CAPÍTULO 9: DESCOBRINDO O NOVO - SAKURA
A noite ficou mais fria do que esperávamos e tivemos que fazer uma fogueira para nos aquecer. Acabou que por isso os bolinhos de arroz ficaram mais gostosos também. Assim que eu terminei de armar a nossa barraca e Kakashi de fazer a fogueira, nos sentamos ao redor dela, lado a lado. Desembrulhei o pequeno pacote que havia carregado com o maior cuidado para que não amaçasse e entreguei um dos bolinhos de lá dentro a meu companheiro, que pareceu muito satisfeito com sua aparência. Peguei um para mim também e tratamos de esquentá-los sobre a folha larga de uma das árvores ali em volta, na fogueira.
_ Isso está muito gostoso – as palavras saíram devagar e com dificuldade de sua boca cheia da primeira mordida, o que me fez rir um pouco –. Você quem fez?
_ Não – termino de engolir e respondo –. Estes são de minha mãe.
Ele assentiu, mastigando mais devagar e olhando para a fogueira. Não falamos mais até que tivéssemos acabado. Ele pegou da mochila um livro, em cuja capa não prestei atenção, já sabendo que deveria ser uma daquelas histórias pervertidas que ele lê. Como podia pensar nisso agora? Senti-me muitíssimo incomodada por ele ter esses pensamentos, essas leituras na minha frente. "Homens! São todos tarados assim?", bufo, descrente, e desabo as costas na árvore atrás de mim, olhando para ele. A verdade é que ninguém diria por sua expressão despreocupada que estivesse lendo aquelas perversões. Aperto os olhos mais ou menos do mesmo jeito que aperto o punho esquerdo e me decido.
Levantando bruscamente, ando até onde ele está, ao outro flanco da fogueira, e sento-me ao seu lado. Ele apenas me dirige uma olhada rápida e volta ao seu livro, mas não me deixo intimidar. Arranco-o de suas mãos.
_ Oro? – ele diz estendendo a mão para pegá-lo de novo mas eu o afasto e ele não protesta mais, só me observa enquanto bisbilhoto sua leitura.
_ "O caminho da verdade – começo a ler, curiosa, a frase que encabeça a página – está no processo de se tornar um homem morto durante a vida.".
Estremeço assim que chego ao ponto final. Mas o que significava isso? E o que tinha a ver com a imensa montanha de besteiras que eu tinha esperado encontrar? Fecho o livro, guardando a página com um dos dedos, fixando-me na capa e confirmo: um livro de filosofia. Por mais que já soubesse que Kakashi era um homem muito inteligente, nunca imaginei que ele lesse outra coisa que não aquelas estúpidas novelas, quanto mais uma obra filosófica.
_ Hagakure, Yamamoto Tsunetomo* – leio o título bem devagar, ainda tentando me acostumar com o nome desconhecido. Quando olho para ele, ainda me observa com curiosidade, pelo que, sem saber mais o que dizer, completo: – Não é o Icha Icha...
_ Nem tudo é sexo, Sakura – ele solta, sério, quase severo.
Não havia como ser mais idiota! Mas que coisa! Coro violentamente, desculpando-me em silêncio tanto por ter pensando tão mal de meu amigo, quanto por ter me intrometido em seus assuntos. Eu sabia o quanto era reservado, não tinha que ter invadido assim seu espaço; aliás, eu mesma não teria gostado se tivesse sido comigo. Estendo-lhe, sem olhá-lo nos olhos, o livro, que ele toma e começa a folear novamente. Estou quase me levantando e indo esconder a vergonha que me toma por completa, quando ele me toca o braço, chamando minha atenção.
_ Aqui – ele segura o livro na minha frente, indicando-me com o dedo outra frase –, leia isto.
_ "Se um vassalo pensar no que precisa fazer durante o dia com antecedência, ele será capaz de fazer qualquer coisa." – olho para ele, esperando que me explique, mas não o faz, de modo que preciso pedir: – O que significa?
_Significa – ele fecha o livro, como se decidindo que não leria mais naquela noite, e arrasta-se mais para o meu lado – que não existe coisa no mundo que um homem não seja capaz de fazer, nem algo que o seja capaz de deter.
Observo novamente a capa negra do livro, em que apenas o título se destacava escrito de cor prata, pendido entre os dedos de Kakashi. É realmente um pensamento interessante, que fez com que minha natureza estudiosa ficasse com vontade de saber mais. Será que isso tem alguma coisa a ver com a tal organização? Não tenho certeza, mas acho que todas aquelas pessoas tinham bem o perfil de ficar lendo e discutindo essas coisas; só não entendo ainda o que isso tudo tem a ver com uma conspiração. Miro-lhe a cara, decidindo, por fim, sondá-lo e, quem sabe, tirar algumas dúvidas.
_ Isso não é de tudo boa coisa – ele sorri de leve ao meu comentário, como se não esperasse diferente e se tivesse satisfeito.
_ Iie, não é.
_ Quero dizer – explico, como se fosse preciso –, serve tanto para as coisas boas que um homem decida fazer, quanto para as ruins.
_ Claro. E é por isso que é tão importante pensar nisso.
_ Como uma advertência a si mesmo – ele assente e eu decido ir logo com isso –. Kakashi, o que é exatamente essa organização?
Ele suspira e olha para o céu.
_ Bem, acho que posso confiar em você – e volta a me olhar nos olhos –. Somos A Aliança do Grou. Na maior parte do tempo, apenas discutimos e procuramos entender tudo que acontece em nossa aldeia e nas vizinhas, embora não tenhamos muito sucesso em conseguir informações estrangeiras – passa a mão no cabelo tentando reprimir um suspiro –. É uma droga, sabe? Às vezes eu acho que nunca chegaremos a lugar nenhum.
_ E aonde vocês querem chegar, exatamente? – tento não passar a desconfiança que sinto para minha voz ou expressão, mas não sei se consigo.
_ À liberdade, Sakura – disse ele, depois de um tempo.
_ Bom, isso é muito bonito, mas... E?
_ Como "e"? – ele se levanta, agora já soando bravo, em autodefesa, como se tivesse sido insultado – Não percebe o que está acontecendo a sua volta? Estamos sendo submetidos, controlados...
_ Ei, espere aí! – levanto-me também e coloco meu rosto bem colado ao seu, como em desafio, desejando por um instante ser mais alta que ele – Não fale nesse tom comigo!
_ Tem razão – ele diz, depois de me fitar nos olhos por uns bons segundos e então desviar, sentando-se outra vez, parecendo muito mais cansado e até meio desapontado. Termina: –, desculpe-me. Você não tem culpa de nada, é apenas mais uma que está sendo manipulada.
Faço de tudo por reprimir meu desgosto ante aquele comentário nojento que tanto parecia querer me depreciar. Como assim apenas mais uma? Giro-me, posicionando meu corpo à sua frente, e sento-me em cima de meus calcanhares. Tomo-lhe uma das mãos, como se faz quando se tenta consolar uma criança triste e não se tem um doce. Ele me olha, parecendo suplicar que eu entendesse logo e não mais precisasse me explicar. Era engraçado como ele era um ótimo sensei de luta e técnica ninja, e, ainda assim, se embaraçasse todo com a teoria.
_ Por que acha que estamos sendo manipulados? E por quem?
_ Não viu ainda como, ultimamente, os fatos e informações se escapam de nós?
_ Não... – digo, simplesmente, encorajando-o a continuar.
_ Os grandes de nossa aldeia, e imagino que das outras também, andam fazendo de tudo para manter-nos alheios ao máximo à situação. Vivem dizendo que a guerra acabou, mas continuam agindo como se a qualquer momento pudesse voltar a explodir.
_ Mas a guerra não acabou, nós sabemos disso.
_ Exatamente: nós sabemos porque somos ninjas; as outras pessoas não. Seus pais, por acaso, acham que precisam ficar tão alertas a ponto de só viverem em função disso, como nos é sugerido? – assim que ele menciona minha família, lembro-me do que me havia proposto mais cedo naquele dia e de repente o que ele diz cobra total sentido.
_ É... – é o que consigo dizer.
_ Se há uma coisa que eu não suporto são segredos. Ainda seremos destruídos por ele.
Não tive muito tempo para me assustar com sua declaração, porque logo começou a cair uma chuva, que não era grossa, mas sim suficiente para apagar a pequena fogueira que fizéramos e ameaçar gelar-nos de frio. Imediatamente, pegamos nossas coisas e corremos para dentro da barraca, decidindo que seria melhor dormir logo; amanhã, se fosse o caso, poderíamos discutir mais sobre a aliança. Na verdade, minhas dúvidas não haviam acabado, embora eu achasse que precisava pensar um pouco mais sobre elas antes de fazer perguntas idiotas.
Então Kakashi começou a tirar o colete e a camisa, que tinham se molhado enquanto esperávamos que o maldito fecho – que eu havia me esquecido de mandar arrumar – resolvesse colaborar. Maravilho-me mais uma vez com seu corpo milimétrica e perfeitamente esculpido e seu rosto de feições suaves, mas nem por isso menos másculas. Acho que nós dois concordávamos que era tolice esconder-se detrás daquela máscara depois que eu já o tivesse visto sem ela. Notei que o curativo que eu fizera noite passada já havia sido jogado fora, deixando o machucado a mostra. Contive um revirar de olhos, passando logo a vista para seus cabelos bagunçados da água e de quando passou a blusa sobre eles. Mal se via, pelo escuro da noite, mas a luz que entrava pela janelinha de plástico improvisada que tinha a barraca era suficiente para fazer brilhar seus fios brancos e sua pele clara. De repente peguei-me pensando quando foi que lhe começaram a aparecer as primeiras cãs, apesar de que talvez eu imaginasse que sempre as tivesse tido.
Então percebendo minha reação, que devia ser de fome descarada, tirou uma camiseta escura de dentro de sua mochila e vestiu, acrescentando, como não parasse de fitá-lo:
_ Se quiser se trocar, posso sair – eu rio, com a besteira que diz.
_ Não precisa.
Agacho-me sob a pressão de seus olhos que, de soslaio, pareciam me mirar da mesma maneira que eu lhe havia feito, mexendo em minhas roupas. Pego a camiseta rosa e tento pensar num jeito de vestir por cima da outra, a qual tiraria depois, por baixo. No entanto ela tinha ficado grudada em meu corpo por causa da água que a encharcava e não sairia tão fácil desgruda-la, além de que acabaria por molhar-me a outra peça também. Olhei para meu amigo, que estranhamente ainda estava no mesmo lugar de antes, com a mesma pose, e quis que ele se oferecesse para sair de novo, mas, pensando que seria muita crueldade pedir que o fizesse, desisto. Viro-me de costas para ele, sentada mesmo, e começo a tirar minha blusa, podendo ainda sentir o calor de seus olhos totalmente focados em mim – tinha que ser tarado! – e quase rezando para que a penumbra fizesse impossível ver algo.
Faço tudo depressa, tapando-me com a blusa seca o mais rápido possível. Depois de vestida, coloquei a roupa molhada ao lado da mochila e percebi com um alívio que a parte de baixo de minha vestimenta não estava tão molhada assim. Trocá-la com Kakashi ali me olhando estaria fora de cogitação, de qualquer maneira. Quando me viro novamente, tenho vontade de socar-lhe o mesmo lugar já dolorido, apenas para que parasse de me olhar daquele jeito que me deixava constrangida demais. Ele deve ter percebido, pois desvia o olhar finalmente, tirando sua bandana e começando a se deitar no chão. Avisou que dormiria ali e que eu poderia ficar com o colchão, não aceitando quando mencionei que poderíamos compartilhá-lo também.
Não querendo brigar e, ao mesmo tempo, não tendo total certeza de se estaria confortável com ele dormindo tão próximo a mim, não discuti e me ajeitei no colchão, de costas para ele. Podia deduzir que ele ainda não tinha pegado no sono, pois sua respiração era regular demais para alguém que já estivesse dormindo, e fiquei ali, escutando-a como se merecesse toda a minha atenção, como se fosse capaz de adormecer-me. Francamente, era difícil me concentrar em qualquer coisa com seu corpo ali tão próximo e ao mesmo tempo tão longe. Não sei exatamente de onde me veio essa vontade dele, nem quando ela chegou, mas eu sabia que seria inútil negá-la, ainda que eu achasse de não era justo sentir esse tipo de coisa pelo homem de quem eu deveria desconfiar.
Tive que reunir a maior coragem do mundo para dar o passo que tomei em seguida. Era bem ridícula a minha inexperiência em qualquer coisa dessa matéria, mas eu estava mais que decidida a não deixá-la tomar conta de mim. Resolvi que não pensaria mais nas consequências ou no significado que o que eu faria poderia ter, apenas respirei fundo e me virei, rastejando para fora do colchão e abraçando, sem fazer qualquer anuncio, Kakashi pelas costas. Afundei minha cabeça em sua nuca, enquanto aspirava lentamente seu perfume almiscarado... Sentir seu corpo grande e quente sob os meus braços era com certeza uma das melhores coisas do mundo e eu senti como se pudesse fazer isso pelo resto da minha vida.
Ele ficou tenso por alguns instantes, mas depois relaxou, envolvendo, com a sua, minha mão direita, que enlaçava sua cintura. Depois de um breve momento sentindo a doce presença de nossos corpos, dormimos, ali mesmo: na mais boba cena que qualquer um poderia presenciar, deixando o colchão remexido e vazio de lado, pois tudo de que precisávamos tínhamos um no outro.
O cantar alegre dos pássaros foi a primeira coisa que ouvi naquela manhã. Suspirei, sentindo-me renovada pela noite bem dormida e, mantendo os olhos fechados, virei-me de barriga para cima, revivendo para não esquecer o sonho que tivera: era simples, mas bonito, e Kakashi estivera tão próximo que eu pude jurar por um momento que fosse real. Quando decidi abrir os olhos, porém, desconfiei. O teto de meu quarto era branco, não verde escuro. Sentei-me bruscamente e tive que apoiar por um tempo a mão na testa para que passasse a tontura que o movimento rápido havia causado. Assim que posso focar a visão de novo, alguém entra no lugar e denuncia tudo de que eu estava suspeitando nesse exato momento: aquele era Kakashi e estávamos dentro da barraca de meu sonho.
Ele veio trazendo uma lasca de madeira como se fosse uma bandeja, sobre a qual repousavam duas laranjas bem amarelas. Com a outra mão segurava nossos cantis, que devia ter acabado de reabastecer. Assim que viu a cara estranha que eu lhe fazia, perguntou-me se estava bem, ao que respondi que sim com a cabeça, tentando ficar mais calma. Não tinha a menor ideia de como lidar com isso, e, mesmo que ele parecesse totalmente indiferente, eu não estava certa se isso era um bom sinal. Sentou-se, então, a minha frente e pousou as frutas entre nós.
_ Trouxe seu café da manhã – anuncia com um sorriso, ainda estava sem a máscara.
_ Obrigada – fiquei feliz em estar mais tranquila e poder sorrir-lhe de volta.
_ Bom, na verdade, está mais para um almoço.
_ O quê? Por que não me acordou?
_ Ah, você parecia dormir tão em paz... – ele me sorri diferente dessa vez, piscando os dois olhos bem lentamente, transparecendo com esse gesto uma intimidade nova, que eu preferi não fantasiar.
_ Agora vamos nos atrasar – desviei.
_ Tudo bem, Sakura – diz –. Eu a teria acordado se realmente achasse necessária tanta pressa. Apenas coma, depois juntaremos tudo e seguiremos viagem.
Não quis discutir e nem ele quis dar-me a chance, pois logo foi saindo da tenda, deixando-me sozinha com as duas frutas, pelo que imaginei que ele já tivesse comido. Fiz força para não ficar pensando sobre a noite passada e convenci-me que não era grande coisa, pela a reação tão normal de meu amigo. Afinal, que bobagem! O que tinha demais em dois amigos dormindo abraçados? Nossa única intenção era aquecer-nos numa noite fria, ora.
Merda, onde foi toda a minha convicção, hein? Quando terminei de comer, sai da tenda pensando em tomar um banho no rio cujas águas eu que eu podia ouvir correrem em algum lugar por ali. Então peguei minha blusa, que, percebi, Kakashi tinha sido tão amável de colocar para secar no galho de uma árvore e comecei a seguir o som da água correndo. Já quase podia refrescar-me em antecipação. Porém, assim que chego à margem, a cena com a qual me deparo me faz congelar. Mais alguém havia tido a ideia de razão, como a pior das drogas. Suas costas eram fortes e largas e as gotas d'água que corriam por elas, parando-se nas pequenas cicatrizes que só faziam deixá-las mais desejáveis, me passavam uma inveja descabida. Pensei em voltar depressa e me esconder atrás das árvores, mas Kakashi não fez menção nenhuma de ter me visto ali, de modo que decido continuar assistindo-o desde o camarote que parecia ser o lugar em que eu estava.
De repente, uma onda de desejo me invade o corpo e não consigo conter o arrepio que passa por toda a extensão dele, só para se instalar numa parte nunca explorada, que parecia se contorcer baixo o fino tecido que a cobria. Cada vez mais eu sentia meu corpo pedir por uma coisa que apenas inconscientemente eu compreendia, enquanto minha boca salivava faminta, minhas mãos formigavam ávidas e minha nuca suava previamente do prazer que por primeira vez eu sentia. O calor do dia deveria ser o mesmo, mas o que eu experienciava era insuportável. Não aguentando mais nada, comecei a tirar os sapatos, depois o short-saia e a calcinha, sem me importar onde tinha ido parar o coldre com tudo isso, e por fim a blusa, deixando meu corpo totalmente despido de qualquer peça de roupa ou mesmo de qualquer vergonha que pudesse ter sentido antes.
Nem eu mesma me reconheceria, era como se outra Sakura tivesse acordado não sei de que parte de dentro de mim, amarrado minha consciência num canto e tomado o controle de minhas ações. Comecei a andar em direção à correnteza preguiçosa daquelas águas, controlada completa e infinitamente pelo mais animal de meus instintos. Assim que mergulhei o pé na água gelada, outro arrepio enviou contrações por todo o meu corpo, aumentando meu desejo, que até aquele momento parecia impossível ser maior. Sem me importar se estava fazendo barulho ou não, continuei minha jornada até o que eu ainda não sabia se seria o céu ou o inferno ou ambos.
Quando chego perto o suficiente para finalmente tocá-lo, não o faço. Ao invés disso, fico parada às costas daquele homem maravilhoso, que com certeza já sabia que alguém se aproximava e que esse alguém era eu. Enquanto isso, eu o admirava, brincando com meu próprio desejo e esperando que isso provocasse também o seu. Dei um passo a mais e fiquei com a boca na altura de sua primeira vértebra lombar, que lhe sobressaía lindamente por baixo da pele. Exalei ali um suspiro quente, que, para meu deleite, o fez tesar-se todo em arrepios múltiplos. Um sorriso dança malicioso em resposta em meus lábios e deposito no mesmo lugar um beijo úmido e demorado, ao mesmo tempo em que subo, bem devagar, minhas mãos por todo o desenho de seus braços; depois paralelamente por seus ombros e então descendo com as unhas até a base de suas costas.
_ Sakura... – ele diz, ofegante e num tom rouco quase sem som, como se realmente achasse que com isso pudesse me fazer recuar. Dou um sorriso de vitória contra sua nuca e passo a língua ali, num movimento circular, sentindo-o eriçar-se com o toque.
Como se não se aguentando mais, Kakashi se vira de golpe para mim, me agarrando, fortemente e com as duas mãos, pela cintura e colando ao instante nossos corpos nus ao passo em que me presenteava o busto com a pressão de seu tórax. Aproxima sua cabeça da minha com uma fome imparável, a fim de me tomar no mais delicioso beijo que eu jamais havia provado. No entanto, eu acabara de descobrir o quão má poderia ser e afasto minha cabeça menos de um segundo antes que seus lábios toquem os meus. Ele me olha sem entender e eu dedico-lhe um sorriso malvado e um curvar-se de minha sobrancelha esquerda. Então pego seu rosto com as duas mãos e o aproximo do meu, de lado, mas não o beijo; e sim corro lentamente a ponta meu nariz por seu maxilar, como tinha feito antes com a faca. Quando chego a seu queixo machucado, que deveria estar bastante sensível ainda, beijo-o de leve e vou subindo até finalmente encontrar seus lábios.
Com o desejo que nos apossava, aquele toque passou rapidamente de doce para voraz, enquanto distribuíamos carícias por todo o corpo um do outro. Sua língua brincava dentro da minha boca exatamente da mesma maneira que suas mãos em minhas costas e pernas e as minhas por toda a linha dura de seus ombros e coluna; seus lábios pressionavam e chupavam os meus como se nossas vidas dependessem daquilo – e eu não duvidaria que, naquele momento, isso fosse mesmo verdade. Seus cabelos também estavam molhados, mas isso não os tornava menos aveludados entre meus dedos, que os agarravam com força.
Kakashi, então, agarra meus cabelos imitando meu gesto e os puxa para baixo com força, quebrando repentinamente o beijo e deixando um suspiro faltoso em minha boca abandonada. Talvez eu ficasse chateada, não fosse sua próxima atitude, que me fez sentir ainda mais desejo. Pude notar minhas entranhas contraindo como loucas em meu sexo, enquanto ele beijava, lambia e mordiscava fervorosamente meu pescoço. Entrelaço em pronta resposta mais ainda minhas pernas às suas e sinto seu membro duro pressionar-me o ventre, ao que recompenso com um pequeno suspiro acompanhado de um gemido baixo, espremido, ofegante e suplicado que eu não sei como havia sido capaz de reprimir até então:
_ Kakashi-sensei...
Pensei que isso o faria estremecer de prazer mais uma vez e intensificar suas carícias e beijos; no entanto, como que contrariando de propósito meus anseios, ele para de súbito, não mais ouvir-me, e me solta. Quando finalmente abro os olhos, estou sozinha no meio do rio e, a não ser por meu estado de deplorável desconcerto e abandono, não havia nenhum sinal de que tivesse estado acompanhada.
