Disclaimer: Rurouni Kenshin não me pertence. Nem a música Patience do Guns and Roses.

"Koi no Yokan-

Capitulo Final- Parte 2-"

^^X

Sexta Feira

Os olhos de Kaoru se maravilharam ao chegar em Nova Iorque. Como uma criança na manhã de Natal, ela quis conhecer cada detalhe da efervescente cidade, e usou há primeira semana em terras americanas para isso.

E Kaoru não se arrependeu nem um pouco pelo seu momento "turista" logo de cara.

Caminhar pelas ruas movimentadas de New York era como dar volta ao mundo. Era uma experiência realmente animadora conhecer, ou pelo menos tentar, conversar com pessoas de todas as nacionalidades.

Munida com uma câmera fotográfica, e um tênis bem confortável, Kaoru conheceu a Times Square que a fez lembrar da sua terra natal. Assim como o centro de Tokyo, os grandes painéis de marketing faziam a noite parecer dia.

A Brodway estava sempre lotada, pessoas bonitas e interessantes, geralmente comentando sobre as grandes produções teatrais e musicais.

A morena tinha que confessar, caminhar pela parte sul de Manhattan a deixava com uma sensação assustadora. Kaoru sentiu-se tão pequena, como uma formiga, no meio de tantos arranha-céus. Talvez fosse um pouquinho de pânico devido aos horríveis acontecimentos de 11/09 e o World Trade Center.

Conhecer a Estátua da Liberdade e o Empire State Building era como estar dentro de um filme. Foi divertido e excitante, embora Kaoru precisasse se afastar as pressas do observatório no ultimo andar do prédio devido a uma vertigem muito intensa que quase a fez desmaiar. "É só medo de altura..." Ela garantiu aos seguranças, extremamente envergonhada

O Central Park foi outro ponto turístico obrigatório que Kaoru fez questão de conhecer, apesar do frio que ficava mais intenso a cada dia que passava.

Como o hotel ficava bem perto do parque, ela o conheceu aos poucos. Todas as manhãs antes de ir para o curso, ela explorava uma nova área, pois o parque era imenso. Era um ótimo lugar para correr, passear ou andar de bicicleta com lagos, árvores, restaurante, e locais para prática de esportes.

E como Kaoru precisava de ar puro.

Ela sentia-se enjoada só de sentir o cheio de bacon, ovos mexidos e panquecas que os americanos comiam todas as manhãs. Ela acreditava que estava adquirindo alguma intolerância a gorduras.

Ainda na primeira semana em solo americano, Kaoru conheceu o famoso zoológico do Central Park. O grande zoológico de Nova York, o do filme Madragascar, no Bronx.

Passada a primeira semana de aventuras, a morena se jogou de cabeça no curso de desenhos.

Afinal estava nesse intercambio nos Estados Unidos longe da família para isso.

No Drawing Center da Universidade de Artes ela aprendeu técnicas incríveis de desenhos próprios para marketing. Kaoru estava apaixonada pelo workshop que fez no Guggenheim Museum, e todas as coleções de arte que teve oportunidade de conhecer.

No entanto, por mais distrações que tivesse, a distancia, a saudade e a solidão, apesar de estar rodeada de gente o tempo todo, começavam a pesar. Relena Darlian, a jovem assistente do diplomata americano no Japão tinha se tornado uma pessoa importante nesse periodo, mas a loira estava se dividindo entre os compromissos profissionais, o auxilio a Kaoru e o namoro que tinha engatado com o policial japonês Heero Yuy.

Relena era ótima. Heero era um bom rapaz, um pouco reservado, as vezes a fazia lembrar Aoshi... mas não tanto... Kaoru desejava que o relacionamento fosse para frente. Porém ela mesmo queria ficar quietinha no seu canto. O período de turismo já tinha passado...

Ainda mais com o segredo que carregava dentro de si. Algo que a deixava feliz, porem ao mesmo tempo extremamente apreensiva...

Mas conforme o frio que ficava mais intenso a cada dia, a sensação de solidão e saudade de casa se tornava pior. A ponto de Kaoru começar a riscar os dias no calendário para a volta para casa.

A ansiedade para contar para Kenshin o que tinha descoberto na segunda semana nos Estados Unidos era enorme, mas era algo que ela não poderia e não queria revelar via telefone.

Kaoru ensaiava na frente do espelho mil maneiras para revelar. "Estou grávida..."

Talvez ela nem precisasse dizer, talvez no próprio aeroporto durante as "boas vindas" Kenshin percebesse suas mudanças físicas.

Mas... Ela devia explicações...

...Isso é bobeira, estou me preocupando a toa... Essa seria a quarta vez que Kaoru diria "Estou gravida" para Kenshin... Infelizmente, tirando a alegria com Kenji, todas as outras vezes terminaram com lágrimas de tristeza...

"Bem, vamos lá!" A morena puxou a gola da blusa para cima, o gorro da cabeça para baixo e enfrentou o frio.

O inverno e a neve de Shitamachi eram piada comparada ao inverno americano.

Nevascas também aconteciam em Tóquio, mas era uma condição climática esporádica na região de Shitamachi. A última grande nevasca japonesa aconteceu há 45 anos, diferente de Nova York, que acontecia anualmente.

A morena descobriu que viver o mês mais frio do inverno em Nova York era uma experiência congelante, desafiadora e dolorosa.

Era penoso deixar as cobertas quentinhas e o sistema de aquecimento do hotel de manhã e enfrentar o gelo das ruas.

Kaoru tomou muito cuidado com a hidratação da pele do rosto, porque o vento machucava, queimava, cortava os as bochechas e os lábios, e geralmente, ventava mais do que ela previa.

Camadas e camadas de roupas térmicas, protetores de orelhas, toucas e luvas a ajudavam há enfrentar o dia. Durante a noite Kaoru já não ousava mais sair do hotel, apesar dos convites de Relena. Felizmente ela conheceu a cidade logo quando chegou de viagem, caso contrario seria uma turista de quarto de hotel...

Outro desafio era tirar todas as camadas de roupa quando ao entrar em um ambiente aquecido por aparelhos ou lareira.

Kaoru dizia que estava adotando permanentemente o "modelito cebola", tirar e colocar várias camadas de roupa, cachecóis e luvas rapidamente era um desafio que ela estava conquistando.

"Uh, tão frio!"

Kaoru precisou de coragem para deixar o auditório da universidade de artes de Nova York pela última vez e enfrentar o frio polar.

O vento machucava o rosto.

"Muito frio!"

Nem cinco de tarde, e os termômetros já estavam abaixo de zero, e pelo que a morena escutou a situação ficaria ainda pior durante seu último final de semana nos Estados Unidos.

Durante seu ultimo final de semana naquele lugar, a mídia americana estava noticiando que sensação térmica no domingo chegaria a 38 graus negativos.

... Inacreditável...

A morena determinou que de agora em diante só colocaria a cabeça para fora do quarto de hotel por decreto das forças armadas.

Kaoru estava cogitando passar o final de semana conversando com Kenshin via telefone, quem sabe até mesmo um vídeo-chat ousado via internet.

...Não...

...Definitivamente não...

Uma década depois e a ideia de ser gravada novamente em uma situação intima ainda desagradava. Kenshin nunca teve essa perversão, provavelmente até o ruivo ficou traumatizado com a exposição que a esposa sofreu por causa do vídeo de Enishi, e nunca teve vontade de filmar o sexo dos dois. ...Acho que o Kenshin prefere ao vivo e a cores mesmo...

Bastava a lembrança do último contato telefônico entre eles. "Eu vou beijar essa sua boca vermelha e roubar o teu ar... Eu sei que seus lábios já estão carnudos, cheios de sangue, abertos de desejo, convidando minha língua para dentro...Depois vou apertar seus seios com firmeza, do jeito que você gosta, enquanto eu dou mordidinhas no seu pescoço. Minha língua quente e molhada vai deslizar até sua nuca... e todos os pelinhos do seu corpo vão se arrepiar ... "Depois eu vou colocar meu dedo médio na sua boca. Você vai chupa-lo, vai suga-lo... Deixa-lo bem molhadinho... Depois eu vou desliza-lo até a sua..."

"Ah Kenshhin..."

Era tudo que Kaoru precisava para ficar ruborizada...

E ela tinha certeza que do outro lado do mundo Kenshin sentia o mesmo.

"Oh... ele é tão sexy!"

Seus hormônios estavam em ebulição... Se a gravidez fosse adiante como tudo indicava, ela já previa que os próximos meses seriam sexualmente explosivos e entusiasmados.

Explosivamente hormonais...

...Pobre Kenji...

Kaoru já pensava em alternativas para ter liberdade com Kenshin, sem aborrecer ou envergonhar o filho mais velho. Era uma questão de discrição e bom senso.

Mas antes de qualquer coisa, ela tinha que terminar essa sexta feira.

Terminar e a despedida da turma do curso de desenhos avançados, e ir para casa...

Os outros alunos, insanos, estavam programando uma comemoração menos formal em uma casa noturna badalada de Manhattan, mas Kaoru, embora tenha feito muitos amigos e expandido os seus contatos na área de desenhos para marketing, escolheu terminar sua jornada ali, apenas com a despedida na universidade mesmo.

A morena estava extremamente contente com a perspectiva de começar a arrumar as malas novamente.

Segunda feira voltaria para casa, e queria tudo bem organizado para ter uma viagem de volta sem complicações.

... E que o tempo me ajude...

...Por favor, não fechem o aeroporto...Segunda feira eu quero ver os meus ruivos...eu quero meu dojo...

... Ou é terça?...

Kaoru riu, confusa com o fuso horário, ela fez uma contagem das horas mentalmente e desistiu de pensar. "Primeiro o hotel... Depois eu penso nisso..."

O aplicativo instalado no celular pela sua nova amiga, Relena Darlian, a ajudou a conseguir um táxi sem congelar na calçada feito um picolé.

A jovem loira, simpática, astuta e bem instruída, conhecia os macetes da cidade, e ajudou Kaoru a se virar durante essas semanas, sem entrar em paranoia.

Apesar do forte sotaque nipônico, Kaoru estava dominando o inglês de forma magistral, isso também a ajudou muito nessa aventura.

A saudade da família era enorme, obviamente, mas Kaoru estava orgulhosa por ter sobrevivido a esse desafio.

E foi um desafio e tanto que exigiu coragem, confiança e força de vontade, principalmente depois da noticia da gravidez.

Kaoru estava orgulhosa pelo salto que tinha dado em sua vida.

Foi sua evolução pessoal e profissional. Algo que ela sempre desejou fazer, que precisava fazer, e foi postergado durante todos esses anos...

Por causa da doença do seu pai. A perda do dojo. Problemas financeiros... Enishi... E tudo que veio em seguida...

Com o casamento e a maternidade esse sonho foi deixado de lado definitivamente, mas não era culpa de ninguém, apenas da vida... Kaoru nem cogitava mais estudar fora do país.

Até que essa oportunidade surgiu...

...Ah Kenshin...

Que companheiro maravilhoso ela tinha. Kaoru não tinha como agradecer. Tanto carinho, compreensão e incentivo. Tanto amor! Onde ela encontraria outro marido assim?

Não encontraria.

Claro que eles tiveram suas pequenas rusgas nessas semanas de afastamento, afinal ninguém é perfeito, mas Kenshin nunca impôs nada...

Nunca matou seu sonho e sua liberdade.

Mas do que nunca Kaoru desejava presenteá-lo com a coisa mais importante...

A vida...

Por isso tanto cuidado... Tanta dedicação... Tanto empenho da sua parte para que tudo estivesse dentro dos conformes...

O curso não era o único motivo para continuar em Nova York durante cinco semanas, o acompanhamento do inicio da gravidez era o fator ainda mais importante. ...pois dessa vez as estrelas pareciam estar alinhadas...

O taxi estacionou na entrada da universidade e Kaoru caminhou na sua direção cuidadosamente para não escorregar, o chão parecia um quiabo de tão liso. Varias pessoas já tinham se machucado por causa dos escorregões no gelo.

"Ugh...boa tarde senhor!" Kaoru fechou a porta do automóvel rapidamente. "Que frio não é?!" Esfregou as mãos uma na outra. Mesmo com luvas, varias camadas de casacos, e cachecol ela ainda sentia o corpo estremecer.

"Boa tarde senhora. Para onde?"

Kaoru se encolheu um pouco, ela sentiu uma pontada atrás do nariz e um pouco de dor de cabeça, e coriza, sintomas de uma possível sinusite.

"Clinica Mater Prime, em Richmond, por favor!"

"Ok!"

O taxista seguiu até a clínica indicada com cuidado, o transito no entorno do congelado Central Park estava caótico. Kaoru estava frequentando esse lugar desde a segunda semana em Nova York...

Desde que descobriu a gravidez.

A morena passou mal logo no primeiro dia de curso, e foi levada para essa clinica para gestantes de alto risco indicada por Relena.

Durante sua estadia nos Estados Unidos, a gravidez de dezesseis semanas estava sendo extremamente controlada por especialistas.

Uma vez por semana Kaoru se consultava com a Dra Claire Rant, obstetra especializada em alto risco. Hoje seria sua última consulta e ultrassom antes de ser liberada para voltar para o Japão na segunda feira.

O período de risco tinha passado...

Kaoru sorriu, e colocou a mão na barriga de quatro meses já aparente, mas que agora estava escondida por camadas e camadas de tecido contra o frio.

A morena estava cuidando muito bem do presente que havia recebido. Presente em forma de uma bebezinha que dormia aconchegada dentro de seu ventre, alheia ao frio e ao caos gelado que se formava no país americano.

O presente que daria para Kenshin...

...Eu posso até ver a cara de Kenshin quando ficar sabendo...

... Ele provavelmente vai ficar bravo, porque eu estou mantendo esse segredo...

... Kenji vai ficar de ciumento, mas...

...Mas depois... Depois Kenshin vai ficar tão feliz...

...E Kenji vai ser um irmão superprotetor... Tenho certeza...

...Tudo vai dar certo...

Enquanto o taxi circulava pelas ruas escorregadias, Kaoru fechava os olhos, perdida em seus próprios pensamentos.

A música que tocava no radio era Patience do Guns and Roses, os assobios de Axl Rose a embalaram.

"Shed a tear 'cause I'm missing you

I'm still alright to smile

Girl, I think about you every day now

Was a time when I wasn't sure

But you set my mind at ease

There is no doubt you're in my heart now"

A letra parecia apropriada… Não havia uma duvida sequer em seu coração...

Tudo que ela precisava era um pouquinho de paciência...

Kaoru viajou através de suas lembranças. Lembranças de onze anos de casamento...

E tudo que eles ainda tinham pela frente.

...Kenshin...

Ela fechou seus grandes olhos azuis e sorriu imaginando a reação do marido.

"Oro" Ele diria... 16 SEMANAS?... Depois desmaiaria com certeza.

Kaoru riu.

As outras gestações perdidas não passaram dos três meses. Doze semanas era o tempo de risco para Kaoru... Mas dessa vez seu útero estava segurando o saco gestacional, e tudo estava acontecendo com perfeição. Dentro de algumas horas ela escutaria novamente o coração da sua filha batendo firme e forte.

E seu sorriso sincero e secreto foi aumentando, até que seus dentes brancos ficassem bem aparentes.

A música agora era só um violão, seguido por assobios novamente. Kaoru encostou a cabeça no banco traseiro e continuou viajando dentro da sua imaginação.

O taxista provavelmente estava pensando que ela era louca.

Com olhos fechados. Sorrindo abertamente para si mesma no banco traseiro do seu carro, enquanto acariciava a própria barriga.

A morena sorria e refletia felicidade.

Iluminada.

"I need you, ohh I need you..." Kaoru nem sabia que gostava tanto daquela música que tinha acabado.

O homem espiou a morena japonesa através do espelho retrovisor e esse foi seu erro. O taxi amarelo deslizou através da pista congelada ultrapassando a outra pista e só parando ao colidir contra uma árvore.

O gelo acumulado na copa da arvore caiu sobre o carro com um som alto e forte.

Kaoru que não usava cinto de segurança no banco traseiro, foi jogada de um lado para outro, até bater a cabeça contra a coluna de proteção da porta e perder a consciência.

Alguns minutos depois, ela abriu os olhos azuis, sentindo algo quente e pegajoso escorrendo pela sua testa, bem no meio dos seus olhos, pingando pela ponta de seu nariz.

Automaticamente ela colocou a mão na cabeça, ao trazer a palma da mão para seu campo de visão Kaoru se assustou. "Sangue!"

Várias pessoas estavam em volta do carro, tentando socorrer o motorista que estava bem machucado, provavelmente tinha quebrado as pernas com o choque contra a árvore.

Um homem forçou a porta traseira para tirar Kaoru de dentro do carro, ela teve medo de sair do carro, escorregar e se machucar ainda mais, estava tão atordoada.

A cabeça doía tanto.

"I´m ok. I´m ok!" A morena preferiu esperar e fez sinal para que o homem não a puxasse para fora do carro, Kaoru escutou a sirene das ambulâncias, e tentou se sentar direito no banco.

Seu corpo todo estava dolorido, principalmente a nuca e a coluna.

"Estava tudo tão bem..." Ela lamentou, aos prantos, já imaginando que a gravidez tão frágil tinha sido afetada pelas pancadas que tomou.

...Eu estava tão feliz...

Com a chegada dos bombeiros,Kaoru foi retirada de dentro do carro pelos paramédicos e atendida com rapidez, sem o risco de lesionar a coluna.

A morena foi colocada em uma maca, com um colete cervical no pescoço, e um tipo de manta brilhante sobre o seu corpo para reter seu calor corporal.

A ambulância a levou para o hospital em questão de minutos.

Ela estava tão preocupada que não pensou que o estado do motorista era bem mais grave.

Os bombeiros estavam lutando para tira-lo das ferragens, mas Kaoru se deu ao direito de ser egoísta dessa vez.

Ela só conseguia pensar na sua filha. "Estava tudo indo tão bem..." Ela murmurou com a voz mais triste e magoada que sua garganta já pronunciou.

"Senhora, tudo vai ficar bem! Fique calma..." A médica socorrista garantiu.

O estado de Kaoru não era grave.

Ela estava consciente, falando, não apresentava nenhuma fratura, talvez apenas com uma concussão na cabeça.

A morena estava corada, com pulso e pressão arterial dentro do esperado para a situação.

"Eu...Eu.. . Estou grávida!" Kaoru chorou.

A médica segurou a mão de Kaoru e entendeu finalmente o desespero. "Oh. Ok...Fique tranquila... Nós vamos cuidar de você e do seu bebê!"

Dentro da ambulância, Kaoru fechou os olhos, lágrimas quentes escorreram através de seu rosto gelado.

E contrariando o que tinha pensando minutos atrás, sobre ser uma mulher madura, realizada e independente, agora ela se sentiu como uma garotinha desprotegida.

E confessou para o ar... "Kenshin..."

Kaoru repetiu. "Eu quero meu marido!"

A paramédica sorriu compreendo a situação da gestante.

A paciente estava tendo uma reação típica de quem sofre esse tipo de acidente. Solidariamente, ela segurou a mão de Kaoru. "Ok, nós vamos entrar em contato com seu marido! Onde ele está?"

"No Japão!" Kaoru disse chorosa.

A médica se surpreendeu. "Wow...Do outro lado do mundo!"

...Pobrezinha...

^^x

Sábado.

A última ligação de Kenji antes de o avião embarcar quase tirou Kenshin do ar, literalmente.

"Pai, eu consegui falar com o hotel! Eu quase tive que estrangular alguém pra conseguir essa informação, mas eles finalmente me disseram... A mamãe não voltou para o hotel... "

"Que?!"

"... Kenji, eu te ligo assim que chegar lá..."

Kenshin Himura estava explodindo.

...Eu devia ter fretado um jato...

As pessoas no aeroporto estavam começando a ficar com medo dele.

A aeromoça sentiu um frio na espinha quando o ruivo entrou no avião.

A feição dele estava tão fechada que ela não teve coragem de pedir para que ele desligasse o celular assim que o avião começasse a taxiar.

"Ok pai... mas lembre-se que Nova York vai passar pela pior das tempestades... Pode ser que telefone e celular não funcionem por um tempo..."

Kenshin sentou na sua poltrona, e afivelou o cinto de segurança rapidamente.

Ele queria que a aeronave decolasse já. Agora!

"Eu sei filho! Eu encontro um jeito! Fica bem!"

"Você também velhinho... Tudo vai dar certo!"

Antes que alguém o perturbasse por usar o celular enquanto o avião taxiava, Kenshin o desligou, seria um aparelho inútil pelas próximas quinze horas. E talvez continuasse sendo inútil quando ele chegasse no destino, já que os Estados Unidos estava se quebrando em pedaços por causa da tempestade.

Nada disso importava agora, apenas encontrar Kaoru e traze-la para casa...

Com cartão de credito ilimitado e dinheiro na carteira não foi difícil conseguir passagem aérea para Nova York às pressas.

Uma vez, Kenshin Himura, já foi um empresário capitalista, prestigiado e amplamente conhecido, não foi difícil encontrar os meios para conseguir o que queria.

O fato de que várias pessoas desistiram de suas viagens para os Estados Unidos na última hora ajudou bastante.

Quando o avião decolou, ele cerrou os olhos e apertou o apoio da poltrona com força. Não porque estava com medo do voo, mas porque estava ansioso para encontrar Kaoru, e ainda tinha um longo caminho pela frente...

Kenshin tinha que se lembrar que no Japão ele estava um dia adiantado. Ou melhor, doze horas adiantado... Se era manhã agora, lá era noite... Chegaria nos Estados Unidos no final da manhã...

...Que coisa confusa...

Ele estava nervoso. Certamente seus olhos tinham ganhado uma coloração diferente, pendendo para o dourado.

O som de crianças chorando e fazendo birra com seus pais o irritou levemente.

E ele era um homem que adorava crianças, mas não uma chorando no seu ouvido durante as próximas quinze horas.

Kenshin não conseguiu uma vaga na primeira classe, mas não importava. Ele bloqueou os sons, e tentou relaxar escutando música com o fone de ouvido.

Patience do Guns and Roses começou a tocar, e parecia apropriado. Ele precisava mesmo de paciência.

Muita paciência...

A letra o fazia lembrar de Kaoru.

...Koishii... Onde você está?...

Kenshin adormeceu de forma desajeitada, ele teria dor no corpo o dia todo por causa disso. O ruivo foi acordado com o sol nascendo através da pequena janelinha e uma comissária de bordo oferecendo um lanchinho simples para os passageiros.

"Falta muito?..." Kenshin olhou para os lados, e agradeceu o lanche que a mulher oferecia. "Arigato!"

A comissária da Japan Airlines que acreditava que esse ruivo causaria problemas estava aliviada. Ele era uma pessoa tranquila afinal de contas, apesar do semblante fechado. "Não senhor. Em uma hora estaremos aterrissando."

"Pelo menos passou rápido..."

A classe econômica não era confortável, mas como ele era pequeno, pelo menos não sentiu dores nos joelhos como o outro passageiro alto que estava ao seu lado e sofria com o aperto.

O que importava para Kenshin, é que ele estava dentro do avião, cruzando o globo para encontrar Kaoru e traze-la sã e salva para casa.

O clima de apreensão dominava toda a aeronave. E a viagem foi tensa.

Ao menos as crianças birrentas haviam adormecido e pararam de incomodar os outros depois de algumas horas de gritaria e chutes nas poltronas alheias.

Kenshin se levantou e caminhou até o banheiro, ele precisa lavar o rosto e ficar mais atento. Assim que o avião pousasse ele não teria tempo para mais nada, apenas correr até o hotel e encontrar Kaoru.

Existia um murmúrio de que aquele seria o último voo para Nova York, o aeroporto ficaria fechado durante o final de semana, pois a tempestade de neve estava chegando com força total.

Pouco tempo depois, o rumor se confirmou.

Logo após o pouso do avião de Kenshin, o aeroporto John F Kennedy foi fechado para pousos e decolagens devido às condições extremas do clima.

O vento frio era inacreditável, capaz de tirar uma pessoa magra e desatenta do chão.

"WELCOME TO NEW YORK, THE EMPIRE STATE"

Mas aeroporto fechado ou aberto já não importava, pelo menos para Kenshin que já estava ali, em Nova York.

Após a entrega de documentos, e retirada de sua pequena bagagem, o ruivo se sentiu um pouco perdido sem entender inglês tão bem quanto gostaria.

Kenshin estava sozinho, como quem cai de paraquedas no meio do maior caos aéreo que testemunhou em seus quarenta e poucos anos de vida. As pessoas, maioria turistas, que tiveram seus voos cancelados transformaram o saguão do aeroporto em um tipo de acampamento, e estavam amontoados sobre suas malas, com cobertas, para espantar o frio.

Como Kenshin precisava chegar logo ao hotel, não ficou rodando muito pelo aeroporto.

Alcançou sua pequena mala, sem auxilio de um carrinho e correu para a saída do aeroporto a fim de pegar um taxi. Por incrível, contrariando as estatísticas, não foi difícil conseguir um.

"Kami Sama! Que raio de frio é esse?" Mesmo com a roupa própria para inverno, três camadas de blusas e um casaco impermeável com lá forrando o capuz, Kenshin sentiu um frio indescritível. Era a mesma sensação de entrar em um freezer gigante. O vento intenso deixava tudo pior, e a umidade da neve já fazia a ponta de seu nariz ficar vermelho. O ruivo podia sentir a pele da sua bochecha com cicatriz em forma de x ressecando .

"Righ now... 15 graus negativos" O taxista, um senhor de meia idade, ficou com pena do pobre japonês congelando na porta do aeroporto e resolveu parar. "Where to go, young man?"

"Oro" ...15 graus negativos?...Será que eu entendi direito?...

"Oh...Arigato! Oh thank you! To... the...Warwick hotel, please!" Kenshin exclamou com um sotaque bem enrolado.

Essa não era a primeira viagem de Kenshin aos Estados Unidos, na verdade ele próprio passou um tempo na cidade estudando após o termino da faculdade, mas o ruivo nunca dominou o idioma, não como Kaoru dominava.

Enquanto o carro rodava pela cidade congelada, o East River tinha se transformado em uma grande placa de gelo, Kenshin pensava em como informar Kenji que havia chegado.

Tentou no aeroporto e não conseguiu.

Tentou também através do seu celular, mas era impossível.

...Talvez no hotel...

O ruivo entendeu que esse era motivo de não conseguir contatar Kaoru, embora isso não fizesse sua ansiedade diminuir.

...E se ela se meteu em uma encrenca?...

...Como Kenji sempre diz, essa cidade está cheia de serial killers...

O taxista vagarosamente explicou que era inútil ficar tentando. As linhas telefônicas estavam mortas...

Rede de celular sem sinal, devido à instabilidade dos satélites, e a eletricidade estava próxima a ser cortada. O vento estava forte demais danificando a fiação da cidade.

Através da janela, Kenshin observou a neve em cima das árvores, que caia de forma quase horizontal no Central Park. Os lagos do famoso parque haviam congelado, e os cavalos que faziam o icônico passeio de carruagem estavam muito guardados em suas cocheiras climatizadas.

O rádio do taxi corajoso que os trouxe do hospital até o hotel noticiava que o vórtice polar congelou até mesmo as Cataratas do Niágara. E nem o urso polar no zoológico de Chicago teve coragem de sair da sua toca.

Kenshin tocou o vidro gelado. Ele estreitou os olhos cor de ametista ao enxergou um homem maluco lá em baixo, caminhando na calçada, lutando contra a vento para se manter em pé no quarteirão na frente do hotel.

Só uma pessoa muito desesperada ou obstinada tinha coragem de sair nas ruas de Nova York , assim como ele próprio atrás de Kaoru horas atrás. As marcas vermelhas nas bochechas e no nariz eram lembretes de seu desespero ao enfrentar a tempestade de gelo para encontra-la.

...Kaoru...

O taxista informou que o hotel ficava muito perto do aeroporto, mas com as ruas estavam escorregadias a viagem se tornava muito lenta. A quantidade de acidentes automotivos estava ultrapassando todas as previsões.

O idoso tinha sotaque latino e o informou das noticias alarmantes.

A previsão é que o ápice da tempestade de gelo atingisse a cidade naquela noite de sábado. Os ventos poderiam chegar a 100 quilômetros por hora. Falando em um inglês pausado e tranquilo, o taxista explicou "No Texas e Carolina do Norte, Dakota do Sul, a tempestade interrompeu o fornecimento de eletricidade para milhares de casas, causou centenas de acidentes de trânsito e provocou o cancelamento de mais de 1.500 voos... 34 mortos."

"34?" Kenshin se esforçava para entender o taxista.

O homem percebeu a dificuldade e falou pausadamente.

"Oh yes! Definitivamente o clima mais frio que eu já vivi desde que me mudei para esse país! O senhor está sozinho na cidade?"

"Minha esposa..."

O taxista que entendeu depois de algumas tentativas de Kenshin falar em inglês, o motivo de o japonês ruivo estar ali, enfrentando uma nevasca que estava prestes a piorar dez vezes mais, e brincou com o pobre homem.

"Oh man! Things are getting really ugly here! Sir, you really love your wife!... Travel the world just to meet her... Landing in the middle of this frozen hell!"

"Yes, I do love her…"

Kenshin entendia bem essa frase e repetiu.

"Yes ! I do love her..."

Nervoso, o ruivo começou a estalar os dedos à medida que o carro se aproximava do prédio do hotel.

O vento aumentou bastante, e o taxi mal conseguia ultrapassar a neve acumulada na rua 54, e não dava para enxergar nada através do retrovisor, a palheta do limpador funcionava ensandecida fazendo o barulhinho característico "Nhec nhec, nhec nhec", mas como neve não é chuva, quebraria em breve.

O taxista explicou que aquela seria sua última viagem, ele próprio voltaria para casa. Não era mais seguro dirigir.

Kenshin pagou o taxista e agradeceu pela ajuda, e deixou o troco como gorjeta, bem generosa por sinal.

O ruivo estava são e salvo na porta do elegante e majestoso. "The Warwick".

O ruivo agarrou sua pequena mala e enfrentou o frio da calçada.

Estava tão escorregadio que ele mal conseguia ficar em pé para caminhar da guia de rua até a entrada do hotel.

O toldo vermelho que se estendia até a calçada em dias chuvosos havia sido recolhido para não ser destruído pelo vento.

O ruivo agradeceu a todos os deuses quando a porta giratória de vidro se fechou e ele se encontrou do lado de dentro do prédio climatizado.

O clima no saguão de entrada do hotel era completamente diferente.

Aconchegante, acolhedor.

O ambiente era amadeirado com os moveis de mogno, quente com toda a cor da iluminação dourada, e brilhante com o enorme balcão de mármore cor de creme da recepção. Muitos clientes estavam sentados nos sofás de couro do lounge lendo revistas, o som do piano embalava conversas animadas sobre pontos turísticos, peças de teatro e a tempestade de neve impedindo tudo isso.

Nem parecia que o mundo estava despedaçando lá fora, as pessoas estavam... relaxadas... Ou talvez Kenshin que estivesse nervoso demais, destoando de tudo aquilo.

"Oh Arigato!" Kenshin se esqueceu do inglês para agradecer o moço que prontamente trouxe um carrinho para colocar sua mala.

"Oh Irashaimase" A recepcionista mestiça do hotel notando que se tratava de mais um cliente japonês, percebeu que era uma chance de colocar seus talentos nipônicos em pratica.

Ela tinha conversado bastante com outra cliente japonesa que estava hospedada desde o começo de janeiro, e tinha melhorado bastante sua pronuncia, para a alegria da sua Ba-chan que ansiava por alguém que conversasse usando a língua mãe.

Porém seu sorriso simpático e prestativo, não denunciava que na verdade ela estava aflita.

... Não temos mais vagas... O que eu vamos fazer com esses clientes que ficam aparecendo aqui para fugir da tempestade?....

"Boa tarde senhor! Como posso ajudar?" Ela disse em bom japonês.

Kenshin sentiu um alivio, ele estava pensando o caminho todo em como se explicar em inglês. "Boa tarde Meu nome é Kenshin Himura. Vim encontrar minha esposa. Ela está hospedada aqui na suíte 714. Kaoru Kamiya Himura."

"Ah senhora Himura! Sua esposa é adorável!" O sorriso da recepcionista alargou.

Kenshin soube imediatamente, Kaoru e a jovem tinham feito amizade.

...Ai ai Kaoru...

Kenshin balançou a cabeça rapidamente.

... Talvez Kenji apenas tenha recebido uma informação equivocada. Onde Kaoru estaria senão aqui?... Ela disse que as aulas acabariam na sexta e não faria mais turismo pela cidade...

"Um instante, por favor."

A recepcionista tirou o interfone do gancho e passou a discar para o apartamento 714. A jovem não confessaria ao esposo que sua hospede estava sumida sem ter absoluta certeza disso.

Pessoas do Japão estavam ligando o tempo todo atrás da senhora Himura... Poderia terminar em confusão...

Com a demora, Kenshin se virou para a direção da porta a fim de se destrair... Ele estava quase subindo para o quarto pelas escadas mesmo.

"Eu não tenho mais idade para isso não!" Kenshin queixou-se para si mesmo, tirando um pouco de gelo que ainda estava impregnado em seu cabelo ruivo e jaqueta.

Seus joelhos e cotovelos estavam doendo, e muito.

Mas ele estava disposto a sair no gelo novamente se necessário. Mesmo com a dor excruciante nas juntas.

... Artrite talvez?... Quando retornasse ao Japão se consultaria com Megumi sobre isso.

...O que eu quero?... Do Japão aos Estados Unidos em menos de vinte horas...

"Senhor, sua esposa parece que não está no quarto..."

Kenshin arrepiou-se, imediatamente. "Então..."

...É VERDADE...

...Onde ela está? ...

A resposta para sua pergunta veio em seguida, quando a porta giratória de vidro do hotel rodou rapidamente e a pessoa pulou para dentro do saguão de forma tempestiva.

"My God! It´s freezing out there!"

O sotaque dela tinha melhorado bastante.

Na visão de Kenshin, ela havia dominado a língua estrangeira com perfeição.

Kenshin quase desmaiou. Ele teve que se apoiar no balcão. "Que alivio!" O ruivo murmurou baixinho.

O casaco que Kaoru vestia era tão largo e comprido que cabiam duas Kaorus lá dentro. Ela tinha um capuz na cabeça, cachecol no pescoço e luvas nas mãos.

Kaoru começou a se livrar do gelo em cima do tapete emborrachado usado para isso.

Sua cabeça estava abaixada, coberta pelo capuz forrado com lã e pêlos sintéticos. Os longos fios de cabelo negro estavam caídos sobre o rosto, enquanto ela se livrava do gelo acumulado nos braços.

"Ai está!" A recepcionista sorriu aliviada com a chegada de Kaoru.

Ela amava um final feliz e previa uma cena romântica de novela com o reencontro dos dois. Afinal, ela conversou bastante com aquela hospede e descobriu que era perdidamente apaixonada pelo marido, e vice-versa.

"Oro!"

Kaoru escutou aquela palavra e imediatamente levantou a cabeça.

Ela só conhecia uma pessoa no mundo que dizia "oro".

E essa pessoa estava a milhas e milhas de distancia...Ou não?

"AH" O ar desapareceu dos pulmões da morena ao reconhecer o ruivo parado na frente do balcão do hotel.

"KENSHIN?" Seu coração começou a bater a 200 por hora. "KEN...SHIN?"

"Eu mal posso acreditar!" Kaoru fechou os olhos com força e os segurou assim.

Depois abriu os olhos e focou no balcão, no lugar onde tinha visto Kenshin a poucos segundos atrás. Talvez a pancada na cabeça tenha causado alucinações.

Depois de passar uma noite inteira no hospital em observação ela estivesse tendo algum tipo de reação louca

Só que seus olhos estavam realmente enxergando Kenshin Himura.

E seus ouvidos realmente estavam escutando o som da voz de Kenshin.

"Kaoru! Kami-sama..."

Os olhos de Kenshin percorreram cada detalhe de Kaoru. Como se estivesse escaneando a reação da esposa para armazena-la dentro de seu coração.

Os olhos azuis índigos se encheram de ternura e contentamento.

Ela abriu os braços e saltou na direção dele. Sem se importar com o lounge inteiro do hotel testemunhando a cena.

...Curativo?...

"Kaoru?" Kenshin piscou algumas vezes ao encontrar um motivo de preocupação. Um curativo na testa dela, escondido embaixo das franjas negras.

Antes que ele pudesse perguntar o motivo do machucado, Kaoru pulou em cima de Kenshin.

"ORO!"

Kenshin quase caiu para trás com o abraço. Talvez fosse impressão dele, mas Kaoru estava mais pesada que o habitual, não que ele fosse dizer isso em voz alta e quebrar o encanto com um murro no meio da cara.

Apesar de todo o frio polar lá fora, Kaoru sentiu todo seu interior se aquecendo de tanta felicidade em reencontrá-lo depois de todas essas semanas.

Com braços, alma e coração abertos, e Kaoru se aconchegou nos braços do marido.

"KENSHIN! VOCÊ VEIO!"

O ruivo a beijou, tirando-a do chão, rodopiando-a no ar vezes suficientes para lhe deixar tonta, embora ultimamente Kaoru não precisasse de muito se sentir mareada.

Não existia mais dor nos joelhos e cotovelos agora, só a maravilhosa sensação de tê-la envolta e protegida por seus braços.

A sensação maravilhoso dos lábios se tocando e se sugando durante o beijo apaixonado.

O seu gosto;

O seu abraço;

O cheiro gostoso no seu cabelo, lavanda e jasmim...

"Ah como senti sua falta!"

Aqui estava Kaoru novamente sã e salva envolta pelos seus braços. "Eu senti sua falta..."

Apesar do curativo na testa que ele estava muito curioso em saber o porquê.

A pergunta que se seguiu deixou Kenshin um pouco desnorteado.

"Kenshin..." Kaoru sussurrou baixinho, depois mordeu o lábio inferior delicadamente e ficou com as bochechas ruborizadas.

Sua pergunta era sua confissão. "Por que você demorou tanto para vir me buscar?"

Onze anos de casamento, todas aquelas conversas sobre autoconfiança e independência, e Kaoru ainda se sentia como se estivesse vivendo uma comedia romântica.

Claro que ela esperava ansiosa pela chegada surpresa de seu príncipe. Mas conforme as semanas foram passando, Kaoru não acreditava mais que ele viesse.

A pergunta pegou Kenshin de surpresa. "Você...?"

...Estava me esperando?... "Eu pensei que..." ...fosse te atrapalhar e sufocar...

O sorriso de Kaoru aumentou.

"Sim, Kenshin..."

...Eu esperava por você...

"Ansiosamente..."

A recepcionista estava emocionada com a cena romântica e não disfarçou a satisfação de ver o casal feliz. Ela emitiu um sonoro "Ohhhwww" No entanto a cena romântica foi interrompida pelo corte na energia elétrica, que deixou o hotel às escuras. Imediatamente os funcionários correram atrás das lanternas antes que a iluminação de emergência fosse efetivada.

De modo protetor, Kenshin apertou seu abraço em torno de Kaoru.

"Ai o Kenji..."... Oh lá se foi definitivamente a chance de falar com Kenji... Kenshin sentiu-se culpado por ter se esquecido do filho temporariamente.

No escuro Kaoru não pode visualizar a feição do marido e acreditou brevemente que as surpresas não tinham acabado. "KENJI?"

"Kenji? Também veio?" Kaoru sorriu alegremente. Ela precisava saber, por mais que soubesse que a possibilidade do filho menor entrar nos Estados Unidos assim de surpresa ser nula.

"Não Koishii..." Kenshin negou com a cabeça, embora ela não pudesse enxergar no lounge escuro. "Kenji está com Sanosuke e Megumi! Preocupado com você. Eu queria telefonar e avisar que está tudo, pelo visto vai ser impossível."

"Ah, meu filhote!" O sorriso de Kaoru murchou.

Kaoru tentaria entrar em contato com o filho assim que chegasse ao seu quarto.

A tempestade de gelo finalmente tinha se instalado sobre a cidade.

Não havia muito que fazer, eles teriam que esperar passar, protegidos no quarto de hotel.

No escuro, a morena procurou a mão do ruivo e o puxou para a direção as escadas. As luzes de emergência foram acionadas imediatamente para iluminar os degraus.

"Sete andares..." Kaoru murmurou com desanimo, depois de passar a noite no hospital sem dormir, estar toda dolorida com o corte na testa, ainda mais essa...

A morena teve uma ideia cruel, embora fosse só para provocar... "Mas você poderia me carregar nos seus braços, que tal? Seria tão romântico, como uma lua de mel?" Ela piscou para Kenshin, provocando-o.

Obviamente Kenshin havia notado seu aumento de peso, mas não ousou dizer uma palavra sequer até o momento.

"ORO! Ca...carregar de gozaru?"

"Ok, se não for no colo pode carregar nas suas costas, estilo cavalinho!" Kaoru escondeu o riso com a mão, a vontade de provocar Kenshin até que ele desvendasse o enigma por conta própria era hilária.

"ORO! Mas Kaoru dono é pesada..."

A morena podia dizer que os olhos de Kenshin tinham um brilho curioso. "Kenshin no BAKA!"

Kaoru deu um tapa na cabeça de Kenshin, fazendo com que os olhos do ruivo girassem. "Orororororo"

...Tadinho...

"Baka"

^^x

Como bom japonês Kenshin tinha experiência em desastres naturais. Terremos, tornados, tsunamis...

Mas Kenshin nunca tinha encarado uma tempestade de neve dessa proporção. Ou melhor, tempestade de gelo, pois o que caia do céu e acumulava no asfalto era o mesmo gelo que se encontra dentro do freezer.

Trinta graus negativos...Wow...

Mesmo cobertos pela blusa de lã, os pelinhos dos braços de Kenshin se arrepiaram. "Se comparada com New York, Shitamachi parece que está no verão agora. E Kenji adoraria estar no meio dessa bagunça..."

"Ne Koishii?"

Kaoru não respondeu.

Ela estava de bruços, adormecida.

Para a surpresa de Kenshin, o sono dela era realmente profundo.

Kenshin tirou algumas mechas de cabelo da testa dela, curioso para saber mais sobre o curativo. "Está esgotada... Não é? O que você andou aprontando exatamente? "

"Mou..." Kaoru contorceu a ponta do nariz desaprovando os movimentos do marido.

Kenshin riu e parou de mexer com ela. "Ok..."

"Kaoru dono é meu seu vicio..." O ruivo confessou baixinho, bem pertinho do ouvido dela.

"Hmmm" Kaoru sorriu, mas não tinha forças para abrir os olhos, nem pra se levantar, embora soubesse que em breve teria que se alimentar... Só mais quinze minutinhos...

A cama estava tão boa, tão quentinha, e ela estava tão cansada... Tão cansada...

Kenshin sorriu, entendendo que deveria deixar Kaoru dormir mais um pouco.

Ele levantou da cama com o objetivo de chegar até sua mala e trocar sua roupa por algo mais confortável.

Mas a saudade que sentiu dela, e a felicidade de estar ao seu lado agora falavam mais alto, era difícil se afastar. O ruivo parou no pé da cama, e a observou, contente, satisfeito, feliz...

Apaixonado.

Como a mais de uma década atrás.

"Koishii..."

Para uma pessoa de fora, essa dependência de Kenshin por Kaoru, uma década depois, poderia parecer ridícula.

Ainda mais agora se tratando de um homem com quase quarenta e cinco anos, um pai de família... Mas era a mais pura verdade...

Ele precisava dela...

Sem Kaoru, Kenshin se sentia vazio e perdido. Como se não tivesse mais um proposito, pois Kaoru e Kenji eram sua vida. Se um dos dois faltasse Kenshin ficaria perdido.

E Kaoru era a energia que o fazia seguir em frente.

E ele desejava cada centímetro daquela pele branca e sedosa. Cada beijo vindo daqueles lábios vermelhos e deliciosos.

Cada abraço que aqueles braços femininos e fortes estavam dispostos a lhe oferecer.

"Tsc..." Ele abaixou a cabeça, ligeiramente envergonhado e ruborizado por sentir uma atração tão grande por ela.

Ele deveria se sentir culpado por ama-la assim?

Com tanta intensidade, com tanto apego?

Kaoru ainda sentia o mesmo? Sim, claro que sim... Só o modo como ela se jogou em cima dele no lounge do hotel já respondia isso.

Não, ele não deveria se sentir culpado por ser verdadeiro, nem duvidar do amor dela.

E Kenshin não devia explicações dos seus sentimentos para ninguém... A não ser Kaoru... E o que acontecia na vida de um casal pertencia somente a eles... O julgamento dos outros não importava para Kenshin, e não influenciava suas decisões e promessas... Ele isso há muito tempo atrás, na época em que ainda era um moleque que sofria bullying na escola por ser diferente dos outros. Por ser órfão e vermelho.

...Kaoru...

...Koishii...

"Aishiteru..."

Kenshin sempre soube.

A necessidade que sentia de estar perto de Kaoru sempre foi saudável.

Desde o primeiro contato.

Se algum dia o ruivo sentisse que seus sentimentos estavam mudando para algo desagradável, como os de Enishi, ele procuraria ajuda...

Mas isso nunca foi necessário, e nunca seria necessário... Porque não existia nada de doentio dentro dos seus sentimentos.

...Mesmo que o mundo se quebre ao nosso redor, você será aquilo que é constante dentro de mim...

Não tinha nada de impuro no que Kenshin sentia por ela.

Pelo contrario existia uma sensação de magia, um sentimento quase inocente.

Estar próximo a ela fazia o ar que Kenshin respirava ser delicioso, leve, inebriante, enérgico.

O perfumado com jasmim e lavanda.

O nome de uma pessoa nunca fez tanto sentido...

Kaoru... Fragrância...

O cheiro dela era a felicidade que Kenshin levava pra dentro de seus pulmões diariamente. Ele realizava as tarefas do dia a dia com alegria e um sorriso no rosto por causa disso. Lavava, passava, cozinha ou varria feliz da vida porque sentia o aroma de Kaoru em cada cantinho da casa.

...Só de pensar em alguma coisa acontecendo com você...

...E esse acidente? Poderia ter sido sério...

...Tsc...Para com isso...

"Vamos lá..." Kenshin precisava dar uma espiada no que acontecia lá fora e caminhou até enorme janela.

O ruivo havia perdido a noção do fuso horário.

Tão bizarro... Ele saiu de manhã de casa em Tóquio, passou quinze horas no avião e o dia agora em Nova York é que começava a escurecer.

...Muito estranho isso...

Mas com o sol se pondo, a cidade ficaria em um breu total, pois a energia elétrica ainda não tinha sido reestabelecida. E não tinha previsão por enquanto.

Ele observou New York através janela do sétimo andar do hotel Warwick. O Central Park era um enorme campo de gelo, até as cachoeiras do parque haviam congelado. Nenhum motorista ousava sair com seus carros pelas ruas escorregadias, a visibilidade era nula.

O som do vento que batia com força nas enormes janelas de vidro assustador.

Ele passou a palma da mão na janela com movimentos circulares. E começou a se lembrar do que tinha acontecido durante aquele dia insano...

Desde sua saída de casa, o desespero de conseguir chegar nos Estados Unidos com o último voo, a angustia durante o trajeto do aeroporto até o hotel... A noticia que ela não estava no quarto... O curativo na cabeça...

A emoção de reencontra-la!

Depois disso as últimas horas pareciam um borrão.

Ele só queria saber de chegar até o quarto e se enfiar debaixo das cobertas, com Kaoru envolta por seu abraço.

O choque térmico entre a temperatura quente do quarto e a temperatura gélida de fora agora embaçavam o vidro da janela expansiva.

"Que maluquice..." Agora Kenshin se lembrava dos detalhes...

Algumas horas atrás os hospedes foram avisados sobre a economia de energia fornecida pelo gerador. O hotel estava fazendo um rodizio entre os andares, pois segundo a meteorologia a nevasca poderia durar alguns dias, e o domingo seria o dia mais frio vivido pelos americanos na historia.

Os elegantíssimos quartos do hotel contavam com lareiras que podiam ser acesas tanto com gás quanto com o sistema antigo de lenha e fogo, funcionários prontamente acenderam quando a energia da cidade foi cortada, o ambiente nunca perdeu calor. Mas com sensação térmica de menos trinta, o esforço do aquecimento era enorme.

A nevasca e a ventania eram violentas, várias árvores centenárias tinham despencado.

O som do vento batendo na janela do sétimo andar chegava a ser inquietante.

Os administradores do hotel passaram de quarto em quarto perguntando sobre as necessidades de seus hospedes, e pedindo para que as pessoas só saíssem em caso de extrema necessidade. O tempo lá fora estava perigoso e pessoas poderiam morrer de hipotermia.

Sem energia elétrica, era como voltar no tempo, para o século 18 ou 19.

Em seus quarenta e quatro anos de vida, Kenshin nunca sentiu um frio tão intenso. E doía, muito. A sensação era como estar no meio da Antártica, em um daqueles documentários do Discovery Channel. Ou como estar num daqueles filmes catástrofe em que Nova York sempre era destruída

"Não dessa vez, pelo amor de Deus... Eu tenho a missão de levar Kaoru para casa sã e salva..." O ruivo sorriu, olhando agora para Kaoru adormecida e relembrando as ultimas horas.

Subir sete andares de escada com um frio tão intenso consumiu uma energia que ambos já não tinham mais naquele dia louco. Os músculos estavam doloridos, assim como os dedos das mãos congelados.

Kenshin lembrou do jeitinho dela ao entrar no quarto, tremendo, com as bochechas geladas.

"Eu nunca senti tanto frio..." Kaoru tentou se aquecer, esfregando uma mão na outra, assoprando nas palmas juntas.

Kenshin sorriu. "Ok, vem pra cama! Eu te esquento!"

O casal rastejou para debaixo das cobertas, sem coragem de tirar os casacos, cachecóis, luvas.

Kenshin tirou as botas dele e as dela, pois estavam levemente molhadas. O ruivo colocou um cobertor extra sobre os pés deles para ajudar a aquecê-los.

Kaoru e Kenshin se cobriram com a coberta fofinha, da cabeça aos pés. Como se estivessem dentro de uma cabana.

"Eu vou tentar falar com Kenji... mas meu celular está quase sem bateria, e sem energia pra carregar..." Kaoru se queixou. "Só nessas horas que a gente dá valor para essas coisas!" Ela desistiu depois de um tempo.

"O meu também está sem sinal... O satélite deve estar fora do ar... Acontece até com antena de tv..." O ruivo também estava desistindo.

E debaixo das cobertas começaram a conversar, sobre a viagem as pressas de Kenshin, a preocupação de Kenji, sobre o curso de desenho, sobre o premio que ela recebeu...

E o acidente do dia anterior.

A luz do celular de Kenshin era a única coisa que iluminava o rosto deles enquanto Kaoru explicava o acidente.

"O carro escorregou na pista congelada, bateu em uma arvore, e eu bati a cabeça na coluna... Precisei de cinco pontos... Nada demais... Pobre taxista... Acho que ele quebrou a perna. Imagina quebrar um osso com um frio desses?" Kaoru fez uma careta de dor. "Pobre homem..."

"Abunai Kaoru dono, abunai de gozaru ka... " Kenshin não estava convencido, uma concussão cerebral poderia ser algo muito sério.

Kaoru contou que passou a noite no hospital em observação, por isso não retornou ao hotel.

Preocupado, Kenshin tirou novamente a franja de cima do curativo e acariciou o rosto dela. "Estou bem... Ah... Só um pouco esgotada, pois não dormi nada essa noite e"

Depois de alguns minutos de conversa, os olhos da morena estavam fechando sozinhos... E ela tinha tanto pra dizer...

"Dorme".

Foi o incentivo que Kaoru precisava para adormecer.

" ...Eu tenho algo pra te contar, mas..." Kaoru ficou ruborizada.

Secretamente instigada para saber até onde Kenshin iria com a sua falta de atenção.

...Ele não percebeu mesmo?... Ou está se fazendo de bobo?...

...Bem, esse casaco é enorme, esconde a barriga... Na hora que eu tirar ele vai perceber com certeza...

"BAKA!" Kaoru murmurou baixinho e riu largamente.

A morena deveria se sentir culpada por estar fazendo isso com Kenshin, mas era irresistível... "Marido mais desatento..."

...Só um pouquinho...

Kaoru agarrou Kenshin com mais força e adormeceu sorrindo. Ele também agarrou Kaoru, compartilhando calor.

"ORO!" Kenshin não entendeu bem o que ela queria dizer com isso, mas essa era a Kaoru que ele conhecia, meio maluquinha, dizia umas coisas que não fazia muito sentindo.

O ruivo beijou o cabelo de Kaoru e sussurrou no ouvido dela. "Dorme...Eu estou aqui...Eu não vou pra lugar algum..."

Não precisou de muito, Kaoru já tinha apagado, literalmente.

Ela era mandona, briguenta, um pouco irritante, decidida, amorosa, mas quando ela baixava guarda Kaoru conseguia ser a coisa mais kawaii que existia no mundo.

"Kawaii..." A face de Kaoru estava mais arredonda, ele tinha que admitir... Tanto que Kenshin teve a estranha urgência de mordiscar as maças do rosto dela... Mas o ruivo se conteve, por hora...

Na verdade ele tinha vontade de mordisca-la por inteiro, ele teve vontade de aperta-la e amassa-la... E fazer bem mais do que isso... Não fosse todo esse frio, a nudez seria uma condição perfeitamente aceitável e imprescindivelmente exigida na suíte 714...

...Quem sabe amanhã...

Enquanto ela dormia, Kenshin continuou contatar o Japão com seu celular e o telefone da suíte, mas as linhas estavam mortas.

Internet então, nem pensar...

"O jeito é ter paciência!"

Kenshin, satisfeito por tê-la aninhada em se abraço, adormeceu também...

Enquanto o casal dormia a tempestade lá fora atingia força máxima.

O ruivo acordou horas depois, com o sol se pondo. Curioso com quanto tempo havia se passado, a energia elétrica não havia retornado, e nem o sinal dos telefones.

"Kenji..." Ele estava preocupado com o garoto, queria tanto uma chance, apenas alguns segundos de ligação para avisar que estava tudo bem...

Depois disso Kenshin não conseguiu dormir novamente.

Sua mala tinha chegado ao quarto finalmente e ele poderia se trocar em algo mais confortável do que a roupa de viagem, embora ainda não tivesse a coragem de tirar as roupas que estavam quentinhas.

"Poderia nós trazer algo quente para comer, por favor?" Kenshin tentou se expressar com seu inglês quebrado, mas obteve sucesso.

O funcionário, bem treinado, foi extremamente paciente na sua explicação. E humilde na sua desculpa. "Oh claro senhor... Só pedimos um pouco de paciência, pois os elevadores não funcionam... mas, por favor senhor, sinta-se a vontade para pedir o que quiser, providenciaremos assim que possível".

Kenshin escolheu um prato simples, porém quente e substancioso. Estava morrendo de fome, e Kaoru provavelmente acordaria faminta. "Arigato!"

O ruivo colocou as duas mãos pertinho do fogo para aquece-las.

Em cima da lareira ele encontrou uma troféu que mais parecia uma obra de arte. Era como um livro atravessado por uma flecha dourada. O evento que geralmente acontecia na Suiça tinha o nome de New York impresso dessa vez, com o nome de Kaoru em cima. "New York Marketing Festival 2015- Kaoru Kamiya Himura!"

Kenshin sorriu, comteplando o premio."...Omedetou Koishii... Parabéns!"

Kaoru nem se mexeu, na verdade ela começava a roncar levemente. Kenshin gargalhou baixinho.

O ruivo deixou o quarto e foi para o outro cô curiosos olhos cor de ametista passaram a investigar a suíte de luxo. No enorme banheiro existia uma banheira de mármore clara, e sob a bancada da pia miniaturas caríssimas de Bvlgari, shampoo, creme, sabonete, junto com o estojo de maquiagem de Kaoru.

O espaço da suíte era divido em dois ambiente, um era o quarto com cama king size, e ou outro era uma sala de estar, belíssima, bem decorada, com sofás brancos e poltronas cor de creme, uma televisão enorme, e até uma pequena mesa de jantar que Kaoru provavelmente estava usando para seus estudos.

O ruivo deu uma olhadinha pela janela, a vista deveria ser linda, mas agora a neve caia horizontalmente. Vento forte e assustador, como do circulo polar Ártico. "Que horror"

Curioso, Kenshin continuou a explorar o ambiente.

Seus olhos focaram na mesa. Seus dedos percorreram os vários papeis com rascunhos de desenhos, livros sobre arte, fotografias de museus e um envelope.

Era um envelope grande com o nome de Kaoru, e o logotipo Clinic Mater Prime.

"Uma clínica?" Kenshin ficou tentado em saber do que se tratava.

Seus dedos percorreram o envelope até encontrar o adesivo na parte de trás também com o logotipo da clinica.

"Será que? Mas..."

O coração de Kenshin começou a bater mais rápido.

Algumas batidas na porta o interromperam bem no momento de abrir o envelope e invadir o espaço pessoal de Kaoru. "Ainda bem..."

Sim, pois ele estava fazendo coisa errada. Kenshin era um marido que dava espaço para esposa, e nunca abria as correspondências que não eram suas sem a devida autorização.

O jantar havia chegado, finalmente...

Era hora de acordar Kaoru e descobrir "que raios" estava acontecendo com ela.

"Oh thank you!" Kenshin entregou a gorjeta polpuda quando o homem lhe trouxe a bandeja com alimento quentinho. Era uma sopa de queijo bem grossa aquecida por um réchaud, praticamente um fondue suíço de queijo.

"As linhas telefônicas e a eletricidade devem retornar nas próximas horas senhor... Qualquer coisa, por favor, me chame, ficarei neste andar durante a noite."

"Hai..."

Kenshin voltou ao quarto. Ele só podia visualizar alguns fios negros escapando debaixo do edredom, Kaoru estava encolhidinha como se estivesse em um casulo.

"... acorda!"

"Hmm!" Kaoru se encolheu mais ainda. "Nãoo"

"Dorminhoca..." Kenshin riu, mas entendeu o ponto de vista dela.

"Temos sopa cremosa de queijo... Pães e vinho!"

Kenshin sentou-se na extravagante poltrona bege ao lado da cama. Curioso com o envelope. "Kaoru..."

A lareira iluminava o ambiente de forma romântica. Só agora ele reparava nos detalhes do ambiente, a melhor suíte do hotel, um elegante degrade de tons douradas, que ecoava o glamour de Hollywood dos anos 20 em plena Nova York de 2015.

"Acorda Koishiii..."

"Hmmm...Baka!" Kaoru murmurou contrariada.

Kenshin riu, mas sabia como fazer Kaoru despertar rapidinho.

Kenshin caminhou até a outra sala e pegou o menu do restautante do hotel. O ruivo começou a falar em voz alta o cardápio. "Frango assado laqueado, polenta cremosa e o ravioli de ricotta trufado, bolinhos de carangueijo, gnocchi com cogumelos e o papardelle al ragu, salmão e alcaparras..."

A cozinha disponibilizava pratos sofisticados e deliciosos.Não era a toa que Kaoru estava tão confortável e familiarizada com as mordomias de New York.

"OK! Já acordei!" Kaoru se sentou na cama.

Kenshin foi obrigado a rir. Ela estava toda despenteada e com cara de sono. "Você me deixou com fome... Baka!"

"Também estou com fome de gozaru..." Kenshin enfiou a mão por dentro das cobertas, apertando as pernas dela divertidamente.

Brava e invocada, Kaoru jogou as cobertas para longe, mas se arrependeu em seguida.

...Ah esses hormônios...

Kenshin gargalhou com o visual dela, e a cara de invocada.

"Vamos comer, ou quer tomar um banho rápido antes? A comida está no réchaud. Provavelmente vai ficar quente por mais um tempo."

"Kenshin...!"

Em silencio, Kaoru sentou-se na cama e esfregou o rosto. A testa machucada estava dolorida.

Ela queria acordar direito antes de começar... A morena colocou as pantufas nos pés e caminhou até parar frente a frente com Kenshin.

"Antes de qualquer coisa... Eu tenho algo pra te contar... Eu vim para os Estados Unidos achando que estava sozinha e... acontece que não estou..."

Quando estava a apenas um passo de distancia de Kenshin, Kaoru parou.

Devagar, ela tirou o enorme casaco que a protegia do frio polar.

Kenshin piscou, curioso com a diferença na cintura mais larga da esposa.

Kaoru não estava gorda de forma alguma, ela estava...

...Grávida?...

Fome, cansaço, sonolência, emotividade, hormônios em ebulição, o ruivo começo a relacionar as coisas...

"Kaoru?" Os olhos arregalados de Kenshin indicava que ele tinha matado a charada.

"Isso mesmo que você está pensando..."

A morena não hesitou mais, ela puxou a blusa cinza que vestia por baixo do casaco para cima, e revelou sua barriga de quatro meses de gestação.

A protuberância do bebê não era enorme, mas era visível, principalmente para Kenshin que conhecia o corpo da esposa como a palma da própria mão.

Kenshin respirou fundo uma vez, duas vezes, três vezes. "ORO!"

Atrapalhado, o ruivo deu um passo para trás, tropeçando na poltrona, caindo sobre ela. "ORORORO!"

"Isso é?...Isso é? Eu...Eu... imaginava que poderia acontecer... mas não tanto... não tão grande! Não está no comecinho, não é?"

"Imaginava?!" A morena não conseguia conter o sorriso, nem os olhos cheios de lagrimas.

Não era bem o que Kaoru tinha programado para a grande revelação, a reação de Kenshin naquele momento foi era tão kawaii. "Eu entrei na decima sexta semana..."

"É ver...dade? Dessa...dessa vez é verdade?" O ruivo estava gaguejando, ele simplesmente não conseguia acreditar. Ele não tinha forças para levantar da poltrona, mas se levantou, com pernas bambas.

"Sim!" Kaoru puxou a mão de Kenshin, colocando a palma dele aberta, bem no centro da sua barriga. "Existem dois corações em mim! O meu e o da nossa menininha, e os dois batem por você Kenshin!"

"Me...menina? Datte...datte...Nani? ORO?"

Kenshin piscou várias vezes, fazia um tempo desde que ele e Kaoru não tinham contato físico, apesar de que antes da viagem estavam se comportando como dois adolescentes, mas... Bobo do jeito que era, disse a coisa mais absurda possível. "Mas você engravidou de um americano?"

Kaoru engasgou.

Ela deu uma pancada na cabeça dele. "Como você me fala uma besteira dessas?"

"ORO!"

"Eu nem vou comentar sobre a suposição de infidelidade Kenshin... Apenas que se eu estou gravida há quatro meses como que eu poderia ter engravido de um americano? BAKA!"

Sentindo emoções contraditóriasKenshin sentou-se na poltrona novamente.

O coração tão acelerado que o ruivo tinha certeza de que teria um ataque cardíaco qualquer dia desses...

"Kenshin?" Kaoru ficou um pouco preocupada quando o marido se calou.

Ele estava apenas embasbacado com a revelação de que em breve seria pai novamente.

...Mas...

Kenshin começou a digerir a informação que tinha acabado de receber, e lembrando-se um grande detalhe.

Percebendo que a feição de Kenshin tinha mudado, Kaoru puxou o banquinho que servia de apoio para os pés e se sentou na frente dele. "Ok, estou enxergando um enorme ponto de interrogação na sua testa. Me pergunte tudo que você quiser saber..."

Kenshin colocou a mão no cabelo, ele estava ligeiramente magoado com Kaoru. "Desde quando você sabe? Até algumas horas atrás eu não tinha ideia! Você mentiu esse tempo todo! Eu não acredito que você mentiu pra mim sobre uma coisa dessa magnitude!"

O ruivo estava feliz, claro, mas ele não esperava essa atitude de Kaoru...

"Ok, eu estava prevendo isso..." Kaoru já sabia que isso aconteceria. "É compreensivo!"

A morena colocou as mãos nos joelhos de Kenshin, e apertou levemente pedindo por sua atenção. "Olha pra mim!"

O ruivo tinha lágrimas nos olhos.

Tantos sentimentos em conflito refletidos naquele olhar. Afinal depois de Kenji, ele já tinha passado por isso diversas vezes, e todas as outras tentativas ele acreditou que daria certo, e no final sua esperança foi frustrada.

Kenshin se jogou para trás, encostando-se a poltrona.

Kaoru agora tinha que ir até o fim, antes que Kenshin ficasse magoado de vez. "...Quando eu cheguei nos Estados Unidos eu não sabia. Eu juro... Você sabe que depois do que aconteceu com o Kenji meus ciclos são irregulares... Com a correria por causa do curso, e os últimos acertos da viagem. Eu não reparei no que estava acontecendo, eu não senti nada, nem enjoo... Na segunda semana de aula eu passei mal e me levaram para um hospital... Foi quando eu descobri! Eu estava com três meses..."

Kenshin não sabia exatamente como reagir... "Um mês atrás? E não me contou..." De repente o ruivo sentiu a garganta seca. "Não me entenda errado Koishii, eu fiquei feliz com o bebê, mas..."

Kaoru se debruçou sobre Kenshin, segurando o rosto do marido com as duas mãos.

Olhos azuis e olhos cor de violeta se encontram com intensidade. Nenhum dos dois tinha para onde fugir agora.

"Kenshin... Eu sei o quanto você sofreu nas outras gestações. Todo mundo fica atrás da mulher que perdeu o bebê, mas poucos dão atenção ao pai que também perdeu um filho. E você sofreu, e como sofreu!... Eu te conheço... Eu não queria isso pra você de novo! Não dessa vez..." Kaoru respirou fundo, e foi sincera. "Por isso eu me calei..."

Kenshin juntou as sobrancelhas, mas não a interrompeu, permitiu que Kaoru desabafasse até o fim.

"Kenshin... Eu estava esperando que as coisas se... definissem... Você sabe que meu prazo geralmente é o primeiro trimestre... Se acontecesse aqui nos Estados Unidos você seria poupado... Porque eu resolveria tudo sozinha por aqui... E ... Mas... dessa vez... dessa vez..." Kaoru enxugou as lagrimas que escorriam, relembrando toda a dor e frustração que restaram das outras gestações.

Kenshin também segurou o rosto de Kaoru com suas mãos. Lagrimas escorriam livremente pelo rosto dela. "Oh Kaoru...Como você pode pensar assim?! Eu estou do seu lado para tudo, não importa o quanto doa! Eu nunca permitiria que você passasse por isso sozinha, se eu soubesse antes... Eu chego a me sentir até ofendido por você pensar assim... Eu não sou uma pessoa fraca...por favor!"

Droga, Kaoru estava fazendo uma confusão com algo que deveria ser simples.

"Oh não Anata... Eu nunca pensei isso, pelo amor de Deus... Mas vamos ser sinceros Kenshin, desde quando te conheci, eu te trouxe tantos problemas, eu só queria te poupar dessa vez... E... Porque você segurou todas as minhas barras... Claro que você tinha o direito de saber... por isso eu estava ansiosa para voltar para casa... Mas não podia porque eu estava fazendo acompanhamento em uma clinica aqui, só me liberaram ontem para viajar de avião por tantas horas...Entende? Me perdoa! Por favor, me perdoa... Eu nunca quis te magoar..."

Kenshin colocou a mão na boca de Kaoru, calando-a. O ruivo tirou a mão, e ao invés dos dedos, seus lábios agora encontravam com os de Kaoru.

O casal se beijou apaixonadamente.

"Shhh. O passado é o passado Koishii! Já foi... Eu nem sei por que estamos tendo essa conversa. Você está gravida, eu vou ser pai. Kenji vai ter uma irmãzinha... Eu não pode estar mais feliz, ne?"

Kaoru sorriu, ela respirou profundamente, tentando acalmar o coração acelerado. "Dessa vez é pra valer."

Kenshin puxou Kaoru para se sentar no seu colo. Ela soluçou com todos os sentimentos pulsando em seu peito.

Os dois se abraçaram ainda sentados na poltrona em frente a enorme janela do hotel.

Em silencio, Kaoru e Kenshin observaram a tempestade de neve caindo forte sobre New York.

Kenshin abraçou a cintura de Kaoru, mesmerizado pelo ventre cheio da esposa.

...Dessa vez é pra valer...

Kaoru colocou a cabeça no ombro de Kenshin, e a mão no peito dele. Os batimentos estavam começando a ficar mais espaçados e mais calmos.

Até o frio ficou menos intenso. Era como se uma redoma estivesse em volta de Kenshin e Kaoru.

"Ela forte! Ela não se abala por nada. Nem com o acidente de carro de ontem! 12 centímetros e 100 gramas!"

"ORO!" Kenshin sorriu e chorou. Ele chorou de felicidade. "100 gramas?"

Os dois se calaram por mais alguns segundos, saboreando cada nuance daquele momento mágico.

"Tudo isso!" Kaoru também riu, entre lagrimas.

Kenshin a abraçou mais forte, e a beijou nos lábios novamente, foi mais um carinho sem malicia do que um beijo de paixão.

Kaoru em agradecimento uniu suas mãos ao redor do pescoço dele, e beijou a bochecha marcada pelo x. "Uma pequena guerreira, como a mãe!"

"Confesso que eu fiquei assustada por causa do acidente... Eu não queria te assustar... mas ia ligar pra você vir me buscar assim que chegasse aqui no hotel... Ridículo ne? Eu que insisti tanto em ser uma mulher independente... ligando pro marido vir buscar..." Kaoru confessou baixinho, falando bem perto do lóbulo da orelha de Kenshin.

"Mah...Mah...Eu estava lá no Japão me segurando para não embarcar no primeiro avião e vir te buscar... Essa tempestade de neve foi o melhor subterfugio do mundo" Kenshin sorriu, recobrando a força, ele se levantou, com Kaoru no colo. "Eu acho que... Nós não devemos mais desperdiçar um segundo sequer..."

O ruivo deitou Kaoru na cama, debruçando-se sobre ela... "Acha que a sopa de queijo pode esperar um pouco mais?"

"Hmmm..." Kaoru sorriu, esparramando-se sobre a enorme cama.

Kenshin puxou a blusa dela para cima novamente, revelando novamente a barriga protuberante e o sutiã de renda branca que sustentava os seios cheios.

Imediatamente o ruivo se debruçou novamente, e começou a beijar Kaoru com todo o carinho e amor que sentia por ela.

"Afinal...Estamos aqui, em New York em um quarto chique de hotel, depois de um mês separados, com um frio terrível lá fora... Iluminados pelas chamas de uma lareira... Não vamos mais perder tempo falando... Vamos relembrar como a nossa pequena Kaori foi feita?"

"Kaori?" Kaoru riu.

Kenshin sorriu inocente. "Com cabelos negros e olhos cor de violeta! A coisa mais fofa do papai!"

Kaoru riu alto.

Era justo, eles já tinham Kenji para Kenshin, agora teriam Kaori para Kaoru.

"Hai Anata...onegai... E ela foi feita com muito amor..."

Kenshin beijou Kaoru com um beijo arrematador. Em seguida ele se levantou e começou a tirar a própria camisa, e desafivelar o cinto.

Imediatamente Kaoru entendeu o recado e começou a ajudar o marido a se livrar das roupas, das dúvidas, da saudade e de qualquer coisa que pudesse trazer infelicidade para suas vidas...

Debaixo das cobertas, Kenshin e Kaoru se amaram durante horas, algumas vezes com carinho e ternura, algumas vezes com força e paixão... Nenhum dos dois sentiu frio durante a noite toda, mesmo com a tempestade de neve caindo com força total lá fora.

A sopa de queijo completamente esquecida em cima da mesa de jantar.

A cama estava tão quente, e Kenshin estava tão nu e enroscado em Kaoru, também despida, que não teve coragem de sair dali. Em algum momento ele deveria ter coragem, e colocaria a sopa de queijo na lareira talvez... E Kenshin julgava que teria que ser em breve, pois seu estomago começava a roncar, mas precisava de mais alguns minutinhos, tinha acabado de atingir o ápice, e os homens não se recuperavam tão fácil assim.

Kaoru beijou o peito do ruivo, deitou os lábios vermelhos e inchados por causa dos beijos, em cima do mamilo esquerdo dele, sentindo o coração de Kenshin bater inebriado dentro da caixa torácica. "Kenshin...Sabe a sensação de que você vai se apaixonar?"

Kenshin fechou os olhos e sussurrou. Sua voz rouca de satisfação após o ultimo orgasmo. "Koi no yokan?" Sim, claro que ele conhecia.

"Minha vida pode rodar e rodar... mas uma coisa é constante pra mim!" Kaoru levantou o rosto, para nivelar seus olhos com os dele. "Eu sinto o tempo todo... Todo dia.. Todo momento...Basta ouvir sua voz...Baste te ver... Sentir sua presença... Não passa, nunca passa!"

"Kenshin..."

Kenshin a surpreendeu com um beijo amoroso.

Ela estava tão macia, tão quente, tão aconchegante... Ele não conseguia parar de tocar a pele dela.

O ruivo sussurrou exatamente aquilo que Kaoru estava prestes a confessar. "Koishii...Você é meu Koi no Yokan..."

...pode ler meus pensamentos?...

Kaoru soltou o ar surpresa com o modo como ele leu seus pensamentos... "Você é meu koi no yokan..."

A morena sorriu abertamente, o brilho dos seus olhos era como o brilho das estrelas. Talvez fosse apenas o reflexo da lareira, mas Kaoru enxergou um brilho dourado no fundo dos olhos cor de ametista do marido. O verdadeiro Kenshin Himura e todas as suas nuances estava ali, deitado ao seu lado. E Kaoru amava a riqueza de cores daqueles olhos.

Só ela conhecia todos os significados.

Todas as nuances.

Novamente ela colocou a cabeça no peito de Kenshin, e continuou a escurar o coração do seu amor bater. Tranquilo, satisfeito, embriagado de felicidade e contentamento...

A tempestade de gelo e o caos lá fora não eram nada.

Qualquer tempestade vem e vai, e mesmo que deixe rastros pelo caminho... nenhuma tem força suficiente para abalar e tirar o calor e a energia desse amor puro.

Constante...

"Para sempre!"

"Meu Koi no Yokan..."

Owari

Fim

^^X

Ohhh acabou!

Fico feliz que eu tenha alcançado e detonado esse desafio. Não foi nada fácil...

Koi no Yokan teve um pouquinho de tudo ne? Drama, ação, suspense, romance... e o mais importante, final feliz.

Sempre final feliz para Kenshin e Kaoru! E todos os outros, menos Enishi ne kkkkkkkk

Obrigada pela leitura, agradeço de coração. Todas vocês!

Jou-ChanHimura, Lica, .Aguia,Jessica Yoko ,Maria Nelly , Soffy, Marismylle, Artemys Ichihara, Madam Spooky, tina granger, Jouchan, kaos ,Natty, Nana , Kaoru Himuramiya, HarunoKuchiki, Sheyla, mizkenzo, Himura e todos os guests, e o pessoal do Nyah tb.

Até o próximo se vocês ainda tiverem paciência comigo hehehehehehe

Beijos Chibis.