Lábios de Sangue
Capitulo II - Relembrando o Passado
O sol tinha acabado de nascer, as janelas estavam fechadas e cobertas por grossas cortinas e permaneceriam assim até que a lua tivesse dado lugar ao sol. Uma figura que já deveria estar repousando, encontrava-se acordada e caminhava pelo castelo.
- Não consegue dormir Sr.
- Não Kimitsu, parece que o sono me abandonou esta manhã, como está o dia lá fora.
- Esplendido Sr. uma típica manhã ensolarada de primavera, uma pena que não possa aprecia-la.
- É realmente uma pena, não se preocupe comigo Kimitsu, pode cuidar dos seus afazeres.
- Não e seguro permanecer acordado há esta hora Atotori[1].
- Não deve me chamar assim Kimitsu, você sabe disso.
- Perdoe-me Sr.
- Tudo bem apenas não faça isso novamente.
- Com licença Sr., direi aos outros para não perturba-lo, caso sinta fome, basta me chamar.
- Sim, pode ir.
Heero caminhou até a sala de leitura e deitou-se no sofá, em sua mente relembrava a conversa que tivera com Trowa há poucas horas.
- Sr Yuy, pediu-me para avisa-lo quando o Sr Barton chegasse.
- Obrigada Kimitsu.
- Então Trowa o que descobriu com o Sr Yuki.
- Não foi difícil lidar com ele, mas alguém o instruiu na maneira de como lidar com a nossa espécie.
- Conseguiu descobrir quem foi?
- Não, o contato com ele foi feito pelo telefone.
- Existem poucos de nós com a habilidade de manipular outros sem contato visual.
- Suspeita de alguém Heero?
- Sim. Tenho quase certeza de que foi ele.
- Mas porque ele faria isso.
- Ainda não sei Cathrine, mas irei descobrir.
- Agora me conte Trowa tudo que aconteceu desde a sua chegada ao Deathscythe.
Heero ouviu atentamente cada palavra que Trowa disse, o nervosismo do Sr Yuki, a forma como ele evitava olhar em seus olhos. Heero sabia que o Sr Yuki não conseguiria esconder nada de Trowa, se este quisesse descobrir alguma coisa.
Há algumas horas atrás no Deathscythe, precisamente na sala da gerência.
- E então Sr Barton o que achou das instalações.
- Perfeitas da maneira como as descreveu, há quanto tempo à garota do balcão e o barman trabalham no clube.
- Eles trabalham aqui há dois anos desde que o clube foi inaugurado, porque?
- Há quanto tempo disse que foram feitas as modificações.
- Hã... Bem há quase dois meses.
- Verdade... Pelo que pude notar não me parece que as modificações tenham mais do que uma semana.
- Mas com...
- Se as modificações tivessem sido feitas na época que informou, ambos os funcionários não teriam problemas em se locomoverem em suas áreas de trabalho, eles me parecem um tanto quanto perdidos não acha.
- Eu... eu não sei o que dizer.
- Pode começar dizendo porque mentiu para mim Sr Yuki
- Pude comprovar que o clube possui as especificações informadas, portanto não precisaria mentir quanto a data em que as mesmas foram realizadas.
- Eu...
- A menos que esteja me escondendo algo mais Sr Yuki. Estou errado.
- O que eu te... teria a esconder Sr Barton.
- Porque você mesmo não diz Sr Yuki.
- Não...não tenho nada a esconder.
- Isso eu e que vou dizer Sr Yuki.
No mesmo momento Trowa se moveu tão rápido que em um instante já se encontrava posicionado em frente ao Sr Yuki, seus olhos tinham adquirido um brilho avermelhado, o gerente apenas encarava aterrorizado o jovem a sua frente, imaginando como o verde escuro foi substituído pelo vermelho sangue e como o rapaz conseguira se movimentar tão rápido saindo de sua cadeira e ficando a sua frente em um lugar tão pequeno. Trowa podia sentir o medo dele, ele conhecia o cheiro, escondido em cada gota de suor a escorrer pela face do homem a sua frente, podia ouvir o coração dele batendo mais forte a cada segundo, bombeando mais e mais sangue em suas veias, seria um verdadeiro banquete se desse voz a sua fome. Mas Heero ensinara a ele e Cathrine a suportar-la e não se deixar levar por ela, havia sido difícil no inicio, mas Heero havia sido claro.
- Nesse mundo que você renasceu Trowa, não existe lugar para fracos, ou você a controla ou é controlado por ela. Acredite não é fácil se libertar de uma prisão onde não se pode ver as paredes. Eu estive nela por quase um século. Darei apenas uma chance para você, se falhar eu mesmo o mato.
- Quero que olhe dentro dos meus olhos Sr Yuki e me diga tudo que quero saber, a começar pelo nome da pessoa que o informou de nossa chegada, e não ouse mentir para mim novamente, pois eu saberei quando estiver mentindo.
- Eu não sei, a três semanas atrás o telefone tocou e a senhorita Maya me disse que alguém queria me falar, a pessoa não disse o nome, apenas informou que o castelo receberia novos donos entre eles o Sr Yuy, a pessoa me disse como deveria trata-lo e como recebe-lo, que deveria medir minhas palavras quando me dirigir a ele e trata-lo como ele deve é conhecido.
- Como ele deve ser conhecido?
- Sim... como ele é conhecido entre os poucos de vocês.
- É conhecido por quem de nós?
- Eu...não
- Diga.
- Conhecido... pelo... Ichizoku[3].
- Pelo Ichizoku?!
- Qual Ichizoku?
- O... O... Ichizoku dos... Khushrenada.
- É como Sr Yuy e conhecido dentro do Ichizoku?
- Eu...Eu...
- Como você deveria se dirigir a ele.
- Eu...eu...não posso ah...a... dor.
- Diga e a dor vai passar.
- De...devo...cha...chama...chamá-lo...Aaaaaahhhhhhh.
- Fale!
- Não...eu...minha cabeça.
- Obedeça e eu farei com que a dor passe.
- Ele...ele...disse que deveria me dirigir a ele.... como...
- Bam... bam... Sr Yuki o Sr esta bem.
- Diga a ela que esta bem e que não precisa se preocupar.
- Estou bem Maya não se preocupe.
- Agora responda minha pergunta Sr Yuki e eu o deixarei em paz.
- Ele é conhecido como Atotori no Ketsueki[2].
"Droga Yuy não vai gostar disso".
- Ele lhe disse mais alguma coisa Sr Yuki.
- Sr Yuki entendeu minhas palavras.
- Sim, mas quem é você.
- Quem eu sou não interessa a você Sr Yuki, o Sr e apenas um mensageiro entendeu.
- Sim um mensageiro.
- Não demorará muito para Yuy descobrir que tivemos esta conversa, ele não ira pessoalmente até você, ele mandará outro, provavelmente o Sr Barton, ele foi uma grande aquisição ao Ichizoku, fico feliz que Heero o tenha encontrado antes. Procure Heero e diga-lhe o ouviu hoje.
- E se Heero não quiser me ouvir.
- Ele ouvirá, não através de você mais através de seu pupilo o Sr Barton.
- Devo passar a mensagem a ele Sr.
- Hum...Sim não terá como esconder a verdade do Sr Barton, se Heero manda-lo até você, não se deve subestimar a capacidade do Sr Barton, tudo que ele sabe aprendeu com Heero, e não existe nada que o Sr Barton não consiga descobrir.
- Ele me disse para avisa-lo.
- Avisa-lo sobre o que?
- Avise-o que o tempo esta se acabando, ele deve encontrar a outra metade do presente que recebeu, antes que termine o prazo e antes que a outra metade tenha um novo dono de sangue.
- O dia da sozoku[3] esta se aproximando as duas partes devem ser encontradas e apresentadas perante os Ichizokus, diga para lembrar da profecia, ela não deve se realizar.
- A profecia?!. Muito bem Sr Yuki, você não se lembrara que tivemos esta conversa e esquecera tudo quanto sabe a respeito do Ichizoku e sobre os novos habitantes do castelo, sabe apenas que o Sr Yuy estará vindo a cidade verificar o clube por alguns dias.
Trowa voltou para a cadeira onde estivera sentado, e seus olhos voltaram a adquirir o verde escuro das esmeraldas, ele sabia que Heero não gostaria nem um poucos das noticias, ele mesmo não gostará nada do que ouviu.
- Sr Yuki esta se sentindo bem me parece um tanto pálido.
- Eu... não me lembro direito aconteceu alguma coisa, eu me sinto estranho.
- O Sr ficou um pouco pálido e ficou inconsciente por alguns instantes, acredito que deva descansar um pouco, deve estar trabalhando demais, avisarei ao Sr Yuy que as instalações condizem com as especificações enviadas e vou sugerir-lhe uma visita.
- Fico feliz que tenha apreciado o clube Sr Barton, eu vou acompanho-lo até a porta.
- Não é necessário eu sei onde fica, obrigado e tenha uma boa noite.
- Desejo-lhe o mesmo ao Sr Barton, lembranças minha ao Sr Yuy e vou aguardar sua visita.
Trowa saiu da sala do Sr Yuki, o clube estava cheio no momento, apesar da musica alta, ele podia ouvir a batida dos corações a sua volta, um local cheio de humanos.
"O que eles fariam se soubessem que o proprietário se alimenta do fluido vermelho que enche seus corpos".
- Com certeza sairiam correndo.
Trowa caminhou em direção ao carro onde o chofer o aguardava.
- Para onde Sr Barton.
- De volta para o castelo.
Heero levantou-se e voltou para seu quarto, trancou a porta atrás de si, caminhou até a lareira e pressionou a pedra em cima da dela no mesmo instante a parede ao lado começou a se mover, mostrando uma escada. Heero desceu pelas escadas indo parar em um salão abaixo do castelo, no meio do salão havia uma redoma de vidro e suspensa dentro dela estava o presente, uma das chaves para impedir a profecia.
"A profecia, sempre soube que este dia chegaria,no dia em que aceitei o presente, devo cumprir com a minha missão".
- Maldição porque eu tive que cruzar o caminho dela aquela noite, se eu tivesse ouvido meus instintos, eu ainda teria uma alma mortal, e não teria que estar aqui sozinho nesta escuridão.
"Se soubesse que aquele dia seria o meu ultimo, eu teria apreciado ver o nascer do sol, como havíamos planejado, tanto tempo se passou desde aquele dia e eu me lembro como se fosse hoje".
02 de outubro de 1700, norte do Japão.
"Estamos na primavera, os campos da fazenda está repleto de flores, você tentou me acordar para ver o dia nascer, você vive me dizendo que um rapaz tão jovem e cheio de vida como eu, deveria aproveitar as dádivas da natureza acordando junto com o sol e dormindo quando a lua há estivesse no alto. Acabei fazendo o contrario, fugindo do sol e acordando com a lua, o que você diria se soubesse que ainda estou aqui pai, mesmo depois de 300 anos.
Lembro-me de ter ido vê-lo após o meu renascimento, quando ainda me sentia confuso, eles me disseram que ela me deu um presente, Hn não considero um presente ser jogado no inferno que é a minha imortalidade, todas as manhãs quando me deito, ainda posso ouvir as palavras dela".
- Você é tão belo seria um erro alguém tão bonito, mesmo que sendo humano perecer, destruído pelo tempo, doença e velhice, eu o quero para mim, eu posso lhe conceder um dom sabia, a oportunidade de atravessar os séculos conservando a sua juventude e beleza. Apenas me dizendo se quer viver ou morrer.
"Olhei para a jovem a minha frente, ela era linda tinha que admitir, longos cabelos loiros, a pele pálida, olhos claros e frios. Lembro-me de olhar a minha volta e ver outros como ela, belos e irreais, vi meu amigo no chão enquanto outros três bebiam seu sangue, eles me olhavam com seus olhos avermelhados e suas presas tingidas com o sangue de um inocente, sabia que seria o próximo e não temia minha morte. Nunca me preocupei como morreria, sempre imaginei que viveria muito tempo, parece irônico dizer que hoje completo 303 anos de minha existência, morto e ainda assim caminhando entre os humanos e coberto pela escuridão.
Não deveríamos estar ali, nunca deveria ter aceitado aquela aposta estúpida, de cortar caminho pelo cemitério, pessoas estavam morrendo, boatos de que mortos caminhavam entre os túmulos se alimentando de sangue humano eram ouvidas por toda a cidade, deveria ter seguido meus instintos e talvez agora eu estivesse realmente morto como você meu amigo, e não aqui deitado em plena manhã de primavera pensando no dia da minha morte".
- Eu prefiro a morte.
- Morte! Ah meu caro você não imagina as dádivas que eu posso lhe conceder. Não esta nem um pouco curioso, não é a todo o humano que eu ofereço esta oportunidade. Ser imortal, não temer nada, nem a escuridão que nos rodeia afinal ela é uma extensão do que somos.
- Nunca fui curioso e nunca tive medo da escuridão.
- Hum então meu caro você é perfeito para o que eu tenho preparado, meu companheiro, forte, destemido, olhos tão lindos, azuis frios e sem emoção. O que eu poderia te ensinar, os prazeres que eu poderia lhe oferecer, o mundo que podemos controlar.
- Já fiz minha escolha, mate-me logo.
- Ah! Mas seria um desperdício se eu fizesse isso. O que você acha Sally.
- Ele fez a escolha dele, ele prefere morrer a ser um de nós.
- Eu sei o que ele escolheu, mas eu não me lembro de ter prometido que faria o que ele quer, vocês me ouviram dizer isso.
- Hah hah, não.
- Eh, faça-o um de nós.
- Então acho que posso...
- Ele tem o direito a escolha, ele jamais será como nós, se não vier por vontade própria.
- Você esta me desafiando Sally, esqueceu quem foi que te salvou quando sua amiga humana tentou mata-la para ficar com seu noivo e assim que você desapareceu, ele casou-se com ela.
- Não eu não me esqueci.
- Ótimo nunca se esqueça por que posso me esquecer que um dia lhe estendi a mão, e você não vai gostar nem um pouco minha cara.
- Desculpe-me não foi minha intenção Relena.
- Assim está melhor, quero que você o segure para mim.
- Bem acho que tirei a sorte grande hoje.
Relena caminhou até ele, enquanto a jovem que tentara ajuda-lo o segurava por traz, ele tentou se soltar, apesar dela ter uma aparência frágil suas mãos eram fortes como garras presas em seus braços, ele viu quando ela se curvou sobre ele, e os olhos dela ficaram vermelhos como o sangue e presas afiadas cresciam em sua boca, ele pode ouvir a jovem que o segurava sussurrar em seu ouvido.
- Eu sinto muito, logo ira acabar, nunca se esqueça do que você foi, isso e a única coisa que o manterá lúcido neste novo mundo.
Heero pode sentir quando ela o mordeu, as presas dela entrando em sua carne, ouviu um grito de dor e frustração e algo quente escorrendo em seu rosto, descobriu que fora ele a gritar enquanto os outros três que mataram seu amigo riam, o que escorriam por sua face eram suas lagrimas, as únicas que ele derramará na vida, ele sentia sua vida sendo sugada junto com todo o seu sangue, ele sentia que seu corpo estava morrendo, ele fechou seus olhos e pediu em sua mente que Deus tivesse piedade de sua alma, sentiu algo morno ser colocado em seus lábios não sabia o que era, mas sua mente ordenava que bebesse, ele tomou o que lhe era oferecido em seus lábios e sugou com uma fome que jamais pensou que existisse. Ele pode sentir que a jovem soltará seus braços.
"Abri meus olhos e encontrei os dela, notei que era o sangue dela que sugava através de uma abertura em seu pulso, a descrença daquele ato passou pelos meus olhos e sei que ela notou, ela me afastou e no mesmo instante uma dor alucinante passou por todo o meu corpo. Era como se estivesse sendo queimando por dentro, tendo minhas entranhas rasgadas e minha alma arrancada do corpo, a dor durou apenas alguns instantes, mas me pareceram horas tamanho o tormento. Ainda me lembro da dor, posso senti-la cada vez que fecho meus olhos.
Quando a dor passou e abri os meus olhos o mundo que conhecia parecia ter mudado, podia ouvir tudo com uma clareza impressionante, as estrelas tinham um novo brilho, e a escuridão parecia ainda mais clara que o dia. O sol logo nasceria e tínhamos que nos esconder antes que ele surgisse, sentia que ela me puxava pelo braço, nos refugiamos nas tumbas do cemitério, era fundo e escuro e ninguém nos encontraria lá, ela me disse que quando a noite chegasse novamente procuraríamos acomodações adequadas e dignas de nossa espécie.
Acordei na noite seguinte com sede, sede e fome, fome por sangue, olhei a minha volta todos ainda pareciam dormir, eu me encontrava deitado com ela, sai de onde estava, a fome turvando a minha razão caminhei pela noite, não tinha a menor consciência de minha aparência mais sei que deveria estar péssimo, com minhas vestimentas rasgadas e sujas de sangue por que as pessoas na rua me olhavam com medo, é pela primeira vez sentir o cheiro do medo, um cheiro adocicado e estimulante, podia ouvir a batida de seus corações e o sangue deles fluindo em suas veias, corri para um beco para me esconder encontrei com uma jovem, ela me viu e percebi o cheiro e o medo em seus olhos, ela correu, mas não havia para onde ela ir, eu sentia fome e a ataquei, minha primeira vitima, o primeiro inocente que tirei a vida, seu sangue banhou os meus lábios, ouvir ela pedir por favor, mas meus ouvidos estavam surdos as suas suplicas, me alimentei de seu sangue mais ainda sentia fome, não me lembro quantas vidas tirei aquela noite, mais nenhuma delas foi capaz de aplacar a fome que sentia, parecia que quanto mais me alimentava, mas fome sentia. Quando dei por mim estava na fazenda onde eu nasci, eu o vi sentado junto a uma fogueira, parecia que estava chorando, você me ensinou desde pequeno que nunca deveria demonstrar minhas emoções, que não deveria chorar, o choro e para os fracos, o que diria se soubesse que chorei ontem quando minha vida estava sendo tirada de mim, fiquei olhando tentando esquecer que ainda a sentia, e que na minha frente havia mais um pouco de sangue que talvez diminuísse essa vontade, estava decidido a me alimentar de você. Em instante estava a sua frente minha mão segurando seu pescoço, quanto o ouvi tentar me dizer alguma coisa. Olhei para você, e alguém tocou meu braço me fazendo afrouxar a mão em seu pescoço, vi Sally atrás de mim e ouvi o que a voz do homem que segurava me dizia".
- Heero, você é um deles agora não é.
Sally havia acordado no mesmo instante que Heero, e resolvera segui-lo, ela presenciou a morte de cada um dos humanos que ele encontrou, ela viu a ferocidade com que ele os matava, ela sabia que poderia ser perigoso para ele andar sozinho, mas depois do que viu temeu pelas vidas daqueles que atravessassem seu caminho, ela estava decidida a voltar para junto dos outros, quando o viu observando aquele homem, nenhuma das outras vitimas foi observada apenas atacada, ela sabia que eles se conheciam, o homem havia pronunciado o nome dele.
- Heero é seu nome não é?
- O que este homem é seu Heero?
- Eu sou o pai dele.
- Você sabe o que somos não é? Sabe que seu filho está morto.
- Quando não encontraram o corpo dele eu soube que vocês o haviam levado.
- Heero? Deixe-o ou você passara a sua existência inteira se culpando por isso, lembra o que eu te disse ontem, nunca se esqueça do que você foi isso e a única coisa que o manterá lúcido neste novo mundo.
Heero soltou o pescoço de seu pai, o homem ficou olhando para ele, a tristeza banhando seus olhos.
- Foi ele quem escolheu ser um de vocês.
- Não ele preferiu a morte.
- Então como...
- Ele chamou a atenção de uma outra pessoa.
- Foi você que....
- Não.. por mim eu o teria matado como foi seu desejo, nunca mas tente vê-lo, ele esta morto para o Sr, ele jamais voltara a ser o que era antes, da próxima vez ele pode realmente mata-lo.
- Obrigado por salvar minha vida.
- Não me agradeça, o que fiz não foi por você, mas por ele, ainda tenho esperanças de algum dia... Ela esta vindo, Heero vamos, Sr vá para dentro de sua casa e não saia, ou ela fará com ele o mate.
"Sally me impediu de feri-lo aquele dia, nunca soube por que ela fez isso, ao contrario de Relena que teria me feito mata-lo. Tudo que Relena me ensinou, foi mate sem compaixão, até que não sinta mais fome, e foi o que fiz, o numero de minhas vitimas crescia a cada noite, a cada ano que passava minha fome aumentava, era temido por humanos e vampiros, os únicos que não tinham medo de se aproximar de mim eram Relena que conseguia ser ainda mais temida que eu e Sally, naquela época não entendia como Sally conseguia se manter daquela forma, ela matava como nós para se alimentar, mas diferente de nós ela sentia tristeza cada vez que tirava uma vida, mesmo faminta ela evitava tirar a vida de crianças, apenas o sangue de adultos homens ou mulheres faziam parte de sua refeição.
Hoje eu entendo o que ela sentia, a tristeza de cada uma de suas vitimas, o futuro que elas nunca teriam, os sonhos que jamais se tornariam reais. Gostaria que tivesse sido ela a me tirar da loucura em que Relena me jogou. Mas quis o destino que ela apenas tivesse mantido aberto a passagem, por onde eu encontraria a razão, mesmo depois de 10 anos ela nunca deixou de me dizer àquelas palavras, ainda posso escuta-la me dizendo".
- Nunca se esqueça do que você foi isso e a única coisa que o manterá lúcido neste novo mundo.
"França 1710, 10 anos haviam se passado e começava a me sentir sufocado, ela não me deixa em paz um minuto, sempre dizendo que me amava, que éramos perfeitos juntos, mais eu não sentia nada por ela, tínhamos nossos momentos de prazer, mas mesmo quando tocava seu corpo e a possuía ainda sentia que estava faltando alguma coisa, não posso negar que não sentia prazer em seus braços, ela era envolvente e sabia como dar prazer a um homem, mas eu me sentia incompleto ao seu lado. Uma noite em que caminhava pelas ruas, encontrei com outro vampiro, ele era de um clã que eu não conhecia, Relena me contara sobre os outros clãs, mas não me lembrava dela ter falado sobre o clã do vampiro a minha frente, foi engraçado por que a maioria dos vampiros que encontrava evitavam falar comigo por causa dela, e também eu não costumava ser muito sociável e no entanto ele me sorriu".
- Boa noite irmão, a que clã você pertence.
- Por que pergunta.
- Curiosidade talvez.
"O que eu deveria dizer que fazia parte do clã da Relena os Peacecraft, não me considerava parte do clã, a verdade é que nem sabia porque andava com ela, eu poderia muito bem viver sozinho, afinal eu já estava sozinho, apenas não admitia isso".
- Você anda com ela não é.
- Ela?
- Sim ela, que acha que é a soberana de todos os vampiros, uma péssima aquisição eu diria, ela é insuportável.
- Hn, concordo.
- Então você pertence ao clã dela, não que exista realmente o clã dos Peacecraft, muitos não a reconhecem, mas cada vampiro com sua mania.
- Em ando com eles, mas...
- Mas não se considera um deles estou certo.
- Como...
- Digamos que eu consigo ler nas entrelinhas, e você consegue ser mais claro que o dia, eu me chamo Treize Khushrenada do Ichizoku dos Khushrenada e é um prazer conhece-lo Heero Yuy, você deve estar se perguntando como eu sei o seu nome, meu caro eu sei muito mas sobre você do que você mesmo, porque não me acompanha em um aperitivo.
- Porque não.
"Treize Khushrenada o shuhan[5] do Ichizoku dos Khushrenada, o dono deste castelo, foi ele quem me deu Hikari, me ensinou tudo que sei, e me aceitou em seu clã como um filho, a partir deste encontro eu realmente tomei conhecimento do que era ser um vampiro, não a visão que Relena tinha, mais a visão que Sally tentou me mostrar, não preciso dizer que Relena não gostou nem um pouco de saber que eu tinha deixado o clã dela, afinal eu não retornei aquela noite, passei 12 anos em companhia de Treize, ele foi como um pai, ajudou-me a controlar minha raiva, minha fome e a desenvolver minhas habilidades, continuava tão anti-social quando antes, afinal nem tudo pode ser mudado".
- Kimitsu, Boa noite.
- Boa noite Sr Barton, Sta Bloom.
- Heero já levantou.
- Na verdade Sr Barton não creio que ele tenha dormido.
- Não!
- Ele levantou alguns minutos depois que os Srs se recolheram, ficou algumas horas na sala de leitura, voltou para o quarto e esta trancado lá dentro até agora.
- Trowa será que aconteceu alguma coisa, ele ficou estranho depois que vocês conversaram ontem.
- E eu sei.
- Quer que eu veja se o Sr Yuy está acordado.
- Não é necessário Kimitsu eu mesmo vou verificar.
- Bam, bam, Heero!.
- Heero você está acordado.
5 minutos depois
- E então Trowa?
- Nada bati na porta varias vezes e ninguém respondeu, a porta do quarto está trancada, mas não consigo sentir sua presença dentro do quarto, Kimitsu ele disse alguma coisa.
- Não Sr apenas disse que o sono parecia ter-lhe abandonado, e perguntou como estava o dia lá fora, ele me parecia muito pensativo.
- Sr Barton.
- Sim Kimitsu.
- E que não sei se deveria dizer mais ele não tem se alimentado corretamente nos últimos dias.
- Mas ele sempre faz as refeições conosco.
- Kimitsu tem razão Cathrine, Heero não tem consumido a mesma quantidade de sangue que nós.
- Eu não entendo por que ele faria isso.
- Eu não sei Cathrine, eu não sei. Sabe como ele é não vai dizer nada que não seja necessário, ele é assim desde que o conheço.
- Você nunca me disse como você e Heero se conheceram.
- Não tenho muito o que contar Cathrine, era noite é ele me deu uma escolha.
- E foi somente isso.
- Huh, huh é foi.
- Por que será que eu não acredito.
- Não acredita em que Cathrine.
- Heero!
- O que aconteceu, eu sou um vampiro e não um fantasma, por que o espanto.
- Kimitsu nos informou que você não havia dormido, bati na porta do seu quarto e ninguém respondeu e não pude sentir sua presença dentro do quarto.
- Entendo... mas o que você não acredita Cathrine.
- Hã... e que perguntei ao Trowa como vocês se conheceram e ele me disse que não tinha muito a contar somente que era noite é você lhe deu uma escolha.
- Foi assim Trowa, pelo que me lembro a historia era um pouco mais comprida.
- É talvez fosse.
- Você era detetive, e estava investigando o desaparecimento de algumas jovens na época não era isso.
- É.
- Que dizer que você era detetive Trowa, por que nunca me disse, e como você foi abraçado.
- É Trowa conta para gente como foi. Kimitsu!
- Sim Sr Yuy.
- Estou com fome agora.
- A comida será providenciada Sr.
- Obrigada.
- Por que você mesmo não conta Heero, você estava lá.
- Mas a Cathrine não perguntou para mim, não é Cathrine.
- É.
- Ela aprende rápido.
"Trowa não gosta de falar sobre isso, acho que poucos de nós gostam, Cathrine pertence ao grupo que não se importa em falar, conheci Trowa por acaso, quando estive na América do Sul no ano de 1722, Treize havia me pedido que encontrasse uma pessoa, um humano para ser mais exato, na época Treize estava procurando Hikari e Yami, e a pessoa em questão teria informações sobre elas. E foi procurando essa pessoa que encontrei Trowa, precisamente na guiana francesa, na época Trowa trabalhava como investigador, e havia sido contratado para verificar o desaparecimento de jovens com idade entre 15 e 20 anos".
"Como poderia esquecer o dia em que conheci Heero, se ele não tivesse me ajudado aquele dia provavelmente eu estaria morto e o numero de inocentes mortos teria continuado a crescer. Eu já tinha uma pista do paradeiro das jovens que tinham desaparecido, dez garotas, quatro na semana passada e seis esta semana, os corpos de nove delas já haviam sido encontrados, totalmente sem sangue, alguns dos corpos tinham partes faltando como se tivessem sido arrancadas com presas, braços, olhos, pernas, mas que tipo de animal ou coisa varia isso, boatos sobre mortos que caminham se alimentando de carne e sangue humano eram ouvidos, mas eu achava que eram apenas historias para assustar crianças, ledo engano, um mês havia se passado desde o desaparecimento da ultima jovem e eu ainda tinham esperanças de encontra-la com vida, o problema agora e que não são apenas moças a desaparecer, rapazes com a mesma idade também estavam desaparecendo, o numero de desaparecidos estavam aumentando, a policia não sabia mais o que fazer, e nem tinha pistas a seguir, as pessoas evitavam caminhar nas ruas a noite, o medo era sentido em toda a parte.
Havia descoberto, que algumas pessoas haviam sido vistas, perto do moinho abandonado e que duas delas se pareciam com as jovens desaparecidas, resolvi investigar, o local era perfeito, próximo a cidade, livre acesso, e grande o suficiente para se esconder, alguma coisa me dizia que as pessoas desaparecidas deveriam estar lá, mas eu também sabia que não deveria entrar lá sozinho, mas aquele dia eu resolvi não obedecer a minha intuição e isso custou minha alma".
Trowa observou o local, um prédio todo construído em madeira, há alguns anos atrás um grande moinho funcionava ali, agora o prédio estava abandonado e caindo. Trowa caminhou ate uma parte onde a parede havia tombado, ele notou pegadas no chão próximo a parede tombada, o que ele não notou é que também era observado por vários pares de olhos avermelhados, esperando apenas o momento certo para ataca-lo.
Heero estava caminhado de volta a casa em que estava hospedado, era a casa de um humano que era fiel ao Ichizoku dos Khushrenada, os Khushrenada eram conhecidos por terem humanos trabalhando para eles, crianças sem família, eram criadas desde pequenos para servi-los, não como alimento, mas como serviçais, cuidando da casa, roupa, conseguindo alimento, ou fornecendo abrigo, era na casa de um desses humanos que Heero se dirigia agora, quando essas pessoas se casavam e tinham filhos eles também eram criados como seus pais para servir e serem fieis ao Ichizoku, em troca disso eles eram protegidos contra outros vampiros segundo as regras do Ichizoku, ele podia sentir a presença de outros vampiros na cidade, o dono da casa havia lhe informado sobre os desaparecimentos na cidade, Heero sabia o que estava acontecendo, mas ele não podia interferir, cada um dos clãs possuía suas próprias leis e um clã jamais deve interferir nos assuntos de um outro clã, a menos que o assunto seja pessoal, Heero viu um jovem rapaz observando o velho moinho, ele sabia que o jovem era observado pelos vampiros dentro do moinho eles estavam esperando apenas que ele entrasse, Heero sabia que o rapaz não teria a menor chance ele seria morto antes que soubesse o que o atacou, Heero ficou tentado a impedi-lo mas sabia que não deveria faze-lo, já tinha problemas demais, como por exemplo informar a Treize que o humano não sabia onde Yami se encontrava, ao que parecia a outra metade havia sido roubada e desapareceu, portanto Heero tinha a localização apenas de Hikari.
Heero continuou caminhando quando avistou Jean o dono da casa onde estava hospedado, ele vinha correndo em sua direção, e Heero soube que alguma coisa havia acontecido.
- Jean o que aconteceu.
- Sr Yuy, minha filha ela desapareceu, eu pedi a ela que fosse comprar um pouco de arroz, e me disseram que ela foi levada por um homem.
- Tudo bem sabe quem era esse homem.
- Não, mas pela descrição ele parece ser um vampiro, falaram que ele foi em direção ao moinho.
- Sabe há quanto tempo foi isso
- Pelo menos uns 10 minutos.
"Droga tudo isso, apenas um milagre vai garantir que ela ainda esteja viva, parece que aquele jovem terá ajuda afinal, se não for tão tarde".
- Volte para sua casa e fique com sua esposa trarei sua filha de volta.
- Obrigada Sr Yuy.
Heero correu de volta ao moinho, esperando que não fosse tarde de mais para salvar a garota, ele viu o jovem próximo a parede tombada do moinho, ele parecia observar alguma coisa no chão, Heero viu o momento exato em que o rapaz foi puxado para dentro, ele sentiu o cheiro de sangue e soube que o rapaz havia sido pego, ele somente esperava que não fosse tarde demais para salvar sua vida.
"Estava observando o chão da entrada, quando alguma coisa me agarrou e me puxou para dentro, não sabia o que era apenas sabia que era algo forte e não era apenas um, senti que algo perfurava minha pele, nos dois lados do pescoço e no meu pulso esquerdo, senti meu sangue escorrer por alguns instantes e depois ele sendo sugado pelas criaturas que haviam me atacado. Abri meus olhos e deparei-me com olhos avermelhados, não sabia o que eram, mas sabia que minha morte era certa, sentia que em pouco tempo meu coração iria parar de bater, estava começando a me sentir fraco, quando senti que um deles havia sido retirado do meu pescoço, logo depois o outro e o que se encontrava em meu pulso, ouvi alguém gritar algo, senti que era carregado, abri mesmo olhos e encontrei olhos de um azul profundo, a pessoa falava comigo, mas me sentia fraco demais para responder".
"Quando entrei no moinho a cena que tive não era das melhores, o rapaz se encontrava no chão, havia sido atacado por três deles, peguei o que estava no lado direito do seu pescoço, cortei-lhe a cabeça com a Wakizashi[6] que tinha acabado de comprar do informante, tinha adquirido um certo interesse por espadas convivendo com Treize, esta espada em particular era perfeita para combates em lugares fechados, fui em direção ao outro, e o matei da mesma forma agarrei o outro por trás do pescoço não podia mata-lo ainda tinha de saber onde a garota estava."
- Onde esta a garota que vocês pegaram a pouco.
- Quem é você?
- Diga-me onde ela está agora, e você terá uma morte rápida.
- Por que a humana é importante você matou dois de meus irmãos, para salvar um humano e uma garota, pelas leis, você não deve interferir nos assuntos do meu clã e aaaahhhhhh.
- Eu sou Heero do Ichizoku dos Khushrenada, e a garota que vocês pegaram e protegida pelo meu clã, e pelas leis vocês atacaram o meu clã.
- Ichizoku dos Khushrenada, não sabíamos perdoe-nos por favor, a garota esta lá dentro.
- Se ela estiver ferida, todos do seu clã irão pagar pelo seu erro, quantos de vocês ainda se escondem aqui dentro.
- Apenas nós meu senhor...aaahhhhhhhhaaaahhhhhh.
- Eu quero a verdade.
- Três.
- Era o que eu queria saber.
Heero cortou a cabeça dele, ele não poderia deixa-lo vivo, e nem tinha vontade de faze-lo. Heero olhou para o jovem rapaz e ponderou se devia deixa-lo ali ou leva-lo com ele, ele ainda estava vivo era verdade, mas talvez não sobrevivesse, perderá muito sangue, se deixasse o rapaz, outro vampiro poderia apareceu e mata-lo e como já impedirá que os outros três terminassem o que começaram achou que deveria leva-lo consigo. Heero tomou o rapaz em seus braços, ele sabia que deveria cuidar dos ferimentos dele, mas não podia perder tempo, a vida da garota dependia disso, ele olhou para o rapaz e viu que ele abrirá os olhos, Heero notou que eles eram verdes, mas estavam quase sem vida.
- Você está bem?
- ...
- Não se preocupe, tudo ficará bem, eu tenho que buscar uma pessoa, mas não posso deixa-lo sozinho aqui, por isso você vem comigo por enquanto depois cuidaremos de seus ferimentos.
Heero sentiu o rapaz balançar a cabeça concordando e voltar a fechar os olhos, ele esperava que o rapaz pudesse resistir e que pudesse encontrar Fran a tempo. Heero observou todo o local sentia as presenças um pouco abaixo de seus pés isso significava que eles deviam estar, em alguma câmara abaixo, ele avistou uma escada e correu até lá, ele sentia uma presença humana muito fraca, ele sabia que os outros vampiros deveriam saber sobre a sua presença e que os outros três estavam mortos, ele não tinha muito tempo para arquitetar um plano, mas ele sabia que isso não seria um problema. Ele chegou ao andar inferior, podia sentir o cheiro de carne em putrefação, seria um cheiro nauseante se não estivesse acostumado, ele observou o local e avistou quem queria, Fran estava deitada, sobre um tipo de bancada, ele sentia a presença dos outros três no local, a pesar de escuro ele sabia onde estavam, ele colocou o jovem encostado em um canto, seus olhos se tornaram avermelhados e suas presas cresceram, com sua wakizashi em punho foi em direção ao primeiro que estava a sua esquerda, com extrema velocidade aproximou-se de seu adversário, o vampiro tentou reagir, mas Heero foi mais rápido e se esquivou, dando a volta e ficando por trás de seu adversário, Heero enfiou a espada em suas costas o fazendo curva-se retirou a espada e girando o seu pulso cortou a cabeça de seu inimigo. Os outros dois partiram para cima dele, mas Heero era muito mais forte e inteligente que eles, ele segurou com sua mão esquerda o braço do que estava na frente torcendo-o para trás quebrando-o, impelindo um pouco de forca ao girar seu pulso direto fez com que sua espada ganhasse mais velocidade e corta-se a cabeça. Restava apenas mais um, o vampiro parou e olhou para ele, Heero podia sentir toda a raiva e impotência do outro vampiro, Heero apenas o olhou e gesticulou para ele com a espada com se dizendo que viesse, o vampiro partiu para cima dele, Heero flexionou ligeiramente as pernas, impulsionando seu corpo para cima, fazendo com que seu corpo saltasse por cima de seu adversário, fazendo o vampiro passar por ele, quando Heero alcançou o chão, girou seu corpo mirando sua espada na direção da cabeça do vampiro, fazendo-a cair e rolar até seus pés. Heero foi até Fran, e começou a sacudi-la.
- Fran, Fran.
- Huh... Sr Yuy.
- Tudo bem Fran, pode andar, eles a morderam.
- Não estou bem, eu desmaiei.
- Vamos então, temos que sair daqui e ajudar o outro humano.
Heero foi até o jovem, ele estava frio, mas seu coração ainda batia. Heero o pegou novamente nos braços e foram subindo as escadas para sair do moinho. Fran observava o humano nos braços de Heero, deveriam ter quase a mesma idade, o rapaz parecia que estava quase morto, ela não entendia o porque de Heero tê-lo ajudado, sua mãe havia lhe dito que vampiros não ajudam humanos, humanos são alimento, apenas os que trabalham para o clã, são ajudados por ele. Eles caminharam até a casa de Jean, ignorando os olhares das pessoas por quem passavam.
- Fran minha filha.
- Papai! Mamãe!
- Sr Yuy muito obrigado por resgatar nossa filha.
- Hn, preciso que me ajudem com ele.
- Quem é ele Sr Yuy.
- Não sei, ele estava lá quando cheguei, não se preocupe ele não é um de nós. Ele ainda é humano, mas não sei se passará desta noite. Preciso terminar umas coisas no moinho. Cuidem dos ferimentos dele e me avise quando ele acordar.
- Sim Sr Yuy, será feito.
Heero voltou ao velho moinho, juntou os corpos dos vampiros e fez uma grande fogueira com eles, ele viu o fogo queimar os corpos, até não sobrar nada deles, viu o fogo subir pelas paredes se alastrando pelo chão, em poucos minutos o moinho inteiro ardia nas chamas e nenhum traço de que vampiros estiveram ali restará, apenas os corpos dos humanos desaparecidos.
"O fogo fará o resto, melhor voltar o humano já deve ter acordado".
"Fraqueza, escuridão,eu estou morrendo, sei disso e nem pude agradecer ao rapaz que tentou me salvar".
Trowa abriu os olhos e viu o rosto de uma jovem que não conhecia e ela lhe sorriu.
- Onde estou.
- Em minha casa o Sr Yuy o trouxe para cá, como se sente.
- Fraco, eu estou morrendo não é.
- Infelizmente sim, aguarde um instante que eu vou chamar o Sr Yuy.
- Ele é o homem que me salvou.
- Sim.
- Sr Yuy o jovem abriu os olhos.
- Obrigada Fran.
- O que pretende fazer Sr Yuy.
- Não sei Jean, vai depender dele.
Heero caminhou em direção ao quarto onde o jovem rapaz se encontrava, ele sabia que o rapaz tinha poucos instantes de vida, na verdade ele já deveria estar morto, devido a quantidade de sangue que ele perderá, tudo que Heero sabia é que o rapaz era um lutador, e ele merecia uma chance, mesmo que ela significasse a perda de sua alma humana.
"Estava deitado aguardando a chegada da pessoa que me resgatou, tudo que lembrava dela eram os olhos de um azul profundo e a sua voz fria. Vi a porta abrir e olhei em sua direção, um rapaz de estatura mediana, aparentando ser um pouco mais novo que eu entrou, e ficou me observando, ele tinha traços orientais, a pele um tanto pálida como se não pegasse sol a muito tempo, cabelos escuros meio desgrenhados, e olhos azuis... azuis mas não era possível que aquele jovem o houvesse salvo, o tivesse carregado".
"Podia ver a incredulidade no que achava ser um dos olhos dele, como alguém consegue ver alguma coisa, com aquela franja na frente, parecia que o rapaz tinha dificuldades para admitir que eu o havia ajudado, afinal ele é um pouco mais alto que eu, mas não tinha como ele saber que um vampiro e muito mais forte que um humano, pelo menos não ainda".
- Foi você quem me ajudou.
- Foi.
- Obrigado, não sei como poderei compensá-lo.
- Qual o seu nome.
- Trowa, Trowa Barton.
- Trowa, meu nome é Heero Yuy, você tem idéia do que aconteceu com você hoje.
- Não, sei que fui atacado, mas não faço idéia do que tenha sido.
- O que fazia lá.
- Sou investigador, fui contratado para descobrir sobre o desaparecimento das jovens da cidade.
- Já ouviu a expressão, mortos que caminham a noite e se alimentam de sangue.
- Sim, mas são apenas historias.
- Não, não são, tais criaturas existem há muito mais tempo que você possa imaginar, você foi atacado por três delas hoje, na verdade você esta conversando com uma delas agora.
- Como! Você deve ter 18 anos no máximo, e não parece tão diferente de mim, aquelas criaturas tinham olhos avermelhados e presas, você tem olhos azuis e...
- Olhos como estes.
No mesmo instante os olhos de Heero ficaram vermelhos como o sangue e presas cresceram em sua boca, Trowa não teria acreditado se não tivesse vistos com seus próprios olhos, ele não sabia o porque daquela criatura tê-lo ajudado, uma vez que ele era como os outros, mas ele não podia negar que ele o havia salvo e não acreditava que ele o tinha feito para mata-lo ele mesmo.
- Você deve estar se perguntando por que eu o ajudei, mas acredite não era minha intenção, eu o havia visto antes de entrar no moinho eu vi os outros como eu o observando, sabia que o iria te acontecer, e ainda assim eu continuei meu caminho.
- Entendo eu sou apenas mais um não é.
- Seria se Fran, a filha do dono desta casa não houvesse sido levada por eles.
- O que você quer de mim Heero.
- Sabe que esta morrendo não é.
- Sei.
- Eu posso salvar você o tornando imortal, mas não posso devolver a vida que você tinha.
- Como faria isso.
- Eu lhe daria um pouco de meu próprio sangue, assim você se tornaria um vampiro como eu, em compensação perderá sua alma humana.
- Seria como vocês e os outros, me alimentando de sangue humano.
- Sim e não, se alimentara de sangue, mas não precisa ser necessariamente sangue humano, apesar dele ser muito saboroso. Não vou mentir dizendo que será fácil Trowa, não será, você nunca mais poderá ver a luz do sol, vivera décadas, séculos e sempre na mesma escuridão, verá todos que conhece, todos que ama morrerem enquanto você continuará vivendo apesar de morto, aprenderá a viver em um mundo que teme a sua presença e conhecerá um outro que você nunca desejou conhecer. Você me perguntou se será como os outros três que o atacaram, eu lhe digo que o será apenas se você desejar, a fome de sangue que todos nós sentimos pode ser controlada se você quiser, não é fácil, a muito tempo quando fui abraçado uma mulher me disse para que eu nunca esquecesse quem era por que isso seria a única coisa que me manteria lúcido, eu digo o mesmo a você, por muito tempo eu me esqueci disso, apesar dela me dizer as mesmas palavras por dez anos, mas foram essas poucas palavras que me fizeram conservar o que eu ainda tinha de humano, e se você aceitar ser como eu, vou ensina-lo tudo o que aprendi.
- Meu pai me ensinou que quando alguém salva sua vida, você esta em divida com esta pessoa, eu tenho uma divida com você Heero e devo paga-la e se a única forma de faze-lo e entregando minha alma e vivendo meus dias na escuridão, eu aceito a sua proposta.
- Hn, que seja, temos que fazer alguns arranjos então.
Heero foi falar com Jean, o sol sairia em poucas horas e eles tinham pouco tempo, logo Trowa seria como Heero uma criatura das sombras. Heero pedira a Jean que arrumasse correntes para prender Trowa, Heero não queria arriscar ferir a família que morava na casa, ele se lembrava o que tinha acontecido na noite seguinte em que fora abraçado as pessoas que matou, e seu pai que se não fosse pela intervenção de Sally teria matado, não pretendia correr o mesmo risco com Trowa, em baixo da casa havia sido construído uma sala grande onde haviam vários caixões, Heero escolherá um deles para colocar Trowa. Voltou ao quarto e pegou Trowa nos braços retornando ao cômodo embaixo da casa, colocou-o no caixão e retornou a porta trancando-a.
- Isso é um caixão não é.
- Não se preocupe você se acostuma com o tempo, mas você não é obrigado a passar sua imortalidade em um caixão, também dormimos em camas.
- Como vai ser.
- Não se preocupe levará apenas alguns instantes, devo avisa-lo que será doloroso, morrer nunca foi muito agradável, vou ter que apressa-lo a morrer, retirando o que resta do seu sangue humano, para depois dar-lhe um pouco do meu, tem certeza que quer continuar Trowa, uma vez abraçado nunca mais será como antes.
- Tenho faça.
- Está bem então.
Heero permitiu que suas presas crescessem e seus olhos se tornassem vermelhos como o sangue, ele podia ouvir o coração de Trowa bater mais forte, ele cravou suas presas em seu pescoço e bebeu o que restava de seu sangue humano, sentiu o corpo dele morrendo, tirou um pequeno punhal do bolso e cortou seu pulso direito colocando-o nos lábios de Trowa permitindo que ele tomasse seu sangue. Trowa bebeu o sangue de Heero, Trowa sentiu como se milhares de agulhas em brasas atravessassem sua pele, realmente não era uma dor nada agradável, no instante seguinte tudo havia mudado, o ar a sua volta, abriu seus olhos e encontrou os de Heero, viu ele balançar a cabeça em sinal de tudo acabara.
- Terminou Trowa, agora você e como eu e como os outros uma criatura da noite, descanse agora o sol já deve estar nascendo, logo a fome se fará presente, vou ajuda-lo a suporta-la, não saia deste caixão até que o sol tenha se posto, e não toque nos humanos acima de nós ou eu mesmo o matarei, por segurança vou lacrar seu caixão, nos veremos logo mais a noite e lhe direi tudo que deve saber sobre sua nova vida.
- Está bem.
"A noite seguinte foi esclarecedora, tive a visão de um mundo totalmente diferente do que eu conhecia, podia perceber o medo nos olhos das pessoas era como se elas soubessem que somos diferentes, tive ímpeto de atacar as pessoas daquela casa, mas lembrei-me do Heero havia me dito, apesar de estar morrendo de fome, consegui ser na opinião de Heero civilizado em não atacar a "comida". Deixamos a casa de Jean e sua família e fomos em direção a Europa. Heero disse que eu precisava ser apresentado a minha nova família e ele tinha que prestar contas ao shuhan dos Khushrenada, assim fui apresentado ao Ichizoku dos Khushrenada. Realmente Heero me ensinou tudo que sabia, embora a cada dia eu perceba que ainda tenho muito a aprender com ele, ele me ensinou a controlar minha raiva, suportar minha fome, como conseguir alimento, informações e como utilizar minhas novas habilidades e me manter vivo em um novo mundo".
- Foi assim que conheci Heero e fui aceito pelo clã, Cathrine.
- Nossa quem diria, e você já pagou sua divida com Heero, Trowa.
- Não, ainda não o fiz.
- E nem precisa Trowa, você já me ajudou muito mais do que imagina e continua me ajudando mesmo depois de tanto tempo e aturar a mim e a Cathrine já deve servir como pagamento.
- Você pode ter razão aturar você é Cathrine realmente serve como pagamento de qualquer divida.
- Trowa!
- Que foi Cathrine, foi o Heero quem disse isso eu apenas concordei.
- Tudo bem Cathrine, estamos apenas brincando.
- Hn, vocês dois, não sei por que eu ainda perco o meu tempo com vocês.
- Há, há acho que você a ofendeu Trowa.
- Não fui eu que citei o nome dela.
- É eu sei.
- Depois ela não é de ficar aborrecida por muito tempo.
- É verdade.
Cathrine voltou para seu quarto, batendo a porta com força, eles tinham a péssima mania de tira-la do sério, mesmo convivendo com eles a tanto tempo eles ainda tinham a habilidade de inerva-la, ela sabia que não conseguiria ficar aborrecida com eles por muito tempo, e que eles jamais a ofenderiam de propósito. Era difícil ver Heero ou Trowa sorrindo ou fazendo graça com alguma coisa, já se acostumara a vê-los assim, sempre sérios e compenetrados, quem os visse os acharia os mais anti-sociais e chatos vampiros do mundo, tudo bem eles era realmente anti-sociais, mas dizer que são chatos era algo totalmente diferente, não que fossem grandes piadistas, mas eram seres de grande valor, apesar de vampiros, não imaginara que o encontro dos dois tivesse sido tão surpreendente mais tinha certeza que naquele dia profundos laços de amizade haviam sido criados, mesmo que eles não fossem comunicativos a amizade entre eles era suficiente para que se entendessem sem palavras, e eles eram quase como irmãos e ela ficava feliz de fazer parte dessa família.
"O destino quis que os caminhos de Heero e Trowa se encontrassem com o meu, e por duas vezes quis o destino que eu encontrasse Ebro, na primeira perdi minha alma e na segunda quase perdi minha vida, como se fosse possível uma vez que já não estava morta.
Espanha 1720, havia completado 21 anos a duas semanas, não que houvesse motivos para alegria, minha vida não era nenhum mar de rosas, fui abandonada ao nascer e acolhida por uma família que me encontrou, meus pais adotivos não tinham filhos e eles me criaram como se fosse filha deles, eles serviam ao Ichizoku dos Khushrenada assim fui criada segundo as leis do clã, e protegida por elas. Cresci em meio a vampiros e humanos, achava engraçado caminhar entre eles, uma vez que nós éramos o alimento deles, muitos não me pareciam tão assustadores eram gentis e educados conosco, enquanto outros pareciam nos suportar somente por causa das leis. Lembro-me que a noite esta linda, o céu repleto de estrelas, não havia sinal da lua, o tempo estava agradável, tínhamos hospedes ilustres em nossa casa aquela noite, o shuhan dos Khushrenada. Treize Khushrenada, ele é realmente atraente, educado, jovem, talvez ele seja o vampiro mais velho que temos idéia uma vez que nenhum de nós sabe qual a sua idade, encontrei Treize a primeira vez quando tinha 8 anos, ele sempre achava graça de minha curiosidade, sempre fui curiosa principalmente em relação aos vampiros, nunca desejei ser um deles, amo o sol, o brilho dele no orvalho pela manhã, mas quis o destino que me tornasse um deles.
O nome dele era Ebro, longos cabelos negros e olhos castanhos claros, alto, ombros largos, seria o homem perfeito se não fosse um vampiro, o encontrei quando voltava para casa, Treize havia me pedido para comprar rosas, ele adora rosas, vive dizendo que nas terras dos Khushrenada, há um castelo com um grande roseiral, com rosas de varias cores, mas as vermelhas são suas preferidas. Foi William quem me levou para casa, colocando-me nos braços de Treize ele disse o que havia acontecido, eu estava morrendo e para evitar minha morte Treize me abraçou, salvando minha vida, dando-me seu sangue para que eu não morresse, ele mandou Will e outros vampiros atrás de Ebro, mas misteriosamente ele havia desaparecido"
Cathrine retornava para casa, com um buquê de rosas vermelhas em seu braço esquerdo, estava distraída cheirando as rosas, ela pensava o quanto Treize ficaria feliz com as rosas, elas eram belíssimas, fora difícil encontra-las aquela hora, de um vermelho tão vivo, ela estava próxima a sua casa, quando esbarrou em alguém, levantou seus olhos e eles se encontram com olhos castanhos claros, o rapaz lhe sorriu, tomou sua mão e beijou, ela deixou as rosas caírem no chão, Cathrine sabia que o rapaz a sua frente era um vampiro, sua mente dizia para desviar os seus olhos e se afastar, mas seu corpo e seus olhos pareciam estar presos ao rapaz a sua frente, podia senti-lo acariciar o seu rosto com uma das mãos, instintivamente fechou os seus olhos, sentia sua respiração ficar pesada e um calor se alastrar por todo o seu corpo, abriu os olhos e o viu se inclinar sobre seu rosto tomando os seus lábios nos dele, era a primeira vez que alguém a tocava e a beijava daquela forma, ele a beijava com ardor e luxuria, sussurrando em seu ouvido, como era bela e jovem.
- Você é tão bela, eu a observo desde que cheguei a esta cidade, mas esta sempre acompanhada de outros vampiros que não pude me aproximar de você. Hoje quando a vi sozinha com a florista, vi minha chance de corteja-la, não tenho a intenção de feri-la apenas de torna-la minha para toda a eternidade.
- Eu não...
- Shhhh não diga nada, minha amada eu a farei minha esta noite, eu me chamo Ebro e você.
- Cathrine.
- Minha doce Cathrine.
Ebro tornou a beijar Cathrine, passou um dos braços por sua cintura a puxando de encontro ao seu corpo, sentiu-o beijar seu rosto, seus lábios descendo em direção ao seu pescoço, sentiu quando Ebro a mordeu, suas presas furando sua pele, sentia todo o seu sangue sendo sugado, quando alguém gritou seu nome. Ebro olhou e viu dois vampiros vindo em sua direção sabia que eles a conheciam, já os havia visto com ela uma vez, sabia que não teria como enfrenta-los, mas ele não queria deixa-la, ele havia se encantado com a beleza dela, ele a queria, mas ele não tinha tempo para torna-la dele, sabia que os outros a abraçariam ela não tinha muito tempo, ele bebera praticamente todo o seu sangue, ele teria que deixa-la para que eles não o matassem, pois sabia que eles o fariam, nenhum vampiro que tocasse nos humanos protegidos pelas leis dos Khushrenada sobrevivia, ele voltaria para busca-la não importava o tempo que levasse ela seria dele, depositou o corpo dela no chão e foi embora.
William e Marcus se aproximaram do corpo de Cathrine, ela estava fria, a vida estava se esvaindo de seu corpo, eles precisavam leva-la a Treize. Marcus foi atrás do vampiro que atacará Cathrine, enquanto William a levava de volta para casa, ele se lembrava que tinha se oferecido para acompanha-la e ela havia negado sua companhia dizendo que não era necessário. Quando William chegou com Cathrine, Treize perguntou o que tinha acontecido enquanto a pegava em seus braços, William contou o que aconteceu, Treize lembrou do que Christine o havia contado a alguns dias, que um vampiro estava observando e rondando Cathrine a algum tempo, tinha avisado que ela deveria ser vigiada sempre que saísse por alguém do clã, infelizmente esta noite ela sairá sozinha.
Treize pensava nas possibilidades ou a deixava morrer ou a tornava um deles, ela sempre mostrará interesse pela sua espécie, sabia que ela ficaria triste em não ver mais o sol, e o brilho dele no orvalho pela manhã, mas ele não poderia viver a eternidade sem ver o sorriso dela, ele gostava dela, admirava sua beleza suave, sua curiosidade e impetuosidade, sim ele a amava desde que ela era uma criança, ele nunca desejou torna-la um deles, mas ele não poderia deixa-la morrer, mesmo que ela não o amasse e nem viesse a ama-lo, ele a salvaria e mataria o vampiro que o obrigará a abraça-la.
"Treize me dera seu sangue, para que eu não morresse, e me deu seu amor para que eu vivesse, foi através dele que conheci Heero e Trowa. Treize e eu estávamos em Veneza o ano era 1745, Treize queria comemorar o tempo que estávamos juntos, 25 anos os mais felizes da minha vida, engraçado não me lembro de ter sido tão feliz em minha vida quando era humana, e no entanto não me lembro um dia que tenha sido infeliz como vampiro ao lado de Treize.
Estávamos hospedados em uma casa linda, como muitos quartos, muitos vampiros do clã eram esperados, haveria uma espécie de reunião, Treize não me contou os detalhes, ele dizia que não queria me preocupar com assuntos desagradáveis, que eu saberia de tudo quando fosse o momento certo. Lembro-me que falou o nome de todos os vampiros que estariam presentes, seriam 15 vampiros ao todo, incluindo Heero e Trowa, estava curiosa para conhece-los, uma vez que nunca os tinha vistos, mas Treize vivia dizendo como eles eram, falando sobre suas qualidades, habilidades e como eram importantes para o clã. Como não iria participar da reunião e todos os vampiros queriam falar com o shuhan dos Khushrenada, com exceção de Heero e Trowa que ainda não haviam chegado, resolvi sair para dar uma volta por Veneza".
- Vai sair Cathrine.
- Vou caminhar um pouco, afinal parece que você tem que dar atenção aos outros que querem lhe falar.
- Sinto muito por isso, sei que não estou lhe dando a atenção que deveria.
- Tudo bem, eu entendo que o shuhan dos Khushrenada, tenha suas prioridades e seus deveres.
- Minha responsabilidade e somente para com você, minha adorada, vou pedir para que alguém a acompanhe no passeio.
- Não é necessário Treize, eu posso sair sozinha.
- Não gostou que saia sozinha, ainda me lembro do que aconteceu a ultima vez que saiu sozinha.
- E desde então não passou um dia em que eu não fosse feliz ao seu lado.
- Eu a faço feliz meu amor.
- Como ninguém mais o faria, não se preocupe eu terei cuidado.
- Assim eu espero, quando voltarmos a Paris teremos um tempo somente para nós dois, eu prometo.
- E eu sei
Treize tomou Cathrine em seus braços, tomando os lábios dela nos seus, a cada dia que passava, Cathrine se apaixonava mais e mais por Treize, a forma com que ele a tocava, o carinho e cuidado em cada gesto, em cada palavra quando estavam sozinhos. Cathrine se afastou e acariciou o rosto de Treize.
- Volto logo.
- Tudo bem.
"Estávamos na primavera, a noite estava agradável, não que me importasse com o calor ou frio eu estava morta isso era o que menos importava, a medida em que caminhava pelas ruas podia sentir os olhares dos humanos sobre mim, minha pele pálida, meus cabelos castanhos claros, curtos e ondulados, mas sentia uma outra presença que também me observava, desde a noite que chegamos a Veneza a uma semana, todas as noites em que saíra na companhia de Treize podia sentir essa presença me observando, isso me incomodava, Treize também pareceu notar, pois diversas vezes parava e olhava em volta como se procura-se por algo, quando perguntava o que era ele apenas me sorria, eu sabia que conhecia essa presença, mas não conseguia me lembrar de onde".
- Deve ser impressão minha, melhor eu voltar antes que Treize fique preocupado.
- Cathrine.
- Quem? Você!?
- Fico feliz que não tenha se esquecido de mim.
"Nunca pensei que o encontraria novamente, ainda mas em Veneza, pela primeira vez desde que me tornei vampiro, senti medo, medo que a felicidade que estava sentindo não fosse real, e que Ebro fosse cumprir com a promessa que ele fizera a 25 anos atrás".
- Ebro o que você quer de mim.
- Nada além de você minha doce Cathrine.
- E por que acha que eu iria com você Ebro.
- Porque você me pertence Cathrine, eu a teria tornado minha aquela noite, se aqueles dois vampiros não tivessem aparecido, depois que a deixei um deles me seguiu, mas eu consegui despistá-lo, logo depois outros cinco estavam atrás de mim, por isso deixei a Espanha, mas jamais a esqueci, você nasceu para ser minha.
- Nunca, eu pertenço a Treize e a mais ninguém.
- Não, você é o que é por que eu a fiz assim, eu lhe dei a chance de ser como eu.
- Você me deixou para morrer, se Treize não tivesse me abraçado, eu estaria morta agora.
- Não, eu sabia que ele não a deixaria morrer, mas ele não pode ter o que me pertence, você é minha.
- Afaste-se de mim Ebro.
- Não!
Ebro tomado pelo ódio partiu para cima de Cathrine, ele pensara nela durante esses 25 anos, ele a procurou durante todo este tempo, ele sabia que ela estava em companhia de Treize, ele os vira junto todas as noites, em sua mente tudo em que pensava era que Treize a roubará, Cathrine pertencia a ele, Ebro do clã Peacecraft e não aos Khushrenada e se ela não fosse com ele, ela não voltaria para os Khushrenada.
Cathrine tentava se soltar de Ebro, mas ele agarrara seu braço e a arrastava pelas ruas de Veneza, ela sabia que se não conseguisse se livrar de Ebro, nunca mas veria Treize novamente, aproveitando-se que estavam a algumas ruas da casa onde estava hospedada, ela o atingiu com um pequeno punhal que ganhara de Treize, aproveitando que Ebro a soltou devido a dor, Cathrine correu o mais rápido que podia. Ebro ficou ainda mais furioso, ele não deixaria que ela voltasse para ele, mesmo que tivesse que matá-la.
Ele começou a correr atrás dela, indiferente aos olhares humanos sobre eles, o que eles não notaram e que outras duas pessoas também os observava, e eles não eram humanos, mas vampiros como eles, dois rapazes um com olhos verdes como esmeraldas e o outro com olhos de um azul profundo como cobalto.
- Quem serão eles.
- Não sei Barton, mas não me parece que ela deseje ir com ele, senão me engano eu há vi uma vez com Treize.
- Então ela pertence ao clã.
- Acredito que sim vamos, ela precisara de nossa ajuda.
Cathrine corria por entre as pessoas, ela olhava para trás, mas não conseguia ver seu perseguidor, ela sabia que ele não desistiria facilmente, ela entrou em uma rua, infelizmente a rua não possuía uma saída.
- Droga não acredito que entrei na rua errada.
- Eu disse que não adiantava fugir minha doce Cathrine, não deveria ter feito isso sabia, agora terei que castigá-la.
- Não se aproxime de mim Ebro eu estou te avisando.
- E você fará o que, vai me ferir de novo com um punhal.
Ebro caminhou lentamente em direção a Cathrine, ele sabia que ela não tinha para onde fugir e que não tinha forças para enfrentá-lo, ele poderia matá-la ali mesmo, mas ele ainda a queria e ele a teria mesmo que a força. Quando estava a ponto de tocá-la ouviu uma voz atrás de si.
- Deixe-a em paz.
"Vi Ebro se aproximando sabia que não teria como escapar, foi quando ouvi aquela voz profunda, vi dois jovens, e Ebro caminhando na direção deles, depois vi a cabeça de Ebro rolando no chão, e o jovem de olhos azuis segurando na mão direita uma espada curta, o outro rapaz de olhos verdes, passou por cima do corpo de Ebro e estendeu me sua mão, lembro que a peguei e abracei o rapaz a minha frente começando a chorar, não sabia quem eram e não me importava, apenas me importava que eles haviam me salvo de Ebro. O rapaz me pegou em seus braços e me disse que estava tudo bem. Eles me falaram que eram do clã dos Khushrenada, e que tinham acabado de chegar a Veneza para se encontrarem com Treize, eu não conseguia dizer nenhuma palavra, eu apenas conseguia chorar. Lembro de chegarmos a casa onde estava hospedada, a mulher que nos atendeu, viu meu rosto molhado pelas lágrimas e que estava nos braços do rapaz, ela me reconheceu como a mulher de Treize e mandou chamá-lo, logo estava nos braços de Treize novamente deitada em meu quarto. Ele dissera que os rapazes que me trouxeram eram Heero Yuy e Trowa Barton, os vampiros de sua confiança. Realmente o destino e engraçado se eles não tivessem se atrasado aquela noite, talvez não tivessem me visto, e hoje eu não estaria aqui, como poderia ficar aborrecida com eles por tanto tempo".
Cathrine deu um pequeno sorriso e decidiu sair do quarto, não ia adiantar nada mesmo continuar ali, alem do que eles eram seus guardiões agora, como Treize mesmo dissera, vampiros de sua confiança, os únicos que ele confiará seu bem mais precioso, e eles eram como irmãos que ela nunca tivera. Cathrine desceu as escadas e foi para a sala de leitura onde sabia que os encontraria, eles estavam conversando e assim que a viram pararam de conversar.
- Eu continuo não achando a menor graça de vocês e suas brincadeiras, mas lá em cima estava um tanto quanto chato demais.
- Tudo bem Cathrine peço desculpas, afinal fui eu quem começou, não desejava ofende-la de forma alguma.
- Eu sei Heero e aceito suas desculpas embora eu saiba que vocês farão novamente assim que tiverem uma oportunidade. Mas a imortalidade seria um tanto quanto monótona sem a companhia de vocês, e fico feliz que nossos caminhos tenham se encontrado aquela noite.
- Sentimos o mesmo Cathrine, você é como uma irmã para mim.
- Obrigada Trowa, sinto o mesmo em relação a vocês.
- Como acertamos nossas pendências acho que devemos falar sobre algo importante, agora algo que talvez mude a nossa existência e a de toda a humanidade. Algo que realmente eu espero que não venha acontecer.
Continua...
[1] Atotori = Herdeiro.
[2] Atotori no Ketsueki = Herdeiro de Sangue
[3] Ichizoku = clã
[4] sozoku = Sucessão
[5] shuhan = Chefe
[6] Wakizashi = espada japonesa média de 33 a 53 cm (no caso da de Heero ela tem 34 cm)
Capitulo II - Relembrando o Passado
O sol tinha acabado de nascer, as janelas estavam fechadas e cobertas por grossas cortinas e permaneceriam assim até que a lua tivesse dado lugar ao sol. Uma figura que já deveria estar repousando, encontrava-se acordada e caminhava pelo castelo.
- Não consegue dormir Sr.
- Não Kimitsu, parece que o sono me abandonou esta manhã, como está o dia lá fora.
- Esplendido Sr. uma típica manhã ensolarada de primavera, uma pena que não possa aprecia-la.
- É realmente uma pena, não se preocupe comigo Kimitsu, pode cuidar dos seus afazeres.
- Não e seguro permanecer acordado há esta hora Atotori[1].
- Não deve me chamar assim Kimitsu, você sabe disso.
- Perdoe-me Sr.
- Tudo bem apenas não faça isso novamente.
- Com licença Sr., direi aos outros para não perturba-lo, caso sinta fome, basta me chamar.
- Sim, pode ir.
Heero caminhou até a sala de leitura e deitou-se no sofá, em sua mente relembrava a conversa que tivera com Trowa há poucas horas.
- Sr Yuy, pediu-me para avisa-lo quando o Sr Barton chegasse.
- Obrigada Kimitsu.
- Então Trowa o que descobriu com o Sr Yuki.
- Não foi difícil lidar com ele, mas alguém o instruiu na maneira de como lidar com a nossa espécie.
- Conseguiu descobrir quem foi?
- Não, o contato com ele foi feito pelo telefone.
- Existem poucos de nós com a habilidade de manipular outros sem contato visual.
- Suspeita de alguém Heero?
- Sim. Tenho quase certeza de que foi ele.
- Mas porque ele faria isso.
- Ainda não sei Cathrine, mas irei descobrir.
- Agora me conte Trowa tudo que aconteceu desde a sua chegada ao Deathscythe.
Heero ouviu atentamente cada palavra que Trowa disse, o nervosismo do Sr Yuki, a forma como ele evitava olhar em seus olhos. Heero sabia que o Sr Yuki não conseguiria esconder nada de Trowa, se este quisesse descobrir alguma coisa.
Há algumas horas atrás no Deathscythe, precisamente na sala da gerência.
- E então Sr Barton o que achou das instalações.
- Perfeitas da maneira como as descreveu, há quanto tempo à garota do balcão e o barman trabalham no clube.
- Eles trabalham aqui há dois anos desde que o clube foi inaugurado, porque?
- Há quanto tempo disse que foram feitas as modificações.
- Hã... Bem há quase dois meses.
- Verdade... Pelo que pude notar não me parece que as modificações tenham mais do que uma semana.
- Mas com...
- Se as modificações tivessem sido feitas na época que informou, ambos os funcionários não teriam problemas em se locomoverem em suas áreas de trabalho, eles me parecem um tanto quanto perdidos não acha.
- Eu... eu não sei o que dizer.
- Pode começar dizendo porque mentiu para mim Sr Yuki
- Pude comprovar que o clube possui as especificações informadas, portanto não precisaria mentir quanto a data em que as mesmas foram realizadas.
- Eu...
- A menos que esteja me escondendo algo mais Sr Yuki. Estou errado.
- O que eu te... teria a esconder Sr Barton.
- Porque você mesmo não diz Sr Yuki.
- Não...não tenho nada a esconder.
- Isso eu e que vou dizer Sr Yuki.
No mesmo momento Trowa se moveu tão rápido que em um instante já se encontrava posicionado em frente ao Sr Yuki, seus olhos tinham adquirido um brilho avermelhado, o gerente apenas encarava aterrorizado o jovem a sua frente, imaginando como o verde escuro foi substituído pelo vermelho sangue e como o rapaz conseguira se movimentar tão rápido saindo de sua cadeira e ficando a sua frente em um lugar tão pequeno. Trowa podia sentir o medo dele, ele conhecia o cheiro, escondido em cada gota de suor a escorrer pela face do homem a sua frente, podia ouvir o coração dele batendo mais forte a cada segundo, bombeando mais e mais sangue em suas veias, seria um verdadeiro banquete se desse voz a sua fome. Mas Heero ensinara a ele e Cathrine a suportar-la e não se deixar levar por ela, havia sido difícil no inicio, mas Heero havia sido claro.
- Nesse mundo que você renasceu Trowa, não existe lugar para fracos, ou você a controla ou é controlado por ela. Acredite não é fácil se libertar de uma prisão onde não se pode ver as paredes. Eu estive nela por quase um século. Darei apenas uma chance para você, se falhar eu mesmo o mato.
- Quero que olhe dentro dos meus olhos Sr Yuki e me diga tudo que quero saber, a começar pelo nome da pessoa que o informou de nossa chegada, e não ouse mentir para mim novamente, pois eu saberei quando estiver mentindo.
- Eu não sei, a três semanas atrás o telefone tocou e a senhorita Maya me disse que alguém queria me falar, a pessoa não disse o nome, apenas informou que o castelo receberia novos donos entre eles o Sr Yuy, a pessoa me disse como deveria trata-lo e como recebe-lo, que deveria medir minhas palavras quando me dirigir a ele e trata-lo como ele deve é conhecido.
- Como ele deve ser conhecido?
- Sim... como ele é conhecido entre os poucos de vocês.
- É conhecido por quem de nós?
- Eu...não
- Diga.
- Conhecido... pelo... Ichizoku[3].
- Pelo Ichizoku?!
- Qual Ichizoku?
- O... O... Ichizoku dos... Khushrenada.
- É como Sr Yuy e conhecido dentro do Ichizoku?
- Eu...Eu...
- Como você deveria se dirigir a ele.
- Eu...eu...não posso ah...a... dor.
- Diga e a dor vai passar.
- De...devo...cha...chama...chamá-lo...Aaaaaahhhhhhh.
- Fale!
- Não...eu...minha cabeça.
- Obedeça e eu farei com que a dor passe.
- Ele...ele...disse que deveria me dirigir a ele.... como...
- Bam... bam... Sr Yuki o Sr esta bem.
- Diga a ela que esta bem e que não precisa se preocupar.
- Estou bem Maya não se preocupe.
- Agora responda minha pergunta Sr Yuki e eu o deixarei em paz.
- Ele é conhecido como Atotori no Ketsueki[2].
"Droga Yuy não vai gostar disso".
- Ele lhe disse mais alguma coisa Sr Yuki.
- Sr Yuki entendeu minhas palavras.
- Sim, mas quem é você.
- Quem eu sou não interessa a você Sr Yuki, o Sr e apenas um mensageiro entendeu.
- Sim um mensageiro.
- Não demorará muito para Yuy descobrir que tivemos esta conversa, ele não ira pessoalmente até você, ele mandará outro, provavelmente o Sr Barton, ele foi uma grande aquisição ao Ichizoku, fico feliz que Heero o tenha encontrado antes. Procure Heero e diga-lhe o ouviu hoje.
- E se Heero não quiser me ouvir.
- Ele ouvirá, não através de você mais através de seu pupilo o Sr Barton.
- Devo passar a mensagem a ele Sr.
- Hum...Sim não terá como esconder a verdade do Sr Barton, se Heero manda-lo até você, não se deve subestimar a capacidade do Sr Barton, tudo que ele sabe aprendeu com Heero, e não existe nada que o Sr Barton não consiga descobrir.
- Ele me disse para avisa-lo.
- Avisa-lo sobre o que?
- Avise-o que o tempo esta se acabando, ele deve encontrar a outra metade do presente que recebeu, antes que termine o prazo e antes que a outra metade tenha um novo dono de sangue.
- O dia da sozoku[3] esta se aproximando as duas partes devem ser encontradas e apresentadas perante os Ichizokus, diga para lembrar da profecia, ela não deve se realizar.
- A profecia?!. Muito bem Sr Yuki, você não se lembrara que tivemos esta conversa e esquecera tudo quanto sabe a respeito do Ichizoku e sobre os novos habitantes do castelo, sabe apenas que o Sr Yuy estará vindo a cidade verificar o clube por alguns dias.
Trowa voltou para a cadeira onde estivera sentado, e seus olhos voltaram a adquirir o verde escuro das esmeraldas, ele sabia que Heero não gostaria nem um poucos das noticias, ele mesmo não gostará nada do que ouviu.
- Sr Yuki esta se sentindo bem me parece um tanto pálido.
- Eu... não me lembro direito aconteceu alguma coisa, eu me sinto estranho.
- O Sr ficou um pouco pálido e ficou inconsciente por alguns instantes, acredito que deva descansar um pouco, deve estar trabalhando demais, avisarei ao Sr Yuy que as instalações condizem com as especificações enviadas e vou sugerir-lhe uma visita.
- Fico feliz que tenha apreciado o clube Sr Barton, eu vou acompanho-lo até a porta.
- Não é necessário eu sei onde fica, obrigado e tenha uma boa noite.
- Desejo-lhe o mesmo ao Sr Barton, lembranças minha ao Sr Yuy e vou aguardar sua visita.
Trowa saiu da sala do Sr Yuki, o clube estava cheio no momento, apesar da musica alta, ele podia ouvir a batida dos corações a sua volta, um local cheio de humanos.
"O que eles fariam se soubessem que o proprietário se alimenta do fluido vermelho que enche seus corpos".
- Com certeza sairiam correndo.
Trowa caminhou em direção ao carro onde o chofer o aguardava.
- Para onde Sr Barton.
- De volta para o castelo.
Heero levantou-se e voltou para seu quarto, trancou a porta atrás de si, caminhou até a lareira e pressionou a pedra em cima da dela no mesmo instante a parede ao lado começou a se mover, mostrando uma escada. Heero desceu pelas escadas indo parar em um salão abaixo do castelo, no meio do salão havia uma redoma de vidro e suspensa dentro dela estava o presente, uma das chaves para impedir a profecia.
"A profecia, sempre soube que este dia chegaria,no dia em que aceitei o presente, devo cumprir com a minha missão".
- Maldição porque eu tive que cruzar o caminho dela aquela noite, se eu tivesse ouvido meus instintos, eu ainda teria uma alma mortal, e não teria que estar aqui sozinho nesta escuridão.
"Se soubesse que aquele dia seria o meu ultimo, eu teria apreciado ver o nascer do sol, como havíamos planejado, tanto tempo se passou desde aquele dia e eu me lembro como se fosse hoje".
02 de outubro de 1700, norte do Japão.
"Estamos na primavera, os campos da fazenda está repleto de flores, você tentou me acordar para ver o dia nascer, você vive me dizendo que um rapaz tão jovem e cheio de vida como eu, deveria aproveitar as dádivas da natureza acordando junto com o sol e dormindo quando a lua há estivesse no alto. Acabei fazendo o contrario, fugindo do sol e acordando com a lua, o que você diria se soubesse que ainda estou aqui pai, mesmo depois de 300 anos.
Lembro-me de ter ido vê-lo após o meu renascimento, quando ainda me sentia confuso, eles me disseram que ela me deu um presente, Hn não considero um presente ser jogado no inferno que é a minha imortalidade, todas as manhãs quando me deito, ainda posso ouvir as palavras dela".
- Você é tão belo seria um erro alguém tão bonito, mesmo que sendo humano perecer, destruído pelo tempo, doença e velhice, eu o quero para mim, eu posso lhe conceder um dom sabia, a oportunidade de atravessar os séculos conservando a sua juventude e beleza. Apenas me dizendo se quer viver ou morrer.
"Olhei para a jovem a minha frente, ela era linda tinha que admitir, longos cabelos loiros, a pele pálida, olhos claros e frios. Lembro-me de olhar a minha volta e ver outros como ela, belos e irreais, vi meu amigo no chão enquanto outros três bebiam seu sangue, eles me olhavam com seus olhos avermelhados e suas presas tingidas com o sangue de um inocente, sabia que seria o próximo e não temia minha morte. Nunca me preocupei como morreria, sempre imaginei que viveria muito tempo, parece irônico dizer que hoje completo 303 anos de minha existência, morto e ainda assim caminhando entre os humanos e coberto pela escuridão.
Não deveríamos estar ali, nunca deveria ter aceitado aquela aposta estúpida, de cortar caminho pelo cemitério, pessoas estavam morrendo, boatos de que mortos caminhavam entre os túmulos se alimentando de sangue humano eram ouvidas por toda a cidade, deveria ter seguido meus instintos e talvez agora eu estivesse realmente morto como você meu amigo, e não aqui deitado em plena manhã de primavera pensando no dia da minha morte".
- Eu prefiro a morte.
- Morte! Ah meu caro você não imagina as dádivas que eu posso lhe conceder. Não esta nem um pouco curioso, não é a todo o humano que eu ofereço esta oportunidade. Ser imortal, não temer nada, nem a escuridão que nos rodeia afinal ela é uma extensão do que somos.
- Nunca fui curioso e nunca tive medo da escuridão.
- Hum então meu caro você é perfeito para o que eu tenho preparado, meu companheiro, forte, destemido, olhos tão lindos, azuis frios e sem emoção. O que eu poderia te ensinar, os prazeres que eu poderia lhe oferecer, o mundo que podemos controlar.
- Já fiz minha escolha, mate-me logo.
- Ah! Mas seria um desperdício se eu fizesse isso. O que você acha Sally.
- Ele fez a escolha dele, ele prefere morrer a ser um de nós.
- Eu sei o que ele escolheu, mas eu não me lembro de ter prometido que faria o que ele quer, vocês me ouviram dizer isso.
- Hah hah, não.
- Eh, faça-o um de nós.
- Então acho que posso...
- Ele tem o direito a escolha, ele jamais será como nós, se não vier por vontade própria.
- Você esta me desafiando Sally, esqueceu quem foi que te salvou quando sua amiga humana tentou mata-la para ficar com seu noivo e assim que você desapareceu, ele casou-se com ela.
- Não eu não me esqueci.
- Ótimo nunca se esqueça por que posso me esquecer que um dia lhe estendi a mão, e você não vai gostar nem um pouco minha cara.
- Desculpe-me não foi minha intenção Relena.
- Assim está melhor, quero que você o segure para mim.
- Bem acho que tirei a sorte grande hoje.
Relena caminhou até ele, enquanto a jovem que tentara ajuda-lo o segurava por traz, ele tentou se soltar, apesar dela ter uma aparência frágil suas mãos eram fortes como garras presas em seus braços, ele viu quando ela se curvou sobre ele, e os olhos dela ficaram vermelhos como o sangue e presas afiadas cresciam em sua boca, ele pode ouvir a jovem que o segurava sussurrar em seu ouvido.
- Eu sinto muito, logo ira acabar, nunca se esqueça do que você foi, isso e a única coisa que o manterá lúcido neste novo mundo.
Heero pode sentir quando ela o mordeu, as presas dela entrando em sua carne, ouviu um grito de dor e frustração e algo quente escorrendo em seu rosto, descobriu que fora ele a gritar enquanto os outros três que mataram seu amigo riam, o que escorriam por sua face eram suas lagrimas, as únicas que ele derramará na vida, ele sentia sua vida sendo sugada junto com todo o seu sangue, ele sentia que seu corpo estava morrendo, ele fechou seus olhos e pediu em sua mente que Deus tivesse piedade de sua alma, sentiu algo morno ser colocado em seus lábios não sabia o que era, mas sua mente ordenava que bebesse, ele tomou o que lhe era oferecido em seus lábios e sugou com uma fome que jamais pensou que existisse. Ele pode sentir que a jovem soltará seus braços.
"Abri meus olhos e encontrei os dela, notei que era o sangue dela que sugava através de uma abertura em seu pulso, a descrença daquele ato passou pelos meus olhos e sei que ela notou, ela me afastou e no mesmo instante uma dor alucinante passou por todo o meu corpo. Era como se estivesse sendo queimando por dentro, tendo minhas entranhas rasgadas e minha alma arrancada do corpo, a dor durou apenas alguns instantes, mas me pareceram horas tamanho o tormento. Ainda me lembro da dor, posso senti-la cada vez que fecho meus olhos.
Quando a dor passou e abri os meus olhos o mundo que conhecia parecia ter mudado, podia ouvir tudo com uma clareza impressionante, as estrelas tinham um novo brilho, e a escuridão parecia ainda mais clara que o dia. O sol logo nasceria e tínhamos que nos esconder antes que ele surgisse, sentia que ela me puxava pelo braço, nos refugiamos nas tumbas do cemitério, era fundo e escuro e ninguém nos encontraria lá, ela me disse que quando a noite chegasse novamente procuraríamos acomodações adequadas e dignas de nossa espécie.
Acordei na noite seguinte com sede, sede e fome, fome por sangue, olhei a minha volta todos ainda pareciam dormir, eu me encontrava deitado com ela, sai de onde estava, a fome turvando a minha razão caminhei pela noite, não tinha a menor consciência de minha aparência mais sei que deveria estar péssimo, com minhas vestimentas rasgadas e sujas de sangue por que as pessoas na rua me olhavam com medo, é pela primeira vez sentir o cheiro do medo, um cheiro adocicado e estimulante, podia ouvir a batida de seus corações e o sangue deles fluindo em suas veias, corri para um beco para me esconder encontrei com uma jovem, ela me viu e percebi o cheiro e o medo em seus olhos, ela correu, mas não havia para onde ela ir, eu sentia fome e a ataquei, minha primeira vitima, o primeiro inocente que tirei a vida, seu sangue banhou os meus lábios, ouvir ela pedir por favor, mas meus ouvidos estavam surdos as suas suplicas, me alimentei de seu sangue mais ainda sentia fome, não me lembro quantas vidas tirei aquela noite, mais nenhuma delas foi capaz de aplacar a fome que sentia, parecia que quanto mais me alimentava, mas fome sentia. Quando dei por mim estava na fazenda onde eu nasci, eu o vi sentado junto a uma fogueira, parecia que estava chorando, você me ensinou desde pequeno que nunca deveria demonstrar minhas emoções, que não deveria chorar, o choro e para os fracos, o que diria se soubesse que chorei ontem quando minha vida estava sendo tirada de mim, fiquei olhando tentando esquecer que ainda a sentia, e que na minha frente havia mais um pouco de sangue que talvez diminuísse essa vontade, estava decidido a me alimentar de você. Em instante estava a sua frente minha mão segurando seu pescoço, quanto o ouvi tentar me dizer alguma coisa. Olhei para você, e alguém tocou meu braço me fazendo afrouxar a mão em seu pescoço, vi Sally atrás de mim e ouvi o que a voz do homem que segurava me dizia".
- Heero, você é um deles agora não é.
Sally havia acordado no mesmo instante que Heero, e resolvera segui-lo, ela presenciou a morte de cada um dos humanos que ele encontrou, ela viu a ferocidade com que ele os matava, ela sabia que poderia ser perigoso para ele andar sozinho, mas depois do que viu temeu pelas vidas daqueles que atravessassem seu caminho, ela estava decidida a voltar para junto dos outros, quando o viu observando aquele homem, nenhuma das outras vitimas foi observada apenas atacada, ela sabia que eles se conheciam, o homem havia pronunciado o nome dele.
- Heero é seu nome não é?
- O que este homem é seu Heero?
- Eu sou o pai dele.
- Você sabe o que somos não é? Sabe que seu filho está morto.
- Quando não encontraram o corpo dele eu soube que vocês o haviam levado.
- Heero? Deixe-o ou você passara a sua existência inteira se culpando por isso, lembra o que eu te disse ontem, nunca se esqueça do que você foi isso e a única coisa que o manterá lúcido neste novo mundo.
Heero soltou o pescoço de seu pai, o homem ficou olhando para ele, a tristeza banhando seus olhos.
- Foi ele quem escolheu ser um de vocês.
- Não ele preferiu a morte.
- Então como...
- Ele chamou a atenção de uma outra pessoa.
- Foi você que....
- Não.. por mim eu o teria matado como foi seu desejo, nunca mas tente vê-lo, ele esta morto para o Sr, ele jamais voltara a ser o que era antes, da próxima vez ele pode realmente mata-lo.
- Obrigado por salvar minha vida.
- Não me agradeça, o que fiz não foi por você, mas por ele, ainda tenho esperanças de algum dia... Ela esta vindo, Heero vamos, Sr vá para dentro de sua casa e não saia, ou ela fará com ele o mate.
"Sally me impediu de feri-lo aquele dia, nunca soube por que ela fez isso, ao contrario de Relena que teria me feito mata-lo. Tudo que Relena me ensinou, foi mate sem compaixão, até que não sinta mais fome, e foi o que fiz, o numero de minhas vitimas crescia a cada noite, a cada ano que passava minha fome aumentava, era temido por humanos e vampiros, os únicos que não tinham medo de se aproximar de mim eram Relena que conseguia ser ainda mais temida que eu e Sally, naquela época não entendia como Sally conseguia se manter daquela forma, ela matava como nós para se alimentar, mas diferente de nós ela sentia tristeza cada vez que tirava uma vida, mesmo faminta ela evitava tirar a vida de crianças, apenas o sangue de adultos homens ou mulheres faziam parte de sua refeição.
Hoje eu entendo o que ela sentia, a tristeza de cada uma de suas vitimas, o futuro que elas nunca teriam, os sonhos que jamais se tornariam reais. Gostaria que tivesse sido ela a me tirar da loucura em que Relena me jogou. Mas quis o destino que ela apenas tivesse mantido aberto a passagem, por onde eu encontraria a razão, mesmo depois de 10 anos ela nunca deixou de me dizer àquelas palavras, ainda posso escuta-la me dizendo".
- Nunca se esqueça do que você foi isso e a única coisa que o manterá lúcido neste novo mundo.
"França 1710, 10 anos haviam se passado e começava a me sentir sufocado, ela não me deixa em paz um minuto, sempre dizendo que me amava, que éramos perfeitos juntos, mais eu não sentia nada por ela, tínhamos nossos momentos de prazer, mas mesmo quando tocava seu corpo e a possuía ainda sentia que estava faltando alguma coisa, não posso negar que não sentia prazer em seus braços, ela era envolvente e sabia como dar prazer a um homem, mas eu me sentia incompleto ao seu lado. Uma noite em que caminhava pelas ruas, encontrei com outro vampiro, ele era de um clã que eu não conhecia, Relena me contara sobre os outros clãs, mas não me lembrava dela ter falado sobre o clã do vampiro a minha frente, foi engraçado por que a maioria dos vampiros que encontrava evitavam falar comigo por causa dela, e também eu não costumava ser muito sociável e no entanto ele me sorriu".
- Boa noite irmão, a que clã você pertence.
- Por que pergunta.
- Curiosidade talvez.
"O que eu deveria dizer que fazia parte do clã da Relena os Peacecraft, não me considerava parte do clã, a verdade é que nem sabia porque andava com ela, eu poderia muito bem viver sozinho, afinal eu já estava sozinho, apenas não admitia isso".
- Você anda com ela não é.
- Ela?
- Sim ela, que acha que é a soberana de todos os vampiros, uma péssima aquisição eu diria, ela é insuportável.
- Hn, concordo.
- Então você pertence ao clã dela, não que exista realmente o clã dos Peacecraft, muitos não a reconhecem, mas cada vampiro com sua mania.
- Em ando com eles, mas...
- Mas não se considera um deles estou certo.
- Como...
- Digamos que eu consigo ler nas entrelinhas, e você consegue ser mais claro que o dia, eu me chamo Treize Khushrenada do Ichizoku dos Khushrenada e é um prazer conhece-lo Heero Yuy, você deve estar se perguntando como eu sei o seu nome, meu caro eu sei muito mas sobre você do que você mesmo, porque não me acompanha em um aperitivo.
- Porque não.
"Treize Khushrenada o shuhan[5] do Ichizoku dos Khushrenada, o dono deste castelo, foi ele quem me deu Hikari, me ensinou tudo que sei, e me aceitou em seu clã como um filho, a partir deste encontro eu realmente tomei conhecimento do que era ser um vampiro, não a visão que Relena tinha, mais a visão que Sally tentou me mostrar, não preciso dizer que Relena não gostou nem um pouco de saber que eu tinha deixado o clã dela, afinal eu não retornei aquela noite, passei 12 anos em companhia de Treize, ele foi como um pai, ajudou-me a controlar minha raiva, minha fome e a desenvolver minhas habilidades, continuava tão anti-social quando antes, afinal nem tudo pode ser mudado".
- Kimitsu, Boa noite.
- Boa noite Sr Barton, Sta Bloom.
- Heero já levantou.
- Na verdade Sr Barton não creio que ele tenha dormido.
- Não!
- Ele levantou alguns minutos depois que os Srs se recolheram, ficou algumas horas na sala de leitura, voltou para o quarto e esta trancado lá dentro até agora.
- Trowa será que aconteceu alguma coisa, ele ficou estranho depois que vocês conversaram ontem.
- E eu sei.
- Quer que eu veja se o Sr Yuy está acordado.
- Não é necessário Kimitsu eu mesmo vou verificar.
- Bam, bam, Heero!.
- Heero você está acordado.
5 minutos depois
- E então Trowa?
- Nada bati na porta varias vezes e ninguém respondeu, a porta do quarto está trancada, mas não consigo sentir sua presença dentro do quarto, Kimitsu ele disse alguma coisa.
- Não Sr apenas disse que o sono parecia ter-lhe abandonado, e perguntou como estava o dia lá fora, ele me parecia muito pensativo.
- Sr Barton.
- Sim Kimitsu.
- E que não sei se deveria dizer mais ele não tem se alimentado corretamente nos últimos dias.
- Mas ele sempre faz as refeições conosco.
- Kimitsu tem razão Cathrine, Heero não tem consumido a mesma quantidade de sangue que nós.
- Eu não entendo por que ele faria isso.
- Eu não sei Cathrine, eu não sei. Sabe como ele é não vai dizer nada que não seja necessário, ele é assim desde que o conheço.
- Você nunca me disse como você e Heero se conheceram.
- Não tenho muito o que contar Cathrine, era noite é ele me deu uma escolha.
- E foi somente isso.
- Huh, huh é foi.
- Por que será que eu não acredito.
- Não acredita em que Cathrine.
- Heero!
- O que aconteceu, eu sou um vampiro e não um fantasma, por que o espanto.
- Kimitsu nos informou que você não havia dormido, bati na porta do seu quarto e ninguém respondeu e não pude sentir sua presença dentro do quarto.
- Entendo... mas o que você não acredita Cathrine.
- Hã... e que perguntei ao Trowa como vocês se conheceram e ele me disse que não tinha muito a contar somente que era noite é você lhe deu uma escolha.
- Foi assim Trowa, pelo que me lembro a historia era um pouco mais comprida.
- É talvez fosse.
- Você era detetive, e estava investigando o desaparecimento de algumas jovens na época não era isso.
- É.
- Que dizer que você era detetive Trowa, por que nunca me disse, e como você foi abraçado.
- É Trowa conta para gente como foi. Kimitsu!
- Sim Sr Yuy.
- Estou com fome agora.
- A comida será providenciada Sr.
- Obrigada.
- Por que você mesmo não conta Heero, você estava lá.
- Mas a Cathrine não perguntou para mim, não é Cathrine.
- É.
- Ela aprende rápido.
"Trowa não gosta de falar sobre isso, acho que poucos de nós gostam, Cathrine pertence ao grupo que não se importa em falar, conheci Trowa por acaso, quando estive na América do Sul no ano de 1722, Treize havia me pedido que encontrasse uma pessoa, um humano para ser mais exato, na época Treize estava procurando Hikari e Yami, e a pessoa em questão teria informações sobre elas. E foi procurando essa pessoa que encontrei Trowa, precisamente na guiana francesa, na época Trowa trabalhava como investigador, e havia sido contratado para verificar o desaparecimento de jovens com idade entre 15 e 20 anos".
"Como poderia esquecer o dia em que conheci Heero, se ele não tivesse me ajudado aquele dia provavelmente eu estaria morto e o numero de inocentes mortos teria continuado a crescer. Eu já tinha uma pista do paradeiro das jovens que tinham desaparecido, dez garotas, quatro na semana passada e seis esta semana, os corpos de nove delas já haviam sido encontrados, totalmente sem sangue, alguns dos corpos tinham partes faltando como se tivessem sido arrancadas com presas, braços, olhos, pernas, mas que tipo de animal ou coisa varia isso, boatos sobre mortos que caminham se alimentando de carne e sangue humano eram ouvidos, mas eu achava que eram apenas historias para assustar crianças, ledo engano, um mês havia se passado desde o desaparecimento da ultima jovem e eu ainda tinham esperanças de encontra-la com vida, o problema agora e que não são apenas moças a desaparecer, rapazes com a mesma idade também estavam desaparecendo, o numero de desaparecidos estavam aumentando, a policia não sabia mais o que fazer, e nem tinha pistas a seguir, as pessoas evitavam caminhar nas ruas a noite, o medo era sentido em toda a parte.
Havia descoberto, que algumas pessoas haviam sido vistas, perto do moinho abandonado e que duas delas se pareciam com as jovens desaparecidas, resolvi investigar, o local era perfeito, próximo a cidade, livre acesso, e grande o suficiente para se esconder, alguma coisa me dizia que as pessoas desaparecidas deveriam estar lá, mas eu também sabia que não deveria entrar lá sozinho, mas aquele dia eu resolvi não obedecer a minha intuição e isso custou minha alma".
Trowa observou o local, um prédio todo construído em madeira, há alguns anos atrás um grande moinho funcionava ali, agora o prédio estava abandonado e caindo. Trowa caminhou ate uma parte onde a parede havia tombado, ele notou pegadas no chão próximo a parede tombada, o que ele não notou é que também era observado por vários pares de olhos avermelhados, esperando apenas o momento certo para ataca-lo.
Heero estava caminhado de volta a casa em que estava hospedado, era a casa de um humano que era fiel ao Ichizoku dos Khushrenada, os Khushrenada eram conhecidos por terem humanos trabalhando para eles, crianças sem família, eram criadas desde pequenos para servi-los, não como alimento, mas como serviçais, cuidando da casa, roupa, conseguindo alimento, ou fornecendo abrigo, era na casa de um desses humanos que Heero se dirigia agora, quando essas pessoas se casavam e tinham filhos eles também eram criados como seus pais para servir e serem fieis ao Ichizoku, em troca disso eles eram protegidos contra outros vampiros segundo as regras do Ichizoku, ele podia sentir a presença de outros vampiros na cidade, o dono da casa havia lhe informado sobre os desaparecimentos na cidade, Heero sabia o que estava acontecendo, mas ele não podia interferir, cada um dos clãs possuía suas próprias leis e um clã jamais deve interferir nos assuntos de um outro clã, a menos que o assunto seja pessoal, Heero viu um jovem rapaz observando o velho moinho, ele sabia que o jovem era observado pelos vampiros dentro do moinho eles estavam esperando apenas que ele entrasse, Heero sabia que o rapaz não teria a menor chance ele seria morto antes que soubesse o que o atacou, Heero ficou tentado a impedi-lo mas sabia que não deveria faze-lo, já tinha problemas demais, como por exemplo informar a Treize que o humano não sabia onde Yami se encontrava, ao que parecia a outra metade havia sido roubada e desapareceu, portanto Heero tinha a localização apenas de Hikari.
Heero continuou caminhando quando avistou Jean o dono da casa onde estava hospedado, ele vinha correndo em sua direção, e Heero soube que alguma coisa havia acontecido.
- Jean o que aconteceu.
- Sr Yuy, minha filha ela desapareceu, eu pedi a ela que fosse comprar um pouco de arroz, e me disseram que ela foi levada por um homem.
- Tudo bem sabe quem era esse homem.
- Não, mas pela descrição ele parece ser um vampiro, falaram que ele foi em direção ao moinho.
- Sabe há quanto tempo foi isso
- Pelo menos uns 10 minutos.
"Droga tudo isso, apenas um milagre vai garantir que ela ainda esteja viva, parece que aquele jovem terá ajuda afinal, se não for tão tarde".
- Volte para sua casa e fique com sua esposa trarei sua filha de volta.
- Obrigada Sr Yuy.
Heero correu de volta ao moinho, esperando que não fosse tarde de mais para salvar a garota, ele viu o jovem próximo a parede tombada do moinho, ele parecia observar alguma coisa no chão, Heero viu o momento exato em que o rapaz foi puxado para dentro, ele sentiu o cheiro de sangue e soube que o rapaz havia sido pego, ele somente esperava que não fosse tarde demais para salvar sua vida.
"Estava observando o chão da entrada, quando alguma coisa me agarrou e me puxou para dentro, não sabia o que era apenas sabia que era algo forte e não era apenas um, senti que algo perfurava minha pele, nos dois lados do pescoço e no meu pulso esquerdo, senti meu sangue escorrer por alguns instantes e depois ele sendo sugado pelas criaturas que haviam me atacado. Abri meus olhos e deparei-me com olhos avermelhados, não sabia o que eram, mas sabia que minha morte era certa, sentia que em pouco tempo meu coração iria parar de bater, estava começando a me sentir fraco, quando senti que um deles havia sido retirado do meu pescoço, logo depois o outro e o que se encontrava em meu pulso, ouvi alguém gritar algo, senti que era carregado, abri mesmo olhos e encontrei olhos de um azul profundo, a pessoa falava comigo, mas me sentia fraco demais para responder".
"Quando entrei no moinho a cena que tive não era das melhores, o rapaz se encontrava no chão, havia sido atacado por três deles, peguei o que estava no lado direito do seu pescoço, cortei-lhe a cabeça com a Wakizashi[6] que tinha acabado de comprar do informante, tinha adquirido um certo interesse por espadas convivendo com Treize, esta espada em particular era perfeita para combates em lugares fechados, fui em direção ao outro, e o matei da mesma forma agarrei o outro por trás do pescoço não podia mata-lo ainda tinha de saber onde a garota estava."
- Onde esta a garota que vocês pegaram a pouco.
- Quem é você?
- Diga-me onde ela está agora, e você terá uma morte rápida.
- Por que a humana é importante você matou dois de meus irmãos, para salvar um humano e uma garota, pelas leis, você não deve interferir nos assuntos do meu clã e aaaahhhhhh.
- Eu sou Heero do Ichizoku dos Khushrenada, e a garota que vocês pegaram e protegida pelo meu clã, e pelas leis vocês atacaram o meu clã.
- Ichizoku dos Khushrenada, não sabíamos perdoe-nos por favor, a garota esta lá dentro.
- Se ela estiver ferida, todos do seu clã irão pagar pelo seu erro, quantos de vocês ainda se escondem aqui dentro.
- Apenas nós meu senhor...aaahhhhhhhhaaaahhhhhh.
- Eu quero a verdade.
- Três.
- Era o que eu queria saber.
Heero cortou a cabeça dele, ele não poderia deixa-lo vivo, e nem tinha vontade de faze-lo. Heero olhou para o jovem rapaz e ponderou se devia deixa-lo ali ou leva-lo com ele, ele ainda estava vivo era verdade, mas talvez não sobrevivesse, perderá muito sangue, se deixasse o rapaz, outro vampiro poderia apareceu e mata-lo e como já impedirá que os outros três terminassem o que começaram achou que deveria leva-lo consigo. Heero tomou o rapaz em seus braços, ele sabia que deveria cuidar dos ferimentos dele, mas não podia perder tempo, a vida da garota dependia disso, ele olhou para o rapaz e viu que ele abrirá os olhos, Heero notou que eles eram verdes, mas estavam quase sem vida.
- Você está bem?
- ...
- Não se preocupe, tudo ficará bem, eu tenho que buscar uma pessoa, mas não posso deixa-lo sozinho aqui, por isso você vem comigo por enquanto depois cuidaremos de seus ferimentos.
Heero sentiu o rapaz balançar a cabeça concordando e voltar a fechar os olhos, ele esperava que o rapaz pudesse resistir e que pudesse encontrar Fran a tempo. Heero observou todo o local sentia as presenças um pouco abaixo de seus pés isso significava que eles deviam estar, em alguma câmara abaixo, ele avistou uma escada e correu até lá, ele sentia uma presença humana muito fraca, ele sabia que os outros vampiros deveriam saber sobre a sua presença e que os outros três estavam mortos, ele não tinha muito tempo para arquitetar um plano, mas ele sabia que isso não seria um problema. Ele chegou ao andar inferior, podia sentir o cheiro de carne em putrefação, seria um cheiro nauseante se não estivesse acostumado, ele observou o local e avistou quem queria, Fran estava deitada, sobre um tipo de bancada, ele sentia a presença dos outros três no local, a pesar de escuro ele sabia onde estavam, ele colocou o jovem encostado em um canto, seus olhos se tornaram avermelhados e suas presas cresceram, com sua wakizashi em punho foi em direção ao primeiro que estava a sua esquerda, com extrema velocidade aproximou-se de seu adversário, o vampiro tentou reagir, mas Heero foi mais rápido e se esquivou, dando a volta e ficando por trás de seu adversário, Heero enfiou a espada em suas costas o fazendo curva-se retirou a espada e girando o seu pulso cortou a cabeça de seu inimigo. Os outros dois partiram para cima dele, mas Heero era muito mais forte e inteligente que eles, ele segurou com sua mão esquerda o braço do que estava na frente torcendo-o para trás quebrando-o, impelindo um pouco de forca ao girar seu pulso direto fez com que sua espada ganhasse mais velocidade e corta-se a cabeça. Restava apenas mais um, o vampiro parou e olhou para ele, Heero podia sentir toda a raiva e impotência do outro vampiro, Heero apenas o olhou e gesticulou para ele com a espada com se dizendo que viesse, o vampiro partiu para cima dele, Heero flexionou ligeiramente as pernas, impulsionando seu corpo para cima, fazendo com que seu corpo saltasse por cima de seu adversário, fazendo o vampiro passar por ele, quando Heero alcançou o chão, girou seu corpo mirando sua espada na direção da cabeça do vampiro, fazendo-a cair e rolar até seus pés. Heero foi até Fran, e começou a sacudi-la.
- Fran, Fran.
- Huh... Sr Yuy.
- Tudo bem Fran, pode andar, eles a morderam.
- Não estou bem, eu desmaiei.
- Vamos então, temos que sair daqui e ajudar o outro humano.
Heero foi até o jovem, ele estava frio, mas seu coração ainda batia. Heero o pegou novamente nos braços e foram subindo as escadas para sair do moinho. Fran observava o humano nos braços de Heero, deveriam ter quase a mesma idade, o rapaz parecia que estava quase morto, ela não entendia o porque de Heero tê-lo ajudado, sua mãe havia lhe dito que vampiros não ajudam humanos, humanos são alimento, apenas os que trabalham para o clã, são ajudados por ele. Eles caminharam até a casa de Jean, ignorando os olhares das pessoas por quem passavam.
- Fran minha filha.
- Papai! Mamãe!
- Sr Yuy muito obrigado por resgatar nossa filha.
- Hn, preciso que me ajudem com ele.
- Quem é ele Sr Yuy.
- Não sei, ele estava lá quando cheguei, não se preocupe ele não é um de nós. Ele ainda é humano, mas não sei se passará desta noite. Preciso terminar umas coisas no moinho. Cuidem dos ferimentos dele e me avise quando ele acordar.
- Sim Sr Yuy, será feito.
Heero voltou ao velho moinho, juntou os corpos dos vampiros e fez uma grande fogueira com eles, ele viu o fogo queimar os corpos, até não sobrar nada deles, viu o fogo subir pelas paredes se alastrando pelo chão, em poucos minutos o moinho inteiro ardia nas chamas e nenhum traço de que vampiros estiveram ali restará, apenas os corpos dos humanos desaparecidos.
"O fogo fará o resto, melhor voltar o humano já deve ter acordado".
"Fraqueza, escuridão,eu estou morrendo, sei disso e nem pude agradecer ao rapaz que tentou me salvar".
Trowa abriu os olhos e viu o rosto de uma jovem que não conhecia e ela lhe sorriu.
- Onde estou.
- Em minha casa o Sr Yuy o trouxe para cá, como se sente.
- Fraco, eu estou morrendo não é.
- Infelizmente sim, aguarde um instante que eu vou chamar o Sr Yuy.
- Ele é o homem que me salvou.
- Sim.
- Sr Yuy o jovem abriu os olhos.
- Obrigada Fran.
- O que pretende fazer Sr Yuy.
- Não sei Jean, vai depender dele.
Heero caminhou em direção ao quarto onde o jovem rapaz se encontrava, ele sabia que o rapaz tinha poucos instantes de vida, na verdade ele já deveria estar morto, devido a quantidade de sangue que ele perderá, tudo que Heero sabia é que o rapaz era um lutador, e ele merecia uma chance, mesmo que ela significasse a perda de sua alma humana.
"Estava deitado aguardando a chegada da pessoa que me resgatou, tudo que lembrava dela eram os olhos de um azul profundo e a sua voz fria. Vi a porta abrir e olhei em sua direção, um rapaz de estatura mediana, aparentando ser um pouco mais novo que eu entrou, e ficou me observando, ele tinha traços orientais, a pele um tanto pálida como se não pegasse sol a muito tempo, cabelos escuros meio desgrenhados, e olhos azuis... azuis mas não era possível que aquele jovem o houvesse salvo, o tivesse carregado".
"Podia ver a incredulidade no que achava ser um dos olhos dele, como alguém consegue ver alguma coisa, com aquela franja na frente, parecia que o rapaz tinha dificuldades para admitir que eu o havia ajudado, afinal ele é um pouco mais alto que eu, mas não tinha como ele saber que um vampiro e muito mais forte que um humano, pelo menos não ainda".
- Foi você quem me ajudou.
- Foi.
- Obrigado, não sei como poderei compensá-lo.
- Qual o seu nome.
- Trowa, Trowa Barton.
- Trowa, meu nome é Heero Yuy, você tem idéia do que aconteceu com você hoje.
- Não, sei que fui atacado, mas não faço idéia do que tenha sido.
- O que fazia lá.
- Sou investigador, fui contratado para descobrir sobre o desaparecimento das jovens da cidade.
- Já ouviu a expressão, mortos que caminham a noite e se alimentam de sangue.
- Sim, mas são apenas historias.
- Não, não são, tais criaturas existem há muito mais tempo que você possa imaginar, você foi atacado por três delas hoje, na verdade você esta conversando com uma delas agora.
- Como! Você deve ter 18 anos no máximo, e não parece tão diferente de mim, aquelas criaturas tinham olhos avermelhados e presas, você tem olhos azuis e...
- Olhos como estes.
No mesmo instante os olhos de Heero ficaram vermelhos como o sangue e presas cresceram em sua boca, Trowa não teria acreditado se não tivesse vistos com seus próprios olhos, ele não sabia o porque daquela criatura tê-lo ajudado, uma vez que ele era como os outros, mas ele não podia negar que ele o havia salvo e não acreditava que ele o tinha feito para mata-lo ele mesmo.
- Você deve estar se perguntando por que eu o ajudei, mas acredite não era minha intenção, eu o havia visto antes de entrar no moinho eu vi os outros como eu o observando, sabia que o iria te acontecer, e ainda assim eu continuei meu caminho.
- Entendo eu sou apenas mais um não é.
- Seria se Fran, a filha do dono desta casa não houvesse sido levada por eles.
- O que você quer de mim Heero.
- Sabe que esta morrendo não é.
- Sei.
- Eu posso salvar você o tornando imortal, mas não posso devolver a vida que você tinha.
- Como faria isso.
- Eu lhe daria um pouco de meu próprio sangue, assim você se tornaria um vampiro como eu, em compensação perderá sua alma humana.
- Seria como vocês e os outros, me alimentando de sangue humano.
- Sim e não, se alimentara de sangue, mas não precisa ser necessariamente sangue humano, apesar dele ser muito saboroso. Não vou mentir dizendo que será fácil Trowa, não será, você nunca mais poderá ver a luz do sol, vivera décadas, séculos e sempre na mesma escuridão, verá todos que conhece, todos que ama morrerem enquanto você continuará vivendo apesar de morto, aprenderá a viver em um mundo que teme a sua presença e conhecerá um outro que você nunca desejou conhecer. Você me perguntou se será como os outros três que o atacaram, eu lhe digo que o será apenas se você desejar, a fome de sangue que todos nós sentimos pode ser controlada se você quiser, não é fácil, a muito tempo quando fui abraçado uma mulher me disse para que eu nunca esquecesse quem era por que isso seria a única coisa que me manteria lúcido, eu digo o mesmo a você, por muito tempo eu me esqueci disso, apesar dela me dizer as mesmas palavras por dez anos, mas foram essas poucas palavras que me fizeram conservar o que eu ainda tinha de humano, e se você aceitar ser como eu, vou ensina-lo tudo o que aprendi.
- Meu pai me ensinou que quando alguém salva sua vida, você esta em divida com esta pessoa, eu tenho uma divida com você Heero e devo paga-la e se a única forma de faze-lo e entregando minha alma e vivendo meus dias na escuridão, eu aceito a sua proposta.
- Hn, que seja, temos que fazer alguns arranjos então.
Heero foi falar com Jean, o sol sairia em poucas horas e eles tinham pouco tempo, logo Trowa seria como Heero uma criatura das sombras. Heero pedira a Jean que arrumasse correntes para prender Trowa, Heero não queria arriscar ferir a família que morava na casa, ele se lembrava o que tinha acontecido na noite seguinte em que fora abraçado as pessoas que matou, e seu pai que se não fosse pela intervenção de Sally teria matado, não pretendia correr o mesmo risco com Trowa, em baixo da casa havia sido construído uma sala grande onde haviam vários caixões, Heero escolherá um deles para colocar Trowa. Voltou ao quarto e pegou Trowa nos braços retornando ao cômodo embaixo da casa, colocou-o no caixão e retornou a porta trancando-a.
- Isso é um caixão não é.
- Não se preocupe você se acostuma com o tempo, mas você não é obrigado a passar sua imortalidade em um caixão, também dormimos em camas.
- Como vai ser.
- Não se preocupe levará apenas alguns instantes, devo avisa-lo que será doloroso, morrer nunca foi muito agradável, vou ter que apressa-lo a morrer, retirando o que resta do seu sangue humano, para depois dar-lhe um pouco do meu, tem certeza que quer continuar Trowa, uma vez abraçado nunca mais será como antes.
- Tenho faça.
- Está bem então.
Heero permitiu que suas presas crescessem e seus olhos se tornassem vermelhos como o sangue, ele podia ouvir o coração de Trowa bater mais forte, ele cravou suas presas em seu pescoço e bebeu o que restava de seu sangue humano, sentiu o corpo dele morrendo, tirou um pequeno punhal do bolso e cortou seu pulso direito colocando-o nos lábios de Trowa permitindo que ele tomasse seu sangue. Trowa bebeu o sangue de Heero, Trowa sentiu como se milhares de agulhas em brasas atravessassem sua pele, realmente não era uma dor nada agradável, no instante seguinte tudo havia mudado, o ar a sua volta, abriu seus olhos e encontrou os de Heero, viu ele balançar a cabeça em sinal de tudo acabara.
- Terminou Trowa, agora você e como eu e como os outros uma criatura da noite, descanse agora o sol já deve estar nascendo, logo a fome se fará presente, vou ajuda-lo a suporta-la, não saia deste caixão até que o sol tenha se posto, e não toque nos humanos acima de nós ou eu mesmo o matarei, por segurança vou lacrar seu caixão, nos veremos logo mais a noite e lhe direi tudo que deve saber sobre sua nova vida.
- Está bem.
"A noite seguinte foi esclarecedora, tive a visão de um mundo totalmente diferente do que eu conhecia, podia perceber o medo nos olhos das pessoas era como se elas soubessem que somos diferentes, tive ímpeto de atacar as pessoas daquela casa, mas lembrei-me do Heero havia me dito, apesar de estar morrendo de fome, consegui ser na opinião de Heero civilizado em não atacar a "comida". Deixamos a casa de Jean e sua família e fomos em direção a Europa. Heero disse que eu precisava ser apresentado a minha nova família e ele tinha que prestar contas ao shuhan dos Khushrenada, assim fui apresentado ao Ichizoku dos Khushrenada. Realmente Heero me ensinou tudo que sabia, embora a cada dia eu perceba que ainda tenho muito a aprender com ele, ele me ensinou a controlar minha raiva, suportar minha fome, como conseguir alimento, informações e como utilizar minhas novas habilidades e me manter vivo em um novo mundo".
- Foi assim que conheci Heero e fui aceito pelo clã, Cathrine.
- Nossa quem diria, e você já pagou sua divida com Heero, Trowa.
- Não, ainda não o fiz.
- E nem precisa Trowa, você já me ajudou muito mais do que imagina e continua me ajudando mesmo depois de tanto tempo e aturar a mim e a Cathrine já deve servir como pagamento.
- Você pode ter razão aturar você é Cathrine realmente serve como pagamento de qualquer divida.
- Trowa!
- Que foi Cathrine, foi o Heero quem disse isso eu apenas concordei.
- Tudo bem Cathrine, estamos apenas brincando.
- Hn, vocês dois, não sei por que eu ainda perco o meu tempo com vocês.
- Há, há acho que você a ofendeu Trowa.
- Não fui eu que citei o nome dela.
- É eu sei.
- Depois ela não é de ficar aborrecida por muito tempo.
- É verdade.
Cathrine voltou para seu quarto, batendo a porta com força, eles tinham a péssima mania de tira-la do sério, mesmo convivendo com eles a tanto tempo eles ainda tinham a habilidade de inerva-la, ela sabia que não conseguiria ficar aborrecida com eles por muito tempo, e que eles jamais a ofenderiam de propósito. Era difícil ver Heero ou Trowa sorrindo ou fazendo graça com alguma coisa, já se acostumara a vê-los assim, sempre sérios e compenetrados, quem os visse os acharia os mais anti-sociais e chatos vampiros do mundo, tudo bem eles era realmente anti-sociais, mas dizer que são chatos era algo totalmente diferente, não que fossem grandes piadistas, mas eram seres de grande valor, apesar de vampiros, não imaginara que o encontro dos dois tivesse sido tão surpreendente mais tinha certeza que naquele dia profundos laços de amizade haviam sido criados, mesmo que eles não fossem comunicativos a amizade entre eles era suficiente para que se entendessem sem palavras, e eles eram quase como irmãos e ela ficava feliz de fazer parte dessa família.
"O destino quis que os caminhos de Heero e Trowa se encontrassem com o meu, e por duas vezes quis o destino que eu encontrasse Ebro, na primeira perdi minha alma e na segunda quase perdi minha vida, como se fosse possível uma vez que já não estava morta.
Espanha 1720, havia completado 21 anos a duas semanas, não que houvesse motivos para alegria, minha vida não era nenhum mar de rosas, fui abandonada ao nascer e acolhida por uma família que me encontrou, meus pais adotivos não tinham filhos e eles me criaram como se fosse filha deles, eles serviam ao Ichizoku dos Khushrenada assim fui criada segundo as leis do clã, e protegida por elas. Cresci em meio a vampiros e humanos, achava engraçado caminhar entre eles, uma vez que nós éramos o alimento deles, muitos não me pareciam tão assustadores eram gentis e educados conosco, enquanto outros pareciam nos suportar somente por causa das leis. Lembro-me que a noite esta linda, o céu repleto de estrelas, não havia sinal da lua, o tempo estava agradável, tínhamos hospedes ilustres em nossa casa aquela noite, o shuhan dos Khushrenada. Treize Khushrenada, ele é realmente atraente, educado, jovem, talvez ele seja o vampiro mais velho que temos idéia uma vez que nenhum de nós sabe qual a sua idade, encontrei Treize a primeira vez quando tinha 8 anos, ele sempre achava graça de minha curiosidade, sempre fui curiosa principalmente em relação aos vampiros, nunca desejei ser um deles, amo o sol, o brilho dele no orvalho pela manhã, mas quis o destino que me tornasse um deles.
O nome dele era Ebro, longos cabelos negros e olhos castanhos claros, alto, ombros largos, seria o homem perfeito se não fosse um vampiro, o encontrei quando voltava para casa, Treize havia me pedido para comprar rosas, ele adora rosas, vive dizendo que nas terras dos Khushrenada, há um castelo com um grande roseiral, com rosas de varias cores, mas as vermelhas são suas preferidas. Foi William quem me levou para casa, colocando-me nos braços de Treize ele disse o que havia acontecido, eu estava morrendo e para evitar minha morte Treize me abraçou, salvando minha vida, dando-me seu sangue para que eu não morresse, ele mandou Will e outros vampiros atrás de Ebro, mas misteriosamente ele havia desaparecido"
Cathrine retornava para casa, com um buquê de rosas vermelhas em seu braço esquerdo, estava distraída cheirando as rosas, ela pensava o quanto Treize ficaria feliz com as rosas, elas eram belíssimas, fora difícil encontra-las aquela hora, de um vermelho tão vivo, ela estava próxima a sua casa, quando esbarrou em alguém, levantou seus olhos e eles se encontram com olhos castanhos claros, o rapaz lhe sorriu, tomou sua mão e beijou, ela deixou as rosas caírem no chão, Cathrine sabia que o rapaz a sua frente era um vampiro, sua mente dizia para desviar os seus olhos e se afastar, mas seu corpo e seus olhos pareciam estar presos ao rapaz a sua frente, podia senti-lo acariciar o seu rosto com uma das mãos, instintivamente fechou os seus olhos, sentia sua respiração ficar pesada e um calor se alastrar por todo o seu corpo, abriu os olhos e o viu se inclinar sobre seu rosto tomando os seus lábios nos dele, era a primeira vez que alguém a tocava e a beijava daquela forma, ele a beijava com ardor e luxuria, sussurrando em seu ouvido, como era bela e jovem.
- Você é tão bela, eu a observo desde que cheguei a esta cidade, mas esta sempre acompanhada de outros vampiros que não pude me aproximar de você. Hoje quando a vi sozinha com a florista, vi minha chance de corteja-la, não tenho a intenção de feri-la apenas de torna-la minha para toda a eternidade.
- Eu não...
- Shhhh não diga nada, minha amada eu a farei minha esta noite, eu me chamo Ebro e você.
- Cathrine.
- Minha doce Cathrine.
Ebro tornou a beijar Cathrine, passou um dos braços por sua cintura a puxando de encontro ao seu corpo, sentiu-o beijar seu rosto, seus lábios descendo em direção ao seu pescoço, sentiu quando Ebro a mordeu, suas presas furando sua pele, sentia todo o seu sangue sendo sugado, quando alguém gritou seu nome. Ebro olhou e viu dois vampiros vindo em sua direção sabia que eles a conheciam, já os havia visto com ela uma vez, sabia que não teria como enfrenta-los, mas ele não queria deixa-la, ele havia se encantado com a beleza dela, ele a queria, mas ele não tinha tempo para torna-la dele, sabia que os outros a abraçariam ela não tinha muito tempo, ele bebera praticamente todo o seu sangue, ele teria que deixa-la para que eles não o matassem, pois sabia que eles o fariam, nenhum vampiro que tocasse nos humanos protegidos pelas leis dos Khushrenada sobrevivia, ele voltaria para busca-la não importava o tempo que levasse ela seria dele, depositou o corpo dela no chão e foi embora.
William e Marcus se aproximaram do corpo de Cathrine, ela estava fria, a vida estava se esvaindo de seu corpo, eles precisavam leva-la a Treize. Marcus foi atrás do vampiro que atacará Cathrine, enquanto William a levava de volta para casa, ele se lembrava que tinha se oferecido para acompanha-la e ela havia negado sua companhia dizendo que não era necessário. Quando William chegou com Cathrine, Treize perguntou o que tinha acontecido enquanto a pegava em seus braços, William contou o que aconteceu, Treize lembrou do que Christine o havia contado a alguns dias, que um vampiro estava observando e rondando Cathrine a algum tempo, tinha avisado que ela deveria ser vigiada sempre que saísse por alguém do clã, infelizmente esta noite ela sairá sozinha.
Treize pensava nas possibilidades ou a deixava morrer ou a tornava um deles, ela sempre mostrará interesse pela sua espécie, sabia que ela ficaria triste em não ver mais o sol, e o brilho dele no orvalho pela manhã, mas ele não poderia viver a eternidade sem ver o sorriso dela, ele gostava dela, admirava sua beleza suave, sua curiosidade e impetuosidade, sim ele a amava desde que ela era uma criança, ele nunca desejou torna-la um deles, mas ele não poderia deixa-la morrer, mesmo que ela não o amasse e nem viesse a ama-lo, ele a salvaria e mataria o vampiro que o obrigará a abraça-la.
"Treize me dera seu sangue, para que eu não morresse, e me deu seu amor para que eu vivesse, foi através dele que conheci Heero e Trowa. Treize e eu estávamos em Veneza o ano era 1745, Treize queria comemorar o tempo que estávamos juntos, 25 anos os mais felizes da minha vida, engraçado não me lembro de ter sido tão feliz em minha vida quando era humana, e no entanto não me lembro um dia que tenha sido infeliz como vampiro ao lado de Treize.
Estávamos hospedados em uma casa linda, como muitos quartos, muitos vampiros do clã eram esperados, haveria uma espécie de reunião, Treize não me contou os detalhes, ele dizia que não queria me preocupar com assuntos desagradáveis, que eu saberia de tudo quando fosse o momento certo. Lembro-me que falou o nome de todos os vampiros que estariam presentes, seriam 15 vampiros ao todo, incluindo Heero e Trowa, estava curiosa para conhece-los, uma vez que nunca os tinha vistos, mas Treize vivia dizendo como eles eram, falando sobre suas qualidades, habilidades e como eram importantes para o clã. Como não iria participar da reunião e todos os vampiros queriam falar com o shuhan dos Khushrenada, com exceção de Heero e Trowa que ainda não haviam chegado, resolvi sair para dar uma volta por Veneza".
- Vai sair Cathrine.
- Vou caminhar um pouco, afinal parece que você tem que dar atenção aos outros que querem lhe falar.
- Sinto muito por isso, sei que não estou lhe dando a atenção que deveria.
- Tudo bem, eu entendo que o shuhan dos Khushrenada, tenha suas prioridades e seus deveres.
- Minha responsabilidade e somente para com você, minha adorada, vou pedir para que alguém a acompanhe no passeio.
- Não é necessário Treize, eu posso sair sozinha.
- Não gostou que saia sozinha, ainda me lembro do que aconteceu a ultima vez que saiu sozinha.
- E desde então não passou um dia em que eu não fosse feliz ao seu lado.
- Eu a faço feliz meu amor.
- Como ninguém mais o faria, não se preocupe eu terei cuidado.
- Assim eu espero, quando voltarmos a Paris teremos um tempo somente para nós dois, eu prometo.
- E eu sei
Treize tomou Cathrine em seus braços, tomando os lábios dela nos seus, a cada dia que passava, Cathrine se apaixonava mais e mais por Treize, a forma com que ele a tocava, o carinho e cuidado em cada gesto, em cada palavra quando estavam sozinhos. Cathrine se afastou e acariciou o rosto de Treize.
- Volto logo.
- Tudo bem.
"Estávamos na primavera, a noite estava agradável, não que me importasse com o calor ou frio eu estava morta isso era o que menos importava, a medida em que caminhava pelas ruas podia sentir os olhares dos humanos sobre mim, minha pele pálida, meus cabelos castanhos claros, curtos e ondulados, mas sentia uma outra presença que também me observava, desde a noite que chegamos a Veneza a uma semana, todas as noites em que saíra na companhia de Treize podia sentir essa presença me observando, isso me incomodava, Treize também pareceu notar, pois diversas vezes parava e olhava em volta como se procura-se por algo, quando perguntava o que era ele apenas me sorria, eu sabia que conhecia essa presença, mas não conseguia me lembrar de onde".
- Deve ser impressão minha, melhor eu voltar antes que Treize fique preocupado.
- Cathrine.
- Quem? Você!?
- Fico feliz que não tenha se esquecido de mim.
"Nunca pensei que o encontraria novamente, ainda mas em Veneza, pela primeira vez desde que me tornei vampiro, senti medo, medo que a felicidade que estava sentindo não fosse real, e que Ebro fosse cumprir com a promessa que ele fizera a 25 anos atrás".
- Ebro o que você quer de mim.
- Nada além de você minha doce Cathrine.
- E por que acha que eu iria com você Ebro.
- Porque você me pertence Cathrine, eu a teria tornado minha aquela noite, se aqueles dois vampiros não tivessem aparecido, depois que a deixei um deles me seguiu, mas eu consegui despistá-lo, logo depois outros cinco estavam atrás de mim, por isso deixei a Espanha, mas jamais a esqueci, você nasceu para ser minha.
- Nunca, eu pertenço a Treize e a mais ninguém.
- Não, você é o que é por que eu a fiz assim, eu lhe dei a chance de ser como eu.
- Você me deixou para morrer, se Treize não tivesse me abraçado, eu estaria morta agora.
- Não, eu sabia que ele não a deixaria morrer, mas ele não pode ter o que me pertence, você é minha.
- Afaste-se de mim Ebro.
- Não!
Ebro tomado pelo ódio partiu para cima de Cathrine, ele pensara nela durante esses 25 anos, ele a procurou durante todo este tempo, ele sabia que ela estava em companhia de Treize, ele os vira junto todas as noites, em sua mente tudo em que pensava era que Treize a roubará, Cathrine pertencia a ele, Ebro do clã Peacecraft e não aos Khushrenada e se ela não fosse com ele, ela não voltaria para os Khushrenada.
Cathrine tentava se soltar de Ebro, mas ele agarrara seu braço e a arrastava pelas ruas de Veneza, ela sabia que se não conseguisse se livrar de Ebro, nunca mas veria Treize novamente, aproveitando-se que estavam a algumas ruas da casa onde estava hospedada, ela o atingiu com um pequeno punhal que ganhara de Treize, aproveitando que Ebro a soltou devido a dor, Cathrine correu o mais rápido que podia. Ebro ficou ainda mais furioso, ele não deixaria que ela voltasse para ele, mesmo que tivesse que matá-la.
Ele começou a correr atrás dela, indiferente aos olhares humanos sobre eles, o que eles não notaram e que outras duas pessoas também os observava, e eles não eram humanos, mas vampiros como eles, dois rapazes um com olhos verdes como esmeraldas e o outro com olhos de um azul profundo como cobalto.
- Quem serão eles.
- Não sei Barton, mas não me parece que ela deseje ir com ele, senão me engano eu há vi uma vez com Treize.
- Então ela pertence ao clã.
- Acredito que sim vamos, ela precisara de nossa ajuda.
Cathrine corria por entre as pessoas, ela olhava para trás, mas não conseguia ver seu perseguidor, ela sabia que ele não desistiria facilmente, ela entrou em uma rua, infelizmente a rua não possuía uma saída.
- Droga não acredito que entrei na rua errada.
- Eu disse que não adiantava fugir minha doce Cathrine, não deveria ter feito isso sabia, agora terei que castigá-la.
- Não se aproxime de mim Ebro eu estou te avisando.
- E você fará o que, vai me ferir de novo com um punhal.
Ebro caminhou lentamente em direção a Cathrine, ele sabia que ela não tinha para onde fugir e que não tinha forças para enfrentá-lo, ele poderia matá-la ali mesmo, mas ele ainda a queria e ele a teria mesmo que a força. Quando estava a ponto de tocá-la ouviu uma voz atrás de si.
- Deixe-a em paz.
"Vi Ebro se aproximando sabia que não teria como escapar, foi quando ouvi aquela voz profunda, vi dois jovens, e Ebro caminhando na direção deles, depois vi a cabeça de Ebro rolando no chão, e o jovem de olhos azuis segurando na mão direita uma espada curta, o outro rapaz de olhos verdes, passou por cima do corpo de Ebro e estendeu me sua mão, lembro que a peguei e abracei o rapaz a minha frente começando a chorar, não sabia quem eram e não me importava, apenas me importava que eles haviam me salvo de Ebro. O rapaz me pegou em seus braços e me disse que estava tudo bem. Eles me falaram que eram do clã dos Khushrenada, e que tinham acabado de chegar a Veneza para se encontrarem com Treize, eu não conseguia dizer nenhuma palavra, eu apenas conseguia chorar. Lembro de chegarmos a casa onde estava hospedada, a mulher que nos atendeu, viu meu rosto molhado pelas lágrimas e que estava nos braços do rapaz, ela me reconheceu como a mulher de Treize e mandou chamá-lo, logo estava nos braços de Treize novamente deitada em meu quarto. Ele dissera que os rapazes que me trouxeram eram Heero Yuy e Trowa Barton, os vampiros de sua confiança. Realmente o destino e engraçado se eles não tivessem se atrasado aquela noite, talvez não tivessem me visto, e hoje eu não estaria aqui, como poderia ficar aborrecida com eles por tanto tempo".
Cathrine deu um pequeno sorriso e decidiu sair do quarto, não ia adiantar nada mesmo continuar ali, alem do que eles eram seus guardiões agora, como Treize mesmo dissera, vampiros de sua confiança, os únicos que ele confiará seu bem mais precioso, e eles eram como irmãos que ela nunca tivera. Cathrine desceu as escadas e foi para a sala de leitura onde sabia que os encontraria, eles estavam conversando e assim que a viram pararam de conversar.
- Eu continuo não achando a menor graça de vocês e suas brincadeiras, mas lá em cima estava um tanto quanto chato demais.
- Tudo bem Cathrine peço desculpas, afinal fui eu quem começou, não desejava ofende-la de forma alguma.
- Eu sei Heero e aceito suas desculpas embora eu saiba que vocês farão novamente assim que tiverem uma oportunidade. Mas a imortalidade seria um tanto quanto monótona sem a companhia de vocês, e fico feliz que nossos caminhos tenham se encontrado aquela noite.
- Sentimos o mesmo Cathrine, você é como uma irmã para mim.
- Obrigada Trowa, sinto o mesmo em relação a vocês.
- Como acertamos nossas pendências acho que devemos falar sobre algo importante, agora algo que talvez mude a nossa existência e a de toda a humanidade. Algo que realmente eu espero que não venha acontecer.
Continua...
[1] Atotori = Herdeiro.
[2] Atotori no Ketsueki = Herdeiro de Sangue
[3] Ichizoku = clã
[4] sozoku = Sucessão
[5] shuhan = Chefe
[6] Wakizashi = espada japonesa média de 33 a 53 cm (no caso da de Heero ela tem 34 cm)
