VIOLET
O corredor da sala de Umbridge ficou mortalmente silencioso. Violet subira seguindo a diretora com o mapa em mãos, e assim que chegou à última passagem secreta, encontrou Madeleine torcendo os dedos no colo, espiando ora sim ora não por uma fresta na parede.
"Maddie!" Exclamou, e logo em seguida abafou a voz, "que aconteceu? Onde está Filch?"
"Eles eston lá dentrrro, soou um alarrrrmê. Oh, dieu, ninguém sâi... Filch e aquela mulherrr eston ali..."
O coração de Violet pesou. Merlin sabia o que Umbridge faria com os três se os pegasse lá dentro. Se esgueirou pelo lado da amiga e grudou as costas na parede, pressionando os óculos contra a fresta. De longe, viu Amycus Carrow entrar no corredor, esfregando o braço esquerdo vigorosamente. Um arrepio percorreu a espinha de Violet. Pouco tempo depois, Filch saiu pálido e murmurando para si mesmo.
"Maddie, chame Mary aqui, urgente. E Neville. Vamos criar alguma distração pra tirar eles dali!"
"Como o quê?"
"Não sei, uma explosão, qualquer coisa! Coloquem fogo em alguma coisa, vai!" Violet fez sinal para a corvinal correr, e Madeleine saiu apressada passagem abaixo. Instintivamente, sua mão foi direto para o bolso, até que, bufando, se lembrou de que a varinha não estava ali. "Maddie!" Gritou, sua voz descendo assustada.
"OUI?"
"Me dá a sua varinha! Rápido!"
Agora armada, Violet saltou para fora da passagem, empunhando a varinha de Madeleine. O mais ágil que conseguiu, se aproximou da porta, e só ouviu o tom da voz de Amycus, sem conseguir discernir o que dizia. Não ouviu a voz de Leonard, nem de Sam.
Em seguida, a maçaneta virou-se, e Violet abaixou imediatamente, escondendo a varinha sob a blusa e fingindo esfregar o chão. Viu os pés de Carrow girarem.
"Que está fazendo aqui, sangue-ruim?"
"É o meu turno no quinto andar, professor." Respondeu falsamente, ajeitando os óculos. Carrow a olhou com arrogância.
"Tá. Limpa bem esse chão, passei aqui ontem e tinha umas manchas horríveis. Receberemos visitas por esses dias, Potter."
"Sim, senhor."
A porta abriu-se novamente quando Amycus estava nas escadas, e Violet olhou para cima. Umbridge estava branca, e parecia desconcertada de estar ali. Seus lábios tremiam. Assim que viu Violet no chão, deu um salto para trás de susto.
"Céus, Potter, o que está fazendo aqui? Estava me espionando?" Ela estreitou os olhos, e Violet negou com a cabaça.
"Não, senhora, estou limpando, olha."
"Se levante."
Torcendo para Umbridge não perceber o volume estranho em sua barriga, Violet se ajeitou diante da mulher, sorrindo amarelo. Apurou os ouvidos para qualquer som que pudesse sair da porta entreaberta da sala dela.
"Eu conheço esse seu tipinho, Potter, "ela se aproximou ameaçadoramente da garota, "se pensa que vai me enganar, vamos ter que ter uma conversa na minha sala. Já estou ocupada o suficiente sem vocês me perseguindo- "
Nesse momento, de outro canto do castelo, ecoou uma explosão, e Filch surgiu correndo com um esfregão na mão. "Diretora, de novo! Deve ser aquele garoto Black, com certeza!"
"Mas o que foi agora?" Alguns cachos da cabeça de Umbridge saíram do lugar. "Céus, eu já tenho problemas suficientes sem esses moleques aprontando! Você! Estava me distraindo?"
Violet se fez de indignada. "Claro que não, diretora! Eu já disse, estou limpando aqui!"
Umbridge a encarou por um minuto, até que outra explosão chacoalhou o andar todo.
"Diretora, as estufas-"
"Eu já ouvi, Senhor Filch! "E com um último olhar para Violet, começou a correr em direção aos jardins.
Finalmente conseguindo respirar, a garota olhou para os dois lados do corredor e abriu a porta da sala, fechando-a imediatamente atrás de si. "Leo? Sam?" perguntou, relutante. "Rich?"
"Viola?" Leonard se ergueu detrás do sofá, e parecia chocado por estar vivo. Ao seu lado, Sam ajudou Richard a subir, e os dois tinham a mesma expressão. "A gente precisa conversar."
Saíram da sala em direção á passagem, e assim que se viram seguros, Leo mostrou a ela os punhados de varinhas que roubara. Em meio às várias, Violet viu a sua. Poderia chorar só de vê-la inteira, ainda mais podendo pegá-la. Enquanto alisava a superfície de pera, podia sentir a corda de coração de dragão dentro, e sentiu-se quente por dentro. A varinha parecia abraça-la. A seu lado, Sam também pegava a sua, emocionada.
"Ah, estou pronta pra chutar Umbridge daqui!" exclamou, abraçando a varinha contra si. Violet sorriu.
"Obrigada." Deu um beijo na bochecha de Leonard.
"Precisamos distribuir todas agora. Desde os primeiro-anistas, eles precisam ficar seguros em algum lugar, também."
Violet sentiu seu sorriso sumir. "O que Amycus disse?"
Leonard ficou sério, e começou a narrar o que ouvira dentro da sala. Violet se surpreendeu por nenhum deles ter sido pego, e não sabia se agradecia Amycus por ter entrado ou ficava assustada com o que ouvia. "Leo, se ele vier aqui não vai achar nada no lago, o que vamos fazer?" Balbuciou, se sentindo culpada por ter estado tão feliz por ter a varinha de volta. Não adiantaria explodir nada para distrair Voldemort.
"Cara, nós podíamos tentar, sei lá, explodir todas as estufas," sugeriu Richard, "ou uma torre..."
"Ou tocar fogo na floresta... A gente avisa os centauros pra escaparem, e as criaturas também, quem sabe Neville não possa- "
Mas Violet sabia que nada daquilo daria certo. Sam e Richard vinham com hipóteses e planos cada vez mais absurdos, e Leonard não dizia nada. Gostaria de poder ler a mente dele para saber o que se escondia por trás da expressão branca que carregava. Seus olhos viravam de um lado para outro, como se buscasse alternativas.
"Richard." Disse de repente. "Como estão os acessos ao Corujal?"
"Hã? Hm, estão meio livres, acho. Quero dizer, pra alguém que não tenha suspeitas sobre ele, claro. Nem eu nem você temos parentes para escrever, seria estranho se fossemos lá. "
"Entendo."
"Mas, Leo, podemos nos livrar dessa, calma!"
"Não é tão simples, Sam, você estava lá e ouviu o mesmo que eu. Voldemort vai tomar Hogwarts, agora, inteira ou por partes, não interessa. Essa é uma invasão que não antecipei... Precisamos mandar uma carta para Dumbledore. Ele precisa saber disso, não temos como nos defendermos sozinhos."
"Leo, ninguém sabe onde ele está..."
"A coruja vai saber, tem que saber. "Leo estava perdendo a calma costumeira, e descia as escadas da passagem vigorosamente. Violet o seguiu, começando a entender o plano que se formava.
Não iriam parar no térreo.
"Sam, arranje pergaminho e pena, e escreva uma carta a Dumbledore avisando, o mais discretamente possível, o que nós estamos passando. Diga que a cobra vai entrar em Hogwarts, e que nós não temos como segurá-lo. Diga também que pegamos um peixe inesperado no lago."
"Ok, mas não sei como vamos enviar isso-"
"Tenho uma ideia, mas preciso da carta pronta. Richard, pegue as varinhas e entregue aos nascidos-trouxas, peça a eles pra esconder o melhor que puderem. As marcações e peças estão suspensas. Deixe Umbridge em paz por hora, não estamos mais lutando contra ela."
Richard e Sam saíram na próxima tapeçaria, e Violet se viu sozinha com o namorado.
"Leo, precisa me dizer o que está pensando, não sei adivinhar."
Ele comprimiu os lábios. Violet o encarou, mas Leonard não conseguia retribuir o olhar.
"Precisamos de alguém cuja correspondência não será interceptada, numa coruja insuspeita, com parentes fora da escola e que não esteja sendo vigiado. Não conheço ninguém assim."
"Nenhum aluno é tão leal a eles assim, Leo. Digo, nenhum que ainda está aqui, né. Se ainda tivéssemos Pollux, quem sabe. Podemos usar o feitiço de desilusão, agora conseguimos..."
"Não posso arriscar nenhum de vocês numa missão dessas, Viola."
"Nós sabíamos do risco quando nos juntamos-"
"Vocês sabiam que podiam ser mandados pra detenção, não que podiam morrer." As palavras saiam entrecortadas pela respiração dele. Leonard passou a mão pelos cabelos várias vezes, e começou a andar de um lado para o outro no cubículo em que estavam. "Violet, eu não sei o que fazer."
"Você não precisa ser o líder, Leo."
"Não preciso? Quem esteve agindo como chefe até agora? Quem se meteu a ser o mais inteligente, a fazer planos, a comandar as coisas? Se eu fosse menos intrometido, vocês não teriam sofrido tanto. Se outra pessoa, Neville, Samantha, qualquer um, tivesse assumido essa posição, se eu tivesse deixado vocês-"
"Ninguém obrigou ninguém a nada!" Violet sentiu as bochechas quentes no escuro. "Você é o líder porque nós deixamos, ok? Não precisa se martirizar por isso, aconteceu! Fez os planos que salvaram muitos de nós, e conseguimos ter posse de uma horcrux por causa de você e da sua coragem! Sabe quem estaria orgulhosa agora, se pudesse ver o quanto percorremos? Adhara!"
A menção do nome da irmã fez Leonard contrair-se. "Adhara não está aqui pra me ver."
"E não está graças a quem? Hein? Quem tirou Adhara e Jack de você? Quem matou o meu irmão? Leonard, nós entramos nisso sabendo que o mundo estava em guerra. Umbridge, os Carrow, eles são apenas o front mais próximo. Todos eles que morreram, os nossos pais, eles merecem o nosso esforço pra mudar isso. Você sempre disse que não era um guerreiro, olha onde estamos? Eu nunca pensei que fosse erguer a varinha para outra pessoa, mas nesse exato momento, sabe o que eu quero fazer? Duelar alguém! Sam, Richard, Neville... Todos estão contando com você, sim, mas eles sabem que esse trabalho não é só seu. Estamos nisso juntos, Leon- '
Antes que terminasse, Violet sentiu-se abraçada por ele. Apertou-o em seus braços. Sentiu os dedos dele, frios e nervosos, se enroscarem em seus cabelos para trazê-la mais para perto, e entreabriu os lábios para se deixar beijar.
A respiração dele era ofegante contra ela, e um frio gostoso inundou o estômago de Viola. Leonard encostou –a gentilmente contra a parede, e parou de beijá-la um segundo para encostar sua testa à dela. "Obrigado." Murmurou, antes de enlaçar sua cintura com firmeza e sorrir contra sua boca.
Violet nunca se sentira assim antes, num misto de empolgação, medo, carinho, e segurança que só Leo poderia transmitir ao mesmo tempo. Eles passaram por tanto juntos, já que parecia apenas natural que ficassem mais próximos. Mas sempre tinha alguém ali. Ou Sam, aterrorizada pelo cadáver no lago, ou Richard precisando de coordenadas para a próxima marcação, ou Neville querendo mostrar os frutos do último recrutamento... Sempre tinha alguém ali. Se Violet soubesse que estar só com Leonard fosse bom assim, teria expulsado os outros há muito tempo.
Relaxando pela primeira vez em semanas, se deixou brincar com a extensão dos cabelos dele, roçando os dedos em sua nuca e sentindo os pelos dali arrepiarem enquanto ele perdia um pouco do fôlego. Ainda beijando-a, Leo se aproximou e segurou-a contra a pedra, inundando os sentidos de Violet com o perfume envolvente que ele usava. Guiada apenas pela vontade de mostrar a ele que não estava sozinho – e que, se dependesse dela, nunca estaria – esgueirou as mãos e esfregou o abdômen dele por debaixo da barra da camisa.
Leonard ganiu de prazer, e se afastou um pouco para sorrir para ela. "Você," disse, acariciando a linha de seu maxilar, "é o motivo de eu ainda lutar."
Emocionada, beijou-o rapidamente. "E você é o motivo de eu ter começado a lutar. Meu Leonard."
"Seu Leonard." Ele abraçou-a. Ficaram abraçados, juntos, no escuro, por um tempo que Violet não soube precisar. A melhor sensação do mundo era tê-lo ali, envolvendo-a com seus braços.
"Leo, Leo, Leo!" Richard saltou, derrapando, o último lance de degraus até eles, e Leo soltou Violet. O louro limpou a garganta meio constrangido. "Putz, cara, interrompi alguma coisa? Porque posso voltar outra hora..."
"Não se preocupe com isso, Rich, conseguiu a carta?"
"Yep, eficiência máxima. Umbridge se trancou na sala depois que fugimos, e parece estar sentada lá sem fazer nada. Eu acho que está se cagando, que nem a gente. "
"Ótima escolha de palavras, Rich." Leonard riu, e Violet balançou a cabeça. Estava feliz por ter Richard por perto. Desde a morte de Jack, ele parecia ter incorporado o espírito do melhor amigo, e lhes lembrava constantemente de como subestimavam a capacidade do irmão de Leonard de fazê-los descontrair.
"O que está pensando em fazer com ela?"
"Não temos outra alternativa a não ser convencer algum aluno da sonserina a mandar..."
"Ia ser uma conversa bem legal. 'E aí, cara, beleza? Escuta, pode mandar uma carta pra gente? É tipo, um convite pro DUMBLEDORE vir aqui matar o teu chefe, entende? Puuuutz, valeu mesmo!' Cara, não vai rolar."
"Por isso mesmo que não vamos perguntar. "Leonard voltara ao tom sombrio. Pegou a carta de Richard e abriu o mapa que ele levava, analisando as linhas e os pontos. "Zabini retornou semana passada. Ele está a um bloco daqui, e vindo na direção do dormitório deles. O que vou fazer agora fica entre nós, ok?"
"Leo." Violet franziu a testa, preocupada. Leonard sorriu para ela.
"Não temos outra opção."
E então, com mais uma olhada no mapa, abriu a passagem novamente e murmurou: "Imperio."
Violet prendeu a respiração. Zabini foi atingido à pouca distância pela maldição, e sua expressão ficou mais suave e sonhadora. Ele foi caminhando calmamente até eles, e Leonard deixou-o entrar na passagem, entregando-lhe a carta.
"Você vai levar isto ao corujal, e com a sua coruja, enviar, entende?"
Zabini assentiu vagamente. "Depois, vai direto pro dormitório, não pare para ninguém. Diga que está cansado, e que quer dormir. Vai pensar que tudo o que houve foi um sonho, ok?"
Richard estava com a boca aberta que nem um boneco de ventríloquo ao lado de Violet. Zabini fez que sim novamente, e Leonard abriu a passagem para deixa-lo sair. No caminho, pode ver o sonserino enfiando a carta no bolso distraidamente, e Leonard conferiu no mapa o seu caminho. Chocada, Violet viu-o passar pelos jardins, pelos Carrow, e, sem parar, ir até o corujal, no qual entrou. Após alguns minutos, lá estava Zabini de volta, e sem a carta.
"E agora?" Perguntou a Leonard, conferindo discretamente se ele tinha sido afetado pela maldição.
"Agora, " Leo guardou a varinha, "temos um mês para nos preparar."
