N/A: Não vou enrolar, porque já demorei muito.

Mas a verdade é que esse capítulo ficou bem pesado. Dark-feelings. Ainda não decidi o que vou fazer com a Ginny e o bebê, mas ñão quero que o meu lado negro prevalesça. Estou muito perversa ultimamente.

Enfim, vamos ao capítulo.


Chapter Five

Castelos de Areia

Aurora´s POV

-Este é seu irmão, Senhor Malfoy.

O Senhor Cherbátsky empalideceu ainda mais. Ginny parecia aterrorizada.

-O sobrenome dele é Cherbátsky. Acho que a Senhora se enganou. – Disse Augusta.

-Malfoy é o nome do meio –Ginny sussurrou para nós, ao notar que a garota não responderia –da família de Draco.

-Claro – assenti, envergonhada pela intromissão de Augusta – vamos deixá-los a sós.

Augusta e eu íamos saindo, quando percebi que Ginny nos seguia. Sua expressão era de receio e angústia, e ela se apoiava ligeiramente no sofá.

-Não precisa nos acompanhar querida – eu disse – entendemos que é uma situação delicada.

-Acho... – Ela começou – Melhor deixar que Draco resolva...

-Fique, Ginevra.

A ordem do Senhor Cherbátsky veio em um tom imperativo que eu jamais esperava dele. Aliada à expressão no rosto dele, de um ódio assassino que parecia borbulhar por baixo da pele, comecei a duvidar se a saúde frágil de Ginny não teria nenhuma relação com o temperamento genioso dele. Depois, descartei a possibilidade. Ambos estavam nervosos e cansados, e o destino não parava de pregar peças a eles.

Augusta e eu voltamos para casa de braços dados, ansiosas para saber o que aconteceria. Desesperadas por um pouco mais dessa emoção que parecia turbilhoar a vida dos jovens.

Ginevra´s POV

Depois que as irmãs Lefroy saíram, o silêncio parecia um animal raivoso que crescia assustadoramente rápido.

Draco Malfoy parecia insano. Seu olhar, por si só, parecia que derreteria a pobre garota.

Senti tanta pena dela que, por um segundo, comecei a chorar. Depois sequei a lágrima e permaneci estática, esperando que um dos dois dissesse alguma coisa. Eu queria desesperadamente sair dali, e meu medo de que algo me acontecesse, ou que algum comensal me alcançasse enquanto estivesse longe de Malfoy era tão grande quanto o medo que eu sentia de estar perto dele nesse momento, quando sua fisionomia denunciava um ódio tal que eu aparentemente nunca havia sentido, nem perto.

Astoria foi quem começou.

-Conheci seu pai há três anos. Ele tentou disfarçar o que era, mas vocês não são muito bons nisso. Se espantam com facilidade...

-Nós? – perguntou Malfoy.

-Bruxos – ela respondeu.

-Você é trouxa? – A indignação em sua voz foi como uma explosão e eu me afastei um pouco mais, para perto da porta. -Quer me convencer que meu pai teve um caso com uma trouxa ruiva?

Astoria descobriu um pouco o rosto do bebê e, para mim, não havia como negar que ele era um herdeiro Malfoy. Se Draco não era o pai, então o lógico é que fosse Lúcio Malfoy. Mas, ao mesmo tempo, e levando-se em consideração o meu conhecimento do ódio dos Malfoy por nós ruivos, ou pelos trouxas, achava a história tão improvável quanto Malfoy.

-Se não acredita em mim, pode ler minha mente.

Astoria me lançou um olhar suplicante. Entendi o que ela queria, mas fiquei com medo de Draco. Ele poderia, nesse momento, se virar contra qualquer um, e eu não queria estar à frente dele caso acontecesse. Mas, ao mesmo tempo, senti muita pena da criança. Ela estava em meio aquele confronto de gigantes sozinha e confusa, mais ou menos como eu me sentia em relação à guerra.

-Meu pai jamais faria isso!

O grito dele acordou a criança, que começou a chorar. É claro que isso só o deixou mais nervoso, andando de um lado para o outro, passando as mãos impacientemente pelo cabelo, às vezes. Como ele deu um passo a frente, me adiantei também, mais rápido. Eu não queria que ele machucasse o bebê. Então o segurei nos meus braços, tirando-o delicadamente do colo da mãe, seu peso morno me lembrando que em breve eu também teria um bebê, e me afastei rápido. Senti uma súbita afeição por aquela criaturinha indefesa.

Por sua condição vulnerável em meio a gigantes de fúria.

Voltei para perto da porta, e me encostei ao batente. Me sentia fraca e profundamente desiludida, mas não tive coragem, a princípio, de sair sem o consentimento de Malfoy, tão próximo ele me parecia do Draco que ameaçara me entregar aos comensais em uma caverna escura.

Eu sabia o que Astoria estava sentindo. O tempo todo em que a tive à minha frente imaginei que eu estava em seu lugar. Eu sabia o que se passava em sua cabeça, com clareza. O medo e o desespero eram meus velhos conhecidos. A diferença é que, se minha hora chegasse, eu não teria a quem recorrer. Não havia mais uma família por mim ou para mim.

Embalei o bebê, até que ele voltasse a dormir, sempre atenta, com medo da instabilidade de Malfoy. Draco, com uma brutalidade desnecessária, segurou a garota pelo braço e, percebi, entrou na mente dela. Não sei quanto tempo ele ficou assim, até que a soltou, em uma crise de fúria incontida, fazendo com que os objetos voassem ao seu redor como um redemoinho descontrolado.

A felicidade e conforto transmitido pela sala, que antes me dava uma sensação de falsa tranqüilidade que eu jamais atingiria ficou ainda mais assustadora com o caos criado por Malfoy.

Saí da sala com o bebê, e me afastei o máximo possível. Eu poderia ajudar a criança, mas jamais poderia ajudar Astoria. Caminhei pelos corredores delicados e harmoniosos, com aquele tom rosado que parecia tão deslocado com minha bagunça e insegurança interior, tentando pensar em um jeito de ajudar a mãe sem prejudicar ao filho, ou a mim. Não poderia me colocar em meio a ela e Draco, caso ele resolvesse machucá-la em seu ciclo infinito de ódio. A única coisa que eu poderia fazer por ela era rezar a Merlin para protegê-la. Se voltasse lá, estaria arriscando três vidas ao invés de uma.

Me sentei em um dos quartos do fundo e fiquei lá. Era amplo e claro, mas possuía apenas uma cama e uma poltrona em tons de ocre. Não sei quanto tempo gastei ali, embalando o bebê, sentindo aquele cheiro indescritivelmente bom de inocência e sonhos. Pensando se aquela criança teria mais sorte, mais possibilidades do que a minha. Me levantei da poltrona quando ouvi passos. Fiquei com medo de que Malfoy tivesse machucado Astoria, ou que viesse descontar sua fúria com seu pai em mim ou no bebê. Mas, ao invés disso, quem eu vi foi a própria Astoria.

Ela sorriu enquanto se aproximava, mas sua palidez era bem acentuada. Sorri de volta, um pouco tímida.

-Onde está Draco? – perguntei, já nervosa. Eu tinha medo de que, a qualquer momento, ela revelasse ser uma Comensal da Morte. Que isso fosse uma emboscada. Que houvesse algum motivo sombrio por trás de seu aparecimento misterioso. Se Draco estivesse por perto, mesmo com toda a sua loucura, eu me sentiria mais segura, pelo menos.

Mesmo sabendo que ele era, sim, muito perigoso, havia algo que eu não sabia explicar, mas que me dizia que eu estaria protegida enquanto estivesse com ele. Algo maior, quase irresistível e inominável.

-Eu não sei – ela respondeu. – Ele saiu. Está furioso.

Acenti com a cabeça. Eu não sabia o que esperar. Ela se sentou na cama, e fez sinal para que eu me sentasse ao seu lado, os olhos presos na pequena criaturinha aninhada em meu colo.

-Por favor, cuide dele! – O seu lamento foi quase tão agudo quanto minha surpresa.

-Você vai deixá-lo?

Ela notou a indignação em minha voz. O tempo todo, pensei que ela precisasse de dinheiro para cuidar dele, que queria ajuda, e não que quisesse se livrar do bebê. Mas, na verdade, minha indignação não era por ela deixar o bebê. Era porque, lá no fundo, eu sabia que também gostaria de fazer isso, de deixar o bebê com alguém que pudesse cuidar dele sem se odiar profundamente, sem detestá-lo pelo simples fato de ser filho de quem era...porque eu tinha medo de olhar para essa criança todos os dias da minha vida e me lembrar que ele era produto da crueldade de alguém que eu cheguei a pensar que amaria por toda minha vida. Mas eu jamais poderia. Jamais poderia deixá-lo, pois Harry mataria meu bebê sem hesitar. E me mataria depois, se pudesse.

Duas lágrimas grossas rolaram pelo seu rosto. Senti pena dela. Mas, mais ainda senti asco de mim mesma.

-Eu tenho dezessete anos. Sou menor de idade. Meus pais não aceitam...acham que ele é uma aberração. Eu... não posso cuidar dele.

Ela fez um gesto com a cabeça, indicando o bebê. Concordei. Eu não queria julgá-la, nem fazê-la sofrer.

-Qual o nome dele?

-Eu não dei um nome. -A mágoa que apareceu em seus olhos me comoveu. Eu entendia tanto, que aquilo doía em mim também. – Dar um nome só me faria me apegar mais.

-Eu entendo – respondi.

-Você...você também está grávida – disse, limpando as lágrimas que rolavam sem esforço.

Olhei-a com espanto.

-Como sabe?

-É uma coisa engraçada. Depois que a gente engravida, você aprende a ver quando outra mulher também está.

Ficamos em silêncio. Entreguei o bebê para ela, e ela o acalentou um pouco.

-Ele é o... – entendi a pergunta, e balancei a cabeça.

-Não. O pai mataria a mim e ao bebê agora, se pudesse. – Eu não sabia porque estava dizendo tudo aquilo. Na verdade, dar esse tipo de informação era absurdamente desnecessário e perigoso. E aqui estava eu, falando com uma desconhecida sobre a minha vida.

Astoria voltou a me entregar o bebê, e se levantou, secando novamente lágrimas que não cessavam.

-Você deve se perguntar sobre Lúcio e eu?

Eu sorri. Um sorriso sem graça, claro. Era apenas uma curiosidade mórbida.

-Eu não entendo. Ele era repulsivo para mim. Sempre desprezou minha família, porque éramos pobres, amigos de trouxas...e ruivos. Como ele pode ter um filho com uma garota ruiva e trouxa? Não faz sentido!

-Ele dizia que se apaixonou por mim na primeira vez que me viu. – Ela parou um pouco, e sorriu. – Ele era sempre gentil e carinhoso. A diferença de idade nunca importou muito para nós. Pouco antes de desaparecer, entretanto, ele parecia estar irrequieto e preocupado. E me disse algo sobre ter cometido muitos erros, e que eu o havia ajudado a ver o que realmente importava...talvez ele estivesse falando sobre isso.

-É, talvez – eu disse, e então me lembrei das feições de Lúcio Malfoy. – Mas eu duvido.

-Ele nunca soube que eu fiquei grávida. Só os encontrei por causa do medalhão. – Ela apertou entre o dedo indicador e o polegar uma medalha fluorescente. Depois acrescentou, mais para si mesma. - Talvez se soubesse, teria ficado. Estaria vivo.

Astoria se abaixou e beijou a testa do bebê. Seus olhos cheios de lágrimas traziam também uma súplica.

-Prometo que enquanto estiver com ele vou protegê-lo. – Eu disse.

-Obrigada.

Ela começou a caminhar, mas se virou antes de passar pela porta.

-Vou rezar por você todas as noites. Isso é realmente importante para mim.

Eu assenti, e a vi partindo. Meu coração pareceu se quebrar ainda mais. O que ela não sabia era que minha estadia com Malfoy tinha tempo determinado...e pessoas dispostas a esgotarem esse tempo ainda mais rápido.

Draco passou dois dias desaparecido.

Foram dois dias de terror absoluto para mim. Voltei com o bebê – que eu passei a chamar também de Draco – para a casa das irmãs Lefroy. Cada som, cada cheiro, pareciam me alertar um perigo inominável. Eu não me sentia bem sabendo que Draco não estava perto. Parecia...faltar algo todo o tempo, não importava quanto eu me ocupasse.

Tanto as irmãs Lefroy como a Senhora Gilmore passaram a sussurrar, assustadas com meu estado de ânimo. Se algo caía no chão, ou se a campainha tocava, eu entrava em um estado de pânico tão alarmante que levava um quarto de hora para voltar a me acalmar.

Meu medo secreto era que Draco voltasse a ser um Comensal da Morte. E que, sabendo onde eu estava, me entregasse a Harry Potter e Voldemort.

Era noite, e eu havia acabado de colocar o pequeno Draco para dormir, depois de uma mamadeira cheia. A verdade, é que eu já me sentia um pouco mãe dele. Havia me afeiçoado verdadeiramente. O que me fazia temer por ele também.

Eu não pensava no meu bebê. Eu sabia que podia cuidar do filho de Lúcio Malfoy, porque ele não fora nada para mim, e o bebê era isento de culpa. Mas tinha medo de ver na criança de meu sangue os erros e crueldades do seu pai, e culpá-lo por isso.

No fim do terceiro dia, quando eu já não tinha nervos para tencionar, a campainha tocou. Imediatamente passei a ofegar, a ponto de pedir que não abrissem a porta. Aurora se sentou do meu lado, e passou a esfregar minhas costas. Era uma graça de Merlin tê-las ao meu lado, ou eu já teria sucumbido. Augusta foi abrir a porta.

Ela voltou, poucos segundos depois, com Draco ao seu lado.

Ele estava com a barba por fazer, o cabelo desgrenhado, e parecia absurdamente cansado. A princípio, me senti tão amedrontada que, sem saber como, penetrei na mente dele mesmo sem varinha. Eu o vi negociando com um velhaco sujo e mal-humorado, vi-o pagando e retirando um maço de papeis que eu não sabia o que era. Só entendi que estava na mente dele quando, depois de vê-lo perambulando pelas ruas com a imagem de Astoria e a minha na cabeça, ele me expulsou.

Aquele era mesmo Draco Malfoy.

O alívio que senti foi imenso. Eu jamais poderia descrevê-lo. Meus olhos se encheram de lágrimas e, não sei porque, eu o abracei.

Mas me recuperei do choque inicial rapidamente, e me afastei. Foi como abraçar a um cadáver.

Aurora e Augusta pareciam confusas, mas logo passaram a tagarelar algo que nem eu nem Malfoy ouvimos. Eu o levei, em silêncio absoluto, até a cozinha, e lhe servi um caldo quente. Depois, enquanto ele comia, fui preparar um banho para ele.

É claro que eu estava confusa e queria saber o que havia acontecido nesses três dias. Mas eu tampouco queria me indispor com ele. De forma que o melhor era não perguntar nada, por enquanto. Parecia que nos entendíamos bem no silêncio.

Malfoy entrou no banho, e me dediquei em preparar uma cama para o pequeno Draco, ao lado da nossa, onde eu poderia ouvi-lo facilmente. Coloquei um colchão no chão, e alguns cobertores, e depois o retirei da cama, onde ele dormia, e o coloquei em sua cama improvisada. Senti pena do pobrezinho – ele se encolheu de sair de seu lugar quentinho para outro frio – mas não acordou ou sequer resmungou, o que era muito bom.

Draco saiu do banho e lançou um olhar contrariado para o irmão. Depois se deitou e fechou os olhos. Acho que adormeceu imediatamente.

Draco´s POV

Eu sabia bem o que era o inferno.

Mas os últimos três dias haviam sido piores do que o inferno. Eu não havia dormido sequer um minuto nas noites em que havia estado fora. Não conseguia me sentir relaxado o suficiente, parecia que alguma coisa faltava.

O súbito aparecimento desta tal Astoria havia me irritado profundamente. Explicava muita coisa; as noites que meu pai passava fora, o súbito desânimo de minha mãe, suas brigas nos últimos dias...

Meu pai sempre me advertira que era fiel a minha mãe. Sempre me ensinou que a lealdade e a fidelidade eram extremamente importantes. Minha mãe e ele haviam tido um casamento perfeito. E porque ele havia me dito tudo aquilo? Porque me ensinar "bons valores"?

Só para pisar e destruir meu castelo de areia?

Eu não suportava olhar para a cara daquela criança. No fundo, eu me dizia que ele não tinha culpa, mas não podia deixar de culpá-lo. Agora eu precisaria da Weasley. Eu não sabia cuidar de crianças, e não queria cuidar daquela.

Weasley. O tempo todo ela vinha rondando minha mente. Se eu tivesse me apaixonado pela Weasley, ou mesmo tido um caso com ela, em Hogwarts, meu pai me crucificaria. Toda a minha vida eu o havia ouvido fazer apologias à inferioridade moral, social e monetária deles. Meu pai os colocava abaixo, inclusive, dos elfos domésticos. E então descobrir que o magnânimo Lúcio Malfoy teve um filho fora do casamento, e com uma garota com as mesmas características que a Weasley...isso juntava alguns pontos na minha cabeça. Coisas que eu observara mas nunca havia entendido. Olhares, gestos, impulsos que ele continha.

Me fazia pensar que meu pai não detestasse todos os Weasley. Talvez alguém fugisse à regra.

Eu havia ido atrás. Investigado. Mas não havia concluído nada.

E me encontrava agora deitado numa cama na qual fingia dormir, tentando ignorar que não havia sobrado sequer um grão de ilusão para sustentar meu castelo. Tentando ignorar que estava prestando atenção em cada som que a Weasley produzia; o beijo que ela deu naquela criança e que me fez ferver de ódio, o ciúme dela com aquele bebê, que eu quis pensar ser fruto da carência que eu sentia com a perda de minha mãe, seus passos, o cheiro doce de flor dela, e pensando se havia sido ela quem poderia ter atraído meu pai.

Ouvi quando ela se deitou ao meu lado. Aquele cheiro incrivelmente doce rodeando e impregnando tudo ao redor.

Ouvi quando ela deu um suspiro longo, muito tempo depois. E como ela girava na cama, tentando se acomodar mais. Esperei que ela dissesse alguma coisa, mas ela parecia estar mesmo dormindo.

Eu havia esperado a noite toda por isso. Desde a noite em que eu adormeci com a mão sobre o ventre de Ginevra eu não havia conseguido dormir nem um pouco, o que me fazia pensar que talvez houvesse alguma ligação entre o excesso de sono e a tranqüilidade que eu pensara sentir vindo daquela coisinha que crescia dentro dela.

Eu havia esperado uma hora, uma hora e meia. Ela deveria estar dormindo. De forma que, lentamente, procurei suas formas e toquei seu ventre de modo suave. Poucos segundos depois, pude sentir aquela onda acariciar minha mão. Ao mesmo tempo, as mãos de Ginevra pousaram, quentes, sobre as minhas.

-Draco? – sua voz parecia cansada ao me chamar.

Eu não sabia se devia responder ou não. Percebi que minhas mãos estavam muito frias, pelo contato das mãos quentes dela. Isso devia tê-la acordado. Deixei que pensasse que aquele havia sido um gesto involuntário meu. Permaneci em silêncio, ouvindo a respiração dela acelerar, e seu ventre sacudir com o que me pereceram soluços. Ela estava chorando.

Aquilo não devia ser bom para o bebê. Ficar chacoalhando como se estivesse no meio de um terremoto. Quis dizer a ela para parar, ou retirar a mão, mas não podia denunciar que estava acordado esse tempo todo. Sua voz baixa me surpreendeu.

-Você gosta mesmo do Malfoy, não é bebê?

Por um segundo me preocupei que ela estivesse acordada e havia percebido o que eu fizera na noite anterior, também. Mas uma nova onda me surpreendeu, mais suave, e exatamente na palma de minha mão.

Acho que a Weasley sorriu, pelo modo diferenciado com que sua barriga se moveu. Permaneci estático, incapaz de entender como aquilo era possível. Como um filho do Potter poderia ser tão esperto. Devia ser menina.

E, com certeza, havia puxado para a mãe.

Eu estava quase adormecendo quando senti que a Weasley havia tirado as mãos de cima da minha. A ouvi suspirar mais uma vez.

-Eu também me sinto melhor quando ele está aqui.

Eu estava muito sonolento para compreender aquelas palavras. Por algum motivo, adormeci sorrindo.

Ginevra´s POV

Draco e eu nos mudamos para a casa do final da rua após o almoço.

Fiquei sem graça de comentar que ele havia adormecido com a mão na minha barriga. E, por algum motivo, aquilo havia me acalmado da minha paranóia de ele ter voltado a ser comensal da morte.

A verdade é que notei um padrão um tanto...engraçado. Em geral, o bebê permanecia bastante quieto. As vezes, eu tinha medo de que algo houvesse acontecido sem que eu percebesse. Algo...mórbido. Mas então, quando Draco falava ou se aproximava muito, eu podia sentir o bebê se movimentando lentamente, como se estivesse se espreguiçando. Fazia cócegas.

Acho que Malfoy notou também, porque começou a olhar para minha barriga quando falava comigo.

A casa rosada parecia um palácio, mas ficou bastante mais fácil quando Malfoy trouxe uma elfo-doméstico chamada Pandora para me ajudar a organizar tudo.

Acredito que, aos poucos, ele passou a confiar mais em mim. Devolveu minha varinha, e não me seguia com aquele olhar homicida enquanto eu me locomovia pela casa. Talvez fosse minha nova condição de grávida, talvez fosse porque ele notava o quanto eu havia me apegado ao pequeno Draco, mas o fato é que eu me sentia muito melhor ali, onde podíamos usar magia sem nos preocupar com as irmãs Lefroy, cujas visitas se limitavam aos poucos momentos em que eu ia até lá para jogar Bridge.

Mas ele se recusava a ficar perto de Draquinho por muito tempo.

Certa manhã, entretanto, ele entrou sem que eu houvesse notado. Pandora estava recolhendo os brinquedos espalhados pela sala, e eu estava ajeitando os jornais e preparando a dose de firewhiskey dele, quando Draquinho deu um grito de alegria, e começou a gargalhar. Eu completava cinco meses e meio naquele dia, de acordo com meus cálculos prováveis. Draquinho costumava rir, mas era a primeira vez que ele gargalhava. Tanto Pandora quanto eu nos aproximamos, maravilhadas com o novo espetáculo. Ele ria e apontava para a janela, estendendo os bracinhos para onde os galhos da árvore se moviam e o entretinham.

Segundo o pouco que Astoria deixara, Draquinho completaria nove meses em três dias. Era tarde para um bebê gargalhar pela primeira vez. E, ao mesmo tempo, parecia assustador e fantástico aquela alegria involuntária em uma casa tão tensa.

Peguei-o no colo, e comecei a brincar com ele. Eu o mimava, e me cercava dele porque tinha medo de não amar meu próprio filho como já o amava.

-Pandora, pegue uma bolacha para Draquinho. Essa gargalhada merece.

-Sim, Senhora.

Draquinho adorava bolachas, e fazia uma bagunça com elas. Mas enquanto Pandora ia à cozinha, notei o que chamava a atenção de Draquinho não eram os galhos da árvore.

Draco estava parado ali, primeiro com um feitiço de invisibilidade, mas depois pude vê-lo com clareza, sua expressão me assustando. Imediatamente coloquei o bebê no chão, quando notei que ele se aproximava de forma ameaçadora.

-Deu meu nome a esse moleque?

Sua voz soou fria e baixa, mas teria sido preferível que ele gritasse. Senti todo o ódio que ele nutria pelo garoto se voltar contra mim. Pandora apareceu e tirou-o da sala, nos deixando a sós.

-Eu... – gaguejei. – Ele precisava ter um nome. Eu não podia chama – lo de bebê para sempre.

-Mas você deu meu nome! – gritou.

Ele estava transtornado. Senti pena, e medo. Comecei a tremer e uma pontada me atingiu do lado direito da barriga. Aquilo me assustou, e resolvi tentar me acalmar.

-Se quiser chamá-lo de outra forma, é só me dizer que nome quer dar. Só achei que seria mais fácil para você, quando tudo isso acabar, assumir a paternidade, ao invés de atribuí-la ao seu pai.

Ele caminhou até a mesa do escritório, sua respiração ofegante e com as mãos tremulas, e jogou em minha direção um maço de papéis que reconheci como os que vi em sua mente, pelos quais ele havia pago. Abri-os e encontrei uma certidão de nascimento, e todos os documentos bruxos de Scorpius D. Malfoy, filho de Draco Lúcio Malfoy e Ginevra Malfoy.

Não quis demonstrar surpresa, ou qualquer outro sentimento, de forma que mantive meus olhos nos papéis. Havia ainda uma outra certidão, de casamento desta vez, que me tornava Ginevra Malfoy e, segundo a qual Draco e eu estávamos casados a mais de um ano.

Aquilo me surpreendeu, mas imaginei que, no fim, ele diria à criança que a mãe tinha morrido ou algo assim. Não pensei que ele fosse querer permanecer "casado" comigo. Mas aquilo demonstrava que ele havia pensado o mesmo que eu, e já era alguma coisa.

-Ele não tem culpa, Draco. Scorpius... não pediu para nascer.

Disse isso com a voz baixa e modulada. Na verdade, estava tentando justificar ao meu bebê, também. Queria convencer mais a mim do que Draco. Mas, mesmo assim, o ódio dele voltou a brilhar em seus olhos.

-E eu? Eu tive culpa? Não – gritou – E ainda assim tenho que carregar esse...moleque!

-Tem razão, você não teve culpa. Não é justo com você. Mas lembre-se que você pode se cuidar...mas Scorpius só tem você para cuidar dele. Ele é totalmente dependente...

-Não precisa ficar me lembrando!

Seus gritos ecoaram de tal forma, que doeu em meus ouvidos. Uma nova pontada, desta vez mais forte, me deixou sem ar. O bebê mexia-se convulsivamente, e aquilo me assustou.

Draco também percebeu, e tentou se acalmar. Respirou fundo, e passou a mão pelos cabelos. Seu olhar se tornou preocupado, então, e me assustou.

-O que está acontecendo? – perguntou.

Segui seu olhar e notei que eu estava sangrando. Um pequeno filete de sangue escorria lentamente pela minha perna, manchando o tapete. Eu sabia o que aquilo significava, e uma onda de pavor começou a me dominar. Isso fez com que a dor aumentasse.

Eu havia desejado, inconscientemente, um aborto. Mesmo consciente, tinha de me policiar o tempo todo, ou acabava pensando em como tirar aquela criança de mim, em como eu queria que aquilo acabasse, em como eu queria Potter para fora da minha vida para sempre...e aquela criança era um pedaço de Harry também.

E agora, eu estava sendo punida. Estava sendo castigada por desejar o mal de alguém que não tinha culpa. De que valia todo aquele meu discurso em prol de Draquinho – agora Scorpius – se no fim eu tinha a mesma idéia de Malfoy, se eu também queria me livrar de um resquício de má memória?

Senti meus olhos se arregalando, e olhei para Malfoy num pedido mudo de ajuda. Estava doendo muito. Neste momento senti-o entrando em minha mente como se passasse por uma porta aberta.

Desta vez não pude evitar que ele visse. As piores memórias que eu tinha, do dia em que esta criança havia sido concebida. As cenas do meu terror, da minha dor, e do sadismo cruel de quem todos pensavam que iria salvar o mundo. O Eleito.

Infelizmente, eu me lembrava com uma clareza absurda de tudo o que havia acontecido naquele dia. Minha intenção de surpreender Harry com um presente simples, mas bonito. Seu frio desinteresse. Sua insistência...e sua raiva, quando eu não cedi. Mas depois foi muito pior.

Foi pior porque eu ainda tentava justificar suas ações, numa ingênua tenacidade que me irritava.

E então vieram as queimaduras, pequenos círculos avermelhados de uma dor insuportável. Não me recordo quantas vezes fui amaldiçoada com o cruciatus, e acho que em algum momento a dor me fez perder os sentidos... e, por fim, o pior. Vê-lo satisfazer o capricho de um prazer passageiro às custas da minha dignidade e infância.

Acho que foi Malfoy quem interrompeu o jorro incessante de imagens medonhas. Eu estava emocionalmente abalada demais, com a minha maldade e meu egoísmo. Ele se aproximou e me ajudou a sentar no sofá, sua mão apoiando minhas costas. Depois colocou a mão sobre minha barriga.

Ela estava bem dura agora, começando a se projetar para frente, começando a ficar com um formato arredondado. Eu não estava conseguindo respirar, e sentia como se o bebê fizesse do meu estômago e da minha bexiga um trampolim. Parecia que eu iria me rasgar por dentro.

Com assombro, notei que eu gritava convulsivamente.

Malfoy colocou a mão sobre minha barriga, e começou a acariciá-la. Se eu não estivesse com tanta dor, teria me sentido surpresa. Enquanto sua mão subia e descia no meu abdômen, ele começou a sussurrar alguma coisa que eu não entendi.

Devagar, a dor começou a ceder. Eu ainda não conseguia respirar muito bem, parecia que tinha algo preso na garganta, mas eu podia sentir que o bebê voltava a ficar quieto, e isso diminuía a dor.

Alguns minutos depois, a dor cedeu. Malfoy permaneceu com a mão sobre meu ventre, mas eu tinha a sensação de que, se me levantasse, recomeçaria tudo de novo. De forma que segurei a mão dele ali, até que pude voltar a respirar normalmente, mas sentindo um cansaço enorme.

-Como fez isso? – perguntei.

-Ela estava assustada.

-Ela? – tentei sorrir, mas acho que não consegui. – Como sabe que é ela?

-É educada demais para ser menino.

-Desde quando tem experiência com bebês?

-Desde agora. Estou dizendo que é menina.

-Então deve ser. Já deve ter pensado em um nome?

Não sei de onde tirei essa. Eu não fazia piadas desde que estava fugindo com Malfoy. Eu tinha medo dele. Talvez fosse o cansaço, que diminuía minha capacidade de raciocínio.

-Já – ele respondeu, para minha surpresa. – Gwendolyn.

-É bem bonito – respondi. – Porque está fazendo isso?

-Isso o que?

-Cuidando de...mim

-Não se engane, Weasley. Preciso de você para cuidar do m...Scorpius.

Encontrei, nesse momento, a deixa que esperava para insinuar algo que eu acreditava ser o melhor para o menino.

-Sabe que se tratar Scorpius como está fazendo com este bebê, ele vai amá-lo como pai?

-Porque você está dizendo isso?

-Porque você pode criá-lo à sua maneira. Ele vai amar você como você ama seu pai. Ele não vai saber que não é seu filho se você não contar...

E então desmaiei.

Draco´s POV

Ginevra desmaiou, mas o filete de sangue ainda jorrava, de forma que era preciso procurar um medi-bruxo.

Subi com Ginevra no colo, e coloquei-a na cama. Deixei Pandora com o menino no quarto dela, e saí para encontrar alguém que pudesse descobrir o que estava acontecendo.

Foi impossível achar um medi-bruxo, ou mesmo uma bruxa-parteira. A nevasca havia aumentado, e não havia ninguém que eu conhecesse. Andar pelas ruas era um risco, e se submeter assim à intempérie era algo apenas em caso de necessidades extremas. Eu não me arriscaria a contatar um bruxo que pudesse me denunciar.

Tive que recorrer aos trouxas. Tecnologia trouxa era muito limitada mesmo, mas este era um caso grave. Fui até a casa das irmãs Lefroy, e pedi que me indicassem um médico.

As duas não estavam muito satisfeitas de eu ter afastado Ginevra delas, mas havia um ponto negativo para mim também. Desde que estávamos na mansão rosada, dormíamos em quartos separados, o que significava que eu não dormia.

Por algum motivo, eu precisava saber que Gwendolyn estava ao meu lado para poder dormir. Então não estava sendo exatamente bom para mim também.

As duas pareceram contrariadas quando me viram, mas cederam imediatamente quando eu disse que era Ginevra quem precisava. Chamaram um velho barrigudo, parecido com Horácio Slughorn para tratá-la.

Tive que entrar na frente e pegar o menino, para que Pandora pudesse se esconder dos trouxas. Acho que estranharam meu comportamento, mas não é como se eu me importasse.

O velhote demorou uma eternidade. Cheguei a pensar que estivesse fazendo o parto, já. E o pior é que, com Pandora escondida, tive que passar o tempo todo com o menino no colo. Ele pareceu gostar – ficou pulando e rindo o tempo todo, mas a verdade é que eu sentia mais afinidade com o bebê de Ginevra do que com meu irmão, Scorpius.

As notícias, entretanto, não foram boas. Ginevra tivera o início de um aborto. Não podia ficar nervosa, pegar peso ou se movimentar muito. Em outras palavras, não poderia fugir caso algum comensal viesse.

Estávamos condenados.

Deixei que as duas irmãs lidassem com Ginevra. Enquanto uma delas, não sei qual, ficou com Scorpius e me livrou daquela carga, a outra conversava com a Weasley. E eu tive tempo para finalmente pensar no que havia visto.

A mente de Ginevra era um caos, mas não dava para negar tudo aquilo. O que Potter havia feito a ela era similar ao que eu havia visto os melhores torturadores fazendo com suas vítimas. Eu não era inocente neste ramo, também tinha as minhas mãos rubras de sangue. Eu havia torturado e matado pessoas. Mas não como Potter fizera. Ele primava pela crueldade e ausência de sentimento. Ele era um psicopata.

E a diferença era que eu nunca havia negado quem era.

Eu havia visto o medo e o ódio de dentro da mente dela. Havia visto seu corpo machucado, mutilado e o que isto lhe causou. Não consegui definir a ordem exata dos pensamentos – ela mesma provavelmente estava muito confusa com relação a seus próprios sentimentos – mas eu havia visto muito mais do que gostaria.

Houve uma imagem que ficou gravada na minha memória. Ela estava parada, nua, em frente ao espelho. Sua imagem lânguida e pálida estava entremeada pelas cores dos hematomas. Seus olhos pareciam frios como o gelo, congelados numa espécie de morte em vida. Não consegui controlar meus instintos diante daquela visão.

E, por mais que eu mudava o foco dos meus pensamentos, era essa a imagem que voltava invariavelmente à minha cabeça.

Harry´s POV

-Como assim não encontraram?

Atirei uma porção indistinta de objetos na parede. O ódio me dominava, e eu queria poder amaldiçoar alguém nesse momento. Mas Voldemort me lançava aqueles olhares ridículos de quem diz que matar os aliados não é uma boa coisa.

Eu estava cansado desse discurso. Pro inferno com os aliados, eram todos imbecis vaidosos.

-Quero Ginny Weasley na minha sala o mais rápido possível, estão me entendendo?

-Sim, Ministro.

-Não me importa o que tenham que fazer, ou quem tenham de matar. Parkinson disse que eles devem estar na Grécia. Revirem o país, é um lugar ínfimo mesmo!

-Sim, Senhor Ministro.

Virei as costas, e fiquei encarando as centenas de imagens mágicas projetadas pela janela enquanto ouvia os passos daquela corja de idiotas saindo dali.

Voldemort se sentou na poltrona que ficava à esquerda do gabinete.

-Porque quer tanto a Weasley? Já não tem tudo o que quer?

-Engraçado ouvir isso de você, Voldemort, já que está se esforçando tanto quanto eu em encontrá-la.

-Você é péssimo com insinuações, Harry. Porque não as guarda só para você e diz exatamente o que quer dizer?

-Sei que a Parkinson e o Zabini estão em uma missão separada, escolhidos pessoalmente por você, e que suas ordens eram para encontrar Ginny. Ninguém melhor que os dois amigos pessoais de Draco Malfoy, com quem ela fugiu, não é mesmo?

-Isso não é segredo.

-E qual o segredo, então?

Ele sorriu, aquele esgar medonho que o fazia parecer mais fatal ainda.

-Não há segredo. Malfoy era meu melhor homem, como pode notar pela dificuldade que temos de encontrá-lo.

-Claro. E isso é tudo.

-Bem, ele detém algumas informações das quais eu gostaria muito.

-E porque pediu que encontrassem Ginny, ao invés do próprio Malfoy?

-Weasley está com ele. Talvez, se eles tiverem um caso, como acredito que tenham, seja mais fácil atingir Malfoy se tivermos a garota.

Encarei Voldemort por alguns segundos. Ele estava mentindo, isso era óbvio. Mas o que me interessava era o brilho que vi em seus olhos. Um brilho de peculiar interesse do qual eu não gostei nem um pouco. Me aproximei dele.

-Eu amo a Ginny, Voldemort. E a quero viva, e bem!

-Mesmo depois de ela ter fugido com o Malfoy, Harry? Que, diga-se de passagem, é seu inimigo desde o primeiro ano em Hogwarts, e um conquistador sem limites?

Aquele discurso foi feito num tom de voz extremamente moderado, o que sugeria que Voldemort tinha ódio.

Normalmente ele demonstrava frio desprezo pelo que quer que fosse. Ele nunca demonstrava o que eu via nesse momento: um sentimento real. E o que eu via não me agradava nem um pouco.

-Isso é...ciúmes, Voldemort?

-Não seja ridículo. Mas, quanto antes acabarmos com isso, mais satisfeito eu fico.

-Eu a quero viva, e sem nenhum arranhão.

-Certo. Eu ouvi das cem primeiras vezes.

Continuei encarando-o. Eu estava certo de que o brilho que via em Voldemort era ciúmes. Mas eu não entendia de que?

Deixei-o na sala, e saí. Aquele lugar me sufocava. Aparatei na estação de trem, à qual gostava de ir quando queria ficar sozinho e pensar.

Pensar, pela milionésima vez, no porque Ginny havia fugido de Londres.

Eu era o Ministro agora, tinha dinheiro e poder. E ela me amava. Eu era ...como um Deus!

Porque ela havia fugido de mim?


N/A: Por favor, me deem sua opinião! Preciso saber o que acharam do capítulo.

Beijos,

Angel.