Lábios de Sangue
Capitulo 4 - A Manhã e a Noite do Dia Seguinte
Eram aproximadamente 08:00 hs da manhã o sol já despontava alto nas colinas. Mas Quatre já estava acordado, na verdade ele não pregara o olho a noite inteira, a noite anterior em sua opinião havia sido fantástica, quer dizer fantástica a partir do momento que conheceu o misterioso Trowa.
"Por Alá o que esta acontecendo comigo, ora essa Quatre ele apenas te ajudou só isso, ele teria feito o mesmo por qualquer outra pessoa que estivesse na mesma situação. Mas a forma como ele me consolou, o calor que vi em seus olhos, aquilo foi real não foi. Droga eu me sinto tão perdido, o que vou dizer a Dorothy que não posso aceitar continuar a sair com ela, por que me sinto atraído por outro rapaz, e isso não é eu me sinto atraído por ele, atraído pelos seus olhos verdes, atraído pelos segredos que ele esconde".
Quatre se levantou e caminhou até a janela do quarto, afastando a cortina para que pudesse ver o dia lá fora. Sentou-se na espreguiçadeira próxima a janela, abraçando os joelhos refletindo sobre a conversa que tivera com Duo ontem.
- Muito bem Sr Winner pode começar a me contar tudo o que aconteceu com você e o Sr olhos verdes misteriosos.
- Eu já te disse o que aconteceu lá no Deathscythe.
Duo tinha acabado de tomar banho, seus cabelos ainda estavam molhados a água escorrendo pelo seu corpo, ele vestia um roupão que Quatre havia lhe dado, enquanto aguardava Quatre lhe contar o que estava escrito em seus olhos e eles se recusava a admitir. Quando vira Quatre adentrar o Deathscythe respirou aliviado, Quatre costumava ser pontual em seus compromissos, mas a cada minuto de atrasado Duo ficava mais e mais apreensivo e quando o tempo de atrasado completou três horas, ele sabia que algo tinha acontecido com seu amigo. Vê-lo entrar naquele momento o encheu de um alivio que logo fora substituído por apreensão quando notará que ele estava um pouco abatido e com pequenas escoriações no rosto. Ele não soube como conseguiu cumprimenta-lo e não pular de cima do palco esquecendo a apresentação para verificar quem tinha feito aquilo com ele.
Ficou intrigado também quando notou que Quatre estava acompanhado por um rapaz alto, que tinha suas mãos pousadas protetoramente nos ombros do amigo, o rapaz com uma franja cobrindo um dos olhos estava muito bem vestido, e era muito bonito. As pessoas principalmente as mulheres o observavam com interesse, viu quando Maya correu para a sala do gerente e logo depois o Sr Yuki aparecer, enquanto Maya apontava para o acompanhante misterioso do Quatre.
Ele viu quando o Sr Yuki se aproximou e começou a conversar com o jovem misterioso, a forma como Quatre observava a conversa as expressões de surpresa e tristeza que passavam por seu rosto enquanto os outros dois conversavam, ele viu seu amigo abaixar a cabeça para logo depois vê-la erguida pelo moreno ao mesmo tempo em que ele dizia alguma coisa que levou novamente um sorriso ao seu rosto do jovem árabe.
Duo terminou a canção e informou uma pausa de 30 minutos, assim ele poderia conversar com Quatre, ele desceu do palco e apontou para os fundos do palco de maneira que eles fossem em direção ao camarim onde poderiam conversar melhor, Quatre e Trowa foram à direção informada, assim que o seu amigo e seu acompanhante misterioso chegaram Duo fechou a porta. Ele tocou o rosto de Quatre olhou para suas roupas e perguntou o que tinha acontecido, os olhos de Quatre se encheram de lágrimas e ele abraçou o amigo que começou a chorar. Duo olhou para Trowa perguntando o que havia acontecido, Trowa contou o que tinha acontecido omitindo a parte de ter matado os humanos. Trowa observava o rosto do humano de olhos ametista, ele viu a raiva tornar seus olhos escuros e o sangue fluir mais rápido em suas veias.
- Diga-me como eram os infelizes que eu juro que eles nunca mais vão ousar pensar em fazer alguma coisa contra você novamente.
- Eu estou bem Duo e verdade o Trowa me ajudou, esqueça isso.
- Não! Quem eles pensam que são ninguém fere mesmo amigos e fica assim eu vou até o inferno se necessário, mas esses desgraçados vão pagar por terem feito isso com você, eu e o Wu-Fei dissemos a você Quatre que você não deveria ir sozinho, droga a culpa é toda minha.
Quatre enxugava as lágrimas que ainda teimavam cair em seu rosto, não queria que Duo se sentisse culpado, não gostava de ver seu amigo com raiva, ele podia senti-la, sabia como Duo era, uma pessoa muito bondosa que jamais faria mal a alguém, mas quando alguém mexia com uma pessoa próxima a ele, seu amigo mudava se transformando em outra pessoa, Quatre sabia que Duo seria capaz de matar os dois bandidos que o atacaram e ele não queria que seu amigo sujasse suas mãos com sangue.
- Que isso Duo, por favor, pare.
Duo olhou nos olhos azuis de Quatre ele sabia que seu amigo estava sentindo sua raiva, ele procurou se acalmar, não queria que seu amigo sofresse por causa de seus atos impensados. Ele acariciou os cabelos de Quatre e deu-lhe um beijo na sua cabeça. Trowa não sabia o porque, mas não lhe agradará nada ver o jovem loiro nos braços do outro, os dois pareciam ter uma cumplicidade que ele por algum motivo invejava. Trowa estava tão absorto em seus pensamentos, que não reparou a mão estendida a sua frente até que ouviu seu nome sendo chamado.
- Trowa?
- Hã? O que?
- Você está bem?
- Estou sim Quatre, Hã muito prazer em conhece-lo...?
- Duo Maxwell, mas você pode me chamar de Duo, uma vez que você ajudou o loirinho aqui, ele é como um irmão para mim.
- O meu é Trowa Barton e não precisa me agradecer foi um prazer, quando Quatre me informou que estava vindo se encontrar com um amigo não imaginei que seria o vocalista da banda, você canta muito bem.
- Obrigado Trowa. Bem eu tenho que voltar para o palco senão o gerente me mata, fique até o clube fechar Trowa aí a gente pode conversar melhor, né Quatre.
- É seria legal, podemos ir para minha casa.
- A que horas o clube costuma fechar.
- Por volta das 05:00 hs às vezes, tem dia que fecha as 06:00 hs, agora são 02:45 hs.
- Sinto muito não poderei ficar até o final, infelizmente eu tenho que resolver algumas coisas que ficaram pendentes antes do sol nascer.
- E verdade Trowa eu já te incomodei demais hoje.
- Hei! O que foi que eu disse não foi incomodo algum, façamos o seguinte eu fico até as 04:00 hs e depois eu vou embora ok.
- Por mim ta legal né Quatre.
- Tudo bem.
- Bam
- Sr Maxwell, posso saber o que o senhor esta fazendo aqui que não esta no palco.
- Eu já estava...
- Ele estava falando comigo Sr Yuki algum problema em relação a isso.
- Sr Barton, me desculpe eu não havia visto o Sr. eu... Não...
- Não precisa ficar nervoso Sr Yuki o Sr Maxwell já estava indo.
- Claro como quiser Sr Barton eu...
- Sei que não pretendia me incomodar, mas você já o fez lembre-se de não fazer o mesmo com o Sr Yuy ele não costuma ser tão... Paciente quanto eu.
- Lembrarei-me disso Sr Barton.
- Vamos então Duo, Quatre.
Trowa na verdade acabara ficando até as 04:30 hs, acenando para Duo e deixando o loirinho triste pela sua saída. Duo ficara impressionado com a forma que Trowa tratada o Sr Yuki e a maneira como o mesmo reagiu, ele esperava levar uma bronca enorme quando o Sr Yuki veio procura-lo afinal a pausa de 30 minutos acabou se tornando uma pausa de uma hora, no entanto o Sr Yuki não comentou nada apenas pediu que isso não se repetisse.
"O que eu poderia ter dito ao Duo nem eu mesmo sei direito quem ele é, porque... porque eu fico pensando nele o que há por detrás de seus olhos que me atrai tanto, melhor eu me arrumar logo o Sr Kirehashi vai mandar alguém entrar as peças e o presente do Duo, acho que vou tocar um pouco no jardim talvez isso me ajude a entender o que estou sentindo".
Quatre se afastou da janela, trocou de roupa, pegou seu violino e saiu do quarto deixando Duo dormindo, eles passaram a madrugada inteira conversando, com Duo tentando descobrir alguma coisa a mais sobre Trowa, e a única coisa que Duo descobriu e que Trowa era um dos sócios do clube e que Quatre parecia um tanto quanto impressionado pelo moreno alto de olhos verdes.
- Bom dia Mestre Quatre, como se sente está manhã.
- Bom dia Rashid estou bem obrigado.
- Pensei que o Sr fosse dormir mais um pouco, quer eu lhe sirva o café da manhã.
- Não eu vou esperar o Duo levantar.
- Do jeito que ele dorme, duvido que levante antes do 12:00 hs.
- É talvez, mas eu não estou com fome agora, eu vou para o jardim, o Sr Kirehashi ficou de mandar alguém entregar umas pecas, me avise assim que o entregador chegar, por favor.
- Como queira Mestre Quatre.
Quatre foi para o jardim de sua casa, o lugar era repleto de verde e possuía muitas flores, sempre que Quatre ia para aquele lugar ele se sentia em paz, ele o pegou seu violino e começou a tocar uma musica suave condizente com suas emoções no momento.
No antiquário:
- Taiky vá até a casa da família Winner e entregue essas peças ao Sr Quatre, por favor.
- Sim Sr Kirehashi, estou indo.
- E não demore temos um monte de coisas para fazer, e hoje fecharei a loja meia hora antes.
- Por que Sr Kirehashi.
- Por que sim, você deveria ficar feliz sairá meia hora mais cedo, e não ficar perguntando coisas que não são de sei interesse, agora vá logo, disse ao Sr Quatre que as peças estariam em sua casa antes das 09:00 e já são quase 08:30hs.
- Claro estou indo.
- Ding Dong
- Sim em que posso ajuda-lo.
- Encomenda para o Sr Quatre Winner.
- Obrigado entregarei a ele.
No jardim Quatre ainda tocava, enquanto era observado pela janela de seu quarto, Duo acordará com o som do violino de Quatre, o amigo nunca se cansava de ouvi-lo tocar, as melodias que ele tocava eram sempre reconfortantes, pois refletiam sempre os sentimentos do loirinho, no entanto Duo se sentia um tanto triste neste momento, o som da melodia era carregada de uma melancolia, como se o loirinho estivesse triste, Duo notará que desde a noite anterior Quatre estava diferente, evasivo e pensativo, Duo tinha quase certeza que o misterioso rapaz de olhos verdes era motivo desta melancolia, Duo gostara de Trowa apesar de sentir uma coisa estranha em relação a ele, como se escondesse alguma coisa, e que ele fosse muito mais do que aparentava ser. Ele viu Rashid se aproximar de Quatre e lhe dizer alguma coisa, viu Quatre sorrir e dizer alguma coisa enquanto se levantava para seguir Rashid, Duo saiu da janela, ainda estava cansado, mas resolveu descer sabia que Quatre provavelmente o estava aguardando para tomar café, ele descansaria mais tarde quando fosse para casa. Ele vestiu uma calça jeans surrada e uma camiseta branca e saiu do quarto.
- Bom dia Quatre, bom dia Rashid.
- Bom dia Sr Maxwell
- Bom dia Duo já acordou?
- Pois é eu estava ouvindo uma melodia tão bonita que acabei acordando.
- Desculpe Duo esqueci que o jardim fica perto da janela do quarto e te acordei.
- Tem problema não Quatre, eu tinha que levantar mesmo afinal as refeições são horas sagradas e não podemos desperdiçar nenhuma delas.
- Ta bom Duo.
- Vou preparar o café da manhã Mestre Quatre.
- Pode ir Rashid e obrigado.
- Com licença Srs.
- Vem Duo quero te mostrar uma coisa.
- O que é Quatre?
- Senta e fecha os olhos.
- Oba surpresa, o que é.
Quatre e Duo foram para a sala de leitura, Duo se sentou no sofá, enquanto Quatre foi até a entrada e pegou o presente de Duo, ele sabia que seu amigo ficaria extasiado com o presente, ele colocou o enorme pacote sobre as mãos de Duo.
- Pode abrir Duo.
- O que é isso Quatre.
- Um presente foi isso que eu fui ver ontem no antiquário, e para você eu sei que você gostou quando fomos no Japão ano passado então eu resolvi comprar uma para você.
- Então isso aqui é.
Quatre ficou olhando seu amigo rasgar o embrulho, e abrir a tampa da caixa que estava a espada que ele comprará, Duo olhou para o que tinha dentro e não acreditou no que viu, dentro havia uma espada, ele levantou a cabeça e olhou para Quatre seus olhos estavam cheios de lagrimas e havia confusão em seus olhos, Quatre lhe sorriu ele sabia que o amigo não entenderia o porque dele ter lhe dado um presente uma vez que não era seu aniversário.
- Quando fomos ao Japão na exposição de espadas japonesas, havia uma foto de uma espada lembra, você ficou falando nela a viagem inteira tanto que o Wu-Fei disse que se você dissesse alguma coisa a mais sobre ela, ele o jogaria do avião. Desde aquele dia eu resolvi que iria te dar uma de presente, um copia, uma vez que a original estava desaparecida.
- É eu sei a foto dela era tão impressionante e a historia dela então, mas isso devo ter sido caro Quatre e não precisava ter gastado seu dinheiro mandando fazer uma igual à da foto, eu...
- Que isso Duo você merece, além do que ela não foi tão cara assim, não para se ter à verdadeira.
- Verdadeira!? Quer dizer que essa é a espada desaparecida, mas Quatre isso deveria estar em um museu.
- Eu também fiquei surpreso quando descobri que ela é a verdadeira, mas o incrível e que não é apenas uma, mas duas.
- Duas!? Como isso é possível na exposição falava que era uma espada única conhecida como Hikari que significa luz, que foi forjada em honra a esposa do ferreiro.
- Eu sei o Sr Kirehashi de me explicar direito a historia, ele também ficou intrigado, ele disse que me explicaria depois caso eu quisesse, sei que não era a espada que você queira...
- Que isso Quatre ela também e linda, obrigado mesmo.
Duo abraçou o jovem árabe, ele ficou muito feliz com o presente, ele tirou a espada da caixa e retirou a bainha que era de um preto profundo a empunhadura da espada era da mesma cor, com pequenos entalhes e inscrições, quando ele retirou a espada da bainha, ele viu uma lamina reluzente e de um brilho perfeito, ela parecia brilhar apesar de não haver tanta luz assim dentro da sala, Duo passou o dedo pela lamina e acabou cortando o dedo nela, e deixando a espada cair, Quatre viu o amigo se cortar e foi pegar alguma coisa para cuidar do ferimento, o que eles não repararam é que o sangue de Duo havia sido absorvido pela lamina.
- Pronto Duo, você não devia colocar a mão na lamina você pode se machucar.
- Foi mal Quatre, foi um corte pequeno, melhor eu limpar a lamina né. Estranho a lamina não ta suja.
- Talvez não tenha sujado afinal foi um corte pequeno.
- Mas eu jurava que meu sangue escorreu pela lamina, deve ter sido impressão, vamos comer então eu to ficando com fome.
- Vamos então.
Algumas horas mais tarde.
- Quatre eu já vou indo para casa.
- Mas Duo, ainda são 17:00 hs.
- Eu sei, mas eu tenho que fazer umas coisinhas em casa e quero descansar um pouco antes de ir para o Deathscythe, e você vê se trata de descansar, e nada de ir ao clube hoje.
- Mais...
- Sem mais, obrigado pelo presente Quatre depois conversamos, ta legal.
- Tudo bem.
Duo foi para casa, carregando seu presente em baixo do seu braço, ele viu um casal no correto, eles pareciam alheios a tudo a sua volta, como se no mundo existissem apenas para eles dois. Duo deu um sorriso triste, ele tinha 18 anos e nunca havia se apaixonado, ele tinha saído com algumas garotas e até mesmo alguns rapazes, mas nada muito serio apenas alguns beijos e abraços nada a mais, ele pensava se havia alguma coisa errada com ele. Mas ele já sabia a resposta, a verdade é que ele se recusava a amar. Ele chegou em casa colocou o presente de Quatre em cima da mesa, e foi para o quarto, tirou os sapatos e a camiseta e deitou-se.
"Quem sabe um dia eu encontre alguém que realmente me faça perder a cabeça e me tire dessa solidão".
Castelo dos Khushrenada 18:00 hs
- Boa Noite Sr Yuy.
- Boa noite Kimitsu. Trowa e Cathrine já se levantaram.
- A Sta Bloom já se levantou, ela foi até o jardim, o Sr Barton ainda não saiu do quarto Sr Yuy.
- Cathrine está lá fora há essa hora.
- Sim Sr, mas o céu esta encoberto, por isso não tem problema.
- Tudo bem me avise quando Trowa levantar, eu estarei no jardim com Cathrine.
- Como desejar Sr.
Trowa estava deitado em sua cama, na verdade ele quase não conseguirá dormir, ele ficava pensando no anjo loiro que conhecera, ele desejava ter ficado mais tempo com ele, mas ele tinha que voltar ao castelo antes que o sol nascesse ou teria problemas, ele já havia ficado tempo demais, levaria pelo menos quarenta e cinco minutos á uma hora até chegar ao castelo e o sol provavelmente já estaria nascendo uma vez que nesta época do ano o sol costumasse sair mais cedo, juntando o fato de que Heero deveria estar preocupado com sua demora, uma vez que não havia dito a ele que iria a outro lugar depois de visitar o antiquário, ficou surpreso ao sair do Deathscythe e encontrar o carro e Chold o chofer do castelo o esperando, Chold o informou que Heero o havia mandado busca-lo, Trowa perguntou se ele o estava esperando há muito tempo, ele disse que não que apenas há alguns minutos Heero pedira para vir busca-lo. Trowa ficou intrigado como Heero sabia que ele estaria no clube e a hora em que sairia. Ele não sabia o que diria a Heero quando chegasse ao castelo, na verdade não conseguia pensar em nada que não fosse nos olhos azuis de Quatre em suas feições meigas e em sua voz baixa e suave. Quando chegara ao castelo Heero o aguardava na sala de leitura.
- Heero!
- Trowa... Não pretendo perguntar o por que de sua demora, apenas me responda se pretendia voltar ao castelo antes do sol nascer uma vez que faltam apenas uma hora para que isso aconteça e uma vez que você não foi de carro a cidade não acredito que você chegasse ao castelo antes do sol.
- ...
- Hn! A que horas marcou com o antiquário?
- Ele o estará esperando ás 20:30 hs. Heero eu...
- Então amanhã nós iremos ao antiquário, sugiro que descanse um pouco e logo mais à noite conversamos, isso se você achar que deve me dizer alguma coisa, se não me fale quando achar necessário acredito que Cathrine ainda deva estar acordada passe pelo quarto dela para desejar-lhe boa noite, ela estava preocupada com você.
- Heero.
- Sim
- Como soube onde eu estava.
- Eu sempre sei Trowa, afinal não existem muitos vampiros nessa cidade e muitos lugares onde você poderia estar.
- Obrigado.
- Não há de que.
Trowa viu Heero se retirar para seus aposentos, ele ainda ficou alguns minutos antes de subir e ir até o quarto de Cathrine. Ele bateu na porta e esperou que ela respondesse, ela o mandou entrar, Trowa entrou no quarto dela, ela pediu que ele fechasse a porta e se aproximasse. Trowa caminhou até ela e percebeu que ela havia chorado.
- Cathrine o que houve? Por que choras?
- Snif desculpe Trowa eu fiquei preocupada, Heero havia me dito que você iria até a cidade falar com o antiquário, mas que você voltaria logo, então as horas foram passando e nada de você dar noticia, então alguém ligou e falou com Kimitsu, Heero perguntou se era você e Kimitsu negou eu pensei que tinha acontecido alguma coisa. Heero me falou que não deveria me preocupar que você sabe se cuidar.
- Desculpe Cath eu não pretendia me demorar e que aconteceram algumas coisas, e acabei me demorando alem do que pretendia. Fiz você chorar e acabei aborrecendo Heero não é.
- Na verdade é difícil dizer Heero nunca demonstra o que esta pensando, se eu fosse descrever como ele se sentia ele me parecia calmo, como se soubesse onde estava e o que estava fazendo, mas me diga o que aconteceu para que demorasse.
Trowa ficara conversando com Cathrine, ele precisava conversar com alguém e contar o que havia acontecido e ele se sentia à vontade para faze-lo com Cathrine. Ela ouvia tudo com atenção e surpresa, ela ficara curiosa em conhecer o jovem de aparência angelical que conseguira chamar a atenção de Trowa, ela perguntara a Trowa se ele contara a Heero o que havia acontecido e ele lhe dissera que não.
"Por que eu não contei a ele quando cheguei, Heero sabe que aconteceu alguma coisa, eu não posso ficar aqui pensando sobre o por que de eu não ter contado o que aconteceu. Levante Trowa Barton e encare seu destino, eu queria apenas ter certeza de qual é o meu destino".
Heero foi até o jardim o céu realmente estava encoberto, parecia que iria chover mais tarde, ele viu Cathrine cheirando as rosas, ela parecia perdida em lembranças. Heero sabia que as rosas a lembravam de Treize, ele gostaria de poder fazer alguma coisa em relação a isso, ele tentara entrar em contato com Treize, esperava apenas que sua mensagem chegasse até ele.
- Cathrine.
- Heero, boa noite.
- Boa noite Cathrine, por que não colhe algumas rosas e as coloca em seu quarto.
- Não tenho coragem de arranca-las elas são tão lindas e se as arrancassem logo murchariam e morreriam, enquanto se as deixar onde estão viveram por mais tempo e sempre que desejar eu posso vir aqui e admira-las.
- E verdade.
- Sr Yuy.
- Sim Kimitsu.
- O Sr Barton acaba de levantar.
- Obrigado. Venha Cathrine nós iremos sair.
- E aonde vamos Heero?
- Ao antiquário.
- Boa noite Heero, Cathrine.
- Hihi... Boa noite Trowa.
- Posso saber o porque do riso Cathrine.
- Não é nada Heero, apenas me lembrei de uma coisa, vamos.
- Ainda não, estou com fome, porque não nos alimentamos antes e depois vamos o dono do antiquário estará nos esperando apenas ás 20:30hs.
No antiquário:
- Muito bem Taiky, você já pode ir para casa.
- Tem certeza Sr Kirehashi, não vai precisar de mim.
- Não pode ir eu fecho a loja.
- Boa noite então.
- Boa noite.
No castelo dos Khushrenada:
- Trowa se importa de dirigir esta noite. É que Chold me pediu para dispensa-lo hoje, me parece que ele tem um compromisso. E não estou com vontade de dirigir.
- De forma alguma Heero, vamos então.
- Cathrine! Vamos?
- Sim.
Trowa, Heero e Cathrine entraram no carro uma Mercedes preta de vidro fume, e seguiram em direção a cidade. Trowa ficava pensando se encontraria Quatre novamente, o antiquário ficava no lado norte da cidade, ou seja, eles teriam que passar pelo correto para chegar ao seu destino. Heero observava discretamente o rosto de Trowa, a verdade e que ele estava curioso em saber o que havia acontecido de fato, ele poderia entrar na mente de Trowa e descobrir a verdade, mas ele não queria invadir a mente de seu amigo, ele sabia que ele contaria a verdade quando estivesse pronto para faze-lo, as informações que ele tinha já era suficientes no momento, saber o por que e como os fatos aconteceram seria explicado mais tarde e ele sabia disso. Eles chegaram ao antiquário na hora marcada. Trowa tentava se controlar para que as lembranças da noite anterior não obscurecessem sua razão dando lugar à raiva pelo que aqueles humanos tentaram fazer. Heero olhou para Trowa por um instante e ele sentiu suas emoções e viu seus pensamentos, a raiva, a preocupação e depois o alivio, ele viu o sangue, os corpos, e alguém loiro caído. Cathrine olhava para os dois a sua frente, Trowa absorto em seus pensamentos e Heero o observando, ela sabia que Heero havia descoberto alguma coisa, pois ele olhou em direção a um beco próximo de onde estavam. Ela não sabia se interferia ou não, ate que Heero olhou para ela, ela sabia que Heero descobriria cedo ou tarde, talvez mais cedo do que eles imaginavam. Então Heero resolver se manifestar.
- Trowa se você não quiser que eu descubra o que aconteceu ontem, sugiro que controle suas emoções e bloqueie seus pensamentos. Vamos ou chegaremos atrasados.
- Você esta bem Trowa.
- Sim Cathrine não se preocupe, Heero tem razão eu tenho que me controlar.
- Heero viu alguma coisa não foi Trowa.
- Sim viu. Eu o senti em minha mente por um instante, sei que não foi sua intenção, a culpa foi minha eu me descuidei.
- O que acha que ele viu.
- Eu não sei Cathrine, realmente eu não sei.
Heero caminhou em direção ao antiquário parou e ficou aguardando Cathrine e Trowa terminarem de conversar e se aproximarem. Trowa se aproximou e bateu na porta, logo o antiquário veio recebe-lo.
- Boa noite Sr Barton e um prazer vê-lo novamente.
- Boa noite Sr Kirehashi, este e o Sr Heero Yuy e a Sta Cathrine Bloom.
- Sr Yuy Sta Bloom e um prazer conhece-los, por favor, entrem, sejam bem-vindos a minha loja.
- Obrigado Sr Kirehashi.
O antiquário se afastou e permitiu que seus visitantes entrassem, ele ficou muito impressionado com eles. O Sr Yuy parecia ser um rapaz bastante jovem apesar do olhar dele dizer o contrario, a Sta Bloom possui uma beleza impressionante como se ela houvesse sido esculpida em porcelana, de tão clara que era sua pele. Heero sabia que eles estavam sendo analisados pelo antiquário, ele já se acostumara com isso, afinal vampiros costumavam chamar a atenção.
- Desculpe-me pelo horário Sr Kirehashi, mas como meu associado deve tê-lo informado não gosto de tratar de negócios rodeado de muitas pessoas.
- Não a necessidade de se desculpar Sr Yuy, estou a seu dispor para o ajuda-lo no que precisar.
- Obrigado. Eu coleciono espadas, é um hobby que adquiri há muito tempo, e soube através de contatos que o Sr tem em mãos uma espada antiga, que atende pelo nome de Yami.
- Yami!?
- Sim, ela possui a bainha e a empunhadura negra com entalhes e inscrições.
- Ah sim sinto informar Sr Yuy, mas a espada que procura foi vendida a um cliente.
- Vendida?
- Sim um cliente havia me pedido para encontrar alguém que conseguisse produzir uma copia de Hikari, eu procurei e acabei encontrando uma espada semelhante a que meu cliente desejava, o homem que me vendeu disse que a espada era amaldiçoada, pois se chamava Yami que significa Trevas, ela foi entregue esta manhã ao cliente.
- E quem é ele.
- Desculpe Sr Yuy, mas não costumo informar o nome de meus clientes.
Heero não sabia se matava o homem naquele momento, ele estivera tão perto de encontrar Yami, por anos ele não tinha noticias dela, até que encontrou um homem que sabia do paradeiro dela, e quando o encontrou foi informado que a havia vendido ao antiquário e agora isso, parecia que o destino estava tramando contra ele. Bem se o velho antiquário não queria informar por bem, Heero o obrigaria a faze-lo. Heero virou de costas para o antiquário e sentou em uma cadeira enquanto seus olhos se tornaram avermelhados, ainda sem olhar para o antiquário Heero disse para o antiquário lhe dizer a quem havia vendido a espada, Cathrine e Trowa ficaram surpresos quando o antiquário começou a dizer.
- Muito bem Sr Kirehashi diga-me a quem vendeu Yami.
- A espada foi vendida ao jovem Winner.
- É quem é ele.
- Quatre Raberba Winner, da família Winner foi ele quem a comprou.
- Quatre Raberba Winner.
Trowa não soube o que fazer seu anjo havia comprado a espada, ontem quando se conheceram, por isso ele estivera ali ontem à noite. Cathrine olhava para Trowa afinal ele havia lhe contado o nome do rapaz que salvou, agora Trowa teria que dizer a Heero a verdade, sobre o que aconteceu ou mentir de alguma forma.
- É a espada ainda esta aqui.
- Não ela foi entregue essa manhã ao Sr Winner.
- Onde ele mora.
- Na mansão da Rua L4.
- Trowa quero que descubra quem é ele, e se ainda esta com a espada, não quero saber como, apenas descubra se ele ainda a possui.
- Esta bem Heero.
- O Sr Winner disse que a espada era um presente para um amigo.
- Um presente, não acredito será que ela vai ficar mudando de dono. Sabe me dizer para quem ele vai dar a Yami.
- Não.
- Droga!
Heero pensava qual atitude tomar, ele precisava encontrar a espada antes que ela sumisse novamente. Os olhos de Heero voltaram ao azul cobalto de sempre, ele levantou da cadeira e agradeceu ao Sr Kirehashi por tê-lo recebido depois do horário, ele sinalizou para Trowa Cathrine para que fossem embora. Heero não conseguia acreditar que estivera tão perto e agora, teria que descobrir quem tinha a posse de Yami agora, ele se sentou no banco do motorista. Trowa ficou imaginando para quem Quatre teria dado Yami.
"A quem Quatre pode ter dado a espada, Duo pareceu ser um amigo muito próximo, mas eles mencionaram um nome ontem... Wu-Fei, se ele foi amigo de Quatre tanto quando Duo é, ele poderia ser o novo dono da Yami, parece que terei outra oportunidade de ver o meu anjo".
Trowa se sentou no banco do carona, Heero disse que iria dirigindo para casa, depois Trowa poderia voltar a cidade e descobrir algo sobre o tal de Quatre Winner.
"Uaaahhh, que sono. Deixa-me ver que horas são. Nossa 21:20 hs, tudo isso cara eu dormi muito. Melhor eu tomar um banho e comer alguma coisa antes de ir para o Deathscythe, vamos ver o que tem na cozinha primeiro. Cara a geladeira ta pedindo socorro, tenho que me lembrar de fazer compras amanhã, acho que o jeito e tomar um banho e comer na Heavyarms".
Duo saiu do banheiro ás 22:00 tomou um banho demorado trocou de roupa, colocando uma calça preta e uma camisa sem manga desfiada entreaberta na altura do peito, colocou um par de luvas sem dedos preta e calçou uma bota da mesma cor. Trancou a porta e saiu correndo ele tinha apenas 20 minutos para ir a lanchonete engolir alguma coisa e ir para o clube, na pressa acabou atravessando a praça sem olhar e quase foi atropelado por uma Mercedes preta de vidros escuros, ele olhou na direção do carro e pediu desculpas continuando a correr. Heero estava tão concentrado em seus pensamentos que por pouco não acabou atropelando o humano que passou correndo na frente do carro, ele freou o carro e olhou para o idiota que quase o fizera cometer uma tolice, o que viu lhe causou um arrepio e um estremecimento no corpo, ele balançou a cabeça e viu o humano se curvar como que pedindo desculpas e voltar a correr, Heero perguntou se os outros estavam bem. Trowa estava olhando para trás enquanto conversava com Cathrine e não havia prestado atenção ao que havia acontecido e nem quem havia passado correndo na frente do carro. Apenas percebeu por um instante que Heero havia ficado tenso, por algum motivo quando perguntou o que havia acontecido, Heero apenas disse que um humano idiota havia atravessado a praça correndo. Eles chegaram ao castelo e Heero disse a Trowa para que ele fosse até a cidade ver se descobria alguma coisa.
- Trowa pegue o carro e volte a cidade, descubra quem é o humano que comprou Yami e se ele ainda a possui. Ofereça-se para comprar a espada, não importa o valor que ele pedir.
- E se...
- Se ele já tiver dado Yami, descubra quem é o novo dono, e a consiga de volta. Não me importa como, Yami não deve ficar com o humano.
- Mesmo que isso sig...
- Não. Se ele não quiser vende-la encontraremos um jeito de pegá-la, o humano não deve ser ferido. Não quero que sangue inocente seja derramado sem motivo.
- Como quiser Heero.
Cathrine apenas observava o dialogo entre eles, na verdade ela estava impressionada com as habilidades de Heero, nunca tivera a oportunidade de vê-lo utilizando seus poderes como no antiquário e agora com Trowa, ele havia conseguido obter as informações do Sr Kirehashi sem nem ao menos olha-lo nos olhos ele obedecera apenas o comando da voz de Heero e agora Heero respondia as perguntas de Trowa antes mesmo dele as completar.
Trowa sabia que Heero não estava lendo sua mente não era necessário Heero sabia como Trowa pensava, eles trabalhavam juntos há décadas, Heero conhecia a forma como Trowa conseguia suas informações e Trowa sabia como Heero resolvia os problemas, a cada novo desafio e a medida em que as coisas aconteciam. Trowa pegou o carro e voltou a cidade, ele decidirá ir direto a casa de Quatre, não deveria ser muito difícil encontra-lo, e ele estava ansioso por isso.
Na mansão da família Winner
- Ding Dong
- Boa noite.
- Boa noite poderia falar com o Quatre.
- Quem gostaria.
- Diga que é Dorothy Catalonia.
- Aguarde um instante verei se ele pode atende-la.
- Obrigada.
- Mestre Quatre, a Sta Catalonia veio vê-lo.
- Dorothy? Obrigado Rashid eu vou atende-la na biblioteca.
- Ola Dorothy.
- Quatre como você está? Você ta todo machucado a Noin me contou o que aconteceu, você esta bem meu amor.
- Eu estou bem Dorothy, foram apenas algumas escoriações nada demais, e como você está.
- Estou chateada, nós nunca mais saímos juntos. O que esta acontecendo Quatre? Eu te pedi uma chance para demonstrar meus sentimentos por você, mas parece que você tem me evitado.
- Desculpe-me não foi minha intenção Dorothy e que.
- Eu sei você seria incapaz de magoar alguém de propósito, como também seria incapaz de fingir algo que não sente.
- Dorothy...
- Não... não diga nada. Eu gosto de você desde que você tinha quinze anos, e ficaria muito feliz se você pudesse encontrar alguém, mesmo que esse alguém não seja eu. Seria um erro eu tentar fazer você se apaixonar por mim.
- Eu gostaria realmente de poder sentir por você o que você sente por mim Dorothy.
- E eu sei, mas espero tê-lo como amigo.
- Claro eu ficaria honrado.
- Agora me conta o que realmente aconteceu.
Trowa estacionou o carro na esquina da mansão onde Quatre morava, ele desligou o carro fechou seus olhos e mentalmente começou a chamar o nome do jovem loiro, Quatre estava falando conversando com Dorothy quando ouviu a voz de Trowa o chamando.
- Então foi isso que aconteceu, fico feliz que alguém tenha aparecido para ajuda-lo e... Quatre você esta bem?
- Hã o que?
- E que você de repente ficou esquisito.
- Não é nada é que eu tive a impressão de ouvir alguém me chamando.
- Eu não ouvi nada, nossa olha a hora melhor eu ir andando, já esta ficando tarde.
- Eu a acompanho até a praça, assim você não vai sozinha.
- Tudo bem obrigada.
- Rashid!
- Sim Mestre Quatre.
- Vou acompanhar Dorothy até a praça.
- Não prefere que um carro a leve Sr.
- Não é necessário Rashid. Vamos Dorothy.
- Claro. Adeus Rashid.
- Tenha uma boa noite Sta Catalonia.
Trowa ficou aguardando Quatre, ele sabia que ele o havia escutado, ele viu o portão da casa de Quatre se abrir e o viu saindo na companhia de uma garota. Trowa saiu do carro e colocou sem plano em pratica. Quatre continuava a ouvir a voz de Trowa em sua cabeça como se ele o estivesse chamando, ele olhou em volta e não viu nada, Dorothy continuava a conversar com ele e ele apenas sorria. Quatre não fazia a mínima idéia sobre o que ela estava falando, sua mente estava procurando o dono da voz em sua cabeça, foi quando ele o viu, na esquina parado perto do carro, parecendo conversar com alguém pelo celular. Trowa sabia que Quatre já o havia visto, ele se virou e olhou em sua direção sorriu e o cumprimentou curvando ligeiramente a cabeça e aguardou que se aproximassem. Dorothy observava com interesse o moreno parado na esquina, ele era realmente atraente ela o viu cumprimentar Quatre e o mesmo ficar com as faces vermelhas e os olhos brilhantes demonstrando alegria em ver o rapaz a frente.
- Boa noite Quatre, senhorita.
- Boa noite Trowa, e um prazer vê-lo.
- O prazer e todo meu Quatre.
- Essa e minha amiga Dorothy Catalonia. Dorothy este é Trowa Barton foi ele quem me ajudou ontem.
- E um prazer conhece-lo Trowa. Quatre você não me disse que seu salvador era tão bonito.
Quatre não soube o que fazer ele tinha certeza que seu rosto estava quase da cor de pimentão, pois sentia-o queimando, ainda mais quando Trowa olhou para ele curvando seus lábios em um meio sorriso.
- E um prazer conhece-la Sta Catalonia e obrigada a Sta também e muito bonita.
- Imagine pode me chamar de Dorothy.
- Como queira Dorothy.
Trowa inclinou sua cabeça em uma mensura e beijou a mão de Dorothy, a deixando encantada. Quatre por algum motivo ficou com ciúme, sabia que não deveria afinal Trowa era apenas um amigo e ele estava apenas sendo educado, ainda assim ele sentia ímpetos de puxar a mão dela para que eles não se tocassem.
- O que aconteceu Trowa?
- Me parece que o carro ficou sem combustível, como raramente sou eu quem dirige o carro não me lembrei de verificar se o tanque estava cheio e acabei parando aqui. E o você faz por esses lados.
- Eu moro naquela casa mais a frente. Você precisa de ajuda.
- Não é necessário já liguei e pedi que viessem me buscar, agora é ficar esperando.
- Por que não nos faz companhia até a praça, em pretendia levar Dorothy até lá para que ela não fosse sozinha.
- Tudo bem.
Quatre ficou feliz em poder ver e falar com Trowa novamente. Dorothy ficou conversando com Trowa , tentando descobrir mais sobre ele, enquanto ele respondia as perguntas feitas por ela, Quatre apenas os observava, Trowa já estava ficando irritado com a curiosidade da humana e nas suas tentativas de chamar-lhe a atenção.
"Como alguém consegue ser tão irritante, será que ela não percebe que não vou dizer nada sobre mim. Por que Quatre estava com ela, se não me engano a humana chamada Noin falou o nome dela ontem, será que eles são comprometidos, ele não me parece incomodado pelo fato dela demonstrar interesse em mim. E a personalidade dela não combina com ele".
Os três já estavam próximos a praça e Dorothy não dava mostras de querer deixar Trowa e Quatre sozinhos, aproveitando-se do fato de Quatre não poder ver os seus olhos, Trowa olhou nos olhos de Dorothy e mentalmente ordenou que ele se despedisse e os deixa-se a sós.
- Quatre eu vou indo daqui não precisa me levar ate a praça.
- Tem certeza Dorothy.
- Claro que sim Trowa foi um prazer conhece-lo, espero que possamos nos ver novamente.
- Também foi um prazer conhece-la.
Dorothy estendeu sua mão a Trowa ele tomou a mão dela e levou aos lábios, Dorothy sorriu para ele, depois ela se virou para Quatre e beijou o seu rosto se despedindo dos dois. Trowa olhou para Quatre e notou que ele estava ligeiramente vermelho.
- Parece que ficamos sozinhos.
- É verdade, será que já vieram buscar o seu carro.
- Não sei... como esta o ferimento em seu braço.
- Melhor obrigado por perguntar.
- Você não vai assistir o Duo hoje no Deathscythe ?
- Não o Duo falou que era melhor eu ficar em casa e descansar.
- Entendo. Quatre posso te fazer um pergunta.
- Hã claro, o que quer saber!
- Vamos até o meu carro e lá conversamos.
- Fiquei feliz em vê-lo novamente, engraçado eu estava casa conversando com Dorothy e tive a impressão de que você estava me chamando.
- Verdade.
- Sim e quando saí para acompanhar Dorothy, fiquei surpreso em encontra-lo.
- Realmente a vida as vezes e capaz de nos proporcionar grandes surpresas Quatre algumas inesquecíveis.
Ao se aproximarem do carro Trowa se virou para Quatre e seus olhos tinham um brilho avermelhado, mentalmente Trowa pediu que Quatre olhasse em seus olhos e respondesse suas perguntas.
- Quatre você comprou do antiquário uma espada.
- Sim ele me entregou a espada esta manhã.
- Você ainda a tem.
- Não. Ela era um presente a um amigo.
- A quem você a entregou.
- Ela pertence ao Duo agora.
- Ao Duo! Ele tocou na lamina.
- Ele cortou o dedo nela.
- Então ela já tem um novo dono de sangue. Quatre eu vou libera-lo do meu controle agora, e você não se lembrara de nada do que falamos.
Trowa cortou o controle mental que havia estabelecido com Quatre, por alguns instantes ele compartilhou dos pensamentos de Quatre, e o que ele viu era um reflexo do que ele mesmo estava sentindo: dúvida e desejo. Quando Quatre foi liberado sentiu-se um pouco tonto e foi amparado pelos braços fortes de Trowa. Ele se sentia ligado ao rapaz que o segurava, por alguns instantes ele sentiu como se o conhecesse, ele sentiu a solidão, a revolta que o corroíam por dentro, e quando ele levantou sua cabeça e seus olhos se encontraram por um momento ele viu a escuridão de sua alma. Trowa ainda tinha a sensação de estar ligado mentalmente a Quatre, se esquecendo de tudo a sua volta Quatre levou uma de suas mãos ao rosto de Trowa o acariciando fazendo com que Trowa fechasse seus olhos, ele podia sentir os dedos de Quatre correr por seus olhos, sua bochecha e se deter em seus lábios fazendo com que Trowa abrisse novamente seus olhos, ele se inclinou diminuindo a distancia entre a sua boca e a de Quatre . Quatre sentia seu coração pulsando cada vez mais rápido, e a medida que os lábios de Trowa se aproximavam, por instinto ele umedeceu seus lábios com a língua. Foi quando Trowa ouviu o barulho do outro carro do castelo se aproximando, fazendo com que ele se afastasse de Quatre, ele viu a decepção nos olhos de Quatre e sabia que a mesma estava refletida em seus olhos. Um dos empregados do castelo desceu do veiculo, e prendeu o carro de Trowa ao outro veiculo e aguardou que Trowa entrasse no carro para que eles retornassem ao castelo.
- Eu tenho que ir agora.
- Eu sei.
- Gostaria de vê-lo novamente Quatre se você quiser.
- Eu adoraria Trowa.
- Tome este é o numero do meu celular, quando quiser falar comigo me ligue.
- Obrigado eu ligarei.
- Tenha bons sonhos Quatre.
- Você também Trowa.
Quatre viu Trowa entrar no carro e ir embora de volta ao castelo dos Khushrenada, ele caminhou de volta a sua casa, e foi direto para seu quarto pensando em tudo que havia acontecido, na sensação de conforto que sentiu nos braços de Trowa e no fato de que eles quase haviam se beijado, ele nunca pensará nesta possibilidade, de beijar outro homem ou se apaixonar por um.
"Por Alá, o que esta acontecendo comigo eu acariciei o seu rosto, a sua pele tão fria, o que eu estava pensando quando fiz isso, a verdade e que eu não estava pensando, estava apenas deixando meus sentimentos guiar minhas ações, e por um momento me senti completo".
- Sr Barton o Sr. está bem.
- Sim Kenny.
"Ficarei bem".
Trowa chegou ao castelo e foi falar com Heero o que havia descoberto, Heero ouviu e não gostou de saber o que tinha acontecido, Yami tinha um novo dono e um dono de sangue. Heero disse que precisava pensar sobre o próximo passo, eles tinham perdido a chance de juntar Hikari e Yami novamente, por direito Heero era o dono de sangue de Hikari e por destino um humano era o novo dono de sangue de Yami, o tempo estava se esgotando e ele tinha que fazer alguma coisa para conseguir Yami.
- Trowa nós temos que pensar o que fazer, nós fomos descuidados permitindo que ela tivesse um novo dono, por enquanto vamos esperar, não podemos pegar Yami agora.
- Acha que o humano corre algum perigo.
- Por enquanto não, apenas se descobrirem que o novo dono de Yami é um humano.
- E o que faremos?
- Dê-me algum tempo para pensar, por enquanto é somente isso que podemos fazer. Neste meio tempo nem você e nem Cathrine devem deixar o castelo.
- Tudo bem. Ainda vai precisar de mim Heero.
- Não.
- Então eu vou me retirar.
- Pode ir Trowa tenha um bom descanso.
- Obrigado você também.
Trowa subiu as escadas e foi para seus aposentos, ele fechou a porta e encostou-se nela, ele caminhou até a janela e abrindo a cortina, não haviam estrelas no céu e uma chuva fina começava a cair, ele foi até a cômoda e retirou dela uma caixa comprida dentro dela havia uma flauta, um presente ganho de Cathrine no seu aniversário, Heero também o havia presenteado com uma Tantô [1]. Trowa pegou a flauta sentou-se no sofá e começou a tocar, ele não tocava há muito tempo, mas por algum motivo ele desejou faze-lo esta noite e enquanto tocava pensava em seu anjo.
"Quatre por que fez isso, me tocar dessa forma, ainda posso sentir sua mão em meu rosto seus dedos contornando meus lábios, por Deus nunca desejei tanto beijar alguém, como desejei faze-lo contigo, se Kenny não tivesse chegado eu teria provado o sabor dos teus lábios, eu não deveria ter-lhe dito que gostaria de vê-lo novamente mesmo sendo este o meu desejo, mas não podemos, pois você e humano e eu sempre serei um vampiro".
Continua...
[1] Tantô = espada japonesa curta de 15 a 33 cm (no caso da de Trowa ela tem 16 cm)
Capitulo 4 - A Manhã e a Noite do Dia Seguinte
Eram aproximadamente 08:00 hs da manhã o sol já despontava alto nas colinas. Mas Quatre já estava acordado, na verdade ele não pregara o olho a noite inteira, a noite anterior em sua opinião havia sido fantástica, quer dizer fantástica a partir do momento que conheceu o misterioso Trowa.
"Por Alá o que esta acontecendo comigo, ora essa Quatre ele apenas te ajudou só isso, ele teria feito o mesmo por qualquer outra pessoa que estivesse na mesma situação. Mas a forma como ele me consolou, o calor que vi em seus olhos, aquilo foi real não foi. Droga eu me sinto tão perdido, o que vou dizer a Dorothy que não posso aceitar continuar a sair com ela, por que me sinto atraído por outro rapaz, e isso não é eu me sinto atraído por ele, atraído pelos seus olhos verdes, atraído pelos segredos que ele esconde".
Quatre se levantou e caminhou até a janela do quarto, afastando a cortina para que pudesse ver o dia lá fora. Sentou-se na espreguiçadeira próxima a janela, abraçando os joelhos refletindo sobre a conversa que tivera com Duo ontem.
- Muito bem Sr Winner pode começar a me contar tudo o que aconteceu com você e o Sr olhos verdes misteriosos.
- Eu já te disse o que aconteceu lá no Deathscythe.
Duo tinha acabado de tomar banho, seus cabelos ainda estavam molhados a água escorrendo pelo seu corpo, ele vestia um roupão que Quatre havia lhe dado, enquanto aguardava Quatre lhe contar o que estava escrito em seus olhos e eles se recusava a admitir. Quando vira Quatre adentrar o Deathscythe respirou aliviado, Quatre costumava ser pontual em seus compromissos, mas a cada minuto de atrasado Duo ficava mais e mais apreensivo e quando o tempo de atrasado completou três horas, ele sabia que algo tinha acontecido com seu amigo. Vê-lo entrar naquele momento o encheu de um alivio que logo fora substituído por apreensão quando notará que ele estava um pouco abatido e com pequenas escoriações no rosto. Ele não soube como conseguiu cumprimenta-lo e não pular de cima do palco esquecendo a apresentação para verificar quem tinha feito aquilo com ele.
Ficou intrigado também quando notou que Quatre estava acompanhado por um rapaz alto, que tinha suas mãos pousadas protetoramente nos ombros do amigo, o rapaz com uma franja cobrindo um dos olhos estava muito bem vestido, e era muito bonito. As pessoas principalmente as mulheres o observavam com interesse, viu quando Maya correu para a sala do gerente e logo depois o Sr Yuki aparecer, enquanto Maya apontava para o acompanhante misterioso do Quatre.
Ele viu quando o Sr Yuki se aproximou e começou a conversar com o jovem misterioso, a forma como Quatre observava a conversa as expressões de surpresa e tristeza que passavam por seu rosto enquanto os outros dois conversavam, ele viu seu amigo abaixar a cabeça para logo depois vê-la erguida pelo moreno ao mesmo tempo em que ele dizia alguma coisa que levou novamente um sorriso ao seu rosto do jovem árabe.
Duo terminou a canção e informou uma pausa de 30 minutos, assim ele poderia conversar com Quatre, ele desceu do palco e apontou para os fundos do palco de maneira que eles fossem em direção ao camarim onde poderiam conversar melhor, Quatre e Trowa foram à direção informada, assim que o seu amigo e seu acompanhante misterioso chegaram Duo fechou a porta. Ele tocou o rosto de Quatre olhou para suas roupas e perguntou o que tinha acontecido, os olhos de Quatre se encheram de lágrimas e ele abraçou o amigo que começou a chorar. Duo olhou para Trowa perguntando o que havia acontecido, Trowa contou o que tinha acontecido omitindo a parte de ter matado os humanos. Trowa observava o rosto do humano de olhos ametista, ele viu a raiva tornar seus olhos escuros e o sangue fluir mais rápido em suas veias.
- Diga-me como eram os infelizes que eu juro que eles nunca mais vão ousar pensar em fazer alguma coisa contra você novamente.
- Eu estou bem Duo e verdade o Trowa me ajudou, esqueça isso.
- Não! Quem eles pensam que são ninguém fere mesmo amigos e fica assim eu vou até o inferno se necessário, mas esses desgraçados vão pagar por terem feito isso com você, eu e o Wu-Fei dissemos a você Quatre que você não deveria ir sozinho, droga a culpa é toda minha.
Quatre enxugava as lágrimas que ainda teimavam cair em seu rosto, não queria que Duo se sentisse culpado, não gostava de ver seu amigo com raiva, ele podia senti-la, sabia como Duo era, uma pessoa muito bondosa que jamais faria mal a alguém, mas quando alguém mexia com uma pessoa próxima a ele, seu amigo mudava se transformando em outra pessoa, Quatre sabia que Duo seria capaz de matar os dois bandidos que o atacaram e ele não queria que seu amigo sujasse suas mãos com sangue.
- Que isso Duo, por favor, pare.
Duo olhou nos olhos azuis de Quatre ele sabia que seu amigo estava sentindo sua raiva, ele procurou se acalmar, não queria que seu amigo sofresse por causa de seus atos impensados. Ele acariciou os cabelos de Quatre e deu-lhe um beijo na sua cabeça. Trowa não sabia o porque, mas não lhe agradará nada ver o jovem loiro nos braços do outro, os dois pareciam ter uma cumplicidade que ele por algum motivo invejava. Trowa estava tão absorto em seus pensamentos, que não reparou a mão estendida a sua frente até que ouviu seu nome sendo chamado.
- Trowa?
- Hã? O que?
- Você está bem?
- Estou sim Quatre, Hã muito prazer em conhece-lo...?
- Duo Maxwell, mas você pode me chamar de Duo, uma vez que você ajudou o loirinho aqui, ele é como um irmão para mim.
- O meu é Trowa Barton e não precisa me agradecer foi um prazer, quando Quatre me informou que estava vindo se encontrar com um amigo não imaginei que seria o vocalista da banda, você canta muito bem.
- Obrigado Trowa. Bem eu tenho que voltar para o palco senão o gerente me mata, fique até o clube fechar Trowa aí a gente pode conversar melhor, né Quatre.
- É seria legal, podemos ir para minha casa.
- A que horas o clube costuma fechar.
- Por volta das 05:00 hs às vezes, tem dia que fecha as 06:00 hs, agora são 02:45 hs.
- Sinto muito não poderei ficar até o final, infelizmente eu tenho que resolver algumas coisas que ficaram pendentes antes do sol nascer.
- E verdade Trowa eu já te incomodei demais hoje.
- Hei! O que foi que eu disse não foi incomodo algum, façamos o seguinte eu fico até as 04:00 hs e depois eu vou embora ok.
- Por mim ta legal né Quatre.
- Tudo bem.
- Bam
- Sr Maxwell, posso saber o que o senhor esta fazendo aqui que não esta no palco.
- Eu já estava...
- Ele estava falando comigo Sr Yuki algum problema em relação a isso.
- Sr Barton, me desculpe eu não havia visto o Sr. eu... Não...
- Não precisa ficar nervoso Sr Yuki o Sr Maxwell já estava indo.
- Claro como quiser Sr Barton eu...
- Sei que não pretendia me incomodar, mas você já o fez lembre-se de não fazer o mesmo com o Sr Yuy ele não costuma ser tão... Paciente quanto eu.
- Lembrarei-me disso Sr Barton.
- Vamos então Duo, Quatre.
Trowa na verdade acabara ficando até as 04:30 hs, acenando para Duo e deixando o loirinho triste pela sua saída. Duo ficara impressionado com a forma que Trowa tratada o Sr Yuki e a maneira como o mesmo reagiu, ele esperava levar uma bronca enorme quando o Sr Yuki veio procura-lo afinal a pausa de 30 minutos acabou se tornando uma pausa de uma hora, no entanto o Sr Yuki não comentou nada apenas pediu que isso não se repetisse.
"O que eu poderia ter dito ao Duo nem eu mesmo sei direito quem ele é, porque... porque eu fico pensando nele o que há por detrás de seus olhos que me atrai tanto, melhor eu me arrumar logo o Sr Kirehashi vai mandar alguém entrar as peças e o presente do Duo, acho que vou tocar um pouco no jardim talvez isso me ajude a entender o que estou sentindo".
Quatre se afastou da janela, trocou de roupa, pegou seu violino e saiu do quarto deixando Duo dormindo, eles passaram a madrugada inteira conversando, com Duo tentando descobrir alguma coisa a mais sobre Trowa, e a única coisa que Duo descobriu e que Trowa era um dos sócios do clube e que Quatre parecia um tanto quanto impressionado pelo moreno alto de olhos verdes.
- Bom dia Mestre Quatre, como se sente está manhã.
- Bom dia Rashid estou bem obrigado.
- Pensei que o Sr fosse dormir mais um pouco, quer eu lhe sirva o café da manhã.
- Não eu vou esperar o Duo levantar.
- Do jeito que ele dorme, duvido que levante antes do 12:00 hs.
- É talvez, mas eu não estou com fome agora, eu vou para o jardim, o Sr Kirehashi ficou de mandar alguém entregar umas pecas, me avise assim que o entregador chegar, por favor.
- Como queira Mestre Quatre.
Quatre foi para o jardim de sua casa, o lugar era repleto de verde e possuía muitas flores, sempre que Quatre ia para aquele lugar ele se sentia em paz, ele o pegou seu violino e começou a tocar uma musica suave condizente com suas emoções no momento.
No antiquário:
- Taiky vá até a casa da família Winner e entregue essas peças ao Sr Quatre, por favor.
- Sim Sr Kirehashi, estou indo.
- E não demore temos um monte de coisas para fazer, e hoje fecharei a loja meia hora antes.
- Por que Sr Kirehashi.
- Por que sim, você deveria ficar feliz sairá meia hora mais cedo, e não ficar perguntando coisas que não são de sei interesse, agora vá logo, disse ao Sr Quatre que as peças estariam em sua casa antes das 09:00 e já são quase 08:30hs.
- Claro estou indo.
- Ding Dong
- Sim em que posso ajuda-lo.
- Encomenda para o Sr Quatre Winner.
- Obrigado entregarei a ele.
No jardim Quatre ainda tocava, enquanto era observado pela janela de seu quarto, Duo acordará com o som do violino de Quatre, o amigo nunca se cansava de ouvi-lo tocar, as melodias que ele tocava eram sempre reconfortantes, pois refletiam sempre os sentimentos do loirinho, no entanto Duo se sentia um tanto triste neste momento, o som da melodia era carregada de uma melancolia, como se o loirinho estivesse triste, Duo notará que desde a noite anterior Quatre estava diferente, evasivo e pensativo, Duo tinha quase certeza que o misterioso rapaz de olhos verdes era motivo desta melancolia, Duo gostara de Trowa apesar de sentir uma coisa estranha em relação a ele, como se escondesse alguma coisa, e que ele fosse muito mais do que aparentava ser. Ele viu Rashid se aproximar de Quatre e lhe dizer alguma coisa, viu Quatre sorrir e dizer alguma coisa enquanto se levantava para seguir Rashid, Duo saiu da janela, ainda estava cansado, mas resolveu descer sabia que Quatre provavelmente o estava aguardando para tomar café, ele descansaria mais tarde quando fosse para casa. Ele vestiu uma calça jeans surrada e uma camiseta branca e saiu do quarto.
- Bom dia Quatre, bom dia Rashid.
- Bom dia Sr Maxwell
- Bom dia Duo já acordou?
- Pois é eu estava ouvindo uma melodia tão bonita que acabei acordando.
- Desculpe Duo esqueci que o jardim fica perto da janela do quarto e te acordei.
- Tem problema não Quatre, eu tinha que levantar mesmo afinal as refeições são horas sagradas e não podemos desperdiçar nenhuma delas.
- Ta bom Duo.
- Vou preparar o café da manhã Mestre Quatre.
- Pode ir Rashid e obrigado.
- Com licença Srs.
- Vem Duo quero te mostrar uma coisa.
- O que é Quatre?
- Senta e fecha os olhos.
- Oba surpresa, o que é.
Quatre e Duo foram para a sala de leitura, Duo se sentou no sofá, enquanto Quatre foi até a entrada e pegou o presente de Duo, ele sabia que seu amigo ficaria extasiado com o presente, ele colocou o enorme pacote sobre as mãos de Duo.
- Pode abrir Duo.
- O que é isso Quatre.
- Um presente foi isso que eu fui ver ontem no antiquário, e para você eu sei que você gostou quando fomos no Japão ano passado então eu resolvi comprar uma para você.
- Então isso aqui é.
Quatre ficou olhando seu amigo rasgar o embrulho, e abrir a tampa da caixa que estava a espada que ele comprará, Duo olhou para o que tinha dentro e não acreditou no que viu, dentro havia uma espada, ele levantou a cabeça e olhou para Quatre seus olhos estavam cheios de lagrimas e havia confusão em seus olhos, Quatre lhe sorriu ele sabia que o amigo não entenderia o porque dele ter lhe dado um presente uma vez que não era seu aniversário.
- Quando fomos ao Japão na exposição de espadas japonesas, havia uma foto de uma espada lembra, você ficou falando nela a viagem inteira tanto que o Wu-Fei disse que se você dissesse alguma coisa a mais sobre ela, ele o jogaria do avião. Desde aquele dia eu resolvi que iria te dar uma de presente, um copia, uma vez que a original estava desaparecida.
- É eu sei a foto dela era tão impressionante e a historia dela então, mas isso devo ter sido caro Quatre e não precisava ter gastado seu dinheiro mandando fazer uma igual à da foto, eu...
- Que isso Duo você merece, além do que ela não foi tão cara assim, não para se ter à verdadeira.
- Verdadeira!? Quer dizer que essa é a espada desaparecida, mas Quatre isso deveria estar em um museu.
- Eu também fiquei surpreso quando descobri que ela é a verdadeira, mas o incrível e que não é apenas uma, mas duas.
- Duas!? Como isso é possível na exposição falava que era uma espada única conhecida como Hikari que significa luz, que foi forjada em honra a esposa do ferreiro.
- Eu sei o Sr Kirehashi de me explicar direito a historia, ele também ficou intrigado, ele disse que me explicaria depois caso eu quisesse, sei que não era a espada que você queira...
- Que isso Quatre ela também e linda, obrigado mesmo.
Duo abraçou o jovem árabe, ele ficou muito feliz com o presente, ele tirou a espada da caixa e retirou a bainha que era de um preto profundo a empunhadura da espada era da mesma cor, com pequenos entalhes e inscrições, quando ele retirou a espada da bainha, ele viu uma lamina reluzente e de um brilho perfeito, ela parecia brilhar apesar de não haver tanta luz assim dentro da sala, Duo passou o dedo pela lamina e acabou cortando o dedo nela, e deixando a espada cair, Quatre viu o amigo se cortar e foi pegar alguma coisa para cuidar do ferimento, o que eles não repararam é que o sangue de Duo havia sido absorvido pela lamina.
- Pronto Duo, você não devia colocar a mão na lamina você pode se machucar.
- Foi mal Quatre, foi um corte pequeno, melhor eu limpar a lamina né. Estranho a lamina não ta suja.
- Talvez não tenha sujado afinal foi um corte pequeno.
- Mas eu jurava que meu sangue escorreu pela lamina, deve ter sido impressão, vamos comer então eu to ficando com fome.
- Vamos então.
Algumas horas mais tarde.
- Quatre eu já vou indo para casa.
- Mas Duo, ainda são 17:00 hs.
- Eu sei, mas eu tenho que fazer umas coisinhas em casa e quero descansar um pouco antes de ir para o Deathscythe, e você vê se trata de descansar, e nada de ir ao clube hoje.
- Mais...
- Sem mais, obrigado pelo presente Quatre depois conversamos, ta legal.
- Tudo bem.
Duo foi para casa, carregando seu presente em baixo do seu braço, ele viu um casal no correto, eles pareciam alheios a tudo a sua volta, como se no mundo existissem apenas para eles dois. Duo deu um sorriso triste, ele tinha 18 anos e nunca havia se apaixonado, ele tinha saído com algumas garotas e até mesmo alguns rapazes, mas nada muito serio apenas alguns beijos e abraços nada a mais, ele pensava se havia alguma coisa errada com ele. Mas ele já sabia a resposta, a verdade é que ele se recusava a amar. Ele chegou em casa colocou o presente de Quatre em cima da mesa, e foi para o quarto, tirou os sapatos e a camiseta e deitou-se.
"Quem sabe um dia eu encontre alguém que realmente me faça perder a cabeça e me tire dessa solidão".
Castelo dos Khushrenada 18:00 hs
- Boa Noite Sr Yuy.
- Boa noite Kimitsu. Trowa e Cathrine já se levantaram.
- A Sta Bloom já se levantou, ela foi até o jardim, o Sr Barton ainda não saiu do quarto Sr Yuy.
- Cathrine está lá fora há essa hora.
- Sim Sr, mas o céu esta encoberto, por isso não tem problema.
- Tudo bem me avise quando Trowa levantar, eu estarei no jardim com Cathrine.
- Como desejar Sr.
Trowa estava deitado em sua cama, na verdade ele quase não conseguirá dormir, ele ficava pensando no anjo loiro que conhecera, ele desejava ter ficado mais tempo com ele, mas ele tinha que voltar ao castelo antes que o sol nascesse ou teria problemas, ele já havia ficado tempo demais, levaria pelo menos quarenta e cinco minutos á uma hora até chegar ao castelo e o sol provavelmente já estaria nascendo uma vez que nesta época do ano o sol costumasse sair mais cedo, juntando o fato de que Heero deveria estar preocupado com sua demora, uma vez que não havia dito a ele que iria a outro lugar depois de visitar o antiquário, ficou surpreso ao sair do Deathscythe e encontrar o carro e Chold o chofer do castelo o esperando, Chold o informou que Heero o havia mandado busca-lo, Trowa perguntou se ele o estava esperando há muito tempo, ele disse que não que apenas há alguns minutos Heero pedira para vir busca-lo. Trowa ficou intrigado como Heero sabia que ele estaria no clube e a hora em que sairia. Ele não sabia o que diria a Heero quando chegasse ao castelo, na verdade não conseguia pensar em nada que não fosse nos olhos azuis de Quatre em suas feições meigas e em sua voz baixa e suave. Quando chegara ao castelo Heero o aguardava na sala de leitura.
- Heero!
- Trowa... Não pretendo perguntar o por que de sua demora, apenas me responda se pretendia voltar ao castelo antes do sol nascer uma vez que faltam apenas uma hora para que isso aconteça e uma vez que você não foi de carro a cidade não acredito que você chegasse ao castelo antes do sol.
- ...
- Hn! A que horas marcou com o antiquário?
- Ele o estará esperando ás 20:30 hs. Heero eu...
- Então amanhã nós iremos ao antiquário, sugiro que descanse um pouco e logo mais à noite conversamos, isso se você achar que deve me dizer alguma coisa, se não me fale quando achar necessário acredito que Cathrine ainda deva estar acordada passe pelo quarto dela para desejar-lhe boa noite, ela estava preocupada com você.
- Heero.
- Sim
- Como soube onde eu estava.
- Eu sempre sei Trowa, afinal não existem muitos vampiros nessa cidade e muitos lugares onde você poderia estar.
- Obrigado.
- Não há de que.
Trowa viu Heero se retirar para seus aposentos, ele ainda ficou alguns minutos antes de subir e ir até o quarto de Cathrine. Ele bateu na porta e esperou que ela respondesse, ela o mandou entrar, Trowa entrou no quarto dela, ela pediu que ele fechasse a porta e se aproximasse. Trowa caminhou até ela e percebeu que ela havia chorado.
- Cathrine o que houve? Por que choras?
- Snif desculpe Trowa eu fiquei preocupada, Heero havia me dito que você iria até a cidade falar com o antiquário, mas que você voltaria logo, então as horas foram passando e nada de você dar noticia, então alguém ligou e falou com Kimitsu, Heero perguntou se era você e Kimitsu negou eu pensei que tinha acontecido alguma coisa. Heero me falou que não deveria me preocupar que você sabe se cuidar.
- Desculpe Cath eu não pretendia me demorar e que aconteceram algumas coisas, e acabei me demorando alem do que pretendia. Fiz você chorar e acabei aborrecendo Heero não é.
- Na verdade é difícil dizer Heero nunca demonstra o que esta pensando, se eu fosse descrever como ele se sentia ele me parecia calmo, como se soubesse onde estava e o que estava fazendo, mas me diga o que aconteceu para que demorasse.
Trowa ficara conversando com Cathrine, ele precisava conversar com alguém e contar o que havia acontecido e ele se sentia à vontade para faze-lo com Cathrine. Ela ouvia tudo com atenção e surpresa, ela ficara curiosa em conhecer o jovem de aparência angelical que conseguira chamar a atenção de Trowa, ela perguntara a Trowa se ele contara a Heero o que havia acontecido e ele lhe dissera que não.
"Por que eu não contei a ele quando cheguei, Heero sabe que aconteceu alguma coisa, eu não posso ficar aqui pensando sobre o por que de eu não ter contado o que aconteceu. Levante Trowa Barton e encare seu destino, eu queria apenas ter certeza de qual é o meu destino".
Heero foi até o jardim o céu realmente estava encoberto, parecia que iria chover mais tarde, ele viu Cathrine cheirando as rosas, ela parecia perdida em lembranças. Heero sabia que as rosas a lembravam de Treize, ele gostaria de poder fazer alguma coisa em relação a isso, ele tentara entrar em contato com Treize, esperava apenas que sua mensagem chegasse até ele.
- Cathrine.
- Heero, boa noite.
- Boa noite Cathrine, por que não colhe algumas rosas e as coloca em seu quarto.
- Não tenho coragem de arranca-las elas são tão lindas e se as arrancassem logo murchariam e morreriam, enquanto se as deixar onde estão viveram por mais tempo e sempre que desejar eu posso vir aqui e admira-las.
- E verdade.
- Sr Yuy.
- Sim Kimitsu.
- O Sr Barton acaba de levantar.
- Obrigado. Venha Cathrine nós iremos sair.
- E aonde vamos Heero?
- Ao antiquário.
- Boa noite Heero, Cathrine.
- Hihi... Boa noite Trowa.
- Posso saber o porque do riso Cathrine.
- Não é nada Heero, apenas me lembrei de uma coisa, vamos.
- Ainda não, estou com fome, porque não nos alimentamos antes e depois vamos o dono do antiquário estará nos esperando apenas ás 20:30hs.
No antiquário:
- Muito bem Taiky, você já pode ir para casa.
- Tem certeza Sr Kirehashi, não vai precisar de mim.
- Não pode ir eu fecho a loja.
- Boa noite então.
- Boa noite.
No castelo dos Khushrenada:
- Trowa se importa de dirigir esta noite. É que Chold me pediu para dispensa-lo hoje, me parece que ele tem um compromisso. E não estou com vontade de dirigir.
- De forma alguma Heero, vamos então.
- Cathrine! Vamos?
- Sim.
Trowa, Heero e Cathrine entraram no carro uma Mercedes preta de vidro fume, e seguiram em direção a cidade. Trowa ficava pensando se encontraria Quatre novamente, o antiquário ficava no lado norte da cidade, ou seja, eles teriam que passar pelo correto para chegar ao seu destino. Heero observava discretamente o rosto de Trowa, a verdade e que ele estava curioso em saber o que havia acontecido de fato, ele poderia entrar na mente de Trowa e descobrir a verdade, mas ele não queria invadir a mente de seu amigo, ele sabia que ele contaria a verdade quando estivesse pronto para faze-lo, as informações que ele tinha já era suficientes no momento, saber o por que e como os fatos aconteceram seria explicado mais tarde e ele sabia disso. Eles chegaram ao antiquário na hora marcada. Trowa tentava se controlar para que as lembranças da noite anterior não obscurecessem sua razão dando lugar à raiva pelo que aqueles humanos tentaram fazer. Heero olhou para Trowa por um instante e ele sentiu suas emoções e viu seus pensamentos, a raiva, a preocupação e depois o alivio, ele viu o sangue, os corpos, e alguém loiro caído. Cathrine olhava para os dois a sua frente, Trowa absorto em seus pensamentos e Heero o observando, ela sabia que Heero havia descoberto alguma coisa, pois ele olhou em direção a um beco próximo de onde estavam. Ela não sabia se interferia ou não, ate que Heero olhou para ela, ela sabia que Heero descobriria cedo ou tarde, talvez mais cedo do que eles imaginavam. Então Heero resolver se manifestar.
- Trowa se você não quiser que eu descubra o que aconteceu ontem, sugiro que controle suas emoções e bloqueie seus pensamentos. Vamos ou chegaremos atrasados.
- Você esta bem Trowa.
- Sim Cathrine não se preocupe, Heero tem razão eu tenho que me controlar.
- Heero viu alguma coisa não foi Trowa.
- Sim viu. Eu o senti em minha mente por um instante, sei que não foi sua intenção, a culpa foi minha eu me descuidei.
- O que acha que ele viu.
- Eu não sei Cathrine, realmente eu não sei.
Heero caminhou em direção ao antiquário parou e ficou aguardando Cathrine e Trowa terminarem de conversar e se aproximarem. Trowa se aproximou e bateu na porta, logo o antiquário veio recebe-lo.
- Boa noite Sr Barton e um prazer vê-lo novamente.
- Boa noite Sr Kirehashi, este e o Sr Heero Yuy e a Sta Cathrine Bloom.
- Sr Yuy Sta Bloom e um prazer conhece-los, por favor, entrem, sejam bem-vindos a minha loja.
- Obrigado Sr Kirehashi.
O antiquário se afastou e permitiu que seus visitantes entrassem, ele ficou muito impressionado com eles. O Sr Yuy parecia ser um rapaz bastante jovem apesar do olhar dele dizer o contrario, a Sta Bloom possui uma beleza impressionante como se ela houvesse sido esculpida em porcelana, de tão clara que era sua pele. Heero sabia que eles estavam sendo analisados pelo antiquário, ele já se acostumara com isso, afinal vampiros costumavam chamar a atenção.
- Desculpe-me pelo horário Sr Kirehashi, mas como meu associado deve tê-lo informado não gosto de tratar de negócios rodeado de muitas pessoas.
- Não a necessidade de se desculpar Sr Yuy, estou a seu dispor para o ajuda-lo no que precisar.
- Obrigado. Eu coleciono espadas, é um hobby que adquiri há muito tempo, e soube através de contatos que o Sr tem em mãos uma espada antiga, que atende pelo nome de Yami.
- Yami!?
- Sim, ela possui a bainha e a empunhadura negra com entalhes e inscrições.
- Ah sim sinto informar Sr Yuy, mas a espada que procura foi vendida a um cliente.
- Vendida?
- Sim um cliente havia me pedido para encontrar alguém que conseguisse produzir uma copia de Hikari, eu procurei e acabei encontrando uma espada semelhante a que meu cliente desejava, o homem que me vendeu disse que a espada era amaldiçoada, pois se chamava Yami que significa Trevas, ela foi entregue esta manhã ao cliente.
- E quem é ele.
- Desculpe Sr Yuy, mas não costumo informar o nome de meus clientes.
Heero não sabia se matava o homem naquele momento, ele estivera tão perto de encontrar Yami, por anos ele não tinha noticias dela, até que encontrou um homem que sabia do paradeiro dela, e quando o encontrou foi informado que a havia vendido ao antiquário e agora isso, parecia que o destino estava tramando contra ele. Bem se o velho antiquário não queria informar por bem, Heero o obrigaria a faze-lo. Heero virou de costas para o antiquário e sentou em uma cadeira enquanto seus olhos se tornaram avermelhados, ainda sem olhar para o antiquário Heero disse para o antiquário lhe dizer a quem havia vendido a espada, Cathrine e Trowa ficaram surpresos quando o antiquário começou a dizer.
- Muito bem Sr Kirehashi diga-me a quem vendeu Yami.
- A espada foi vendida ao jovem Winner.
- É quem é ele.
- Quatre Raberba Winner, da família Winner foi ele quem a comprou.
- Quatre Raberba Winner.
Trowa não soube o que fazer seu anjo havia comprado a espada, ontem quando se conheceram, por isso ele estivera ali ontem à noite. Cathrine olhava para Trowa afinal ele havia lhe contado o nome do rapaz que salvou, agora Trowa teria que dizer a Heero a verdade, sobre o que aconteceu ou mentir de alguma forma.
- É a espada ainda esta aqui.
- Não ela foi entregue essa manhã ao Sr Winner.
- Onde ele mora.
- Na mansão da Rua L4.
- Trowa quero que descubra quem é ele, e se ainda esta com a espada, não quero saber como, apenas descubra se ele ainda a possui.
- Esta bem Heero.
- O Sr Winner disse que a espada era um presente para um amigo.
- Um presente, não acredito será que ela vai ficar mudando de dono. Sabe me dizer para quem ele vai dar a Yami.
- Não.
- Droga!
Heero pensava qual atitude tomar, ele precisava encontrar a espada antes que ela sumisse novamente. Os olhos de Heero voltaram ao azul cobalto de sempre, ele levantou da cadeira e agradeceu ao Sr Kirehashi por tê-lo recebido depois do horário, ele sinalizou para Trowa Cathrine para que fossem embora. Heero não conseguia acreditar que estivera tão perto e agora, teria que descobrir quem tinha a posse de Yami agora, ele se sentou no banco do motorista. Trowa ficou imaginando para quem Quatre teria dado Yami.
"A quem Quatre pode ter dado a espada, Duo pareceu ser um amigo muito próximo, mas eles mencionaram um nome ontem... Wu-Fei, se ele foi amigo de Quatre tanto quando Duo é, ele poderia ser o novo dono da Yami, parece que terei outra oportunidade de ver o meu anjo".
Trowa se sentou no banco do carona, Heero disse que iria dirigindo para casa, depois Trowa poderia voltar a cidade e descobrir algo sobre o tal de Quatre Winner.
"Uaaahhh, que sono. Deixa-me ver que horas são. Nossa 21:20 hs, tudo isso cara eu dormi muito. Melhor eu tomar um banho e comer alguma coisa antes de ir para o Deathscythe, vamos ver o que tem na cozinha primeiro. Cara a geladeira ta pedindo socorro, tenho que me lembrar de fazer compras amanhã, acho que o jeito e tomar um banho e comer na Heavyarms".
Duo saiu do banheiro ás 22:00 tomou um banho demorado trocou de roupa, colocando uma calça preta e uma camisa sem manga desfiada entreaberta na altura do peito, colocou um par de luvas sem dedos preta e calçou uma bota da mesma cor. Trancou a porta e saiu correndo ele tinha apenas 20 minutos para ir a lanchonete engolir alguma coisa e ir para o clube, na pressa acabou atravessando a praça sem olhar e quase foi atropelado por uma Mercedes preta de vidros escuros, ele olhou na direção do carro e pediu desculpas continuando a correr. Heero estava tão concentrado em seus pensamentos que por pouco não acabou atropelando o humano que passou correndo na frente do carro, ele freou o carro e olhou para o idiota que quase o fizera cometer uma tolice, o que viu lhe causou um arrepio e um estremecimento no corpo, ele balançou a cabeça e viu o humano se curvar como que pedindo desculpas e voltar a correr, Heero perguntou se os outros estavam bem. Trowa estava olhando para trás enquanto conversava com Cathrine e não havia prestado atenção ao que havia acontecido e nem quem havia passado correndo na frente do carro. Apenas percebeu por um instante que Heero havia ficado tenso, por algum motivo quando perguntou o que havia acontecido, Heero apenas disse que um humano idiota havia atravessado a praça correndo. Eles chegaram ao castelo e Heero disse a Trowa para que ele fosse até a cidade ver se descobria alguma coisa.
- Trowa pegue o carro e volte a cidade, descubra quem é o humano que comprou Yami e se ele ainda a possui. Ofereça-se para comprar a espada, não importa o valor que ele pedir.
- E se...
- Se ele já tiver dado Yami, descubra quem é o novo dono, e a consiga de volta. Não me importa como, Yami não deve ficar com o humano.
- Mesmo que isso sig...
- Não. Se ele não quiser vende-la encontraremos um jeito de pegá-la, o humano não deve ser ferido. Não quero que sangue inocente seja derramado sem motivo.
- Como quiser Heero.
Cathrine apenas observava o dialogo entre eles, na verdade ela estava impressionada com as habilidades de Heero, nunca tivera a oportunidade de vê-lo utilizando seus poderes como no antiquário e agora com Trowa, ele havia conseguido obter as informações do Sr Kirehashi sem nem ao menos olha-lo nos olhos ele obedecera apenas o comando da voz de Heero e agora Heero respondia as perguntas de Trowa antes mesmo dele as completar.
Trowa sabia que Heero não estava lendo sua mente não era necessário Heero sabia como Trowa pensava, eles trabalhavam juntos há décadas, Heero conhecia a forma como Trowa conseguia suas informações e Trowa sabia como Heero resolvia os problemas, a cada novo desafio e a medida em que as coisas aconteciam. Trowa pegou o carro e voltou a cidade, ele decidirá ir direto a casa de Quatre, não deveria ser muito difícil encontra-lo, e ele estava ansioso por isso.
Na mansão da família Winner
- Ding Dong
- Boa noite.
- Boa noite poderia falar com o Quatre.
- Quem gostaria.
- Diga que é Dorothy Catalonia.
- Aguarde um instante verei se ele pode atende-la.
- Obrigada.
- Mestre Quatre, a Sta Catalonia veio vê-lo.
- Dorothy? Obrigado Rashid eu vou atende-la na biblioteca.
- Ola Dorothy.
- Quatre como você está? Você ta todo machucado a Noin me contou o que aconteceu, você esta bem meu amor.
- Eu estou bem Dorothy, foram apenas algumas escoriações nada demais, e como você está.
- Estou chateada, nós nunca mais saímos juntos. O que esta acontecendo Quatre? Eu te pedi uma chance para demonstrar meus sentimentos por você, mas parece que você tem me evitado.
- Desculpe-me não foi minha intenção Dorothy e que.
- Eu sei você seria incapaz de magoar alguém de propósito, como também seria incapaz de fingir algo que não sente.
- Dorothy...
- Não... não diga nada. Eu gosto de você desde que você tinha quinze anos, e ficaria muito feliz se você pudesse encontrar alguém, mesmo que esse alguém não seja eu. Seria um erro eu tentar fazer você se apaixonar por mim.
- Eu gostaria realmente de poder sentir por você o que você sente por mim Dorothy.
- E eu sei, mas espero tê-lo como amigo.
- Claro eu ficaria honrado.
- Agora me conta o que realmente aconteceu.
Trowa estacionou o carro na esquina da mansão onde Quatre morava, ele desligou o carro fechou seus olhos e mentalmente começou a chamar o nome do jovem loiro, Quatre estava falando conversando com Dorothy quando ouviu a voz de Trowa o chamando.
- Então foi isso que aconteceu, fico feliz que alguém tenha aparecido para ajuda-lo e... Quatre você esta bem?
- Hã o que?
- E que você de repente ficou esquisito.
- Não é nada é que eu tive a impressão de ouvir alguém me chamando.
- Eu não ouvi nada, nossa olha a hora melhor eu ir andando, já esta ficando tarde.
- Eu a acompanho até a praça, assim você não vai sozinha.
- Tudo bem obrigada.
- Rashid!
- Sim Mestre Quatre.
- Vou acompanhar Dorothy até a praça.
- Não prefere que um carro a leve Sr.
- Não é necessário Rashid. Vamos Dorothy.
- Claro. Adeus Rashid.
- Tenha uma boa noite Sta Catalonia.
Trowa ficou aguardando Quatre, ele sabia que ele o havia escutado, ele viu o portão da casa de Quatre se abrir e o viu saindo na companhia de uma garota. Trowa saiu do carro e colocou sem plano em pratica. Quatre continuava a ouvir a voz de Trowa em sua cabeça como se ele o estivesse chamando, ele olhou em volta e não viu nada, Dorothy continuava a conversar com ele e ele apenas sorria. Quatre não fazia a mínima idéia sobre o que ela estava falando, sua mente estava procurando o dono da voz em sua cabeça, foi quando ele o viu, na esquina parado perto do carro, parecendo conversar com alguém pelo celular. Trowa sabia que Quatre já o havia visto, ele se virou e olhou em sua direção sorriu e o cumprimentou curvando ligeiramente a cabeça e aguardou que se aproximassem. Dorothy observava com interesse o moreno parado na esquina, ele era realmente atraente ela o viu cumprimentar Quatre e o mesmo ficar com as faces vermelhas e os olhos brilhantes demonstrando alegria em ver o rapaz a frente.
- Boa noite Quatre, senhorita.
- Boa noite Trowa, e um prazer vê-lo.
- O prazer e todo meu Quatre.
- Essa e minha amiga Dorothy Catalonia. Dorothy este é Trowa Barton foi ele quem me ajudou ontem.
- E um prazer conhece-lo Trowa. Quatre você não me disse que seu salvador era tão bonito.
Quatre não soube o que fazer ele tinha certeza que seu rosto estava quase da cor de pimentão, pois sentia-o queimando, ainda mais quando Trowa olhou para ele curvando seus lábios em um meio sorriso.
- E um prazer conhece-la Sta Catalonia e obrigada a Sta também e muito bonita.
- Imagine pode me chamar de Dorothy.
- Como queira Dorothy.
Trowa inclinou sua cabeça em uma mensura e beijou a mão de Dorothy, a deixando encantada. Quatre por algum motivo ficou com ciúme, sabia que não deveria afinal Trowa era apenas um amigo e ele estava apenas sendo educado, ainda assim ele sentia ímpetos de puxar a mão dela para que eles não se tocassem.
- O que aconteceu Trowa?
- Me parece que o carro ficou sem combustível, como raramente sou eu quem dirige o carro não me lembrei de verificar se o tanque estava cheio e acabei parando aqui. E o você faz por esses lados.
- Eu moro naquela casa mais a frente. Você precisa de ajuda.
- Não é necessário já liguei e pedi que viessem me buscar, agora é ficar esperando.
- Por que não nos faz companhia até a praça, em pretendia levar Dorothy até lá para que ela não fosse sozinha.
- Tudo bem.
Quatre ficou feliz em poder ver e falar com Trowa novamente. Dorothy ficou conversando com Trowa , tentando descobrir mais sobre ele, enquanto ele respondia as perguntas feitas por ela, Quatre apenas os observava, Trowa já estava ficando irritado com a curiosidade da humana e nas suas tentativas de chamar-lhe a atenção.
"Como alguém consegue ser tão irritante, será que ela não percebe que não vou dizer nada sobre mim. Por que Quatre estava com ela, se não me engano a humana chamada Noin falou o nome dela ontem, será que eles são comprometidos, ele não me parece incomodado pelo fato dela demonstrar interesse em mim. E a personalidade dela não combina com ele".
Os três já estavam próximos a praça e Dorothy não dava mostras de querer deixar Trowa e Quatre sozinhos, aproveitando-se do fato de Quatre não poder ver os seus olhos, Trowa olhou nos olhos de Dorothy e mentalmente ordenou que ele se despedisse e os deixa-se a sós.
- Quatre eu vou indo daqui não precisa me levar ate a praça.
- Tem certeza Dorothy.
- Claro que sim Trowa foi um prazer conhece-lo, espero que possamos nos ver novamente.
- Também foi um prazer conhece-la.
Dorothy estendeu sua mão a Trowa ele tomou a mão dela e levou aos lábios, Dorothy sorriu para ele, depois ela se virou para Quatre e beijou o seu rosto se despedindo dos dois. Trowa olhou para Quatre e notou que ele estava ligeiramente vermelho.
- Parece que ficamos sozinhos.
- É verdade, será que já vieram buscar o seu carro.
- Não sei... como esta o ferimento em seu braço.
- Melhor obrigado por perguntar.
- Você não vai assistir o Duo hoje no Deathscythe ?
- Não o Duo falou que era melhor eu ficar em casa e descansar.
- Entendo. Quatre posso te fazer um pergunta.
- Hã claro, o que quer saber!
- Vamos até o meu carro e lá conversamos.
- Fiquei feliz em vê-lo novamente, engraçado eu estava casa conversando com Dorothy e tive a impressão de que você estava me chamando.
- Verdade.
- Sim e quando saí para acompanhar Dorothy, fiquei surpreso em encontra-lo.
- Realmente a vida as vezes e capaz de nos proporcionar grandes surpresas Quatre algumas inesquecíveis.
Ao se aproximarem do carro Trowa se virou para Quatre e seus olhos tinham um brilho avermelhado, mentalmente Trowa pediu que Quatre olhasse em seus olhos e respondesse suas perguntas.
- Quatre você comprou do antiquário uma espada.
- Sim ele me entregou a espada esta manhã.
- Você ainda a tem.
- Não. Ela era um presente a um amigo.
- A quem você a entregou.
- Ela pertence ao Duo agora.
- Ao Duo! Ele tocou na lamina.
- Ele cortou o dedo nela.
- Então ela já tem um novo dono de sangue. Quatre eu vou libera-lo do meu controle agora, e você não se lembrara de nada do que falamos.
Trowa cortou o controle mental que havia estabelecido com Quatre, por alguns instantes ele compartilhou dos pensamentos de Quatre, e o que ele viu era um reflexo do que ele mesmo estava sentindo: dúvida e desejo. Quando Quatre foi liberado sentiu-se um pouco tonto e foi amparado pelos braços fortes de Trowa. Ele se sentia ligado ao rapaz que o segurava, por alguns instantes ele sentiu como se o conhecesse, ele sentiu a solidão, a revolta que o corroíam por dentro, e quando ele levantou sua cabeça e seus olhos se encontraram por um momento ele viu a escuridão de sua alma. Trowa ainda tinha a sensação de estar ligado mentalmente a Quatre, se esquecendo de tudo a sua volta Quatre levou uma de suas mãos ao rosto de Trowa o acariciando fazendo com que Trowa fechasse seus olhos, ele podia sentir os dedos de Quatre correr por seus olhos, sua bochecha e se deter em seus lábios fazendo com que Trowa abrisse novamente seus olhos, ele se inclinou diminuindo a distancia entre a sua boca e a de Quatre . Quatre sentia seu coração pulsando cada vez mais rápido, e a medida que os lábios de Trowa se aproximavam, por instinto ele umedeceu seus lábios com a língua. Foi quando Trowa ouviu o barulho do outro carro do castelo se aproximando, fazendo com que ele se afastasse de Quatre, ele viu a decepção nos olhos de Quatre e sabia que a mesma estava refletida em seus olhos. Um dos empregados do castelo desceu do veiculo, e prendeu o carro de Trowa ao outro veiculo e aguardou que Trowa entrasse no carro para que eles retornassem ao castelo.
- Eu tenho que ir agora.
- Eu sei.
- Gostaria de vê-lo novamente Quatre se você quiser.
- Eu adoraria Trowa.
- Tome este é o numero do meu celular, quando quiser falar comigo me ligue.
- Obrigado eu ligarei.
- Tenha bons sonhos Quatre.
- Você também Trowa.
Quatre viu Trowa entrar no carro e ir embora de volta ao castelo dos Khushrenada, ele caminhou de volta a sua casa, e foi direto para seu quarto pensando em tudo que havia acontecido, na sensação de conforto que sentiu nos braços de Trowa e no fato de que eles quase haviam se beijado, ele nunca pensará nesta possibilidade, de beijar outro homem ou se apaixonar por um.
"Por Alá, o que esta acontecendo comigo eu acariciei o seu rosto, a sua pele tão fria, o que eu estava pensando quando fiz isso, a verdade e que eu não estava pensando, estava apenas deixando meus sentimentos guiar minhas ações, e por um momento me senti completo".
- Sr Barton o Sr. está bem.
- Sim Kenny.
"Ficarei bem".
Trowa chegou ao castelo e foi falar com Heero o que havia descoberto, Heero ouviu e não gostou de saber o que tinha acontecido, Yami tinha um novo dono e um dono de sangue. Heero disse que precisava pensar sobre o próximo passo, eles tinham perdido a chance de juntar Hikari e Yami novamente, por direito Heero era o dono de sangue de Hikari e por destino um humano era o novo dono de sangue de Yami, o tempo estava se esgotando e ele tinha que fazer alguma coisa para conseguir Yami.
- Trowa nós temos que pensar o que fazer, nós fomos descuidados permitindo que ela tivesse um novo dono, por enquanto vamos esperar, não podemos pegar Yami agora.
- Acha que o humano corre algum perigo.
- Por enquanto não, apenas se descobrirem que o novo dono de Yami é um humano.
- E o que faremos?
- Dê-me algum tempo para pensar, por enquanto é somente isso que podemos fazer. Neste meio tempo nem você e nem Cathrine devem deixar o castelo.
- Tudo bem. Ainda vai precisar de mim Heero.
- Não.
- Então eu vou me retirar.
- Pode ir Trowa tenha um bom descanso.
- Obrigado você também.
Trowa subiu as escadas e foi para seus aposentos, ele fechou a porta e encostou-se nela, ele caminhou até a janela e abrindo a cortina, não haviam estrelas no céu e uma chuva fina começava a cair, ele foi até a cômoda e retirou dela uma caixa comprida dentro dela havia uma flauta, um presente ganho de Cathrine no seu aniversário, Heero também o havia presenteado com uma Tantô [1]. Trowa pegou a flauta sentou-se no sofá e começou a tocar, ele não tocava há muito tempo, mas por algum motivo ele desejou faze-lo esta noite e enquanto tocava pensava em seu anjo.
"Quatre por que fez isso, me tocar dessa forma, ainda posso sentir sua mão em meu rosto seus dedos contornando meus lábios, por Deus nunca desejei tanto beijar alguém, como desejei faze-lo contigo, se Kenny não tivesse chegado eu teria provado o sabor dos teus lábios, eu não deveria ter-lhe dito que gostaria de vê-lo novamente mesmo sendo este o meu desejo, mas não podemos, pois você e humano e eu sempre serei um vampiro".
Continua...
[1] Tantô = espada japonesa curta de 15 a 33 cm (no caso da de Trowa ela tem 16 cm)
