Lábios de Sangue
Capitulo XI - Cor unum et anima uma (Um só coração e uma só alma)
Duo desceu os lábios e começou a beijar o pescoço de Heero, descendo até seu tórax. O
vampiro começou a arfar ao sentir a língua quente do humano em seu corpo.
- Duo...Aahhh...é melhor você... descansar um pouco. Você...ahhh...deve estar
cansado...pela perda...huuuuuuummmmm...de...sangue.
Heero não conseguia articular as palavras de forma coerente, uma vez que ele não
conseguia pensar com Duo beijando seu corpo daquela maneira lenta e constante. Duo
levantou a cabeça e olhou para ele, sorrindo maliciosamente.
- Não me sinto cansado, além do mais você não tirou todo o meu sangue.
- Não, mas tirei mais do que deveria, muito mais do que se você tivesse feito
uma doação.
- Não creio que vá sentir falta dele, além do mais foi por uma boa causa.
- Duo!
- Eu quero que me ame novamente Heero.
- Você precisa descansar um pouco.
- Não....
- Mas...
Duo recomecou a beijar o corpo de Heero enquanto falava.
- Você... me... disse...que me amaria a noite inteira e ela mal começou.
Os olhos de Heero tornaram-se escuros. Sim ele havia dito que amaria Duo até que seu
corpo saciasse o desejo que sentia pelo humano, mas ele achava que o outro precisava
descansar um pouco após o ato tão intenso que compartilharam, mas ao que parecia Duo
não estava disposto a esperar. Heero rodou seu corpo ficando por cima dele, que o
olhava com desejo.
- Sim eu prometi. E vou manter minha palavra.
- Ótimo.
Duo sentia seu sangue pulsando e seu membro também já começava a doer
terrivelmente. Heero o beijou avidamente, enquanto o garoto trançado fechava os olhos
e se esfregava em Heero, selvagemente, o estimulando a passear suas mãos no corpo
quente do companheiro. Duo sentia as mãos fortes de seu amor o acariciando, os lábios
ávidos percorrendo seu pescoço. Ele cravou seus dedos nos ombros largos, emitindo
gemidos e suspiros.
Heero saboreava cada sensação despertada pelos gemidos de Duo. Eles haviam se
amado a pouco, mas era como se estivessem se tocando pela primeira vez. O vampiro
escorregou os dedos em direção ao membro de Duo recebendo como resposta um
gemido surdo. Ansioso por tocá-lo e atormenta-lo, tanto quanto Heero fazia com ele, o
humano mordeu a curva do pescoço de Heero ao mesmo tempo em que agarrava seus
cabelos o puxando sobre si, para sussurrar em seu ouvido.
- Eu preciso de você dentro de mim.
A voz suave e rouca de Duo em seu ouvido, o pedindo para possuí-lo, fez com que o
membro de Heero se endurecesse mais ainda. Ele levantou sua cabeça e observou com
olhos famintos o corpo abaixo de si iluminado pelo luar. Sua boca procurou pelos
mamilos de Duo, e quando os encontrou sua boca fechou-se em torno de um deles o
sugando. Quando pegou o outro mamilo por entre os dedos e o massageou, Duo gemeu
e arqueou o corpo contra o dele.
O americano começou a descer sua mão para tomar o membro de Heero entre ela, mas o
outro sabia que se permitisse que Duo o tocasse , não agüentaria muito tempo e ele não
desejava isso ainda.
Heero segurou as mãos de Duo e prendeu-as acima de sua cabeça permitindo-se
explorar melhor o corpo do amante. Heero começou a beijar o pescoço do humano, que
virou a cabeça pra trás, dando mais acesso as carícias do vampiro.
- Heero...por favor...
- O que você quer Duo?
- Possua-me...agora?
Seus olhos encontraram-se. Sem deixar de observa-lo um só instante Heero o penetrou,
forte e profundamente. O corpo de Duo, ainda com os vestígios da união de seus corpos,
recebeu o membro dele sem qualquer dor. O humano arqueou o corpo ao sentir o
membro duro de seu amado dentro dele, abrindo os lábios em busca de ar.
Heero aproveitou esse momento para tomar os lábios de Duo, e começou a
movimentar-se dentro do corpo amado. Tendo suas mãos libertas, Duo levou-as até os
cabelos de Heero e passou suas pernas ao redor da cintura dele, fazendo aprofundar
ainda mais o membro dentro de seu corpo. Heero continuou os movimentos dentro de
Duo que levou sua boca até a orelha de seu amado a mordendo enquanto sussurrava.
- Mais...rápido...por favor.
Heero apoiou-se na cintura de Duo e aumentou o ritmo de seus quadris penetrando-o
ainda mais profundamente e pressionando a próstata do humano uma vez atrás da outra.
Duo sentia-se morrendo e indo para o céu a cada investida do membro dentro de si. O
garoto trançado tinha seu membro pressionado entre os corpos e sentia que faltava
muito pouco para alcançar o gozo, devido à fricção do corpo de Heero em seu membro,
o que estava-o torturando maravilhosamente.
Duo sentiu seu corpo começar a tremer e logo em seguida sentiu seu abdômen ser
banhado por sua semente. Heero sentiu quando o outro alcançou o orgasmo, e as
paredes fecharam-se ao redor de seu membro como se quisessem estrangula-lo. Ele se
moveu ainda mais algumas vezes até que alcançou o gozo dentro do corpo de seu
amante, fazendo com que seu fruto escorresse pela entrada de Duo.
Sem mais forcas para se sustentar, Heero despencou por sobre o corpo de Duo enquanto
sentia que o humano tentava normalizar sua respiração. Essa nova união havia sido tão
profunda que ambos estavam tento dificuldade em normalizar seus pensamentos e suas
emoções. Duo começou a beijar suavemente o rosto de Heero, abracando-o pela cintura,
sentiu quando ele saiu de dentro de si, deitando-se de lado e o puxando.
- Foi...
- Maravilhoso.
- Sim... Por Deus Heero! Eu achei que fosse morrer.
- Eu me sentiria assim também se já não estivesse morto. Mas foi indescritível,
sem dúvida.
- Será sempre assim não é?
- Enquanto estivermos juntos, tenho certeza de que será diferente a cada vez.
Duo sentia-se cansado, seus olhos pesavam embora ele se recusasse a fechá-los. Heero
notou que seu amante estava cansado e fechou os olhos dele antes de beija-lo
suavemente nos lábios.
- Durma um pouco agora.
- Eu não estou cansado. Apenas satisfeito.
- Sei.
- Verdade...eu não vou dormir, apenas descansar meus olhos um pouco.
- Tudo bem, então feche os olhos e deixe-os descansarem um pouco.
Heero olhou para Duo este ressonava baixinho aninhado em seus braços. Desviando sua
atenção, olhou para o céu estrelado lá fora e agradeceu por ter encontrado tamanho
tesouro. Mas por algum motivo ele sentia que a sua felicidade estava preste a ter um
fim. Um arrepio percorreu-lhe o seu corpo e ele sabia o que isso significava.
- Relena.
********
Enquanto isso na mansão dos Winner's:
Trowa chegou a casa de Quatre na metade do tempo que costumava levar para ir até lá.
Ele sentia que algo estava acontecendo, seu corpo inteiro doía, podia sentir toda a
tristeza e dor de seu anjo, e não era apenas dor emocional, mas também física. Trowa
sabia o que estava acontecendo, ele sabia que era a causa de Quatre estar sofrendo e
passando por tudo aquilo. A raiva crescia de forma desmedida dentro dele. Ele apenas
esperava chegar antes que algo realmente terrível acontecesse com seu anjo. Durante
todo o percurso até a mansão dos Winner's, Trowa falava mentalmente com Quatre.
[i]"Eu estou aqui meu anjo, você não está sozinho".[/i] Mesmo não obtendo nenhuma
resposta do humano, Trowa tinha certeza de que era ouvido.
Ele chegou a mansão e tocou o interfone. Não obtendo nenhuma resposta, ele tocou
mais duas vezes enquanto a angústia crescia em seu peito. Por fim desceu do carro e
olhou para o portão de ferro a sua frente, que deveria ter quase três metros e abria para o
lado direito do muro.
Trowa segurou o portão com ambas as mãos e começou a puxá-lo, forçando o sistema.
O portão rangeu devido a força exercida e a caixa de força, que permitia abertura e o
fechamento do portão, explodiu com um forte estrondo, fazendo o portão começar a se
mover. Trowa empurrou o portão até o final retornou para dentro do carro, e dirigiu-se
até a entrada da casa. Foi recebido por Rashid na entrada.
Rashid não queria ter deixado o jovem mestre, mesmo ouvindo o interfone tocar. Seu
mestre precisava dele, mas Quatre pedirá que verificasse quem estava chegando e ele
obedeceu, Quando ele deixou a biblioteca, em direção a porta principal, ouviu um forte
estrondo e correu até a porta para abri-la. Viu um carro preto se aproximar, imaginando
como o mesmo teria passado pelo portão. Não ficou surpreso ao ver o Sr Barton
descendo do veículo. Por um lado ele estava feliz que o jovem estivesse ali, por outro o
receio de que o jovem mestre sofresse ainda mais quando seu pai descobrisse toda a
verdade o impedia de permitir que o outro entrasse na casa.
- Não creio que seja o melhor momento para uma visita Sr Barton.
- Eu não estou de visita Rashid. Vim porque Quatre me chamou e não será
você que vai me impedir de entrar.
Rashid podia ver a determinação e o brilho avermelhado nos olhos de Trowa e afastou-
se permitindo que este entrasse.
- Como queria Sr. Entre.
- Obrigado.
- Eles estão na biblioteca.
Trowa, assim que entrou ele pode sentir o cheiro, e notou o vermelho na roupa de
Rashid, que não era muito, mas o suficiente para que soubesse de quem era o sangue. .
Ele conhecia aquele sangue, o havia provado na manhã do dia anterior, naquela mesma
mansão: o sangue do seu anjo de olhos claros como o céu na primavera e cabelos
dourados como o trigo no campo.
Quatre podia sentir a presença de Trowa. Ele sabia que seu amor estava a caminho. O
loiro ouviu sua voz a dizer-lhe que não estava sozinho, ele queria responder, mas não
encontrava forças para faze-lo, e foi com alivio que sentiu a presença de seu amor
dentro da casa.
[i]
"Eu estou aqui meu anjo"
"Trowa ele esta tão bravo"
"Tudo bem nós o enfrentaremos juntos".
[/i]
Trowa caminhou até a biblioteca, onde podia ouvir os berros do pai de Quatre. Ele os
estava ouvindo desde que deixará o castelo, mas não estava preparado para presenciar a
cena que viu ao adentrar a sala. A figura de seu anjo caído no chão todo ferido e
sangrando, com a cabeça baixa enquanto seu pai gritava com ele amaldiçoando o dia de
seu nascimento. O pai de Quatre olhou para a porta e viu o rapaz que havia sido a
desgraça de seu filho.
- O que faz aqui?
- Pai!
- Cale-se Quatre. Eu nunca deveria ter permitido que entrasse em minha casa.
Você seduziu e corrompeu meu filho.
- Trowa não me seduziu pai, eu me apaixonei por ele.
- Nunca mais repita isso novamente ou eu juro, Quatre, que farei como manda
a lei de nosso povo.
O pai de Quatre andava de um lado para o outro. Ele viu quando o rapaz de cabelos
castanhos e olhos verdes deixou a porta e se aproximou de seu filho para toca-lo, e
movido por uma raiva cega, ele se aproximou e puxou Quatre pelo braço, sem importar-
se com seus ferimentos, arrancando um gemido de dor dos lábios do filho. Tudo o que
ele conseguia pensar era em afastar aquele jovem de seu filho.
- Não toque nele novamente!!!!!!!!!!
Trowa fez menção de continuar se aproximando, mas quando Quatre fez que não com a
cabeça, e ele parou onde estava, tentando se controlar.
[i]
"Não Trowa fique onde está"
"Mas..."
"Por favor, eu te peço"
"Tudo bem, mas não vou permitir que ele o agrida novamente."
"Eu estou bem não se preocupe".
[/i]
Quando seu pai o soltou, Quatre tentou se manter de pé.Ele cambaleou por um
momento, mas conseguiu se manter ereto. Ele olhou para sua mãe e sua irmã, que
choravam no canto, e sabia o quanto elas estavam sofrendo, principalmente sua mãe.
Ele sentira a sua dor, quando seu pai o agredira, e ela não pôde fazer nada para impedí-
lo, não era permitido as mulheres interferirem quando o homem da casa resolvia corrigir
os filhos. Ela havia tentado interceder por ele, se colocando entre o filho e o pai.
Quatre sabia o que realmente preocupava sua mãe: pelas leis de seu povo, seu pai
poderia mata-lo por desonrar a família, ainda mais ele sendo o único filho homem. Por
um instante ele pensou que seu pai realmente faria isso, quando confirmou a verdade
sobre ter dormido com Trowa na noite em que seus pais haviam viajado.
****
Algumas horas atrás:
Quatre estava em seu quarto aguardando o retorno de seu pai. Ele passará boa parte do
tempo tentando descobrir quem poderia ter contado sobre ele e Trowa. Provavelmente
alguém que estivesse no clube ontem à noite, mas a maioria das pessoas já haviam ido
embora, quando eles ficaram mais próximos. Talvez alguém que estivesse passando na
rua naquele momento. Quatre sempre procurava tomar cuidado para não demonstrar
seus sentimentos em relação ao moreno em público, por isso sempre evitava tocar em
Trowa nessas ocasiões, mas na noite anterior ele estivera tão preocupado com a demora
deste e de Heero que simplesmente não o impedira de beija-lo, quando retornaram.
Quatre podia sentir a tensão na casa inteira: sua mãe, sua irmã, Rashid e os outros
empregados, todos aguardavam, um tanto quanto temerosos, o senhor da casa. Quatre
olhou para o relógio, faltava pouco para às oito horas da noite e seu coração batia
acelerado, o ar parecia sufoca-lo. Quatre levantou-se da cama e caminhou até a janela, a
lua estava alta e o céu repleto de estrelas, e se não fosse pela angústia em seu peito, ele
teria apreciado a paisagem. Por um momento, o loiro se lembrou de Duo e seu coração
se alegrou pelo amigo.
[i]
"Espero que dê tudo certo desta vez. Que Alá proteja a você e Heero meu amigo".
[/i]
A batida na porta fez o coração de Quatre saltar dentro do peito. Respirando
calmamente, ele caminhou até a porta, encontrando Rashid com uma expressão que
jamais havia visto em todos os anos em que ele trabalhava para sua família.
O mordomo, olhando para o jovem mestre, pensou que teria retirado Quatre de casa e o
escondido de seu pai, se pudesse. Rashid sabia o quanto o senhor da casa estava furioso,
ele havia visto quando o mesmo chegara, á alguns minutos e pedira que fosse buscar
Quatre. O jovem sorriu, tentando confortar Rashid, mas sabia que não estava
conseguindo, afinal, ele mesmo não se sentia tranqüilo e sabia que isso transparecia em
seu rosto.
- Meu pai já chegou Rashid?
- Sim mestre Quatre. Ele pede que vá até a biblioteca para falar com ele.
- Tudo bem.
- Quatre.
Quatre fechou a porta de seu quarto e começou a caminhar em direção a escada para ir a
biblioteca quando ouviu a voz de Rashid o chamando pelo nome. Ele ficou surpreso,
pois a muito tempo Rashid não o chamava apenas pelo nome. O mordomo costumava
colocar a palavra mestre antes de seu nome desde que Quatre completara cinco anos.
Quatre se virou e aguardou que Rashid falasse. Ele o viu se aproximar e falar na língua
de seu povo.
"Que Alá o proteja e o cubra com suas mãos, mesmo que a
mão de seu pai se erga sobre você e faça jorrar o seu sangue,
Alá está sempre com você. Pois você, jovem mestre, é um dos
filhos de Alá... e Alá jamais abandona seus filhos.
"Que Alá o proteja e o cubra com suas mãos. Mesmo que a mão de seu pai se erga
sobre você e faça jorrar o seu sangue Alá está sempre com você. Pois você jovem
mestre é um dos filhos de Alá e Alá jamais abandona seus filhos. ".
Quatre balançou a cabeça e o abraçou tentando não chorar. Ele podia sentir Rashid o
abraçando e acariciando suas costas. Sim, Quatre sabia o que o aguardava; as palavras
que Rashid dissera eram claras.
Quatre sabia que tinha que ser forte, sabia que tinha que enfrentar seu pai e faze-lo
entender que o que ele sentia por Trowa não era errado. Poderia um sentimento tão
grandioso como o amor errar? Seria errado acreditar e seguir seu coração mesmo que
isso significasse magoar pessoas queridas? Não.
Quatre sabia e sempre soube, que, no momento em que admitiu seus sentimentos e
permitiu que o amor que sentia por Trowa ganhasse força, que ele estaria indo contra os
costumes e leis de seu pai. Isso era inevitável.
O jovem se afastou e acariciou o rosto do velho amigo, que cuidava dele desde de
pequeno. Pequenas lágrimas caiam pelo rosto de Rashid. Quatre sorriu, ele sabia que
não estava sozinho, Rashid estaria com ele, como sempre esteve.
- Não se preocupe. Eu conheço meu destino Rashid, mesmo que meu pai não
entenda, eu não o culpo e nem vou culpa-lo pelo o que ele fizer. Agora
vamos.
- Sim mestre Quatre.
Quatre sorriu e seguiu Rashid até a biblioteca. Quando entraram na sala, sua irmã e sua
mãe já estavam presentes, e seu pai estava sentado a mesa. Ele parecia cansado e
zangado.
Assim que a porta da biblioteca se abriu, ele levantou a cabeça e encarou o filho mais
novo. Quatre havia sido sua maior alegria quando nascera, um filho homem para herdar
tudo aquilo que ele construirá durante os anos, e agora ele era o motivo de sua tristeza.
Se estivessem em seu país Quatre não estaria ali parado, a sua frente, aguardando que
ele começasse a falar. Provavelmente se estivessem em seu país, ele estaria enterrando
seu corpo neste momento. Era difícil encarar o rosto de seu filho e não se lembrar das
palavras escritas na carta que receberá aquela manhã. Ele esperava que fosse mentiras,
esse foi um dos motivos que não retirara Quatre de sua cama assim que leu a carta;
mesmo que seu coração lhe dissesse que era tudo verdade, ele ainda tinha esperanças de
que tudo não passasse de uma brincadeira de mau gosto. Quatre notou o esforço que seu
pai fazia para se acalmar, bem como o modo que eleevitava encarar o seu rosto. Então
Quatre resolveu iniciar a conversa.
- O senhor queria falar comigo.
- Sim queria...eu recebi uma noticia esta manhã que me deixou um tanto
quanto perturbado e gostaria que você me esclarecesse.
- E o que seria meu pai.
- Diga-me Quatre qual o seu relacionamento com o rapaz que esteve aqui
ontem.
Quatre ficou alguns instantes em silêncio. Sua mãe e irmã o olhavam aguardando sua
resposta. Elas desejavam que Quatre dissesse que eles eram apenas amigos, mas sabiam
que ele jamais mentiria sobre seus sentimentos a cerca do rapaz. Reunindo sua coragem
Quatre levantou sua cabeça e encarou seu pai.
- Eu...eu o amo.
Quatre viu o rosto de seu pai se transformar em uma máscara de dor e incredulidade ao
ouvir suas palavras, enquanto levava a mão ao coração. Além disso, ele ainda pôde
sentir sua tristeza e decepção.
O pai de Quatre não podia acreditar nas palavras de seu filho. Quatre havia dito que
amava o outro garoto. Como? Eles eram homens. Como seu filho poderia dizer que
amava outro homem!
- Quatre diga-me se aquele rapaz fez alguma coisa com você, contra sua
vontade, e eu juro que ele se arrependerá por tê-lo...
- Não! Trowa...não fez nada comigo que eu não tivesse consentido.
- Por Alá. Então o que me contaram é verdade.
- Não sei o que contaram meu pai. Apenas digo o que sinto por Trowa.
- NÃO DIGA O NOME DELE NA MINHA FRENTE!
O pai de Quatre se levantou, fazendo com que a cadeira caísse atrás de si, e bateu com
as mãos na mesa, seu rosto transtornado pela ira. Ele caminhou em direção ao filho,
sendo impedido por sua esposa, que se colocou entre os dois.
- Ahmond! Por favor, eu te peço, não o machuque.
- NÃO MACHUCA-LO! Eu deveria MATÁ-LO pelo o que ele acaba de me
dizer, e você ainda quer defendê-lo mulher. Ele desonrou o meu nome,
desonrou sua família e você me pede que não o MACHUQUE!!!!
Lágrimas rolavam do rosto da mãe de Quatre, enquanto ela segurava seu marido pelos
ombros, para impedir que ele tocasse em seu filho. Ele olhava para a esposa e para o
filho que ela lhe dera. Ahmond segurou nos braços dela e olhou em seus olhos.
- Diga-me que não sabia sobre o que Quatre sentia por esse rapaz, Ângela.
A mãe de Quatre abaixou a cabeça incapaz de encarar o marido. Ele apertou o braço
dela, para obrigá-la a encara-lo. Quatre aproximou-se e tocou o braço de sua mãe e
olhou em seus olhos antes de responder por ela.
- Eu contei a ela na tarde em que vocês não retornaram do jantar de negócios.
Ele soltou os braços da esposa e virou-se de costas. Quatre abraçou sua mãe e repousou
sua cabeça no pescoço dela, enquanto os dois choravam. Ahmond olhou para os dois
juntos: seu filho era quase uma copia de sua esposa, os mesmo traços suaves, o mesmo
tom de pele e cor de cabelos, apenas a cor dos olhos eram diferentes, enquanto de
Quatre eram azuis como as safiras, o de Ângela eram verdes como o jade.
- Diga-me que é mentira que você não se deitou com ele e eu procurarei
esquecer tudo sobre o que falamos.
- Ahmond como pode pensar que Quatre teria se deitado com o rapaz. Diga a
ele, Quatre, que está enganado, você não faria isso, não é meu filho. Não na
casa de seu pai.
Quatre se afastou de sua mãe e olhou em seus olhos e ela soube que era verdade. Ele
havia se entregado ao jovem chamado Trowa. Ela cobriu a boca com as mãos e se
afastou caindo no chão ao ouvir as palavras de seu filho.
- É verdade. Eu me deitei com ele na mesma noite.
- AHMOND NÃO!
Quatre não soube ao certo o que tinha acontecido, ele apenas ouviu sua mãe gritar antes
de sentir que alguma coisa acertava seu rosto com fúria, fazendo com que perdesse o
equilíbrio e caísse no chão. Ele sentiu seu pai agarrar o seu braço e jogá-lo em cima da
mesa enquanto socava-o no peito e nos braços. Ahmond agarrou seu filho e jogou-o
novamente no chão começando a chutá-lo como se assim pudesse fazer parar toda a dor
que estava sentindo.
Quatre sentia os chutes no estômago, nas pernas e nos braços. Ele sabia que seu pai não
pararia enquanto não se acalmasse; sentia a tristeza e a dor dele, assim como a de sua
mãe, sua irmã e de Rashid, que ficará na sala. Quatre podia sentir Trowa falando com
ele, sentia que Trowa sabia o que estava acontecendo. Seu amor lhe dizia que estava a
caminho, que ele não estava sozinho. O anjo loiro podia sentir a presença de Trowa
ficar mais forte a cada minuto... logo seu amado estaria ali com ele. Quatre queria dizer
a Trowa que podia ouvi-lo, mas a dor era tanta que ele não conseguia pensar em nada
além dela, por isso não encontrava forças para responder.
Ele não se movia mais e nem tentava se proteger da fúria de seu pai, quando notou,
enfim, que já não era mais agredido. Ainda deitado no chão, podia sentir seu sangue
escorrendo da boca e olhou para cima , só para ver seu pai com os olhos repletos de
raiva sendo segurado por Rashid. Seu corpo inteiro doía. Quatre levou uma de suas
mãos ao rosto dolorido, enxugando o sangue na manga de sua camisa branca. Depois
tentou levantar-se, mas era quase impossível faze-lo, devido ás dores no corpo. Sua mãe
e sua irmã fizeram menção de se aproximar para ajuda-lo, mas ele as impediu com um
movimento de cabeça.
E foi logo em seguida que eles ouviram o interfone tocando, uma, duas, três vezes
seguidas e depois silenciar. Quatre olhou para Rashid e falou com ele para soltar seu
pai, ele não estava mais sozinho Trowa havia chegado.
- Tudo bem Rashid. Não se intrometa.
- Mas mestre...
- Por favor, deixe que meu pai faça o que achar melhor. Vá ver quem é, por
favor.
Rashid soltou o pai de Quatre contra a vontade, fora quase impossível tira-lo de cima do
menino, tamanha a fúria em que se encontrava; Rashid sabia que ele seria capaz de
matar o próprio filho.
Ahmond olhou para Rashid, que saia da biblioteca, e depois olhou para Quatre, caído no
chão, com o rosto sangrando, a blusa rasgada, o peito arroxeado e as lágrimas que caiam
de seu rosto, se misturando ao sangue no chão. Sua vontade era de arrastá-lo para fora
de casa, para que não visse mais o seu rosto.
Quatre sentiu a presença de Trowa na sala e ouviu a voz dele em sua mente. Finalmente
encontrou forças dentro de si para responder-lhe, enquanto ainda olhava para seu pai,
mas teve que abaixar sua cabeça quando ele começou a falar.
- Maldito foi o dia em que você nasceu.
O pai de Quatre viu a porta se abrir e Trowa parado, olhando para seu filho no chão, o
semblante uma mistura de dor e raiva por vê-lo naquele estado. Por um instante
Ahmond pensou ter visto os olhos do rapaz mudarem do verde para o vermelho, mas ele
não saberia dizer com certeza, tamanho era o ódio que tinha pelo rapaz que invadira a
vida de seu filho e destruíra a paz de sua família. Somente o que conseguiu fazer foi
perguntar a ele como se atrevia a voltar a sua casa.
Quatre olhou para Trowa e sorriu, aumentando ainda mais a ira de seu pai, que se
aproximou sem que percebesse e o agarrou-o pelo braço. Quatre olhou para seu pai, e
viu que lágrimas caiam dos olhos dele . Era a primeira vez que via seu pai chorando.
Ele nunca derramará nenhuma lágrima, mas naquele momento varias banhavam o seu
rosto. Ahmond olhou para o moreno colocando Quatre atrás de si.
- Você, eu quero que saia de minha casa e não volte a importunar mais o meu
filho ou eu farei com que se arrependa seriamente de ter se envolvido com
ele.
Trowa olhou para o humano com desprezo. Ele não precisava ficar ali o ouvindo
insultar a ele ou a Quatre, poderia simplesmente pegar seu anjo e tira-lo dali e não
haveria ninguém que o impedisse de faze-lo. Mas não era isso o que Quatre desejava e
por esse motivo ele se controlou para não faze-lo.
- Eu somente sairei se Quatre me pedir para faze-lo e acredite nada que faça
fará com que eu me arrependa por conhecido seu filho.
Quatre tentou fazer seu pai entender seus sentimentos em relação a Trowa.
- Pai... entenda, por favor, eu e Trowa nos amamos.
Ahmond se virou para Quatre, que tentava se aproximar, mas ele o impediu como se o
seu toque o ferisse e foi com infinita tristeza que Quatre ouviu o que seu pai lhe dizia.
- Quatre, você desonrou o nome dessa família com seus atos, mas eu estou
disposto a perdoa-lo se me prometer que não voltara a ver esse rapaz
novamente.
Quatre olhou para Trowa e para seu pai abaixando a cabeça por alguns instantes antes
de responder.
-Eu não posso mentir para o meu coração, pois assim estaria mentindo para mim
mesmo. Eu já entreguei meu coração a Trowa e mesmo que eu quisesse não
poderia jamais esquece-lo.
- Tableft....
Tableft....
Ahmond bateu com as costas da mão no rosto do jovem árabe, o desconsertando e
fazendo com que um filete de sangue voltasse a escorrer pelo canto esquerdo de seus
lábios. Quatre levou a mão ao rosto, tendo os olhos banhados pelas lágrimas, quando
seu pai disse algo que pareceu cortar seu coração ao meio.
- A partir de hoje você não é mais meu filho.
- Por Alá Ahmond, não faça isso.
- Quieta mulher. – virando-se para Quatre continuou - Saia desta casa e
esqueça que tem o nome Winner ou o meu sangue.
- Pai...
Ele olhou para o rosto de Quatre e viu tristeza e determinação através deles. Ele sabia
que ele jamais mudaria de opinião, que continuaria a amar o outro rapaz. Ahmond
pretendia bater-lhe novamente, por tudo o que via no olhar do loiro. Quatre fechou os
olhos esperando o tapa que nunca veio. Ao abrir o olho ele viu Trowa a sua frente
segurando o braço de seu pai. O moreno tinha os olhos vermelhos e o olhar frio, o que
assustou Ahmond.
Trowa não podia permitir que o pai de Quatre o ferisse ainda mais. Quando viu que o
humano voltaria a bate-lo, não pensou duas vezes antes de colocar-se entre Quatre e seu
pai.
- Nunca mais volte a tocar nele novamente ou eu juro que o mato.
- Trowa, não.
Trowa sentiu a mão de Quatre sobre o seu braço e se afastou do humano, contra sua
vontade, ele estava disposto a derramar o sangue daquele homem que se atrevera a
machucar seu anjo.
Quatre sabia que Trowa cumpriria a ameaça, mas, apesar de tudo, amava seu pai e sabia
o quanto ele estava triste. Foi com surpresa, que Ahmond viu os olhos do rapaz se
tornarem vermelhos como o sangue e que presas saiam de sua boca, e acabou se
afastando assustado.
- O que você é?
- Pai...
- Quatre você se apaixonou por um Glole? [b][1][/b]
- Sim, ele se apaixonou por mim e eu por ele, no momento em que nos vimos.
- Quatre como pode fazer isso? Diga que você não sabia o que ele era quando
se envolveu com ele, quando se...
- Eu sabia...eu sempre soube o que ele era.
-
- E mesmo assim você foi capaz de...
Trowa abraçou Quatre por trás, seu anjo estava sofrendo tanto... O moreno sabia que ele
não agüentaria muito tempo vendo o desespero e a dor nos olhos do próprio pai.
O peito de Quatre doía terrivelmente, os sentimentos dentro da sala eram tantos que
sentia como se suas forças estivessem sendo sugadas. Então de repente, o loiro
desfaleceu, sendo amparado pelos braços de Trowa. A mãe de Quatre tentou se
aproximar mais foi impedida por seu marido.
- Quatre!
Trowa olhou preocupado para o semblante de seu anjo, mas seu coração ainda batia,
evidenciando que apenas havia desmaiado devido a tensão.
- Ele apenas desmaiou.
Trowa virou-se para sair. Não havia mais sentido permanecer naquela casa. Ele estava
quase saindo quando ouviu a voz do humano.
- Para onde vai levar meu filho?
- Como disse a pouco, ele não é mais seu filho, portanto ele já não é mais
responsabilidade sua.
Trowa saiu da biblioteca carregando seu anjo desacordado nos braços. Rashid observava
a cena de seu jovem mestre nos braços do rapaz e os seguiu. Ahmond caiu no meio da
sala, sendo abraçado por sua esposa, que também não conseguia acreditar no que seu
filho havia feito. Ela sabia que Quatre havia se apaixonado pelo jovem que o salvara,
mas ela não sabia que o rapaz era um Glole e que seu filho, mesmo sabendo disso, se
entregou a ele.
Iria se levantou e foi atrás de Trowa, o encontrando na entrada da casa, colocando
Quatre deitado no banco traseiro do carro. Ela achava um tanto quanto difícil de
acreditar no que acontecera: que o jovem a sua frente não fosse humano. Sabia que
deveria temê-lo, mas não conseguia, por algum motivo ela sabia que Trowa não era
perigoso.
- Você vai cuidar dele, não é?
- Não se preocupe. Não tenciono fazer outra coisa que não seja cuidar do bem
estar dele. Você e sua mãe serão bem-vindas ao castelo se desejarem visitá-
lo.
- Obrigada.
- Rashid, se lembra do presente que dei a Quatre na noite em que estive aqui?
- Sim, eu me lembro.
- Poderia trazê-lo, por favor.
- Claro.
- Rashid!
- Sim, senhorita Iria?
- Traga o violino de Quatre por favor, e algumas peças de roupa, apenas o
suficiente para ele passar a noite, amanhã eu levarei o restante para ele.
- Como quiser senhorita.
Iria se aproximou do carro e ajoelhou-se a passando a mão gentilmente por sobre os
cabelos do irmão, enquanto chorava. Ela sabia o quanto deveria ter sido doloroso para
seu irmão ouvir o próprio pai renegando-o, bem como ela tinha certeza que Trowa
cuidaria dele e faria de tudo para protegê-lo.
- Trowa, eu peço que não guarde rancor por meu pai.
Iria notou que os olhos dele ficarem levemente avermelhados e ele fechar as mãos
tentando se acalmar antes de falar alguma coisa, embora não tivesse muito sucesso, uma
vez que sua voz deixava transparecer toda a sua raiva.
- Não me peça para perdoar um homem que seria capaz de matar o próprio
filho, apenas porque ele não segue as mesmas regras e costumes ensinados
por seu povo.
- Eu sei disso. Mas se não por você, faça-o por Quatre. Eu sei que ele não iria
querer que você tenha raiva pelo o que aconteceu.
Trowa olhou com carinho para o jovem deitado no carro. Era verdade, Quatre não
gostaria disso. Ele sabia que no coração do loiro não havia mágoa pelo que seu pai
fizera.
Alguns minutos depois, Rashid retornou, sendo ajudado por Trowa, que pegou a caixa
com as Heath Scythe dos sbraços do mordomo, colocando-a no porta-malas, enquanto
Rashid trazia o violino e uma pequena maleta nas mãos. Trowa fechou a porta traseira
do veículo depois de verificar se Quatre estava devidamente acomodado. Sentou-se
atrás do volante e antes de sair ele virou-se para Iria, a observando por alguns instantes.
- Eu tentarei por Quatre. Amanhã providenciarei para que alguém conserte o
portão.
- Não será necessário Trowa.
- Tudo bem.
Trowa manobrou o carro e saiu da casa de Quatre em direção ao castelo, tendo todo o
cuidado com a preciosa carga no banco de trás.
No momento em que circundou a praça em direção ao castelo, alguns carros, todos da
mesma cor negra, passaram pelo arco na entrada da cidade, em direção ao Garden Sank
Hotel, como se estivessem em um cortejo fúnebre. Muitos moradores, que andavam
pelas ruas, olharam curiosos, desejando saber quem eram os ocupantes dos veículos.
Os carros pararam em frente ao hotel e um homem com longos cabelos ruivos desceu do
primeiro carro. Contornando o veículo, abriu a porta traseira do lado esquerdo, de onde
saiu uma jovem de longos cabelos dourados e a pele pálida como a lua. Muitos
admiraram a beleza etérea da jovem. Ela olhou para o jovem de cabelos ruivos e
acariciou o rosto do mesmo, enquanto lhe dizia suavemente.
- Eu estou com fome.
A jovem olhou ao redor e viu os rostos de admiração e curiosidade, enquanto pensava o
quanto eles eram tolos. Um sorriso malicioso e perverso apareceu em seu rosto quando
falou.
- Traga-me sangue fresco.
- Como desejar senhora.
O ruivo seguiu por uma rua próxima ao hotel, desaparecendo na escuridão. A jovem se
dirigiu ao prédio, juntamente com os ocupantes dos outros carros, entre eles um jovem
de longos cabelos loiros e sem um dos braços.
******
Próximo á terra dos Khushrenada:
Trowa olhava de vez em quando para o ocupante no banco detrás, que permanecia
desacordado. Ele sentira algo estranho, ao cruzar a praça, mas estava tão preocupado
com Quatre, que acabou por ignorar completamente a sensação incomoda, mas que, por
algum motivo, ainda o perturbava. Ele olhou para o céu e negras nuvens cobriram a lua.
Por um momento Trowa a imaginou vermelha como sangue e em seu íntimo soube o
que isso significava.
[i]
" Nosso tempo acabou e ainda não estamos prontos para enfrentar o mal que está para
ser libertado. Que Deus possa ter piedade das vidas que juramos proteger".
[/i]
Trowa olhou novamente para Quatre, pelo espelho retrovisor, e sentiu uma forte
contração no peito: alguma coisa estava preste a acontecer. Alguma coisa que mudaria a
vida de todos, principalmente a de seu anjo, e ele não desejava que nada de mal lhe
acontecesse.
O moreno dirigiu ainda por alguns minutos até avistar a torre do castelo. Assim que
chegou e estacionou na entrada do casarão, Kimitsu apareceu solicito e prestativo como
sempre. Trowa desceu do carro e abriu a porta de trás, retirando o jovem loiro com todo
o cuidado. Kimitsu ficou um tanto quanto surpreso, em ver um jovem com um
semblante tão sereno, tão machucado nos braços do vampiro.
- Kimitsu providencie ataduras e tudo o que for necessário para que eu cuide
dos ferimentos dele.
- Sim, Sr Barton.
- E providencie para que as coisas no porta-malas sejam levadas para o meu
quarto.
- Será feito.
Trowa entrou no castelo e foi recepcionado por Cathrine e os outros que o aguardavam.
Assim que ela viu o jovem loiro desacordado nos braços de Trowa, correu até ele.
Quando viu o estado de Quatre, ela levou uma das mãos a boca e olhou para Trowa.
Treize se aproximou e viu um rapaz loiro, muito bonito, com o rosto e o corpo todo
machucado; não era muito difícil descobrir o que havia acontecido com o jovem
humano.
- Trowa o que houve?
Trowa ficou alguns instantes em silêncio antes de responder. Treize pôde notar a
dificuldade que o outro vampiro encontrava para responder uma pergunta tão simples,
seus olhos estavam rasos de água. O humano precisava ser tratado, o que havia
acontecido com ele poderia ser explicado mais tarde.
- Isso não é importante agora, meu amor. O importante é cuidar dos ferimentos
dele.
- Sim é verdade, venha vamos para o seu quarto Trowa, eu o ajudo a cuidar de
Quatre.
- Obrigado Cathrine.
Trowa caminhou para o seu quarto sendo seguido por Cathrine, que abriu a porta.
Trowa entrou, depositando Quatre cuidadosamente sobre a cama, o que acabou
arrancando um gemido dele mesmo estando inconsciente. O moreno acariciou
suavemente o rosto de seu amante, e o beijou nos lábios. Alguém bateu na porta e logo
depois ela se abriu, para Kimitsu que trazia algumas ataduras, algodão, álcool e outros
apetrechos médicos.
Trowa retirou a cuidadosamente a camisa de Quatre e pode ver a pele clara, repleta de
manchas roxas. Após um exame minucioso, ele verificou que o estado do amante não
era tão grave. Mas era claro que Trowa não havia gostado de ver o corpo de Quatre
machucado. Tirando as escoriações, luxações e duas costelas quebradas seu anjo não
estava tão ferido quanto aparentava a primeira vista, poderia ter sido muito pior e Trowa
não queria pensar no que faria caso não tivesse chegado a tempo.
Ele e Cathrine limparam os ferimentos de Quatre e fizeram os curativos necessários;
não havia muito a ser feito a não ser esperar que Quatre acordasse e se restabelecesse o
máximo possível. Mas a recuperação seria lenta e tudo o que não dispunham no
momento era tempo. E era exatamente essa a maior preocupação de Trowa: quanto
tempo levaria a recuperação física, mental e emocional de seu anjo. Logo uma batalha
seria iniciada. Uma batalha em que as chances de vitória eram desconhecidas. A
qualquer momento os inimigos chegariam e eles ainda não estavam prontos para detê-
los.
Cathrine saiu do quarto deixando Trowa perdido em seus pensamentos. A situação de
Quatre não era reconfortante, mas também não era preocupante. Ela encontrou-se com
Treize que aguardava no corredor. Ele podia sentir a tristeza de sua futura esposa, e só o
que pôde fazer foi sorrir, assim que a viu, e abrir os braços, no qual ela se aninhou em
busca de consolo. Cathrine havia ficado abalada pelo estado do humano, assim como
Treize.
Era a primeira vez que ele se encontrava com o jovem que havia conquistado o tão
calado Trowa Barton, mas não podia culpa-lo, pois apesar do jovem humano ter o rosto
machucado, não era difícil notar a beleza quase angelical do rapaz de cabelos dourados.
Treize podia imaginar como Trowa estava se sentindo: impotente de não ter sido capaz
de impedir e proteger quem lhe é mais precioso. Treize passara pela mesma sensação,
por duas vezes: a primeira vez quando Ebro o obrigou a tirar a humanidade de Cathrine
para impedir que ela morresse e novamente vinte e cinco anos depois quando o mesmo
vampiro tentou raptá-la. Sim ele mais do que ninguém sabia o que Trowa estava
sentindo.
Treize beijou os cabelos de Cathrine e aspirou o perfume suave de rosas que tinham, em
seguida, levantou delicadamente seu rosto com uma das mãos, enquanto a outra
permanecia em sua cintura. Ele sorriu e beijou-a com paixão, deliciando-se com o seu
doce sabor. Cathrine sentiu-se inebriada pelo beijo. Quando Treize afastou-se
ligeiramente, Cathrine ainda permaneceu alguns instantes com os olhos fechados. No
momento em que abriu seus olhos, eles transmitiam todo o amor, carinho e segurança
que ela sempre sentia ao lado de Treize.
- Eu te amo.
- Também te amo, meu senhor.
- Cathrine eu não sou...
Cathrine cobriu os lábios de Treize com os dedos recostando sua cabeça no peito dele.
- Meu senhor, senhor da minha alma, senhor do meu coração. A cada dia, a
cada anoitecer eu agradeço aos céus por você ter entrado em minha vida.
- Cathrine...
Cathrine levantou a cabeça e enxugou as lágrimas que caiam dos olhos de seu futuro
marido, ignorando as próprias que molhavam o seu rosto. Treize sorriu e acariciou o
rosto da amada.
- Eu não mereço você sabia.
- Eu não concordo com isso, você merece muito mais Treize.
- Se você diz, somente me resta concordar com sua vontade minha dama.
*****
Na cidade:
- Eu tenho que ir Karl.
- Fica mais um pouquinho vai.
- Não eu tenho que de ir pra casa, meus pais devem estar preocupados. Nos
vemos amanhã está bem.
- Tudo bem eu te levo em casa.
- Não precisa, eu posso ir sozinha.
O casal se despediu com um beijo. A moça de cabelos negros correu, deixando o rapaz
de cabelos curtos sentado no correto da praça. Do outro lado da praça a moça era
observada por um par de olhos vermelhos. O rapaz se levantou e começou a caminhar
em direção a sua casa, que ficava a poucos metros dali. Ele andava a passos curtos,
apreciando a brisa noturna.
Epyon era um bom lugar para se viver, cercado pelo verde, sem violência, um
verdadeiro achado. Mesmos os becos da cidade não ofereciam perigo. Isso não significa
que não houvesse a violência das grandes cidades, tinha, só que em escala quase nula.
Esse foi um dos motivos que o levara a se mudar para Epyon, para fugir da correria e
dos problemas das cidades grandes.
Ele avistou a rua onde morava, que estava escura devido a dois postes defeituosos. A
prefeitura deveria ter providenciado o conserto a tarde, mas até o momento não havia
sido feito. De repente o rapaz sentiu uma sensação incomoda, como se estivesse sendo
seguido e alguém o chamando. Ele olhou para trás procurando por alguém ou alguma
coisa, mas não viu nada além de sombras e um brilho avermelhado, que nunca vira
antes, no meio da escuridão. Ele se sentiu compelido a caminhar até aquele brilho.
Quando começou a dar alguns passos, sentiu algo gelado tocar sem ombro o fazendo
gritar.
- Aahhhhh.
- Calma Karl, sou eu Milliardo.
O rapaz de cabelos castanhos claros reconheceu o dono da loja 24hs e sua namorada.
Karl respirou fundo, tentando se acalmar devido ao susto. Noin olhava para Karl, que
era seu vizinho, notando que o rapaz parecia um tanto pálido. Ela desviou o olhar para
seu namorado, e eles aguardaram que ele se acalmasse. O rapaz olhou novamente para
trás e não havia mais nada lá, apenas o escuro.
- Você está bem Karl?
- Hã? Sim... me desculpem eu me assustei, foi somente isso. É que a rua está
um tanto quanto escura e pensei ter visto algo, mas acho que foi impressão
minha.
- Tem certeza que está bem?
- Estou Noin, obrigado.
- Você não deveria estar andando sozinho a essa hora.
- É eu sei, mas é que eu estava com a Melissa.
- Namorando, não é?
- Há...há, é um pouquinho.
- Quer que a gente te acompanhe até sua casa?
- Não é necessário Milliardo, obrigado.
- Tem certeza?
- Tenho, podem ir. A gente se vê mais tarde, tchau.
O rapaz se despediu e continuou a subir a rua sob o olhar do casal que estava descendo.
Karl se virou e acenou para os amigos, que acenaram em resposta, se virando
continuando seu caminho. Karl se virou para continuar a subir, e deu de frente com um
rapaz de longos cabelos ruivos, e antes que pudesse esboçar qualquer reação ele foi
engolido pela escuridão.
Não muito longe dali uma jovem de cabelos negros caminhava para casa. Faltava pouco
mais de três casas para chegar a sua, quando ela notou que a rua parecia mais escura que
o habitual, mas ela procurou não dar muita importância ao fato. Foi quando ela avistou
um homem bem vestido, sentado na árvore do jardim ao lado da sua casa. Ela nunca o
havia visto antes. Assim que o jovem na árvore notou que a garota se aproximava, ele
levantou e caminhou na direção dela, parando a poucos centímetros da moça. Ela
sentiu-se estranha por um momento, como que enfeitiçada pela beleza do rapaz de
cabelos longos a sua frente, a pele pálida, os cabelos vermelhos como o fogo, os olhos
que não conseguiu identificar a cor e o brilho estranho. O rapaz sorriu e se aproximou
mais da jovem, a tempo de segura-la nos braços quando a mesma desmaiou. O rapaz
segurou sua vítima e desapareceu no meio da escuridão.
*****
No castelo na terra dos Khushrenada:
Treize bateu na porta do quarto e entrou sem esperar uma resposta. Trowa estava em pé,
na janela olhando a noite. Ele sentiu a presença do outro na porta, antes dele bater e
entrar, mas não se virou para olha-lo. Treize se aproximou da cama onde o humano
parecia dormir e observou seu rosto por um momento. Os traços suaves a pele clara, os
cabelos loiros, enfim, o retrato de um anjo. O vampiro mais velho fechou os olhos por
um momento, tentando encontrar os pensamentos do humano na cama. Trowa se virou e
observou Treize. Ele sabia o que o outro estava tentando fazer, ele também tentara, mas
não tivera resultado.
- Eu já tentei e não conseguiu que ele me respondesse. É como se a mente dele
não estivesse presente, embora eu saiba que ele me ouve.
- Não se preocupe. Ele vai responder quando puder.
- É eu sei, mas a espera é pior do que se soubesse que ele nunca mais
responderia.
- Há uma forma de ajudar na recuperação dele, mas não sei se você vai querer
ouvir.
- Se isso é para ajuda-lo estou disposto a ouvir.
- Você poderia dar seu sangue a ele.
- Meu sangue!?
- Sim...duas ou três doses no máximo, apenas o suficiente para fortalecer e
ajudar o organismo de Quatre a restabelecer-se mais rápido.
- Mas como isso iria ajuda-lo Treize?
- Não é uma prática muito utilizada pelo nosso clã, uma vez que os humanos
que bebem o sangue de um vampiro acabam tornado-se dependentes dele
após a quarta dose. Muitos clãs realizam esta prática a fim de manterem
humanos como escravos de suas vontades.
- Eu não poderia fazer isso com Quatre.
- Eu sei Trowa, mas você dará a ele apenas o suficiente para ajudá-lo, não para
escravizá-lo.
- Mas...
- Não se preocupe eu jamais ofereceria esta alternativa se ela prejudicasse o
humano.
- Eu sei Treize, desculpe-me.
- Tudo bem, sei como deve estar se sentindo. Ele se sentirá diferente por
alguns dias, mas depois que o corpo de Quatre absorver completamente seu
sangue, ele estará como se nunca tivesse tomado-o.
- Tem certeza?
- Absoluta.
- Você quer esperar que ele acorde para dar-lhe o sangue?
Trowa fechou os olhos e pensou por alguns minutos nas possíveis conseqüências e
resultados. Ele não queria contaminar Quatre com seu sangue, mas ele faria? Ele tinha a
obrigação de que fazer alguma coisa para ajudar seu anjo a se recuperar mais
rapidamente. Trowa ainda estava decidindo se aceitava ou não a idéia de Treize quando
ouviu uma voz suave e cálida em sua mente, que aqueceu e acalmou seu coração.
[i]
"Trowa faça o que tiver que fazer"
"Quatre eu não...
"Você não vai me contaminar, portanto não há com o que se preocupar meu amor. Eu
confio em você"
"Está bem, eu farei".
[/i]
Trowa abriu os olhos e se virou para Treize.
- O que tenho que fazer?
- Se ele estivesse acordado seria mais fácil, bastaria darmos o sangue para que
ele bebesse. Como não sabemos quando ele irá acordar sugiro aplicar o
sangue diretamente.
- Tudo bem, que seja.
Treize sorriu e se concentrou procurando pela presença de Kimitsu dentro do castelo.
Assim que o encontrou falou com ele mentalmente.
[i]
"Kimitsu."
"Sim, Sr Treize."
"Traga o que for necessário para se fazer uma transfusão."
"Como quiser senhor Treize."
[/i]
Kimitsu parou o que estava fazendo e foi até aonde guardavam os medicamentos, em
busca de seringas, agulhas e tudo o que fosse necessário para a transfusão. Alguns
minutos depois ele batia na porta do quarto de Trowa. O moreno abriu a porta e voltou
para junto de Quatre. Treize disse a Kimitsu o que eles pretendiam fazer e ele preparou
tudo o que seria necessário.
Assim que eles estavam prontos Kimitsu se aproximou de Trowa e tomou um de seus
braços, dobrando a manga da blusa e amarrando um pedaço de elástico grosso para
prender o fluxo de sangue, para em seguida introduzir uma agulha no braço esquerdo do
vampiro e outra no braço direito de Quatre. Trowa olhou para o recipiente que recebia
seu sangue, o mesmo que logo passaria para seu anjo. Treize observou a retirada do
sangue e quando chegou a uma determinada quantidade ele informou a Kimitsu que
começasse a transferir para Quatre. O sangue começou a subir por um tubo fino em
direção a agulha enfiada no braço do humano. Trowa observava tudo em silêncio.
- Já é o suficiente Kimitsu.
O elástico e a agulha, foram retirados do braço de Trowa, mas o sangue continuava a
escorrer, até o vampiro se concentrar e fazê-lo parar. Logo depois Kimitsu retirou a
agulha do braço de Quatre, colocando um pedaço de algodão sobre o local e dobrando o
mesmo.
Trowa sentia-se cansado, e sabia que era devido aos acontecimentos e a ligação que
tinha com Quatre, e isso não passou desapercebido por Treize. Não havia muito o que
fazer agora a não ser aguardar.
- Descanse um pouco Trowa.
- Quando meu sangue começará a agir no organismo dele.
- Em breve. Se ele não acordar em doze horas faremos o procedimento
novamente.
- E se ele acordar?
- Então ele tomará o sangue da maneira tradicional.
- Hn. Tudo bem, não temos outra escolha mesmo. Obrigado Treize.
- Não foi nada Trowa.
Depois que Treize e Kimitsu deixaram o quarto, Trowa se deitou ao lado de seu anjo, o
puxando para mais perto de si, e o abraçando pelos ombros. Agora somente restava
esperar e torcer para que tudo desse certo.
******
Enquanto isso na torre do castelo:
Heero olhou Duo, que dormia em seus braços, e depois para janela. Em poucas horas o
sol nasceria e ele não desejava está na torre quando isso acontecesse. Heero se levantou
com cuidado para não acordar o humano e caminhou até a porta, abriu-a retornou a
cama. Enrolou Duo nos lençóis, o tomando em seus braços. Ele saiu e desceu as
escadas com seu amante adormecido.
*****
Treize foi até a sala de leitura, onde encontrou Cathrine e os outros conversando. Ele
caminhou até ela e a beijou suavemente.
- Oi minha adorada.
- Como está Trowa?
- Cansado, mas acho que ele estará melhor amanhã. Vamos subir?
- Sim, vamos.
- Sally, Marco, tenham uma boa noite.
- Vocês também.
- Boa noite Sr Treize, Cathrine.
****
Ao chegar lá embaixo, Heero manteve Duo preso junto ao seu corpo, com apenas um
dos seus braços, enquanto abria a porta com o outro. Ele caminhou até a escada que
levava ao andar superior, encontrando-se com Cathrine e Treize que subiam. Eles viram
que Duo estava dormindo nos braços de Heero, com os cabelos soltos, sendo que uma
parte caindo por sobre o ombro direito.
- Olá Heero.
- Cathrine, Treize... onde estão Trowa e os outros?
- Sally e Marco ainda estão conversando e Trowa chegou com Quatre a algum
tempo.
- Quatre? Aconteceu alguma coisa com o humano?
- Sim Heero aconteceu. Não sabemos os detalhes, Trowa não quis nos contar.
Ele saiu pouco depois de vocês terem ido para a torre e voltou com Quatre,
mas o fato é que parece que o pai de Quatre descobriu sobre os dois e não
gostou muito.
- Ele chegou ferido e desacordado nos braços de Trowa.
- Ferido? E como está Trowa?
- Cansado e aborrecido por não ter conseguido evitar o que aconteceu com
Quatre.
- Entendo. Eu vou...
- Hee-chan...
O rosto de Heero ficou ligeiramente vermelho quando Duo murmurou carinhosamente
seu nome, enquanto esfregava o rosto em seu peito. Treize e Cathrine olharam para o
humano e depois para Heero e não puderam evitar de rir.
- Hee-chan?
- Hn. Eu vou levar esse baka para o meu quarto antes que ele acorde. Depois
vou passar no quarto de Trowa para ver como eles estão. Tenham um bom
descanso.
- Você também Hee-chan.
- Hn.
- Boa noite Heero.
Cathrine não pode evitar provocá-lo, chamando-o da mesma forma que o humano havia
feito. Heero ficou novamente vermelho por causa de Cathrine, que foi puxada por
Treize.
Heero olhou para Duo e sorriu. Ele não podia negar que havia gostado da forma como o
humano o chamou enquanto dormia. Ele terminou de subir as escadas e entrou no seu
quarto colocando Duo na cama. Heero beijou seus lábios delicadamente para não
acorda-lo e ganhou um suspiro satisfeito. Deixando o quarto, foi em direção ao aposento
de Trowa. Ele bateu na porta e entrou encontrando o companheiro deitado, com Quatre
em seus braços.
Trowa viu Heero se aproximando e olhou para seu anjo que ainda dormia. Heero podia
ver os ferimentos no rosto do humano quando parou ao lado da cama.
- Como ele está?
- Ainda desacordado.
- Ele já fez algum contato mental?
- Sim, apenas uma vez antes de eu injetar meu sangue nele.
- Você deu seu sangue a ele?
- Treize disse que o ajudaria a se recuperar mais rapidamente.
- Hum...já ouvi falar sobre isso. Notou alguma mudança?
- Até o momento não. Treize disse que não seria uma melhora imediata, mas
será muito mais eficiente se deixarmos por conta do próprio organismo dele.
- O que pretende fazer agora?
- ...
- Trowa?
- Eu não sei Heero. Mantê-lo aqui comigo, pra começar... O pai dele não vai
aceita-lo de volta, não depois que ele descobriu o que eu sou.
- Ele sabe sobre sua verdadeira natureza?
- Sabe.
Heero respirou fundo e começo a andar pelo quarto enquanto pensava. Ele se aproximou
da janela e olhou para o céu que começava a clarear. Trowa observava Heero quando se
lembrou da sensação incomoda na volta ao castelo.
- Heero.
- Hn.
- Lembrei-me de uma coisa que senti quando estava voltando.
- Então você também sentiu.
- Nosso tempo acabou.
- Sim, ela está próxima. Eu posso sentir isso.
- Na cidade.
- Sim. Amanhã conversaremos com Treize e os outros. William deverá chegar
ao final do dia com os Maganac. Começarei os treinos com Duo pelo meio
da manhã. Infelizmente é apenas isso que podemos fazer no momento.
- O que acha que ela fará quando descobrir sobre Duo?
- Nada não vou permitir que ela se aproxime dele. Descanse agora, falaremos
logo mais.
Heero deixou o quarto de Trowa e encostou-se na porta. Ele não permitiria que ela se
aproximasse da única coisa boa que acontecera em sua imortalidade, mesmo que
precisasse prende-lo dentro do castelo. No que dependesse dele, ela jamais tocaria no
humano.
[i]
"Eu sei o que ela fará se descobrir sobre Duo: vai tortura-lo lentamente e depois
mata-lo por ter se aproximado de mim. Ela me julga sua propriedade e matará
qualquer um que fique no seu caminho. Qualquer um.
[/i]
Heero foi para o seu quarto e fechou a porta, observando por alguns minutos a figura
que dormia em sua cama. Ele se aproximou e deitou-se ao lado, puxando seu amor para
mais perto. Duo resmungou alguma coisa e logo em seguida se aconchegou ao corpo do
outro, enterrando a cabeça no pescoço de Heero.
[i]
"Amanhã eu me preocupo com isso. A única coisa que desejo agora é adormecer ao
lado do meu Shinigami e somente isso. Eu vou protejo-lo custe o que custar. Ela jamais
tocará em você...eu prometo".
[/i]
Heero beijou os cabelos de Duo e procurou dormir um pouco. Brevemente ele teria que
levantar e começar a se preparar para o confronto com Relena. Um confronto que ele
sabia ser inevitável.
Continua.....
Agardecimentos a Dhandara pela ajuda e a Lien Li pela betagem.
Obrigado a todos os comentários. Estou aguardando mais.
[b][1][/b] Glole é a forma como são conhecidos os vampiros na Turquia e nos paises
Árabes.
Capitulo XI - Cor unum et anima uma (Um só coração e uma só alma)
Duo desceu os lábios e começou a beijar o pescoço de Heero, descendo até seu tórax. O
vampiro começou a arfar ao sentir a língua quente do humano em seu corpo.
- Duo...Aahhh...é melhor você... descansar um pouco. Você...ahhh...deve estar
cansado...pela perda...huuuuuuummmmm...de...sangue.
Heero não conseguia articular as palavras de forma coerente, uma vez que ele não
conseguia pensar com Duo beijando seu corpo daquela maneira lenta e constante. Duo
levantou a cabeça e olhou para ele, sorrindo maliciosamente.
- Não me sinto cansado, além do mais você não tirou todo o meu sangue.
- Não, mas tirei mais do que deveria, muito mais do que se você tivesse feito
uma doação.
- Não creio que vá sentir falta dele, além do mais foi por uma boa causa.
- Duo!
- Eu quero que me ame novamente Heero.
- Você precisa descansar um pouco.
- Não....
- Mas...
Duo recomecou a beijar o corpo de Heero enquanto falava.
- Você... me... disse...que me amaria a noite inteira e ela mal começou.
Os olhos de Heero tornaram-se escuros. Sim ele havia dito que amaria Duo até que seu
corpo saciasse o desejo que sentia pelo humano, mas ele achava que o outro precisava
descansar um pouco após o ato tão intenso que compartilharam, mas ao que parecia Duo
não estava disposto a esperar. Heero rodou seu corpo ficando por cima dele, que o
olhava com desejo.
- Sim eu prometi. E vou manter minha palavra.
- Ótimo.
Duo sentia seu sangue pulsando e seu membro também já começava a doer
terrivelmente. Heero o beijou avidamente, enquanto o garoto trançado fechava os olhos
e se esfregava em Heero, selvagemente, o estimulando a passear suas mãos no corpo
quente do companheiro. Duo sentia as mãos fortes de seu amor o acariciando, os lábios
ávidos percorrendo seu pescoço. Ele cravou seus dedos nos ombros largos, emitindo
gemidos e suspiros.
Heero saboreava cada sensação despertada pelos gemidos de Duo. Eles haviam se
amado a pouco, mas era como se estivessem se tocando pela primeira vez. O vampiro
escorregou os dedos em direção ao membro de Duo recebendo como resposta um
gemido surdo. Ansioso por tocá-lo e atormenta-lo, tanto quanto Heero fazia com ele, o
humano mordeu a curva do pescoço de Heero ao mesmo tempo em que agarrava seus
cabelos o puxando sobre si, para sussurrar em seu ouvido.
- Eu preciso de você dentro de mim.
A voz suave e rouca de Duo em seu ouvido, o pedindo para possuí-lo, fez com que o
membro de Heero se endurecesse mais ainda. Ele levantou sua cabeça e observou com
olhos famintos o corpo abaixo de si iluminado pelo luar. Sua boca procurou pelos
mamilos de Duo, e quando os encontrou sua boca fechou-se em torno de um deles o
sugando. Quando pegou o outro mamilo por entre os dedos e o massageou, Duo gemeu
e arqueou o corpo contra o dele.
O americano começou a descer sua mão para tomar o membro de Heero entre ela, mas o
outro sabia que se permitisse que Duo o tocasse , não agüentaria muito tempo e ele não
desejava isso ainda.
Heero segurou as mãos de Duo e prendeu-as acima de sua cabeça permitindo-se
explorar melhor o corpo do amante. Heero começou a beijar o pescoço do humano, que
virou a cabeça pra trás, dando mais acesso as carícias do vampiro.
- Heero...por favor...
- O que você quer Duo?
- Possua-me...agora?
Seus olhos encontraram-se. Sem deixar de observa-lo um só instante Heero o penetrou,
forte e profundamente. O corpo de Duo, ainda com os vestígios da união de seus corpos,
recebeu o membro dele sem qualquer dor. O humano arqueou o corpo ao sentir o
membro duro de seu amado dentro dele, abrindo os lábios em busca de ar.
Heero aproveitou esse momento para tomar os lábios de Duo, e começou a
movimentar-se dentro do corpo amado. Tendo suas mãos libertas, Duo levou-as até os
cabelos de Heero e passou suas pernas ao redor da cintura dele, fazendo aprofundar
ainda mais o membro dentro de seu corpo. Heero continuou os movimentos dentro de
Duo que levou sua boca até a orelha de seu amado a mordendo enquanto sussurrava.
- Mais...rápido...por favor.
Heero apoiou-se na cintura de Duo e aumentou o ritmo de seus quadris penetrando-o
ainda mais profundamente e pressionando a próstata do humano uma vez atrás da outra.
Duo sentia-se morrendo e indo para o céu a cada investida do membro dentro de si. O
garoto trançado tinha seu membro pressionado entre os corpos e sentia que faltava
muito pouco para alcançar o gozo, devido à fricção do corpo de Heero em seu membro,
o que estava-o torturando maravilhosamente.
Duo sentiu seu corpo começar a tremer e logo em seguida sentiu seu abdômen ser
banhado por sua semente. Heero sentiu quando o outro alcançou o orgasmo, e as
paredes fecharam-se ao redor de seu membro como se quisessem estrangula-lo. Ele se
moveu ainda mais algumas vezes até que alcançou o gozo dentro do corpo de seu
amante, fazendo com que seu fruto escorresse pela entrada de Duo.
Sem mais forcas para se sustentar, Heero despencou por sobre o corpo de Duo enquanto
sentia que o humano tentava normalizar sua respiração. Essa nova união havia sido tão
profunda que ambos estavam tento dificuldade em normalizar seus pensamentos e suas
emoções. Duo começou a beijar suavemente o rosto de Heero, abracando-o pela cintura,
sentiu quando ele saiu de dentro de si, deitando-se de lado e o puxando.
- Foi...
- Maravilhoso.
- Sim... Por Deus Heero! Eu achei que fosse morrer.
- Eu me sentiria assim também se já não estivesse morto. Mas foi indescritível,
sem dúvida.
- Será sempre assim não é?
- Enquanto estivermos juntos, tenho certeza de que será diferente a cada vez.
Duo sentia-se cansado, seus olhos pesavam embora ele se recusasse a fechá-los. Heero
notou que seu amante estava cansado e fechou os olhos dele antes de beija-lo
suavemente nos lábios.
- Durma um pouco agora.
- Eu não estou cansado. Apenas satisfeito.
- Sei.
- Verdade...eu não vou dormir, apenas descansar meus olhos um pouco.
- Tudo bem, então feche os olhos e deixe-os descansarem um pouco.
Heero olhou para Duo este ressonava baixinho aninhado em seus braços. Desviando sua
atenção, olhou para o céu estrelado lá fora e agradeceu por ter encontrado tamanho
tesouro. Mas por algum motivo ele sentia que a sua felicidade estava preste a ter um
fim. Um arrepio percorreu-lhe o seu corpo e ele sabia o que isso significava.
- Relena.
********
Enquanto isso na mansão dos Winner's:
Trowa chegou a casa de Quatre na metade do tempo que costumava levar para ir até lá.
Ele sentia que algo estava acontecendo, seu corpo inteiro doía, podia sentir toda a
tristeza e dor de seu anjo, e não era apenas dor emocional, mas também física. Trowa
sabia o que estava acontecendo, ele sabia que era a causa de Quatre estar sofrendo e
passando por tudo aquilo. A raiva crescia de forma desmedida dentro dele. Ele apenas
esperava chegar antes que algo realmente terrível acontecesse com seu anjo. Durante
todo o percurso até a mansão dos Winner's, Trowa falava mentalmente com Quatre.
[i]"Eu estou aqui meu anjo, você não está sozinho".[/i] Mesmo não obtendo nenhuma
resposta do humano, Trowa tinha certeza de que era ouvido.
Ele chegou a mansão e tocou o interfone. Não obtendo nenhuma resposta, ele tocou
mais duas vezes enquanto a angústia crescia em seu peito. Por fim desceu do carro e
olhou para o portão de ferro a sua frente, que deveria ter quase três metros e abria para o
lado direito do muro.
Trowa segurou o portão com ambas as mãos e começou a puxá-lo, forçando o sistema.
O portão rangeu devido a força exercida e a caixa de força, que permitia abertura e o
fechamento do portão, explodiu com um forte estrondo, fazendo o portão começar a se
mover. Trowa empurrou o portão até o final retornou para dentro do carro, e dirigiu-se
até a entrada da casa. Foi recebido por Rashid na entrada.
Rashid não queria ter deixado o jovem mestre, mesmo ouvindo o interfone tocar. Seu
mestre precisava dele, mas Quatre pedirá que verificasse quem estava chegando e ele
obedeceu, Quando ele deixou a biblioteca, em direção a porta principal, ouviu um forte
estrondo e correu até a porta para abri-la. Viu um carro preto se aproximar, imaginando
como o mesmo teria passado pelo portão. Não ficou surpreso ao ver o Sr Barton
descendo do veículo. Por um lado ele estava feliz que o jovem estivesse ali, por outro o
receio de que o jovem mestre sofresse ainda mais quando seu pai descobrisse toda a
verdade o impedia de permitir que o outro entrasse na casa.
- Não creio que seja o melhor momento para uma visita Sr Barton.
- Eu não estou de visita Rashid. Vim porque Quatre me chamou e não será
você que vai me impedir de entrar.
Rashid podia ver a determinação e o brilho avermelhado nos olhos de Trowa e afastou-
se permitindo que este entrasse.
- Como queria Sr. Entre.
- Obrigado.
- Eles estão na biblioteca.
Trowa, assim que entrou ele pode sentir o cheiro, e notou o vermelho na roupa de
Rashid, que não era muito, mas o suficiente para que soubesse de quem era o sangue. .
Ele conhecia aquele sangue, o havia provado na manhã do dia anterior, naquela mesma
mansão: o sangue do seu anjo de olhos claros como o céu na primavera e cabelos
dourados como o trigo no campo.
Quatre podia sentir a presença de Trowa. Ele sabia que seu amor estava a caminho. O
loiro ouviu sua voz a dizer-lhe que não estava sozinho, ele queria responder, mas não
encontrava forças para faze-lo, e foi com alivio que sentiu a presença de seu amor
dentro da casa.
[i]
"Eu estou aqui meu anjo"
"Trowa ele esta tão bravo"
"Tudo bem nós o enfrentaremos juntos".
[/i]
Trowa caminhou até a biblioteca, onde podia ouvir os berros do pai de Quatre. Ele os
estava ouvindo desde que deixará o castelo, mas não estava preparado para presenciar a
cena que viu ao adentrar a sala. A figura de seu anjo caído no chão todo ferido e
sangrando, com a cabeça baixa enquanto seu pai gritava com ele amaldiçoando o dia de
seu nascimento. O pai de Quatre olhou para a porta e viu o rapaz que havia sido a
desgraça de seu filho.
- O que faz aqui?
- Pai!
- Cale-se Quatre. Eu nunca deveria ter permitido que entrasse em minha casa.
Você seduziu e corrompeu meu filho.
- Trowa não me seduziu pai, eu me apaixonei por ele.
- Nunca mais repita isso novamente ou eu juro, Quatre, que farei como manda
a lei de nosso povo.
O pai de Quatre andava de um lado para o outro. Ele viu quando o rapaz de cabelos
castanhos e olhos verdes deixou a porta e se aproximou de seu filho para toca-lo, e
movido por uma raiva cega, ele se aproximou e puxou Quatre pelo braço, sem importar-
se com seus ferimentos, arrancando um gemido de dor dos lábios do filho. Tudo o que
ele conseguia pensar era em afastar aquele jovem de seu filho.
- Não toque nele novamente!!!!!!!!!!
Trowa fez menção de continuar se aproximando, mas quando Quatre fez que não com a
cabeça, e ele parou onde estava, tentando se controlar.
[i]
"Não Trowa fique onde está"
"Mas..."
"Por favor, eu te peço"
"Tudo bem, mas não vou permitir que ele o agrida novamente."
"Eu estou bem não se preocupe".
[/i]
Quando seu pai o soltou, Quatre tentou se manter de pé.Ele cambaleou por um
momento, mas conseguiu se manter ereto. Ele olhou para sua mãe e sua irmã, que
choravam no canto, e sabia o quanto elas estavam sofrendo, principalmente sua mãe.
Ele sentira a sua dor, quando seu pai o agredira, e ela não pôde fazer nada para impedí-
lo, não era permitido as mulheres interferirem quando o homem da casa resolvia corrigir
os filhos. Ela havia tentado interceder por ele, se colocando entre o filho e o pai.
Quatre sabia o que realmente preocupava sua mãe: pelas leis de seu povo, seu pai
poderia mata-lo por desonrar a família, ainda mais ele sendo o único filho homem. Por
um instante ele pensou que seu pai realmente faria isso, quando confirmou a verdade
sobre ter dormido com Trowa na noite em que seus pais haviam viajado.
****
Algumas horas atrás:
Quatre estava em seu quarto aguardando o retorno de seu pai. Ele passará boa parte do
tempo tentando descobrir quem poderia ter contado sobre ele e Trowa. Provavelmente
alguém que estivesse no clube ontem à noite, mas a maioria das pessoas já haviam ido
embora, quando eles ficaram mais próximos. Talvez alguém que estivesse passando na
rua naquele momento. Quatre sempre procurava tomar cuidado para não demonstrar
seus sentimentos em relação ao moreno em público, por isso sempre evitava tocar em
Trowa nessas ocasiões, mas na noite anterior ele estivera tão preocupado com a demora
deste e de Heero que simplesmente não o impedira de beija-lo, quando retornaram.
Quatre podia sentir a tensão na casa inteira: sua mãe, sua irmã, Rashid e os outros
empregados, todos aguardavam, um tanto quanto temerosos, o senhor da casa. Quatre
olhou para o relógio, faltava pouco para às oito horas da noite e seu coração batia
acelerado, o ar parecia sufoca-lo. Quatre levantou-se da cama e caminhou até a janela, a
lua estava alta e o céu repleto de estrelas, e se não fosse pela angústia em seu peito, ele
teria apreciado a paisagem. Por um momento, o loiro se lembrou de Duo e seu coração
se alegrou pelo amigo.
[i]
"Espero que dê tudo certo desta vez. Que Alá proteja a você e Heero meu amigo".
[/i]
A batida na porta fez o coração de Quatre saltar dentro do peito. Respirando
calmamente, ele caminhou até a porta, encontrando Rashid com uma expressão que
jamais havia visto em todos os anos em que ele trabalhava para sua família.
O mordomo, olhando para o jovem mestre, pensou que teria retirado Quatre de casa e o
escondido de seu pai, se pudesse. Rashid sabia o quanto o senhor da casa estava furioso,
ele havia visto quando o mesmo chegara, á alguns minutos e pedira que fosse buscar
Quatre. O jovem sorriu, tentando confortar Rashid, mas sabia que não estava
conseguindo, afinal, ele mesmo não se sentia tranqüilo e sabia que isso transparecia em
seu rosto.
- Meu pai já chegou Rashid?
- Sim mestre Quatre. Ele pede que vá até a biblioteca para falar com ele.
- Tudo bem.
- Quatre.
Quatre fechou a porta de seu quarto e começou a caminhar em direção a escada para ir a
biblioteca quando ouviu a voz de Rashid o chamando pelo nome. Ele ficou surpreso,
pois a muito tempo Rashid não o chamava apenas pelo nome. O mordomo costumava
colocar a palavra mestre antes de seu nome desde que Quatre completara cinco anos.
Quatre se virou e aguardou que Rashid falasse. Ele o viu se aproximar e falar na língua
de seu povo.
"Que Alá o proteja e o cubra com suas mãos, mesmo que a
mão de seu pai se erga sobre você e faça jorrar o seu sangue,
Alá está sempre com você. Pois você, jovem mestre, é um dos
filhos de Alá... e Alá jamais abandona seus filhos.
"Que Alá o proteja e o cubra com suas mãos. Mesmo que a mão de seu pai se erga
sobre você e faça jorrar o seu sangue Alá está sempre com você. Pois você jovem
mestre é um dos filhos de Alá e Alá jamais abandona seus filhos. ".
Quatre balançou a cabeça e o abraçou tentando não chorar. Ele podia sentir Rashid o
abraçando e acariciando suas costas. Sim, Quatre sabia o que o aguardava; as palavras
que Rashid dissera eram claras.
Quatre sabia que tinha que ser forte, sabia que tinha que enfrentar seu pai e faze-lo
entender que o que ele sentia por Trowa não era errado. Poderia um sentimento tão
grandioso como o amor errar? Seria errado acreditar e seguir seu coração mesmo que
isso significasse magoar pessoas queridas? Não.
Quatre sabia e sempre soube, que, no momento em que admitiu seus sentimentos e
permitiu que o amor que sentia por Trowa ganhasse força, que ele estaria indo contra os
costumes e leis de seu pai. Isso era inevitável.
O jovem se afastou e acariciou o rosto do velho amigo, que cuidava dele desde de
pequeno. Pequenas lágrimas caiam pelo rosto de Rashid. Quatre sorriu, ele sabia que
não estava sozinho, Rashid estaria com ele, como sempre esteve.
- Não se preocupe. Eu conheço meu destino Rashid, mesmo que meu pai não
entenda, eu não o culpo e nem vou culpa-lo pelo o que ele fizer. Agora
vamos.
- Sim mestre Quatre.
Quatre sorriu e seguiu Rashid até a biblioteca. Quando entraram na sala, sua irmã e sua
mãe já estavam presentes, e seu pai estava sentado a mesa. Ele parecia cansado e
zangado.
Assim que a porta da biblioteca se abriu, ele levantou a cabeça e encarou o filho mais
novo. Quatre havia sido sua maior alegria quando nascera, um filho homem para herdar
tudo aquilo que ele construirá durante os anos, e agora ele era o motivo de sua tristeza.
Se estivessem em seu país Quatre não estaria ali parado, a sua frente, aguardando que
ele começasse a falar. Provavelmente se estivessem em seu país, ele estaria enterrando
seu corpo neste momento. Era difícil encarar o rosto de seu filho e não se lembrar das
palavras escritas na carta que receberá aquela manhã. Ele esperava que fosse mentiras,
esse foi um dos motivos que não retirara Quatre de sua cama assim que leu a carta;
mesmo que seu coração lhe dissesse que era tudo verdade, ele ainda tinha esperanças de
que tudo não passasse de uma brincadeira de mau gosto. Quatre notou o esforço que seu
pai fazia para se acalmar, bem como o modo que eleevitava encarar o seu rosto. Então
Quatre resolveu iniciar a conversa.
- O senhor queria falar comigo.
- Sim queria...eu recebi uma noticia esta manhã que me deixou um tanto
quanto perturbado e gostaria que você me esclarecesse.
- E o que seria meu pai.
- Diga-me Quatre qual o seu relacionamento com o rapaz que esteve aqui
ontem.
Quatre ficou alguns instantes em silêncio. Sua mãe e irmã o olhavam aguardando sua
resposta. Elas desejavam que Quatre dissesse que eles eram apenas amigos, mas sabiam
que ele jamais mentiria sobre seus sentimentos a cerca do rapaz. Reunindo sua coragem
Quatre levantou sua cabeça e encarou seu pai.
- Eu...eu o amo.
Quatre viu o rosto de seu pai se transformar em uma máscara de dor e incredulidade ao
ouvir suas palavras, enquanto levava a mão ao coração. Além disso, ele ainda pôde
sentir sua tristeza e decepção.
O pai de Quatre não podia acreditar nas palavras de seu filho. Quatre havia dito que
amava o outro garoto. Como? Eles eram homens. Como seu filho poderia dizer que
amava outro homem!
- Quatre diga-me se aquele rapaz fez alguma coisa com você, contra sua
vontade, e eu juro que ele se arrependerá por tê-lo...
- Não! Trowa...não fez nada comigo que eu não tivesse consentido.
- Por Alá. Então o que me contaram é verdade.
- Não sei o que contaram meu pai. Apenas digo o que sinto por Trowa.
- NÃO DIGA O NOME DELE NA MINHA FRENTE!
O pai de Quatre se levantou, fazendo com que a cadeira caísse atrás de si, e bateu com
as mãos na mesa, seu rosto transtornado pela ira. Ele caminhou em direção ao filho,
sendo impedido por sua esposa, que se colocou entre os dois.
- Ahmond! Por favor, eu te peço, não o machuque.
- NÃO MACHUCA-LO! Eu deveria MATÁ-LO pelo o que ele acaba de me
dizer, e você ainda quer defendê-lo mulher. Ele desonrou o meu nome,
desonrou sua família e você me pede que não o MACHUQUE!!!!
Lágrimas rolavam do rosto da mãe de Quatre, enquanto ela segurava seu marido pelos
ombros, para impedir que ele tocasse em seu filho. Ele olhava para a esposa e para o
filho que ela lhe dera. Ahmond segurou nos braços dela e olhou em seus olhos.
- Diga-me que não sabia sobre o que Quatre sentia por esse rapaz, Ângela.
A mãe de Quatre abaixou a cabeça incapaz de encarar o marido. Ele apertou o braço
dela, para obrigá-la a encara-lo. Quatre aproximou-se e tocou o braço de sua mãe e
olhou em seus olhos antes de responder por ela.
- Eu contei a ela na tarde em que vocês não retornaram do jantar de negócios.
Ele soltou os braços da esposa e virou-se de costas. Quatre abraçou sua mãe e repousou
sua cabeça no pescoço dela, enquanto os dois choravam. Ahmond olhou para os dois
juntos: seu filho era quase uma copia de sua esposa, os mesmo traços suaves, o mesmo
tom de pele e cor de cabelos, apenas a cor dos olhos eram diferentes, enquanto de
Quatre eram azuis como as safiras, o de Ângela eram verdes como o jade.
- Diga-me que é mentira que você não se deitou com ele e eu procurarei
esquecer tudo sobre o que falamos.
- Ahmond como pode pensar que Quatre teria se deitado com o rapaz. Diga a
ele, Quatre, que está enganado, você não faria isso, não é meu filho. Não na
casa de seu pai.
Quatre se afastou de sua mãe e olhou em seus olhos e ela soube que era verdade. Ele
havia se entregado ao jovem chamado Trowa. Ela cobriu a boca com as mãos e se
afastou caindo no chão ao ouvir as palavras de seu filho.
- É verdade. Eu me deitei com ele na mesma noite.
- AHMOND NÃO!
Quatre não soube ao certo o que tinha acontecido, ele apenas ouviu sua mãe gritar antes
de sentir que alguma coisa acertava seu rosto com fúria, fazendo com que perdesse o
equilíbrio e caísse no chão. Ele sentiu seu pai agarrar o seu braço e jogá-lo em cima da
mesa enquanto socava-o no peito e nos braços. Ahmond agarrou seu filho e jogou-o
novamente no chão começando a chutá-lo como se assim pudesse fazer parar toda a dor
que estava sentindo.
Quatre sentia os chutes no estômago, nas pernas e nos braços. Ele sabia que seu pai não
pararia enquanto não se acalmasse; sentia a tristeza e a dor dele, assim como a de sua
mãe, sua irmã e de Rashid, que ficará na sala. Quatre podia sentir Trowa falando com
ele, sentia que Trowa sabia o que estava acontecendo. Seu amor lhe dizia que estava a
caminho, que ele não estava sozinho. O anjo loiro podia sentir a presença de Trowa
ficar mais forte a cada minuto... logo seu amado estaria ali com ele. Quatre queria dizer
a Trowa que podia ouvi-lo, mas a dor era tanta que ele não conseguia pensar em nada
além dela, por isso não encontrava forças para responder.
Ele não se movia mais e nem tentava se proteger da fúria de seu pai, quando notou,
enfim, que já não era mais agredido. Ainda deitado no chão, podia sentir seu sangue
escorrendo da boca e olhou para cima , só para ver seu pai com os olhos repletos de
raiva sendo segurado por Rashid. Seu corpo inteiro doía. Quatre levou uma de suas
mãos ao rosto dolorido, enxugando o sangue na manga de sua camisa branca. Depois
tentou levantar-se, mas era quase impossível faze-lo, devido ás dores no corpo. Sua mãe
e sua irmã fizeram menção de se aproximar para ajuda-lo, mas ele as impediu com um
movimento de cabeça.
E foi logo em seguida que eles ouviram o interfone tocando, uma, duas, três vezes
seguidas e depois silenciar. Quatre olhou para Rashid e falou com ele para soltar seu
pai, ele não estava mais sozinho Trowa havia chegado.
- Tudo bem Rashid. Não se intrometa.
- Mas mestre...
- Por favor, deixe que meu pai faça o que achar melhor. Vá ver quem é, por
favor.
Rashid soltou o pai de Quatre contra a vontade, fora quase impossível tira-lo de cima do
menino, tamanha a fúria em que se encontrava; Rashid sabia que ele seria capaz de
matar o próprio filho.
Ahmond olhou para Rashid, que saia da biblioteca, e depois olhou para Quatre, caído no
chão, com o rosto sangrando, a blusa rasgada, o peito arroxeado e as lágrimas que caiam
de seu rosto, se misturando ao sangue no chão. Sua vontade era de arrastá-lo para fora
de casa, para que não visse mais o seu rosto.
Quatre sentiu a presença de Trowa na sala e ouviu a voz dele em sua mente. Finalmente
encontrou forças dentro de si para responder-lhe, enquanto ainda olhava para seu pai,
mas teve que abaixar sua cabeça quando ele começou a falar.
- Maldito foi o dia em que você nasceu.
O pai de Quatre viu a porta se abrir e Trowa parado, olhando para seu filho no chão, o
semblante uma mistura de dor e raiva por vê-lo naquele estado. Por um instante
Ahmond pensou ter visto os olhos do rapaz mudarem do verde para o vermelho, mas ele
não saberia dizer com certeza, tamanho era o ódio que tinha pelo rapaz que invadira a
vida de seu filho e destruíra a paz de sua família. Somente o que conseguiu fazer foi
perguntar a ele como se atrevia a voltar a sua casa.
Quatre olhou para Trowa e sorriu, aumentando ainda mais a ira de seu pai, que se
aproximou sem que percebesse e o agarrou-o pelo braço. Quatre olhou para seu pai, e
viu que lágrimas caiam dos olhos dele . Era a primeira vez que via seu pai chorando.
Ele nunca derramará nenhuma lágrima, mas naquele momento varias banhavam o seu
rosto. Ahmond olhou para o moreno colocando Quatre atrás de si.
- Você, eu quero que saia de minha casa e não volte a importunar mais o meu
filho ou eu farei com que se arrependa seriamente de ter se envolvido com
ele.
Trowa olhou para o humano com desprezo. Ele não precisava ficar ali o ouvindo
insultar a ele ou a Quatre, poderia simplesmente pegar seu anjo e tira-lo dali e não
haveria ninguém que o impedisse de faze-lo. Mas não era isso o que Quatre desejava e
por esse motivo ele se controlou para não faze-lo.
- Eu somente sairei se Quatre me pedir para faze-lo e acredite nada que faça
fará com que eu me arrependa por conhecido seu filho.
Quatre tentou fazer seu pai entender seus sentimentos em relação a Trowa.
- Pai... entenda, por favor, eu e Trowa nos amamos.
Ahmond se virou para Quatre, que tentava se aproximar, mas ele o impediu como se o
seu toque o ferisse e foi com infinita tristeza que Quatre ouviu o que seu pai lhe dizia.
- Quatre, você desonrou o nome dessa família com seus atos, mas eu estou
disposto a perdoa-lo se me prometer que não voltara a ver esse rapaz
novamente.
Quatre olhou para Trowa e para seu pai abaixando a cabeça por alguns instantes antes
de responder.
-Eu não posso mentir para o meu coração, pois assim estaria mentindo para mim
mesmo. Eu já entreguei meu coração a Trowa e mesmo que eu quisesse não
poderia jamais esquece-lo.
- Tableft....
Tableft....
Ahmond bateu com as costas da mão no rosto do jovem árabe, o desconsertando e
fazendo com que um filete de sangue voltasse a escorrer pelo canto esquerdo de seus
lábios. Quatre levou a mão ao rosto, tendo os olhos banhados pelas lágrimas, quando
seu pai disse algo que pareceu cortar seu coração ao meio.
- A partir de hoje você não é mais meu filho.
- Por Alá Ahmond, não faça isso.
- Quieta mulher. – virando-se para Quatre continuou - Saia desta casa e
esqueça que tem o nome Winner ou o meu sangue.
- Pai...
Ele olhou para o rosto de Quatre e viu tristeza e determinação através deles. Ele sabia
que ele jamais mudaria de opinião, que continuaria a amar o outro rapaz. Ahmond
pretendia bater-lhe novamente, por tudo o que via no olhar do loiro. Quatre fechou os
olhos esperando o tapa que nunca veio. Ao abrir o olho ele viu Trowa a sua frente
segurando o braço de seu pai. O moreno tinha os olhos vermelhos e o olhar frio, o que
assustou Ahmond.
Trowa não podia permitir que o pai de Quatre o ferisse ainda mais. Quando viu que o
humano voltaria a bate-lo, não pensou duas vezes antes de colocar-se entre Quatre e seu
pai.
- Nunca mais volte a tocar nele novamente ou eu juro que o mato.
- Trowa, não.
Trowa sentiu a mão de Quatre sobre o seu braço e se afastou do humano, contra sua
vontade, ele estava disposto a derramar o sangue daquele homem que se atrevera a
machucar seu anjo.
Quatre sabia que Trowa cumpriria a ameaça, mas, apesar de tudo, amava seu pai e sabia
o quanto ele estava triste. Foi com surpresa, que Ahmond viu os olhos do rapaz se
tornarem vermelhos como o sangue e que presas saiam de sua boca, e acabou se
afastando assustado.
- O que você é?
- Pai...
- Quatre você se apaixonou por um Glole? [b][1][/b]
- Sim, ele se apaixonou por mim e eu por ele, no momento em que nos vimos.
- Quatre como pode fazer isso? Diga que você não sabia o que ele era quando
se envolveu com ele, quando se...
- Eu sabia...eu sempre soube o que ele era.
-
- E mesmo assim você foi capaz de...
Trowa abraçou Quatre por trás, seu anjo estava sofrendo tanto... O moreno sabia que ele
não agüentaria muito tempo vendo o desespero e a dor nos olhos do próprio pai.
O peito de Quatre doía terrivelmente, os sentimentos dentro da sala eram tantos que
sentia como se suas forças estivessem sendo sugadas. Então de repente, o loiro
desfaleceu, sendo amparado pelos braços de Trowa. A mãe de Quatre tentou se
aproximar mais foi impedida por seu marido.
- Quatre!
Trowa olhou preocupado para o semblante de seu anjo, mas seu coração ainda batia,
evidenciando que apenas havia desmaiado devido a tensão.
- Ele apenas desmaiou.
Trowa virou-se para sair. Não havia mais sentido permanecer naquela casa. Ele estava
quase saindo quando ouviu a voz do humano.
- Para onde vai levar meu filho?
- Como disse a pouco, ele não é mais seu filho, portanto ele já não é mais
responsabilidade sua.
Trowa saiu da biblioteca carregando seu anjo desacordado nos braços. Rashid observava
a cena de seu jovem mestre nos braços do rapaz e os seguiu. Ahmond caiu no meio da
sala, sendo abraçado por sua esposa, que também não conseguia acreditar no que seu
filho havia feito. Ela sabia que Quatre havia se apaixonado pelo jovem que o salvara,
mas ela não sabia que o rapaz era um Glole e que seu filho, mesmo sabendo disso, se
entregou a ele.
Iria se levantou e foi atrás de Trowa, o encontrando na entrada da casa, colocando
Quatre deitado no banco traseiro do carro. Ela achava um tanto quanto difícil de
acreditar no que acontecera: que o jovem a sua frente não fosse humano. Sabia que
deveria temê-lo, mas não conseguia, por algum motivo ela sabia que Trowa não era
perigoso.
- Você vai cuidar dele, não é?
- Não se preocupe. Não tenciono fazer outra coisa que não seja cuidar do bem
estar dele. Você e sua mãe serão bem-vindas ao castelo se desejarem visitá-
lo.
- Obrigada.
- Rashid, se lembra do presente que dei a Quatre na noite em que estive aqui?
- Sim, eu me lembro.
- Poderia trazê-lo, por favor.
- Claro.
- Rashid!
- Sim, senhorita Iria?
- Traga o violino de Quatre por favor, e algumas peças de roupa, apenas o
suficiente para ele passar a noite, amanhã eu levarei o restante para ele.
- Como quiser senhorita.
Iria se aproximou do carro e ajoelhou-se a passando a mão gentilmente por sobre os
cabelos do irmão, enquanto chorava. Ela sabia o quanto deveria ter sido doloroso para
seu irmão ouvir o próprio pai renegando-o, bem como ela tinha certeza que Trowa
cuidaria dele e faria de tudo para protegê-lo.
- Trowa, eu peço que não guarde rancor por meu pai.
Iria notou que os olhos dele ficarem levemente avermelhados e ele fechar as mãos
tentando se acalmar antes de falar alguma coisa, embora não tivesse muito sucesso, uma
vez que sua voz deixava transparecer toda a sua raiva.
- Não me peça para perdoar um homem que seria capaz de matar o próprio
filho, apenas porque ele não segue as mesmas regras e costumes ensinados
por seu povo.
- Eu sei disso. Mas se não por você, faça-o por Quatre. Eu sei que ele não iria
querer que você tenha raiva pelo o que aconteceu.
Trowa olhou com carinho para o jovem deitado no carro. Era verdade, Quatre não
gostaria disso. Ele sabia que no coração do loiro não havia mágoa pelo que seu pai
fizera.
Alguns minutos depois, Rashid retornou, sendo ajudado por Trowa, que pegou a caixa
com as Heath Scythe dos sbraços do mordomo, colocando-a no porta-malas, enquanto
Rashid trazia o violino e uma pequena maleta nas mãos. Trowa fechou a porta traseira
do veículo depois de verificar se Quatre estava devidamente acomodado. Sentou-se
atrás do volante e antes de sair ele virou-se para Iria, a observando por alguns instantes.
- Eu tentarei por Quatre. Amanhã providenciarei para que alguém conserte o
portão.
- Não será necessário Trowa.
- Tudo bem.
Trowa manobrou o carro e saiu da casa de Quatre em direção ao castelo, tendo todo o
cuidado com a preciosa carga no banco de trás.
No momento em que circundou a praça em direção ao castelo, alguns carros, todos da
mesma cor negra, passaram pelo arco na entrada da cidade, em direção ao Garden Sank
Hotel, como se estivessem em um cortejo fúnebre. Muitos moradores, que andavam
pelas ruas, olharam curiosos, desejando saber quem eram os ocupantes dos veículos.
Os carros pararam em frente ao hotel e um homem com longos cabelos ruivos desceu do
primeiro carro. Contornando o veículo, abriu a porta traseira do lado esquerdo, de onde
saiu uma jovem de longos cabelos dourados e a pele pálida como a lua. Muitos
admiraram a beleza etérea da jovem. Ela olhou para o jovem de cabelos ruivos e
acariciou o rosto do mesmo, enquanto lhe dizia suavemente.
- Eu estou com fome.
A jovem olhou ao redor e viu os rostos de admiração e curiosidade, enquanto pensava o
quanto eles eram tolos. Um sorriso malicioso e perverso apareceu em seu rosto quando
falou.
- Traga-me sangue fresco.
- Como desejar senhora.
O ruivo seguiu por uma rua próxima ao hotel, desaparecendo na escuridão. A jovem se
dirigiu ao prédio, juntamente com os ocupantes dos outros carros, entre eles um jovem
de longos cabelos loiros e sem um dos braços.
******
Próximo á terra dos Khushrenada:
Trowa olhava de vez em quando para o ocupante no banco detrás, que permanecia
desacordado. Ele sentira algo estranho, ao cruzar a praça, mas estava tão preocupado
com Quatre, que acabou por ignorar completamente a sensação incomoda, mas que, por
algum motivo, ainda o perturbava. Ele olhou para o céu e negras nuvens cobriram a lua.
Por um momento Trowa a imaginou vermelha como sangue e em seu íntimo soube o
que isso significava.
[i]
" Nosso tempo acabou e ainda não estamos prontos para enfrentar o mal que está para
ser libertado. Que Deus possa ter piedade das vidas que juramos proteger".
[/i]
Trowa olhou novamente para Quatre, pelo espelho retrovisor, e sentiu uma forte
contração no peito: alguma coisa estava preste a acontecer. Alguma coisa que mudaria a
vida de todos, principalmente a de seu anjo, e ele não desejava que nada de mal lhe
acontecesse.
O moreno dirigiu ainda por alguns minutos até avistar a torre do castelo. Assim que
chegou e estacionou na entrada do casarão, Kimitsu apareceu solicito e prestativo como
sempre. Trowa desceu do carro e abriu a porta de trás, retirando o jovem loiro com todo
o cuidado. Kimitsu ficou um tanto quanto surpreso, em ver um jovem com um
semblante tão sereno, tão machucado nos braços do vampiro.
- Kimitsu providencie ataduras e tudo o que for necessário para que eu cuide
dos ferimentos dele.
- Sim, Sr Barton.
- E providencie para que as coisas no porta-malas sejam levadas para o meu
quarto.
- Será feito.
Trowa entrou no castelo e foi recepcionado por Cathrine e os outros que o aguardavam.
Assim que ela viu o jovem loiro desacordado nos braços de Trowa, correu até ele.
Quando viu o estado de Quatre, ela levou uma das mãos a boca e olhou para Trowa.
Treize se aproximou e viu um rapaz loiro, muito bonito, com o rosto e o corpo todo
machucado; não era muito difícil descobrir o que havia acontecido com o jovem
humano.
- Trowa o que houve?
Trowa ficou alguns instantes em silêncio antes de responder. Treize pôde notar a
dificuldade que o outro vampiro encontrava para responder uma pergunta tão simples,
seus olhos estavam rasos de água. O humano precisava ser tratado, o que havia
acontecido com ele poderia ser explicado mais tarde.
- Isso não é importante agora, meu amor. O importante é cuidar dos ferimentos
dele.
- Sim é verdade, venha vamos para o seu quarto Trowa, eu o ajudo a cuidar de
Quatre.
- Obrigado Cathrine.
Trowa caminhou para o seu quarto sendo seguido por Cathrine, que abriu a porta.
Trowa entrou, depositando Quatre cuidadosamente sobre a cama, o que acabou
arrancando um gemido dele mesmo estando inconsciente. O moreno acariciou
suavemente o rosto de seu amante, e o beijou nos lábios. Alguém bateu na porta e logo
depois ela se abriu, para Kimitsu que trazia algumas ataduras, algodão, álcool e outros
apetrechos médicos.
Trowa retirou a cuidadosamente a camisa de Quatre e pode ver a pele clara, repleta de
manchas roxas. Após um exame minucioso, ele verificou que o estado do amante não
era tão grave. Mas era claro que Trowa não havia gostado de ver o corpo de Quatre
machucado. Tirando as escoriações, luxações e duas costelas quebradas seu anjo não
estava tão ferido quanto aparentava a primeira vista, poderia ter sido muito pior e Trowa
não queria pensar no que faria caso não tivesse chegado a tempo.
Ele e Cathrine limparam os ferimentos de Quatre e fizeram os curativos necessários;
não havia muito a ser feito a não ser esperar que Quatre acordasse e se restabelecesse o
máximo possível. Mas a recuperação seria lenta e tudo o que não dispunham no
momento era tempo. E era exatamente essa a maior preocupação de Trowa: quanto
tempo levaria a recuperação física, mental e emocional de seu anjo. Logo uma batalha
seria iniciada. Uma batalha em que as chances de vitória eram desconhecidas. A
qualquer momento os inimigos chegariam e eles ainda não estavam prontos para detê-
los.
Cathrine saiu do quarto deixando Trowa perdido em seus pensamentos. A situação de
Quatre não era reconfortante, mas também não era preocupante. Ela encontrou-se com
Treize que aguardava no corredor. Ele podia sentir a tristeza de sua futura esposa, e só o
que pôde fazer foi sorrir, assim que a viu, e abrir os braços, no qual ela se aninhou em
busca de consolo. Cathrine havia ficado abalada pelo estado do humano, assim como
Treize.
Era a primeira vez que ele se encontrava com o jovem que havia conquistado o tão
calado Trowa Barton, mas não podia culpa-lo, pois apesar do jovem humano ter o rosto
machucado, não era difícil notar a beleza quase angelical do rapaz de cabelos dourados.
Treize podia imaginar como Trowa estava se sentindo: impotente de não ter sido capaz
de impedir e proteger quem lhe é mais precioso. Treize passara pela mesma sensação,
por duas vezes: a primeira vez quando Ebro o obrigou a tirar a humanidade de Cathrine
para impedir que ela morresse e novamente vinte e cinco anos depois quando o mesmo
vampiro tentou raptá-la. Sim ele mais do que ninguém sabia o que Trowa estava
sentindo.
Treize beijou os cabelos de Cathrine e aspirou o perfume suave de rosas que tinham, em
seguida, levantou delicadamente seu rosto com uma das mãos, enquanto a outra
permanecia em sua cintura. Ele sorriu e beijou-a com paixão, deliciando-se com o seu
doce sabor. Cathrine sentiu-se inebriada pelo beijo. Quando Treize afastou-se
ligeiramente, Cathrine ainda permaneceu alguns instantes com os olhos fechados. No
momento em que abriu seus olhos, eles transmitiam todo o amor, carinho e segurança
que ela sempre sentia ao lado de Treize.
- Eu te amo.
- Também te amo, meu senhor.
- Cathrine eu não sou...
Cathrine cobriu os lábios de Treize com os dedos recostando sua cabeça no peito dele.
- Meu senhor, senhor da minha alma, senhor do meu coração. A cada dia, a
cada anoitecer eu agradeço aos céus por você ter entrado em minha vida.
- Cathrine...
Cathrine levantou a cabeça e enxugou as lágrimas que caiam dos olhos de seu futuro
marido, ignorando as próprias que molhavam o seu rosto. Treize sorriu e acariciou o
rosto da amada.
- Eu não mereço você sabia.
- Eu não concordo com isso, você merece muito mais Treize.
- Se você diz, somente me resta concordar com sua vontade minha dama.
*****
Na cidade:
- Eu tenho que ir Karl.
- Fica mais um pouquinho vai.
- Não eu tenho que de ir pra casa, meus pais devem estar preocupados. Nos
vemos amanhã está bem.
- Tudo bem eu te levo em casa.
- Não precisa, eu posso ir sozinha.
O casal se despediu com um beijo. A moça de cabelos negros correu, deixando o rapaz
de cabelos curtos sentado no correto da praça. Do outro lado da praça a moça era
observada por um par de olhos vermelhos. O rapaz se levantou e começou a caminhar
em direção a sua casa, que ficava a poucos metros dali. Ele andava a passos curtos,
apreciando a brisa noturna.
Epyon era um bom lugar para se viver, cercado pelo verde, sem violência, um
verdadeiro achado. Mesmos os becos da cidade não ofereciam perigo. Isso não significa
que não houvesse a violência das grandes cidades, tinha, só que em escala quase nula.
Esse foi um dos motivos que o levara a se mudar para Epyon, para fugir da correria e
dos problemas das cidades grandes.
Ele avistou a rua onde morava, que estava escura devido a dois postes defeituosos. A
prefeitura deveria ter providenciado o conserto a tarde, mas até o momento não havia
sido feito. De repente o rapaz sentiu uma sensação incomoda, como se estivesse sendo
seguido e alguém o chamando. Ele olhou para trás procurando por alguém ou alguma
coisa, mas não viu nada além de sombras e um brilho avermelhado, que nunca vira
antes, no meio da escuridão. Ele se sentiu compelido a caminhar até aquele brilho.
Quando começou a dar alguns passos, sentiu algo gelado tocar sem ombro o fazendo
gritar.
- Aahhhhh.
- Calma Karl, sou eu Milliardo.
O rapaz de cabelos castanhos claros reconheceu o dono da loja 24hs e sua namorada.
Karl respirou fundo, tentando se acalmar devido ao susto. Noin olhava para Karl, que
era seu vizinho, notando que o rapaz parecia um tanto pálido. Ela desviou o olhar para
seu namorado, e eles aguardaram que ele se acalmasse. O rapaz olhou novamente para
trás e não havia mais nada lá, apenas o escuro.
- Você está bem Karl?
- Hã? Sim... me desculpem eu me assustei, foi somente isso. É que a rua está
um tanto quanto escura e pensei ter visto algo, mas acho que foi impressão
minha.
- Tem certeza que está bem?
- Estou Noin, obrigado.
- Você não deveria estar andando sozinho a essa hora.
- É eu sei, mas é que eu estava com a Melissa.
- Namorando, não é?
- Há...há, é um pouquinho.
- Quer que a gente te acompanhe até sua casa?
- Não é necessário Milliardo, obrigado.
- Tem certeza?
- Tenho, podem ir. A gente se vê mais tarde, tchau.
O rapaz se despediu e continuou a subir a rua sob o olhar do casal que estava descendo.
Karl se virou e acenou para os amigos, que acenaram em resposta, se virando
continuando seu caminho. Karl se virou para continuar a subir, e deu de frente com um
rapaz de longos cabelos ruivos, e antes que pudesse esboçar qualquer reação ele foi
engolido pela escuridão.
Não muito longe dali uma jovem de cabelos negros caminhava para casa. Faltava pouco
mais de três casas para chegar a sua, quando ela notou que a rua parecia mais escura que
o habitual, mas ela procurou não dar muita importância ao fato. Foi quando ela avistou
um homem bem vestido, sentado na árvore do jardim ao lado da sua casa. Ela nunca o
havia visto antes. Assim que o jovem na árvore notou que a garota se aproximava, ele
levantou e caminhou na direção dela, parando a poucos centímetros da moça. Ela
sentiu-se estranha por um momento, como que enfeitiçada pela beleza do rapaz de
cabelos longos a sua frente, a pele pálida, os cabelos vermelhos como o fogo, os olhos
que não conseguiu identificar a cor e o brilho estranho. O rapaz sorriu e se aproximou
mais da jovem, a tempo de segura-la nos braços quando a mesma desmaiou. O rapaz
segurou sua vítima e desapareceu no meio da escuridão.
*****
No castelo na terra dos Khushrenada:
Treize bateu na porta do quarto e entrou sem esperar uma resposta. Trowa estava em pé,
na janela olhando a noite. Ele sentiu a presença do outro na porta, antes dele bater e
entrar, mas não se virou para olha-lo. Treize se aproximou da cama onde o humano
parecia dormir e observou seu rosto por um momento. Os traços suaves a pele clara, os
cabelos loiros, enfim, o retrato de um anjo. O vampiro mais velho fechou os olhos por
um momento, tentando encontrar os pensamentos do humano na cama. Trowa se virou e
observou Treize. Ele sabia o que o outro estava tentando fazer, ele também tentara, mas
não tivera resultado.
- Eu já tentei e não conseguiu que ele me respondesse. É como se a mente dele
não estivesse presente, embora eu saiba que ele me ouve.
- Não se preocupe. Ele vai responder quando puder.
- É eu sei, mas a espera é pior do que se soubesse que ele nunca mais
responderia.
- Há uma forma de ajudar na recuperação dele, mas não sei se você vai querer
ouvir.
- Se isso é para ajuda-lo estou disposto a ouvir.
- Você poderia dar seu sangue a ele.
- Meu sangue!?
- Sim...duas ou três doses no máximo, apenas o suficiente para fortalecer e
ajudar o organismo de Quatre a restabelecer-se mais rápido.
- Mas como isso iria ajuda-lo Treize?
- Não é uma prática muito utilizada pelo nosso clã, uma vez que os humanos
que bebem o sangue de um vampiro acabam tornado-se dependentes dele
após a quarta dose. Muitos clãs realizam esta prática a fim de manterem
humanos como escravos de suas vontades.
- Eu não poderia fazer isso com Quatre.
- Eu sei Trowa, mas você dará a ele apenas o suficiente para ajudá-lo, não para
escravizá-lo.
- Mas...
- Não se preocupe eu jamais ofereceria esta alternativa se ela prejudicasse o
humano.
- Eu sei Treize, desculpe-me.
- Tudo bem, sei como deve estar se sentindo. Ele se sentirá diferente por
alguns dias, mas depois que o corpo de Quatre absorver completamente seu
sangue, ele estará como se nunca tivesse tomado-o.
- Tem certeza?
- Absoluta.
- Você quer esperar que ele acorde para dar-lhe o sangue?
Trowa fechou os olhos e pensou por alguns minutos nas possíveis conseqüências e
resultados. Ele não queria contaminar Quatre com seu sangue, mas ele faria? Ele tinha a
obrigação de que fazer alguma coisa para ajudar seu anjo a se recuperar mais
rapidamente. Trowa ainda estava decidindo se aceitava ou não a idéia de Treize quando
ouviu uma voz suave e cálida em sua mente, que aqueceu e acalmou seu coração.
[i]
"Trowa faça o que tiver que fazer"
"Quatre eu não...
"Você não vai me contaminar, portanto não há com o que se preocupar meu amor. Eu
confio em você"
"Está bem, eu farei".
[/i]
Trowa abriu os olhos e se virou para Treize.
- O que tenho que fazer?
- Se ele estivesse acordado seria mais fácil, bastaria darmos o sangue para que
ele bebesse. Como não sabemos quando ele irá acordar sugiro aplicar o
sangue diretamente.
- Tudo bem, que seja.
Treize sorriu e se concentrou procurando pela presença de Kimitsu dentro do castelo.
Assim que o encontrou falou com ele mentalmente.
[i]
"Kimitsu."
"Sim, Sr Treize."
"Traga o que for necessário para se fazer uma transfusão."
"Como quiser senhor Treize."
[/i]
Kimitsu parou o que estava fazendo e foi até aonde guardavam os medicamentos, em
busca de seringas, agulhas e tudo o que fosse necessário para a transfusão. Alguns
minutos depois ele batia na porta do quarto de Trowa. O moreno abriu a porta e voltou
para junto de Quatre. Treize disse a Kimitsu o que eles pretendiam fazer e ele preparou
tudo o que seria necessário.
Assim que eles estavam prontos Kimitsu se aproximou de Trowa e tomou um de seus
braços, dobrando a manga da blusa e amarrando um pedaço de elástico grosso para
prender o fluxo de sangue, para em seguida introduzir uma agulha no braço esquerdo do
vampiro e outra no braço direito de Quatre. Trowa olhou para o recipiente que recebia
seu sangue, o mesmo que logo passaria para seu anjo. Treize observou a retirada do
sangue e quando chegou a uma determinada quantidade ele informou a Kimitsu que
começasse a transferir para Quatre. O sangue começou a subir por um tubo fino em
direção a agulha enfiada no braço do humano. Trowa observava tudo em silêncio.
- Já é o suficiente Kimitsu.
O elástico e a agulha, foram retirados do braço de Trowa, mas o sangue continuava a
escorrer, até o vampiro se concentrar e fazê-lo parar. Logo depois Kimitsu retirou a
agulha do braço de Quatre, colocando um pedaço de algodão sobre o local e dobrando o
mesmo.
Trowa sentia-se cansado, e sabia que era devido aos acontecimentos e a ligação que
tinha com Quatre, e isso não passou desapercebido por Treize. Não havia muito o que
fazer agora a não ser aguardar.
- Descanse um pouco Trowa.
- Quando meu sangue começará a agir no organismo dele.
- Em breve. Se ele não acordar em doze horas faremos o procedimento
novamente.
- E se ele acordar?
- Então ele tomará o sangue da maneira tradicional.
- Hn. Tudo bem, não temos outra escolha mesmo. Obrigado Treize.
- Não foi nada Trowa.
Depois que Treize e Kimitsu deixaram o quarto, Trowa se deitou ao lado de seu anjo, o
puxando para mais perto de si, e o abraçando pelos ombros. Agora somente restava
esperar e torcer para que tudo desse certo.
******
Enquanto isso na torre do castelo:
Heero olhou Duo, que dormia em seus braços, e depois para janela. Em poucas horas o
sol nasceria e ele não desejava está na torre quando isso acontecesse. Heero se levantou
com cuidado para não acordar o humano e caminhou até a porta, abriu-a retornou a
cama. Enrolou Duo nos lençóis, o tomando em seus braços. Ele saiu e desceu as
escadas com seu amante adormecido.
*****
Treize foi até a sala de leitura, onde encontrou Cathrine e os outros conversando. Ele
caminhou até ela e a beijou suavemente.
- Oi minha adorada.
- Como está Trowa?
- Cansado, mas acho que ele estará melhor amanhã. Vamos subir?
- Sim, vamos.
- Sally, Marco, tenham uma boa noite.
- Vocês também.
- Boa noite Sr Treize, Cathrine.
****
Ao chegar lá embaixo, Heero manteve Duo preso junto ao seu corpo, com apenas um
dos seus braços, enquanto abria a porta com o outro. Ele caminhou até a escada que
levava ao andar superior, encontrando-se com Cathrine e Treize que subiam. Eles viram
que Duo estava dormindo nos braços de Heero, com os cabelos soltos, sendo que uma
parte caindo por sobre o ombro direito.
- Olá Heero.
- Cathrine, Treize... onde estão Trowa e os outros?
- Sally e Marco ainda estão conversando e Trowa chegou com Quatre a algum
tempo.
- Quatre? Aconteceu alguma coisa com o humano?
- Sim Heero aconteceu. Não sabemos os detalhes, Trowa não quis nos contar.
Ele saiu pouco depois de vocês terem ido para a torre e voltou com Quatre,
mas o fato é que parece que o pai de Quatre descobriu sobre os dois e não
gostou muito.
- Ele chegou ferido e desacordado nos braços de Trowa.
- Ferido? E como está Trowa?
- Cansado e aborrecido por não ter conseguido evitar o que aconteceu com
Quatre.
- Entendo. Eu vou...
- Hee-chan...
O rosto de Heero ficou ligeiramente vermelho quando Duo murmurou carinhosamente
seu nome, enquanto esfregava o rosto em seu peito. Treize e Cathrine olharam para o
humano e depois para Heero e não puderam evitar de rir.
- Hee-chan?
- Hn. Eu vou levar esse baka para o meu quarto antes que ele acorde. Depois
vou passar no quarto de Trowa para ver como eles estão. Tenham um bom
descanso.
- Você também Hee-chan.
- Hn.
- Boa noite Heero.
Cathrine não pode evitar provocá-lo, chamando-o da mesma forma que o humano havia
feito. Heero ficou novamente vermelho por causa de Cathrine, que foi puxada por
Treize.
Heero olhou para Duo e sorriu. Ele não podia negar que havia gostado da forma como o
humano o chamou enquanto dormia. Ele terminou de subir as escadas e entrou no seu
quarto colocando Duo na cama. Heero beijou seus lábios delicadamente para não
acorda-lo e ganhou um suspiro satisfeito. Deixando o quarto, foi em direção ao aposento
de Trowa. Ele bateu na porta e entrou encontrando o companheiro deitado, com Quatre
em seus braços.
Trowa viu Heero se aproximando e olhou para seu anjo que ainda dormia. Heero podia
ver os ferimentos no rosto do humano quando parou ao lado da cama.
- Como ele está?
- Ainda desacordado.
- Ele já fez algum contato mental?
- Sim, apenas uma vez antes de eu injetar meu sangue nele.
- Você deu seu sangue a ele?
- Treize disse que o ajudaria a se recuperar mais rapidamente.
- Hum...já ouvi falar sobre isso. Notou alguma mudança?
- Até o momento não. Treize disse que não seria uma melhora imediata, mas
será muito mais eficiente se deixarmos por conta do próprio organismo dele.
- O que pretende fazer agora?
- ...
- Trowa?
- Eu não sei Heero. Mantê-lo aqui comigo, pra começar... O pai dele não vai
aceita-lo de volta, não depois que ele descobriu o que eu sou.
- Ele sabe sobre sua verdadeira natureza?
- Sabe.
Heero respirou fundo e começo a andar pelo quarto enquanto pensava. Ele se aproximou
da janela e olhou para o céu que começava a clarear. Trowa observava Heero quando se
lembrou da sensação incomoda na volta ao castelo.
- Heero.
- Hn.
- Lembrei-me de uma coisa que senti quando estava voltando.
- Então você também sentiu.
- Nosso tempo acabou.
- Sim, ela está próxima. Eu posso sentir isso.
- Na cidade.
- Sim. Amanhã conversaremos com Treize e os outros. William deverá chegar
ao final do dia com os Maganac. Começarei os treinos com Duo pelo meio
da manhã. Infelizmente é apenas isso que podemos fazer no momento.
- O que acha que ela fará quando descobrir sobre Duo?
- Nada não vou permitir que ela se aproxime dele. Descanse agora, falaremos
logo mais.
Heero deixou o quarto de Trowa e encostou-se na porta. Ele não permitiria que ela se
aproximasse da única coisa boa que acontecera em sua imortalidade, mesmo que
precisasse prende-lo dentro do castelo. No que dependesse dele, ela jamais tocaria no
humano.
[i]
"Eu sei o que ela fará se descobrir sobre Duo: vai tortura-lo lentamente e depois
mata-lo por ter se aproximado de mim. Ela me julga sua propriedade e matará
qualquer um que fique no seu caminho. Qualquer um.
[/i]
Heero foi para o seu quarto e fechou a porta, observando por alguns minutos a figura
que dormia em sua cama. Ele se aproximou e deitou-se ao lado, puxando seu amor para
mais perto. Duo resmungou alguma coisa e logo em seguida se aconchegou ao corpo do
outro, enterrando a cabeça no pescoço de Heero.
[i]
"Amanhã eu me preocupo com isso. A única coisa que desejo agora é adormecer ao
lado do meu Shinigami e somente isso. Eu vou protejo-lo custe o que custar. Ela jamais
tocará em você...eu prometo".
[/i]
Heero beijou os cabelos de Duo e procurou dormir um pouco. Brevemente ele teria que
levantar e começar a se preparar para o confronto com Relena. Um confronto que ele
sabia ser inevitável.
Continua.....
Agardecimentos a Dhandara pela ajuda e a Lien Li pela betagem.
Obrigado a todos os comentários. Estou aguardando mais.
[b][1][/b] Glole é a forma como são conhecidos os vampiros na Turquia e nos paises
Árabes.
