CAPÍTULO XIV
Sobramos nós na cozinha.
- Lily, o que diabos você está vestindo? - pergunta tia Flo. A casa da família está prestes a ser tomada pelo banco e ela ainda tem vontade de comentar a minha falta de estilo.
Olho para minhas roupas. De manhã cedo, pensando mais na catástrofe prestes a desabar sobre a minha cabeça do que nas minhas roupas, consegui vestir-me em uma confusão completa. De uma maneira muito inteligente, juntei todas as peças de roupa que eu tenho e que não combinam entre si. Uma minissaia estilosa, acompanhada por uma camiseta de rúgbi, que eu não acho que seja minha, e sandálias de salto alto.
- Sim. Bom. Estava pensando entre outras coisas - murmuro.
Pessoalmente, gostaria de me retirar para um local privado e lamber minhas feridas, mas o resto da família está determinado a extrair todas as informações possíveis de mim. Felizmente, os oficiais de justiça deixaram a maior parte dos móveis e eletrodomésticos da cozinha. Monty me convida a sentar e eu desabo em uma cadeira.
- James achou que você estava namorando Amus Diggory? - arrisca Monty.
- Sim, mas há um mês nós terminamos mesmo o namoro. Mas encontrei com o Amus outra noite e ele fez algumas perguntas sobre James. Achei que ele estava simplesmente demonstrando interesse.
- Viram? - diz tia Flo em um tom triunfante. - Eu disse a James que tudo não passava de um mal-entendido! Mas ele não parava de resmungar sobre uma coisa qualquer que aconteceu quando vocês eram crianças!
- Eu não contei para Amus nenhuma das coisas que foram publicadas - acrescento depressa. - James acha que Amus conversou com os inquilinos despejados e depois contou para a imprensa.
Há uma pequena pausa enquanto todo mundo digere essa informação.
- Vou fazer um café para você. Você parece estar exausta - diz a sra. Jones, levantando e indo em direção à cafeteira. As pessoas podem ser gentis.
- Obrigada - murmuro.
- Eu me sinto culpado - diz Monty, quebrando o silêncio. A sra. Jones coloca um bule de café fresco na mesa e uma xícara na minha frente. - Se, para começar, Hogsmeade não estivesse em más condições, James não teria se envolvido nessa tomada hostis. Eu nunca fui um bom homem de negócios.
- Você não tinha como saber que a produtividade iria cair tão dramaticamente, meu bem. E só estava tentando ser bom para com os inquilinos, deixando que ficassem nas casas sem nenhum reajuste - diz Flo, colocando uma mão sobre a dele.
- Eu sempre achei que era responsável pelo vilarejo.
- Deixa disso, papai! Nenhum de nós sabia das más condições em que estávamos - diz Will.
Percebo que estou olhando para ele, espantada. Imediatamente, ele fica vermelho. Ele sabe que eu sei. E eu sei que ele sabe que eu sei. E ele sabe que eu sei etc, etc. De repente, não vejo mais um homem atraente, mas sim, um menininho irritado com seu irmão.
- Vocês ainda têm a casa - digo esperançosa, tentando disfarçar o embaraço dele.
- Por quanto tempo? A casa está praticamente desabando sobre as nossas cabeças e ainda temos os pagamentos da hipoteca para honrar.
- Como vocês têm pago até agora?
- Com o lucro que James obtém, claro. E parece que tudo vai acabar agora.
Mordo o lábio e sinto-me péssima. Flo nota meu ar desanimado e se inclina para dar umas palmadinhas no meu joelho.
- Vocês acham que ainda vai haver baile de caridade? - pergunto.
- Não podemos deixá-los outra vez sem alternativas. E agora precisamos mesmo do dinheiro deles! - diz Monty. - Tem alguma reunião hoje, Lily?
- À tarde, mas eu vou cancelar todas.
Ouvimos uma batida forte na porta e todos damos um pulo. Remus enfia a cabeça através dela.
- Posso entrar? Ah, vocês, pessoas do campo, são mesmo surpreendentes. As portas nunca estão trancadas! Estão planejando fuzilar Lily ao amanhecer?
- Deus do céu, Rem! - digo, correndo na direção dele e o abraçando. - Nunca fiquei tão feliz em ver você em toda a minha vida!
- E eu nem tenho comida comigo! Impressionante!
- O que está fazendo aqui?
- Pedi demissão! Saí de lá e vim direto para cá!
- Ah, Rem, você não deveria ter feito isso!
- Não se preocupe, a manhã estava mesmo muito chata antes de você telefonar. Finalmente você conseguiu fazer com que eu tomasse uma atitude! Além disso, achei que poderia precisar de mim. - Ele envolve o braço dele com o meu. - Na verdade, eu me sinto maravilhosamente bem! - declara. - Ele olha para os rostos tristonhos na frente dele. - Bom, é claro que isso não inclui a situação toda sobre a aquisição. Isso é horrível, simplesmente horrível. - Ele sorri e tenta não parecer muito maravilhado com a vida em geral. Ele é um ingênuo.
Na verdade, todos parecem muito felizes em vê-lo. Monty e Will apertam o braço dele, e tia Flo o cumprimenta com um beijo no rosto.
- Feche a porta, meu bem - diz tia Flo. - As pessoas vivem deixando-a entreaberta, e ontem o carteiro acabou caindo dentro da cozinha. Os cães ficaram tão surpresos que não sabiam o que fazer com ele.
- Então, o que aconteceu? - pergunta Remus.
Explico rapidamente sobre a tomada hostil e Amus. Remus fica absolutamente indignado.
- Bom, agora é que estou mesmo muito feliz por ter pedido demissão! Não poderia mais trabalhar para ele! Que parasita!
- Você trabalhava para ele? - pergunta Monty, confuso.
- Só no departamento de reivindicações. Era um salário para pagar as despejas. Na verdade, quero escrever um romance.
- Sério? Sobre o quê? - pergunta tia Flo, tagarelando.
- Você não comentou com Amus que eu estava trabalhando aqui, comentou? - digo de repente, ignorando Flo.
Remus fica um pouco perturbado.
- Bom, não diretamente. Mas posso ter mencionado algo no escritório. Sorte minha que ele não sabia que eu estava trabalhando aqui também. Só Deus sabe o que eu iria contar!
Ficamos quietos. Finalmente, eu sussurro:
- O que vocês acham que James vai fazer?
Olhamos uns para os outros com caras de bobos. Peço licenças, pego minha mala que ainda está ao lado da porta e vou para o meu quarto. Fico ruminando um pouco, enquanto desfaço a mala, pinto as unhas por falta do que fazer e penso. Amus estava me usando para obter informações. Ele estava me usando. Repito essa frase várias e várias vezes. Ele estava me usando para manter seu cargo em uma diretoria. Eu sabia que ele era ambicioso, mas não sabia o quanto.
Amus e seus comparsas devem estar comemorando neste exato momento. Consigo imaginá-lo abrindo uma champanhe, com um sorriso no rosto. Ele vai contar vantagem sobre como derrubou James Potter quase que sozinho. Quase, mas não completamente, porque eu fiz minha parte no jogo.
Deito na cama e olho o quarto. Minha bolsa está do lado da cama e eu a puxo na minha direção em um impulso. Pego a carteira e vejo uma foto de Amus que ainda não tive coragem de jogar fora. É uma foto que eu roubei do apartamento dele - ele a detestava e a jogou fora, mas eu a retirei cuidosamente da lixeira enquanto ele estava no banheiro. E é nesse momento que Remus aparece.
- Olááá, meu pequeno raio de sol! A família estava me contando sobre os oficiais de justiça. Então as coisas são piores do que pareciam. Se é que isso é possível. - Ele senta-se na cama. - Como você está se sentindo? - e az uma careta, indicando que acha que a resposta é "não muito bem".
- Não muito bem.
- Que parte da história a incomoda? O seu ex-namorado levar você para a cama para obter informações, ou tê-lo ajudado a derrubar um império? - Sabe, há momentos em que Remus não é muito engraçado.
- Um pouco das duas.
- É como ter azar em dobro, não é?
- James foi mais gentil do que eu esperava quando expliquei tudo. Eu tinha certeza de que ele iria ficar furioso e me despedir.
- Bom, ele poderia ter feito isso. Você acha que Amus pensou nisso? Que você poderia mesmo perder seu emprego? - Isto não é bem uma pergunta, ele só está tentando aumentar minha raiva contra Amus.
Ele olha para a foto.
- Me dê a foto, Lily. Me dê a foto.
- O que você vai fazer com ela?
- Vou queimá-la. Não vou deixar que você fique babando por causa de um homem abominável como este.
- Não estou babando por ele. Estou só tentando entender tudo isso - digo emburrada.
- Você deveria estar furiosa!
- Estou um pouco - digo zangada, sentando-me de repente e girando as pernas para ficar ao lado de Remus.
- Um pouco? - ruge ele. - Você deveria estar querendo esquartejá-lo! Meu Deus, eu quero esquartejá-lo! Se não tivesse acabado de pedir demissão daquela porcaria de empresa, estaria fazendo isso agora! E espero que você não o deixe fazer uma coisa dessas e ficar impune.
Na verdade, era exatamente isso o que eu planejava fazer.
- Não - digo com uma vozinha fraca, mudando novamente de posição.
- Você não vai deixar esse cara se safar, vai? Onde está a manifestação daquele provérbio "não há fúria no inferno que se compare a uma mulher furiosa"? Hã?
- O que eu poderia fazer?
- Não sei! Pôr a cabeça de um cavalo na cama dele, grafitar o carro esportivo dele, qualquer coisa!
- Não quero fazer nada disso. Acho que você tem razão, ele não deveria se safar desta impunemente - digo, sentindo-me ligeiramente mais irritada.
- Bom, vamos pensar a respeito. Há mais de uma maneira de se lavar uma alface, como dizemos no mundo do catering. - Não, nós não dizemos nada disso. - Vingança é um prato que deve ser servido frio. Pense em uma vickyssoise.
- Ok, vamos queimar a foto! - digo com certo entusiasmo. Afinal de contas, isto é muito mais divertido do que ficar toda macambúzia.
- Boa menina! - Remus dá um salto, atravessa o quarto e volta com uma lixeira de metal. Ele senta com ela encaixada entre os joelhos. - OK! Você queima! - Ele me dá a foto e o seu isqueiro.
- Ok - Concordo, com um sorriso enorme no meu rosto. Ponho fogo no canto inferior e olho com prazer enquanto as chamas começam a lamber o papel, enchendo o rosto de Amus de bolhas, antes que as chamas consumam tudo. E jogo a foto na lixeira, feliz da vida.
Infelizmente, os algodões embebidos com acetona que usei para remover o esmalte das unhas pegam fogo num estalar de dedos.
- Ai meu Deus! - diz Remus, olhando para a nossa versão em miniatura de Inferno na Torre e deixa a lixeira cair.
- Ai meu Deus - repito.
- Rápido, Lily! Me ajude!
Pulo e procuro alguma coisa à minha volta para apagar as chamas. Corro freneticamente de um lado para outro, mas não vejo nem um pano para abafar as chamas.
- Lily! Depressa, depressa! - grita Remus, com os olhos transfigurados com o espetáculo.
Pego três calcinhas úmidas na minha bolsinha, lavadas pouco antes de sair de casa, e volto correndo. Enquanto penso qual delas prefiro perder para sempre, Remus agarra todas e as joga nas chamas. Olho resignada, enquanto minhas melhores calcinhas de grife apagam as chamas com sucesso.
- Graças a Deus você tem uma bunda grande, Lily - diz Remus, feliz da vida.
Esse não é mesmo o meu dia.
Depois de uma sessão gigantesca de birra, concordo finalmente em descer, porque, como disse Remus, é a única maneira de tomar uma bebida. Levo o celular comigo. Um pouco de coragem alcoólica pode me dar a força que preciso para ligar o maldito aparelho e enfrentar as ligações que, tenho certeza, Moody fez para mim. É claro que ele leu os jornais e vai querer saber quais as implicações do fracasso da aquisição.
Remus segura a porta para mim e descemos juntos para a cozinha.
- Acho melhor não contarmos nada sobre o pequeno incêndio no seu quarto, Lily - diz ele. - A família pode começar a achar que você não gosta muito deles se descobrirem que acabou de tentar incendiar a casa depois de ter estragado sozinha a aquisição. Talvez devêssemos colocar sininhos nos seus tornozelos para avisar as pessoas que você está se aproximando.
Eu o ignoro e ligo para a associação de caridade em vez de cancelar o encontro. Digo a Rose que vou marcar uma nova reunião assim que as coisas ficarem mais claras, garanto que o baile vai ser realizado como foi planejado e desligo antes que ela possa fazer mais perguntas. Desligo novamente o celular, ainda não sou capaz de enfrentar Moody, e sigo Remus em direção à cozinha.
Toda a família, exceto Harry e James que, imagino, ainda estão pescando, está na mesma posição em que os deixamos afundados nas cadeiras ao redor da mesa da cozinha.
- Você e Remus vão voltar para Londres? - pergunta tia Flo assim que colocamos os pés na cozinha. É óbvio que a pergunta que estava na cabeça dela. O resto da família olha ansioso para nós. - Onde você vai fazer as reuniões para o baile?
- Vamos dar um jeito. Posso encontrar Rose e Mary em Bury St. Edmunds amanhã. Mas se James não nos quiser aqui, acho que vamos voltar e tentar arrumar as coisas a partir do escritório em Londres. Caso contrário, gostaríamos de ficar e ajudar. Se pudermos - digo sem jeito. Remus olha nos meus olhos e acena com a cabeça, concordando comigo. Provavelmente eu não conseguiria me livrar dele, mesmo se quisesse; ele parece gostar muito dos Potter.
Assim que termino minha frase, a porta se abre e James e Harry entram com um ar meio desarrumado. Todos nos endireitamos.
- Pensei em uma coisa - anuncia James. - Pode não funcionar, mas vale a pena tentar. Quem quer um drinque? - O homem é um gênio. Duas frases ganhadores do Oscar em um só fôlego.
A dinâmica do grupo muda e fica quase festiva. Monty dá um pulo, esfregando as mãos, e corre para buscar seu uísque envelhecido vinte anos do seu esconderijo secreto.
Eu ajudo a sra. Jones a tirar alguns copos do armário.
- O que você fez nos joelhos, Lily? - pergunta Harry, apontando para os meus adesivos de nicotina. - Eu poderia ter feito os curativos para você. Tenho uma medalha por primeiros socorros.
Fico vermelha e olho para os adesivos feiosos. Tinha me esquecido completamente dele. Estou quase dizendo que são band-aids quando James diz:
- São adesivos de nicotina. Lily está tentando deixar de fumar.
A família me olha surpresa.
- Você fumava, Lily? - pergunta Will.
Abro a boca para responder, mas Remus é mais rápido do que eu:
- Como uma chaminé - ele entoa. Minhas mãos contraem-se involuntariamente ao redor do corpo. Tenho vontade de atirar na cabeça dele. Monty despeja uma dose de uísque em cada copo. Viro o meu em uma golada só e me sinto imediatamente melhor, embora meus olhos comecem a lacrimejar. Acho que estes adesivos podem estar tendo um efeito benéfico em mim, sinto-me positivamente nas nuvens.
Todos saboreamos o uísque em silêncio, até que Monty pergunta:
- Então, o que foi que passou pela sua cabeça, James?
Todos olhamos ansiosamente para James.
- Bom, não garanto que isto vá funcionar. Mas convidei os acionistas americanos para virem nos visitar. Para ver se conseguimos salvar a aquisição.
- Aqui? - ecoa Monty.
- Mas, e os móveis? - diz tia Flo devagarinho.
- Bom, é aí que vocês entram na história. Precisamos mobiliar novamente a casa até amanhã.
- Amanhã?
- Sim. Vou pedir à nossa agência de RP que convide a imprensa para uma visita, amanhã de manhã. Para que possam ver com seus próprios olhos que nenhum oficial de justiça esteve aqui. Os americanos chegam na hora do almoço. - Ele olha firme para todos nós.
- Mas isso é impossível - diz Will.
- E é exatamente por isso que vai funcionar. Quanto mais depressa pudermos virar a mesa, mais difícil será para alguém suspeitar de nós. Se a imprensa vir a casa mobiliada, ninguém vai se atrever a publicar que os oficiais de justiça estiveram aqui, mesmo que os habitantes da cidade digam o contrário. Eles não vão acreditar que conseguiríamos mobiliar novamente a casa tão depressa. A chegada dos americanos vai abafar ainda mais os rumores, mesmo que estejam circulando na cabeça de toda a gente, e podemos, ao mesmo tempo, tentar salvar a aquisição. Alguma pergunta? - Ele olha ao redor da cozinha.
Tenho uma dúzia de perguntas para fazer, mas não sinto a mínima vontade de fazê-las, já que fui eu quem botou todo mundo nessa confusão. É uma tarefa interessantes, considerando-se que a nossa equipe é formada por dois velhotes aposentados, um escoteiro e uma governanta implicante. E Remus, que, na melhor das hipóteses, é um risco. Acho que todos estão completamente abobados, o que James parece considerar como um sinal de aceitação.
- Excelente! Tenho milhões de coisas a fazer! Já chamei minha equipe e eles estão a caminho, vindo de Londres. Têm certeza de que querem ficar, Lily, Remus? - pergunta James antes de sair da cozinha.
Remus parece completamente encantado com o plano, portanto James volta sua atenção para mim. E eu surpreendo a mim mesma ao fazer um firme aceno com a cabeça. Ele me dá um meio sorriso, acena com a cabeça e desaparece, deixando o resto de nós com a tarefa de voltar a mobiliar a casa. Procuro papel e caneta, na esperança de ser completamente invadida por ideias.
- Certo! - diz Monty. - Precisamos da mobília de volta!
- Certo! - repete todo mundo em coro.
- Certo! - diz Monty. Todos nos entreolhamos por um momento. Começo a rabiscar num canto da minha folha de papel. O silêncio continua e eu posso sentir o entusiasmo do grupo esvaziando como um pneu furado.
- Acho que não vamos ser capazes de pegar a mobília que está com os oficiais de justiça - arrisco. - Eles não vão liberá-la antes que James pague ao banco.
- Bom, nós só precisamos mobiliar a entrada, a sala de jantar e a sala de estar para as visitas. Não temos que nos preocupar com a biblioteca ou com o resto das salas.
- E os quarto estão OK, não estão? Eles não levaram nada dos quartos?
- Não, os quartos estão perfeitos.
- E se alugarmos os móveis?
Monty bate animadamente na mesa.
- Sim! Vamos alugar! Lily, vá pegar as Páginas Amarelas!
Corro até o escritório, abro a porta silenciosamente e encontro James conversando animadamente ao telefone. Tiro as Páginas Amarelas da pilha de despojos no canto da sala e corro de volta para a cozinha. Procuramos anúncios de aluguel de móveis, descartamos alguns porque estamos procurando por mobília "antiga" e encontramos um anúncio discreto de uma loja chamada Merritt and Son que promete ter antiguidades de qualidade.
Monty disca o número enquanto todos ficamos sentados ao redor, esperançosos. Ele explica que foi deixado na mão por outra empresa e que precisa mobiliar três salas até amanhã. Pelas várias respostas, adivinhamos que isso não é problema e que a empresa pode fazer uma entrega amanhã se quisermos. Olhamos uns para os outros aliviados, e eu me encosto no espaldar da cadeira. Mas, quando Monty começa a explicar que temos uma caminhonete e que vamos retirar a mobília nós mesmos, o tom da conversa muda. Todos franzimos a testa e Monty diz que volta a telefonar e desliga.
- Eles não nos deixam retirar a mobília porque precisam ver para onde ela vai. Suponho que têm medo de que possamos dar identidades falsas e fugir com os móveis. Além disso, a mobília fica sem o seguro se nós mesmos a retirarmos.
- Eles não podem entregá-la? - pergunta tia Flo.
- O problema é que não queremos que eles vejam para onde vai a mobília, para não corrermos os riscos deles falarem com a imprensa. E se os moradores da cidade ou jornalistas virem caminhonetes na estrada, vão somar dois mais dois.
- Não teríamos o mesmo problema se fôssemos buscá-la?
- Pensei em alugar uma caminhonete e pegar uma estrada vicinal para chegar aqui, evitando completamente a cidade. Pode-se vir através dos bosques.
- O pessoal do aluguel da mobília não pode vir através dos bosques?
- Assim ainda ficamos com o problema deles falarem com a imprensa. E vai parecer muito suspeito se pedirmos para virem pelos bosques. Eles saberiam que estão vindo para Hogsmeade.
Sentamos abatidos e pensamos em silêncio. Ninguém diz em voz alta o que todos pensam: vamos conseguir fazer isso?
Mais um capítulo para vocês! Não é exatamente o mais excitante da história, mas agora ficou comprovado que Amus Diggory é passado, e James Potter (sendo a fofura que ele é), futuro.
LaahB: Ai, eu sei como você se sente! O maior problema dessa fanfic é a falta de romance de Jily, mas a tensão sexual aparece aos poucos, hehe. Para os momentos com ar de romance, falta pouco. Agora, para a pegação descarada, vai ter de esperar um pouquinho :c
bitemealienboy: O James é um amor, eu sei, eu sei. Ahh, não se preocupe que daqui a pouco começa a pintar clima romântico entre eles, e você provavelmente vai ter vontade de socar alguém de frustração porque os dois ficam enrolando e fazendo doce. Bom, sabe como Jily é, né?
Inté,
Julia
