Lábios de Sangue

Capitulo XI - Cor unum et anima uma (Um só coração e uma só alma)

Duo desceu os lábios e começou a beijar o pescoço de Heero, descendo até seu tórax. O

vampiro começou a arfar ao sentir a língua quente do humano em seu corpo.

- Duo...Aahhh...é melhor você... descansar um pouco. Você...ahhh...deve estar

cansado...pela perda...huuuuuuummmmm...de...sangue.

Heero não conseguia articular as palavras de forma coerente, uma vez que ele não

conseguia pensar com Duo beijando seu corpo daquela maneira lenta e constante. Duo

levantou a cabeça e olhou para ele, sorrindo maliciosamente.

- Não me sinto cansado, além do mais você não tirou todo o meu sangue.

- Não, mas tirei mais do que deveria, muito mais do que se você tivesse feito

uma doação.

- Não creio que vá sentir falta dele, além do mais foi por uma boa causa.

- Duo!

- Eu quero que me ame novamente Heero.

- Você precisa descansar um pouco.

- Não....

- Mas...

Duo recomecou a beijar o corpo de Heero enquanto falava.

- Você... me... disse...que me amaria a noite inteira e ela mal começou.

Os olhos de Heero tornaram-se escuros. Sim ele havia dito que amaria Duo até que seu

corpo saciasse o desejo que sentia pelo humano, mas ele achava que o outro precisava

descansar um pouco após o ato tão intenso que compartilharam, mas ao que parecia Duo

não estava disposto a esperar. Heero rodou seu corpo ficando por cima dele, que o

olhava com desejo.

- Sim eu prometi. E vou manter minha palavra.

- Ótimo.

Duo sentia seu sangue pulsando e seu membro também já começava a doer

terrivelmente. Heero o beijou avidamente, enquanto o garoto trançado fechava os olhos

e se esfregava em Heero, selvagemente, o estimulando a passear suas mãos no corpo

quente do companheiro. Duo sentia as mãos fortes de seu amor o acariciando, os lábios

ávidos percorrendo seu pescoço. Ele cravou seus dedos nos ombros largos, emitindo

gemidos e suspiros.

Heero saboreava cada sensação despertada pelos gemidos de Duo. Eles haviam se

amado a pouco, mas era como se estivessem se tocando pela primeira vez. O vampiro

escorregou os dedos em direção ao membro de Duo recebendo como resposta um

gemido surdo. Ansioso por tocá-lo e atormenta-lo, tanto quanto Heero fazia com ele, o

humano mordeu a curva do pescoço de Heero ao mesmo tempo em que agarrava seus

cabelos o puxando sobre si, para sussurrar em seu ouvido.

- Eu preciso de você dentro de mim.

A voz suave e rouca de Duo em seu ouvido, o pedindo para possuí-lo, fez com que o

membro de Heero se endurecesse mais ainda. Ele levantou sua cabeça e observou com

olhos famintos o corpo abaixo de si iluminado pelo luar. Sua boca procurou pelos

mamilos de Duo, e quando os encontrou sua boca fechou-se em torno de um deles o

sugando. Quando pegou o outro mamilo por entre os dedos e o massageou, Duo gemeu

e arqueou o corpo contra o dele.

O americano começou a descer sua mão para tomar o membro de Heero entre ela, mas o

outro sabia que se permitisse que Duo o tocasse , não agüentaria muito tempo e ele não

desejava isso ainda.

Heero segurou as mãos de Duo e prendeu-as acima de sua cabeça permitindo-se

explorar melhor o corpo do amante. Heero começou a beijar o pescoço do humano, que

virou a cabeça pra trás, dando mais acesso as carícias do vampiro.

- Heero...por favor...

- O que você quer Duo?

- Possua-me...agora?

Seus olhos encontraram-se. Sem deixar de observa-lo um só instante Heero o penetrou,

forte e profundamente. O corpo de Duo, ainda com os vestígios da união de seus corpos,

recebeu o membro dele sem qualquer dor. O humano arqueou o corpo ao sentir o

membro duro de seu amado dentro dele, abrindo os lábios em busca de ar.

Heero aproveitou esse momento para tomar os lábios de Duo, e começou a

movimentar-se dentro do corpo amado. Tendo suas mãos libertas, Duo levou-as até os

cabelos de Heero e passou suas pernas ao redor da cintura dele, fazendo aprofundar

ainda mais o membro dentro de seu corpo. Heero continuou os movimentos dentro de

Duo que levou sua boca até a orelha de seu amado a mordendo enquanto sussurrava.



- Mais...rápido...por favor.

Heero apoiou-se na cintura de Duo e aumentou o ritmo de seus quadris penetrando-o

ainda mais profundamente e pressionando a próstata do humano uma vez atrás da outra.

Duo sentia-se morrendo e indo para o céu a cada investida do membro dentro de si. O

garoto trançado tinha seu membro pressionado entre os corpos e sentia que faltava

muito pouco para alcançar o gozo, devido à fricção do corpo de Heero em seu membro,

o que estava-o torturando maravilhosamente.

Duo sentiu seu corpo começar a tremer e logo em seguida sentiu seu abdômen ser

banhado por sua semente. Heero sentiu quando o outro alcançou o orgasmo, e as

paredes fecharam-se ao redor de seu membro como se quisessem estrangula-lo. Ele se

moveu ainda mais algumas vezes até que alcançou o gozo dentro do corpo de seu

amante, fazendo com que seu fruto escorresse pela entrada de Duo.

Sem mais forcas para se sustentar, Heero despencou por sobre o corpo de Duo enquanto

sentia que o humano tentava normalizar sua respiração. Essa nova união havia sido tão

profunda que ambos estavam tento dificuldade em normalizar seus pensamentos e suas

emoções. Duo começou a beijar suavemente o rosto de Heero, abracando-o pela cintura,

sentiu quando ele saiu de dentro de si, deitando-se de lado e o puxando.

- Foi...

- Maravilhoso.

- Sim... Por Deus Heero! Eu achei que fosse morrer.

- Eu me sentiria assim também se já não estivesse morto. Mas foi indescritível,

sem dúvida.

- Será sempre assim não é?

- Enquanto estivermos juntos, tenho certeza de que será diferente a cada vez.

Duo sentia-se cansado, seus olhos pesavam embora ele se recusasse a fechá-los. Heero

notou que seu amante estava cansado e fechou os olhos dele antes de beija-lo

suavemente nos lábios.

- Durma um pouco agora.

- Eu não estou cansado. Apenas satisfeito.

- Sei.

- Verdade...eu não vou dormir, apenas descansar meus olhos um pouco.

- Tudo bem, então feche os olhos e deixe-os descansarem um pouco.

Heero olhou para Duo este ressonava baixinho aninhado em seus braços. Desviando sua

atenção, olhou para o céu estrelado lá fora e agradeceu por ter encontrado tamanho

tesouro. Mas por algum motivo ele sentia que a sua felicidade estava preste a ter um

fim. Um arrepio percorreu-lhe o seu corpo e ele sabia o que isso significava.

- Relena.

********

Enquanto isso na mansão dos Winner's:

Trowa chegou a casa de Quatre na metade do tempo que costumava levar para ir até lá.

Ele sentia que algo estava acontecendo, seu corpo inteiro doía, podia sentir toda a

tristeza e dor de seu anjo, e não era apenas dor emocional, mas também física. Trowa

sabia o que estava acontecendo, ele sabia que era a causa de Quatre estar sofrendo e

passando por tudo aquilo. A raiva crescia de forma desmedida dentro dele. Ele apenas

esperava chegar antes que algo realmente terrível acontecesse com seu anjo. Durante

todo o percurso até a mansão dos Winner's, Trowa falava mentalmente com Quatre.

[i]"Eu estou aqui meu anjo, você não está sozinho".[/i] Mesmo não obtendo nenhuma

resposta do humano, Trowa tinha certeza de que era ouvido.

Ele chegou a mansão e tocou o interfone. Não obtendo nenhuma resposta, ele tocou

mais duas vezes enquanto a angústia crescia em seu peito. Por fim desceu do carro e

olhou para o portão de ferro a sua frente, que deveria ter quase três metros e abria para o

lado direito do muro.

Trowa segurou o portão com ambas as mãos e começou a puxá-lo, forçando o sistema.

O portão rangeu devido a força exercida e a caixa de força, que permitia abertura e o

fechamento do portão, explodiu com um forte estrondo, fazendo o portão começar a se

mover. Trowa empurrou o portão até o final retornou para dentro do carro, e dirigiu-se

até a entrada da casa. Foi recebido por Rashid na entrada.

Rashid não queria ter deixado o jovem mestre, mesmo ouvindo o interfone tocar. Seu

mestre precisava dele, mas Quatre pedirá que verificasse quem estava chegando e ele

obedeceu, Quando ele deixou a biblioteca, em direção a porta principal, ouviu um forte

estrondo e correu até a porta para abri-la. Viu um carro preto se aproximar, imaginando

como o mesmo teria passado pelo portão. Não ficou surpreso ao ver o Sr Barton

descendo do veículo. Por um lado ele estava feliz que o jovem estivesse ali, por outro o

receio de que o jovem mestre sofresse ainda mais quando seu pai descobrisse toda a

verdade o impedia de permitir que o outro entrasse na casa.

- Não creio que seja o melhor momento para uma visita Sr Barton.

- Eu não estou de visita Rashid. Vim porque Quatre me chamou e não será

você que vai me impedir de entrar.

Rashid podia ver a determinação e o brilho avermelhado nos olhos de Trowa e afastou-

se permitindo que este entrasse.

- Como queria Sr. Entre.

- Obrigado.

- Eles estão na biblioteca.

Trowa, assim que entrou ele pode sentir o cheiro, e notou o vermelho na roupa de

Rashid, que não era muito, mas o suficiente para que soubesse de quem era o sangue. .

Ele conhecia aquele sangue, o havia provado na manhã do dia anterior, naquela mesma

mansão: o sangue do seu anjo de olhos claros como o céu na primavera e cabelos

dourados como o trigo no campo.

Quatre podia sentir a presença de Trowa. Ele sabia que seu amor estava a caminho. O

loiro ouviu sua voz a dizer-lhe que não estava sozinho, ele queria responder, mas não

encontrava forças para faze-lo, e foi com alivio que sentiu a presença de seu amor

dentro da casa.

[i]

"Eu estou aqui meu anjo"

"Trowa ele esta tão bravo"

"Tudo bem nós o enfrentaremos juntos".

[/i]

Trowa caminhou até a biblioteca, onde podia ouvir os berros do pai de Quatre. Ele os

estava ouvindo desde que deixará o castelo, mas não estava preparado para presenciar a

cena que viu ao adentrar a sala. A figura de seu anjo caído no chão todo ferido e

sangrando, com a cabeça baixa enquanto seu pai gritava com ele amaldiçoando o dia de

seu nascimento. O pai de Quatre olhou para a porta e viu o rapaz que havia sido a

desgraça de seu filho.

- O que faz aqui?

- Pai!

- Cale-se Quatre. Eu nunca deveria ter permitido que entrasse em minha casa.

Você seduziu e corrompeu meu filho.

- Trowa não me seduziu pai, eu me apaixonei por ele.

- Nunca mais repita isso novamente ou eu juro, Quatre, que farei como manda

a lei de nosso povo.

O pai de Quatre andava de um lado para o outro. Ele viu quando o rapaz de cabelos

castanhos e olhos verdes deixou a porta e se aproximou de seu filho para toca-lo, e

movido por uma raiva cega, ele se aproximou e puxou Quatre pelo braço, sem importar-

se com seus ferimentos, arrancando um gemido de dor dos lábios do filho. Tudo o que

ele conseguia pensar era em afastar aquele jovem de seu filho.

- Não toque nele novamente!!!!!!!!!!

Trowa fez menção de continuar se aproximando, mas quando Quatre fez que não com a

cabeça, e ele parou onde estava, tentando se controlar.

[i]

"Não Trowa fique onde está"

"Mas..."

"Por favor, eu te peço"

"Tudo bem, mas não vou permitir que ele o agrida novamente."

"Eu estou bem não se preocupe".

[/i]



Quando seu pai o soltou, Quatre tentou se manter de pé.Ele cambaleou por um

momento, mas conseguiu se manter ereto. Ele olhou para sua mãe e sua irmã, que

choravam no canto, e sabia o quanto elas estavam sofrendo, principalmente sua mãe.

Ele sentira a sua dor, quando seu pai o agredira, e ela não pôde fazer nada para impedí-

lo, não era permitido as mulheres interferirem quando o homem da casa resolvia corrigir

os filhos. Ela havia tentado interceder por ele, se colocando entre o filho e o pai.

Quatre sabia o que realmente preocupava sua mãe: pelas leis de seu povo, seu pai

poderia mata-lo por desonrar a família, ainda mais ele sendo o único filho homem. Por

um instante ele pensou que seu pai realmente faria isso, quando confirmou a verdade

sobre ter dormido com Trowa na noite em que seus pais haviam viajado.

****

Algumas horas atrás:

Quatre estava em seu quarto aguardando o retorno de seu pai. Ele passará boa parte do

tempo tentando descobrir quem poderia ter contado sobre ele e Trowa. Provavelmente

alguém que estivesse no clube ontem à noite, mas a maioria das pessoas já haviam ido

embora, quando eles ficaram mais próximos. Talvez alguém que estivesse passando na

rua naquele momento. Quatre sempre procurava tomar cuidado para não demonstrar

seus sentimentos em relação ao moreno em público, por isso sempre evitava tocar em

Trowa nessas ocasiões, mas na noite anterior ele estivera tão preocupado com a demora

deste e de Heero que simplesmente não o impedira de beija-lo, quando retornaram.

Quatre podia sentir a tensão na casa inteira: sua mãe, sua irmã, Rashid e os outros

empregados, todos aguardavam, um tanto quanto temerosos, o senhor da casa. Quatre

olhou para o relógio, faltava pouco para às oito horas da noite e seu coração batia

acelerado, o ar parecia sufoca-lo. Quatre levantou-se da cama e caminhou até a janela, a

lua estava alta e o céu repleto de estrelas, e se não fosse pela angústia em seu peito, ele

teria apreciado a paisagem. Por um momento, o loiro se lembrou de Duo e seu coração

se alegrou pelo amigo.

[i]

"Espero que dê tudo certo desta vez. Que Alá proteja a você e Heero meu amigo".

[/i]

A batida na porta fez o coração de Quatre saltar dentro do peito. Respirando

calmamente, ele caminhou até a porta, encontrando Rashid com uma expressão que

jamais havia visto em todos os anos em que ele trabalhava para sua família.

O mordomo, olhando para o jovem mestre, pensou que teria retirado Quatre de casa e o

escondido de seu pai, se pudesse. Rashid sabia o quanto o senhor da casa estava furioso,

ele havia visto quando o mesmo chegara, á alguns minutos e pedira que fosse buscar

Quatre. O jovem sorriu, tentando confortar Rashid, mas sabia que não estava

conseguindo, afinal, ele mesmo não se sentia tranqüilo e sabia que isso transparecia em

seu rosto.

- Meu pai já chegou Rashid?

- Sim mestre Quatre. Ele pede que vá até a biblioteca para falar com ele.

- Tudo bem.

- Quatre.

Quatre fechou a porta de seu quarto e começou a caminhar em direção a escada para ir a

biblioteca quando ouviu a voz de Rashid o chamando pelo nome. Ele ficou surpreso,

pois a muito tempo Rashid não o chamava apenas pelo nome. O mordomo costumava

colocar a palavra mestre antes de seu nome desde que Quatre completara cinco anos.

Quatre se virou e aguardou que Rashid falasse. Ele o viu se aproximar e falar na língua

de seu povo.

"Que Alá o proteja e o cubra com suas mãos, mesmo que a

mão de seu pai se erga sobre você e faça jorrar o seu sangue,

Alá está sempre com você. Pois você, jovem mestre, é um dos

filhos de Alá... e Alá jamais abandona seus filhos.

"Que Alá o proteja e o cubra com suas mãos. Mesmo que a mão de seu pai se erga

sobre você e faça jorrar o seu sangue Alá está sempre com você. Pois você jovem

mestre é um dos filhos de Alá e Alá jamais abandona seus filhos. ".

Quatre balançou a cabeça e o abraçou tentando não chorar. Ele podia sentir Rashid o

abraçando e acariciando suas costas. Sim, Quatre sabia o que o aguardava; as palavras

que Rashid dissera eram claras.

Quatre sabia que tinha que ser forte, sabia que tinha que enfrentar seu pai e faze-lo

entender que o que ele sentia por Trowa não era errado. Poderia um sentimento tão

grandioso como o amor errar? Seria errado acreditar e seguir seu coração mesmo que

isso significasse magoar pessoas queridas? Não.

Quatre sabia e sempre soube, que, no momento em que admitiu seus sentimentos e

permitiu que o amor que sentia por Trowa ganhasse força, que ele estaria indo contra os

costumes e leis de seu pai. Isso era inevitável.

O jovem se afastou e acariciou o rosto do velho amigo, que cuidava dele desde de

pequeno. Pequenas lágrimas caiam pelo rosto de Rashid. Quatre sorriu, ele sabia que

não estava sozinho, Rashid estaria com ele, como sempre esteve.

- Não se preocupe. Eu conheço meu destino Rashid, mesmo que meu pai não

entenda, eu não o culpo e nem vou culpa-lo pelo o que ele fizer. Agora

vamos.

- Sim mestre Quatre.

Quatre sorriu e seguiu Rashid até a biblioteca. Quando entraram na sala, sua irmã e sua

mãe já estavam presentes, e seu pai estava sentado a mesa. Ele parecia cansado e

zangado.

Assim que a porta da biblioteca se abriu, ele levantou a cabeça e encarou o filho mais

novo. Quatre havia sido sua maior alegria quando nascera, um filho homem para herdar

tudo aquilo que ele construirá durante os anos, e agora ele era o motivo de sua tristeza.

Se estivessem em seu país Quatre não estaria ali parado, a sua frente, aguardando que

ele começasse a falar. Provavelmente se estivessem em seu país, ele estaria enterrando

seu corpo neste momento. Era difícil encarar o rosto de seu filho e não se lembrar das

palavras escritas na carta que receberá aquela manhã. Ele esperava que fosse mentiras,

esse foi um dos motivos que não retirara Quatre de sua cama assim que leu a carta;

mesmo que seu coração lhe dissesse que era tudo verdade, ele ainda tinha esperanças de

que tudo não passasse de uma brincadeira de mau gosto. Quatre notou o esforço que seu

pai fazia para se acalmar, bem como o modo que eleevitava encarar o seu rosto. Então

Quatre resolveu iniciar a conversa.

- O senhor queria falar comigo.

- Sim queria...eu recebi uma noticia esta manhã que me deixou um tanto

quanto perturbado e gostaria que você me esclarecesse.

- E o que seria meu pai.

- Diga-me Quatre qual o seu relacionamento com o rapaz que esteve aqui

ontem.

Quatre ficou alguns instantes em silêncio. Sua mãe e irmã o olhavam aguardando sua

resposta. Elas desejavam que Quatre dissesse que eles eram apenas amigos, mas sabiam

que ele jamais mentiria sobre seus sentimentos a cerca do rapaz. Reunindo sua coragem

Quatre levantou sua cabeça e encarou seu pai.

- Eu...eu o amo.

Quatre viu o rosto de seu pai se transformar em uma máscara de dor e incredulidade ao

ouvir suas palavras, enquanto levava a mão ao coração. Além disso, ele ainda pôde

sentir sua tristeza e decepção.

O pai de Quatre não podia acreditar nas palavras de seu filho. Quatre havia dito que

amava o outro garoto. Como? Eles eram homens. Como seu filho poderia dizer que

amava outro homem!

- Quatre diga-me se aquele rapaz fez alguma coisa com você, contra sua

vontade, e eu juro que ele se arrependerá por tê-lo...

- Não! Trowa...não fez nada comigo que eu não tivesse consentido.

- Por Alá. Então o que me contaram é verdade.

- Não sei o que contaram meu pai. Apenas digo o que sinto por Trowa.

- NÃO DIGA O NOME DELE NA MINHA FRENTE!

O pai de Quatre se levantou, fazendo com que a cadeira caísse atrás de si, e bateu com

as mãos na mesa, seu rosto transtornado pela ira. Ele caminhou em direção ao filho,

sendo impedido por sua esposa, que se colocou entre os dois.

- Ahmond! Por favor, eu te peço, não o machuque.

- NÃO MACHUCA-LO! Eu deveria MATÁ-LO pelo o que ele acaba de me

dizer, e você ainda quer defendê-lo mulher. Ele desonrou o meu nome,

desonrou sua família e você me pede que não o MACHUQUE!!!!

Lágrimas rolavam do rosto da mãe de Quatre, enquanto ela segurava seu marido pelos

ombros, para impedir que ele tocasse em seu filho. Ele olhava para a esposa e para o

filho que ela lhe dera. Ahmond segurou nos braços dela e olhou em seus olhos.

- Diga-me que não sabia sobre o que Quatre sentia por esse rapaz, Ângela.

A mãe de Quatre abaixou a cabeça incapaz de encarar o marido. Ele apertou o braço

dela, para obrigá-la a encara-lo. Quatre aproximou-se e tocou o braço de sua mãe e

olhou em seus olhos antes de responder por ela.

- Eu contei a ela na tarde em que vocês não retornaram do jantar de negócios.

Ele soltou os braços da esposa e virou-se de costas. Quatre abraçou sua mãe e repousou

sua cabeça no pescoço dela, enquanto os dois choravam. Ahmond olhou para os dois

juntos: seu filho era quase uma copia de sua esposa, os mesmo traços suaves, o mesmo

tom de pele e cor de cabelos, apenas a cor dos olhos eram diferentes, enquanto de

Quatre eram azuis como as safiras, o de Ângela eram verdes como o jade.

- Diga-me que é mentira que você não se deitou com ele e eu procurarei

esquecer tudo sobre o que falamos.

- Ahmond como pode pensar que Quatre teria se deitado com o rapaz. Diga a

ele, Quatre, que está enganado, você não faria isso, não é meu filho. Não na

casa de seu pai.

Quatre se afastou de sua mãe e olhou em seus olhos e ela soube que era verdade. Ele

havia se entregado ao jovem chamado Trowa. Ela cobriu a boca com as mãos e se

afastou caindo no chão ao ouvir as palavras de seu filho.

- É verdade. Eu me deitei com ele na mesma noite.

- AHMOND NÃO!

Quatre não soube ao certo o que tinha acontecido, ele apenas ouviu sua mãe gritar antes

de sentir que alguma coisa acertava seu rosto com fúria, fazendo com que perdesse o

equilíbrio e caísse no chão. Ele sentiu seu pai agarrar o seu braço e jogá-lo em cima da

mesa enquanto socava-o no peito e nos braços. Ahmond agarrou seu filho e jogou-o

novamente no chão começando a chutá-lo como se assim pudesse fazer parar toda a dor

que estava sentindo.

Quatre sentia os chutes no estômago, nas pernas e nos braços. Ele sabia que seu pai não

pararia enquanto não se acalmasse; sentia a tristeza e a dor dele, assim como a de sua

mãe, sua irmã e de Rashid, que ficará na sala. Quatre podia sentir Trowa falando com

ele, sentia que Trowa sabia o que estava acontecendo. Seu amor lhe dizia que estava a

caminho, que ele não estava sozinho. O anjo loiro podia sentir a presença de Trowa

ficar mais forte a cada minuto... logo seu amado estaria ali com ele. Quatre queria dizer

a Trowa que podia ouvi-lo, mas a dor era tanta que ele não conseguia pensar em nada

além dela, por isso não encontrava forças para responder.

Ele não se movia mais e nem tentava se proteger da fúria de seu pai, quando notou,

enfim, que já não era mais agredido. Ainda deitado no chão, podia sentir seu sangue

escorrendo da boca e olhou para cima , só para ver seu pai com os olhos repletos de

raiva sendo segurado por Rashid. Seu corpo inteiro doía. Quatre levou uma de suas

mãos ao rosto dolorido, enxugando o sangue na manga de sua camisa branca. Depois

tentou levantar-se, mas era quase impossível faze-lo, devido ás dores no corpo. Sua mãe

e sua irmã fizeram menção de se aproximar para ajuda-lo, mas ele as impediu com um

movimento de cabeça.

E foi logo em seguida que eles ouviram o interfone tocando, uma, duas, três vezes

seguidas e depois silenciar. Quatre olhou para Rashid e falou com ele para soltar seu

pai, ele não estava mais sozinho Trowa havia chegado.

- Tudo bem Rashid. Não se intrometa.

- Mas mestre...

- Por favor, deixe que meu pai faça o que achar melhor. Vá ver quem é, por

favor.

Rashid soltou o pai de Quatre contra a vontade, fora quase impossível tira-lo de cima do

menino, tamanha a fúria em que se encontrava; Rashid sabia que ele seria capaz de

matar o próprio filho.

Ahmond olhou para Rashid, que saia da biblioteca, e depois olhou para Quatre, caído no

chão, com o rosto sangrando, a blusa rasgada, o peito arroxeado e as lágrimas que caiam

de seu rosto, se misturando ao sangue no chão. Sua vontade era de arrastá-lo para fora

de casa, para que não visse mais o seu rosto.

Quatre sentiu a presença de Trowa na sala e ouviu a voz dele em sua mente. Finalmente

encontrou forças dentro de si para responder-lhe, enquanto ainda olhava para seu pai,

mas teve que abaixar sua cabeça quando ele começou a falar.

- Maldito foi o dia em que você nasceu.

O pai de Quatre viu a porta se abrir e Trowa parado, olhando para seu filho no chão, o

semblante uma mistura de dor e raiva por vê-lo naquele estado. Por um instante

Ahmond pensou ter visto os olhos do rapaz mudarem do verde para o vermelho, mas ele

não saberia dizer com certeza, tamanho era o ódio que tinha pelo rapaz que invadira a

vida de seu filho e destruíra a paz de sua família. Somente o que conseguiu fazer foi

perguntar a ele como se atrevia a voltar a sua casa.

Quatre olhou para Trowa e sorriu, aumentando ainda mais a ira de seu pai, que se

aproximou sem que percebesse e o agarrou-o pelo braço. Quatre olhou para seu pai, e

viu que lágrimas caiam dos olhos dele . Era a primeira vez que via seu pai chorando.

Ele nunca derramará nenhuma lágrima, mas naquele momento varias banhavam o seu

rosto. Ahmond olhou para o moreno colocando Quatre atrás de si.

- Você, eu quero que saia de minha casa e não volte a importunar mais o meu

filho ou eu farei com que se arrependa seriamente de ter se envolvido com

ele.

Trowa olhou para o humano com desprezo. Ele não precisava ficar ali o ouvindo

insultar a ele ou a Quatre, poderia simplesmente pegar seu anjo e tira-lo dali e não

haveria ninguém que o impedisse de faze-lo. Mas não era isso o que Quatre desejava e

por esse motivo ele se controlou para não faze-lo.

- Eu somente sairei se Quatre me pedir para faze-lo e acredite nada que faça

fará com que eu me arrependa por conhecido seu filho.

Quatre tentou fazer seu pai entender seus sentimentos em relação a Trowa.

- Pai... entenda, por favor, eu e Trowa nos amamos.

Ahmond se virou para Quatre, que tentava se aproximar, mas ele o impediu como se o

seu toque o ferisse e foi com infinita tristeza que Quatre ouviu o que seu pai lhe dizia.

- Quatre, você desonrou o nome dessa família com seus atos, mas eu estou

disposto a perdoa-lo se me prometer que não voltara a ver esse rapaz

novamente.

Quatre olhou para Trowa e para seu pai abaixando a cabeça por alguns instantes antes

de responder.

-Eu não posso mentir para o meu coração, pois assim estaria mentindo para mim

mesmo. Eu já entreguei meu coração a Trowa e mesmo que eu quisesse não

poderia jamais esquece-lo.

- Tableft....

Tableft....

Ahmond bateu com as costas da mão no rosto do jovem árabe, o desconsertando e

fazendo com que um filete de sangue voltasse a escorrer pelo canto esquerdo de seus

lábios. Quatre levou a mão ao rosto, tendo os olhos banhados pelas lágrimas, quando

seu pai disse algo que pareceu cortar seu coração ao meio.

- A partir de hoje você não é mais meu filho.

- Por Alá Ahmond, não faça isso.

- Quieta mulher. – virando-se para Quatre continuou - Saia desta casa e

esqueça que tem o nome Winner ou o meu sangue.

- Pai...

Ele olhou para o rosto de Quatre e viu tristeza e determinação através deles. Ele sabia

que ele jamais mudaria de opinião, que continuaria a amar o outro rapaz. Ahmond

pretendia bater-lhe novamente, por tudo o que via no olhar do loiro. Quatre fechou os

olhos esperando o tapa que nunca veio. Ao abrir o olho ele viu Trowa a sua frente

segurando o braço de seu pai. O moreno tinha os olhos vermelhos e o olhar frio, o que

assustou Ahmond.

Trowa não podia permitir que o pai de Quatre o ferisse ainda mais. Quando viu que o

humano voltaria a bate-lo, não pensou duas vezes antes de colocar-se entre Quatre e seu

pai.

- Nunca mais volte a tocar nele novamente ou eu juro que o mato.

- Trowa, não.

Trowa sentiu a mão de Quatre sobre o seu braço e se afastou do humano, contra sua

vontade, ele estava disposto a derramar o sangue daquele homem que se atrevera a

machucar seu anjo.

Quatre sabia que Trowa cumpriria a ameaça, mas, apesar de tudo, amava seu pai e sabia

o quanto ele estava triste. Foi com surpresa, que Ahmond viu os olhos do rapaz se

tornarem vermelhos como o sangue e que presas saiam de sua boca, e acabou se

afastando assustado.

- O que você é?

- Pai...

- Quatre você se apaixonou por um Glole? [b][1][/b]

- Sim, ele se apaixonou por mim e eu por ele, no momento em que nos vimos.

- Quatre como pode fazer isso? Diga que você não sabia o que ele era quando

se envolveu com ele, quando se...

- Eu sabia...eu sempre soube o que ele era.

-

- E mesmo assim você foi capaz de...

Trowa abraçou Quatre por trás, seu anjo estava sofrendo tanto... O moreno sabia que ele

não agüentaria muito tempo vendo o desespero e a dor nos olhos do próprio pai.

O peito de Quatre doía terrivelmente, os sentimentos dentro da sala eram tantos que

sentia como se suas forças estivessem sendo sugadas. Então de repente, o loiro

desfaleceu, sendo amparado pelos braços de Trowa. A mãe de Quatre tentou se

aproximar mais foi impedida por seu marido.

- Quatre!

Trowa olhou preocupado para o semblante de seu anjo, mas seu coração ainda batia,

evidenciando que apenas havia desmaiado devido a tensão.

- Ele apenas desmaiou.

Trowa virou-se para sair. Não havia mais sentido permanecer naquela casa. Ele estava

quase saindo quando ouviu a voz do humano.

- Para onde vai levar meu filho?

- Como disse a pouco, ele não é mais seu filho, portanto ele já não é mais

responsabilidade sua.

Trowa saiu da biblioteca carregando seu anjo desacordado nos braços. Rashid observava

a cena de seu jovem mestre nos braços do rapaz e os seguiu. Ahmond caiu no meio da

sala, sendo abraçado por sua esposa, que também não conseguia acreditar no que seu

filho havia feito. Ela sabia que Quatre havia se apaixonado pelo jovem que o salvara,

mas ela não sabia que o rapaz era um Glole e que seu filho, mesmo sabendo disso, se

entregou a ele.

Iria se levantou e foi atrás de Trowa, o encontrando na entrada da casa, colocando

Quatre deitado no banco traseiro do carro. Ela achava um tanto quanto difícil de

acreditar no que acontecera: que o jovem a sua frente não fosse humano. Sabia que

deveria temê-lo, mas não conseguia, por algum motivo ela sabia que Trowa não era

perigoso.

- Você vai cuidar dele, não é?

- Não se preocupe. Não tenciono fazer outra coisa que não seja cuidar do bem

estar dele. Você e sua mãe serão bem-vindas ao castelo se desejarem visitá-

lo.

- Obrigada.

- Rashid, se lembra do presente que dei a Quatre na noite em que estive aqui?

- Sim, eu me lembro.

- Poderia trazê-lo, por favor.

- Claro.

- Rashid!

- Sim, senhorita Iria?

- Traga o violino de Quatre por favor, e algumas peças de roupa, apenas o

suficiente para ele passar a noite, amanhã eu levarei o restante para ele.

- Como quiser senhorita.

Iria se aproximou do carro e ajoelhou-se a passando a mão gentilmente por sobre os

cabelos do irmão, enquanto chorava. Ela sabia o quanto deveria ter sido doloroso para

seu irmão ouvir o próprio pai renegando-o, bem como ela tinha certeza que Trowa

cuidaria dele e faria de tudo para protegê-lo.

- Trowa, eu peço que não guarde rancor por meu pai.

Iria notou que os olhos dele ficarem levemente avermelhados e ele fechar as mãos

tentando se acalmar antes de falar alguma coisa, embora não tivesse muito sucesso, uma

vez que sua voz deixava transparecer toda a sua raiva.

- Não me peça para perdoar um homem que seria capaz de matar o próprio

filho, apenas porque ele não segue as mesmas regras e costumes ensinados

por seu povo.

- Eu sei disso. Mas se não por você, faça-o por Quatre. Eu sei que ele não iria

querer que você tenha raiva pelo o que aconteceu.

Trowa olhou com carinho para o jovem deitado no carro. Era verdade, Quatre não

gostaria disso. Ele sabia que no coração do loiro não havia mágoa pelo que seu pai

fizera.

Alguns minutos depois, Rashid retornou, sendo ajudado por Trowa, que pegou a caixa

com as Heath Scythe dos sbraços do mordomo, colocando-a no porta-malas, enquanto

Rashid trazia o violino e uma pequena maleta nas mãos. Trowa fechou a porta traseira

do veículo depois de verificar se Quatre estava devidamente acomodado. Sentou-se

atrás do volante e antes de sair ele virou-se para Iria, a observando por alguns instantes.

- Eu tentarei por Quatre. Amanhã providenciarei para que alguém conserte o

portão.

- Não será necessário Trowa.

- Tudo bem.

Trowa manobrou o carro e saiu da casa de Quatre em direção ao castelo, tendo todo o

cuidado com a preciosa carga no banco de trás.

No momento em que circundou a praça em direção ao castelo, alguns carros, todos da

mesma cor negra, passaram pelo arco na entrada da cidade, em direção ao Garden Sank

Hotel, como se estivessem em um cortejo fúnebre. Muitos moradores, que andavam

pelas ruas, olharam curiosos, desejando saber quem eram os ocupantes dos veículos.

Os carros pararam em frente ao hotel e um homem com longos cabelos ruivos desceu do

primeiro carro. Contornando o veículo, abriu a porta traseira do lado esquerdo, de onde

saiu uma jovem de longos cabelos dourados e a pele pálida como a lua. Muitos

admiraram a beleza etérea da jovem. Ela olhou para o jovem de cabelos ruivos e

acariciou o rosto do mesmo, enquanto lhe dizia suavemente.

- Eu estou com fome.

A jovem olhou ao redor e viu os rostos de admiração e curiosidade, enquanto pensava o

quanto eles eram tolos. Um sorriso malicioso e perverso apareceu em seu rosto quando

falou.

- Traga-me sangue fresco.

- Como desejar senhora.

O ruivo seguiu por uma rua próxima ao hotel, desaparecendo na escuridão. A jovem se

dirigiu ao prédio, juntamente com os ocupantes dos outros carros, entre eles um jovem

de longos cabelos loiros e sem um dos braços.

******

Próximo á terra dos Khushrenada:

Trowa olhava de vez em quando para o ocupante no banco detrás, que permanecia

desacordado. Ele sentira algo estranho, ao cruzar a praça, mas estava tão preocupado

com Quatre, que acabou por ignorar completamente a sensação incomoda, mas que, por

algum motivo, ainda o perturbava. Ele olhou para o céu e negras nuvens cobriram a lua.

Por um momento Trowa a imaginou vermelha como sangue e em seu íntimo soube o

que isso significava.

[i]

" Nosso tempo acabou e ainda não estamos prontos para enfrentar o mal que está para

ser libertado. Que Deus possa ter piedade das vidas que juramos proteger".

[/i]

Trowa olhou novamente para Quatre, pelo espelho retrovisor, e sentiu uma forte

contração no peito: alguma coisa estava preste a acontecer. Alguma coisa que mudaria a

vida de todos, principalmente a de seu anjo, e ele não desejava que nada de mal lhe

acontecesse.

O moreno dirigiu ainda por alguns minutos até avistar a torre do castelo. Assim que

chegou e estacionou na entrada do casarão, Kimitsu apareceu solicito e prestativo como

sempre. Trowa desceu do carro e abriu a porta de trás, retirando o jovem loiro com todo

o cuidado. Kimitsu ficou um tanto quanto surpreso, em ver um jovem com um

semblante tão sereno, tão machucado nos braços do vampiro.

- Kimitsu providencie ataduras e tudo o que for necessário para que eu cuide

dos ferimentos dele.

- Sim, Sr Barton.

- E providencie para que as coisas no porta-malas sejam levadas para o meu

quarto.

- Será feito.

Trowa entrou no castelo e foi recepcionado por Cathrine e os outros que o aguardavam.

Assim que ela viu o jovem loiro desacordado nos braços de Trowa, correu até ele.

Quando viu o estado de Quatre, ela levou uma das mãos a boca e olhou para Trowa.

Treize se aproximou e viu um rapaz loiro, muito bonito, com o rosto e o corpo todo

machucado; não era muito difícil descobrir o que havia acontecido com o jovem

humano.

- Trowa o que houve?

Trowa ficou alguns instantes em silêncio antes de responder. Treize pôde notar a

dificuldade que o outro vampiro encontrava para responder uma pergunta tão simples,

seus olhos estavam rasos de água. O humano precisava ser tratado, o que havia

acontecido com ele poderia ser explicado mais tarde.

- Isso não é importante agora, meu amor. O importante é cuidar dos ferimentos

dele.

- Sim é verdade, venha vamos para o seu quarto Trowa, eu o ajudo a cuidar de

Quatre.

- Obrigado Cathrine.

Trowa caminhou para o seu quarto sendo seguido por Cathrine, que abriu a porta.

Trowa entrou, depositando Quatre cuidadosamente sobre a cama, o que acabou

arrancando um gemido dele mesmo estando inconsciente. O moreno acariciou

suavemente o rosto de seu amante, e o beijou nos lábios. Alguém bateu na porta e logo

depois ela se abriu, para Kimitsu que trazia algumas ataduras, algodão, álcool e outros

apetrechos médicos.

Trowa retirou a cuidadosamente a camisa de Quatre e pode ver a pele clara, repleta de

manchas roxas. Após um exame minucioso, ele verificou que o estado do amante não

era tão grave. Mas era claro que Trowa não havia gostado de ver o corpo de Quatre

machucado. Tirando as escoriações, luxações e duas costelas quebradas seu anjo não

estava tão ferido quanto aparentava a primeira vista, poderia ter sido muito pior e Trowa

não queria pensar no que faria caso não tivesse chegado a tempo.

Ele e Cathrine limparam os ferimentos de Quatre e fizeram os curativos necessários;

não havia muito a ser feito a não ser esperar que Quatre acordasse e se restabelecesse o

máximo possível. Mas a recuperação seria lenta e tudo o que não dispunham no

momento era tempo. E era exatamente essa a maior preocupação de Trowa: quanto

tempo levaria a recuperação física, mental e emocional de seu anjo. Logo uma batalha

seria iniciada. Uma batalha em que as chances de vitória eram desconhecidas. A

qualquer momento os inimigos chegariam e eles ainda não estavam prontos para detê-

los.

Cathrine saiu do quarto deixando Trowa perdido em seus pensamentos. A situação de

Quatre não era reconfortante, mas também não era preocupante. Ela encontrou-se com

Treize que aguardava no corredor. Ele podia sentir a tristeza de sua futura esposa, e só o

que pôde fazer foi sorrir, assim que a viu, e abrir os braços, no qual ela se aninhou em

busca de consolo. Cathrine havia ficado abalada pelo estado do humano, assim como

Treize.

Era a primeira vez que ele se encontrava com o jovem que havia conquistado o tão

calado Trowa Barton, mas não podia culpa-lo, pois apesar do jovem humano ter o rosto

machucado, não era difícil notar a beleza quase angelical do rapaz de cabelos dourados.

Treize podia imaginar como Trowa estava se sentindo: impotente de não ter sido capaz

de impedir e proteger quem lhe é mais precioso. Treize passara pela mesma sensação,

por duas vezes: a primeira vez quando Ebro o obrigou a tirar a humanidade de Cathrine

para impedir que ela morresse e novamente vinte e cinco anos depois quando o mesmo

vampiro tentou raptá-la. Sim ele mais do que ninguém sabia o que Trowa estava

sentindo.

Treize beijou os cabelos de Cathrine e aspirou o perfume suave de rosas que tinham, em

seguida, levantou delicadamente seu rosto com uma das mãos, enquanto a outra

permanecia em sua cintura. Ele sorriu e beijou-a com paixão, deliciando-se com o seu

doce sabor. Cathrine sentiu-se inebriada pelo beijo. Quando Treize afastou-se

ligeiramente, Cathrine ainda permaneceu alguns instantes com os olhos fechados. No

momento em que abriu seus olhos, eles transmitiam todo o amor, carinho e segurança

que ela sempre sentia ao lado de Treize.

- Eu te amo.

- Também te amo, meu senhor.

- Cathrine eu não sou...

Cathrine cobriu os lábios de Treize com os dedos recostando sua cabeça no peito dele.

- Meu senhor, senhor da minha alma, senhor do meu coração. A cada dia, a

cada anoitecer eu agradeço aos céus por você ter entrado em minha vida.

- Cathrine...

Cathrine levantou a cabeça e enxugou as lágrimas que caiam dos olhos de seu futuro

marido, ignorando as próprias que molhavam o seu rosto. Treize sorriu e acariciou o

rosto da amada.

- Eu não mereço você sabia.

- Eu não concordo com isso, você merece muito mais Treize.

- Se você diz, somente me resta concordar com sua vontade minha dama.

*****

Na cidade:

- Eu tenho que ir Karl.

- Fica mais um pouquinho vai.

- Não eu tenho que de ir pra casa, meus pais devem estar preocupados. Nos

vemos amanhã está bem.

- Tudo bem eu te levo em casa.

- Não precisa, eu posso ir sozinha.

O casal se despediu com um beijo. A moça de cabelos negros correu, deixando o rapaz

de cabelos curtos sentado no correto da praça. Do outro lado da praça a moça era

observada por um par de olhos vermelhos. O rapaz se levantou e começou a caminhar

em direção a sua casa, que ficava a poucos metros dali. Ele andava a passos curtos,

apreciando a brisa noturna.

Epyon era um bom lugar para se viver, cercado pelo verde, sem violência, um

verdadeiro achado. Mesmos os becos da cidade não ofereciam perigo. Isso não significa

que não houvesse a violência das grandes cidades, tinha, só que em escala quase nula.

Esse foi um dos motivos que o levara a se mudar para Epyon, para fugir da correria e

dos problemas das cidades grandes.

Ele avistou a rua onde morava, que estava escura devido a dois postes defeituosos. A

prefeitura deveria ter providenciado o conserto a tarde, mas até o momento não havia

sido feito. De repente o rapaz sentiu uma sensação incomoda, como se estivesse sendo

seguido e alguém o chamando. Ele olhou para trás procurando por alguém ou alguma

coisa, mas não viu nada além de sombras e um brilho avermelhado, que nunca vira

antes, no meio da escuridão. Ele se sentiu compelido a caminhar até aquele brilho.

Quando começou a dar alguns passos, sentiu algo gelado tocar sem ombro o fazendo

gritar.

- Aahhhhh.

- Calma Karl, sou eu Milliardo.

O rapaz de cabelos castanhos claros reconheceu o dono da loja 24hs e sua namorada.

Karl respirou fundo, tentando se acalmar devido ao susto. Noin olhava para Karl, que

era seu vizinho, notando que o rapaz parecia um tanto pálido. Ela desviou o olhar para

seu namorado, e eles aguardaram que ele se acalmasse. O rapaz olhou novamente para

trás e não havia mais nada lá, apenas o escuro.

- Você está bem Karl?

- Hã? Sim... me desculpem eu me assustei, foi somente isso. É que a rua está

um tanto quanto escura e pensei ter visto algo, mas acho que foi impressão

minha.

- Tem certeza que está bem?

- Estou Noin, obrigado.

- Você não deveria estar andando sozinho a essa hora.

- É eu sei, mas é que eu estava com a Melissa.

- Namorando, não é?

- Há...há, é um pouquinho.

- Quer que a gente te acompanhe até sua casa?

- Não é necessário Milliardo, obrigado.

- Tem certeza?

- Tenho, podem ir. A gente se vê mais tarde, tchau.

O rapaz se despediu e continuou a subir a rua sob o olhar do casal que estava descendo.

Karl se virou e acenou para os amigos, que acenaram em resposta, se virando

continuando seu caminho. Karl se virou para continuar a subir, e deu de frente com um

rapaz de longos cabelos ruivos, e antes que pudesse esboçar qualquer reação ele foi

engolido pela escuridão.

Não muito longe dali uma jovem de cabelos negros caminhava para casa. Faltava pouco

mais de três casas para chegar a sua, quando ela notou que a rua parecia mais escura que

o habitual, mas ela procurou não dar muita importância ao fato. Foi quando ela avistou

um homem bem vestido, sentado na árvore do jardim ao lado da sua casa. Ela nunca o

havia visto antes. Assim que o jovem na árvore notou que a garota se aproximava, ele

levantou e caminhou na direção dela, parando a poucos centímetros da moça. Ela

sentiu-se estranha por um momento, como que enfeitiçada pela beleza do rapaz de

cabelos longos a sua frente, a pele pálida, os cabelos vermelhos como o fogo, os olhos

que não conseguiu identificar a cor e o brilho estranho. O rapaz sorriu e se aproximou

mais da jovem, a tempo de segura-la nos braços quando a mesma desmaiou. O rapaz

segurou sua vítima e desapareceu no meio da escuridão.

*****

No castelo na terra dos Khushrenada:

Treize bateu na porta do quarto e entrou sem esperar uma resposta. Trowa estava em pé,

na janela olhando a noite. Ele sentiu a presença do outro na porta, antes dele bater e

entrar, mas não se virou para olha-lo. Treize se aproximou da cama onde o humano

parecia dormir e observou seu rosto por um momento. Os traços suaves a pele clara, os

cabelos loiros, enfim, o retrato de um anjo. O vampiro mais velho fechou os olhos por

um momento, tentando encontrar os pensamentos do humano na cama. Trowa se virou e

observou Treize. Ele sabia o que o outro estava tentando fazer, ele também tentara, mas

não tivera resultado.

- Eu já tentei e não conseguiu que ele me respondesse. É como se a mente dele

não estivesse presente, embora eu saiba que ele me ouve.

- Não se preocupe. Ele vai responder quando puder.

- É eu sei, mas a espera é pior do que se soubesse que ele nunca mais

responderia.

- Há uma forma de ajudar na recuperação dele, mas não sei se você vai querer

ouvir.

- Se isso é para ajuda-lo estou disposto a ouvir.

- Você poderia dar seu sangue a ele.

- Meu sangue!?

- Sim...duas ou três doses no máximo, apenas o suficiente para fortalecer e

ajudar o organismo de Quatre a restabelecer-se mais rápido.

- Mas como isso iria ajuda-lo Treize?

- Não é uma prática muito utilizada pelo nosso clã, uma vez que os humanos

que bebem o sangue de um vampiro acabam tornado-se dependentes dele

após a quarta dose. Muitos clãs realizam esta prática a fim de manterem

humanos como escravos de suas vontades.

- Eu não poderia fazer isso com Quatre.

- Eu sei Trowa, mas você dará a ele apenas o suficiente para ajudá-lo, não para

escravizá-lo.

- Mas...

- Não se preocupe eu jamais ofereceria esta alternativa se ela prejudicasse o

humano.

- Eu sei Treize, desculpe-me.

- Tudo bem, sei como deve estar se sentindo. Ele se sentirá diferente por

alguns dias, mas depois que o corpo de Quatre absorver completamente seu

sangue, ele estará como se nunca tivesse tomado-o.

- Tem certeza?

- Absoluta.

- Você quer esperar que ele acorde para dar-lhe o sangue?

Trowa fechou os olhos e pensou por alguns minutos nas possíveis conseqüências e

resultados. Ele não queria contaminar Quatre com seu sangue, mas ele faria? Ele tinha a

obrigação de que fazer alguma coisa para ajudar seu anjo a se recuperar mais

rapidamente. Trowa ainda estava decidindo se aceitava ou não a idéia de Treize quando

ouviu uma voz suave e cálida em sua mente, que aqueceu e acalmou seu coração.

[i]

"Trowa faça o que tiver que fazer"

"Quatre eu não...

"Você não vai me contaminar, portanto não há com o que se preocupar meu amor. Eu

confio em você"

"Está bem, eu farei".

[/i]

Trowa abriu os olhos e se virou para Treize.

- O que tenho que fazer?

- Se ele estivesse acordado seria mais fácil, bastaria darmos o sangue para que

ele bebesse. Como não sabemos quando ele irá acordar sugiro aplicar o

sangue diretamente.

- Tudo bem, que seja.

Treize sorriu e se concentrou procurando pela presença de Kimitsu dentro do castelo.

Assim que o encontrou falou com ele mentalmente.

[i]



"Kimitsu."

"Sim, Sr Treize."

"Traga o que for necessário para se fazer uma transfusão."

"Como quiser senhor Treize."

[/i]

Kimitsu parou o que estava fazendo e foi até aonde guardavam os medicamentos, em

busca de seringas, agulhas e tudo o que fosse necessário para a transfusão. Alguns

minutos depois ele batia na porta do quarto de Trowa. O moreno abriu a porta e voltou

para junto de Quatre. Treize disse a Kimitsu o que eles pretendiam fazer e ele preparou

tudo o que seria necessário.

Assim que eles estavam prontos Kimitsu se aproximou de Trowa e tomou um de seus

braços, dobrando a manga da blusa e amarrando um pedaço de elástico grosso para

prender o fluxo de sangue, para em seguida introduzir uma agulha no braço esquerdo do

vampiro e outra no braço direito de Quatre. Trowa olhou para o recipiente que recebia

seu sangue, o mesmo que logo passaria para seu anjo. Treize observou a retirada do

sangue e quando chegou a uma determinada quantidade ele informou a Kimitsu que

começasse a transferir para Quatre. O sangue começou a subir por um tubo fino em

direção a agulha enfiada no braço do humano. Trowa observava tudo em silêncio.

- Já é o suficiente Kimitsu.

O elástico e a agulha, foram retirados do braço de Trowa, mas o sangue continuava a

escorrer, até o vampiro se concentrar e fazê-lo parar. Logo depois Kimitsu retirou a

agulha do braço de Quatre, colocando um pedaço de algodão sobre o local e dobrando o

mesmo.

Trowa sentia-se cansado, e sabia que era devido aos acontecimentos e a ligação que

tinha com Quatre, e isso não passou desapercebido por Treize. Não havia muito o que

fazer agora a não ser aguardar.



- Descanse um pouco Trowa.

- Quando meu sangue começará a agir no organismo dele.

- Em breve. Se ele não acordar em doze horas faremos o procedimento

novamente.

- E se ele acordar?

- Então ele tomará o sangue da maneira tradicional.

- Hn. Tudo bem, não temos outra escolha mesmo. Obrigado Treize.

- Não foi nada Trowa.

Depois que Treize e Kimitsu deixaram o quarto, Trowa se deitou ao lado de seu anjo, o

puxando para mais perto de si, e o abraçando pelos ombros. Agora somente restava

esperar e torcer para que tudo desse certo.

******

Enquanto isso na torre do castelo:

Heero olhou Duo, que dormia em seus braços, e depois para janela. Em poucas horas o

sol nasceria e ele não desejava está na torre quando isso acontecesse. Heero se levantou

com cuidado para não acordar o humano e caminhou até a porta, abriu-a retornou a

cama. Enrolou Duo nos lençóis, o tomando em seus braços. Ele saiu e desceu as

escadas com seu amante adormecido.

*****

Treize foi até a sala de leitura, onde encontrou Cathrine e os outros conversando. Ele

caminhou até ela e a beijou suavemente.

- Oi minha adorada.

- Como está Trowa?

- Cansado, mas acho que ele estará melhor amanhã. Vamos subir?

- Sim, vamos.

- Sally, Marco, tenham uma boa noite.

- Vocês também.

- Boa noite Sr Treize, Cathrine.

****

Ao chegar lá embaixo, Heero manteve Duo preso junto ao seu corpo, com apenas um

dos seus braços, enquanto abria a porta com o outro. Ele caminhou até a escada que

levava ao andar superior, encontrando-se com Cathrine e Treize que subiam. Eles viram

que Duo estava dormindo nos braços de Heero, com os cabelos soltos, sendo que uma

parte caindo por sobre o ombro direito.

- Olá Heero.

- Cathrine, Treize... onde estão Trowa e os outros?

- Sally e Marco ainda estão conversando e Trowa chegou com Quatre a algum

tempo.

- Quatre? Aconteceu alguma coisa com o humano?

- Sim Heero aconteceu. Não sabemos os detalhes, Trowa não quis nos contar.

Ele saiu pouco depois de vocês terem ido para a torre e voltou com Quatre,

mas o fato é que parece que o pai de Quatre descobriu sobre os dois e não

gostou muito.

- Ele chegou ferido e desacordado nos braços de Trowa.

- Ferido? E como está Trowa?

- Cansado e aborrecido por não ter conseguido evitar o que aconteceu com

Quatre.

- Entendo. Eu vou...

- Hee-chan...

O rosto de Heero ficou ligeiramente vermelho quando Duo murmurou carinhosamente

seu nome, enquanto esfregava o rosto em seu peito. Treize e Cathrine olharam para o

humano e depois para Heero e não puderam evitar de rir.

- Hee-chan?

- Hn. Eu vou levar esse baka para o meu quarto antes que ele acorde. Depois

vou passar no quarto de Trowa para ver como eles estão. Tenham um bom

descanso.

- Você também Hee-chan.

- Hn.

- Boa noite Heero.

Cathrine não pode evitar provocá-lo, chamando-o da mesma forma que o humano havia

feito. Heero ficou novamente vermelho por causa de Cathrine, que foi puxada por

Treize.

Heero olhou para Duo e sorriu. Ele não podia negar que havia gostado da forma como o

humano o chamou enquanto dormia. Ele terminou de subir as escadas e entrou no seu

quarto colocando Duo na cama. Heero beijou seus lábios delicadamente para não

acorda-lo e ganhou um suspiro satisfeito. Deixando o quarto, foi em direção ao aposento

de Trowa. Ele bateu na porta e entrou encontrando o companheiro deitado, com Quatre

em seus braços.

Trowa viu Heero se aproximando e olhou para seu anjo que ainda dormia. Heero podia

ver os ferimentos no rosto do humano quando parou ao lado da cama.

- Como ele está?

- Ainda desacordado.

- Ele já fez algum contato mental?

- Sim, apenas uma vez antes de eu injetar meu sangue nele.

- Você deu seu sangue a ele?

- Treize disse que o ajudaria a se recuperar mais rapidamente.

- Hum...já ouvi falar sobre isso. Notou alguma mudança?

- Até o momento não. Treize disse que não seria uma melhora imediata, mas

será muito mais eficiente se deixarmos por conta do próprio organismo dele.

- O que pretende fazer agora?

- ...

- Trowa?

- Eu não sei Heero. Mantê-lo aqui comigo, pra começar... O pai dele não vai

aceita-lo de volta, não depois que ele descobriu o que eu sou.

- Ele sabe sobre sua verdadeira natureza?

- Sabe.

Heero respirou fundo e começo a andar pelo quarto enquanto pensava. Ele se aproximou

da janela e olhou para o céu que começava a clarear. Trowa observava Heero quando se

lembrou da sensação incomoda na volta ao castelo.

- Heero.

- Hn.

- Lembrei-me de uma coisa que senti quando estava voltando.

- Então você também sentiu.

- Nosso tempo acabou.

- Sim, ela está próxima. Eu posso sentir isso.

- Na cidade.

- Sim. Amanhã conversaremos com Treize e os outros. William deverá chegar

ao final do dia com os Maganac. Começarei os treinos com Duo pelo meio

da manhã. Infelizmente é apenas isso que podemos fazer no momento.

- O que acha que ela fará quando descobrir sobre Duo?

- Nada não vou permitir que ela se aproxime dele. Descanse agora, falaremos

logo mais.

Heero deixou o quarto de Trowa e encostou-se na porta. Ele não permitiria que ela se

aproximasse da única coisa boa que acontecera em sua imortalidade, mesmo que

precisasse prende-lo dentro do castelo. No que dependesse dele, ela jamais tocaria no

humano.

[i]

"Eu sei o que ela fará se descobrir sobre Duo: vai tortura-lo lentamente e depois

mata-lo por ter se aproximado de mim. Ela me julga sua propriedade e matará

qualquer um que fique no seu caminho. Qualquer um.

[/i]

Heero foi para o seu quarto e fechou a porta, observando por alguns minutos a figura

que dormia em sua cama. Ele se aproximou e deitou-se ao lado, puxando seu amor para

mais perto. Duo resmungou alguma coisa e logo em seguida se aconchegou ao corpo do

outro, enterrando a cabeça no pescoço de Heero.

[i]

"Amanhã eu me preocupo com isso. A única coisa que desejo agora é adormecer ao

lado do meu Shinigami e somente isso. Eu vou protejo-lo custe o que custar. Ela jamais

tocará em você...eu prometo".

[/i]



Heero beijou os cabelos de Duo e procurou dormir um pouco. Brevemente ele teria que

levantar e começar a se preparar para o confronto com Relena. Um confronto que ele

sabia ser inevitável.

Continua.....



Agardecimentos a Dhandara pela ajuda e a Lien Li pela betagem.



Obrigado a todos os comentários. Estou aguardando mais.



[b][1][/b] Glole é a forma como são conhecidos os vampiros na Turquia e nos paises

Árabes.