Chapter Nine
Magic
Call it magic
Call it true
I call it magic
When I´m with you
And it just got broken
Broken into two
Still I call it magic
When I´m next to you
I don´t, no I don´t, no I don´t
Want anybody else but you
Want to fall, fall so far
Want to fall, fall so hard
And if you were to ask me
After all we´ve been through
Still believe in magic
Yes I do
Draco´s POV
Soltei-a, constrangido por meu excesso de sentimentalismo.
Um barulho chamou minha atenção e desviei os olhos, de varinha em punho, para o que estava atrás dela.
-Draco Malfoy – emitiu o elfo doméstico, com hostilidade.
O elfo estava parado no meio da sala, com os olhos arregalados e raivosos.
-Está tudo bem – ela disse. – Draco é um amigo.
O elfo voltou por onde havia vindo, claramente insatisfeito.
-Vou colocar Scorpius na cama – declarou ela.
-Porque? – perguntei, desatento, com a varinha ainda empunhada.
-Bem...porque ele dormiu – riu ela. Sua mão se apoiou sobre a minha, me forçando a baixar a mão e a guardar a varinha.
-Ele dormiu? – perguntei.
Ele estava com um braço flácido, é verdade, mas a mão direita prendia fortemente uma mecha do seu cabelo.
Scorpius não dormia à tarde. Para ser sincero, Scorpius dormia bem pouco, e chorava muito. Era estranho vê-lo tão quieto durante todo esse tempo. Segui-a, em silêncio, enquanto ela mudava Scorpius de sua posição, em pé, para deitado em seu colo. Ele ressonava calmamente.
Entramos em um quarto pequeno, mas claro e arejado. Havia uma cama de casal que me parecia pequena, um guarda-roupa simples, e uma janela escura. Ela puxou a colcha clara de sobre a cama, e se inclinou para colocar Scorpius no meio.
Ele gemeu, mas não acordou. Soltar seu cabelo dos dedinhos gorduchos dele foi um pouco mais complicado, mas notei que ela sorria enquanto soltava os fios com cuidado para não machucar os dedos dele. Me perguntei como é que ela fazia aquilo. A criança que Scorpius fora nos últimos quatro meses havia desaparecido milagrosamente.
Ela colocou os travesseiros um de cada lado de Scorpius, para que ele não rolasse e caísse para fora da cama. Parecia uma coisa tão simples e óbvia – e ainda assim, eu sabia que jamais pensaria nisso.
Dei um passo para trás quando ela se levantou, e trombei em algo. Me virei, instintivamente, e notei pela primeira vez que eu havia trombado em um berço branco.
Olhei-a, atônito.
-Esse é... – não consegui terminar a pergunta. A verdade é que aquela me parecia uma possibilidade tão remota que eu considerava impossível.
-É – ela respondeu.
Eu iria me virar novamente, mas ela tirou a capa, me assombrando. Ela usava um vestido branco e leve de verão, que parecia grande demais para ela. Em um exame mais atento, notei que ela havia emagrecido muito. As maçãs do rosto estavam protuberantes, as omoplatas tão salientes que parecia doloroso.
E, pela primeira vez, me permiti pensar nos infortúnios que ela havia sofrido em todo esse tempo – e o milagre que era sua existência.
O bebê começou a choramingar, e o elfo voltou a entrar no quarto.
-A mamadeira – ele entregou a ela.
-Muito obrigada – ela sorriu.
-Dobby vai embora – ele olhou de esguelha, desconfiado, para mim.
-Pode ir. Obrigada por ter vindo – ela se despediu.
O elfo desapareceu com um estalido. Me virei para o berço, voltando minha atenção para a criança que começava a chorar. Era tão pequeno, e chacoalhava os bracinhos e as perninhas insistentemente, em seu choro estridente pedindo por comida.
Ela se inclinou sobre o berço para pegá-lo, mas eu me adiantei.
-Posso segurá-lo? – perguntei.
Ela pareceu surpresa, mas acenou afirmativamente.
-Pode segurá-la – atestou.
-É uma menina? – voltei a questionar.
-Sim.
Era diferente com Scorpius. Ele era maior, mais pesado e, quando se contorcia, exigia um pouco de força para contê-lo. Ela era tão pequena, tão leve – não tinha mais de cinco quilos – e, em seu choro, movia as pernas e os braços como se não pudesse enxergar e procurasse pela parede mais próxima.
Tirei-a do berço, e segurei-a o melhor que pude. Senti novamente, aquela... conexão, aquele sentimento que me ligava ao bebê mesmo antes dela nascer, quando ainda estava no ventre de Ginevra.
Olhei para ela, procurando por sua orientação, para saber se eu a estava segurando corretamente. Ela sorria e parecia tranquila, mas profundamente triste. Seus olhos estavam arregalados e brilhantes.
-Quer tentar dar a mamadeira? – perguntou, parecendo constrangida.
Assenti.
Ela colocou uma fralda sob o queixo do bebê, e me entregou a mamadeira.
-Erga um pouco a cabeça dela, para que não engasgue com o leite – ensinou.
Fiz como me foi mostrado. A criança sugava incessantemente, o som do seu choro substituído pelo barulho da mamadeira. Ficamos em silêncio.
-Qual o nome dela? – perguntei.
-O que? – retrucou ela.
Percebi que ela havia entendido a pergunta, pela maneira como ficou vermelha. Estava apenas evitando respondê-la.
-Qual o nome dela? – voltei a perguntar.
Ela desviou os olhos ao responder.
-Gwendolyn.
Ergui os olhos, surpreso, mas seu olhar fugia do meu. Olhei para a criança, que ainda sugava a mamadeira com vigor. Ela era linda. Gwendolyn.
-Porquê? Porque deu esse nome a ela?
Ela me olhou com sinceridade.
-Eu não sabia que outro nome dar. Não pensei que... fosse conseguir. E não pensei que fosse uma menina, também.
Sorri – Eu disse que era uma menina.
-Acho que eu não acreditei – ela sorriu de volta.
Voltei a olhar para a criança. Ela começava a ficar sonolenta, agora que não estava mais com fome. Seus olhos pesavam, e ela piscava cada vez mais demoradamente.
Ela tinha as bochechas rosadas, e lábios vermelhos. Sua pele parecia creme, como a da mãe, e os cabelos ralos eram cor de abóbora. Eu imaginei que, quando crescesse, os cabelos escureceriam e ficariam cor de vinho, como os de Ginevra. Ela seria tão linda quanto à mãe. Mas seus olhos – seus olhos me assustaram quando os notei.
Os olhos de Ginevra eram castanhos e quentes, como chocolate. Odiando Potter como eu o odiara uma vez, ainda em Hogwarts, eu conhecia cada pequeno detalhe de suas feições. Potter tinha olhos verdes, cor de esmeraldas. Mas Gwendolyn – Gwendolyn tinha olhos azuis. Não azuis como os meus, cinzentos, mas de um azul profundo e escuro.
-Potter não é o pai dessa criança – declarei, lentamente, sem olhar para cima. Eu tinha medo de encarar seu olhar.
-Não – sentenciou ela, sua expressão se tornando fria e sombria enquanto se levantava e saia do meu lado.
Voltei a olhar para Gwendolyn. Seus olhos se fechavam, agora, e ela estava terminando o leite. Eu conhecia aqueles olhos. E não precisava pensar muito, para me lembrar do dono deles. Era quem eu mais temia no mundo.
Era aquele a quem todos no mundo deveriam temer.
Gwendolyn soltou a mamadeira, semiadormecida. Tirei a mamadeira da boca dela, e olhei atentamente seu rosto, procurando por traços que a identificassem. Não, Potter não podia ser o pai dela. Mas o que eu vira, tanto tempo atrás, na mente de Ginevra... eu sabia quem era capaz de fazer aquilo. Quem gostaria de fazer aquilo; torturar, machucar, quebrar e destruir.
-Voldemort é o pai dela – atestei. – Não é?
Senti um nó se formar em minha garganta. Eu nunca imaginara, nem mesmo em um futuro distante, que seria pai. Nunca pensei que teria instinto paterno, ou qualquer coisa assim. Sempre vi a paternidade como algo necessário à perpetuação do nome Malfoy, alguém a quem deixar o legado.
Mas ali, com aquele bebê no colo... eu queria protegê-la.
Ginevra se virou, com os olhos cheios de lágrimas. Havia tanta tristeza em sua expressão, que doeu em mim.
-Sim – respondeu, com a voz falhando.
Mas ela limpou as lágrimas, e se aproximou de mim com suavidade. Me ajudou a endireitar Gwendolyn no meu colo, de pé dessa vez. Passou a mão nas costas pequeninas dela.
-Ela precisa arrotar, agora – disse, me ensinando.
Olhei-a nos olhos, compreendendo o que ela nunca diria.
Coloquei Gwendolyn, com cuidado, de volta no berço.
Eu não era tão bom quanto Ginevra.
Ela segurou minhas mãos mais uma vez, em silêncio, e me puxou. Segui-a até a cozinha, onde ela me indicou uma cadeira com os olhos. Me sentei e a observei, enquanto ela preparava uma dose de Firewhisky – o firewhisky que eu bebia – e me entregava.
Eu sentira falta da bebida preparada por ela. Havia alguma coisa mais suave no gosto, algo que nem eu nem Pandora sabíamos reproduzir.
Saboreei minha bebida enquanto ela transitava com familiaridade pela cozinha, preparando ovos, bacon e panquecas. O cheiro fez meu estômago roncar, lembrado do longo tempo que permanecera vazio.
Ela me serviu um prato imenso, que eu devorei em poucos minutos, faminto demais para ter bons modos. Ela permaneceu quieta, sentada à minha frente, sem dizer uma palavra sequer enquanto eu eliminava tudo o que havia sido deixado à minha frente.
Depois de devidamente satisfeito, esperei enquanto ela limpava a cozinha. Eu sentira falta até mesmo de seu silêncio. Ela, então, me rebocou até o pequeno banheiro, onde me fez sentar em uma cadeira, e pegou uma navalha.
-Sabe usar isso? – perguntei, inseguro.
Mesmo com ela cuidando de cada pequeno detalhe para mim, no tempo em que estivéramos juntos, eu ainda fazia minha barba. O instrumento, nas mãos dela, parecia mais afiado do que o necessário.
-Com seis irmãos mais velhos – ela sorriu para mim – esse é exatamente o tipo de coisa que eu sei fazer.
Ela tinha razão, como em tudo o mais.
Observei-a, com atenção, enquanto ela passava a espuma no meu rosto, e me barbeava com precisão. Ela estava muito magra, ainda menor e mais delicada do que sempre me parecera. Mas a sua beleza ainda estava ali, pronta para ser recuperada.
Mas havia algo mais, é claro. Havia algo em seus olhos.
Seus olhos eram mais profundos do que deveria ser permitido. Havia sombras, muitas sombras, dor e tristeza em seus olhos. A escuridão estava impregnada em sua alma, como estava na minha, formando uma crosta nojenta e suja. No meu caso, foram as coisas terríveis que eu fizera. No caso dela, foram as coisas terríveis que ela vivera.
Quando tudo isso terminasse – se vivêssemos para tanto – nem ela nem eu seríamos capazes de nos recuperar. Porque havia escuridão demais em nossas almas. Escuridão demais para que, depois de limpas, nossas almas sobrevivessem. Éramos brinquedos quebrados.
Acho que ela sabia disso.
Depois que minha barba havia desaparecido, deixando uma leve ardência em meu rosto, aplacada com um hidratante aplicado e massageado por seus dedos suaves e ágeis, foi a vez do meu cabelo.
Ele estava inaceitavelmente comprido. Mas ela pegou uma tesoura grande, em uma gaveta do armário do banheiro e me pediu permissão com os olhos.
Se eu confiara nela com uma navalha afiada, a tesoura me parecia quase inocente.
Permaneci de costas para o espelho, enquanto ela cortava os fios. Fechei os olhos, enquanto sentia seus dedos passeando pela minha nuca em movimentos suaves.
Quando ela terminou comigo, posso dizer que eu era eu mesmo de novo.
Não conversávamos mas, ainda assim, era como se estivéssemos conversando o tempo todo, no silêncio. Conversávamos um silêncio que vinha da alma, longo e grande demais para ser posto em palavras.
Ela saiu do banheiro, me deixando sozinho durante alguns segundos. Quando retornou, tinha nas mãos um tecido escuro e cinzento que me entregou.
Esperei que ela saísse e fechasse a porta.
Me despi lentamente. Minha cabeça estava cheia mas, mais ainda, estava meu coração. Meu coração estava negro e inflado de um ódio profundo por Voldemort, e por tudo que ele havia feito conosco. Nós quatro.
Tentei aplacar com a água fria os pensamentos que me perturbavam. Não foi possível. Mesmo sabendo que não deveria perguntar a ela o que havia acontecido, eu precisava saber. Precisava de respostas.
A luz estava apagada quando saí do banheiro. No quarto, havia apenas a claridade que entrava pela janela, aumentada vez ou outra por um raio que fazia com que tudo ali adquirisse contornos fantasmagóricos.
Ginevra estava sentada na beira da cama, com uma camisola simples de algodão branco. Trazia as mãos presas uma à outra, em um sinal claro de aflição. Ela sabia que eu iria perguntar.
Me sentei ao seu lado, com calma, sentindo o colchão afundar sob meu peso. Na escuridão do quarto, seus olhos ficavam quase tão brilhantes quanto os de Dobby ou Pandora.
-Como? – perguntei.
Eu quase podia tocar seu pesar com as mãos.
-Harry Potter – foi a sua resposta.
Mas eu precisava saber mais.
-Como? – repeti.
Ela suspirou lentamente. Acho que ela entendia o que se passava melhor do que eu mesmo.
-Não demorou muito – começou ela, em um fio de voz. – Depois que você saiu do quarto, Harry Potter me encontrou. Discutimos. Ele disse que tinha estado em Frankfurt todo o tempo, que não tinha como ser o pai de Gwendolyn. Ambos deduzimos o que havia acontecido, assim como você acabou de fazer.
À meia luz seu rosto adquiria uma suavidade enternecedora, suas feições de ossos protuberantes e afiados menos assustada e mais triste.
-Acho que me exaltei demais. Eu estava perdendo o bebê, e Harry me ajudou. Foi ele quem fez o parto. Me lembro de muito pouco. Meu coração parou.
-Você morreu? – perguntei, incrédulo.
-Durante dois minutos e trinta e sete segundos. Remo Lupin apareceu, então, e eu fui trazida de volta por um medi-bruxo cujo nome ele nunca revelou. Lupin e Dobby haviam trazido Gwendolyn para cá. Ela estava segura.
-Alguns comensais constataram minha morte. Mas – e sua hesitação paralisou meu sangue nas veias. Ela estava chorando – Tom não iria acreditar. Lupin encontrou uma outra garota ruiva, praticamente da mesma altura que eu, para se passar por mim. Astoria.
Ela me olhou significativamente.
-Tem certeza? – questionei.
-Sim. Ela foi cremada em uma pira funerária em frente ao que sobrou da minha casa. Tom esteve presente, e viu tudo. Eu fui trazida para cá por Lupin. Não vejo ninguém além de Dobby desde então.
Esperei que ela dissesse mais alguma coisa. Mas ela havia terminado.
-Eu li o relatório – anunciei.
Ela pareceu ainda mais desconfortável. Se levantou, torcendo as mãos uma na outra. Parou junto ao berço de Gwendolyn.
Me levantei também, e fui até ela. Eu queria confortá-la, mas eu não era bom nisso. Não sabia o que fazer. Estiquei as mãos, para passá-las em seus braços, mas hesitei e desisti. Gwendolyn ressonava calmamente.
-Ela é linda – murmurei. Ouvi seu suspiro. – Gwendolyn Weasley.
Eu queria agradá-la, mas ela se virou para mim parecendo ainda mais triste, e um pouco enfurecida.
-Não – rebateu.
-Porque não? – questionei.
-Ginny Weasley está morta, como todos os outros Weasleys. A linhagem morre com ela. Essa – e ela olhou novamente para a criança adormecida – é Gwendolyn. Só Gwendolyn.
-Ela não pode ser só Gwendolyn – contestei.
-Nós não existimos – foi sua resposta.
Eu entendia sua preocupação, e sua necessidade de proteger a criança. Eu também entendia que ninguém manteria o sobrenome Weasley, sendo ela a única sobrevivente. Mas aquilo tudo era inaceitavelmente triste.
-Existem, sim – contestei, atraindo seu olhar – existem, sim.
Eu sabia que não deveria ter feito aquilo. Mas me aproximei dela, e beijei seus lábios. Ginevra tinha gosto de uma tarde agradável ao sol.
Ela permaneceu parada, à minha frente. Segurei sua mão e, pela primeira vez, eu a conduzi.
Scorpius ainda dormia no meio da cama, mas ela tirou os travesseiros que os protegiam para que pudéssemos nos deitar. Eu fiquei com o lado esquerdo e ela com o direito. Sua mão passou protetoramente sobre Scorpius, seus dedos longos e finos à altura dos meus. Eu os segurei com cuidado, esperando que ela dissesse alguma coisa, ou que se opusesse. Ela não disse nada.
Adormeci com seus dedos suavemente entrelaçados aos meus, e uma mecha de seus cabelos vermelhos entre o polegar e o indicador da mão direita.
Acordei sobressaltado, com a sensação de que algo estava terrivelmente errado.
Com uma olhadela, percebi que Ginevra não estava no quarto. Mas Scorpius permanecia na cama, ao meu lado.
Gwendolyn gemeu, baixinho. Me ergui sobre os cotovelos, tentando constatar se havia realmente alguma coisa fora do lugar, mas não percebi nada. Da cozinha, uma luz fraca chegava até o quarto por baixo da porta.
Decidi me levantar.
Os gemidos de Gwendolyn aumentavam, de forma que me aproximei do berço. Ela estava acordada, e prestes a chorar. Me inclinei sobre o berço e peguei-a no colo.
Foi um gesto bastante desajeitado de minha parte. Apoiei-a no meu peito, segurando-a com uma mão no pescoço e outra sob a fralda. Ela ficou quieta durante alguns segundos, contorcendo-se. Gwendolyn tinha cheiro de tudo o que havia de bom no mundo.
Subitamente, ela pareceu se enfurecer, e irrompeu em um choro agudo.
Ginevra entrou no quarto.
Por um segundo pareceu surpresa e desnorteada, como se tivesse esquecido de que eu estava ali. Se recuperou rapidamente.
Ela trazia uma mamadeira cheia na mão. Me aproveitei de sua hesitação.
-Posso dar a mamadeira, se quiser – ofereci.
A verdade é que eu queria fazer aquilo. Eu queria cuidar daquela criança, e queria que ela me reconhecesse. Eu queria formar laços novamente – laços afetivos. Eu queria que Gwendolyn gostasse de mim, mesmo que ela fosse apenas um bebê, e isso fosse muito ridículo.
Me sentei na cama, coloquei a fralda sob o queixo dela e inclinei seu corpo para que ela não engasgasse, como Ginevra havia me ensinado. Ela ainda esperneava quando coloquei a mamadeira em sua boca.
Ginevra foi até Scorpius. Quando Gwendolyn começou a sugar, interrompendo seu choro, percebi que Scorpius estava acordando. Ginevra o pegou no colo.
Agora teríamos duas crianças acordadas no meio da noite. Era essa a definição de paternidade?
Scorpius não demorou muito a pegar no sono novamente. Gwendolyn, por sua vez, não foi tão fácil.
Dez mililitros de leite depois ela voltava a chorar, dessa vez com toda a força de seus pulmões. Empurrava com a língua o bico de borracha da mamadeira, e mexia os bracinhos e as perninhas enquanto se contorcia.
Olhei para Ginevra, em busca de orientação.
Ela colocou Scorpius no berço, para poder me ajudar. Mas a criança continuava chorando ininterruptamente, e Scorpius iria voltar a acordar, de forma que ela pegou Gwendolyn do meu colo e, depois, saiu do quarto. A segui.
Observei enquanto ela deitava Gwendolyn sobre o sofá, e tirava cuidadosamente suas roupas. Ginevra pegou as duas perninhas ao mesmo tempo, entre os dedos indicador, médio e anelar, e as ergueu. Depois, tirou a fralda suja – que enrolou com uma mão só, em um gesto fluido – e a descartou, colocando uma limpa no lugar.
Ela a limpou, passou pomada, voltou a fechar a fralda e a colocar a roupa. Nem mesmo assim Gwendolyn dava mostras de que pararia de chorar.
-O que ela tem? – questionei, perturbado. Ela estava vermelha de tanto chorar, e comecei a ficar preocupado.
-Não é fome, e também não está reclamando por estar suja. Então deve ser cólica – anunciou, calma. Eu não estava calmo como ela.
-Cólica? Bebês tem cólica? – perguntei, enquanto ela se levantava e segurava a menina que não parava de berrar em seus braços.
-É claro que tem – ela respondeu.
-Que tipo de poção se dá para uma criança com cólica? – perguntei, surpreendendo a mim mesmo com minha curiosidade.
-Não é adequado dar poções a um bebê dessa idade – ela me respondeu. Eu estava começando a ficar aflito. Tinha medo de que algo acontecesse com a criança. – Eu vou fazer um chá. Talvez isso ajude.
Sem pensar, estendi os braços para ela.
-Eu seguro Gwendolyn – ofereci. Depois me constrangi com minha própria solicitude – se quiser – emendei.
Ela me passou a criança – que ainda esperneava – e foi para a cozinha.
Tentei embalá-la no colo, mas nem isso resolveu. Enquanto Ginevra preparava o chá para ela, me sentei no sofá com Gwendolyn sobre meu abdômen. Já que ela não parava de chorar, eu iria ao menos me sentar.
Percebi que estava cansado.
Ginevra voltou com uma mamadeira pequena, com chá apenas pela metade. Achei muito pouco – mas não seria eu a questioná-la. Seus conhecimentos haviam se provado maiores que os meus em mais de uma oportunidade.
Estendi a mão e ela me passou a mamadeira. Ofereci-a a Gwendolyn e ela aceitou com mais facilidade. Ginevra suspirou – suas olheiras estavam se acentuando. Gwendolyn bebeu metade do conteúdo da mamadeira. E recomeçou.
Ela chorou tanto que acabou regurgitando. Depois disso, o choro voltou a diminuir até parar. O líquido quente escorreu pelo meu peito e pela barriga. Não parecia tão nojento quanto se poderia supor.
Ginevra segurou a criança enquanto eu tirava a camisa. Mas Gwendolyn, tão logo passou para o colo da mãe, recomeçou naquele seu choro estridente. Então Ginevra me devolveu a criança de novo.
Voltei a colocá-la sobre meu peito, e recostei no sofá. Gwendolyn voltava a diminuir o tom dos seus protestos. Ginevra pegou a camisa de cima do sofá. Ouvi Scorpius choramingar:
-Mamã...Mamã...
Iríamos dormir essa noite?
Segui Ginevra até o quarto.
Ela pegou Scorpius no colo, e começou a embalá-lo. Coloquei algumas almofadas na cabeceira da cama, e me sentei, ainda com Gwendolyn no colo. Seu choro finalmente havia acabado, e ela parecia sonolenta. Ginevra se virou para mim.
-O que você fez com ela? – perguntou, sorrindo.
-Não sei. Mas funcionou – respondi.
-Quer tentar a sorte com esse aqui também? – perguntou, apontando Scorpius que ainda reclamava.
-Sua vez – anunciei.
Quando Scorpius parou de choramingar, ela se sentou ao meu lado. Percebi, com um pouco de orgulho, que Gwendolyn havia adormecido sobre minha barriga. Scorpius também estava prestes a adormecer no colo de Ginevra.
Não quis colocar Gwendolyn no berço, para não acordá-la. Seu peso leve e morno era reconfortante.
Subitamente, a cabeça de Ginevra escorregou até alcançar meu ombro. Ela também havia adormecido.
Eu poderia ter me levantado, e colocado as crianças no berço. Mas eu não queria que acordassem. Eu não queria sair daquela posição, mesmo que não fosse muito confortável. Eu não queria dormir afastado daquelas pessoas.
Porque aquele era o único lugar em todo o mundo no qual eu queria estar.
Acordei pouco depois do amanhecer.
A luz que incidia sobre nós ainda era fraca, mas eu me sentia muito mais descansado do que já havia me sentido nos últimos meses. Mesmo com o pequeno momento de Gwendolyn durante a noite, eu havia dormido mais do que estava acostumado.
Ginevra estava com a cabeça sobre meu peito, e Scorpius estava com a cabeça no colo dela. O cheiro do cabelo de Ginevra chegava até mim com facilidade. Mas eu precisava me levantar – havia muito o que fazer hoje.
Com cuidado, afastei a cabeça de Ginevra e a recostei nos travesseiros. Depois, me levantei com Gwendolyn, e a coloquei no berço. Nenhuma das duas pareceu acordar.
Encontrei minhas roupas, e me vesti. Estava na sala, prestes a aparatar, quando Ginevra apareceu, sobressaltada. A pergunta em seus olhos era cristalina.
-Tenho algumas coisas para resolver – anunciei, ao que ela assentiu. – Acho que volto para o jantar.
Eu não era muito natural nisso de me preocupar com as pessoas, nem em dar justificativas. Ela sabia que eu estava escondendo algo; mas o pouco que eu havia lhe dado pareceu suficiente.
Ela pegou um pequeno vaso de cristal sobre o armário, e me mostrou duas conchas do mar.
-Vai precisar disso – anunciou. Eram chaves de portal. – Não pode aparatar diretamente daqui. Atravesse ambas as portas e use a primeira. Vai te levar até a feira. De lá, poderá aparatar para qualquer lugar; e só de lá poderá voltar aqui.
-Certo – respondi. -Eu volto – tentei tranquilizá-la.
-Estaremos esperando aqui – respondeu ela.
Achei reconfortante a perspectiva de tê-los esperando por mim. Me fazia sentir desejado. Parte de alguma coisa.
O primeiro lugar em que aparatei foi na casa que eu havia deixado.
Pandora estava enlouquecida, é claro. Chorava, com a cabeça dentro do forno desligado, gritando como se estivesse sendo queimada viva.
-O que está fazendo? – perguntei, desgostoso.
Pandora se sobressaltou.
- Mestre Malfoy? – perguntou, desconfiada.
-Quem mais poderia ser? – retruquei, com grosseria.
Ela começou a me rodear, dizendo coisas sem sentido que não fiz questão de entender.
- ...e Pandora achou que o Lorde das Trevas tinha atacado o Mestre... e Pandora não sabia o que fazer... e a trouxa ficava vindo e perguntando para Pandora onde estava o Mestre e o menino... e o Mestre não falou para Pandora o que fazer para o almoço... e Pandora não sabia onde o Mestre estava... e Pandora não gosta de torta trouxa nojenta...
Segurei a elfo doméstica pelas orelhas, forçando-a a prestar atenção em mim:
-Escute, Pandora. Vou passar o dia fora, mas vou voltar amanhã com Scorpius. Quero que deixe a casa o mais organizada possível. Quero esse lugar impecável.
- Mestre Malfoy só volta amanhã? – perguntou. – O que Pandora fez de errado?
-Pandora não fez nada de errado – resumi. – Mas eu tenho algumas coisas para resolver.
Pandora assentiu uma vez. Eu estava prestes a sair, quando ela me chamou.
-E o menino, Mestre Malfoy? – perguntou, insegura, como se eu o tivesse esquecido em algum lugar e ela receasse em me lembrar deste lapso.
-O menino está seguro, e bem cuidado, não se preocupe.
Tornei a me direcionar para a porta.
-Mestre Malfoy? – me virei para ela. – Como quer que eu organize a casa?
Olhei à minha volta. Aparentemente, não havia nada fora do lugar. Mas, ao mesmo tempo, faltava aquele ar asseado; faltava aquele cheiro que eu não sabia definir muito bem, cheiro de fresco, limpo, e feliz; e faltava, claramente, o toque feminino dela.
-Deixe tudo como a sua Senhora gosta, está bem? – respondi.
Ela assentiu mais uma vez. Seus olhos se encheram de lágrimas, grandes e grossas, mas eu não queria ficar ali para ver.
Subi, rapidamente, até meu quarto. Tomei um banho, e troquei minhas roupas usadas por um par mais limpo e respeitável.
Atravessei o portão da casa, pela primeira vez, com a sensação de que aquela era a minha casa. O lugar para o qual eu gostaria de retornar em breve.
Mas não agora. Agora eu iria ver Jhonny-fada-mordente.
Eu estava exausto quando voltei a aparecer em frente àquela porta descascada e vermelha.
Já era noite, e eu com certeza tinha perdido o jantar.
Mas havia valido a pena.
Quando coloquei a mão sobre a maçaneta, entendi o porque da expressão de Ginevra ter traído alguma dor. Aquilo queimava, e muito. Um feitiço repelente muito bem aplicado, todos os méritos para Remo Lupin! Mas eu já havia estado lá, e a magia na porta pode ler em meu sangue que eu era alguém que podia entrar.
A segunda varredura foi mais tranquila.
Girei a maçaneta da segunda porta evitando fazer barulho. Mas, mesmo do lado de fora, eu podia ouvir a risada de Scorpius.
Adentrei com cuidado, para não chamar a atenção sobre mim.
Ginevra e Scorpius estavam sentados em um colchão, no meio da sala. Gwendolyn estava profundamente adormecida em um canto, numa espécie de berço improvisado pela mãe, alheia aos gritos e risos de Scorpius.
Ginevra estava com o cabelo preso, e eu não gostava quando ela prendia o cabelo, embora seu rosto ficasse mais suave e delicado dessa maneira. Ela ria, e fazia sons engraçados com a boca na barriga de Scorpius. O menino, por sua vez, jogava a cabeça para trás e ria tão despreocupadamente que senti inveja dele.
Aquele momento era onírico demais, e não parecia condizente com a minha vida. Me perguntei se não seria proibido ser feliz, mesmo que minimamente, em tempos como aqueles. Percebi que estava sorrindo involuntariamente.
Scorpius usava as mãos de dedos gordinhos para afastar o rosto de Ginevra. Seus dedos se enroscavam nas mechas dos cabelos dela, soltando-as e fazendo com que elas se enrolassem nos seus dedos. Nenhum dos dois parecia se importar com isso.
De repente, para minha surpresa, Scorpius começou a falar.
-Pá, mamã, pá! – gritou.
Para uma criança que não falava nada até muito pouco tempo atrás – dois dias, para ser exato – ele estava adquirindo a fluência em uma velocidade assombrosa.
Eu não compreendi o que ele quis dizer, mas Ginevra sim.
-Quer que eu pare? – perguntou ela, divertida.
Scorpius apontou para a criança adormecida.
-Uem, uem... – disse, ainda entre risos.
-Gwen está dormindo – sentenciou Ginevra.
Scorpius parou de rir, e se levantou. Depois, com aquele eu jeito engraçado de caminhar, que lembrava um pouco um pinguim, foi até ela. Colocou as mãos desajeitadamente sobre a beirada do berço improvisado, fazendo com que ele tombasse ligeiramente para o lado.
Levei as mãos, instintivamente, para a frente. Como se pudesse impedir, dessa distância, que Scorpius virasse o berço e derrubasse Gwendolyn. Ginevra, por outro lado, não moveu um músculo sequer.
-Uem miminu – disse Scorpius, naquela sua língua esquisita.
-Sim, a Gwen está dormindo – reafirmou Ginevra.
Como ela o compreendia era um mistério.
Scorpius levou o dedo indicador aos lábios.
-Shiuuuu...
Ele me viu nesse momento. Estendeu os braços na minha direção, e começou a correr.
-Papá...
Me abaixei até a altura dos joelhos para segurá-lo, sob o olhar aliviado de Ginevra. Mas, no último minuto, Scorpius se virou e voltou correndo para os braços dela, gargalhando. Deitou a cabeça em sua clavícula, escondendo o rosto e prendendo entre os dedos uma mecha dos seus cabelos.
Ginevra se levantou, com Scorpius no colo, e veio até mim. Seu olhar se deteve, por um breve momento, no rolo de pergaminho que saia do meu bolso. Mas ela não perguntou nada.
-Estava ficando preocupada – anunciou. – Está tudo bem?
-Sim – respondi simplesmente. Estava tudo muito mais do que bem.
Scorpius escolheu esse minuto para se jogar subitamente sobre mim.
-Papá – gritou.
Segurei-o de maneira desajeitada, como sempre. Mas Ginevra sorriu.
-Pode segurá-lo, enquanto preparo a mamadeira dele? – perguntou, um pouco insegura.
Me perguntei se ela ainda tinha medo de mim, ou algo assim.
Assenti uma vez.
Me sentei no sofá, com Scorpius, enquanto ela desaparecia cozinha a dentro. O menino começou a falar desenfreadamente, sem que eu compreendesse uma palavra sequer exceto "mamã" ou "uem". Em determinado momento, ele começou a pular no sofá. Deixei.
Ginevra retornou cinco minutos depois, com uma mamadeira cor-de-rosa nas mãos. Não achei apropriado, mas também não questionei. Haveria tempo para essas correções mais tarde.
Scorpius, ao ver a mamadeira, estendeu os braços para ela. Mas ela não o segurou.
-Vou colocar a Gwen na cama – ela disse, diretamente para Scorpius. Gostei da maneira como ela não mudava o tom de voz, nem falava errado quando conversava com ele.
Scorpius se virou para mim.
-Uem miminu, shiuuuu – e voltou a colocar o dedo indicador nos lábios, pedindo silêncio.
Scorpius se deitou em meu colo naturalmente. Com Ginevra por perto, até mesmo assumir a função paterna por Scorpius parecia mais natural...menos pesado.
Ginevra me olhou cautelosamente antes de entregar a mamadeira. Mas eu já havia feito isso por Gwendolyn e poderia fazer por Scorpius.
Enquanto Scorpius tomava o seu leite, Ginevra colocou Gwendolyn no berço e guardou os brinquedos espalhados pelo chão. Eu não sabia o porquê, mas esses acontecimentos triviais e sem... glamour tinham um efeito hipnótico sobre mim. Como um charme, um feitiço que me deixava preso à cada pequena coisa que acontecia à minha volta. Esperando, com ansiedade e medo sufocante, o momento em que tudo aquilo me seria tirado para sempre.
No fundo da minha mente, eu tinha decisões a tomar, e conhecimentos a incorporar e aceitar. Mas eu não queria nada daquilo. Não agora.
Agora eu queria fechar os olhos e fingir que essa era a minha vida.
Eu queria fingir que não havia sombras perturbadoras no meu futuro – no nosso futuro. Eu queria fingir que tudo aquilo era real, e que Ginevra era minha esposa, que ela era minha, e que tínhamos dois filhos e que a maior preocupação que eu teria na vida seria em como dividir, justamente, a herança entre os dois. Eu queria fingir que dividiria igualmente os bens, mas que eu sabia que aquilo não era verdade, e que eu favoreceria um pouco mais a Gwendolyn, porque ela era uma menina e seria minha favorita; e Scorpius, por ser homem, teria de se esforçar um pouco mais para assumir os negócios da família.
Eu queria fingir que envelheceria sentado em uma cadeira em um quintal florido, tomando chá e me tornando cada dia mais detestável e turrão. Menos com Ginevra. E então, as pessoas perguntariam como é que ela me aguentava, e ela sorriria mas não diria nada, porque ela sabia da verdade.
Eu queria fingir que Voldemort não estava à minha frente.
Que ele não estava entre nós.
Scorpius terminou de tomar seu leite. Ginevra, não sei como, também havia terminado de organizar a bagunça que estava espalhada pelo chão, de forma que, quando ele estendeu os braços, ela o pegou.
Ele se deitou em seu colo, naquela posição que gostava, com os cabelos dela entre os seus dedos. Eu também queria dormir com os cabelos dela entre meus dedos. Todos os dias.
Ela me levou até a cozinha, ainda com ele no colo. Me sentei à mesa, enquanto ela tirava do forno um prato coberto com cheiro apetitoso. Ainda estava quente.
Não sei como ela fazia aquilo. Como ela conseguia fazer tudo aquilo ao mesmo tempo. Cuidar de mim, de Scorpius e de Gwendolyn; quando eu nem mesmo sequer conseguia cuidar de um de nós, apenas.
Comi em silencio, enquanto ela deitava Scorpius em seu colo e o ninava. Sob o som suave de sua voz, ainda com seu cabelo enrolado fortemente no dedo, ele dormiu.
-Vou colocá-lo no berço – anunciou, enquanto se dirigia ao quarto. Eu já havia terminado minha refeição, de forma que a segui.
Ela estava olhando as crianças adormecidas quando me aproximei. Os dois estavam deitados no berço, cada um virado para uma cabeceira, com um travesseiro no meio para impedir que Scorpius avançasse no espaço de Gwendolyn e a machucasse.
Fiquei ligeiramente atrás dela, sentindo o cheiro suave de flor dos seus cabelos.
-Tem certeza de que ele não vai rolar por cima dela, ou algo assim? – perguntei.
-Tenho – ela se virou para mim. – Ele está cansado e vai dormir como um anjo. Além disso, o travesseiro está bem preso.
Ela sorriu.
Me peguei pensando no que ela tinha que me atraía tanto. Devia ser o cabelo. Não havia explicação.
Se alguém tivesse me dito, em algum momento, em Hogwarts, que eu acordaria um dia achando Ginevra Weasley tão atraente quanto eu achava agora, eu teria rido. E teria azarado o infeliz mandando-o para o Saint Mungus por sua loucura evidente. Mas aqui estava eu; querendo tanto beijá-la que doía.
Mas seu olhar desviou o foco dos meus pensamentos. Seus olhos estavam presos no meu bolso, de onde o pergaminho ainda era visível.
Retirei o rolo amarelado, preso com uma fita vermelha de veludo, do bolso e entreguei-o a ela.
-O que é isso? – me perguntou, insegura.
-Abra e veja você mesma – sugeri. Ela desfez o nó da fita, e voltou a me olhar. Seus olhos brilhavam na meia luz como vidro ao sol. – É seu – completei.
Observei atentamente, enquanto seus olhos passeavam pelas palavras no papel. Subitamente, ela levou a mão aos lábios, e percebi que suas mãos tremiam.
-Draco... – sua voz falhou. Lágrimas grossas começaram a descer pelo seu rosto, caindo sobre o papel. Ela tentou limpá-las antes que manchassem o pergaminho.
-Quero que venha comigo, Ginevra – pedi. Era difícil, para mim, mostrar tanta vulnerabilidade. Mas eu precisava dela. – Quero que vocês duas venham comigo.
-Você, mais do que ninguém, sabe o quão perigoso... – ela começou.
Coloquei o polegar sobre seus lábios, impedindo-a de dizer mais alguma coisa. Eu não queria ouvir. Eu não precisava ouvir.
-Sim, eu sei. E, ainda assim, é o que eu quero – completei.
As lágrimas rolavam sem esforço pelo seu rosto. Uma atrás da outra, organizadamente. Suavemente.
-Tem alguma noção da importância que isso tem para mim? – perguntou. – Para nós?
Seu olhar recaiu sobre a filha adormecida. Segurei seu rosto em minhas mãos.
-Eu lhe disse que vocês existem. Existem para mim... e para Scorpius. E são muito importantes para nós. Pode não ser muito...
Dessa vez foi ela quem me impediu de falar, colocando os quatro dedos sobre meus lábios. Senti o gosto do sal de suas lágrimas.
-É muito. É mais do que eu esperava – e então, para minha surpresa, ela colocou a cabeça em meu peito, me abraçando. – É tudo o que nós precisamos.
N/A: Nem acredito!
Pela primeira vez na história, consigo postar o capítulo no dia que eu pretendia! Isso é inédito!
Tudo bem que todos provavelmente estão ocupados demais com os resultados das eleições para ver que eu att, mas o que vale é que eu consegui! Né?
E, um pouco do mérito (um pouco bem grande) vai para a Nat King, para quem eu havia prometido que postaria esse finde...
Vamos às (UHUUUUUUUUUUUULLLLL) reviews:
Renata K: E eu que pensei que tinha conseguido enganá-la com a morte da Ginny! Chateada! Mas não se preocupe...Gwen não puxou nada (ou quase nada) do pai! Eu jamais faria a crueldade de deixa-la com cara de cobra! O capítulo ficou mesmo um pouco doido, porque eu misturei eventos que eram mais recentes com outros mais antigos...mas acho que deu pra entender, né? Enfim...muito obrigada pela review! Fico super empolgada, e quero escrever cada vez mais...Bjos e até o próximo!
Nat King: só para você saber que eu realmente abri o google e digitei "Beyonce with Grammys"! E depois fiquei rindo em frente ao computador até minha família começar a me lançar aquele olhar de quando cogitam realmente me internar...
Preciso confessar que vc não é a única que tem agonia do Harry. Para mim, a mente dele é a mais difícil de descrever – não porque eu não saiba exatamente o que ele está pensando, mas porque me dá um... Argh, sabe? Até mesmo a mente de Voldemort é mais clara para mim do que a do Harry...mas ele é importante na história, de forma que tenho que me esforçar e aturá-lo.
Tenho que confessar que estou tendo um probleminha com as reviews: reviews mais longas são encurtadas (não que eu esteja reclamando. Looooooonge de mim!), e o site pede para logar para poder acessar todo o conteúdo...mas, por algum motivo não estou conseguindo acessar no site!
Não posso dizer que seja o site que está com problema, porque sou a pessoa mais burra para tecnologia do mundo. De forma que não consegui terminar de ler sua review...SORRY!
Mas gostaria de agradecer IMENSAMENTE o apoio que tem me dado. Suas reviews me deixam empolgada e com vontade de escrever cada vez melhor. Mesmo quando estou fazendo os personagens de The Walking Dead parecerem bonitos diante da minha aparência, ainda assim penso que quero postar e não deixar vc esperando. Então, obrigada! Te vejo no próximo capítulo...
Bjuxx,
Angel.
