Bem, o segundo capítulo não ficou muito grande, mas ficou maior...
Espero que eu tenha att rápido o bastante!
Chapter Two:
After War comes...Dispair
Abri os olhos automaticamente, antes mesmo de estar acordado. O sol havia acabado de despontar, e apenas uma fresta de luz entrava pelas janelas vedadas. Deviam ser seis da manhã, agora.
A meu lado, a Weasley ainda dormia. Eu havia concluído que devia mantê-la por um motivo muito óbvio: ela era bonita e poderia ser meu passaporte para uma vida nova. Eu a usaria para sair do país e depois a deixaria em qualquer lugar. Eu a havia salvo, ela havia me salvo uma vez e estávamos quites.
A menos que fosse encurralado. Então eu poderia negociar minha liberdade entregando-a.
Eu havia usado um objeto mágico para enxergar a noite, de forma que, logo que cheguei à cabana onde nos abrigaríamos fui vistoriar o local e protegê-lo magicamente. Depois disso feito, escondi a varinha dela em um local seguro, de onde ela não poderia roubá-lo durante a noite. Por fim tomei um grande trago de whisky para esquentar, e como os tremores da garota me irritavam, dei um pouco a ela também.
Ela dormiu quase que imediatamente. Eu resisti ainda ao sono, pensando em como poderia fazer para sair do país sem chamar a atenção dos Comensais. Eu seria discreto; só usaria a garota se não tivesse outra opção, não porque tinha escrúpulos demais, embora os tivesse, mas porque não existe negociação com Lord Voldemort.
Eu nem ao menos percebi quando dormi. Mas não consegui dormir mais que quatro horas e meia. Em geral, eu dormia pouco, e mal. Mais de uma vez percebi que a Weasley havia acordado, e esperei que ela tentasse fugir ou algo assim, mas ela permaneceu quieta. Acho que a ouvi chorar durante a noite, mas não tenho certeza. Eu não suportava quando as mulheres choravam, especialmente a minha mãe. Mas isso havia passado.
Vendo os raios do sol começarem a surgir, me sentei no chão de terra batido. O lugar era grotesco, mas totalmente seguro, e desde que eu integrara os Comensais da morte, havia dois anos, eu não me incomodava com esse tipo de coisa. Weasley estava deitada a menos de dois passos de mim, a compleição tensa, e uma posição estranha: uma das mãos repousava sobre a barriga, enquanto a outra estava estirada a frente, como se ela tentasse se defender de um balaço ou algo do gênero.
Me levantei e fui até o pequeno banheiro improvisado: tomei um banho rápido, vesti roupas limpas e tratei de procurar algo para comer. Eu não comia a mais de 24 horas. Eu não ouvira um ruído sequer, então a garota devia estar dormindo ainda, e ela não me preocupava. Eu havia aprendido a passar imperceptível. E depois ela jamais encontraria a saída sem mim, e sua varinha estava bem escondida.
A cabana onde estávamos era pequena, de terra batida e encravada na rocha, com um pequeno banheiro, uma espécie de sala e o que deveria ser uma cozinha, mas que para mim parecia mais um buraco no chão. Era degradante. Irritado, voltei para a "sala".
Ela estava acordada, os braços ao redor dos joelhos e os olhos amendoados muito abertos. Pela primeira vez me perguntei o que ela poderia estar pensando. Tudo o que eu sabia era que ela era a caçula do louco amante de trouxas Weasley e eterna namoradinha do Potter. Ela levantou os olhos para mim, com um olhar tão diferente, tão forte, embora eu não soubesse o que exatamente era diferente, que por um segundo me desnorteou. Depois me lembrei de que ela devia estar assustada, deprimida com a morte da família inteira assim como eu – muito embora a família dela fosse muito maior que o recomendado – e voltei ao meu estado de ânimo anterior.
-Estou com fome. Vá fazer algo para comer. A cozinha fica ali.
Ela se levantou e desapareceu por algum tempo. Então, o barulho de panelas e pratos sendo batidos encheu o ar. Flutuei as provisões até onde ela estava e a deixei, torcendo para que ela soubesse mesmo fazer algo comestível. Abri outra garrafa de firewhisky que trouxera e bebi mais um copo, tentando encontrar um jeito de sair da Inglaterra. Era essa a prioridade.
Joguei sobre a mesa todos os papéis e os mapas que trouxera, e me obriguei a me concentrar. Estava mais que na hora de ter um plano.
Weasley se aproximou de mim silenciosamente, apenas seus passos faziam um leve ruído. Me virei para ela, e a encontrei parada atrás de mim com um grande prato em mãos. Ela havia feito ovos, bacon e waffles – eu não me lembrava de ter trazido nada que pudesse resultar em waffles. O cheiro estava me matando de fome, mas peguei o prato das mãos dela e o coloquei descuidadamente sobre a mesa. Eu não queria que ela tivesse a idéia absurda de que estava sendo útil. Ela voltou a se sentar no lugar onde estivera pouco antes, com um prato pequeno com nada além de ovos.
Estava ficando mais claro agora. Abri o saco que dera a garota noite passada e tirei algumas roupas de lá, atirando-as ao chão ao lado dela assim que terminou de comer. Ela me olhou, não com a frieza e indiferença com que costumava me brindar, mas com choque e quase agradecimento, o que me irritava.
-O banheiro fica ali.
Apontei para ela o cubículo. Ela ficou uns instantes ainda em dúvida, mas logo depois entrou e fechou a porta. Era bom tê-la perto; enquanto me preocupava com sua presença, não lembrava da morte de meus pais.
Avancei, faminto, na refeição que ela preparara.
Entrei no banheiro e fechei a porta. Fiquei encostada ali durante algum tempo, refletindo sobre não sei bem o que. O fato é que Draco Malfoy estava me ajudando, estava tomando conta de mim... e depois de anos confrontando-o e sendo ofendida por ele não dava para simplesmente fingir que estava tudo ok.
Ter alguém me dizendo o que fazer era confortador. Mais de uma vez me peguei agradecendo silenciosamente pelo fato de não estar inteiramente sozinha, por ter alguém, por mais rude que fosse, para me dizer o que fazer e reservar para mim apenas o consolo da obediência cega.
A água ali era muito fria e tomei banho rápido o suficiente para retirar apenas o sangue grudado em mim. Depois vesti a roupa que Malfoy havia me dado, e que não condizia em absoluto com a situação. O sangue havia desaparecido do rosto dele também, então supus que ele havia tomado banho, ou apenas se limpado. Mas o fato é que ele sempre vestia-se da maneira mais formal possível, e eu estava acostumada e vê-lo de terno e camisa. Mas ele havia me dado um vestido negro de seda pura, e sandálias de salto; e isso era no mínimo desconfortável se fossemos ficar em uma cabana desregular e fria. Mas me contentei em ter algo limpo para vestir, tentei desembaraçar os nós dos cabelos com as pontas dos dedos e agradeci pelo fato de o vestido ter pregas sob a barriga, deixando-o mais solto e não marcando meu corpo.
Quando saí, Malfoy estava debruçado sobre uma pilha de papéis, riscando um mapa com a pena. Ele me olhou de cima baixo, me causando uma sensação de Deja Vu e um desespero que não sei com certeza se reprimi.
Mas ele conjurou logo uma cadeira e indicou com os olhos pra eu me sentar. Obedeci, insegura. Os olhos dele, de um prateado claro e iluminado a princípio, tornaram-se densos e opacos, e percebi as linhas de seu rosto endurecendo-se enquanto ele se preparava para dirigir-se a mim:
- Preciso sair do país e acho que você concorda comigo que é a única possibilidade de escaparmos.
Ele me olhou sério, decidido, tentando me intimidar, mas seu olhar de alguma maneira me passou muita segurança. Notei pela primeira vez que Draco Malfoy era um homem, e não um garoto. Havia algo em seus olhos que demonstrava ter ali mais do que eu poderia supor, e fiquei curiosa. Mas o que havia me cativado era o uso do plural. Ele esperava uma resposta; assenti com a cabeça, mais firme agora pela segurança que eu estava sentindo emanar dele.
Iríamos escapar.
-Estive monitorando todos os meios mágicos de transporte, - ele lançou um olhar rápido a um objeto luminoso sobre a mesa – e todos estão sendo fortemente vigiados. O Ministério caiu, a Ordem da Fênix também, e não posso aparatar para fora do país, pelo menos não sem chamar a atenção. Você também não pode aparatar ainda...é menor de idade. Só podemos fugir pelo mundo trouxa.
Olhei –o profundamente. Eu entendia o que ele queria.
-Harry Potter conhece o mundo trouxa melhor do que eu. – Malfoy esboçou uma careta a menção do nome de Harry, mas controlou-se rápido. – O que você sabe dos acontecimentos desde ontem à noite?
Ele me encarou, indeciso, eu acredito, de ter de compartilhar o que sabia comigo. Entretanto, ao cabo de trinta segundos, colocou em minhas mãos um jornal desta manhã. Eu não tinha idéia de como ele havia conseguido aquilo – eu havia dormido menos de duas horas e não o vira sair. A manchete do jornal era cristalina para mim.
Principalmente sobre o que não dizia.
"Harry Potter, é o novo Ministro da Magia – O Eleito é o homem mais novo a assumir o posto com apenas dezenove anos"
-Qual o seu parecer sobre a situação?
-Certo... – meu olhar demorou-se sobre a foto. – Então Harry Potter está no poder, e Lord Voldemort é quem está controlando o mundo da magia. Os dois me querem presa e morta, e desconfio que você também não esteja em um momento de simpatia ministerial. Não haverá desordem nem nenhum tipo de revolta enquanto Harry Potter e Lord Voldemort não entrarem em conflito e o Ministério não se dividir, de forma que não podemos contar com caos como forma de dispositivo de fuga e Harry Potter sabe que tentarei fugir pelos meios trouxas – fiz uma pausa, encarando-o.- Com tudo sendo vigiado de perto, a única chance que temos é conseguirmos nos aliar a algum trouxa e disfarçadamente irmos à Espanha e depois à Itália. De lá poderemos seguir caminho para qualquer lugar com um disfarce simples.
Malfoy permaneceu imóvel por algum tempo, o olhar fixo em mim. Eu não tinha idéia do que ele poderia estar pensando; sua expressão era indecifrável.
-Por que a Itália?
-Há muita resistência bruxa ao Lorde das Trevas lá. Harry Potter nunca pensará que irei para aquele lugar e Voldemort simplesmente detesta o país.
-Como sabe disso?
-Importa? Eu sei e é tudo.
Ele pareceu considerar seriamente algo. Ele não parecia feliz em me consultar, e não parecia confiar muito no que eu dizia. Mas eu não estava disposta a contar a ele o quão próxima eu era de seu ex-Lord das Trevas. Não mesmo.
-Como sabe que o Potter e Voldemort não irão vigiar exatamente estes lugares?
- Harry Potter tem uma mente vulgar e limitada e Voldemort é arrogante demais para sequer cogitar que escapemos de Londres vivos. Posso garantir que ele sequer pensava que sairíamos do Ministério.
-O que faremos?
Por algum motivo esta frase me tocou. Senti meu estômago se apertar, e fiquei mais tranqüila. Não era nem de longe uma sensação quente e reconfortante, mas era melhor do que a miséria que eu sentira poucos segundos antes. Acho que o fato de ele estar usando um tom de voz mais ameno me fez sentir a obrigação de escapar.
Pensei um pouco:
-Vamos viajar de avião.
-O que é isso?
-É como uma vassoura, só que muito maior e viajam centenas de pessoas ao mesmo tempo.
-Você já voou nisso?
-Não.
-Você sabe como fazer para voar?
-Não.
-Isso é seguro?
-Não estou certa. Mas posso descobrir, se encontrarmos algum trouxa com quem eu possa conversar.
-Vamos deixar uma coisa bem clara, Weasel: eu não confio em você. À menor desconfiança de que está me enganando ou de que vai me prejudicar eu vou matá-la, entendeu?
-Perfeitamente.
Nesse momento me passou pela cabeça que Malfoy era um Comensal. Ele havia feito o treinamento, segundo os aurores da Ordem, e eu mesma o havia visto em missão quando participei da resistência à tomada do Saint Mungus. O que ele havia feito para estar fugindo?
Eu não tinha certeza se queria saber a resposta.
Ele continuava a me encarar profundamente. Notei então, o que ele estava tentando fazer – ele estava usando Legilimência. Nunca fui boa oclumente, e precisei de muito esforço para refrear meus pensamentos. Mas havia uma imagem que estava rondando minha cabeça desde que eu descobrira que estava viva, e eu sabia que ele havia visto. Mas eu não podia prever o que ele deduziria daquilo.
-Eu só quero estar a salvo – disse ao bloqueá-lo da minha mente. – E você está me ajudando. Não vou prejudicá-lo, seja lá porque pretende fugir.
Ele ergueu uma sobrancelha, cético. Mas depois começou a fazer anotações rapidamente em um papel e a riscar mapas e outros documentos. Desviei os olhos, mais para não indispô-lo contra mim, pensando que eu o espionava, do que por vergonha e notei que o prato que eu havia deixado estava vazio.
-Muito bem. Já sei o que faremos.
O Comensal entrou na sala cabisbaixo. Sabia que deveria fechar sua mente, mas lhe parecia impossível não temer pela sua vida com as notícias que trazia.
-Milorde, Senhor Ministro...
-O que tem a dizer, Zabini? – disse uma voz seca.
Era melhor despejar tudo de uma vez.
-Malfoy desertou, Milorde.
-Como desertou? Foi ele mesmo quem começou o ataque ao Ministério.
-Eu sei, Milorde. Mas Lúcio foi encontrado morto pela Comensal Parkinson. Ainda não sabemos quem o matou, e Draco não foi encontrado em lugar algum.
-Draco é um bom Comensal. Alguma chance de ter sido capturado?
-Poucos integrantes da ordem sobreviveram. Não creio que conseguiriam capturar-nos.
-Que pena.
Sibilos baixos. Zabini congelou ao ouvi-los. Detestava quando conversavam em língua de cobra. Detestava cobras, na verdade.
- E quanto à garota Weasley, Zabini?
-Sua namorada aparentemente fugiu, Senhor Ministro.
-Como FUGIU? Minhas ordens foram claras. Eu a queria intocada aqui.
-Fizemos o possível, Senhor, mas ela resistiu.
-Seu IDIOTA! Ela tem dezesseis anos, não pode aparatar! COMO ELA CONSEGUIU SAIR DO MINISTÉRIO?
-Não tenho certeza, Senhor. As informações não são muito precisas. Mas parece que ela e Malfoy desapareceram...juntos.
Blaise Zabini abaixou a cabeça e esperou pelo pior. Os sibilos recomeçaram, e sentiu algo gélido deslizando dentro de seu peito. Iria morrer agora, estava certo.
-Quem lhe deu essa informação, Zabini?
-Crabbe e Goyle, Senhor. Goyle disse...bem, disse que Malfoy matou o pai dele.
-O que mais você sabe?
-Bem, as informações que eu tive foram de que Malfoy entrou em uma sala com ela e que, quando os Comensais conseguiram arrombar a porta, os dois não estavam mais lá. Quatro comensais foram enviados ao esconderijo dos Malfoy, o pai de Goyle incluso, e os encontraram lá, mortos. Um deles tinha o pescoço quebrado.
Não quis dizer mais nada. Malfoy era seu colega desde Hogwarts, mas os dois haviam feito o treinamento para Comensais juntos, e Zabini sabia do que Malfoy era capaz. Já o havia visto fazer coisas...que nenhum dos outros fazia.
Harry Potter parecia furioso. Não conseguia entender porque ele estava tão interessado na namoradinha, uma vez que agora era o Ministro e poderia escolher qualquer mulher que quisesse. Tudo bem, a Weasley era gostosa. Bem gostosa. Mas isso não justificava nada.
O Ministro virou-se bruscamente para Zabini, que engoliu seco com o olhar estrábico do garoto que se achava poderoso.
-Quero que a encontrem. Quero Ginny Weasley na minha sala.
-Sim, Senhor Ministro.
-E vamos descobrir se ela está ou não está com Draco Malfoy.
-Perfeitamente. – Zabini respirou um pouco mais alto.
-Agora saia, Zabini. O Ministro e eu precisamos conversar.
-Sim, Milorde.
Zabini sentiu as pernas bambas quando se levantou da reverência em que permaneceu durante toda a conversa. Saiu, cabisbaixo, mas lançou um último olhar para Harry Potter antes de fechar a porta. Ele o olhava, e estava claro em sua compleição que desejava azará-lo com um cruciatus. Zabini teve a estranha sensação de que era seu Lorde quem o impedia.
Harry Potter estava irado. Não parecia de forma alguma um homem apaixonado. Parecia mais um garoto contrariado.
Permaneci imóvel atrás da caixa que Ginny Weasley havia me dito ser um tememone. Tinha que admitir que ela era corajosa. Conversava a uns dez minutos com uma velha que tinha mais dobras na cara do que um leque. Os trouxas eram mesmo asquerosos.
Eu estava completamente diferente. Havia me transfigurado em um homem moreno, de pele e olhos escuros. Minhas vestimentas eram de um mau gosto tremendo. Weasley havia apenas mudado a cor dos cabelos. Eu costumava gostar de loiras, mas a cor não a favorecia; ela parecia apagada – como se a beleza e a personalidade dela estivessem intimamente relacionados com a cor dos cabelos. Mesmo tendo mudado apenas isso, ela ainda parecia bem mais disfarçada do que eu.
Eu estava inseguro, vigiando inquieto a movimentação da rua e a conversa da Weasley; minha varinha estava pronta para azará-la ao menor sinal de traição. Ela, entretanto, parecia naturalmente integrada ao ambiente e totalmente a vontade, conversando de uma maneira despreocupada, às vezes rindo e jogando os longos cabelos para trás.
Comecei a ficar inquieto e muito irritado. Aquilo não era um bate papo. Eu havia dado quinze minutos a ela, mas a garota parecia não ter pressa. Será que ela não via que mesmo a Londres trouxa estava infestada de Comensais?
Quarenta segundos antes de expirar o prazo que eu havia estipulado ela parou ao meu lado. Ela sorria divertida, mas pude notar que o canto da boca tremia ligeiramente, e o vinco entre os olhos deixavam claro a tensão em que estava.
-Tudo bem, acho que sei o que fazer.
Começamos a caminhar tranquilamente pela calçada, na direção oposta ao lugar em que estava a velha cara-de-leque. Weasley apoiou o braço no meu enquanto andávamos – não gostei, mas tampouco fiz qualquer gesto de contrariedade. Meus olhos voavam de uma pessoa a outra, investigando, invadindo suas mentes, tentando encontrar o perigo antes que ele me encontrasse.
Subitamente, ela me puxou para uma pequena rua lateral. Suas mãos estavam gélidas e úmidas e pressionaram meu antebraço com força. Eu não havia notado nada anormal até ali, mas sabia que ela tinha bons instintos. Havia descoberto isso no esconderijo Malfoy. Ela sorria, parecendo alienada, mas a pressão no meu braço dizia que algo estava próximo. Seus passos se tornaram mais rápidos, e também me apressei em acompanhá-la.
Viramos em outra rua, uma transversal apinhada de gente, e passamos a nos embrenhar entre os transeuntes. Eu sabia que nem de longe parecia tão despreocupado quanto ela – eu podia sentir minha compleição tensa. Continuei escaneando os rostos das pessoas à nossa volta, arriscando algumas olhadelas para trás, tentando encontrar o que quer que fosse que estava amedrontando a Weasley. Mas não tive muito sucesso.
Quando eu menos esperava, ela começou a ir devagar. Me perguntei se ela não havia tido uma impressão errada, e agora reconsiderava. Afinal, eu não havia visto nada. Ela parou em frente a uma vitrine, olhando umas roupas horríveis mas que deviam ser bem caras, a julgar pelos carros parados ali em frente. Eu entendia alguma coisa de carros trouxas. A Weasley parecia vidrada ali. Mulheres. Ia questioná-la, quando ela apontou um vestido qualquer e virou-se para mim:
-A sua esquerda.
Imediatamente vi qual era o problema. Pelo espelho pude ver a cara de Nott nos encarando profundamente, há uns quinhentos metros de nós. Eu não o havia notado porque estava fora do meu campo de visão, mas o vidro da loja me dava uma vista panorâmica da rua e da pequena praça onde estávamos.
-E agora?
-Não sei. A quanto tempo está nos seguindo?
-Sete quadras. Não sei se percebeu quem somos, mas está desconfiado.
-Não posso aparatar aqui. E não tenho Flu.
-Por aqui.
Weasley me puxou pela mão para dentro da loja. Uma vendedora se aproximou imediatamente, sorrindo de maneira débil para mim. Mesmo mau vestido, eu continuava lindo.
Weasley sorriu para ela e pediu para ver o vestido esquisito que me mostrara lá fora. Eu vigiava a rua, por um dos muitos espelhos da loja. Ao longe, Nott se aproximava sem fazer questão de aparentar descuido. Ele sabia. A pressão no meu peito parecia me paralisar, e eu não entendi qual era a intenção da garota ao meu lado.
Tanto ela quanto a vendedora deram um sorriso imenso para o vestido. Sorri também, para esconder a tensão. Vi Nott se esconder entre dois caminhões, e seu braço se ergueu, a varinha preparada. A trouxa vendedora parecia encantada comigo.
Ela não sabia que estávamos todos encurralados.
N\A: Tenho que agradecer especialmente a Rikay, HinaLyka e Helena Malfoy pelas reviews lindas. Me ajudou muito a continuar escrevendo. Muito obrigada, sweeties!
Merece reviews?
