CAPÍTULO XVIII

Aparentemente, cair em um lago completamente vestida é a melhor coisa para fazer uma tomada hostil correr às mil maravilhas. Isso não deve estar em nenhum livro de administração de empresas. Depois de ter lavado o cabelo, trocado de roupa e ficado vermelha inúmeras vezes só com a recordação da cena, começo a organizar o almoço. A Sra. Jones está ocupada na cozinha, preparando um festim de bolinhos de siri com molho cremoso de raiz-forte e endro, pargo assado com alcachofras e batatas Dauphinoise e frutas silvestres com molho de chocolate branco (completo, com folhinhas de hortelã e tudo, mas é bom lembrar que a Sra. Jones é uma chef). Harry está sentado a uma das pontas da mesa da cozinha, balançando as pernas e comendo bolinhos recheados (esses parecem ter sido comprados na loja, a menos que a Sra. Jones, além de ser uma chef fantástica, também tenha criado uma embalagem própria e um logotipo). Eu posso estar me dando melhor com ela agora, mas ela ainda me apavora. Até mais do que antes, se isso é possível. Na minha experiência, chefs são pessoas com personalidades perigosas e voláteis, prontas a pegar o primeiro facão de açougueiro que tiverem na sua frente.

Os visitantes voltaram do lago e estão comendo aperitivos na sala de estar. Will me informa com ar divertido que a minha queda foi o detalhe que faltava para reunir o grupo, e que depois que eu saí todo mundo quis experimentar o esqui aquático. Na verdade, a atmosfera do ambiente é quase de festa. Preciso me lembrar disso, para meus próximos eventos.

Durante o almoço, todos se aproximam de mim como se fossem velhos amigos. Os americanos apertam várias vezes meu braço e riem às gargalhadas. Provavelmente estão rindo à minha custa, mas eu, enrubescida, levo tudo na esportiva. Não é difícil, já que eles são muito bem-humorados. Com o coração um pouco menos apertado, volto para a cozinha.

Tia Flo me emprestou um vestido um vestido preto para a noite. É absolutamente maravilhoso, incrivelmente elegante e tremendamente clássico. As alças são delicadas correntes prateadas que se prendem atrás do meu pescoço como uma frente-única e descem pelas minhas costas, terminando em bolinhas de cristal que batem contra minhas omoplatas enquanto ando. O resto do vestido é muito simples e tem um corte excepcional, com fendas dos dois lados que vão até o alto das coxas.

Estamos um pouco atrasados e eu começo a me sentir estressada. A Sra. Jones está aborrecida com algo e está fazendo um barulhão batendo panelas e frigideiras. Monty cria o maior drama sobre juntar-se a todos no jantar, usando a saúde como desculpa, e tia Winnie tem que trancá-lo no quarto para que ele mude de roupa. Não vi Flo desde que ela apareceu com o vestido hoje cedo, o que é muito incomum, e espero que ela não tenha sido devorada por Poppet ou coisa parecida.

Visto-me depressa, prendo o cabelo e coloco meu celestial par de sandálias de tirinhas. São as mesmas que usava quando conheci Amus, penso amargurada, sentando-me e começando a árdua tarefa de enrolar as tirinhas de couro ao redor dos meus tornozelos como se faz com as sapatilhas de balé (infelizmente as semelhanças terminam aqui). Meg está revirando o guarda-roupa, enterrando outro de seus biscoitos caninos.

Estou pronta para amarrar a outra sandália, enquanto admiro minhas unhas recém-pintadas, quando ouço alguém chamar meu nome e vejo Remus entrar correndo no quarto.

Sem ao menos dizer um "oi", ele agarra meu ombro com firmeza e me ergue da cama como um daqueles pequenos rebocadores que puxam transatlânticos, me vira e me empurra para fora do quarto. Resisto com força, pegando a sandália do chão acarpetado e dizendo:

- Remus, que diabos está fazendo?

- Lily. Você tem que vir. Agora - ele sibila e me puxa. É tarefa dura, esta. Eu sou um peso-pesado.

- O que aconteceu? - pergunto assustada. - Deus, foi com a Flo? Ela está bem?

- Ela está bem. Mas a aranha desapareceu.

- Desapareceu? O que quer dizer com isso? - Dou um gritinho esganiçado, pensando primeiro na minha covarde pessoa.

- Desapareceu para ir tomar uns drinques com os amigos no bar. CLARO QUE EU QUERO DIZER ELA SUMIU! Tia Flo procurou por ela o dia todo.

- Jesus! Ela pode estar em qualquer lugar agora! - Começo a mancar freneticamente, com uma sandália ainda na mão.

- Sim, mas esse não é o problema.

- Não? Tem certeza? Porque isso parece com um problema para...

- Não. Fui ajudá-la a procurar pela aranha... - Ele ofega enquanto passamos em disparada pelas portas no fim do corredor em direção à ala onde Monty e Flo vivem -... e ela estava desesperada. Aparentemente, ela apenas deixou a aranha sair para dar uma volta e ela desapareceu... - Chegamos ao quarto de Flo e batemos na porta.

- E qual o outro problema? - pergunto.

- Entre e veja - ele diz de modo sombrio. Flo abre a porta.

- Olá, querida! O vestido ficou lindo em você! Vejo Harry de quatro no canto.

- Eu prometi dez libras se ele a encontrar - murmura Remus.

- Uma sandália só? Nova moda? - pergunta Flo. Eu levanto a outra sandália e ao mesmo tempo digo:

- Tia Flo, ouvi dizer que Poppet sumiu.

- Desculpe?

- EU OUVI DIZER QUE A ARANHA SUMIU!

- Shhh! - sibila Remus. - Alguém vai ouvir você.

- Sim, querida. Ela já fez isto antes - diz tia Flo.

- Verdade? - digo com voz esganiçada. - Recentemente? Nas últimas semanas? - Li em algum lugar que uma pessoa chega a engolir dez aranhas por ano enquanto dorme. Surge o ridículo pensamento na minha mente de que eu posso ter, sem querer, engolido Poppet enquanto dormia. Mais uma vez pensando no meu precioso pescoço. Remus me dá uma cotovelada violenta nas costelas.

- Eu a levo para passear todas as manhãs - Outra imagem ridícula surge na minha mente: tia Flo passeando pelos jardins com a aranha presa em uma correia vermelha.

- Hã, desculpe?

- EU DISSE QUE A LEVO PARA PASSEAR TODAS AS MANHÃS.

- Shhh - Remus sibila novamente. Enfio apressada alguns centímetros do meu vestido na minha calcinha e me equilibro em um pé só. Não quero que Poppet me confunda com uma escada.

Remus me dá outro cutucão.

- Este não é o único problema - ele sussurra -, olhe aqui.

Ele me leva até uma cômoda e me coloca na frente dela. Levanto novamente meu pé.

- O quê? - pergunto.

- Aquilo - ele sibila e aponta para uma urna de aparência inofensiva.

- Que é que tem?

- Eu já a vi antes.

Será que Remus ficou maluco?

- Viu? - pergunto com cuidado, ainda olhando em volta, muito mais preocuapda com a aranha do que com Remus.

- Eu a levei para o quarto do Sr. Fudge.

Nesta altura eu estou completamente confusa.

- E daí? Ele tem uma igual a esta. É estranho que ele a carregue com ele, mas...

- É a mesma urna - sibila Remus. Franzo as sobrancelhas.

- Como você sabe?

- Eu carreguei esta porcaria, sua burra. Você me mandou fazer isso. E era isto aqui que estava dentro daquela caixa de madeira que eu carreguei. Dê uma olhada... - Eu me inclino cautelosamente e ergo a tampa. A urna está cheia de uma estranha substância cinza. - São as cinzas da mãe dele. Ele me disse que as carrega para todo lado. Ele me puxou de lado para perguntar se a casa era segura. - Remus olha para mim com os olhos esbugalhados com a implicação da última palavra.

Que droga! Fecho a tampa com um sonoro "tum" e me viro para olhar para Flo, que está deitada no chão, olhando debaixo do sofá.

- Hã, tia Flo?

- Ainda não a vejo... - ela murmura.

- Tia Flo? - digo novamente. - Hã... - Ela não está prestando atenção em mim e eu me deito no chão ao lado dela. Na verdade, deitar não me faria mal algum. - Tia Flo? Onde você conseguiu esta linda urna? - pergunto, na posição horizontal, com uma certa urgência.

- Humm? Ah, aquela? Eu a achei. Bonita, não é?

- Quando? Quando a encontrou?

- Hoje, enquanto procurava por Poppet. Estava em uma caixa de madeira. Remus, seja bonzinho e levante o sofá.

Deixo Remus levantando o sofá e saio pulando em um pé só, como nunca fiz antes.

Encontro James na sala de estar com o resto da equipe. Todos me olham surpresos enquant entro pulando que nem um saci, mas eu tenho outras preocupações na cabeça.

- James? Posso falar com você por um segundo?

- Hã, claro.

- Em particular? - As sobrancelhas erguem-se ainda mais. Vou saltitando pelo hall de entrada até o escritório ainda vazio e despenco sentada em um pufe. Eu falo correndo, comendo as palavras, explicando toda a triste história, mas deixando de lado a parte de Poppet ter desaparecido, enquanto tento desesperadamente calçar a outra sandália.

- Veja, eu tenho certeza de que ela não quis roubá-la. Ou pegá-la. Ou... ou... qualquer outro verbo que você queira usar. - Não quero acusar a tia favorita dele de ser uma ladra, e não sei bem como James vai reagir.

- Ela tem o hábito de pegar coisas - ele diz devagarinho.

Eu pisco nervosamente.

- O que você quer dizer com um hábito? Como, hã, um hábito cleptomaníaco?

- Bom, se você quer usar um termo técnico. Nós simplesmente vamos até o quarto dela uma vez por mês e pegamos nossas coisas.

- Ela é cleptomaníaca?

- Lily, todas as famílias têm suas idiossincrasias.

- Isto é uma idiossincrasia? Na verdade, agora que penso a respeito, não encontro meu sutiã branco.

- Mesmo? - Ele pisca rapidamente, seus olhos indo instantaneamente na direção do meu busto.

- Seja como for, você não acha que deveria ter me avisado a respeito disso? - disparo depressa para sair do assunto do sutiã.

James parece surpreso.

- Tinha me esquecido completamente disso. É algo normal para nós em casa. Na verdade, pensei que todas as tias idosas fossem iguais.

- A minha tia Winnie não!

- Bom, ela não é uma tia como as outras, é?

- Ela nunca surrupiou algo.

- Ah, eu não diria isso. Ela roubou três salas cheias de antiguidades.

- Ela não roubou, ela pegou emprestado para salvar seu lindo pescoço!

Ele ergue as sobrancelhas ao ouvir isto.

- E o seu pescoço também.

Quase caio na gargalhada. De alguma maneira a conversa perdeu o rumo. Mudo rapidamente de direção, dizendo:

- Nâo vou começar a debater o assunto tias com você. O que vamos fazer com a urna?

- Ah, sim, a urna.

- Onde estão os convidados? - pergunto.

- Nos jardins. Passeando antes do jantar. Alguns já devem ter ido mudar de roupa.

- Então o Sr. Fudge já pode ter notado que a urna sumiu.

- Também pode não ter visto nada.

- Não vai ficar bem, vai? Um item precioso retirado do quarto dele.

- Não, acho que podemos dizer com segurança que não vai ficar nada bem.

- Ele pode querer chamar a polícia ou fazer um escândalo, a urna parece bastante valiosa.

- Isso seria um banho de água fria nas negociações - Remus entra desembestado na sala. - Temos que colocar a urna de volta.

- Ok! Mas e se ele já deu pela falta dela?

- Bom, a tia Flo tirou a urna de dentro da caixa de madeira, que ainda deve estar no lugar; portanto, se ele não olhou dentro da caixa, está tudo bem. Além disso, se tivesse percebido já teria dito algo. Se ele pegar você colocando-a de volta, podemos dizer que foi levada sem querer... para limpeza. - Das trinta e poucas palavras desta frase, uma em particular chama a minha atenção.

- O que você quer dizer com "você"? Não vou colocá-la de volta.

- Não posso fingir que a urna foi levada sem querer. Ele a mostrou para mim e disse que continha as cinzas da mãe dele - diz Remus. Olho para ele com os olhos apertados. Que desculpa mais esfarrapada.

Estou absolutamente aterrorizada.

- Eu? Por que eu? Por que não Harry? Isso deve valer umas dez libras - choramingo. Não sou a pessoa mais corajosa do mundo e não tenho nenhum escrúpulo em mandar um escoteiro inocente fazer o trabalho.

- Muito jovem - diz James.

- Que tal Monty? - continuo, determinada a não ser enrolada.

- Muito velho.

- A Sra. Jones?

- Muito ocupada. Ela está cozinhando para vinte pessoas.

- E que tal o fato de eu estar muito assustada? Ou extremamente nervosa? Que tal isso para mim?

- Ahhh, deixa disso, Lily! Não vai ser difícil! - diz Remus encorajadoramente.

- Flo? - contra-argumento. - Foi ela que tirou, ela que ponha de volta!

- Provavelmente ela vai pegar outra coisa enquanto estiver lá - diz James.

- E que tal você? - retruco.

- Não posso ser pego em um quarto dos hóspedes.

- Isto é muito conveniente - retruco irritada.

- Devo dar uma bofetada em você, Lily? - pergunta Remus, esperançoso. - Você parece estar um pouco histérica.

Dou uma olhada para Remus, que indica claramente que ele vai ser o esbofetado se continuar enchendo o saco.

- Deixa disso, Lily - Os dois homens me levantam.

- Mas e se ele me pega? O que é que eu digo? - choramingo.

- Diga que você a encontrou no andar térreo, que sabia que ela não pertencia à casa e que descobriu que havia sido removida por engano do quarto dele. - Os dois estão me empurrando para o hall agora.

- Onde eu a coloco? Onde ele a deixou?

- Dentro da caixa de madeira que coloquei no criado-mudo quando levei tudo para cima - diz Remus. - Ficarei de guarda do lado de fora e assobio se alguém aparecer. Precisamos esperar até ele ter descido para o jantar.

- Obrigado, Lily. Você salvou a nossa pele - bufa James, quase me arrastando pelo hall de entrada. - Vou ver tia Flo enquanto vocês dois estão cuidando do outro assunto.

- NÃO! - Remus e eu gritamos ao mesmo tempo, e nós três paramos.

- Hã... - Eu e Remus olhamos um para o outro. James não sabe sobre a aranha.

- Só que seria melhor se ela estivesse conosco e não andando pela casa surrupiando outras coisas - gaguejo.

- Por quê?

- Bem... - Penso um pouco sobre dar cobertura a Flo, mas decido que uma tarântula e uma mãe em forma de cinzas são coisas demais para cuidar em uma só noite. Se Poppet vai continuar fazendo seu passeio pela casa, talvez seja hora de James saber sobre ela. - Flo tem um bichinho de estimação.

- Um bichinho de estimação?

- Sim. Um tipo de aranha.

- Uma aranha de estimação.

- Uma aranha de estimação?

- Bom, é mais uma tarântula.

- Poppet? Meu Deus! Eu pedi a ela que se livrasse daquela coisa medonha!

- Ela provavelmente sente-se só! Pessoas idosas precisam de animais de estimação! - digo como defesa.

- Lily, como é que alguém pode sentir-se solitário nesta casa? Além do tempo em que está dormindo, você já teve um minuto de privacidade? E, caso não tenha notado, temos cerca de mil cães sujando o lugar. A aranha precisava ir embora porque a Sra. Jones recusava-se a limpar o quarto dela e vivia desmaiando sempre que Poppet saía para dar uma volta.

O comentário faz com que eu aborde o ponto seguinte.

- É muito engraçado que você mencione isso. Você vai morrer de rir...

- Ela fugiu de novo, não foi? - Ele parece bastante cansado.

- Hã, sim.

- Ela está sempre escapando.

- Bom, ela provavelmente fica meio cansada de ser chamada de Poppet, não é? Não é o melhor nome para uma feroz tarântula das ruas - declara Remus. - Puxa, acontece de tudo no campo, não é? A vida urbana começa a parecer terrivelmente pacata!

- Conseguindo material suficiente para o seu livro? - pergunto sarcástica.

- Suficiente, obrigado!

- Certo - James diz de modo decidido. - Vocês dois vão colocar a urna de volta, eu vou ver tia Flo.


Depois de trabalhar sete anos para uma das empresas mais finas de catering de Londres, cá estou eu, parada de modo suspeito do lado de fora do quarto de um hóspede segurando uma urna cheia de cinzas. A vida é mesmo engraçada. Remus e eu fingimos estar olhando algo muito importante do lado de fora da janela.

- Por que o Sr. Fudge anda por aí carregando as cinzas da mãe, Rem? - pergunto de repente.

- Boa pergunta, Lily, e não há dúvidas de que em outra hora este será um assunto que adoraria discutir com você em profundidade. Mas acho que devemos nos concentrar no problema principal e não nos desviarmos dele. Não importa o que o Sr. Fudge faz com essa porcaria, o problema é que você precisa devolvê-la para que ele possa continuar fazendo.

- Bom argumento.

- Tem certeza do que vai fazer?

- Claro como cristal. Quer dizer...

- Qual é o problema?

- O plano parece um pouco simples demais para o meu gosto.

- Lily, querida, eu sei que você adora complicar as coisas ao extremo e, de novo, poderemos discutir isso mais tarde, mas o plano é simples porque é simples. Então, vamos recapitular. Fico aqui do lado de fora, montando guarda, e se vir alguém vindo darei um assobio. E o que acontece então?

- Saio correndo.

- Alguma pergunta?

- Sim.

Remus revira os olhos perigosamente e murmura algo entre dentes.

Não consigo perguntar nada das inúmeras perguntas da minha lista porque naquele momento o Sr. Fudge sai do quarto e começa a andar pelo corredor em nossa direção. Com uma voz bem alta começo a explicar para Remus as várias tarefas que precisam ser executadas no jardim. Felizmente, o fato de que só começou a escurecer agora e eu já estou usando um vestido de gala não parece perturbar o Sr. Fudge. A urna está escondida atrás de uma das cortinas. Nós nos cumprimentamos, com muita jovialidade por parte dele, muitos apertos de mãos e comentários sobre esqui aquático, que, felizmente, significam que ele não percebeu que sua preciosa urna está desaparecida.

Assim que ele some escadaria abaixo, eu sigo em direção ao quarto dele, com a urna nas mãos. Remus começa a tirar o pó de alguns bibelôs de mesa com seu lenço.

Abro suavemente a porta do quarto do Sr. Fudge, entro e fecho-a atrás de mim. Vou correndo para o criado-mudo, enfio a urna dentro da caixa de madeira e estou pronta para sair correndo quando um pensamento cruza a minha cabeça. Odeio quando isso acontece.

Será que eu não conseguiria achar algo que pudesse ser usado nas negociações? Ajudar James? Uma imagem de mim mesma salvando Hogsmeade sozinha e, consequentemente, me libertando do peso esmagador da culpa invade minha mente.

Meus olhos se estreitam quando vejo uma pasta executiva preta no alto do guarda-roupa. Não vai fazer nenhum mal dar uma olhadinha nela. Em um impulso, pego uma cadeira e a arrasto para a frente do guarda-roupa. Estou me equilibrando nas pontas dos pés e quase alcançando a pasta quando uma voz do além diz:

- Como vai indo?

Dou um grito alto como o de uma cacatua, me desequilibro e caio no chão.

- Meu Deus, Remus! - rosno sentada, esfregando meu ombro. - Caramba, o que há de errado com todo mundo? Por acaso eu dou a impressão de precisar de mais estresse? O que está fazendo?

- Vim ver se estava tudo bem. Você demorou tanto aqui dentro que achei que tinha virado budista.

- Eu ia dar uma olhada nesta pasta - sibilo -, para ver se há algo nela que possa ajudar James.

- Meu Deus, Lily, você está ficando completamente imoral! Que maravilha! Vá, continue!

- Volte para fora e fique de guarda.

Ele sai rapidinho do quarto, e eu volto a subir na cadeira. Ao fundo, um casal de gafanhotos começa o aquecimento vocal, que sempre acontece nesta hora da noite. Eu os amaldiçoo silenciosamente e continuo o trabalho. Olho de vez em quando para a porta, pego a pasta e tento abri-la. Está trancada. Droga.

Depois de colocá-la no lugar, desço o mais suavemente que posso da cadeira, coloco-a no lugar e dou uma rápida olhada ao redor. Estou prestes a desistir de tudo e dizer que não deu certo quando vejo alguma coisa muito peculiar. Aos pés da cama está algo que parece uma bolinha de pelo. Ajoelho-me perto dela e estico a mão para tocá-la. Ela se encolhe. Com mil demônios! É Poppet!


Esse e o próximo são os meus capítulos favoritos de toda a história, espero que vocês gostem deles também! Agora com a Poppet à solta, Lily e James vão ter que se juntarem, não é mesmo? Com o Remus de vela, é claro. Eu sei que fiquei um tempo sem atualizar, mas eu fiquei um pouco desanimada com as poucas reviews e os poucos seguidores novos. Se gostarem, digam para mim, sim?

bitemealienboy: Eu sigo a Amanda pelo twitter, ela é uma das celebridades mais fofas atualmente. Eeei, você também tem tumblr? Qual a sua URL? Sim! O Mark Gatiss twittou que até a quinta temporada de Sherlock já está meio preparada. Quer dizer, faltando aqueles pequenos detalhes, como o roteiro e a gravação, mas psh. Talvez eu ainda consiga assistir a quinta temporada com os meus netos, se conseguirem fazer tão rápido, porque né.

Svelis: Pois é, eu sempre estranhei como às vezes o James das fanfics UA é um empresário bem-sucedido e sério, mas acaba dando certo, então não reclamo. Sendo esta uma adaptação, eu não pude fazer muito diferente. Mas eu tenho planos para o futuro de adaptar alguma comédia, dessa vez talvez com um James extrovertido e uma Lily mais séria, mais realista aos livros. Com relação a Dora, este é um ponto que ainda vai ser explorado, temos alguns segredinhos reservados para ela, hehe. Eu coloquei o Fudge como o empresário porque, como originalmente ele é um figurão, resolvi deixá-lo sendo-o aqui também. E, não, nem passou pela minha cabeça colocar a Umbridge aqui. Ew.

Até a próxima,
Julia