Lembra de mim?
Classificação K+
Quando a Sakura Haruno, de vinte e oito anos, acorda em um hospital em Londres ela se depara com uma grande surpresa. Seus dentes são perfeitos. Seu corpo bronzeado. Sua bolsa e uma Vuitton. Tendo sobrevivido a um acidente de carro – em uma Mercedes alias – Sakura havia perdido grande parte da sua memória, três anos para ser exata, e ela está para descobrir o quanto as coisas mudaram. De alguma forma Sakura foi de uma garota trabalhadora de vinte e cinco anos para uma influente corporativista, com um loft lindo, uma assistente pessoal, uma dieta sem carboidratos e um novo grupo de amigos. E que e o marido maravilhoso – que ainda acontece de ser um multimilionário? Com a sua mente ainda parada a três anos atrás, Sakura recebe esse mundo novo determinada a ser a pessoa que ela... bom, parece ser. Isto e até um adorável e desgrenhado arquiteto solitário, solta a maior bomba de todas.
Naruto não me pertence... A história é uma ADAPTAÇÃO do livro "Lembra de mim?" da Sophie Kinsella... RECOMENDO! Minhas fics são sem fins lucrativos...
Capitulo 1
Quanto tempo eu estive acordada? Já é manha? Sinto-me tão dura. O que aconteceu na noite passada? Deus, minha cabeça dói. Ok, eu nunca mais vou beber, nunca. Sinto-me tão confusa, não posso nem pensar, muito menos...
Ai. Quanto tempo eu estive acordada? Minha cabeça está doendo e meio enevoada. E minha boca está seca. Esta é a ressaca mais monstra que eu já tive. Eu nunca mais vou
beber, nunca. Isso é uma voz? Não, eu tenho que dormir...
Quanto tempo eu estive acordada? Cinco minutos? Meia hora, talvez? E meio difícil dizer. Que dia é, afinal? Por um momento eu apenas fico deitada quieta. Minha cabeça está dando pontadas com uma dor rítmica, como uma espécie de pesada furadeira de concreto. Minha garganta está seca e doendo em toda a parte. Minha pele parece lixa. Onde eu estava ontem à noite? O que há de errado com o meu cérebro? E como se um nevoeiro tivesse descido sobre tudo. Eu nunca mais vou beber. Devo ter intoxicação por álcool ou algo assim.
Estou tentando me lembrar da noite passada o máximo que posso - mas tudo que está passando na minha cabeça são coisas estupidas. Memorias antigas e imagens do passado, piscando em ordem aleatória, como algum tipo de músicas embaralhadas do iPod no meu cérebro.
Girassóis acenando contra um céu azul...
Yume como um bebe recém-nascido, parecendo como uma salsichinha rosa em um cobertor... Um prato de salgadas batatas fritas em uma mesa de madeira de um pub; sol quente no meu pescoço; o meu pai sentado na minha frente com um chapéu de palha, soprando a fumaça de um charuto e me dizendo, "Coma tudo, querida"...
A corrida de saco na escola. Ah Deus, não essa memória novamente. Eu tento bloqueá-la, mas tarde demais, esta vindo. ...Tenho sete anos, e dia da Gincana, e eu estou ganhando por quilômetros, mas e tão desconfortável estar tão na frente que eu paro e espero por todos os meus amigos. Eles me alcançam – então, de algum modo na disputa eu tropeço e acabo chegando em último lugar. Ainda posso sentir a humilhação, ouvir as risadas, sentir a poeira em minha garganta, o gosto de bananas...
Espera ai. De alguma maneira eu forco meu cérebro para se manter estável por um momento.
Bananas.
Através do nevoeiro outra memoria está se insinuando. Estou desesperadamente tentando resgata-la, alcançá-la... Sim. Já sei. Coquetéis de banana.
Estávamos bebendo coquetéis em algum clube. Isso é tudo o que consigo lembrar. Malditos coquetéis de banana. O que diabos eles puseram neles?
Não consigo nem abrir meus olhos. Eles estão pesados e grudados, como daquela vez que eu usei cílios falsos com cola suspeita do supermercado, depois cambaleei até o banheiro na manhã seguinte e vi um olho colado com o que parecia uma aranha morta em cima dele. Muito atraente, Sakura.
Cautelosamente, eu movi a mão até meu peito e ouvi um ruído de lençóis. Eles não soam como os de casa. E há um cheiro estranho de limão no ar, e eu estou usando alguma camiseta de algodão suave que eu não reconheço. Onde estou? Que diabos - Ei. Eu não transei, ne?
Ah, uau. Eu fui infiel com o Perdedor Dave? Será que estou usando uma camiseta grande demais de algum cara gostoso que peguei emprestado pra dormir depois de termos tido sexo passional durante toda a noite e é por isso que me sinto tão machucada e dolorida- Não, eu nunca fui infiel na minha vida. Devo ter ficado durante a noite com uma das meninas ou algo do tipo. Talvez eu me levante, tome um banho...
Com um enorme esforço eu forco meu olhos a se abrirem e inclino a cabeça alguns centímetros.
Merda. Que diabos...- Estou deitada em um quarto escuro, sobre uma cama metalica. Há um painel de botões a minha direita, um monte de flores sobre o criado mudo. Engulo em seco internamente quando vejo uma intravenosa gotejando na minha mão esquerda, presa a uma bolsa de fluidos.
Isso é irreal. Estou no hospital.
O que está acontecendo? O que houve?
Eu mentalmente estimulo meu cérebro, mas ele e um grande, estupido, balão vazio. Eu preciso de uma forte xicara de café. Eu tento olhar ao redor do quarto por pistas - mas meus olhos não querem procurar. Eles não querem informações, eles querem colírio e três aspirinas. Com fraqueza eu caio de volta nas almofadas, fecho meus olhos, e espero alguns instantes. Vamos lá. Eu tenho de ser capaz de lembrar o que aconteceu. Não posso ter ficado tão bêbada... posso?
Estou me segurando ao meu único fragmento de memória como se fosse uma ilha no oceano. Coquetéis de banana... coquetéis de banana... pense mais... pense... Destiny's Child. Sim! Um pouco mais de memorias voltam a mim agora. Lentamente, lentamente, em pedaços. Nachos com queijo. Aqueles bancos ruins do bar com o vinil todo rachado.
Eu tinha saído com as meninas do trabalho. Naquele clube suspeito com o teto rosa neon em... algum lugar. Posso me lembrar de cuidar do meu coquetel, totalmente miserável.
Por que estava tao pra baixo? O que tinha acontecido- Isso. Claro. Um familiar frio de decepção aperta meu estomago. E o Perdedor Dave nunca apareceu. Dupla derrota. Mas nada disso explica por que estou no hospital. Eu contorço meu rosto com forca, tentando me concentrar o máximo que posso. Eu me lembro de dançar como uma maníaca para Ino e cantando "We Are Family" junto da máquina de karaokê, nos quatro, de braço dados. Posso me lembrar vagamente de cambalear para fora pra pegar um taxi.
Mas além disso... nada. Branco total.
Isso é estranho. Vou mandar um torpedo pra Ino e perguntar-lhe o que aconteceu. Eu tento alcançar o criado mudo - então percebo que não tem nenhum telefone ali. Nem sobre a cadeira, nem na cômoda. Onde está meu telefone? Onde todas minhas coisas foram parar? Ah, Deus. Eu fui assaltada? Tem de ser isso. Algum adolescente em um casaco de capuz me bateu na cabeça e eu cai na rua, e eles devem ter chamado uma ambulância e- Um pensamento ainda mais horrendo toma conta de mim. Que calcinha eu estava usando?
Não posso evitar dar um pequeno gemido. Isso poderia ser realmente ruim. Poderia ser a calcinha e o sutiã cinzas e fedidos que eu só uso quando o cesto de roupa suja está cheio. Ou aquele fio dental limão desbotado com o desgaste na borda e o desenho do Snoopy.
Não poderia ser nada elegante. Quero dizer, você não usaria nada assim para o Perdedor Dave - seria um desperdício. Recuando, eu giro minha cabeça pra todo lado - mas não vejo qualquer roupa nem nada. Os médicos devem te-las incinerado no especial Incinerador do Hospital para Roupas Intimas Fedidas.
E eu ainda não tenho ideia do que eu estou fazendo aqui. Minha garganta está realmente arranhando e eu morreria por uma bom e gelado copo de suco de laranja. Agora que eu penso nisso, onde estão todos os médicos e enfermeiras? E se estiverem morrendo?
"Olá?" eu chamo com fraqueza. Minha voz soa como alguém arrastando um ralador sobre um piso de madeira. Eu espero por uma resposta, mas há silencio. Tenho certeza de que ninguém pode me ouvir através daquela porta espessa.
Então me ocorre apertar um botão no pequeno painel. Eu escolhi o que parece ser uma pessoa, e alguns momentos depois a porta se abre. Funcionou! Uma enfermeira de cabelos grisalhos em um uniforme azul escuro entra e sorri pra mim.
"Olá, Sakura!" ela diz. "Se sentindo bem?"
"Hum, bem, obrigado. Com sede. E a minha cabeça dói."
"Eu vou buscar um analgésico pra você." Ela me traz um copo de plástico cheio de agua e me ajuda a levantar. "Beba isso".
"Obrigado," digo depois de engolir a agua. "Então... estou chutando que estou num hospital? Ou, tipo, um spa realmente tecnológico?"
A enfermeira sorri. "Desculpe. Hospital. Você não se lembra de como chegou aqui?"
"Não." eu balanço minha cabeça. "Estou um pouco confusa, para ser honesta".
"Isso e porque você levou um belo galo na cabeça. Você se lembra de alguma coisa sobre o seu acidente?"
Acidente... acidente... E, de repente, numa rapidez, tudo volta. Claro. Correndo até o taxi, as pedras do pavimento molhadas com a chuva, escorregando nas minhas estupidas botas baratas...
Nossa. Eu devo ter realmente batido forte com minha cabeça.
"E. Acho que sim." eu aceno com a cabeça. "Mais ou menos. Então... que horas são?"
"São oito horas da noite."
Oito horas? Uau. Estive apagada por um dia inteiro?
"Eu sou Maureen." Ela leva meu copo. "Você só foi transferida para esta sala há algumas horas atrás. Sabe, a gente já teve varias conversas".
"Mesmo?" digo, surpresa. "O que eu disse?"
"Vocês estava um pouco ininteligível, mas você continuava perguntando se algo estava 'folgado.'" Ela franziu as sobrancelhas, parecendo perplexa. "Ou 'fedido'?"
Ótimo. Eu não somente uso roupa intima fedida, eu falo sobre ela pra estranhos. "Fedida?" Eu tento parecer desconcertada. "Eu não tenho nenhuma ideia do que eu quis dizer."
"Bom, você parece inteiramente coerente agora". Maureen afofa meu travesseiro. "Ha mais alguma coisa que posso trazer para você?"
"Eu amaria um pouco de suco de laranja, se houver algum. E eu não consigo achar o meu telefone em nenhum lugar, ou minha bolsa."
"Todo os seus bens de valor terão sido colocados em algum lugar seguro. Vou apenas checar".
Ela sai e eu olho ao redor do quarto silencioso, ainda confusa. Eu sinto como se tivesse juntado apenas um pequeno canto do quebra-cabeça. Eu ainda não sei em que hospital estou... como cheguei aqui... alguém avisou a minha família? E há uma outra coisa me perturbando como uma contradição...
Eu tinha ficado ansiosa para chegar em casa. Sim. E isso mesmo. Eu continuava dizendo que precisava chegar em casa, porque eu tinha que me levantar cedo no dia seguinte.
Porque- Ah, não. Ah merda. O funeral do meu pai. Foi no dia seguinte, as onze horas. O que significa... será que eu o perdi? Instintivamente eu tento sair da cama – mas mesmo me sentar faz minha cabeça ficar tonta. Finalmente, relutantemente, eu me deito de volta. Se eu perdi, eu perdi. Não há nada que eu possa fazer sobre isso agora. Não e como se eu realmente conhecesse meu pai muito bem. Ele nunca esteve muito por perto; na verdade, ele era mais como um tio.
Do tipo de tio brincalhão e malandro, que lhe traz doces no Natal e cheira a bebida e cigarros. Nem foi um enorme choque ele ter morrido. Ele estava fazendo uma grande cirurgia de ponte de safena no coração, e todos sabiam que havia uma chance de apenas 50%. Mas mesmo assim, eu deveria estar lá hoje, junto com a minha mãe e Yume. Quero dizer, Yume tem apenas doze anos - e diga-se de passagem uma menina de doze anos um pouco tímida. Subitamente tenho uma visão dela sentada no crematório próximo da mamãe, toda sombria abaixo de seu rabo de cavalo, segurando com forca seu velho e esfarrapado Leão Azul. Ela não está pronta para ver o caixão do seu pai, não sem sua irmã mais velha segurando sua mão.
Enquanto estou deitada aqui, imaginando ela tentando parecer corajosa e adulta, de repente sinto uma lagrima rolar no meu rosto. E o dia do funeral do meu pai, e aqui estou eu no hospital com uma dor de cabeça e provavelmente uma perna quebrada ou algo assim.
E meu namorado me deu o bolo na noite passada. E ninguém veio me visitar, então de repente percebo. Onde estão todos os meus amigos e familiares ansiosos, sentados em volta da cama e segurando minha mão?
Bem, eu suponho que mamãe esteve no funeral com Yume. E o Perdedor Dave pode se danar. Mas Ino e os outros - onde estão? Quando penso como todos fomos visitar Hinata quando ela foi ter sua unha encravada do pé removida. Ficamos praticamente acampados no chão, e trouxemos pra ela café do Starbucks e revistas, e a levamos para um tratamento de pedicure, quando estava sarada.
Isso só para uma unha do pé
Considerando que eu estive inconsciente, com uma intravenosa gotejando e tudo. Mas obviamente ninguém liga. Ótimo. Apenas droga de mundo... maravilhoso. Outra lagrima grande escorre pelo meu rosto, assim que a porta abre e Maureen entra novamente. Ela está segurando uma bandeja, e um saco plástico com Sakura Haruno escrito nele em caneta hidrocor grossa.
"Ah, querida!" Ela diz quando me vê limpando meus olhos. "A dor está muito forte?" Ela me dá um comprimido e um copinho d'agua. "Isso deve ajudar".
"Muito obrigada." eu engulo a pílula. "Mas não é isso. E a minha vida." eu espalho meus bracos ao redor desesperadamente. "E uma futilidade total, do começo ao fim."
"Claro que não e," diz Maureen de modo tranquilizador. "As coisas podem parecer ruins..."
"Acredite em mim, elas estão ruim."
"Eu tenho certeza-"
"Minha tão chamada carreira não vai a lugar nenhum, e meu namorado me deu o bolo na noite passada, e não tenho nenhum dinheiro. E minha pia continua vazando uma agua marrom estragada no apartamento abaixo," acrescento, com um tremor de lembrança. "Eu provavelmente serei processada pelos meus vizinhos. E meu pai acabou de morrer."
Há silencio. Maureen parece aturdida.
"Bem, tudo isso soa bastante... complicado," diz ela, finalmente. "Mas espero que as coisas mudem pra melhor."
"Isso é o que minha amiga Ino diz!" de repente tenho uma lembrança dos olhos de Ino brilhando na chuva. "E olha, eu acabo num hospital!" Faço um gesto desesperado para mim mesma. "Como isto esta mudando para melhor?"
"Eu... não tenho certeza, querida." Os olhos de Maureen estão se lançando sem respostas de um lado pro outro.
"Toda vez que eu acho que tudo já está uma merda... só fica ainda pior!" eu assoo meu nariz e solto um enorme suspiro. "Não seria ótimo se apenas uma vez, apenas uma vez, a vida se ajeitasse magicamente?"
"Bem, podemos todos ter esperança, não podemos?" Maureen me dá um sorriso simpático e estica sua mão para pegar o copo.
Eu o devolvo - e enquanto faço isso, de repente percebo minha unhas. Mas que merda. Que diabos- Minhas unhas sempre foram uns tocos roídos que tento esconder. Mas estas parecem maravilhosas. Toda tratada e com esmalte rosa pálido... e longas. Eu pestanejo para elas em espanto, tentando calcular o que aconteceu. será que fomos para uma manicure tarde da noite ontem a noite ou algo assim e eu me esqueci? será que coloquei unhas de acrílico? Eles devem ter alguma nova técnica brilhante, porque nao consigo ver a emenda nem nada.
"Sua bolsa está aqui dentro, a propósito," Maureen acrescenta, colocando o saco plástico na minha cama. "Vou apenas pegar pra você aquele suco."
"Obrigada". Eu olho para o saco plástico, surpresa. "E obrigada pela bolsa. Pensei que tivesse sido roubada."
Isso é uma coisa boa, de qualquer maneira, ter conseguido minha bolsa de volta. Com alguma sorte meu celular ainda estará carregado e eu posso enviar alguns torpedos... Enquanto Maureen abre a porta para sair, eu alcanço a sacola - e puxo uma polida bolsa Louis Vuitton com alças de couro de bezerro, toda brilhante e com aparência cara.
Ah, ótimo. Eu suspiro em desapontamento. Esta não é a minha bolsa. Eles me confundiram com outra pessoa. Como se eu, Sakura Haruno, possuiria uma bolsa Louis Vuitton.
"Com licença, essa bolsa não e minha," eu grito, mas a porta já se fechou.
Eu olho para a bolsa Louis Vuitton tristemente por um tempo, imaginando a que ela pertence. Alguma garota rica mais na frente no corredor, provavelmente. Finalmente eu a solto no chão, caio de volta nos meus travesseiros, e fecho meus olhos.
Continua...
