05 – O buquê e o jantar.
- O almoço está servido. – Disse Trapo no corredor.
Draco estava distraído e se assustou quando Gina levantou abruptamente da cama. Ela carregou o bichinho e apoiou no ombro, levando-o para a sala de jantar.
O dia passou rápido. A garota se divertia com o seu bichinho, Demétrio, enquanto este negava com todas as forças que também estava feliz. À tarde, depois de terem passado na biblioteca e a ruiva ter escolhido um livro para ler os dois voltaram para o quarto e ficaram na cama, ela lendo enquanto acariciava a barriga da doninha.
Ele estava de olhos fechados, apenas recebendo as carícias. Claro que não gostava da Weasley, mas estar próximo de uma mulher depois de tanto tempo o agradava, por mais que possa parecer maníaco o fato de ele estar se aproveitando da situação. Claro que não era maníaco, ele era um Malfoy. Isso já era motivo suficiente. Despertou dos seus devaneios com uma batida incessante e irritante na porta, mas antes de se lembrar que não podia mandar o intruso ir para um lugar nada agradável, a garota levantou e foi atender a porta.
- Senhorita Weasley, gostaria de lembrar que o sol já esta se pondo. – Draco arregalou os olhos. Merda. – Não gostaria de fazer um lanche? É o tempo de Coisa dar um banho no... – Trapo apenas olhou para o mestre. Não se atreveria a referir-se a ele de forma desrespeitosa.
Gina hesitou. Olhou para Draco com pesar, como se temesse que fizessem alguma coisa contra ele. Fazia tempo que alguém o olhava assim. Na verdade, apenas uma pessoa já o olhou daquele jeito. E ela se foi.
- O nome dele é Demétrio. E... Tudo bem. Mas saiba que se for algum truquezinho seu ou de seu mestre para se livrar dele... – O olhar dela fez deixou o restante da frase explícita o suficiente. Trapo se virou, sendo seguido por Gina, que bateu a porta atrás de si.
Depois do choque, Draco pôde voltar a respirar. Quase a Weasley descobre seu segredo e tudo ia por água abaixo... Tinha que lembrar de agradecer a Trapo depois.
Ele deu um salto da cama para o chão, na esperança de voltar para seu escritório e sair de lá como um humano, como se nada tivesse acontecido. Ainda tinha que pensar no que dizer para Ginevra quando desse por falta do animal, mas pelo menos agora tinha algumas horas de vantagem, já que poderia dar a desculpa de que estava sendo lavado por Coisa.
A doninha chegou até a porta e constatou um terrível fato. Merda. A porta estava fechada e ele não tinha mais polegares opositores. Fora o pequeno fato de que ele não alcançava a maçaneta, mas como se isso fizesse alguma diferença.
Analisou suas opções. Nenhuma. A porta estava fechada e a janela também, sendo que se estivesse aberta também não faria muita diferença, ele não era louco de pular do segundo andar, podia quebrar alguma coisa.
Não teve muito tempo para pensar em outra coisa, quando o sol se pôs. Começou a sentir suas mãos voltando ao tamanho original, assim como os pelos da sua barriga sumirem e se transformarem na roupa que estava vestindo ao dormir. Estava humano de novo.
Draco se olhou no espelho, ajeitou o cabelo e se preparou para sair, mas ao abrir a porta se bateu com outra pessoa que entrava.
- Ginevra... – Oh, merda. Ele estava parado olhando para ela, tão surpresa quanto ele com o esbarrão. Antes que pudesse falar qualquer coisa ela corou, deixando-o mais petrificado ainda.
- MALFOY, O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO NO MEU QUARTO?! – Ela correu para longe dele, até a cama. Ele se virou para ela, tentando se explicar, mas tudo que recebeu foi uma almofada que bateu bem forte em seu rosto. – SAI DAQUI!
Ele não esperou um segundo aviso e correu para fora do quarto, tendo a porta fechada às suas costas.
Esperou na mesa pelo jantar, mais distraído se lembrando do que aconteceu naquele dia. Droga, qual o problema daquela ruiva? O expulsou do quarto da sua própria mansão! Que ousadia...
- Mestre Malfoy... – Falou Coisa, aparecendo da escada que levava ao segundo andar. – Senhorita Gina pediu para avisar que não virá jantar hoje... Devo levar algo para ela comer?
Draco ficou irritado. Quem ela achava que era para negar sua presença desse jeito? Preferia até a companhia de um roedor à dele, qual o problema daquela garota?
- Não. Se não quiser jantar comigo, ela que morra de fome. – Se virou e foi para a sala de música, precisava descansar um pouco.
Aquele era seu lugar preferido da mansão. Lembrava-se de que quando pequeno sua mãe quis que ele aprendesse todos aqueles instrumentos: Piano, violino, harpa, violoncelo... Lembrar da sua falecida mãe era doloroso, mas também era o sentimento mais feliz que possuía. Sorriu melancólico ao pensar nisso. Sentou-se próximo à harpa e começou a tocar... Não se lembrava direito como era, mas ainda se lembrava de algumas coisas que sua mãe o ensinou. Tocou algumas notas improvisadas e sorriu. Era tranqüilizante.
- Coisa! – Gritou, e ao mesmo tempo a elfa aparatou à sua frente.
- Sim, mestre?
- Leve alguma coisa para a Weasley comer. - Falou, antes de fechar os olhos repetir uma seqüência aleatória de notas diversas vezes.
Quando finalmente abriu os olhos, a serva não estava mais lá e ele não tinha noção de quanto tempo tinha passado.
Gina estava deitada na cama olhando para o teto.
Já tinha acabado de comer o que Coisa trouxe, e a fome não era mais o seu problema. Se perguntava onde Demétrio estava, e se ele realmente ia voltar no dia seguinte, como prometido. Claro que também se perguntava o que diabretes Malfoy fazia em seu quarto quando ela estava fora... Não que tivesse nada a esconder, afinal aquele quarto era dele, apesar de ser onde ela estava temporariamente hospedada.
Despertou dos seus devaneios ao ouvir uma batida na porta. Levantou-se para atendê-la, mas não tinha ninguém do lado de fora. Acidentalmente chutou alguma coisa ao sair do quarto e olhou para o chão: Tinha um buquê de rosas vermelhas ali, junto com um pequeno pedaço de papel. Quando ia se abaixar para pegar as flores, ouviu um forte barulho de porta se fechando e viu que vinha do escritório de Malfoy. Pegou o buquê e o cartão e foi em direção à cama, se deitando mais uma vez.
Perdão pela forma que venho te tratado. Aceite essas flores e venha jantar comigo amanhã, se possível começaremos de novo.
D.M.
Em uma situação comum ela recusaria o pedido, mas o inesperado pedido de desculpas dele a deixou curiosa. Adormeceu ali, com o buquê ao seu lado e o cartão segurado na sua mão direita. Ela sonhou com Malfoy. Pena que não se lembraria na manhã seguinte.
Ele definitivamente era um idiota.
Não sabia por que tinha tido a estúpida idéia de mandar Trapo comprar um buquê de rosas nem por que convidou Ginevra para jantar, mas apenas sentia que era a coisa certa a fazer.
Também não sabia por que mandara Coisa levá-lo no quarto da ruiva no dia seguinte.
O dia passou tranqüilo para Draco doninha e Gina, até o momento que Coisa apareceu e alertou-os do horário. Com alguma desculpa qualquer a elfa levou Demétrio para fora, dando tempo para Gina se arrumar.
Foi tomar banho e estava penteando seus cabelos, vestindo um elegante vestido vinho que combinava perfeitamente com a aura de tudo naquela casa; Menos com ela.
Os planejamentos de Draco para a noite ocupavam completamente a mente de Ginevra. Será que ele falou sério quanto a começar de novo? Ela devia abaixar a guarda ou agir como tinha feito até agora? Foi interrompida pelas batidas de Trapo na porta.
A garota percorreu o mesmo corredor da sua primeira noite na mansão, talvez ainda mais nervosa. Chegando a sala de jantar ela se surpreendeu.
A mesa estava coberta com os pratos mais variados como sempre, mas não foi isso que a surpreendeu, foi a decoração. Dezenas de rosas vermelhas enfeitavam todo o recinto, e do fim da mesa vinha um loiro de terno segurando uma das flores, na sua direção.
Ainda sem saber como reagir, tudo que pôde fazer foi assistir enquanto Draco beijava sua mão e a guiava para sua cadeira.
- Então... Espero que aceite as desculpas. – Falou Malfoy, olhando para baixo. Ele também parecia desconfortável com a situação, o que a deixou um pouco menos nervosa.
O jantar se passou em silêncio, fora o som dos talheres sobre os pratos de porcelana. De vez em quando aparecia uma tentativa de conversa por um dos lados, mas nada que passasse de três frases. Quando Gina comentou que o tempo estava nublado os dois desistiram.
Trapo retirou os pratos enquanto Coisa servia a sobremesa. Colocou a pequena colherzinha na mesa ao lado do seu mestre, e acidentalmente a derrubou no chão, recebendo um olhar reprovador de Draco. Aquele jantar não estava saindo como planejado. Bem, pelo menos a ruiva não ficou berrando como da última vez... Ele liberou a elfa e foi pegar o talher ele mesmo, quando levantou e bateu a cabeça na quina da mesa.
O que não teria sido tão humilhante, se a tigela que estava na mesa não tivesse sacudido e derrubado todo o seu conteúdo gelado na cabeça dele.
Ginevra tentou, mas não conseguiu segurar o riso, que ecoava pela mansão toda devido ao silêncio. A mansão estava em silêncio a tanto tempo.
- M... me Descul... pe... – Falava Gina, tentando omitir o riso. Parou ao ouvir o som que vinha do outro lado da mesa.
Draco também estava rindo. E da própria humilhação!
Os dois riram por algum tempo, Gina com os olhos apertados e lacrimejando e tanto rir.
- Você acha tudo isso muito engraçado não, Wesley? – Ele falou de forma arrogante. Ela abriu os olhos, preparada para mais uma discursão, mas foi impedida por um pedaço de pudim que bateu na sua testa e caiu na mesa.
Draco, que tinha se levantado sem ela perceber e agora estava ao seu lado, teve que se apoiar na mesa pra não cair no chão de tanto que ria. Gina ficou corada, mas limpou o rosto com o guardanapo e também se levantou.
- Malfoy, o jantar de hoje foi... Interessante. – Disse, da forma mais digna que conseguiu, tentando não rir do loiro, que ainda se contorcia pela risada. – Mas está ficando tarde e tenho que dormir.
Ela se virou, mas olhou para ele uma ultima vez e acenou. Ele sorriu em resposta.
Qual o problema dela?! Ela sorriu e acenou para Draco Malfoy!
Só percebeu o que tinha acontecido quando chegou ao seu quarto e cobriu o rosto com o travesseiro, cobrindo as bochechas rosadas ao se lembrar dele sorrindo para ela. O Sonserino podia ser arrogante e metido, mas não podia negar que era bonito... Ela balançou a cabeça espantando o pensamento e se concentrou em tentar dormir.
N/A: Gostaram do jantar? Acho que não ficou tão bom quanto eu esperava, mas espero que tenham gostado.
Ah, mais uma coisa. Narcissa ta morta sim. É, que pena, adoro ela... Mas faz parte da história então me desculpem por tê-la matado.
