"E aí? Vai aceitar o casamento, né?"
A pergunta de Motoki ainda ressoava.
Sua semana havia passado como um furacão. Logo quando acordara no dia seguinte ao primeiro encontro com Mamoru, Usagi descobriu que já era considerada noiva. Não que ela já soubesse dessas conversas tarde da noite entre Ikuko e a senhora Chiba, e aquele dia passara de forma bastante normal.
Tirando o sorriso que não saía de seu rosto, o sabor do beijo que não deixava seus lábios e o endereço de e-mail de Mamoru na tela de composição de nova mensagem que não sumia de seu celular. Mas ela nunca lhe enviara nada, nem um "boa noite".
Depois, as desculpas para falar com ele sumiram, e Usagi passara a se focar no goukon que Makoto estava organizando para conhecerem alguns universitários. Claro que os garotos também achavam que as duas ainda estavam na faculdade, o que deixara Usagi ainda mais animada. Sempre gostara de atuar.
Já era quinta-feira quando ela percebeu um quimono surgir na sua casa. A mãe o estava preparando com cuidado em seu quarto no momento em que Usagi retornou do emprego. Ikuko não era do tipo que gostava de se vestir assim normalmente, por isso a indagação do que seria aquela roupa exposta foi inevitável.
A cor sumiu de seu rosto quando sua mãe informou que os Chiba os visitariam no sábado. Por quê? De alguma forma, a resposta parecia óbvia para sua mãe: "eles querem conhecer a nora, né?" Usagi ainda negou, pontuando que ela só havida ido ao encontro para conhecer o cara, mas que não haveria casamento algum. Não obstante, sua mãe mostrou-se incontornável, pois a própria filha lhe dissera que tudo havia corrido bem e que havia se divertido com Mamoru.
Em que mundo se divertir com alguém lhe rendia uma entrevista entre os pais dos dois!? Mas quinta-feira já era tarde demais para cancelamentos: os Chiba já haviam marcado a viagem desde Quioto para conhecer Usagi.
Se ao menos seu plano de se mostrar uma péssima nora durante o encontro houvesse dado certo... Mas eles eram os velhinhos mais fofos e simpáticos que poderiam existir! Como ser mal criada com eles? No final, a própria Usagi já havia adotado a senhora Chiba como se fosse sua avó. Exceto que ela insistia em ser chamada de mãe.
Após falar com Motoki, Usagi voltou para casa resolvida: precisava ser firme com a mãe.
Quando chegou, no entanto, Ikuko já devia estar dormindo. A mãe havia saído com o marido naquela noite. No dia seguinte, tudo ficaria em pratos limpos. Usagi fora uma boa filha e considerara a oferta. Mas não. Ela não ia se casar com Mamoru Chiba.
Mesmo que ele fosse um par tão perfeito quanto Motoki lhe havia dito. Mesmo que ela estivesse tão encalhada como Makoto sempre lhe lembrava. Mesmo que todo mundo parecesse estar encontrando o amor a seu redor. Haveria outros. Para que ficar com o primeiro? Usagi não era do tipo que se satisfazia com qualquer um.
Mesmo que ele houvesse lhe tirado o ar com apenas um beijo...
Não! Não era hora de pensar no maldito beijo. Foi exatamente isso que desencadeara tudo ao fazê-la duzer que havia tido um bom encontro. Bem, a janta, a sobremesa, os enroladinhos de polvo estavam todos muito bons também... Com certeza, contribuíra.
Um gato. Usagi forçou a se concentrar em um gato preto que normalmente vinha encontrando próximo à sua casa. Ele estava de costas, por isso, a ideia se apoderou dela antes que melhor juízo lhe falasse. Usagi segurou a respiração, aproximou-se silenciosamente e agachou-se para cutucar as costas do felino.
Luna não sabia dizer o que pensou que fosse. Na verdade, ao sentir suas costas serem mexidas, ela achou que pudesse se tratar de Arthemis. Em razão disso, sentiu-se altamente confusa ao se virar e encontrar um humano com os olhos enormes piscando bem próximos dela. E berrou alto, esquecendo-se de sua condição felina para em seguida pulou para bem longe antes de perceber que era apenas Usagi sendo ela mesma.
Houve um silêncio em seguida, e uma olhou para a outra.
- Nossa, eu que levei o susto! – gargalhou Usagi, levando a mão ao peito. – Parecia até que você era um humano gritando, gatinho. – E voltou a rir de si mesma.
Por fim, Arthemis apareceu, provavelmente preocupado com o grito. O gato branco olhou para Luna confuso e, então, miou para Usagi.
- É... pelo visto, até você encontrou uma namorada, né gatinho? – Usagi acariciou a cabeça de Luna. – Será algum sinal pra mim...? – E suspirou.
Os dois a observaram entrar em silêncio. Após, Luna também suspirou.
- Você também pensou que ela tinha lembrado, né? – perguntou Arthemis. – Eu vim correndo todo animado e quase estraguei nosso disfarce.
Luna deu um miado bem leve e pulou até o telhado de cima da casa, de onde podia ver Usagi chegar a seu quarto em segurança.
Usagi desceu apressada para a reunião que Shin Saitou promovia no mesmo restaurante café do outro dia. Makoto já estava lá sentada e a chamou para seu lado.
- E aí? Como foi com os pais dele!? – perguntou instantaneamente.
Após rolar os olhos, Usagi deu um resumo. Acrescentou ainda que estava certa de poder resolver tudo, mas a mãe acabara de lhe fazer uma ligação para avisar que os papéis do casamento já estavam em sua casa, esperando sua assinatura.
- Papéis? Mas já!? E a festa?
- A senhora Chiba sugeriu que cuidássemos das burocracias e depois planejássemos a festa com calma.
- Mas, Usa... Assim que você assinar, já estará casada. Não é como nos filmes em que tem que ir ao altar, dizer sim...
- Eu sei! – Usagi afundou a testa nos braços. – Ainda não acredito que ele simplesmente já assinou tudo. Realmente, eu fico é irritada! – Fechou com força os punhos até sentir as pontas de suas unhas lhe incomodarem.
Makoto estava passando a mão em suas costas quando um dos rapazes do departamento de ambas reclamou com Shin que eles deveriam comemorar contratos em bares, não cafés.
- Bar não, por favor... – protestou a moça com voz baixa, apenas para Usagi.
- Ué, você bebe normalmente, né? – perguntou erguendo as sobrancelhas.
- Não mais! – Makoto olhou ao redor, como se conferindo se alguém estaria ouvindo a conversa. Então, abaixou a cabeça bem perto da amiga e se explicou: - Lembra do goukon que você não pôde ir? Bem, depois a gente esticou pra um barzinho e aí eu acordei no apartamento dum cara completamente pelada! Pe-la-da. Esse cara... nem era do goukon. Duvido que ele fosse universitário, só se for professor! Se bem que ele me lembra de um ex-namorado meu... – Makoto sorriu distraída, mas logo pareceu lembrar-se de o que falava e balançou a cabeça, como se estivesse desaprovando a si mesma. – Ele até me ofereceu café e foi supergentil, mas eu saí disparado de lá assim que me vesti. O que deu em mim? Eu não bebo isso tudo pra ter amnésia! Será intolerância a álcool?
Uma moça loira interrompeu a conversa; era a mesma garçonete em quem Shin ficara de olho na primeira vez em que a trouxera ao local.
- Aqui está seu pedido, desculpa pela demora. – A moça sorriu e começou a enumerar cada item para depois pô-los na frente de Usagi. – Tenha uma boa refeição.
Usagi e Makoto observaram não a garçonete sair, mas o olhar distraído que seu superior lançava à jovem. Em seguida, riram.
- Ele não poderia ser um pouco mais discreto? – cochichou Makoto.
- Ou só convidá-la logo...
- Convidar quem? – Shin perguntou, olhando para as duas diretamente. Apesar de não estar bem a seu lado, ele não estava exatamente no local mais distante da mesa, formada por vários funcionários do mesmo departamento e alguns de fora.
- Ih, desculpa, chefe! – respondeu Makoto, mesmo não parecendo nem um pouco arrependida de nada. – Só estava falando sobre o casamento arranjado da Usagi.
A própria sentiu-se congelar.
- Ué, era segredo? – perguntou Makoto, francamente confusa com a reação.
- Casar? É verdade isso? – Shin pareceu interessado.
Ao sentir todas as atenções desviadas das conversas paralelas para ela, Usagi assentiu com hesitação.
- Algo assim. Bem, eu acabo de conhecê-lo. Não é nada certo...
- Mas você vai deixar o emprego? Seria uma pena, não é nossa funcionária mais brilhante, mas todos gostamos muito de você! – Shin sorriu, apesar de Usagi não estar certa se fora um elogio.
- Não vou. Continuarei trabalhando.
- Ótimo! Ah! – Como se lembrasse algo, Shin bateu nas costas de um rapaz loiro sentado a seu lado. – Por que não fala com o Jadeite aqui?
Usagi só havia visto aquele homem pelos corredores ou na cantina do prédio. Tudo o que sabia era se tratar de mais um dos estrangeiros contratados pela empresa. Provavelmente, também trabalhava em contato com estrangeiros de outras empresas ou algo assim.
- Comigo? – Falando com sotaque óbvio, Jadeite olhou confuso para ambos.
- É, você podia fazer a cerimônia da Usagi com desconto especial, não? – Shin voltou o rosto novamente para ela e se explicou: – A namorada dele mora no templo do avô. – Depois, passou a indicar onde ficava o lugar.
Usagi percebeu já o haver visitado, mas não se recordava de quando. Ao olhar de volta para Jadeite, quase conseguia vê-lo usando roupas de sacerdote.
- Oh e você a conheceu trabalhando lá? – perguntou, ainda tentando se lembrar de ao menos por que estivera naquele templo. Não seria um famoso por algum talismã?
- Eu? – O estrangeiro balançou a cabeça.
- O Jadeite nem é japonês, de tantos trabalhos por que ele iria parar justo num templo? – perguntou Shin, fazendo Usagi perceber como sua pergunta soava tola.
Apesar de ainda conseguir ver um rapaz loiro com olhos azuis como os do estrangeiro à sua frente, Usagi balançou a imagem. Logo passou a se concentrar na comida, já que todos pareciam haver se distraído de seu casamento para começar a perguntar a história da vida de Jadeite até chegar à empresa anos antes.
Continuará...
Notas da Autora:
Eu tinha planejado de terminar este capítulo na primeira cena, mas achei melhor puxar a primeira cena do próximo pra cá e apresentar mais um personagem! Enfim, Jadeite entra na jogada. Por que decidi fazê-lo estrangeiro? A verdade é que a ideia veio de outra fanfic que ainda não terminei. A Usagi tinha um namorado estrangeiro e inicialmente ele ia ser o Jadeite por causa daquele jeitão dele loiro de olhos claros, meio galã e bem desmiolado, rs. Só que o papel dele cresceu taaaanto como namorado da Usagi que ficou meio sem nexo usar o Jadeite e aí troquei pelo Seiya. Ele até virou um estrangeiro mestiço por causa disso. XD
Chega de enrolação minha, mas aguardo comentários. Por favor, não deixem de começar o que estão achando!
