Lábios de Sangue
Capitulo 13 – Um Encontro com o Mal
Duo se atirou para dentro do hotel sem pensar sobre as conseqüências de seus atos, a única coisa em que pensava era que não deixaria que Noin virasse alimento para criaturas como Relena. Quando entrou o local estava na mais completa escuridão, sabia que não estava sozinho, mas a única coisa que conseguia ouvir era sua própria respiração e seu coração batendo descontroladamente. Ele estava parado no meio do lobby do hotel, deveriam ter funcionários na recepção, mas não havia nada alem de silêncio e escuridão, a única claridade visível e a que vinha da entrada. Ele começou a caminhar devagar em direção as escadas que davam para a parte superior do hotel, quando a porta atrás de si se abriu de súbito clareando o ambiente. Makoto tinha acabado de entrar no hotel, atrás daquele que deveria proteger. Duo quase gritou de susto, ele colocou a mão contra o peito e pretendia dizer-lhe para não fazer isso novamente, pois o havia assustado, mas antes que tivesse a chance de dizer, algo o agarrou por trás e o jogou por cima do balcão da recepção. Suas costas bateram contra o vidro da parede e ele caiu no chão atrás do balcão.
Sons de tiros foram ouvidos do lado de fora. Quatre fez menção de querer entrar, mas Rashid colocou a mão em seu ombro o impedindo de ir até lá. Ao ouvir os tiros Wu-Fei correu em direção ao hotel segurando sua espada nas mãos, ele não sabia exatamente o que estava acontecendo, mas sabia que Duo precisava de ajuda e isso era o suficiente para ele. Antes que Wu-Fei entrasse Quatre o chamou.
- Wu-Fei!
Wu-Fei parou e olhou para Quatre que tinha o olhar preocupado e indeciso como se estivesse indeciso sobre alguma coisa. Ele viu um carro preto parado a poucos metros de Quatre e Rashid, viu quando dois homens saíram de dentro do veiculo, vestidos com ternos pretos e usando óculos escuros. Um deles tinha os cabelos castanhos escuros e outro cabelos pretos e com barba espessa, ambos traziam nas mãos uma espada e uma besta. Quando voltou seus olhos para Quatre os dois homens haviam desaparecido. Ele procurou ignorar o fato e prestar atenção ao que Quatre que lhe dizia.
- Tenha cuidado com o que se esconde na escuridão. E não confie em seus olhos apenas o que diz seu coração.
Wu-Fei achou estranhas as palavras do árabe, mas decidiu atentar para o que elas diziam, sabia que ele não as diria se não fosse importante, ele correu e parou, os dois homens que tinha visto saindo do carro há poucos instantes já estavam na porta do hotel se preparando para entrar. Quatre percebeu que os dois homens que simplesmente tinham aparecido na entrada do hotel haviam passado por Wu-Fei, na verdade ele não os viu completamente, mas conseguiu notar dois vultos passarem e pararem na entrada do hotel, devido ao sangue de seu amado em seu corpo. Ele franziu o cenho como eles haviam chego antes de Wu-Fei a entrada uma vez que o chinês estava muito a frente deles, foi então que sentiu a presença deles e soube o que eram e por que estavam ali. Os homens entraram e Wu-Fei olhou para Quatre que sacudiu a cabeça como se dissesse que estava tudo bem, que ele poderia seguir os homens que tinham acabado de entrar, o chinês entrou no hotel e a cena que viu não era das melhores.
Makoto atirou no vampiro que tinha agarrado Duo por trás e o jogado por cima do balcão, no entanto o lugar estava escuro demais e o vampiro se movia muito rápido. Ele não conseguiu atingi-lo, ele recarregou a pistola e procurou se aproximar do balcão para ver se o rapaz estava bem, mas um vampiro de cabelos pretos pulou na sua frente bloqueando o caminho, ele sabia que não podia muito contra a criatura, ainda assim era seu o dever de proteger o rapaz, ele descarregou o pente da pistola no peito do vampiro. O vampiro colocou a mão no peito e caiu Makoto suspirou e mal deu um passo o vampiro estava de pé novamente rindo enquanto o ferimento em seu peito cicatrizava.
- Humano tolo achou que isso iria me matar.
Duo se levantou do chão seu corpo doía e suas costas estavam cortadas pelo vidro, morrendo de raiva, ele se levantou e olhou na direção de Makoto onde um vampiro o estava segurando pelo pescoço. Duo começou a tatear o chão com as mãos procurando por algo que pudesse usar para ajudar o segurança e a ele mesmo. O vampiro que agarrara Duo pela cintura voltou a se esconder nas sombras e ficou observando de longe os movimentos do humano. Podia sentir o cheiro de sangue das costas do humano, mas ele tinha ordens de não feri-lo gravemente, apenas de provoca-lo para ver suas reações, no entanto eles não tinham ordens à cerca do outro humano que entrara com ele. Ele olhou para o vampiro que agarrara o humano pelo pescoço ao que parecia, teria sangue fresco e carne quente para o café-da-manhã fora à humana levada a presença de Relena.
Duo encontrou alguns lápis de madeira, ele pegou alguns e colocou no bolso da calça. Eles não causariam muito dano, mas causaria algum tipo de dor e isso já era o suficiente. Então sua mão passou por cima de um pedaço de caco de vidro quebrado, abrindo um corte superficial em sua mão, sabia que as criaturas já deviam ter sentido o cheiro de seu sangue. Ele sorriu e agarrando o pedaço de vidro, pulou sobre o balcão cravando o espelho nas costas do vampiro que soltou o segurança. O fato de ter segurado o vidro com força nas mãos fez aumentar o corte fazendo sua mão sangrar. Duo procurou ignorar a dor e recuou quando o vampiro se virou.
O vampiro olhou para Duo com seus olhos vermelhos transbordavam de raiva, ele se encaminhou em direção ao humano disposto a mata-lo ignorando as ordens de Relena que os havia mandado apenas testa-lo. Duo recuou um passo pelo olhar do vampiro sabia que seu pescoço estava no menu da criatura, no entanto a criatura parou e sorriu, Duo sentiu algo atrás de si e parou de recuar, algo frio tocou seu pescoço e ele girou o corpo socando o ar atrás de si. Uma risada fria ecoou na escuridão logo acima de sua cabeça ele olhou para o alto e sentiu alguém caindo sobre si. O vampiro que havia atacado Makoto se voltou novamente para atacar o humano, mas antes que tivesse tempo para processar o que estava acontecendo teve sua cabeça cortada pela lâmina de uma espada. O segurança viu quando a cabeça do vampiro voou, pela velocidade e precisão do golpe soube que seu salvador era um vampiro, o outro de cabelos castanhos escuros que o acompanhava se abaixou e perguntou como estava.
- Você está bem?
- Sim obrigado. Quem são vocês?
O homem de cabelos e barba preta caminhou em direção ao vampiro que tinha imprensado o humano de cabelo comprido contra o chão, ele podia sentir o cheiro do sangue e soube que o humano estava ferido. Duo dava socos no lado do corpo do vampiro que apenas ria, sua mão doía e o sangue escorria por ela, o vampiro parou de rir ao sentir outras duas presenças dentro do hotel e olhou na direção da entrada e viu dois vampiros que não conhecia, um outro humano com um rabo de cavalo ajudando o outro humano que seu parceiro atacava. Ele notou a cabeça do vampiro caída no chão. Duo sentiu seu corpo se erguido e o vampiro segurar seu corpo contra o dele segurando-o pelo pescoço. Duo olhou na direção da entrada e viu Wu-Fei junto a Makoto e outros dois homens que identificou com sendo vampiros pelos olhos avermelhados caminhando em sua direção. Duo pegou um dos lápis e enfiou no olho do vampiro que o segurava. O vampiro gritou e o jogou contra as escadas. Duo bateu as costas com força e sentiu uma dor aguda. Wu-Fei viu quando Duo foi jogado com violência contra a escadaria e correu para ajuda-lo. Duo se levantou com dificuldade, ajudado por Wu-Fei, vários fios de seu cabelo havia escapado da trança por causa da luta, ele procurou recuperar o fôlego fechando os olhos por alguns segundos. Quando os abriu o lobby estava repleto de vampiros que bloqueavam a saída, a situação não estava nada boa.
No castelo dos Khushrenada:
Heero estava apreensivo, ele sentia que algo estava acontecendo. Duo estava em perigo ele sabia disso, ele sentia isso. O vampiro se levantou deixando o quarto decidido a encontrar Duo, assim que abriu a porta deu de cara com Trowa que parecia tão apreensivo quanto ele. Trowa sabia o que estava acontecendo, havia sentido o medo e a preocupação de Quatre. O que e quem haviam encontrado e o que Duo havia feito e onde ele se encontrava no momento. Ele tinha que avisar Heero sobre isso, mas antes que tivesse a oportunidade de faze-lo Kimitsu apareceu no topo da escada.
- Senhor Yuy.
Ele não precisou dizer o que queria. Eles haviam sentido as presenças. O clã Maganac havia chegado. Heero olhou para Trowa ele precisava saber se Duo estava bem. Trowa sacudiu a cabeça e saiu.
- Eu já sei Kimitsu. Avise a Treize, por favor.
- Sim senhor.
Na cidade:
Eles se agruparam no centro do lobby, cada um com as costas viradas para o outro formando um circulo. O vampiro de cabelos castanhos escuros entregou seu sabre a Duo que o aceitou de bom grado.
- Obrigado.
- De nada.
- Duo você tem idéia do que você fez.
- Desculpa Wu-Fei não queria que você descobrisse dessa forma.
- Como vamos sair daqui?
- Da mesma forma que entramos.
- Mais a entrada esta ocupada no momento.
- Eu não saio daqui sem a Noin.
- A humana já deve estar morta.
- Que seja eu não saio sem o corpo dela.
- Maxwell!
- Eu não vou deixar Relena ficar com o corpo dela.
De repente um grito foi ouvido no andar de cima. Duo sem pensar correu em direção as escadas Wu-Fei tentou detê-lo, mas um vampiro se colocou na sua frente. Estava tudo escuro, no entanto Duo continuou a subir as escadas, ele sabia que estava sendo guiado por alguma coisa. Ele segurou firmemente o sabre com a mão direita, pois a esquerda estava coberta de sangue. Duo sentia um cheiro podre no ar. O cheiro de carne estragada, ele abriu uma porta no terceiro andar. Ele viu o corpo de Noin caído no chão e correu até ela, soltou o sabre e se curvou pra verificar se ela ainda estava viva, foi com alivio que ele sentiu o pulso dela. Então ele ouviu uma voz atrás de si.
- Ela ainda esta viva. Não se preocupe.
Duo estendeu a mão para pegar o sabre, mas ele não estava mais no lugar, estava nas mãos da criatura que o visitara no castelo. Dois vampiros com longos cabelos ruivos o seguraram pelos braços o afastando de Noin, então ela apareceu. Os cabelos compridos e claros, vestindo um vestido claro de um tecido suave. Ela tocou o rosto de Noin e sorriu para Duo.
- Se afaste dela.
- Por que? O que você vai fazer se eu não me afastar. Vai me matar Duo.
No castelo:
Heero e Treize estavam em um dos salões do castelo que possuía uma mesa redonda com dez lugares, os dois lideres do Maganac Abdul e Ahmad assim como outros quatro vampiros que vieram com eles estavam reunidos ao redor da mesa. Heero havia estranhado a ausência de Auda um dos lideres do clã Maganac.
- Onde esta Auda?
- Ele ficou na cidade por algum motivo.
- Auda pediu desculpas, mas parece algo chamou sua atenção e ele decidiu ver o que era.
- Ele é um irresponsável, afinal...
- Ahmad os assuntos de Auda não nos dizem respeito. Sinto pela ausência de meu irmão Heero.
- Tudo bem. Creio que vocês gostariam de descansar um pouco antes de conversarmos, assim quando Auda chegar conversaremos melhor.
- Que seja. Viajar de dia não me agrada muito.
- Tenho certeza de que não agrada a nenhum de nossa espécie Ahmad.
Ahmad resmungou e respondeu com desagrado a Abdul.
- Auda não parece se incomodar com isso.
Abdul ignorou o comentário de Ahmad como costumava fazer para evitar discussões sem sentido típicas do irmão e voltou sua atenção do shuhan dos Khushrenada. A seus olhos Heero era exatamente o que o vampiro enviado pelos Khushrenada havia dito, sério, olhos frios e inteligentes e uma força que parecia envolve-lo. Heero era sem dúvida em sua opinião um vampiro que merecia seu respeito, mesmo sendo tão jovem. Abdul se curvou ligeiramente a Heero enquanto falava.
- Heero nós agradecemos sua hospitalidade.
- Fico feliz em recebe-los Abdul.
Ahmad não sabia o por que de Treize Khushrenada ter escolhido um vampiro tão jovem e que ainda por cima pertenceu ao Peacecraft. Pelo que conhecia do antigo shuhan dos Khushrenada, ele era um vampiro inteligente e distinto, mas em sua opinião havia errado seriamente em colocar Heero Yuy como o novo shuhan de seu clã. Se o que o mensageiro havia dito fosse verdade Ahmad não se sentia ainda confiante na liderança de Heero a frente dos Khushrenada. Ahmad decidiu saber se o novo shuhan dos Khushrenada havia pelo menos encontrado a figura que falava a profecia, senão a vinda dele e dos outros tinha sido inútil.
- Diga me apenas uma coisa Heero. O escolhido que diz a profecia foi encontrado pelo seu clã.
- É verdade William não soube nos dizer isso, quando foi nos procurar.
- Sim ele foi encontrado.
- E onde esta ele?
Heero não estava gostando nem um pouco da maneira como Ahmad falava, com sarcasmo, arrogância, como se estivesse entediado com alguma coisa e como se falasse com um vampiro qualquer. Heero não queria dizer que não sabia onde Duo estava, sabia que isso seria apenas mais um motivo para Ahmad reclamar e no momento Heero não estava com disposição para aturar o humor de Ahmad, mesmo Treize já o tendo prevenido quanto a isso. Treize sabia que algo estava acontecendo uma fez que Trowa não estava presente e Heero parecia um tanto preocupado.
- Duo teve que resolver alguns assuntos Ahmad, mas ele devera estar conosco mais tarde.
- Não me diga que ele esta "descansando" do sol enquanto nós estamos conversando. Não sabia que os vampiros do seu clã tinham esse costume, quer dizer quando Treize era o shuhan do Ichizoku dos Khushrenada nunca vi isso acontecer.
Heero teve que se controlar para não responder o que queria, Ahmad deliberadamente estava dizendo que Duo estava se escondendo do sol por ser um vampiro. E que os vampiros do clã dos Khushrenada haviam se tornado covardes devido a sua liderança. Abdul olhou para Ahmad o repreendendo ele estava ofendendo o shuhan dos Khushrenada com suas insinuações. Ele se virou para Heero e se curvou em sinal de desculpas.
- Perdoe meu irmão shuhan. Ele não teve a intenção de faltar-lhe com respeito.
- Ele teve Abdul. Esta claro que seu irmão não compartilha de sua opinião a meu respeito, e que a nova liderança dos Khushrenada o desagrada. Mas esta tudo bem, embora eu diga que os membros do meu clã enfrentariam a luz do dia no momento que quiserem e quando for necessário.
- Então você me diz que não é necessário que o escolhido esteja presente para nos receber.
- Ahmad!
- Seria se ele vive sob leis dos Khushrenada.
- Então...
- Se permite terminar Ahmad. Duo não esta presente, por que não pedi a ele que estivesse e ele AINDA não conhece as leis dos Khushrenada pela simples razão dele não ser um vampiro, mas humano.
- O escolhido é um humano!
- Sim Duo é humano e quando Auda chegar e estivermos todos presentes ele será apresentado. Enquanto isso vocês poderão descansar da viagem se me dão licença.
Heero se retirou do salão deixando Treize e os outros sozinhos. Ele pode ouvir a voz de Ahmad reclamando sobre o fato do escolhido ser um humano. Ele chamou Kimitsu e pediu que mostrasse os aposentos aos convidados, ele foi para seu quarto, sua mente não conseguia pensar em outra coisa que não fosse em Duo.
"Onde você esta Duo? O que esta acontecendo? Por que sinto como se o estivesse perdendo?"
Enquanto isso no hotel da cidade:
Duo tentou se soltar os braços das mãos dos vampiros que o segurava, um deles lambeu sua mão esquerda que estava ensangüentada e sorriu. A criatura se aproximou e colheu o sangue que escorria da mão do humano se mantendo ao seu lado. Relena se aproximou e passou a mão pelo rosto do humano e por seus cabelos. Ela foi para trás de Duo e segurou a longa trança nas mãos. Duo se mexeu e sentiu que seu cabelo ser puxado para trás com violência o fazendo emitir um gemido que causou um sorriso no rosto de Relena. Ela ficou novamente em frente ao humano e entregou algo a criatura que sumiu na escuridão do quarto.
- Tenho que admitir que você foi corajoso Duo, mas burro. Eu não tenho a menor pretensão de deixa-lo ir.
- Vai me matar?
- Não sei. Eu tenho paixão pelas coisas belas, e você é belíssimo Duo. Tanto quando o meu Heero.
- Ele não é seu!
Relena riu e se afastou se aproximando de Noin novamente. Duo a olhava com raiva, sabia que apenas um milagre os tiraria dali com vida. Ele estava com medo, queria pensar em Heero mais não conseguia a criatura de olhos dourados parecia controlar sua mente, confundindo seus pensamentos. Ele sentia medo, medo que seus amigos pagassem pela sua imprudência, medo de não voltar a ver Heero novamente, mas ele não daria a Relena o gosto de saber o que ele estava sentindo. Mas Relena sabia, ela podia sentir o cheiro do medo no humano e isso a excitava.
- Eu sinto seu medo. E isso me excita. Eu poderia torna-lo um de nós, poderia dar-lhe o que quisesse. Bastaria apenas me pedir.
- Eu não quero nada de você sua bruxa.
- Não deveria ser tão rápido em sua decisão Maxwell. Façamos um trato.
- Não existe nada que eu queira de você.
- Nem a vida de sua amiga. Você se arriscou tanto vindo até aqui por ela.
Relena levantou o corpo de Noin e lambeu o pescoço da humana, suas presas cresceram e pressionaram a carne da jovem desmaiada. Ela precisava trazer o humano para seu lado, era o único meio de reaver Heero e conseguir trazer o escolhido para as trevas. Duo sabia que se não fizesse algo Relena mataria Noin.
- Que trato?
Relena sorriu e soltou o corpo de Noin no chão se aproximando de Duo. Ela se inclinou em seu ouvido e sussurrou algo. Duo fechou os olhos e lágrimas rolaram por eles, ele não poderia fazer isso, mas se não aceitasse Noin morreria. Não havia meio de saber se Relena cumpriria sua parte no trato, não... ele sabia ela nunca o cumpriria, mas no momento ele precisava aceitar o acordo. Relena sabia que o humano aceitaria apenas por causa da humana, mas esse seria apenas o começo, o humano pertenceria a ela assim como Heero. Ela lambeu o nódulo da orelha de Duo perguntando.
- Então você aceita humano?
- Eu não tenho escolha não é.
- Não se quiser sair vivo daqui com ela.
- Meus amigos sairão comigo.
- E por que eu os deixaria ir.
- Por que senão eu não aceito o seu trato.
Relena se afastou e olhou nos olhos do humano. A beleza deles era impressionante, ela jamais encontrara outro humano com olhos tão belos, ela precisava tê-lo. Ela tocou os músculos do braço do humano, deslizando suas mãos, pelo corpo firme. Duo teve que se controlar para não tremer em repulsa. Ela inclinou sua cabeça para frente e beijou o pescoço dele, enquanto segurava sua cintura com as mãos, Duo tentou se afastar, mas os vampiros o mantinham preso, ela cravou suas unhas na cintura dele o fazendo gritar. E ela tomou os lábios dele entre os seus. Lágrimas voltaram a cair dos olhos do humano. Ele estava traindo Heero permitindo que ela o tocasse. Ele não correspondeu ao beijo, mas isso não a impediu de invadir-lhe a boca com sua língua.
Do lado de fora do hotel:
Trowa e os outros estavam se aproximando da cidade, ele precisava chegar a tempo ou ele jamais poderia encarar Heero novamente. O carro voava pela estrada, procurando chegar o quanto antes. Quatre podia sentir Trowa se aproximando, ele se virou em direção à praça no centro da cidade, ele levou sua mão ao peito. Quatre podia sentir que a situação para os amigos dentro do hotel não era das melhores, o árabe notou o carro parado a poucos metros dele, podia sentir a presença não-humana dentro do veiculo. Rashid ainda segurava o ombro do jovem árabe e olhou na direção que o pequeno mestre olhava. Então um carro preto surgiu da praça e um sorriso se formou nos lábios de Quatre. O árabe olhou para Rashid.
- Trowa chegou.
- Acha que eles ainda...
- Sim Rashid Duo e os outros ainda estão vivos.
Assim que o carro parou, Trowa desceu e tomou o árabe em seus braços, ele cumprimentou Rashid e olhou para o hotel, ele podia sentir as presenças dentro do edifício. Trowa então se voltou e olhou na direção do carro preto, ele soltou-se de Quatre e caminhou até o carro. Quando estava a poucos metros o vidro do carro baixo e um homem de cabelos negros o cumprimentou. Trowa o recolheu como sendo um dos lideres do clã Maganac.
- Auda.
- Você deve ser o Sr Barton eu presumo.
- Sim, por que....
- Melhor ajudar o humano dentro do hotel, ele não durara muito, não enquanto estiver com Relena.
- Ela esta com Duo?
- Sim no terceiro andar, ela esta para fazer algo terrível.
Duo sentiu que ela começava a abrir sua blusa, sabia o que aconteceria, e não poderia impedir. Relena deixou os lábios do humano e sorriu ao ver que ele chorava mesmo mantendo o olhar frio e cheio de ódio. Ela continuou a abriu a blusa dele sem desviar seus olhos dos do humano, a criatura procurou chamar a atenção de Relena, mas ela a ignorou deliciada com o tormento que via nos olhos do humano.
- Tão lindo.
- Senhora...
- Cale-se não vê que estou ocupada.
- Mas....
Trowa correu para a lateral do prédio, todas as janelas do terceiro andar estavam fechadas, se Duo estivesse realmente naquele andar e com Relena ele não tinha muito tempo. Quatre seguiu Trowa.
- Ele esta na primeira janela. Foi onde ela apareceu.
- Você a viu?
- Sim, era Relena, eu sei por que você a conhece e...
- E o que eu sei você sabe. Marco!.
Trowa gritou pelo vampiro que correu até onde ele estava. Trowa olhou para a janela, se ela estava naquele quarto, isso significava que a varanda do terceiro andar pertencia aquele aposento. Ele olhou para a varanda, ela possuía duas portas de madeira que deveriam abrir para fora, mas seria possível, arranca-las. Trowa indicou a varanda a Marco.
- Acha que é possível arrancar aquelas portas daqui?
Marco olhou por alguns segundos. Usando uma determinada força seria possível arranca-la, ainda mais se tivesse ajuda.
- Sim, mas vou precisar de ajuda.
- "timo eu, você e François iremos arranca-la e vamos torcer para que Relena ainda tenha aversão pela luz. Aliandro!
- Sim Sr Barton.
- Quero que você e Christine quebrem aquela primeira janela do terceiro andar ao meu sinal, quebraremos ao mesmo tempo a janela e a porta da varanda.
- Sim senhor.
Marco pegou dentro do carro um arco com três disparadores, ele armou e disparou contra a porta da varanda. As três flechas acertaram o alvo, na ponta de cada uma estava presa uma corda. Marco pegou uma ponta, François uma e Trowa pegou a outra. Aliandro e Christine fizeram o mesmo na janela, ao sinal de Trowa eles começaram a puxa-las. A janela começou a ranger, assim como a porta da varanda, tanto a janela como as portas começaram a se partir e despencaram. A porta da varanda voou para o chão, e a janela lateral do quarto teve o mesmo fim. Trowa disse aos humanos que se afastassem para que não fossem atingidos pela porta que caia.
Relena se virou para olhar a mulher que a atrapalhava. A criatura se curvou e se escondeu nas sombras novamente, Relena voltou seu olhar para o humano. Um barulho foi ouvido despertando a atenção de Duo, logo depois uma claridade inundou o quarto, Relena se afastou quando um brilho cegou seus olhos, ela berrou e se escondeu nas sombras, os outros dois vampiros que o seguravam também se esconderam. Duo olhou para a janela que havia sido puxada pelo lado de fora, ele olhou para o peito e viu o que a havia assustado. Ele se levantou ignorando as dores no corpo, pegou Noin no colo e saiu correndo pelas escadas. Ele ainda pode ouvir a voz de Relena em sua mente antes de deixar o quarto.
"Não adianta se esconder humano. Eu já tenho o que preciso e logo você será meu assim como Heero voltara para mim."
Quando Duo chegou no térreo encontrou Wu-Fei e os outros lutando com um dos vampiros a luta parecia estar equilibrada, mas eles tinham que sair dali. Duo tentou falar com Quatre sabia que o amigo poderia ouvi-lo, o sangue de Trowa ainda estava em seu organismo, mas se surpreendeu ao ouvir Trowa. Quando o vampiro de olhos verde tinha chegado? Ele, Marco e outros dois vampiros estavam pegando algumas armas no porta-malas do carro ignorando a multidão de humanos que se aglomeravam na rua. Milliardo viu que Quatre estava junto ao hotel, com outras pessoas que nunca tinha visto. Ele decidiu verificar o que estava acontecendo, pois segundo a balconista do Heavyarms sua noiva tinha ido até o hotel fazer uma entrega a pelo menos quarenta minutos e não havia retornado. Pessoas estavam desaparecendo da cidade e ele temia que algo de ruim tivesse acontecido a Noin.
Trowa se preparou para ir até o hotel, fazer o que Duo havia pedido, ele olhou para o humano loiro, ele ficou grato por Quatre não ter entrado, quando ouvira pelo árabe que Duo estava dentro do hotel e que Relena também estava lá dentro, ele temeu pelo humano, foi com felicidade que ouviu a voz de Duo na mente de Quatre. Ele e os outros correram para a entrada do hotel e fizeram o que o humano havia pedido. As pessoas da cidade estavam achando estranho o fato de que havia tanto barulho vindo de dentro do hotel, tiros e urros jamais ouvidos, como se feras terríveis estivessem lá dentro. Milliardo se aproximou de Quatre.
- Quatre o que esta havendo?
Quatre olhou para Milliardo como ele diria que Noin estava lá dentro, na cova de criaturas vis e cruéis. Milliardo podia sentir que algo de grave estava acontecendo não apenas dentro do hotel, mas também com a cidade, desde que aquela noite em que aquelas pessoas chegaram a cidade coisas estranhas estavam acontecendo.
- Não se preocupe tudo acabara bem. Eles logo saíram.
- Noin esta lá não é?
- Sim, Duo vai traze-la com ele.
Milliardo olhou novamente para o hotel e aguardou, ele não sabia o que estava acontecendo, mas sabia que podia confiar nas palavras do jovem árabe.
William viu o humano no alto da escada, dois vampiros estavam se esgueirando pelas paredes para ataca-lo o humano não podia vê-los por causa da pouca luminosidade do local. Ele chutou um dos vampiros que tinham lhe dado um soco e armou sua besta. E disparou contra os dois que caíram, quando as estacas perfuraram seus corpos. Duo olhou para os vampiros que haviam caído e que urravam de dor, ambos possuíam estacas presas em suas costas, ele olhou para o vampiro que o havia salvado e agradeceu com a cabeça.
Então o barulho de vidro quebrando foi ouvido, as cortinas que bloqueavam as janelas do hotel foram arrancadas por fora. A claridade da rua penetrou no lobby e eles viram quatro outros vampiros parados do lado de fora, os outros vampiros recuaram um pouco. Duo começou a descer as escadas, mas um vampiro saltou em sua frente, no entanto a cruz que Duo carregava começou a brilhar como tinha acontecido há poucos instantes. Os vampiros começaram a se dispersar e voltar para as sombras e Duo gritou enquanto descia correndo as escadas.
- Agora todos para fora.
Todos saíram do hotel. Duo carregava Noin em seus braços. Ele se ajoelhou no chão e tomou o pulso dela, que batia levemente, ele viu Milliardo se ajoelhar sua frente preocupado com o sangue que via nas roupas de Noin, ele procurou por algum ferimento quando notou o estado do amigo. Duo que estava com a mão ensangüentada, o rosto cortado, marcas de mãos no pescoço e a blusa semi-destruída era de Duo o sangue e não de Noin. Duo acariciou o rosto da amiga, seu olhar encontrou o de Milliardo que queria perguntar o que havia acontecido, no entanto Duo deu um sorriso e balançou a cabeça.
- Depois eu explico. Cuide dela agora.
- Obrigado Duo.
- Foi um prazer.
Milliardo se levantou levando Noin com ele. Duo se levantou com ajuda de Marco e chamou Milliardo novamente que parou e se virou
- Milliardo! Fique longe do hotel. Diga a todos da cidade para fazerem o mesmo.
- Por que!
- Apenas faça o que eu digo depois.
- Ok.
- Você esta bem Duo?
Duo olhou para si mesmo e para Milliardo que levava Noin nos braços e sorriu e sacudiu a cabeça.
- Estou obrigado Marco.
Quatre correu para Duo e o abraçou, Duo gemeu e caiu assustando o jovem loiro. Duo sorriu e olhou novamente para o hotel. Ele voltou seu olhar para os outros dois vampiros que os havia ajudado, o de cabelos castanhos escuros estava agora abraçado a Marco.
- Vamos embora.
Eles se levantaram e caminharam em direção aos carros. Marco e William se aproximaram de Trowa e dos outros.
- William é bom vê-lo novamente.
- Digo o mesmo Trowa.
- Vocês se conhecem?
- Sim Duo este é William Dufrés irmão de Marco.
- Fico feliz que você e seu amigo tenham parecido. Obrigado pela ajuda.
- Não nos agradeça Duo. Deve agradecer ao Sr Auda, se ele não tivesse resolvido ficar na cidade não estaríamos aqui.
- Onde ele esta?
- Naquele carro.
Duo caminhou até o carro seguido por William, Quatre, Marco e Rashid. Quando se aproximou, a porta do carro se abriu e um homem alto de cabelos e olhos escuros saltou. Ele olhou para os humanos se detendo alguns instantes em Rashid que o reconheceu.
- Obrigado por sua ajuda.
- Não há de que. Seria um desperdício permitir que ela o abraçasse. Alem do mais jamais vi um humano enfrenta-la dessa maneira, foi interessante.
- Acho que perdi a cabeça.
- Mas trouxe a humana de volta. Eu sou Auda e é um prazer conhece-lo humano.
- Obrigado eu sou Duo Maxwell é um prazer.
Duo apertou a mão de Auda, que tinha a mesma temperatura fria das mãos comum a espécie. Rashid ficou observando Auda, Quatre notou que eles se conheciam, mas não saberia dizer como. Rashid se aproximou e estendeu a mão a Auda que o abraçou.
- Já faz muito tempo Rashid.
- Sim faz Auda.
Rashid se afastou e disse que voltaria para a mansão.
- Rashid mande lembranças a minha mãe e minha irmã.
- Eu mandarei jovem mestre.
- Diga que eu as amo. E não deixe que elas ou meu pai venham à cidade.
- Farei isso.
Quatre ficou olhando Rashid caminhou em direção ao lugar que um dia chamara de lar. Trowa abraçou Quatre que se apoiou no amante. Chold tinha amarrado um pedaço de pano ao redor da mão de Duo. Duo estava cansado, dolorido e com fome. Ele apenas queria chegar ao castelo tomar um banho, comer alguma coisa e dormir. Ele pensou em Heero e no que ele deveria estar pensando neste momento. Então ele ouviu a voz preocupada do vampiro em sua mente.
"Duo o que houve?""Heero! Eu estou bem."
"Não esta eu posso sentir isso".
Eu conto assim que chegar esta bem.".
"Mas..."
"Eu te amo Heero".
"Também te amo Duo. Volte logo estou esperando".
Duo agradeceu Chold e chamou os outros.
- Vamos retornar ao castelo Heero esta esperando.
- Heero está muito preocupado com você Duo.
- Eu sei. Ele já me disse.
- Então é melhor nós irmos andando ou daqui a pouco Heero aparece por aqui.
- Acho que ele teria um infarto se estivesse vivo.
- Tenho certeza ainda mais quando vir seu estado.
Duo entrou no carro com Quatre e Trowa os demais seguiram cada um em seus respectivos carros.
Alguns minutos mais tarde
Heero já não sabia mais o que fazer andava de um lado para o outro esperando Duo e os outros, ele havia informado Kimitsu para ficar a posto, pois sabia que Duo estava machucado embora desconhecesse a extensão dos ferimentos. Foi então que sentiu varias presenças se aproximando do castelo entre elas a do humano que tanto o preocupava. Quatre olhava para Duo que tinha a cabeça encostada e olhava para a paisagem fora do carro, ele havia perguntado a Duo o que tinha acontecido dentro do hotel, mas seu amigo havia se recusado a dizer. Duo tinha o olhar triste, e não parava de sussurrar o nome de Heero como se fosse uma prece. Assim que Duo avistou a torre do castelo, ele ficou tenso, começando a ajeitar suas roupas que estavam sujas de sangue e rasgadas, não havia muito o que fazer. Heero saiu do castelo aguardando a chegada dos carros, ele viu o carro em que Duo e Quatre haviam deixado o castelo à tarde e se sentiu mais aliviado ao sentir que o humano estava dentro dele.
Antes que o carro tivesse parado Duo abriu a porta do carro e saltou ele parou alguns instantes olhando para Heero que abriu os braços, Duo correu e se jogou nos braços do vampiro soluçando. Heero teve que se controlar ao ver o estado do humano, a mão ferida, a blusa rasgada à calça impregnada de sangue. Sua mente foi assolada dos piores pensamentos possíveis. Duo fundou o rosto no peito forte do vampiro. Heero tinha o semblante preocupado e ficou ainda mais carregado ao ouvir as palavras sussurradas de Duo.
- Me perdoa Heero.
- Duo perdoa-lo pelo que?
- Me perdoa...eu...eu não...
Heero afastou o rosto de Duo e olhou em seus olhos, ele gentilmente enxugou as lágrimas claras que caiam dos belos olhos. Duo se sentia perdido, culpado e sujo, ele desviou seus olhos da íris azul cobalto, não poderia encara-lo, não era digno de faze-lo, em seu coração Duo sentia como se tivesse traído Heero.
Auda viu o momento em que o humano se jogou nos braços do vampiro. Pelas descrições de William o vampiro que estava abraçado ao humano o confortando deveria ser o novo shuhan dos Khushrenada. Quatre desceu do carro e ficou parado observando os dois, ele via seu amigo soluçando nos braços de Heero. Trowa parou atrás de seu anjo colocando as mãos em sua cintura, beijando os fios claros. Heero podia sentir o medo, a alegria, a tristeza e a apreensão de Duo. Ele tinha que saber o que havia acontecido. Duo precisava dele, e o humano era sua prioridade, ignorando todas as leis de seu clã que diziam que ele tinha que receber o ultimo do membro do Maganac. Heero passou os braços por baixo dos joelhos de Duo pegando-o no colo o levou para seu quarto. Trowa olhou para Auda que vinha em sua direção.
- Eu sinto muito Auda. E que Heero.... se preocupa muito com Duo. Ele não queria trata-lo dessa forma.
- Não se preocupe Trowa o shuhan dos Khushrenada não me ofendeu. O humano necessita de cuidados e sei que Heero saberá cuidar disso. Eu gostaria de descansar um pouco.
- Claro venha um dos empregados mostrara seus aposentos.
- Obrigado. A propósito você é Quatre Raberba Winner não é. Filho de Ahmond Winner?
Quatre olhou para Auda imaginado como o vampiro conhecia seu nome e seu pai. O vampiro sorriu e tocou o rosto de Quatre sob o olhar de Trowa. O vampiro olhou para Trowa e sorriu retirando a mão do rosto do jovem humano.
- Como sabe quem sou?
- Eu o conheço desde que era pequeno Quatre.
- Você conhece Rashid também não é?
- Sim o conheço.
Quatre olhou para Auda com atenção e viu nos olhos do vampiro algo que jamais imaginou ser possível. Ele levou a mão aos lábios e olhou para Trowa que havia compreendido. Auda achou interessante a ligação entre o vampiro e o humano, era obvio aos seus olhos que eles possuíam laços muito fortes, assim como o humano de cabelos longos e shuhan dos Khushrenada.
- Por Alá. Você é parente de Rashid não é?
Auda ficou admirado com a percepção do humano. Ele lembrava que seu irmão mais novo o havia dito o quão extraordinário era o jovem árabe. Suas habilidades em sentir as emoções das pessoas eram simplesmente impressionantes.
- Sim eu sou o irmão mais velho de Rashid.
- Incrível.
- Conversaremos melhor mais tarde meu jovem. Agora desejo descansar um pouco.
Auda passou a mãos sobre a cabeça de Quatre e seguiu um dos empregados para dentro do castelo. Treize chegou com Cathrine que abraçou Quatre, ela esteve preocupada com o jovem árabe e ficou feliz em saber que estava bem. Quatre sentiu a preocupação de Cathrine e retribuiu o abraço dela.
- Eu estava muito preocupada com você.
- Obrigado, mas eu estou bem agora.
- Fico feliz por isso. Ficamos muito preocupados quando o vimos chegar nos braços de Trowa ontem.
Quatre ficou vermelho e Cathrine beijou-lhe o rosto. Ele olhou para o vampiro de cabelos castanhos que possuía um olhar sincero e um porte elegante, nunca o havia visto antes, se bem que era a primeira vez que estava no castelo onde viviam. Trowa sentiu a curiosidade do amante e viu o olhar do jovem árabe sobre Treize e os apresentou, mesmo que intimamente Quatre já soubesse quem o outro era.
- Quatre este é Treize Khushrenada. Treize este é Quatre Raberba Winner.
- O antigo shuhan dos Khushrenada. É um prazer conhece-lo.
- O prazer é meu Quatre. Fico feliz de finalmente conhece-lo e em melhor estado que ontem.
- Concordo, obrigado por dar a Trowa a solução necessária para ajudar em meu restabelecimento.
- Foi um prazer Quatre. Eu não poderia deixar de ajuda-lo sei o que ele estava sentindo. Foi o mínimo que eu poderia fazer.
- Ainda assim obrigado.
- Como está o Duo?
- Fisicamente os ferimentos não foram muito graves, mas emocionalmente...
- Como assim Quatre?
- Ele esta muito abalado e se culpa pelo que aconteceu e veio repetindo o nome de Heero o caminho inteiro.
- Mas o que aconteceu lá dentro Trowa?
- Nem eu sei Treize. Pelo que Makoto disse Duo ficou quase vinte minutos no andar de cima com Relena.
- Muita coisa pode ter acontecido nesse meio tempo.
- Vamos esperar que Heero consiga fazer com que Duo fale o que houve.
Quatre olhou para Trowa que o abraçou ele também queria saber o que Relena havia feito a Duo para deixa-lo tão perturbado emocionalmente, mas sabia que Heero seria capaz de faze-lo falar.
Kimitsu abriu a porta do quarto para que Heero entrasse carregando Duo em seus braços, o empregado foi até o banheiro e encheu a banheira, para que o jovem pudesse se limpar de todo o sangue. Heero colocou Duo sentado sobre sua cama afastando os fios que haviam se soltado da trança, o humano ainda chorava isso fazia com que o vampiro se sentisse ainda mais culpado. Duo não sabia como contaria a Heero o que Relena havia proposto e o que ela havia feito com ele, ele sentia se culpado por ter permitido que ela o tocasse daquela maneira, ele sabia que Heero estava sofrendo, via isso nos olhos azuis dele. Heero se levantou para ver se Kimitsu já havia preparado o banho de Duo quando o humano segurou sua mão.
- Por favor eu preciso te contar uma coisa.
O vampiro olhou para o humano acariciou o rosto dele suavemente e sacudiu a cabeça.
- Kimitsu poderia nos deixar a sós, por favor, se eu precisar de alguma coisa eu o chamo.
- Sim senhor Yuy.
Heero aguardou que Kimitsu saísse e se voltou para Duo que tinha a cabeça baixa, ele sentou-se ao lado de Duo segurando a mão quente e tremula entre as suas. Ele levantou a cabeça do humano com a outra mão olhando dentro da íris violeta. O humano não precisava contar nada, pois Heero já sabia ou pelo menos achava que sabia, seus corações eram um só. Mas Heero sabia que Duo precisava colocar em palavras o que estava sentindo. O vampiro puxou o corpo do humano levemente de forma a faze-lo descansar sua cabeça em seu colo enquanto passava as mãos sobre os fios macios e longos do cabelo humano.
- Eu me encontrei com ela. Ela disse que você pertence a ela e vai voltar para ela Heero.
- Ela não pode me ter, pois eu já pertenço a você Duo, nada do que ela diga ou faça me fará voltar para ela.
- Eu entrei no hotel atrás de Noin. Eu não pensei...apenas...apenas reagi. Aconteceu o mesmo quando eu ouvi Noin gritar no andar de cima e antes que eu pudesse pensar que seria uma armadilha eu já me encontrava no andar de cima. Foi quando a encontrei frente a frente.
Heero sentiu o corpo humano estremecer ao mencionar o encontro com Relena. Sua vontade era ir até o hotel arrancar a cabeça dela e queimar o corpo para ter certeza que ela nunca mais faria mal a alguém. Mas o que ouviu dos lábios do humano era muito pior do que poderia imaginar, como ela pudera se atrever a toca-lo ainda mais propor algo tão sórdido. Seus ouvidos se recusavam a ouvir tais palavras, aquilo não poderia ser verdade, Duo parou de falar ao notar a tensão de Heero, ele começou a chorar e sua angustia aumentou ao ouvir Heero pedir que repetisse o que havia falado.
- Ela.... disse o que?
- Ela disse que a única forma de eu e Noin sairmos vivos do hotel, seria se....se...se em...em pertencer...pertencer a ela. Por que... você..você logo...me abandonaria...assim que...que vocês...se reencontrassem.
- E o que...você disse?
- ....
- Você iria concordar não é.
- Eu não vi outro meio de salvar Noin, eu...eu sabia que se...dissesse não...ela nos mataria.
- E o que faz pensar que ela não o teria feito mesmo assim.
- Eu sinto muito..eu tentei te chamar...mas eu não conseguia pensar...aquela criatura estava lá...ela entrou em minha...mente...ela me dizia para...aceitar o trato de Relena...
Heero gentilmente colocou a cabeça de Duo sobre a cama, se levantando, o vampiro foi até o armário pegou uma toalha deixando-a sobre a cama, ele acionou o mecanismo que liberava a porta para o salão onde as espadas estavam guardadas, sem se virar para Duo que chorava sobre a cama, encolhido como uma criança indefesa, ele falou para o humano tentando manter sua voz calma embora soubesse que não havia conseguido.
- É melhor você tomar um banho para limpar...o sangue em sua pele eu volto em alguns minutos para ajuda-lo a cuidar dos ferimentos.
Heero desceu as escadas sem olhar para Duo. Duo não conseguia parar de pensar que merecia isso, fora sua culpa Relena ter feito o que fez, era por sua culpa Heero tê-lo afastado dessa forma. Ele se levantou procurando ignorar a dor em seu corpo e em sua alma caminhou até o banheiro, retirou suas roupas, ele jamais as usaria novamente, cada vez que as visse lembraria do que havia feito, lembraria de como havia traído Heero, no entanto o que ele não podia imaginar é que ele faria algo ainda muito pior, e de livre vontade pelo menos em parte.
Heero tentava entender como ele não soubera disso. Por que ele não havia percebido...então se lembrou das palavras do humano, quando ele disse aquela criatura, ele deveria estar se referindo ao Necro, de alguma maneira ele estava controlando Duo, mas o vampiro não sabia como, ele não conhecia muito a cultura dos Necros. Ele imaginava que os Necros haviam sido todos destruídos a muito tempo, mas ao que parecia um deles ainda existia. O vampiro ficou por quase vinte minutos sentado na escada no meio da escuridão, mesmo sabendo que de nada adiantava ficar ali, não havia sido culpa de Duo, ele não poderia enfrentar sozinho Relena e o Necro. O humano precisava dele, sua raiva não deveria ser direcionada a Duo, mas a mulher que ousara tocar nele. Mas Heero pretendia faze-la pagar por isso. Ele se levantou e foi ver como o humano estava.
Duo havia terminado o banho, ele colocou uma calça verde escura, ele estava olhando suas costas, elas não estavam muito feridas, apenas alguns cortes que ardiam, mas nada muito preocupante, os ferimentos em sua cintura feitos pelas unhas de Relena, também não eram algo que o preocupasse, mas o corte da mão sim. Ele sentiu a presença de Heero atrás de si, se virando seu olhar encontrou o do vampiro, mas ele desviou o olhar não querendo encara-lo. Heero sentiu a raiva crescer ao ver os cortes nas costas de Duo, as marcas no pescoço claro, as marcas na cintura, ele se aproximou e viu que Duo desviou o olhar sabia que o humano se sentia culpado pelo acontecido e ele pretendia mostrar a ele que estava enganado.
- Venha Duo vamos cuidar desses machucados.
Duo caminhou até Heero cabisbaixo e sentou-se de costas para o vampiro que começou a cuidar dos machucados nas costas. Duo tentou não tremer ao sentir a mão fria de Heero, ele sempre se sentia assim cada vez que o vampiro o tocava. Heero notou que a respiração de Duo havia se alterado ele deu um meio sorriso. Terminando de cuidar das costas ele se ajoelhou no chão na frente do humano, para cuidar dos ferimentos da cintura, ele desinfetou e cobriu-os com um curativo, depois passou para a mão ferida, havia um corte um pouco profundo, mas não estava mais sangrando. Heero aplicou uma injeção que fez Duo grunhir.
- Eu vou precisar dar alguns pontos.
- Pontos?
- Sim é um corte feio, eu apliquei uma anestesia não vai doer eu prometo.
Heero deu alguns pontos e cobriu o machucado.
- Pronto eu sugiro que evite usar essa mão por algum tempo.
- Tudo bem.
- Duo.
- Hã.
- Você não teve culpa pelo que houve.
- Tive sim. Se eu não fosse tão precipitado isso não teria acontecido.
- E sua amiga estaria morta.
Duo começou a chorar novamente se levantou e caminhou até a janela, enquanto dizia sem parar que a culpa era sua. Heero tentava a todo custo fazer Duo entender que não havia sido culpa dele, mas de Relena. Entretanto Duo não queria ouvir o que o vampiro tinha a dizer, era sua culpa, ele não havia pensado e isso quase custara sua vida e a dos outros.
- Duo me escute.
- Não foi minha culpa Heero.
Heero resolver fazer a única coisa que sabia que faria com que Duo se calasse. O vampiro se aproximou do humano o abraçando por trás, suas mãos fortes deslizaram pelo corpo humano suavemente, enquanto seus lábios desenhavam a curva do pescoço e o contorno dos ombros. Heero virou o humano para si e beijou os lábios macios sedutoramente Duo tentou se afastar mais Heero o manteve preso junto a si, enquanto sua língua adentrava a caverna úmida e quente. Duo se sentia com falta de ar, Heero o estava seduzindo com suas mãos e seus lábios. O humano sentiu o vampiro massagear suas nádegas com as mãos fortes e suspender seu corpo como se não pesasse mais do que uma pena. Duo passou suas pernas ao redor da cintura do vampiro enquanto era carregado por ele para o leito.
Heero depositou Duo suavemente sobre a cama ciente de que as costas do humano estavam machucadas. Duo sentiu-se reclinado sobre a cama e estava preparado para sentir um pouco de desconforto devido as machucados quando Heero deitasse sobre ele. No entanto isso não aconteceu. O vampiro não se deitou sobre o corpo humano, mas permaneceu ao seu lado, a mão deslizando sinuosamente sobre as curvas do Deus da morte. Havia tanto carinho em cada um dos gestos do vampiro, tanto amor, tanto cuidado. Heero podia ouvir o humano ofegar e gemidos roucos escapar da garganta do humano, ele mordiscou a orelha humana sussurrando em seu ouvido enquanto despia Duo de suas roupas.
- Você é meu. E não há nada que ela ou alguém possa fazer para mudar esse fato. Você me pertence Maxwell desde do dia em que eu fui incumbido de encontrar o escolhido. E ninguém toca no que me pertence, nem mesmo os Peacecraft. Não importa o que tenha acontecido isso não muda o que eu sinto por você e nunca mudara. E eu pretendo mostrar isso a você.
- Heero...
- Shhhhhh não diga nada.
Heero selou os lábios dele com um beijo. Ele se deitou de lado colocando Duo na sua frente seu braço direito passou por baixo do corpo do humano, diminuindo a distancia das costas do humano do seu peito. Heero sentia a pele quente de Duo contra si, sua mão começou a brincar com o mamilo direito do humano, o puxando levemente, enquanto sua mão esquerda massageava e apertada a carne macia das nádegas humana. A todo instante Heero dizia o que sentia por Duo, a cada nova caricia, a cada beijo.
- Mesmo que você viesse a se perdei eu o encontraria. Mesmo que você viesse a me esquecer eu o faria se lembrar de mim. Mesmo que você colocasse os céus e o inferno entre nós eu os atravessaria para estar com você.
Duo sentia como se estivesse renascendo pelas mãos do vampiro em seu corpo e pelas palavras dele sussurradas em seu ouvido, ele sentiu Heero levantar sua perna esquerda e apóia-la atrás das pernas do vampiro, isso fez que ficasse exposto a Heero que começou a penetra-lo com o dedo, eles estavam tão juntos que era quase impossível dizer onde começam e onde terminam um ou o outro. Um segundo dedo se juntou ao primeiro, Duo começou a acompanhar os movimentos do dedo dentro de si, Heero tocou na próstata do humano com os dedos e fez com que Duo gemesse alto e jogasse a cabeça para trás, o vampiro retirou seu braço debaixo do corpo do humano e atacou-lhe o pescoço, juntando um terceiro dedo a entrada do humano. O membro de Duo já se encontrava excitado de tal forma que sua semente já gotejava na ponta, Heero com cuidado curvou-se sobre o humano e lambeu a ponta do membro. Ao sentiu os lábios frios do vampiro em seu membro quente Duo gritou o nome de seu amante, enquanto sem piedade Heero o massageava por dentro com os dedos. Heero se encontrava tão excitado quanto o humano. Duo o podia sentir duro atrás de si, mas Heero queria levar o humano ao limite antes de se enterrar dentro dele. Novamente o vampiro começou a sussurrar no ouvido do humano.
- Mesmo que eu viesse, a saber, que perderia minha vida ficando ao seu lado, eu ficaria cada momento que me restasse contigo, pois minha vida não teria sentido se eu te deixasse. Mesmo que eu tivesse que te esquecer, eu não conseguiria, pois me lembraria a cada segundo de teu rosto, do teu cheiro, pois tua imagem e sua essência estão impressas em meu corpo e minha alma como uma parte de mim mesmo. Mesmo que eu tivesse que sofrer as piores dores do inferno e passar pelas piores provações impostas pelo céu eu o faria por você, por que não há dor ou prova pior do que ficar sem você ao meu lado.
Novas lágrimas brotaram dos olhos humanos, e Heero as colheu uma a uma. Retirando os dedos do corpo humano, o vampiro deitou-se de costas na cama, trazendo o humano para sentar-se em seu colo. Duo entendeu o que Heero queria que ele fizesse. Duo ergueu o corpo e posicionou o membro do vampiro em sua entrada. Heero deu apoio a Duo segurando sua cintura enquanto o humano descia lentamente seu corpo sobre o falo grosso. Quando Heero estava completamente dentro de Duo ele ergueu seu corpo e tomou os mamilos do humano entre os lábios Duo jogou a cabeça para trás e começou a erguer e abaixar o corpo, apoiando as mãos sobre os ombros largos do vampiro. Heero passou sua língua pelos peitorais de Duo, enquanto o ajudava a cavalga-lo. Eles começaram movimentos cadenciados, Heero tomou o membro de Duo em sua mão o manipulando com a mesma intensidade que Duo subia e descia seu corpo sobre seu membro, seus gemidos e suspiros se elevaram e ambos alcançaram o gozo. Duo se deixou cair nos braços de Heero apoiando sua cabeça na curva do ombro do vampiro, enquanto sentia a semente dele escorrer dentro de si.
Duo ergueu a cabeça dos ombros de Heero o olhando nos olhos. O que eles haviam partilhado era único e Relena jamais poderia destruir isso. Heero viu nos olhos de Duo que seu amante humano já estava bem, ele beijou o pescoço de Duo, suas mãos deslizavam pelas costas humanas, se detendo na carne macia abaixo da cintura. Duo sentiu as mãos de Heero acariciando suavemente suas costas e descendo para sua bunda, ele sorriu maliciosamente e contraiu seu canal apertando o membro do vampiro que ainda estava dentro de si. Heero gemeu ao sentiu seu membro pressionado, afastando seus lábios do corpo do humano encarou os olhos ametistas que estavam escuros. Duo começou novamente a subiu e a desceu sobre o membro de Heero que já se encontrava excitado novamente. Mais uma vez eles se renderam ao que sentiam um pelo outro e mais uma vez alcançaram o gozo ainda mais forte que o primeiro.
Alguns minutos mais tarde:
Duo descansava a cabeça no peito de Heero enquanto o vampiro passava as mãos sobre os cabelos soltos. Uma batida na porta os despertou, o vampiro os cobriu com o lençol e mandou que entrasse. Kimitsu apareceu trazendo uma bandeja, com comida. O estomago de Duo roncou fazendo Heero rir e Duo ficar com o rosto vermelho. O empregado colocou a bandeja sobre a mesa do quarto e se voltou para Heero.
- Trouxe algo para o Duo comer, achei que talvez ele estivesse com fome.
- Obrigado Kimitsu, creio que estava certo.
- Sua refeição também se encontra na bandeja senhor.
- Obrigado, mais alguma coisa?
- Sr Barton manda avisa-lo que esta tudo pronto para a reunião.
- Diga que desceremos em alguns instantes.
- Sim senhor.
Kimitsu saiu do quarto e Heero se levantou, Duo se espreguiçou na cama enquanto via o vampiro caminhar até a mesa e trazer a bandeja deixando apenas sobre a mesa uma jarra de prata trabalhada. Duo sentou-se na cama cobrindo a parte de baixo de seu corpo com o lençol, seus cabelos estavam soltos e caiam sobre os ombros. Heero ficou observando-o comer distraidamente, ele precisava dizer a Duo que ele deveria estar presente na reunião com os Maganac. Duo sentia o olhar de Heero sobre si, mas ele estava com tanta fome que não conseguia tirar os olhos da comida, mas quando o vampiro chamou seu nome ele levantou a cabeça.
- Duo eu preciso que você esteja presente na reunião com os Maganac.
Duo ficou olhando para o vampiro sem entender por que ele tinha que estar presente ele nem ao menos era um vampiro ou membro do clã dos Khushrenada. Heero notou a dúvida nos olhos humanos que pareciam indagar o por que da presença dele ser necessária.
- Você é a pessoa de que fala a profecia, o escolhido para empunhar a Yami. Os lideres do Maganac conhecem essa parte da profecia. Eu disse a eles que o havia encontrado e eles querem saber que é ainda mais quando lhes disse que o escolhido era humano.
- Eu tenho mesmo que ir.
- Tem.
- Então eu tenho que me arrumar né, pelo menos para causar uma boa impressão.
- Não creio que seja necessário. Você já é encantador da maneira como é.
- Hum Hee-chan.
- Duo!
- Que?
Duo sorriu e Heero não pode se impedir de fazer o mesmo, o humano conseguia tirar-lhe do serio com aquele olhar inocente e malicioso ao mesmo tempo. Ele beijou os lábios do humano e se levantou caminhando até o armário, Duo ficou observando com olhos gulosos o corpo do vampiro que desfilava nu diante de seus olhos, ainda de costas para o humano Heero sorriu, ele podia sentir o olhar de Duo sobre si e os pensamentos nada castos do humano.
- Duo para com isso a gente tem que descer para a reunião antes que eu ofenda ainda mais o clã dos Maganac com nossa demora, fora o que eu já fiz com Auda.
- Desculpe não pude evitar você é tão gostoso Hee-chan.
De repente Duo assimilou as palavras que Heero havia dito. Ofender o clã com a demora e o que ele havia feito com Auda. Auda? Sim ele se lembrou o vampiro que havia mandado William o irmão de Marco e o outro vampiro para ajuda-lo. Duo havia sentido pelo jeito como Trowa e os outros haviam tratado Auda que o mesmo deveria ser alguém importante, mas nunca imaginou.
"Seria possível"Heero tirou algumas peças de roupas do armário e ouviu a pergunta feita na mente humana. Então ouviu Duo perguntar-lhe algo que julgou que o humano já soubesse.
- Heero o Auda é alguém importante?
Heero olhou para Duo antes de responder não era possível que Duo não soubesse quem Auda era, ou não. Pelo olhar de Duo ele realmente não tinha idéia de quem o vampiro que o havia ajudado era.
- Auda é um dos lideres do clã Maganac Duo. Junto com Ahmad e Abdul.
- Serio! Ai meu Deus, e eu tratei ele como uma pessoa... quer dizer um vampiro qualquer, ele deve achar que eu sou um idiota alem de entrar em um prédio repleto de vampiros ainda não o tratei como deveria.
- Não se preocupe Duo, você não tem obrigação de saber as leis dos clãs uma vez que você não é um de nós. E mesmo que você pertença ao clã dos Khushrenada você...
- O que?
Duo interrompeu Heero ele havia ouvido direito, Heero tinha dito que ele fazia parte do clã, mas como isso a possível.
- Eu pertenço ao seu clã?
- Sim você e Quatre.
- Mas nós não somos vampiros?
- Você não precisa ser um vampiro para pertencer ao clã Duo, mesmo que vocês não tenham passado pelo juramento. Você e Quatre já são considerados membros do clã dos Khushrenada, pelo menos no que diz respeito a mim e a Trowa.
- Ah! Eu não sabia disso.
- Eu ia contar a você mais tarde. Agora temos que descer você vai tomar banho suponho.
- Sim você me faz companhia?
- Não perderia isso por nada, vá para o banheiro eu irei em seguida assim que me alimentar.
- Ok.
Heero esperou que Duo fosse para o banheiro para derramar o conteúdo da jarra em um dos cálices que Kimitsu havia trazido. Ele bebeu o sangue deixando que o liquido vermelho e espesso descesse pela sua garganta, como um delicioso vinho, após se deliciar com seu alimento esvaziando todo o conteúdo da jarra Heero foi até o banheiro tomar um banho com seu adorável deus da morte.
Na cidade:
- Foi suficiente?
- Sim senhora foi o bastante para o feitiço.
- Quando será feito?
- Hoje enquanto ele ainda está fraco será o melhor momento para pegá-lo.
- "timo eu o quero. Ele conseguiu despertar minha curiosidade.
- Entendo, o humano é realmente...
- Realmente?
- Curioso.
- Sim ele é tanto quanto o meu querido Heero. Alexius! Alexian!.
- Sim senhora.
- Caçe-os que não sobre nada dessa cidade patética, mas não os mate ainda, vou precisar desses humanos, tragam-me alimento e novos escravos.
Relena riu enquanto observava a lua no céu, em breve eles chegariam então todos na cidade estariam a sua mercê. Tolos humanos, ela não conseguia entender como ele podia se preocupar com seres tão desprezíveis que não eram nada além de alimento para sua espécie. Mas o humano de cabelos compridos e olhos ametistas, ele era diferente, havia algo nele que despertava os mesmos sentimentos que ela tivera ao encontrar Heero, no entanto eles também eram diferentes.
"Hoje a noite Duo Maxwell você será meu, assim como Heero foi um dia."
No castelo dos Khushrenada:
Ahmad andava de um lado para o outro na biblioteca reclamando em sua língua como aquele garoto tinha a audácia de faze-los esperar dessa forma. Abdul e Auda apenas olhavam para Ahmad que esbravejava para qualquer um ouvir o quanto o novo shuhan dos Khushrenada era descortês.
- Como Treize pode tê-lo colocado como o novo shuhan de seu clã.
- Calma Ahmad, Heero deve estar resolvendo alguma coisa importante.
- Tolice o ele deveria ter de importante a fazer que não seja nos receber devidamente.
- Você não entenderia se eu explicasse de qualquer forma.
- Você sabe de alguma coisa Auda?
- Por que eu haveria de saber alguma coisa Abdul?
Abdul olhou para Auda tentando compreende o que ele queria dizer com isso. Auda não havia dito a eles o que tinha feito ficando na cidade, ele apenas dissera com um sorriso que tinha encontrado com um velho conhecido e aproveitou para conhecer a cidade. Ahmad reclamou por quase dez minutos sobre Heero e Auda simplesmente dissera que havia achado Epyon seus habitantes e protetores interessantes aumentando assim as reclamações do outro líder dos Maganac. E agora ele praticamente afirmara não afirmando que Heero tinha assuntos importantes a tratar.
Na sala de leitura ao lado da biblioteca Trowa, Quatre e os outros podiam ouvir o vampiro reclamar, mas apenas Treize, Trowa e Quatre pareciam entender o que Ahmad falava. Trowa sabia que Heero estaria com problemas sérios assim que aparecesse. Treize simplesmente sorria, ele achava engraçada a atitude de Ahmad, ele havia encontrado o vampiro apenas duas vezes e ele não havia mudado nada continuava tão pretensioso e arrogante quanto sempre foi.
Quatre estava conversando com Sally que ainda não o conhecia pessoalmente. Ela havia ficado encantada com o jovem árabe, não era sempre que se via um humano com uma aparência tão angelical, sem contar que o árabe era extremamente educado e gentil, bem diferente de Ahmad que continuava a esbravejar agora a respeito do comportamento de Auda.
Heero e Duo deixaram o quarto e desceram encontrando-se com Kimitsu que avisou que Treize e os outros estavam na sala de leitura e os lideres do clã Maganac se encontravam na biblioteca conversando. Heero olhou para Kimitsu o que ele estava ouvindo estava longe de ser uma conversa ou que parecia Ahmad estava reclamando, como tinha feito desde que havia chego ao castelo. Heero procurou se controlar, ele não podia se indispor com o clã dos Maganac, pelo menos não nesse momento, embora sua paciência estivesse se esgotando.
Ao chegarem na sala de leitura, todos do recinto voltaram seus olhos para o casal que entrava. Sally estava admirada os dois formavam um casal extremamente atraente, ambos tanto o humano quanto o vampiro eram espécimes de extrema beleza e um parecia completar o outro. Duo parecia um pouco nervoso, ainda mais quando ouvindo alguém reclamar alto sobre alguma coisa que ele não conseguia entender, uma vez que ele parecia falar em árabe. Heero mantinha a mão de Duo presa a sua quando entrou na sala e perguntou sarcasticamente.
- Ele está reclamando a muito tempo?
Treize não pode se impedir de rir. Ele sabia que Heero não se importava nem um pouco com os ataques de Ahmad. Trowa deu um meio sorriso, enquanto Quatre, Cathrine e Sally apenas olharam um para o outro. Treize resolveu responder, mesmo sabendo que Heero não estava nem um pouco preocupado se Ahmad estava irritado.
- Eu diria que a uns bons minutos.
- Hn. Então é melhor começarmos logo. Duo, Quatre, Sally geralmente humanos e vampiros que não tenham sido convidados, sejam inimigos ou pertençam a um clã não reconhecido pelos demais clãs não podem participar de reuniões como esta onde lideres de outros clãs estão presentes. Se vocês já pertencerem ao clã conforme dizem nossas leis, não que vocês já não o sejam perante nós, qualquer um de vocês poderiam participar dela.
- Mas Heero.
- Calma Cathrine deixe Heero terminar.
- No entanto de acordo com lei do Ichizoku dos Khushrenada um membro do clã pode adotar um humano ou um outro vampiro como membro enquanto sua apresentação não for devidamente feita e o juramento selado ou ele renegue ao outro clã ao qual faz parte. Sendo que o vampiro fica responsável pelas ações do seu protegido e passível de sofrer as punições cabíveis quando necessário.
- O que isso significa?
- Que se por um acaso Duo em algum momento você fizer algo que possa ser considerado uma traição ao clã. É Heero quem sofrera as conseqüências uma fez que você ainda não pertence ao clã segundo as leis do Ichizoku dos Khushrenada.
Duo olhou para Heero apreensivo que apertou mais forte a mão entre a sua sorrindo e prosseguindo a conversa.
- Mas como uma ameaça se abate sobre a cidade de vocês e Sally renegou e recebeu proteção do antigo shuhan dos Khushrenada. Vocês poderão participar da reunião.
- Então nós poderemos participar da reunião?
- Sim Sally vocês podem. Acho que não preciso dizer por quem cada um foi adotado. Em todo caso. Quatre você esta sob a responsabilidade de Trowa. Sally sob a de Treize e Duo sob a minha.
- Heero é melhor avisa-los sobre o Ahmad.
Heero grunhiu, mas sabia que Treize tinha razão, sabia que o líder do Maganac faria objeção quanto a presença dos três a reunião e que faria de tudo para tornar a presença deles desagradável, mas Heero não estava disposto a deixar que Ahmad se portasse com desrespeito a Duo ou aos outros. No entanto deveria avisa-los sobre isso.
- O clã Maganac é composto por três lideres: Ahmad, Abdul e Auda. Treize você poderia falar um pouco sobre os três. Você os conhece a mais tempo.
- Claro Heero. O primeiro é Abdul conhecido como lâmina da paciência, ele é o mais sensato, nunca da uma resposta imediata sem avaliar com calma as circunstancias.
- O segundo é Ahmad conhecido como lâmina da coragem, é ele o mais difícil dos três, como poderia dizer ele não é muito cortês principalmente com humanos. Por isso caso ele diga algo que os ofenda de alguma forma ignorem e deixe que qualquer um de nós rebata suas palavras, pois ele não vai se dirigir diretamente a nenhum de vocês apenas indiretamente.
- O ultimo é Auda conhecido como lâmina da sabedoria, dos três ele é o mais aberto a mudanças e a dialogo, ele costuma basear suas decisões na avaliação que faz das pessoas.
- Auda foi aquele que me ajudou não foi Heero?
- Foi Duo. Bem eu vou pedir que vocês aguardem aqui quando o momento de falarmos sobre a ameaça que é os Peacecraft chegar, eu pedirei a Marco venha busca-los.
Heero beijou Duo e saiu sendo seguido por todos os vampiros com exceção de Sally que permaneceu na sala com Quatre e Duo.
Na biblioteca do castelo:
- Você também é outro que não conhece nada sobre cortesia Auda.
- E suponho que você saiba Ahmad. Ao meu ver você não sabe nada sobre diplomacia ou educação. Uma vez que já esta esbravejando a quase 1 hora sobre o quão indelicado foi o shuhan dos Khushrenada para com você, no mínimo você deve ter feito alguma coisa que o desagradou, pois não estou vendo Abdul reclamar. E pelo que vi de Heero ele me parece um vampiro digno e valoroso.
- Vocês dois são iguais. Não ....
Uma batida a porta vez com que Ahmad parasse de falar, então um de seus homens entrou informando que o shuhan dos Khushrenada os estava esperando. Ahmad pretendia dizer alguma coisa, mas Abdul o repreendeu mentalmente para que ficasse quieto. Auda apenas sorriu e seguiu o humano sendo acompanhado pelos outros dois lideres do Maganac.
Na cidade:
Relena andava de um lado para o outro, no subsolo do hotel onde estava aguardando que o Necro terminasse o feitiço. Seus vampiros haviam retornado com comida, não era a quantidade que gostaria, mas era satisfatória pelo menos. Heero havia mandado vampiros para proteger os humanos e mantê-los longe do edifício, restringindo assim seus passos, no entanto ela sorriu, mesmo tendo que permanecer dentro do prédio e tendo seus passos vigiados. Lacroan havia deixado a cidade a dois dias em pouco tempo ele chegaria com os caçadores e então tudo estaria terminado.
"Heero querido, você não pode me impedir de conseguir o eu quero. De levar os Peacecraft ao lugar que lhe é de direito, de governar esses humanos que você tanto preza. A começar pelo humano que é seu amante, o humano da profecia. Ele será meu... e depois dessa noite a alma e o sangue dele pertenceram a mim".
- Está tudo pronto senhora.
- Comecemos então.
Relena caminhou até o Necro que estava parada em frente a uma mesa com uma cuia dourada. Relena olhou com curiosidade para os itens dispostos sobre a toalha branca na mesa, uma cuia dourada, um pequeno vidro com o sangue do humano, um boneco com cabelos humanos presos em uma trança. Havia uma bandeja, uma cálice, um outro vidro pequeno com um liquido escuro como pinche, um punhal e uma vela. O Necro passou o punhal a Relena que cortou o pulso despejando seu sangue dentro da cuia.
- É suficiente.
Relena se concentrou para fechar o corte, enquanto a mulher despejava algumas gotas do liquido negro dentro da cuia e algumas gotas do sangue humano, sendo a maior quantidade do sangue de Relena. O Necro misturou os três líquidos enquanto proferia algumas palavras na própria língua. Relena não compreendia o que o Necro dizia, a língua deles era muito antiga e apenas alguns poucos vampiros a conheciam. O Necro acendeu a vela e aproximou da cuia fazendo com que seu conteúdo se incendiasse. Relena se afastou assustada, ela não gostava do fogo, assim como muitos de sua espécie. O Necro sorriu e molhou a mão esquerda e o peito do boneco na cuia o colocando na bandeja, derramando uma parte do liquido no cálice que ofereceu a Relena para que bebesse.
- Tome e o chame em sua mente.
Relena fechou os olhos e bebeu o que lha havia sido oferecido, enquanto pensava no humano de olhos ametista, sussurrando seu nome, o chamando para vir até ela.
"Duo...Duo...venha até mim Duo. Escute minha voz e obedeça as minhas palavras".
No castelo dos Khushrenada:
Duo se sentou junto a Quatre. Seus olhos se tornaram turvos por um momento e uma sensação estranha percorreu seu corpo a partir do peito como um calafrio, ele sacudiu a cabeça tentando ignorar a sensação de dormência. Quatre percebeu uma sensação estranha vinda de Duo, ele parecia estar passando mal, seu rosto parecia um pouco vermelho e seu olhar parecia um tanto vago. Duo sentia o ferimento em sua mão queimando, sua vontade era de arrancar o curativo e coça-la, ele pareceu ouvir uma voz o chamando, ele não sabia o que estava acontecendo, ele procurou fechar os olhos. Sua respiração se tornou pesada o lugar todo parecia sufoca-lo, ele precisava sair, precisava ir a algum lugar, um lugar que sabia que estaria bem. Quatre não estava gostando da sensação que vinha de seu amigo, ele estava suando e uma sombra escura parecia ter coberto o brilho que sempre via irradiar de Duo.
Sally notou que alguma coisa estava errada com o humano, ele tinha o rosto banhado por uma fina camada de suor. Ele mantinha os lábios abertos como se estivesse tendo dificuldades para respirar e o jovem árabe o olhava como se não gostasse do que estava vendo. Quatre tocou o rosto de Duo o chamando, mas o amigo parecia em transe, ele sacudiu e chamou o amigo tentando obter sua atenção.
- Duo!
Duo abriu os olhos assustados e olhou para o jovem árabe. Confuso, levou sua mão ao rosto e sentiu que estava molhado.
- O que houve?
- Eu é que pergunto. Você de repente ficou estranho Duo, parecia distante. O que houve?
- Eu não sei eu de repente me senti estranho, sufocado e sonolento, parecia que não é nada...apenas nervosismo. Acho que eu estou sentindo falta de cantar no clube.
Quatre olhou para Sally nem dos dois parecia muito convencido quanto ao que Duo havia dito, era certo de que algo tinha acontecido, mas Quatre ficou mais tranqüilo, uma vez que a sombra que parecia cobrir seu amigo havia se dispersado.
Relena abriu os olhos se sentindo frustrada, ela tinha quase conseguido fazer a mente do humano responder a ela e então de repente ele pareceu despertar. Ela se sentia cansada era difícil alcançar a mente dele tão longe, parecia haver uma barreira entre eles, a impedindo de alcança-lo devidamente.
- As espadas o estão protegendo.
Relena olhou para a criatura com raiva, ela não desejava explicações, mas resultados.
- Eu não quero saber por que. Eu o quero aqui. Faça com que isso aconteça ou eu a mato e ai sim seu clã terá sido extinto para sempre.
- Sim senhora.
O Necro se curvou e por um instante seus olhos se tornaram negros como a noite, perdendo a cor dourada.
O clã do khushrenada já se encontrava no salão onde se daria a reunião quando o clã Maganac entrou. Era um salão diferente do ocupado a tarde quando o novo e o antigo shuhan dos Khushrenada falaram com Ahmad e Abdul e outros vampiros do clã Maganac. A salão era muito maior é possuía uma mesa oval com vinte lugares disposta no centro. O clã dos Khushrenada estava representado: pelo atual shuhan do clã Heero Yuy, o seu antecessor Treize Khushrenada e os vampiros Trowa Barton, Cathrine Bloom, Marco e William Dufrés, François Le Bian e Christine Blanc. O clã Maganac era representado por seus três lideres: Abdul, Ahmad e Auda e os vampiros Nathanaell, Hadi [1], Khuzaymah [2], Muhammad [3], Majidah [4] e Samira.
O clã Maganac entrou no salão e se sentou a mesa. Auda procurou pelos dois humanos, mas não os encontrou no salão, notou que havia três lugares vagos a mesa no lado onde o clã Khushrenada estava sentado. Um lugar ao lado do novo shuhan do clã, um ao lado do antecessor shuhan e outra ao lado do vampiro chamado Trowa. Assim que o clã Maganac sentou-se Heero resolveu dar inicio a reunião.
- Senhores, senhoras, eu agradeço a vinda do clã Maganac até aqui. O assunto como sabem é sobre a ameaça chamada Peacecraft. Eles se uniram aos Romefellers em busca da realização da profecia. Como todos sabem a realização dela acarretara na extinção dos humanos e conseqüentemente na da nossa espécie, uma vez que o que nos alimenta se extinguir, nós não teremos com o que nos alimentar. A não ser nos voltando contra nossos próprios irmãos e uma vez que tivemos acabado com eles, não nos sobrara nada alem de uma morte lenta e dolorosa.
Heero fez uma pausa observando com atenção as expressões nos rostos de cada um ao redor da mesa. Todos pareciam pensar no significado de suas palavras, não havia duvidas de que o destino reservado aos vampiros seria ainda mais negro que a escuridão em que viviam, caso não detivessem as pretensões dos Peacecraft e dos Romefellers.
Abdul ouviu atentamente as palavras do shuhan dos Khushrenada, sim eles tinham que ser detidos, mas a profecia dizia que enquanto o escolhido não fosse abraçado pelas trevas a profecia não se realizaria. Pelo que lembrava da conversa que tivera com Heero à tarde. O escolhido já havia sido encontrado e estava sobre a proteção do clã dos Khushrenada, mas o escolhido seria confiável? Essa era uma dúvida que o incomodava desde que descobrira que o escolhido era um humano. Humanos são facilmente envolvidos pelas trevas. Eles são frágeis e manipuláveis, ele já fora humano um dia e sabia o quanto seria fácil para um vampiro corromper um humano e traze-lo para as trevas.
- Heero você nos disse essa tarde que os Khushrenada encontraram o escolhido que fala a profecia. Onde ele está?
- É verdade onde está o humano responsável pelo destino dos humanos e da nossa espécie.
- Um humano?
Heero sabia que eles tocariam no assunto. Ele podia ver preocupação nos olhos de Abdul, ironia nos de Ahmad e curiosidade nos olhos de Auda. De certa forma Duo era o responsável pelo destino de sua espécie e da dos humanos, mas ele não desejava que seu amado carregasse tal fardo, no entanto sabia que seria impossível restava a ele proteger Duo para que Relena não se aproximasse dele novamente.
Auda ficou curioso quando ouviu seus irmãos falarem que o escolhido era um humano, imediatamente seu olhar se voltou para Heero, apenas lhe restava saber qual dos dois humanos que vira era o que a profecia falava, mas ele tinha a ligeira idéia de qual deles seria. Quando Heero começou a falar Auda prestou atenção, a reunião pareceria que seria bem interessante, ele queria saber qual seria a reação de seus irmãos ao ver o escolhido se ele fosse realmente quem imaginava.
- Ele está aguardando em outro salão enquanto falamos. Assim que....
- Desculpe interrompe-lo shuhan dos Khushrenada, mas eu desejaria conhecer o humano antes de continuarmos a falar e antes de nos colocarmos a disposição de seu clã.
- Sim temos que saber se o humano é confiável e digno de....
- Ele é Ahmad e não permitirei que diga o contrario.
- Como...
- O que meu irmão quer dizer shuhan é que os humanos são facilmente manipuláveis, não temos a intenção de acusar o humano. Tenho certeza de que sua confiança nele é merecida e justificável.
Heero inclinou a cabeça ligeiramente e concordou, ele não podia deixar que seus sentimentos por Duo interferissem, ele não desejava criar uma batalha entre os Maganac e os Khushrenada.
- Antes eu gostaria de dizer que outro humano e um de nossa espécie também participaram da reunião.
- É quem são eles Heero?
- O humano mora na cidade e sabe sobre nós. Ele já é considerado como um membro do clã dos Khushrenada.
- Mais ele não é ainda?
- Não Abdul nenhum dos três são. Ainda, por isso eles não participaram desde o inicio da reunião.
- Entendo.
- E quem é o vampiro?
- Ela é uma amiga. Ela pertencia ao clã Peacecraft.
- O que?
- Ahmad contenha-se.
- Poderia mandar chama-los Heero?
- Marco por favor vá busca-los.
Marco se levantou e foi buscar Duo e os outros. Abdul olhou para auda que até o momento não havia dito muita coisa. Auda o olhou por um momento e depois voltou seus olhos para Ahmad que olhava para Treize com um olhar reprovador. O antigo shuhan dos Khushrenada apenas curvou a cabeça levemente não havia duvidas de que seu irmão de sangue conversava mentalmente com o outro vampiro.
Duo olhou para o relógio eram aproximadamente dez horas da noite. Ele estava na janela observando a noite, as vozes de Quatre e Sally conversando chegavam ao seu ouvido quase em um sussurro sua mente estava longe da sala. Então ele ouviu o chamado de Quatre e olhou para o loiro.
- Marco está vindo.
Alguns instantes depois o vampiro entrava na sala.
- Heero mandou chamá-los.
Duo olhou para Quatre e Sally saindo da janela e seguindo o outro vampiro até onde se encontravam os dois clãs. Marco e Sally podiam sentir o nervosismo de Duo e a calma de Quatre, o jovem árabe tentava encoraja-lo.
- Vai dar tudo certo Duo tenha calma.
- Eu sei, mas é que eu estou um pouco nervoso.
- Não se preocupe Duo. Heero está sentado ao seu lado.
- Obrigado Marco, mas é que eu não estou me sentindo muito bem.
- O que você esta sentindo Duo.
- Eu não sei explicar Sally.
- Tente novamente senhora.
Relena fechou os olhos e se concentrou no humano de olhos ametistas novamente. A imagem dele se formou nítida em sua mente, e novamente ele o chamou.
"Duo venha até mim. Não pode resistir ao meu chamado seu destino me pertence".
O Necro tinha os olhos fechados e recitavam antigos encantamentos de seu clã dando a Relena mais força para trazer o humano até ela. Vampiros e Necros eram inimigos, mas a criatura precisava dela para alcançar seu intento.
Duo sentia frio e sua mão e peito parecia queimar, a mesma sensação incomoda que tivera a poucos minutos voltara. Ele deu um sorriso e tentou ignorar a voz em sua mente.
- Eu vou ficar legal. E melhor a gente entrar logo antes que achem que nós fugimos.
- Heero me mandou avisa-los de que há uma cadeira vaga ao lado de cada um daqueles que são seus "tutores" vocês deveram se sentar ao lado de cada um deles.
- Tá. Quantos vampiros há na reunião Marco?
- Oito contando comigo do clã dos Khushrenada e nove do clã Maganac.
- Nossa fico feliz de não ser o prato principal da reunião.
- Duo!
- Que?
- Realmente Duo você não é o prato principal essa noite, mas é o assunto principal.
- Acho que preferia ser o prato. Bem o Shinigami está pronto que venham os vampiros.
Marco e Sally riam. Quatre, no entanto olhou para o amigo, ele não estava muito certo sobre o que Duo havia dito, ele tinha a mesma sensação incomoda de instantes atrás e a sombra escura que vislumbrara cercando o amigo havia voltado. Mas Duo estava certo eles tinham que entrar para participar da reunião, o clima dentro do salão pelo que podia sentir através de Trowa estava um tanto tenso. Marco abrir a porta do salão e eles entraram.
No momento em que entraram no salão vários pares de olhos se voltaram para a entrada. O que eles viram foi dois humanos, um com uma rara beleza exótica e outro com uma beleza suave e angelical acompanhados por uma mulher bonita e com o olhar humano jamais visto em outro vampiro.
Marco seguia na frente seguido por Sally e os humanos, cada um deles ocupou o lugar que lhe era reservado. Heero olhou para Duo que sorriu depois correu os olhos pela mesa abaixando a cabeça, ele podia sentir o nervosismo do humano e algo a mais e isso o incomodou alguma coisa estava errada, mas ele não conseguia saber exatamente o que. Era a segunda vez aquela noite que ele sentia essa sensação vinda do humano. Heero notou que Duo mantinha a cabeça abaixada e que todos observavam Duo o deixando desconcertado, tentando conforta-lo Heero tomou a mão do humano por sob a mesa. Duo sentiu-se mais tranqüilo ao sentir a mão de Heero segurando a sua e a sensação que o incomodava o deixou o fazendo sentir-se mais relaxado.
Novamente Relena perdeu o contato com o humano. Enraivecida ela jogou o cálice no chão. Algo interrompeu seu contato com o humano, algo forte. O Necro olhou para a jovem não adiantava dizer a ela que enquanto o vampiro estivesse perto do humano, seria quase impossível traze-lo.
Quatre sentou-se ao lado de Trowa. O vampiro olhou nos olhos do árabe e depois olhou para Duo, ele também viu a sombra que cobria o humano desaparecer assim que ele se sentou ao lado de Heero.
"Quatre o que houve?""Não sei, mas alguma coisa parece estar tentando se aproximar de Duo"
"Você fala da sombra não é?"
"Sim o que você acha que é?"
"Não sei meu anjo, depois descobriremos."
Quatre sorriu para seu amante e correu seus olhos pelo o clã Maganac, avaliando cada um deles, seu olhar encontrou-se com o de Auda que sorriu. O jovem árabe ficou vermelho e retribuiu o sorriso antes de ouvir a voz do vampiro em sua mente.
"O que você achou do meu clã, jovem príncipe?""Eu ainda não tenho uma idéia de como são ainda."
Auda sorriu e olhou para o vampiro ao lado do humano. Trowa o encarava com um olhar frio, que fez com que Auda sorrisse ainda mais antes de falar com o vampiro.
"Não se preocupe meu jovem, minhas intenções para com o humano não vão além de curiosidade. Não pretendo me intrometer no que me pertence. Fique tranqüilo."
"Eu sei disso."
"Mais não confia. E isso é sábio de sua parte".
Abdul mantinha sua atenção presa aos humanos ambos tinham aparências marcantes, mas o humano sentado ao lado do shuhan doa Khushrenada possuía uma beleza impressionante quase selvagem e a força e vitalidade que emanavam sem sombra de dúvida peculiar a raça. O outro humano pelo que pudera perceber tinha conseguido a atenção de Auda, ele tinha uma aparência angelical e uma forte sensibilidade parecia emanar do jovem loiro. Seus pensamentos foram interrompidos pela voz irritada de Ahmad.
- Bem agora que temos a presença dos humanos. Poderia nos dizer agora qual deles é o que fala a profecia.
Duo não gostou do tom irritado do outro vampiro, certamente ele deveria ser Ahmad um dos lideres do clã Maganac, como Treize havia dito para que eles não se incomodassem com as atitudes do vampiro Duo procurou ignorar a pergunta deixando que Heero a respondesse. Heero sentiu Duo ficar tenso e seu olhar se tornar ligeiramente mais escuro a pergunta de Ahmad. Sua vontade era a de dizer algumas verdades ao líder do Maganac, mas em sua posição ele deveria aturar certas atitudes. Heero soltou a mão de Duo e se levantou. Duo olhou para o vampiro e depois para Quatre buscando apoio. Quatre sorriu e piscou.
- O humano de que falei é o que esta a meu lado, Duo Maxwell. Duo.
Ao ouvir seu nome Duo se levantou sob os olhares de todos. A tensão dele era evidente. Heero procurou acalma-lo falando com ele mentalmente.
"Não se preocupe eu estou aqui com você. Ninguém ira ofende-lo ou faze-lo mal."
"Eu sei, mas eu não me sinto muito confortável. Com todos eles olhando para mim".
"Imagine que esta no clube cantando para uma platéia de mortos-vivos".
Duo olhou para Heero e sorriu seria uma platéia interessante. Eles se sentaram novamente. Ahmad notou o olhar entre o humano e o shuhan dos Khushrenada. Não havia dúvida de que os dois tinham algum tipo de relacionamento, então era por isso que o novo shuhan havia defendido com tanta convicção a lealdade do humano. Mas apenas por que o humano era seu amante não significava que ele era confiável, quando tivesse que enfrentar uma horda de vampiros, ao seu ver os humanos não são confiáveis e nunca seriam. Faltava coragem a eles.
- Não a duvidas quanto à beleza dele, mas é quanto a sua coragem. Acha que ele é confiável Heero.
- Eu confiaria a minha vida ao humano.
Ahmad olhou para o humano e depois para Heero. Ele virou-se para Abdul esperando que ele dissesse alguma coisa, mas foi Auda quem se pronunciou.
- Humano você sabe sobre a profecia?
Duo olhou pra Heero que sacudiu levemente a cabeça em sinal de que ele deveria responder. Duo se virou para Auda o olhando nos olhos. O vampiro sorriu e Duo respirou fundo antes de responder.
- Sim Hee..o shuhan dos Khushrenada me contou sobre a profecia.
Auda notou a parada do humano ao responder e ele ficar corado por alguns instantes. O humano era simplesmente adorável, mesmo que ele não o tivesse conhecido na cidade ele teria conseguido sua simpatia naquele momento. Havia sinceridade, inocência e simplicidade em seus olhos e isso bastava para ele, mas sabia que não seria suficiente para convencer os outros. Como prova disso ouviu Ahmad se pronunciar com a voz carregada de ironia.
- E o shuhan contou o que você terá de enfrentar humano? Ou ele omitiu esse detalhe para "preserva-lo".
O olhar de Heero se tornou frio quando encarou Ahmad. O vampiro sentiu um arrepio percorrer sua espinha por causa do olhar do atual shuhan dos khushrenada jamais havia encontrado um vampiro que tivesse um olhar capaz de faze-lo sentir-se desconfortável dessa forma. Ele olhou para o humano seu olhar parecia semelhante ao do vampiro ao seu lado, mas menos perigoso. Duo tentava se manter calmo, diante do líder do Maganac. O vampiro tinha acabado de insinuar que Heero o havia enganado não contando a ele sobre a real situação, apenas por que eles eram amantes.
- Sim ele me disse o que eu enfrentaria.
- Com todas as palavras?
- Eu nunca minto. Heero me falou sobre os caçadores, os Peacecraft e sobre o que se trata a profecia.
- Não estou "duvidando" de você humano, ou de Heero, mas sua raça é facilmente manipulável. É muito fácil para um vampiro corromper e "destruir" uma alma humana.
- Duo conhece os riscos Ahmad. Eu não permitiria que ele participasse... se não achasse que ele pode enfrenta-los tanto quanto qualquer um de nós.
A voz de Heero estava carregava de uma fria advertência para que moderasse suas palavras, mas Ahmad procurou ignorar e continuou a falar se dirigindo agora a Heero.
- Sua confiança no humano e baseada em que Heero? Na capacidade dele ou no fato do humano ser seu amante.
- Ahmad!
Ahmad ignorou Abdul e olhou pra o humano que tinha o rosto vermelho e os olhos tão frios quanto o de Heero. Auda se dirigiu a Ahmad mentalmente, mas ele simplesmente ignorou o aviso dado pelo vampiro.
"Não provoque Heero ou o humano Ahmad você pode se arrepender por isso".
Heero levantou-se seus olhos estavam com um brilho avermelhado e sua voz estava tão fria que Duo e Quatre tiveram que se controlar para não tremer devido a intensidade da fúria do vampiro de olhos azuis. Treize tentou acalmar Heero seria imprudente cair nas provocações de Ahmad, era evidente o que Ahmad estava tentando fazer.
"Heero controle-se. Ahmad está apenas tentando provoca-lo. Ele percebeu o que sente por Duo e vai tentar de todas as maneiras faze-lo dizer algo que não deve. Não é a você que ele quer atingir, mas ao humano. Deixe que Duo o enfrente essa é a única maneira".
Heero fechou os olhos tentando controlar a vontade de arrancar a cabeça de Ahmad do pescoço. Duo colocou sua mão sobre a de Heero tentando acalma-lo. O vampiro olhou para a mão quente sobre a sua e olhou nos olhos de Duo que pedia silenciosamente para que se acalmasse. Heero se sentou e Duo olhou para Ahmad. Seus olhos estavam escuros quando ele encarou o vampiro que sentiu um certo desconforto com a intensidade do olhar do humano que parecia promete-lhe a morte. Quatre conhecia aquele olhar, sabia que Duo estava furioso.
- A confiança de Heero não é baseada no que... fazemos juntos. Embora eu não acredite que isso seja de sua conta. E eu não tenho medo de morrer Ahmad, se o tivesse não estaria em uma sala repleta de mortos-vivos.
- Palavras corajosas humano, mas você dirá a mesma coisa quando se encontrar frente a frente com um vampiro que deseja mata-lo. Humanos são fracos e dispensáveis. Não servem para nada alem de suprir nossa necessidade de alimento. Apenas o que corre em sua veia é precioso para nós.
Duo olhou para o vampiro. Bem se ele era dispensável por que então tanto preocupação sobre sua fidelidade, senão precisava dele não tinham por que se preocupar se ele passasse para o outro lado. Auda olhou para o humano e depois para Heero que olhava para Ahmad como se fosse mata-lo. Talvez ele devesse dizer a seu irmão que o humano já entrara em um covil repleto de vampiros dispostos a mata-lo e sobrevivera, mas antes que pudesse falar algo o humano se pronunciou.
- Se a única valia que tenho é meu sangue. Não vejo por que minha confiança deva ser comprovada. Eu tenho apenas uma palavra Ahmad e ela nunca volta atrás. Se eu tiver que enfrentar uma horda de vampiros eu o farei, por que Heero confia em mim. Quanto a você não tenho o menor interesse em mudar sua opinião sobre os humanos, apenas se lembre quando não restar mais humanos no mundo de que você teve a chance de batalhar ao lado de um, mas foi descortês demais para aceitar a ajuda dele.
Duo sussurrou algo no ouvido de Heero, se levantou e deixou a sala sob os olhares de todos. Heero ficou olhando para Duo até que ele deixou a sala. Depois olhou para Ahmad, seus olhos estavam vermelhos, suas presas saiam de sua boca e sua voz estava tão fria quanto a escuridão em que viviam os da sua espécie.
- Mesmo que não seja da sua conta Ahmad. Eu irei lhe dizer apenas uma única vez. Duo não é meu amante, mas meu companheiro e logo que essa batalha terminar eu o farei meu esposo. Então nunca mais volte a se dirigir a ele dessa forma na minha presença ou eu o mato por isso.
Dois dos vampiros do clã do Maganac Madijah e Hadi se levantaram, mas Abdul olhou para eles que tornaram a sentar-se. Ahmad estreitou o olhar, mas não disse uma única palavra. Heero continuou a falar agora se dirigindo agora a todos os membros do clã Maganac.
- Os senhores sabem sobre a ameaça que cairá sobre nós, cabe a vocês decidirem se nos ajudam ou não. O clã dos Khushrenada os enfrentará com ou sem sua ajuda.
Heero se levantou e deixou o salão alguns minutos depois da saída do humano e encontrou Duo em pé na escada falando com um dos empregados. Ele não gostou da forma como o outro humano olhava para Duo e quando a humana fez menção de tocar o rosto de seu companheiro os olhos de Heero adquiriram um brilho perigoso, ainda mais quando ouviu os pensamentos do empregado.
Treize esperou que Heero saísse antes de falar, a tensão dentro do salão era quase palpável.
- Acho que vocês deveriam pensar sobre o assunto, nós iremos deixa-los a sós para que possam tomar sua decisão.
Treize se levantou sendo seguido pelos demais membros do clã. Eles deixaram o salão em silêncio, Quatre não pode impedir-se de olhar para trás e seu olhar encontrou com o de Abdul que curvou a cabeça ligeiramente. Auda esperou que os Khushrenada deixassem o salão e olhou para seus irmãos antes de falar com a voz irônica.
- Eu lhe disse para não provoca-los Ahmad.
Ahmad o olhou com desprezo e se preparava para levantar quando Abdul o mandou ficar.
- Fique Ahmad temos que conversar. Os outros podem ir.
Os vampiros saíram ficando apenas Abdul, Ahmad e Auda no salão. após eles saírem Abdul se voltou para Ahmad.
- O que pretendia com isso Ahmad?
- Eu não fiz nada, não tenho...
- Tem culpa sim. Você deliberadamente provocou essa situação. Sei que não gosta dos humanos, embora não entenda o porque, você já foi humano ou esqueceu-se disso.
- Não eu não me esqueci. E por lembrar que sei como os humanos não são confiáveis, eles são fracos e covardes.
- Não os julgue apenas por seus olhos Ahmad você ira se arrepender.
- O que quer dizer Auda?
- Nada é apenas um conselho.
- Detesto quando você faz isso.
- O que?
- Você sabe de alguma coisa, mas não conta nada a ninguém.
- Você deveria conversar e observar mais antes de atacar as pessoas com palavras Ahmad. O que você achou do humano Abdul?
- Ele mostrou ser digno de confiança. Ele poderia ter dito qual era seu verdadeiro relacionamento com shuhan e nós o teríamos respeitado por isso, mas ele não disse nenhuma palavra sobre sua posição e deixou que Ahmad o tratasse como um simples "capricho" de Heero. Isso mostrou que ele pensa na posição do shuhan antes de pensar em si mesmo. E ele mostrou coragem ao enfrenta-lo Ahmad, mesmo você deveria reconhecer isso.
- Está bem ele tem uma língua afiada e um pouco cérebro por trás daquela beleza. Não admira Heero tê-lo escolhido como companheiro.
- Não foi apenas por causa da beleza Ahmad. Se você observasse com atenção veria que há muito mais que isso no humano.
- Auda tem razão Ahmad.
- Humpf, eu não preciso perguntar a decisão de vocês, ela já é bastante clara.
Heero se aproximou, colocando-se deliberadamente entre os dois, Heero passou um braço ao redor do ombro de Duo e o puxou para junto de si. Depois disso dirigiu-se a mulher numa voz tão baixa e tensa que até mesmo Duo teve dificuldades para ouvir.
- Eu me considero um vampiro justo e paciente mais você esta exagerando.
A mulher engoliu em seco e recuou ao notar os olhos vermelhos e as presas na boca do rapaz de cabelos curtos.
- Eu não fiz nada Sr eu juro.
- Heero deixa...
Heero ignorou e voltou-se a dirigir a mulher que tremia e chorava, ela não havia feito nada. Ela tinha visto o rapaz de cabelos compridos pela manhã na cozinha na companhia do jovem loiro e o acha lindo ela teria ficado a manha toda a admira-lo se Kimitsu não a tivesse manda-lo para sair da cozinha. Mas quando o rapaz saiu do salão apressado e esbarrara com ela fazendo os lençóis que carregava caírem ela resolvera perguntar quem ele era ignorando os avisos que Kimitsu havia dado para não se aproximar dele sob forma alguma. Agora tendo o vampiro a sua frente sabia que tinha cometido um erro terrível. Ela apenas queria saber o nome dele e saber se ele lhe daria uma oportunidade. Ele havia sido tão educado e gentil com ela
- Se eu não fosse justo e paciente Kimitsu teria muito trabalho em juntar as partes separadas do seu corpo e limpar o seu sangue do chão.
A cor desapareceu completamente do rosto da mulher.
- Mas eu ser paciente o único trabalho que Kimitsu terá será o de acompanha-la para fora desse castelo. Isso lhe parece justo o suficiente.
A mulher assentiu silenciosamente. Duo sentiu um enorme alivio por não ter acontecido nada mais serio, ele não tinha duvidas de que Heero fizesse realmente o que havia dito.
- Heero não precisava fazer isso nós estávamos apenas conversando...embora eu tenha adorado saber que sente ciúmes.
- Você estava conversando já não posso dizer o mesmo dela. E quem estava com ciúmes?
- A cena que você fez indicava isso.
- Não foi uma cena de ciúmes e sim de possessividade.
- Existe diferença?
Heero puxou-o para si e Duo pode sentir os lábios frios na curva do pescoço.
- Sim há.
- E qual seria?
O abraço tornou-se ainda mais apertado, mas os braços de Heero não provocavam qualquer sensação sufocante pelo contrario Duo sentia-se protegido no meio deles. Fechando os olhos ele aproveitou aquele momento.
- Não tenho por que sentir ciúmes, eu confio em você.
- Hum.
- Mas ninguém toca no que me pertence. E você me pertence Duo.
Heero olhava nos olhos de Duo e inclinou-se para beija-lo levemente nos lábios, fazendo com que Duo sentisse uma onda de calor percorrer-lhe o corpo. Treize e os outros encontraram Duo e Heero na escada se beijando, mas eles tinham plena consciência de que se não parassem os dois logo estariam se amando na escada. Trowa pigarreou chamando a atenção dos dois. Duo se afastou de Heero que o manteve junto a si. os lábios de Duo estavam vermelhos e sua respiração descompassada sem contar que seu rosto estava vermelho. Cathrine sorriu e resolveu brincar com os dois.
- Por que vocês não fazem isso em um quarto.
- A gente não estava fazendo nada.
Quatre teve que rir da cara de Duo que ficou ainda mais vermelho. Heero apenas deu um meio sorriso e sussurrou algo no ouvido do humano antes de morde-lo na curva do pescoço fazendo Duo gemeu.
- Huuummm Hee-chan.
Risadas foram ouvidas e Duo escondeu o rosto no ombro do vampiro. Ele tinha esquecido completamente que os outros estavam ali os observando e por Deus ele havia gemido na frente deles. Christine olhava para o humano junto ao novo shuhan dos Khushrenada ele era simplesmente lindo. Nunca havia visto Heero tão a vontade com um humano como o que estava em seus braços. Heero ignorou os olhares de todos e passou os braços por baixo dos joelhos de Duo o erguendo em seus braços pego de surpresa Duo gritou, mas Heero simplesmente ignorou os protestos do humano que pedia que o colocasse no chão.
- Heero!
- Senhores se me derem licença.
- Claro.
- Me coloca no chão Heero.
Heero continuou a subir as escadas com Duo em seus braços enquanto eram observados pelos outros. Mas antes que eles chegassem ao topo da escada a porta do salão se abriu e um dos vampiros do clã Maganac apareceu. Heero parou colocando do Duo no chão. Treize olhou para ele que sacudiu a cabeça.
- Acho que teremos que deixar nossa... conversa para depois.
Duo riu e acariciou o rosto do vampiro, o que Heero lhe havia proposto estava longe de ser uma conversa.
- Tudo bem eu tenho que ir também?
- Não vá para o quarto eu conto os detalhes a você mais tarde.
- Ok eu vou manter o local aquecido.
- Conto com isso.
Heero beijou Duo e desceu as escadas sendo acompanhado pelo clã de volta ao salão. Duo continuou seu caminho até o quarto, mas parou antes de entrar nele.
Na cidade:
A criatura de cabelos brancos e olhos dourados pegou o punhal cortando a própria mão, o sangue escuro escorreu por ela e a criatura deixou que caíssem na terra sob os seus pés. Relena observava com atenção o que o Necro fazia.
- Pelo sangue de meus ancestrais, pela herança do meu clã. Criaturas que vivem na escuridão da terra. Vivam pelo meu sangue e obedeçam as minhas vontades.
De repente ao som das palavras da criatura o chão onde o sangue tocou começou a se mover como uma onda, e o Necro sorriu causando um arrepio em Relena.
No castelo dos Khushrenada:
O olhar de Duo se tornou vazio e ele retornou descendo as escadas. Ele passou por Kimitsu que o cumprimentou, mas Duo parecia alheio a tudo e nem mesmo olhou ou respondeu a Kimitsu que achou estranha a atitude do rapaz.
Na cidade:
A criatura pegou o frasco que continha o sangue de Duo e espalhou sobre o chão desenhando um circulo com uma estrela de cinco pontas ao centro.
- Trevas que governam a noite. Seres que vivem na escuridão traga o humano protegido pelo vampiro, sintam o cheiro de seu sangue e o aprisionem. E que ele seja abraçado pelo mal que combate. Não se detenham por nada... eu quero o humano, matem todos que se puserem em seu caminho.
O chão se moveu como se tivesse vida. Arrastando-se a uma velocidade incompreensível, em poucos instantes a criatura formada de areia e sangue alcançou a terra dos Khushrenada e encontrou o humano.
No castelo:
Heero e os outros ouviam atentamente as palavras de Abdul acerca da decisão do clã Maganac. Uma parte de si estava contente e aliviado pelo fato de que os Maganac haviam concordado em ajuda-los, mas uma outra parte de sua mente não estava prestando atenção às palavras de Abdul. À mente de Heero se encontrava distante, algo o incomodava, uma sensação fria e aterrorizante que jamais sentira, algo de terrível se aproximava. Algo vil...e mal. Quatre começou a se sentir mal, ele tremia e suava, seu coração parecia que estava sendo comprimido por uma mão fria e malévola. Uma maldade sem limites era o que sentia, uma maldade com um único propósito. Ele olhou para Heero pronunciando uma única palavra, antes de desmaiar nos braços de Trowa.
- Duo.
Kimitsu seguiu Duo e o viu saindo do castelo caminhado na direção da cidade, ele teve a intenção de chamá-lo, mas antes que o fizesse o rapaz havia sumido, como se tivesse sido tragado pelo chão. Ele correu para dentro do castelo Heero precisava saber o que havia acontecido.
Na cidade:
O Necro sorriu e olhou para Relena. O brilho dourado de seus olhos mais escuro que o habitual.
- Ele está vindo.
Relena sorriu deliciada, logo o humano estaria em seus braços e ela o tornaria seu, mesmo contra a vontade do coração dele. Depois que o fizesse nada a impediria de realizar os seus planos ou cumprir seu destino.
No salão do castelo:
Trowa aparou Quatre. Ele também havia sentido, seja lá o que fosse, era incrivelmente poderoso. Trowa olhou para os demais que pareciam tão perturbados quanto ele, ao que parecia todos haviam tido a mesma sensação. Heero se levantou Duo estava em perigo, o que quer que fosse a criatura capaz de causar tamanha sensação viera com um único objetivo, o humano. Treize viu Heero se levantar e sair apressado sem pronunciar uma única palavra, Cathrine estava segurando seu braço, ela tremia apavorada, ele a abraçou e beijou-lhe o rosto antes de se levantar e ir atrás de Heero. Antes que Kimitsu tivesse a chance de bater na porta Heero a abriu e caminhou em direção ao seu quarto, mesmo sabendo que Duo não estava lá, no entanto as palavras de Kimitsu o deterá.
- Alguma coisa o levou senhor.
Heero parou e olhou para o empregado, seus olhos de um vermelho escuro. Sua mente dizia que era impossível. Como assim algo o levará? O vampiro se aproximou perigosamente do empregado. Kimitsu teve o instinto de se afastar, jamais vira o vampiro tão frio e perigoso. Era quase impossível não tremer diante de sua presença, mesmo trabalhando há quase 20 anos para Heero, essa era a primeira vez que temia por sua vida. A voz de Treize trouxe Heero a razão.
- Heero não faça isso.
Ele parou de nada adiantaria machucar Kimitsu, isso não o faria se sentir melhor, ao contrario ele se arrependeria amargamente por isso mais tarde, o humano sempre havia sido leal a ele e ao clã. Heero fechou os olhos por um momento se acalmando e quando os abriu a íris azul cobalto reluzia fria como sempre.
- Diga o que viu Kimitsu.
Kimitsu contou o que havia acontecido e o que havia visto. As palavras do empregado não faziam sentido para Heero, a única certeza que tinha era de que tudo deveria ser obra de Relena. Abdul e Ahmad haviam deixado o salão assim que o shuhan dos Khushrenada a deixara, seguido por Treize. Auda ficara ao lado de Trowa e Quatre que continuava desmaiado. Abdul olhou para Ahmad que assentiu com a cabeça, já imaginavam que criatura havia levado o humano, havia apenas uma criatura capaz de provocar aquela sensação. Abdul não sabia como tal ser poderia existir, eles somente podiam ser invocados e comandados por um clã de que deveria estar extinto a mais de um século. Abdul se aproximou de Heero tocando seu ombro. O vampiro o olhou com os frios e sedentos.
- A criatura que levou o humano se chama Αίμα [5], mas apenas os Necros podem invocar tais criaturas. E os Necros estão extintos a mais de um século.
- Não. Há um Necro com Relena.
- Um Necro?
Abdul se mostrou surpreso os Necros não eram vistos a muito tempo pelo seu clã.
- O que sabe sobre essa criatura Abdul? Ela levou Duo e tenho certeza que Relena a essa altura já deve está com ele.
A pergunta de Heero o fez refletir por alguns instantes antes de responder.
- Eles obedecem apenas aos Necros, pois são invocadas através do sangue deles.
- Como o derroto?
Heero olhou para Abdul aguardando uma resposta. Abdul olhou para Ahmad que se aproximou dizendo:
- A única forma de destruir a criatura e matando o Necro que a invocou.
- Então o Necro morrera essa noite.
Heero foi até o seu quarto, sabia que para enfrentar a criatura e o Necro precisaria de Hikari, mas como tira-la da redoma se a mesma agora somente poderia ser aberta com a presença dele e de Duo. Ele desceu as escadas parando em frente à redoma, Hikari brilhou reagindo a sua presença. O vampiro estendeu sua mão direita e fechou os olhos confiando na voz dentro de si. Hikari emitiu um brilho claro em resposta. Quando Heero abriu os olhos a espada encontrava-se em sua mão. Ele subiu as escadas chegando ao quarto e encontrando Treize. Ele olhou para o antigo shuhan dos Khushrenada e sacudiu a cabeça, ambos deixaram o quarto. Quando desceram Heero se virou para Kimitsu.
- Kimitsu mande....
- O carro está pronto senhor.
Heero olhou para o humano e deu um sorriso colocando a mão em seu ombro. Ele se virou para Trowa que havia deixado Quatre em seu quarto na companhia de Sally e Cathrine.
- Trowa você e os outros ficam aqui eu e Treize iremos até a cidade atrás de Duo.
- Heero...
- Não você sabe o que fazer caso algo aconteça.
- Como quiser.
- Espere Heero.
Heero e Treize pararam. Auda veio até eles com sua espada.
- Eu irei com vocês.
Heero assentiu e os três partiram em direção a cidade para encontrar Duo. O pensamento de Heero voou até o humano, mas ele não conseguiu alcança-lo.
"Duo por favor esteja bem".
Na cidade:
Uma densa neblina começou a vir da floresta, logo toda a cidade estava mergulhada em uma nevoa fria onde nada podia ser visto ou ouvido. Os vampiros do clã dos Khushrenada que estava na cidade a mando do shuhan sentiam que algo vindo das terras dos Khushrenada se aproximava. Era rápido, frio e malévolo.
Relena estava sentada na cama aguardando à chegada do humano. Suas mãos deslizaram sobre o cetim vermelho que cobria a cama, logo ela estaria deitada nela com o humano. Tal pensamento a fez sorrir, imaginado o que faria com ele, fazia algum tempo que não se deitava com um humano.
Um tremor no chão despertou sua atenção e a voz do Necro se fez ouvir.
- Ele chegou.
O chão se ergueu em uma coluna, e braços surgiram da terra, junto com olhos frios e dourados. A criatura feita de sangue e areia se aproximou do Necro e colocou o humano desacordado a seus pés.
- Bom trabalho. Agora voltem de onde vieram e aguardem.
A criatura se desfez no chão e o Necro se abaixou acariciando o rosto do humano. Relena se aproximou observando com atenção, intrigada com o interesse do Necro no humano. Relena sabia que Mirla a estava ajudando por interesse próprio. O Necro desejava algo do humano, mas não sabia em que o humano poderia ser-lhe útil. O Necro pegou o humano no colo e o levou até a cama, passando por Relena em silêncio, ela deixaria o vampiro realizar o que queria isso não iria interferir em seus planos.
- Dê isso a ele vai acorda-lo e mantê-lo sob seus comandos. Ele achara que está com o vampiro e não com você.
Relena pegou o vidro negro das mãos do Necro e colocou próximo ao nariz de Duo. O humano se remexeu e abriu os olhos. A mente de Duo estava confusa, ele olhou em volta tentando lembrar de onde estava, ele não sabia ao certo o que havia acontecido. Heero lhe havia feito uma proposta maravilhosa e eles estavam indo para o quarto, quando ele teve que voltar ao salão. Ele havia beijado Heero e se encaminhado para o quarto, mas ele chegara no quarto?. Uma voz o chamou e ele viu o vampiro a sua frente, algo lhe dizia que Heero estava diferente, mas ele não sabia dizer o que era.
- Você está bem Duo?
- Eu...acho que sim.
Relena sorriu se aproximando da cama, deslizando suas mãos pelo tórax do humano. Duo sentiu um ligeiro arrepio algo não estava certo, mas seus pensamentos foram interrompidos ao sentir seu pescoço ser atacado pelos lábios de Heero. Relena beijou o pescoço do humano que gemeu o nome de Heero, ela sorriu. Seu plano estava dando certo, o humano pensava que era Heero e não ela quem o estava beijando, suas mãos começaram abrir a blusa dele enquanto seus lábios se encontraram com os de Duo.
Heero e os outros pararam a entrada da cidade, pois seria impossível continuar com a neblina. Heero desceu do carro, segurando a espada nas mãos, ele olhou para Treize e para Auda, era evidente que não queriam que entrasse na cidade, mas ele não desistiria de Duo.
- Onde você acha que o levaram?
Heero pensou por um momento não havia muitos lugares onde Relena pudesse ter levado Duo. O local mais provável seria o hotel, ele se virou para Treize e Auda e sua voz saiu fria, mas Treize notou a preocupação escondida nas palavras.
- O hotel da cidade. Eu irei na frente, vocês dois ficam na retaguarda, não é necessário que todos nós entremos.
Os dois vampiros concordaram e Heero correu desaparecendo na nevoa. Seus passos eram guiados pelo seu coração e pela espada em suas mãos. Em poucos segundos se encontrava em frente ao hotel. Ele entrou tentando perceber a presença dentro do edifício. Mas não era fácil, algo parecia bloquear sua percepção. Ele retirou Hikari da bainha e entrou.
Duo sentiu a língua adentrar sua boca, seu coração gritava algo estava errado, ele deslizou suas mãos pelo corpo do vampiro. Girando seu corpo ele imprensou-o contra o colchão seus lábios deslizaram pelo pescoço alvo. E Duo o ouvir gemer extasiado pela caricia. Relena se sentia excitada, o humano era bom, quente, viril. Suas mãos agarraram as nádegas firmes do humano e ela se esfregou nele. As mãos dele acariciam as pernas pálidas de Relena. Ela o queria dentro de si, ela precisava ser possuída por ele, pois quando ele o fizesse seria dela para sempre.
O Necro olhou para cima, o vampiro havia chegado. Ele viera atrás do humano. Ela olhou para a cama onde o humano, já se encontrava sem a blusa. O humano beijava Relena como se ela fosse o seu amante vampiro, pois era ele quem o humano via. No momento em que eles consumassem o ato, a alma do humano estaria perdida. E ele não poderia mais empunhar a espada.
Heero sentiu que estava cercado, não podia sentir as presenças, mas seu instinto lhe dizia que eles estavam ali. Ele estendeu o braço direito ao lado do corpo, enquanto mantinha o esquerdo junto a si segurando a bainha da espada. Ele se ajoelhou ligeiramente afastando a perna direita para trás, ele fechou seus olhos e deixou que seus instintos o guiassem.
Alexius e Alexian haviam recebido ordens de Relena para manter Heero afastado até que tudo houvesse terminado e o humano fosse dela. Havia pouco mais de dez vampiros. Relena os havia avisado para não subestimar o shuhan dos Khushrenada, mas eles não a ouviram, ele era apenas um contra doze, eles poderiam detê-lo, mas estavam enganados.
Heero não tinha tempo a perder quanto antes acabasse com eles, mais rápido ele encontraria Duo e voltariam ao castelo. Sua voz soou fria e potente no silêncio em que se encontrava o hotel.
- Venham eu não tenho tempo a perder com vocês.
Assim que terminou de pronunciar essas palavras três vampiros foram para cima de Heero. Ele parou o golpe de um deles com a bainha da espada, enquanto cortava a cabeça de um deles e as pernas de outro. O terceiro recuou, mas não rápido o suficiente para escapar da espada do shuhan do Khushrenada. Logo os três jaziam mortos, com suas cabeças reparadas do pescoço e o sangue se espalhando pelo chão.
Alexius e Alexian sentiram a presenças dos três vampiros desaparecerem. O vampiro de olhos azuis não era um vampiro que deveria ser subestimado, pois mesmo com a magia do Necro os ajudando, bloqueando a visão e percepção do vampiro ele derrotara três dos seus em poucos instantes. Eles mandaram os outros sete para derrotar Heero.
- Veremos se ele é capaz de derrota-los de uma única vez.
Relena sentiu as mãos do humano passarem pelo seu corpo, acariciando o meio de suas pernas, os lábios dele em seu ombro, abaixando as alças de seu vestido. Ela sentiu a presença de Heero, não havia tempo a perder, ela precisava apressar o humano, faze-lo dizer as palavras. Ela girou o corpo sentando no colo do humano e prendendo suas mãos no alto da cabeça. Ela esfregou-se contra o membro intumescido do humano, que abriu os lábios em busca de ar enquanto dizia o nome do vampiro.
- Aaahhhh Heero...
- O que é Duo?
- Eu...
- Diga.
Relena continuava a esfregar-se contra a ereção do humano presa dentro das roupas. Ela tinha que faze-lo falar. Ela deslizou seus lábios pelo tórax de Duo prendendo um de seus mamilos entre os dentes, sua língua deslizando ao redor enquanto sugava o bico. Duo arqueou o corpo em resposta a caricia, mesmo se rendendo ao prazer que a caricia provocava, sentia que faltava algo. A voz fria do vampiro chegou aos seus ouvidos causando-lhe uma sensação estranha, como se fosse a primeira vez que a ouvia.
- Diga-me o que quer humano.
A palavra pareceu soar em sua mente. Humano? Heero nunca o tratava assim, não depois de terem se tornado amantes e ainda mais quando estavam na cama. Relena viu o humano piscar e seus olhos por um instante mostraram um brilho. Ela estava perdendo o controle sobre ele. O Necro sentia que o humano logo sairia do transe, se Relena não se apressasse logo, ela não conseguiria. O laço entre o humano e o shuhan dos Khushrenada era forte demais, e quanto mais perto os dois se encontravam, mas resistente ao seu feitiço o humano se tornava.
Heero estava em pé no lobby do hotel. Ao seu redor os corpos de todos os dez vampiros mortos. Ele os havia derrotado em poucos minutos. Os dois vampiros restantes ficaram surpresos ao ver Heero derrotar a todos, sabiam que não poderiam detê-lo, eles recuaram deixando Heero sozinho. Heero sentiu que fora deixado sozinho e abriu os olhos, ele tentou chamar Duo e finalmente conseguiu senti-lo por alguns segundos, o suficiente para saber onde ele estava. Heero não conseguia encontrar um caminho para o subsolo do hotel e sabia que isso era obra do Necro, ele ouviu a voz de Treize e Auda o chamando na entrada no hotel, mas não respondeu. Ele precisava encontrar um meio de chegar até Duo.
Então Hikari começou a brilhar intensamente, Heero e os outros tiveram que fechar os olhos por causa do brilho. A luz saiu do hotel dissipando a nevoa. Logo o hotel e a cidade estavam livres da nevoa. Hikari parou de brilhar e eles abriram os olhos. Heero pode então ver o local que levava ao subsolo do hotel.
- Fiquem aqui.
O Necro sentiu seu feitiço ser quebrado. A espada da luz havia vencido seu feitiço.
- Senhora ele esta vindo atrás do humano.
Relena sentiu Heero se aproximar, ele as havia descoberto. Ela se afastou do humano soltando seus braços, mas permanecendo junto a Duo que continuava deitado e os olhos fechados. Segundos depois Heero apareceu na escada. Seu olhar estava escuro e vermelho, ver Duo ligeiramente ofegante, semi-nu deitado na cama de cetim vermelho o encheu de uma raiva insana. Sem que notasse Heero se aproximou e segurou Relena pelo pescoço, com a espada transpassada no abdômen dela.
Ela gritou de dor ao sentir a espada de Heero entrar em seu corpo. A lâmina queimava como fogo, ela olhou nos olhos azuis que se encontravam vermelhos. Ela não o via há muito tempo, mas ele continuava tão belo quanto a primeira vez que o vira. Ela ignorou a dor em seu abdômen e tocou a face inexpressiva e fria de seu antigo amante. Heero sentiu o toque de Relena em seu rosto e isso o enojou, ele girou o pulso torcendo a lâmina da espada dentro dela.
- Argh....
- Eu vou mata-la.
- Faça e o humano também morre.
Heero virou a cabeça para trás e viu o Necro junto a Duo com o punhal sobre o coração dele. Heero olhou para Relena com raiva e puxou a espada com força. Ela gemeu de dor, mas se concentrou para fechar o ferimento, antes que perdessem todo o sangue. Heero soltou o pescoço de Relena, mas segurou o braço dela o torcendo para trás. Ela gemeu deliciada, mas parou ao sentir a lâmina em seu pescoço.
- Heero...
- Vá embora e não volte Relena.
- Eu estava com saudades Heero querido.
- Mande ela se afastar de Duo.
- Por que eu faria isso? Sabe agora eu entendo o que você viu nele. Ele é tão...ardente na cama. Aahhh
Heero torceu o braço de Relena com força. Ela jogou sua cabeça para trás encostando-a no ombro do vampiro. Ela virou o rosto para a face pálida e bela, passando sua língua pelo queixo de Heero, mas parou assim que sentiu ele pressionar a espada mais fortemente em seu pescoço.
- Ok. Solte-me e eu solto o humano.
- Por que eu confiaria em você?
- Por que senão você não vai sair com ele vivo.
- Solte primeiro.
- Você tem tão pouca confiança em mim? Depois de tudo o que fomos um para o outro.
- E por conhece-la que eu digo para soltá-lo primeiro.
- Deixe-o Mirla. Teremos outra chance.
Heero se aproximou da cama e jogou Relena no chão. Ela se levantou e ajeitou o cabelo. Olhando para o vampiro que passava a mão suavemente no rosto do humano, o olhar dela se tornou escuro e avermelhado. Ela jamais havia visto a expressão de carinho no rosto do vampiro. Será que ele amava o humano tanto assim?
Duo abriu os olhos e seu corpo tremeu diante do olhar de carinho de Heero. Sim ele conhecia aquele olhar, o cheiro, o frio das mãos dele em seu rosto. Ele olhou em volta e encontrou o olhar de Relena sobre si. No mesmo instante ele se sentou e olhou com assombro onde estava. Heero pegou a blusa de Duo e entregou a ele. Duo olhou para Heero confuso, como chegara até ali e o que havia acontecido para estar semi-despido daquela forma e na frente de Relena e da outra criatura. Heero se levantou e olhou para Relena, que não tirava os olhos de Duo.
- Nunca mais toque nele Relena. Deixe a cidade agora e eu não a matarei por ter tocado no que me pertence. Volte ou se aproxime dele novamente e eu a mato.
Relena ficou em silêncio por alguns segundos. Ela não poderia enfrenta-lo agora, não sozinha. Não sem a presença dos caçadores. Ela voltaria para tomar o humano e reaver Heero.
- Está bem eu irei. Por hora.
Os olhos de Heero se estreitaram perigosamente e ela recuou. Ela fechou os olhos por um momento e os dois vampiros de cabelos ruivos apareceram. Ela olhou uma ultima vez para Heero deixando o subsolo, acompanhada pelos vampiros e o Necro. Duo ficou olhando Relena se retirar, mas antes de sair ela o olhou e sorriu enquanto lhe falava mentalmente.
"Tive momentos maravilhosos, espero que possamos continuar em breve. Você é ainda melhor do julguei humano. Ardente, viril e...quase perfeito, não tanto quanto Heero, mas ainda assim fez com que me sentisse deliciada. Você ainda será meu assim como Heero".
Heero ouviu o que Relena dizia a Duo e não gostou, ele emitiu rosnado baixo, os olhos vermelhos como o sangue e as presas ornando sua boca. E Relena se virou para o vampiro com um sorriso e subiu. Heero estendeu a mão para Duo que a segurou incerto. O vampiro viu a preocupação e confusão nos olhos do humano.
- Vamos para o castelo. Eu lhe digo o que aconteceu depois.
Duo se levantou da cama e subiu as escadas, acompanhado pelo vampiro, eles chegaram ao lobby do hotel, onde Relena estava parada sendo impedida por Treize e Auda de partirem. Era a primeira vez que Auda via Relena Peacecraft, ela era uma jovem muito bonita, mas a maldade era visível em seus olhos e em seu sorriso. Mesmo que sentisse vontade de mata-la ali mesmo, Heero havia permitido a ela uma saída segura da cidade, mesmo sabendo que ela retornaria.
- Deixe-a ir Treize.
Treize e Auda permitiram que ela e os outros saíssem. Ao chegar na rua, ela viu os outros vampiros do clã dos Khushrenada, eles haviam se juntado próximo ao hotel assim que a nevoa se dissipou e que sentiram a presença do shuhan dos Khushrenada no hotel. Heero ordenou que eles trouxessem um dos carros para Relena e que a acompanhassem até que deixasse a cidade. Ele a viu partir e antes que o carro que os levava passasse pela praça da cidade sentiu o Necro em sua mente.
"Ainda nos veremos novamente Heero Yuy, shuhan dos Khushrenada. E eu terei o que quero"."O que você quer?"
"Vingança".
A voz do Necro sumiu de sua mente e ele puxou Duo para seus braços. Ela dissera vingança, mas contra quem? Eles tinham conseguido algum tempo até que Relena voltasse com os caçadores. Ele sentiu Duo tremer em seus braços e algo quente cair em seu pescoço, ele levantou a cabeça do humano e viu que ele chorava. Ele estava seguro agora e no momento era tudo o que importava. Heero se virou para dois vampiros de seu clã.
- Cyrus traga o carro parado na divisão da cidade e da terra dos Khushrenada. Paul você e os outros verifiquem se há mais alguém dentro do hotel e depois queime-o.
- Sim senhor Yuy.
Em alguns instantes Treize, Auda, Heero e Duo seguiam para o castelo, enquanto labaredas saiam de dentro do hotel destruindo com suas chamas os corpos dos vampiros e dos humanos mortos por Relena. A batalha se aproximava e logo a luta pela sobrevivência de ambas as espécies começaria.
Continua...
[1] Hadi significa guiado à direita
[2] Khuzaymah significa nome árabe Velho Kutaiba
[3] Muhammad significa Louvou
[4] Madijah significa Poderosa, Nobre.
[5] Αίμα significa sangue em grego
