Lábios de Sangue
Capitulo 5 - Quando a Luz encontra as Trevas
O castelo dos Khushrenada se encontrava no mais absoluto silêncio, seus habitantes ainda não haviam acordado, afinal ainda eram 17:30 hs, mas uma pessoa, ou melhor, um vampiro não estava tendo um sono tranqüilo. Heero estava tendo um sono agitado, imagens e surros apareciam em seu sonho.
- Quem é você?
- Por que quer saber quem eu sou, se você já me conhece.
- Eu não sei quem você é.
- Não? Você me deseja e não sabe quem sou.
- Mostre-me seu rosto e eu direi se te conheço.
- Minha voz não basta para saber quem sou.
- Uma voz nas sombras não é suficiente para me dizer quem és.
- Eu sou muito mais que sombras Heero. Eu sou real.
- Quem é você?
- Pergunte a você mesmo quem sou.
Heero acordou sobressaltado, o sonho o perturbará muito mais do que gostaria de admitir, quem era o dono daquela voz, ela dizia que se conheciam, mas ele não conseguia se lembrar de ninguém que tivesse uma voz tão sedutora, ele sentia que conhecia o dono da voz escondida nas sombras.
"Droga novamente esse maldito sonho se não me bastasse sonhar com o humano de cabelo comprido, agora mais essa, eu deveria ter passado com o carro por cima dele aquela noite, talvez assim a lembrança dele me deixasse em paz".
Heero levantou e foi até o salão abaixo do castelo onde Hikari era guardada, ele tocou a redoma de vidro com sua mão esquerda, e uma porta surgiu permitindo a Heero entrar na redoma e pegar Hikari com uma das mãos. Heero saiu e ficou olhando para a lamina de Hikari.
"Eu estive tão perto de encontrar a sua metade, e eu a perdi para um humano, mas nós a encontraremos e traremos de volta eu prometo".
Heero passou os dedos de sua mão direita por sobre a lâmina cortando-o imediatamente seu sangue começou a escorrer por ela, ele afastou sua mão e fechou os olhos concentrando-se para fechar o corte, a lâmina de Hikari absorveu o sangue de Heero e por alguns instantes adquiriu um brilho avermelhado, enquanto olhava Hikari Heero se lembrou da cerimônia a que foi submetido para ser o novo dono de Hikari e poder ser o próximo shuhan dos Khushrenada.
Veneza ano de 1745
- Mandou me chamar Treize.
- Sim Yuy sente-se, por favor, serei breve. Há dois dias eu o nomeei o novo guardião de Hikari e o incumbi de encontrar a outra metade, mas como você mesmo disse e o sacerdote Gabriel fez questão de lembrar apenas eu posso tocar em Hikari, uma vez que tenho o sangue dos Khushrenada e sou seu dono de sangue, então para que ela seja sua você devera ter o meu sangue. No momento é o sangue dos Peacecraft que corre em você e não posso permitir que toque em Hikari antes de livra-lo do sangue deles.
- E como você fará isso Treize, uma vez que como você mesmo disse e o sangue de Relena que corre dentro de mim.
- Há uma maneira, nada muito complicado, mas devo avisa-lo de que será doloroso.
- E como será feito.
- Primeiro, nós teremos que drenar todo o seu sangue e no processo iremos substituí-lo pelo meu. Isso deverá levar algumas horas.
- Algumas horas?
- Exatamente começaremos hoje à noite e o processo de drenagem e transfusão se estenderá pela manhã, como somos vulneráveis pela manhã faremos todo o processo na basílica, Trowa e William deverão estar conosco para que nada e nem ninguém atrapalhe. Digamos que eles serão nossos guardiões enquanto estivermos... Ocupados.
- E a que horas começaremos.
- Por volta das 00:00 hs.
- Avisarei a Trowa que ele deverá nos acompanhar a basílica, já avisou Cathrine que ela irá conosco para o Japão dentro de cinco dias.
- Ainda não, não sei se ela entenderá a necessidade de nos afastarmos, e de que no momento a vida dela corre perigo estando ao meu lado. Mas pretendo faze-lo assim que voltarmos da basílica amanhã.
- Vou procurar Trowa e nos encontramos na basílica no horário combinado.
- Estarei aguardando-os então.
Heero saiu do escritório de Treize e foi procurar Trowa, Heero não deseja ser o próximo shuhan dos Khushrenada, mas se sentia honrado por Treize confiar nele a ponto de considera-lo como seu sucessor. Heero não tinha receio do que estava por vir, ele sabia que seria capaz de enfrentar qualquer coisa que o destino colocasse em seu caminho. Heero encontrou Trowa algumas horas depois lendo na biblioteca, ele levantou seus olhos do livro assim que Heero se juntou a ele, em poucas palavras explicou tudo o que havia conversado com Treize há poucos minutos.
- Então essa é a única maneira de você se tornar o guardião de Hikari?
- É o que parece.
- E dará certo Heero.
- Sinceramente não sei Trowa e não me importo se esta for a única maneira de impedir que outros realizem a profecia que assim seja.
- Heero o que é essa profecia? E por que o clã dos Khushrenada não quer que ela se realize.
- Na verdade apenas poucos do clã não querem que ela se realize, outros acreditam que seria melhor que ela se realizasse, que assim nossa espécie não seria obrigada a se esconder, mas seriamos os governantes desta terra que nos teme.
- Governar os humanos?
- Sim Trowa imagine um mundo de trevas eternas, onde não o sol, mas a lua fosse o astro rei, um mundo onde não precisaríamos nos esconder da luz, pois a escuridão seria a única a existir. Quanto tempo acha que humanos sobreviveriam sem sucumbir e quanto tempo acha que nós sobreviveríamos após eles sucumbirem. Uma vez que o alimento se tornasse escasso, quanto tempo acha que levaria para a nossa espécie começar a se alimentar uns dos outros.
- Pouco tempo, mas será que os outros não pensam nisso.
- Não eles estão apenas preocupados em matar sua sede por sangue e apenas nisso que eles pensam e é apenas por isso que eles vivem, sobrepujar os humanos e caça-los como animais.
- E a única esperança que temos esta em proteger Hikari e encontrar Yami, difícil acreditar que o destino desse mundo reside em apenas duas espadas.
- Eu sei Trowa, eu também não entendo, pelo que Treize me disse somente entenderemos quando encontrarmos a outra metade.
- E porque somente quem tem o sangue dos Khushrenada pode tocar Hikari.
- Pelo que entendi Hikari foi forjada em honra a esposa do ferreiro, ele a forjou como uma forma de demonstrar seu amor por ela, teoricamente todos os sentimentos que ele sentia por ela foram transmitidos a espada, por esta razão ela recebeu o nome Hikari, pois era assim que ele considerava sua esposa a luz de sua vida, ele entregou a espada a ela como um presente em celebração ao aniversário de casamento deles, sendo que quando ela pegou a espada acabou cortando a mão na lâmina e a molhando com seu sangue.
- Mas isso não explica o fato de que apenas quem tem o sangue dos Khushrenada possa... A menos que a esposa do ferreiro.
- Exatamente Trowa, a esposa do ferreiro era estrangeira e Treize e um descendente direto dela e como o sangue dela foi o único a molhar a lâmina.
- Apenas aqueles que descendem do sangue dela podem tocar Hikari.
- Mas e o ferreiro? Ele podia tocar em Hikari não é.
- Sim afinal foi ele quem a forjou.
- E quanto a Yami? Apenas aqueles que descendem da esposa do ferreiro podem toca-la.
- Não, pelo que Treize sabe, Yami não foi maculada com sangue, uma vez que ela somente foi forjada após a morte da esposa do ferreiro, mas não temos certeza disso, não existem muitas informações sobre ela. Apenas que após a morte de sua esposa, o ferreiro viveu um período de trevas e em meio a sua loucura acabou forjando Yami e transmitindo a ela todos os seus sentimentos de dor, solidão e escuridão por isso o nome de Yami.
- Tem uma coisa que eu ainda não compreendo, a razão das espadas precisarem de um dono de sangue, e o por que da lâmina absorver o sangue do dono.
- Bem Trowa, isso nem Treize conseguiu explicar e não creio que o saberemos tão cedo. Agora vamos não temos muito tempo.
Heero voltou seus olhos para a espada em suas mãos e percebeu que ficara imerso em seus pensamentos por muito tempo, ele colocou Hikari em seu lugar e voltou para seu quarto, não era o momento para ficar preso em lembranças, ele tinha que encontrar um modo de conseguir Yami de volta. Heero trocou de roupa e saiu do quarto, no caminho encontrou-se com Trowa, ele notará que o amigo estava estranho, desde a noite em que foram ao antiquário, na verdade desde que ele retornará a cidade para obter mais informações sobre Yami com o Quatre Winner, por algum motivo Heero tinha a certeza que o rapaz era o motivo de Trowa se encontrar perdido em seus pensamentos. Trowa cumprimentou Heero, ele sabia que Heero já estava desconfiado e faltava muito pouco para ele descobrir o por que.
- Heero porque você não sai um pouco.
- Sair?
- Sim Heero você está trancado neste castelo desde que chegamos a cidade.
- Não é verdade eu fui ao antiquário.
- Isso foi há duas semanas, e foi a única vez que colocou os pés na rua. Você nos deu permissão para sair do castelo há uma semana e, no entanto você continua trancado aqui todo esse tempo.
Heero então se lembrou do humano que quase atropelara aquela noite, um rapaz com uma longa trança, vestido todo de preto, por algum motivo ele não conseguia deixar de pensar no humano e isso já o estava irritando. Ele sempre tivera controle sobre suas emoções e nos últimos dias passara a sonhar com o humano, com seu rosto ofegante devido à corrida e ao susto, ele se pegara tentando descobrir a cor de seus olhos, atrás do vidro eles lhe pareceram claros e ainda de um tom que ele não conseguiu identificar.
- Sabe que não gosto do convívio com os humanos Trowa.
- Eu sei Heero, mas ficar trancado também não resolve nada, não temos noticias dela há décadas, ela pode estar morta.
- Não creio que os céus tenham me agraciado com tamanha benção.
- Quem sabe, de repente o destino esteja ao nosso lado esta vez.
- Ora ora Sr Barton andamos otimistas ultimamente, a que devemos tamanha mudança, que eu me lembre você costumava ser tão anti-social com humanos e vampiros quanto eu.
- E que o nosso Trowa anda encantado com um humano em forma de anjo.
- Cathrine!
- Um humano!?
- Heero eu pos...
- Sabe que o convívio com humanos e proibido para nós, não creio que tenha dito a ele o que você é Trowa, nem você seria tão descuidado, nos alimentamos de humanos, o sangue dele é nossa sobrevivência, nós os matamos para que possamos viver.
- Mas nós não matamos humanos e nem nos alimentamos deles a mais de 100 anos, a verdade e que nós os evitamos, nos escondendo nas sombras como se fossemos a caça e não o caçador.
Heero podia sentir a revolta e o ódio de Trowa, ele também o tinha, mas diferente do jovem vampiro a sua frente, ele não costumava demonstrá-lo, quem o visse diria que Heero não possui emoções elas foram retiradas com seu sangue no dia em que se tornou um vampiro. Um dia que ele gostaria que nunca tivesse acontecido, os anos em que passou em companhia de Relena o transformara em um monstro sedento de sangue, matava os humanos apenas por diversão, se alimentava sem se importar se suas vitimas eram ou não apenas crianças.
Ele vivia na mais completa escuridão, era temido por humanos e vampiros, até que conheceu Treize Khushrenada o shuhan dos Khushrenada, Treize conseguiu resgatar a razão em Heero. O fez enxergar que humanos também deviam ser respeitados, que não era por que o sangue deles era seu alimento que eles deviam ser tratados apenas como caça.
- Heero por que trata os humanos desta forma.
- Hn! Eles não passam de vermes, apenas alimento, nada mais que isso.
- Em que ela o transformou, tanta raiva e sede, e verdade nos alimentamos do sangue deles, mas diferentemente de nós, eles possuem uma alma mortal, você também teve uma alma um dia não é Heero, você também já foi humano, um dia você também foi a caça antes de encontra-la, a sede por sangue pode destruir até mesmo o mais forte dos vampiros e se continuar desta forma não creio que chegue ate o final deste século. Não estou dizendo que você deva parar de mata-los, não tenha apenas mais compaixão pelas suas vitimas, afinal você poderia ter sido uma delas se ela não o tivesse tornado um de nós. Viva a sua imortalidade Heero, se você desejar mudar de ares, deixar a ela e o que ela chama de clã, me avise estarei deixando a França hoje mesmo.
As palavras de Treize conseguiram chegar até Heero e naquela mesma noite ele foi embora.
- Não precisa se exaltar Trowa, fiquei apenas surpreso em saber que um humano despertou a sua atenção. Ele deve ser muito especial afinal nunca o imaginei com um rapaz, não que isso faça diferença para nossa espécie, mas pelo que me lembro todos os seus [i]"relacionamentos"[/i] anteriores eram com parceiras e não parceiros. Então foi por este motivo que você demorou na noite em que foi falar com o antiquário e o que mais não me contou sobre aquela noite.
- Eu não tenho nenhum relacionamento com o humano... Eu apenas o salvei de alguns bandidos.
- Hn... Tudo bem meu amigo me desculpe, porque não me conta então o que aconteceu aquela noite quando conheceu esse anjo.
Heero ouvia com atenção o relato do encontro de Trowa com o humano, ficou surpreso ao constatar a forma como Trowa reagia cada vez que dizia o nome do seu anjo. Uma enorme tristeza invadiu seu corpo, quando descobriu que seu amigo havia sem se dar conta se apaixonado, não queria estragar lhe a felicidade dizendo que o que ele sentia não havia esperanças de futuro. Um humano jamais amaria um vampiro, era impossível já vira isso acontecer antes, e sabia que Trowa seria incapaz de transformar o seu anjo em um deles jogando-o nas trevas.
- Então quer dizer que você matou os humanos que tentaram violentar o Quatre não é isso.
- Sim.
- Quebrando o pescoço de um e atravessando o peito do outro, então devo imaginar que os corpos que Kimitsu trouxe aquela noite e que foram enterrados na propriedade são deles não é.
- Mas como soube?
- Eu não nasci ontem Trowa, achou realmente que eu não descobriria, que não sentiria o cheiro do sangue deles. Vamos esquecer isso, o que está feito está feito não se pode voltar atrás, mas não quero que isso volte a acontecer no futuro, fez bem em ajuda-lo isso faz parte da sua natureza, apenas não mate ninguém da próxima vez.
- Tudo bem me desculpe, reconheço que me excedi, isso não voltara a acontecer.
- Certo e aonde você quer me levar Trowa.
- Na verdade você já deveria ter ido afinal, você é o proprietário, o sr Yuki me perguntou por que você ainda não foi ver o clube.
- Por que não tenho o menor interesse em conhecer o lugar.
- O dono da Yami trabalha lá. Ele é o vocalista da banda, você deveria assistir ele canta muito bem, e ele é amigo do Quatre, foi ele quem deu a espada para o Duo.
- Duo!
- Duo Maxwell e o nome do dono da Yami.
- Então foi por isso que você descobriu tão rápido o novo dono da Yami não é. O que sabe sobre ele Trowa.
- Não muito apenas que ele trabalha lá há pouco tempo e que ganhou a espada do Quatre.
- Descubra tudo o que puder sobre este tal de Maxwell, procure o Sr Yuki, diga que quero um levantamento de todos os funcionários do clube assim ficará mais fácil obter as informações, verifique também com o seu novo amigo humano, quero saber tudo sobre ele até amanhã à noite, assim saberei com quem estou lidando quando for ao Deathscythe amanhã não gosto de surpresas, fale ao Sr Yuki que irei lhe fazer uma visita. Cathrine.
- Sim... Heero.
- Vá com Trowa até o clube hoje obter as informações.
- Está bem.
Trowa e Cathrine se dirigiram ao Deathscythe para conseguir as informações necessárias sobre o dono da Yami, Heero havia pedido que Cathrine acompanhasse Trowa, pois notará que ela andava um tanto triste, Heero sabia que Cathrine sentia a falta de Treize, afinal eles não se viam há quase duas décadas.
O ultimo encontro deles fora no Egito, desde a saída de Veneza que os encontros entre eles estavam se tornando difíceis, antes eles costumavam ocorrer três a seis vezes por ano, mas agora... Há quase oito anos que eles não viam Treize. Heero sabia que Cathrine procurava não demonstrar sua tristeza, ele não compreendia os sentimentos dela, afinal ele nunca se apaixonara, se interessara ou sentira algo especial por alguém, como o que ela sentia por Treize e o que Trowa estava descobrindo agora, mas sabia o que era sofrer e via isso nos olhos de Cathrine a cada dia.
- Acho que o meu destino viver minha imortalidade sozinho, eu preciso sair daqui. Kimitsu!
- Sim Sr Yuy.
- Eu vou sair, caso aconteça alguma coisa em minha ausência liguei para o meu celular.
- Quer que prepare o carro Sr.
- Não é necessário, acho que vou caminhar um pouco por ai, Ah vou levar Zheus comigo.
- Zheus!?
- Sim você não me disse que ele precisava de um pouco de exercício, então vou leva-lo para se exercitar um pouco não se preocupe ele ira me obedecer.
- E pretende ir muito longe Sr.
- Não se preocupe Kimitsu estarei de volta antes do sol nascer.
Heero subiu para seu quarto trocou suas roupas por uma calça de moletom preta e uma camiseta da mesma cor passou pelo canil para levar Zheus consigo, Zheus era uma mistura de pastor alemão e lobo, tinha olhos azuis e o pelo todo negro, e não gostava nem um pouco de Heero, os únicos a que Zheus obedecia eram Kimitsu, Trowa e Cathrine, não que Zheus atacasse Heero ele somente não costuma obedecer a seus comandos na primeira vez em que ele as diz. Quando chegou ao canil Zheus olhou Heero e rosnou para ele, Heero olhou para Zheus e mandou que ele saísse, e como sempre Zheus o ignorou, Heero não estava com muita paciência e ordenou novamente que ele saísse sendo que dessa vez sua voz estava mais fria e num tom mais baixo e seus olhos estavam avermelhados, no mesmo instante Zheus passou por ele de cabeça baixa saindo do canil.
- Ótimo, sabia que me obedeceria Zheus, Kimitsu me disse que precisava de exercícios então nós iremos dar um passeio e você vai me obedecer entendeu.
Zheus olhou para Heero como que ouvindo suas palavras e rosnou para ele, Heero não tinha idéia de onde ir, sabia apenas que precisava sair e respirar o ar da noite, a noite estava agradável, o céu repleto de estrelas, a lua brilhando no céu, a brisa fresca da primavera em seu rosto, ele começou a correr deixando o destino guiar os seus passos.
"Pois é plena segunda feira à noite, dia da minha folga, uma noite maravilhosa de primavera e eu não tenho nada para fazer. Quatre saiu com os pais, tudo bem que eles me convidaram, mas eu não estava muito a fim de ir ao teatro, o Wu-Fei esta treinando com o avô novamente, um dia desses ele vai ter um treco de tanto treinar, acho que esta na hora do Wu-Fei arrumar uma garota, o que eu faço, não estou a fim de ficar em casa hoje, já sei vou dar uma volta por ai talvez eu me inspire e escreva uma canção nova é isso".
Duo foi para o quarto colocou uma calça preta de malha e uma camiseta sem manga branca, pegou um estojo colocou seu celular e um pequeno gravador dentro, pegou uma toalha pequena e saiu de casa, ele parou na rua e ficou pensando que direção tomar, sem saber por que olhou para o oeste na direção do castelo dos Khushrenada, ele havia ido naquelas terras muitas vezes quando pequeno, havia um pequeno vale lá, onde a luz da lua e as estrelas criavam um espetáculo único, e onde o vento nessa época carrega o perfume de rosas, pelo que se lembrava havia um roseiral no castelo, com rosas brancas, amarelas, mas as mais belas eram as rosas vermelhas, de um vermelho vivo, como se fossem banhadas a sangue, Duo costumava cuidar das roseiras quando pequeno, para que elas sempre cultivassem sua beleza, uma vez ou outra levava algumas delas para a irmã Hellen, mas depois que ela e o padre Maxwell morreram ele nunca mais viu as rosas ou foi ao vale sentir seu perfume.
- Acho que vou lá hoje, não acho que os habitantes vão se incomodar, e qualquer coisa o Trowa mora lá, alem do mais eles nem devem saber como chegar ao vale, eles estão na cidade há apenas alguns meses.
Duo fazia seu alongamento sem se dar conta das pessoas que passavam e o olhavam com admiração, atraente, simpático e dono de uma voz sedutora ele era o desejo de mais da metade dos habitantes solteiros e por que não dizer dos comprometidos também, mas por algum motivo ele recusava se entregar a alguém, ele tinha medo de amar e perder essa pessoa, pois todos que ele amará acabaram morrendo e o deixando sozinho, e ele não queria sofrer a dor da perda novamente, mas o que ele tentava ignorar e que o seu coração e a sua alma ansiavam se apaixonar e se entregar, e às vezes o destino tem uma maneira engraçada de resolver as coisas.
- Droga! Cachorro idiota... Zheus onde você se meteu. Por que raios eu tive a estúpida idéia de trazer esse cachorro, nem sei onde eu estou, ainda devo estar nas terras dos Khushrenada, mas aonde. Zheus! Acredite Zheus quando eu te encontrar você vai se arrepender.
Nos primeiros instantes de caminhada Zheus ficara ao lado de Heero, uma vez ou outra ele corria mais à frente e depois retornava, por isso Heero não se preocupou quando Zheus sairá em disparada, ele acreditava que o cachorro voltaria como das outras três vezes em que fizera isso, mas já fazia 30 minutos e nem sinal de Zheus.
Clube Deathscythe:
- Boa noite Sr Yuki, desculpe incomoda-lo ainda mais na sua folga.
- Não há problema algum Sr Barton e sempre um prazer recebe-lo, fiquei surpreso com sua ligação é claro, mas em que posso ajuda-lo.
- O Sr Yuy deseja saber o nome de todos os funcionários e seus dados.
- E por que isso.
- Rotina, o Sr Yuy gosta de saber quem trabalha para ele, e como ele pretende visitar o clube amanhã nada mais natural que ele tenha essas informações não acha.
- Claro. Vamos entrar, por favor, senhorita sinta-se à vontade por favor.
- Obrigada.
- Seu nome é.
- Desculpe-me esqueci de apresenta-los Sr Yuki esta e a Sta Cathrine Bloom, Cathrine o Sr Yuki é o gerente do Deathscythe.
- Encantado em conhece-la Sta, permita-me dizer-lhe que é uma mulher muito bonita.
- Obrigada Sr Yuki.
- Acho melhor começarmos logo não acha Sr Yuki.
- Claro Sr Barton, vamos para minha sala.
Duo caminhou em direção a terra dos Khushrenada, fazendo o mesmo percurso que ele fazia quando era pequeno, um pouco antes de chegar à entrada das terras havia uma pequena trilha escondida pela vegetação, como ela não era usada há anos, o mato havia crescido um pouco dificultando a passagem para quem não a conhecia, mas como ele sabia o caminho até o pequeno vale, ele não encontrou muita dificuldade, ele podia ouvir ao longe o som de um cachorro, mas o mesmo parecia estar muito longe dali, ele seguiu pela mata por aproximadamente meia hora, até que ele encontrou a trilha que subia a encosta do vale, ele prendeu a toalha na calça, passou sua mão pela alça do estojo e começou a subir a trilha, ele chegou no alto da encosta onde havia um pequeno descampado, ele olhou para o céu e viu as estrelas brilhando, Duo deu um pequeno sorriso e sentiu o fresco da noite e o perfume da dama da noite que descia pela encosta até o vale lá em baixo, ele sentou-se na borda da encosta e olhou o vale, ele podia ver a lua refletida no lago lá embaixo, apesar de ser noite havia uma certa claridade o suficiente para que ele pudesse apreciar a paisagem.
"Realmente essa visão inspira qualquer um."
Duo pegou seu gravador e começou a cantar uma música, como se ela estivesse vindo do fundo de seu coração e ela carregava tudo aquilo que ele estava sentindo no momento.
Here I am seated alone the
Side of a precipice
the wait of that obtains
To fill the emptiness in my heart
Eye for the stars in the sky and
I think that never I will be as
Alive they and shining
I am dying to the few and
I do not know if exists somebody that
Would feel my lack
Estou aqui sentado sozinho a
Beira de um precipício
A espera de alguém que consiga
Preencher o vazio em meu coração
Olho para as estrelas no céu
E penso que jamais serei como elas
Vivas e brilhantes
Estou morrendo aos poucos
E não sei se existe alguém que
Sentiria minha falta
Ao longe Heero ainda procurava Zheus quando o vento veio carregando em suas asas o som de uma voz, carregada de tristeza, ele podia sentir a solidão através daquela voz, a mesma solidão que ele vinha sentindo, ele já ouvirá aquela voz antes, ele tinha certeza, então ele decidiu encontrar a pessoa dona daquela voz, e seguiu em direção que ele achava que a encontraria.
No Deathscythe:
- Bem acho que isso é tudo Sr Yuki.
- Qualquer dúvida sobre qualquer um dos empregados, basta me procurar Sr Barton.
- Acho que não será necessário. Estamos indo então, o Sr Yuy vira amanhã conhecer o clube.
- Diga-lhe que ele não ira se arrepender, amanhã será a noite do desafio no Deathscythe.
- Noite do desafio o que é isso.
- Bem Sta Bloom é a noite em que o vocalista da banda é desafiado a cantar as musicas escolhidas pelos clientes e se o vocalista não souber cantar ele tem que atender a um pedido do cliente.
- Que tipo de pedido os clientes pedem?.
- Na verdade o vocalista nunca perdeu, ele parece conhecer todos os tipos de música, o clube realiza o desafio a cada quinze dias e o vocalista continua invicto.
- Interessante. Nos veremos amanhã então Sr Yuki.
- Sr Barton, Sta Bloom tenham uma boa noite.
- O Sr também Sr Yuki.
- Trowa vamos conhecer a cidade?
- Conhecer a cidade?
- Sim andar um pouco pelas ruas, tem tanto tempo que não faço isso, na companhia de alguém.
- Claro por que não. E aonde a dama gostaria de ir.
- Trowa!
- Vamos dar uma volta então.
Trowa estendeu seu braço a Cathrine num tom de brincadeira, ela sorriu se curvou e passou seu braço pelo dele, e começaram a caminhar pelas ruas da cidade, algumas pessoas olhavam para os dois, admirando-lhes a beleza, eles realmente formavam um belo casal, ela vestia um longo vestido florido e sandálias com salto e ele vestia uma calça marrom escuro, sapatos da mesma cor e uma blusa bege com as mangas dobradas um pouco acima dos punhos.
- Trowa me desculpe por ter falado sobre o Quatre na frente do Heero.
- Tudo bem Cathrine, eu teria mesmo que contar a ele, e como vimos ele já sabia.
- É verdade. Como será que ele soube.
- E impossível esconder as coisas de Heero, ele tem muito mais tempo que nós e muito mais experiência. E ele vive sempre alerta, então seria natural que ele descobrisse cedo ou tarde.
- E verdade. Olhe Trowa um teatro, parece que sessão acabou, tem tanto tempo que não venho a um, será que podemos vir aqui outro dia.
- Claro não vejo motivos para não faze-lo e melhor nós voltarmos para o castelo não acha, ainda temos que passar as informações sobre Duo Maxwell ao Heero.
- Então vamos.
Trowa e Cathrine caminharam de volta ao clube para pegarem o carro, mas eles não viram que um jovem loiro os acompanhava com olhos tristes. Quatre saia do teatro com seus pais e sua irmã, ele conversava com Iria sobre a peça que eles tinham acabado de assistir quando seus olhos viram, o rapaz alto de incríveis olhos verdes que vinha lhe tirando o sono do outro lado da rua, mas ele estava acompanhado por uma garota muito bonita, no momento que Quatre notou que eles estavam de braços dados uma infinita tristeza envolveu seu coração. Iria notou que seu pequeno irmão olhava para o casal que caminhava do outro lado da rua, toda a alegria de poucos minutos havia sido substituída por uma tristeza que transparecia em seus belos olhos azuis.
- Quatre o que houve? Você está bem?
- Hã? Desculpe-me Iria eu me distrai, sobre o que falávamos.
- Você ficou triste de repente, o que aconteceu? Tem algo a ver com aquele casal caminhando do outro lado.
- Eu...
- Não precisa me dizer se não quiser, por que você não convida o Duo para ir lá em casa assim vocês podem conversar melhor, eu tenho achado ele um pouco triste.
- E o Duo anda meio estranho, ele não quis vir conosco, vou ligar para ele de repente ele aceitar jantar conosco no Sandrock.
Nobody perceives that the water to wet my face is not
Rain falling, but my suffering
For being alone here
I am much more of whom
I make look like
To be and being alone never
I will be able to show
Who really I am
Ninguém percebe que a água
A molhar o meu rosto não é a
Chuva caindo, mas o meu sofrimento
Por estar aqui sozinho
Eu sou muito mais do que aparento
Ser e estando sozinho jamais poderei mostrar
Quem realmente sou
Ele se sentia inspirado a compor apesar da melancolia que a visão a sua frente proporcionava, ele se sentia sozinho, como nunca se sentirá antes, ele não ia aquele lugar há tanto tempo e então como há muito tempo não fazia ele começou a chorar.
- Deus, por que me sinto tão só, por que tiraste eles de mim, eles eram minha família e minha vida, mesmo tendo a companhia de meus amigos e o carinho dos Winners ainda me sinto só. Toda vez que sinto o frio do crucifico em meu pescoço sei que nunca mais os verei. E dói tanto... tanto estar sozinho, eu... eu queria... queria encontrar alguém, alguém que me fizesse esquecer essa solidão que esta me matando por dentro.
Duo estava chorando alheio a tudo a sua volta, ele não notou que alguma coisa se aproximava dele por trás, quando de repente alguma coisa molhada começou a empurrar seu braço ele, se assustou e abriu os olhos por instinto ele se levantou esquecendo-se de onde estava, nisso ele acabou escorregando e machucando o abdômen nas pedras da encosta tentando se apoiar e estava preste a cair quando sentiu alguém segurando seu braço, levantou sua cabeça e viu alguém olhando para ele. A pessoa o puxou para cima e ele foi colocado novamente em cima da encosta. Heero estava seguindo a voz que ele havia, ouvido quando chegou a base de uma encosta, ele havia visto Zheus correr a sua frente pensou em chamar o cachorro, mas resolveu não faze-lo ele começou a subir correndo a encosta temendo que Zheus atacasse, seja lá quem estivesse cantando, ele chegou a tempo de ouvir o humano começar a chorar e a falar com uma pessoa que ele não conversava há séculos, ele notou que Zheus estava se aproximando do humano de cabelos compridos, temendo que o humano se assustasse com sua presença ele achou melhor não chamar Zheus, mas o humano acabou se assustando quando Zheus se aproximou e tocou o seu braço. Heero previu o que acabaria acontecendo e conseguiu pegar o humano assim que ele despencou. Heero olhava a face do humano a sua frente ele já o havia visto antes, ele puxou o humano para cima até que ele estivesse seguro no alto da encosta.
- Você está bem.
- O...obrigado eu me assustei. Ele é seu.
- Ele mora comigo, me parece que ele gostou de você.
Zheus assim que Duo estava em cima da encosta, pulou em cima dele e começou a lamber a sua mão, Duo começou a fazer carinho nele, tentando ignorar a sensação de seu corpo em relação ao rapaz que acabará de salva-lo ainda podia sentir seus dedos frios em volta de seu braço. A voz profunda do estranho a sua frente causou um arrepio por todo o seu corpo e foi com dificuldade que respondeu a pergunta do estranho a sua frente. Heero podia sentir a confusão e um outro sentimento que ele não conseguiu identificar vindo do humano, ele se lembrará dele, era o humano que quase atropelara há duas semanas atrás e o responsável pela sua insônia nos últimos dias. Heero ficou feliz em encontra-lo novamente, talvez o destino estivesse ao seu lado dessa vez.
No castelo dos Khushrenada:
- Kimitsu onde esta Heero.
- Sr Yuy saiu para dar uma volta pela propriedade Sr Barton.
- Uma volta? E ele saiu a muito tempo.
- Poucos minutos após a saída do Sr e da Sta Bloom.
- Ele disse quando voltava.
- Não, ele disse apenas que retornaria antes do sol nascer, acredito que ele retorne em breve, uma vez que Zheus foi com ele.
- Zheus!? Neste caso ele já deve estar retornando.
Na parte oeste da terra dos Khushrenada:
- Quem é você e o que faz por aqui.
- Eu costumava vir aqui quando pequeno, e como não vinha há muito tempo e a noite está tão bonita, resolvi vir hoje, eu me chamo Duo, eu trabalho no clube na cidade.
- Duo Maxwell não é.
- Como sabe meu sobrenome.
- Por que teoricamente você trabalha para mim, eu sou o dono do Deathscythe.
Heero não acreditava que pudesse encontrar o dono de Yami, a sua frente, então ele era o cantor de que Trowa falará, ele tinha que admitir realmente o jovem a sua frente tinha uma bela voz, além de ser muito atraente. Duo olhava para o rapaz a sua frente ele parecia ser apenas um pouco mais velho que ele, e, no entanto era dono do clube, então ele era o outro morador do castelo, ele achou o rapaz muito bonito, apesar do olhar e das palavras frias, era como se já se conhecessem. Heero se sentiu analisado pelo humano e apesar de estar acostumado, isso o estava incomodando.
- Então gostou?
- Hã?
- Do que viu, você não está me observando.
- Desculpe.
- Venha melhor limpar seu ferimento para não infeccionar.
- Ferimento?
- Sim no seu abdômen, deve ter se machucado quando escorregou.
Heero podia sentir o cheiro de sangue, isso significava que o humano a sua frente estava machucado, não era um ferimento que necessitasse de cuidados imediatos, mas ele por algum motivo, não queria deixa-lo imediatamente e queria vê-lo melhor em um lugar mais claro e não sob a luz da lua, ela dava ao humano uma aparência surreal que estava deixando Heero perturbado. Duo não sabia que havia se machucado e nem ao menos estava sentindo dor em algum lugar, apenas uma pequena queimação no abdômen, ele abaixou a cabeça e viu que realmente havia se machucado um pouco, mas não havia necessidade de algum cuidado especial, ele poderia cuidar do ferimento quando chegasse em casa, mas ele queria ficar mais tempo com o rapaz alto e descobrir mais sobre ele. Duo se abaixou e pegou seu gravador e o estojo.
- Zheus vamos.
Heero chamou Zheus, mas o cachorro apenas rosnou para ele e ficou ao lado de Duo. Duo olhou para o rapaz e pode ver que ele ao tinha muita paciência com o cachorro e o mesmo não parecia querer testar a paciência do rapaz de cabelos escuros, então Duo falou com o cachorro para segui-los e viu o rapaz a sua frente estreitar os olhos e começar a andar, com Zheus correndo a sua frente.
- Vamos lá garoto, seu dono está falando com você.
- Hn. Era o que me faltava.
- Você ainda não me disse seu nome.
- Heero Yuy.
- O nome dele é Zheus não é.
- Hn.
- Para onde estamos indo Sr Yuy.
- Para o castelo.
- Eu nunca vi você no clube.
- Deve ser por que eu nunca estive lá.
- Mas se você é o dono v...
- Eu tenho um sócio que cuida dos negócios para mim.
- Ah! o Trowa não é.
- Ele mesmo.
Duo tentava fazer o rapaz a sua frente falar, mas parecia que seria impossível isso acontecer Heero respondia a suas perguntas com o mínimo de palavras possíveis. Heero pensava como alguém podia falar tanto, mesmo não respondendo, a alguma das perguntas feitas a ele o humano continuava falando. Eles já podiam ver a torre do castelo de onde estavam, logo Heero iria satisfazer sua curiosidade e relação a cor dos olhos do humano.
- Você conhece o vale abaixo da encosta.
- Vale?
- É lá embaixo na encosta existe um vale com um lago. Você não sabia?
- Não foi a primeira vez que estive naquela parte da propriedade. O encontrei porque ouvi alguém cantando e vi Zheus correndo naquela direção e fiquei preocupado que ele atacasse alguém, ele não costuma ser tão cordial com estranhos.
- Hã entendi, me desculpe pela invasão, não achei que fosse incomodar.
- Hn, tudo bem, a música que você estava cantando, como se chama.
- Na verdade eu ainda não pensei em um nome para ela, eu ainda não terminei de compondo, quando... eu.
- Ela é muito bonita, apesar de estar carregada de tristeza.
- Obrigado.
- Bip.bip.
- Sim Kimitsu?
- O Sr está bem.
- Estou sim.
- É que Zheus acaba de chegar e o Sr não estava com ele.
- É eu sei, ele saiu correndo na frente.
- Teve algum problema com ele Sr.
- Não nenhum problema.
- O Sr Barton e a Sta Cathrine acabaram de chegar e esperam pelo Sr.
- Avise-os que estarei ai em um minuto e que temos um humano como convidado.
- Um humano senhor?
- Sim, o encontrei num vale a oeste da propriedade.
- Ele está bem?
- Ele está bem, apenas um pouco machucado, eu o estou levando para cuidar do ferimento.
- Certo avisarei sobre sua chegada e a do humano Sr.
- Obrigado Kimitsu.
- Sr Barton.
- Sim Kimitsu onde esta o Heero?
- O Sr Yuy disse que esta chegando, parece que Zheus veio correndo na frente. O Sr Yuy mandou avisa-lo que um humano esta vindo com ele.
- Um humano? Vindo com Heero?
- Me parece que ele se encontraram em alguma parte da propriedade e esta machucado, o Sr Yuy o esta trazendo para fazer um curativo.
- Estranho Heero não costuma trazer humanos feridos, ainda mais para o castelo.
- Será que existe algum outro motivo Trowa.
- Talvez Cathrine. Heero nunca faz nada sem um bom motivo.
- Chegamos entre por favor.
- Sr Yuy.
- Kimitsu este é Duo Maxwell. Maxwell este é Kimitsu ele trabalha para mim.
- Sr Maxwell é um prazer conhece-lo.
- Obrigado, também é um prazer conhece-lo Kimitsu, mas não precisa me chamar de Sr Maxwell, me chame de Duo apenas.
- Desculpe Sr não creio que poderia. Sr Yuy o Sr Barton e a Sta Bloom o aguardam na sala de leitura.
- Obrigado Kimitsu, poderia providenciar algo para limpar o ferimento do Maxwell.
- Como desejar Sr Yuy.
Duo seguia Heero pelos corredores do castelo ele sempre imaginara como ele seria por dentro, ele estava admirado com a beleza do lugar, havia quadros na parede, belos tapetes e moveis muito bonitos, o lugar era iluminado por lustres antigos, todos com velas dando ao lugar uma sensação aconchegante, ele se sentia um pouco estranho, a maneira como Heero o olhava o deixava desconcertado era como se Heero pudesse ver através dele, a cor dos olhos de Heero eram de um azul profundo, Duo jamais imaginara que existisse alguém com aqueles olhos, a profundidade que eles transmitiam era algo impressionante. Heero podia perceber a curiosidade da humano a suas costas as emoções dele eram tão claras, quando eles entraram no castelo e Heero viu a cor dos olhos de Duo ele agradeceu ao fato de conseguir controlar suas emoções, ele nunca encontrará alguém humano ou vampiro que tivesse aquela cor de olhos, a cor de ametistas, Heero imaginava que os olhos de Duo seriam ainda mais belos se vistos sob a lua do sol. Mas ele jamais os veria dessa forma.
"O que estou pensando, como alguém pode ter olhos dessa cor, realmente ele não é um humano comum, ele possui um beleza quase irreal, sua voz, seu corpo... como seria toca-lo, e ouvi-lo suspirar de prazer. Droga o que estou pensando, ele é um humano e eu sou um vampiro, mas por que me sinto assim, como se algo dentro de mim estivesse queimando."
- Bip.Bip.
- Oi loirinho.
- Oi Duo como você está.
- Estou bem, mas não posso dizer o mesmo de você. O que aconteceu?
- Por que acha que aconteceu alguma coisa Duo.
- Por que você esta com uma voz esquisita, e por que eu te conheço muito bem, o que houve.
- Você não quer jantar conosco Duo.
- Desculpe Quatre eu não estou em casa agora.
- Você está ocupado?
- Mais ou menos, vamos fazer o seguinte, assim que eu chegar em casa eu tomo um banho e vou para sua casa, passo a noite e a gente conversa que tal.
- Obrigado Duo.
- De nada loirinho, eu logo estarei ai.
Duo desligou o celular ele pode notar pela voz de Quatre que algo tinha acontecido, o jovem árabe parecia conter-se para não chorar, algo de muito serio tinha acontecido e Duo não conseguia imaginar o que. Duo olhou para Heero e notou que ele havia fechado suas mãos com força como se estivesse se controlando por alguma motivo, ele podia notar o corpo a sua frente a força que irradiava de Heero era uma sensação impossível de se ignorar.
"Deus como ele é bonito, ele transmite tanta força, e os olhos dele então quando chegamos ao castelo e vi a cor de seus olhos pensei que fosse cair de tão profundo que eles são, parece que ele esta preocupado com alguma coisa, como alguém pode ter mãos assim, quando ele me segurou me senti aquecido por dentro, ainda posso sentir suas mãos no meu braço. Cara que mãos são essas como gostaria de senti-las novamente, pare Duo ele é seu chefe, não crie ilusões e você não precisa de ninguém, se ficar sozinho você jamais irá se machucar, mas mesmo sozinho eu me machuco, por que quero alguém que me faça me sentir aquecido e não mais sozinho."
Heero tentara não prestar atenção na conversa, mas ele não pode evitar imaginar quem era a pessoa que recebia tanto carinho do humano, Heero tinha certeza de que se tratava de um homem loiro e o humano iria passar a noite na casa dele, sem perceber Heero fechou as mãos e vou tomado por um sentimento de posse em relação ao Duo.
- Heero. Duo?
- Oi Trowa como você está.
- Bem obrigado, o que aconteceu.
Duo contou a Trowa tudo que havia acontecido, Trowa ficara surpreso, não somente pelo fato de Heero ter ajudado Duo como também pelo fato de Heero tê-lo trazido para o castelo, para cuidar de um ferimento que não aparentava ser nada mais que um pequeno arranhão. Kimitsu apareceu com algumas ataduras e álcool para que Duo pudesse limpar o machucado. Kimitsu vez menção de querer cuidar dele, mas Duo recusou a ajuda.
- Obrigado pode deixar que eu mesmo faço isso.
- Tem certeza Sr Maxwell, eu posso...
- Deixe-o Kimitsu se ele não deseja ajuda assim será feito, Maxwell e um convidado então devemos deixa-lo a vontade.
- Er obrigado.
Duo se sentia um pouco constrangido, na verdade ele não sabia o que fazer, Duo nunca sentira vergonha em tirar a camisa, mas por algum motivo ele ficou com vergonha de tira-la na frente de Heero, ele percebeu que Trowa olhava para Heero e a jovem de olhos tão claros quanto o de Quatre o observava com curiosidade. Cathrine notou que o rapaz de cabelos compridos parecia pouco a vontade principalmente após o comentário de Heero, o humano era realmente bonito, ela havia visto uma foto dele no clube, mas ele era muito mais atraente pessoalmente, Cathrine resolveu ajudar-lo, ela se levantou e foi até ele, ela se abaixou na frente de Duo e sorriu para ele como se o encorajasse a prosseguir, Duo retribuiu o sorriso e retirou sua camisa, na mesma hora suas faces ficaram vermelhas, quando Duo levantou seus olhos eles se encontraram com os de Heero, seus olhos pareciam ainda mais escuros quase negros, a intensidade de seu olhar era tanta que Duo teve que desviar os seus olhos voltando-os para a jovem que limpava seus ferimentos. Heero sabia que não deveria ficar olhando para o humano dessa forma, mas foi quase impossível desviar os seus olhos da visão do corpo a sua frente, o abdômen definido a longa trança caindo por sobre o ombro esquerdo, com alguns fios soltos, Heero imaginava como seria ter a visão daqueles cabelos soltos e como seria poder toca-los. Heero sabia que Trowa o observava, mas ele não conseguia pensar em nada que não fosse Duo Maxwell.
- Então seu nome é Duo Maxwell, não é.
- Sim, mas pode me chamar de Duo e você como se chama.
- Meu nome é Cathrine Bloom, mas pode me chamar de Cathrine, eles geralmente não são mal educados, mas acho que eles se esqueceram de nos apresentar Duo.
- E verdade, você também é sócia do clube.
- Não apenas Trowa e Heero, você trabalha lá não é.
- Sim sou o vocalista da banda.
- Prontinho Duo está limpo. Trowa disse que você canta muito bem e verdade.
- Eu acho que sim pelo menos ninguém nunca atirou nada em mim e me mandou sair do palco, por que você não vai amanhã ao clube você vai gostar, amanhã é a noite do desafio do Deathscythe.
- Noite do desafio?
- É foi o Sr Yuki quem criou, ele disse que ajuda nas vendas tenho que admitir que nas noites de desafio e quando o clube fica mais cheio, acho que todo mundo quer me derrotar.
- E como funciona Maxwell?
- Bem o cliente escolhe uma musica, e eu tenho que cantar a musica escolhida, se por acaso eu não souber eu tenho que atender um pedido do cliente.
- Um pedido? Qualquer um?
- É. Se bem que eu nunca fui derrotado.
- A sempre uma primeira vez para tudo Sr Maxwell. Pode ser que não tenha a mesma sorte amanhã.
- Por que diz isso.
- Nada em especial.
- Por que não fica conosco para jantar Duo.
- Obrigada Trowa mais o Quatre está me esperando.
- Quatre? Ah o rapaz que você ajudou não é Trowa.
- Sim e ele mesmo Cathrine.
- Gostaria muito de conhece-lo Trowa me falou muito sobre ele.
- Cathrine!
- Desculpe, mas diga a seu amigo que ele é bem-vindo aqui e você também não é Heero.
- Hn.
- Bem eu preciso ir muito obrigado por tudo, eu os aguardo amanhã no Deathscythe.
- Estaremos lá Duo, mande lembranças minhas ao Quatre.
- Pode deixar Trowa. Foi um prazer Cathrine.
- O prazer foi meu.
- Sr Yuy eu...
- Vou acompanha-lo até a entrada Maxwell. Kimitsu!
- Sim Sr Yuy.
- Peça a Chold para levar o Sr Maxwell até a cidade, por favor.
- Não é necessário Sr Yuy.
- De forma alguma, e perigoso caminhar a noite Maxwell e é uma longa caminhada até a cidade.
- Obrigado foi um prazer conhece-lo Sr Yuy.
- O prazer foi meu, Maxwell.
Heero estendeu sua mão para cumprimentar o humano, Duo aceitou o cumprimento, quando suas mãos se tocaram ambos sentiram um estremecimento como se uma pequena descarga elétrica tivesse passado entre eles, Heero olhava para os olhos do humano e se viu através dele, Heero notou que a respiração do humano se tornará mais pesada, ignorando o bom senso que o avisava a não se aproximar de mais do humano, Heero se aproximou do rosto do humano e sussurrou em seu ouvido.
- Nos veremos em breve Duo Maxwell.
Duo sentiu seu corpo inteiro ficar arrepiado, ainda mais quando Heero afastou-se lentamente de seu rosto deixando apenas poucos centímetros entre seus lábios. Heero olhava para a boca próxima a sua lutando contra a vontade de tomar aqueles lábios entre abertos nos seus, Heero notou que a pele do humano havia se arrepiado toda devido a proximidade de seus corpos, ele podia sentir o calor do corpo humano a sua frente e o sangue quente correndo mais rápido em suas veias e antes que ele fizesse algo que se arrependesse mais tarde, Heero soltou o humano ele não podia esquecer que o humano tinha algo que ele queria. Chold abriu a porta do carro para Duo, ele entrou no carro e deixando o castelo e o estranho Heero Yuy para trás.
- Trowa foi impressão minha ou o Heero ficou interessado no humano.
- Não Cathrine eu tive a mesma impressão que você, mas não podemos afirmar nada em relação ao isso, pelo mesmo não ainda. Duo é o dono de Yami e Heero fará qualquer coisa para consegui-la.
Heero ainda ficou alguns minutos observando o carro ir em direção a cidade, ele não podia negar o humano havia despertado nele sentimentos que ele achava que nunca teria, ele pensava por que motivos dissera daquela forma ao humano que se veriam em breve, a verdade e que Heero queria sentir o cheiro dele, quando eles estavam na encosta a cima do vale Heero pode sentir um aroma suave de flores emanando dos cabelos de Duo e o cheiro dele ainda se fazia presente mesmo depois dele ter ido. Heero balançou a cabeça e resolveu entrar ele ainda tinha que conversar com Trowa e Cathrine a respeito das informações que eles foram buscar.
Duo chegou em casa ligou para o Quatre avisando que ia tomar um banho e iria para lá, Quatre avisou que estava mandando alguém ir buscar-lo. Duo desligou e foi para o banheiro, ele tomou um longo banho ele ficou pensando no misterioso dono do Deathscythe, ele ensaboava seu corpo e fechou os olhos imaginando como seria ser tocado por aquelas mãos.
"Heero Yuy e um nome muito bonito, faz sentido ele é lindo, alto cabelos castanhos escuros e olhos azuis como o cobalto, queria saber o que dizem aqueles olhos e o que ele estava pensando quando estava me olhando daquela forma. Agora não é hora para isso logo o carro que Quatre mandou vai chegar e eu não posso demorar."
Duo saiu do banho e trocou de roupa, assim que terminou de se vestir o chofer dos Winners chegou, Duo o cumprimentou e entrou no carro indo em direção a mansão onde Quatre morava.
- Boa noite Rashid.
- Boa noite sr Maxwell.
- Cadê o loirinho.
- O mestre Quatre o está aguardando em seu quarto.
- Obrigado.
- Toc toc. Quatre é o Duo posso entrar.
- Entre Duo.
Duo entrou no quarto, as luzes estavam apagadas e apenas o brilho da lua passava pela janela aberta, ele encontrou Quatre sentado na espreguiçadeira em frente a janela, olhando para o nada. Duo fechou a porta a trás de si e caminhou até o jovem árabe. Duo se sentou e viu o rosto dele molhado pelas lagrimas que ainda teimavam cair por seu rosto. Duo perguntou o que tinha acontecido para deixa-lo assim.
- Eu não sei o que esta havendo comigo Duo, eu não deveria ficar pensando nele, mas quando eu o vi hoje com aquela garota tão bonita, eu me senti tão triste, eu não sei direito o que estou sentindo.
- Você esta falando do Trowa não é.
- Sim, é errado Duo, me sentir assim, eu nem o conheço talvez ele não sinta nada por mim, ainda sim eu quero conhece-lo.
- Shhhh tudo bem, não podemos mandar em nosso coração Quatre, se você tem certeza do que sente por ele, vá em frente meu amigo, talvez descubra que o que você sente por ele, ele sente o mesmo por você.
- Você acha?
- Bem uma jovem muito bonita, ouviu falar muito bem de você através de um moreno de olhos verdes.
- Trowa falou sobre mim? Quando? Com quem?
- Calma eu estive no castelo dos Khushrenada hoje e Trowa estava lá e se a moça que você viu com ele tiver cabelos castanhos claros e estava com um vestido florido, não tem com que se preocupar ela apenas mora com eles.
- Eles?
- E uma longa historia, por que você não lava o rosto e a gente come alguma coisa e conversamos melhor.
- Desculpe você ainda não jantou não é. Venha vamos ver o que o Rashid pode preparar.
Os dois saíram do quarto e foram para a cozinha enquanto Duo comia, ele contou a Quatre tudo o que tinha acontecido aquela noite, Quatre ficou feliz em descobrir que a jovem que ele havia visto com Trowa era apenas uma amiga dele e de Heero Yuy o dono do Deathscythe, Quatre ficou curioso em descobrir sobre ele, uma vez que Duo contou o que sentiu quando estavam juntos.
- E foi isso que aconteceu.
- Nossa isso é realmente incrível Duo. E ele vai ao clube amanhã a noite.
- Ele disse que sim, eu queria apenas saber o que ele quis dizer com que eu não teria a mesma sorte amanhã.
- Talvez ele peça uma musica que você não conheça, e você vai ter que realizar um pedido dele.
- Talvez, mas se eu perder o que será que ele vai me pedir.
- Não deve ser nada de mais, afinal você não tem nada que ele queria, a menos que ele queria você.
- Quatre!
- O que pode ser uma possibilidade.
- Não acredito nisso, estou condenado a viver sozinho.
- Duo você não pode continuar a afastar as pessoas dessa forma.
- Eu sei, mas venha vamos fala em como fazer o Wu-Fei arrumar uma namorada ele passa tempo demais treinando.
Duo pensava nas palavras de Quatre, será que ele deveria realmente abrir seu coração e permitir que os sentimentos acordados por Heero ganhassem força, mesmo correndo o risco de sofrer novamente.
Continua....
Capitulo 5 - Quando a Luz encontra as Trevas
O castelo dos Khushrenada se encontrava no mais absoluto silêncio, seus habitantes ainda não haviam acordado, afinal ainda eram 17:30 hs, mas uma pessoa, ou melhor, um vampiro não estava tendo um sono tranqüilo. Heero estava tendo um sono agitado, imagens e surros apareciam em seu sonho.
- Quem é você?
- Por que quer saber quem eu sou, se você já me conhece.
- Eu não sei quem você é.
- Não? Você me deseja e não sabe quem sou.
- Mostre-me seu rosto e eu direi se te conheço.
- Minha voz não basta para saber quem sou.
- Uma voz nas sombras não é suficiente para me dizer quem és.
- Eu sou muito mais que sombras Heero. Eu sou real.
- Quem é você?
- Pergunte a você mesmo quem sou.
Heero acordou sobressaltado, o sonho o perturbará muito mais do que gostaria de admitir, quem era o dono daquela voz, ela dizia que se conheciam, mas ele não conseguia se lembrar de ninguém que tivesse uma voz tão sedutora, ele sentia que conhecia o dono da voz escondida nas sombras.
"Droga novamente esse maldito sonho se não me bastasse sonhar com o humano de cabelo comprido, agora mais essa, eu deveria ter passado com o carro por cima dele aquela noite, talvez assim a lembrança dele me deixasse em paz".
Heero levantou e foi até o salão abaixo do castelo onde Hikari era guardada, ele tocou a redoma de vidro com sua mão esquerda, e uma porta surgiu permitindo a Heero entrar na redoma e pegar Hikari com uma das mãos. Heero saiu e ficou olhando para a lamina de Hikari.
"Eu estive tão perto de encontrar a sua metade, e eu a perdi para um humano, mas nós a encontraremos e traremos de volta eu prometo".
Heero passou os dedos de sua mão direita por sobre a lâmina cortando-o imediatamente seu sangue começou a escorrer por ela, ele afastou sua mão e fechou os olhos concentrando-se para fechar o corte, a lâmina de Hikari absorveu o sangue de Heero e por alguns instantes adquiriu um brilho avermelhado, enquanto olhava Hikari Heero se lembrou da cerimônia a que foi submetido para ser o novo dono de Hikari e poder ser o próximo shuhan dos Khushrenada.
Veneza ano de 1745
- Mandou me chamar Treize.
- Sim Yuy sente-se, por favor, serei breve. Há dois dias eu o nomeei o novo guardião de Hikari e o incumbi de encontrar a outra metade, mas como você mesmo disse e o sacerdote Gabriel fez questão de lembrar apenas eu posso tocar em Hikari, uma vez que tenho o sangue dos Khushrenada e sou seu dono de sangue, então para que ela seja sua você devera ter o meu sangue. No momento é o sangue dos Peacecraft que corre em você e não posso permitir que toque em Hikari antes de livra-lo do sangue deles.
- E como você fará isso Treize, uma vez que como você mesmo disse e o sangue de Relena que corre dentro de mim.
- Há uma maneira, nada muito complicado, mas devo avisa-lo de que será doloroso.
- E como será feito.
- Primeiro, nós teremos que drenar todo o seu sangue e no processo iremos substituí-lo pelo meu. Isso deverá levar algumas horas.
- Algumas horas?
- Exatamente começaremos hoje à noite e o processo de drenagem e transfusão se estenderá pela manhã, como somos vulneráveis pela manhã faremos todo o processo na basílica, Trowa e William deverão estar conosco para que nada e nem ninguém atrapalhe. Digamos que eles serão nossos guardiões enquanto estivermos... Ocupados.
- E a que horas começaremos.
- Por volta das 00:00 hs.
- Avisarei a Trowa que ele deverá nos acompanhar a basílica, já avisou Cathrine que ela irá conosco para o Japão dentro de cinco dias.
- Ainda não, não sei se ela entenderá a necessidade de nos afastarmos, e de que no momento a vida dela corre perigo estando ao meu lado. Mas pretendo faze-lo assim que voltarmos da basílica amanhã.
- Vou procurar Trowa e nos encontramos na basílica no horário combinado.
- Estarei aguardando-os então.
Heero saiu do escritório de Treize e foi procurar Trowa, Heero não deseja ser o próximo shuhan dos Khushrenada, mas se sentia honrado por Treize confiar nele a ponto de considera-lo como seu sucessor. Heero não tinha receio do que estava por vir, ele sabia que seria capaz de enfrentar qualquer coisa que o destino colocasse em seu caminho. Heero encontrou Trowa algumas horas depois lendo na biblioteca, ele levantou seus olhos do livro assim que Heero se juntou a ele, em poucas palavras explicou tudo o que havia conversado com Treize há poucos minutos.
- Então essa é a única maneira de você se tornar o guardião de Hikari?
- É o que parece.
- E dará certo Heero.
- Sinceramente não sei Trowa e não me importo se esta for a única maneira de impedir que outros realizem a profecia que assim seja.
- Heero o que é essa profecia? E por que o clã dos Khushrenada não quer que ela se realize.
- Na verdade apenas poucos do clã não querem que ela se realize, outros acreditam que seria melhor que ela se realizasse, que assim nossa espécie não seria obrigada a se esconder, mas seriamos os governantes desta terra que nos teme.
- Governar os humanos?
- Sim Trowa imagine um mundo de trevas eternas, onde não o sol, mas a lua fosse o astro rei, um mundo onde não precisaríamos nos esconder da luz, pois a escuridão seria a única a existir. Quanto tempo acha que humanos sobreviveriam sem sucumbir e quanto tempo acha que nós sobreviveríamos após eles sucumbirem. Uma vez que o alimento se tornasse escasso, quanto tempo acha que levaria para a nossa espécie começar a se alimentar uns dos outros.
- Pouco tempo, mas será que os outros não pensam nisso.
- Não eles estão apenas preocupados em matar sua sede por sangue e apenas nisso que eles pensam e é apenas por isso que eles vivem, sobrepujar os humanos e caça-los como animais.
- E a única esperança que temos esta em proteger Hikari e encontrar Yami, difícil acreditar que o destino desse mundo reside em apenas duas espadas.
- Eu sei Trowa, eu também não entendo, pelo que Treize me disse somente entenderemos quando encontrarmos a outra metade.
- E porque somente quem tem o sangue dos Khushrenada pode tocar Hikari.
- Pelo que entendi Hikari foi forjada em honra a esposa do ferreiro, ele a forjou como uma forma de demonstrar seu amor por ela, teoricamente todos os sentimentos que ele sentia por ela foram transmitidos a espada, por esta razão ela recebeu o nome Hikari, pois era assim que ele considerava sua esposa a luz de sua vida, ele entregou a espada a ela como um presente em celebração ao aniversário de casamento deles, sendo que quando ela pegou a espada acabou cortando a mão na lâmina e a molhando com seu sangue.
- Mas isso não explica o fato de que apenas quem tem o sangue dos Khushrenada possa... A menos que a esposa do ferreiro.
- Exatamente Trowa, a esposa do ferreiro era estrangeira e Treize e um descendente direto dela e como o sangue dela foi o único a molhar a lâmina.
- Apenas aqueles que descendem do sangue dela podem tocar Hikari.
- Mas e o ferreiro? Ele podia tocar em Hikari não é.
- Sim afinal foi ele quem a forjou.
- E quanto a Yami? Apenas aqueles que descendem da esposa do ferreiro podem toca-la.
- Não, pelo que Treize sabe, Yami não foi maculada com sangue, uma vez que ela somente foi forjada após a morte da esposa do ferreiro, mas não temos certeza disso, não existem muitas informações sobre ela. Apenas que após a morte de sua esposa, o ferreiro viveu um período de trevas e em meio a sua loucura acabou forjando Yami e transmitindo a ela todos os seus sentimentos de dor, solidão e escuridão por isso o nome de Yami.
- Tem uma coisa que eu ainda não compreendo, a razão das espadas precisarem de um dono de sangue, e o por que da lâmina absorver o sangue do dono.
- Bem Trowa, isso nem Treize conseguiu explicar e não creio que o saberemos tão cedo. Agora vamos não temos muito tempo.
Heero voltou seus olhos para a espada em suas mãos e percebeu que ficara imerso em seus pensamentos por muito tempo, ele colocou Hikari em seu lugar e voltou para seu quarto, não era o momento para ficar preso em lembranças, ele tinha que encontrar um modo de conseguir Yami de volta. Heero trocou de roupa e saiu do quarto, no caminho encontrou-se com Trowa, ele notará que o amigo estava estranho, desde a noite em que foram ao antiquário, na verdade desde que ele retornará a cidade para obter mais informações sobre Yami com o Quatre Winner, por algum motivo Heero tinha a certeza que o rapaz era o motivo de Trowa se encontrar perdido em seus pensamentos. Trowa cumprimentou Heero, ele sabia que Heero já estava desconfiado e faltava muito pouco para ele descobrir o por que.
- Heero porque você não sai um pouco.
- Sair?
- Sim Heero você está trancado neste castelo desde que chegamos a cidade.
- Não é verdade eu fui ao antiquário.
- Isso foi há duas semanas, e foi a única vez que colocou os pés na rua. Você nos deu permissão para sair do castelo há uma semana e, no entanto você continua trancado aqui todo esse tempo.
Heero então se lembrou do humano que quase atropelara aquela noite, um rapaz com uma longa trança, vestido todo de preto, por algum motivo ele não conseguia deixar de pensar no humano e isso já o estava irritando. Ele sempre tivera controle sobre suas emoções e nos últimos dias passara a sonhar com o humano, com seu rosto ofegante devido à corrida e ao susto, ele se pegara tentando descobrir a cor de seus olhos, atrás do vidro eles lhe pareceram claros e ainda de um tom que ele não conseguiu identificar.
- Sabe que não gosto do convívio com os humanos Trowa.
- Eu sei Heero, mas ficar trancado também não resolve nada, não temos noticias dela há décadas, ela pode estar morta.
- Não creio que os céus tenham me agraciado com tamanha benção.
- Quem sabe, de repente o destino esteja ao nosso lado esta vez.
- Ora ora Sr Barton andamos otimistas ultimamente, a que devemos tamanha mudança, que eu me lembre você costumava ser tão anti-social com humanos e vampiros quanto eu.
- E que o nosso Trowa anda encantado com um humano em forma de anjo.
- Cathrine!
- Um humano!?
- Heero eu pos...
- Sabe que o convívio com humanos e proibido para nós, não creio que tenha dito a ele o que você é Trowa, nem você seria tão descuidado, nos alimentamos de humanos, o sangue dele é nossa sobrevivência, nós os matamos para que possamos viver.
- Mas nós não matamos humanos e nem nos alimentamos deles a mais de 100 anos, a verdade e que nós os evitamos, nos escondendo nas sombras como se fossemos a caça e não o caçador.
Heero podia sentir a revolta e o ódio de Trowa, ele também o tinha, mas diferente do jovem vampiro a sua frente, ele não costumava demonstrá-lo, quem o visse diria que Heero não possui emoções elas foram retiradas com seu sangue no dia em que se tornou um vampiro. Um dia que ele gostaria que nunca tivesse acontecido, os anos em que passou em companhia de Relena o transformara em um monstro sedento de sangue, matava os humanos apenas por diversão, se alimentava sem se importar se suas vitimas eram ou não apenas crianças.
Ele vivia na mais completa escuridão, era temido por humanos e vampiros, até que conheceu Treize Khushrenada o shuhan dos Khushrenada, Treize conseguiu resgatar a razão em Heero. O fez enxergar que humanos também deviam ser respeitados, que não era por que o sangue deles era seu alimento que eles deviam ser tratados apenas como caça.
- Heero por que trata os humanos desta forma.
- Hn! Eles não passam de vermes, apenas alimento, nada mais que isso.
- Em que ela o transformou, tanta raiva e sede, e verdade nos alimentamos do sangue deles, mas diferentemente de nós, eles possuem uma alma mortal, você também teve uma alma um dia não é Heero, você também já foi humano, um dia você também foi a caça antes de encontra-la, a sede por sangue pode destruir até mesmo o mais forte dos vampiros e se continuar desta forma não creio que chegue ate o final deste século. Não estou dizendo que você deva parar de mata-los, não tenha apenas mais compaixão pelas suas vitimas, afinal você poderia ter sido uma delas se ela não o tivesse tornado um de nós. Viva a sua imortalidade Heero, se você desejar mudar de ares, deixar a ela e o que ela chama de clã, me avise estarei deixando a França hoje mesmo.
As palavras de Treize conseguiram chegar até Heero e naquela mesma noite ele foi embora.
- Não precisa se exaltar Trowa, fiquei apenas surpreso em saber que um humano despertou a sua atenção. Ele deve ser muito especial afinal nunca o imaginei com um rapaz, não que isso faça diferença para nossa espécie, mas pelo que me lembro todos os seus [i]"relacionamentos"[/i] anteriores eram com parceiras e não parceiros. Então foi por este motivo que você demorou na noite em que foi falar com o antiquário e o que mais não me contou sobre aquela noite.
- Eu não tenho nenhum relacionamento com o humano... Eu apenas o salvei de alguns bandidos.
- Hn... Tudo bem meu amigo me desculpe, porque não me conta então o que aconteceu aquela noite quando conheceu esse anjo.
Heero ouvia com atenção o relato do encontro de Trowa com o humano, ficou surpreso ao constatar a forma como Trowa reagia cada vez que dizia o nome do seu anjo. Uma enorme tristeza invadiu seu corpo, quando descobriu que seu amigo havia sem se dar conta se apaixonado, não queria estragar lhe a felicidade dizendo que o que ele sentia não havia esperanças de futuro. Um humano jamais amaria um vampiro, era impossível já vira isso acontecer antes, e sabia que Trowa seria incapaz de transformar o seu anjo em um deles jogando-o nas trevas.
- Então quer dizer que você matou os humanos que tentaram violentar o Quatre não é isso.
- Sim.
- Quebrando o pescoço de um e atravessando o peito do outro, então devo imaginar que os corpos que Kimitsu trouxe aquela noite e que foram enterrados na propriedade são deles não é.
- Mas como soube?
- Eu não nasci ontem Trowa, achou realmente que eu não descobriria, que não sentiria o cheiro do sangue deles. Vamos esquecer isso, o que está feito está feito não se pode voltar atrás, mas não quero que isso volte a acontecer no futuro, fez bem em ajuda-lo isso faz parte da sua natureza, apenas não mate ninguém da próxima vez.
- Tudo bem me desculpe, reconheço que me excedi, isso não voltara a acontecer.
- Certo e aonde você quer me levar Trowa.
- Na verdade você já deveria ter ido afinal, você é o proprietário, o sr Yuki me perguntou por que você ainda não foi ver o clube.
- Por que não tenho o menor interesse em conhecer o lugar.
- O dono da Yami trabalha lá. Ele é o vocalista da banda, você deveria assistir ele canta muito bem, e ele é amigo do Quatre, foi ele quem deu a espada para o Duo.
- Duo!
- Duo Maxwell e o nome do dono da Yami.
- Então foi por isso que você descobriu tão rápido o novo dono da Yami não é. O que sabe sobre ele Trowa.
- Não muito apenas que ele trabalha lá há pouco tempo e que ganhou a espada do Quatre.
- Descubra tudo o que puder sobre este tal de Maxwell, procure o Sr Yuki, diga que quero um levantamento de todos os funcionários do clube assim ficará mais fácil obter as informações, verifique também com o seu novo amigo humano, quero saber tudo sobre ele até amanhã à noite, assim saberei com quem estou lidando quando for ao Deathscythe amanhã não gosto de surpresas, fale ao Sr Yuki que irei lhe fazer uma visita. Cathrine.
- Sim... Heero.
- Vá com Trowa até o clube hoje obter as informações.
- Está bem.
Trowa e Cathrine se dirigiram ao Deathscythe para conseguir as informações necessárias sobre o dono da Yami, Heero havia pedido que Cathrine acompanhasse Trowa, pois notará que ela andava um tanto triste, Heero sabia que Cathrine sentia a falta de Treize, afinal eles não se viam há quase duas décadas.
O ultimo encontro deles fora no Egito, desde a saída de Veneza que os encontros entre eles estavam se tornando difíceis, antes eles costumavam ocorrer três a seis vezes por ano, mas agora... Há quase oito anos que eles não viam Treize. Heero sabia que Cathrine procurava não demonstrar sua tristeza, ele não compreendia os sentimentos dela, afinal ele nunca se apaixonara, se interessara ou sentira algo especial por alguém, como o que ela sentia por Treize e o que Trowa estava descobrindo agora, mas sabia o que era sofrer e via isso nos olhos de Cathrine a cada dia.
- Acho que o meu destino viver minha imortalidade sozinho, eu preciso sair daqui. Kimitsu!
- Sim Sr Yuy.
- Eu vou sair, caso aconteça alguma coisa em minha ausência liguei para o meu celular.
- Quer que prepare o carro Sr.
- Não é necessário, acho que vou caminhar um pouco por ai, Ah vou levar Zheus comigo.
- Zheus!?
- Sim você não me disse que ele precisava de um pouco de exercício, então vou leva-lo para se exercitar um pouco não se preocupe ele ira me obedecer.
- E pretende ir muito longe Sr.
- Não se preocupe Kimitsu estarei de volta antes do sol nascer.
Heero subiu para seu quarto trocou suas roupas por uma calça de moletom preta e uma camiseta da mesma cor passou pelo canil para levar Zheus consigo, Zheus era uma mistura de pastor alemão e lobo, tinha olhos azuis e o pelo todo negro, e não gostava nem um pouco de Heero, os únicos a que Zheus obedecia eram Kimitsu, Trowa e Cathrine, não que Zheus atacasse Heero ele somente não costuma obedecer a seus comandos na primeira vez em que ele as diz. Quando chegou ao canil Zheus olhou Heero e rosnou para ele, Heero olhou para Zheus e mandou que ele saísse, e como sempre Zheus o ignorou, Heero não estava com muita paciência e ordenou novamente que ele saísse sendo que dessa vez sua voz estava mais fria e num tom mais baixo e seus olhos estavam avermelhados, no mesmo instante Zheus passou por ele de cabeça baixa saindo do canil.
- Ótimo, sabia que me obedeceria Zheus, Kimitsu me disse que precisava de exercícios então nós iremos dar um passeio e você vai me obedecer entendeu.
Zheus olhou para Heero como que ouvindo suas palavras e rosnou para ele, Heero não tinha idéia de onde ir, sabia apenas que precisava sair e respirar o ar da noite, a noite estava agradável, o céu repleto de estrelas, a lua brilhando no céu, a brisa fresca da primavera em seu rosto, ele começou a correr deixando o destino guiar os seus passos.
"Pois é plena segunda feira à noite, dia da minha folga, uma noite maravilhosa de primavera e eu não tenho nada para fazer. Quatre saiu com os pais, tudo bem que eles me convidaram, mas eu não estava muito a fim de ir ao teatro, o Wu-Fei esta treinando com o avô novamente, um dia desses ele vai ter um treco de tanto treinar, acho que esta na hora do Wu-Fei arrumar uma garota, o que eu faço, não estou a fim de ficar em casa hoje, já sei vou dar uma volta por ai talvez eu me inspire e escreva uma canção nova é isso".
Duo foi para o quarto colocou uma calça preta de malha e uma camiseta sem manga branca, pegou um estojo colocou seu celular e um pequeno gravador dentro, pegou uma toalha pequena e saiu de casa, ele parou na rua e ficou pensando que direção tomar, sem saber por que olhou para o oeste na direção do castelo dos Khushrenada, ele havia ido naquelas terras muitas vezes quando pequeno, havia um pequeno vale lá, onde a luz da lua e as estrelas criavam um espetáculo único, e onde o vento nessa época carrega o perfume de rosas, pelo que se lembrava havia um roseiral no castelo, com rosas brancas, amarelas, mas as mais belas eram as rosas vermelhas, de um vermelho vivo, como se fossem banhadas a sangue, Duo costumava cuidar das roseiras quando pequeno, para que elas sempre cultivassem sua beleza, uma vez ou outra levava algumas delas para a irmã Hellen, mas depois que ela e o padre Maxwell morreram ele nunca mais viu as rosas ou foi ao vale sentir seu perfume.
- Acho que vou lá hoje, não acho que os habitantes vão se incomodar, e qualquer coisa o Trowa mora lá, alem do mais eles nem devem saber como chegar ao vale, eles estão na cidade há apenas alguns meses.
Duo fazia seu alongamento sem se dar conta das pessoas que passavam e o olhavam com admiração, atraente, simpático e dono de uma voz sedutora ele era o desejo de mais da metade dos habitantes solteiros e por que não dizer dos comprometidos também, mas por algum motivo ele recusava se entregar a alguém, ele tinha medo de amar e perder essa pessoa, pois todos que ele amará acabaram morrendo e o deixando sozinho, e ele não queria sofrer a dor da perda novamente, mas o que ele tentava ignorar e que o seu coração e a sua alma ansiavam se apaixonar e se entregar, e às vezes o destino tem uma maneira engraçada de resolver as coisas.
- Droga! Cachorro idiota... Zheus onde você se meteu. Por que raios eu tive a estúpida idéia de trazer esse cachorro, nem sei onde eu estou, ainda devo estar nas terras dos Khushrenada, mas aonde. Zheus! Acredite Zheus quando eu te encontrar você vai se arrepender.
Nos primeiros instantes de caminhada Zheus ficara ao lado de Heero, uma vez ou outra ele corria mais à frente e depois retornava, por isso Heero não se preocupou quando Zheus sairá em disparada, ele acreditava que o cachorro voltaria como das outras três vezes em que fizera isso, mas já fazia 30 minutos e nem sinal de Zheus.
Clube Deathscythe:
- Boa noite Sr Yuki, desculpe incomoda-lo ainda mais na sua folga.
- Não há problema algum Sr Barton e sempre um prazer recebe-lo, fiquei surpreso com sua ligação é claro, mas em que posso ajuda-lo.
- O Sr Yuy deseja saber o nome de todos os funcionários e seus dados.
- E por que isso.
- Rotina, o Sr Yuy gosta de saber quem trabalha para ele, e como ele pretende visitar o clube amanhã nada mais natural que ele tenha essas informações não acha.
- Claro. Vamos entrar, por favor, senhorita sinta-se à vontade por favor.
- Obrigada.
- Seu nome é.
- Desculpe-me esqueci de apresenta-los Sr Yuki esta e a Sta Cathrine Bloom, Cathrine o Sr Yuki é o gerente do Deathscythe.
- Encantado em conhece-la Sta, permita-me dizer-lhe que é uma mulher muito bonita.
- Obrigada Sr Yuki.
- Acho melhor começarmos logo não acha Sr Yuki.
- Claro Sr Barton, vamos para minha sala.
Duo caminhou em direção a terra dos Khushrenada, fazendo o mesmo percurso que ele fazia quando era pequeno, um pouco antes de chegar à entrada das terras havia uma pequena trilha escondida pela vegetação, como ela não era usada há anos, o mato havia crescido um pouco dificultando a passagem para quem não a conhecia, mas como ele sabia o caminho até o pequeno vale, ele não encontrou muita dificuldade, ele podia ouvir ao longe o som de um cachorro, mas o mesmo parecia estar muito longe dali, ele seguiu pela mata por aproximadamente meia hora, até que ele encontrou a trilha que subia a encosta do vale, ele prendeu a toalha na calça, passou sua mão pela alça do estojo e começou a subir a trilha, ele chegou no alto da encosta onde havia um pequeno descampado, ele olhou para o céu e viu as estrelas brilhando, Duo deu um pequeno sorriso e sentiu o fresco da noite e o perfume da dama da noite que descia pela encosta até o vale lá em baixo, ele sentou-se na borda da encosta e olhou o vale, ele podia ver a lua refletida no lago lá embaixo, apesar de ser noite havia uma certa claridade o suficiente para que ele pudesse apreciar a paisagem.
"Realmente essa visão inspira qualquer um."
Duo pegou seu gravador e começou a cantar uma música, como se ela estivesse vindo do fundo de seu coração e ela carregava tudo aquilo que ele estava sentindo no momento.
Here I am seated alone the
Side of a precipice
the wait of that obtains
To fill the emptiness in my heart
Eye for the stars in the sky and
I think that never I will be as
Alive they and shining
I am dying to the few and
I do not know if exists somebody that
Would feel my lack
Estou aqui sentado sozinho a
Beira de um precipício
A espera de alguém que consiga
Preencher o vazio em meu coração
Olho para as estrelas no céu
E penso que jamais serei como elas
Vivas e brilhantes
Estou morrendo aos poucos
E não sei se existe alguém que
Sentiria minha falta
Ao longe Heero ainda procurava Zheus quando o vento veio carregando em suas asas o som de uma voz, carregada de tristeza, ele podia sentir a solidão através daquela voz, a mesma solidão que ele vinha sentindo, ele já ouvirá aquela voz antes, ele tinha certeza, então ele decidiu encontrar a pessoa dona daquela voz, e seguiu em direção que ele achava que a encontraria.
No Deathscythe:
- Bem acho que isso é tudo Sr Yuki.
- Qualquer dúvida sobre qualquer um dos empregados, basta me procurar Sr Barton.
- Acho que não será necessário. Estamos indo então, o Sr Yuy vira amanhã conhecer o clube.
- Diga-lhe que ele não ira se arrepender, amanhã será a noite do desafio no Deathscythe.
- Noite do desafio o que é isso.
- Bem Sta Bloom é a noite em que o vocalista da banda é desafiado a cantar as musicas escolhidas pelos clientes e se o vocalista não souber cantar ele tem que atender a um pedido do cliente.
- Que tipo de pedido os clientes pedem?.
- Na verdade o vocalista nunca perdeu, ele parece conhecer todos os tipos de música, o clube realiza o desafio a cada quinze dias e o vocalista continua invicto.
- Interessante. Nos veremos amanhã então Sr Yuki.
- Sr Barton, Sta Bloom tenham uma boa noite.
- O Sr também Sr Yuki.
- Trowa vamos conhecer a cidade?
- Conhecer a cidade?
- Sim andar um pouco pelas ruas, tem tanto tempo que não faço isso, na companhia de alguém.
- Claro por que não. E aonde a dama gostaria de ir.
- Trowa!
- Vamos dar uma volta então.
Trowa estendeu seu braço a Cathrine num tom de brincadeira, ela sorriu se curvou e passou seu braço pelo dele, e começaram a caminhar pelas ruas da cidade, algumas pessoas olhavam para os dois, admirando-lhes a beleza, eles realmente formavam um belo casal, ela vestia um longo vestido florido e sandálias com salto e ele vestia uma calça marrom escuro, sapatos da mesma cor e uma blusa bege com as mangas dobradas um pouco acima dos punhos.
- Trowa me desculpe por ter falado sobre o Quatre na frente do Heero.
- Tudo bem Cathrine, eu teria mesmo que contar a ele, e como vimos ele já sabia.
- É verdade. Como será que ele soube.
- E impossível esconder as coisas de Heero, ele tem muito mais tempo que nós e muito mais experiência. E ele vive sempre alerta, então seria natural que ele descobrisse cedo ou tarde.
- E verdade. Olhe Trowa um teatro, parece que sessão acabou, tem tanto tempo que não venho a um, será que podemos vir aqui outro dia.
- Claro não vejo motivos para não faze-lo e melhor nós voltarmos para o castelo não acha, ainda temos que passar as informações sobre Duo Maxwell ao Heero.
- Então vamos.
Trowa e Cathrine caminharam de volta ao clube para pegarem o carro, mas eles não viram que um jovem loiro os acompanhava com olhos tristes. Quatre saia do teatro com seus pais e sua irmã, ele conversava com Iria sobre a peça que eles tinham acabado de assistir quando seus olhos viram, o rapaz alto de incríveis olhos verdes que vinha lhe tirando o sono do outro lado da rua, mas ele estava acompanhado por uma garota muito bonita, no momento que Quatre notou que eles estavam de braços dados uma infinita tristeza envolveu seu coração. Iria notou que seu pequeno irmão olhava para o casal que caminhava do outro lado da rua, toda a alegria de poucos minutos havia sido substituída por uma tristeza que transparecia em seus belos olhos azuis.
- Quatre o que houve? Você está bem?
- Hã? Desculpe-me Iria eu me distrai, sobre o que falávamos.
- Você ficou triste de repente, o que aconteceu? Tem algo a ver com aquele casal caminhando do outro lado.
- Eu...
- Não precisa me dizer se não quiser, por que você não convida o Duo para ir lá em casa assim vocês podem conversar melhor, eu tenho achado ele um pouco triste.
- E o Duo anda meio estranho, ele não quis vir conosco, vou ligar para ele de repente ele aceitar jantar conosco no Sandrock.
Nobody perceives that the water to wet my face is not
Rain falling, but my suffering
For being alone here
I am much more of whom
I make look like
To be and being alone never
I will be able to show
Who really I am
Ninguém percebe que a água
A molhar o meu rosto não é a
Chuva caindo, mas o meu sofrimento
Por estar aqui sozinho
Eu sou muito mais do que aparento
Ser e estando sozinho jamais poderei mostrar
Quem realmente sou
Ele se sentia inspirado a compor apesar da melancolia que a visão a sua frente proporcionava, ele se sentia sozinho, como nunca se sentirá antes, ele não ia aquele lugar há tanto tempo e então como há muito tempo não fazia ele começou a chorar.
- Deus, por que me sinto tão só, por que tiraste eles de mim, eles eram minha família e minha vida, mesmo tendo a companhia de meus amigos e o carinho dos Winners ainda me sinto só. Toda vez que sinto o frio do crucifico em meu pescoço sei que nunca mais os verei. E dói tanto... tanto estar sozinho, eu... eu queria... queria encontrar alguém, alguém que me fizesse esquecer essa solidão que esta me matando por dentro.
Duo estava chorando alheio a tudo a sua volta, ele não notou que alguma coisa se aproximava dele por trás, quando de repente alguma coisa molhada começou a empurrar seu braço ele, se assustou e abriu os olhos por instinto ele se levantou esquecendo-se de onde estava, nisso ele acabou escorregando e machucando o abdômen nas pedras da encosta tentando se apoiar e estava preste a cair quando sentiu alguém segurando seu braço, levantou sua cabeça e viu alguém olhando para ele. A pessoa o puxou para cima e ele foi colocado novamente em cima da encosta. Heero estava seguindo a voz que ele havia, ouvido quando chegou a base de uma encosta, ele havia visto Zheus correr a sua frente pensou em chamar o cachorro, mas resolveu não faze-lo ele começou a subir correndo a encosta temendo que Zheus atacasse, seja lá quem estivesse cantando, ele chegou a tempo de ouvir o humano começar a chorar e a falar com uma pessoa que ele não conversava há séculos, ele notou que Zheus estava se aproximando do humano de cabelos compridos, temendo que o humano se assustasse com sua presença ele achou melhor não chamar Zheus, mas o humano acabou se assustando quando Zheus se aproximou e tocou o seu braço. Heero previu o que acabaria acontecendo e conseguiu pegar o humano assim que ele despencou. Heero olhava a face do humano a sua frente ele já o havia visto antes, ele puxou o humano para cima até que ele estivesse seguro no alto da encosta.
- Você está bem.
- O...obrigado eu me assustei. Ele é seu.
- Ele mora comigo, me parece que ele gostou de você.
Zheus assim que Duo estava em cima da encosta, pulou em cima dele e começou a lamber a sua mão, Duo começou a fazer carinho nele, tentando ignorar a sensação de seu corpo em relação ao rapaz que acabará de salva-lo ainda podia sentir seus dedos frios em volta de seu braço. A voz profunda do estranho a sua frente causou um arrepio por todo o seu corpo e foi com dificuldade que respondeu a pergunta do estranho a sua frente. Heero podia sentir a confusão e um outro sentimento que ele não conseguiu identificar vindo do humano, ele se lembrará dele, era o humano que quase atropelara há duas semanas atrás e o responsável pela sua insônia nos últimos dias. Heero ficou feliz em encontra-lo novamente, talvez o destino estivesse ao seu lado dessa vez.
No castelo dos Khushrenada:
- Kimitsu onde esta Heero.
- Sr Yuy saiu para dar uma volta pela propriedade Sr Barton.
- Uma volta? E ele saiu a muito tempo.
- Poucos minutos após a saída do Sr e da Sta Bloom.
- Ele disse quando voltava.
- Não, ele disse apenas que retornaria antes do sol nascer, acredito que ele retorne em breve, uma vez que Zheus foi com ele.
- Zheus!? Neste caso ele já deve estar retornando.
Na parte oeste da terra dos Khushrenada:
- Quem é você e o que faz por aqui.
- Eu costumava vir aqui quando pequeno, e como não vinha há muito tempo e a noite está tão bonita, resolvi vir hoje, eu me chamo Duo, eu trabalho no clube na cidade.
- Duo Maxwell não é.
- Como sabe meu sobrenome.
- Por que teoricamente você trabalha para mim, eu sou o dono do Deathscythe.
Heero não acreditava que pudesse encontrar o dono de Yami, a sua frente, então ele era o cantor de que Trowa falará, ele tinha que admitir realmente o jovem a sua frente tinha uma bela voz, além de ser muito atraente. Duo olhava para o rapaz a sua frente ele parecia ser apenas um pouco mais velho que ele, e, no entanto era dono do clube, então ele era o outro morador do castelo, ele achou o rapaz muito bonito, apesar do olhar e das palavras frias, era como se já se conhecessem. Heero se sentiu analisado pelo humano e apesar de estar acostumado, isso o estava incomodando.
- Então gostou?
- Hã?
- Do que viu, você não está me observando.
- Desculpe.
- Venha melhor limpar seu ferimento para não infeccionar.
- Ferimento?
- Sim no seu abdômen, deve ter se machucado quando escorregou.
Heero podia sentir o cheiro de sangue, isso significava que o humano a sua frente estava machucado, não era um ferimento que necessitasse de cuidados imediatos, mas ele por algum motivo, não queria deixa-lo imediatamente e queria vê-lo melhor em um lugar mais claro e não sob a luz da lua, ela dava ao humano uma aparência surreal que estava deixando Heero perturbado. Duo não sabia que havia se machucado e nem ao menos estava sentindo dor em algum lugar, apenas uma pequena queimação no abdômen, ele abaixou a cabeça e viu que realmente havia se machucado um pouco, mas não havia necessidade de algum cuidado especial, ele poderia cuidar do ferimento quando chegasse em casa, mas ele queria ficar mais tempo com o rapaz alto e descobrir mais sobre ele. Duo se abaixou e pegou seu gravador e o estojo.
- Zheus vamos.
Heero chamou Zheus, mas o cachorro apenas rosnou para ele e ficou ao lado de Duo. Duo olhou para o rapaz e pode ver que ele ao tinha muita paciência com o cachorro e o mesmo não parecia querer testar a paciência do rapaz de cabelos escuros, então Duo falou com o cachorro para segui-los e viu o rapaz a sua frente estreitar os olhos e começar a andar, com Zheus correndo a sua frente.
- Vamos lá garoto, seu dono está falando com você.
- Hn. Era o que me faltava.
- Você ainda não me disse seu nome.
- Heero Yuy.
- O nome dele é Zheus não é.
- Hn.
- Para onde estamos indo Sr Yuy.
- Para o castelo.
- Eu nunca vi você no clube.
- Deve ser por que eu nunca estive lá.
- Mas se você é o dono v...
- Eu tenho um sócio que cuida dos negócios para mim.
- Ah! o Trowa não é.
- Ele mesmo.
Duo tentava fazer o rapaz a sua frente falar, mas parecia que seria impossível isso acontecer Heero respondia a suas perguntas com o mínimo de palavras possíveis. Heero pensava como alguém podia falar tanto, mesmo não respondendo, a alguma das perguntas feitas a ele o humano continuava falando. Eles já podiam ver a torre do castelo de onde estavam, logo Heero iria satisfazer sua curiosidade e relação a cor dos olhos do humano.
- Você conhece o vale abaixo da encosta.
- Vale?
- É lá embaixo na encosta existe um vale com um lago. Você não sabia?
- Não foi a primeira vez que estive naquela parte da propriedade. O encontrei porque ouvi alguém cantando e vi Zheus correndo naquela direção e fiquei preocupado que ele atacasse alguém, ele não costuma ser tão cordial com estranhos.
- Hã entendi, me desculpe pela invasão, não achei que fosse incomodar.
- Hn, tudo bem, a música que você estava cantando, como se chama.
- Na verdade eu ainda não pensei em um nome para ela, eu ainda não terminei de compondo, quando... eu.
- Ela é muito bonita, apesar de estar carregada de tristeza.
- Obrigado.
- Bip.bip.
- Sim Kimitsu?
- O Sr está bem.
- Estou sim.
- É que Zheus acaba de chegar e o Sr não estava com ele.
- É eu sei, ele saiu correndo na frente.
- Teve algum problema com ele Sr.
- Não nenhum problema.
- O Sr Barton e a Sta Cathrine acabaram de chegar e esperam pelo Sr.
- Avise-os que estarei ai em um minuto e que temos um humano como convidado.
- Um humano senhor?
- Sim, o encontrei num vale a oeste da propriedade.
- Ele está bem?
- Ele está bem, apenas um pouco machucado, eu o estou levando para cuidar do ferimento.
- Certo avisarei sobre sua chegada e a do humano Sr.
- Obrigado Kimitsu.
- Sr Barton.
- Sim Kimitsu onde esta o Heero?
- O Sr Yuy disse que esta chegando, parece que Zheus veio correndo na frente. O Sr Yuy mandou avisa-lo que um humano esta vindo com ele.
- Um humano? Vindo com Heero?
- Me parece que ele se encontraram em alguma parte da propriedade e esta machucado, o Sr Yuy o esta trazendo para fazer um curativo.
- Estranho Heero não costuma trazer humanos feridos, ainda mais para o castelo.
- Será que existe algum outro motivo Trowa.
- Talvez Cathrine. Heero nunca faz nada sem um bom motivo.
- Chegamos entre por favor.
- Sr Yuy.
- Kimitsu este é Duo Maxwell. Maxwell este é Kimitsu ele trabalha para mim.
- Sr Maxwell é um prazer conhece-lo.
- Obrigado, também é um prazer conhece-lo Kimitsu, mas não precisa me chamar de Sr Maxwell, me chame de Duo apenas.
- Desculpe Sr não creio que poderia. Sr Yuy o Sr Barton e a Sta Bloom o aguardam na sala de leitura.
- Obrigado Kimitsu, poderia providenciar algo para limpar o ferimento do Maxwell.
- Como desejar Sr Yuy.
Duo seguia Heero pelos corredores do castelo ele sempre imaginara como ele seria por dentro, ele estava admirado com a beleza do lugar, havia quadros na parede, belos tapetes e moveis muito bonitos, o lugar era iluminado por lustres antigos, todos com velas dando ao lugar uma sensação aconchegante, ele se sentia um pouco estranho, a maneira como Heero o olhava o deixava desconcertado era como se Heero pudesse ver através dele, a cor dos olhos de Heero eram de um azul profundo, Duo jamais imaginara que existisse alguém com aqueles olhos, a profundidade que eles transmitiam era algo impressionante. Heero podia perceber a curiosidade da humano a suas costas as emoções dele eram tão claras, quando eles entraram no castelo e Heero viu a cor dos olhos de Duo ele agradeceu ao fato de conseguir controlar suas emoções, ele nunca encontrará alguém humano ou vampiro que tivesse aquela cor de olhos, a cor de ametistas, Heero imaginava que os olhos de Duo seriam ainda mais belos se vistos sob a lua do sol. Mas ele jamais os veria dessa forma.
"O que estou pensando, como alguém pode ter olhos dessa cor, realmente ele não é um humano comum, ele possui um beleza quase irreal, sua voz, seu corpo... como seria toca-lo, e ouvi-lo suspirar de prazer. Droga o que estou pensando, ele é um humano e eu sou um vampiro, mas por que me sinto assim, como se algo dentro de mim estivesse queimando."
- Bip.Bip.
- Oi loirinho.
- Oi Duo como você está.
- Estou bem, mas não posso dizer o mesmo de você. O que aconteceu?
- Por que acha que aconteceu alguma coisa Duo.
- Por que você esta com uma voz esquisita, e por que eu te conheço muito bem, o que houve.
- Você não quer jantar conosco Duo.
- Desculpe Quatre eu não estou em casa agora.
- Você está ocupado?
- Mais ou menos, vamos fazer o seguinte, assim que eu chegar em casa eu tomo um banho e vou para sua casa, passo a noite e a gente conversa que tal.
- Obrigado Duo.
- De nada loirinho, eu logo estarei ai.
Duo desligou o celular ele pode notar pela voz de Quatre que algo tinha acontecido, o jovem árabe parecia conter-se para não chorar, algo de muito serio tinha acontecido e Duo não conseguia imaginar o que. Duo olhou para Heero e notou que ele havia fechado suas mãos com força como se estivesse se controlando por alguma motivo, ele podia notar o corpo a sua frente a força que irradiava de Heero era uma sensação impossível de se ignorar.
"Deus como ele é bonito, ele transmite tanta força, e os olhos dele então quando chegamos ao castelo e vi a cor de seus olhos pensei que fosse cair de tão profundo que eles são, parece que ele esta preocupado com alguma coisa, como alguém pode ter mãos assim, quando ele me segurou me senti aquecido por dentro, ainda posso sentir suas mãos no meu braço. Cara que mãos são essas como gostaria de senti-las novamente, pare Duo ele é seu chefe, não crie ilusões e você não precisa de ninguém, se ficar sozinho você jamais irá se machucar, mas mesmo sozinho eu me machuco, por que quero alguém que me faça me sentir aquecido e não mais sozinho."
Heero tentara não prestar atenção na conversa, mas ele não pode evitar imaginar quem era a pessoa que recebia tanto carinho do humano, Heero tinha certeza de que se tratava de um homem loiro e o humano iria passar a noite na casa dele, sem perceber Heero fechou as mãos e vou tomado por um sentimento de posse em relação ao Duo.
- Heero. Duo?
- Oi Trowa como você está.
- Bem obrigado, o que aconteceu.
Duo contou a Trowa tudo que havia acontecido, Trowa ficara surpreso, não somente pelo fato de Heero ter ajudado Duo como também pelo fato de Heero tê-lo trazido para o castelo, para cuidar de um ferimento que não aparentava ser nada mais que um pequeno arranhão. Kimitsu apareceu com algumas ataduras e álcool para que Duo pudesse limpar o machucado. Kimitsu vez menção de querer cuidar dele, mas Duo recusou a ajuda.
- Obrigado pode deixar que eu mesmo faço isso.
- Tem certeza Sr Maxwell, eu posso...
- Deixe-o Kimitsu se ele não deseja ajuda assim será feito, Maxwell e um convidado então devemos deixa-lo a vontade.
- Er obrigado.
Duo se sentia um pouco constrangido, na verdade ele não sabia o que fazer, Duo nunca sentira vergonha em tirar a camisa, mas por algum motivo ele ficou com vergonha de tira-la na frente de Heero, ele percebeu que Trowa olhava para Heero e a jovem de olhos tão claros quanto o de Quatre o observava com curiosidade. Cathrine notou que o rapaz de cabelos compridos parecia pouco a vontade principalmente após o comentário de Heero, o humano era realmente bonito, ela havia visto uma foto dele no clube, mas ele era muito mais atraente pessoalmente, Cathrine resolveu ajudar-lo, ela se levantou e foi até ele, ela se abaixou na frente de Duo e sorriu para ele como se o encorajasse a prosseguir, Duo retribuiu o sorriso e retirou sua camisa, na mesma hora suas faces ficaram vermelhas, quando Duo levantou seus olhos eles se encontraram com os de Heero, seus olhos pareciam ainda mais escuros quase negros, a intensidade de seu olhar era tanta que Duo teve que desviar os seus olhos voltando-os para a jovem que limpava seus ferimentos. Heero sabia que não deveria ficar olhando para o humano dessa forma, mas foi quase impossível desviar os seus olhos da visão do corpo a sua frente, o abdômen definido a longa trança caindo por sobre o ombro esquerdo, com alguns fios soltos, Heero imaginava como seria ter a visão daqueles cabelos soltos e como seria poder toca-los. Heero sabia que Trowa o observava, mas ele não conseguia pensar em nada que não fosse Duo Maxwell.
- Então seu nome é Duo Maxwell, não é.
- Sim, mas pode me chamar de Duo e você como se chama.
- Meu nome é Cathrine Bloom, mas pode me chamar de Cathrine, eles geralmente não são mal educados, mas acho que eles se esqueceram de nos apresentar Duo.
- E verdade, você também é sócia do clube.
- Não apenas Trowa e Heero, você trabalha lá não é.
- Sim sou o vocalista da banda.
- Prontinho Duo está limpo. Trowa disse que você canta muito bem e verdade.
- Eu acho que sim pelo menos ninguém nunca atirou nada em mim e me mandou sair do palco, por que você não vai amanhã ao clube você vai gostar, amanhã é a noite do desafio do Deathscythe.
- Noite do desafio?
- É foi o Sr Yuki quem criou, ele disse que ajuda nas vendas tenho que admitir que nas noites de desafio e quando o clube fica mais cheio, acho que todo mundo quer me derrotar.
- E como funciona Maxwell?
- Bem o cliente escolhe uma musica, e eu tenho que cantar a musica escolhida, se por acaso eu não souber eu tenho que atender um pedido do cliente.
- Um pedido? Qualquer um?
- É. Se bem que eu nunca fui derrotado.
- A sempre uma primeira vez para tudo Sr Maxwell. Pode ser que não tenha a mesma sorte amanhã.
- Por que diz isso.
- Nada em especial.
- Por que não fica conosco para jantar Duo.
- Obrigada Trowa mais o Quatre está me esperando.
- Quatre? Ah o rapaz que você ajudou não é Trowa.
- Sim e ele mesmo Cathrine.
- Gostaria muito de conhece-lo Trowa me falou muito sobre ele.
- Cathrine!
- Desculpe, mas diga a seu amigo que ele é bem-vindo aqui e você também não é Heero.
- Hn.
- Bem eu preciso ir muito obrigado por tudo, eu os aguardo amanhã no Deathscythe.
- Estaremos lá Duo, mande lembranças minhas ao Quatre.
- Pode deixar Trowa. Foi um prazer Cathrine.
- O prazer foi meu.
- Sr Yuy eu...
- Vou acompanha-lo até a entrada Maxwell. Kimitsu!
- Sim Sr Yuy.
- Peça a Chold para levar o Sr Maxwell até a cidade, por favor.
- Não é necessário Sr Yuy.
- De forma alguma, e perigoso caminhar a noite Maxwell e é uma longa caminhada até a cidade.
- Obrigado foi um prazer conhece-lo Sr Yuy.
- O prazer foi meu, Maxwell.
Heero estendeu sua mão para cumprimentar o humano, Duo aceitou o cumprimento, quando suas mãos se tocaram ambos sentiram um estremecimento como se uma pequena descarga elétrica tivesse passado entre eles, Heero olhava para os olhos do humano e se viu através dele, Heero notou que a respiração do humano se tornará mais pesada, ignorando o bom senso que o avisava a não se aproximar de mais do humano, Heero se aproximou do rosto do humano e sussurrou em seu ouvido.
- Nos veremos em breve Duo Maxwell.
Duo sentiu seu corpo inteiro ficar arrepiado, ainda mais quando Heero afastou-se lentamente de seu rosto deixando apenas poucos centímetros entre seus lábios. Heero olhava para a boca próxima a sua lutando contra a vontade de tomar aqueles lábios entre abertos nos seus, Heero notou que a pele do humano havia se arrepiado toda devido a proximidade de seus corpos, ele podia sentir o calor do corpo humano a sua frente e o sangue quente correndo mais rápido em suas veias e antes que ele fizesse algo que se arrependesse mais tarde, Heero soltou o humano ele não podia esquecer que o humano tinha algo que ele queria. Chold abriu a porta do carro para Duo, ele entrou no carro e deixando o castelo e o estranho Heero Yuy para trás.
- Trowa foi impressão minha ou o Heero ficou interessado no humano.
- Não Cathrine eu tive a mesma impressão que você, mas não podemos afirmar nada em relação ao isso, pelo mesmo não ainda. Duo é o dono de Yami e Heero fará qualquer coisa para consegui-la.
Heero ainda ficou alguns minutos observando o carro ir em direção a cidade, ele não podia negar o humano havia despertado nele sentimentos que ele achava que nunca teria, ele pensava por que motivos dissera daquela forma ao humano que se veriam em breve, a verdade e que Heero queria sentir o cheiro dele, quando eles estavam na encosta a cima do vale Heero pode sentir um aroma suave de flores emanando dos cabelos de Duo e o cheiro dele ainda se fazia presente mesmo depois dele ter ido. Heero balançou a cabeça e resolveu entrar ele ainda tinha que conversar com Trowa e Cathrine a respeito das informações que eles foram buscar.
Duo chegou em casa ligou para o Quatre avisando que ia tomar um banho e iria para lá, Quatre avisou que estava mandando alguém ir buscar-lo. Duo desligou e foi para o banheiro, ele tomou um longo banho ele ficou pensando no misterioso dono do Deathscythe, ele ensaboava seu corpo e fechou os olhos imaginando como seria ser tocado por aquelas mãos.
"Heero Yuy e um nome muito bonito, faz sentido ele é lindo, alto cabelos castanhos escuros e olhos azuis como o cobalto, queria saber o que dizem aqueles olhos e o que ele estava pensando quando estava me olhando daquela forma. Agora não é hora para isso logo o carro que Quatre mandou vai chegar e eu não posso demorar."
Duo saiu do banho e trocou de roupa, assim que terminou de se vestir o chofer dos Winners chegou, Duo o cumprimentou e entrou no carro indo em direção a mansão onde Quatre morava.
- Boa noite Rashid.
- Boa noite sr Maxwell.
- Cadê o loirinho.
- O mestre Quatre o está aguardando em seu quarto.
- Obrigado.
- Toc toc. Quatre é o Duo posso entrar.
- Entre Duo.
Duo entrou no quarto, as luzes estavam apagadas e apenas o brilho da lua passava pela janela aberta, ele encontrou Quatre sentado na espreguiçadeira em frente a janela, olhando para o nada. Duo fechou a porta a trás de si e caminhou até o jovem árabe. Duo se sentou e viu o rosto dele molhado pelas lagrimas que ainda teimavam cair por seu rosto. Duo perguntou o que tinha acontecido para deixa-lo assim.
- Eu não sei o que esta havendo comigo Duo, eu não deveria ficar pensando nele, mas quando eu o vi hoje com aquela garota tão bonita, eu me senti tão triste, eu não sei direito o que estou sentindo.
- Você esta falando do Trowa não é.
- Sim, é errado Duo, me sentir assim, eu nem o conheço talvez ele não sinta nada por mim, ainda sim eu quero conhece-lo.
- Shhhh tudo bem, não podemos mandar em nosso coração Quatre, se você tem certeza do que sente por ele, vá em frente meu amigo, talvez descubra que o que você sente por ele, ele sente o mesmo por você.
- Você acha?
- Bem uma jovem muito bonita, ouviu falar muito bem de você através de um moreno de olhos verdes.
- Trowa falou sobre mim? Quando? Com quem?
- Calma eu estive no castelo dos Khushrenada hoje e Trowa estava lá e se a moça que você viu com ele tiver cabelos castanhos claros e estava com um vestido florido, não tem com que se preocupar ela apenas mora com eles.
- Eles?
- E uma longa historia, por que você não lava o rosto e a gente come alguma coisa e conversamos melhor.
- Desculpe você ainda não jantou não é. Venha vamos ver o que o Rashid pode preparar.
Os dois saíram do quarto e foram para a cozinha enquanto Duo comia, ele contou a Quatre tudo o que tinha acontecido aquela noite, Quatre ficou feliz em descobrir que a jovem que ele havia visto com Trowa era apenas uma amiga dele e de Heero Yuy o dono do Deathscythe, Quatre ficou curioso em descobrir sobre ele, uma vez que Duo contou o que sentiu quando estavam juntos.
- E foi isso que aconteceu.
- Nossa isso é realmente incrível Duo. E ele vai ao clube amanhã a noite.
- Ele disse que sim, eu queria apenas saber o que ele quis dizer com que eu não teria a mesma sorte amanhã.
- Talvez ele peça uma musica que você não conheça, e você vai ter que realizar um pedido dele.
- Talvez, mas se eu perder o que será que ele vai me pedir.
- Não deve ser nada de mais, afinal você não tem nada que ele queria, a menos que ele queria você.
- Quatre!
- O que pode ser uma possibilidade.
- Não acredito nisso, estou condenado a viver sozinho.
- Duo você não pode continuar a afastar as pessoas dessa forma.
- Eu sei, mas venha vamos fala em como fazer o Wu-Fei arrumar uma namorada ele passa tempo demais treinando.
Duo pensava nas palavras de Quatre, será que ele deveria realmente abrir seu coração e permitir que os sentimentos acordados por Heero ganhassem força, mesmo correndo o risco de sofrer novamente.
Continua....
