02 – Gelo

- Olha, acho que ela está acordando! – Falou uma voz fina e irritante.

Gina ainda estava cansada e instintivamente se virou, evitando a luz que insistia em bater em suas pálpebras, quando se lembrou do que aconteceu antes de cair no sono. Abriu os olhos e sentou rapidamente, se vendo numa situação, para não dizer confusa, peculiar.

Estava deitada na cama mais confortável que já experimentara na vida e o quarto em que estava também era o mais luxuoso. A janela era coberta por grossas cortinas brancas e de frente para sua cama tinha um grande armário rosa claro, que combinava com as cores da sua cama, que variavam entre o rosa bebê e o branco. Ao lado da janela tinha uma escrivaninha e uma pequena penteadeira branca e delicada, com um espelho redondo colado à parede.

Quando terminou de admirar o quarto, a garota percebeu que em frente à porta duas criaturas a observavam.

Eram dois elfos domésticos. O que tinha a pele mais acinzentada, como Gina pôde perceber, parecia rabugento e era barrigudo, apesar de ser um pouco mais esbelto que a maioria dos elfos que já tinha visto. O do lado era aparentemente do sexo feminino e tinha o nariz um pouco arredondado. Era baixinha e a encarava com um par de olhos esbugalhados e incrivelmente azuis.

- Onde... Que... – Gina tinha muitas perguntas para fazer, mas não sabia por onde começar. Começou a balbuciar coisas sem sentido, antes de perceber que nem o pequeno casal de escravos e nem ela a entendiam. A elfa se curvou para a ruiva cheia de entusiasmo, sendo acompanhada pelo elfo, que apenas fez uma referência polida.

- Prazer, senhorita Weasley. Meu nome é Coisa e esse ao meu lado é Trapo. Gostaríamos que fosse nossa convidada de honra por alguns dias. – Falou a pequena elfa, sorrindo em meio à reverência.

- Prazer... Sou Gina. – Ela não sabia direito como responder ou até como iniciar uma pergunta, tentou o melhor que pôde. – O que está acontecendo?

- Você foi convidada pelo nosso mestre para ser nossa hóspede de honra. Ele irá encontrá-la em algumas horas, enquanto isso gostaria de fazer um lanche?

Gina aceitou o convite e acompanhou os elfos para fora do quarto. Trapo continuou em silêncio durante todo o caminho, enquanto Coisa comentava algumas coisas sem importância e Gina prestava atenção no ambiente, tentando adivinhar onde diabos ela estava e só pôde concluir uma coisa: Quem morava naquela casa adorava verde.

Fora o quarto onde ela acordou, todos os cômodos eram forrados pelas cores verde, preto ou prata, e bem de vez em quando recebendo interferência de outras cores.

Ela se sentou sozinha numa enorme mesa de jantar. Coisa correu para algum lugar, provavelmente cozinha, e Trapo de vez em quando trazia algum prato para ela. Nunca tinha visto tanta opção de comida para uma pessoa só, Eram servidos de tortilhas até torradas com geléia, e Gina se esforçou para comer um pouco de tudo, para não desmerecer a cozinha.

- Tudo bem... Quando poderei ver seu mestre? – Perguntou quando terminou de comer. Trapo estralou os dedos, fazendo toda a louça sumir.

- Ao anoitecer. Sinta-se a vontade. – Disse ele, indicando-a uma porta e dando as costas para ela. Gina entrou no cômodo apontado e vir que era uma enorme biblioteca. Ela nunca foi muito fã de livros, então preferiu sair para explorar.

Depois de olhar em volta para ter certeza que nenhum dos elfos estava por perto, saiu andando pela mansão, fazendo pequenas notas mentais sobre o tipo de gente que morava ali.

Provavelmente vinham de uma família bruxa tradicional, pela quantidade de objetos mágicos nas prateleiras;

Tinha fetiche por cobras;

Logo, provavelmente pertenceu à Sonserina;

Tinha bom gosto para decoração, não podia negar (fora as cobras).

Não pôde chegar a outras conclusões, a casa parecia estranhamente impessoal. Não possuía nenhum retrato na parede ou qualquer coisa que mostrasse que alguém morava ali, e que não era somente uma área decorada para venda de móveis.

Gina parou subitamente ao ouvir uma voz vir de uma porta fechada ao fim de um corredor. Ficou onde estava e tentou escutar a conversa.

- A garota já está aqui, mestre. – Era a voz de Trapo. – Deixei-a na biblioteca, esperando-o.

Silêncio. Gina se aproximou um pouco mais, tentando ouvir se o tal "mestre" tinha falado alguma coisa.

- O que foi? – perguntou o elfo, apesar dela não ter ouvido nada. – Lá fora?

Só então Gina percebeu do que se tratava. Já estava praticamente com o ouvido colado na porta, quando viu o elfo aparatar ao seu lado, irritado.

- O mestre aparecerá para o jantar. Enquanto isso, seria educado se a senhorita esperasse na biblioteca, como lhe foi orientado.

Gina ficou constrangida e abaixou a cabeça, como fazia ao receber uma bronca da mãe. Voltou por todo o percurso que tinha feito e entrou na biblioteca.

Passou pouco tempo lá, já que assim que tinha encontrado algum livro que parecesse bom para ler, a pequena elfa apareceu eufórica na porta.

- Senhorita Weasley! Já está próximo da hora do jantar, não gostaria de tomar um banho? – Então Gina lembrou-se que estava com a mesma roupa que tinha colocado de qualquer jeito pela manhã.

- Hãn... Claro, mas não tenho roupas...

- Já está tudo providenciado, senhorita Weasley! Me siga! – Coisa segurou a mão de Gina e a guiou de volta ao quarto em que tinha acordado. Talvez por ter estado meio grogue não houvesse reparado que existia uma outra porta no cômodo que levava a um banheiro. Entrou sem deixar de notar que o lavabo era provavelmente do tamanho do seu quarto na Toca.

- Aqui estão suas coisas, senhorita Weasley! – Falou a pequenina, oferecendo a Gina uma roupa dobrada, uma pequena nécessaire e uma toalha branca de banho. – Deseja mais alguma coisa?

- Não... Quer dizer, só uma.

- O que, senhorita Weasley?

- Me chame de Gina, por favor. – Disse sorrindo. Sabia que era muito fácil ofender um elfo doméstico e não queria passar pela situação, mas ser chamada de "senhorita Weasley" a estava incomodando profundamente. Felizmente, a elfa sorriu.

- Você foi uma das poucas. – Murmurou, ainda sorrindo.

- Que?

- Ah, n-nada! Desculpe, senhorit-... Gina!

Gina ficou contente ao perceber que a elfa a entregou tudo que precisava. Saiu do chuveiro enrolada na toalha, penteou os cabelos e aproveitou dos pequenos cosméticos da bolsinha. Depois de parcialmente pronta, desdobrou a roupa que a foi entregue e que não tinha visto ainda.

- Você só pode estar brincando... – foi seu único comentário.


Gina se sentia extremamente desconfortável. Ela estava andando pelos corredores da mansão num vestido longo, verde escuro e muito bonito por sinal. Tinha se sentido estranha ao se vestir. Era de longe o vestido mais chique que já tinha experimentado, e olha que ela já tinha participado de alguns casamentos e outros eventos de gala.

Ela se dirigia até a sala de jantar (já sabia onde ficava, passara por lá durante a tarde) e ficou surpresa com o que viu.

O salão era enorme e em seu centro estava uma mesa muito comprida, iluminada por algumas velas e servida com todos os tipos de comida que se podia imaginar. Alguém estava sentado ao fim da grande peça de madeira, mas a distância e a fraca iluminação não a permitiram saber quem era.

Espere um momento...

Gina parou na porta e pensou em algo que caiu como uma bigorna. O que diabos ela pensava que estava fazendo ao jantar com seu sequestrador? Pois era isso que ele era, não importavam em que boas condições ela se encontrava. Instintivamente colocou a mão onde ficaria seu bolso e se lembrou de que não encontrou a sua varinha no quarto em que acordou. Entrou em pânico, mas não deixaria que percebessem.

Andou lentamente até a ponta da mesa, como se tivesse tudo sobre controle. Pôde reconhecer o rosto que a encarava com um sorriso educado e galanteador. O medo foi substituído por raiva.

- Boa noite, Ginevra. – Cumprimentou o loiro, levantando-se e oferecendo-a uma cadeira ao seu lado. Gina empinou o queixo e manteve-se parada. Trapo e Coisa estavam ao lado, a uma certa distância, olhando-a com cara de quem não entendia o seu comportamento. - Sente-se. – Completou o homem, ao ver que ela não se mexia.

- Não, Malfoy. Exijo que me leve para casa. Agora. – Falou Gina, seca. O sorriso sumiu dos lábios de Draco.

- Por favor sente-se, sim? Não perguntarei de novo, Weasley.

- Quem você pensa que é?! Me sequestrando desse jeito?! – Gritou, sem pensar. Agora Malfoy estava com tanta raiva quanto ela.

- A pergunta seria, quem você pensa que é para se comportar assim. Sente-se logo, Weasel, antes que eu te amaldiçoe.

- Não tenho medo de você. Não passa de uma doninha albina metida a besta. – Gina jurou ter visto uma chama de ira passar pelos olhos do loiro e por um segundo sentiu medo.

Draco andou em sua direção, os olhos queimando de ódio. Chegou perto de Gina e esta levantou o braço instintivamente, sendo segurado por ele. A garota gemeu de dor enquanto ele apertava o seu pulso e ela tentava se livrar. Ainda segurando a ruiva, Draco prensou-a na parede, empurrando o braço que segurava um pouco acima de seu rosto, prendendo sua circulação e deixando seus dedos dormentes. Gina olhou nos olhos dele e mais uma vez viu aquela chama em seus olhos que geralmente eram frios e sem brilho.

- Não sente medo? – Sussurrou no ouvido dela. A sua respiração parou e sentiu seu coração bater mais forte, apavorado. O loiro sorriu, maldosamente. – Pois devia.

Ele largou seu pulso, o que a fez desequilibrar e quase cair no chão. Ele a deu as costas e ela segurou o braço maltratado, analisando-o. Ela sentia a mão latejar enquanto o sangue voltava, e via a marca vermelha do formato dos dedos de Draco em torno do seu pulso.

- Ah, Weasley. – Ele falou, já na porta da sala e virado de costas para ela. – Da próxima vez, seja uma boa garota e não saia explorando a casa dos outros sem permissão. – Ele saiu e depois que os passos cessaram, Gina seguiu pelo mesmo caminho, voltando para o quarto assustada e com fome. Sentia saudade da sua família. Será que ainda a veria?

Que droga de jantar.


Que droga de jantar.

Draco sentou em sua poltrona no escritório e colocou as mãos na cabeça, massageando-a e consequentemente bagunçando seu cabelo. Ouviu um som de aparatação que ignorou.

- Mestre... – Falou Trapo. Draco continuou de olhos fechados massageando as têmporas. – A Weasley não comeu. Devo levar o jantar em seu quarto?

- Mande Coisa fazer isso, ela sempre foi melhor com as convidadas. – Disse, contra sua vontade. Por ele, deixaria a ruiva morrendo de fome. Mas era sua última esperança.

Velha idiota.

Se lançou para trás, deitando-se confortavelmente. Não tinha sido tão complicado com a sangue-ruim. Lembrando-se dela, levantou e foi checar a nova gaiola. Encarou a pequena lontra, deitada e parecendo entediada. Teria sorrido se as condições fossem outras.

- Isso é culpa sua, Granger. Sempre se achando a sabe tudo.

Suspirou e sentou-se numa cadeira próxima, que ficava de frente às diferentes grades do aposento e olhou para o teto. Não estava com sono, e a noite estava apenas começando. Tinha que, pelo menos fazer algo útil.

"Da maldição se libertará quando por um beijo o ódio em amor tornar"

O que diabos ele poderia fazer então? Não tinha como se apaixonar pela Weasley!

Ele se levantou e foi para onde descansava sua penseira, esperando encontrar algum fio de esperança, algo que tinha deixado passar, talvez.


N/A: E ai, o que acharam?

Espero que estejam gostando, e só tem um jeito de eu saber se sim... REVIEWS! Por favor, só para eu saber se o que eu posto interessa a alguém, e por mais que eu esteja escrevendo mais por mim mesma, um incentivo sempre é bom, não é?

N/B: Oi pessoas! Aqui estou eu comendo danoninho ice e lendo/betando essa fic. Espero que estejam gostando tanto quanto eu, por que eu tô realmente adorando! Ah, e eu AMEI Trapo e Coisa! KKKKK

Só pra perturbar quem tá acompanhando a fic: EU TENHO TODAS AS INFORMAÇÕES CONFIDENCIAIS! Sintam inveja. Muahahaa! Mas se a querida autora por acaso parar ou empacar na escrita, podem ter certeza que eu vou perturbá-la até que volte a escrever. Ou passo endereço e tudo pra vocês, aí podem mata-la. Não tenham piedade u.u

Um pedido simples e eficiente: Mandem reviews, por favoooor! Sério. Eu também tenho uma fic e sei como é receber reviews. Eu simplesmente pulo de alegria em cima das minhas amigas. Maria faz o mesmo. Então, por favor! Além de incentivo, ainda é uma coisa tão boa saber da opinião de quem tá lendo, que... bem... pelo fato de pular em cima das amigas vocês já tem uma noção. Enfim. É isso aí! REVIEWS! Uhu!