Cheguei! Último capítulo!
Estou de plantão, mas como prometi postar hj, aqui estou eu, escondidinha e postando fic em
pleno horário de serviço. É só ninguém contar, ok? rsrsrs
Agradecimentos
CHEIVA, ANA CAROL, BARBARA, NERI, CAIO, CRISTINA, GRAZI, LULA, SHIRLEY(fiscalgarcia),
ANÔNIMA, JTVS, ESTHER, PATRICIA, BETH, G, KJESSICA, BETH e ANÔNIMA,
OBRIGADA PELOS COMENTÁRIOS MENINAS. VCS SÃO MARAVILHOSAS.
Boa leitura
– Não estou noivo de outra mulher – revelou ele num quase sussurro. – Não pedi Alice em casamento.
Seguiu-se outro silêncio perplexo.
– É melhor começar do início e me contar toda esta história – sugeriu Emmett, cansado. – É óbvio que está com um problema sério nas mãos. Comece pela parte em que você não pediu Alice em casamento.
– Não consegui – confessou Edward com um suspiro. – Planejei a noite, a festa, o anel, os confetes…
– Confetes? Quem diabos providência confetes para um pedido de casamento? – questionou Emmett, com certo divertimento.
– Fazia parte do clima festivo – Edward se defendeu. – Estava tudo preparado. O momento chegou… e não consegui fazer o pedido. Estava com a mão na caixa de joias, Alice me olhava, e eu larguei a caixa no bolso e a convidei para dançar em vez disso. Falei que a gente não podia continuar com nosso compromisso, e com isso Alice me confessou que estava aliviada, que o coração dela já pertencia a outra pessoa, que só estava aceitando a união para não me magoar e não se opor a ordem do pai. Você pode imaginar isso Em? O tempo todo ela esteve apaixonada por outra pessoa e não me disse nada.
– Posso imaginar sim. E como isso o levou a tirar a virgindade de Isabella? Sem proteção – acrescentou Emmett em tom de voz frio.
– Admiti minha estupidez, meu irmão. Não há razão para continuar me atirando isto no rosto – retrucou Edward, irritado. – Aconteceu depois que a retirei à força do clube de striptease.
– Você o quê?! – Emmett explodiu em uma risada. – Isto está ficando mais absurdo a cada segundo. Será que quero saber por que alguém que está sob sua responsabilidade se encontrava em um clube de striptease?
– Isto não tem importância. O que importa é que, depois disso, seduzi Isabella. Dormimos juntos. Sem proteção. Ela era virgem. Isto diz tudo.
– Sim. Eu diria que sim. – Emmett meneou a cabeça. Após mais um silêncio prolongado, voltou a falar: – Ela estava sob seus cuidados. Nosso pai concordou que a família Cullen cuidaria de Isabella se algo acontecesse ao pai dela. Terá de se casar com ela.
A adrenalina subiu a um nível alarmante nas veias de Edward.
– Não tenho de me casar com ela. Vou me casar com ela.
ISABELLA AFASTOU para o lado as cortinas que cobriam a ampla janela com vista para a rua. O apartamento que alugara ficava localizado no último andar. Era bem maior que as unidades dos andares inferiores e tinha uma vista magnífica do parque do outro lado da rua. Havia uma grande quantidade de pessoas praticando corrida, outras caminhando com cachorros, e crianças brincavam, supervisionadas por suas mães ou babás. Um pequeno oásis no meio da caótica metrópole, com o qual as pessoas podiam contar para alguns momentos de lazer. Poderia viver ali sabendo que o homem que ela amava se encontrava tão próximo, casado com outra mulher?
Em um primeiro momento, aquilo poderia parecer um absurdo. Em uma cidade daquele tamanho seria possível passar uma vida inteira sem esbarrar em Edward. Exceto… pelo fato de ele controlar sua herança e o contato entre os dois ser inevitável.
Isabella deixou escapar um suspiro. Gostava de fato daquele apartamento, mas não tinha certeza se seria capaz de continuar ali.
O som da porta se abrindo não a assustou. Deixara Reynolds a aguardando do lado de fora, alegando que só demoraria alguns minutos. Provavelmente o guarda-costas devia ter perdido a paciência e viera buscá-la. Passadas firmes soaram atrás dela, mas ainda assim, Isabella se viu incapaz de desviar o olhar da cena que se descortinava abaixo. Talvez fosse a normalidade daquele cenário, a promessa de uma vida tranquila, na qual as emoções agonizantes, tais como amor, ciúme ou desespero, não assombrassem cada segundo de sua existência.
Duas mãos firmes se fecharam em seus ombros fazendo-a ofegar.
– Bella, pethi mou, você está bem? O que faz aqui?
Isabella girou e, para sua surpresa, deparou com o olhar preocupado de Edward.
– Voltei à sua suíte e não a encontrei. Estou começando a imaginar se minha vida será uma rotina de nunca encontrá-la onde você deveria estar. – Havia um sutil divertimento na voz grave, mas o que a surpreendeu foram as palavras de Edward. Não faziam nenhum sentido. – Telefonei para Reynolds e, quando ele me disse que você estava aqui, vim correndo para cá. Mas não necessitará mais deste apartamento – acrescentou com voz calma.
Isabella ergueu uma das mãos e a espalmou no peito musculoso, quase temendo tocá-lo. A mente girava em incrível velocidade, mas necessitava saber a que ele se referia ou o que ele não estava dizendo.
– Vim ver se já estava tudo pronto para minha mudança – ela se limitou a responder.
Edward lhe segurou a mão e a manteve sobre o peito.
– Não precisará deste apartamento, pethi mou.
– Com a outra mão, retirou uma pequena caixa quadrada do bolso da calça.
Isabella olhou para o objeto com expressão desconfiada, enquanto ele erguia a tampa e a deixava cair no chão. Trabalhando ainda com apenas uma das mãos, Edward a girou de cabeça para baixo, e uma caixa de joias de veludo caiu na palma de sua mão. Com mais alguns movimentos dos dedos, ele conseguiu abrir a tampa, revelando um diamante que captou a luz que incidia pela janela e faiscou contra os olhos de Isabella.
Atônita, ela o observou lhe erguer a mão e escorregar o anel por seu dedo anular.
– Nós nos casaremos o mais breve possível – disse ele, muito casual.
Isabella sacudiu a cabeça, certa de que ainda se encontrava sonhando em sua suíte.
– Não estou entendendo – gaguejou.
– Temos de nos casar – repetiu Edward, sendo que dessa vez dando ênfase ao "temos". – Você era virgem… e corre o risco de estar grávida – concluiu com suavidade. – Acho que não… quero dizer, não usei proteção. E por isso lhe peço desculpas.
Não. Aquilo não era um sonho. Em seus sonhos, a proposta de casamento de Edward sempre fora romântica. Porém, por outro lado, estava conseguindo exatamente o que desejava. Era difícil argumentar contra aquele fato, não importava a motivação do pedido.
– Está bem – concordou Bella, calma.
Uma sensação de alívio faiscou nos olhos de Edward. Estivera esperando que ela argumentasse? Talvez bancasse a mártir e lhe oferecesse uma recusa chorosa e trágica, alegando que ele não a amava? Edward a envolveu nos braços, mas em vez de beijá-la, lhe deu um abraço apertado.
– Temos de voltar à sua suíte. Há providências a tomar. A não ser que prefira ficar em minha cobertura. Acho que estou tão estabelecido nesta cidade quanto você, mas remediaremos isso. Podemos comprar uma casa. Onde você preferir.
Isabella ergueu um dos braços entre os corpos unidos e o afastou.
– E quanto a Alice?
No silêncio que se seguiu, a expressão de Edward se fechou. – Ela e a mãe voarão ao encontro de Jasper amanhã.
Isabella tentou entender. Onde Jasper se encaixava nisso tudo? Não queria pensar no sofrimento de Alice e no desapontamento de Sophia. As duas mulheres haviam sido muito gentis com ela. E agora Isabella se via no papel de femme fatale. O que não era uma sensação muito boa. Portanto, limitou-se a anuir com um gesto de cabeça, não querendo se aprofundar no assunto. Aquele era um ponto nevrálgico que não devia ser explorado.
O faiscar do diamante contra a luz do sol lhe atraiu o olhar de volta ao anel estonteante que lhe adornava o dedo. E então Isabella permitiu que um pouco de felicidade a inundasse como os raios solares que atravessam a janela. Com um sorriso hesitante, voltou a fixar o olhar em Edward.
– Quer mesmo se casar comigo? Está bem, esqueça isto. Pergunta inútil. Sei que não morre de desejo de se casar comigo. Mas quero que saiba que não é obrigado a fazê-lo. Ou melhor, essa ideia de colocar um anel no meu dedo apenas pelo fato de que eu era virgem e de que não usamos proteção é bastante arcaica. Ninguém mais faz isso. Mesmo que eu fique grávida, não é motivo para nos obrigar a casar…
Edward a silenciou, capturando-lhe os lábios com um beijo profundo e sensual.
Por vários longos segundos, tudo que Isabella conseguia escutar eram os sons do beijo, e aquilo lhe causou a sensação de que seus ossos estavam se derretendo.
Por fim, ele recuou, com duas labaredas nos olhos. Edward talvez não quisesse se casar com ela, mas seu olhar não mentia. Ele a queria e, definitivamente, enlouquecia de desejo por ela. Isso era um começo.
– Agora, se acabou com este falatório sem sentido, vamos voltar para o hotel – disse ele, rouco.
Edward NÃO parecia nem um pouco diferente. Da extremidade oposta da sala de estar de sua suíte, Isabella o observava fazer um sem-número de ligações. Primeiro, ele falou com o proprietário do apartamento que ela havia alugado. Em seguida, alguns telefonemas relativos ao trabalho se sucederam. Agora falava sabia Deus com quem sobre voos e jatos, e outras coisas que ela não entendia. Isabella sentia a cabeça rodar. Talvez tivesse esperado que ele parecesse… não sabia dizer. Noivo? Mas Edward estivera noivo por vários dias. Apenas não com ela. Uma batida à porta interrompeu sua dissertação sobre aqueles telefonemas.
Reynolds, que estivera fazendo planos com Edward, se encaminhou à porta e a abriu. Pela forma como o segurança segurava a porta, Isabella não conseguiu ver de quem se tratava, mas um instante depois de atendê-la, Reynolds escancarou a porta e lhe dirigiu o olhar.
– Victória deseja vê-la.
Isabella fez um gesto sutil com uma das mãos para que a amiga entrasse.
Victória projetou a cabeça para dentro, com o olhar cauteloso. Mas seus olhos se iluminaram tão logo a avistaram, e ela correu na direção do sofá, onde se encontrava Isabella.
– O que está acontecendo? – perguntou a amiga. – Parecia tão estranha quando me telefonou.
Isabella não disse nada, mas ergueu a mão que ostentava o anel para que ela pudesse ver.
Um rápido olhar ao redor revelou que Edward não prestava atenção a elas, tão envolvido se encontrava com os telefonemas.
– Oh, meu Deus! – exclamou Victória, agarrando a mão de Isabella. – Ele a pediu em casamento?
– Shh, Edward está ao telefone – murmurou Isabella. – E sim… bem… mais ou menos isso. Ele não pediu exatamente. Comunicou que nos casaríamos.
Victória franziu a testa.
– Está feliz com isto?
Isabella sorriu.
– Ficarei. Ele é tudo que eu sempre quis.
– E o que ele disse então? E quanto a Alice?
– Não muito. Falou apenas que havia tirado minha virgindade, que eu poderia estar grávida e que precisávamos nos casar.
Victória exibiu uma carranca.
– Tem certeza de que deseja se casar com um homem por essas razões? Quero dizer, e quanto ao amor? Ou ao menos uma razão legítima que date deste século.
Isabella olhou para a amiga e deixou escapar um suspiro.
– Não serei capaz de fazê-lo se apaixonar por mim se não convivermos um com o outro. Sim, o ideal seria que ele me amasse agora e que fôssemos nos casar pelas razões certas, mas tenho de aproveitar qualquer oportunidade que me for dada. Edward sente algo por mim. Disso eu tenho certeza. E vai além do simples desejo sexual. Ele precisa apenas de um tempo. Mas se eu não me casar com ele, Edward se casará com Alice, e aonde isso me leva?
– Tem razão, tem razão – concordou Victória. – É que eu estava esperando algo mais. Você sonhou com isto durante tanto tempo. Queria que fosse algo perfeito para você.
Isabella apertou a mão da amiga.
– Será perfeito. Talvez não imediatamente, mas será. O dia em que Edward disser "eu te amo" fará valer a pena tudo que aconteceu para chegarmos a esse momento.
Victória sorriu.
– Agora que está tudo resolvido, tenho que lhe agradecer. Não precisava fazer isso, mas ao mesmo tempo, fico grata.
Isabella ergueu um olhar confuso para encarar a amiga.
– Que diabos está dizendo?
– O apartamento, o aluguel, a conta bancária. Para que eu não tenha de voltar a trabalhar no clube.
Isabella fez um movimento negativo com a cabeça e Victória franziu a testa.
– Você não providenciou para que meu aluguel fosse pago por um ano?
– Nã… não.
As duas giraram a cabeça na direção de Edward ao mesmo tempo.
– Então, suponho que também não tenha intermediado meu encontro com Howard – murmurou Victória.
– Não tenho a menor ideia do que está me contando – respondeu Isabella com voz suave.
– Você conseguiu um bom homem, Bella. Não que eu esteja pensando que ele fez tudo isso por outra razão que não impedi-la de ir ao clube. – A amiga sorriu. – Ele é um bom homem. – Isabella voltou o olhar para Edward.
Como se sentisse os olhos de Isabella fixos nele, Edward ergueu a cabeça com o fone ainda encostado ao ouvido e a encarou, o olhar a queimando com uma intensidade silenciosa.
De repente, tudo que Isabella desejava era que todos se retirassem daquele quarto e os deixassem a sós. Envolta naqueles braços fortes seria capaz de esquecer muitas das suas preocupações. Incluindo o fato de ela não ser a mulher que Edward havia escolhido como esposa.
– O que acha de eu pedir a Reynolds que a leve até sua casa? – cochichou Isabella para Victória.
Por um instante, a amiga pereceu surpresa, mas quando seguiu o olhar de Isabella, tornou a sorrir. Victória se inclinou para a frente e lhe deu um abraço apertado.
– Mas não saia da cidade sem me avisar, está bem?
Isabella retribuiu o gesto.
– Está bem. – Ergueu-se e caminhou na direção de Reynolds. – Pode levar Victória para casa? – perguntou, embora aquela não fosse uma pergunta.
Reynolds relanceou o olhar a Edward, que parecia ter escutado a pergunta, porque anuiu com um gesto de cabeça e gesticulou com a mão, liberando-o.
Instantes depois, Isabella fechou a porta e, pela primeira vez desde que ele lhe pusera aquele anel no dedo, os dois ficaram sozinhos. Bem… quase. Ainda havia o telefone.
Lentamente, ela se encaminhou na direção de Edward, que se encontrava sentado à mesa diante da janela. Ele ergueu a cabeça. Os olhos escureceram quando Isabella pousou as mãos em seus joelhos e, em seguida, montou sobre as coxas musculosas, escorregando pelo peito de Edward. Sentindo o corpo enrijecer, ele tentou afastá-la, enquanto continuava a conversar sobre cifras, finanças, planos para o hotel, blá-blá-blá. Nada daquilo a interessava tanto quanto a possibilidade de vê-lo nu. Isabella segurou a mão que ele mantinha entre os corpos de ambos e a guiou ao seu peito, a escorregando sob o decote da blusa.
Edward cerrou o punho, como se a estivesse negando.
Mas Bella se limitou a sorrir, e começou a lhe desabotoar a camisa de cima para baixo. A voz de Edward se tornou notoriamente tensa, e ele chegou a se calar por duas vezes, quando perdeu a linha de raciocínio. Se fosse uma noiva adequada, ela o deixaria sozinho e se tornaria invisível enquanto ele conduzia os negócios, e reapareceria depois.
Mas Isabella já provara não ser perita em suprimir os próprios desejos. Não no que se relacionava a Edward. Enquanto afastava as lapelas do blazer que ele usava, inclinou-se para a frente e pressionou os lábios no tórax musculoso. Sentiu a respiração pesada e a resposta estrangulada que Edward deu a quem quer que estivesse do outro lado da linha. Isabella lhe daria mais dois minutos no máximo. Se ele continuasse a resistir por mais tempo, teria de lhe dar o crédito de ser um homem controlado e duro na queda. Ignorando o olhar de desaprovação de Edward, escorregou das coxas musculosas e prosseguiu sua exploração, desabotoando-lhe o zíper da calça. Todo o corpo de Edward enrijeceu e se contraiu quando ela lhe acariciou a ereção igualmente rígida. Mais um minuto. Hum. Isabella inclinou a cabeça, libertando-lhe a masculinidade. Quando seus lábios o tocaram, ela o ouviu rosnar uma resposta para a pessoa do outro lado da linha e, em seguida, o som inconfundível do aparelho contra a parede. Isabella sorriu, mesmo enquanto ele a segurava com força pelos braços e a erguia no colo. Uma torrente de palavras em grego escapou pela boca de Edward, que caminhava na direção do quarto.
Isabella soltou uma risada.
– Theos, o que está tentando fazer comigo? – perguntou ele, atirando-a sobre a cama. – Terei de expulsá-la do meu escritório se pretende fazer isso quando eu estiver resolvendo assuntos de trabalho.
Isabella tentou suprimir um sorriso, enquanto ele quase rasgava a camisa e a calça para se livrar das peças e jogá-las longe.
– Dispa-se – sugeriu ele com voz sedutora.
Isabella arqueou uma das sobrancelhas.
– Essa não é uma tarefa sua?
Edward se inclinou para a frente, espalmando as mãos sobre seus ombros, encarando-a. Em seguida, juntou-lhe os punhos acima da cabeça, segurando-os com uma só mão para deixar a outra livre. E então começou a lhe desabotoar a blusa, com movimentos bruscos pela impaciência, livrando-a de cada peça de roupa. Quando concluiu a tarefa, soltou-lhe as mãos.
– Vire-se de bruços, Bella.
Isabella o encarou, confusa. Os dedos longos lhe exploravam a nudez mesmo enquanto ele a instava a se virar.
– Faça o que estou mandando, pethi mou.
Isabella estremeceu diante do tom autoritário. Ela podia ter começado aquilo tudo, mas ao que parecia, Edward estava determinado a concluir. Devagar, ela girou até que o abdome ficasse pressionado no colchão, e manteve as mãos acima da cabeça, sentindo Edward se inclinar para a frente outra vez. Os dedos longos lhe roçavam as costas, na altura da cintura, e então ela se deu conta de que ele traçava o contorno de sua tatuagem.
Um sorriso bailou nos lábios de Isabella.
– Gosta dela? – murmurou.
– Esta tatuagem tem me deixado enlouquecido desde o primeiro dia em que você entrou em meu
escritório – resmungou ele. – Tive ímpetos de atirá-la ao chão e traçar o contorno deste desenho com a língua.
– Não há nada o impedindo de fazê-lo – retrucou Isabella, provocante.
– De fato, não.
Isabella se sobressaltou e fechou os olhos quando sentiu a língua quente fazer contato com sua pele. Edward a marcava a fogo com uma trilha úmida em torno da tatuagem e, em seguida, depositou um beijo sobre sua espinha.
– Não deveria ter o desenho de uma fada, e sim de um demônio tatuado em você.
Isabella exibiu outro sorriso e rolou para deparar com o olhar ardente de Edward.
– E onde sugere que eu tatue esse demônio?
Os lábios sensuais se curvaram em um meio-sorriso, antes de ele inclinar a cabeça e lhe depositar um beijo sobre os cachos na junção das coxas sedosas.
– Aqui – murmurou. – Onde apenas eu possa apreciá-lo.
– Não me provoque, Edward – sussurrou. – Eu o desejo tanto…
– Então se apodere de mim, Bella. – Afastando-lhe as coxas, ele a cobriu com o corpo. E de repente se encontrava dentro dela, preenchendo-a totalmente. – Por completo.
Isabella enroscou os braços e as pernas em torno dele, segurando-o firme enquanto ele investia dentro dela repetidas vezes. Os lábios de Edward encontraram os de Bella, doces e quentes. Ela sorveu tudo que podia daquele homem, e ainda assim, desejava mais. Queria tudo que ele tivesse a lhe oferecer.
Dessa vez, atingiram o clímax juntos, em uma explosão que reverberou no âmago de Isabella.
Quando sentiu o peso do corpo de Edward relaxar contra o seu, deixou escapar um suspiro de contentamento.
Após um instante, ele rolou para o lado e a puxou para o círculo seguro de seus braços.
– Onde aprendeu tanta ousadia, Bella mou? – perguntou Edward, quando ela se aconchegou sob o arco do braço musculoso, sentindo os dedos longos lhe acariciarem o ombro.
Isabella ergueu o tronco, sustentando-o sobre um dos cotovelos para encará-lo.
– O que quis dizer com isto?
– Você era virgem e ainda assim me seduziu como alguém com vasta experiência.
Isabella deixou escapar uma risada.
– Diga-me que você não é um desses homens que igualam a presença de um hímen à total ignorância da mulher em relação ao sexo.
Edward parecia desconfortável em seu esforço para encontrar a resposta adequada.
– Acho que pensei que não seria provável que uma pessoa inexperiente pudesse ser tão…
– Boa? – perguntou ela, animada.
Edward lhe dirigiu um olhar que deixava claro sua reprovação àquela provocação.
– Nunca disse que era inexperiente – retrucou Isabella em tom de voz leve.
Tenso, ele ergueu a cabeça para encará-la.
– O que quer dizer com isto? Com quem teve experiência?
Isabella espalmou a mão sobre o peito largo.
– Ora, pare com este ataque de testosterona. Você é o único homem com quem fiz amor. Podemos obter experiência sem participação, sabia?
– Desde que nunca decida participar com outro homem – disse ele, brusco. – Eu lhe ensinarei tudo que precisa saber.
Isabella sorriu.
– E talvez, como discutimos antes, haverá coisas que eu possa lhe ensinar também.
Edward a puxou contra si, fazendo-a colidir com um baque suave e os lábios a milímetros dos dele.
– É mesmo? Está bem, então, Bella mou, fique à vontade para me ensinar. Descobrirá que sou um aluno aplicado.
Edward ESTICOU o braço e prendeu o cinto de segurança de Isabella, que ergueu um olhar questionador e sonolento.
– Aterrissaremos em breve – informou ele. – Depois, pegaremos um helicóptero para a ilha.
Isabella bocejou e anuiu, tentando afastar a névoa do sono que lhe embotava a mente.
– Estou ansiosa para conhecer Jasper oficialmente. Eu o vi apenas uma vez, e não conversamos – disse ela, mudando de posição no assento. – Embora faça tanto tempo que não vejo Emmett que será como vê-lo pela primeira vez também. Como ele é? Edward ergueu uma das sobrancelhas.
– A qual está se referindo, pethi mou?
– Jasper – respondeu ela, com certa impaciência. – Aquele que eu disse que não conheço. Edward sorriu.
– Você não é muito coerente quando acaba de acordar.
Isabella bocejou outra vez e franziu a testa.
– Quanto à sua pergunta, Jasper é… bem, é Jasper. – Edward deu de ombros. – É o que mais viaja de todos nós, agora que Emmett se estabeleceu na ilha. Neste momento, está voltando do Rio de Janeiro, onde vem supervisionando a construção de nosso novo hotel.
– É casado ou comprometido?
Edward soltou uma risada.
–Não era até ontem. Preciso te confessar que Jasper e Alice estavam apaixonados um pelo outro a algum tempo e tinham medo de me magoar. Com o fim do meu compromisso com Alice ela correu pra os braços de Jasper.
– Meu Deus, é sério? Mas como? Por que não me contou antes? Eu estava com a consciencia pesada, pensando que tinha Magoado Alice. – falou Isabella.
Edward confirmou com a cabeça.
– Você iria descobrir cedo ou tarde.
– E Rose? – Isabella questionou à media que o jato particular iniciava a rota descendente. Ela já conseguia avistar as luzes minúsculas no solo. – Como Rose é? Admito que é difícil imaginar uma mulher capaz de subjugar Emmett com tanta facilidade. Ele sempre pareceu tão…frio.
– Não foi fácil. – A expressão de Edward se fechou. – Eles passaram por muitas coisas juntos. Emmett é um homem de sorte por tê-la.
– Então você gosta dela? – quis saber Isabella.
Edward anuiu.
– Muito. Rose é boa para o meu irmão. Suavizou-o na medida certa.
– Isso parece… ótimo.
– Não tem nada a temer – afirmou Edward, tranquilizando-a. – Gostará deles, e a recíproca será verdadeira.
Isabella conseguiu exibir um sorriso tenso.
A mão longa encontrou a dela, pouco antes de o jato tocar o solo. Isabella permaneceu de bom grado com os dedos entrelaçados nos dele durante todo o tempo em que o avião particular taxiava na pista.
Alguns minutos depois, desembarcavam, e Edward a guiava, apressado, na direção do helicóptero que os aguardava.
– Se tivesse pensado melhor, teria providenciado para que pernoitássemos no continente. Dessa forma, você poderia observar a beleza da ilha à luz do dia – disse Edward, enquanto subiam a bordo.
– Verei quando voltarmos, certo? – Ela sorriu quando ele se acomodou ao seu lado.
O ruído dos motores se avolumou impedindo qualquer conversação, e Edward se limitou a anuir com um gesto de cabeça. A viagem através da escuridão da noite era um pouco desconcertante, mas em seguida, Edward apontou para um clarão a distância. Isabella se inclinou sobre o corpo de Edward, enquanto se aproximavam da fonte de luz. Instantes depois, o helicóptero baixou no bem iluminado heliporto, e o piloto gesticulou para Edward quando o desembarque poderia ser feito em segurança. Edward abriu a porta do helicóptero e saiu com o corpo inclinado para a frente. Em seguida, esticou o braço e a ajudou a saltar. Com a mão pressionada às costas de Isabella para mantê-la inclinada, ele a afastou correndo pela área de pouso de concreto, na direção dos jardins iluminados que levavam à casa. Quando se aproximaram da entrada, um homem surgiu à porta da frente. Mesmo de longe, Isabella o reconheceu: Emmett. Ele sorriu e a fez relaxar a ponto de retribuir o sorriso.
– Isabella, como você cresceu, até mesmo desde sua formatura – disse ele, enquanto a envolvia em um abraço.
– Obrigada por me fazer parecer uma adolescente que acabou de aposentar o aparelho dentário e os primeiros sutiãs – brincou ela, quando interromperam o abraço.
Emmett a encarou com óbvia surpresa e deixou escapar uma risada.
– Desculpe. Está longe disso, como Edward sem dúvida descobriu.
Isabella não pôde evitar o rubor que se espalhou por seu rosto.
– Por que não para de procurar o que dizer e nos deixa entrar? – perguntou Edward, com semblante severo. – Antes que ambos digamos algo que o deixará constrangido.
Emmett soltou uma risada abafada e gesticulou para que os dois passassem.
– Rose os aguarda na sala. Está ansiosa por conhecer Isabella. – Em seguida, Emmett passou pelos dois para orientar, em grego, o homem que recolhia as bagagens do helicóptero.
Edward segurou o braço de Isabella, e os dois entraram. A casa era absolutamente deslumbrante, e Isabella mal podia esperar até vê-la em plena luz do dia. E a praia… Podia sentir o cheiro do sal no ar e as ondas estourando a distância, mas queria ver de perto e enterrar os pés na areia.
Uma mulher grande, de cabelo claro o e com um cobertor envolvendo algo nos braços, se encontrava parada próxima ao sofá.
– Edward! – exclamou ela e se encaminhou na direção dos dois. Com um sorriso largo, ele a ergueu, junto com o bebê, em um abraço.
– Como estão minha irmã favorita e meu sobrinho?
– Sou sua única irmã – lembrou ela.
– Rose, quero que conheça Isabella, minha noiva – disse ele, girando na direção dela.
Rose sorriu, os olhos azuis faiscando de afeto.
– Fico muito feliz em conhecê-la, Isabella.
– Por favor, chame-me de Bella. E posso dizer o mesmo.
– Jasper já chegou? – Edward franziu a testa, olhando ao redor.
– Estará aqui dentro de alguns minutos – informou Rose. – Foi trocar de roupa quando ouviu o helicóptero chegando. Deixamos para jantar mais tarde, com você e Isabella. Naquele momento, um homem de cabelo castanho claro adentrou a sala. Era alto como os irmãos, um pouco mais magro que Emmett, porém tinha os ombros largos como Edward. Os olhos eram azuis, enquanto os outros irmãos tinham olhos verdes-dourados. O tom da pele também era mais escuro, como se passasse muito tempo ao sol. A expressão de seu rosto era suave quando dirigiu o olhar a Edward.
– Aí está você. – Ele voltou o olhar a Isabella. – E esta deve ser sua futura esposa.
. As sobrancelhas de Jasper se arquearam e lhe dirigiu o que Isabella suspeitava ser o máximo que ele conseguia se aproximar de um sorriso.
– Gostei dela, Edward. Isabella é linda.
Emmett se posicionou ao lado da mulher, envolvendo-lhe os ombros com um braço.
– Quer que eu o coloque para dormir para que possamos comer?
– Como se ele fosse dormir. – Rose suspirou, cansada. – Cólica – esclareceu ela, com uma careta, entregando o bebê para Emmett.
– Quase não dormimos por causa dele nas últimas duas semanas. Espero que possam dormir com o barulho. Emmett roçou os lábios na testa da esposa. – Não se preocupe, agape mou. Ficarei com ele até que se acalme. Vá comer, e depois quero que descanse.
O coração de Isabella se derreteu ao detectar o amor nos olhos de Emmett. Era exatamente aquilo que desejava. Desesperadamente. Esforçou-se para não suspirar, sonhadora, quando Rose sorriu para o marido, com a alma refletida no olhar. O olhar de uma mulher que sabia ser amada. E então Rose fitou Isabella, inclinando a cabeça para o lado, como se a estudasse. Ela se apressou em baixar os cílios, esperando não ter se traído naquele momento. Era ruim o suficiente saber que a mulher de Emmett estava ciente dos motivos por trás de seu noivado. Não queria que mais ninguém soubesse que tramara para entrar vida de Edward.
– Vamos para a sala de jantar – convidou Rose. O jantar transcorreu em meio à conversação casual. Rose fazia perguntas genéricas a Isabella, como seus gostos e interesses. Jasper permaneceu calado, seguindo os diálogos com o olhar enquanto comia. Por mais de uma vez, Isabella o surpreendeu a observando como se estivesse dissecando as camadas de sua pele. Foi um alívio quando Emmett voltou a se juntar a eles, e a conversa tomou o rumo dos negócios. Até mesmo Jasper deixou a reserva de lado e entrou na roda de discussões. Rose captou o olhar de Isabella, revirou os olhos e, em seguida, gesticulou para que ela a seguisse ao deixar a mesa. Os homens nem sequer notaram quando as duas saíram à francesa.
– Quer fazer uma caminhada na praia? – perguntou Rose. – É linda sob a luz da lua, e já faz um tempo que Dimitri só dorme lá pelas duas horas da manhã, me impossibilitando qualquer passeio noturno.
Isabella sorriu.
– Adoraria. Mal posso esperar para ver tudo à luz do dia. Pelo pouco que enxerguei, achei tudo lindo.
As duas transpuseram as portas de correr, e Rose a guiou pelo caminho de pedra. Os sons do oceano aumentavam à medida que o caminho levava à areia. Rose estacou e retirou os sapatos, instando Isabella a fazer o mesmo.
– Oh! É maravilhoso… – Isabella ofegou quando se aproximaram da água. O céu estava claro e salpicado de estrelas. A lua alta cintilava e refletia um brilho prateado sobre a superfície do mar.
– Este é meu lugar favorito no mundo – revelou Rose com voz suave. – É incrível, como se fosse meu pequeno pedaço do paraíso.
– Acho que nunca vi nada tão lindo.
Isabella caminhou até a beirada da areia molhada e esperou que outra onda avançasse. Em seguida pisou na espuma que se formou, amando o contato formigante da água em seus pés.
– Eu lhe disse que a encontraríamos aqui – afirmou Emmett, divertido. – Minha esposa sempre se refugia nesta praia.
Isabella girou para deparar com Edward e o irmão parados, com as mãos enfiadas nos bolsos, observando-as.
– Venha, Bella – chamou Edward. – Vamos deixar os dois pombinhos a sós. Deve estar cansada da longa viagem.
Rose sorriu quando Isabella passou por ela na direção de Edward. Ele estendeu a mão quando a viu se aproximar, e Isabella entrelaçou os dedos nos dele. Erguendo-os até os lábios, Edward lhe pressionou um beijo nas juntas. E pela primeira vez desde que chegara à ilha, ela conseguiu relaxar. Seria mais fácil se Edward fingisse desejar se casar com ela; era quase como se sentisse algo além do desejo sexual. E talvez Edward sentisse. Seria possível? Seria ele capaz de amá-la? Isabella permitiu que ele a guiasse de volta pelo caminho de pedra, na direção da casa.
– Eles parecem tão apaixonados – comentou ela, quando transpuseram a porta de entrada. Edward anuiu.
– Os dois têm uma história e tanto. Qualquer hora lhe contarei. Agora, porém, tudo que desejo é uma cama e um travesseiro macio.
Isabella soltou uma risada suave e escorregou uma das mãos pelo braço forte.
– Há determinadas partes de minha anatomia que podem fazer o papel de um bom travesseiro. Os lábios sensuais se comprimiram por um instante, enquanto ele erguia o olhar para encará-la com expressão indecifrável.
– Acho que seria melhor permanecermos em quartos separados.
Isabella recuou a mão, desviando o rosto, confusa.
– Não entendo. Por que não podemos dividir o mesmo quarto? Estamos noivos.
Edward a puxou para os braços.
– Sim, estamos, pethi mou. E como tal, eu lhe devo o respeito de não anunciar para meu irmão e a esposa nosso relacionamento sexual. Já basta ele saber que tirei sua inocência, mas não quero atrair mais atenção desnecessária para você.
A mágoa e a humilhação a atingiram direto no peito.
– Ele sabe? Você contou para Emmett?
Edward pestanejou várias vezes, surpreso.
– Sou eu que devo me sentir envergonhado por isso. Não você.
Isabella fechou os olhos e virou o rosto para o lado. Então Emmett e, consequentemente, Rose sabiam que Edward só estava se casando com ela por seu senso de honradez ultrapassado.
– Vou subir para o meu quarto, então – disse ela, com serenidade. – Presumo que minha bagagem esteja lá. Posso encontrar o caminho.
– Bella… – chamou Edward quando ela começou a subir os degraus. Girando, ela o encarou com coragem, determinada a não expressar nenhuma emoção. – Não fiz isto para magoá-la.
Isabella sorriu. Um sorriso hesitante e trêmulo, mas ainda assim ela conseguiu esboçá-lo.
– Eu sei, Edward. Eu sei.
Em seguida, voltou-se e subiu a escada à procura de seus aposentos.
ISABELLA CRAVOU o olhar no teto, com as mãos entrelaçadas na nuca. Dormira durante a maior parte do voo, e agora amargava a insônia. Antes de se deitar, abrira a janela, e os sons do mar a embalavam. Um olhar ao relógio sobre o criado-mudo revelou que fazia horas que se encontrava deitada, sem conseguir conciliar o sono. Com um suspiro resignado, jogou as cobertas para o lado e atirou as pernas pela lateral da cama. Se não fizesse barulho, poderia caminhar pela praia e ver o nascer do sol. De nada adiantaria perseguir o sono. Estava muito ferida. Muito agitada. O ar que penetrava pela janela era ameno, portanto vestiu um short e uma camiseta. Sem se dar o trabalho de calçar as sandálias, esgueirou-se para fora do quarto e cruzou a escuridão do corredor a caminho da escada. A casa se encontrava silenciosa, imersa na escuridão, enquanto Isabella se encaminhava na direção da sala de estar. Saiu para o pátio e inspirou o ar salgado e ameno. Fechou os olhos por um breve instante e deixou que a brisa lhe soprasse o cabelo do rosto. Em seguida, tomou o caminho de pedra que levava à areia. O céu começava a exibir os matizes do amanhecer na direção leste. O horizonte adotava uma tonalidade lavanda pálida. O astro rei, um diamante contra o veludo ainda escurecido do céu. O mar estava calmo, lambendo suavemente a areia e deixando um rastro de espuma em seu encalço. Isabella caminhou pela praia, deixando que as ondas lhe fustigassem os pés, enquanto o mundo ia se tornando dourado ao seu redor. A certa distância da casa, avistou um enorme tronco de madeira. Era o assento de Rose, como Emmett definira com humor. Sentou-se desajeitada na madeira envelhecida e observou a beleza do cenário que se descortinava à sua frente. Nunca experimentara nada como aquilo. Sem saber dizer por quanto tempo se detivera ali, deleitando-se com o amanhecer, ergueu-se e começou a perfazer o caminho em direção à casa. Os pés estavam cobertos de areia, e Isabella estacou à entrada para o caminho de pedra que cruzava o jardim para limpá-los.
Vozes soavam a uma curta distância, e um sorriso lhe curvou os lábios. Edward estava acordado. Podia ouvir sua risada. Ao que parecia, Rose e Emmett também. Quando cruzava o caminho acidentado naquela direção ouviu seu nome ser mencionado. Uma onda de excitamento a invadiu. Estariam discutindo o casamento? Deu outro passo à frente, mas hesitou ao ouvir as palavras que Edward disse a seguir. Soavam… resignadas. O que estava dizendo? Olhou rápido por sobre a cerca que se estendia pelo caminho que levava ao muro de contenção que circundava o pátio. Havia uma treliça de madeira que garantia a privacidade daquela área, coberta por frondosa vegetação. Isabella apurou os ouvidos para escutar a conversa e, em seguida, tomou uma decisão. Saltou a cerca e correu na direção do muro de contenção, onde se agachou logo abaixo do ponto em que ficava a mesa do desjejum onde eles estavam reunidos. Enquanto escutava Edward contar em voz baixa toda a história ao irmão e a Rose, virou-se para que as costas ficassem pressionadas contra as pedras do muro e se deixou escorregar até se sentar com os joelhos comprimidos contra o peito. Ouvir o modo provocante e explícito com que ela flertara com ele pela boca de outra pessoa fazia aquilo parecer grosseiro e menos intenso do que fora. Ela escutou Edward relatar sua confusão entre o desejo que sentia por ela e a vontade de tornar Alice sua esposa. Isabella descansou a cabeça sobre os braços. Queria fechar os ouvidos, mas não conseguia. Aquela era a dura verdade, e ela fizera tudo aquilo que ele revelava. Seu único consolo era que Edward fazia parecer que ela não fizera aquilo de propósito, como se não tivesse planejado seduzi-lo. Não, ele ainda se culpava pelo que acontecera. E então se seguiu a declaração que a atingiu em cheio, como um golpe certeiro no abdome, sequestrando-lhe a respiração… e as esperanças.
– Eu queria… ter o que você e Rose encontraram – admitiu Edward para o irmão. – Uma mulher e filhos… uma família, uma vida ao lado de uma mulher de quem gostasse. Estava com tudo planejado. O casamento com Alice, uma vida estável. Isso tudo voou pela janela com uma rapidez que me deixou zonzo.
Incapaz de suportar a dor causada por aquelas palavras, Isabella se ergueu de um salto, cambaleando pela suave inclinação, e despencou no caminho mais curto que circundava os jardins, quase colidindo com Jasper. O irmão mais novo de Edward a segurou pelos braços e a equilibrou, observando-a com olhar perspicaz.
– Isso me faz lembrar aquela máxima que diz que aqueles que escutam a conversa alheia raramente ouvem elogios à sua pessoa – disse Jasper.
– Tem razão – concordou Isabella com um fio de voz.
– Ao que parece, não ouvem.
Algo que poderia ser interpretado como compaixão suavizou a expressão severa de Jasper. Isabella lhe dirigiu um olhar suplicante.
– Não conte a ele que ouvi essa conversa. Você já sabe de tudo. Todos sabem. Não há razão para fazer com que Edward se sinta ainda pior.
– E quanto a você? – quis saber ele. – E quanto a você, Bella? Preciso que você saiba que você não destruiu nada entre Alice e Edward. Ele não a amava, nunca amou, e nem ela a ele. O que você fez foi um favor a nós três. Eu e Alice vamos ser gratos a você pelo restos de nossas vidas, sem você, talvez nunca teriamos admitido o que sentimos um pelo outro. Tinhamos medo de magoar Edward...
– Acho que tenho que entrar– respondeu ela, num sussurro.
Em seguida, soltou-se das mãos que a seguravam e correu pelo jardim, contornando a casa na direção da entrada dos fundos. Estacou à porta e observou o heliporto por um longo instante. Entrou, certificando-se de passar despercebida ao subir os degraus da escada. Quando entrou no próprio quarto, fechou a porta e se recostou com um baque contra a madeira maciça, com lágrimas rolando pelo rosto. Edward não a amava. Não poderia. Porque amava Alice. Mas desistiu dela em prol do irmão.
Isabella fez uma longa e dura introspecção e não gostou do que viu. Amar alguém não deveria ser tão destrutivo ou ferir tantas pessoas. Não passaria ela de uma menina rica e mimada, incapaz de aceitar o fato de não poder ter o que mais desejava? E, em um momento de repentina clareza, de angústia e percepção, soube o que tinha de fazer para deixar Edward livre. Ele não a queria. Poderia ainda encontrar outra mulher a quem amasse
O que Edward lhe dissera? Era ele que estava suportando o fardo de suas ações. A desonra. Quando a culpa era toda dela. Edward não lhe pertence. Aquele único pensamento ecoava e fervilhava em sua mente. Isabella sabia que aquela era a verdade, não importava o quanto doesse, o quanto lhe despedaçasse o coração. Baixando a cabeça, permitiu que as lágrimas lhe escorressem pelo rosto e caíssem no piso. Por um instante, entregou-se ao pranto, mas em seguida voltou a erguer a cabeça, determinada a se recompor. O mais importante era não deixar que Edward soubesse que ela havia escutado aquela conversa. Aquilo o faria amargar um enorme sentimento de culpa. Insistira para fazer a coisa certa… de acordo com seus conceitos. Mas dessa vez, seria ela a fazer a coisa certa. Limpando as lágrimas com o dorso de uma das mãos, se encaminhou à bagagem que se encontrava no quarto e pegou sua bolsa.. Em seguida, precisava encontrar um serviço de helicópteros, de preferência que não constasse da folha de pagamento de Emmett. Tarefa nada fácil ali naquela ilha, em um país do qual desconhecia o idioma. Provavelmente Emmett tinha internet em seu escritório, uma lista telefônica ou algo parecido… E depois, precisava falar com Edward. A pior parte seria fingir que não ouvira uma palavra do que ele dissera. Teria de sorrir e agir como se não houvesse nada de errado. Como se seu coração não estivesse partido.
ISABELLA VERIFICOU as horas no relógio de pulso, enquanto Rose lavava os pratos, após um almoço frugal servido no pátio. Merecia um Oscar por sua atuação, porque conseguira sorrir e até mesmo soltar risadas, além de responder quando a palavra lhe era dirigida. Mesmo se sentindo despedaçada por dentro. Jasper a observara, os olhos a procurando com frequência, perscrutadores e penetrantes. Quando a refeição foi concluída, Isabella não conseguiu conter um suspiro de alívio. Agora lhe restava pouco tempo para a conversa que teria com Edward, antes que o helicóptero chegasse para buscá-la.
– Edward – disse ela, erguendo-se da mesa. – Poderíamos conversar? Em particular – acrescentou, pedindo desculpas com olhar para os demais.
Jasper franziu a testa, dirigindo-lhe um olhar inquisitivo, enquanto se erguia, mas Isabella o evitou.
– Claro, pethi mou. Por que não caminhamos na praia? – sugeriu Edward.
Isabella evitou a mão que ele lhe estendeu. Em vez disso, passou direto, seguindo para o caminho de pedra. Edward a seguiu até o mar, que, dessa vez, não conseguiu acalmá-la. Ao contrário, parecia zombar dela com sua serenidade enganosa. O belo tom de azul brilhante que se estendia na direção da linha do horizonte a atormentava. Sob aquela superfície, deviam existir coisas horripilantes. Criaturas que nunca viam a luz, que nunca maculavam a superfície impecável que refletia a luz do sol. Quando Isabella estacou, com os pés imersos na areia, as mãos fortes se fecharam sobre seus ombros.
– O que há de errado, Bella mou? – perguntou ele com aquele timbre grave. – Pareceu triste durante todo o dia.
Isabella girou no círculo dos braços musculosos, enfim encontrando coragem para encará-lo.
– Há algumas coisas que preciso lhe dizer. A expressão de Edward se tornou séria.
– De que se trata?
Isabella se soltou e deu um passo adiante, girando outra vez para ficar de frente para ele.
– A única razão que me levou a planejar minha viagem a Londres neste verão foi pensar que você se encontrava lá.
Boquiaberto, Edward lhe dirigiu um olhar confuso. No entanto ela o silenciou rapidamente, erguendo uma das mãos.
– Por favor, não diga nada. Deixe-me concluir. Há muito a dizer, e não serei capaz de lhe contar tudo se começar a fazer perguntas.
Hesitante, Edward anuiu com um gesto de cabeça.
– Quando cheguei a Nova York e soube que você havia se estabelecido lá, mudei meus planos, optando por alugar um apartamento que nem mesmo queria, e inventei uma série de outras razões que me possibilitassem ficar em contato com você. – Isabella esfregou as mãos nos próprios braços, apesar do calor do sol contra sua pele. – Sabia que pretendia pedir Alice em casamento, que planejava construir sua vida ao lado de outra mulher. Eu estava determinada a tentar seduzi-lo para afastá-lo dela.
Edward respirou fundo e entreabriu os lábios outra vez, mas Isabella parecia tão atordoada que ele tornou a fechá-los. Apenas o brilho nos olhos verdes revelava o que ele devia estar pensando.
– Eu o persegui incansavelmente. Planejei acabar com sua festa de noivado, mas cheguei atrasada. Essa foi a razão pela qual Jacob estava em meu quarto. Ele me seguiu até o hotel debaixo de chuva quando saí correndo a pé pelas ruas da cidade para tentar impedi-lo de pedir Alice em casamento.
Os lábios de Edward se comprimiram até formarem uma linha fina, e ele desviou o rosto para o oceano.
– Pensei que o havia perdido, mas depois você apareceu no clube de striptease e, em seguida, fizemos amor em minha suíte. No dia seguinte, disse-me que tínhamos de nos casar, e eu sabia que se sentia culpado por achar que havia me desonrado. Sabia que você não me amava, mas estava determinada a ter uma chance de fazê-lo me amar, portanto, concordei. Deixei que dissesse todas aquelas coisas, porque no final eu conseguiria o que mais desejava: você. Isabella sustentou o olhar de Edward, mesmo com as lágrimas lhe escorrendo pelo rosto. – Sabe, eu o amei desde minha infância. Pensei que fosse apenas uma empolgação passageira, mas cada vez que o via, meu amor crescia, até que soube que tinha de tentar. Não poderia viver minha vida afastada do meu próprio sonho, sem nunca nos dar uma chance. – Isabella inspirou profundamente para se recompor, os soluços silenciosos lhe sacudindo os ombros. – Mas eu estava errada. E sinto muito. Estraguei tudo.
Seguiu-se um silêncio pesado entre os dois. Edward permaneceu imóvel, com as mãos enfiadas nos bolsos da calça.
– Você não me ama – prosseguiu ela em um tom de voz surpreendentemente firme.
Isabella pretendia que as palavras soassem como uma pergunta, mas as deixara escapar como uma súplica das profundezes de sua alma.
E então Edward se virou para encará-la, esmagando-lhe as esperanças. Havia uma miríade de emoções refletidas naqueles olhos. Confusão, raiva, mas não amor. Nunca amor. Movendo- se com rapidez, antes que ele pudesse esboçar reação, Isabella se inclinou para a frente e lhe depositou um beijo no rosto.
– Espero que um dia possa me perdoar. Retirou o anel do dedo, e o colocou na palma da mão de Edward. Sem dizer mais nada, saiu correndo de volta para a casa.
– Bella! Bella! – gritou Edward às suas costas. Mas ela passou correndo por Emmett no início do caminho de pedra, ignorando as mãos que ele esticou para ampará-la.
– Isabella! – gritou ele também. Engolindo em seco um soluço que emergiu de sua garganta, ela entrou na casa. Logo o helicóptero viria buscá-la. A bagagem se encontrava onde ela a deixara, à soleira da porta que dava para os fundos da casa além da piscina, na direção do heliporto. Isabella a recolheu e, com um último olhar à casa, saiu correndo para esperar por seu voo.
Edward OLHOU para o anel que se encontrava na palma de sua mão e em seguida para Isabella, que corria na direção da casa. Não conseguia entender tudo que ela acabara de admitir. Parecia tão implausível. Teria ela o amado por tanto tempo? Aquilo lhe parecia impossível. Viu Emmett se aproximar, descendo o caminho de pedra em sua direção. O irmão estacou diante dele.
– Algum problema?
– Eu diria que sim – murmurou Edward, ainda tentando digerir tudo que ela lhe dissera.
– Isabella parecia muito aborrecida – disse Emmett.
Edward cerrou o punho em torno da joia.
– Ela me devolveu o anel de noivado.
Emmett arqueou as sobrancelhas, surpreso.
– Disse o motivo? Até mesmo um idiota com metade do cérebro perceberia que Isabella é louca por você.
Edward inclinou a cabeça para o lado, antes de balançá-la em um gesto negativo.
– Ela acabou de me contar a história mais estapafúrdia do mundo. Nem ao menos sei o que fazer com toda essa informação.
– Importa-se de me contar?
Edward abriu a mão para ver o anel ainda pousado em sua palma. Aquilo lhe parecia muito errado. Deveria estar no dedo de Isabella. Ela deveria estar radiante de felicidade, e não o fitando com lágrimas lhe escorrendo pelo rosto.
– Ela disse que me ama desde criança – revelou Edward arrastando as palavras. – E que só foi para Nova York porque eu estava lá. – Ergueu o olhar para o irmão. – Afirmou que a única razão que a levou a planejar uma viagem à Inglaterra foi pensar que eu ainda vivia naquela cidade.
Emmett sorriu.
– Isabella parece uma jovem determinada.
Edward anuiu.
– Isso não é tudo. Foi ela quem me seduziu.
Dessa vez, Emmett não conteve uma risada.
– E eu tenho de escutar uma coisa dessas!
Edward contou resumidamente toda a história a Emmett, desde o dia em que Isabella adentrara seu escritório, agora de posse da informação do que ela planejava. Tudo parecia claro. A provocação ousada, a procura pelo apartamento, as compras.
Emmett permaneceu em silêncio por um instante.
– Então, está furioso? – perguntou por fim.
Edward lhe dirigiu um olhar estranho.
– Furioso?
– Você queria se casar com Alice. E Isabella o impediu. Edward fez um movimento negativo com a cabeça.
– Isabella não me impediu. Foi uma opção minha. Não pedi Alice em casamento, eu não a amava e nem ela amim, como você sabe, e Isabella não estava presente no momento em que tomamos essa decisão.
– Muito bem, como está se sentindo?
– Lisonjeado? Perplexo? Completa e definitivamente confuso?
Emmett sorriu.
– Acho que isso define bem seu estado.
– Meu Deus, Emmett, ela é maravilhosa. Isabella ilumina qualquer ambiente em que esteja. Consegue me enlouquecer. Absoluta e completamente. Ela poderia ter qualquer homem que desejasse. Mas ela me quer.
– O suficiente para deixá-lo de joelhos, certo? Nada como encontrar o amor de uma boa mulher. Elas são capazes de nos fazer perder a cabeça.
– Eu a amo – sussurrou Edward. – Durante todo esse tempo, estive focado no desejo de ter uma esposa e filhos, em me casar e formar uma família perfeita, quando a perfeição estava diante de mim o tempo todo.
Emmett sorriu.
– Por que está me dizendo tudo isto? Ao que parece, tem uma jovem transtornada que parece determinada a fazer o que julga ser melhor para você, quer isso o agrade ou não.
Edward franziu a testa e fechou os dedos em torno do anel.
– Tola, cabeça-dura… – Edward seguiu pisando duro pelo caminho de pedra, com Emmett em seu encalço.
Encontrava-se no meio do trajeto até a residência, quando Emmett estacou. Edward girou para se deparar com a expressão confusa do irmão.
– Está ouvindo isto? – perguntou Emmett.
Edward apurou os ouvidos. A distância, distinguiu o ruído inconfundível de um helicóptero se aproximando.
– Você chamou o helicóptero? Emmett negou com a cabeça.
– O próximo chegaria amanhã, quando Jasper partisse. Os dois saíram correndo pelo caminho, virando à esquerda para contornar os jardins, o caminho mais curto até o heliporto. Mesmo antes de terem visão plena daquela área, viram o helicóptero aterrissar.
– Não se trata de um dos nossos – afirmou Emmett, austero, disparando naquela direção, com Edward logo atrás. A preocupação do irmão o contaminou. Mas quando viraram a curva e Edward avistou Isabella parada diante da porta do helicóptero, que se abria, sentiu o sangue congelar nas veias.
– Isabella! – gritou ele.
Mas ela nem ao menos se voltou. Não poderia ouvi-lo acima do ruído das hélices. Emmett gesticulou, frenético, para o piloto, e Edward disparou na frente dele, tentando alcançá- la a tempo. Observou, impotente, as portas se fecharem e, em seguida, quando chegou à margem de concreto da pista, a aeronave se ergueu no ar, ganhando altura e se dirigindo ao continente. Emmett xingou, enquanto Edward se encontrava paralisado.
– Tenho de descobrir para onde ela foi. – Edward retornava à casa. Mais adiante, Rose surgiu à porta dos fundos, escoltada por Jasper, que lhe envolvia os ombros com um braço protetor.
– O que está havendo? – indagou o irmão caçula.
Edward passou por ele e Rose, enquanto Emmett ficou para trás. Em seguida, subiu a escada correndo na direção do quarto de Isabella, apenas para descobrir que a bagagem que ela trouxera não se encontrava mais lá. Não havia nenhum bilhete, nenhuma pista de seu destino. Ele correu de volta para o andar térreo e se juntou aos outros na sala de estar. Emmett, ao telefone, tentava descobrir o serviço de helicópteros que ela utilizara e encontrar um jeito de detê-la assim que aterrissasse.
Jasper se aproximou de Edward com expressão fechada.
– Há algo que deve saber.
Edward lhe dirigiu um olhar questionador.
– O que é?
– Esta manhã, Isabella estava na praia, bem cedo. Eu a encontrei do outro lado do pátio, visivelmente perturbada com algo que escutou durante a conversa que você teve com Emmett e Rose. Suplicou para que eu não lhe dissesse nada. Alegou que não queria que você se sentisse ainda pior. Ela acha que você ama Alice e que só abriu mão de seu amor por minha causa.
Edward fechou os olhos; recordava-se de ter detalhado todos os seus desejos. Quando o que de fato desejava estivera bem diante de seu nariz o tempo todo.
– Sou um completo idiota. Quero que saiba que não amo Alice, a situação só era confortavel para mim. Pode ter certeza irmão, torço pela sua felicidade ao lado de Alice. Eu amo Isabella – resmungou ele.
– Quanto a isso não há argumentos. – Jasper esboçou um sorriso oblíquo. – A pergunta é: o que fará para tê-la de volta?
– QUANTO TEMPO levará para que o maldito piloto chegue aqui? – perguntou Edward, escorregando uma das mãos pelo cabelo, pela décima vez em uma hora. A frustração o sufocava. Estava preso naquela ilha, até que o piloto de Emmett chegasse.
Finalmente, agora o homem estava a caminho. Emmett pousou o fone e se virou na direção dele.
ERA IMPOSSÍVEL comprar uma passagem para deixar o país de imediato. Todos os voos que partiriam da Grécia nas próximas horas estavam lotados. Por fim, Isabella se encaminhou ao balcão dos voos charter e apresentou seu cartão de crédito, que ela esperava ser de fato um platinum, como estava escrito nele, e alugou um jato particular para levá-la até Londres. Ao menos agora estava a bordo, aguardando que o jato fosse abastecido e rumasse para a fila de decolagem. A exaustão parecia lhe triturar os ossos. A noite insone somada ao desgaste emocional daquele dia haviam lhe sequestrado as forças. Recostou-se no assento e fechou os olhos.
Ouviu um farfalhar a distância e supôs ser o piloto. Porém, em seguida, sentiu o contato de lábios macios contra os seus e abriu os olhos. Edward afastou a cabeça e lhe segurou o rosto com ambas as mãos, enquanto ela o encarava, atônita. Ele parecia… bem, ele parecia um trapo. As roupas estavam empoeiradas e amarfanhadas, o cabelo, despenteado, e os olhos faiscavam com o fogo que refletiam.
Antes que Isabella pudesse dizer qualquer coisa, ele a beijou outra vez, esquecendo a gentileza anterior. Puxou-a contra si, violando-lhe a boca até deixá-la sem ar. Em seguida, afastou-se e resmungou uma ordem em grego na direção da cabine de comando. Para a contínua surpresa de Isabella, o jato se pôs em movimento, com Edward dentro.
– Espere! – protestou ela. – Este jato está indo para Londres. Não pode ficar aqui. E sua família?
Edward a ergueu do assento nos braços, se encaminhou ao sofá e se sentou com ela em seu colo.
– Não deveríamos estar em nossos assentos com os cintos de segurança atados até levantarmos voo? – perguntou ela, atordoada, ainda incapaz de entender a presença de Edward naquele jato.
– Eu a segurarei se houver uma inesperada turbulência – garantiu ele, com voz sedosa. – Agora que você não pode fugir para nenhum lugar e a tenho toda para mim, terá de ouvir atentamente cada palavra que vou lhe dizer. Os olhos chocolates se arregalaram, e Isabella se viu boquiaberta. Edward lhe traçou o contornou dos lábios carnudos, antes de substituir os dedos pela própria boca.
– Mulher tola, impetuosa, linda e frustrante – murmurou ele. – Se pensa que se livrará de mim depois de me fisgar e prender, está muito enganada, Bella mou.
A esperança aflorou, hesitante, provocando um tamborilar suave no peito de Isabella. Ela o observava, sem saber o que dizer. Um turbilhão de pensamentos lhe cruzava a mente. E então, Edward girou o corpo, sentando-a sobre o sofá. Em seguida, ajoelhou-se diante dela e lhe segurou a mão.
– Eu te amo, minha linda Isabella. Eu a adoro. Não consigo imaginar minha vida sem você. Quer se casar comigo e me transformar no homem mais feliz do mundo?
Edward escorregou o anel de volta em seu dedo anular. Em seguida se inclinou e lhe beijou a junta dos dedos.
– Este anel nunca pertenceu a outra mulher, pethi mou. Jamais coloquei um anel no dedo de Alice, e aquele que pretendia dar a ela foi substituído por este. Eu o escolhi para você. Nunca pedi Alice em casamento. Sou seu desde o dia em que entrou em meu escritório. Você virou meu mundo de cabeça para baixo e nunca mais voltou a colocá-lo no lugar.
– Não a pediu em casamento? – grasniu ela, através do nó que lhe apertava a garganta. Edward a encarou com expressão séria.
– Nunca teria feito amor com você se pertencesse a outra mulher. Pretendia pedir Alice em casamento na noite da festa. Havia até mesmo comprado o anel de noivado. Tudo estava planejado. Mas só o que conseguia ver na minha frente era você. Tudo que eu desejava era você.
Isabella parecia perplexa. Edward sorriu e lhe tocou o rosto.
– Estou apaixonado por você – respondeu ele, com incrível suavidade. – Apenas você.
– Mas eu ouvi o que disse a Emmett sobre desejar o que ele e Rose possuem, uma família, uma esposa. Não me encaixo em nenhum lugar – afirmou, amarga.
– O que desejo é você. Tudo que eu sempre quis, pelo qual ansiava e esperava encontrar estava bem diante de mim. Acho que soube disso no primeiro dia em que entrou no meu escritório. Vi sua tatuagem e enlouqueci. Tive ímpetos de arrancar cada peça de roupa de seu corpo para poder vê-la sem barreiras. Mas já havia colocado meu plano em relação a Alice em ação. Lutei contra a atração que sentia por você porque tinha que desempenhar o papel de seu tutor, e não ficar pensando em uma forma de despi-la.
Isabella ergueu a mão trêmula e lhe tocou a lateral do rosto com a palma. Ele fechou os olhos e inclinou o rosto para sorver mais daquele toque. Em seguida, girou a cabeça para que pudesse lhe pressionar um beijo na palma da mão.
– Case-se comigo, Bella.
– Quer se casar comigo, mesmo sabendo que não quero ter filhos de imediato?
– Tenho a impressão de que me manterá muito ocupado para pensar em filhos tão cedo – respondeu ele com um sorriso divertido estampado no rosto. Em seguida se inclinou e a beijou mais uma vez. Os lábios se colando, quentes, nos dela. – Temos todo o tempo do mundo, meu precioso amor. Apenas me prometa que os teremos juntos.
Isabella tinha certeza de que seu sorriso seria capaz de iluminar todo o universo, enquanto lhe sustentava o olhar, enfeitiçada.
– Eu também te amo – sussurrou ela. – Muito.
Por um instante, a expressão de Edward se tornou séria, e ele lhe ergueu o queixo com uma das mãos.
– Você pode estar grávida. Ficará muito aborrecida se estiver?
Isabella sorriu, com o coração se tornando mais leve a cada respiração.
– Não estou grávida.
– Oh, então você já… é a época do…
– Não – retrucou Isabella com uma risada breve. – Estou usando um método contraceptivo.
Edward franziu a testa e fingiu um olhar furioso.
– Sua pequena feiticeira.
– Está aborrecido porque não lhe contei quando me disse que tínhamos de nos casar? – perguntou Isabella, sem conseguir disfarçar o nervosismo.
– Se for capaz de perdoar minhas ações idiotas e o fato de não ter feito um pedido de casamento romântico antes, então serei capaz de perdoá-la por efetivamente me capturar com anzol, linha e rede.
– Sim. – Ela lhe envolveu o pescoço com os braços.
Edward soltou uma risada.
– Sim o quê, pethi mou?
– Sim, eu me casarei com você. Eu te amo tanto!
Edward se levantou e a ergueu nos braços. Isabella pestanejou várias vezes quando se deu conta de que havia perdido toda a decolagem.
– Bem, já que chegamos a um acordo, por que não fazemos amor nas alturas? – Ele a fitava com devassidão.
Isabella sorriu, enquanto Edward a carregava para o pequeno quarto nos fundos do avião, o coração flutuando com a doce e inegável felicidade. E quando os dois uniram seus corpos e almas, sussurraram seu amor um para o outro incessantemente.
OS NOIVOS compareceram descalços à cerimônia de casamento. Edward aguardava ao lado do padre, na praia da Ilha Cullen, enquanto Emmett levava Isabella até ele.
O traje da noiva se resumia à parte superior de um biquíni e um sarongue que flutuava delicadamente por suas pernas. As unhas dos pés, que Edward se incumbira de pintar em uma noite quente de sexo, ostentavam um rosa brilhante. A tornozeleira captava a luz do sol e faiscava; Edward sabia que seu nome estava gravado na placa prateada. Os olhos dourados se fixaram no diamante em forma de lágrima que adornava o umbigo de sua noiva, que ele havia comprado e se deleitado em colocar. Mas o que lhe sequestrou o ar dos pulmões foi o sorriso radiante que ela exibia. Destinado apenas a ele. A beleza inigualável de Isabella lhe fazia o peito doer. Jasper se encontrava ao seu lado esquerdo, depois de ter retornado à ilha para assistir ao casamento com Alice e Sophia que se postavam do lado da noiva, junto de Rose. Uma atmosfera festiva gravitava no ambiente, e todos exibiam sorrisos largos. Edward podia até mesmo perceber o brilho das lágrimas nos olhos das mulheres. E então ele esticou a mão para Isabella e a puxou na sua direção. Não importava que os votos ainda não tivessem sido feitos e que o padre limpasse a garganta de maneira audível. Simplesmente não conseguia se furtar a beijá-la. Os lábios dos dois se encontraram com ansiedade ardente, a sedosidade contra a aspereza, o doce contra o salgado. Quando por fim ele interrompeu aquele contato para que o padre pudesse dar prosseguimento à cerimônia, Edward percebeu lágrimas nos olhos da noiva. Um nó incômodo parecia lhe fechar a garganta ao recitar seus votos para Isabella. As palavras carregadas pela brisa soavam firmes e claras. Por fim, foram declarados marido e mulher, e Isabella se tornou sua. Houve muita dança na praia e, mais tarde, todos se reuniram nos jardins. Sophia e Alice se divertiram muito ensinando a Rose e Isabella as danças gregas tradicionais, enquanto os homens as observaram com sorrisos indulgentes.
Mais tarde, o helicóptero veio buscar os noivos para a suíte nupcial que Edward providenciara. Um chalé localizado em um desfiladeiro que dava vista para o mar.
Quando ele a carregou para a cama, Isabella sussurrou que tinha um último presente de casamento para lhe dar.
Intrigado, Edward recuou enquanto ela desabotoava a sarongue e o desenrolava do corpo.
– Lembra-se de ter me dito que eu deveria fazer outra tatuagem? – perguntou ela com um brilho malicioso no olhar.
Edward franziu a testa.
– Você não fez isso. Bella, diga-me que não entrou em um desses estúdios de tatuagem sozinha e
suportou a dor de fazer outra tatuagem.
– Não fui sozinha. Rose me acompanhou.
– E Emmett sabe disso? – Edward meneou a cabeça, incrédulo.
Isabella soltou uma risada.
– Ele fez um pequeno discurso quando entrou lá, atrás de nós.
Edward xingou em grego, exasperdo.
Isabella encaixou os polegares nas laterais da parte de baixo do biquíni e o desceu. Lá, logo acima da junção das pernas, exatamente no centro, em linha reta abaixo do piercing do umbigo, um anjo segurava um tridente.
Edward não pôde conter uma risada abafada.
Em seguida se inclinou e roçou os lábios ao desenho.
– Minha diabinha angelical – disse ele, antes de descer a boca mais para baixo.
PODEM SUGERIR O PRÓXIMO TEMA.
TENHO DE TUDO E ACEITO SUGESTÕES
OBRIGADA
BEIJO GRANDE
ATÉ
