CAPÍTULO IX

Passo o resto do dia trabalhando na biblioteca, tentando dar um pouco de consistência ao esqueleto do baile. Lá pelas seis da tarde lembro, toda feliz, que Will quer me levar para dar um passeio pela fazenda e que tia Winnie vem jantar conosco. Desligo o laptop e vou correndo mudar de roupa. No saguão de entrada, paro para olhar a parede acima da lareira por um minuto. Alguma coisa está realmente me incomodando e não sei bem o que é.

Sinto uma sensação estranha por trabalhar em uma casa que teve uma importância tão grande na minha infância. Vivo encontrando armários onde me escondia e salas onde brincava. O mais estranho de tudo é que a maioria dos ambientes está exatamente igual ao que era há mais de quinze anos. Posso estar com a mente ocupada com a disposição dos convidados nas mesas e com os artistas e descubro, de repente, um buraco na parede feito por James jogando etiquete aos dez anos de idade. Ou descubro uma placa de vidro substituída em uma das portas e me lembro de como tínhamos certeza de que se corrêssemos com velocidade suficiente na direção da porta seríamos transportados para um mundo de contos de fadas. Tudo parece um pouco diferente, mas ao mesmo tempo está tudo igual. É muito confuso.

Já no andar de cima, ando calmamente pelo corredor e fico chapinhando na banheira por um tempo, enquanto faço uma lista mental de coisas a fazer. Depois visto um par de calças de linho, um conjunto de malha com decote em V e cardigã bordado retoco rapidamente a maquiagem, me encho de perfume e desço.

Espio cautelosamente pela porta da cozinha para ver se a Senhora Jones está por ali, mas um dos cães me segue, late e corre para dentro da cozinha anunciando nossa chegada. Felizmente a Sra. J. não está. Deve estar no quarto dela, enfiando alfinetes num bonequinho de pano com a minha cara. Há um cheiro delicioso no ar, que eu espero que seja o nosso jantar e não o dos cães - tenho a impressão de que eles comem melhor do que nós.

Harry e Will estão sentados à mesa jogando o que parece ser uma partida violenta de Pega-Varetas. Harry me informa que eles estão jogando Pega-Varetas Rápido, ou seja, em vez de pensar e puxar com cuidado, você tem cinco segundos para puxar uma vareta. Atirar descuidadosamente para o chão as varetas apanhadas também parece fazer parte do jogo. Os cães estão escondidos como podem - encostando-se contra os armários, atrás da fileira de galochas, empilhados debaixo da mesa.

- Aah, aí está você, Lily - diz Will. - Só vou acabar de dar uma surra no Harry e vamos sair. A propósito, acho que você vai precisar de galochas.

- Não há pressa - respondo. Vou para o quartinho de serviço e pego o par de galochas que usei quando fomos alimentar os veados. Coloco-as enquanto Will, visivelmente, deixa Harry ganhar. Ele se levanta da mesa, enfia a mão no bolso do jeans e dá uma moeda para Harry, que fica muito feliz.

- Aqui está, conforme combinado, uma libra para o mês de arrecadação de fundos. Você é bom para fazer negócios.

Harry abre um grande sorriso para nós dois.

- Pronta para sair, Lily?

Damos boa-noite a Harry e vamos em direção à porta dos fundos.

- Seu pai convidou minha tia Winnie para o jantar portanto temos que estar de volta lá pelas oito - lembro.

- Sem problemas - diz Will despreocupadamente.

- Você não aprendeu a dirigir com o mesmo instrutor que Monty, aprendeu? - Rolamos calmamente aos saltos por uma estrada de terra.

Will olha para mim e sorri.

- Não! Ele é um pavor na direção, não é? Olhe, ali está a velha serraria. Hogsmeade costumava manipular sua própria madeira.

- E o que fazem agora?

- A Comissão Florestal faz o trabalho por nós e vendemos o produto final. Cerca de metade da área da propriedade é formada por bosques.

- E a outra metade?

- Arrendamos a maior parte para fazendeiros locais. E o que sobra nós mesmos cultivamos.

- Você gosta de administrar Hogsmeade?

- Gostaria que fosse realmente minha.

- O que quer dizer com isso?

- James é dono de tudo.

- Tudo? Isso não parece muito justo.

- Sim, tudo. O primogênito herda tudo. - Há um nítido tom de amargura na voz dele e eu não o culpo por isso. Ele me olha e encolhe os ombros. Chegamos ao final da estrada de terra, passamos por um portão de madeira e entramos em uma estrada asfaltada. Will aponta para outra direção e diz: - Temos cerca de dez casas ali. Infelizmente alguns dos inquilinos mudam amanhã, e é por isso que não vou chegar mais perto, para evitar que joguem tomates podres ou outra coisa na gente. James os despejou na semana passada.

- Por quê?

- Disse que o aluguel que pagavam não era suficientemente alto. Estas famílias viveram felizes por aqui por sete anos, até agora.

- Puxa, esse decisão parece dura.

- Conheço?

- Ele fez você passar uns maus bocados quando éramos crianças, não foi? - Ele me olha.

Encolho os ombros e finjo que não me lembro muito bem.

- Talvez.

Viramos à direita na estrada asfaltada, depois à esquerda, e paramos em frente a outro portão de madeira. Saio toda entusiasmada do carro para abrir o portão, ansiosa para mostrar como uma garota urbana pode se virar no campo, mas estou tão ocupada tentando impressionar Will que não olho para o chão e aterrisso bem no meio de um monte de cocô de vaca.

- Argh, que nojo! Tem cocô de vaca nas minhas galochas! - choramingo.

Will inclina-se na minha direção e sorri.

- Desculpe, Lily! As vacas vêm até aqui para pastar! Me esqueci de avisar! Mas não se preocupe, todo muito cheira a bosta no campo!

O cheiro de bosta de vaca luta pela supremacia contra o meu sofisticado perfume urbano e, depois de um breve combate, vence com facilidade. Repreendo a mim mesma. Por que o campo tem que cheirar tão mal?

Luto por alguns minutos com o portão - você precisa ser formado em astrofísica para entender o complicado fator plutoniano das fechaduras. Will acaba vindo me ajudar e abre o portão com um simples piparote dos dedos. Continuamos o passeio.

- O que aconteceu com todos os cavalos? Minha mãe costumava guardar os dela aqui - pergunto, pensando nos estábulos vazios.

- Sim eu me lembro. Tivemos que nos livrar deles. A manutenção deles é muito cara. James é avarento e controla a carteira agora. - Mas não é suficientemente avarento para negar-se o enorme BMW estacionado no pátio, que ninguém parece dirigir apesar da regra de que quem chegar primeiro leva. É surpreendente como as pessoas mais ricas sempre acabam sendo as mais mesquinhas.

- Que pena.

- Sinto falta deles. Esta é a parte das terras que arrendamos, até aquele campo lá embaixo. - Ele aponta em direção ao horizonte.

- James começou a trabalhar aqui logo depois da escola?

- Não, ele foi para a universidade.

- Qual?

- Cambridge. Mas largou os estudos no segundo ano.

- Por quê?

- Foi quando mamãe morreu. Papai simplesmente entregou toda a propriedade a James, pois não conseguiria mais cuidar dela sem a ajuda de mamãe. Ele queria que James tirasse o diploma, mas James decidiu não esperar por ele. Simplesmente fez as malas e voltou para casa. Acho que ele estava ansioso para começar a trabalhar aqui, mas logo depois entrou para o mundo dos negócios. Agora Hogsmeade o aborrece.

Olho o lindo panorama campestre ao meu redor, o pequeno vilarejo no alto da colina, os tons suaves de verde da floresta banhada pelo pôr-do-sol e penso como é que alguém normal pode se chatear com isso.

- Depois que voltei de minhas viagens, James decidiu que afinal precisava de um administrador para a fazenda, e aceitei o trabalho. Mas, ainda assim, um dia gostaria de ter a minha própria fazenda.

- Você não pode ter uma parte da fazenda?

- Talvez como arrendatário. - Ele suspira. - Eles nunca dividiram Hogsmeade. Não é justo, mas é sensato. A fazenda precisa permanecer inteira para manter seu valor.

- Você está sendo muito pragmático.

- Os filhos número dois precisam ser pragmáticos.

Chegamos ao vilarejo. Will estaciona e sai do carro. Eu saio atrás dele. Passeamos pelo jardinzinho e Will acena para algumas pessoas, enquanto eu tento, sutilmente, limpar minhas galochas do cocô de vaca.

- Os habitantes do vilarejo são muito unidos? - pergunto.

- Não muito. Eles se esforçam, mas a fazenda que era o que lhes dava trabalho, não faz mais isso. As pessoas precisam mudar para encontrar mais trabalho, e as coisas estão ficando mais difíceis para Hogsmeade.

Sentamos no banco debaixo da cerejeira em flor.

- Precisamos sair novamente, Lily - Will diz, pensativo.

- Sim, foi um passeio adorável - digo com sinceridade. - Muito relaxante.

- Eu costumo andar pela fazenda quase todas as noites. Visito os moradores, esse tipo de coisa.

- James não deveria fazer isso?

- Eu sou o administrador e isso é mesmo parte do meu trabalho. Mamãe costumava fazer isso quando estava viva, mas acho que ela considerava isso mais como uma obrigação do que eu. Veja, Lily! - exclama Will de repente, e antes que eu consiga dizer algo, ele diz: - Estamos sentados sob a árvore dos casamentos! Agora você tem que se casar comigo!

Quando voltamos, fico aliviada em ver que tia Winnie ainda não chegou. Acho que seria maldade de minha parte deixá-la à mercê da família Potter quando ela realmente não conhece ninguém muito bem, e não que tire conclusões precipitadas sobre o meu passeio com Will. Se bem que acho que isso será inevitável, assim que ela colocar os olhos neste homem lindo.

Monty e Flo estão bebendo gim-tônica animadamente, descascando legumes e matraqueando que nem dois papagaios. Acho que Harry já foi para a cama. Eles nos olham quando entramos.

- Fizeram bom passeio? - pergunta tia Flo.

- Adorável! - respondo.

- Sirva-se de um drinque, Lily querida! Há vinho na geladeira ou gim no armário, se preferir.

Tiro as galochas e vou correndo lavar as mãos. Depois coloco vinho em dois copos grandes, para mim e para Will, e tiro dois porta-copos da gaveta, recebendo um olhar de quase aprovação da Sra. Jones.

Uma batida forte na porta anuncia a chegada de tia Winnie que entra na cozinha em seguida e enche o ambiente com sua poderosa presença. Até a Sra. Jones parece impressionada, e eu quase saio correndo de onde estou para ficar ao lado da minha parente mais querida, com um sorriso de sim-ela-é-mesmo-impressionante. Em vez disso, beijo tia Winnie no rosto e faço apresentações rápidas. Ela aperta a mão de todos os demais. Tia Flo e tia Winnie lado a lado são uma visão hilariante. Tia Winnie está usando uma blusa de algodão, uma saia de tweed com meias-calças grossas verde-claro e pesados sapatos sem salto. Tia Flo veste um vestido de chiffon estampado, cheio de babados, não usa meias-calças e usa sandálias com predarias. Enquanto uma cumprimenta a outra, Monty se inclina na minha direção e murmura:

- Acha que devemos dizer a Flo que ela ainda está usando seu roupão?

Dou uma gargalhada com a descrição que Monty fez do extremamente sofisticado cardigã de lã comprido que Flo está usando sobre o vestido.

- Acho que é um cardigã, Monty - sussurro de volta.

- Um cardigã? Tem certeza? Que extraordinário. - Ele vai pegar um copo de vinho para tia Winnie, murmurando sozinho "um cardigã", ainda surpreso.

Apesar das diferenças dramáticas entre o estilo de vestir das duas, tia Winnie e tia Flo se dão imediata e maravilhosamente bem. A noite passa com as duas em conversa animada (descobriram que ambas são admiradoras de besouros), ajudada por uma torta de peixe fabulosa, feia pela Sra. Jones, e frutas em calda para a sobremesa.

Desde que Monty contou sobre a escassez de fundos para a manutenção da casa, comecei a observar algumas coisas. A geladeira está mesmo começando a desmontar, sem falar na chaleira. E fiquei absolutamente horrorizada ao perceber que não há uma lava-louça. Estava tão cansada na noite passada que deixei todo mundo ainda à mesa quando fui para a cama. Nem me passou pela cabeça que alguém teria que lavar a louça, o que não deve ter ajudado a melhorar meu relacionamento com a Sra. Jones. Também percebi que os vegetais e as frutas em calda são provenientes da horta e do pomar.

Mais tarde, voltando do toalete, encontro tia Winnie no corredor.

- Você sabe onde é o banheiro? - pergunto.

- Hã, sim. - Ela espera que eu me aproxime mais e sussurra:

- Lily, você contou a seus pais sobre seu retorno a Hogsmeade?

- Ainda não - respondo, surpresa com a seriedade em sua voz.

- Por quê?

- Acho que deveria contar, só isso.

- Por quê, tia Winnie?

- Conte para eles, Lily - ela responde de um modo ríspido, pouco comum, e sai andando, me deixando para trás.


No dia seguinte, depois da reunião com a empresa de toldos, que incluiu corridas frenéticas por todos os lados com fitas métricas, Monty me leva até a estação de trens. Ele me beija no rosto e diz que vem me buscar na próxima terça-feira à noite, para que eu possa me encontrar com Rose e Mary na quarta-feira. Vou ter que ser sua hóspede por alguns dias, para tentar fazer todas as entrevistas com artistas e músicos, por isso já organizamos para que Remus também se hospede na casa.

Uma vez a bordo do trem para Londres, abro meu laptop, espalho minhas anotações na mesinha e ligo para o escritório.

- Table Manners? - Emmeline responde impaciente, sem dúvida irritada por ter que parar de ler um artigo sobre a nova coleção de calçados de Gisele Bunda, ou seja qual é o seu nome.

- Emmeline, sou eu.

- Ah. - É claro que ela voltou a ler a revista.

- Hã... como vão as coisas? - pergunto enquanto meus ombros se encolhem, apreensivos. Gosto de Emmeline me diga primeiro como as coisas vão indo, para evitar surpresas desagradáveis. É impressionante o quanto de encrencas você pode arrumar mesmo sem estar no escritório.

- Tudo bem. - Ufa. Suspiro de alívio e sento melhor na poltrona. - Mas ele está uma fera com você.

Volto a me encolher sobre a mesa.

- Por quê?

- Disse que nunca viu uma ideia tão ruim

- Qual?

- Não conseguiram apanhar uma das suas pombas no banquet polinésio e ela cagou no copo do anfitrião.

- Meu Deus, foi? - controlo meu impulso de dar uma gargalhada, porque sei que ela vai contar ao Moody. - Eles ficaram muito zangados?

- Um pouco, mas não tão zangados quanto Moody.

- Me deixe falar com ele.

- Vou transferir a ligação.

Espero, e depois de um tempo Moody atende o telefone. A primeira coisa que ele diz é:

- Ahhh, vejo que a fada das cagadas voltou.

Sorrio. Ele não está tão zangado quanto Emmeline disse.

- Ora, Moody, você não pode me culpar pelos movimentos intestinais de uma pomba.

- Uma boa promoter é a responsável pelos movimentos intestinais de todos na festa.

- Essa é uma responsabilidade e tanto.

- Você está a caminho?

- Sim, o trem acabou de sair.

- Ótimo. Espero um relatório completo.

Há uma atmosfera familiar na sede da Table Manners. O caos ameaça irromper por todos os cantos. Até mesmo Emmeline está mais ocupada do que de costume. Ela tem duas revistas abertas na frente dela enquanto toma um milk-shake de café com um canudinho. Ela grunhe para mim e tira o canudinho da boca, com má vontade.

- Estão todos ficando malucos - diz e volta a ler a Hello!

- Recados? - pergunto esperançosa.

Ela inclina a cabeça na direção aproximada de onde fica a minha mesa, o que não me anima muito, e acrescenta:

- Lady Boswell ligou. Disse que você estava fora, trabalhando na fazenda de James Potter. Por causa disso tive que ouvir a velha megera falar por meia hora sobre ter encontrado James Potter um dia, quão tremendamente divino el quanto ela gostaria que ele comparecesse à Festa Nórdica de Gelo.

- Puxa, não consigo pensar em um destino melhor para ele - resmungo.

Entro no escritório principal, onde todo mundo parece mesmo ter enlouquecido. Edgar está de pé em cima de uma mesa no canto da sala, olhando pensativo para um pedaço de corda nas mãos, e parece estar pensando se vai se enforcar com ela ou não. Por algum motivo o Zé Colméia de pelúcia está sentado na frente da mesa dele. Passo pelo labirinto de mesas e pessoas e vou em sua direção, ignorando meus colegas que, ou estão entrevistando pessoas com fantasiadas de animais ou estão enfiando-se debaixo de mesas segurando arranjos florais e gritando:

- Isso vai ficar pé!

- Oi! - saúdo Edgar.

- Como vai, Cacatu? - ele diz com sua melhor voz de Zé Colméia.

- Pensando em dar cabo da vida?

- Caramba, eu bem gostaria que sim! Moody está mal-humorado. Você soube o que aconteceu com a sua pomba? É verdade que ele bebeu mesmo o coquetel cagado?

- Acho que não! - Fico com essa séria dúvida.

- Droga, é o que tenho contado para todo mundo. - Ele desce da mesa e fica no mesmo nível que eu. - E aí, alguma coisa na semana, além do evento em Hogsmeade?

Balanço a cabeça.

- Só alguns ajustes na Fésta Nórdica de Gelo, graças a Deus. Já estou com as mãos cheias com este baile.

- Vamos lá, me conte tudo! Como é a propriedade? Como vão os preparativos para o baile? Como está se virando com o feio e malvado James Potter?

- Ele ainda não voltou.

- Mas você vai encontrá-lo? - ele pergunta.

- Sim, em breve.

Edgar senta na minha frente e parece pensativo.

- E que tal o resto da família, como são eles?

Um sorriso enorme invade o meu rosto.

- Ah, eles são geniais! Conto melhor depois!

Coloco o laptop e a pasta na mesa e volta a trabalhar no planejamento.

Moody está mesmo de mau humor e rosna quase a tarde inteira. Um promoter novato tenta conseguir a aprovação dele para o cardápio de um piquenique para crianças. Ele expulsa o rapaz da sala os berros:

- Que raio de história de canapés vegetarianos! Volte quando escolher algo que as crianças queiram comer!

E, logo depois, grita para que eu vá até a sua sala. Quando consigo acompanhá-lo e fechar a porta atrás de mim, ele já está afundado atrás de sua mesa.

- Meu Deus, este negócio é implacável, não é?

- O quê?

- Essa bobagem de se divertir. Nunca dá um descanso. Como vão os preparativos para o projeto Potter? Alguma coisa a relatar?

- Não, tudo está bem.

- Está conseguindo não chatear os Potter?

- Acho que sim.

- Quando Remus vai ajudar você?

- Na semana que vem.

- Também o avise para não os chatear. Não se esqueça de que em boca fecada não entra mosca. E se a sua boca...

-... Está aberta, então você não está aprendendo nada - termino a frase por ele.

- Repetir isso para Remus, milhares de vezes, nunca é demais. Nunca esqueci de quando ele disse a uma convidada gorda que ela não deveria ficar muito tempo parada no iate dela, pois poderia ser confundida com uma baleia e ser arpoada.

- Mas ela estava sendo uma chata, e ele disse isso baixinho.

- Então ela tinha ouvidos de tuberculosa, porque, lembro-me bem, ela o ouviu. A propósito, como vai ele?

Eu suspeito Moody gosta muito de Remus. Ele e o resto do mundo.

Olho para ele desconfiada.

- Ele está muito bem. Por quê?

- Por nada. Vamos torcer para que este baile traga mais negócios, Lily. Parece que você esteve longe por uma eternidade. As contas de Edgar estão deteriorando rapidamente.

- Jura? - pergunto de modo inocente. - Provavelmente ele está só tendo um dia ruim.

- É mais uma semana ruim. Como vão os preparativos para o baile?

Penso em todo o trabalho envolvido - o tema circense, o serviço de catering para quinhentas pessoas e uns milhões de outros detalhes que preciso confirmar.

- Tudo bem - digo com segurança.

- Já viu James Potter?

- Não, ainda não. Talvez na próxima semana.

- Vai perguntar sobre a possibilidade de um encontro corporativo?

- Se tiver uma oportunidade - digo, pensando definitivamente não. NÃO HÁ Cristo que me faça procurar trabalho com James Potter.

- Sua tia, hã... qual o nome dela? Aquela que acha que eu sou comunista?

- Winnie.

- Isso! Sua tia Winnie pode ter nos ajudado muito mais do que pensava! Não se esqueça de ser boazinha para James Potter na semana que vem.

- Serei. - E cruzo os dedos com a mão escondida atrás das costas.

Começo a gostar da minha tarde, mesmo lidando com detalhes do meu projeto dos infernos, a Festa Nórdica do Gelo, porque estou na posição incomum de poder sair às sete horas na noite de sexta-feira, aconteça o que acontecer. As noites de quinta e sexta são geralmente as mais agitadas da semana, porque a maioria das socialites vai para suas casas de campo nos finais de semana. As pessoas acham que nosso trabalho deve ser uma grande diversão, e a maioria das vezes é, mas não têm a mínima ideia de como são as coisas quando a arrumação das mesas não dá certo e você sabe que não pode ir para casa até estar no lugar.

Passo a maior parte da tarde ao telefone, falando com o fornecedor de gelo, minimizando os problemas sobre a criação do bar de gelo, marco outro ensaio com meus vikings de mentirinha e uma reunião com Lady Boswell, para quando estiver novamente no escritório. Lady Boswell começa a tagarelar novamente sobre James Potter, mas consigo encerrar a conversa antes que ela possa pedir que eu o convide.

Assim que entro em casa, Remus sai com um ar extremamente elegante. Ele diz que vai ao cinema com um colega de trabalho, mas deduzo que essa pessoa é mais do que um colega, porque ele me convidaria a ir junto.

Decido alugar um vídeo e vou para o quarto, para vestir minha calça de agasalho favorita, antes de ir para a locadora. Estou procurando as chaves quando o interfone toca. Remus deve ter esquecido algo.

- Alô? - respondo.

- Alô? - Não é Remus, mas a voz é familiar e eu a reconheço levemente.

- Alô? - digo novamente.

- Lily. Sou eu, Amus. Por favor, me deixe entrar.


E aqui vai o Amus. Nada de especial para esse capítulo - na verdade, capítulos, porque eles eram tão pequenos que eu resolvi juntar os dois -, mas espero que vocês gostem. De qualquer jeito, obrigada para todas as pessoas que favoritaram/seguiram a fanfic, sejam bem-vindos!

Beijinhos,
Joules