O chão do meu quarto estava abarrotado com roupas jogadas. Eu estava esparramada na minha cama, ainda vestindo meu pijama de verão, apesar de ser meio dia. Meus olhos lacrimejavam, e eu não sabia mais o que fazer. Tomei o celular em minhas mãos.

— Alô? — Ouvi a voz máscula e disposta de James. Ele com certeza já tinha feito mil e uma coisas. James sempre acordava junto com as galinhas.

— James, é uma situação de emergência. — Chorei, fungando baixinho. Ouvi sua risada, o que me enfezou, mas não demonstrei a ira na voz, apenas a dor e a tristeza. — Eu sei que depois de ontem prometi que ia deixar seu sábado livre e eu não estaria ligando se eu não realmente precisasse. Mas é sério, não sei o que fazer, até tentei usar uma faca. — Expliquei, soltando um muxoxo de dor. Ele engasgou com seja lá o que estivesse tomando.

— Meu Deus Lily, o que é que você fez agora? — Tudo bem que eu tinha um histórico meio atrapalhado e duvidoso, mas ele não precisava se dirigir à minha pessoa dessa maneira rude.

— Olha, eu não posso explicar, só mostrar. — Insisti. — Então você precisa vir aqui! Agora! — Praticamente gritei, desligando o telefone em seguida. Aquele seria um longo dia.

Depois do que pareceu ser uma eternidade, ouvi a campainha.

— Está aberta! — Eu gritei a todos os pulmões. Vi, então, a cabeça de James entrar cautelosamente no meu quarto. Como se ele estivesse com medo. Primeiro a cabeleira, depois os olhos, o nariz, e a cabeça inteira. Ele me observou e eu o observei. Lembrei-me de todas as outras vezes em que ele havia me ajudado com uma emergência e segurei o riso. Eu amava a disposição dele para mim – ele sempre estaria lá quando eu precisasse.

— Eu não estou vendo sangue nenhum, só um monte de bagunça. — Ele constatou, entrando no quarto, quando uma onda de entendimento passou pelos seus olhos. — Ah, Lily, você não me chamou aqui pra limpar a sua bagunça, né? — Perguntou, estreitando os olhos, com um tom de irritação na voz.

— Não, James Potter, te chamei porque estou prestes a falecer! — Joguei as palavras contra o ar, exasperada. Ele ergueu as sobrancelhas. Eu não precisava admitir que depois que a emergência fosse resolvida ele me ajudaria sim a limpar a nossa bagunça. Ele se sentou na minha cama.

— Então, me diga a minha função, porque eu ainda não sou adivinha. — Eu hesitei, franzindo as sobrancelhas e murmurei que estava com vergonha. — É o que, Lily? Não escutei. — Ele pediu, sentando-se mais perto.

— Eu to com vergonha, tá, não posso falar. — Levantei meus incríveis e treinados olhos de cachorrinha sem dono, e funguei, deixando uma lágrima escapar. Eu sabia que James estava segurando a risada, o que me deixou com vontade de chutá-lo na cara.

— É pior do que quando eu tive que comprar aqueles tampões pra você no meio do passeio escolar? — Ele perguntou, e ambos estremecemos com a memória.

— Bom, mais ou menos. — Eu podia me lembrar muito bem daquilo, melhor do que eu queria. Apesar de achar que tinha sido pior para James do que para mim. — Quer dizer, acho que não.

— Então, pimentinha, bota pra fora que eu aguento. — Ele pediu, sorrindo. Eu respirei fundo, e vomitei as palavras pra fora de mim.

Eutôcomumaunhaencravada! Tánojento! — Disparei em um tiro só, e ele fez uma careta. Eu sabia que não precisava repetir porque ele já estava acostumado com os meus surtos de palavras alemãs – mais conhecidas como: Frases sem espaço pra respirar, onde as palavras se juntavam formando uma palavra só. Isso acontecia muito, porque às vezes eu tinha medo de perder a coragem, então disparava de uma só vez, embolando tudo.

— Ew, Lily, unha encravada? — Ele perguntou, para ter certeza, e eu assenti, querendo chorar de novo. Aquilo doía que era uma beleza.

— Ontem quando a gente voltou das compras e você me ajudou a trazer tudo pro quarto, eu fiquei mais um tempão de um lado pro outro tentando arranjar espaço pras coisas novas e isso tudo com aquela bendita bota apertada – não me pergunte por que eu não tirei o sapato assassino, você sabe como eu não penso bem com coisas novas no faro — Ele concordou com um aceno de cabeça. — Então, acabei me cansando e sentei pra descansar, e pumba! Lá estava eu dormindo com aquela coisa horrorosa no pé, e hoje de manhã, pra completar, derrubei um quadro bem no dedão, foi tipo uma bola de boliche de 200 kg. — Expliquei, gesticulando. — E aí eu percebi como tava doendo muito, e comecei a cutucar, até usei a faca, mas aí a dor se tornou insuportável e eu ainda não aprendi a ser masoquista e é isso, você precisa ser meu herói de novo. — Terminei, tomando fôlego, enquanto mirava meu amigo que sorria abertamente.

— O que você estava fazendo com o quadro?

— Eu queria dar uma renovada sabe... Mas isso não importa! Vai me ajudar? — Perguntei esperançosa.

— Eu não tenho experiência nenhuma com unhas encravadas, mas posso tentar — Ele retrucou, analisando meu pé com uma careta no rosto. Eu já sentia a dor e tremia por isso.

— Por favor... — Pedi e ele assentiu. Eu lhe entreguei o alicate. Comecei a me sentir em um daqueles filmes medievais de tortura quando ele primeiro cutucou o machucado. E aí eu gritei, muito alto, e comecei a chorar.

[. . .]

Meus olhos ainda estavam vermelhos, assim como meu dedão. A tortura havia durado exatamente trinta e dois minutos. Tudo isso pra arrancar um pedacinho minúsculo de unha. Tudo bem que eu talvez tivesse me exaltado demais em alguns minutos e quase chutado James até a morte... Mas o que é a vida sem um pouco de emoção, não é mesmo?

— Eu nunca mais vou reclamar da depilação. — Comentei, e me arrependi. Eu iria, com certeza iria.

— Eu sei que vai... Mas não foi lá tão ruim, não é mesmo? — Ele perguntou, batendo a mão de leve na minha cabeça como se eu fosse um bom cachorrinho. Rosnei para James, com olhos fuziladores.

— Pra você obviamente não. Mas era eu quem estava lá na mesa de tortura.

— Não seja tão dramática! — Ele revirou os olhos e eu dei de ombros. Não queria começar uma discussão por uma bendita unha encravada. Joguei-me de volta na cama, sorrindo para o meu amigo. Só então pude perceber que ele usava roupas esportivas e um daqueles portadores de iPod ou iPhone no braço.

— Ei, por que está todo vestido desse jeito? — Perguntei realmente curiosa. James era do tipo super esportivo, super mesmo, mas ele sempre tirava os sábados de folga. Ele sorriu presunçoso, também se jogando ao meu lado.

— Já que nós vamos mesmo para Ibiza... — Ele começou, apoiando-se no cotovelo e virando para mim —... Eu resolvi dar uma aumentada nos treinos pra, você sabe, ficar com um físico mais legal. — Soltei um riso.

— Não acho que dois dias com um treino mais pesado vão fazer a diferença. — Retruquei, afinal embarcaríamos segunda feira. — Além disso, meu caro Watson, opinião feminina, melhor do que isso... — Apontei sua barriga que escondia um dos tanquinhos mais bonitos que eu já tinha visto —... não fica. — Finalizei, vendo James rir abertamente. Eu gostava dessa nossa liberdade.

— Ei, eu sou o Sherlock da relação. — Ele reclamou, fazendo um bico exagerado. — Afinal, o Sherlock é com certeza o mais gostoso e o Watson o mais... Cheinho. — Quando escutei a última palavra, minhas narinas inflaram e meu rosto queimou de raiva. Esse filho de uma chocadeira não estava me chamando de cheinha. Ouvi sua gargalhada explodir e em um minuto já estava em cima dele, com um travesseiro sufocando-o.

— Você é um... Um ovo podre de galinha, seu sem educação. — Apertei o travesseiro mais forte, e depois o soltei. — Retire o que você disse, ou vai sofrer as consequências, James Watson Potter! — Gritei, frisando o nome mediano. Ele riu novamente, e eu, em um acesso de raiva, apertei um de seus mamilos. Automaticamente, seus olhos se estreitaram e ele gritou de dor. Eu sorri. — Ah, o doce som da vingança. — Exclamei, e James já estava ficando roxo.

— Ok, Lily, me desculpa, Ai! Você é a menina mais magra e gostosa do mun.. Ai! Me solta, agora! — Ele implorou. Eu prolonguei por um milésimo de segundo a mais, só para mostrar quem tinha o controle, e o soltei. Ele fez uma careta de mágoa, e segurou o mamilo, ainda gemendo de dor. Eu saí de cima dele, batendo uma mão na outra, satisfeita. Quando estava prestes a sair pela porta, eu o olhei ameaçadoramente.

— Eu não estou cheinha, Potter! — E me retirei, respirando fundo. Talvez alguns minutos de esteira não me fariam tão mal.

[. . .]

— Adivinha quem é? — A voz através do telefone soou femininamente alta. Já era noite, mas James ainda estava em casa. Rapidamente rasguei uma folha que estava no balcão, lembrando-me de algo importante. "Ligar para mamãe." Escrevi com letras desengonçadas. Tinha que avisá-la da viagem.

— Hey Lice! — Respondi, animada por poder contar minha novidade. Apesar de amar Alice, ela nunca podia ir comigo a lugares agitados e cheios de... hm... vida, porque já era comprometida. Ela e Frank Longbottom namoravam há praticamente oito anos, começaram muito cedo e ainda estavam apaixonados. Eu não entendia como. E quando eu a questionava, ela retrucava com: "E você e James? Se aguentam desde quando eram pequenos!" E eu explicava que era muito diferente. Eu e James não tínhamos qualquer tipo de envolvimento romântico. Observei enquanto ele mordia mais um pedaço da pizza que havíamos pedido e assistia vidrado um episódio de Game of Thrones. Mordi o lábio. Não que eu nunca tivesse pensado em dar uns amassos com esse garotão, mas, quero dizer, com um cara gostoso desse sendo seu melhor amigo, qualquer um teria essa vontade de vez em quando – sim, qualquer um, e não uma, porque tenho certeza que alguns meninos também estariam louquinhos por James. Mas era só isso, vontade, e isso passava.

— Alooou? Terra para Lily Evans? — Minha amiga me tirou da minha distração, e eu suspirei.

— Sim, oi Lice! Desculpe, estava pensando. Então, qual a boa?

— Eu provavelmente não deveria falar isso por telefone, maaaas você sabe como eu amo falar no telefone, não é mesmo?

— Eu que o diga! — Respondi, lembrando-me de todas as horas que eu passava com ela nesse aparelho, o que na verdade se tornava muito útil. Apesar de vivermos não mais do que a meia hora de distância, era difícil nos encontrarmos.

— Pois é, então, eu tenho uma surpresa! É melhor você se sentar! — Ela exclamou, a voz subindo um tom mais alto, e eu sabia que deveria ser coisa das boas.

— Desembucha logo então! Já estou curiosa. — Esse, aliás, era um dos meus maiores problemas. A curiosidade.

— Ok...! — Ouvi sua voz um pouco abafada e soube que ela tinha se afastado do telefone, provavelmente combinando algo com Frank. Ela voltou a se aproximar. — Aliás, você está com James? — Perguntou e eu ergui uma sobrancelha desconfiada.

— Sim, mas o que isso tem a ver com sua surpresa? — Pude imaginar ela dando pulinhos de alegria quando ela soltou uns gritinhos.

— Ótimo, perfeito, maravilhoso. Você precisa chamá-lo e colocar no viva voz.

— Oh, Deus, Alice, o que você está aprontando? — Reclamei, chamando James logo em seguida. Ele reclamou por ter que desgrudar os olhos da TV, mas prontamente atendeu ao pedido, quando eu disse que Alice tinha uma surpresa. Ele era tão, senão mais, curioso quanto eu. Apertei o botãozinho de viva voz.

— Eai Lice! — James disse de boca cheia e eu fiz uma cara de nojinho forçada.

— Per-fei-to! — Ela gritou e eu achei que minha amiga ia explodir de entusiasmo em alguns minutos. — Bom, meus dois queridinhos, eu e Frank que inclusive está aqui atrás de mim, gostaríamos de dizer que vocês são os dois primeiros a saber disso... — Ela fez uma pausa dramática. — EU E FRANK VAMOS NOS CASAR! — Ela gritou, e eu arregalei os olhos. James escancarou a boca, e eu pude ver todo o pedaço de pizza que ele estava mastigando. Eca. Mas meu Deus, minha melhor amiga ia se casar! E ela tinha apenas 25 anos!

— Puta que pariu! — Foi à primeira coisa que me veio à mente pra quebrar o silêncio. Oh, genial Lily. — Quero dizer... Caralho. — Tentei concertar, mas caramba! Ela ia se casar. Retive o meu impulso de perguntar se ela estava certa disso, porque tenho certeza que soaria meio indelicado. Mas eu não sabia o que falar. Não que eu não gostasse de casamentos! Eles eram, geralmente, muito legais e cheios de amor, o que era uma fofura. Mas... ela só tinha 25 anos!

— Meus sinceros parabéns, Lice! Isso é ótimo, caramba! — James me salvou, dizendo o que eu provavelmente tinha de dizer. O que me surpreendeu é que ele realmente parecia feliz com aquela notícia! Não que eu não estivesse, é claro. Mas James esbugalhou aqueles malditos olhos maravilhosos e sua expressão era super sonhadora. Estranho. Fui pega encarando-o e ele logo mudou a expressão, espelhando a minha – total choque.

— Ai, eu sei! — Alice finalmente respondeu, ainda gritando. — Não é maravilhoso? Pois bem, Lily, amanhã às três estarei na sua casa pra contar tudo. Mas eu precisava adiantar! Lily e James, vocês terão a honra de ser um dos casais de padrinhos! — Meu queixo caiu mais ainda. O que não deveria acontecer. Quer dizer, nós éramos melhores amigas, acho que era de se esperar que eu fosse sua madrinha.

Aimeudeus vai ser uma honra, Lice! — Finalmente consegui dizer algo que prestasse. — Mas realmente, é bom que você venha pra gente conversar! — Mordi o lábio, perdendo-me em pensamentos e deixando que James conversasse um pouco com a noiva. Isso seria muito estranho

— Então está combinado, beijinhos meus queridos, até amanhã! — Alice desligou sem me dar chance de dizer tchau. Fiquei alguns instantes ainda encarando o telefone, quando a risada do ser ao meu lado despertou-me novamente para à realidade.

— Tira essa expressão de choque do rosto, Lils! — Eu sorri com o apelido, era o que eu mais gostava. — Era, há tempos, óbvio que os dois iriam se casar.

— Eu sei... Mas tão cedo? — Perguntei, ainda um pouco confusa. Ele me puxou pela manga da camiseta até o sofá.

— Quando o amor bate na porta, minha cara, não há como escapar. — Ele recitou de forma tão profunda, que eu acabei me perguntando se James já se apaixonara alguma vez. Descartei quase imediatamente a ideia. Eu saberia se isso tivesse acontecido. Com certeza. Dei de ombros mentalmente, e relaxei meu corpo no sofá, jogando minhas pernas sobre as de James. Eu tinha muita coisa pra pensar até amanhã.


n/a: E aí gente! Mais uma vez me desculpo caso hajam erros!

Começaram as trapalhadas da Lily haha Eu, particularmente, amo ela assim, doidinha e toda livre leve e solta, e vocês, o que acharam? Como será que vai ser esse casamento? E só a Lily mesmo pra chamar uma unha encravada de emergência! haha E esse James... Ai, Merlin podia ser bonzinho e enviar um desses pra mim kkkk

Queria agradecer muito a quem favoritou a fanfic ou tá acompanhando, e ao pessoal que deixou os reviews, saibam que isso me ajuda muito!

kitti: Oi flor, muito obrigada por ter vindo e lido! haha também me divirto escrevendo, espero que você goste, beijos!

Ritha P.B. Potter: Muito obrigada! Espero que nãos e arrependa! haha beijos

nathalia-potter: Ai, que bom! Eu também adoro, por isso resolvi escrever! hahaa Muitissimo obrigada e espero que você goste! beijinhos

é isso aí gente, relembrando a campanha: 1 review = 1 autor feliz, então, comentem! hehe

Até o próximo capítulo! Beijinhos, luuv.