Obrigada a todas pelas reviews! Quem está lendo e não comenta, obrigada também. Iria ficar muito feliz se vocês se manifestassem :D
Enfim, desculpem a demora. Faculdade e computador quebrado me atrasaram e eu não queria postar o capítulo sem revisar. Enfim, ai está, espero que gostem
06 – Mausoléu
Alguns poucos dias se passaram depois daquele jantar onde nada extraordinário aconteceu com Gina. Ela passava os dias brincando com Demétrio e à noite jantava com Malfoy, sempre em silêncio.
O que aconteceu de diferente naquele dia? Foi a primeira manhã de neve, e a noite trouxe mais uma surpresa.
-Abra. – Disse Draco, entregando uma caixa retangular para ela.
- O que é isso? – Os dois tinham acabado de jantar e ele chamou-a para uma conversa importante na sala de estar. O loiro não respondeu a pergunta, apenas esperou que ela abrisse a caixa, e assim ela o fez.
- Isso é uma prova de confiança. – Disse Draco, ao ver os olhos da garota brilharem ao segurar o pedaço de madeira que estava guardado. – O terreno proíbe aparatação de pessoas sem o sangue ou autorização dos Malfoy, então não tente fugir. Se tentar me atacar pelas costas, meus elfos garantirão que você nunca mais saia daqui, nem receba nada para comer.
- Obrig-
- Não interprete isso como um ato de bondade, Ginevra. Só acho que nenhum bruxo merece ser tratado como um trouxa, impedido de usar mágica. – Disse ele, saindo da sala.
Apesar do pouco tempo convivendo com Draco, Gina já conhecia ele melhor. Sabia que o modo como ele agia era apenas para afastá-la e que ele não era uma pessoa completamente má.
Isso não significava que ela gostava dele como pessoa, ou que tinha esquecido de tudo de ruim que ele fez em seus anos em Hogwarts, mas aprendeu que é possível viver sob o mesmo teto que Malfoy e suportar a vida. Aquela casa não era mais tão desagradável, mas mesmo assim algumas coisas ainda a incomodavam.
A falta que sentia da sua família, falta de liberdade para ir a qualquer lugar, já que não podia deixar a mansão e principalmente a incomodava não saber o que Draco fazia durante o dia, trancado naquele escritório.
Gina respirou fundo e sentiu o cheiro que vinha do carpete, o mesmo aroma que sentiu por dias. Esse foi o incentivo que teve para correr atrás de Malfoy e pará-lo pouco antes de entrar no seu escritório.
- Esqueceu alguma coisa, Ginevra? – Perguntou, levantando uma sobrancelha. A garota respirou fundo antes de falar, tentando recobrar o fôlego.
- Eu... Queria... Um favor... – Disse a garota, quase num sussurro.
- Que seria...? – Ela levantou o olhar para encarar os olhos cinzentos de Draco, com determinação no olhar.
- Eu queria permissão pra sair da mansão. Prometo que não tentarei fugir. Só não aguento ficar tanto tempo aqui trancada! – O loiro fechou os olhos, parecia estar considerando o pedido. Ele colocou a mão na maçaneta da porta e Gina quase gritou para que ele a ouvisse, mas foi uma tentativa interrompida.
- Está bem. Amanhã à noite, me encontre na sala de estar. Está frio lá fora, se vista adequadamente. – Disse antes de entrar no escritório e bater a porta. Gina sorriu consigo mesma e voltou ao quarto.
Draco acordou na manhã seguinte pronto para mais um dia com Ginevra, aquilo já estava se tornando rotina. Claro que sempre que ele se perguntava o porquê disso o orgulho dele se recusava a responder, mas mesmo assim, todos os dias ele aparecia no quarto da ruiva para fazer companhia.
Infelizmente ela não o deu atenção naquela tarde, ficou mais concentrada em olhar pela janela e falar sobre o tempo. Ele aproveitou para tirar um cochilo na cama dela, quando acordou ela já estava vestida para o passeio noturno e Trapo tinha batido na porta para levá-lo.
Ele foi direto para o quarto e vestiu um sobretudo verde escuro, junto com um cachecol preto e seus protetores de ouvido. Desceu as escadas e encontrou uma Gina ansiosa, andando de um lado para o outro na sala de estar. Não pôde evitar uma inclinação nos seus lábios.
- Então, vamos para onde? – Perguntou ela, sorrindo.
- Eu disse que sairíamos, não devia criar tantas esperanças. – Ele andou para um dos cantos da sala, ao lado de uma grande cortina de veludo que mantinha-se fechada, evitando que a luz entrasse no cômodo durante o dia. Olhou para a garota de relance e viu seus olhos brilharem com a visão.
A cortina cobria uma enorme porta de correr de vidro que levava aos jardins da mansão. A centenária decoração de natal dos Malfoy já estava em seus lugares (trabalho dos elfos) e o jardim era iluminado por postes à luz de vela. Ao fundo do Jardim estava uma pequena construção de mármore com uma pequena guirlanda pendurada acima da entrada. Apenas pela visão, Draco sentiu um aperto no peito.
Sua atenção foi desviada ao ver que Gina já não estava ao seu lado. Ela já tinha aberto a porta e agora corria como uma criança em volta do jardim, sorrindo livremente, neve caindo sobre seus cabelos.
Draco parou de olhá-la e se voltou mais uma vez para a pequena casa e meio inconciente andou até lá. Não se atreveu a entrar, apenas ficou olhando um pouco de longe, mas suas reflexões foram bloqueadas ao receber uma forte pancada na nuca.
Ele olhou pra trás e viu a garota Weasley segurando duas bolas de neve, rindo dele. Não teve tempo de reclamar quando recebeu outra no peito. Quem aquela menina achava que era?
Ele andou furioso até ela, mas teve que parar no meio do caminho ao receber uma terceira pancada, dessa vez no rosto. Ele limpou a neve com as mãos, rosto provavelmente vermelho por causa do frio, e fuzilou a ruiva com o olhar. Ela riu e começou a correr.
Claro que ele, um Malfoy, não podia simplesmente receber bolas de neve atiradas por uma garota, pior, uma Weasley e deixá-la impune.
Ele começou a correr dela, sem perceber o quão ridícula era toda aquela situação e o som da gargalhada da ruiva só aumentava sua sede de vingança.
Draco era mais rápido que ela. Ele alcançou-a e parou em sua frente, se abaixou e apoiou o tronco da garota no ombro direito. Segurou as pernas dela e carregou-a, querendo sair da neve.
Ele correu em direção à casa enquanto sentia os fracos socos que ela dava em suas costas e protestos para colocá-la no chão, que se confundiam com o som da sua risada.
Gina não conseguia parar de rir cada vez que lembrava que tinha lançado bolas de neve em Draco Malfoy. Ele começou a colocá-la no chão e ela sentou, de olhos fechados, ainda rindo e surpreendentemente, acompanhada por ele.
A voz do loiro sumiu de repente e ela parou de rir e abriu os olhos para ver o que aconteceu. Eles estavam sentados num lugar que ela nunca tinha visto e ele olhava em volta como se tivesse entrado ali por acidente.
- Onde... – Ela foi interrompida por uma pequena pancada na cabeça que recebeu do loiro. – Ai! O que foi?
- Isso é por jogar neve em mim.
A garota sorriu, mas não foi capaz de controlar as lágrimas que estavam para cair.
Draco apenas olhou enquanto a garota que pouco tempo atrás ria como uma criança sapeca começou a chorar do nada. Será que tinha batido muito forte?
- É que... – Disse ela, fungando. – Eu costumava... Fazer guerras com meus irmãos no natal... Todos eles.
- Ginevra... – Ele não sabia o que dizer. Era tudo por ter seqüestrado ela? A ruiva levantou o olhar para ele, vendo sua expressão confusa.
- Já fazem alguns anos que não fazemos isso... Desde que Fred... – E ela voltou a chorar. Agora Draco entendia pelo que ela estava passando.
Gina sentiu uma mão em seu ombro e viu que Draco olhava para ela com seriedade.
- Eu sei o que você está passando. – Disse simplesmente. Gina não pôde deixar de sentir raiva.
- Você não sabe! Você nunca teve irmãos, nem ninguém que morreu em batalha... Você não sabe como é...
- Sei sim. – Disse ele, interrompendo-a. Gina olhou para ele, curiosa. Ele suspirou.
- Pouco depois da guerra, quando Kingsley foi declarado ministro, os antigos comensais foram perseguidos, eu e meus pais inclusos. Graças a Potter minha mãe e eu fomos inocentados, mas meu pai foi mandado para Azkaban...
- Mas ele ainda está vivo-
- Escute, Weasley. – Ela se calou. – Não é de meu pai que estou falando. Alguns meses se passaram e eu e minha mãe continuamos na mansão. Ela se esforçou para tentar amenizar a nossa situação, tentou restabelecer laços com outras famílias importantes, mas ninguém mais queria se envolver com os Malfoy. Os únicos que foram estúpidos o suficiente foram os Greengass, e nossas mães marcaram um noivado entre mim e a estúpida filha caçula deles. Finalmente nossa vida estava um pouco melhor. Um dia voltei para casa e vi... – Draco fechou os olhos com força. Sempre evitava lembrar desse dia. – O corpo da minha mãe... Na poltrona da sala de estar. Com uma carta ao lado, dizendo que sua missão estava cumprida.
Aquela foi a primeira vez que Draco falava sobre o suicídio da mãe, Gina pôde sentir. Segurou as mãos dele entre as suas, numa tentativa de confortá-lo.
- Mas... Eu pensei que ela tinha fugido...
– Draco bufou. - Isso foi o profeta que inventou. Não queriam anunciar mais mortes desnecessárias, ainda mais de uma pessoa ligada à Voldemort. – Disse ele, quase cuspindo o nome. Agora odiava o bruxo que fez ele e sua família passarem por tantas desventuras. – Esse é o mausoléu da família Malfoy.
Gina olhou em volta e viu várias placas nas paredes. O lugar era ampliado magicamente, e apesar de do lado de fora não ser visto, atrás de cada placa jazia o corpo de algum membro da família.
- E essa aqui é a minha mãe. – Disse o loiro, mostrando uma placa no canto esquerdo sem nome, apenas com datas e o desenho de uma flor. – Não queriam que colocássemos o nome já que a morte foi um segredo. Mas o desenho do Narciso representa ela...
- Eu... Eu não... Sinto muito.- Disse Gina, se sentindo envergonhada. Draco não respondeu, apenas se virou e voltou para a mansão. A garota estava confusa, mas se levantou e o seguiu. A diversão de poucos minutos tinha acabado.
Draco voltou para o quarto e não conseguiu dormir. Como tinha falado todas aquelas coisas para a traidora do sangue? Falou para alguém do seu maior fardo pela primeira vez, e foi justamente para a Weasley pobretona. Deu um leve sorriso irônico. Sua mãe se reviraria no túmulo se soubesse disso. O dia estava amanhecendo e nada de dormir. Draco se sentia sufocando aos poucos. Precisava sair daquela casa. Tudo ali o lembrava da sua mãe e de como foi doloroso a sua morte, mesmo depois de ter retirado todos os quadros das paredes.
Já era tarde, quase meio dia quando ele desceu as escadas em sua forma de doninha até a porta de entrada, que se abria para os Malfoy sem precisar de maçaneta. Ele precisou realizar tal feitiço depois de ter sido amaldiçoado. Não sabia exatamente para onde ia, mas tinha que sair de casa.
Gina acordou bem, apesar da dificuldade que teve em dormir naquela noite. Nunca pôde imaginar o quanto Draco sofreu. Apesar da sua arrogância e preconceito, ele também tinha uma família que amava.
A ruiva levantou da cama e abriu as cortinas. Viu um roedor branco passeando pela rua e se lembrou de Demétrio, quando Coisa apareceu no quarto, segurando roupas de cama novas.
- Bom dia, senhorita Gina. Já está tarde, Trapo já está preparando o almoço. Gostaria de comer alguma coisa? – Gina gostava da pequena elfa. Na verdade, estava se acostumando com tudo naquela casa. Odiava admitir, mas se divertia ali, mais do que em sua casa, constantemente solitária e assombrada pelo fantasma de Fred. Lembrar do irmão porém, a fez sentir mais uma vez, sozinha.
- Não precisa Coisa, estou sem fome. Pode trazer Demétrio aqui? – Disse Gina, deitando na cama, disposta a esquecer dos acontecimentos da noite passada e seus pensamentos dessa manhã.
- Demétrio?
- Sim, minha Doninha... Onde ele está?
- Ah sim, claro... Vou buscá-lo. Um momento, senhorita! – Coisa saiu do quarto de forma desengonçada. Segurava vários produtos de limpeza e panos de cama que quase cobria sua visão. Entrou no quarto do seu mestre e colocou as fronhas e lençóis apoiados na ponta da cama.
- Mestre, a senhorita deseja vê-lo... Mestre? – Coisa se aproximou mais da cama e procurou onde devia estar a doninha, encontrando os lençóis bagunçados e a cama vazia. – Trapo!
- O que foi? – Disse o elfo, depois de aparatar ao lado da escrava.
- O mestre não está na sua cama! O que será que aconteceu com o mestre?!
- Calma, Coisa. Vamos achá-lo. – Disse Trapo, que se virou e viu que Gina estava do lado de fora do quarto, esperando. Ele a olhou com desprezo. Era culpa dela que o seu mestre estava agindo de forma estranha, desaparecendo de repente.
- Desculpe atrapalhar... Coisa, onde está Demi? – Perguntou Gina, sem querer atrapalhar os elfos, que aparentemente estavam arrumando o quarto de Malfoy.
- Senhorita Gina... – A elfa buscava palavras para explicar que não fazia ideia de onde o mestre estava, mas Trapo a interrompeu.
- Ele fugiu. Não espere ver o animal de novo.
Coisa não estava vendo o que estava acontecendo? Como aquela ruiva traidora do sangue tratava seu mestre como um animal? Era uma ofensa. Trapo saiu do quarto para procurar o mestre, que devia estar em algum lugar da mansão. Não tinha a intenção de deixar aquela garota ver seu mestre em sua forma mais frágil outra vez.
Gina se lembrou do roedor que viu pela janela. Pensando bem, parecia que ele estava deixando a mansão. Ela saiu do quarto ignorando os questionamentos de Coisa. Chegando na entrada, viu que a porta estava semiaberta.
