CAPÍTULO 8: A MAIS EVITADA DE TODAS AS CONVERSAS - SAKURA
_ Sakura? – chama minha mãe, de longe, quando entro em casa.
_ Sim, sou eu, mamãe – anuncio.
Estava quase na metade da escada, quando ela aparece na sala, vestindo um quimono cor-de-rosa claro, todo florido em minúsculas e delicadas estampas, e tentando arduamente prender o cabelo na cabeça com dois palitinhos. Aquilo era tudo, menos um coque; e minha mãe sabia disso. Pôs-se ao pé da escada exatamente como sempre costumava fazer: de costas para mim segurando a bagunça em sua cabeça com as duas mãos. Voltei até o penúltimo degrau, que era para ficar numa altura boa para ajudá-la, e transferi seu cabelo amarrado junto com os pauzinhos de sua mão para a minha, enquanto dizia, em tom de brincadeira mesclada com carinho:
_ Não sei como você se virava sem mim.
_ É por isso que eu tinha o cabelo curto – rimos juntas por um tempo.
_ Está certo... – concentrei-me na maçaroca para poder tirar os prendedores dali sem machucá-la e o que vi me assustou mais que surpreendeu – Mas... Okaasan!
_ O quê?
_ Hashis?
_ Ah, Sakura, você sabe que eu nunca me dei com essas coisas... Perdi meus palitos de novo! – ela soava como uma criança desapontada, tanto que fiquei com vontade de ver o biquinho que ela com certeza fazia em sua boca.
_ Estão limpos pelo menos? – provoco-a enquanto penteava os fios cor-de-cobre com os dedos.
_ Ah, não exagere! – rimos de novo.
_ Onde é que você vai tão arrumada, hein?
_ Nada de mais – ela suspira e eu sei, com um sorriso, que não é "nada de mais" – Vou sair com seu pai. Com todo esse trabalho que estamos tendo para manter a loja, apesar de todas as dificuldades, nem temos tempo para nós – ela diz, com tristeza, e eu torço o sorriso.
_ Vão a algum lugar especial?
_ Não. Seria muito imprudente gastar em um restaurante caro ou algo do tipo, então resolvemos relembrar os velhos tempos – ela ri mansinho, mas o suficiente para me fazer rir com ela, admirando sempre o sentimento que os dois nutriam tão intensamente até hoje –. Vamos fazer um piquenique.
Ela começou a contar, mais para si mesma do que para mim, outra vez o resumo de seus antigos piqueniques e de como ficava nervosa toda vez que meu pai a olhava. Depois me falou das comidas que havia preparado para a tarde e perguntou-me se eu achava que papai fosse gostar, ao que respondi que sim, não existia comida sua que ele não adorasse. E então ela voltou aos seus devaneios e eu ao coque que já começava a enrolar com todo o cuidado para não deixar escapar nenhum dos fios. Era engraçado, mas eu não tinha tanta paciência assim nem com as minhas próprias madeixas. Quando chegou a hora de prender, olhei para os palitos improvisados de minha mãe.
_ Mebuki-san! Não posso aceitar que saia com o meu pai com hashis na cabeça! – solto seus cabelos, desfazendo o trabalho e corro escadaria acima, saltando dois degraus de cada vez – Não saia daí, eu já volto.
Retorno trazendo um belo par de palitos vermelhos, decorados às pontas com sedosas fitas de cor levemente mais escura, que combinariam perfeitamente, percebo, com sua cabeça loiro-escura e sua roupa clara. Ela me observa, quase de perfil, descer novamente o andar com o acessório nas mãos; fica curiosa, mas aceita o agrado com um sorriso doce nos lábios. Volto a enovelar seu cabelo, ao qual enleio os prendedores emprestados de modo a formar um "x". Observo meu trabalho satisfeita, entendendo por fim o que sente Ino toda vez que me conserta, como ela mesma diz, e depois de alguns segundos dou tapinhas nos ombros de minha mãe para que se vire para mim, como faz em seguida.
_ Perfeito!
_ Arigatou, minha filha – alivia-se.
_ Não tem porquê, você sabe que gosto de fazer isso.
Digo, livrando-lhe da obrigação e principiando a subir novamente as escadas rumo ao meu quarto, de onde pegaria algumas poucas mudas de roupa para a missão. Logo passaria na cozinha e encheria a mochila com alguns mantimentos. A verdade é que essa rotina já começava a me fazer falta. Entretanto, minha mãe me impede outra vez, segurando delicadamente meu cotovelo.
_ Espere, meu bem, eu gostaria de conversar com você um instante.
Algo em sua expressão me preocupou ao momento em que pousei meus olhos sobre os dela, que eram incrivelmente parecidos com os meus, ainda que alguns tons mais escuros. Fomos andando juntas até o sofá e nos sentamos, as duas sobre uma de nossas pernas, escorando o lado do corpo no encosto, o que nos fez ficar frente a frente. É, tal mãe, tal filha... Quando volta a falar, parecia um pouco nervosa, um pouco envergonhada, tentando se esquivar do assunto.
_ Era para seu pai estar aqui para que pudéssemos discutir isso como uma família, mas eu tive a péssima ideia de mandá-lo procurar você. Aquele fujão!
_ Mãe, fale logo – tento apressar as coisas, já aflita –. Tenho um compromisso e não posso me atrasar.
_ Um compromisso ninja? – ela revira os olhos, nunca tendo gostado disso.
_ Sim, uma missão. Mas o que tem para me dizer?
_ Bem – ela fecha os olhos e respira fundo, parecendo que queria evitar aquilo –, é sobre o outro dia, em que peguei você... digamos... num encontro.
Não pude evitar corar e abaixar a cabeça sob sua nuance insinuante, talvez maliciosa, talvez acusadora, talvez os dois. Ela continuou em silêncio e eu não sabia o que esperar, mas com toda a certeza não estava gostando nada do rumo que aquela conversa poderia tomar. Não que meus pais tivessem sido muito repressores quanto a esses assuntos, mas eu nunca tivera nem mesmo feito menção de trazer um namorado ou qualquer coisa parecida para que conhecessem. De maneira que entendia muito bem sua preocupação ao ver-me tarde da noite, no escuro e em completo silêncio, agarrada ao rosto de um homem – e um homem mais velho – e entre suas pernas! Ah, Kakashi, nem aconteceu nada entre nós e você já está me causando problemas!
Não tinha o menor interesse em ouvir broncas sobre relacionamentos complicados, doenças sexualmente transmissíveis e gravidezes indesejadas, ainda mais sabendo que isso levaria um tempo que eu não podia dar, já que me fora permitida apenas uma hora para estar nos portões da vila. Tento formular uma desculpa qualquer que fosse minimamente crível em minha mente, mas isso parece impossível: mesmo que achasse algo, duvido que fosse capaz de olhar nos olhos daquela mulher, perita em desmascarar mentiras, sem gaguejar, corar violentamente ou piscar demais. Acabo dizendo uma meia verdade, esforçando-me para agir com naturalidade:
_ Não é nada disso que você está pensando – "o que é isso? Uma das novelas de Mestre Jiraiya?" –. Eu e Kakashi somos só amigos... – completo, mantendo meus olhos culpados o mais escondidos possível dos seus, juízes.
_ Sei... – a sentença era próxima – Não precisa mentir para mim, Sakura, nem ter vergonha. Você é uma mulher adulta, é livre para se envolver com quem quiser.
Certo, aquilo com certeza me surpreendeu! Levanto meu rosto, assustada, só para ver o sorriso gentil que me dirigia. Onde estão "a penca de bebês que vão acabar com seu corpo e tirar-lhe incontáveis noites de sono"? Ela riu da minha cara, como se pudesse adivinhar por ela o que se passava em minha cabeça.
_ Mãe...
_ Não se preocupe, querida – ela me interrompe –. Nós sempre prezamos pela sua liberdade e não será agora que iremos tirá-la de você. Kizashi e eu decidimos que já está na hora de você ter sua independência também.
Um turbilhão de coisas ocorreu-me então. Quando a última guerra acabou, eu havia dito aos meus pais que pretendia me mudar de sua casa e começar uma vida nova, uma vida minha, em que pudesse ter as minhas próprias responsabilidades. Quando conversamos, porém, acabamos decidindo que aquele não era o momento, já que quase tudo na vila precisava ser reconstruído e qualquer gasto desnecessário, cortado. Eu até tinha ficado um tanto chateada com isso, embora significasse continuar sob o conforto da asa dos pais, mas logo tirei a ideia de mente.
Agora, não entendia a que vinha tudo isso. Que eu saiba, a situação de crise estava ainda pior do que antes e, mesmo que eu nunca aceitasse que meus pais pagassem por uma casa para mim, era esse o motivo maior para que eu não me mudasse, certo? Sobressaltei-me, sem perceber. Não, o motivo agora era outro, tão grande que fizera a dificuldade financeira parecer uma bobagem... Será que eles pensavam que...? Não, não pode ser.
_ Como assim? – preferi começar devagar.
_ Ora, é só nos dizer onde quer a casa que nós cuidamos do resto!
_ Mas por que vocês estão fazendo isso agora? – já que ela quer ir direto ao ponto – Não podemos pagar por uma casa neste momento, o dinheiro que eu ganho pelas missões e o hospital tem sido de grande ajuda, não podemos desviá-lo para trivialidades.
_ Trivialidades? Tem certeza, querida? Você queria tanto isso – ela parecia estranhamente decepcionada.
_ Está querendo se livrar de mim?
_ Como adivinhou? – ela ri, mas eu não estava me divertindo – Filha, está tudo bem. Não estou dizendo que vá ser A casa, mas um lugarzinho para chamar de seu já é um bom começo, não? – suspiro, começando a me render. A verdade é que voltar a fazer esse tipo de planos já me trazia velhas esperanças ao peito.
_ Como vamos fazer com as despesas?
_ Não se preocupe – ela sorri, triunfante –. Temos guardado um dinheirinho desde que você trouxe esse tema pela primeira vez, sabe? Se juntarmos com um pouco do seu salário deste mês, acho que já teremos suficiente.
Não pude evitar sorrir também. Meus pais são incríveis! Sempre fazendo de tudo para me deixar feliz, não sei como poderia pedir mais. Envolvo seu pescoço com os braços, num agradecimento que palavras não poderiam fazer mais sinceramente, e ela me aperta a cintura em resposta. Quando voltamos a nos olhar ela me desafia:
_ E depois... – insinua – você poderá nos convidar para um jantar, quem sabe conhecer esse tal de Kakashi...
_ Okaasan!
_ Que foi? Eu gostei dele: bonitão...
_ Você só o viu uma vez – desvio o rosto para as minhas mãos em meu colo.
_ Ah, você que se engana. Pensa que eu não sei que ele é seu professor? – arregalo os olhos para ela, em medo precipitado – Quem diria, hein? Minha Sakura conquistando o coração do professor ninja.
_ Ele não é mais meu sensei, mãe.
_ Eu sei – e pisca para mim, sem diminuir o sorriso.
Mesmo morrendo de vergonha acabei rindo igual e, por alguma coisa que eu não sabia bem o que era, não desmenti. Espicho-me, então, no sofá a fim de ver o relógio da cozinha e me assusto: já passou mais de meia hora e eu ainda não estou pronta, chikusho! Levanto bruscamente do sofá e vou correndo até meu quarto. Escuto minha mãe me dizer que ainda precisávamos decidir o lugar onde compraríamos ou alugaríamos a casa, mas eu somente respondo que não tenho tempo para isso agora.
Em meu quarto, a primeira coisa que encontro quando abro a porta do guardarroupas é o vestido que usei na festa em comemoração ao tratado de paz com as outras aldeias. Pego o cabide que o segurava e percebo que uma peça escura e grande demais o cobre: é a jaqueta que Kakashi me emprestara aquela noite e que eu havia me esquecido de devolver. Toco-lhe delicadamente a barra, esquecendo de conter o pequeno sorriso que se forma em meus lábios ao tempo em que relembro nossa dança... Chacoalho a cabeça de leve, afastando o pensamento e volto a guardar a roupa no armário, mas não sem antes tirar-lhe o casaco de cima e coloca-lo dobrado dentro da mochila para devolvê-lo ao dono. Pego então uma calça preta justa, uma camiseta larguinha, rosa, de manga curta, e outra regata, que coloco na mala, junto com o coldre de armas reserva, minha nécessaire e um lençol branco. Visto correndo minha roupa ninja de sempre e calço as botas.
Assim que amarro a minha pequena barraca e o colchão que sempre levava em missões logo abaixo da mochila, repasso tudo em minha mente para ver se não me esqueci de nada. Confirmado isso, corro até a cozinha e ponho algumas maçãs, biwas* e nashis** da fruteira numa bolsinha, a qual prendo de lado à bolsa maior. Abro a geladeira e encontro alguns bolinhos de arroz já separados em uma caixinha de papelão – minha mãe sempre parece adivinhar essas coisas. Como vou viver sem esses mimos? Olho para o relógio de novo e fico feliz por ter conseguido ser tão rápida.
Já estava escapulindo pela porta quando finalmente me lembro de espiar o espelho da sala antes e ainda bem que o fiz: nessa correria toda nem tinha percebido a bagunça de meu cabelo. Tiro a bandana e aliso-o com os dedos mesmo, pela preguiça de tirar o pente da mochila, e a ato de volta por sobre a franja. Minha mãe aparece de novo atrás de mim, agora com a faixa vermelha amarrada a cintura, exibindo-se para mim. Sorrio para ela em aprovação e dou-lhe um beijo na testa quando se aproxima.
_ Divirta-se, mas não se esqueça do juízo – advirto-lhe em tom de brincadeira –. Não preciso de um irmãozinho pra cuidar agora, ouviu?
_ Há! Eu é que não quero saber de um netinho grisalho correndo por aí tão cedo! – ela adora me deixar vermelha, como é possível?
_ Ittekimasu - rio, completamente sem graça, não podendo fazer nada mais a essa altura e me despeço, tentando não pensar em meu companheiro de equipe do modo como ela havia sugerido, o que ficou realmente mais difícil com a lembrança de seu corpo sem camisa instigando-me a memória.
_ Itterasshai – minha mãe responde.
Saio de casa e vou correndo até os portões da vila, onde encontro Kakashi com a mochila repleta dos pergaminhos e documentos e não-sei-mais-o-que-mais que a Hokage nos havia mandado levar até o País do Trovão. Acabo corando, irremediavelmente, quando ele me dirige um sorriso que me faz lembrar da conversa que acabara de ter com a minha mãe.
Não conversamos muito no caminho, nunca o fazíamos. Apenas caminhamos - Kakashi à frente, eu atrás –, em ritmo moderado, ao mesmo tempo em que nos atentávamos a cada metro andado para ver se alguém nos vigiava ou seguia, nunca permitindo-nos baixar a guarda. Assim que chegamos à primeira cidade, diminuímos a velocidade, o que nos fez caminhar lado a lado pelas ruas abarrotadas de pessoas. Eu já tinha viajado muito, é claro, durante todos esses anos, mas as últimas missões de que tinha sido encarregada eram por demais atribuladas e confesso que nunca me permitiram prestar mais atenção ao que acontecia à parte delas. Agora, no entanto, era diferente. Com o único objetivo de fazer uma entrega em segurança, eu podia observar o que acontecia a minha volta e o que eu via me desgostava mais do que eu jamais havia pensado.
Passara inúmeras vezes por aquelas ruas, já que a pequena cidade ficava muito próximo da Aldeia da Folha, mas jamais as vira tão deprimentes. Muitas pessoas dormiam sobre papelões e procuravam o que comer do lixo, crianças sujas e mal vestidas passavam correndo de alguém que lhes perseguia por roubo, mulheres se prostituíam deliberadamente, homens se embebedavam em plena luz do dia; tudo isso acontecia enquanto alguns poucos andavam por entre eles, muito bem trajados, indiferentes. "Inclusive nós mesmos", penso, me afundando em uma culpa, até agora, desconhecida para mim. Automaticamente decido que assim que voltasse dessa tarefa, iria falar com Tsunade sobre isso. Afinal, Konoha é a maior cidade do País do Fogo e certamente teria influência suficiente sobre o nosso senhor feudal para conseguir que ele enxergasse que precisávamos ajudar essa gente.
_ Fique tranquila, Sakura – olho para Kakashi, que mantém a postura curvada, as mãos nos bolsos e o olhar fixo no chão. Fala com uma tristeza que lhe transborda a figura e que me faz sentir uma empatia enorme por ele de novo –. Isso vai acabar.
Não ousei responder, não sei se porque não estava totalmente certa disso ou se porque admirava sua determinação de um modo que quase desejei fazer parte dos planos que imaginei que traçava em sua mente na intenção de acabar mesmo com aquela situação horrível. Lembrei-me então da organização e por um momento pensei que ela pudesse se tratar disso. Seria bem lógico na verdade; Kakashi sempre fora uma pessoa prestativa, capaz de dar tudo de si, até mesmo a vida, por ajudar os demais. No entanto eu ainda não entendia a ideia de que para isso era preciso conspirar contra a Hokage, quem eu sabia que estaria disposta a ajudar qualquer um que lhe pedisse.
Andamos ainda mais algumas horas pela estrada principal, ao deixar aquela cidade, enquanto eu tentava reservar todos aqueles pensamentos, que conseguiam me esgotar mais que a caminhada, mas acabou não bastando para que alcançássemos a próxima, pois a noite já começava a cair e logo ficaria perigoso seguir andando. Sendo assim, tivemos que montar acampamento ali mesmo. Adentramos, assim, um pouco mais na floresta que acompanhava a margem direita da estrada, interessados em esconder-nos nela e não ser um alvo fácil para quem quer que passasse por lá enquanto dormíamos. Se estivéssemos em maior número, poderíamos eleger turnos de vigília para aumentar nossa proteção, mas em dois essa estratégia seria muito cansativa e somente nos atrasaria, embora não houvesse a real obrigação de que nos apressássemos.
Por fim paramos onde os troncos das árvores abriam um pequeno, mas bastante espaço para que abríssemos a barraca tranquilamente. Agacho-me ao chão com a mochila e começo a desatar dela a bolsa que continha a tenda e o colchão. Kakashi dá uma olhada em volta, a procura de espiões e, não encontrando, senta-se ao meu lado, em movimento e bufido despejados, nitidamente cansado. Observa-me enquanto mexo em minhas coisas.
_ Ah, esqueci-me de dizer – puxa assunto, fazendo-me levantar o rosto para ele, que começou a ensaiar sua cara de culpado –. Não pude trazer minha barraca, esses pergaminhos ocuparam espaço demais e peso também.
Olho para sua mochila e dou-lhe razão, deveria estar bem mais pesada que a minha. Faço cara de entendimento e fito seus olhos de novo, que pareciam esperar outra reação minha. Digo, apenas e totalmente sem expressão, em resposta:
_ Acho que vamos ter que compartir barraca, então.
