até torcida organizada pelos seus amigos. Sem contar que seus respectivos pais estava em uma disputa própria de quem se detestava mais...
"Ahou...Seu filho parece um delinquente de gangue ... Esse moleque não corta o cabelo não?"
Kenshin levantou uma sobrancelha.
O tempo passava, porém Hajime Saitou continuava irredutivelmente intragável como sempre. A diferença é que agora ele era um aposentado com tempo demais nas mãos. Foi o que Tokio sempre quis do marido, mas agora estava ligeiramente arrependida... Hajime podia ser bem difícil de lidar.
Como Kenshin não era Tokio, não tinha paciência para lidar com o sarcasmo de Saitou.
"Primeiro é proibido fumar aqui... Segundo Kenji tem liberdade para usar o cabelo como quiser, ele não vive em uma ditadura.. E terceiro, e mais importante, seu filho usou golpe baixo durante a luta quando achou que o juiz estava distraído e fala tantos palavrões quanto um estivador de porto. ..Então eu me pergunto, quem é delinquente aqui..."
Saitou riu debochado.
"Pftt... Qual é Himura?... Depois que a mulher te largou está cheio de frescura..." Saitou jogou o cigarro no chão e não esperou pela resposta de Kenshin."Onde foi parar seu senso de humor?"
"Grrr Saitou..." Fazia muito, muito tempo que os olhos de Kenshin não brilhavam com um tom tão âmbar. "Fecha essa matraca!" A paciência de Kenshin Himura estava se esgotando. Ele estava relembrando os tempos que era chefe da Ruy Senn e andava sempre preocupado e com cara fechada.
^^X
Faltavam apenas quatro dias para ela voltar. E enquanto uma versão de Kenshin tinha tomado conta, outra versão também tinha tomado conta de Kaoru Kamiya.
O telefone tocou e finalmente Kenshin teria um pouco mais da atenção de Kaoru, e como ele precisava disso... "Moshi mosh! Kenshin falando..."
Kaoru nem parecia mais a mesma mulher que dias atrás explodiu com o marido por causa do filho adolescente experimentando um cigarro.
"Moshi moshi! Ah Kenshinnnn! BOM DIA, OU BOA NOITE… Eu nunca sei que horas do dia é ai?. Como você está meu amorrrrrr?"
A voz dela estava diferente, radiante, cheia de vida e alegria! E não parecia que era só pelo curso e nem pelo prémio que Kaoru recebeu de melhor propaganda internacional do ano.
"...Koishii?..." …Você andou bebendo?..."Kaoru você está bem?"
Após uma longa pausa, Kaoru respondeu. "Sim, ótima... Morrendo de saudade... Estou contando os minutinhos pra te ver. Só mais quatro dias..."
...Pois tenho algo pra te contar, mas ainda é cedo... Ela pensou esperançosa, visualizando o rosto do marido quando finalmente soubesse da novidade.
Kenshin estava um pouco enciumado, nas últimas ligações ou via internet, o ruivo percebia que Kaoru estava iluminada e radiante novamente.
...Feliz?... Mesmo estando longe da gente? ...
Embora não pudesse vê-la, Kenshin teve certeza que através da linha telefônica Kaoru exibia um belo sorriso no rosto. "Eu também, de gozaru... Quer ligar o computador?"
Kaoru se esticou toda na cama, da janela do hotel, ela conseguia visualizar a linda avenida arborizada que dava acesso ao Central Park.
Um véu branco deneve bem forte caia do céu indicando que o sol não daria as caras naquela manhã de quinta .
"Hmm... Não Ken... Ainda eu estou na cama, debaixo das cobertas, ligar o computador vai demorar muito... Está um frio terrível aqui... Apenas me deixe escutar sua voz, bem pertinho do meu ouvido!" Ela confessou toda manhosa.
Kenshin também se ajeitou na cama, no Japão o clima estava frio, apesar de não nevar.
O ruivo se cobriu com o edredom fofinho. "Eu também estou na cama, mas ao contrario de você, estou acabando o dia, enquanto você está começando... Koishii, o dia foi... cansativo por aqui!"
"Hmmm...Kenji?" Kaoru fechou os olhos e mordeu o lábio já esperando escutar alguma estripulia do filho.
Ela não queria mais brigar com Kenshin por causa de Kenji. Ela não deveria.
Segunda feira à noite Kaoru voltaria para casa e tudo voltaria aos eixos.
Kenshin foi cuidadoso com seu tom de voz, ele não queria desperdiçar a chamada telefônica discutindo. "Kenji está se comportando... Essa noite ele está na casa de Sanosuke, pois têm uma prova de álgebra amanhã cedo e Megumi vai colocar as crianças para estudar!"
"Espero que você esteja sozinho em casa!" Kaoru indagou já de forma maliciosa ."Porque eu não quero interrupções..."
"Oro!" Kenshin piscou algumas vezes tentando entender a voz marota dela. "Claro que eu estou sozinho... Koishii..."
"Ótimo... Sabe, estou com um probleminha... E meu marido é o único que pode resolver..."A voz de Kaoru agora estava um pouco sem fôlego, pois suas mãos pequenas percorriam as áreas sensíveis do seu corpo.
"Kaoru?" Kenshin demorou alguns segundos para assimilar, mas ele entendeu perfeitamente do que se tratava.
O ruivo sentia falta de namorar a esposa, e sentiu orgulhoso masculino ao saber que ela sentia o mesmo.
"Ahh!" Kaoru gemeu um pouco mais alto, pois deu uma leve beliscada no próprio mamilo por cima da camisola de seda.
Estava um frio polar em Nova York, mas debaixo daqueles cobertores a morena soava de tanto calor.
Kenshin escutou o som de tecido sendo removido com pressa, e visualizou a cena com perfeição. Os gemidos e a voz arfante e lúbrica dela ainda mais evidentes. "Ah Kenshin, me toque...onegai..."
"Ka...Kaoru! Eu...eu..."
"Me dê um segundo!" Imediatamente o ruivo tratou de se livrar das próprias roupas... Ele precisava de liberdade para seus movimentos, e as roupas intimas eram um empecilho.
Com as bochechas ruborizadas como o vermelho de seus cabelos, ele alcançou um pote de hidratante cheiroso que Kaoru deixava em cima do criado mudo para passar nas pernas antes de dormir. A cremosidade do creme tocando sua pele mais sensível era sensacional
De repente Kenshin Himura se sentiu com dezesseis anos novamente.
"Rápido Kenshin... Diz como você vai me tocar... Onde vai tocar! Eu preciso de você..."
Obviamente ele não poderia toca-la fisicamente, afinal estavam a milhas e milhas de distancia, mas a imaginação é a habilidade mais incrível do ser humano.
"Poxa Kaoru, assim você me mata..." O ruivo engoliu seco, controlando seu próprio desejo já bem evidente. "Não sussurra assim não!"
Kaoru riu, e de um jeito tão sexy que piorou a situação de Kenshin.
Mas ele tinha uma missão para cumprir e se concentrou.
Sua esposa estava do outro lado da linha precisando de ajuda. "Koishii... Eu vou te explicar direitinho...!"
"Hmm, sim...Sim! Sim! Onegai!" A voz de Kaoru era a de uma mulher no deserto prestes a derreter de tanto calor e sem uma gota de água.
Fazia tempo que Kenshin não fazia esse tipo de coisa. E para sua surpresa, como um adolescente estava completa e realmente excitado para começar logo.
"Eu vou beijar essa sua boca vermelha e roubar o teu ar... Eu sei que seus lábios já estão carnudos, cheios de sangue, abertos de desejo, convidando minha língua para dentro..."
Ele fez uma pequena pausa engolindo seco ao escutar os sons que Kaoru fazia do outro lado da linha.
"Depois vou apertar seus seios com firmeza, do jeito que você gosta, enquanto eu dou mordidinhas no seu pescoço. Minha língua quente e molhada vai deslizar até sua nuca... e todos os pelinhos do seu corpo vão se arrepiar ".... Rapidamente Kenshin passou o telefone para a mão esquerda, como um destro queria ter sua mão direita o mais livre possível para proporcionar prazer a si mesmo ...
...Oh Sim Kaoru, ainda bem que eu estou sozinho em casa...
"Depois eu vou colocar meu dedo médio na sua boca. Você vai chupa-lo, vai suga-lo... Deixa-lo bem molhadinho... Depois eu vou desliza-lo até a sua..."
"Ah!" Kaoru estava enlouquecida, seus joelhos tremiam. A morena teve que se escondeu debaixo das cobertas para abafar os sons que seu corpo fazia enquanto ela se tocava.
"Ah sim...Oh Meu Deus..."
O próprio Kenshin começou a se tocar de forma libidinosa possível, imaginando que era o corpo de Kaoru envolvendo-o no lugar de suas próprias mãos, mas não importava, a essa altura ambos estavam tomados pela loucura.
"Mais, mais..."
Ambos explodiram, seus olhos violetas e azuis visualizaram pequenas estrelas coloridas, Kenshin em Tóquio e Kaoru em Nova York.
Após o ápice da conversa íntima, ambos caíram na gargalhada.
Se fumassem certamente acenderiam um cigarro agora, um em Nova York, e outro em Tóquio. 10.848,13 km de distancia um do outro, e mesmo assim completamente conectados.
O amor que eles compartilhavam chegava a ser poético.
"Kenshin... Definitivamente esse é o melhor jeito de começar o dia... Arigato, pela... err... ajuda!"
"Esse é o melhor jeito de terminar o dia!" Kenshin puxou os cabelos em desespero "Me sinto um adolescente vivendo um romance a distancia".
Kaoru riu.
E a voz de Kaoru via telefone nunca foi tão sexy. "Eu adorei fazer amor com você essa noite ou melhor essa manhã... Só espero que nossa ligação não tenha sido rastreada!"
"ORO"
Os dois caíram na gargalhada novamente.
Kaoru percebeu que Kenshin estava ficando sonolento e riu.
... Homens...
"Sinto sua falta!" Kenshin confessou, um certo tom de tristeza em sua voz.
...Eu sei, Misao me contou... Obviamente Kaoru sabia tudo que acontecia com o marido e o filho na sua ausência, mas por diversos motivos ela não podia voltar antes do tempo combinado.
"Hmm...Hei Kenshin...Falta só um pouquinho agora, hoje é o último dia de curso. Amanhã vamos ter uma confraternização. Domingo arrumo as malas, e segunda estou em casa... Eu não quero mais brigar com você, ok?...Prefiro passar meu tempo livre imaginando todas as coisas que vou fazer com esse seu corpinho sarado quando voltar pra casa... Eu recomendo que você guarde bastante energia, porque eu vou usa-la todinha ..."
"ORO!"
"Kenshin! Me sinto feliz ...Muito feliz !" Kaoru confessou, um enorme sorriso estampado nos lábios.
Kenshin podia visualizar esse sorriso com perfeição. "Kaoru?"
O estado de espirito de Kaoru definitivamente colocou uma pulga atrás da orelha de Kenshin. ... Ela está tramando algo? Ou apenas amadureceu, tanto fisicamente quanto mentalmente? Ela está tão cheia de energia...
...E desejo...
Kenshin deu o braço a torcer.
Ele tinha dúvidas e inseguranças, mas de uma coisa ele tinha certeza absoluta. "Você se tornou uma mulher incrível e admirada. Eu estou orgulhoso, sabia? Muito mesmo..."
"Arigato! Amor... Saiba que sinto o mesmo por você Kenshin, eu não teria conseguido sem a sua ajuda... Agora eu preciso desligar, tomar uma ducha,não quero me atrasar para as ultimas aulas do curso, ne?... Até mais tarde!"
"Te amo!"
Kaoru preferiu desligar antes que ficasse emotiva e acabasse confessando o segredo que guardava com carinho a sete chaves.
...Tem que ser pessoalmente... Só mais quatro dias...
^^x
Japão. Sábado de manhã.
Sábado costumava a ser um dia preguiçoso na casa dos Himura, mas não dessa vez para Kenji. O ruivinho estava de castigo pelo incidente do cigarro, que foi potencializado pela recuperação em álgebra.
Não houve choro nem vela, Kenj foi praticamente arrastado da cama pelo pai. "Hora de estudar dorminhoco!"
Na verdade não foi bem assim, o máximo que Kenshin fez foi escancarar as cortinas para a claridade entrar.
"Oh meus olhoooooos!" O adolescente reclamou dramaticamente.
"Kenji, enquanto você estuda eu termino o café! Vou preparar o seu favorito. Depois a gente vai até o supermercado, sua mãe vai chegar na segunda e a dispensa está vazia!" Kenshin já estava acostumado com o drama matinal do filho.
Kenji preferiu não contrariar. 09 da manhã não tão cedo assim. Melhor estudar agora, por no mínimo uma hora ininterrupta, do que postergar, e coincidir com o treino de kendo ou o desafio de vídeo game que marcou com os filhos de Sanosuke mais tarde.
Obviamente antes de abrir qualquer livro, o adolescente ligou o celular e entrou nas redes sociais para reclamar da sua vida de "madrugador em pleno sábado".
Não passaram cinco minutos de Kenshin preparando café da manhã e Kenji invadiu a cozinha levando panelas e a cadeira junto.
"PAI! Pai! Vai atrás dela... Agora é sério! VOCÊ PRECISA IR ATRÁS DA MAMÃE!" Kenji exclamou de forma alarmante.
Kenshin piscou sem entender nada. "Oro? De onde veio isso agora? Sua mãe já volta na segunda!"
"Eu não posso Kenji... As coisas não funcionam assim..." Kenshin não poderia fazer,
Os ruivos se olharam.
Kenji levantou a sobrancelha direita e disse com toda seriedade que um garoto de onze anos podia ter.
"Bem se ela fosse minha esposa eu não pensaria duas vezes... Estão noticiando que uma tempestade polar está se aproximando dos Estados Unidos nas próximas horas, e o lugar mais afetado vai ser justamente Nova York... Estão prevendo um caos, escolas, estabelecimentos públicos, metro, aeroporto, tudo vai fechar! PAI, VAI SER "A" TEMPESTADE!"
Os olhos de Kenshin arregalaram.
Ele realmente não estava prestando atenção nos noticiários nos últimos dias. Tanta coisa na cabeça...
"Kenji?...É verdade?..."
Kenji assentiu. O pequeno ruivo se levantou até alcançar o controle remoto para ligar a televisão.
Realmente, Kenshin comprovou que a nevasca nos Estados Unidos eram manchete em vários canais. Kaoru comentou que estava nevando, mas Kenshin não pensou que fosse algo tão sério assim.
O frio previsto era tanto que entraria para a historia.
"Tô falando... Vai buscar a mamãe antes que ela congele! Eu sei que você tirou os documentos pra isso... Eu sei que dinheiro não é problema...Vai antes que seja tarde demais! Mais do que nunca a mamãe precisa de você por perto... Ela não pode se estressar e.."
Kenji se calou antes que revelasse demais.
Ele havia descoberto o segredo da sua mãe por causa de um email que ela recebeu de um hospital, Kenji sabia a senha do email da mãe e queria saber se a escola tinha mandando o boletim escolar para ela. Era errado... mas...
No entendo o garoto não revelou isso pra ninguém, nem para a própria Kaoru. Ele ainda estava enciumado com a novidade, mas não era momento pra isso...
"Por que ela não pode se estressar?" Kenshin ficou desconfiado.
Kenji tentou disfarçar, rezando para que seu pai caísse na dele. "Porque você conhece a mamãe. Ela vai tentar ajudar as pessoas e vai acabar presa na nevasca e pode ficar doente e...sozinha em outro país, não vai conseguir voltar pra casa, vai se desesperar, e chorar...e..."
"Ok, ok, eu entendi!" Kenshin sorriu reconhecendo o mesmo jeito de Kaoru no filho. Quando a esposa ficava nervosa ela falava tudo ao mesmo, gesticulando, e começa a ficar ligeiramente estabanada.
Obviamente o garoto também queria ir atrás da mãe, mas Kenji era esperto o suficiente para saber que a entrada de um menor de idade sem a documentação necessária nos Estados Unidos era impossível, e mesmo com dinheiro pra isso, nem Kenji, nem Kenshin tinham tempo a perder.
Kenji agora agradecia a "paranoia" do pai, que discretamente e secretamente providenciou toda a documentação para entrar nos Estados Unidos, caso precisasse voar de urgência.
O adolescente aumentou o volume da televisão e os dois prestaram atenção no noticiário. As pessoas nos Estados Unidos estavam até mesmo estocando comida e água. Moradores de rua foram encontrados mortos por causa da hipotermia.
O jeito foi dar o incentivo final. "Eu vou me comportar pai. Juro. Juro por tudo que é mais sagrado. Eu fico na casa de Sanosuke e Megumi sem problemas, ok?"
Kenshin já não escutava mais o que Kenji estava dizendo. Ele estava com seus olhos cor de ametista vidrados na televisão, escutando as noticias alarmantes da situação catastrófica nos Estados Unidos.
Inconscientemente, o ruivo tirou o celular do bolso e discou para Kaoru sem se importar com fuso horário. ...
Nada...
Kenshin tomou a decisão.
"Kenji vai tentando contatar sua mãe. Eu vou arrumar uma mala, separar os documentos, e partir para o aeroporto. Arruma uma mala pra você também, te deixo na casa de Sanosuke no caminho..."Kenshin correu para dentro do quarto, com o celular nas mãos para comprar o passagem mais rápida possível para Nova York.
De jeito nenhum que ele deixaria Kaoru sozinha presa em uma nevasca do outro lado do mundo.
Sozinha, abandonada, no frio, no caos.
Alguns minutos depois Kenji engoliu seco, verbalizando aquilo que estava apavorado em dizer."Mamãe não atende ao telefone. Ela não atende o celular. Ela não está respondendo meus e-mails! No hotel não sabem informar sobre ela desde ontem..."
Kenshin puxou os cabelos ruivos, jogando a alça da mala por cima do ombro. Com o passaporte nas mãos ele se dirigiu para a saída da residência.
"Kenji... Acho que eu fiz besteira em não ter ido antes"
"Eu sei... Pai... Vai lá!" Com sua mochila nas costas, Kenji o acompanhou.
...Espero que a mamãe o bebê que ela espera fiquem bem...
E Kenshin partiu rumo ao maior caos que testemunhou nos seus quarenta e poucos anos de vida.
^^x
Nota da autora, um breve desabafo: Sempre achei exagero quando alguém falava "tal banda salvou minha vida", "tal música me ajudou a sair da depressão", "tal historia me ajudou a enfrentar a vida", bem, hoje aprendi, e senti na pele que não é exagero não...
A fuga que encontramos na ficção é imprescindível, e faz sim a vida se tornar ... suportável.
Rurouni Kenshin salvou minha vida... Eu nunca fui uma pessoa depressiva... Mas meus últimos meses foram terríveis... Terríveis. ...
Quando achava que poderia respirar, a vida me dava uma pancada de novo.
Quem conversa comigo fora desse site de fanfictions sabe que eu escrevi Koi no Yokan no pior período da minha vida. Koi no Yokan se tornou longo e arrastado, mas foi minha fuga...
Muitas das ideias dessa estória surgiram entre idas e vindas de hospitais... internaçoes, e exames...Noites mal dormidas... Minha avó faleceu aos 93 anos no dia 02/01 depois de um último ano de vida "complicado"... A saúde da minha mãe Wilma, de apenas 65 anos, já era frágil ficou ainda mais abalada...
Até que no dia 25/03 eu a perdi ...Sim, perdi as duas pessoas que mais amava no mesmo trimestre. E como desgraça pouca é "bobagem" um dia após o falecimento da minha mãe sofri uma queimadura grave no pé direito, nunca senti tanta dor antes. Dor emocional, dor física...
Não vou dedicar esse fanfic pra elas, porque sei que não é bom suficiente pra ser uma dedicatória... Elas merecem uma obra de arte...
O que eu posso dedicar, hoje e sempre, é meu eterno amor...
Como ainda sou uma otimista por natureza acredito que "dias melhores virão"... para todos nós.
Obrigada por ler, perdoe meu desabafo.
Obrigada Rurouni Kenshin e esse fandom maravilhoso;
Obrigada pelos reviews Marismylle , Maria Nelly , Lica ,Guest ,Artemys Ichihara, Jou-ChanHimura e Plastikeh também!
Beijos e até breve Angélica Chibis.
