Nota da Autora: Gente eu geralmente costumo fazer comentários ou avisos, apenas ao final dos capítulos, mas esse era especial e decidi por fazer isso logo de inicio.
Assim todos ficam avisados e não vão me culpar por não ter avisado antes de lerem. Bem meu aviso é o seguinte, o capitulo ficou extenso demais, muito mais do que costuma ficar, me foi sugerido dividi-lo em dois, mas eu não saberia onde dividi-lo e bem...eu também não estava a fim de faze-lo, pois eu ando com alguns problemas no meu pc e não sei quando poderia postar o restante (fora alguns outros problemas que não vem ao caso). Então para não correr o risco, decidi por postar tudo de uma única vez.
Então me perdoem pelo tamanho, mas como um monte de gente me ameaçou de morte, pois a fic não era atualizada há algum tempo, mim vai dar um mega capitulo para todos os que me enviaram email exigindo atualização, e eu sei que fã que é fã não se importa se o capitulo fica grande, mas sabe como é tem sempre alguém para reclamar.
Todos os capítulos são escritos em fonte Times New Roman, tamanho 12, alinhamento justificado, folha A4 (apenas para constar o número de folhas). O total de paginas desse capitulo é de 110 paginas nessa configuração, mas o site geralmente muda a configuração e o capitulo pode ter um acréscimo de folhas. Eu reescrevi esse capitulo acho que umas três vezes...então me dêem um desconto ok.
Então estejam avisados e divirtam-se. E eu aguardo comentários ok, afinal se não houverem comentários, mim não sabe se a fic agrada e portanto não tenho incentivo para atualiza-lo mais rápido.
Lábios de Sangue
Capitulo 15 - Enfrentando os Desafios
Duo e Quatre acompanharam com o olhar a saída de Heero e Trowa do quarto. O americano sorriu para o loiro e puxou o amigo para sentarem na cama, Quatre podia sentir ainda mais claramente as emoções do amigo e a mais forte entre elas era curiosidade pela forma como ele estava reagindo a sua nova natureza. Sorriu ao imaginar que Duo jamais mudaria, ele seria sempre terrivelmente curioso desde pequeno os traços mais marcantes no amigo eram sua espontaneidade, curiosidade e beleza e nada havia mudado em relação a isso e talvez nunca mudasse. Duo ajeitou-se na cama e olhou por alguns segundos o rosto de Quatre, ele não havia mudado muito em sua aparência, a não ser a pele que adquirira um tom um pouco mais pálido que o normal. Mas ao mesmo tempo ele estava diferente do Quatre que conhecia, a palidez da morte parecia que havia realçado a beleza angelical do amigo, e apesar dele ainda parecer à própria imagem de um anjo, era perceptível em seus olhos claros uma força selvagem e indomável. Duo suspirou e sorriu, mesmo que a força que via através dos olhos de Quatre, não fosse visível quando humano, sabia que ela sempre estivera lá, adormecida dentro dele e não tinha porque temer sua nova imagem
- Então me conta como se sente Quatre.
Quatre sorriu antes de responder, apesar de ser uma pergunta simples, era um tanto quanto difícil respondê-la imediatamente. Mesmo tendo ficado confinado no quarto com Trowa por duas longas semanas, em nenhum momento realmente parara para pensar em sua atual situação. Teoricamente ele agora estava morto, era um vampiro, um ser que nunca imaginou existir além das histórias contadas por Rashid e um ser que jamais imaginou se tornar. A imagem que se habituara a ver durante 17 anos quando humano havia morrido, juntamente com sua humanidade e sua alma humana, sua humanidade havia dado lugar a uma criatura que não sabia se podia realmente controlar. Então o que deveria dizer? Para responder a pergunta feita por seu melhor amigo. O jovem loiro fechou os olhos por alguns segundos, ponderando sobre o que sentia no momento, e no que sentira ao longo das duas semanas, ao abrir os olhos um sorriso brilhava em seus lábios, e com a voz calma e suave de sempre responder a Duo.
- Comparado há duas semanas a atrás quando eu não conseguia nem ao menos pensar direito, sem que a palavra sangue e fome andassem juntas. Eu me sinto bem, mas em relação ao ser que me tornei...
Quatre fez uma pequena pausa antes de continuar, podia ver a preocupação nos olhos do amigo e segurou a mão dele entre as suas, antes de continuar.
- Acho que vai levar algum tempo até me acostumar.
Duo sentiu as mãos frias de Quatre segurando as suas, e apertou-as procurando passar-lhe confiança apesar de não conseguir senti-la realmente, ele estava com medo, sabia que não deveria preocupar-se tanto, mas era impossível não faze-lo. Quatre era o irmão que nunca tivera, era sua família e vê-lo em tal estado era preocupante, mesmo vendo em seu rosto tão pálido o mesmo sorriso calmo e reconfortante que sempre o acalmava.
- Eu entendo. Eu fiquei tão preocupado com você Quatre. Eu pensei...pensei que você...
Quatre balançou a cabeça e soltou as mãos de Duo. Sentiu um ligeiro arrepio ao lembra-se de como tudo acontecera e do quão perto estivera de perder definitivamente sua vida, não que não estivesse morto agora, mas sabia que era completamente diferente.
- Eu também achei por um momento, mas se formos pensar direito eu realmente morri naquele dia.
Duo sorriu tristemente passando a mão pelo rosto pálido e frio do amigo. Todos que enfrentaram a batalha contra os caçadores haviam passado por muitas dificuldades, muitos vampiros do clã perderam a vida e outros ficaram feridos. Ele mesmo ficara gravemente ferido, permanecendo por quase duas semanas deitado na cama e sendo cuidado por um Heero preocupado e nervoso, a febre que o acometera cedera há alguns dias, mas seus ferimentos ainda necessitavam de alguns cuidados. No entanto não era isso que o preocupava, mas sim o fato de Heero andar um tanto estranho nos últimos dias.
Quatre podia sentir claramente as emoções de Duo, também sentia o mesmo que o amigo, nesse momento. Cansado, confuso e com medo, embora seu medo tivesse um motivo completamente diferente do americano. Ele tinha medo da criatura que havia se tornado, medo do que aprendera a sentir e desejar, medo da natureza selvagem que se escondia dentro de seu corpo, uma natureza sedenta e incontrolável. Quatre desejava saber como seus pais reagiriam quando soubessem o que ele se tornara, mas o que mais o preocupava era o fato de não saber por quanto tempo conseguiria ignorar seus novos instintos sem ferir alguém.
Duo viu o semblante preocupado de Quatre, podia imaginar suas preocupações, não havia como comparar seus temores aos do amigo, seus problemas, dúvidas e temores não eram nada comparados ao do árabe. Pelo que sabia e que Auda lhe explicara sobre os vampiros, todos possuíam dentro de si uma natureza com o qual lutava a cada segundo, uma natureza que desejava apenas uma coisa: sangue. Quatre não tivera muito tempo para pensar ou dominar sua nova natureza, e eles ainda estavam longe de se considerarem livres dos caçadores e das armadilhas de Relena, que se encontrava escondida em algum lugar da cidade como restante de seu bando.
Quanto tempo eles teriam até que ela os atacasse novamente? Ou até que chegassem reforços e se juntassem a ela? Pelo que sabia Heero havia enviado vários vampiros para procurá-la, no entanto nenhum rastro dela e dos outros, fora encontrado. Duo fechou os olhos momentaneamente, sua mente fervilhava com perguntas sem respostas, ele levou a mão esquerda a testa e sentiu-a quente, gemeu levemente diante do desconforto que isso lhe causava, fazendo Quatre olhá-lo preocupado. Quatre estava mergulhado em reflexões quando o leve gemido de Duo, despertou-o para o fato de que ele não estava muito bem.
- Você está bem Duo?
Duo deu um sorriso brincalhão e balançou a cabeça, não estava se sentindo bem, sua cabeça parecia que ia explodir e seu corpo parecia estar pegando fogo, mas estava se sentindo tão bem há poucos minutos. No entanto agora se sentia um pouco dolorido e os ferimentos ardiam, apresentando um calor característico de que estava inflamado, não entendia como isso era possível, uma vez que há apenas dois dias atrás eles pareciam estar bem e cicatrizando.
No entanto sabia que isso não era verdade, não havia sido honesto com Heero a cerca de seus ferimentos, eles haviam piorado há dois dias apesar de não apresentar a quentura que sentia nesse momento, sabia que o vampiro logo descobriria, e não entendia o porque dele ainda não tê-lo feito. Era Heero quem sempre fazia os curativos em seu corpo, apesar de não tê-lo deixado fazer isso nos últimos dias, não sabia explicar o porque de não o ter deixado cuidar de seus ferimentos. Sabia apenas que isso nada tinha a haver com o fato de que não queria sobrecarregar Heero o fazendo cuidar si, mas sim pelo fato de que vinha se sentindo estranho na companhia dele, alguma coisa havia mudado desde a batalha com os caçadores, e não sabia explicar exatamente o que ou o porque de sentir-se assim em relação ao amante.
E agora se não bastasse estava novamente com febre, e não tinha mais como evitar que Heero soubesse, tinha certeza de que ficaria preocupado e não queria causar mais preocupações ao vampiro além das que ele já possuía. Quatre olhou profundamente nos olhos de Duo e tocou a testa do amigo com as mãos frias, seus olhos se arregalaram, como não notara antes que Duo estava ardendo em febre.
- Por Alá Duo, você está ardendo em febre.
- Eu estou legal Quatre...não precisa.
- Como não. Você não está bem, e sabe muito bem disso.
Quatre se levantou alarmado indo até o banheiro buscar uma toalha úmida, ao retornar obrigou Duo a se deitar na cama, o jovem vampiro colocou a toalha na testa de Duo e sentou-se ao seu lado acariciando o rosto dele. Não era nada bom o fato de Duo estar com febre, pelo que Trowa lhe dissera, tinha poucos dias que a febre cedera, pelos cálculos isso deveria ter mais ou menos uns três dias. E ela voltara novamente, isso apenas significava uma coisa que Duo estava doente, da mesma forma que ficava quando era pequeno.
"Que Alá nos ajude".
(O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O)
Na sala de leitura:
Cathrine e Sally conversavam com Trowa sobre Quatre, mas o vampiro de olhos verdes não estava participando plenamente da conversa, mesmo que o assunto lhe agradasse, no momento ele tinha sua atenção dividida entre elas e o shuhan dos Khushrenada. Trowa olhava para Heero discretamente, embora soubesse que o outro sabia que era observado, haviam deixado Duo e Quatre sozinhos há quase uma hora para que pudessem conversar, e desde que deixara os dois Heero se manteve calado, perdido em pensamentos. Havia algo de estranho com Heero nos últimos dias, o shuhan andava estranho, quase irreconhecível, parecia ainda mais frio e ameaçador que o habitual, algumas vezes tinha a ligeira impressão de ver outro através dos olhos dele...um outro Heero ainda mais aterrador que o que se encontrava agora em silêncio.
Heero podia sentir o olhar de Trowa sobre si, o observando tentando descobrir o que estava acontecendo com ele, manteve os olhos fechados procurando acalmar-se, queria evitar se aborrecer com o amigo e acabar por cometer uma tolice, apenas porque não conseguir conter seu atual estado de irritação. Sabia que os outros já haviam notado que algo estava acontecendo, que estava diferente em suas atitudes, não poderia lhes dizer que estava lutando com um inimigo invisível, mas real e que estava perdendo. Seus pensamentos foram atraídos por uma sensação, uma lembrança dispersa e confusa, alguma coisa o estava incomodado, desde que deixara o quarto de Trowa, no entanto não sabia o que podia ser, tinha certeza apenas que a sensação incômoda tinha relação com Duo.
O humano estava tendo um restabelecimento difícil era verdade, mas vinha melhorando satisfatoriamente, a prova disso era que a febre que vinha tendo há quase duas semanas finalmente havia cedido. Ainda assim não podia deixar de se preocupar com o amante de olhos ametista, os ferimentos dele apesar de estarem sendo devidamente cuidados, apresentavam uma ligeira inflamação que segundo o amante havia sumido. Não sabia qual era o real estado dos ferimentos nos últimos dias, pois Duo não o deixara verificar, por isso tinha que confiar em sua palavra, não conseguia entender o porque do americano não deixar que continuasse a cuidar dele, ou talvez não quisesse encarar o fato de que Duo sabia que algo estava acontecendo com ele. Assim como ele sabia que algo estava errado, e que o humano estava escondendo algo.
"O que ele estaria escondendo?".
Heero procurou clarear sua mente e tentar ver o que estava errado, repassar cada um de seus passos desde que deixara o quarto a algumas horas, foi então que lembrou de algo, no quarto de Trowa pouco antes de sair, precisamente quando tocou o rosto de Duo, sua pele estava um pouco quente e corada demais. Seus olhos se abriram e um brilho avermelhado reluziu neles por alguns instantes, juntamente com uma ligeiramente irritação ao descobrir que fora tão descuidado por não perceber o que estava diante de seus olhos.
"Droga...ele está com febre novamente".
Heero se levantou imediatamente e deixou a sala em silêncio, precisava verificar se suas suspeitas eram reais, esperava ansiosamente que estivesse errado, embora soubesse que não estava.
(O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O)
Heero subiu as escadas rapidamente e entrou no quatro de Trowa sem bater. Encontrando Duo dormindo sob a cama de Trowa. Quatre estava debruçado sobre ele acariciando-lhe o rosto, tocando no que era seu, imediatamente seus olhos se avermelharam escurecendo de tal forma que estavam quase negros. Quatre podia sentir a força dos sentimentos de Heero e o quanto o ciúme estava correndo o vampiro por dentro, se permitiu sorrir antes de virar-se para a porta e encontrar o vampiro com o olhar mais mortal que já vira antes. Imediatamente sua natureza gritou para que se defendesse da ameaça que emanava dos olhos de Heero, foi com muito esforço que se obrigou a ignorar. Heero o encarava como se estivesse preste a mata-lo apenas por estar tocando em Duo e sabia que se o enfrentasse perderia antes que pudesse fazer qualquer coisa.
Heero sabia que não deveria estar sentindo-se assim em relação a Quatre, afinal ele era apenas amigo de Duo, quase como um irmão, mas não conseguira refrear de imediato o sentimento de posse em relação ao humano, sabia que Quatre também procurava se conter diante de seu instinto de preservação. Ele fechou os olhos momentaneamente controlando-se, assim como Quatre fizera a pouco, não sabia durante quanto tempo conseguiria controlar-se, ela vinha ganhando força dentro de si a cada dia, mas ele tinha que se manter no controle ou acabaria machucando alguém. Quatre podia sentir a força que Heero fazia para se controlar, notou a fome no vampiro a sua frente e estreitou os olhos antes de voltar-se e olhar para o semblante adormecido de Duo, ele mexeu na franja grudada na testa, antes de beija-lo e se levantar.
Heero estreitou os olhos sabendo que eles apresentavam novamente um brilho avermelhado, embora mais brando Quatre mantinha sua mente aberta lhe dizendo claramente como o via, assim como o que via através da íris vermelha. O loiro parou ao seu lado, entregando-lhe a toalha que estivera usando para ajudar a febre ceder, ele precisava ir a cidade buscar sua mãe, ela saberia melhor do que eles como cuidar de Duo. Não era a primeira vez que Duo ficava doente, não era exatamente da mesma causa, mas a febre que não cedia e voltava já era algo comum e um tanto peculiar à saúde de Duo e precisava dizer isso a Heero. Embora não soubesse exatamente como explicar o fato, procurou falar da forma mais clara e calma possível a fim de que ele pudesse esclarecer a necessidade de buscar ajuda.
- Duo está com febre...novamente, ele acabou de adormecer. Heero....eu queria permissão para ir buscar minha mãe na cidade.
- Sua mãe!?
Quatre balançou a cabeça e olhou novamente para Duo, que transpirava e gemia baixinho. Heero não entendia o porque de Quatre querer trazer a mãe dele ao castelo e qual a ligação com Duo estar com febre. Ele poderia cuidar do humano sozinho. Heero se aproximou da cama tocando a testa quente de Duo, com as mãos frias, o humano ardia em febre, o que o fez ficar preocupado e ignorar o possessividade escutando o que Quatre tinha a dizer.
- Porque Quatre? Você sabe o que ele tem?
- Não precisamente, mas não é a primeira vez que Duo fica doente e tem febre, por algum motivo, quando Duo adoece, independente do motivo, ele fica com febre e ela não costuma ir embora tão facilmente. É assim desde que éramos pequenos, ele ficava com febre ela cedia e voltava dois, três dias depois como se nunca tivesse ido embora, os médicos sempre disseram ser uma debilidade anormal do organismo dele. Por isso que Duo sempre tinha o maior cuidado para não adoecer, eu acho que minha mãe pode ajuda-lo agora, pelo que notei os ferimentos de Duo estão inflamados e eles não vão se curar completamente se a febre ficar indo e vindo.
Quatre notou o cansaço de Heero ao ouvi-lo dizer que os ferimentos de Duo estavam inflamados novamente, o vampiro a sua frente estava debilitado emocionalmente. Ao falar sua voz soou cansada, mas havia nela uma pontada de esperança.
- Está bem Quatre. Peça a Kimitsu que vá até meu quarto, vou levar Duo para lá. Peça a Trowa que o acompanhe até a cidade.
- Está bem.
Quatre notou o semblante preocupado de Heero, a dor que transparecia em seus olhos por não poder fazer nada por Duo, ele aproximou-se lhe tocando o ombro e sorrindo.
- Ele ficara bem Heero não se preocupe. Ele não contou a verdade, pois sabia como você ficaria e não desejava deixa-lo preocupado.
- Eu sei Quatre, mas seria impossível não descobrir.
Quatre notou uma leve ironia nas palavras de Heero, assim como uma certa frieza, mas sabia que era melhor ignorar. Ele saiu do quarto deixando-os sozinhos, sentiu uma certa apreensão ao deixar o quarto, era a primeira vez em duas semanas que deixava o aposento, e não sabia como reagiria, ainda mais estando sozinho. Mesmo que Heero não tivesse dito para ir com Trowa, ele teria pedido ao outro vampiro que o acompanhasse, ainda não estava muito seguro quanto a sua atual natureza. Desceu as escadas com certo receio, torcendo para que não encontrasse nenhum humano pelo caminho, o fato de não ter atacado Duo em seu quarto não significava que agiria da mesma forma com outro humano, sabia que conseguira se controlar com o amigo, pois o mesmo não sentira medo ao ficar com ele, mas não sabia se teria a mesma força de vontade caso sentisse, o doce aroma do medo.
(O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O)
Trowa sentiu as emoções de Quatre em sua mente e deixou a sala onde conversava com Sally e Cathrine para encontrar seu amante, podia sentir a insegurança e o receio dele em machucar alguém, encontrou-o quando chegava ao pé da escada. Ele descia a escada devagar, procurando ficar atento às presenças no castelo, assim que seus olhares se encontraram, o loiro, desceu rapidamente o restante dos degraus. Quatre sentiu-se mais aliviado ao ver Trowa ao final das escadas e desceu quase correndo os degraus que faltavam, jogando-se nos braços do amante e afundando o rosto em seu peito, deveria saber que ele estaria ali a sua espera. Trowa sorriu ao sentir o leve tremor no corpo de Quatre enquanto o abraçava, afastando-o ligeiramente de si apenas para poder beija-lo e acalma-lo.
Trowa sabia que Quatre ainda estava um pouco inseguro a respeito de sua nova natureza, e isso era comum nas primeiras semanas, ainda mais para alguém que ficara trancado no quarto por duas semanas, sem contato nenhum com os humanos. Sabia que seu apoio seria essencial a Quatre durante esse período de adaptação, e ele estava disposto a ajuda-lo a vencer seu receio.
- Obrigado Trowa.
- De nada meu anjo. Duo...ele não está nada bem não é. Venha vamos avisar Kimitsu e ir procurar sua mãe.
- Andou lendo meus pensamentos?
Quatre sorriu e falou num leve tom de fingida indignação, Trowa beijou-o suavemente na testa participando da brincadeira.
- Não sabia que tinha que pedir permissão. Mas não preciso lê-los para saber o que pensa.
- Eu sei.
- Acha que sua mãe vai ajudar Duo?
- Eu espero que sim...mas eu...
- Não se preocupe Quatre sua mãe não vai se recusar a recebe-lo, não importa a criatura que você tenha se tornado.
- Eu espero que não...não sei se suportaria se isso acontecesse Trowa. Não quero que ela tenha medo de mim...ou do que me tornei.
- Ela não terá amor. Quer ligar para ela e pedir para encontra-lo em algum lugar?
- Talvez seja melhor.
Trowa seguiu na direção da cozinha, para procurar Kimitsu, enquanto Quatre ligava para sua antiga casa. Ouviu o som de chamada três vezes antes que a voz de Rashid fosse ouvida do outro lado da linha, ele sentiu-se um pouco mais calmo ao ouvir a voz do fiel empregado.
- Rashid..
- Mestre está?
Quatre teve que sorrir ao ouvir a voz preocupada de Rashid do outro lado, mas sinceramente não sabia o que dizer a ele quanto a sua real situação, por isso decidiu omitir uma parte da verdade pelo menos até que soubesse realmente o que dizer. Rashid achou o silêncio de Quatre um tanto estranho, o jovem mestre nunca se demorava tanto a responder algo tão simples, parecia que ele estava procurando uma resposta a sua pergunta, que não deveria ser assim tão difícil, a menos que ele tivesse algo a esconder.
Sabia que a batalha não havia sido fácil, muito moradores da cidade haviam morrido e alguns se encontravam desaparecidos, entre eles a senhorita Iria, mas não achava que seria o melhor momento para dizer isso ao jovem mestre. O senhor Winner decidira ele mesmo procurar pela filha, embora em sua opinião achasse que o patrão deveria recorrer ao jovem mestre e seus amigos.
Quatre pode sentir uma certa preocupação vinda de Rashid e ela não tinha nada a ver com sua pessoa, ele ficou preocupado, pois não sabia ao certo como estava a sua família após a batalha. Trowa lhe havia dito que estavam bem e tinha certeza de que ele não mentiria para ele, então o que preocupava Rashid no momento?
- Rashid como estão meus pais?
- Estão bem mestre Quatre.
- E minha irmã?
Quando Rashid ficou em silêncio Quatre pode sentir claramente as emoções dele, ele fechou os olhos e tentou descobrir o que havia acontecido, sem que realmente quisesse sua mente entrou na de Rashid lendo seus pensamentos. O que descobriu o assustou terrivelmente, sua irmã havia sumido, sentiu como se algo dentro dele houvesse se partido e sabia que se ainda estivesse vivo seu coração estaria doendo. Mas um outro sentimento invadiu seu corpo, algo que seria pela primeira vez, quando vira o amante sendo atacado pelo caçador que obrigou Trowa a abraça-lo. Quatre procurou manter a calma, embora sentisse que estava longe de conseguir, tentou falar o mais calmamente possível, embora a seus ouvidos sua voz houvesse saído fria e áspera demais.
- O que houve com Iria?
Rashid sentiu um ligeiro arrepio ao ouviu a voz ao telefone, ela nem de longe lembrava a do jovem mestre e, no entanto sabia que a voz baixa e desprovida de calor pertencia ao jovem Quatre.
- Ela simplesmente não apareceu ao encontro marcado com seus pais. Ela disse que iria até a cidade e voltaria em poucos minutos, pois s senhora Winner desejava visitá-lo no castelo jovem mestre, mas a senhorita Iria não apareceu e ninguém da cidade a viu.
- Eu estou indo até ai.
Quatre desligou o celular sentindo a raiva crescer dentro de si, quem teria pegado sua irmã? Havia apenas uma resposta a sua pergunta, e ela não lhe era agradável, não haveria perdão se a tivessem machucado, os faria pagar por isso. Sentiu braços circundarem sua cintura e tentou reagir instintivamente, pronto a matar quem quer que fosse, sua mente não estava racionalizando direto, tudo que ouvia era que deveria matar quem se colocava em seu caminho. Matar quem mexera com sua família. Matar simplesmente por que fazia parte de sua natureza faze-lo.
Ao sentir que o mantinham preso fortemente, tentou se soltar, mas a pessoa em si era muito mais forte que ele, tentou se debater, no entanto apenas fez com que o aperto ao seu redor aumentasse. Sentiu suas unhas crescerem e estava a ponto de usa-las quando a voz de Trowa sussurrando em seu ouvido, penetrou em seus sentidos e finalmente percebeu sua presença. Era o vampiro de olhos verdes quem o mantinha seguro, e quem sussurrava ao seu ouvido, era ele quem tentava acalmar sua raiva dizendo-lhe que tudo ficaria bem.
- Nós vamos encontra-la meu anjo, não se preocupe.
Trowa pode sentir as emoções de Quatre crescerem da cozinha, e apressou-se na direção do loiro sabia o que havia acontecido, e o fato de não conseguir falar com ele mentalmente lhe mostrava que Quatre ainda não conseguia controlar-se. E isso definitivamente era um problema. As emoções do seu anjo estavam descontroladas internamente e temia que ele acabasse machucando alguém e ao ver seus olhos vermelhos, a face bela transfigurada pela raiva, apenas serviu para que se preocupasse quanto a atual condição de seu anjo.
Talvez ele ainda não estivesse pronto para ser um deles, talvez devesse tê-lo deixado morrer e não o abraçado por egoísmo, nem todos conseguiam se adaptar a nova natureza e temia que isso acontecesse a Quatre. Precisava alcançar a mente de seu anjo, antes que fosse impossível alcança-lo, sentiu a presença de Heero nas escadas apenas a observa-los, sabia que ele não tomaria nenhuma atitude por enquanto, não enquanto houvesse alguma chance de trazer Quatre a consciência.
Heero se encontrava em seu quarto olhando para Duo, quando sentiu as emoções de Quatre. Achava que o jovem já havia aprendido a se conter, mas se enganara, alguma coisa detonara uma raiva incontrolável e crescente no novo vampiro. Uma raiva que deveria ser detida o quanto antes, ele beijou a testa de Duo e deixou o quarto, a cena que presenciou não era das melhores. Trowa tentava manter Quatre em seus braços, enquanto procurava alcançar sua mente.
Desejava que Trowa pudesse faze-lo recuperar a razão, se conseguisse o jovem talvez tivesse uma chance, podia entender a batalha interna de Quatre, ele já passara por ela, não era nada fácil ignorar os instintos de sua natureza. Mas Duo tivera confiança em Quatre, e ele não poderia estar enganado quanto ao amigo, precisava acreditar que Quatre conseguiria se conter e que Trowa o alcançaria. Pois se ele não o fizesse teria que matar os dois, pois sabia que Trowa nunca permitiria que ele matasse Quatre.
A raiva crescia dentro do jovem vampiro e Trowa procurava acalma-lo, pois sabia que ela de nada ajudaria no momento, apenas o tornaria perigoso para quem se colocasse em seu caminho. Quando circundou o corpo de Quatre com seus braços, sentiu uma ligeira resistência, mas segurou-o firme, sussurrando em seu ouvido de forma que o jovem loiro soubesse que era ele quem o estava abraçando, e que ele não era seu inimigo. Após alguns minutos de resistência, finalmente sua voz o alcançou, pode sentir Quatre se acalmar lentamente e o soltou, feliz por ter conseguido alcança-lo. Sentiu a presença de Heero ao lado deles, seus olhos estavam escuros e mantinham-se presos a Quatre que não sabia como encara-lo.
- O que houve?
A voz fria de Heero fez com que Quatre levantasse a cabeça, e um brilho avermelhado aparecer por alguns segundos em seus olhos azuis, mas ele foi imediatamente suplantado pela escuridão nos olhos de Heero. Quatre abaixou a cabeça diante do olhar de Heero. O vampiro de olhos azul cobalto notou a pequena reação de Quatre, era como um desafio, sabia que Quatre não o fizera de propósito, era apenas uma reação instintiva de sua natureza e sabia que ela não aconteceria novamente.
Trowa se adiantou colocando-se instintivamente entre Quatre e Heero, sabia que não deveria estar fazendo isso, mas não pudera evitar, isso apenas deixava claro que se em algum momento alguém tentasse ferir o jovem vampiro atrás de si, ele se interporia independente de quem fosse. Heero deu um meio sorriso diante disso e afastou-se ligeiramente deixando claro a Trowa que não pretendia ferir o loiro de forma alguma e que entendia a posição do amigo. Quatre colocou a mão sobre o braço de Trowa e se colocou na frente de Heero, curvando a cabeça em sinal de respeito ao líder do clã.
- Me perdoe Heero.
- Não há o que perdoar Quatre, sei que não foi sua intenção me desafiar, você ainda tem muito a aprender e sei que não será fácil, mas tenho certeza de que Trowa será um ótimo instrutor.
- Heero eu...
- Tudo bem Trowa...eu respeito sua posição e sua decisão, mas espero que entenda a minha caso chegue à hora.
- Eu entendo.
Heero balançou a cabeça voltou novamente seus olhos para Quatre.
- Então?
- Minha irmã desapareceu Heero.
- Entendo...levem William, Marcos, Alan e Christine com vocês, podem precisar de ajuda. Se precisarem de algo, basta chamar. Espero que a encontre...bem.
Quatre notou a pausa, mas não deixou de sorriu e sacudiu a cabeça, ele se virou para Trowa que sacudiu a cabeça e segurou sua mão se encaminhando na direção da saída. Heero soltou um suspiro e começou a subir as escadas em direção ao quarto, ele encontrou Treize e Auda nas escadas, mas passou por eles sem dizer nenhuma palavra. Os dois apenas o acompanharam com o olhar, ouvindo a porta de um dos quartos se abrir e fechar silenciosamente. Eles haviam presenciado a desenrolar dos fatos e sabiam que não deveria estar sendo nada fácil, para nenhum deles.
Cathrine e Sally apareceram no corredor e olharam para os dois outros vampiros na escada, o que parecia todos haviam sentido as emoções de Quatre no castelo, pelo menos no que se refere aos vampiros.
(O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O)
Enquanto isso na cidade de Epyon:
O senhor e a senhora Winner estavam procurando já algum tempo por noticias da filha, mas parecia que ela havia simplesmente desaparecido, e não sabiam mais onde procura-la, sabia que a cada segundo que ela se encontrava desaparecida era um segundo a menos de vida que possuía, se é que ela ainda estava viva. Ahmond olhou para sua esposa, ela estava cansada sabia disso, mas havia insistido em acompanha-lo, ele tocou o rosto dela, tão parecido com o de Quatre, talvez devesse ter ouvido Rashid e ter pedido ajuda ao filho e seus amigos, sabia que eram vampiros, mas também sabia que não eram como os outros ou seu filho não teria se envolvido com um deles.
Zechs se aproximou dos Winners, havia recebido a noticia de que a irmã de Quatre havia sumido e estava disposto a ajudar no que fosse necessário, ainda mais sabendo que algumas pessoas também haviam desaparecido à tarde. Noin havia lhe dito que havia um certo movimento junto à floresta que circundava a cidade e tinha quase certeza de que as pessoas desaparecidas haviam sido levadas para lá. Sabia o quanto seria perigoso prosseguirem sozinhos na busca, e acabara por ligar para o castelo, Heero havia deixado claro que se precisassem de ajuda, além dos vampiros que ele deixara na cidade, deveriam ligar e a ajuda seria providenciada no mesmo instante.
O vampiro líder do clã que ocupava o castelo da cidade havia pedido que o informasse sobre qualquer movimentação estranha, pois vários caçadores haviam fugido e ele não pretendia deixa-los a solta. Como nada ocorrera nas duas últimas semanas, imaginara que talvez eles houvessem ido embora, mas nos últimos dias, várias pessoas haviam desaparecido e todas na cair da noite. Quando ligara e pedira para falar com Quatre soube que o mesmo já se encontrava a caminho. Agora ele precisava apenas convencer os pais de Quatre a esperarem um pouco antes de se aventurarem sozinhos pela floresta que logo estaria mergulhada ainda mais na escuridão que se encontrava.
- Senhor Winner!
- Marquise algum noticia?
Zechs cumprimentou os dois e sacudiu a cabeça em afirmativa, imediatamente teve os braços seguros pelo pai de Quatre.
- Diga-me por favor, alguém a viu?
- Noin me disse que viu um movimento junto à floresta, e um menino disse que a viu sendo carregada por um homem, talvez ela tenha sido levada para lá, algumas pessoas também confirmaram que a viram na companhia de um rapaz ruivo, mas não é nada certo.
- Mas já é mais do que tínhamos antes Zechs.
- Eu sei, eu falei com alguns dos homens que Heero deixou. Três deles desapareceram próximos à floresta, ao seguir algumas pistas, tudo indica que as pessoas desaparecidas, foram levadas na mesma direção.
- Então temos que ir atrás deles.
- Devemos esperar senhor Winner.
O pai de Quatre virou-se para Zechs, com raiva e desespero. Como ele podia lhe pedir para esperar, esperar o que? Que sua filha fosse morta ou pior transformada em um deles, ele não podia esperar, ele não queria esperar, precisava salvar sua filha de qualquer maneira. Não suportaria que algo acontecesse a ela, não depois de ter perdido seu filho...depois de tê-lo renegado.
- Eu não vou esperar, minha filha está em perigo.
- Eu entendo senhor Winner, mas o senhor não sabe o que pode encontrar. O senhor também pode ser morto se for sozinho, aguarde apenas alguns minutos, a ajuda está a caminho.
- Que ajuda?
- Eu liguei para o castelo, e soube que Quatre e outros estão vindo à cidade. Ele já sabe o que aconteceu.
- E você acha que ele poderá ajuda-la? Se não fossem por eles, os que levaram minha filha nunca teriam vindo para cá, e eu ainda a teria junto de mim, assim como meu filho.
- Ahmond...
A mãe de Quatre segurou no braço do marido, sabia que ele sentia a falta de Quatre, embora nunca fosse admitir, sabia que se entrassem na floresta corriam o risco de não retornarem, mas ela também sabia que o tempo de sua filha estava se acabando. Algo lhe dizia que tinham que ser rápidos ou perderiam Iria para sempre. Ahmond olhou nos olhos de sua esposa, sabia que não deveriam prosseguir, mas também sabia que não poderia esperar, ele tocou a mão dela, virando-se para a mulher que lhe agraciara com dois filhos.
- Você fica aqui Ângela.
- Não..se você for eu irei com você Ahmond, não deixarei que vá sozinho.
Zechs olhou para os pais de Quatre, sabia que ele não seria convencido tão facilmente, respirando fundo, olhou para a mãe de Quatre antes de se pronunciar, segurando a espada que trouxera com ele, certo de que não aguardariam a chegada de Quatre.
- Ele não ira sozinho senhora Winner, eu irei com seu marido.
- Zechs...
A mãe de Quatre segurou a mão do jovem e a beijou, mas ela não os deixaria entrar sozinhos, mesmo contra a vontade deles, ela os acompanharia.
- Então seremos três.
- Ângela.
- Nada me fará mudar de idéia Ahmond.
Ahmond olhou para esposa, podia ver a determinação nos olhos dela, sabia que ela seria capaz de enfrentar qualquer coisa pela segurança dos filhos. Ele deu um sorriso e tomou a mão dela.
- Está bem seremos três então.
- Eu diria oito.
Eles se viraram para ver cinco vampiros, carregando espadas e bestas parados próximos a eles. Heero havia entrado em contato com os vampiros que deixara tomando conta da cidade e os mandara acompanhar os pais de Quatre no caso deles decidirem ir atrás da filha. Zechs olhou para eles, sabiam que pertenciam ao clã de Heero, pois já os tinha visto diversas vezes à noite na cidade, sempre vindos do castelo. O vampiro de cabelos castanhos escuros e olhos azuis se aproximou de Zechs, uma vez que o loiro era quem se mostrara mais suscetível à presença deles na cidade.
- Eu sou Adrian, esses são Lian, Claus, Elisa e Peter.
Adrian o líder do grupo apresentou os outros quatro vampiros, um de longos cabelos negros e olhos verdes, outro de cabelos loiros curtos e olhos azuis, uma ruiva de olhos amendoados e o último de cabelos castanhos claros e olhos escuros.
- O shuhan nos mandou ajudá-los, enquanto os outros não chegam.
- Shuhan?
Lian o vampiro de cabelos escuros como a noite e olhos verdes como esmeraldas, se virou para pai de Quatre respondendo a pergunta dele.
- Heero Yuy o líder do clã dos Khushrenada, o shuhan dos Khushrenada como é conhecido.
- Entendo...obrigado pela ajuda.
- Vamos será melhor irmos antes que o sol se ponha por completo. Fiquem por perto e atentos ao menor ruído.
Eles seguiram em direção ao limite da cidade e da floresta que a cercava, seguindo na direção onde foram vistos movimentos durante a penumbra da tarde, alguns minutos após entrarem, dois carros negros entraram na cidade, vindos da terra dos Khushrenada. Quatre estava apreensivo, alguma coisa estava para acontecer, mas ele não sabia dizer exatamente o que, não...na verdade ele não queria aceitar o que estava para acontecer.
(O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O)
Trowa podia sentir a mente de Quatre povoada por diversos tipos de pensamentos e imagens, muitas não conseguia entender, pois elas passavam rápido demais para que pudesse assimila-las perfeitamente. Outras ele conseguia compreender perfeitamente, embora não conseguisse entender a razão delas, ao que parecia Quatre conseguia ver muito além de seus olhos imortais. Ele conseguia captar as emoções mais fortes e transformá-las em imagens, som e cheiro, seu anjo estava despertando para suas habilidades como um vampiro e as compartilhava através do elo que mantinham.
Eles pararam ao limite da floresta e da cidade, Quatre ignorava os olhares de alguns dos moradores sobre si, assim como seus pensamentos, ele tinha que manter sua mente clara para encontrar seus pais e sua irmã. Trowa aproximou-se de Quatre o segurando por trás pelos ombros, sabia o quanto era difícil no inicio, ignorar as mentes ao redor, as vozes humanas, elas eram capazes de enlouquecer qualquer um se não soubessem como bloqueá-las. Enquanto Quatre não aprendesse como faze-lo, iria precisar ajudá-lo bloqueando-as ele mesmo, e foi o que fez ao tocá-lo e segurá-lo junto a si. Quatre deu um sorriso agradecendo-o, já estava se irritando ao ouvi-las em sua mente, tão altas e claras, falando sobre os mais diferentes assuntos.
"Obrigado...acho que estava a ponto de explodir se elas continuassem"
"Eu sei meu anjo, mas não deve deixar que elas o aborreçam. Com o tempo você aprendera a ignora-las e bloqueá-las"
"Eu sei, nunca pensei que humanos pudessem ser tão irritantes"
"Eles não são Quatre...você era um deles há pouco tempo"
"Eu sei e não entendo como você os agüenta"
"Esse não é você falando Quatre, mas sua natureza vampiresca. Acalme-se e você vai aprender a aprecia-los tanto quanto os apreciava quando era um deles"
"Eu vou tentar Trowa"
"Ótimo...agora vamos encontrar seus pais e sua irmã"
Quatre sacudiu a cabeça e apontou na direção que haviam seguido.
- Eles entraram na floresta há alguns minutos.
- Eu sei, não devem estar muito longe.
- Temos que encontrá-los logo.
- E nós vamos.
Trowa olhou para Quatre e depois para os outros, antes de começarem a correr tornando-se, em segundos nada além de vultos na floresta, muitos dos humanos que os observavam se surpreenderam ao vê-los desaparecer rapidamente na floresta. Trowa ia à frente, mas mantinha sua atenção em Quatre enquanto seguiam na direção que acreditavam terem seguido os outros. Podia entender a apreensão de seu anjo a medida em que adentravam na floresta, as sensações de perigo eram impossíveis de serem ignoradas, podia notar que a percepção de Quatre havia evoluído consideravelmente após ele ter se tornado um vampiro.
Mesmo que isso já fosse esperado, por sua parte, não podia deixar de se surpreender quanto ao grau de evolução, pois ele estava adquirindo habilidades que não possuía quando humano, ou que se encontravam adormecidas. De alguma forma através de Quatre era como se pudesse, assistir em câmera lenta o que acontecia com os três humanos e os cinco vampiros em algum lugar dentro da floresta. Eles tentavam encontrar as presenças humanas, algo que não seria difícil, uma vez que a cidade a cada instante ficava para trás, mas por algum motivo não sentiam nada, além da sensação inegável de que eram observados...observados pela mesma criatura que parecia bloquear as presenças que procuravam.
Quatre parou de repente, o que fez Trowa parar assim como os outros. Quatre procurava analisar as imagens que inundavam sua mente, conhecia o lugar que via os pais sendo atacados e mortos pelas criaturas das trevas que agora se tornara. Ele fechou os olhos procurando manter-se calmo, pois sabia que o que via não era real, pelo menos não ainda, de alguma forma, tinha certeza que o que via eram fragmentos do que viria a acontecer senão encontrasse-os a tempo.
- Por aqui.
Trowa e os outros seguiram Quatre, por dentro da floresta deixando que o loiro os guiasse. Quatre tinha certeza de onde se encontravam seus pais e os outros, não poderia estar enganado, estavam a apenas alguns metros à frente deles, próximo a clareira, onde costumava brincar com Duo quando pequeno, lembrava claramente do dia em que quebrara a perna ao escorregar de uma rocha tentando acompanhar o americano que se sentira culpado e o carregara nas costas até chegarem em casa.
(O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O)
Zechs não estava gostando nada da situação, em que se encontravam, haviam adentrado muito na floresta, pelo que entendera sobre o que Adrian e Lian falavam, os vampiros não estavam conseguindo sentir nenhuma presença ao redor e isso era estranho. De fato eles não conseguiam ouvir coisa alguma, e deveria haver os sons habituais dos animais da floresta, como roedores, e outros animais, mas a floresta inteira estava repleta de um silêncio sepulcral. Esse silêncio foi quebrado por uma risada, que causou arrepios nos humanos, fazendo seus corações dispararem e colocou os vampiros em alerta, em segundos se encontravam cercados por dez caçadores que haviam aparecido das sombras da floresta.
Os humanos se viram cercados pelos vampiros do clã dos Khushrenada, que tinham como dever proteger os humanos sob a guarda do clã, no entanto não seria fácil resistir aos caçadores, ainda mais com alguma coisa a bloquear seus sentidos. Inesperadamente o chão sob seus pés começou a ruir, e se não fosse pelo reflexo dos vampiros os humanos teriam caído nas garras dos caçadores sob o chão, isso fez com que momentaneamente se separassem.Sabiam que tinham alguma chance se permanecessem juntos, e os caçadores também sabiam disso, mas não pareciam dispostos a deixa-los juntos por muito tempo. Elisa e Claus foram agarrados e tiveram a cabeça cortada e o corpo desmembrado em segundos. Adrian bloqueou o golpe de um caçador com sua espada, enquanto atingia outro com uma estaca disparada da besta que levava consigo.
Era muito arriscado permanecerem na floresta, eles precisavam voltar e buscar reforços, ou acabariam todos mortos e tinha um dever para com o shuhan dos Khushrenada, ele jurara manter vivos os pais do humano abraçado há pouco tempo. Adrian viu Lian e Peter se defenderem, assim como os dois homens humanos, que protegiam a mulher junto a eles, os caçadores simplesmente recuaram, certamente para investir contra eles novamente. Precisavam aproveitar a trégua para tentar deixar a floresta. Adrian se virou para o humano mais velho, mas mantendo-se atento a qualquer ataque.
- Temos que voltar, eles são muitos.
- Minha filha.
- Eu sinto, mas não conseguiremos salvá-la se morremos.
- Eu...
- Ele tem razão senhor Winner.
- Ahmond!!!!!!
Um caçador havia se aproximado sorrateiramente, e conseguira enfiar uma adaga de prata no coração de Peter, que se encontrava ao lado da senhora Winner, fazendo com que o sangue espirra-se em seu rosto. Mas não fora isso que a fizera gritar o nome do marido, mas sim a voracidade com que o vampiro havia sido atacado e morto, pois um outro caçador o agarrara pelo pescoço cravando suas presas nele. Lian tentou ajuda-lo, mas Peter foi arrastado pelos caçadores que o atacaram.
Quatre pode ouvir o grito de sua mãe ecoando por entre as árvores e a escuridão da floresta, ele aumentou sua velocidade e já podia vê-los ao longe, bem como aos caçadores que se esgueiravam aproximando-se dos outros dois vampiros do clã, que acompanhavam Zechs e seus pais. Trowa notou que os caçadores estavam procurando matar Adrian e Lian para deixar os humanos sozinhos e a mercê deles, assim eles poderiam divertir-se caçando os humanos, uma vez que eles não representavam uma ameaça a eles.
Trowa fez um sinal e eles dividiram-se em três grupos. Quatre e William seguiram pela direita, Trowa e Christine pela esquerda, enquanto Marcos e Alan continuaram a seguir em frente, atacariam os caçadores ao mesmo tempo e em direção diferentes. Eles os interceptaram no mesmo instante em que os caçadores chegaram ao grupo de humanos e vampiros.
Quatre nem ao menos pensou ou tremeu, ao manejar suas Heath Scythe, quando um caçador de cabelos avermelhados esticou o braço para tocar sua mãe, a primeira lâmina atingiu precisamente os dedos do caçador, milésimos de segundos depois a segunda lâmina decapitou-o antes que ele tivesse proferido algum som, ou tivesse assimilado a perda dos dedos da mão direita.
- Não toque nela!!!!
Ângela Winner sentiu apenas um vento passar ao lado de seu braço esquerdo, antes que pudesse entender o que estava acontecendo, ela foi puxada pelo braço por Adrian, que a protegeu com o próprio corpo. Não havia muita luminosidade, mas a claridade da lua passando por entre as folhas da copa das árvores, foi o suficiente para que ela pudesse visualizar, entre os braços do vampiro que a segurava o rosto de seu filho. A face pálida e fúnebre, não era preciso perguntar-se a que se devia sua palidez, ela sabia exatamente o porque, seu coração sabia há quase duas semanas a verdade sobre seu estado. Ele agora era um ser da noite, um filho dela, filho da mesma escuridão que permeava a floresta, ela levou sua mão aos lábios, incapaz de impedir as lágrimas que caiam de seus olhos.
Trowa investiu contra os dois caçadores que atacaram o pai de Quatre, apartando com sua Wakizashi o golpe que certamente feriria mortalmente o humano. Ahmond não pode impedir habilmente o ataque dos caçadores contra si, tentara se aproximar da esposa, mas foi afastado do grupo pelo ataque dos caçadores. Pode ver que Zechs não se encontrava em uma situação melhor que a sua, os malditos Gloles vinham de todas as partes, ele havia conseguido deter o ataque da espada de um deles, mas sabia que a espada do outro o atingiria mortalmente no peito, bem no coração.
Foi com surpresa que viu o golpe ser bloqueado por alguém, não reconheceu de imediato a pessoa que o ajudara, mas ela era certamente bem-vinda. Ahmond levantou-se com a ajuda de uma mulher muito bonita, pela palidez de sua pele e o frio de sua mão, soube que era um Glole, assim como o rapaz que o salvara. O mesmo rapaz que roubara seu filho e a honra de sua família.
Ele olhou para sua esposa que se encontrava nos braços do vampiro de cabelos castanhos escuros e olhos azuis, ela olhava para algum lugar, as mãos nos lábios e as lágrimas manchando seu rosto, por um momento, achou que estivesse ferida, mas ao seguir o olhar dela soube que não era esse o motivo de suas lagrimas, reconheceu o filho lutando com um caçador. Havia precisão e autoridade em seus golpes, assim como uma aura surreal que parecia circunda-lo, jamais o vira lutar com tamanha habilidade e rapidez, era quase impossível acompanha-lhe os movimentos. Foi quando perceber o brilho avermelhado em seus olhos, quando o caçador conseguiu feri-lo no braço, mas antes que o caçador pudesse vangloria-se de seu feito, Quatre o matara atravessando-o o corpo com uma das Heath Scythe que segurava e depois a subindo partindo o caçador ao meio, como faca quente em manteiga.
Zechs agradeceu ao ser ajudado pelos dois vampiros que chegaram na companhia de Quatre e Trowa, se eles não houvessem chegado, sabia que não estaria tentando respirar agora. Ele tinha um corte nas costas, causado pelas unhas afiadas de um dos caçadores que decidira fatia-lo, mas nada muito grave ou que necessitasse de uma imediata atenção.
- Você está bem?
Ele olhou para o vampiro de cabelos estranhamente claros e balançou a cabeça concordando, não se sentindo capaz de falar no momento, o vampiro sorriu e voltou sua atenção ao redor. Eles não se encontravam seguros, não enquanto permanecessem na floresta, eles precisavam tomar uma decisão voltar ou continuar a adentrar a floresta.
- Trowa.
Trowa não ouviu o chamado de Alan, preocupado em observar seu anjo que havia sido ferido, o vampiro olhou para Trowa e depois para o novo vampiro do clã dos Khushrenada, ficara surpreso ao ver sua habilidade em luta. O jovem era um grande guerreiro quando humano e melhor agora como vampiro, em sua opinião havia sido uma maravilhosa aquisição ao clã, mesmo ela não tendo sido planejada. Quatre sentiu a raiva crescer ao sentir o corte em seu braço, e simplesmente deixou que seu instinto agisse por ele ao atacar o caçador, um estranho contentamento o atingiu ao ver o corpo dele cair cortado ao meio. Virou-se para a mãe e abaixou a cabeça ao ver o rosto coberto pelas lágrimas, incapaz de encará-la, Alan matara os dois caçadores que ainda estavam vivos voltando e voltou sua atenção a Trowa que olhava para ao seu anjo, ele se aproximou verificando o ferimento em seu braço, podia sentir a tristeza preencher-lhe a mente.
- Você está bem?
- Estou Trowa.
Quatre levantou a cabeça e sorriu, se concentrando para fechar o corte em seu braço, ele se virou para os outros ignorando o olhar de seus pais e de Zechs que ficara surpreso ao ver que Quatre agora era um vampiro como os outros.
- Iria e os outros estão em uma gruta aqui perto, mas temos que ser rápidos ou iremos perde-los.
Quatre começou a caminhar na direção que ficava a gruta, mas parou ao ouvir a voz de seu pai.
- Nós iremos com....
Ahmond calou-se ao ser interrompido por Quatre, não foi apenas pelo fato dele ter lhes dito para voltarem para a cidade, mas sim pela maneira fria com que o fez sem se voltar, ele não se parecia em nada com seu filho sempre educado e gentil.
- Não...vocês voltaram agora. Nós iremos sozinhos.
Quatre não desejava ser tão rude, mas não podia deixar que os sentimentos por seus pais o atrapalhassem agora, ele precisava ir resgatar sua irmã e não podia ficar se preocupando com eles enquanto fizesse isso. Trowa sabia como seu anjo se sentia e concordava com ele, estavam para entrar em um lugar repleto de caçadores e se encontravam em menor número, quanto menos pessoas tivessem com que se preocupar melhor. No entanto não poderia deixar os humanos voltarem sozinhos, eles iriam precisar de proteção para chegar a cidade, e a teriam no que dependesse dele. Eles eram oito vampiros, então mandaria três retornarem, um para cada humano, assim cada humano teria um vampiro para protege-lo.
- Christine, Lian e Alan vocês retornaram com os humanos, cada um de vocês é responsável pela segurança deles.
- Está bem.
- Adrian, William e Marco vocês virão comigo e Quatre até onde se encontram os humanos desaparecidos, nosso dever é resgatá-los e não derrotar os caçadores. Vamos entrar, encontrar os humanos e retira-los de lá. Nada de atos heróicos ou vinganças pessoais, estamos em menor número.
Todos sacudiram a cabeça em acordo e Trowa olhou pra Quatre que não esboçara nenhuma reação, pois foi era a ele que se referira quando falara sobre vinganças pessoais. Quatre sabia perfeitamente que quando Trowa falara era a ele que dirigia as palavras e sabia que o amante tinha razão. Ele balançou a cabeça suavemente, não faria nada que colocasse em perigo os humanos e os outros, entrariam e sairiam, mesmo que tivessem que ocultar suas presenças e entrar despercebidos.
Eles correram na direção indicada por Quatre, deixando os humanos e os outros três para trás, Quatre se permitiu virar e sorrir para sua mãe antes que se tornasse um com a escuridão da floresta. Ângela Winner sorriu ao ver que o filho, lhe sorriu antes de desaparecer.
- Melhor irmos.
Todos concordaram e cada um dos vampiros tomou em seus braços, um humano com o intuito de carrega-los, dessa forma deixariam mais rapidamente a floresta, mesmo Zechs e Ahmond, tendo protestado veemente ao serem retirados do chão e carregados, os vampiros simplesmente os ignoraram. Em questão de minutos se encontravam, no meio da cidade, vivos e seguros. Assim que chegaram outros vampiros do clã os cercaram e Lian convocou mais três para retornarem com eles para a floresta para ajudar os outros que ficaram.
Eles viram os vampiros adentrarem a floresta novamente, e Zechs se voltou para o casal Winner que se encontrava abraçado, seria melhor se aguardassem em outro lugar que não fosse o meio da cidade. Tinha certeza de que eles precisavam de algum tempo sozinhos, para assimilar o fato de que o filho mais novo deles estava morto.
- Venham vamos esperar, no Heavyarms. Eles retornaram logo.
Ahmond sorriu e caminhou com sua esposa em direção da lanchonete seguindo Zechs que evitava olhar na direção da floresta e pensar se eles voltariam com as pessoas desaparecidas.
(O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O)
Na floresta:
Eles encontraram a gruta em poucos segundos e de sua abertura podiam ouvir o som de risos, assim como choro e vozes implorando que os deixasse viver, eles haviam inibido suas presenças, mas não estavam tão certos de que funcionaria. Até o momento não haviam sido atacados, mas isso não significava muito, os caçadores poderiam estar simplesmente aguardando que entrassem, para atacá-los. Mas não poderiam se deter, não depois de terem chegado até ali e ouvido os pedidos de clemência que sabiam não seriam atendidos. Eles se esgueiraram entrando na gruta, sem saberem que eram observados por olhos dourados e malignos, que se afastou assim que viu os vampiros entrarem na gruta.
Trowa seguia na frente seguido por Adrian, Quatre, William e Marco, podiam ouvir as vozes aumentarem à medida que entravam na gruta, ao que parecia estavam descendo cada vez mais fundo. Chegaram a uma divisão, e delas podiam sentir perfeitamente as presenças humanas, e as dos caçadores, havia sete humanos e vinte caçadores, enquanto eles eram apenas cinco. Os humanos estavam todos reunidos em um único lugar, enquanto os caçadores estavam dispersos dentro da gruta, pelo que sentiram cinco caçadores se encontravam junto aos humanos no túnel à esquerda deles, enquanto os outros no túnel da direita. Trowa sinalizou para William e Marco para que ficassem na entrada do túnel da direita, enquanto ele e os outros seguiriam pelo da esquerda.
No caso dos caçadores surgirem pelo túnel da direita, eles deveriam avisá-los imediatamente e não tentar enfrentá-los, mas sabiam que assim que chegassem até os humanos, os caçadores viriam sobre eles como cães raivosos. Eles entraram no túnel de onde sentiam vir às presenças humanas, procurando não fazer nenhum ruído que pudesse alertar os caçadores de suas presenças, à medida que avançavam, podia distinguir uma tênue luz, que aumentava à medida que se aproximavam. Ao chegarem ao final do túnel, notaram que se encontravam em um nível elevado do solo, podiam ver os humanos acuados em um canto enquanto os caçadores os atormentavam, era estranho que os humanos ainda estivessem vivos, não que isso não os alegrasse, mas era um fato estranho em se tratando dos caçadores, a menos é claro que os humanos estivessem sendo reservados para algum outro propósito que lhes era desconhecido.
Quatre procurou sua irmã entre os humanos e pode vê-la encostada na parede, ela não parecia muito bem, mas o importante era que estava viva. Ele olhou para Trowa e sorriu. O vampiro de olhos verdes estava feliz por ver que a irmã de seu anjo estava viva, agora eles precisavam encontrar um meio de retirar os humanos dali. Infelizmente não havia uma maneira sutil de faze-lo sem revelarem suas presenças, e sabiam que assim que o fizesse, os outros caçadores viriam imediatamente.
Eles ouviram um movimento atrás deles e se prepararam para o caso de terem que lutar, se respirassem teriam respirado aliviados, ao ver que eram apenas Christine, Alan e Lian que haviam conseguido encontra-los. O número havia mudado e as chances a favor deles haviam aumentado, Trowa elaborou um plano, já havia se demorado além do que parecia seguro. Mentalmente ele passou aos outros o que tinha em mente, tudo dependeria da rapidez de cada um e da sincronia deles, se conseguissem realizar o tinha em mente, sairiam da gruta sem alertarem os outros caçadores.
"Somos cinco contra cinco, temos que derrotá-los o mais rápido e silenciosamente possível, nosso sucesso dependera da sincronia de todos. Adrian você fica com o caçador de cabelos negros da esquerda, Lian você fica com o caçador ao lado também à esquerda, Christine você fica com o loiro junto da humana de cabelos ruivos, Alan você fica com o que se encontra à direita e tem um tapa olho do lado direito, eu fico com o de cabelos longos ao centro, Quatre você fala com os humanos e começa a retirá-los em silêncio."
Quatre ia retrucar, mas decidiu por concordar com o plano de Trowa assim como os outros cada deles, se posicionou de forma com que fossem rápidos em seus ataques. Um dos humanos, um homem de cabelos castanhos claros, viu os vampiros se arrastando pelo teto saindo da abertura no alto, ele ia dizer alguma coisa, quando o vampiro entrou em sua mente o mandando ficar em silêncio.
"Estamos aqui para ajuda-los, fique quieto de forma a não revela nossa presença, tudo estará terminado em alguns segundos.".
O humano sacudiu a cabeça e procurou se manter em silêncio, e evitar olhar na direção de onde se encontravam os vampiros, ele olhou para seus companheiros, presos com ele e notou que até o momento nenhum deles havia notado os vampiros.
Trowa e os outros se arrastaram pelas paredes da caverna, silenciosamente, cada um se posicionando sobre o caçador que deveria acabar, a um sinal do vampiro de olhos verdes, todos atacariam, tudo deveria terminar em milésimos de segundos. Um dos humanos, uma mulher de cabelos curtos e esverdeados, viu os vampiros no alto e por pouco não colocou tudo a perder ao revelar suas presenças, o rapaz que os notara anteriormente rapidamente tampou-lhe a boca, para que ela não gritasse. Mas todo seu cuidado foi em vão, pois um dos caçadores percebeu os pensamentos da mulher e olhou na direção segundos antes de ter a cabeça decepada.
Ao notar o olhar da mulher em sua direção, Trowa mentalmente deu a ordem, imediatamente cada um dos vampiros acertou seu alvo, e como haviam planejado tudo não durou mais do que milésimos de segundos. Os humanos começaram a berrar, assim que perceberam o que havia acontecido, Quatre procurou fazer sua parte, mas não era nada fácil acalmar os humanos, no entanto ele conseguiu com que ficassem quietos.
- Senão querem morrer sugiram que se calem, até chegarmos a cidade, não vai demorar muito para que os outros chegarem até aqui.
Diante do brilho avermelhado e das palavras frias ecoando com autoridade em suas mentes, os humanos se calaram, temendo irritar ainda mais o vampiro de aparência angelical. Quatre balançou a cabeça, inervado diante das atitudes dos humanos, era difícil aceitar que já fora um deles e pela primeira vez conseguia entender as atitudes de Ahmad em relação a eles. Tão fracos e ....
"Quatre pare...eles podem ser tudo isso, mas ainda assim, eles têm o direito de viver, assim como nós. Você e eu já fomos como eles, talvez não tão medrosos, mas já fomos humanos. Não esqueça disso e não os menospreze".
Quatre teve os pensamentos interrompidos, pela voz de Trowa em sua mente, sabia que o amante tinha razão, embora não fosse fácil aceitar, não depois de ter se tornado um vampiro e experimentado as dádivas de sua nova natureza. Natureza essa que insistia em se rebelar a cada segundo, ele não se virou para Trowa, mas procurou responder-lhe, mesmo sabendo ser desnecessário, pois o outro certamente já conhecia seus pensamentos, antes mesmo que eles ganhassem forma.
"Eu sei...me desculpe...vou procurar manter isso em mente".
Enquanto os outros procuravam retirar rapidamente os humanos em silêncio, Quatre se moveu no meio dos humanos desesperados pela liberdade, até sua irmã que se encontrava encostada no canto, agachou-se procurando algum sinal que justificasse a letargia dela e encontrou no lado esquerdo do pescoço, uma mordida. O sangue seco indicava que havia sido feita já algum tempo. Talvez no momento em que fora seqüestrada pelos caçadores, mas se eles a morderam, então porque não a mataram? Trowa havia se agachado ao lado de Quatre e concordou mentalmente com o amante que isso era muito estranho.
"Isso não condiz com os hábitos deles. Eles não costumam desprezar tal oportunidade, matar e se alimentar e apenas no que pensam."
"O que estarão armando?"
"Não sei meu anjo e não temos tempo para descobrir agora"
Quatre balançou a cabeça em acordo, não era o momento para tentarem descobrir o motivo, precisavam sair dali o mais rápido possível, os outros caçadores já deveriam ter tomado conhecimento quanto à morte de seus companheiros, não que se importassem realmente uns com os outros. Mas o fato era que se os caçadores estavam mortos, alguém os matara e o fizera em busca dos humanos, que haviam seqüestrado. Quatre se levantou tomando Iria em seus braços apesar dela ser mais alta que ele, não parecia pesar mais do que uma pluma. Ele e Trowa pularam alcançando a abertura por onde entraram e seguiram pelo mesmo caminho que os levara aos humanos, estavam quase na bifurcação entre as duas cavernas, podiam ouvir as vozes de William, Marco e outros três vampiros que procuravam manter os caçadores dentro da outra passagem até que todos saíssem.
Trowa seguia na frente de Quatre, e não viu quando o amante foi agarrado pelas pernas, eles já estavam quase deixando passagem quando aconteceu, apenas ouviu o grito em sua mente, mas não pode fazer nada para segurá-lo.
"Trowa!!!!".
Quatre não soube como tudo aconteceu, apenas teve o reflexo de soltar Iria e a empurrar na direção de Trowa ao sentir que algo lhe agarrara as pernas e o puxava para baixo, sabia que ele cuidaria de sua irmã, mentalmente pediu que o amante a salvasse e não olhasse para trás.
"Tire-a daqui Trowa, por mim"
"Não vou deixa-lo Quatre".
"Você precisa...vá, por favor...os outros humanos precisam de vocês para saírem. Vocês precisam ir. Não olhe para trás meu amor.".
"Quatre!!!!!"
"Vá!!!"
Trowa sentiu uma dor horrível em seu peito, estava divido entre atender o pedido de Quatre e se embrenhar no buraco por onde o amante fora arrastado. Por fim acabou por atender o pedido dele quando alguns caçadores começaram a sair pelo buraco por onde seu anjo caíra, à vontade de matá-los era imensurável, Trowa se conteve apenas em matar rapidamente os dois que saíram, antes de carregar Iria em seus braços e sair da gruta ordenado que os outros fizessem o mesmo.
Trowa evitou olhar para trás como Quatre lhe dissera sabia que se o fizesse, voltaria para busca-lo, sabia que o amante não estava morto, ainda podia senti-lo, mas por quanto tempo ele viveria, ainda deveria haver oito caçadores vivos na gruta. E o fato de que nenhum deles o estarem seguindo, significava que eles deveriam estar lutando com seu anjo nesse momento. Trowa procurava ver o que acontecia através de Quatre, mas não via nada além do vermelho rubro do sangue.
- Trowa onde está Quatre?
William e Marco estranharam o fato de Trowa não ter respondido, quando perguntaram por Quatre, era visível a preocupação e a dor em seus olhos, por isso nenhum deles fez qualquer outro comentário quanto à ausência do mais novo vampiro do clã. Eles conseguiram chegar a cidade, com todos os humanos a salvo. Trowa se permitiu olhar para a floresta a suas costas, ainda carregando a irmã de seu amado nos braços, podia senti-lo ainda vivo, embora seus pensamentos estivessem preenchidos de uma raiva quase insana. Ele olhou para os outros ao seu redor, e para os humanos que os agradeciam, chorando felizes pela chance de vida que haviam conseguido.
- Eu vou leva-la até os pais dela. William, Marco e Christine vocês retornam ao castelo, os outros ficam até o inicio da manhã e depois voltam ao castelo.
- Trowa você não vai...
- Não...
Christine viu Trowa começar a caminhar com a humana nos braços, ela fez menção de entrar na floresta novamente, mas parou ao ouvir a voz fria de Trowa em sua mente.
"Faça o que eu mandei Christine, minha paciência já está no limite, não me obrigue a descontar em você minha raiva".
Ela virou-se completamente arrepiada, diante da força das palavras de Trowa, que nem ao mesmo parou de caminhar ao pronuncia-las, sabia que se o desobedecesse ele a alcançaria antes mesmo que pudesse se afastar. Christine se juntou a William e Marco seguindo até o carro para voltarem ao castelo, deixariam o outro carro para que Trowa voltasse. Trowa alcançou o lugar, onde sentiu a presença dos pais de Quatre, entrou no mercado sem precisar ser convidado, não era a primeira vez que entrava na loja, já estivera ali uma vez, na companhia de seu amado, no dia em que se apaixonara por Quatre.
Os pais de Quatre levantaram-se no instante que viram o vampiro de olhos verdes, entrar com a filha deles desacordada em seus braços, eles se aproximaram preocupados por vê-la desmaiada temendo que estivesse morta. Trowa pode ouvir seus pensamentos e os tranqüilizou.
- Ela está bem, apenas um pouco fraca devido à perda de sangue, que não deve ter sido pequena, mas não foi o suficiente para matá-la.
A mãe de Quatre pode notar uma ligeira tristeza no tom de voz do vampiro, ela olhou e não viu Quatre junto a ele, seu filho deveria estar ali, a menos que algo houvesse acontecido a ele. Ângela levou a mão aos lábios, aproximando-se do vampiro que havia entregado sua filha ao seu marido, queria perguntar a ele sobre o filho, mas temia ouvir a resposta. No entanto Trowa balançou a cabeça, diante da pergunta muda escrita nos olhos verdes da humana. Ele viu as lágrimas caírem do rosto da humana e sabia que elas também caiam por seu rosto, embora em uma tonalidade vermelha. Trowa sentiu braços o envolvendo e por alguns instantes não retribuiu o gesto, não até que sentiu a mão da mulher acariciar seu rosto o enxugando. No momento era tudo o que precisava, alguém para partilhar sua dor, alguém que a entendesse tão bem quanto ele.
Zechs notou a ausência de Quatre e não pode deixar de sentir-se triste, ele se aproximou para falar algo, mas sua pergunta morreu em seus lábios, antes que tivesse a chance de pronuncia-la, a visão que via parada do outro lado da porta, era estarrecedora para não dizer mórbida. Trowa ainda abraçava a mãe de Quatre, quando sentiu, uma sensação familiar e quente, nenhuma palavra apenas à sensação de paz, a mesma que sentira ao encontrar Quatre a primeira vez. Soltando-se dos braços da humana, virou-se para encontrar, seu anjo, a pele clara como a lua, agora se encontrava banhada de um vermelho escuro...vermelho do sangue dos caçadores.
Ele abriu a porta o olhando, procurando por algum ferimento grave, mas não encontrando nada além do sangue a escorrer por todo o seu corpo, os fios loiros se encontravam vermelhos e grudados um nos outros, dando-lhe uma aparência estranha. Era como se Quatre houvesse mergulhado em uma piscina cheia de sangue de caçador, ele caminhou até seu anjo, ignorando os olhares aterrorizados dos humanos. Trowa tocou a face manchada de Quatre sujando os dedos com o sangue que o cobria. Quatre ainda segurava em cada uma das mãos a Heath Scythe pingando sangue, parecia não querer larga-las ou apenas temia faze-lo.
Trowa deslizou as mãos pelos braços de seu anjo, sem desviar seus olhos do dele, a íris azul clara, ainda se mantinha escondida atrás da íris peculiar aos vampiros, ele sentiu uma ligeira tensão nos braços de Quatre e deteve suas mãos sobre as deles. Procurou deixar sua mente em contato com a de Quatre, pronunciando apenas quatro palavras, que tiveram o poder de recuperar, o azul de seus olhos.
"Você está seguro agora".
Quatre soltou as Heath Scythe e abraçou Trowa, sendo confortado por ele que o abraçava com carinho, ambos sentiam-se confortados pela presença um do outro, sabendo que não precisavam de mais nada. Quatre sentiu um toque em seu braço, e afastou-se ligeiramente dos braços do amante, para encontrar os olhos de sua mãe a observa-lo, envergonhado de sua aparência ele abaixou a cabeça para tê-la erguida pela mão dela em seu queixo. Ele viu sua mãe sorriu e logo depois se encontrava abraçado por ela. Ela não se importava pela aparência dele no momento, ou pela nova natureza do filho o importante era que ele estava ali, e mesmo que seu corpo apresentasse um frio mórbido e seu rosto e vestes estivessem cobertas de sangue, Quatre seria sempre seu filho e nada mudaria isso. Nem mesmo a morte.
- Meu filho...meu pequeno Quatre.
- Mãe...eu.
Ângela podia ver a dúvida e o receio nos olhos do filho, ele temia que ela o rejeitasse por causa de sua nova natureza, mas ela seria incapaz de faze-lo.
- Você sempre será meu filho Quatre, independente do que você tenha se tornado.
- Mamãe...
Ângela sorriu e acariciou o rosto de Quatre, que segurou a mão dela levando-a aos lábios frios. Ela olhou em volta e notou os olhares dos curiosos, não podiam ficar ali, precisava limpar o sangue em seu filho, precisava conversar com ele e saber o que acontecera para que ele houvesse se tornado um vampiro.
- Venha vamos limpá-lo lá dentro.
Ângela começou a puxar o filho, mas Quatre não se moveu, apenas ficou a olhar o pai que o encarava na porta da loja de Zechs. Ele poderia ouvir claramente seus pensamentos, mas procurava não faze-lo, não queria saber o que seu pai achava, sobre ele agora haver se tornado um Glole. Ahmond olhava para o jovem que renegara como filho, podia ver o sangue escorrendo por suas roupas e corpo, a criatura a sua frente em nada o lembrava seu filho, sabia o que ele havia se tornado, o brilho avermelhado que vira em seus olhos na floresta, não fora apenas uma impressão ou uma miragem causada pela escuridão. Sabia que inevitavelmente isso acabaria por acontecer, e talvez houvesse precipitado o inevitável, ao expulsá-lo de casa e o jogado nos braços do vampiro de olhos verdes.
Mas o que mais o incomodava não era isso, mas o fato de realmente, não se importar com a nova natureza de Quatre, na verdade sentia-se conformado e até mesmo satisfeito que o filho agora tivesse a chance de viver a eternidade ao lado da pessoa que escolhera amar. Sabia que o olhar desafiador com que seu filho o encarava, era apenas um meio de se resguardar de suas palavras rudes, as mesmas que não conseguia esquecer desde que o mandara embora. Surpreso notou que chorava, da mesma forma que o fizera quando tomara a decisão mais difícil de sua vida, ele desceu os poucos degraus da entrada da loja, parando a apenas alguns centímetros de seu filho. Sorriu e abriu os braços, fechando-os ao redor do corpo de Quatre que se jogara neles assim que soube que seu pai o perdoara.
Quatre não queria olhar seu pai de uma forma tão desafiadora, mas não queria ouvi-lo disser as mesmas palavras duras que ainda o faziam chorar por dentro. Não deixaria que ele o machucasse novamente, ninguém o machucaria assim nunca mais, podia sentir a presença de Trowa atrás de si e em sua mente, o confortando e dizendo para não se preocupar. Mas ele não precisava se preocupar, ele era forte agora não era? Enfrentara sozinho, oito caçadores e sobrevivera, como as palavras de um simples humano poderiam feri-lo?
"Não somos imunes ao sofrimento e dor Quatre. Palavras machucam e ferem tanto quanto um ferimento físico. E independente do que aconteceu entre vocês, a opinião de seu pai ainda é importante para você."
"Ele não é mais meu pai, e eu já não sou mais filho dele. Esqueceu que ele me renegou como filho? E mesmo que ele não houvesse me renegado, o filho dele morreu semanas a trás."
"Esqueceu que eu sinto o mesmo que você sente? Não há segredos entre nós Quatre, não importa o que você diga, seu cor....
"Meu coração está morto Trowa, ele deixou de bater quando me tornei um vampiro através de você".
Quatre ficou em silêncio por alguns segundos, antes de se desculpar, não queria acusar Trowa pelo seu atual estado, não era culpa do amante, quando aceitara se envolver na batalha sabia das conseqüências. Assim como sabia que Trowa ainda se culpava por tê-lo abraçado.
"Me desculpe...eu não quis dizer isso".
"Eu sei meu anjo, mas não se pode negar a verdade não é. Eu o transformei no que você é agora, eu o tomei a decisão de abraça-lo, mesmo tendo sido uma decisão..."
"Não foi egoísmo meu amor, pelo contrário...foi por amor que você me deu uma nova natureza e não vou negar que me sinto atraída por ela, mas não mais do que me sinto atraído por você. Mas meu coração está morto e eu não sou mais nada para esse homem"
"Seu coração pode estar morto, mas sua alma está viva. Você não deixou se ser quem é por se tornar um vampiro Quatre, você apenas despertou para um novo mundo, mas você ainda é o mesmo Quatre por quem me apaixonei. Não o julgue precipitadamente, para não se arrepender depois meu anjo".
Quatre voltou sua atenção para o humano que um dia chamara de pai, ele viu que o mesmo chorava, e sentiu como se algo dentro dele se quebrasse, a primeira vez que o vira chorar fora quando o mesmo lhe batera e o expulsara de casa. Mas por que ele chorava agora? Ele viu que seu pai vinha em sua direção e não pode deixar de tremer em expectativa, nem mesmo quando lutava contra os caçadores, sentira tanta apreensão como agora, mas havia algo nos olhos de seu pai que lhe dava esperanças que nem ao menos imaginar ansiar. No entanto Trowa havia sido capaz de perceber em seu intimo, o quanto ele desejava o perdão e a compreensão de seu pai, no fundo sentia-se culpado por ter magoado o homem a sua frente.
Quatre viu o pai sorrir e abrir os braços para ele, lágrimas vermelhas começaram a rolar por seu rosto enquanto se jogava nos braços de seu pai, sentiu os braços se fecharem a sua volta e não pode impedir-se de soluçar ainda mais ao ouvir o pai pedindo-lhe perdão.
- Perdoe-me filho...por todo mal que lhe fiz.
- Pai....
Quatre não tinha palavras, embora elas não fossem necessárias no momento, saber que havia sido perdoado era o suficiente, seu pai aceitara a escolha que fizera ao decidir viver com Trowa. Ele levantou a cabeça e encarou os olhos do pai que sorria, afastando uma mecha da testa do filho, e enxugou-lhe as lágrimas vermelhas, voltando a abraça-lo. Seu filho estava de volta, um pouco diferente era verdade, mas ainda assim seu filho, seu herdeiro.
- Venham vamos limpá-lo e ver como está sua irmã.
Quatre sorriu e balançou a cabeça, olhando para Trowa que sacudiu a cabeça os seguindo, mentalmente ele disse a Zechs para convidar Quatre a entrar em sua loja, uma vez que seria a primeira vez que ele entraria nela como um vampiro. Zechs entendeu e sacudiu a cabeça, abrindo a porta da loja e convidando o amigo a entrar.
- Venha Quatre, entre e seja bem-vindo...acho que há algumas roupas minhas lá dentro.
- Obrigado Zechs.
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Nas terras dos Khushrenada:
Heero estava sentado na cama, ao lado de Duo que ardia em febre, sentia uma vontade insana de matar alguém, ver Duo sofrendo era como se tivesse uma estaca de prata enfiada em seu peito. Ele não podia fazer nada para aliviar-lhe a febre, em todos esses anos de existência, nunca tinha visto nada parecido, nem Treize ou os lideres do Maganac tinham idéia do porque da febre ter voltado do nada. Restava apenas esperar que Quatre e Trowa retornassem com a mãe do jovem loiro, antes que resolvesse descontar em alguém sua frustração.
Duo abriu os olhos febris encontrando o olhar preocupado de Heero, ele estendeu o braço tocando a face fria do vampiro, que lhe segurou a mão a esfregando contra o rosto. Duo deu um ligeiro sorriso, sentia-se tão fraco e cansado, fazia tanto tempo que não tinha essas recaídas, como pudera ter sido tão descuidado com seus ferimentos, deveria ter dito a Heero para procurar a mãe de Quatre logo de inicio, mas acreditou não ser necessário. Nunca entendera o porque de sempre ficar assim, nem mesmo os médicos quando era pequeno tinham uma explicação para o que acontecia com ele, como se debilidade anormal explicasse alguma coisa.
Isso apenas significava que os médicos não tinham noção alguma do que acontecia com ele. Perdera as contas de quantos médicos visitara, a quantidade de tratamentos que fizera para descobrir o motivo que levava seu corpo a não corresponder aos tratamentos usuais, para fazer a febre ceder definitivamente, mesmo quanto não havia um motivo aparente para ela. Era tudo tão estranho, apenas a mãe de Quatre conseguia faze-la ceder, através de ungüentos, banhos de imersão e remédios naturais. Duo sentia a garganta e a boca seca, quase não tinha forças para falar, assim sua voz saiu quase inaudível para que um ser humano comum pudesse ouvir, mas perfeitamente clara para que um vampiro pudesse escutar.
- Eu estou com sede.
- Eu vou pegar um pouco de água para você.
Heero beijou a mão de Duo e se levantou para pegar um pouco de água, no jarro trazido por Kimitsu, ele ajudou Duo a levantar um pouco para tomar a água e depois colocou o copo sobre a cabeceira. Duo voltou a se acomodar, segurando a mão de Heero e a esfregando contra o rosto, enquanto fechava os olhos, sentiu algo gelado colocado em sua testa e deu um pequeno sorriso, Heero havia trocado o pano em sua testa por outro.
- Eu sinto muito...por ficar assim.
- Tudo bem Duo, não me importo em cuidar de você. Quero apenas que você fique bom.
- Quatre foi buscar a mãe dele?
- Sim...eles devem voltar em pouco tempo, enquanto isso eu farei o possível para cuidar de você.
- Eu sei Hee-chan.
Heero acariciou a face corada de Duo antes de beijar-lhe suavemente nos lábios, procurava ignorar a sensação de fome dentro de si, já havia passado da hora de sua refeição, mas não se importava não sairia do lado de Duo até que o mesmo ficasse bom, mesmo que tivesse que negligenciar suas refeições como vinha fazendo há quase duas semanas. Heero pode sentir as presenças de Christine e dos outros retornando ao castelo, mas não sentiu as de Trowa e Quatre, alguns minutos se passaram até que sentisse a presença de Treize e Cathrine a porta do quarto.
Ele levantou-se silenciosamente para não despertar Duo que finalmente adormecera, não era necessário que Treize lhe dissesse que algo grave acontecera, mesmo assim, ele abriu a porta para encontrar o antigo shuhan dos Khushrenada acompanhado de Cathrine.
- O que houve?
Cathrine olhou para Treize diante do tom frio e impessoal da voz de Heero, nas últimas semanas não estava mais reconhecendo o amigo, mas com tanta coisa acontecendo temia aborrece-lo ainda mais perguntando alguma coisa. Tentara se enganar imaginando que o mau humor de Heero era causado pelo estado de saúde debilitado de Duo, mas sabia que não era isso. Tinha quase certeza de que Treize sabia o que se passava com Heero, a forma com que ele o olhava, não deixava dúvidas quanto a isso, mas Treize se recusava a dizer o que estava acontecendo. Era como se temesse despertar alguma coisa em Heero, mas ela não sabia dizer o que.
- Ao que parece Quatre está morto. Ele foi pego pelos caçadores e não temos noticias dele.
- E Trowa?
- Ainda está na cidade, acredito que deve estar falando com os pais de Quatre. Tenho certeza de que ele trará a humana.
- Hn...
Heero abaixou a cabeça olhando de lado para a porta atrás de si, se Quatre estivesse realmente morto, sabia que Trowa deveria estar sofrendo muito, e dificilmente lembraria de falar com a mãe de Quatre ou traze-la ao castelo. Heero levou a mão à testa a coçando ligeiramente, tentando afastar a irritação pela noticia inesperada, ignorando o olhar de Treize e Cathrine, virou-se entrando no quarto e trancando a porta. Cathrine ainda tentou falar alguma coisa, mas Treize a impediu balançando a cabeça e a levando para o quarto deles, não convinha perturbar Heero neste momento, ele precisava ficar sozinho e se acalmar, para o bem dele e dos outros.
- Treize o que ele tem? Heero parecia tão estranho.
Treize sorriu e acariciou o rosto de Cathrine, antes de abraça-la ignorando sua pergunta.
"Ele está pendendo o controle para ela....e isso não é bom".
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Cidade de Epyon - Mercado 24 hs -Uma hora depois:
Quatre havia se lavado no pequeno banheiro da loja, e vestido uma blusa e uma calça limpa, devido ao porte de Zechs as roupas ficaram alguns números acima das medidas de Quatre, que enrolou as mangas e as pernas da calça, fazendo com que Trowa sorrisse ligeiramente de sua aparência.
- Não ria Trowa.
- Desculpe Quatre, mas você está encantador.
- Sei...
"Você quer dizer engraçado, eu pareço um bonequinho de pano"
"Não deixa de ser encantador, meu anjo".
Quatre sorriu e olhou para seus pais, que os observavam em silêncio, ele caminhou até eles tocando o rosto da irmã que ainda estava desacordada, ele olhou para Trowa que sacudiu a cabeça dizendo que ela estava bem.
- Ela ficara bem, devera acordar amanhã com uma ligeira fraqueza, nada demais.
Quatre sorriu e afastou os fios que caiam por seu rosto. Então ele deu um tapa em sua própria cabeça, como tudo isso acabara por esquecer completamente de Duo, e de que Heero ficara aguardando o retorno deles.
- Droga eu me esqueci completamente. O Heero deve muito aborrecido e preocupado.
Quatre olhou para Trowa que também havia esquecido completamente de Duo e de Heero, sabia o quanto Heero deveria estar nervoso a cerca da demora deles. Ele se levantou da cadeira onde estava sentado e caminhou até o amante, beijando-lhe a testa antes de sair da loja, para ir buscar o carro. Quatre voltou-se para os pais que olhavam sem entender.
- Mãe você poderia vir comigo até o castelo? O Duo não está muito bem.
- Ele está doendo?
- Está com febre, como de quando ele era pequeno.
- Entendo.
Ângela olhou para o marido, como se pedisse permissão para ir, apesar de Duo não ser um Winner, ele era considerado como um filho por eles. Ahmond beijou a esposa e acariciou o rosto de Quatre.
- Vá querida, Duo e como se fosse um filho para nós, e ele precisa de você. Eu levarei Iria para casa, não se preocupe.
- Eu vou precisar pegar algumas coisas em casa antes.
- Nós podemos deixa-los em casa, senhora Winner.
Trowa havia retornado e encontrava-se parado na entrada, eles poderiam deixar o pai e a irmã de Quatre em casa, e depois ir à direção do castelo, havia ligado para o castelo a fim de informar Heero quanto ao retorno deles. Pela informação passada por Treize, o japonês se encontrava trancado no quarto com Duo e não parecia disposto a conversar com ninguém no momento, ao que parecia a noticia de que Quatre havia caído durante a busca pela irmã, não o agradara em nada. Trowa tranqüilizou Treize dizendo que Quatre estava bem e afirmara que estariam de volta em breve e que avisasse Heero de que estavam levando a mãe de Quatre com eles.
"Quatre...precisamos ir logo, Treize disse que Heero se trancou no quarto com Duo e pelo tom de voz dele isso não pareceu uma boa coisa".
"Heero anda estranho não é"
Trowa balançou a cabeça em afirmação, todos haviam notado que Heero não andava em seus melhores dias, agindo quase como um animal enjaulado, apesar do mesmo semblante indecifrável de sempre. Ele parecia irradiar uma áurea que os afastava, e fazia temerem aborrece-lo, às vezes seus olhos sempre frios, pareciam ligeiramente insanos, e por diversas vezes ele parecia lutar com alguma coisa dentro de si. Em todos os anos que conviveu com Heero, essa era a primeira vez que sentia medo dele, ou do que ele poderia ser capaz de fazer, se desse vazão ao que via reluzir em seus olhos. Quatre procurou apressar os pais e depois de alguns minutos seguiam em direção a sua antiga casa, para buscar o que seria necessário para ajudar Duo.
No castelo:
Heero olhava para Duo, o americano estava tremendo por causa da febre, ele colocara alguns cobertos sobre ele, mas sem sucesso, se ainda estivesse vivo poderia aquece-lo com o calor do próprio corpo.
"Mas eu estou morto...e calor é a última coisa a existir em meu corpo".
Heero ouviu uma batida na porta, e em seguida a voz de Treize em sua mente, ele estava pronto para expulsá-lo, quando ouviu o nome de Quatre e a informação de que eles estavam vindo junto com a humana, que ajudaria Duo. Heero deixou-se escorregar para o chão caindo ao lado da cama, olhando pesaroso para Duo que tinha a face banhada pelo suor e o corpo sacudido pelos tremores. Ele esperava apenas que eles chegassem antes que não conseguisse se controlar, e acabasse fazendo uma loucura.
Treize retornou para seu quarto, encostando-se na porta assim que passou, felizmente Cathrine não se encontrava no aposento, sentia-se exausto, invadir a mente de Heero, em seu atual estado fora um erro. Por pouco não teve sua mente, ferida por Heero, a força do novo shuhan dos Khushrenada havia crescido, muito nos últimos tempos, aliado a natureza que o vampiro mantinha escondida dentro de si. Mas ao que tudo indicava o vampiro, já não conseguia ou já não se preocupava mais em controlar seus instintos. A ligação que ele mantinha com Duo, era muito mais importante do que suponha, o humano havia se tornado como uma âncora, um meio para ele mantivesse controlada sua natureza selvagem. Natureza esse que Treize vira apenas uma única vez e de não desejava vê-la novamente, mas o que mais temia era que se Duo não se recuperasse viesse a perder não apenas o humano, mas também o vampiro de olhos azul cobalto.
"Isso não é nada bom".
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Na mansão Winner:
Quatre achou estranho voltar a sua casa, depois que deixara de ser humano. Rashid o recebera com a mesma formalidade e o carinho de sempre, embora houvesse demonstrado surpresa ao vê-lo agora como um vampiro. Quatre sentira claramente a surpresa no antigo empregado e amigo, procurou sorrir deixando claro a Rashid que estava tudo bem, que havia sido seu desejo tornar-se um vampiro, ele olhou momentaneamente para Trowa que mantivesse calado. Levaria algum tempo até que Trowa deixasse de se culpar por tê-lo abraçado, mas estava disposto a mostrar ao amante que estava mais do que feliz em poder compartilhar a imortalidade com ele. Deixou Rashid na companhia de Trowa e seguiu com os pais rumo as escadas.
Os pais de Iria a colocaram no quarto, não havia muito que fazer a não ser aguardar que ela acordasse como Trowa dissera. Ângela Winner providenciou tudo que era necessário para ajudar Duo, algumas ervas e raízes, ela sempre mantinha um pequeno estoque em casa para o caso de Duo ter uma recaída, ela voltou ao quarto da filha onde seu marido e seu filho se encontravam sentados a observando dormir, jamais imaginou que os veria junto novamente, pelo menos não assim.
- Eu estou pronta querido.
- Está bem mãe, vamos.
Quatre se levantou e abraçou o pai evitando chorar, Ahmond se afastou do filho beijando-lhe a testa e depois o olhando nos olhos claros.
- Você será sempre bem-vindo a sua casa meu filho.
- Obrigado papai.
- O rapaz que o acompanha também é bem-vindo, sempre que desejar.
- Direi a ele, eu tenho que ir agora.
- Vá eu ficarei aqui cuidando de sua irmã, levem Rashid com vocês, ele sempre ajudou a cuidar de Duo, ele será útil também.
- Está bem...devo voltar pela manhã meu senhor.
- Eu sei querida, demore o tempo que for necessário, espero que Duo se recupere.
Ângela beijou o rosto do marido e depois o rosto da filha adormecida, acariciando lhe suavemente antes de deixar o quarto. Eles desceram as escadas da mansão, encontrando Rashid e Trowa conversando, o semblante de Rashid indicava que Trowa o havia informado a cerca de como Quatre se tornara um vampiro. Quatre podia sentir a dor de Trowa e sorriu o beijando no rosto e voltando-se para Rashid que o olhava com carinho, o empregado era como um segundo pai para si.
- Eu já disse Rashid que está tudo bem, mais cedo ou mais tarde isso aconteceria, é meu destino ficar ao lado de Trowa e mesmo que não o fosse eu procuraria mudar meu destino para ficar ao lado dele.
- Compreendo jovem mestre.
- Agora vamos Duo precisa de nós.
- Rashid você virá conosco.
- Sim minha senhora.
Eles entraram no carro seguindo em direção ao castelo, precisavam cuidar de Duo o mais rapidamente possível, durante o trajeto até o castelo Trowa decidiu perguntar a mãe de Quatre se ela sabia a razão da doença de Duo ou os meios para curá-lo.
- Senhora Winner.
- Me chame de Ângela.
- Ângela, você sabe o que Duo tem?
- E difícil dizer precisamente a origem da doença de Duo. Quatre deve ter dito que quando pequeno Duo costumava adoecer muito, geralmente tinha altas febres que o debilitavam, mas tudo piorou muito logo após o incêndio da igreja. Os médicos nunca souberam explicar o fato dele não ter uma recuperação normal, alegando ser uma anomalia do organismo dele.
- E a senhora não acredita nisso?
- Não..acho que a origem dessa debilidade é outra, apesar de não fazer parte do mesmo povo que meu marido, aprendi muito quando vivi com eles, sua sabedoria, cultura, misticismo e medicina. Assim como aprendi com meus pais que muitas vezes o que não podemos ver nos causa mais mal, que do o que vemos.
- Não compreendo mãe?
- Quatre você melhor do que ninguém sabe o que se passa com Duo, você esteve ao lado dele quando ele perdeu o tio.
- Sim...eu sei...Duo sempre se culpou por não estar na igreja aquele dia, ele ficou em nossa casa, porque tinha brigado com o padre Maxwell. Se eles não houvessem brigado, Duo não teria fugido e se refugiado lá em casa, e talvez houvesse morrido no incêndio junto com o padre e a irmã Hellen.
- Você sabe da culpa, da solidão, da tristeza...tudo que o Duo sentia e sentiu durante todos esses anos.
- Sim eu sei.
- Um semblante sempre alegre, às vezes esconde uma tristeza profunda e um mal adormecido.
- Mal!?
- Como diz o ditado a mais coisas entre o céu e a terra do que julga a nossa vã filosofia. Nem sempre podemos ver a verdade diante de nossos olhos, pois muita das vezes ela se esconde dentro de nós. Duo não é o escolhido a toa, há um motivo para que eles tenham se reencontrado.
- Como assim se reencontrado?
Quatre e Trowa se entreolharam sem entender o que a humana queria dizer, sobre se reencontrarem. Ainda mais que Ângela não deu a eles tempo suficiente para que pudessem imaginar a que ela se referia.
- Vocês saberão quando chegar o momento. O que poderia curar Duo definitivamente, esta descrito em um livro muito antigo, talvez mais antigo que as escrituras sagradas.
- Que livro é esse?
- Não sei ao certo quem o escreveu Trowa, sei apenas que nele estão descritas centenas talvez até milhares de fórmulas, encantamentos... e profecias.
- Profecias!?
- Sim...talvez o que buscam esteja nesse livro.
Trowa olhou por alguns segundos através do espelho retrovisor para a humana sentada no banco traseiro, as palavras dela, pareciam fazer sentido e ao mesmo tempo pareciam ser muito confusas, mas se lembrava de que Treize procurava um livro na biblioteca. Ele dissera que o mesmo poderia ajudá-los a respeito da profecia, talvez fosse o mesmo livro do qual a humana falava. Por alguns momentos era como se ela adivinhasse seus pensamentos, outro que ela falava sobre o passado, ele olhou para Quatre que se encontrava a seu lado, através dele soube o porque das palavras da humana. O jovem loiro olhou para Trowa e sorriu, desde pequeno aprendeu a conviver com sua empatia assim como aprendera a conviver com as habilidades de sua mãe tão diferente da sua.
Ângela Winner algumas vezes podia predizer o futuro, assim como o passado, soube através de Rashid que sua mãe vinha de uma família que acreditava na cura das ervas e do destino guiado pelas estrelas. Eles cultuavam a noite e por isso eram considerados demônios, por suas crenças e modo de vida. Dela herdara o dom de poder sentir as emoções dos outros e agora como vampiro acabara por despertar uma outra habilidade que o ajudara a encontrar sua irmã.
Estavam quase próximos ao castelo, cada um mergulhado em seus próprios pensamentos, quando Trowa se manifestou novamente.
- Ângela você sabe como é o livro?
- Uma vez minha mãe me disse que ele era claro como o dia, suas folhas negras como a noite e suas letras vermelhas como o sangue. Um símbolo prateado como a lua guarda seu lacre e uma chave dourada como o sol o abre. Simples e invisível aos olhos dos que não sabem o que procurar, visível como uma estrada aos que sabem que caminho tomar.
- Branco com um símbolo prateado e folhas negras!?
- Sim, mas eu nunca o encontrei e nem sei se ele realmente existe, meu povo nunca o viu realmente, talvez seja apenas uma lenda, mas...
- Algumas lendas sem tem seu fundo de verdade.
- Exato.
- Então teremos que varreu a biblioteca novamente e verificar se tal livro não existe mesmo.
- Acha que ele está na biblioteca Trowa?
- Talvez meu anjo, Heero me disse uma vez que lá existem livros de eras antigas e culturas tão antigas quanto a Terra. Talvez o encontremos lá, uma vez que sabemos o que procurar.
Quatre sorriu e virou-se para sua mãe que também sorria, era verdade eles agora tinham uma descrição do que procuravam e se a lenda fosse verdadeira e o livro realmente existisse, ele estaria lá. Eles avistaram a torre do castelo e ao parar o carro diante da entrada encontraram Treize os esperando, junto com Sally e Cathrine. Eles desceram do veiculo e os vampiros se aproximaram, Treize meneou a cabeça e cumprimentou seus visitantes.
- Sejam bem-vindos.
- Muito obrigada.
Treize observou a humana por alguns instantes, antes de dizer que Heero os aguardava no quarto.
- Ele está em seu quarto, acho melhor irem logo, antes que ele fique ainda mais impaciente do que já está.
- Sim...Treize você poderia acompanhar a mãe de Quatre até o quarto, enquanto nós procuramos um livro na biblioteca.
- Livro?
Quatre se aproximou de Treize colocando um de seus dedos sobre sua testa o fazendo fechar os olhos, através do contato passou toda a conversa que tiveram durante a vinda ao castelo, tudo não durou mais do que alguns milésimos de segundos. Assim que Quatre afastou o contato se desfez, Treize sentiu-se tonto por alguns segundos, e abriu os olhos que tinham um brilho avermelhado indicando uma ligeira irritação. Treize procurou acalmar-se e seus olhos voltaram a tonalidade clara e tranqüila de sempre, ele olhou para Trowa que se encontrava tão surpreso quanto ele sobre o que Quatre fizera. Em seguida Treize olhou para o jovem vampiro que corou sussurrando um pedido de desculpas acompanhado de uma rápida explicação para seu ato.
- Desculpe...eu...eu achei que seria mais rápido do que explicar. E eu...não pensei...no que fazia, simplesmente....
Treize sorriu balançando a cabeça, de fato nada teria sido tão rápido ou eficiente quanto o que Quatre fizera e sabia que ele ainda tinha muito que aprender e que não o fizera por mal, mas apenas para ganhar tempo.
- Tudo bem Quatre, mas não faça isso sem o consentimento da outra pessoa isso pode...
Houve uma pausa nas palavras de Treize que sorriu antes de continuar, o olhar culpado do jovem árabe, fez com que Trowa se colocasse a seu lado imediatamente. O vampiro de olhos verdes, sabia que Treize não estava aborrecido com a atitude de Quatre apesar de seus olhos a principio tivessem transmitido uma ligeira irritação. Mas Treize era conhecido por nunca se irritar, e resolver tudo o mais diplomaticamente possível, antes de partir por outros caminhos bem diferentes de sua costumeira polidez e sensatez.
- Digamos ser um tanto, doloroso para ambos, ainda mais se for repelido e você oferecer resistência, o que geralmente acontece.
- Desculpe-me.
- Está tudo bem, mais tarde eu ou Auda juntamente com Trowa o ajudaremos a explorar suas habilidades vampirescas, mas por hora vocês têm coisas a fazer.
Treize voltou-se para sua amada que permanecia a seu lado segurando-lhe a mão para acalma-la podia ver que ela estava um pouco tensa e não desejava vê-la assim. Cathrine sentiu-se mais calma ao ter a mão beijada por Treize e ver seu olhar sempre doce, ela sorriu diante de seu pedido incapaz de negar-lhe alguma coisa.
- Minha amada, peço que se junte a Trowa e Quatre e os ajude.
- Esta bem meu senhor.
- Sally gostaria de pedir o mesmo a você.
- Irei com prazer Treize.
Treize sorriu e se afastou indicando que os humanos entrassem, ele os levou até o quarto de Heero, sendo observados pelos vampiros que se encontravam no castelo. Enquanto isso Trowa e os outros seguiam para a biblioteca a fim de procurarem o livro que talvez tivesse a cura para Duo e a resposta que procuravam a cerca da profecia.
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Heero sentiu as presenças de Trowa e Quatre assim como a de dois humanos, olhou para Duo e agradeceu intimamente pela chegada deles, não sabia se conseguiria continuar a vê-lo dessa forma por muito mais tempo e não fazer nada para ajudá-lo. Ele levantou-se e destrancou a porta, trocando depois o pano sob a testa de Duo por outro mais fresco aguardando que eles viessem cuidar do americano, ouviu uma batida na porta e logo depois a ouvir se abrir, Heero se levantou encarando os dois humanos atrás de Treize.
A mãe de Quatre sentiu um leve tremor diante do olhar frio do vampiro a sua frente, o olhar dele era não apenas frio, mas ligeiramente cruel e insano, havia tanta força em seu olhar que era quase impossível permanecer encarando-o por muito tempo. Rashid queria colocar-se ao lado de sua senhora, mas sentia-se incapaz de se mover, o olhar do vampiro o paralisara, era a primeira vez que sentia tal medo, o olhar frio e penetrante parecia explorar sua mente. Treize colocou-se diante do olhar de Heero de forma que o vampiro desviou automaticamente seu olhar dos humanos.
- Heero estes são Ângela Winner a mãe de Quatre e Rashid Kurama irmão de Auda. Senhora Winner este é Heero Yuy o shuhan do clã dos Khushrenada.
Heero voltou novamente seu olhar para os dois, meneando a cabeça cumprimentando os humanos, que retribuíram o gesto ambos surpresos com a diferença clara em seu olhar, a força e a frieza continuavam presentes em seus olhos, mas a sensação de medo que eles empregavam havia sumido. Heero olhou para Treize friamente, o fazendo simplesmente arquear as sobrancelhas, o atual shuhan simplesmente virou-se e se aproximou de Duo ajoelhando-se ao lado da cama. Ele acariciou a face do humano que tinha o rosto quente e avermelhado, com a voz cansada e fria o que não transmitia em nada o que sentia realmente, dirigiu-se à humana sem virar-se para observa-la.
- Pode ajuda-lo?
A mãe de Quatre se aproximou da cama tocando o rosto do jovem que considerava como um filho, ela voltou seus olhos para o vampiro, vendo através da íris azul cobalto carinho, dor e preocupação com o jovem enfermo na cama. Ela sorriu colocando a mão no ombro do vampiro, sem se importar se isso seria um erro. Heero deu um ligeiro grunhido ao sentir à mão da humana em seu ombro, mas procurou conter-se diante do gesto, ele manteve seu olhar preso ao corpo adormecido na cama, a ouvindo falar suavemente.
- Eu farei o possível para isso, Duo é como um filho para mim, não se preocupe ele ficará bem.
- Obrigado.
- De nada senhor Yuy.
Heero levantou-se dando espaço à humana para que ela se aproximasse mais e cuidasse de Duo. Sabia que ele estava em boas mãos agora, sentia-se esgotado, mas não o deixaria até que o mesmo estivesse bem, aproximou-se de Treize que notava o cansaço em seu rosto.
- Porque não descansa um pouco, Heero eu ficarei aqui com ele.
- Não quero deixa-lo sozinho.
- Ele não estará sozinho.
- Eu sei, mas eu quero ficar, descansarei quando ele estiver melhor.
Treize meneou a cabeça, sabia que não conseguiria faze-lo mudar de idéia. O antigo shuhan do Ichizoku dos Khushrenada, sabia o quanto Heero estava cansado, o mesmo não vinha descansando e nem mesmo se alimentado direito desde a batalha com os caçadores. Se Duo não estivesse ligado a Yami através do sangue, já teria dito a Heero para dar ao humano seu sangue para ajuda-lo em sua recuperação, mas isso impossibilitaria Duo de usar a espada da qual era guardião e no momento isso não era nada aconselhável. Treize dirigiu-se a humana que ainda verificava as condições de Duo.
- Do que precisa enquanto os outros procuram o livro?
- Livro?
Heero olhou para a Treize sem entender o que o outro quis dizer, o vampiro explicou sobre o que falava, dizendo ao final que havia uma chance de que tal livro se encontrasse na biblioteca do castelo. Heero sacudiu a cabeça diante dos fatos, era verdade que antes da batalha todos no castelo haviam, se empenhado em procurar o livro que talvez os ajudasse a entender a profecia, mas não haviam encontrado nada, porque não sabiam exatamente o que procurar e a biblioteca possuía prateleiras repletas de centenas de livros, no entanto tendo uma discrição ficaria mais fácil encontra-lo.
Ângela Winner olhou para os vampiros diante da pergunta, e depois se virou novamente para Duo enquanto Heero ouvia os fatos à cerca do livro, assim que sentiu os olhos se voltarem para ela novamente. Ela voltou-se para eles com os olhos preocupados, o que foi notado rapidamente por Treize. Ela abriu a boca para dizer algo, mas não o fez, a febre de Duo estava muito alta, bem mais do que costumava ficar quando o mesmo era pequeno, se não fizessem nada para abaixa-la logo, Duo teria sérios problemas em seus órgãos internos e poderiam acabar por perder o rapaz. Ela olhou para Rashid que compreendeu imediatamente a situação, ele voltou-se para os vampiros dizendo-lhes do que precisariam para amenizar um pouco a febre.
- Precisamos resfriar o corpo dele, e preparar um banho de imersão com as ervas que trouxemos isso vai ajudar por enquanto.
- Certo, há uma banheira no banheiro, podemos enche-la com água fria e depois preparamos o banho de imersão.
Treize mostrou o banheiro e Rashid começou a encher a banheira, Heero aproximou-se novamente da cama ajudando a humana a despir o humano, mentalmente pediu que Kimitsu esquentasse um pouco de água. Rashid começou a macerar as ervas que haviam trazido, juntamente com um óleo que Treize não conseguiu identificar do que seria. Assim que a banheira estava cheia Heero carregou Duo em seus braços até o banheiro sendo acompanhado pela humana. Assim que o corpo quente tocou a água fria, Duo abriu os olhos e gemeu, seu olhar encontrou-se com o de Heero, podia ver a preocupação nos olhos do vampiro. Ele tentou dizer-lhe alguma coisa para aplacar a dor que via nos olhos azul cobalto, mas o vampiro não o permitiu, cobrindo os lábios do humano com os dedos, enquanto falava-lhe mentalmente.
"Está tudo bem Duo, estamos tentando baixar a febre, não se preocupe".
Duo balançou a cabeça e sentiu que outra pessoa o molhava, levantou ligeiramente a cabeça que se encontrava alojada na curva do braço de Heero e viu a mãe de Quatre, sua face ficou vermelha ao notar que estava nu diante dela. Ângela sorriu e continuou a molhar o corpo de Duo com a ajuda do vampiro, sabia que o rapaz estava envergonhado, por estar nu diante dela, mas ele era como um filho e não pode impedir de brincar com ele diante de seu constrangimento.
- Não se preocupe querido, você não tem nada que eu não tenha visto antes, além do mais, não é a primeira vez que lhe dou banho.
Duo deu um pequeno sorriso, enquanto seu rosto adquiria um tom avermelhado mais forte e sua voz saia ligeiramente cansada mais divertida.
- Mas eu tinha quatro ou cinco anos de idade, e eu cresci muito desde então.
- Mas ainda continua minha criança, assim como Quatre.
Duo sorriu diante do olhar de carinho da mulher que considerava como uma mãe, ela o havia ajudado mais do que poderia imaginar, acolhendo-o como a um filho, jamais poderia pagar o bem que ela fizera em sua vida. Heero olhou para Duo e viu uma pequena lágrima deslizando por seu rosto, podia sentir os sentimentos do humano, a gratidão e o amor que ele sentia pela humana. Ela estivera presente nos momentos mais difíceis da vida de Duo, dando conforto, apoio e carinho para que ele se tornasse a pessoa que era hoje. Podia notar que para a humana, a recuperação de Duo era muito importante, tanto quanto o que sentia por ele, podia sentir a dor e o medo dela em perde-lo, ou de não conseguir curá-lo. Assim como a revolta por não ter conseguido encontrar uma cura para a debilidade dele, mas pelo que Treize dissera isso estava preste a ser resolvido.
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Na Biblioteca:
Auda entrou na biblioteca e encontrou Trowa, Quatre, Sally e Cathrine vasculhando as prateleiras da biblioteca, não tinha idéia do que eles procuravam, mas sabia que deveria ser algo importante diante do empenho que tinham em retirar os livros. Ele estava a ponto de perguntar o que procuravam quando, Treize entrou e se aproximou, respondendo a pergunta que via nos olhos de um dos lideres do Maganac.
- Eles estão procurando por um livro que talvez ajude Duo a se recuperar.
- Entendo. Ele está muito mal?
Auda viu Treize balançar a cabeça e voltou seu olhar para os outros vampiros que agora retiravam os livros das prateleiras simplesmente os jogando para o lado sem recoloca-los no lugar, alguém certamente teria um certo trabalho em arrumar a biblioteca mais tarde. Mas era por uma boa causa, ele arregaçou as mangas da camisa de seda que usava e olhou sorridente para o antigo shuhan dos Khushrenada, disposto a ajudar na busca. Faria o que pudesse para ajudar o humano de cabelos longos, ele o havia cativado, havia tanta força nele que ás vezes tinha que se obrigar a lembrar de que o jovem não era um vampiro. Não se lembrava de ter encontrado um humano, com tamanha garra e força como a do jovem companheiro do shuhan do Ichizoku dos Khushrenada. Duo possuía uma áurea poderosa ao seu redor o que não é muito comum nos humanos, nem mesmo o jovem árabe, o protegido de seu irmão, com suas habilidades empáticas, possuía uma áurea de tão grande magnitude.
Desde que o encontrara desafiando Relena, sentira-se intrigado pelo que sentia emanar do humano de olhos exóticos, algumas vezes tinha a impressão de ver algo em seus olhos, quase como uma chama avermelhada. A essência do que os mais antigos acreditam formar um vampiro, para poucos não basta o sangue para criar, porque se assim fosse não haveria os que simplesmente já nasceram vampiros. Outros necessitam serem criados pelo que nos alimenta, mas alguns poucos como um grão no imenso deserto, precisavam apenas ser despertados para sua verdadeira natureza ou como alguns dizem o despertar pelo sangue.
O que acreditava ser o caso do humano, a mesma centelha de força que via em Heero parecia emanar de seu jovem amante, a mesma força, a mesma coragem, e sabia que se daria o mesmo despertar, tinha quase certeza de que Heero não fora criado, mas sim despertado. Despertado para o que ainda viria a se tornar, podia perceber assim como Abdul que o novo shuhan dos Khushrenada ainda não tinha despertado por completo em sua natureza, mas que ela se daria muito me breve.
- Encontrei!!!!
Auda teve seus pensamentos cortados pela voz suave de Quatre, gritando alegremente ter encontrado o que procuravam, viu o jovem loiro se aproximar de Trowa e entregar-lhe um livro de capa branca, enquanto o vampiro de olhos verdes o abraçava e beijava-lhe carinhosamente a testa. Treize se aproximou e viu o livro nas mãos de Trowa, não se lembrava de algum dia tê-lo adquirido, mas isso não importava no momento o que importava era de que o livro havia sido encontrado.
- Ótimo leve-o para sua mãe Quatre, depois que Duo estiver curado estudaremos o livro e descobriremos mais sobre a profecia.
Ele balançou a cabeça em acordo e se dirigiu ao quarto de Heero na companhia de Trowa, eles estiveram procurando o livro por quase duas horas, quando por acaso decidira verificar novamente uma das prateleiras que ficara sob sua responsabilidade. Ele tinha quase certeza de que olhara e não vira o livro onde o achou, mas quando decidiu verificar novamente o livro simplesmente estava lá. Trowa também não entendia o que poderia ter acontecido, o importante era que o haviam encontrado o restante seria visto e desvendado depois com mais calma. Os outros decidiram por começar a recolocar os livros em seu devido lugar com a ajuda de alguns dos empregados humanos que Treize chamou mentalmente, de nada adiantaria segui-los, somente podiam esperar que tudo desse certo.
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No quarto de Heero:
Duo se encontrava mergulhado dentro da banheira que havia sido aquecida, o cheiro de ervas podia ser sentido por todo o aposento, se sentia como se estivesse dentro de uma sopa, se lembrava vagamente do odor das ervas que Heero esfregava em seu corpo. Sentia-se bem melhor, apesar de ainda estar com febre, ela havia cedido a uma temperatura satisfatória agora e o mal estar era mais ameno.Olhou disfarçadamente para o vampiro, que se mantinha calado não conseguia saber o que Heero pensava, pois não conseguia identificar as emoções expostas nos olhos azuis cobalto. Repentinamente notou que o olhar de Heero se alterou por alguns segundos, e pode identificar apenas alivio quando seus olhares se encontraram segundos antes de ouvirem a porta do quarto se abrir à voz de Quatre dizendo ter encontrado.
- Encontramos mãe.
- Que Alá seja louvado.
Duo estava a ponto de perguntar a Heero o que estava acontecendo, sabia que tanto o vampiro como Rashid e a senhora Winner estavam aguardando impacientemente alguma coisa, embora o vampiro parecesse estar com uma certa dificuldade em manter-se calmo. Achou estranho o fato de Heero ter pedido a mãe de Quatre e Rashid para deixarem o banheiro e se manterem no quarto. Mas o que mais estranhou foi o brilho avermelhado nos olhos do vampiro, quando o mesmo acompanhou a saída deles do aposento, se não o conhecesse poderia jurar que Heero iria se levantar naquele instante e atacar os dois.
Heero ouviu as vozes sussurradas do humano chamado Rashid, assim como a da mulher, sabia muito bem o que falavam, apesar de ser apenas sussurros incompreensíveis aos ouvidos de Duo eles eram perfeitamente claros para si. Eles falavam sobre o fato de ter pedido aos humanos que o deixassem sozinho com Duo, e o fato dele ter assustado as visitas com seu olhar esfomeado. Mas tivera que manda-los sair ou de fato os teria matado, ele conseguia controlar adequadamente seus instintos com na presença de Duo, mas não estava conseguindo manter-se da mesma forma com a presença dos outros humanos. E antes que fizesse algo pelo qual se arrependeria amargamente pediu, não os assustou o suficiente para que saíssem sem pestanejar.
A porta do banheiro se abriu a Quatre colocou a cabeça para dentro, seu olhar era dirigido a Heero que balançou a cabeça indicando que podia entrar, o loiro sorriu e entrou sentando-se na frente de Duo.
- Como se sente Duo?
- Melhor.
Quatre arqueou as sobrancelhas fazendo Duo sorrir antes de voltar a falar.
- Ok...já tive dias melhores, mas o banho ajudou muito.
- Que bom...Heero, Trowa e minha mãe estão lendo o livro.
- Então o encontraram.
Quatre balançou a cabeça, ele parecia querer dizer alguma coisa, mas não sabia como. Heero o olhou e levantou-se o deixando sozinho com Duo. Ele notara que Quatre desejava que ele saísse, embora em seu intimo sua vontade era ficar ao lado de Duo, mas se resignou a deixa-lo sobre a responsabilidade de Quatre, precisava verificar se o livro serviria realmente para ajudar seu amante. Assim que deixou o banheiro encontrou os humanos e Trowa conversando, eles pararam assim que ouviram a porta se abrir e ele caminhar na direção deles.
- Então?
Heero não desejava que sua voz saísse tão fria, mas não pode impedir, podia sentir o cheiro do medo no ar e ele era como o doce aroma de uma refeição suculenta. Trowa olhou para Heero e depois para a mãe de Quatre, a humana tremia levemente diante do olhar de Heero, ele aproximou-se dela passando o braço por sobre seus ombros e dizendo-lhe que estava tudo bem.
- Está tudo bem, ele não vai feri-la enquanto eu estiver aqui. Eu juro.
Ângela balançou a cabeça e voltou sua atenção ao vampiro de olhos azul cobalto.
- Encontramos algo que vai ajuda-lo, talvez até mesmo livrá-lo para sempre dessa...debilidade.
Ela pode ver um brilho claro nos olhos frios, havia calor e esperança neles, bem diferente de segundos atrás, ela evitou recuar quando o vampiro se aproximou e se surpreendeu ao ouvir a voz desprovida de frieza.
- Verdade! O que é necessário então.
- Não é algo muito comum, mas pelo que encontramos um emplasto de ervas e alguns itens é o suficiente.
- Temos tudo que é necessário?
- Sim Heero, alguns das ervas Ângela trouxe com ela, outras pedi a Kimitsu que verificasse, outras Auda disse que tinha, precisamos apenas de algumas gotas de seu sangue para preparar o emplasto.
- Meu sangue!? E porque?
Heero notou os olhares entre os três, não entendia o porque de seu sangue ser necessário, pelo balançar de cabeça da humana, ele sabia que ela dissera a Trowa para não lhe revelar o que sabia. Ele poderia se quisesse sondar a mente dela, mas sabia também que Trowa saberia e se colocaria entre eles e não desejava causar nenhum dano a eles. Trowa olhou para a mãe de Quatre ao ouvir Heero perguntar o porque de seu sangue ser necessário, ela lhe dissera o motivo e achara estranho o que ouvira, mas não ousara retrucar. Sabia que Heero havia notado a troca de olhares entre eles, e que o outro poderia simplesmente descobrir a verdade se ele quisesse, mas tinha certeza de que ele não o faria, pelo menos não por enquanto. Heero não estava assim tão mudado a ponto de ferir a ele e a humana.
- Tudo bem, se precisam do meu sangue para curar Duo que seja.
Heero caminhou até a cama e pegou a tigela que continha um pouco de água, que estivera usando para umedecer a tolha que usara para tentar abaixar a febre de Duo, ele foi à janela e jogou fora a água, pegou um pequeno punhal na gaveta da cômoda e cortou o pulso esquerdo despejando seu sangue na tigela.
- Diga quando for o suficiente.
- Apenas o necessário para servir de base para o emplasto.
Heero balançou a cabeça e deixou que seu sangue esvaísse até que tivesse o suficiente, pouco mais de meio copo, depois se concentrou para fechar o corte, entregando a tigela à humana no instante em que Kimitsu entrou trazendo o que faltava para o preparo. Eles entraram no banheiro para prepararem o emplasto, deixando ele e Trowa sozinhos no quarto.
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Uma hora depois:
Heero já estava cansado de esperar, estivera olhando pela janela observando a lua clara e pálida por quase meia hora, sentia-se um pouco cansado e sentou-se na cama para descansar, alguns minutos depois sentiu a mão de Trowa em seu braço e abriu os olhos sem se lembrar de os ter fechado.
- Você precisa se alimentar Heero, não conseguira manter-se assim por mais tempo e você sabe disso meu amigo.
- Eu estou bem, não se preocupe.
- Não pode continuar a mentir para você e para os outros. Todos nós já notamos que você não está bem, e que ela o está consumindo por dentro.
- Eu posso mantê-la sobre controle.
Trowa estreitou os olhos, ficando em silêncio por alguns instantes antes de se levantar e voltar a falar.
- Você melhor do que ninguém deve saber que ela não pode ser controlada, nessas condições. Você apenas a está tornando mais forte, e colocando a si e aos outros em perigo. Você é o shuhan do clã, e como tal conhece as leis que nos rege...não nos obrigue a cumpri-las.
Os olhos de Heero avermelharam e ele deu um meio sorriso, antes de menear a cabeça em acordo, sabia que Trowa estava certo, conhecia as leis do clã melhor do que ninguém afinal, muitas delas ele mesmo criara para proteger o clã e os humanos. E sabia que estava sujeito a elas tanto quanto qualquer outro vampiro do clã. Heero viu Trowa ir para o banheiro no momento em que Kimitsu saia, ele se levantou e seguiu o empregado até a cozinha para se alimentar um pouco. Trowa entrou no banheiro vendo Duo coberto pelo emplasto, o humano tinha o corpo inteiro coberto por uma pasta escura, ia falar alguma coisa, quando sentiu a presença de Heero deixar o quarto, deu um meio sorriso, sabia que ele o ouviria. Mas o fato do outro se alimentar iria apenas amenizar a situação e não resolve-la, por hora essa era a melhor opção.
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Um mês depois:
Duo saiu do banheiro sem nada a cobrir seu corpo, a não ser os cabelos, olhou para Heero que se encontrava ainda deitado, o amante parecia tão cansado, ainda assim ele sorriu maliciosamente caminhando devagar em direção a cama. Lembrou-se que há dois dias atrás a mãe de Quatre viera e lhe aplicara o emplasto feito com o sangue do vampiro, ele tivera que ficar coberto com o emplasto por quase duas horas, nas quais não viu Heero, apenas depois quando retirara o remédio e deitara na cama para descansar conforme as instruções da senhora Winner e que vira o vampiro. Heero chegara e ficara o observando em silêncio, até que estendeu a mão na sua direção pedindo silenciosamente que se deitasse a seu lado, o vampiro retirara as roupas e se deitara, puxando-lhe o corpo para se aconchegar nele.
Na manhã seguinte acordara sem febre e recuperado de suas forças e milagrosamente seus ferimentos estavam cicatrizados, mas desde então Heero não o tocava, nem um carinho, beijo, nada. Parecia que o vampiro tinha medo em faze-lo, no entanto Duo estava mais do que disposto a mostrar ao amante que estava recuperado, e desejava ser tocado e amado por ele.
- Heero.
O vampiro ouviu o humano o chamando, mas não o olhou, no entanto isso não fez com que Duo o deixasse em paz. O humano se aproximou subindo na cama e rastejando sobre ela, colocando seu corpo sobre o de Heero, que o encarou com uma das sobrancelhas arqueadas tentando ignorar o humano que se acomodava sobre seus quadris. Ele olhou friamente para o humano que tinha os cabelos soltos e um olhar lascivo, Duo se inclinou sobre ele deslizando suas mãos sobre o peito nu do vampiro.
- Heero.
- O que você quer Duo?
Duo ficou um tanto surpreso, como também confuso pela forma como Heero o estava tratando nos últimos dias. Ele ficara acamado por quase um mês e em nenhum momento o vampiro o havia deixado sozinho por mais de alguns minutos, mas agora que ele havia se recuperado Heero mal o tocava e parecia sempre cansado como agora. Heero viu a tristeza e a confusão nos olhos ametistas de Duo e incomodou-se por isso.
Ele não queria faze-lo sofrer, mas também não poderia esquecer o quanto o humano havia sofrido durante a batalha, e o quão dura havia sido sua recuperação, sem contar que não queria machucá-lo em seu atual estado. Duo viu que Heero estava perdido em seus próprios pensamentos e decidiu que talvez fosse melhor deixá-lo sozinho e deixar seu desejo para depois. Ele acariciou o rosto de Heero com a ponta dos dedos, com um sorriso triste em seu rosto, começou a desenhar círculos imaginários sobre o tórax do vampiro, que tentava ignorar a resposta de seu corpo ao toque quente em sua pele.
- Eu queria...queria fazer amor com você Heero...mas acho que não é um bom momento...não é ? Está... acontecendo alguma coisa?
- ....
Duo olhou para o rosto vampiro que apesar de olhá-lo nos olhos parecia não o estar vendo realmente.
- Por que você não fala comigo? Me diz o que está acontecendo?
- Não está acontecendo nada Duo. Eu estou apenas cansado.
- Cansado....ou você não me deseja...mais?
Os olhos de Heero se escureceram diante das palavras do humano, ele também o queria e muito, mas fazia muito pouco tempo que Duo havia se restabelecido adequadamente da batalha e de seus ferimentos e temia machuca-lo, o humano havia pegado uma gripe na última semana e não queria que ele tivesse uma recaída, mesmo a mãe de Quatre tendo afirmado que isso não ocorreria, não queria arriscar. Quase o perdera e ainda se culpava por não ter conseguido impedir que o mesmo se ferisse. A lembrança do que havia acontecido a Quatre o incomodava, o mesmo poderia ter acontecido a Duo, e o que ele teria feito caso o humano tivesse perdido a vida pela sua negligência em protege-lo.
Ele sentiu os lábios do humano em seu peito e a sensação dos quadris se movendo sensualmente sobre si, ele fechou os olhos tentando ignorar as sensações maravilhosas que Duo lhe causava. Quando as mãos do humano se dirigiram ao cós de sua calça, imediatamente Heero segurou as mãos de Duo o jogando contra o colchão quase com violência. O olhar assustado e confuso de Duo foi o que despertou sua sanidade.
Duo não queria acreditar que Heero não mais o desejava, o corpo do vampiro dava sinais claros do contrário. Por isso ele ousou tocá-lo e tentar fazer com que o vampiro reagisse ao seu toque, mas nunca imaginou que o vampiro pudesse agir dessa forma, quase selvagem e tão violenta. Duo ofegava confuso, e por um instante viu no brilho avermelhado, um Heero que não conhecia e por um segundo isso o assustou, havia tantas coisas refletidas naquele olhar frio e predatório. Desejo, luxúria, força, violência...insanidade, ele tentou manter sua voz firme, mas sabia que ela traía o que sentia no momento. Medo.
- Heero?
Heero fechou os olhos e soltou Duo rolando na cama. Ele tinha que se controlar, não podia se deixar levar pela insanidade sabia que era ela quem o estava controlando, já estava há muito tempo sem se alimentar devidamente e isso era um erro. A fome estava ganhando forças dentro de si e isso era perigoso para o humano deitado na cama. Sentira o medo dele, por um segundo o assustara... por um segundo deixara que o vampiro de séculos atrás tomasse conta de seus atos...por um segundo estivera prestes a machucar o ser mais precioso de sua vida.
- Desculpe-me, mas... não agora Duo.
Duo fechou os olhos por um instante, tentando não pensar e se acalmar do susto, lembrou-se que Quatre dissera para tomar cuidado com Heero, para não confronta-lo em suas decisões.
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Na noite anterior:
Duo estava retornando da casa de Quatre, ele fora visitar o senhor e a senhora Winner na companhia do amigo, haviam passado momentos agradáveis, mas Duo sentia-se triste e Quatre pode perceber isso. O jovem loiro não sabia como aliviar com a tristeza do amigo, mas ele precisava dizer-lhe uma coisa e sabia que o mesmo não entenderia no momento.
- Duo.
Duo ouviu a voz de Quatre soar tensa e olhou para o amigo, ele tinha o olhar preocupado e parecia querer lhe dizer algo, e não sabia como, tinha certeza de que era algo relativo a Heero. O vampiro andava estranho, parecia evitar-lhe a presença e ao mesmo tempo parecia não querer que ele se afastasse, havia sido difícil convence-lo a deixa-lo sair com Quatre.
- Pode dizer Quatre...e sobre o Heero não é.
- Sim...não me peça para explicar, apenas evite contrariar Heero ou irrita-lo está bem.
Duo olhou confuso para Quatre que acariciou seu rosto, antes de voltar seu olhar para a lua, ficando pensativo por alguns segundos antes de voltar a falar.
- Apenas faça isso, para o seu bem e o dele. Tudo ficará bem novamente, mas você tem que ter paciência e prudência...ou ambos perderam muito mais do que estão preparados para perder.
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Ainda não compreendia as palavras de Quatre, mas elas lhe pareceram mais claras do que na noite anterior, ainda assim sentia-se incapaz de fazer o que o amigo lhe dissera. Ele observou Heero em silêncio notando que o mesmo, parecia ainda mais pálido que o normal, bem como podia notar a força que o vampiro fazia para se controlar de alguma coisa.
- Você está tão pálido. Você tá passando mal?
- Hn...eu estou morto Duo. Minha palidez e mais do que normal.
Duo arregalou os olhos diante das palavras de Heero, o medo e a preocupação que sentia se transformou em indignação. Ele podia até aceitar o fato de que Heero não queria fazer amor com ele no momento, mas o sarcasmo na voz do vampiro o enraiveceu. O humano saiu da cama, procurando suas roupas vestindo-se sob o olhar sedento de Heero. Ele olhou para o vampiro que ainda se encontrava na cama. Lágrimas começaram a se formar nos olhos de Duo, e ele se odiou por elas, virou-se de costas para o vampiro enquanto fazia sua trança. Ele estava com raiva de Heero que não se abria com ele, raiva de si mesmo por não conseguir faze-lo falar e raiva por simplesmente desejar o seu toque.
"Vampiro idiota. Eu não vou chorar na sua frente."
Duo enxugou o rosto e virou olhando exasperado para o vampiro. Heero sorriu intimamente diante da fúria que reluzia nos olhos ametistas do humano, o tornando ainda mais desejável a seus olhos.
- Idiota. Eu sei que você esta me escondendo alguma coisa. Acho que eu sou burro? Você está mais pálido do que o normal Heero. E você anda cansado, vampiros não ficam cansados. E eu não vou aceitar que você me faça de bobo ouviu.
- Duo...
- Não!!!! Eu quero uma explicação decente e agora...não vou aceitar a desculpa de que está cansado...está cansado de que?
- Estou apenas cansado Duo como já disse. E eu não tenho que ficar justificando ou explicando minhas palavras, acho que você é suficientemente inteligente para entende-las.
O choque nublou os olhos do humano por um instante, sentiu as lágrimas caírem de seus olhos. Heero nunca havia sido tão estúpido, então por que agora, com a voz tremida ainda tentou insistir, mas as palavras do vampiro apenas o feriram ainda mais.
- Por que Heero? Uma caricia é apenas o que eu queria...um beijo nada mais. Você está tão cansado assim, que não possa me fazer um afago?
- Não...
- Então porque?
- Talvez por que eu não esteja afim.
A dor apareceu nos olhos de Duo, que começou a tremer diante das palavras frias do vampiro. Imediatamente a dor assolou seu coração e a insegurança dominou sua mente.
"Ele não me quer...não me deseja mais, eu não passei de um capricho para ele."
Heero leu a mente de Duo, sabia o que humano estava sentindo. Ele não desejava faze-lo sofrer, a dor em seus olhos era insuportável, mas não podia fazer nada agora. Sabia que poderia machuca-lo e se odiaria se o fizesse. Levantou-se da cama aproximando-se do humano o abraçando pela cintura.
- Eu o quero Duo... meu desejo por você continua o mesmo, talvez ainda maior, mas no momento não me sinto bem.
O olhar de Duo se modificou, tornando-se preocupado no mesmo instante.
- O que você está sentindo?
- Sinto-me um pouco cansado apenas isso.
- Cansado?
- Sim.
- Porque?
- Esqueça Duo.
Heero beijou a testa de Duo e se virou para deixar o quarto, mas antes que o deixasse um vaso de vidro se espatifou contra a porta a apenas alguns centímetros de sua cabeça, Heero parou por um segundo sentindo todas as emoções do humano a suas costas. Mesmo desejando se virar e provar o quanto o pensamento de Duo estava errado, o vampiro deixou o quarto sem se virar escutando os gritos do humano enquanto caminhava na direção das escadas.
- Vampiro idiota e mentiroso.
Duo se deixou cair no chão do quarto chorando, sabia que Heero estava mentindo, mas não sabia porque. Era evidente que estava escondendo algo, o que vira em seus olhos o assustara, mas estaria disposto a prosseguir assim mesmo se ele o quisesse. Duo o amava independente do outro Heero que parecia existir dentro do vampiro, uma determinação brotou dentro de si. Iria descobrir o porque de Heero andar tão estranho, nem que tivesse que amarrá-lo e obrigá-lo a confessar, descobriria a verdade, mas não nesse momento.
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Todos no castelo pareciam ter ouvido os gritos de Duo, pois assim que entrou na biblioteca todos se viraram para olhar o vampiro de olhos azul cobalto. Heero ignorou os olhares de todos sentando-se em uma das poltronas observando em silêncio a lareira crepitar. Cathrine olhou para Treize que balançou a cabeça, o vampiro podia imaginar o que estava acontecendo com Heero. A fome o estava consumindo, a palidez aumentara e o novo shuhan dos Khushrenada se tornara irritadiço e por diversas vezes vira no olhar dele o mesmo vampiro que acompanhava Relena na antiguidade.
O clima estava tenso e silencioso, parecia que todos temiam dizer alguma coisa que pudesse irritar o vampiro que se mantinha imerso em seus próprios pensamentos. Vários minutos se passaram até que Heero desviou o olhar para a porta, no mesmo instante em que ela se abriu e Duo apareceu. O humano ficou parado na porta vasculhando a sala, ele tinha o olhar magoado e olhou diretamente para Heero assim que o localizou sentado próximo a lareira.
Duo pensara no que poderia fazer a respeito da atual situação e achou que o melhor seria se ele se afastar do vampiro por algum tempo, ele ainda mantinha seu apartamento e iria para lá por enquanto. Sabia que a cidade não era o lugar mais seguro, Relena ainda se encontrava escondida em algum lugar, assim como os caçadores remanescentes, mas não conseguira pensar em nenhuma outra possibilidade na última meia-hora. Duo pigarreou tentando limpar a garganta, respirou fundo e se dirigiu verbalmente a Heero da porta.
- Eu estou indo embora.
Duo não conseguiu evitar que uma lágrima caísse de seus olhos antes de bater a porta e sair correndo em direção a saída. Todos olharam para Heero que parecia petrificado. As palavras de Duo martelavam em sua mente sem piedade, e a visão da lágrima caindo dos olhos do humano era como uma estaca cravada em seu peito.
"Ele vai embora..embora... para onde? Eu não posso deixar...ele não pode ir".
Heero se levantou imediatamente e saiu da sala correndo a tempo de ouvir a porta da frente do castelo bater com violência, ele correu na direção da saída. Precisava alcança-lo...precisava impedir-lo de ir, não podia permitir que o humano fosse embora, que o deixasse, mas ao chegar na porta teve apenas tempo de ver o carro seguindo em direção a cidade levando o humano embora. Heero sentiu como se algo dentro dele estivesse morrendo e se deixou cair no chão berrando nome do humano.
- DUUUUUOOOOO!!!!!!!!!!!!!
Duo sentiu as lágrimas banharem seus olhos e seu corpo ser sacudido pelos soluços ao ouvir o vampiro berrar seu nome. Havia tanta dor em sua voz, tanta tristeza, tanta solidão. Chold apenas olhou pelo espelho retrovisor do carro ao ouvir o rapaz chorar, ele parecia sofrer tanto, não sabia o que havia acontecido para que ele desejasse voltar para a cidade. Ouvira Kimitsu tentar convence-lo a ficar, mas o rapaz não mudara de idéia, apenas disse que era o melhor para os dois no momento.
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Heero ficou ali caído na entrada da porta, pela primeira vez em séculos seu rosto se manchava pelo vermelho de suas lágrimas, ele sentiu o toque em seu ombro e recusou-se a virar, seu olhar ainda se encontrava perdido na estrada que levava a cidade. Todos ouviram a voz do vampiro gritar o nome do humano. Quatre imediatamente correu para a entrada seguido por Trowa, ele ficara chocado ao ouvir Duo dizer que ia embora. Havia tanta mágoa nos olhos de Duo e tanta tristeza nos olhos de Heero, que Quatre teve que se amparar em Trowa para não sucumbir à carga de sentimentos entre os dois.
Quando chegaram na entrada encontraram Heero prostrado no chão. Quatre olhou para o amante que sacudiu a cabeça antes de acompanha-lo com o olhar. Em poucos minutos um segundo carro seguia na direção da cidade, tentando alcançar o carro que havia saído há algum tempo. Trowa sabia que Heero estava chorando, em todo tempo que se conheciam nunca o havia visto chorar, não sabia o que havia acontecido entre os dois, mas tinha certeza que ambos estavam sofrendo com isso.
- Quatre foi atrás dele..não se preocupe.
Heero enxugou as lágrimas se levantando, passou pelo vampiro de olhos verdes, pronunciando apenas algumas poucas palavras, mas que foram suficientes para sentir a dimensão da tristeza de Heero.
- Não acho que ele voltará. Ainda assim agradeça a Quatre quando ele voltar e peça... que alguém fique de olho nele.
Trowa se virou vendo Heero entrar passando direto por Treize e os outros.
"Espero que consiga traze-lo de volta meu anjo".
"Eu também espero Trowa"
Quatre ouviu a voz de Trowa em sua mente, ele também desejava que pudesse fazer Duo voltar, mas sabia o quanto o amigo podia ser teimoso quando colocava uma idéia na cabeça. Duo havia compartilhado com ele seus temores na volta da casa de seus pais na noite anterior, e mesmo ele tendo dito ao amigo que Heero o amava acima de qualquer coisa, isso não tranqüilizou o americano. Duo precisava sentir que era amado, a perda de seu tio e da irmã Hellen a quem Duo considerava uma mãe o havia abalado muito, o tornando uma pessoa insegura em relação a se prender alguém.
Heero havia sido a primeira pessoa com quem Duo se relacionara, a primeira pessoa a conseguir chegar no coração do americano, e sentir a indiferença de Heero para com ele o estava destruindo por dentro. Ele queria contar ao amigo a real situação do shuhan dos Khushrenada, mas Trowa não permitiu, não cabia a eles contar, mas sim a Heero, mesmo sabendo que ele jamais faria isso. Tanto que ele deixara a situação chegar a esse ponto, e agora Duo havia deixado o castelo, partindo com o coração aos pedaços e faze-lo voltar sem revelar a verdade não seria nada fácil. Duo podia ser bem teimoso e orgulhoso quando queria.
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Cidade de Epyon:
Duo acenou para Chold que o deixara na entrada de seu antigo prédio, nunca imaginou que voltaria ali, seu coração parecia que estava sendo esmagado por uma mão invisível, era tanta a dor que ele achava que desmaiaria a qualquer instante.
"Eu não vou chorar por ele...eu não posso...eu...Oh Deus...dói tanto...tanto.."
Duo reuniu o pouco de suas forças e abrir a porta, caminhou até o elevador e entrou acionando o botão que o deixaria em seu andar, o prédio inteiro estava mergulhado na mais completo silêncio e escuridão, parecia que não havia ninguém além dele o que deveria ser verdade. Muitos haviam partido para outras cidades e outros decidiram morar, mais próximo a cidade e longe da floresta que ficava aos fundos do prédio, Duo estava tão deprimido que nem ao menos se ligou a esse fato. Tudo que desejava era cair em sua antiga cama e chorar.
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Em alguma parte da floresta:
"Ele voltou à o previsto. Talvez seja a hora de fazer-lhe uma visita."
Mackaczi observou a criatura sorrir e logo em seguida, deixar silenciosamente a caverna, ele não sabia o que ela planejava, mas era certo de que tinha planos muito diferentes dos de Relena, ele olhou para Relena que parecia ignorar por completo as atitudes da criatura que julgava controlar. Eles haviam perdido os humanos da gruta, para os vampiros do clã dos Khushrenada, tinha que admitir que o shuhan deles era um vampiro habilidoso, forte, inteligente, alguém que representava um desafio digno dele. Seu desejo era enfrenta-lo logo, mas o Necro dissera a Relena que ela deveria aguardar por enquanto, ele apenas imaginava aguardar o que?
"Lacroan! Venha aqui"
O caçador deixou o corpo sem vida do humano que devorava e se aproximou ao ouvir o chamado mental de Mackaczi, o caçador de cabelos negros apenas o olhou enquanto via o outro limpar o rosto sujo de sangue. Mentalmente lhe deu algumas ordens, não queria que Relena soubesse de seus passos, ele pretendia descobrir o que a criatura planejava fazer tão silenciosamente.
"Vá e siga o Necro, descubra o que ela planeja e depois me conte. Tenha cuidado para que ela não saiba que está sendo seguida."
"Sim Mackaczi ".
O caçador deixou a gruta seguindo os rastros do Necro, ocultando sua presença de forma que ela não soubesse que era seguida, não demorou muito para ele encontrasse seu rastro e descobrisse que se dirigia a uma parte especifica da cidade.
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No apartamento de Duo:
Duo havia tomado um banho e colocado uma roupa limpa, ele não ligou as luzes do apartamento, não parecia haver sentido em faze-lo, ele olhou para as sombras formadas pela claridade vinda da lua, atravessando a janela da sala. Abaixou a cabeça pensando em Heero, lágrimas continuavam a cair de seus olhos, e ele já não fazia questão de esconde-las, não havia motivo ou razão para isso, estava sozinho ali.
"Sozinho...novamente".
"Não está sozinho humano".
Duo se arrepiou todo ao ouvir a voz em sua mente, levantou-se rapidamente, olhando ao redor, procurando pela criatura que falara com ele, sabia a quem pertencia a voz, ela era a única que conseguia paralisá-lo de medo. Duo não conseguia ver nada, mas sabia que ela estava ali, seu coração batia descompassado, e praguejou mentalmente por ter sido tolo o suficiente para ir para casa e não para o templo como havia sido sua intuição inicial. Ele pode ver a criatura aparecer por detrás da cortina, como não notara que ela havia entrado pela janela, ele tentou recuar, mas seus pés pareciam pregados no chão. Como ela entrara sem ser convidada?
Mirla sorriu diante do medo reluzindo nos olhos do humano, ele tinha olhos tão lindos, uma alma tão pura e inocente, ela tinha planos para ele, planos que mantivera guardados até o momento. Mas ela precisava especificamente do humano para que seus planos fossem realizados, e faria qualquer coisa para isso, até mesmo dar ao clã dos Khushrenada uma vantagem contra seus inimigos.
- Não precisa me temer Duo.
- sabe meu nome? Como entrou aqui?
- Eu não preciso ser convidada como os outros, embora eu viva pelas mesmas "regras", no entanto eu tenho os meus meios. E quanto à outra pergunta eu sei tudo sobre você Duo, seu passado...seu presente e ...seu futuro.
Duo sentiu como se o mundo rodasse ao vê-la pronunciar seu nome, a forma como ela dissera que o conhecia, havia alguma coisa naquela criatura que o amedrontava muito mais do que Relena e os caçadores, e o fato dela saber seu nome parecia contribuir para que seu corpo tremesse ainda mais. Ele a viu sentar-se no sofá o olhando com curiosidade, por um segundo ela olhou em direção a janela e o sorriso em seu rosto sumiu, para logo depois retornar ainda mais sinistro que antes.
- Eu me chamo Mirla e pertenço a um clã que foi extinto há séculos pelos vampiros. Somos mais antigos que os humanos e os vampiros, embora não sejamos...muito diferente deles em algumas coisas, agora em outras....
Duo não queria nem imaginar o que Mirla quis dizer, quanto a ser diferente ao igual aos vampiros e nem ela o porque dela se referir a seu clã como se ele ainda existisse, entre tanto tinha a ligeira impressão de que ela poderia ser ainda mais perigosa e cruel que os vampiros. Duo conseguiu fazer suas pernas reagirem e se moveu sentando-se na cadeira próxima a mesa, procurou dar segurança a sua voz, perguntando o que ela desejava dele, mas falhou miseravelmente em seu intento.
- O que você quer de mim?
- Seu sangue.
Mirla sorriu ao ver o humano ofegar e o rosto ficar pálido, no mesmo instante, a única coisa em que concordava com Relena, era de que os humanos eram tolos, apesar do humano a sua frente ser diferente dos demais. Ela já poderia ter tomado dele o que queria há muito tempo, mas o ciclo ainda não estava completo, no momento o sangue dele não lhe era útil. A profecia ainda não havia se cumprido, o humano ainda não havia se voltado para as trevas. Ela tinha o conhecimento da profecia, o que muitos não sabiam era que o seu clã, era a causa da existência dela, e como a única sobrevivente, o conhecimento foi passado a ela, para que a mesma fosse capaz de cumpri-la.
Porém havia o livro onde a profecia era descrita, assim como muitas artes de seu clã, o livro de folhas negras e letras vermelhas como o sangue. Tivera que tomar cuidado ao invadir a mente do novo vampiro do clã dos khushrenada, mas tivera que faze-lo pra que encontrasse o livro, sabia que o mesmo seria usado em beneficio do humano e essa era sua intenção desde o momento que o levara até lá. Por enquanto não havia nenhum mal que ele ficasse em poder dos vampiros, depois encontraria um modo de pegá-lo.
Ela sorriu fazendo o humano assustar-se, se ele ao menos soubesse o verdadeiro significado, a verdadeira ameaça ainda estava por vir, e que tudo dependia de seu sangue. O sangue corrompido do pelo sangue daqueles que foram responsáveis pela extinção do seu clã. Todos os vampiros eram responsáveis pelo extermínio dos Necros, e todos sem exceção iriam pagar a seu tempo, no momento ela precisava apenas convencer o humano a sua frente a ajuda-la.
Duo não esperava uma resposta tão direta, ela poderia tê-lo matado num instante e sabia disso, mas o que não entendia era o porque dela lhe dizer tudo isso? O porque dela não tê-lo matado e pego o que precisava? Seria fácil para uma criatura como ela, não tinha dúvidas quanto a isso, mas então porque lhe contar o que queria dele? Seria mais simples matá-lo e pegar o que desejava, não havia ninguém para impedi-la agora.
- Porque ainda não me matou?
- Não é a hora...falta pouco para que o momento chegue, e ele chegará, tenha certeza...Duo.
- Porque eu?
- Porque você está na profecia...você é a profecia.
- Você conhece a profecia!?
- A conheço melhor do que ninguém...assim como sei sobre as espadas e seus guardiões.
- Mas...
- Há seu tempo....você terá companhia em pouco tempo. Sugiro que não permaneça aqui...não é seguro, vá para o templo da cidade, estará seguro lá. Ela não o deixara vivo se o encontrar, os motivos dela são diferentes dos meus, no momento sua sobrevivência é importante para mim. Quando seu amigo chegar, peça que o leve ao templo.
Duo ficou olhando para a criatura que se levantou e desapareceu da mesma forma que veio, ele correu para o quarto para pegar algumas coisas, não sabia o que ela queria dizer com tudo isso, mas achou melhor fazer o que dissera. Duo pegou suas coisas e tomou o elevador para deixar o prédio, assim que chegou na rua, o carro que trazia Quatre parou na porta. Quatre olhou para Duo que tinha o rosto pálido, ele parecia mais aterrorizado do que triste, podia sentir o medo dentro dele, bem como o fato de que ele parecia surpreso, com alguma coisa. Ele se aproximou e tocou o rosto de Duo, imediatamente seus olhos ficaram vermelhos e ele viu tudo que havia se passado no apartamento do amigo. Duo sentiu uma ligeira vertigem e foi amparado por Quatre que o segurou em seus braços, também se sentia meio tonto, não imaginou que ao tocar Duo pudesse ver o que havia acontecido há poucos instantes com ele.
- Vamos para o templo ela disse estará mais seguro lá.
Duo não o contradisse, apenas se deixou ser colocado dentro do carro, fechando os olhos e tentando assimilar a conversa com a criatura em seu apartamento e não impediu que um pensamento cruzasse sua mente.
"Porque eu simplesmente não morri junto com eles".
Quatre olhou para Duo, ele ouvira seus pensamentos, e gostaria de poder confortá-lo, mas sabia que nada do que fizesse aliviaria seu coração, apenas Heero poderia faze-lo e no atual estado do shuhan, achava isso um tanto quanto impossível. Quatre decidiu ligar para Wu-Fei afim de que ele os encontrasse na entrada do templo, não poderia passar pelos arcos sem permissão dele ou do avô.
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Em alguma parte da floresta:
Lacroan seguiu a criatura e viu o momento em que ela entrou no prédio, procurou sentir-lhe a presença e subiu até o andar onde ela se encontrava, ele pode ver a pessoa que ela viera encontrar, o humano da profecia. Ele não ficou para ouvir o que conversavam, a criatura invadira facilmente sua mente e ele tivera que partir antes que ela terminasse o que viera fazer, precisava avisar Mackaczi sobre isso, antes que a criatura viesse atrás dele, como disse que faria.
Ele conseguiu chegar em poucos segundos até o local onde se encontravam escondidos, assim que sentiu a presença de Lacroan, Mackaczi se afastou deixando a caverna e seguindo em sua direção. Relena ainda se encontrava entretida, torturando o humano que havia capturado, ela descontava nele a frustração de terem perdido os outros da gruta e o fato de que a cidade estava ainda mais vigiada pelos vampiros do clã dos Khushrenada.
- O que descobriu?
- A criatura foi atrás do humano, que fala a profecia.
- O que ela queria com ele?
- Eu..eu não..
- Você não ficou para descobrir!?
- Ela disse que viria atrás de mim, assim que terminasse de falar com o humano, falou que eu deveria ir para lhe contar onde estava, antes que eu não pudesse faze-lo.
- Então ela sabia que eu o havia mandado atrás dela. Fez bem Lacroan, quero que faça outra coisa para mim.
- Sim meu senhor.
- Pegue outros dois e deixem a cidade, comunique o ocorrido ao Duque, pergunte a ele o que ele deseja fazer.
- Eu irei senhor.
- Ótimo, vá antes que a criatura volte.
Lacroan afastou-se rapidamente e reunindo dois caçadores deixou o esconderijo, não desejava encontra-se com a criatura, sabia que ela o mataria assim que o visse, eles conseguiram chegar a cidade e partir sem serem vistos. Em alguns dias, eles chegariam ao seu destino na Inglaterra, lar do clã Romefeller.
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Duas semanas depois - No templo Shenlong:
Três figuras noturnas chegaram a entrada do templo da cidade, precisavam de permissão para ultrapassar os arcos da entrada no templo, por ser um lugar sagrado, eles aguardavam que o ancião que cuidava do templo respondesse ao contato mental feito por Treize. Em poucos minutos o mestre Chang aproximou-se da entrada e se curvou diante do rapaz de aparência aristocrática, que o havia chamado, sabia que não precisava temê-los, podia ver em seus olhos bondade, apesar de serem criaturas das trevas.
- Sejam bem-vindos ao templo Shenlong...ele está sempre aberto para vocês e aos do seu clã.
Treize curvou-se ligeiramente diante do velho em sinal de respeito, podia sentir a força do homem a sua frente, força essa que não havia sido apagada pelo avanço da idade, o humano a sua frente era sem dúvida alguém a ser respeitado.
- Eu sou Treize Khushrenada, e obrigado por nos receber. Perdoe-nos pelo avançado da hora e por eu ter penetrado em sua mente sem seu consentimento.
- Eu sou Chang Eichi 1 e é um prazer recebe-los. E não se desculpe, você me mostrou os motivos de sua vinda meu jovem, não deve se desculpar por querer ajudar. Eu permiti que falasse comigo então não há razão para desculpas.
- Entendo...esta é Sally Po.
Treize estendeu a mão a Sally que se aproximou e se curvou ao humano, o mestre do templo tomou-lhe a mão fria a levando aos lábios, admirando a beleza singular. Era visível nos olhos dela, um brilho diferente dos outros, se não fosse, pela palidez de sua pele, e pela escuridão ao seu redor poderia dizer que a jovem a sua frente ainda era tão humana quanto ele.
- Prazer minha jovem.
- O prazer é meu senhor.
- E está é Cathrine Bloom minha noiva.
Cathrine tomou a mão de Treize sorrindo para ele e se curvando da mesma forma que Sally fizera, e da mesma forma teve a mão beijada de forma respeitosa pelo ancião. A jovem a sua frente era bela como a noite, a leveza e beleza de seus traços, era como se houvesse sido esculpida em porcelana. Apesar da aparência frágil, podia ver em seus olhos, uma força e coragem que não condizia com sua suave aparência, certamente seria uma esposa perfeita para o jovem que as acompanhava.
- Muito prazer minha jovem.
- O prazer é meu senhor Chang.
- Ela será uma esposa perfeita, uma boa escolha meu jovem.
- Eu sei senhor, não poderia escolher outra que não fosse ela.
Cathrine sorriu e se aproximou beijando a face do humano que retribuiu o sorriso, ela olhou para Treize que sorria para ela, sabia o quanto sua noiva era especial, e o quanto dependia da coragem e força dela. O mestre do templo segurou no braço de Cathrine e ofereceu o outro a Sally que o segurou.
- Venham ele está trancado em seu quarto no momento, mas ficara feliz com a visita de vocês.
Treize meneou a cabeça e seguiu atrás deles, ele viera visitar e conversar com Duo a respeito de Heero, depois que o humano havia deixado o castelo o estado do vampiro de olhos azul cobalto piorara. Ele se tornara agressivo e ainda mais fechado, trancando-se no quarto da torre e não saindo de lá por nada, o único a quem recebia e mantinha contato era Kimitsu, apesar de achar perigoso que o humano fosse até Heero no estado em que o mesmo se encontrava.
A situação se tornara insustentável e por fim decidira conversar com Duo, mesmo que tivesse que arrasta-lo de volta, o convenceria a voltar para Heero, sabia que o único capaz de faze-lo voltar à razão era o humano de cabelos compridos. Eles subiram pelo caminho que levava ao templo, com Sally e Cathrine conversando com o mestre do templo, quando a atenção de Sally se voltou para o outro lado do caminho, onde um humano de cabelos negros praticava com uma katana. Ela parou momentaneamente e se desculpou.
- Eu...acho que vou agradecer a uma certa pessoa, se me permitir Treize.
- Vá Sally...agradeça-o em nome do clã, a ajuda que ele nos deu.
- Eu farei isso Treize.
Cathrine olhou para Sally e sorriu balançando a cabeça, a vampira beijou o rosto do humano e desapareceu na vegetação e nas sombras do templo, o humano ficou observando por alguns instantes antes de sorrir e continuar o percurso até o alto. Ela não iria atrapalhar-lhe o treinamento, achava que seu neto andava se dedicando por demais aos treinos.
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Sally se aproximou silenciosamente de Wu-Fei que treinava, acompanhava com interesse o treinamento do humano, que se encontrava concentrado no que fazia. Ela podia ver os músculos se flexionando, a medida que ele empulhava a katana, podia ouvir o coração batendo o sangue bombeando mais forte pelo corpo. Ele transpirava vitalidade e virilidade, sendo sempre tão sério e tão concentrado.
"O que seria necessário para quebrar sua concentração dragão".
Wu-Fei podia sentir que alguém o observava, mas não conseguia descobrir quem era, sabia apenas que isso lhe causava um certo desconforto e um arrepio a se alastrar pela espinha, a mesma sensação que sentia na presença daquela mulher. Desde a batalha não conseguia tira-la da cabeça, sua beleza, sua coragem o haviam impressionado, mas ela era uma criatura da noite, um ser condenado a viver na escuridão dos dias.
"Concentre-se no seu treinamento e esqueça dela".
"Pensando em mim...Wu-Fei".
Wu-Fei abriu os olhos ao ouvir a voz dela em sua mente, ela estava ali, podia senti-la, mas como ela entrara, ela não poderia ter passado pelos arcos da entrada do templo sem permissão, a menos que seu avô tivesse a deixado entrar.
- Apareça mulher.
- Não é educado se dirigir a uma dama dessa forma sabia. Eu tenho um nome dragão.
- Assim como eu. O que quer aqui?
Sally apareceu caminhando na direção de Wu-Fei que respirava com dificuldade, o suor escorrendo por seu corpo fazendo com que a blusa se moldasse ao corpo. Ele viu a vampira sorrir maliciosamente e sentiu um calafrio transpassar-lhe o corpo, ela parecia ainda mais bela desde a última vez que a vira. Vestida em um vestido da cor de seus olhos, os fios loiros caindo por sobre os ombros desnudos, por alguns segundos ele se viu desejando-a e praguejou disposto a recomeçar o que fazia, mas teve sua katana segura pela mão dela, que havia se aproximado sem que notasse.
- Você parece nervoso...Wu-Fei.
Sally disse o nome do chinês devagar, acompanhado por um sorriso, podia sentir a tensão em seu corpo, sabia que sua presença o incomodava, bem mais do que ele desejaria admitir. Ela retirou a katana de suas mãos e andou ao redor dele como um predador ao redor de sua caça.
- Você ainda não disse a que veio?
- Treize, veio com Cathrine falar com Duo a respeito de Heero e eu vim acompanha-los, mas quando o vi me lembrei que precisava agradece-lo pela a ajuda durante a batalha.
- Não precisa me agradecer.
- E se eu quiser agradece-lo?
Sally se aproximou mais, sussurrando as últimas palavras no ouvido do humano, que fechou os olhos, procurando respirar direito, ela sorriu e colocou a katana no chão, antes de contornar os ombros de Wu-Fei com os braços, e sussurrar em seu ouvido.
- Então você não sente nada quando eu te toco assim?
Enquanto falava Sally deslizava a mão pelo tórax do humano, chegando no cós da calça branca de Wu-Fei, o chinês sentiu um arrepio subir por sua espinha, mas não deixaria que a Onna soubesse que estava apreciando seu toque. Ele preferiria arder em chamas a confessar que se sentia atraído pelo ser das trevas que o tocava ousadamente.
"Ela não pode saber. Eu não posso estar gostando...disso. Por Nataku!!! Ela é uma criatura da noite!!!"
- Suponho que você também não gosta disso, não é?
Sally habilmente contornou o corpo de Wu-Fei, dando-lhe uma rasteira que o fez cair no chão, para logo em seguida se inclinar sobre ele, sussurrando novamente em sua orelha, um sorriso malicioso se formou em seu rosto, ao vê-lo fechar os olhos e as mãos fortemente, como se assim pudesse controlar o que sentia. Mas ela não desejava que ele se controlasse, pelo contrário desejava que ele perdesse o controle, podia ver através da máscara de equilíbrio e serenidade que o chinês sempre mantinha, que ele era um homem vigoroso e ardente. E era isso que ela desejava despertar nele.
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Dentro do templo - No quarto de Chang Wu-Fei:
Duo se encontrava deitado na cama, já havia passado-se duas semanas desde que deixara o castelo, e voltara a cidade. Acabara vindo para o templo, seguindo o conselho do Necro, que dizia que estaria mais seguro ali, sabia que a criatura tinha razão quanto a isso, mas não conseguia sentir-se seguro longe de Heero. Até o momento não tivera noticias dele, Quatre sempre vinha visitá-lo, mas não trazia muitas informações a cerca do vampiro dono do seu coração, parecia mais que o amigo estava lhe escondendo algo.
"Eu sinto tanto sua falta Heero".
Duo deixou que uma lágrima caísse, e fungou tentando não chorar, era sempre assim, bastava pensar no vampiro para que começasse a chorar de saudades, em alguns momentos desejava ter a mesma ligação que Quatre e Trowa mantinham, assim saberia como estava o shuhan dos Khushrenada. Por outro lado ele temia, que se tivessem tal ligação, descobrisse que era verdade o que seu tolo coração insistia em lhe dizer, que Heero ainda não o procurara porque havia cansado se dele, afinal vampiros deveriam achar os humanos cansativos depois de um tempo.
"Ele se cansou de você...essa é a verdade..a mais dura e fria verdade".
Duo tentou ignorar a voz em sua cabeça, tinha alguns dias que a vinha ouvindo e sempre a ignorava, mas ela sempre voltava e insistia que o vampiro apenas o usara, achava que estava ficando louco. Parecia que conhecia a voz, ela o lembrava a si mesmo, embora soasse ainda mais triste e amarga, ele sacudiu a cabeça e a ignorou novamente se recusando a ouvi-la.
"Não deveria ter se entregado a ele...eu não o fiz, mesmo sentindo o que você sente por ele e ainda assim...."
Duo abraçou o travesseiro sem entender o que ela dizia, deixou que as lágrimas viessem, não as impediria, talvez se as deixasse sair livremente, elas aliviassem a dor em seu peito, e a saudade que preenchia sem coração.
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Antes mesmo de chegarem próximo ao quarto onde Duo se encontrava, Treize e Cathrine puderam sentir as emoções do humano. Havia tanta tristeza, muito mais do que quando Duo fora embora durante o jantar com Heero no castelo, onde o vampiro mandara o humano embora. Na noite em que Heero revelara a verdade sobre o que era. Cathrine não pode mais continuar e parou, derramando uma lágrima vermelha, por seu rosto pálido, as sensações emanadas pelo humano que vieram procurar eram muito fortes.
Ela soluçou ao ser abraçada por Treize, que percebera que sua amada não estava sentindo bem, ele também se sentia afetado pelas emoções de Duo, embora conseguisse assimila-las adequadamente. Entendia a tristeza do humano, sentira algo semelhante quando Ebro quase tirara a vida de Cathrine e se viu obrigado a abraça-la para não perde-la, no entanto o que o humano sentia era infinitamente superior ao que ele sentira séculos atrás. As emoções de Duo eram fortes, e similares se não iguais as que Heero já não conseguia controlar. Treize afastou-se ligeiramente de Cathrine olhando em seus olhos, limpou o sangue de suas lágrimas, com um lenço branco de seda, antes de beija-la suavemente na testa e coloca-la sob os cuidados do mestre do templo.
- Melhor que você não entre comigo, minha querida.
Treize olhou para o ancião, pedindo silenciosamente que a levasse, o humano meneou a cabeça concordando e segurou as mãos frias da jovem entre as suas.
- Venha minha jovem, vou mostrar-lhe o templo. Ele é um dos mais antigos, de todo o país.
Cathrine balançou a cabeça e seguiu o humano, voltando-se para Treize que apenas sacudiu a cabeça, vendo-a se afastar, ele virou-se e seguiu na direção do aposento onde encontraria o humano.
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Enquanto isso do lado de fora:
- Não pode mentir para sempre Wu-Fei.
Ela deslizou sua mão, pelo tronco do chinês, deliciando-se com os músculos tencionados, ela poderia muito bem usar os encantos de sua natureza, mas não desejava que ele a desejasse apenas, por que utilizara suas habilidades como vampira. Ela correu as mãos pelo abdômen, até alcançar o que desejava, ela sorriu ao sentir a prova de seus avanços, ela apertou ligeiramente a ereção entre as pernas de Wu-Fei, o fazendo arfar.
"Oh... ela é boa... diabolicamente boa..."
- Diga ao Duo que eu volto...depois.
Sua mente se encontrava dispersava para tudo que não fosse, a sensação da mão fria da mulher em seu corpo, pode ouvi-la dizer algo a respeito de Duo, mas não foi capaz de assimilar suas palavras. Então de repente tudo cessou: os toques, o calor, os arrepios...Wu-Fei só teve tempo de ver a vampira sumindo entre as folhagens, voltando-se apenas para piscar o olho, num gesto de pura malícia. Por alguns segundos, antes que ela desaparecesse na escuridão da noite, ouviu a voz doce e melodiosa dela soando sedutoramente em sua mente.
"Em uma outra oportunidade, de onde paramos...eu prometo".
Wu-Fei se encontrava arfando pesadamente, seus cabelos se encontravam soltos, e nem se lembrava de quando eles haviam sido soltos, mas os fios negros, caiam por sobre os ombros, emoldurando-lhe o rosto ligeiramente corado e suado. Sally havia conseguido transpassar as barreiras que levara anos para construir, através dos treinamentos e da meditação, seu membro doía em necessidade, necessidade essa que sabia que não seria satisfeita.
"Maldição....eu preciso de um banho frio...urgentemente".
Wu-Fei levantou-se do chão, ajeitando suas roupas o melhor que pode, o tempo estava frio demais para um banho frio, mas este se fazia necessário, assim como algumas horas extras de meditação e treinamento para reassumir o controle. Não iria deixar que aquela mulher o corrompesse, mulheres são fracas e volúveis, guerreiros são fortes...fortes e sozinhos. Wu-Fei sentiu-se repentinamente cansado, mas não era um cansaço físico, e sim emocional, e tudo por culpa dela, que o fizera recordar de lembranças tristes.
"Maldita."
Exasperado ele passou por Cathrine e seu avô que sorria levemente, o ancião havia presenciado em parte a conversa de seu neto e da mulher que chegara para visitar Duo, conhecia seu neto melhor do que ele mesmo, e percebeu assim que a criatura chegou que Wu-Fei sentiu-se incomodado pela presença dela. Sabia que isso nada tinha a ver com o fato dela ser uma criatura da noite, mas pelo fato de que ela era uma mulher, uma bela mulher por sinal. Seu neto acreditava que mulheres eram fracas, mas ele sabia o quanto uma mulher podia ser forte, apenas os tolos acreditavam que mulheres não nasceram para batalhas, e infelizmente seu neto, ainda não havia descoberto como uma mulher pode ser forte quando quer. Mas talvez a criatura da noite, pudesse faze-lo enxergar isso, e até mesmo acalentar o coração solitário de seu neto.
(O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O)
Dentro do templo:
Treize parou em frente à porta, onde sentia a presença humana que procurava, ouviu suaves soluços, que pareciam estar sendo abafados, bateu na porta e entrou, antes que o ocupante do quarto se pronunciasse. Duo ouviu batidas na porta e procurou enxugar as lágrimas, foi com surpresa que viu Treize entrar, não esperava que o antigo shuhan do clã dos Khushrenada viesse vê-lo. Duo sentou-se rapidamente ao imaginar o motivo de sua visita, se Treize se encontrava ali, somente poderia significar uma coisa...Heero.
- Aconteceu alguma coisa com Heero?
- Posso me sentar?
Duo ficou envergonhado por não ter sido educado, não convidando o vampiro a sentar-se, mas deixando Treize em pé, seu rosto ficou vermelho imediatamente e desculpou-se constrangido.
- Desculpe...por favor sente-se. Veio sozinho?
Duo inclinou a cabeça levemente, enquanto aguardava o vampiro se acomodar, ficou ainda mais vermelho, diante do olhar de Treize sobre si, o vampiro apenas o observava em silêncio com um sorriso nos lábios, ele nunca chegara a conversar com o antigo shuhan do clã. Sentia-se sempre envergonhado em sua presença, e nem ao menos sabia o motivo, pois Treize o tratara sempre com respeito, diferentemente de Ahmad. Costumava conversar mais com Cathrine e Sally, Quatre, Trowa, Auda e Kimitsu. Parecia que os outros temiam se aproximar e ofender Heero com isso. Treize sentou-se na cama em frente a Duo, o rosto do humano estava com a face avermelhada indicando que estava envergonhado, nunca tivera a chance de conversar muito com o humano, geralmente mantinha-se distante.
Não porque temia ofender Heero ou algo parecido, mas porque não tinha o que conversar com Duo, assim como não o fazia com Quatre, admirava a coragem dos dois assim como a força de vontade de ambos. No entanto às vezes tinha impressão de que o humano, parecia acanhado em sua presença e o fato de Duo estar sempre em companhia a Heero ou conversando com Cathrine ou qualquer outro, não lhe permitia tentar descobrir a razão disso, mas agora precisava conversar com ele e o motivo era Heero, precisava ajuda-lo antes que fosse impossível faze-lo.
- Você deve imaginar o motivo de minha visita.
- Está relacionado a Heero não é.
Não era exatamente uma pergunta, mas uma afirmação, Duo sabia que alguma coisa estava acontecendo com Heero, não conseguia entender ou explicar, mas sabia que algo estava transformando o vampiro de olhos azul cobalto. Treize ficou feliz em saber que não precisaria alongar demais a conversa, uma vez que os fatos eram claros e falavam por si mesmo.
- Sim, basicamente as atitudes que ele vem tendo há algum tempo, e que pioraram depois que você partiu.
- Entendo.
- Você é muito importante para Heero, talvez bem mais do imagina.
Treize viu Duo abaixar a cabeça e falar desanimado, mas para si mesmo do que para ele.
- Eu achava isso, mas agora...não acho que seja verdade. Ele nem ao menos veio me procurar depois que eu parti...é como se eu nunca houvesse existido para ele...e talvez nem tenha mesmo significado nada para Heero...talvez tenha sido apenas uma aventura...que se estendeu demais.
- Duo, eu conheço Heero há muito tempo, não tanto quanto Sally o conhece, talvez ela seja a melhor para falar sobre ele, mas de uma coisa eu tenho certeza de que Heero se importa com você, ele o ama mais do que a própria vida. E seria capaz de desafiar as leis do clã por você.
- Eu...
- Compreendo que você deva estar triste com as atitudes dele, que talvez ele lhe tenha dito ou feito algo que o magoou muito, mas acredite quando eu digo que ele não o fez porque quis. Heero jamais o machucaria de propósito.
- Então porque Treize? Porque ele me deixou partir? Porque não veio atrás de mim....
Duo soluçou deixando que as lágrimas caíssem de seus olhos, sentia-se tão cansado, tão sozinho. Precisava tanto de Heero, de seus afagos, seus beijos, seu conforto, sua proteção. Duo nem ao menos notou que Treize havia se levantado, até que o sentiu sentar-se ao seu lado e o abrigar em seus braços dando-lhe conforto. Treize possuía séculos de existência, enquanto o humano que chorava em seu ombro tinha pouco mais que alguns anos, a seus olhos Duo era ainda uma criança recém nascida, aprendendo a caminhar com as próprias pernas. Duo se afastou ligeiramente após sentir-se mais calmo, ele murmurou um muito obrigado envergonhado diante da carência que sentia e do conforto que recebera dos braços do vampiro. A primeira conversa que tinha com o vampiro e acabava chorando em seu ombro. Treize sorriu e afastou a franja dos olhos do humano, olhando dentro da íris ametista, ainda o mantendo em seus braços.
- No momento Heero não pode responder por seus atos, infelizmente ele acabou se descuidado em um determinado assunto o que acabou por mudá-lo.
- Como assim Treize?
Duo olhava confuso para o antigo shuhan do Ichizoku dos Khushrenada, se afastando ligeiramente dele, não entendia em que Heero poderia ter se descuidado para torná-lo ainda mais frio e distante.
- O que você sabe sobre Heero? Ou sobre o passado dele?
Duo parou um pouco para pensar, a verdade era que Heero não lhe contara muito sobre a época em que viveu com Relena, o vampiro apenas contara por alto sobre essa época especifica em sua vida, se atendo mais a sua vida após seu encontro com Treize. Embora em alguns momentos, o vampiro omitisse alguns fatos nada agradáveis de sua imortalidade.
- Heero nunca pareceu muito disposto a falar sobre ele ou seu passado, geralmente ele sempre fazia a conversa girar em torno da minha vida. Eu sei que ele se tornou um vampiro, por culpa da Relena e que passou algum tempo ao lado dela.
Duo torceu o nariz ao pronunciar o nome dela, demonstrando claramente que o fato em si, não o agradava nem um pouco. Treize sorriu diante do gesto do humano. Duo tentou lembrar de tudo quanto sabia e percebeu que não sabia quase nada a respeito de Heero.
- Na verdade acho que ele me contou apenas o que achou que eu deveria saber, e percebo agora que não é muito. Na verdade acho que talvez não o conheça tão bem quanto imaginava, mas fica difícil pensar nisso quando...
- Quando se está apaixonado.
- Sim...estar ao lado dele, receber seu carinho era o suficiente para mim.
Treize sacudiu a cabeça em acordo, entendia perfeitamente o que Duo queria dizer, quando se esta com quem se ama, geralmente não há necessidade de perguntas, a simples companhia é suficiente. Podia entender o porque de Heero não falar sobre seu passado, sabia o quanto era difícil para o japonês falar sobre si, ou sobre as coisas que fizera.
- Eu imaginava isso, você não seria capaz de reconhecer o Heero de antes, o estado em que ele se encontra agora, nem chega perto do que ele foi um dia. Quando o conheci era impossível dizer a cor de seus olhos, pois eles eram sempre vermelhos e sedentos por sangue. Heero matava qualquer um que cruzava seu caminho, sem motivo ou razão, apenas pelo prazer de faze-lo.
"Eu sei...eu conheci sua natureza...."
Duo piscou ligeiramente ignorando a voz, ele não podia saber...não havia como.
- Você se acha preparado e disposto a ouvir sobre o passado de Heero?
- Sim eu quero saber mais sobre ele. Independente do que ele tenha sido ou feito.
Treize deu um sorriso e sentou-se novamente na cama em frente ao humano, não seria nada fácil, mas era necessário que Duo soubesse quem era Heero.
(O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O O.O)
Algum tempo depois:
Duo levou a mão aos lábios ao ouvir de Treize o que ele sabia sobre o passado de Heero, agora entendia o porque dele não querer lhe contar tudo sobre seu passado. Era horrível demais, não era à toa que os vampiros eram temidos, e existiam tantas lendas e contos terríveis sobre eles. A cada palavra de Treize sobre o verdadeiro passado de Heero, mais e mais Duo compreendia o motivo dele ser tão temido e o fato do vampiro ter escondido a verdade sobre isso. Era nauseante, para não dizer cruel a forma como Heero matara tantas pessoas por causa da sua natureza, movido pela fome que atormenta a cada instante os da sua espécie.
Treize podia ver o choque nos olhos de Duo, assim como a repulsa diante da verdade sobre o passado e a verdadeira natureza de Heero, ele não desejava estar revelando algo tão particular, mas era a única maneira. Não deveria haver segredos quanto à natureza de Heero, ela sempre estaria presente, e se o humano tomasse conhecimento dela, Heero não precisaria esforçasse tanto para esconde-la e talvez encontrasse um pouco de paz para sua alma.
Duo não havia percebido que voltara a chorar, por algum motivo ele sentia uma dor terrível em seu peito, era como se ele houvesse presenciado os fatos contados por Treize, que tivesse passado por ele mesmo achando que isso era impossível. Eles ficaram em silêncio por longos minutos, Duo tentando assimilar tudo que ouvira e Treize dando-lhe algum tempo para faze-lo, sabia o quanto havia sido difícil para o humano, ouvir em pouco mais de uma hora quase dois séculos de dor e crueldade praticados por alguém que se ama.
"Você sabe o que tem que fazer."
Sim ele sabia o que tinha que fazer, sempre soubera, mas tinha medo. Duo se levantou da cama, e foi até a janela olhando para a lua lá fora, havia tanta coisa em sua cabeça, mas apenas uma certeza em seu coração, independente de quem ou o que Heero tinha sido no passado, amava o vampiro e faria qualquer coisa para ajuda-lo. Duo virou-se para Treize respirando fundo antes de falar.
- O que posso fazer para ajuda-lo?
Treize sorriu e soube que havia feito a coisa certa, apesar das lágrimas havia determinação nos olhos do humano, ele faria o que fosse necessário para ajudar Heero, até mesmo arriscar a própria vida, e talvez fosse isso mesmo que tivesse que fazer. Pouco tempo depois deixou o quarto, e foi procurar sua amada encontrando Cathrine conversando com o mestre Chang, ao sentir Treize se aproximando Cathrine levantou-se, sendo abraçada por ele.
- E então?
- Ele me pediu para levar um recado a Heero e providenciar algumas coisas, em dois dias se Heero aceitar seu convite, eles deveram se encontrar novamente.
- Espero que ele aceite.
- Eu também minha amada.
Treize se virou para o humano curvando-se ligeiramente.
- Mestre Chang muito obrigado.
- O prazer foi meu jovem.
Treize sorriu e deixou o templo em companhia de Cathrine, entraram no carro que os aguardava e seguiram em direção ao castelo, por alguns segundos Treize olhou para trás franzindo o cenho, a presença que sentiu não o agradou nem um pouco. Ao aproximarem-se da cidade pediu que Chold parasse o veículo por alguns instantes, mentalmente falou com o líder dos vampiros que guardavam a cidade.
"Adrian"
"Senhor Khushrenada"
"No templo há um humano que deve ser protegido, ele é o escolhido da profecia e também o companheiro do shuhan. Ele é o jovem de cabelos compridos, presos em uma trança"
"Entendo senhor, ele terá minha atenção pessoal".
"Obrigado".
- Vamos Chold temos que entregar um recado importante.
- Sim senhor Khushrenada.
Chold religou o carro e seguiu a toda a velocidade para ao castelo. Cathrine pode ouvir a conversa de Treize com Adrian, e virou-se para ele um pouco apreensiva, há alguns instantes ao passar pela entrada do templo sentira algo desconfortante, mas não soube identificar imediatamente o que a fizera sentir-se assim.
- Treize?
- Eu senti a presença dela junto ao templo, ela não pode entrar no templo, mas está a espreita aguardando uma chance para chegar até ele. Mas não vou permitir que isso aconteça, já tolerei por demais a presença dela.
- O que vai fazer?
- O que já deveria ter feito antes.
- Treize...
- Não se preocupe minha amada, tudo acabará bem. Eu prometo.
Treize beijou as mãos de Cathrine que encostou a cabeça em seus ombros, eram raras às vezes que o vira irritado como agora, sabia que seu amado planejava alguma coisa, mas não conseguia saber o que, uma vez que ele não lhe permitia ver o que planejava. Apenas esperava que ele tomasse cuidado, não gostava de Relena e sabia que ela sentia o mesmo por eles, até mesmo mais.
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De volta ao templo por volta das quatro da manhã:
Duo não conseguia dormir, olhou para a outra cama vendo Wu-Fei dormir tranqüilamente.
"Queria conseguir dormir como ele".
Silenciosamente Duo levantou-se e deixou o quarto, caminhou pela escuridão até chegar ao lado de fora, subiu até o gongo o ponto mais alto do templo, sentou-se observando toda a região ao redor. A luminosidade da lua lhe permitia observar até certo ponto da cidade, podia vê-los se esgueirando pela escuridão, tentando passar despercebidos pelos vampiros do clã de Heero. Suavemente o nome do vampiro ganhou seus lábios, se perdendo no vento.
- Heero...
Treize havia ido embora há algumas horas, levando consigo um recado para Heero. Duo agora entendia o que estava acontecendo com o vampiro. Ele não se alimentava direito e por vezes nem isso fazia, desde que caíra doente após a batalha contra os caçadores e isso o debilitara, fazendo com que seu passado e sua natureza viessem à tona. Segundo Treize a única coisa que faria com que Heero tivesse uma recuperação rápida, embora não fosse completa seria se o vampiro bebesse uma grande quantidade de sangue, precisamente sangue humano.
"Bem se é de sangue humano que ele precisa. Eu sei onde conseguir algum"
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No vale na terra dos Khushrenada - dois dias depois:
Duo se encontrava sentado em cima de uma pedra, aguardando a chegada de Heero, enviara um convite formal ao vampiro apesar de saber que Treize entregara seu recado, esperava apenas que o vampiro de olhos azul cobalto aceitasse o convite, senão ficaria a noite inteira ali sozinho no escuro. Não que estivesse tudo escuro, a lua se encontrava brilhando no céu e iluminava perfeitamente o vale nessa época do ano, o que lhe permitia ver ao redor, ainda sim se sentia desconfortável ali na escuridão. sentia como se alguém o observasse e não tinha certeza de que era Heero, tinha a ligeira impressão de que alguém o seguira desde que deixou o templo na cidade. Duo olhou para o céu lembrando-se da primeira vez que encontrara Heero.
"Foi ali em cima a primeira vez que nos vimos....quando ele impediu que eu caísse aqui embaixo e me machucasse seriamente".
- Você vem? Não é Heero.
Heero observava de longe o humano, que se encontrava sentado na pedra, a lua iluminando os cabelos castanhos, a longa trança caindo por sobre o ombro, ele parecia um anjo de tão belo, a face triste, os olhos preocupados, podia ouvir seus pensamentos, também se lembrava do encontro deles há quase dez meses atrás. O momento em que descobrira que não seria capaz de viver, sem conhece-lo profundamente. Treize lhe dissera sobre o desejo de Duo em vê-lo pessoalmente para conversarem, e apesar de sentir-se contente com a vontade do humano em vê-lo não manifestou nenhuma intenção de faze-lo até receber no inicio da tarde um convite formal de Duo para se encontrarem ali aquela essa hora.
Não sabia o que o humano pretendia, e levara quase a tarde toda decidindo se aceitava ou não seu convite, no final a saudade e o desejo pelo humano venceram sua teimosia e ele se encontrava ali o observando há quase uma hora desde que Duo chegara ao vale. Duo olhou novamente para o relógio, marcara oito horas com Heero e já eram quase dez da noite, seu coração começou a afligir-se, o vampiro não viria encontrar-se com ele, Duo não pode impedir de soluçar. Ele havia planejado tudo com cuidado, seguindo as informações dadas por Treize e para que?
"Ele não vem..não vem..."
Heero podia sentir a preocupação dar lugar a tristeza e não pode mais permanecer onde estava, ouvir o soluço de Duo, e as lágrimas percorrendo seu belo rosto foram demais para ele, caminhando lentamente ele deixou que Duo notasse sua presença. Ele se aproximou seu olhar frio e levemente avermelhado, podia ouvir as batidas do coração do humano, que haviam aumentado consideravelmente ao notar sua presença. Heero se aproximou tocando o rosto de Duo com certa reverência, antes de afastar-se dele, encostando-se na parede da encosta que levava ao vale onde se encontravam.
- Você me chamou Duo...e eu vim. O que você quer?
Duo mordeu o canto dos lábios, um tanto incerto quanto a seus planos, o toque de Heero em seu rosto foi gentil, quase como uma caricia, mas as palavras dele estavam tão frias quanto o brilho irradiando em seus olhos. Ainda assim ele decidiu levar seus planos adiante, procurando ignorar a insegurança crescendo em seu peito, Duo respirou fundo e sorriu maliciosamente, procurando dar a sua voz a mesma malicia que transmitia em seu sorriso.
- Sabe Heero me disseram que você tem negligenciado sua alimentação e isso não é bom, mesmo para um vampiro. Então eu decidi que vou cuidar de suas refeições de agora em diante.
Os olhos de Heero brilharam, enquanto via Duo deixar a pedra e caminhar para a toalha colocada no chão próxima as rochas do lago. O humano rastejou e sentou-se sobre os joelhos.
- Esqueci de uma coisa.
Duo sorriu e olhou para o lago, antes de se levantar e colocar o braço na água fria retirando uma jarra prateada. Duo retornou a toalha, a água escorrendo por seu braço enquanto sacudia a jarra na frente dos olhos de Heero.
- Sabe o que é isso Heero?
- Posso imaginar.
- Sabe de onde veio ou quer que eu lhe mostre?
Como Heero continuou calado, Duo destampou a jarra e colocou um de seus dedos dentro dela, assim que retirou o dedo ele estava envolto pelo vermelho denso do sangue, ele manteve o dedo suspenso sobre a boca da jarra, as gotas de sangue pingando. Duo se mantinha atento ao olhar do vampiro preso a seu dedo, Heero acompanhava com o olhar Duo levar próprio dedo coberto de sangue a boca.
- Tá fresquinho. Você não quer um pouco...Heero.
- Duo.
A voz de Heero saiu baixa e ligeiramente rouca. Era evidente a força que fazia para se controlar diante do sangue e do erotismo da cena. Duo sorriu e continuou a falar prestando atenção no brilho avermelhado que começava a ser apresentar na íris azul cobalto.
- Treize me disse que sangue fresco ou melhor sangue...humano para ser especifico vai fazer maravilhas por você....Hee-Chan.
Heero fechou os olhos tentando ignorar o cheiro do sangue e não percebeu que o humano sorria com satisfação. A voz de Duo o despertou de seus pensamentos e o vampiro abriu os olhos.
- Eu me esqueci...de trazer o copo Heero.
Heero teria rido da situação se não estivesse preocupado demais em ignorar o cheiro de sangue fresco. O rosto do humano parecia realmente preocupado por ter se esquecido de um mísero copo. Duo mordeu o lábio inferior enquanto pensava aparentemente aturdido pelo esquecimento do objeto. O humano então olhou para o vampiro, seu olhar agora era altamente malicioso assim com o sorriso em seus lábios. O vampiro sentiu um arrepio que se alojou em seu membro diante do sorriso que ele jamais vira nos lábios do humano.
- Você se importa de me usar como um cálice...Heero.
Unindo os gestos as palavras, Duo retirou a blusa que usava e virou a jarra sobre o peito, deixando que um filete de sangue caísse sobre ele. Imediatamente os olhos de Heero ficaram vermelhos enquanto ele via o líquido vermelho escorrer pelo peito claro de Duo. O humano tampou a jarra e se inclinou sobre a toalha passando os dedos sobre o sangue e o espalhando sobre o tórax e abdômen.
- Melhor você se apressar Heero, sangue estraga rápi....
Antes que terminasse de falar Heero já estava sobre ele lambendo seu corpo, nos lugares que o sangue havia tocado. Heero levou os dedos sujos de sangue de Duo aos lábios os sugando. Duo tentava se controlar e não ficar tão excitado até que Heero bebesse a jarra toda. Heero já não pensava logicamente seu único pensamento era, quão maravilhoso era o gosto do sangue em sua boca e a sensação de bebe-lo no corpo do humano. O vampiro pegou a jarra a destampando e a virando na boca. O liquido vermelho escorria pelos lados. Ele sentia a presença de Duo abaixo de si arfando e o observando.
O contraste da pele pálida com o sangue rubro escorrendo pelo canto esquerdo dos lábios de Heero. Excitou Duo que gemeu, ele se ergueu apoiando-se em um dos cotovelos, com uma das mãos interceptou o sangue que escorria com o dedo, o manchando de vermelho e o levando aos lábios. Heero retirou a jarra da boca ao ver Duo provando o sangue a colocando ao lado. Ele sorriu e se inclinou sobre o humano permitindo que ele continuasse a provar o sangue, com a língua. Duo lambeu o canto esquerdo da boca de Heero, limpando o sangue. O vampiro gemeu e segurou o rosto de Duo entre suas mãos.
Os olhos de Heero estavam vermelhos e brilhavam perigosamente, por um instante Duo ficou com medo. Treize o havia prevenido que seria perigoso levar seu plano a diante, Heero estava há muito tempo sem provar sangue e a fome provavelmente o deixaria descontrolado após provar o sangue humano. Heero olhava para Duo como se o visse pela primeira vez, ele deixou seus olhos correrem pelas formas másculas e belas do humano, quando seus olhos se encontraram novamente Heero passou a língua pelos lábios, da mesma forma quando se está prestes a se degustar um prato suculento. Ao ouvir a voz fria de Heero, Duo tremeu ligeiramente.
- Nunca lhe avisaram para não provocar um vampiro com fome. Ainda mais quando se está repleto de tão maravilhoso alimento.
- Heero...
- Você cheira a sangue. Sangue quente.
Heero começou a lamber o pescoço de Duo o inclinando sobre a toalha. Duo sentia as mãos fortes de Heero em sua cintura o mantendo preso contra o chão. Enquanto sugava o lóbulo da orelha. As mãos de Heero subiram a um dos mamilos de Duo o apertando e beliscando. O vampiro desceu seus lábios até um dos mamilos, pressionando uma de suas presas no bico já excitado. Duo gemeu ao sentir a presa ser pressionada contra o mamilo.
- Aaahh Heero.
O vampiro sugou o mamilo com voracidade, enquanto afundava suas presas no peito do humano, sugando o sangue que saia do local. Duo gritou de dor, e Heero invadiu a boca do humano com seus dedos. Enquanto Heero lhe falava mentalmente.
"Eu vou dar o que você deseja Duo e você vai aprender a não brincar comigo novamente."
Duo jamais imaginou que ficaria tão excitado. Heero agia com uma ligeira violência e selvageria que jamais vira, a sensação do vampiro bebendo seu sangue, enquanto sugava seus dedos era excitante, ligeiramente dolorosa, mas altamente prazerosa. Heero deixou o peito de Duo e retirou seus dedos da boca do humano, ele se colocou ao lado de Duo e com as mãos rasgou a calça dele o deixando apenas de cueca. Duo sabia que a fome que via nos olhos de Heero deveria assusta-lo, mas isso apenas o fez ficar ainda mais excitado, na expectativa do que o vampiro faria com ele. Heero notou a protuberância escondida pela peça de roupa, e deslizou suas mãos para dentro da cueca manipulando o membro quente do humano com suas mãos frias.
Duo arqueou o corpo em resposta a caricia, se movendo no mesmo ritmo que a mão em seu membro. Então de repente Heero retirou sua mão e Duo protestou diante disso. Heero retirou com violência e impaciência última peça que cobria o corpo humano.
O vampiro sorriu maliciosamente se inclinando e aproximando seu rosto do humano, parando apenas a poucos centímetros dos lábios deste. Duo arfava pesadamente denunciando seu estado de êxtase. Heero contornou o rosto e os lábios de Duo com a ponta dos dedos e depois fez o mesmo com a língua. Ela deslizou pelo rosto, queixo, pescoço, algumas vezes de forma lenta e sinuosa, outras vezes de forma rápida e precisa. As mãos de Heero trabalhavam no corpo de Duo com a mesma sincronia que sua língua. Apertando e acariciando a pele macia e sedosa do humano. Duo sentia-se derreter ao ser tocado de uma forma tão erótica e densa, mesmo não tendo seus lábios tomados pelo do vampiro, sentia que o ar faltava em seus pulmões.
Ele sentiu os lábios de Heero na curva atrás de sua orelha, enquanto o ouvia sussurrar algo que não compreendia, mas que o deixava quente.
- Vhcyze ehm phzencrne, mnze...aznepsa mnze. 2
Heero sentia o corpo de Duo se rendendo ao seu toque, notou a dificuldade que o humano tinha em conseguir respirar. O humano ainda cheirava a sangue, uma parte de sua mente lhe dizia que ele tinha que se controlar, para não possui-lo da forma como sua natureza exigia, de forma rápida e selvagem, mas a outra lhe dizia para possui-lo com ardor e violência. O vampiro percebeu que a respiração do humano se tornou mais descompassada quando ele sussurrou-lhe no ouvido na língua antiga dos vampiros que o humano lhe pertencia.
O humano era dele. Sua propriedade. Sua posse. Ninguém a não ser ele podia toma-lo, podia fazer o que ele fazia agora. Mas ela havia se atrevido a tocá-lo, maculando a pele dele com seu cheiro e seus toques. Mas não aconteceria novamente, nunca mais alguém o tocaria, pois ele iria marca-lo como seu. Colocaria em Duo sua marca e todos que a vissem saberiam que Duo lhe pertencia. Heero sentou-se sobre as pernas e puxou o corpo do humano para que ele fizesse o mesmo. O rosto de Duo estava suado e corado, seu peito se levantava acompanhando sua respiração acelerada. A voz fria do vampiro soou levemente autoritária ao pedir que o humano soltasse os cabelos.
- Solte-os.
Duo puxou a ponta de sua trança sobre o peito e retirou o elástico que a prendia, desmanchando as mechas longas. Ele balançou a cabeça e os fios caíram soltos por sobre os ombros o envolvendo como um abraço. O olhar de Heero em si era intenso, ele sentia-se queimando por dentro e achava que seria capaz de alcançar o gozo apenas com o olhar do vampiro. Heero se levantou e se livrou das roupas lentamente na frente de Duo exibindo seu membro ereto. Duo sentiu a garganta seca diante da visão do corpo de Heero.
Heero se aproximou e se posicionou atrás de Duo de joelhos, sua mão desceu gentilmente sobre os fios, afastando a massa castanha de fios do pescoço alvo, o beijando com reverência. Seus lábios tocaram a curva do pescoço descendo pelos ombros. Com as mãos Heero trouxe os braços de Duo ao alto fazendo com que ele segurasse em seu pescoço. Duo sentiu os lábios frios de Heero junto a sua orelha e se arrepiou. A voz do vampiro soou rouca e quente em seu ouvido.
- Meu pai costumava dizer que devemos tomar cuidado com o que nos pertencem, evitar que outros se apropriem do que é nosso. Marcando...de forma que se for roubado, podemos provar nossa posse...nosso...meu...meu direito sobre você humano.
- Heero...
- Shhhh, você é meu....e apenas meu...e ninguém toca no que é meu. Eu soube que você me pertencia no momento em que o vi... no momento em que você fugiu assustado e eu fui atrás de você...
"Você é meu humano desde o momento em que o vi...eu quis provar o seu sangue"
Duo abriu o olho assustado com a voz em sua mente, ela parecia ser de Heero, mas se Heero ainda falava com ele. Como era possível? Duas vozes tão parecidas... intimamente sabia que a voz que ouvia em sua mente pertencia ao vampiro, mesmo ela soando estranhamente em sua cabeça. Heero se encontrava perdido no cheiro do humano junto ao seu corpo, a sensação de familiriariedade assaltando suas lembranças.
- ....no momento em que minhas presas rasgaram seu pescoço e eu provei o seu sangue...eu soube que estaríamos juntos... E agora vou marcá-lo para que saibam a quem você pertence. Você confia em mim?
- Com todo o meu coração.
- E eu com o que restou da minha alma.
Duo sentia seu coração doer em expectativa, à medida que Heero proclamava a posse dele sobre si, o coração de Duo batia mais forte, embora não entendesse o porque, sentia que era verdade...inconscientemente sabia que sempre estivera esperando pelo vampiro. Esperando que ele o tomasse...o marcasse como seu...o declarasse como sua propriedade. Tentando imaginar o que Heero faria a iria marca-lo seu, mas ele não precisava imaginar, já sabia o que aconteceria.
Heero colocou Duo sentado sobre suas pernas e depois as abriu, fazendo com que Duo abrisse as próprias pernas e ficasse com o traseiro próximo ao seu membro que endureceu ao sentir aquela região tão de perto. Duo sentiu Heero afastar novamente seu cabelo e posicionar a sua mão direita de forma que ela ficasse na cintura dele. Duo inclinou a cabeça ligeiramente para a direita ao sentir os lábios deslizarem pelo seu pescoço, certo de que logo sentiria as presas de Heero perfurando a carne. No entanto os lábios de Heero continuaram a seguir o caminho do ombro, descendo pelo braço até parar em seu pulso.
Heero flexionou o braço de Duo e o virou ligeiramente de forma que o pulso esquerdo do humano ficasse voltado para ele. Duo batalhava com sua mente, uma parte entendia e a outra não compreendia o que Heero estava fazendo. O corpo do vampiro estava colado a suas costas, ele podia sentir o membro dele pressionar seu traseiro, e as formas másculas perfeitamente encaixadas ao seu corpo, da mesma forma que as peças do quebra-cabeça se encaixam perfeitamente. Duo sentiu o braço direito do vampiro envolver sua cintura, com a mão segurando seu corpo alguns centímetros acima de seu membro. Ele pretendia perguntar o que ele planejava fazer, mas uma dor alucinante irradiou de seu pulso.
Heero pressionou suas presas no pulso de Duo, pode ouvir o grito de dor saindo dos lábios do humano, sabia o quanto uma mordida naquele lugar poderia doer. Ele sentiu o corpo do humano tentar se afastar, mas ele o manteve preso junto a si. Ele deslizou sua mão até alcançar o membro do humano e começou a manipula-lo de forma que ele esquecesse a dor. Ele podia sentir as lágrimas caírem em seu braço e o soluçar começar a se transformar em ofego à medida que manipulava o membro quente em sua mão.
Heero evitava beber o sangue quente que escorria do pulso de Duo, mas era quase impossível resistir ao sabor inebriante dele, ele provou um pouco do liquido quente e espesso antes de retirar suas presas do pulso, passando a língua suavemente para evitar que o sangue continuasse a sair. O vampiro molhou seus dedos no liquido vermelho e denso, e o trouxe até seu nariz aspirando o perfume estimulante que possuía. Heero passou a ponta da língua provando-lhe o sabor novamente, mas parou logo em seguida, ele tinha outros planos a iguaria em seus dedos. Ele fez com que Duo inclinasse o corpo ligeiramente para frente de forma que ficasse exposto a seus olhos. Podia ver a entrada rosada tão claramente como se estivessem em seu quarto, a escuridão da noite iluminada apenas pela claridade da lua sobre eles não era nada para seus olhos de vampiro.
Duo abriu os olhos sem se lembrar de quando os tinha fechado, e teve a visão de Heero com a mão coberta pelo sangue que escorria de seu pulso. Ainda não conseguia entender o que ele pretendia, mas ver a mão do vampiro se encaminhando para suas costas, o fez descobrir sua intenção. Ele ainda sentia dor apesar dela agora ser apenas uma vaga sensação de dormência em seu pulso esquerdo, a estimulação em seu membro não o deixava pensar claramente na dor. Quando sentiu um dedo invadir-lhe a intimidade, procurou elevar um pouco o corpo de forma que Heero pudesse prepará-lo melhor.
O dedo de Heero deslizava facilmente dentro do canal apertado do humano, facilitado pelo sangue. Um segundo dedo foi adicionado ao canal, logo três deles se moviam em pequenos círculos. Duo ofegava. A mão em seu membro ainda se movia devagar acompanhando a subida e a descida de seu corpo. Os quadris de Duo acompanhavam os movimentos dos dedos de Heero dentro de si. Eles tocavam repetidamente sua próstata o fazendo ansiar por um contato maior e mais profundo, sem que percebesse Duo pronunciava o nome do vampiro quase com desespero enquanto se segurava com força na cintura do vampiro.
- Heero...Heero....Heero...
Heero podia sentir o desespero de Duo. O humano ansiava pelo alivio e pela união completa de seus corpos. Uma união que ele também desejava. Heero retirou os dedos de dentro de Duo, mas manteve sua outra mão no membro do humano o acariciando, ele pegou o pulso de Duo reabrindo a ferida com as presas colhendo mais um pouco do sangue que voltara a escorrer do pulso, cobriu seu membro com o ele. E ergueu ligeiramente o corpo de Duo e posicionando seu membro na entrada do humano. Duo pressionou-se contra a cabeça e desceu sobre o membro grosso e inchado devagar sentindo o membro alargando o canal estreito, o preenchendo.
- Oh! Deus.
Heero procurou deixar que Duo comandasse a descida. O vampiro se concentrou fazendo as unhas da mão esquerda crescerem, passando o dedo mindinho sobre a palma da mão abrindo um corte por onde seu sangue começou a escorrer, ele tomou o pulso de Duo cobrindo-o com sua mão e a apertando por alguns segundos sobre o pulso do humano. Duo sentiu uma ligeira queimação em seu pulso, mas o fato de estar completamente preenchido por Heero o fez esquecer de tudo que não fosse a plenitude de estar unido a ele. Heero soltou o pulso de Duo e trouxe sua cabeça até que seus lábios se tocassem o beijando. O sangue havia coagulado no local e uma pequena cicatriz se formara no pulso do humano, uma cicatriz que significava a sua posse sobre o Duo.
"Ela nunca deveria ter sumido".
Heero procurou ignorar a voz, olhando para o pulso do humano novamente. Aos olhos de qualquer humano, a marca no pulso não significava absolutamente nada, mas no mundo dos vampiros a cicatriz representava que o humano tinha um dono. Que Duo pertencia a um vampiro e qualquer um que ousasse tocar nele, teria que se entender com ele.
Duo se encontrava completamente preenchido pelo membro de Heero. Ele sentiu o vampiro soltar seu pulso e enrolar seu cabelo no braço o puxando para trás e tomando seus lábios com força, ele sentia seu cabelo doer na raiz tamanha à força com que eram puxados. Automaticamente Duo segurou o braço que agarrara seu cabelo. Sentindo ser preenchido ainda mais fundo pelo membro dentro de si, uma vez que seu corpo foi puxado para trás, no ângulo em que se encontrava o membro de Heero tocava sem piedade sua próstata.
- Aaaahhhhh Heerrooo
O vampiro sorriu ao ver o humano gritar seu nome, o corpo dele era tão quente e tão cheio de vida. Uma vida que um dia tirara...
"O que?...."
Relena tirara sua vida e não ele tirara a vida do humano, ele estava ali....vivo...preenchido por seu membro. Relena tirara sua vida...sua alma, da mesma forma como ela estava tentando fazer com Duo agora, mas o humano era dele....sempre fora. Seu e ninguém toca no que é seu. Enraivecido Heero começou a manipular o membro de Duo no mesmo ritmo em que entrava nele. Forte e rápido.
Duo sentia como se estivesse sendo partido ao meio, tamanha a força com que Heero entrava nele. Sabia que ficaria todo dolorido, mas não trocaria de forma alguma o prazer que sentia no momento por nada neste mundo. O vampiro o estava possuindo com uma certa violência era verdade, mas não o estava machucando além do necessário, sabia que por detrás da natureza selvagem que parecia ter assumido o vampiro no momento, estava o Heero que conhecia e amava. E sabia que a última coisa que ele faria seria machucá-lo propositalmente.
Heero puxou ainda mais o cabelo de Duo de forma que o pescoço dele ficasse exposto a seus lábios. Ele beijou o pescoço, subindo até a orelha do humano a preenchendo com sua língua, ele sentiu o humano ofegar, sabia que faltava pouco para o humano gozar, mas ele não desejava que ele o fizesse. Em sua mente o humano era seu, e deveria fazer o que ele quisesse e no momento que ele quisesse. Ele apertou a cabeça do membro de Duo o impedindo de gozar.
- Não... você o fará apenas quando eu quiser.
- Heeeroo.
Heero soltou o cabelo de Duo pegando o elástico que antes prendia os cabelos longos do humano, prendendo-o no membro do humano de forma que pudesse ficar com as mãos livres, ele saiu de dentro do humano o virando no chão e entrando-se novamente nele com violência. Duo arqueou as costas ao ser penetrado de forma tão bruta, mesmo já estando lubrificado, foi impossível não gemer de dor. Ao ser virado com força contra o chão e penetrado novamente. O vampiro ergueu as pernas do humano colocando-as sobre seus ombros e se enterrando ainda mais dentro do humano, suas investidas eram quase violentas como se quisesse atravessar o corpo que apesar de tudo gemia extasiado.
Heero diminuiu a força de suas investidas e olhou ao redor, sentindo uma presença, mas ela desaparecera rapidamente da mesma forma que surgira. Duo sentia que iria explodir, mas seu membro estava amarrado o impedindo de se libertar, e à medida que Heero entrava e saia de seu corpo fazia apenas que a excitação aumentasse. Ele precisava gozar..precisava se libertar...ou enlouqueceria de prazer. Duo sentiu-se observado por um instante e sentiu Heero diminuir as investidas em seu corpo. Ele gemeu e enterrou as unhas na terra tentando manter sua sanidade.
- Aaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhh
Duo gritou ao sentir Heero lamber a cabeça de seu membro, ele balançou sua cabeça de um lado para o outro, era muitas sensações, muito prazer para que pudesse assimilar... sentia que estava pendendo sua sanidade em meio à torrente crescente de prazer. O vampiro sorriu ao ver o humano sacudir a cabeça de um lado a outro, os fios grudados no rosto suado, podia sentir todas as sensações do humano, ele encontrava-se perdido no prazer que sentia. Heero segurou os tornozelos do humano abrindo-lhe as pernas e se inclinando sobre o corpo deste, fazendo seu membro ir ainda mais fundo dentro do humano. E pressionando o membro amarrado do humano entre seus corpos.
- Heeeerrooooo....por...por...favor....aaahhhhhhh.....Ah! Deus......Hhheeerrrooo.... eu não...eu não..posso...Aaaaaaaaaaahhhhhhhhhhh.
Heero sorriu e diminuiu as estocadas, começando a beijar uma das pernas de Duo descendo, até chegar ao abdômen que tremia ligeiramente, sugou o umbigo adentrando-o com a língua antes de abocanhar a cabeça do membro do humano sugando como uma fruta madura. O corpo de Duo tremia de excitação, mas o vampiro não parecia dar mostras de aliviar seu tomento, ele parecia disposto a levá-lo ao limite da insanidade. Duo sentia dificuldades em respirar, seu coração batia tão forte que era como se ele estivesse tentando sair de seu peito, lágrimas de prazer caiam de seus olhos que se encontravam fechados.
Heero abandonou o membro inchado do humano se contentando apenas em observar lhe o rosto corado e suado, as pequenas lágrimas deslizando pela bela face. Sabia que não deveria privá-lo por mais tempo, uma vez que ele mesmo já não agüentava mais, sentia-se tão excitado que chegava a ser doloroso, e a visão do abandono do humano em baixo de si, o rosto afogueado, a boca entreaberta, os fios grupados no pescoço suado, o fizeram endurecer ainda mais dentro do canal apertado, ele aumentou a velocidade das investidas e soltou a outra perna do humano que tremia por inteiro.
Automaticamente Duo abraçou a cintura de Heero com sua perna. O vampiro dirigiu suas mãos para o meio das pernas de Duo liberando o membro do humano do elástico que o prendia. Os olhos dos dois se encontraram presos, um no outro por alguns segundos, mas uma investida e o humano gozou forte sobre o peito de Heero que colheu com os dedos o gozo do humano.
- Heeerrooo...
Duo sentir espasmos por todo o corpo, nunca imaginou que teria um gozo tão intenso. Ao sentir o gozo de Duo contra seu peito Heero o provou com os dedos, sentindo o canal se fechar em volta de seu membro o esmagando, o fazendo gozar violentamente dentro de Duo gritando seu nome.
- Duuuuuuooooooo.
Duo ouviu o grito do vampiro e a semente deste preenche-lo. Heero caiu sobre o corpo do humano sem forças tamanho o prazer que experimentara, obrigou-se a erguer o corpo com os braços, olhando para o rosto do humano que mantinha os olhos fechados. Duo ainda tremia ligeiramente e tinha dificuldades em voltar a realidade. Ele sentiu o carinho em seu rosto e se obrigou a abrir os olhos encontrando a íris azul cobalto repleta de preocupação. Duo deu um pequeno sorriso de satisfação e levantou o tronco com certa dificuldade para beijar o rosto de Heero. O vampiro o beijou erguendo o corpo para sair de dentro do corpo humano, e ouviu um pequeno gemido que reconheceu ser de dor, fazendo aumentar ainda assim sua preocupação.
- Você está bem?
Duo balançou a cabeça incapaz de se comunicar verbalmente no momento. Ele abraçou Heero deslizando as mãos nas costas do vampiro, podia sentir a preocupação na voz dele. Estava todo dolorido era verdade, um pouco machucado também, mas completamente satisfeito, sabia que mal conseguiria se mover no dia seguinte, mas isso não tinha a menor importância no momento. Estaria disposto a fazer o mesmo, quantas vezes fosse necessário, ainda mais se o resultado final fosse o mesmo. Heero se moveu pegando o humano no colo, Duo tentou refrear um gemido, mas foi incapaz de faze-lo.
- Ai!
- Eu o machu....
Duo elevou sua mão até tocar os lábios frios de Heero, balançando a cabeça a repousando na curva do pescoço do vampiro.
- Não...
Heero parou olhando para o rosto de Duo sem acreditar em suas palavras, Duo sorriu beijando o pescoço do vampiro e passando seu braço direito por trás das costas do vampiro.
- Tudo bem...um pouquinho, mas foi.... maravilhoso, incrivelmente maravilhoso Heero.
- Mas eu....
- Shhhhhh...eu adorei cada segundo Hee-Chan.
- Eu poderia tê-lo matado Duo.
- E eu morreria feliz. Um pouco de dor durante o sexo pode ser estimulante sabia.
O sorriso brilhante do humano o fez sorrir, ele entrou na água com o corpo em seus braços até que a mesma chegasse a sua cintura. Colocou-o de pé dentro do lago abraçando-o com um dos braços pela cintura, o observou por alguns instantes antes de acariciar o belo rosto.
- Você é louco sabia.
- Huumm...e é por isso que você me ama.
- Não é apenas por isso.
Ambos riram e Heero tomou os lábios de Duo entre os seus, sim ele o amava por diversos motivos e sabia que continuaria a amá-lo independente do que viesse a acontecer, suas almas estavam ligadas para sempre. Heero lavou Duo retirando o vestígio de sangue sobre seu corpo, o americano apenas sorria, deliciado com o cuidado do vampiro, havia valido a pena arriscar sua vida, para resgatar Heero. Sabia que conseguiriam enfrentar qualquer desafio desde que estivessem juntos.
Continua....
1 Eichi significa inteligência, sagacidade e sabedoria
2 Tradução da sopa de letrinhas - Você me pertence, meu...é apenas meu.
Olha eu novamente.....
Agradecimentos a Mami...
Aos que esperavam ardentemente a continuação da fic....mil desculpas gente, mas sabe como é sem inspiração os capítulos não saem.
Agradecimentos especiais a Denise, a Mila, a Goddess, e a todos os fãs de Lábios de Sangue.
Apenas para constar os capítulos podem demorar um pouco, mas eles virão com certeza.
Aguardo comentários.
