Oiii!
Mais um capítulo chegando!
Obrigada a todas que estão lendo, comentando e favoritando!
Depois deste só mais dois capítulos e chegamos ao final.
Boa leitura!
– ELE AINDA pretende fazer o pedido de casamento esta noite? – perguntou Isabella, desanimada, segurando o fone com força contra a orelha enquanto ouvia o que Sue lhe dizia. De alguma forma, nutrira a esperança de que Edward perceberia que sentia alguma coisa por ela, depois da noite passada. Talvez não amor. Não ainda, mas pensara que ele despertaria para a atração que existia entre os dois. Muito bem, talvez Edward não fosse completamente alheio àquele sentimento, mas com certeza resolvera ignorá-lo.
Isabella fechou os olhos, escutando a secretária de Edward confirmar que, de acordo com o que o patrão dissera, a proposta estava de pé.
– Obrigada, Sue – agradeceu ela, arrastando as palavras.
Quando desligou o telefone, afundou ainda mais na cama. Edward com Alice. Não conseguia imaginar aquilo. Ele precisava… de alguém que o sacudisse, alguém que não lhe permitisse ser tão sério e organizado. Edward precisava de alguém igual a ela. Alice não o desafiaria. Não havia fagulhas elétricas ou química entre os dois. Era como se a futura noiva fosse uma filha para Edward, a julgar pela atração que tinham um pelo outro. Talvez ele quisesse um casamento estável e enfadonho.
Isabella fez um movimento negativo com a cabeça. Não. Não podia acreditar, porque se acreditasse teria de desistir, e não estava preparada para isso. Esticando mais uma vez a mão para pegar o telefone, digitou o número que Jacob lhe dera na véspera.
– Oi, é Isabella – disse quando ele atendeu.
– Olá, como vai? – cumprimentou Jacob .
Isabella deixou escapar um suspiro.
– Tive notícias de que a proposta de casamento ainda está de pé.
– Sinto muito ouvir isto. Tinha certeza de que Edward estava disposto a me escalpelar depois de nossa pequena encenação ontem à noite.
– Ele me deixa frustrada. – Isabella respirou fundo, desanimada. – Não consigo entendê-lo. Edward é tão controlado em todos os aspectos, exceto quando está sozinho comigo. Jacob soltou uma risada.
– Não posso dizer que o culpo. Tenho a impressão de que você é capaz de tentar a paciência de um santo e os votos de um padre.
– Será que poderia conseguir ingressos para a ópera, esta noite? Detesto ter de lhe pedir isto, mas estou desesperada. Ele e Alice vão à ópera, e depois haverá uma festa no hotel, onde ele planeja pedi-la em casamento.
– Tenho certeza de que posso consegui-los, mas como pretende impedi-lo de fazer o pedido?
– Não sei… – confessou Bella em tom suave. – Mas pensarei em alguma coisa.
– Acho que não é o momento de admitir que detesto óperas. – Jacob deu risada.
Um sorriso frouxo curvou os cantos dos lábios de Isabella.
– Também não sou muito fã do gênero, mas ao que parece, essa é a favorita de Alice.
– Então, posso sugerir um plano alternativo?
Franzindo a testa, ela se sentou na cama com as cobertas dobradas na cintura.
– O que tem em mente?
– Que tal um encontro romântico? Você informa sua equipe de segurança os seus planos para esta noite, revelando que sairá comigo. Não tenho dúvidas de que eles mantêm Edward informado regularmente. – O divertimento se refletia na voz de Jacob . – Isso o deixará aflito por estar preso na ópera com Alice e não ter a menor ideia do que estamos fazendo. No entanto, se estivermos na ópera, ele poderá nos controlar.
– Mas e quanto à festa e os planos de Edward de pedi-la em casamento?
– Farei com que chegue à festa, antes de Edward. Talvez até lá você tenha conseguido traçar um plano.
– Não sei – disse ela, arrastando as palavras.
– Ora, vamos – estimulou Jacob . – Teremos um excelente jantar. Isso deixará Edward maluco. Depois você aparece na festa e ele estará em suas mãos.
– Está bem – concordou Isabella.
– Ótimo. Vou buscá-la às 19 horas. Telefono quando estiver chegando para que você possa descer.
Quando desligou o telefone, Isabella atirou as pernas para fora da cama. Mais uma vez, precisaria de um vestido perfeito. Algo deslumbrante. Não sabia se as lojas vendiam vestidos para impedir pedidos de casamento.
De repente, um pensamento alarmante lhe aflorou à mente. Isso a tornava "a outra"? Seria ela uma femme fatale tentando destruir um relacionamento? O pensamento não era muito confortador e não a fez se sentir muito bem. Mas, por outro lado, Isabella sabia que ela e Edward eram feitos um para o outro. Mesmo que ele ainda não soubesse. Além disso, nada estava resolvido. Alice não usava uma aliança, e nenhum compromisso fora assumido. Até isso acontecer, tudo era válido no amor e na guerra. Isabella quase gemeu diante do patético clichê. Precisava urgentemente pensar em algo que desse certo.
Forçando-se a se levantar, encaminhou-se ao chuveiro. Tinha apenas até aquela noite para descobrir o que faria para impedir que Edward cometesse um grande erro. E evitar que o próprio coração se partisse.
Edward ATENDEU o interfone quando Sue o acionou e disse que Reynolds estava na linha para lhe passar o relatório diário. Ele então ouviu o chefe da equipe de segurança de Isabella listar as atividades matutinas da patroa, que consistiam em compras em um shopping e um almoço no hotel. Porém, os dedos de Edward se fecharam com força em torno do aparelho quando Reynolds passou a relatar os planos de Isabella para aquela noite: sair com Jacob Black. Edward xingou em grego, mas logo recobrou a compostura. O que ela estava pensando? Certamente não poderia estar se sentido atraída por um homem como Jacob . Ele era o tipo de sujeito escorregadio, e a assediara de maneira obscena na festa. Sem mencionar o fato de Jacob desfilar com uma mulher diferente a cada semana.
– Tem de mantê-la sob estrita vigilância – ordenou Edward. – Não confio no homem com quem ela vai se encontrar. Sob nenhuma circunstância os dois devem ficar a sós.
– Sim, senhor – respondeu Reynolds.
Edward interrompeu a ligação com os lábios comprimidos em uma linha fina. Estaria Isabella apenas tentando enlouquecê-lo? Aquela feiticeira endiabrada devia saber que ele não aprovaria um encontro com Jacob , depois do que acontecera na noite anterior. E talvez Isabella não se importasse com o que ele aprovava. Ela não levara em conta sua opinião em nenhum outro aspecto.
Edward se inclinou para trás na cadeira e abriu uma das gavetas da mesa, esticando a mão para pegar uma caixinha que se encontrava em um canto. Tocou-a com os dedos, pegou-a e a abriu. O anel de diamantes faiscou contra a luz enquanto ele o estudava. Naquela noite Edward o colocaria no dedo de Alice. Então, por que não se sentia entusiasmado? Por que não estava ansioso por seu futuro? Dali a um ano poderia ter até mesmo filhos, uma família. Estaria estabilizado. E ainda assim sentia-se decididamente desestabilizado em relação a Alice… a tudo. O som do interfone soou de novo, e Sue anunciou outra ligação importante, mas desligou antes que ele pudesse perguntar de quem se tratava. Com um gesto negativo de cabeça, Edward atendeu.
– Está maluco? – a pergunta de Jasper o fez franzir a testa.
– Dê-lhe uma chance de se explicar – interveio Emmett. – Depois julgaremos se ele perdeu o juízo ou não.
– Disseram a Sue para não revelar que a ligação era de vocês, certo? – acusou Edward.
– Isso mesmo – devolveu Jasper. – Você não teria atendido se soubesse. Covarde.
– Não há nada que me impeça de desligar – contrapôs Edward, embora não estivesse falando sério.
– Sua cunhada quer saber por que você não lhe contou que estava pensando em se casar – disse Emmett.
Edward fez uma careta.
– Não é justo usar Rose para me fazer sentir culpado, e você sabe disso.
– O que pensa estar fazendo? – Jasper, impaciente, cortou aquela conversa fiada. – Que diabos pode estar passando por sua cabeça?!
– O que seu irmão está tentando dizer é que fomos pegos de surpresa e gostaríamos de congratulá- lo; assim que entendermos o motivo pelo qual ficamos sabendo disso só agora – explicou Emmett, diplomático.
Jasper deixou escapar um ruído rude.
– Não fale por mim. Se ele confirmar que vai fazer isso, só poderei lhe oferecer minhas condolências.
– O que há de errado no fato de eu me casar? – Edward ficou surpreso com a reação de Jasper.
– Além do fato de eu achar que qualquer pessoa disposta a entrar para a instituição do matrimônio tem os parafusos soltos, há a questão de que a escolhida é Alice Gianopolous. Ela não tem nada a ver com você – opinou Jasper, sem rodeios.
Edward franziu a testa.
– Alice é uma escolha perfeitamente aceitável.
Seguiu-se um longo silêncio e, em seguida, Emmett limpou a garganta.
– Escolha aceitável? Este é um termo, no mínimo, estranho para se empregar neste caso.
– Estou mais interessado em saber por que você acredita que ela não é a mulher certa para mim. – Edward decidiu ignorar o comentário de Emmett.
– Diabos! O pai dela vem tentando casá-la com um de nós três há anos, Edward! E ela é… ela é…
– O que ela é? – Edward o interrompeu.
– Diga-nos apenas por que a repentina urgência em se casar? – pediu Emmett, calmo. – E por que preferiu informar algo tão importante por e-mail?
– Provavelmente pela reação que estou recebendo agora – retrucou Edward, irritado.
– Desde quando se preocupa tanto com nossa opinião? – indagou Jasper.
– Não é irônico que há pouco tempo tenhamos sido Jasper e eu a ter este mesmo tipo de conversa com Emmett sobre Rose? Estávamos errados sobre ela, e vocês também estão errados sobre Alice.
Emmett deixou escapar um suspiro, e Edward percebeu que o atingira em cheio. Como o irmão poderia refutar a verdade? Edward e Jasper se opuseram veementemente a Rose. E não podiam estar mais equivocados.
– Apenas se certifique de que é isso mesmo que deseja – respondeu Emmett, resignado. – E mantenha-nos informados de seus planos. Rose fará questão de comparecer ao casamento.
Porém, Jasper não estava preparado para jogar a toalha.
– Pense no que está fazendo. Trata-se de algo para o resto de sua vida.
Edward achou estranho toda a preocupação de Jasper.
– Aprecio sua preocupação – retrucou Edward em tom de voz seco –, mas sou capaz de tomar minhas próprias decisões.
– Diga-me como estão indo as coisas com Isabella – pediu Emmett, em uma óbvia tentativa de mudar de assunto, sabendo o que ia no coração de Jasper– Você a despachou para a Europa?
Mais uma vez, seguiu-se um longo silêncio.
Edward escorregou uma das mãos pelo cabelo, desejando ter insistido com Sue para saber quem estava ao telefone.
– Ela não foi para a Europa – disse ele.
– Quem é Isabella? – quis saber Jasper. – Estão se referindo à pequena Isabella Swan?
– Eu o colocarei a par deste assunto mais tarde, Jasper. Por que ela não foi para a Europa, Edward? Onde está Isabella, então?
– Está aqui. Ela decidiu ficar em Nova York – informou Edward. – E não é mais tão pequena – acrescentou, embora não entendesse a necessidade de deixar claro aquele ponto.
Emmett soltou uma risada abafada.
– Pobre Edward. Atrelado a mulheres por todos os lados. Imagino o quanto tem praguejado contra mim.
– Providenciei o que Isabella estava precisando e a acomodei. Está tudo bem. Eu estou bem. Agora, vocês dois podem largar do meu pé.
– Ele está soando muito defensivo, não acha? – perguntou Jasper, presunçoso. – Estou sentindo algo no ar. Algo de podre. Queria apenas poder estar em Nova York para ver com meus próprios olhos.
– Permaneça onde está – resmungou Edward. – Você tem um hotel para construir.
A risada de Jasper ecoou do outro lado da linha.
– Estou desligando agora. – E Edward pousou o fone no gancho.
Agora sabia como Emmett se sentira quando ele e Jasper o atormentaram em relação a Rose. Parentes bem-intencionados sempre eram os piores.
– OCORREU-LHE ALGUMA ideia do que vai dizer, Isabella? – Jacob levou a taça de vinho aos lábios.
Relutante, ela fez um gesto negativo com a cabeça e baixou o olhar à entrada, que mal tocara.
– Não quero fazer papel de insistente, mas ao mesmo tempo tenho de fazê-lo ver que não o estou apenas provocando. Não venho fazendo algum jogo tolo, e ele não é só uma empolgação passageira.
Quando Isabella ergueu o olhar, percebeu a compaixão estampada nos olhos escuros de Jacob .
– Coloque-se no lugar dele – murmurou ela. – Você está prestes a pedir uma mulher em casamento. Beijou outra duas vezes e está lutando com todas as forças contra essa atração. O que essa outra mulher poderia dizer para convencê-lo a não se casar com ninguém além dela?
Jacob pousou a taça, inclinou-se para a frente e deixou escapar um suspiro.
– Deus! Você faz perguntas difíceis, não? Acho que dependeria de eu realmente amar a mulher que estava pretendendo pedir em casamento. Mas também jamais a pediria em casamento se não tivesse certeza de meus sentimentos. E se tivesse, e estivesse determinado a pedir-lhe a mão, nada me demoveria.
– Temia que respondesse isto – resmungou Isabella.
– Tudo que pode fazer é tentar – retrucou ele, gentil. – Quem não arrisca, não petisca etc. etc…
Um sorriso bailou nos lábios de Isabella.
– Eu e você adoramos lançar mão de um clichê.
Jacob esticou o braço por sobre a mesa e lhe segurou os dedos.
– Tem certeza de que é isso que realmente quer? Odiaria vê-la ferida e desapontada.
– Você é tão doce! – começou ela.
– Deus! Os homens odeiam ouvir essas palavras dos lábios de uma mulher! É tão ruim quanto "você é como um irmão para mim".
Isabella soltou uma risada e sentiu os ombros relaxarem. A tensão lhe retesava todos os músculos do corpo. Jacob estava certo em relação a uma coisa: tudo que podia fazer era tentar. O que acontecesse depois estaria fora de seu controle.
– Está deslumbrante esta noite – disse ele, enquanto lhe soltava a mão.
– Obrigada. Você é mesmo muito doce.
Isabella baixou o olhar ao vestido de noite azul-escuro que escolhera durante um tour agitado de compras, para o qual arrastara seus guarda-costas naquela manhã. Sem falsa modéstia, sabia que estava mesmo deslumbrante. Aristocrática, alinhada, longe do estilo usual composto de jeans, camiseta e unhas pintadas com cores vibrantes. Aquela noite, se encaixava no mundo de Edward. Que, na verdade, também era o dela, embora nunca o tivesse adotado. Tinha dinheiro e uma excelente linhagem, mas não desejava se encaixar nesse estereótipo.
– A que horas devemos partir? – perguntou, ansiosa.
Não conseguia controlar a pulsação acelerada ao imaginar chegar atrasada à festa. Fazia-a suar frio pensar que chegaria a tempo apenas de ver o feliz casal de noivos.
Jacob exibiu um sorriso tranquilizador.
– A ópera mal começou. Ainda temos um bom tempo. Não se preocupe, eu a levarei com bastante antecedência. Tente relaxar e aproveitar nosso jantar. Seria terrível chegar à festa e desmaiar de fome aos pés de Edward.
– Seria uma forma de estragar o show – afirmou, maliciosa.
Jacob soltou uma risada, com um movimento negativo de cabeça.
– Estou quase arrependido de ter concordado em ajudá-la. Em vez disso, deveria ter tentado conquistá-la.
– E se meu coração já não pertencesse a Edward, teria prazer em incentivá-lo nessa tentativa. – Isabella sorriu.
– Então deixe-me lhe dizer o seguinte e não tocarei mais no assunto. Se as coisas não saírem como espera com Edward… lembre-se de mim.
Isabella esticou a braço por sobre a mesa e lhe segurou a mão.
– Obrigada. Você é um amigo maravilhoso, apesar do pouco tempo em que nos conhecemos. Espero que permaneça meu amigo, não importa o que acontecer. Esta é uma cidade solitária quando não se conhece ninguém.
– Ficarei honrado. Agora, coma. Insisto. Eles têm as sobremesas mais deliciosas de Nova York aqui.
Edward MANTINHA o cenho franzido, em sua cadeira, enquanto a ópera se arrastava diante dele. Ao seu lado, Alice assistia como que hipnotizada, o rosto brilhando de encantamento. Sophia estava menos entusiasmada, mas prestava atenção ao espetáculo. Pouco antes de a ópera começar, Reynolds telefonara para Edward para relatar que Isabella se encontrara com Jacob Black para jantar, depois de um dia de compras. Não havia muito o que ele pudesse fazer no momento, já que estava firmemente entrincheirado nos compromissos daquela noite. Por fim, dera ordens estritas para Reynolds colar em Isabella e garantir que Black não se aproveitasse dela. Tentava enviar uma mensagem de texto para Reynolds de seu telefone celular, mas não tinha certeza se Alice estaria tão absorta no espetáculo a ponto de não perceber, e lhe prometera que não permitiria que os negócios interferissem naquela noite. Ainda assim, pediu que a equipe de segurança de Isabella o atualizasse com notícias, e encontraria uma forma de verificar suas mensagens, mesmo que aquilo significasse uma ida ao toalete masculino.
Durante a próxima hora, ele se inquietou, ansiando pelo término do espetáculo. Irritava-o o fato de ser forçado a pensar no bem-estar de Isabella em uma noite em que deveria estar relaxado. Aquela mulher estava se entranhando em sua vida de uma forma que não o agradava. O que significava não conseguir aproveitar uma noite com sua futura esposa por estar pensando em Isabella Swan?
Alice lhe tocou o braço, arrancando-o dos pensamentos turbulentos.
– Acabou – afirmou num sussurro. Edward relanceou o olhar à cortina fechada. Perdera todo o bis?
Outra cutucada de Alice o fez se erguer. Ele lhe ofereceu o braço, e os dois deixaram o camarote, com Sophia e dois seguranças de sua equipe os seguindo.
– Gostou do espetáculo? – perguntou ele, enquanto se dirigiam à limusine que os aguardava.
– Foi maravilhoso – respondeu Alice, extasiada. – Amo muito a ópera. Houve um tempo em que… Alice baixou a cabeça, mas não antes de ele perceber um leve rubor em seu rosto.
– Houve um tempo em que…? – estimulou Edward.
– Oh, houve um tempo em que desejei ser uma cantora de ópera – disse ela, envergonhada.
– E por que não perseguiu esse objetivo?
Alice sorriu com um gesto negativo de cabeça.
– Não era boa o suficiente. Além disso, meu pai não permitiria. Ele considera essa uma carreira vulgar.
Edward ergueu uma das sobrancelhas.
– Não consigo imaginar tal talento ser considerado vulgar.
– Mas ele pensa que qualquer carreira que termine em um palco não é apropriada a uma jovem. Prefere que eu faça um bom casamento e lhe dê netos.
Algo faiscou nos olhos de Alice, mas logo se dissolveu na meiguice usual.
– E o que você deseja? – perguntou Edward, curioso.
– Gosto de crianças – ela se limitou a responder, antes de se dirigir à mãe.
Edward se apressou em ajudá-las a entrar na limusine e se juntou às duas, antes de o veículo se pôr em movimento a caminho do hotel. Tinha as mãos úmidas e se viu fazendo um movimento negativo com cabeça diante de seu aparente nervosismo. Orgulhava-se de seu autocontrole e calma. Nada naquela situação deveria deixá-lo ansioso. Tinha todo o seu futuro traçado, e tudo estava saindo exatamente como planejara. Aquele pensamento o fez relaxar no assento do carro. Sentiu a caixa de joias no bolso, e deixou a mão pender quando se certificou de que a trazia consigo. O tráfego estava livre, e meia hora mais tarde, chegaram ao hotel.
Alice bocejou, e Edward a ajudou a sair do veículo. Sorrindo, ele lhe segurou a mão.
– Espero que não esteja muito cansada para uma festa.
– Que festa? – ela o fitou, surpresa.
Sophia sorriu e deu o braço à filha.
– Edward planejou uma festa em sua homenagem, querida. Esta é uma noite muito especial.
A senhora piscou para Edward, que as seguia, o que o fez sentir a inquietação se avolumar.
– Uma festa em minha homenagem? Isso parece tão excitante! – Os olhos de Alice faiscaram de alegria.
Alice era mesmo adorável, de uma forma calma, serena. No entanto, por alguma razão, Edward não conseguia afastar da mente a imagem de outra mulher quando olhava para sua futura noiva. Edward desviou o olhar, a mandíbula contraída enquanto cruzavam o saguão em direção ao salão de festas. Quando entraram, a banda começou a tocar, e uma chuva de confetes despencou do teto. Alice ergueu o olhar, extasiada, tentando segurar os diminutos pedaços de papel que despencavam em uma nevasca néon.
– Oh, isto é maravilhoso, Edward! – Ela ofegou.
Com o coração descendo para os pés a cada passada, ele a guiou para a frente. A mão roçou o bolso em que estava a aliança, enquanto se aproximavam do centro do salão. As bordas da caixa de joias atritavam contra sua pele, enquanto ele a revirava no bolso. Alice se mostraria igualmente maravilhada quando ele a pedisse em casamento? E quanto a ele? Ou estaria cometendo o maior erro de sua vida?
– Alice… – começou ele, irritado com o tremor da própria voz. Girando, ela o encarou com os olhos faiscando e os lábios curvados em um sorriso luminoso. Lábios que não lhe suscitavam o desejo de beijá-los.
– Sim, Edward?
ISABELLA SE inclinou para a frente no banco do carro, esticando o pescoço para ver através do vidro do para-brisa.
– O que está nos detendo? – indagou, desesperada. – Por que não estamos saindo do lugar?
Jacob pousou a mão em seu ombro.
– Foi uma batida, Bella. Acalme-se. Recoste-se no banco. Nós chegaremos lá. Edward não fará o pedido no instante em que a festa começar.
Isabella girou a cabeça para olhar pela janela, observando o mar de carros parados. Nunca chegariam ao hotel a tempo. Em uma explosão de frustração, esticou a mão para a maçaneta da porta e a escancarou.
– Bella, o que está fazendo?! Volte para o carro. Não pode sair correndo pelas ruas da cidade de Nova York! – exclamou Jacob , quando ela saltou do veículo.
Isabella girou e se inclinou na direção do banco onde ele estava sentado.
– Preciso ir. Nunca chegaremos a tempo, e você sabe disso. Tenho de estar lá antes que ele a peça em casamento. Não posso… – Ela engoliu em seco e desviou o olhar por um instante. Quando voltou a encará-lo, lágrimas lhe nublavam a visão. – Tenho de ir. Obrigada por tudo.
Isabella fechou a porta, ergueu a saia longa do vestido e começou a correr entre o tráfego, ignorando as buzinas, enquanto cortava na frente dos carros que tentavam se mover naquele caos. Ouviu os gritos de Reynolds, e olhou para trás para vê-lo correndo a toda velocidade pela rua em seu encalço. Girando, Isabella continuou em disparada. Não tinha tempo de parar para se explicar. Sem saber para onde ia, manteve-se na calçada paralela ao tráfego. Quando avistou um táxi desocupado, correu até a janela e bateu no vidro. O motorista revirou os olhos e baixou o vidro.
– Ouça, moça, ninguém irá a lugar algum com esse engarrafamento.
Isabella ergueu uma das mãos.
– Por favor, pode me dizer como faço para chegar no Imperial Park Hotel? Estou muito distante?
O homem estreitou o olhar e voltou a encará-la.
– Em linha reta, não muito longe. Se cortar por esta rua até o próximo quarteirão, estará a seis quadras do hotel. Siga sempre em frente e após o quinto quarteirão, dobre à esquerda e poderá vê-lo.
Murmurando um agradecimento, Isabella suspendeu a saia do vestido mais uma vez, retirou os sapatos e continuou a correr o mais rápido que pôde.
– Ei, moça! A senhorita esqueceu seus sapatos! – O homem gritou atrás dela.
Isabella percorrera três quarteirões quando uma chuva fina começou a cair. Não que aquilo importasse. Sua aparência já estava assustadora, e a esperança de parecer deslumbrante quando surgisse na festa de noivado de Edward havia muito se dissipara. Quando girou na esquina do último quarteirão, o céu pareceu se abrir para dar passagem a um dilúvio. Pestanejando para dispersar a água que lhe caía nos olhos, ela se precipitou na direção do hotel, evitando as poças de água que já haviam se formado na rua. Por favor, por favor, faça com que eu chegue a tempo!, rezou, com o cabelo colado no rosto. Quando conseguiu se abrigar embaixo do toldo do hotel, a água lhe escorria do corpo e da massa disforme que se encontrava o vestido. Os pés estavam doloridos, e tinha certeza de que havia se
cortado em alguma coisa. Ignorando os olhos inquisitivos que lhe dirigiam, Isabella abriu caminho entre as pessoas, tentando entrar. Escorregou no chão encerado, mas conseguiu se equilibrar e correu o mais rápido que pôde com o tecido molhado colado às pernas. À medida que se aproximava do salão de festas, ouviu a ovação que vinha de dentro, seguida por uma explosão de aplausos. Não. Não poderia ter chegado tarde demais. Não poderia. Transpôs a porta, vasculhando com olhar frenético entre a multidão.
E lá, no meio do salão, se encontravam Edward e Alice. Ela brilhava de felicidade da cabeça aos pés, enquanto dirigia um olhar a Edward, que lhe sorria. Ao redor deles, os convidados aplaudiam e, em seguida, ergueram suas taças em um brinde. Isabella se viu sem palavras. Não conseguia ouvir nada além do zumbido em seus ouvidos. Não era capaz de ver nada além de como Alice parecia radiante. Compunha um espantoso contraste com a sensação de aniquilação que Isabella experimentava em seu íntimo. Lentamente, com todas as partes do corpo doloridas, ela girou, com os olhos banhados em lágrimas, e se retirou do salão de festas. Quase colidiu com Reynolds, que corria em sua direção. Mantendo a cabeça baixa, Isabella prosseguiu, ignorando as perguntas que o segurança lhe fazia para se certificar de que ela estava bem. Bem? Nunca mais nada estaria bem. Aos poucos, os sons animados das risadas diminuíram, substituídos pelo murmúrio das conversas das pessoas que se encontravam no saguão. Uma lágrima rolou por seu rosto, mas ela não fez nenhum esforço para limpá-la. Quem perceberia? Seriam confundidas com os pingos de chuva que lhe escorriam do cabelo, o que de fato era verdade.
Quando se aproximou da entrada, Jacob entrou, afobado, e estacou abruptamente diante dela.
– Isabella, você está bem? O que fez foi uma loucura. – Ele a segurou pelos ombros e a girou para que o encarasse. E então, devia ter visto a tristeza em seu semblante, porque interrompeu o discurso, com os olhos suavizados por uma gentil compreensão. – Chegou tarde demais? – perguntou desnecessariamente.
Isabella anuiu e cerrou as pálpebras com força, com uma nova onda de lágrimas lhe escorrendo pelas faces.
Jacob a envolveu nos braços.
– Sinto muito, Bella. Prometi que a traria para cá a tempo.
– Não foi culpa sua – sussurrou.
– Venha, deixe-me levá-la até o seu quarto – disse ele, enquanto a guiava na direção do elevador. – Você está encharcada. – Jacob fez um gesto curto de cabeça para Reynolds. – Eu a levarei lá para cima.
Entorpecida, Isabella se deixou guiar para dentro do elevador. Enquanto subiam, as imagens de Alice e Edward se infiltravam em sua mente. Ambos pareciam tão felizes! Felizes. Quase… como se estivessem apaixonados. Isabella fechou os olhos outra vez. Por que Edward não poderia amá-la?
Jacob retirou o cartão dos dedos trêmulos de Isabella e destrancou a porta. O ar frio imediatamente a envolveu, provocando-lhe um arrepio.
– Você também está encharcado – disse ela percebendo o estado em que se encontrava a camisa e a calça comprida de Jacob .
– Corri atrás de você e fui pego pela tempestade – disse ele, com um sorriso oblíquo.
Isabella anuiu e se encaminhou ao toalete.
Edward ENFIOU a mão no bolso de dentro do terno e de lá retirou o telefone celular. Franziu a testa quando leu a última mensagem não respondida. Pediu licença para Alice com um sorriso e, com acenos curtos de cabeça para os convidados que os rodeavam, se afastou. Retirou-se do salão de festas e se dirigiu ao toalete masculino, que ficava duas portas adiante. Quando estava prestes a entrar, deixou o olhar vagar pelo corredor e avistou Reynolds parado próximo aos seus homens, encharcado da cabeça aos pés. Franzindo a testa, Edward caminhou, determinado, na direção dos três homens.
Reynolds ergueu o olhar quando o viu se aproximar.
– Onde está Isabella? – quis saber Edward.
– Na sua suíte, com o sr. Black – respondeu o guarda-costas.
Certamente ele havia escutado errado, pensou, estreitando o olhar.
– Com quem?
– Ela subiu minutos atrás com o sr. Black – respondeu Reynolds, calmo. – Ambos estavam molhados.
Edward sentiu as têmporas latejarem. Nada o impediria de subir até o quarto de Isabella, arrastar Jacob de lá e surrá-lo até lhe dar uma lição.
Com um xingamento baixo, Edward girou e se encaminhou ao elevador. A raiva lhe percorria as veias como lava incandescente. Que diabos aquele rapaz estava pensando? Sabia muito bem o que Jacob estava pensando e com quem estava pensando.
Quando enfim alcançou a porta do quarto de Isabella, bateu com força. Segundos depois, a porta foi aberta por um sorridente Jacob , trajado apenas com um robe. Ele pareceu surpreso ao ver Edward parado lá, mas em seguida espremeu o olhar.
– Desculpe, pensei que fosse o serviço de quarto.
– Jacob lhe deu as costas e se encaminhou na direção do toalete.
– Pode permanecer na banheira por mais tempo, querida. A comida ainda não chegou. – Voltando- se outra vez para Edward, ele o percorreu de cima a baixo com o olhar e perguntou em um tom de voz que refletia enfado: – O que posso fazer por você?
– Seu arrogante… – disse Edward em tom ameaçador.
– Você abandonou sua festa de noivado para vir até aqui me xingar? – indagou Jacob , divertido.
Um som mais adiante no corredor fez Edward girar a cabeça para ver o carrinho de comida sendo empurrado na direção do quarto de Isabella.
– Ora, finalmente a comida! Se me der licença… ou deseja mais alguma coisa? – perguntou Jacob em um tom beligerante.
Edward se afastou, transtornado, sentindo como se tivesse acabado de sair de um ringue de boxe. Sem dizer uma falava, saiu pisando duro, com os punhos cerrados nas laterais do corpo. Um redemoinho parecia revolver seu íntimo enquanto entrava no elevador. Que importância tinha aquilo? Fora ele a indicar Jacob como uma escolha na busca de Isabella por um marido. Por que se sentia nauseado diante da perspectiva de ela ter feito sua escolha?
ISABELLA ACORDOU com uma sonora batida na porta. Abriu os olhos e fez uma careta diante da sensação de esgotamento. Levou as mãos às pálpebras inchadas e recordou que havia chorado a noite inteira. Edward pedira Alice em casamento. Ela chegara tarde demais. E os dois pareciam tão felizes! O que explicava o fato de ela estar se sentindo tão angustiada.
A batida na porta soou outra vez, obrigando-a a afastar as cobertas e se levantar da cama. Recolhendo o robe que se encontrava atirado sobre o espaldar de uma cadeira a curta distância, ela o vestiu e amarrou a faixa à cintura, enquanto se encaminhava à porta.
Quando perscrutou pelo olho mágico, viu Victória parada do lado de fora, ou ao menos alguém parecido com ela. Era difícil dizer, com aquela peruca loura lhe adornando a cabeça. Isabella abriu a porta, e a amiga entrou, afobada.
– Graças a Deus, você está aqui! – disse ela. – Por um instante pensei que havia esquecido o compromisso de hoje à noite.
Isabella fechou a porta e girou de frente para a amiga.
– Trouxe tudo aqui na minha bolsa, e temos muito tempo para prepará-la. – Victória continuou a tagarelar. – Será moleza. – E então ela estacou quando observou o estado de Isabella, franzindo a testa, confusa, e entreabrindo os lábios. – O que houve de errado? Esteve chorando?
Para desânimo de Isabella, os olhos começaram a arder com as lágrimas que se formavam. Irritada, ela pestanejou várias vezes para dispersá-las. Estava determinada a não derramar nem mais uma lágrima sequer.
Victória fechou a distância entre as duas e lhe envolveu os ombros com um braço, guiando-a na direção do sofá.
Logo Isabella se encontrava sentada, e Victória, agachada ao seu lado.
– O que aconteceu? Foi Edward?
Isabella cerrou as pálpebras e anuiu.
– Oh, querida, sinto muito. – Victória a puxou para um abraço.
– Ele pediu Alice em casamento? Foi isso?
Mais uma vez, Isabella anuiu contra o ombro da amiga.
Victória recuou e lhe afastou uma mecha de cabelo do rosto.
– Vamos esquecer tudo sobre esta noite. Pediremos comida no quarto e chafurdaremos em sobremesas que contenham zilhões de calorias.
Isabella sorriu.
– Não pode perder sua festa. É muito importante. Só porque minha vida está um trapo não há razão para você perder seu emprego ou uma chance na Broadway.
Victória a observou com olhar indeciso.
– Não sei se está em condições de fazer isso. Bella forçou um sorriso largo.
– Que mal poderá acontecer? Eu me vestirei como você, dançarei um pouco e atrairei a atenção dos homens. Será rápido e você conservará seu emprego.
– Tem certeza?
Isabella anuiu.
– Vamos pedir algo para comer. Estou faminta. E então poderá me ensinar os movimentos que preciso saber. – Ela fixou o olhar na peruca que Victória usava. – É isso que vou colocar para sair daqui esta noite?
Victória sorriu.
– É uma maneira perfeita de burlar seus seguranças. Fiz questão de fazê-los me ver entrar e, sinceramente, quem não notaria isto? – acrescentou a amiga, escorregando as mãos de maneira sugestiva pelas curvas do próprio corpo.
Isabella explodiu em uma risada.
– Sem falsa modéstia. Victória piscou e prosseguiu: – Nós a vestiremos exatamente igual a mim, e você sairá rebolativa deste hotel. Ninguém saberá que não está mais aqui. Eu esperarei um bom tempo, e então me vestirei para a festa e partirei, não parecendo em nada com a mulher fatal que chegou mais cedo.
– Bem, o que pode acontecer de pior? – perguntou Isabella, dando de ombros. – Sermos pegas e Reynolds ter outro ataque. Tenho certeza de que Edward está muito ocupado com a noiva para dar importância ao meu paradeiro.
– É assim que se fala – disse Victória. – Mãos à obra!
ISABELLA TINHA certeza de que havia enlouquecido por concordar com aquilo. Inspirou profundamente quando o elevador parou no saguão do hotel, atirou uma mecha comprida do cabelo louro artificial por sobre o ombro e esperou que as portas se abrissem. O traje em que Victória a aprisionara era muitas coisas. Modesto não era uma delas. Embora não se importasse em exibir seus atributos em proveito próprio, aquilo beirava o obsceno. Os saltos altos das botas ecoavam contra o chão de mármore, enquanto caminhava, apressada, na direção da saída. O short era uma versão um pouco mais cara dos modelos tipo Daisy Duke, e tinha uma cintura tão baixa que lhe deixava o umbigo e mais uma extensa faixa de pele expostos. Quanto ao top, nem mesmo as meninas da torcida organizada do Dallas Cowboy exibiam decotes mais generosos. Mas como Victória dissera, ninguém perderia tempo observando seu rosto. Não com tudo aquilo à mostra. Isabella se encaminhou a um táxi que a aguardava e entrou. Quando o motorista pôs o carro em movimento, ela lhe deu o endereço que Victória lhe fornecera. O homem nem pestanejava – e quem podia culpá-lo, com os trajes que ela usava?
Isabella achou divertido o fato de o taxista estar presumindo que ela viera àquele hotel a "negócios". O nervosismo a fazia sentir um frio na barriga, enquanto o carro fluía pelo tráfego. Quando chegaram à entrada dos fundos do clube, uma camada de suor lhe cobria a testa. Isabella permaneceu sentada por um instante, olhando pela janela até que o motorista limpasse a garganta.
– Desculpe – resmungou ela, antes entregar a quantia adequada pela corrida e saltar do táxi.
– Bem, aqui vamos nós – murmurou, caminhando com passos hesitantes na direção da porta. O corredor do lado de dentro estava imerso em escuridão. O que era uma vantagem. Embora Victória tivesse garantido que ninguém perceberia as sutis diferenças entre as duas, aquela farsa ainda a deixava extremamente nervosa. Isabella estava tão maquiada que a própria equipe de segurança não fora capaz de reconhecê-la. Quando ela alcançou a porta identificada apenas com a palavra "meninas", entrou. Havia muita atividade no recinto, e ninguém prestou atenção à sua presença. Outra jovem esbarrou em Isabella, fazendo-a se afastar do caminho para não se aproximar demais.
– Olá, Victória – cumprimentou a outra dançarina. – Não sabíamos se você viria. Terá de entrar logo depois de Angel, portanto, é melhor se arrumar.
Isabella experimentou uma sensação gelada em seu íntimo e tratou de engolir o pânico em seco. Era capaz de fazer aquilo. Ninguém conhecia sua verdadeira identidade ali. Embora não fosse tão gabaritada quanto a amiga, sabia fazer os movimentos, e Victória passara toda a tarde lhe ensinado o que era preciso.
Ela sorriu e anuiu na direção da jovem. Ocupou um lugar no espaço destinado a Victória no vestiário para verificar como estava a maquiagem e se certificar de que a peruca se encontrava segura. Ao deparar com o próprio reflexo no espelho, tudo que conseguiu captar foi a tristeza em seus olhos. Não importava a quantidade de maquiagem, ou como o cabelo estivesse bem penteado, os olhos refletiam tudo que estava acontecendo. E o que estava acontecendo era que perdera o único homem com quem esperara passar o resto da vida. Mais para se manter ocupada do que por real necessidade de retocar a maquiagem, Isabella aplicou um pouco mais de batom, observando seus lábios brilhando com o vermelho vivo. Com movimentos mecânicos colocou mais uma camada de rímel, alongando os cílios já pretos. Mesmo assim, seus olhos ainda a encaravam sem vida.
– Victória, você entrará dentro de cinco minutos – uma voz masculina soou da porta dos fundos. – Mexa-se.
Isabella deu uma última olhada no espelho. Parecia em pânico. Respirando fundo, ajustou a roupa, elevou os seios e se dirigiu à porta.
Edward OLHAVA pela janela da cobertura de Emmett, o drinque quase esquecido em uma das mãos. O crepúsculo caía sobre a cidade, e as luzes começavam a se acender no horizonte. Ainda não tinha certeza se tomara a decisão certa. Questionara-se repetidas vezes durante o dia e, mesmo assim, não conseguia encontrar nenhum senão no caminho que havia tomado. Mas agora, não tinha a menor ideia do que fazer com Isabella. Girou, irritado, quando o celular tocou. O aparelho estava pousado sobre a mesa de centro a metros de distância, onde ele o havia atirado mais cedo. Com um suspiro resignado, caminhou até lá e o ergueu. Quando viu o nome de Reynolds na tela de LCD, pôs-se imediatamente em alerta. Apertou o botão para atender e levou o celular ao ouvido.
– Cullen – disse, conciso.
– Sr. Cullen, é Reynolds. Estamos com um problema, senhor.
Edward pousou o copo da bebida com um baque.
– Que tipo de problema?
– Mais cedo, no fim da tarde, a srta. Swan nos deu uma volta. Outra vez.
– O quê?! E você permitiu que ela repetisse esse feito?
– Temo que desta vez seja algo pior, senhor. Terei prazer em inteirá-lo dos detalhes mais tarde,
porém no momento estamos a caminho do La Belle Femmes. – Seguiu-se uma breve pausa. – O senhor conhece esse clube? Edward franziu a testa, concentrado em absorver aquela informação.
– Não é um clube masculino? Por que diabos estão indo para lá?
– Porque foi esse o destino da srta. Swan – afirmou Reynolds, calmo. – Achei que o senhor ia querer saber.
– Claro que quero saber! – explodiu Edward. – Estou a caminho de lá agora, e não pense que não exigirei todos os detalhes de como isso aconteceu.
Edward deixou a cobertura, chamando o motorista pelo celular. Quando chegou ao saguão do prédio, o carro o aguardava diante da porta da frente. O que, em nome de Deus, Isabella estava fazendo em um clube masculino? O que estava pensando? Seria Jacob de alguma forma responsável por aquilo? Se fosse, iria matá-lo.
Quando o motorista freou com um solavanco em frente à entrada do clube, Edward saltou do veículo e avistou Reynolds, com seus dois homens, correndo na direção dele.
– Ela está aqui? – Edward perguntou, autoritário.
– Acabamos de chegar – explicou o chefe da equipe de segurança de Isabella. – Íamos nos certificar agora.
Edward saiu pisando duro à frente deles até a porta e estacou quando um brutamontes, usando óculos escuros, o impediu.
– Seu nome, senhor? – perguntou o homem, educado.
– Edward Cullen – respondeu ele, impaciente. – Alguém que conheço está aí dentro, e não deveria estar.
– A não ser que seja sócio, não posso deixá-lo entrar.
Edward fervilhava de impaciência, quando girou na direção de Reynolds.
– Cuide disto. Pague a este homem o que for necessário pelo título de sócio e me encontre lá dentro. Vou procurar Isabella.
– Mas, senhor, o título de sócio não é um procedimento instantân…
Edward se recusou a continuar ouvindo, enquanto passava pelo homem e entrava. Tinha certeza de que Reynolds e os demais seriam capazes de contornar quaisquer objeções que o segurança do clube tivesse em relação à sua presença. O clube era diferente do que Edward esperava. No momento em que mencionaram clube masculino, lhe veio à mente a imagem de um lugar decadente, nos fundos de alguma construção, onde a prostituição e as drogas corriam soltas. Mas aquele estabelecimento fora criado para uma seleta clientela. O interior limpo, até mesmo impecável, o fazia se lembrar das áreas de altas apostas dos cassinos. As garçonetes, embora quase seminuas, não tinham aparência vulgar. Os clientes estavam bem- vestidos, fumavam cigarros importados caros e bebiam o mais refinado conhaque. O tipo de lugar cuja existência Isabella não deveria sequer saber. Edward caminhou entre as mesas, com olhar atento, a testa franzida pela concentração, observando cada mulher que via. Na direção da parte da frente do salão, mais homens se encontravam reunidos diante de uma plataforma acortinada. Era óbvio que um show estava para começar. Quando constatou que não havia nenhuma mulher entre eles, desviou a atenção do grupo de homens. Onde diabos estaria Isabella? Teria Reynolds recebido a informação correta? Olhou para a entrada e viu Reynolds e os outros dois seguranças entrando, apressados. Edward acenou para eles com um gesto discreto, e o chefe da equipe de segurança de Isabella abriu caminho entre as mesas até onde ele estava.
– Por que acha que Isabella está aqui? – perguntou Edward.
– Soube de fonte segura que a srta. Swan está neste local – respondeu Reynolds, austero. – O senhor está procurando no lugar errado… O segurança foi cortado pela música que explodiu atrás de Edward. Ele girou, com uma careta, para ver a cortina se erguer e a fumaça do palco resvalar sensualmente pelas pernas longas de uma mulher. Ela usava botas de cano alto justas que apenas lhe acentuavam os contornos e chamavam atenção para suas nádegas bem torneadas. A dançarina começou a se mover no ritmo da música. Os quadris oscilando e os braços pendendo graciosamente nas laterais do corpo. Quando a fumaça se dispersou, ela ergueu os braços e segurou o mastro que se encontrava no palco. O olhar de Edward foi atraído pela tatuagem nas costas, na altura da cintura. Conhecia aquele desenho. Muito bem. O que não era de admirar. Passara muito tempo fantasiando com aquela tatuagem. E então, ela girou, fazendo revoar uma massa de cabelo louro. Postiço. Edward encontrou os olhos chocolates, antes que ela o visse. Percebeu o medo refletido neles, o pânico enquanto ela olhava ao redor do salão repleto de homens que a observavam como um petisco suculento.
Edward sentiu o sangue ferver. Quando ela ergueu o olhar, encontrou o dele, e o medo foi substituído pele choque ao reconhecê- lo.
ISABELLA EMPALIDECEU quando avistou um furioso Edward, parado um pouco atrás do grupo de homens que circundavam o palco. A raiva vibrava sob a superfície daquele corpo forte, os olhos faiscavam ao medi-la de cima a baixo.
De repente, Isabella foi invadida pela ânsia de proteger os seios com os braços e correr para se esconder. Mas antes que pudesse tomar qualquer decisão, Edward se aproximou, com passadas firmes e decididas na direção do palco, como um predador no ato da caça. Não estacou na beirada do palco, nem a incitou a descer de lá. Simplesmente saltou sobre a plataforma e com um único e preciso movimento a ergueu nos braços e a atirou por sobre o ombro.
Isabella soltou um grito assustado ao mesmo tempo que a música parou e o caos se instalou no salão. Ela ergueu a cabeça para ver Reynolds, Maxwell e Davison afastando os seguranças do clube que se precipitavam em seu socorro. Os clientes se levantavam de suas cadeiras e olhavam para Edward, boquiabertos, mas eram demasiados civilizados para se envolveram em um imbróglio daquele tipo. Não queriam arriscar arruinar seus ternos de centenas de dólares. O chão girou vertiginosamente quanto Edward saltou do palco. A força com que ele a segurava a impedia de respirar, e Isabella começou a se contorcer tentando fazer com que ele afrouxasse o braço. Porém, Edward se limitou a apertá-lo contra a parte posterior de suas pernas e caminhar na direção da saída. Em seguida, ela o ouviu rosnar:
– Afastem-se. Ela é minha.
E para sua surpresa, Edward transpôs a porta e saiu para a noite. Ainda atordoada, Isabella não fez mais nenhum esforço para se soltar. Não que aquilo tivesse logrado algum êxito. Os braços de Edward eram como cintas de ferro em torno de seu corpo, enquanto ele caminhava sem nenhum esforço, sustentando-lhe o peso como se fosse uma pena. Edward estacou diante do próprio carro, inclinou o corpo e a atirou pela porta escancarada do veículo. Sem perder sequer um segundo, sentou-se ao lado dela e bateu a porta com força.
– Imperial Park – disse, conciso.
Deitada em um ângulo incômodo no banco, Isabella tentou erguer-se, mas as pernas se chocaram com as dele e ela as afastou rápido, o que a deixou em uma posição ainda mais precária.
Malditas botas! Sentia-se desajeitada e deselegante. Um olhar ao próprio corpo a fez ofegar, desanimada, quando percebeu que os seios estavam quase escapando pelo decote profundo do top. Ela cruzou os braços sobre o peito e deslizou para trás no banco até que as costas colidissem com a porta oposta.
Isabella abriu a boca para falar, mas foi silenciada pelo olhar severo que ele lhe dirigiu.
– Nem uma palavra, Bella. Nem uma maldita palavra – disse, ameaçador. A raiva emanava de Edward em ondas carregadas de eletricidade. – Receberei uma explicação completa quando
voltarmos para o hotel. Até lá, não quero que diga nada.
Isabella engoliu em seco e o encarou, emudecida. Nunca o vira tão… irado! Ele costumava ser tão impassível. Frio e controlado. Era o protótipo da ordem e da calma. O Edward que ela conhecia não vociferava para um leão de chácara com o dobro de sua altura. Ela desviou o olhar, abraçando o próprio corpo com mais força.
– Tome – ofereceu ele, rude, retirando o blazer do terno.
Em seguida o segurou com uma das mãos e a puxou para a frente, para lhe envolver os ombros com o agasalho. Isabella puxou as lapelas para ajustá-las ainda mais ao corpo, agradecida pelo fato de o blazer ao menos cobri-la. Vários longos minutos depois, o carro estacionou em frente ao hotel. O olhar que Edward lhe dirigiu sugeria que ela permanecesse onde estava, e Isabella obedeceu.
Ele saltou do veículo e o contornou para abrir a porta oposta. Para surpresa de Isabella, ele se inclinou para dentro, fechou o blazer para que nenhum centímetro de sua pele ficasse exposto e, em seguida, a retirou do banco nos braços.
– Eu posso caminhar com meus pés – protestou ela.
– Silêncio – ordenou ele, enquanto se encaminhava à porta, ignorando os olhares curiosos dos transeuntes.
Isabella franziu a testa, mas se recostou, exausta, no peito musculoso. Ele entrou no elevador e acionou o botão do andar da suíte que ela ocupava. Muito bem, já havia percebido que ele estava transtornado. Até mesmo furioso. Mas Edward parecia levar aquilo como uma ofensa pessoal. Por que não estava em algum lugar, na companhia da noiva?
Uma pontada aguda de dor a traspassou, sequestrando-lhe o ar dos pulmões. Isabella fechou os olhos contra a simples verdade que a impedia de ter o homem que amava. Ele pertencia a outra mulher.
– Bella? – A entonação de Edward havia mudado, suavizara, e refletia insegurança.
O orgulho a fez abrir os olhos para encontrar o olhar de preocupação com que ele a observava.
– Está tudo bem com você? Aconteceu alguma coisa? Alguém a machucou ou ameaçou?
Isabella negou com a cabeça, incapaz de fazer o som passar pelo nó que se formara em sua garganta. Por um instante, poderia imergir na fantasia de que pertencia àquele homem, que ele se importava com ela de uma forma que ia além dos deveres de um tutor, alguém encarregado de cuidar de seu bem-estar. Mas aquilo era uma mentira. Tudo era uma mentira.
– Então, por quê? – resmungou ele.
As portas do elevador se abriram. Com um gesto negativo de cabeça, Edward saiu e seguiu pelo corredor na direção da porta da suíte. Nenhum dos dois estava com a chave, mas ele não perdeu tempo tentando encontrar uma. Chutou a porta com força, em vez de pousá-la no chão para bater com a mão. Mas quem a abriria? Não havia ninguém lá. Para a contínua surpresa de Isabella, já que houvera muitas naquela noite, a porta se abriu e um homem que tinha o título "segurança" escrito em toda a sua estrutura corpórea os recebeu.
As surpresas não pararam por ali. Tão logo Edward entrou no quarto, um grito soou da outra extremidade da sala.
– Bella! Você está bem?
Isabella virou a cabeça para a esquerda com um gesto brusco para ver Victória correndo em sua direção.
Finalmente, Edward a pousou de pé no chão, e a amiga a envolveu em um abraço apertado.
– O que faz aqui? – sussurrou Isabella. – Sua festa. Não podia perder sua festa.
Victória enrubesceu, com expressão culpada.
– A festa não importa. Nunca deveria ter permitido que fizesse isso por mim.
– Quanto a isso, concordo – interveio Edward, tenso. – Foi uma atitude irresponsável e perigosa. Aquele é um lugar onde nenhuma de vocês jamais deveria ter entrado.
– Mas você perdeu sua oportunidade. – Isabella ignorou o rompante de Edward.
Victória exibiu um sorriso triste.
– Haverá outras. Além disso, não valia o risco que você correu. Desculpe.
– O que aconteceu? – perguntou Isabella, confusa. – Por que você ainda está aqui e… – Ela girou na direção de Edward. – Como ele sabia onde me encontrar?
– O chefe de sua segurança me telefonou, como deveria fazer – respondeu Edward com expressão fechada.
Isabella voltou a se concentrar em Victória.
– Como eles ficaram sabendo?
A amiga baixou o olhar e suspirou.
– Quando saí de sua suíte para ir à festa, um dos seus seguranças me abordou imediatamente. Eles viram apenas você, se passando por mim, sair mais cedo e, como planejamos, nunca supuseram que se tratava de você. No entanto, sabiam que a verdadeira Victória não havia entrado em seu quarto, portanto desconfiaram. Tive de lhes contar tudo. Eles me fizeram esperar aqui enquanto iam buscá-la. – Victória dirigiu um olhar furioso ao homem que permanecia parado à porta. – Precisei suportar um sermão dele durante todo o tempo em que você esteve fora.
– É bom saber que alguém tentou colocar juízo em sua cabeça – disparou Edward, antes de gesticular com a cabeça para o segurança. – Certifique-se de levá-la para casa em segurança e permaneça lá para ver se ela não volta para o clube.
– Mas eu trabalho lá! – exclamou Victória.
– Não mais – rosnou Edward. – Não quero ver Bella frequentando um clube de striptease porque a amiga trabalha lá.
– Mas… – tentou argumentar Victória, mesmo sendo escoltada para fora do quarto pelo segurança.
Quando a porta de fechou, Edward girou para encarar Isabella com olhar severo. Deu um passo na direção dela, o que a fez recuar. A carranca de Edward se tornou ainda mais feroz ao esticar o braço para detê-la.
– Agora, Bella, lidarei com você – disse ele em uma voz suave e ameaçadora.
As mãos fortes de Edward se fecharam em torno dos ombros de Isabella e a puxaram contra a rigidez de seu corpo. O blazer, que ela havia ajustado com tanta força a si, escorregou para o chão, e os seios se comprimiram de maneira obscena contra o peito largo.
Ela se viu incapaz de lhe sustentar o olhar. Se o fizesse, Edward saberia. No mesmo instante, veria tudo que ela desejava ocultar no momento. Coisa que ele não fora capaz de perceber antes.
– Vá se lavar – ordenou ele. – Esperarei por você aqui.
Agradecida pela chance de desparecer, Isabella se encaminhou ao toalete. Quase se encolheu diante da imagem que o espelho lhe devolveu. "Espalhafatosa" foi o termo que lhe veio à mente. Berrante. Triste. Isabella lavou o rosto, se livrando da maquiagem pesada, e retirou a peruca da cabeça. Em seguida, soltou as presilhas de seu cabelo e passou os dedos pelos fios para domá-los. Um banho de banheira longo e quente era uma ideia tentadora, mas não com Edward a aguardando do lado de fora, parecendo mais impaciente a cada segundo. Isabella se despiu e retirou as botas, atirando-as para o lado. Em seguida, se deu conta de que não
trouxera uma roupa para trocar. Dando de ombros, esticou a mão para o robe atoalhado pendurado atrás da porta e se envolveu nele. Saiu do toalete e caminhou, descalça, de volta à sala de estar, enfiando as duas mãos nos bolsos do roupão.
Edward aguardava, parado diante da janela que dava vista para a avenida abaixo. Quando a ouviu, fitou-a com os olhos ainda faiscando com intensa inquietação.
– Por que está aqui? – perguntou ela, enfim se recompondo.
Edward cortou a distância entre os dois, mais uma vez fechando os dedos sobre os ombros de Isabella.
– Ousa perguntar isto, como se eu não tivesse nenhum direito? Como se você não tivesse acabado de cometer uma estupidez? Tem ideia do que pensei quando soube onde estava? O medo que senti? Ou o choque que tive ao vê-la em cima daquele palco, seminua, para que todos aqueles homens a devorassem com o olhar? Diga-me, Bella, o que teria feito se, em vez de mim, tivesse sido um deles a invadir o palco? Se colocasse as mãos em você e a forçasse a ir com ele?
Isabella pestanejou várias vezes diante da ferocidade e da raiva absoluta que lhe distorcia as feições. Várias explicações lhe espiralaram na mente esgotada, mas não acreditava que Edward fosse acreditar em nenhuma delas. Portanto, permaneceu calada.
Edward escorregou uma das mãos pelo cabelo em um gesto de frustração, antes de encará-la mais uma vez.
– Jacob sabia que você faria isso?
Isabella inclinou a cabeça para trás, surpresa.
– Jacob ? Por que precisaria informá-lo sobre qualquer uma de minhas ações?
– Esperava que ele fosse mais protetor com o que lhe pertence ou com o que ele acredita lhe pertencer – resmungou Edward.
Isabella pestanejou várias vezes, confusa.
– Não está fazendo sentido algum. Jacob não tem nada a ver com nada. É um amigo. Não sinto necessidade de informá-lo sobre meus passos.
Edward resfolgou.
– Um amigo?! É assim que chamam isso hoje? – retrucou ele, devolvendo o comentário sarcástico que Isabella fizera na festa sobre beijar.
– O que está insinuando? – Ela cruzou os braços sobre o peito.
– Eu estive aqui, Bella. Ontem à noite. Subi… para ver como você estava – acrescentou, constrangido.
– E daí?
– Jacob atendeu a porta, trajando apenas um roupão de banho – disparou ele.
Isabella ficou boquiaberta.
– E por isso presumiu que ele estivesse dormindo comigo?
– Está negando? – desafiou Edward.
– Estou dizendo que isso não é de sua conta! – explodiu Isabella.
Um longo silêncio se abateu sobre os dois, enquanto se mediam com o olhar. Oh, ela adoraria responder que sim, que dormira com Jacob , mas de que aquilo serviria? Edward estava noivo de Alice, e não estava disposta a bancar a promíscua. Ele ainda tinha o controle sobre sua herança até que se casasse com outro homem.
– Não dormi com ele – respondeu, contrariada. – Pegamos uma tempestade, e Jacob subiu para que pudessem lhe trazer uma roupa seca. Nesse meio-tempo, vestiu um robe, e eu permaneci na
banheira até que ele estivesse completamente vestido. Pedimos comida no quarto e, em seguida, ele partiu.
Um lampejo de alívio brilhou nos olhos de Edward. Por quê? Em que aquilo podia afetá-lo? E então, ele fez um movimento negativo com a cabeça.
– Por que você insiste em me enlouquecer? – murmurou. – Não é o suficiente eu passar o tempo todo pensando em você? Lembrando-me da sensação de sua boca contra a minha?
Edward se aproximou, a respiração quente contra o rosto de Isabella. Em um gesto inconsciente, ela umedeceu os lábios enquanto Edward inclinava a cabeça para o lado.
– Não deveria… me beijar – sussurrou ela.
– Você nunca objetou antes – resmungou Edward pouco antes de lhe capturar os lábios.
Beijos e até
