Lábios de Sangue
Capitulo 17 – Uma ajuda do Inimigo
Em alguma parte da floresta na cidade de Epyon – Algumas semanas depois:
Era quase meia-noite e o silêncio imperava sinistramente no meio da floresta. Mirla olhou para o céu estrelado, sorrindo malignamente; em poucos dias chegaria o momento em que todos os elos se uniriam. Começaria então o surgimento de uma nova ordem e o inicio de sua vingança.
- Poderia me dizer o motivo de seu sorriso Mirla?
Relena se encontrava encostada em um canto, sorvendo em sua taça, o sangue trazido por Lacroan e que fôra generosamente oferecido por Romefeller. Há alguns dias, ele e os caçadores haviam chegado de Northhampton a mando do Duque, e se encontravam escondidos nas grutas, localizadas no centro da floresta. Faltavam poucos dias para o início do solstício de inverno; o momento perfeito para a realização da profecia, que acarretaria finalmente; na ascensão do clã Peacecraft. Havia notado que Mirla andava ainda mais reclusa, desde a última investida contra Heero, que resultara na evacuação completa da cidade.
Poucos humanos haviam permanecido, e sua maioria eram simpatizantes do clã Khushrenada, e por isso eram guardados pelos vampiros leais a Heero, que caminhavam todas as noites pelas ruas desertas, procurando manter seguro o perímetro ao redor do castelo e do que restara da cidade; obrigando-a a permanecer refugiada na floresta.
Relena aproximou-se de Mirla sorrindo, antes de tomar-lhe o braço e começar a caminhar pela floresta, afastando-se do atual esconderijo. Sabia que a criatura tinha planos para com Heero; afinal a ouvira falar com humano semanas atrás, quando tentara abraçar seu descendente. A criatura seria muito tola se imaginasse que não havia notado o que se passava. Voltou sua atenção para a voz de Mirla, acompanhando o olhar dela por entre a copa das árvores.
- O dia se aproxima... ascensão, morte... renascimento. O dia em que os humanos conhecerão a noite eterna e os vampiros governarão absolutos.
- Falta pouco para o inicio de sua vingança não é?
Mirla olhou para Relena, sorrindo falsamente; antes de menear a cabeça. Ela viu Relena sorrir, e olhar para a escuridão da noite. Sabia que ela havia invadido a mente do humano, ao mesmo tempo em que ela mesma o fizera e sabia o que a soberana do clã Peacecraft ouvira o que havia dito ao atual shuhan dos Khushrenada. Que obteria sua vingança através do humano que o mesmo tomara por amante. Ajudando-os a desvendar a profecia. Não que fizesse alguma diferença Relena saber o que dissera a eles, uma vez que não pretendia partilhar de seu conhecimento ou da conversa com ela.
- O que você vê ou acha que sabe, é apenas uma ponta de um imenso iceberg Relena Peacecraft. O conhecimento ilusório que possui de nada adiantará, se eu não a guiar para a estrada que deve tomar.
Relena olhou para o Necro suavemente e sorriu diante das palavras da criatura, soltando-se dela e tomando novamente o caminho da gruta. Antes porém, deixou que sua voz ecoasse pela escuridão da floresta. Sem ao menos se virar para visualizar o efeito de suas palavras.
- Apenas os tolos desconhecem a própria força e eu levei muito tempo Mirla; para ser o que sou. Acredite, não sou tola como pensa. Não se atreva a subestimar-me novamente... detestaria ter de matá-la antes do tempo.
Mirla sorriu ironicamente antes de vê-la desaparecer por completo na escuridão. As ameaças de Relena eram-lhe uma pequena diversão. Se a líder do clã Peacecraft ao menos pudesse imaginar a verdade, ou tivesse o mínimo de percepção, saberia que suas ameaças nada significavam para si. A criatura começou a caminhar lentamente em direção a terra dos Khushrenada. Tinha assuntos a tratar lá. Uma densa escuridão começou a formar-se ao seu redor, à medida que caminhava. Deixou que seus pensamentos se tornassem palavras, embora sua voz não passasse de um horripilante sussurro.
"Apenas os tolos se vangloriam de sua própria força. No final veremos quem matará quem, Relena."
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Castelo Khushrenada – 02:00hs:
Trowa encontrava-se sentado na cadeira junto à pequena mesa ao canto do quarto. Assim que chegara ao castelo, há pouco mais de uma hora atrás; havia ido direto procurar o amante. O que o mesmo havia feito o deixara desconcertado, para não dizer decepcionado. Tivera de usar de todo o autocontrole que possuía para não deixar transparecer sua frustração e descontentamento na frente de Heero, enquanto se encontravam na cidade, verificando os últimos avanços dos mandantes de Relena. Por isso ficara chocado, uma vez que não esperava que Quatre pudesse fazer algo do tipo. Ofender deliberadamente à família de Hugh; apenas para irritá-lo.
Sabia da antipatia que o amante possuía em relação ao Lycan. Já havia visto outros vampiros agirem da mesma forma e ainda pior com os da espécie de Hugh. Podia entender isso. Era algo natural a espécie deles. Vampiros e Lycan's, por muitos séculos haviam sido inimigos sem motivo algum. Eles apenas não conseguiam ser tolerantes um com o outro. Mas acreditava que com Quatre poderia ser diferente. Muitos dos de sua espécie, haviam conseguido adquirir certa tolerância e até mesmo simpatia pelos Lycan's. E pelo que Heero lhe contara, nos tempos primórdios da humanidade, os mesmos haviam servido como guardiões dos Vampiros.
Quase como protetores, o mesmo trabalho que os humanos prestavam a eles agora, há muitos séculos atrás, eram desempenhados por Lycan's. Heero não soube explicar ao certo o que ocorrêra para que os humanos tomassem o lugar dos Lycan's como colaboradores ou servos, como muitos diziam. Pelo que parecia, a história havia se perdido no tempo e nem mesmo Hugh soube explicar-lhe o motivo real. Mas alguma coisa acontecêra para quebrar essa aliança, distanciando-os e tornando ainda maior a intolerância entre eles.
Quatre olhou para o amante sentindo-se ainda mais miserável. Podia sentir o quanto Trowa estava decepcionado com ele. Havia falhado novamente com o amante ao não ouví-lo e deixar-se levar pela natureza rebelde, como o amante de olhos verdes sempre lhe dizia. Queria que o outro pudesse perdoá-lo, mas não sabia como chegar até ele. Trowa não havia dito muito ao chegar da cidade, apenas lhe dirigira um olhar indignado e tomara-o pelo braço, literalmente arrastando-o para o quarto que compartilhavam. Na verdade, dissera uma única palavra, que fizera seu coração partir-se ao meio, fazendo com que uma lágrima vermelha manchasse seu rosto pálido.
"Parabéns."
Não era uma congratulação por algum feito que merecia uma comemoração e sim a constatação de um feito que não merecia nada além de repulsa e desgosto. Tentara abraçá-lo e pedir-lhe perdão, mas Trowa o evitara, deixando-se cair na cadeira, onde permanecia há quase uma hora, olhando para a noite através da janela. Abaixou a cabeça, não se dando conta de que lágrimas vermelhas banhavam abundantemente seu rosto, até que sentiu o toque frio em sua face. Seus olhos encontraram-se com os de Trowa que rapidamente havia ido para cama, ao notar que Quatre chorava. Havia sentido a angústia do amante, bem como ouvira as súplicas de sua mente, implorando por seu perdão.
Não sabia se o perdoaria de todo. Mesmo que o amasse, não conseguia tolerar certas atitudes do amante, e o que o mesmo fizera com Hugh era a mais grave de todas. Sabia que Duo havia dito para Quatre pedir desculpas a Hugh e pelo que sabia o mesmo ainda não o havia feito.
O loiro desejava atirar-se nos braços de Trowa e ter certeza de que o amante o perdoara, mas estava com medo de que o mesmo o rejeitasse. Olhou para ele e viu através de seus olhos, resignação e um pedido; o mesmo que Duo o fizera prometer e ainda não cumprira.
Meneou a cabeça em acordo; levantando-se da cama. Enxugou o rosto, limpando o vermelho que lhe tingira a face pálida e mesmo a contra à gosto, pediria desculpas ao Lycan.
Viu Trowa sorrir, acenando do lhe através do espelho, dizendo-lhe mentalmente que lhe daria uma chance de reparar o que fizera. Se ele fosse capaz de passar por sua intolerância e pedir desculpas a Hugh, obteria seu perdão. Quatre deixou o quarto disposto a procurar o Lycan; esperava apenas poder encontrá-lo logo, e não irritá-lo novamente.
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Nem bem Quatre fechara a porta de seu quarto e Duo o agarrara, puxando-o para o quarto que o amigo compartilhava com Heero. Ouviu a proposta dele e teve que se controlar para não rir. Aquilo era em sua opinião, ridículo e impossível de ser feito, e não tinha a menor intenção de ajudá-lo no que se referia a isso.
Duo olhou exasperado para Quatre, que simplesmente o ignorava, fingindo que não havia ouvido seu pedido. Não sabia como alguém conseguia ser tão cabeça dura. Às vezes não sabia quem era pior, o loiro ou Hugh. Não havia pedido nada demais ao amigo; na verdade achava que andava muito condescendente com o vampiro loiro, uma vez que Heero já o havia advertido que deveria ser mais firme com Quatre quando o assunto envolvia Hugh. Não queria admitir, mas depois do que acontecêra no final da tarde, teve que dar o braço a torcer quanto ao fato de que deveria se esforçar mais para fazer Quatre e Hugh desenvolverem, pelo menos; certa tolerância um com o outro.
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Duo entrou na sala de leitura e não acreditou no que encontrou. Havia saído apenas por poucos minutos para pegar algo no quarto deixando Quatre e Hugh sozinhos, uma vez que estavam no momento tortura, como o amigo vampiro apelidara os momentos em que ele e Hugh tinham de ficar na mesma sala por uma hora, sem trocarem uma única palavra, mas apenas ficarem ali se aturando mutuamente. Cada um estava sentado em um dos sofás, distantes o suficiente um do outro; não tanto quanto desejavam, mas o quanto lhes era permitido, dado o tamanho da sala.
Havia achado que os dois ficariam quietos, mas ao ver a sala completamente bagunçada, o estado dos dois e dos móveis, que não haviam escapado certamente da fúria de Hugh; percebera tardiamente seu erro. Quatre possuía um considerável machucado em um dos braços. A camisa outrora branca, encontrava-se manchada pelo sangue do vampiro, que até o momento não fechara os ferimentos causados pelas garras de Hugh que se encontrava em sua forma primal, como Heero lhe dissera uma vez.
- Qual de vocês vai me contar o que houve?
Duo olhou para os dois, que continuavam a se encarar como se estivessem prontos a pular um na jugular do outro. O que não duvidava que pudesse acontecer se alguém não interviesse. Quatre mordeu o canto dos lábios, perfurando-o com uma de suas presas, procurando acalmar-se. Se o amigo humano não houvesse entrado, teria dado um jeito no cachorro crescido, mesmo sabendo que estava errado, uma vez que fôra ele quem provocara o Lycan com suas palavras. Ofendendo-o da melhor maneira possível. Há algum tempo havia aprendido como fazer Hugh perder a paciência.
Quando humano jamais pensaria, ou mesmo faria algo assim. Mas era quase impossível conter sua natureza, quando se tratava de atormentar o Lycan. Não conseguia tolerar a presença dele, mesmo que houvesse sido ordem de Heero. Cada vez que via Hugh, seu sangue fervia de raiva e repulsa. Era algo completamente irracional, mesmo Trowa havendo lhe dito que era algo natural a espécie, e que muitos poucos conseguiam ter certa tolerância aos Lycan´s.
Hugh sentia todos os pêlos de seu corpo eriçados, todo seu ser gritava para estripar o vampiro com cara de anjo; fatiando-o devagar, como se fosse um pedaço de carne. Não sabia como o outro havia descoberto sobre sua família, mas não permitiria que o mesmo ofendesse seu filho ou sua esposa. Eles chegariam em poucas horas, graças ao shuhan dos Khushrenada, e a única coisa que no momento, o impedia de partir para cima do vampiro era o humano que se colocara entre os dois, ao notar que ambos o ignoravam.
Duo colocou-se no meio dos dois, disposto a resolver o impasse antes que Heero retornasse da cidade. Não queria que o amante se aborrecesse e resolvesse cumprir com sua palavra, matando o Lycan e Quatre. Sabia que ele o faria se necessário, mesmo que isso fizesse sofrer não apenas a ele.
- Bem, ou vocês começam a falar ou a gente espera o Heero; e quero ver o que ambos vão dizer a ele.
Duo olhou para os dois procurando manter certa autoridade no olhar; entretanto ambos não pareciam temer a ameaça. Hugh foi o primeiro a se manifestar, retornando a sua forma humana e recuando, depois de alguns segundos. Duo sorriu e voltou seu olhar para Quatre que bufou, tratando de fechar o ferimento e se encaminhando para o sofá que fôra todo rasgado pelas garras do Lycan, quando o mesmo investira contra ele, quando dissera que a esposa do mesmo deveria ser uma cadelinha cega ou estar no cio para se envolver com ele.
- Eu... me descontrolei, sinto muito.
Duo olhou para Hugh que recolhia as coisas espalhadas pelo chão e tentava arrumar a sala. Olhou para o amigo, que parecia indiferente ao que havia acontecido, mas que também procurava arrumar a bagunça que haviam causado. Sabia que Quatre deveria ter dito algo de sério para provocar Hugh, a ponto de fazê-lo perder a cabeça. Sabia que o Lycan preferiria morrer a não cumprir as ordens de Heero. Voltou seu olhar para Quatre, procurando dirigir seus pensamentos ao amigo, certo de que ele o ouviria.
"Vai me contar ou vou ter que descobrir sozinho?"
Quatre voltou seu olhar para Duo vendo através dele o quanto o mesmo sentia-se magoado por ter traído confiança que depositara nele ao deixá-los sozinhos. Seu olhar desviou-se para Hugh e ele pode sentir sua natureza agitar-se em rebeldia. Contrariado, fechou os olhos procurando controlá-la, ao menos uma vez.
Duo não sabia se Quatre contaria, mas ao vê-lo olhar para ele e abaixar a cabeça arrependido, soube que obteria uma resposta:
"Eu... falei mal da mulher dele."
- Eu esperava tudo, menos isso. , a resposta que ouviu o deixou desconcertado, para não dizer triste
Quatre se assustou com o tom frio de Duo, mas não podia censurá-lo. Sabia e sentia o quanto o outro estava decepcionado com ele, para não dizer magoado.
Hugh olhou para o humano e o vampiro que se encaravam. Mesmo sabendo que o outro não merecia sua consideração, decidiu deixá-los a sós para conversarem, uma vez que sabia que os dois eram amigos.
Duo viu Hugh desaparecer, como sempre fazia e soube que estava sozinho com Quatre. Não tinha palavras para descrever o que sentia. Estava muito decepcionado com o loiro, jamais imaginara que o mesmo fosse capaz de algo tão feio.
- Estou decepcionado Quatre. Achei que vocês poderiam... que teriam... um mínimo de maturidade para ficarem sozinhos, apenas o tempo d'eu ir ao quarto e voltar. Ou pelo menos medo o suficiente para não desobedecer às ordens de Heero quanto a se atracarem por aí.
- Eu sei... não há desculpas para o que fiz.
- Não há mesmo. O que você espera que eu diga a Heero, quando ele vir o estado dos móveis? Que Mirla esteve aqui e lutamos com ela por nossas vidas? Ou conto a verdade? Que você não foi incapaz de ignorar, seja lá o que sente em relação a Hugh e partiu pra baixaria?
- Você pode dizer o que quiser Duo. Não quero que tenha problemas por minha causa.
Duo coçou o pescoço bufando, antes de caminhar até o amigo. Sabia que Quatre estava arrependido a sua maneira. Nunca deveria ter dito que Hugh era casado e tinha um filho, e que Heero estava tentando trazê-los de Londres, para que pudessem ter um momento juntos, antes da batalha decisiva. Havia achado que talvez, Quatre se sensibilizasse; mas se enganara. O amigo havia usado isso para magoar e ofender Hugh novamente.
- Você vai pedir desculpas a ele.
- O que?!!!
- Isso mesmo que você ouviu. Ou pede desculpas ou eu conto tudo pro Heero e pro Trowa, como se ele ainda não soubesse não é?, Garanto que ele está bem mais decepcionado com você do que eu. E duvido também que ele diga algo a Heero, apenas para te proteger.
Duo viu os olhos de Quatre avermelharem-se e a batalha interna que o mesmo travava quanto ao que acabara de ouvir. Sabia que Duo tinha razão. Podia sentir a decepção de Trowa. O mesmo havia, mesmo à distância; tentado impedí-lo, mas como sempre, o ignorara. Sua natureza lutava contra as palavras do amigo humano, mesmo sabendo que o que o mesmo pedia era o mais certo a se fazer. Duo sorriu e ficou feliz ao vê-lo menear a cabeça, mesmo estando aborrecido por ter que fazer isso.
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Há poucos dias tivera uma idéia e decidira pô-la em prática, antes que os dois se matassem ou acabassem ferindo alguém no processo. O que estivera a pouco de acontecer; quando havia decidido pegar as partituras no quarto e compartilhar sua idéia. Entretanto não tivera tempo para falar com os dois juntos, pois assim que terminaram de arrumar a sala, o que lhes tomara quase três horas, Heero chegara e como sempre Hugh desaparecêra, diante da presença de Heero, no mesmo momento Trowa puxara o amante para algum lugar, certamente para ter certa conversa, quanto às atitudes do loiro.
Conseguira encontrar Quatre por um acaso, quando o mesmo deixava o quarto; um tanto desanimado, para não dizer aborrecido. Então, antes que o loiro fugisse o puxara para seu quarto, aproveitando que Heero o deixara sozinho por alguns minutos. Explicara por alto o que desejava e agora olhava para Quatre com o melhor olhar de cachorrinho pidão que conseguia fazer. Sabia que essa era a única forma de conseguir atingir o coração morto do amigo.
Quatre bufou diante do olhar, desviando os olhos de Duo dizendo-lhe mentalmente que não cederia. Já não bastava ter que pedir desculpas a Hugh? E ainda tinha que fazer isso? Olhou novamente para o outro, sentindo-se amolecer, diante da tristeza fingida presente no olhar do amigo humano. Sabia que Duo ainda estava chateado pelo incidente ocorrido à tarde na sala de leitura. Além do quê; nunca fôra capaz de negar nada a ele, quando o mesmo o olhava dessa forma. Como se acabasse de se perder de seu dono e quisesse um canto seguro para ficar.
Duo viu Quatre desviar o olhar num sinal claro de que iria fraquejar, dando-lhe a certeza de que havia conseguido, precisava apenas de uma afirmação verbal.
- É um favor que você me faria Quatre.
Os olhos de Quatre ficaram ligeiramente avermelhados, antes que olhasse novamente para o amigo, bufando. Deu um aceno de cabeça em acordo. Não estava muito certo, mas não poderia se negar a ajudar Duo, ainda mais quando o mesmo fazia aquela expressão... de que você seria meu amigo se me ajudasse.
- Não prometo nada, além do quê, duvido que ele tenha inteligência suficiente...
- Quatre...
- Ok... ok... apenas diga quando e estarei lá.
Duo sorriu ao ver Quatre deixar seu quarto na mais completa expressão de aborrecimento e enfado. Não sabia ao certo se sua idéia daria certo, mas iria tentar a todo custo. Deixou-se cair na cama, imaginando o que Heero acharia de sua proposta. O amante estava ocupado com seus deveres e não haviam tido muitas oportunidades, ao longo do dia; para conversarem. Nos poucos instantes que tiveram na parte da tarde, haviam se amado; deixando qualquer outro assunto para depois. Mal podia esperar para vê-lo e contar-lhe as novidades.
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Meia-hora depois:
Quatre vagava pelos corredores do castelo atrás de Hugh. Pelo que Kimitsu havia dito, o Lycan estivera vasculhando os arredores do castelo, mas já havia retornado e se encontrava em seu quarto. Relutantemente, era para lá que se dirigia. O empregado havia dito que o mesmo deveria estar com a família que chegara a poucos instantes de Londres. Deveria ser por isso que o cachorro crescido não se encontrava junto a Duo, quando o mesmo o puxara para o quarto propondo-lhe tamanho absurdo.
A idéia proposta pelo amigo ainda martelava em sua mente. Não queria ter cedido tão facilmente, mas não havia como voltar atrás agora. Talvez fosse uma boa idéia no final, mesmo que sua natureza o estivesse incomodando. Trowa havia concordado mentalmente e estava disposto a fazer qualquer coisa pelo amante, mesmo que fosse se sujeitar a pedir desculpas ao Lycan ou fazer algo em sua companhia.
Quatre chegou à área onde os empregados que não eram vampiros dormiam, localizando rapidamente o quarto de Hugh; disposto a acabar logo, com seu martírio. Estalou o pescoço e bufou antes de bater na porta. Levou pouco mais de alguns segundos, antes que a porta fosse aberta, para revelar uma miniatura de Hugh, mas com olhos ligeiramente esverdeados.
- Onde está seu pai?
O menino recuou diante da voz fria e do olhar avermelhado. O loiro a sua frente era um deles, um vampiro. Antes que pudesse dizer algo, a porta foi escancarada e seu pai colocou-se a sua frente, empurrando-o ligeiramente para trás.
Hugh se encontrava no banheiro vestindo-se; após um banho relaxante, quando sentiu o cheiro dele. Sua raiva cresceu, ao ouvir o tom com que o vampiro se dirigira a sua cria. Não permitiria que o mesmo fosse até ali e maltratasse seu filho.
Quatre sorriu ironicamente, ao ver Hugh postar-se a frente do menino que deveria ser seu filho, pois mesmo pequeno possuía o mesmo cheiro desagradável do outro. Algumas palavras nada agradáveis começaram a dançar em seus lábios, mas se obrigou a ignorá-las. Recuou um pouco para o corredor, procurando não deixar que sua irritação falasse por ele.
- Vim pedir-lhe desculpas pelo que disse à tarde. Vou procurar não envolver outros em nossas discussões.
Hugh olhou surpreso para Quatre ao ouvi-lo dizer aquilo. Podia sentir sinceridade em suas palavras. Olhou para o filho, que se encontrava abraçado a sua perna e meneou a cabeça, vendo então Quatre virar-se e partir. Fechou a porta. Pegando o filho no colo, olhou para as partituras que Duo lhe entregara e pedira que estudasse. Há principio achou que a idéia do humano era totalmente sem propósito e inútil, mas agora, depois que o vampiro viera, a idéia não lhe parecia assim tão absurda.
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Sala de Leitura – 03:30hs :
Heero olhava atentamente a sala. Os móveis eram diferentes, tinha certeza disso. Algumas coisas pareciam fora de seu lugar habitual e tinha certeza absoluta de que a parede antes era de um tom mais claro de bege, embora não houvesse indícios de que a mesma fora pintada. Voltou seu olhar ao mensageiro que chegara há alguns minutos, atento ao recado que recebêra.
- Foi esse o recado que recebeu?
- Sim Shuhan, ele exige ouví-lo pessoalmente.
Heero meneou a cabeça ligeiramente, sendo deixado sozinho pelo outro vampiro. As noticias não eram nada agradáveis a seu ver. Faltavam poucas semanas para a realização da profecia e eles nem ao menos ainda a entendiam completamente e como se não bastassem tantos imprevistos, ainda teria que ir a Irlanda pessoalmente.
Nas últimas semanas, Relena havia aumentado as investidas, obrigando-o a evacuar a cidade, antes que os humanos que ainda insistiam em permanecer, perecessem pelas mãos dos caçadores. Alguns dos que estavam decididos a lutar haviam sido trazidos para o castelo. O restante que permaneceu na cidade, estavam no clube; junto com os vampiros que a guardavam. Mas boa parte havia partido, tendo sido acompanhados até os limites da cidade e embarcados em segurança para outro lugar.
Mas há três dias, tivera que aumentar o número de vampiros na cidade, a fim de manter seguro o perímetro ao redor do castelo e os poucos habitantes que ainda restavam; uma vez que pelo que sabia, os caçadores do clã Romefeller haviam chegado. Pelas informações enviadas pelos poucos batedores que conseguiram retornar da floresta, o número de caçadores ultrapassava suas expectativas, o que o levara a fazer novas alianças. E era por uma delas que teria de deixar o castelo na próxima noite. E como se não bastasse, a visita sorrateira de Mirla o preocupava. Ela havia aparecido do nada, pouco antes de chegar ao castelo. Na verdade, era como se ela o estivesse esperando.
O que ela lhe havia dito mentalmente, mesmo não fazendo sentido; o incomodara terrivelmente. Queria ter falado com Trowa, mas o outro parecia distraído e um tanto nervoso e sabia que Quatre estava envolvido. O vampiro loiro era o único atualmente capaz de provocar tal reação em seu amigo. Não queria nem imaginar o que Quatre havia aprontado dessa vez, mas pelos sentimentos que sentiu vir de Trowa quando estavam na cidade, a coisa deveria ter sido séria; pois por meros segundos, o olhos do amigo ficaram vermelhos e raivosos, para depois voltarem ao verde; carregados de certa decepção.
Treize entrou na sala, encontrando Heero a observar o criptar da lareira. O mensageiro enviado à Irlanda [1 havia chegado há poucas horas, com notícias nada agradáveis. Não esperava que ele houvesse se recusado a receber os vampiros em nome de Heero. Entretanto, deveria ter imaginado; dadas às circunstâncias atuais. O líder do clã Noventa apenas ouviria a Heero e não a seus mensageiros. Afinal, o general era um dos poucos que ainda viviam pelas regras dos poucos naturais ainda existentes.
Na verdade tinha que agradecer o fato do general querer ao menos conversar com Heero, mesmo o japonês não sendo um deles. Não eram todos os naturais que aceitavam falar diretamente com um renascido, expressão essa usada apenas pelos naturais para se referirem a todos aqueles que recebem o abraço de sangue e não são completamente puros.
Logo após passar a Heero a liderança do clã havia recebido uma carta de Noventa falando sobre seu desagrado ao saber que ele havia dado a um renascido a liderança do clã Khushrenada. Por isso não estranhara o fato dele não ter aparecido a "posse" de Heero; na verdade poucos foram os Shuhan que aceitaram seu convite.
Entretanto, aceitava e respeitava a opinião dos demais clãs; mas sabia que era a escolha mais certada dada a aproximação dos dias em que a profecia se cumpriria. Heero tinha um importante papel nela e sabia que os outros como ele entendiam isso, embora não aceitassem abertamente sua escolha. Agora, o simples fato de Noventa solicitar a presença de Heero, era um grande passo e se o mesmo aceitasse a aliança, em breve outros clãs se uniriam a eles.
Treize olhou para Heero, que havia se levantado do lugar em que ser encontrava. Sabia dos motivos que ele tinha ao relutar em partir, ainda mais com o tempo tão escasso; mas felizmente, ou infelizmente; as atuais circunstâncias obrigavam-no a fazer o que não desejava. O que no momento era deixar Duo.
- Está tudo pronto.
Heero voltou o olhar para Treize, meneando a cabeça ligeiramente. O antigo Shuhan havia se encarregado de preparar sua ida, assim que soube pelo mensageiro, que Noventa desejava sua presença. Suspirou cansado, antes de agradecê-lo, embora não desejasse partir.
- Obrigado Treize. Partirei amanhã à noite. Quero passar essa noite com Duo. Não tivemos muito tempo para conversarmos hoje. E ainda não contei a ele que tenho que viajar; dentre outras coisas.
- Entendo. Mandarei um telegrama avisando Noventa de sua chegada.
- Espero apenas que minha ida não seja em vão.
- Tenho certeza de que não será. O apoio de Noventa é fundamental no momento.
- Eu sei. Alguma notícia quanto ao restante dos integrantes do clã Maguanac?
- Segundo Auda, os últimos integrantes de seu clã acabaram que chegar. Soube também que a família de Hugh chegou há pouco.
Heero meneou a cabeça ligeiramente. Treize olhou para o rosto de Heero. Apesar da expressão inexpressiva de sempre, conhecia-o a tempo suficiente para saber que algo mais o preocupava. Além da viagem imprevista.
- O que lhe preocupa?
Heero deu um meio sorriso, diante da percepção de Treize de que algo mais o incomodava. Talvez o antigo Shuhan soubesse o significado do que Mirla lhe dissera.
- Mirla veio aqui. Na verdade, ela estava me esperando.
Treize olhou surpreso para Heero. Era estranho pensar que a criatura havia vindo até o castelo. Ao que parecia ela desejava falar com o vampiro de olhos azul cobalto e viera até ele. Pouco se importando se isso seria um risco a sua vida; ou não acreditando que eles fossem capazes de ferí-la.
- O que ela queria?
- Não sei exatamente, ela apenas disse que o solstício de inverno se aproxima.
- O solstício de inverno?!
Heero meneou a cabeça em acordo, imaginando o que isso significava realmente. O Necro não teria vindo ao castelo e dito isso sem nenhum propósito. Na noite em que ajudaram o humano chamado Zechs, ela havia lhe dito novamente que desejava vingança e também que os ajudaria a desvendar a profecia. Se ela lhe dissera que o solstício de inverno estava se aproximando, isso deveria ter alguma relação com a profecia.
- Acho que o fato do solstício de inverno estar se aproximando deve ter alguma relação com a profecia, mas não tenho certeza. Não tive a chance de pedir a Trowa que procurasse informações sobre isso.
- Você pode ter razão. Mirla descende de um clã que tinha ligação direta com magia. Não seria errado imaginar que determinados eventos naturais contribuam para determinadas magias.
Heero ponderou acêrca das palavras de Treize. Fazia sentido. Os conhecimentos de magia dos Necros eram conhecidos, temidos e contados em muitos livros antigos. Um dos lideres do Maguanac havia contado muitos relatos sobre o clã extinto. Suas magias, encantos e previsões. Ele havia conversado com Abdul, tentando encontrar alguma coisa que pudessem usar contra Mirla de forma eficiente, uma vez que sabiam que ela era muito forte.
O árabe não conseguira lembrar de nada que fosse letal contra o Necro, mas ficara de procurar em sua terra natal. Haviam humanos que tinham vastos conhecimentos. Talvez um deles soubesse de algo. Abdul havia mandado Muhammad e Madijah ao Paquistão há alguns dias a procura de um certo homem que diziam, conhecer profundamente a cultura dos Necros. Esperava apenas que eles retornassem com algo concreto antes de iniciada a batalha que decidiria o destino dos humanos e dos vampiros.
Heero olhou para o relógio sobre a lareira e levantou-se. Já era tarde e Duo deveria estar esperando-o no quarto. Deixaria esse assunto para quando retornasse.
- Acho que vou me recolher.
Treize meneou a cabeça em acordo, também iria recolher-se. Ele e Catherine não haviam tido muito tempo juntos e precisava compensá-la de alguma forma.
- Também foi me recolher. Tenha um bom descanso Heero.
- Igualmente Treize.
Treize acompanhou-o com o olhar, sentando-se na cadeira ocupada pelo vampiro a pouco. Seus olhos tornaram-se vermelhos ao acompanhar a dança das chamas. Não havia sido honesto com Heero. Conhecia em parte o significado da chegada do solstício de inverno, que aconteceria em pouco mais de vinte dias. O solstício combinava com a data em que elas nasceram há séculos atrás: Yami e Hikari e também com um outro evento que ocorrêra há muito mais tempo; séculos antes da humanidade ter conhecimento sobre sua espécie. Em breve, eles veriam a extinção completa da humanidade ou o início de uma nova era. Sinceramente desejava que fosse a última opção. Embora seus instintos lhe dissessem para se preparar para o pior.
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Duo sorriu ao sentir a presença de Heero aproximar-se do quarto e rapidamente acendeu as velas, retornando para a cama, sorrindo assim que viu o vampiro adentrar o quarto. Heero deu um meio sorriso diante da penumbra em que se encontrava mergulhado o aposento. Duo encontrava-se maravilhosamente deitado na cama, aguardando-o. Trancou a porta, aproximando-se do amante e tomando-lhe os lábios com fome, como se não o fizesse a muito tempo e lhe fosse imprescindível fazê-lo. Duo agarrou-se ao amante entregando-se ao ósculo com ardor, enquanto sua mente fazia um pedido ao amante, que se afastou rapidamente; diante do que ouvira.
Heero olhou para o amante, um tanto confuso, procurando analisar e ver sentido no pedido feito pelo humano, bem no meio do beijo. Esperava um pedido ardoroso de que o tomasse rapidamente, ou que o despisse, mas não isso. Em sua opinião era ilógico o que o humano lhe pedia, uma vez que se o atendesse, Duo ficaria impossibilitado de usar Yami por alguns dias. E no momento não era aconselhável que o mesmo não pudesse empunhar a espada destinada a ele. Então porque apenas dizer-lhe não e acabar com o assunto? Olhou para Duo, que mordia levemente os lábios, aguardando sua resposta. Sentia ímpetos de dizer-lhe não e mandá-lo esquecer tal loucura e voltar a beijá-lo como desejava, mas era quase impossível negar algo.
- Duo?!!
Duo inclinou-se para frente, tomando a mão fria do vampiro entre as suas, procurando reforçar seu pedido.
- Por favor Heero. Eu quero saber como é.
Heero olhou para a mão de Duo, que estava pressionando levemente a sua, antes de voltar o olhar para o amante, tentando fazê-lo mudar de idéia, embora soubesse que era algo quase que impossível, quando o humano cismava com alguma coisa.
- E não pode esperar até que chegue o momento, em que eu o abraçarei?
- Não seria a mesma coisa. Você vai beber todo o meu sangue antes de me dar o seu não é?
Duo olhou para Heero com o olhar mais pedinte que conseguiu. Ele queria saber como era tomar o sangue de Heero. Sentí-lo correr em seu corpo.
- Não sei se é uma boa idéia, beber sangue vampiro traz conseqüências e não estarei aqui caso aconteça algo.
- Hã?!
- Eu tenho que ir para a Irlanda. O líder do clã Noventa não aceitou falar com os mensageiros que mandei. Ele solicita minha presença e precisamos da ajuda dele para podermos deter Relena.
- Ah...
Duo não gostou do que ouviu, mas sabia que Heero não se ausentaria se não fosse necessário.
Sorriu acariciando o rosto do amante, procurando persuadi-lo a atendê-lo.
- Mais um motivo para que faça o que pedi.
Heero sacudiu a cabeça. Dar seu sangue a Duo não era tão simples quanto o mesmo imaginava e não estaria por perto, caso o amante sofresse sob a influência de seu sangue. E não se referia as mudanças drásticas de humor ou dor. Os efeitos de sangue vampiro em um corpo humano, não eram completamente conhecidos. Alguns reagiam de forma diferente a ele e muitos efeitos não eram imediatos, alguns levavam horas. Outros pouco mais de dois dias. Precisava dissuadi-lo dessa idéia.
- Você não poderá empunhar Yami durante o tempo em que meu sangue estiver em seu corpo, e se...
Duo cortou o amante rapidamente. Já havia pensado em tudo isso, mas não tinha a mínima intenção de voltar a atrás.
Heero viu o amante levantar-se e caminhar até a janela do quarto, olhando para a lua resplandecente no céu. Viu-o virar-se para si, sorrindo suavemente, como se assim pudesse convencê-lo. O que não estava nem um pouco longe da verdade.
- Eu sei disso, mas eu posso usar qualquer outra arma neste meio tempo. Além do quê, eu sei que você dará ordens a Hugh e a vários outros vampiros para ficarem de olho em mim, enquanto estiver fora. E duvido que eles se arriscariam a despertar sua ira ou contrariá-lo.
- A família de Hugh está aqui. Quero que ele tenha algum tempo com eles, então ele não ficará mais responsável por você por enquanto. Além do quê seria arriscado mesmo assim, algo...
- Por favor Hee.
Heero suspirou passando a mão pelos fios desordenados. Finalmente concordando com um menear de cabeça. Repentinamente seu corpo caiu sobre a cama, ao ser abraçado por Duo, que se jogara em seus braços ao vê-lo concordar.
Duo sentou-se em frente ao vampiro, sorrindo e aguardando em expectativa. Heero aproximou-se do amante lentamente, tocando-lhe o rosto suavemente. O fato de que nas próximas horas estaria deixando-o para trás aborreceu-o terrivelmente. Essa viagem não estava em seus planos, ainda mais nesse momento.
Não desejava deixá-lo, mas era inevitável sua ida a Irlanda. Precisava encontrar-se com o general Noventa, que segundo Treize; seria capaz de ajudá-lo contra Relena e Romefeller. Há alguns dias havia enviado William e Marco em seu nome, entretanto, os dois haviam retornado informando-o de que nem ao menos foram ouvidos e que somente obteriam ajuda se fosse pessoalmente pedí-la. Não pretendia ficar fora nem uma semana, ainda assim era como se estivesse partindo por muito mais tempo que isso. Heero procurou esquecer sua viagem e concentrou-se em Duo, informando-o sobre o que viria a acontecer.
- Você deverá sentir um gosto amargo, mas não sei dizer o quanto... em alguns segundos sentirá uma dor pungente por todo o corpo, que não deverá levar mais do que alguns minutos. Tem certeza de que quer fazer isso?
- Quero. Eu quero provar seu sangue Heero.
Heero circundou o corpo de Duo, posicionando-se atrás dele, abraçando-o pela cintura, enquanto seus lábios deslizavam suavemente pelo pescoço delgado do humano. Suas mãos viajaram pela cintura do outro, suavemente fazendo-o inclinar-se contra ele, de forma a tomar os lábios cheios dele entre os seus. Imperceptivelmente Heero passou a ponta de uma de suas presas em sua língua, abrindo um corte e permitindo que seu sangue saísse por ele.
Duo sentiu seu corpo queimar diante do beijo. As mãos de Heero deslizavam suavemente sobre seu abdômen e quadril, tranqüilizando-o. Sua língua tocou a de Heero, sentindo algo quente e amargo.
"Beba de meu sangue Duo."
Duo começou a sugar a língua de Heero, à medida em que o sangue fluía abundantemente. Sentiu o amargor em seus lábios e garganta e não imaginou que fosse tão forte; a ponto de embrulhar-lhe o estômago. Era muito pior do que qualquer coisa que pudesse imaginar. Nem mesmo se fosse fel seria tão amargo o gosto em seus lábios. Abriu os olhos, atordoado pelo sabor forte que queimava-lhe as entranhas, encontrando a íris escura de Heero a encará-lo. Procurou segurar-se no vampiro, à medida em que o gosto do sangue do mesmo penetrava em seus sentidos. Fechou os olhos com força, quando uma dor começou a alastrar-se por seu corpo, como se o rasgasse por dentro. Seus lábios foram abandonados e um grito escapou por eles, quando a dor sobrepujou seus sentidos.
- Aaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhh...
Em sua mente podia ouvir Heero, dizer-lhe que tudo ficaria bem, que a dor logo passaria, mas o amargor em seus lábios, parecia aumentar junto com a dor. Heero sentia a dor de Duo, mas havia sido escolha do humano. Tomar sangue vampiro não era algo agradável, ainda mais quando se é humano. Ficara surpreso pelo fato de Duo não o ter afastado ao sentir a primeira gota toca-lhe a língua. Não eram poucos os vampiros que davam seu sangue aos humanos de forma a escravizá-los, como também não era algo bonito de se ver. Quando Quatre tomou o sangue de Trowa a dor e o desconforto, foram minimizados pela inconsciência e debilidade física causadas por seus ferimentos na época. Mas Duo encontrava-se acordado e em plena capacidade física.
"Ficará tudo bem. Logo você não sentirá mais dor."
Duo procurou manter sua mente ligada às palavras de Heero e sentiu que a dor parecia amainar, no exato momento em que começou a sentir várias outras presenças no castelo. Heero viu Duo sorrir e ao vê-lo abrir os olhos vislumbrou um brilho avermelhado neles.
- Como se sente?
Duo fechou os olhos momentaneamente, pensando sobre como se sentia no momento. Todo o cansaço do dia havia desaparecido por completo. Era como se tudo houvesse evaporado. Sentia-se desperto e estranhamente quente por dentro. Como se fosse capaz de fazer qualquer coisa. Ou enfrentar qualquer inimigo. O medo que há poucos instantes assolava sua mente, pela proximidade do dia da realização da profecia, agora parecia nunca ter existido. Seria assim que Heero se sentia todo o tempo?
Heero acompanhava silenciosamente a reflexão de Duo quanto a como o mesmo se sentia com seu sangue vampiro percorrendo cada célula de seu corpo humano. Ele mesmo encontrava-se curioso em saber qual era a sensação dentro do humano. A mente de Duo encontrava-se clara, bem como o reflexo de seus pensamentos no belo rosto.
O fato de um humano não abraçado beber sangue vampiro, não acarretava grandes mudanças. Pelo menos não permanentes ou prejudiciais a curto prazo. Alguns adquiriam certa força física. Outros se tornavam depressivos, obsessivos e até mesmo dependentes do vampiro do qual beberam o sangue. Entretanto, tudo dependia da capacidade mental do respectivo humano e do sangue vampiro tomado.
Diferentemente do que muitos achavam, o sangue vampiro é diferente em cada individuo. Variando em seu sabor. Podendo tornar-se mais amargo de acordo com a força de seu doador. Vampiros de presença forte têm a tendência de possuir o sangue mais amargo e raramente dão seu sangue a humanos, de forma a não matá-los. O que certamente poderia ocorrer. Quando tal ato se fazia necessário, procuravam diluir o sangue em vinho, diminuindo assim seu sabor, sem alterar entretanto; sua eficácia ou força.
Não era uma prática comum entre vampiros desse tipo, entretanto vampiros cuja presença fosse fraca, utilizavam-se desse método de controle para com humanos. Mas ainda assim já haviam ouvido sobre casos em que humanos tornaram-se loucos durante o período, chamado por muitos, de controle. Na verdade o que ele temia era que Duo, devido à viagem, não conseguisse suportar sua ausência. Uma vez que eram amantes, os sentimentos de Duo seriam triplicados. Desejo, necessidade de estar perto, tudo. Heero voltou sua atenção ao humano ao ouví-lo responder-lhe.
- Eu me sinto bem. Revigorado, estranhamente desperto e...
- E?
Duo sorriu maliciosamente inclinando-se em direção a Heero, que também lhe sorria, ciente de como exatamente o humano se sentia, uma vez que os olhos ametistas não faziam à mínima questão de esconder.
- Excitado.
Heero inverteu suas posições rapidamente, deixando que suas mãos percorressem com familiaridade o corpo do amante, excitando-se ao ouvi-lo ofegar com suas caricias. Vendo os olhos violetas repletos de desejo e luxúria.
- Acho que posso resolver isso.
Heero tomou os lábios de Duo, sentindo-o corresponder prontamente. Podia sentir que o humano não era o mesmo de sempre. Seus pensamentos eram mais claros a ele, assim como os seus ao humano. Não existiam barreiras mentais entre os dois. Era como se fossem um só. Sabia que não era a primeira vez que compartilhavam tal sensação, entretanto; esta lhe parecia mais nítida agora.
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Algumas horas depois:
Heero abriu os olhos que havia fechado há pouco mais de alguns minutos. Podia sentir a inquietação de Duo, que se encontrava acomodado em seus braços. E mesmo que soubesse o que o afligia, desejava que o mesmo lhe dissesse seus temores, de forma a aliviá-los.
- O que foi amor?
- Nada.
- Nada?!. Eu posso ouvir seus pensamentos se chocando dentro de sua cabeça.
Duo sorriu suavemente, antes de contar ao vampiro o que de fato o incomodava.
- E que eu... queria estar com você.
- E você está Duo.
- Não completamente...
Heero abraçou o humano acariciando-lhe suavemente as costas. Ele também desejava que estivessem juntos completamente, mas ainda não era chegado o momento e não poderia precipitar-se apenas para saciar o desejo de ambos.
- Você estará em breve; não duvide disso.
- Eu sei, mas eu queria estar com você completamente.
Duo afundou o rosto no peito do amante, deixando que o mesmo o confortasse. Sabia que Heero desejava tanto quanto ele que pudessem estar juntos completamente. Serem um só na escuridão e não cada um vivendo a metade de um dia, sem a companhia um do outro. Heero se cansava por manter-se acordado boa parte do dia, apenas para fazer-lhe companhia e ele mesmo sentia-se esgotado cada vez que tinha que levantar cedo, após ficar a noite inteira acordado ao lado do vampiro. Se ele fosse como Heero e não mais humano, estariam juntos; partilhando a noite e dormindo pelas manhãs. Heero afastou-se um pouco de Duo, encarando-o com suavidade os olhos ametistas, partilhando de seus pensamentos, confirmando-lhe o que já era uma certeza.
- E estará quando for o momento certo, mas não agora. Sabe tão bem quanto eu que não posso, mesmo desejando ardentemente abraçá-lo neste momento.
- Eu sei.
- Eu entendo o que sente. Eu sinto o mesmo, por isso acredite não vai escapar de mim. O farei como eu, assim que nos casarmos.
- Vamos nos casar?
Heero deu um meio sorriso diante do tom debochado de Duo, apertando-o ainda mais contra si. Nunca haviam conversado sobre isso. Na verdade, ele nem mesmo fizera um pedido formal, apenas dissera que o tomaria por esposo, tão logo tudo terminasse, nem ao menos fazia idéia se Duo aceitava seus planos, acêrca do casamento.
- Vamos... tão logo tudo isso termine, o farei meu pela eternidade. Eu nunca lhe perguntei diretamente...
Duo olhou para Heero, vendo o que preenchia sua alma, e sorriu endireitando-se na cama. Ele já havia pensado sobre isso. Mesmo que Heero nunca o pedisse em casamento o aceitaria como marido. Por isso que não fizera objeção quando o mesmo simplesmente dissera que o tomaria por esposo; sem nem ao menos pedi-lo formalmente.
Heero segurou as mãos de Duo. Criando coragem, olhou nos olhos do amante, vendo-o sorrir como se o encorajasse a continuar.
- Eu... nunca... perguntei... se você...
- Que eu?
- Você... quer se casar comigo?
Duo sorriu balançando a cabeça suavemente. Sentia seu coração bater descompassado, incapacitando-o de falar qualquer coisa. Nunca imaginou que ouvir tal pedido o faria sentir-se tão pleno e aquecido por dentro.
Heero sorriu suavemente. Podia ver que o amante não conseguia, falar devido à emoção. Não precisava de palavras. Bastava ver nos olhos de Duo, o quanto ele desejava isso.
- Tem certeza? Porque se tiver alguma dúvida, sugiro que...
Duo jogou o corpo para frente, agarrando e beijando fortemente o vampiro. Não havia dúvidas em seu coração. Ele pertencia a Heero e sempre pertenceria. O desejo de ser como ele, era apenas para que pudessem estar juntos para sempre. Livre das cadeias de sua mortalidade
- Não tenho dúvidas. Não vai livrar-se de mim tão fácil. E se o fizer eu o mato. Pode ter certeza disso.
- Não se eu te matar primeiro.
Duo sorriu ao ter o pescoço levemente mordido pelo vampiro. Sim ele morreria pelas mãos de Heero, apenas para poder viver a eternidade a seu lado. Sangue para morte e renascimento. Um ciclo passado pela maioria dos vampiros. E que em breve ele também passaria.
- Em breve.
Duo aconchegou-se nos braços de Heero com um sorriso nos lábios; diante da afirmação de que estariam juntos na escuridão dos dias. Heero beijou o topo da cabeça do humano, olhando através da janela. Sua voz não passando de um sussurro perdido no ar; embora a certeza de suas palavras não pudesse ser contestada.
- Em breve.
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Na noite seguinte:
Duo acordou sentindo-se maravilhosamente confortado nos braços de Heero. Encontrou o olhar do amante sobre si e sorriu suavemente, tendo seus lábios tomados com ardor. Tinha poucas horas desde que haviam se amado, na verdade, quase não haviam deixado o quarto o dia todo. Permanecendo juntos na cama o máximo que puderam. Heero havia se ausentado apenas durante alguns minutos à tarde, segundo o vampiro; para providenciar sua "guarda pessoal" enquanto estivesse fora.
Seus pensamentos foram interrompido, ao sentir os lábios do amante, sugando-lhe sedutoramente os lábios, antes de deslizar suavemente pelo pescoço. Ele ofegou dentro dos lábios do vampiro, quando o mesmo retornou aos seus lábios, beijando-o como se desejasse sufocá-lo tirando-lhe o ar. Procurou sufocar suas lágrimas, mas ainda assim sua angústia transpareceu claramente ao amante.
Heero podia sentir a angústia de Duo crescer. Estava no momento de se separarem, algo que nenhum dos dois desejava fazer e ainda assim era imprescindível. Relutante deixou os lábios do humano, acariciando-lhe o rosto. A dor dançando em seus olhos mediante a separação.
- Eu tenho que ir.
- Eu sei. Eu vou me vestir.
- Não é necessário que se levante.
- Eu quero ir com você até a entrada do castelo e me despedir de você.
- Serão apenas alguns dias, não se preocupe. Mal vai notar minha ausência.
- Duvido... você nem foi e já sinto sua falta.
- Estarei de volta em breve, você vai ver.
Duo meneou a cabeça obrigando-se a levantar, mesmo que desejasse permanecer ali com o vampiro. Heero acompanhou-o com o olhar, sabendo o que o outro sentia. Ele mesmo desejava trancar-se no quarto com o humano e ignorar o mundo além daquelas paredes. Ainda sim o dever parecia falar ainda mais alto. Deixou a cama começando a se arrumar para a viagem, que seria longa e entediante. Em poucos minutos desceram juntos a escadaria do castelo. A maioria dos empregados encontrava-se dormindo, menos Kimitsu que se encontrava acordado e pronto para qualquer necessidade.
- Faça uma boa viagem senhor.
Heero meneou a cabeça diante do desejo de boa viagem do antigo empregado, apertando suavemente a mão de Duo, quando o mesmo tremeu diante do inevitável. Kimitsu havia providenciado que sua bagagem já se encontrasse em um dos carros e os vampiros que fariam sua proteção acompanhando-o a Irlanda, já se encontravam a postos do lado de fora do castelo, aguardando apenas a ordem para partir. Do lado de fora uma suave chuva caia, tornando a noite ainda mais fria para o início de inverno.
A entrada do castelo encontrava-se, um tanto quanto movimentada, dado o avançado das horas. Vários vampiros encontravam-se reunidos, a espera do Shuhan do clã dos Khushrenada. Entretanto, apenas alguns deles o acompanhariam até a Irlanda. Os outros haviam sido cuidadosamente escolhidos pessoalmente por Heero, para cuidar de Duo durante sua ausência. Ele não desejava sobrecarregar Hugh, uma vez que a família do mesmo chegara há pouco tempo. Desejava dar-lhes algum tempo a sós. Os lideres do clã Maguanac também se encontravam na entrada do castelo, em sinal de respeito a sua partida.
Duo olhou ao redor, vendo vários vampiros curvarem-se diante da presença de Heero e até mesmo a ele. Podia ouvir-lhes o pensamento claramente. O respeito deles para com Heero e por ele; por ser o companheiro do vampiro. Heero lhe havia dito que colocaria vampiros a sua disposição. Que eles o manteriam seguro. Que não seria responsabilidade única de Hugh selar pela sua segurança. Sabia que Quatre e Trowa cuidariam de sua segurança pessoal dentro do castelo. Era por esse motivo que os dois encontravam-se ali fora, no meio daquela chuva fria e triste. Heero havia lhe dito que conversara com os dois e os mesmos estariam responsáveis 24 hs por ele.
Duo sentiu o toque frio do amante em seu rosto e ambos perderam-se um no olhar do outro. Heero abraçou fortemente o humano, ignorando os olhares dos outros sobre eles. Tudo de que tinha ciência era do corpo de Duo em seus braços. Sem conseguir conter-se mais, esmagou os lábios do amante, como se esta fosse a última vez em que se veriam.
Duo ofegou, agarrando-se ao japonês; desejando ardentemente que o vampiro não tivesse realmente que ir. Podia sentir o sangue de Heero percorrendo seu corpo, deixando-o quente diante da proximidade com seu amante vampiro. As palavras deixaram seus lábios, antes mesmo que pudesse compreender o que dizia.
- Ez tze phzencrne, snze... pzles ethrzxvlhien. [2
Os olhos de Heero avermelharam-se diante das palavras ditas pelo humano, na língua antiga dos vampiros. O tom rouco, unido à submissão implícita nas palavras o aquecera, enchendo-o de possessividade. Duo ofegou, inclinando o pescoço retirando a longa trança e jogando-a por sobre o ombro direito.
- Me morda, para que eu carregue a sensação durante tua ausência.
- Duo...
- Que saibam que meu sangue e minha alma te pertencem.
Os vampiros ao redor ouviram o pedido do humano e abaixaram a cabeça em sinal de respeito ao Shuhan e seu companheiro humano. Heero olhou para os vampiros, vendo-os um a um abaixarem suas frontes em sinal de respeito. Suas presas cresceram e seus lábios desceram sobre o pescoço do humano, mordendo-o, perante todos. Quatre levantou a cabeça ligeiramente e ofegou ao ver o amigo sendo mordido por Heero. Ele viu Duo fechar os olhos e agarrar-se ao amante enquanto o mesmo sorvia o sangue quente de seu corpo. Ele sentiu o abraço de Trowa, amparando-o diante das emoções fortes que vinham dos dois. Não haviam dúvidas de que estavam destinados um ao outro. A conexão entre eles era ainda mais forte que a dele com Trowa. Por alguns segundos sentiu inveja deles, mas tal sentimento passou tão rapidamente quanto veio.
Duo sentiu suas forças falharem, quando Heero afastou-se dele. Seus olhos encontraram-se e Duo tomou-lhe os lábios frios e pálidos bebendo seu sangue da boca do outro. Seu corpo gritava pelo vampiro e por alguns segundos achou que sucumbiria a torrente de emoções que assaltavam sua mente. O sangue de Heero o tornava ainda mais fraco ao vampiro. O desejo por ele crescia a cada segundo que estavam juntos.
Heero podia sentir os sentimentos de Duo crescerem dentro dele, pois eles eram um reflexo do que ele mesmo sentia pelo humano.
Relutantemente afastou-se antes que não conseguisse partir. Virou-se, entrando num dos carros, sem voltar o olhar ao amante. Sabia que se o fizesse não partiria e no momento era seu dever encontrar o general Noventa. Duo abraçou-se, sentindo o frio assolar seu corpo. Sentiu braços ao redor dele e olhou para o amigo, ao ouví-lo pronunciar seu nome.
- Duo.
Ele levou a mão ao pescoço, sentindo o sangue escorrer pela mordida. Olhou para longe, vendo o carro que levava Heero partir, seguido por outros. Seu corpo tremeu quando levou o próprio sangue aos lábios. Afastou-se do abraço, caminhando de volta ao castelo, murmurando para si mesmo, deixando que o vento frio carregasse suas palavras cheias de melancolia.
- Eu estou bem.
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Heero fechou os olhos, tentando não se afogar na saudade que já preenchia seu peito. Olhou para Christine, William e Marcos que o acompanhavam no carro, mesmo tendo deixado algumas ordens na parte da tarde, não conseguia sentir-se tranqüilo. Uma das muitas ordens era que Quatre, substituiria Hugh, permanecendo vinte e quatro horas ao lado de Duo. Não desejava correr o risco que Mirla fizesse uma visita ao amante durante sua ausência. As palavras dela semanas atrás, não lhe saiam da cabeça. Havia compartilhado de seus pensamentos quando ela invadira a mente de Duo na floresta, quando eles foram ao resgate do humano chamado Zechs.
Ela dissera que procurava vingança e que o sangue de Duo era o meio para que ela alcançasse seu intento. Mirla havia tentado de alguma forma dominar a mente de Duo e sabia que se não estivesse por perto a criatura teria conseguido fazê-lo. O controle que ela parecia exercer sobre seu amante não era de modo algum estranho, na verdade estranho era o fato dela não tê-lo feito até o momento, parecia que ela estava jogando com eles. Ela poderia muito bem ter feito contato com Duo, quando ela fora ao castelo na noite passada, mas ao perguntar ao amante se ela tentara vê-lo, Duo negou.
Se ela desejava o sangue de Duo, ela poderia simplesmente tê-lo tomado completamente na primeira vez em que se encontraram, pois sabia que Relena e seus caçadores não seriam páreo para a criatura.
Mirla era sábia e muito mais forte que muito deles. O conhecimento de todo o seu clã a fazia ainda mais perigosa, para não dizer malévola. Ele tivera tempo para colher algumas poucas informações acêrca dos Necros e o que descobrira o surpreendera de certa forma. Ainda não compreendia como uma espécie tão poderosa, não apenas em força como em conhecimento, havia sido completamente dizimada pelos vampiros. Pelas informações que obtivera, os Necros haviam sido dizimados a mais de 5.000.000 anos. Sendo o clã dos necros tão antigo quanto à humanidade. Na verdade, muitos acreditam que eles são ainda mais antigos. Antes mesmo da existência do primeiro homem.
Nunca fôra uma pessoa que freqüentasse a igreja ou tivesse interesse sobre o céu e o inferno, mas se fosse verdade que os necros eram ainda mais antigos que o próprio homem e os vampiros, quem os criara? Teria Deus criado tal criatura e dado à ela tamanho poder e maldade? Não conseguia acreditar em tal coisa. Talvez apenas ela pudesse responder as suas dúvidas, embora não tivesse a menor intenção de debatê-las com ela. O que lhe interessava no momento era saber onde Duo se encaixava na vingança dela
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Em algum lugar da floresta:
Mirla sorriu diante do que via escrito nas estrelas. O shuhan dos Khushrenada estava deixando a cidade e mesmo que o vampiro houvesse cuidado para que o humano fosse protegido, o mesmo ficaria desprotegido sem a presença do jovem líder do clã dos Khushrenada. Ela poderia fazer-lhe uma visita naquela mesma noite se quisesse. O humano despertava-lhe um estranho sentimento de perversidade que lhe agradava. Ver o medo reluzindo naqueles olhos claros lhe era inebriante. O humano possuía verdadeiro pavor de sua presença; o que lhe causava excitamento. Poderia tê-lo destruído a muito, mas isso a impediria de obter sua vingança. O tempo de matá-lo chegaria, tudo que precisava era ter paciência e aguardar o desenrolar dos eventos.
O solstício de inverno estava se aproximando e se não ajudasse o Shuhan dos Khushrenada, Relena conseguiria seu intento, o que a impossibilitaria de alcançar sua vingança. Mesmo que ajudar um vampiro a desagradasse, era vital fazê-lo. Iria esperar o vampiro Heero Yuy retornar de sua viagem. Sabia que as engrenagens do destino estavam conspirando para ajudá-lo e ele retornaria brevemente para o lado do humano.
Mirla voltou seu olhar para Mackaczi, que a observava a distância. Ele era forte, inteligente, mas não prendia sua atenção, da mesma forma que o Shuhan do ichizoku dos Khushrenada. Podia ver o desejo do saber nos olhos azul cobalto do vampiro, assim como podia sentir a força escondida em seu olhar frio. Ele era um ser a ser temido, como também respeitado; mesmo que fossem inimigos o admirava, por sua natureza selvagem. Ele era capaz de controlar sua fome por sangue e seu desejo pela carnificina como ninguém. Mas se ele desse vazão a sua verdadeira natureza, seria magnífico em sua crueldade.
Sabia que havia sido isso que Relena vira nele quando o mesmo ainda era humano. Fôra a beleza. A natureza dele era perfeitamente visível a quem se atrevesse a encarar seus olhos e enxergar sua alma. Talvez fosse uma boa idéia visitar seu amante. Sabia que isso o faria ficar ainda mais raivoso e de certa forma isso fazia parte de seus planos. Deixou que sua presença se unisse a escuridão ao redor e desapareceu nas sombras sob o olhar de Mackaczi, que estreitou os olhos ao perceber que a criatura escapara de sua percepção.
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Aeroporto de Pecantus – 25km da cidade de Epyon
Heero desceu do carro acompanhado por Marco e William. Pegariam um dos Learjet do clã até a Irlanda, parando apenas em Eire para reabastecerem. Alguns vampiros subiram na frente, para verificarem a segurança, enquanto Christine lhe fazia companhia, atenta a qualquer coisa suspeita. Passaram-se alguns segundos antes que pudesse subir.
Sentou-se em uma das poltronas junto à janela, com Christine a sua frente e William e Marcos a suas costas, deixando a poltrona ao seu lado vaga. Estavam apenas aguardando que os demais se encarregassem de colocar as bagagens dentro do avião, enquanto aguardavam a autorização para deixar a pista. Passaram-se aproximadamente trinta minutos, até que obtivessem autorização da torre para decolar. Olhou para a poltrona vaga, desejando que Duo estivesse com ele e não os quinze vampiros que o acompanhavam.
Fechou os olhos, procurando descansar um pouco. A viagem seria longa e de nada adiantaria ficar pensando no amante, se não poderia tocá-lo e sentir-lhe o cheiro tão cedo. Colocou a mão no bolso do sobretudo que vestia, sentindo algo frio tocar-lhe a ponta dos dedos. Retirou o objeto, vendo a cruz de Duo. Não tinha o costume de usá-la, deixando-a geralmente dentro da gaveta na cômoda do quarto. Sorriu ternamente ao imaginar quando o amante a havia posto em seu sobretudo. Abriu a pequena corrente colocando-a ao redor do pescoço e fechando-a. Deixou que cruz o acalmasse, voltando a fechar os olhos e pensar no amante humano.
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Castelo dos Khushrenada – algumas horas depois:
Duo revirou-se na cama, abrindo os olhos. Sentou-se desanimado por não conseguir dormir. Quando Heero partira, acabara retornando para o leito, ficando ali sozinho, agarrado ao travesseiro do japonês, usando-o para sufocar seu pranto. Não era como se o vampiro nunca mais fosse voltar, mas não conseguia controlar suas emoções. A necessidade que sentia de Heero era sufocante, seria esse um dos efeitos de que o amante falara? Quatre havia vindo e ficado com ele durante algumas horas, até que Trowa viera buscá-lo, senão certamente o loiro insistiria em passar a noite ali.
Hugh também viera com a família, saber se precisava de algo, mas dissera ao mesmo que não deveria se preocupar com ele, mas com a própria família, aproveitando o pouco tempo que tinham, antes que outra batalha acontecesse. Ele sorriu ao vê-lo torcer o nariz, quando dissera que Quatre já estivera ali, e qualquer coisa o chamaria. Ficara encantado com o menino, quase uma copia fiel de Hugh. A esposa era uma mulher bonita e muito simpática. Longos cabelos castanhos claros e olhos verdes acinzentados. Pelo que parecia, ela era humana e não um Lycan. O que era estranho, uma vez que Heero lhe havia dito que Lycan´s não se misturavam há outras espécies, mas ao que parecia isso não significava nada, quando o amor resolvia por em prática seus dons.
Duo sentiu uma estranha sensação engolfá-lo. Ela lhe era conhecida, apesar de não conseguir distinguir o que era. Algo o fez olhar para a janela e seus olhos imediatamente se encheram de terrível pavor.
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Quatre sentia uma sensação estranha. Era como se algo estivesse para acontecer ou já estivesse acontecendo. Imagens estranhas e desconexas invadiam sua mente, mas não conseguia assimilá-las de forma, a saber, o que elas significavam realmente. Sabia que eram imagens de um futuro próximo, mas ao mesmo tempo, elas não eram iguais às visões que já tivera. Era como se algo interferisse em sua percepção. Apertou o peito diante do desconforto, ciente de onde ele vinha. Sua mente gritou pelo amante, no mesmo instante que um pedido de socorro ecoou em sua mente repentinamente e desapareceu. Sem pensar dirigiu–se rapidamente ao quarto vizinho, onde Duo estava e infelizmente pelo que sentia não estava sozinho.
Duo lutou contra o controle da criatura, mas ela era muito mais forte. Mesmo que o sangue de Heero percorre-se seu corpo, não possuía controle sobre o mesmo, aliado ao fato de que sempre sentira verdadeiro pavor por Mirla. Sabia que ela conhecia seu medo, podia ouvi-la rir em sua mente, dizendo que não havia ido ali para matá-lo, mas apenas para se divertir um pouco com o medo dele.
Segundo ela, seu medo a alimentava muito mais que as carnes putrefadas dos corpos dispensados por Relena. Havia perdido novamente o controle sobre seu corpo, mas sua mente de alguma forma se recusava a sucumbir, embora sentisse que era apenas questão de segundos. Procurou ignorar as palavras de terror de Mirla e chamou por Quatre o mais forte que conseguira antes que tudo não passasse de inconsciência.
Mirla sorriu ao sentir o esforço do humano ao pedir por ajuda. Podia sentir uma certa força emanando dele e imaginava se o vampiro que era seu amante havia lhe dado seu sangue. Ouviu-o chamar por um nome e riu mediante o esforço inútil do humano. Ninguém seria capaz de passar pela barreira que bloqueava a entrada do quarto. Apenas alguém com um poder mental forte, poderia fazê-lo e não havia ninguém no castelo com tanto poder assim. Talvez apenas o Shuhan dos Khushrenada fosse capaz, mas o mesmo não se encontrava presente no momento. Ela olhou para o corpo do humano, imaginando que coisas terríveis poderia fazer para que tivesse terríveis pesadelos, e deixasse Heero aborrecido o suficiente para que o mesmo ousasse desafia-la.
Ela olhou para a porta, sentindo um imenso poder mental. Olhou deslumbrada, quando um vampiro de aparência angelical atravessou sua barreira sem dificuldades ou danos, além de alguns cortes nos braços e rosto.
Quatre viu Duo estirado na cama e a criatura próxima demais para seu gosto. Sua voz soou fria até mesmo para seus ouvidos:
- Afaste-se dele.
Mirla sorriu suavemente diante da ameaça do vampiro loiro. Os olhos dele reluziam como dois rubis, mas ele não seria uma ameaça para a força dela. Ergueu a mão para tocar o humano e mal notou o que a lançara contra a parede, até ver que o vampiro se encontrava agora, junto ao corpo inconsciente do humano. Seus olhos reluziram perigosamente de raiva, ao constatar que fôra o vampiro que a enfrentara. Usou sua mente para sobrepujar o vampiro, não preparada para encontrar uma forte resistência. Seus olhos arregalaram-se em deleite ao perceber que o vampiro a sua frente era um psíquico, e um dos mais fortes, apesar de jovem.
Quatre tocou o rosto de Duo suavemente, procurando falar com ele, assegurando-o de sua presença ali.
"Eu estou aqui Duo, ela não fará mal a você. Eu prometo."
Ela sorriu ao notar que ele nem ao menos deveria fazer idéia do quão era forte. Pelo que se lembrava o vampiro loiro havia sido abraçado há pouco mais de alguns meses e não deveria ainda ter controle e conhecimento total quanto a suas habilidades. Ela forçou a resistência e sorriu, ao ser novamente jogada contra a parede dessa vez do outro lado do quarto. Seu sangue começou a escorrer por seu ouvido, devido ao esforço mental para tentar invadir a mente dele. Ela estava certa. Ele a havia atacado com sua mente ainda não treinada. Uma gargalhada escapou de sua garganta diante do desafio que o mesmo seria quando aprendesse a usar suas habilidades.
Quatre levantou-se, sentindo a raiva tomar o controle de sua mente diante do sarcasmo do Necro e sua risada. Podia ouvir Trowa tentar arrombar a porta, mas sabia que o Necro impedia a entrada dos outros com seus poderes. Encontrara a barreira ao tocar a porta. Não parecia ser algo físico ou mágico, ainda assim era firme o suficiente para manter qualquer um fora do quarto. Havia conseguido entrar sem saber ao certo como o fizera. Apenas fechara os olhos, tentando ver a barreira e transpassá-la. À medida que girava a maçaneta, podia sentir; como se facas afiadas, passarem por seu corpo, cortando-o.
Entretanto não permitiria que isso o impedisse de chegar a Duo. Assim que entrou, a porta foi novamente selada e a primeira coisa que viu foi o Necro e não tivera dúvidas em atacá-la ao vê-la junto ao corpo de Duo, inconsciente sobre a cama. Ouvira o chamado mental dele enquanto aguardava o retorno de Trowa que estava verificando a segurança ao redor do castelo. O amante havia sido informado que Makoto e os outros haviam visto algo suspeito. Estava apenas aguardando seu retorno para dar uma ultima olhada em Duo, antes de se recolher, quando Duo chamou por ajuda. Não pensou duas vezes antes de ir até ele. Afinal era sua responsabilidade cuidar dele e mantê-lo a salvo, enquanto Heero não retornasse. Não importava o que acontecesse, manteria sua palavra perante Heero, protegendo Duo; mesmo que lhe custasse sua vida.
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Não sabia à quanto tempo estavam assim, mas sua cabeça doía terrivelmente por estar indo contra a criatura e a única coisa que o impedia de sucumbir era a certeza de que se falhasse Duo estaria à mercê de Mirla. Morreria antes que permitisse que algo de ruim acontecesse ao amigo. Procurou forçar sua mente a sustentar a barreira e resistir ao ataque. Se Trowa estivesse com ele sabia que conseguiria resistir, mas já a algum tempo que não conseguia sentir o amante, ou qualquer outra coisa que não fosse o Necro, tentando sobrepujar sua mente. Era como se estivessem longe do castelo, ou de qualquer outra coisa viva.
Mirla sabia que não conseguiria sobrepujar a mente do jovem vampiro. Ele era persistente, além de forte e não desistiria a menos que morresse. Poderia fazê-lo se desejasse, mas desejava saber até onde iam as habilidades mentais dele. Era a primeira vez que se encontrava com um vampiro dessa magnitude e o desafio de enfrentá-lo novamente a deixava excitada. Levantou-se. Caminhando até a janela, olhou para o loiro que sabia chamar-se Quatre.
Quatre viu a criatura levantar-se e caminhar na direção da janela, por onde certamente ela deveria ter entrado. O Necro virou-se para ele sorrindo, enquanto passava a língua sobre os lábios pálidos, como se deliciasse alguma coisa. Ela deixou que sua voz soasse irônica e maldosa, deliciando-se com o efeito que suas palavras causaram no vampiro loiro, que estava prestes a sucumbir.
- Você será um oponente poderoso quando aprender sobre suas habilidades.
Quatre estreitou os olhos diante das palavras dela, forçando sua mente a manter resistência quanto à invasão em sua mente. Sabendo que não suportaria manter a barreira mental contra ela, por muito mais tempo. Se sucumbisse teria sua mente completamente destruída por ela.
- Até lá; eu o deixarei viver.
Mal terminou de ouvir suas palavras e sentiu como se um peso enorme houve sido retirado de sua cabeça. Seu corpo ficou leve e mal conseguiu sustentar-se diante da repentina sensação de alívio que o assaltou ao não mais sentir a presença de Mirla em sua cabeça. Olhou para Duo, desfalecendo logo em seguida, certo de que o amigo estava seguro.
Trowa entrou no quarto assim que a barreira se desfez. O quarto encontrava-se escuro, com Quatre caído no chão e Duo inconsciente na cama, ele deixou que Adrian verificasse se Duo estava bem, enquanto ele ia até o amante. A mente de Quatre parecia vazia, mas ele sabia que sua consciência estava ali. Olhou para o vampiro de cabelos castanhos, querendo saber sobre Duo. Heero havia mandado que ele permanecesse no castelo, deixando outro como responsável pela segurança da cidade.
- Ele está bem, apenas inconsciente. O que será que aconteceu aqui?
Trowa olhou para o amante abraçando o corpo inerte e olhando através da janela, observando a lua pálida por alguns segundos antes de responder.
- Eu também gostaria de saber.
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Na manhã seguinte:
Duo acordou sentindo a cabeça doída, mal se lembrava do que acontecêra na noite anterior. Tinha a ligeira lembrança que Heero havia partido para a Irlanda, para encontrar-se com o shuhan do clã Noventa, depois que ele partira retornara ao quarto e tentara dormir um pouco, mas depois disso tudo parecia um borrão. Era como se sua mente houvesse bloqueado os fatos ocorridos logo após a saída de Quatre de seu quarto. Tentou levantar-se mais uma mão gentilmente o impediu. Olhou para o lado, vendo a esposa de Hugh sentada na beirada da cama.
- Como se sente?
- Terrivelmente cansado. O que houve?
A porta abriu-se e Hugh entrou, sorrindo ao ver o humano desperto. Estava vindo do quarto de Quatre, certo de que o humano gostaria de saber como o amigo estava depois de enfrentar o Necro. Ficara surpreso ao saber que o vampiro loiro, havia resistido à criatura, embora isso não fosse tão surpreendente dado a força mental que o mesmo possuía. Hugh beijou suavemente a esposa no rosto, permanecendo de pé. Ele olhou dentro dos olhos do humano, sentindo a força do Shuhan dos Khushrenada correndo por dentro do corpo frágil.
- O Necro veio a seu quarto ontem à noite.
- Mirla?
O corpo de Duo tremeu ao pronunciar o nome dela, as imagens da noite anterior voltaram com força a sua mente, lembrava-se da presença dela, suas palavras horripilantes e que gritara o nome de Quatre, pedindo ajuda. Hugh podia ver o medo nos olhos ametista. Sabia que ele se lembrara do que ocorrêra, embora soubesse que ignorava o fato de que Quatre quase morrera ao enfrentar o Necro.
- O que houve depois? Eu sei que desmaiei... ela... fez algo?
- Quatre a enfrentou.
- Quatre?
Hugh balançou a cabeça concordando, inconscientemente seus olhos se voltaram para a parede, precisamente na direção do quarto do vampiro loiro. Pelo que sabia Quatre ainda não havia recobrado a consciência, embora Barton lhe houvesse dito que o mesmo estava bem, apenas muito cansado pelo confronto. Afinal era a primeira vez que o vampiro com cara de anjo, enfrentava uma criatura com um poder mental tão forte. Duo notou que o olhar de Hugh voltou-se para o quarto de Trowa e Quatre e temia que algo terrível houvesse acontecido ao amigo.
- Ele está bem?
- Ainda está inconsciente, mas Barton afirma que ele está bem. Quatre conseguiu quebrar a barreira que o Necro criou para impedir que entrássemos em seu quarto. Ele a enfrentou por mais de três horas. Mas não sabemos exatamente o que houve com vocês. Quando conseguimos entrar, ambos estavam desmaiados.
Duo cobriu os olhos com um dos braços, tentando lembrar-se do que poderia ter acontecido a eles. Uma lembrança vaga, de Quatre falando com ele, preencheu-lhe a mente. Sim ele se lembrava, mesmo em sua inconsciência de que Quatre falara com ele mentalmente. Ele deixou que uma lágrima escapasse por seus olhos, imaginando o risco que seu amigo enfrentara para mantê-lo a salvo.
- Senhor?
Hugh viu lágrimas percorrerem o rosto humano, antes que o mesmo afastasse o braço e se sentasse na cama, com o semblante triste.
- Ele quase morreu por minha causa. Ele teria dado a sua vida, para que ela não me fizesse mal. Eu não fui forte o suficiente para resistir por causa do meu medo. E Quatre quase morreu.
- Ele é seu amigo e tenho certeza de que ele nem ao menos cogitou a idéia de não protegê-lo. Não por ordem do Shuhan, mas porque era a vontade dele fazê-lo.
Duo olhou para Hugh e sorriu. Era verdade. Ele mesmo daria sua vida por Quatre caso fosse necessário, eles se conheciam há muito tempo, eram quase como irmãos. A ligação deles era ainda mais profunda que com Wufei. Quatre havia sido seu primeiro amigo verdadeiro. Ainda se lembrava de seu primeiro dia de aula, quando começara a estudar na escola da cidade vizinha, graças a bolsa de estudos que seu tio havia conseguido para ele.
Ele era o garoto novo numa escola, onde poucos podiam estudar, apenas os privilegiados. Filhos de políticos importantes e dos ricos da cidade. E ele não passava de um órfão, que vivia com um padre e uma freira na igreja da cidade vizinha. Por isso, todos implicavam com ele; tanto por sua aparência, pois mesmo sendo ainda muito novo, seus olhos chamavam atenção, bem como por suas roupas simples, bem diferente dos demais alunos do St. Gabriel. Apesar disso Quatre veio até ele, quando todos o ignoravam, procurando manter-se longe do garoto pobre ou rato de rua como o chamavam.
- Quatre foi meu primeiro amigo. Quando eu vim para Epyon, morar com tio Maxwell, eu tinha mais ou menos três anos. Ele havia sido transferido para cá e eu vim com ele. Eu... nunca tinha estudado em uma escola com outras crianças. Tio Maxwell foi quem me ensinou a ler e escrever nas escrituras, embora eu não fosse muito aplicado. A irmã Hellen era a responsável pela igreja, ate que meu tio assumiu. Foi ela quem me fez realmente querer aprender para ser alguém na vida.
Hugh sentou-se ao lado da esposa, ouvindo o humano contar como ele e vampiro loiro haviam tornado-se amigos. Podia sentir em cada uma de suas palavras o carinho que o mesmo sentia por Quatre. Ele nunca tivera alguém que pudesse chamar de amigo, alguém com quem contar, que não tivesse medo dele, por causa do que ele era. Um Lycan. Sophie tomou a mão do marido, sorrindo para ele, sabia como o marido deveria estar se sentindo ao ouvir o jovem falar da amizade dele com o vampiro chamado Quatre.
Pelo que Hugh havia contado, o vampiro e seu marido, eram quase como inimigos, devido a antipatia que o vampiro sentia por ele, desde o primeiro encontro dos dois. Sabia do sentimento de intolerância e repulsa dos vampiros pelos Lycan´s e vice-versa. Não conseguia entender o motivo e Hugh também nunca explicara exatamente como surgiu esse sentimento entre as duas espécies, uma vez que eles já haviam sido os guardiões dos vampiros, séculos atrás. Ela voltou seu olhar ao humano quando o mesmo parou de falar. Tomou a liberdade de sentar-se próximo a ele e tomá-lo em seus braços, deixando que o mesmo chorasse.
Ela sabia o que era perder alguém. Se não fosse por Hugh ela estaria sozinha ou até mesmo morta. Se ele não a houvesse protegido há muito tempo atrás e mesmo que a aparência normal dele a houvesse assustado a princípio, acabara por se apaixonar por ele e ficara feliz ao descobrir que era retribuída em tal sentimento.
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Aeroporto de Eire – Doze horas após a partida da cidade de Epyon:
Heero olhou para o relógio. Faltavam ainda oito horas para chegarem a Irlanda. Estavam reabastecendo o jato para que pudessem continuar a viagem. Estalou os músculos do pescoço. Sentia-se cansado. A viagem havia sido massacrante, para não dizer angustiante. Sentia que algo havia acontecido ao amante, mas não conseguia saber o quê. Sabia que se algo grave houvesse ocorrido Treize já teria entrado em contato. Ainda assim, não conseguia deixar de pensar que algo havia acontecido a Duo. Ainda faltavam trinta minutos, antes que pudessem decolar. A sala de espera parecia-lhe sufocante demais para que permanecesse ali por mais tempo. Levantou-se, fazendo um gesto com as mãos, indicando que Marcos e William ficassem. Desejava um tempo a sós.
Os irmãos se levantaram no mesmo instante que o Shuhan. Dispostos a segui-lo aonde fosse, mas quando o mesmo indicara que ficassem, voltaram a se sentar, vendo-o sair pela porta da aérea vip onde se encontravam.
Heero caminhou pelo corredor, seguindo em direção ao saguão. Pegando o celular em seu bolso, discando para Trowa no castelo, disposto a saber se estava tudo bem e livrar-se da angústia que preenchia seu peito. A ligação foi atendida apenas no quinto toque.
- Trowa o que houve?
Trowa deu um sorriso cansado ao ouvir a pergunta de Heero. Ficara em dúvida se deveria atender ou não, mas sabia que se não atendesse o amigo continuaria a ligar até conseguir falar com ele. Tocou a face pálida do amante, caminhando até a janela, para que sua conversa com Heero não perturbasse Quatre. Sabia que não adiantava mentir e havia prometido nunca mais esconder nada que envolvesse Duo, pois tinha certeza de que o outro já deveria imaginar que algo havia acontecido ou ele não teria feito tal pergunta, antes mesmo de qualquer outro cumprimento.
- Mirla esteve aqui ontem a noite.
Os olhos de Heero avermelharam-se no mesmo instante. Deveria ter imaginado que aquela criatura traiçoeira aproveitaria sua ausência para procurar Duo e atormentá-lo. Suas unhas perfuraram a palma de sua mão direita e ele procurou acalmar-se, antes que perdesse o controle sobre sua natureza.
Trowa podia sentir a raiva de Heero através de seu silêncio. Ele mesmo ficara descontrolado por não ter podido ajudar Quatre quando o mesmo estava frente ao Necro. Tudo o que ele pudera fazer foi investir inutilmente contra a maldita porta que o separava do amante. Nem mesmo as garras de Hugh havia causado algum dano a porta de madeira. Ele voltou seus olhos para Quatre, que continuava imóvel sobre a cama. Nem uma única reação desde que o encontrara desmaiado junto a Duo e ainda assim sabia que o amante estava bem, mesmo depois do que acontecêra.
- Duo está bem, não se preocupe Heero.
Heero deixou que sua mente relaxasse ao ouvir isso. Sabia que Trowa não mentiria para ele. Ainda assim sabia que algo estava errado. O amigo parecia atormentado. Conhecia-o suficiente para saber que algo o incomodava e sabia que Quatre deveria estar envolvido. O loiro havia jurado proteger Duo durante sua ausência. Ainda se lembrava de suas palavras quanto pedira a ele e a Trowa que se responsabilizassem pela segurança de Duo.
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Heero estava na sala de armas, aguardando a presença de Quatre e Trowa. Havia deixado Duo dormindo e mentalmente havia pedido a presença dos dois ali, mesmo com o avançado das horas. Mas era que a família de Hugh havia chegado a pouco e não queria que o mesmo perdesse momentos valiosos, apenas porque ele era o guardião pessoal de Duo. A porta abriu-se revelando a presença dos dois, que se aproximaram. Eles estranharam o chamado àquela hora da madrugada, mas de forma alguma faltariam a ele.
- Vocês devem saber que partirei para a Irlanda em poucas horas.
- Sabemos Heero.
Heero voltou seu olhar especialmente para Quatre, que imaginava ligeiramente o motivo do outro os ter convocado tão tarde.
- Eu quero pedir que cuidem pessoalmente da segurança de Duo durante minha ausência. Eu já comuniquei Hugh essa tarde, que ele está dispensado de ficar ao lado de Duo durante todo o tempo.
- O faremos com prazer Heero.
Heero meneou a cabeça ligeiramente, surpreendendo-se por Quatre ajoelhar-se a sua frente. Mas as palavras dele o fizeram sentir-se tranqüilo, sabendo que o loiro jamais faltaria para com sua palavra.
- Duo está seguro. Eu prometo pela minha vida. Nenhum mal acontecerá a ele.
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- O que houve com Quatre?
Trowa levou algum tempo, antes de responder. Fechou os olhos, procurando sufocar a dor da incerteza.
- Ele enfrentou o Necro, sozinho; por quase três horas. Não sabemos o que houve exatamente, mas o encontramos junto a Duo, desmaiado. Duo está bem. A esposa de Hugh e ele estão com ele no momento, mas Quatre ainda não recobrou a consciência.
Heero ficou em silêncio, imaginando como o amigo deveria estar se sentindo. Se ele estava dessa forma, era porque Quatre; ainda não havia feito contato mental com Trowa, o que poderia significar muitas coisas. Dentre elas que Mirla havia destruído a mente do loiro. Mas se isso fosse verdade, Trowa também teria sido atingido; uma vez que a ligação deles era forte e compartilhavam seus pensamentos e dores. A menos que o Necro houve quebrado tal elo entre eles, durante o confronto; então a mente de Trowa teria sido poupada. Mas não acreditava que fosse esse o caso. Sentia-se culpado por isso, mas sabia que mesmo que não houvesse feito o pedido a Quatre e Trowa o loiro protegeria Duo, mesmo que lhe custasse a vida.
- Tenho certeza de que ele está bem Trowa. Quatre é forte, você sabe disso. Ele irá acordar em breve. Ainda não conhecemos as habilidades de Quatre, mas tenho certeza de que se ele resistiu a ela, é porque pode enfrentá-la. Como supomos antes, Quatre é um psíquico, e por ter conseguido enfrentar Mirla por tanto tempo, indica o quanto é bastante forte. Deveria se orgulhar dele.
- E me orgulho, mas...
- Eu entendo meu amigo, mas Quatre ficara bem, você verá.
- Obrigado Heero, acho que precisava ouvir isso.
- De nada meu amigo. Eu tenho que ir, mas ligarei em breve.
Heero desligou o celular pensando em tudo o que aconteceu. Quando seus olhos voltaram-se para a vitrine próxima, caminhou até ela, imaginando se deveria realmente fazer o que vinha martelando em sua mente já há alguns dias. Estava prestes a desistir quando uma moça sorridente veio atendê-lo, o fazendo decidir-se afinal.
- Posso ajudá-lo senhor?
- Creio que sim.
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Alguns minutos depois:
Heero deixou a loja acompanhado por Marco e William, que vieram a sua procura, informando-o de que estava na hora de ir. Ele teria de passar novamente por ali, quando estivesse retornando a Epyon, então pegaria o que havia comprado. Sua mente voltou-se novamente aos acontecimentos ocorridos em sua ausência. Sabia que Quatre ficaria bem, já havia conversado com Auda sobre as habilidades do loiro e ambos concordavam que o jovem árabe possuía as habilidades de um psíquico.
Era raro encontrar um deles atualmente. A maioria enlouquecia ou se tornava recluso. O que dificultava saber sobre as reais habilidades e força de um psíquico. Mas não duvidava de que Quatre fosse forte... muito forte na verdade. Quando ainda humano, o jovem árabe já possuía habilidades empáticas e após passar para a imortalidade tais habilidades apenas tendiam a aumentar e evoluir para novos planos. Como a de conseguir ver fragmentos dispersos do futuro. Se ele aprendesse como controlar suas habilidades tinha certeza de que aprenderia muito. Não queria ser egoísta, mas esperava que ele pudesse aprendê-las logo, de preferência antes que o solstício de inverno chegasse.
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Aeroporto Wicklow na Irlanda – Vinte horas depois:
O jato aterrissou uma hora antes do horário previsto para a chegada. O comandante do jato desejou boas-vindas aos tripulantes, que procuraram verificar se o perímetro do lado de fora era seguro. Heero deixou seu aposento, tão logo Marcos e William o comunicaram que o era. Não que houvesse alguma ameaça em sua vinda à Irlanda, mas não podia simplesmente ignorar o fato de que estavam em uma batalha constante e seus inimigos não eram poucos ou desconhecidos. O transporte que os levaria até o local do encontro já havia sido providenciado, e os aguardava na saída oeste do aeroporto. Meneou a cabeça, acompanhando-os no pequeno ônibus que os deixaria na porta da aérea de desembarque.
Heero desceu, passando pelas portas de desembarque e caminhando lentamente pelo saguão do aeroporto, sendo seguido pelos vampiros que o acompanhavam. Podia notar os olhares curiosos e as perguntas feitas nas mentes dos humanos presentes. Não podia culpá-los por isso. Deveria ser estranho ver a figura de um rapaz que mal deveria ter completado 19 anos, cercada por homens das mais diferentes idades e aparência. Sabia que sua aparência não demonstrava sua real idade e às vezes lhe era estranho lembrar de seu rosto, quando ainda era humano e saber a idade que tinha.
Irritado com os olhares, murmurou algo inaudível aos ouvidos humanos, mas que foi perfeitamente ouvido pelos vampiros que o rodeavam. Em segundos eles se dispersaram, permanecendo apenas Marcos e William a seu lado. Chegaram à entrada, onde Christine já os aguardava. Heero entrou no carro preto seguido pelos irmãos Drufês e Christine, que ficara responsável pela direção.
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A algumas horas de Dublin – Próximo a cidade de Cork :
Fazia uma manhã fria e nebulosa, bem condizente com a época do ano. Haviam deixado o aeroporto em Dublin[3 há pouco mais de duas horas e seguiam em direção a propriedade onde se daria o encontro com o general. Não era exatamente onde o clã Noventa costumava ficar, mas apenas uma das inúmeras propriedades pertencentes ao clã Noventa, assim como o clã Khushrenada, que possuía inúmeras propriedades espalhadas nas mais diferentes partes e regiões do mundo.
Heero olhou para o mar revolto, pensando que seria uma paisagem belíssima de se observar, se seu coração não estivesse tomado pela intranqüilidade. Estavam numa estrada que beirava o mar, distanciando-se cada vez mais de qualquer lugar habitável. Seguiam as coordenadas dadas por um dos membros do clã Noventa, antes de deixarem Epyon. Sua chegada era aguardada apenas ao cair da noite, mas decidira-se por terminar logo o que viera fazer; dirigindo-se ao local de encontro assim que chegara à Irlanda. Pôde ver ao longe, montanhas estranhamente verdejantes para a época em que se encontravam, quando a neve já deveria ter ocupado boa parte da montanha à frente.
Deixou um resmungo cansado escapar de seus lábios, imaginando o quanto Duo ficaria fascinado pela paisagem ao redor. Ele mesmo tinha certeza de que ficaria, se no momento seu coração e alma, não estivessem partidos pela distância de seu amado. Deixou que seus dedos tocassem por sobre a camisa de seda negra, a cruz que Duo lhe dera como um presente poucos dias depois deles terem dormidos juntos pela primeira vez. De alguma forma sentiu-se momentaneamente confortado por ela, como se naquele momento fosse a pele de seu amante humano que tocasse.
Havia ligado novamente para Trowa tão logo chegara à Irlanda e ficara feliz em saber que o loiro já havia acordado e estava bem; apenas com uma raiva gigantesca e morrendo de vontade de ir atrás do Necro e matá-la. Pelas informações de Trowa, o Necro havia deixado bem claro que havia poupado Quatre, para que ele ficasse mais forte e pudessem se enfrentar novamente. Abdul e Auda estavam-no ajudando a aumentar suas habilidades mentais e Duo parecia disposto a ajudá-lo a matar o Necro; uma vez que os dois estavam treinando arduamente. Não queria nem imaginar o que ambos estavam planejando. Ainda se lembrava da ultima vez em que ambos haviam se deixado levar pelo treinamento. Tencionava ter falado com o amante, mas ligaria para ele novamente mais tarde, uma vez que o mesmo estava ocupado.
Decidiu-se por afastar suas preocupações e voltar sua mente ao que o levara a Irlanda. Uma aliança com o clã Noventa. Procurou ter em mente os conselhos que Treize gentilmente lhe dera acêrca do general. Como tentar não se exaltar, uma vez que não se encontrava em "casa" [4. Ouví-lo com atenção, procurando entender sua posição, quanto ao fato de ser o novo shuhan dos Khushrenada, mesmo não sendo um natural como a maioria dos Shuhans. Heero massageou a têmpora, sentindo uma ligeira irritação começar a incomodá-lo.
- Chegamos Shuhan.
O veiculo da frente parou e os vampiros desceram, verificando a área ao redor. Heero olhou sem interesse para o local em que chegaram. William abriu a porta do veículo, aguardando que o Shuhan descesse. Todos os vampiros que vieram com ele deixaram os carros e se posicionaram do lado de fora, aguardando apenas que o líder da casa deles deixasse o carro do meio. Heero ajeitou as luvas negras, aguardando a presença que se aproximava rapidamente. Em pouco segundos, um vampiro de estatura mediana e cabelos brancos surgiu apressadamente pelo caminho de pedra, que certamente deveria levar a entrada da casa.
Heero meneou a cabeça para William, indicando que deveria deixar o outro vampiro vir até ele. Os demais deixaram que o vampiro passasse, ignorando o olhar do mesmo quando este passou por eles. O vampiro parou em frente à porta do carro de Heero, curvando-se respeitosamente;
- Desculpe-nos senhor Yuy, imaginávamos que chegaria apenas no inicio da noite, o vampiro falou, desculpando-se por não haver ninguém para recebê-lo, quando chegara. Embora sua chegada não fosse prevista para antes do cair da noite.
Heero meneou ligeiramente a cabeça, pouco se importando se sua chegada ocorrêra antes do horário informado. Deixou o veículo, fazendo o outro recuar, intimidado pela presença dele; mas sem que isso o fizesse levantar a fronte, uma vez que seria falta de respeito olhar o rosto de um Shuhan, a menos que lhe fosse dada permissão. Mesmo que o vampiro a sua frente não merecesse seu respeito. Havia sido instruído por Noventa de que Heero Yuy deveria ter o mesmo tratamento respeitoso dado a um Shuhan natural [5.
- O general está descansando, mas os aposentos destinados ao senhor, já foram devidamente preparados para recebê-lo. Eu me chamo Draynas Kothenos e estarei a sua disposição, caso necessite de algo, senhor Yuy.
- Entendo.
Draynas sentiu seu corpo tremer, diante da voz fria do novo Shuhan dos Khushrenada. Algo bem diferente e mais forte do que sentira, quando o mesmo deixara o carro que o trouxera. Já havia ouvido falar do vampiro chamado Heero Yuy. Na verdade não havia um único vampiro que já não houvesse ouvido o nome dele. O único há vários séculos, a tornar-se um Shuhan, mesmo não sendo um natural como os demais. Um Kryniano's[6 como costumavam chamar. Ainda assim, a força que sentia vir dele, era tão ou ainda mais forte que a de muitos naturais. Parecia que sua simples presença, exigia de todos ao seu redor, não apenas submissão, como também respeito; para não dizer admiração.
Heero parou, voltando-se para Draynas com irritação. Os pensamentos dele o estavam aborrecendo terrivelmente. Deixou que sua voz ecoasse na mente do outro, fazendo com que o vampiro do clã Noventa se curvasse dolorosamente diante do que sentia.
" Suas indagações a meu respeito me aborrecem."
Draynas assustou-se, curvando-se rapidamente diante de Heero, quase tocando seu rosto no chão. Não poderia imaginar que seus pensamentos poderiam ser tão facilmente lidos, pelo outro e causar-lhe tamanha irritação. Podia sentí-la em cada porro arrepiado de seu corpo e temeu que ele lhe causasse alguma dor, além da que sentia ao ter a voz fria e impiedosa ecoando em sua mente.
- Perdoe-me senhor. Não imaginei...
- Nem o faça. Desejo descansar o quanto antes.
- Perfeitamente senhor.
Draynas tratou de conduzi-lo rapidamente aos aposentos destinados a ele e aos demais vampiros que o acompanhavam. Não desejava irritá-lo mais do que já o havia feito. Sentia que se o fizesse não sairia ileso mentalmente e a mente uma vez destruída, jamais poderia ser recuperada.
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Cidade de Epyon – Castelo dos Khushrenada:
Quatre esquivou-se do golpe de Duo e Auda, desviando o corpo para a esquerda e saltando para cima. Levou a mão as costas, pegando as armas com que Auda lhe havia presenteado. Jogou os bumerangues circulares em direção a Auda, que se desviou do ataque. Duo se jogou no chão, escapando delas quando as mesmas retornaram a mão de seu dono. Aproveitou que já se encontrava estirado no chão para descansar um pouco. Estavam treinando há quase cinco horas sem parar, mas parecia que Quatre não estava nem um pouco cansado, ou disposto a parar no momento.
Ahmad havia aparecido mais cedo, para a surpresa de todos; uma vez que o vampiro do clã Maguanac não tinha o habito de levantar-se antes do anoitecer. Mas parecia que os últimos acontecimentos, haviam mudado a rotina de todos no castelo, ou pelo menos da maioria deles. O árabe havia dito a eles que Quatre tinha chances de conseguir usar a mente para controlar pelo menos duas armas ao mesmo tempo e o loiro não estava propenso a parar até que conseguisse ao menos fazer os bumerangues circulares obedecerem a suas ordens.
- Quatre, não se esforce demais; tudo tem seu tempo de aprendizado.
- Quando aquela cadela morrer, eu me esforçarei menos. Mas não antes de ter o sangue dela escorrendo em minhas mãos.
Duo sorriu diante das palavras do amigo. Compartilhava de seus sentimentos em relação a Mirla. Levantou-se, disposto a não descansar enquanto não ajudasse Quatre a pelo menos deixar o Necro com um braço a menos. Investiu contra o vampiro, usando uma das armas que pegara na sala de armas, uma vez que usar Yami estava fora de cogitação.
Quatre segurou a lâmina de Duo com os dedos, poucos segundos da mesma atingi-lo na altura do pescoço. Sorriu chutando o humano, mas encontrou apenas o vazio, uma vez que Duo pulara para fora de seu campo de ataque a tempo de evitar o golpe. Abdul notou que Quatre não estava se concentrando nas armas que escolhera controlar, havia achado a opção dele em escolher o presente de Auda como suas armas mentais uma sábia escolha, mas parecia que o mesmo ainda não estava atento ao fato de que deveria torná-las uma extensão dele. Esse era o único caminho para que o jovem vampiro conseguisse controlá-las com perfeição.
- Procure manter sua mente focada em seus inimigos e suas armas. Lembre-se de que elas devem ser, não apenas uma extensão de você, mas uma extensão de sua própria mente. Quando aprender a fazer isso, poderá controlar qualquer outra. Tem que aprender a ver em todas as direções e ter sua mente focada em cada uma delas.
Quatre procurou analisar e guardar as palavras de Abdul, que os observava, ajudando no treinamento. Ele se desviou de outro golpe de Duo e esquivou-se de Auda que havia se aproximado sem que notasse. Sentia sua mente fatigada. Havia proibido Trowa de ajudá-lo, sob pena de não falar mais com ele. Afinal, desejava tornar-se forte o suficiente para não ter que depender sempre do amante. Cansando-o com o esforço mental que a ligação entre eles causava aos dois.
A ligação mental era estafante e não queria que Trowa continuasse a se cansar por sua culpa. Tinha que aprender a desenvolver suas habilidades. Conhecer cada uma delas com perfeição. De outra forma jamais conseguiria derrotar Mirla. Quatre sentiu a raiva crescer dentro de si. Raiva pelas palavras dela, de que não o mataria até que ficasse forte. Raiva por não saber a extensão de suas habilidades e raiva simplesmente porque ela fazia parte dele.
Duo sentiu algo dentro de si agitar-se, uma sensação aterrorizante de perigo se aproximando. Abdul viu surpreso, as armas de Quatre; que até o momento, estavam fincadas no teto, tremerem ligeiramente, soltando-se e partindo em direção ao humano, que não imaginava o perigo que se aproximava dele. Antes que fosse tarde demais, jogou-se contra o humano derrubando-o no chão, a tempo de evitar que as lâminas afiadas do bumerangue o atingissem mortalmente. Quando Duo saiu do caminho as lâminas continuaram seu percurso parando a milímetros do rosto de Quatre, antes de caírem inertes no chão, fincando-se com força no mármore.
Ele olhou para Duo que sorriu, deixando-se cair no chão. Nem ao menos soube como havia feito, mas havia conseguido. Por meros segundos conseguira controlá-las com sua mente. Olhou para Duo que havia ido até ele e o abraçou fortemente. O esforço de todos havia sido recompensado.
Abdul e Auda sorriram ao ver que haviam conseguido. Agora tinham apenas que ajudar o jovem árabe a entender e fortalecer o que descobrira. Sabiam que não tinham muito tempo, mas sentiam que agora haviam conseguido despertar um guerreiro forte, que se tornaria quase imbatível com o tempo.
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Sede provisória do clã Noventa – aproximadamente 19:30hs:
Heero deixou o banho que havia tomado, sentando-se na beirada da cama. Disposto a falar com o amante antes do encontro com o general. Há pouco mais de meia hora, havia sido avisado de que o mesmo o receberia em duas horas. Soltou um grunhido aborrecido, em saber que ainda teria que esperar duas horas. Já estava cansado e aborrecido pelos acontecimentos ocorridos à tarde. Estava se controlando para não esganar alguém naquele momento. Não sabia como alguém poderia ser tão estúpido para cometer o mesmo erro duas vezes.
Discou para o celular do amante, torcendo para que o mesmo não estivesse ocupado para atendê-lo. Devido a diferença de fuso horário, Epyon estava adiantado em duas horas em relação a Irlanda. Voltou seu olhar para noite fria, ouvindo alguém bater na porta. Ordenou que entrasse, antes de voltar os olhos e ver que se tratava de Christine. Estava pondo de perguntar o que queria quando a ligação foi atendida do outro lado. Christine estava a ponto de dizer algo, quando Heero ergueu a mão para que se calasse. Ela observou que o olhar dele mudara, era quase como se os olhos sempre frios estivessem sorrindo e sabia quem era o causador de tal feito.
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Castelo Epyon – aproximadamente 21:30hs:
Duo estava esparramado na cama, completamente entediado. Já havia ligado e desligado a tv umas centenas de vezes, não encontrando nada que mantivesse sua atenção. Estava a ponto de ir atrás de Quatre e voltar a treinar com o amigo, que havia parado apenas por alguns minutos na parte da tarde, e isso por que Trowa o obrigara, porque senão o loiro estaria treinando sem parar, desde que despertara. Quando seu celular começou a tocar. Ele voou em cima do aparelho ao ouvir a musiquinha. Estivera esperando por aquela ligação a tarde toda, uma vez que Trowa dissera que Heero havia perguntado por ele e não quisera atrapalhá-lo ao saber que estava treinando.
- Hee... tô com saudades.
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Heero sorriu ao ouvir a voz manhosa. Ele também estava com saudades do humano, tanta que nem sabia do que mais sentia falta, se da voz, de seu corpo ou do cheiro dele.
- Eu também meu amor. Liguei porque soube do que aconteceu. Você está bem?
Duo agarrou o travesseiro do amante, sentindo-se afortunado diante da preocupação presente na voz fria do vampiro. Sentiu todos os pêlos do corpo arrepiarem-se, excitando-o. Com o sangue de Heero em seu corpo, ouvir a voz dele penetrando em seus ouvidos estava deixando-o terrivelmente quente. Fazendo-o responder de maneira quase maliciosa. Como se estivesse segurando um gemido.
- Huuum... tô sim. Quatre me protegeu.
Heero sentiu uma leve contração diante do tom arrastado de Duo. Olhou de lado para Christine, que mantinha-se a distância, dando-lhe a privacidade de que precisava.
- Eu sei... Quatre é forte.
- Mas quase morreu por minha causa.
- Por causa de Mirla, não sua. Ele está bem agora. Não se preocupe com ela, terá o que merece por ter se atrevido a incomodá-lo.
- O que vai fazer a ela?
- Nada que ela não tenha pedido.
Duo tremeu diante do que Heero dissera. Não queria nem imaginar o que ele faria ao Necro. Conversaram durante algum tempo. Contou ao amante como havia sido o treinamento e o quanto Quatre havia avançado, não descansando um segundo se quer desde a manhã. Contou que Treize estava lhe ensinando a língua dos vampiros a pedido seu; o que fez o amante surpreender-se, uma vez que não era uma língua fácil de ser compreendida. Embora soubesse que de alguma forma Duo parecia ter facilidade em compreender a escrita bem mais do que a pronúncia. Ele fez o humano sorrir deliciado diante das coisas maravilhosas que faria com ele assim que voltasse, pedindo perdão depois de mais de meia hora de conversa, avisando que tinha de desligar e preparar-se para o encontro.
- Eu sei... desejo boa sorte no encontro.
- Não se preocupe, se não obtivermos o apoio de Noventa darei um jeito; mas Relena não vencerá.
- Confio em você amor. Eu te amo.
- E eu a você; nos veremos em breve.
Heero desligou o celular, voltando-se para Christine que se aproximou. Ela trazia um recado pessoal do general Noventa.
- Senhor o general pede para falar-lhe antes do inicio da reunião, no jardim atrás da propriedade.
- Ele disse o motivo?
- Não senhor.
- Avise-o de que o encontrarei lá em alguns minutos.
Christine curvou-se e retirou-se, deixando Heero com seus pensamentos. O vampiro imaginou qual seria assunto que o general desejava tratar com ele. Tratou então de vestir a roupa que separara a pouco, deixando o quarto após alguns minutos. Uma mulher humana, de cabelos castanhos; o aguardava assim que saiu, informando que o levaria até o jardim onde Noventa se encontrava. Assim que chegou ao local, o general levantou-se, indicando que se sentasse com ele à mesa.
Noventa não sabia ao certo como iniciar a conversa. A verdade era que o jovem vampiro a sua frente não era exatamente o que imaginava que fosse e o incidente ocorrido na parte da tarde o surpreendeu um pouco. Quando foi informado que o atual Shuhan dos Khushrenada chegara pela manhã, bem antes do horário previsto, pedira que Draynas o recebesse e o tratasse com o mesmo respeito aos demais naturais e Shuhans que costumava receber. O mesmo tratamento que era apreciado por todos, mas que de alguma forma pareceu ter ofendido o jovem a sua frente.
Isso mudara a imagem que havia formulado do novo Shuhan do clã Khushrenada. Não queria admitir, mas pelo pouco que ouvira e vira de Heero, acreditava que Treize havia escolhido bem seu sucessor. Por isso não poderia encontrar-se com Heero, antes que o mal-estar ocorrido fosse consertado. Por isso ele mesmo resolvera propor um encontro, quebrando o protocolo que geralmente seguia em encontros como esses.
Heero olhou para Noventa, ciente de que o mesmo o observava. Ponderou por alguns segundos e decidiu-se por ele mesmo iniciar a conversa.
- Peço desculpas ao que fiz a seu servo.
Noventa sorriu meneando a cabeça em negação antes de se pronunciar. Se havia algum culpado certamente era ele por achar que Heero era como os outros, quando na verdade Treize já lhe havia dito antes que Heero era diferente deles e não se referia apenas a sua posição como Shuhan.
- Não, eu que peço que me desculpe. Deveria ter dito a Draynas para que perguntasse suas necessidades e as suprisse, mas arrogantemente eu o julguei como os demais e supus o que você necessitava. Peço que me perdoe por minha arrogância.
Heero ficou em silêncio durante alguns minutos. Sentia que as palavras de Noventa eram verdadeiras, mas isso não o impediu de falar o que realmente pensava e sentia. O que acontecêra a tarde o enraivecera, por imaginar que ele aceitaria de bom grado o que lhe fôra oferecido. Talvez em outra época ele até viesse a aceitar os costumes que alguns Shuhans costumavam achar agradável. No entanto seu coração e sua alma, bem como seu corpo pertenciam a uma única pessoa.
- Imagino que outros devam achar agradável, partilhar a cama com uma jovem humana, ou até mesmo um rapaz. No entanto eu prefiro decidir por mim mesmo, com quem eu quero me deitar.
Os olhos de Noventa avermelharam-se, diante da ironia nas palavras verdadeiras de Heero. Não poderia culpá-lo por dizê-las. Ele mesmo se sentiria revoltado se algo semelhante ocorresse com ele. Na verdade, sentia-se enojado na maioria das vezes; quando algum Shuhan vinha vê-lo e tinha que oferecer uma jovem ou jovem humano para satisfazer-lhe às necessidades na cama. Mesmo muitos deles sendo comprometidos, não pareciam se importar de deitar-se com humanos apenas para satisfazer seus desejos pela luxúria. Noventa curvou-se ligeiramente:
- Durante sua estadia, isso não acontecerá novamente... eu lhe prometo.
Heero resolveu aceitar as desculpas, afinal de nada adiantaria não aceitá-las, ainda mais quando o líder do clã Noventa se mostrava realmente culpado, para não dizer arrependido. Duvidava muito que o mesmo gostasse dessa prática. Por certo, os conselheiros dele eram que deveriam ter dado tal sugestão, embora soubesse que tal prática não era nada incomum entre os clãs. Pelo que sabia apenas o clã Khushrenada não tinha tais costumes, isso porque Treize abolira o mesmo logo após a morte do antigo líder do clã.
- Aceito suas desculpas e espero que seu servo, esteja bem. Não desejava realmente machucá-lo, mas achei que havia sido bem claro ao recusar da primeira vez.
- Draynas está bem. Creio que ele pensará duas vezes antes de voltar a insistir novamente. Mas corrija-me se estiver eu enganado... há alguém em especial... que o fez recusar os jovens que enviei a seu quarto?
Noventa notou que o jovem tocou inconscientemente algo encoberto pelas vestes, bem na altura do peito fazendo-o sorrir ao imaginar que estava certo. Heero meneou a cabeça, disposto a compartilhar com o outro; uma vez que o mesmo havia conquistado seu respeito, ao pedir-lhe desculpas pelo acontecido.
- Há alguém... alguém que foi capaz de quebrar o gelo ao redor de minha alma e me fazer viver novamente.
Vivo. Fazia tanto tempo que não sabia o que tal sensação significava que ouvi-la dos lábios pálidos do outro lhe causou uma sensação estranha de conforto e saudade.
- Entendo... eu já não sei mais o que é se sentir vivo... desde que perdi minha esposa.
- Eu lamento.
Noventa balançou a cabeça sorrindo. Há anos que não pensava nela e ainda assim sabia que Silvia morava em seu coração imortal. Sua finada esposa havia sido a melhor coisa que lhe acontecêra em sua imortalidade e a única razão de ainda continuar vivendo era que havia prometido a ela que jamais se esqueceria de seu amor. Era tão raro encontrar vampiros fiéis a seus amados. Os mesmos costumavam cansar-se facilmente, levados pela natureza insaciável e desenfreada, buscando sempre novos amantes como se isso pudesse saciá-los plenamente.
Conhecia poucos que realmente conheciam o significado do amor, da fidelidade e da plenitude de ser amado. Treize era um desses poucos. Ainda conseguia se lembrar da felicidade dele ao encontrá-lo em Sevilha e ouví-lo contar que a jovem Catherine retribuía seus sentimentos, embora a tristeza dele ao ser obrigado a abraçá-la para não perdê-la, não minimizasse sua alegria por completo. E agora parecia que encontrava outra alma, alcançada pelo amor.
- Poderia me dizer quem é essa pessoa?
Heero ponderou cerca de alguns segundos, antes de revelar. Não gostava muito de falar sobre sua vida, mas sentia que o homem a sua frente era alguém que acreditava no sentimento que o havia libertado da escuridão. Sendo assim, não via mal algum em falar sobre o amante, uma vez que; se obtivesse a ajuda de Noventa, o mesmo viria a conhecer o humano que preenchia sua alma.
- O nome dele é Duo... Duo Maxwell.
- Ele é...
- Ainda é humano.
- Ainda?
- Pretendo abraça-lo tão logo consigamos deter Relena e Romefeller. O sangue dele não pode ser alterado, pois ele é o guardião de Yami.
- A segunda espada da profecia.
Heero meneou a cabeça ligeiramente. Noventa ponderou sobre o que ouvira, ainda mais surpreso com o líder do clã dos Khushrenada. O antigo e sanguinário vampiro Heero Yuy, fiel e apaixonado por um simples humano. Levantou-se, já com uma decisão formada em sua mente. Já havia feito sua escolha. Faltava apenas ouvir seus conselheiros. Embora soubesse que eles teriam a mesma opinião que ele a respeito do atual Shuhan do clã Khushrenada.
- Acho melhor entrarmos. A reunião logo deve começar. Espero um dia poder encontrar seu Duo.
- Seria um prazer apresentá-lo.
Noventa sorriu meneando a cabeça. Eles seguiram juntos pelo corredor, em direção ao salão onde os demais membros aguardavam o inicio da reunião, onde decidiriam seu apoio ou não ao clã Khushrenada.
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Cidade de Epyon – Em algum da floresta – aproximdamente 02:15hs.
Mackaczi havia falado com Relena a respeito do Necro, mas a garota não quis dar-lhe ouvidos. A ela, parecia que a criatura não oferecia perigo a causa. No entanto, ele sabia do que um Necro era capaz. Ele comunicara a Romefeller, através de Lacroan sobre o Necro que acompanhava a fundadora do clã Peacecraft. Mesmo já sabendo quanto às habilidades da criatura, havia sido instruído a não subestimá-la. Não que tivesse intenção de fazê-lo. Não era tolo a esse ponto, mas também não era alguém que tinha o hábito de temer alguma coisa, ou ficar apenas esperando que investissem contra ele. Não seria o líder dos caçadores se temesse criaturas da escuridão como Mirla.
- Não pense demais Mackaczi. Isso pode causar-lhe dor de cabeça.
O líder dos caçadores olhou para a criatura, que havia aparecido sorrateiramente. Seus olhos avermelharam-se diante do sarcasmo de suas palavras e não pôde deixar de perguntar diretamente a ela o que realmente desejava, acompanhando Relena. Ficando sob as ordens da mesma, uma vez que poderia muito bem matá-la com um simples pensamento.
- O que está buscando, indo atrás do humano?
- Quer mesmo saber Mackaczi?
Mirla sorriu ironicamente para o líder dos caçadores,. Não que tivesse intenção de responder-lhe, mas o vampiro era cuidadoso quando estava perto dela, o que a divertia de fato. Ele não atraia sua atenção como o vampiro de olhos azul cobalto, o Shuhan do clã Khushrenada, ainda assim; Mackaczi era tão forte quanto o outrora sanguinário vampiro Heero Yuy. Sendo assim, era divertido brincar com o Viesczy[7 fazendo-o ser cada vez mais cauteloso em relação a suas ações.
- O que faria se eu compartilhasse com você meus planos? Contaria a Relena ou seria fiel a Romefeller? Pois pelo que sei aquele velho, é fiel apenas a sua cobiça e ganância, assim como a maioria de vocês.
Mackaczi estreitou os olhos diante das palavras do Necro. Ao que parecia ela sabia que a ajuda que oferecia a Relena não era uma boa vontade de Romefeller, e sim um meio de alcançar seu verdadeiro objetivo, o antigo líder do clã dos Khushrenada. Treize Khushrenada.
- Creio que você sabe minha resposta.
- Eu sei, mas isso não me impede de perguntar, afinal vampiros são imprevisíveis. Poderiam me surpreender se quisessem.
O Viesczy sabia que o Necro estava sendo demagógica e que não acreditava que os vampiros fossem de fato imprevisíveis, ou que pudessem surpreendê-la. Sabia que não arrancaria nada da criatura e portanto não podia ficar perdendo seu tempo dialogando com a mesma, uma vez que ela jamais confidenciaria seus planos a um vampiro.
Mirla sorriu ao ver Mackaczi afastar-se. Olhou para as estrelas encobertas parcialmente pelas nuvens. Muito em breve a ascensão e queda de todos eles começaria. Tinha apenas que ser paciente, faltava muito pouco para que pudesse dar início a seus planos.
"Muito pouco."
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Irlanda – Sede provisório do clã Noventa – aproximadamente 04:55 hs.:
Noventa estava reunido com seus conselheiros e dois outros Shuhans que o estavam visitando no momento e que havia solicitado que participassem do encontro. Estavam discutindo acêrca da reunião ocorrida há poucas horas com o shuhan do clã dos Khushrenada. A reunião não havia saído exatamente como imaginava, mas o resultado a seu ver já se encontrava definido. Heero expôs claramente a ameaça que a união de Relena Peacecraft e o Duque Dermail, o Shuhan do clã Romefeller representavam; não apenas a eles, mas a todos; humanos e vampiros.
Não queria nem imaginar caso um dos dois obtivesse vitória. O fato das espadas da profecia bem como seus guardiões se encontrarem sob a guarda do clã Khushrenada trouxe certo alívio a muitos dos presentes à reunião. Embora o fato de saberem que o guardião de Yami era um humano, trazer certa contenda entre alguns deles e o Shuhan Heero Yuy. Sabendo de antemão sobre o relacionamento entre o humano e o Shuhan dos Khushrenada, não achou estranho o fato do mesmo procurar não se exaltar, afirmando que o humano Duo Maxwell era digno de confiança. Incapaz de ser corrompido pelas artimanhas de Relena ou Romefeller.
Pelo pouco que viu de Heero, sabia que o mesmo não depositaria sua confiança no humano, baseado apenas no que sentia pelo mesmo. Não costumava ter tanta desconfiança nos humanos, como seus irmãos vampiros, embora soubesse e até mesmo entendesse que muitos não eram confiáveis. Muitos se deixavam seduzir pela imortalidade não se importando se tinham que vender suas almas, ou se feriam alguém. Noventa ergueu sua mão, fazendo todos se calarem. Não havia tempo a perder em discussões inúteis; quando o tempo lhes era escasso.
- Senhores, acho que o Shuhan dos Khushrenada foi bastante claro quanto a ameaça que paira, não apenas sobre nós vampiros, mas sobre toda a humanidade. Não creio que ficando fora desta batalha estaremos sendo cautelosos, mas sim covardes e até mesmo omissos.
- Acha mesmo Noventa, que é real a ameaça que ele nos falou? O Kryniano's poderia estar exagerando quanto aos planos de Romefeller, afinal não acredito que o Duque se uniria a uma garota cujo clã nem ao menos existe.
O burburinho na sala aumentou consideravelmente, diante do comentário de Amadeos, o Shuhan do clã Dhanylhos. Ele olhou para o ruivo, vendo que muitos de seus conselheiros compartilhavam da mesma opinião, embora não se pronunciassem. Havia notado a antipatia de Amadeos em relação a Heero, pelo mesmo ser um Kryniano's e não um natural como ele e Kathiene do clã NightRose. Não podia culpá-lo, quando ele mesmo nutria tal preconceito e antipatia por Heero, sem nem ao menos tê-lo conhecido até esse momento. E talvez ainda continuasse a tê-lo se não houvesse ocorrido o incidente com Draynas à tarde.
Kathiene olhou para o shuhan do clã Dhanylhos, balançando a cabeça diante do tom preconceituoso com que o mesmo se referira ao novo Shuhan do clã Khushrenada. Ela já conhecia Heero de vista. Séculos atrás, havia aceitado o convite de Treize quando o mesmo enviou-lhe um convite para a "posse" do novo Shuhan dos Khushrenada. Ficara surpresa diante da escolha de Treize, uma vez que Heero lhe pareceu estranhamente perigoso; não muito adequado para ser o novo líder do clã Khushrenada. Assim, quando viera visitar o amigo Noventa, procurando um conselho, ficara surpresa em saber que o vampiro de quem muitos falavam o havia procurado.
Mas o que mais a surpreendera era ver o quanto o jovem vampiro havia mudado. A estranha áurea de perigo e selvageria que a assustara e a fizera indagar se Treize havia escolhido o sucessor certo, ainda se encontrava, rodeando Heero. Entretanto, apesar dela manter a mesma força, não lhe parecia assim tão ameaçadora quanto antes, embora pudesse sentir que o jovem que estivera em sua presença a poucas horas, vivia em uma corda bamba, sempre no limite, pronto a deixar sua natureza escapar, fazendo-a desejar nunca ser inimiga dele.
- Não acredito que o Shuhan dos Khushrenada perderia seu tempo, procurando Noventa, se a ameaça da qual ele falou não fosse real Amadeos. Concordo com Noventa, quanto ao fato de que não podemos nos omitir e fingir que nada está acontecendo. Devemos tomar logo uma decisão, seja ela qual for e independente de nossas desavenças ou preconceitos.
Amadeos olhou para Kathiene com desprezo diante de suas palavras, já deveria imaginar que ela ficaria ao lado do jovem mandante de Treize, uma vez que sabia que ela ainda nutria amores pelo antigo Shuhan do clã dos Khushrenada, embora nunca houvesse sido retribuída. Ele olhou para Noventa, já ciente de que o mesmo apoiaria Heero Yuy, mesmo que o desagradasse o fato de ajudar um Kryniano's. Sabia que tinha que fazê-lo. Ajudá-lo lhe era menos desagradável quanto ter que deixar que Romefeller tivesse sucesso em algum de seus planos.
- Imagino que não há o que decidir, uma vez que é clara a decisão de vocês.
Noventa sorriu, agradecendo mentalmente as palavras de Kathiene. Sabia que ela era a única a fazer Amadeos mudar de idéia quanto a alguma coisa. Sabia que a ajuda dela era movida primeiramente pelo amor que sentia por Treize, em segundo pela gravidade do que estavam prestes a enfrentar. Talvez em breve outros se juntassem a eles. No momento, a união dos três ao clã Khushrenada já era bastante favorável e lhe dava a esperança de uma vitória, mesmo que fosse a duras penas.
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Castelo Khushrenada – Uma semana depois – Por volta das 14:45hs:
A maioria dos moradores do castelo estavam ocupados, em suas funções. Duo, Quatre e Trowa, estavam treinando do lado de fora, sendo assistidos por Abdul e Ahmad que resolvera juntar-se a eles depois de alguns dias. Todos haviam levantado cedo, coisa que desagradou Ahmad o suficiente para que passasse boa parte da manhã reclamando, ainda assim seus conhecimentos havia sido de grande ajuda.
Hugh se encontrava em companhia da família, embora dedicasse por conta própria algumas horas para ficar de olho no humano, companheiro do Shuhan. Mesmo que Heero o houvesse liberado de fazê-lo, estava em seu coração o desejo de mantê-lo a salvo. Havia se afeiçoado ao humano, diante de sua simplicidade e simpatia para com ele e sua família, bem diferente do vampiro loiro que sempre que tinha a chance, o atormentava com suas palavras venenosas.
O telefone ecoou no silêncio do castelo durante alguns minutos, antes que Kimitsu o atendesse. Ele estava dando algumas ordens aos demais empregados quando ouviu o aparelho ressoando e se apressou para atender.
- Castelo Khushrenada.
- Kimitsu.
O empregado sorriu ao ouvir a voz de seu senhor, depois de tanto tempo. Não tinham notícias de Heero há quase três dias e todos sem exceção, estavam ansiosos para saber o resultado de sua viagem e seu retorno, Duo principalmente.
- Senhor, é bom ouvi-lo.
- Digo o mesmo, deverei chegar hoje de madrugada e gostaria de pedir-lhe um favor Kimitsu, dentre eles de que não avisasse Duo sobre isso.
- Certamente senhor, ele ficaria feliz em ter noticias suas senhor. Ele anda um tanto quanto melancólico sem noticias.
- Eu sei, mas eu tive que tratar de alguns assuntos que tomaram meu tempo além do desejado.
- Compreendo senhor. O que gostaria que eu fizesse?
- Nada muito trabalhoso, apenas escute.
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Duo esticou-se no chão, cansado e sonolento. Já era alta madrugada e ainda estava ali, pensando. Havia sido um dia exaustivo e também muito produtivo. Quatre já conseguia controlar os bumerangues circulares, de forma a fazer com que os mesmos, o obedecessem habilmente. Havia sido um avanço significativo em pouco mais de uma semana. Agora o loiro tinha apenas que aprender a manter o controle sobre elas ao mesmo tempo em que enfrentava os adversários. Uma vez que a mente de Quatre se dispersava quando o mesmo tinha que manter o foco em mais de uma coisa por vez.
O máximo que havia evoluído nesta questão, era que o loiro conseguia se defender de mais de um adversário e usar os bumerangues circulares, sem que isso sobrecarregasse sua mente por completo. Na maioria das vezes, o amigo literalmente sucumbia e desmaiava de exaustão no meio do combate.
Levantou-se, caminhando para o banheiro, disposto a tomar outro banho e dormir. Afinal não havia muito que fazer nesses últimos dias com Heero ainda em viagem e sem dar notícias. Ligou a água, enquanto se despia e soltava os cabelos. Testou a temperatura, sentindo a pele arrepiar-se diante do calor morno e agradável. Entrou na banheira com cuidado, deixando que a água o acalmasse. Não sabia por que se sentia tão sonolento. Era verdade que estava cansado, mas não se sentia tão cansado assim antes do jantar. Fechou os olhos, tentando ordenar sua mente que não adormecesse, embora não conseguisse manter os olhos abertos. Por isso mal notou o barulho no outro cômodo.
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Heero entrou no quarto, ansioso para ver Duo. Inibira sua presença, querendo fazer uma surpresa ao amante, que desconhecia sua chegada. A tarde havia telefonado para Kimitsu e dado algumas instruções. Ficou agradecido quando chegou e o empregado informou-o de que seguira todas elas, principalmente a de colocar um sonífero na bebida de Duo, na hora da janta. Sentiu a presença humana no banheiro e caminhou até lá, tendo o prazer de vê-lo dormindo dentro da banheira cheia de água àquela hora da madrugada, imaginando que o encontraria na cama há essa hora.
Aproximou-se, com medo de que o humano pudesse escorregar e se afogar. Deveria ter imaginado que algo assim pudesse ocorrer e praguejou por seu descuido. Tomou-o com cuidado nos braços, excitando-se diante da visão do corpo nu e molhado em seus braços. Calmamente, voltou ao quarto depositando o amante na cama com cuidado e envolvendo-o nos lençóis, antes de pegá-lo novamente e caminhar em direção a porta, deixando o quarto para trás e seguindo em direção a torre.
Kimitsu já aguardava o vampiro na entrada das escadarias, acompanhando-o até a torre e ajudando-o a levar Duo até lá. Abrindo-lhe a porta e fechando-a tão logo o vampiro passou por ela.
Heero sorriu, ao notar que Kimitsu havia afastado os lençóis de forma que ele poderia depositar Duo na cama e simplesmente cobri-lo depois, sem ter que se preocupar em ele mesmo afastar os lençóis brancos de seda da cama, antes de depositar o amante nela. Ele retirou os lençóis que envolviam o americano, deitando o corpo macio sobre os lençóis macios, vendo-o remexer-se, antes de acomodar-se.
Heero sorriu, caminhando até a tina de água quente que Kimitsu havia providenciado. Despiu-se, entrando na água morna e tomando um relaxante banho, enquanto observava o humano dormir sob o efeito do sonífero. Mergulhou na tina, lavando os cabelos antes de sair e enxugar-se. Caminhou até o cabideiro, vestindo uma calça leve, antes de se encaminhar até suas roupas e retirar um pequeno pacote da calça descartada no chão. Depois sentou-se na poltrona, de frente ao leito, disposto a observar o amante dormir.
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Três horas depois:
Já estava quase amanhecendo quando Duo remexeu-se na cama sentindo-se maravilhosamente bem. Bochechou, tentando lembrar-se do que havia acontecido e piscou os olhos não reconhecendo o lugar onde estava. Aquele não se parecia com seu quarto. Procurou se sentar, esfregando os olhos, sentindo-se bem menos cansado.
- Cansado?
Duo virou-se ao ouvir a voz do amante, vendo-o sentado numa poltrona ao lado da cama, sorrindo para ele.
- Heero... quando voltou?
O vampiro deixou o lugar onde estava à quase quatro horas, caminhando até o humano que lhe sorria de maneira convidativa. Tocou a face dele com carinho, vendo-o fechar os olhos para voltar a abrí-los tão logo ouviu sua voz novamente.
- Eu queria lhe fazer uma surpresa.
- Acho que conseguiu.
Duo puxou o vampiro para si, tomando-lhe os lábios e depositando toda sua saudade no beijo. Heero abraçou o corpo humano, trazendo-o para si de maneira selvagem e faminta. O humano ofegou quando o vampiro começou a percorrer seu corpo de maneira desenfreada e voraz, sendo virado e imprensado na cama rapidamente, antes que sentisse Heero sobre si, beijando e sugando-lhe o pescoço, ao mesmo instante em que uma das mãos do vampiro, apartava suas pernas, tocando- lhe a intimidade de maneira ávida e apressada.
A entrega foi rápida e não menos prazerosa. A saudade de tanto tempo afastados não lhes permitiu que fossem menos afoitos e apressados ao se entregarem ao prazer, ou os impediu de deixarem marcas em seus corpos, embora as de Heero sumissem em poucos instantes, enquanto as de Duo permaneceriam ainda durante alguns dias, antes que começassem a desaparecer.
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Duo suspirou, satisfeito nos braços de Heero, se permitindo desfrutar da sensação de aconchego que apenas o vampiro era capaz de lhe causar. Mordiscou a pele pálida, ouvindo o vampiro rir, antes do mesmo levantar seu queixo, roubando-lhe um beijo.
- Eu trouxe um presente para você.
- Presente?
- Sim nada muito especial... eu comprei no aeroporto de Eire e achei que você gostaria.
Duo olhou para Heero, vendo-o pegar algo no chão e estender para ele, fazendo-o arregalar os olhos diante do que o vampiro dissera ser nada especial.
- Abra.
Heero sorriu ao ver os dedos de Duo tremerem ao pegar a pequena caixa e abrí-la. Ele sorriu ainda mais ao vê-lo levar uma das mãos a boca, ameaçando chorar diante do que via depositado dentro da caixa de veludo negra.
- Heero... é... é lindo, mas não precisava.
- Eu sei, mas eu quis, afinal você não pode andar por ai, como se não estivesse comprometido. Eu sou um cara antiquado.
Duo sorriu ofegando, quando Heero depositou a aliança em seu dedo, fazendo o mesmo com o vampiro. Ele estendeu a mão olhando com prazer o aro grosso, com pequenas escritas em prata, e forçou a vista tentando ler, jogando-se nos braços do amante, quando compreendeu o que as letras diziam.
- Gostou?
- É lindo... possessivo, mas lindo amor... obrigado.
- Você é meu. Da mesma forma que eu sou seu.
- É o que está gravado no seu?
- Sim.
Duo deitou sua cabeça no peito de Heero, olhando para a aliança em seu dedo. Nela estava escrito meu pela eternidade, enquanto a de Heero dizia seu pela eternidade na língua dos vampiros. O vampiro tinha razão quanto a isso, eles pertenciam um ao outro como iguais. A possessividade que sentia pelo vampiro era a mesma que a do amado por ele. Embora achasse que Heero era ainda mais possessivo. O que não lhe incomodava nem um pouco, ao contrário; isso o fazia sentir-se ainda mais desejado pelo vampiro de olhos azul cobalto.
Heero estreitou o corpo de Duo contra si, beijando suavemente o alto da cabeça do amante, diante do olhar embevecido. Havia sido uma escolha acertada. Comprar as alianças. Sentia-se como se precisasse de algo para mostrar a todos que Duo pertencia exclusivamente a ele. Um aviso a quem se atrevesse a tocá-lo, de que Duo possuía um dono. Apesar de que a marca que fizera em seu pulso lhe confirmar isso. Embora não que se considerasse dono do humano realmente. Duo era livre e desejava que ele continuasse assim. Confiava no amante e no que o mesmo sentia por ele. Mas sua natureza sentia necessidade de provar aos olhos alheios que Duo era dele.
Duo desviou os olhos da aliança, esfregando o rosto no peito desnudo do amante; sentindo-se imensamente feliz com o presente. Não era como se houvesse ganho na loteria, mas muito melhor. Não conseguia esconder o sorriso, achando-se tolo por agir como uma adolescente apaixonada. Embora o fato de estar apaixonado fosse verdade.
Heero abraçou Duo forte, sorrindo antes de retrucar :
- Você não é um tolo amor. Mas fico feliz em saber que gostou da aliança.
- Adorei, mal posso esperar para mostrar pro Quatre. Porque não disse que chegava hoje?, Eu teria preparado uma surpresa. E porque não me ligou esses dias? E como foi tudo?
- Desculpe... não pude ligar. Noventa e os Shuhans do clã Dhanylhos e NightRose concordaram em nos ajudar. Por falar nisso, o general quer conhecê-lo.
- Eu?!!!
- Sim, eu contei sobre nós, e ele ficou curioso em conhecê-lo.
- Ficarei feliz em fazê-lo. Quando eles chegam?
- Daqui a cinco noites. Não achei que o Conde Amadeos, fosse nos ajudar. Ele não ficou muito feliz em me conhecer. Segundo Noventa, eu tenho que agradecer a Marquesa Kathiene do clã NightRose por isso.
- Ela é bonita?
- Hã?
- A marquesa? Ela é bonita?
Heero sorriu, deitando-se sobre o amante ao ver o olhar enciumado dele ao referir-se a marquesa, Duo tinha cada uma.
- Não sei, estava preocupado demais em conseguir o apoio de Noventa, para reparar nela, mas a humana que levaram ao meu quarto tinha o corpo atraente.
Heero sorriu enviesado ao notar que o rosto de Duo ficou vermelho de indignação. Ele segurou os abraços do amante quando o mesmo começou a socá-lo, acusando-o de estar se divertindo com outras mulheres, enquanto ele ficava ali morrendo de saudades do vampiro, como um idiota. Heero sorriu abertamente diante da resistência do amante em ouví-lo, calando-o da maneira que melhor conhecia, beijando-o com ardor até que ficasse sem ar. Duo acalmou-se depois de alguns minutos, ouvindo com atenção a historia por completo, sentindo-se enojado ao saber dessa prática entre os clãs e feliz por Heero ter sido fiel a ele.
Não conseguia nem imaginar pensar seu Heero nos braços de outra ou de outro. Suspirou deleitado ao ouví-lo em sua mente, afirmando que ninguém se comparava a sua beleza. Que ninguém possuía seu cheiro ou lhe era tão desejável quanto ele. Ficou envaidecido diante do olhar de luxúria do vampiro sob seu corpo e ofegou quando o mesmo disse que tinha certa promessa a cumprir. Corou ao lembrar-se das coisas que o amante disse que fariam quando voltasse e gemeu deliciado o nome do amante diante da caricia por entre suas pernas.
- Heero...
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No dia seguinte:
Heero levantou-se pouco depois das três da tarde. Sentia-se cansado, mas tinha que falar com Treize e os outros, informá-los sobre o que acontecêra na Irlanda. Ele deixou Duo dormindo na torre, sem coragem para acordá-lo, ao notar o quão tranquilamente o humano dormia. Foi até o quarto, trocou de roupa e desceu as escadas atrás de Kimitsu pedindo-lhe que providenciasse acomodações e alimento para pelo menos quinhentos vampiros no mínimo.
Ele foi até a cidade verificar como andavam as coisas. Notou que muitos vampiros de seu clã haviam desaparecido e as notícias que tivera não eram das melhores. Sabia que teria que reforçar a segurança na cidade para que os outros conseguissem chegar ao castelo em segurança. Pouco depois das quatro da tarde resolveu retornar ao castelo, encontrando Treize e os lideres do Maguanac despertos, apenas aguardando sua chegada.
Contou a eles sobre o apoio de Noventa e dos clãs Dhanylhos e NightRose, o que deixou Treize surpreso, diante da aceitação de Amadeos em ajudá-los e aliviado por saber que em poucos dias teriam reforço.
- Então eles chegarão em alguns dias.
- Exatamente Auda, pedi a Kimitsu que providencie acomodações e alimentos. Espero apenas que tudo dê certo. Os caçadores estão avançando lentamente em direção ao castelo, acredito que é apenas questão de semanas até que consigam ocupar a cidade por completo.
- Adam disse que muitos dos nossos desapareceram e o que foi encontrado de alguns era muito pouco para podermos identificar.
- Relena não se dará por vencida e vai continuar a investir contra nós de maneira lenta e incisiva. No entanto, não estou disposto a ceder ou recuar. Quanto mais ela matar dos nossos mais homens mandarei atrás dela.
- Falta muito pouco para o solstício de inverno; acha que Mirla vai contactá-lo logo?
Os olhos de Heero avermelharam-se diante do nome do Necro. Até o momento, a criatura não havia entrado em contato, mas sabia que o faria em breve e tinha alguns planos em relação a ela.
- Não sei; mas tenho certeza de que deverá aparecer logo. Afinal ela parece ter tanto interesse quanto nós em que Relena não obtenha sucesso.
Treize meneou a cabeça em acordo. Não podiam negar que Mirla os estava ajudando apenas por interesse próprio; embora esse lhes fosse desconhecido por completo. Ainda assim, deveriam estar preparados para o que quer que ela pudesse fazer contra eles.
Heero estava para perguntar algo quando a porta abriu. Sorriu ao ver Duo passar por ela e se encaminhar para ele, que o recebeu em seus braços, ignorando a presença dos demais. Sabia que o amante havia acordado a poucos minutos, pois o mesmo lhe havia contactado mentalmente, informando que iria tomar banho e comer algo antes de procurá-lo.
- Tudo bem?
Duo não pôde deixar de perguntar. Havia notado que o amante parecia pensativo e gostaria de ter a mesma habilidade de Quatre e assim poder ler a mente do vampiro. Heero meneou a cabeça, beijando o amante suavemente antes de dirigir-se ao ouvido de Duo e sussurrar algo que o fez corar e sacudir a cabeça em acordo. Pediram licença em silêncio aos demais, deixando a sala de mãos dadas, em direção a floresta ao redor do castelo.
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Algumas horas depois:
Duo remexeu-se na cama incomodado. Haviam acabado de retornar da floresta onde haviam se amado maravilhosamente em meio ao mato, como dois adolescentes apaixonados.
- Você acabou comigo Heero... minhas costas estão me matando.
- Não o ouvi reclamando.
- Como poderia? Sendo tão maravilhosamente possuído por trás... acho que você arrancou algumas mechas do meu cabelo... minhas costas tão coçando e latejando.
- Deixe-me ver.
Duo se virou, deixando que Heero visse suas costas. Estas estavam vermelhas e irritadas, com pequenas bolhas avermelhadas. Não parecia ser nada grave, mas de certo bastante incômodo.
- Está meio avermelhado... acho que não deveríamos ter deitado naquela moita.
- Deitado?!!!! Que eu saiba você me jogou no chão e montou em cima de mim.
- Sua culpa, meu erro.
- Minha culpa?!!!
- Sim; quem manda ser tão desejável? Não consegui conter meus instintos de possuí-lo.
- Heero...
- Vou ver se Kimitsu tem algo que possamos passar em suas costas; enquanto isso tome um banho.
Heero beijou-o suavemente, antes de deixar o quarto e descer a procura de Kimitsu. Duo sorriu, antes de erguer os olhos e ver Mirla parada junto à janela, o que fez com que seu sangue se esvair do rosto, deixando-o pálido e trêmulo.
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Heero não havia demorado muito para encontrar Kimitsu. Disse a ele por alto o que havia ocorrido e do que precisava. Estava apenas aguardando que o empregado prepara-se a solução quando sentiu uma presença inconfundível que fez seu sangue ferver. Com uma calma que estava longe de sentir, deixou o empregado, encaminhando-se para o quarto onde deixara o amante.
- O que quer?
Mirla aproximou-se do humano lentamente, antes de responder-lhe a pergunta, sabia que logo Heero estaria ali com eles e não poderia demorar-se.
- Você sabe o que eu quero.
Duo tremeu antes de responder, tendo o desprazer de vê-la sorrir.
- Meu sangue.
- Exato. Vamos fazer um trato. Você me dá seu sangue e eu os ajudo a desvendar a profecia antes do solstício de inverno.
- Solstício de inverno?
- Sim, quando a profecia se tornará real, ou não.
Duo ficou em silêncio. Sabia que não deveria concordar com a criatura, mas não via outra escolha para ajudar os outros. Havia ouvido Treize comentar com Heero que a data descrita na profecia se aproximava e ela se daria dali a doze dias exatamente.
- Quanto do meu sangue?
Mirla sorriu, causando arrepios em Duo, que tentava em vão não tremer, mesmo que tivesse ciência de que ela desvendava seus pensamentos.
- Todo ele.
- Mas eu...
- Morreria? Sim, mas não acha que é um pequeno preço a ser pago pela segurança daqueles que ama?
- Eu...
Duo levou a mão ao peito fechando-a. Olhou para Hugh, que se encontrava caído no chão. O Lycan havia invadido o quarto ao sentir o cheiro do Necro ao passar por ali. Entretanto fôra facilmente derrubado pela criatura que não fez anda além de olhá-lo nos olhos, antes que o mesmo fosse arremessado contra a parede, caindo inconsciente. Sua mente fervilhava, em busca de uma resposta, embora nenhuma o agradasse. Se aceitasse o acordo, nunca mais estaria com Heero. Mirla aproximou-se, levantando o rosto do humano. Podia ver-lhe os sonhos, ânsias e temores, através da íris violeta.
- Não se preocupe, não desejo seu sangue agora. Você precisará estar vivo, para que possa impedir a profecia, além do quê, o mesmo não me serviria neste momento. Mas um dia, eu o procurarei e você me entregará seu sangue de livre vontade.
- Quanto tempo?
- Porque quer saber? Pelo vampiro?
- Heero... prometeu...
- Fazê-lo como ele, uma criatura das trevas.
- Como sabe?!!
Mirla sorriu, correndo as unhas longas pela face clara e amedrontada. O humano lhe era tão previsível. Sempre o fora.
- Já disse que sei muito mais sobre você do que você mesmo sabe.
- Eu...
Heero chegou ao quarto e não gostou nada do que viu. Seus olhos ficaram vermelhos como sangue e suas presas cresceram além do que Duo jamais vira antes; assustando-o pelo que viu flamejar nos olhos do amante e da voz imperiosa e cortante.
- Afaste-se dele Mirla. Duo não lhe entregará nada. O sangue dele pertence a mim e a mais ninguém.
Mirla afastou-se e sorriu sarcasticamente, curvando-se em falso respeito. Ele estava bem perto daquilo que fôra antigamente. A época em que ele caminhava com Relena, sedento por sangue e destruição.
Heero aproximou-se da cama, colocando-se entre Duo e a criatura que se mantinha distante, com a fronte curvada. Ela ergueu a cabeça ligeiramente, sorrindo ironicamente, enquanto as palavras eram cuspidas de seus lábios pálidos.
- Heero Yuy, filho de Yamada Yuy e Takito Muhara. Morto no ano de 1700, por Relena Peacecraft. Atualmente o Shuhan do ichizoku dos Khushrenada.
Heero agarrou a garganta de Mirla sem que a mesma houvesse percebido seu movimento. Ela ofegou diante da força que emanava do vampiro de olhos azul cobalto. Sabia que ele tinha forcas para matá-la simplesmente com as mãos se quisesse; embora soubesse que a força dele não se restringia a força física apenas.
- Dê-me apenas um único motivo para não matá-la. Você já me incomodou e perturbou o que me pertence vezes demais.
O Necro ofegou ao sentir o aperto intensificar-se e seu sangue começar a escorrer pelas garras presas em sua garganta. Ainda assim, sorriu maldosamente, esforçando-se para que as palavras saíssem de maneira esganiçada.
- Você precisa de mim para desvendar a profecia.
Relutantemente Heero a soltou. A criatura caiu no chão sorrindo ainda mais, antes de segurar a garganta. Ela olhou para a porta, vendo o vampiro loiro e sorrindo mais ainda ao ver o olhar de raiva em seus olhos vermelhos. Ele e Trowa haviam sentido a presença e ouvido a voz de Heero, mas não esperavam encontrar o Necro ali. Trowa olhou para Heero um tanto quanto surpreso, diante da fisionomia que nunca vira no rosto dele. Era como se fosse a primeira vez que o visse realmente. O vampiro segurou o amante pelo braço ao notar que o mesmo tinha a intenção de enfrentar a criatura. Mirla voltou seus olhos para Heero e depois para o humano atrás dele.
- O guardião e o escolhido. Irônico vê-los juntos novamente.
Heero estreitou os olhos, aproximando-se de Duo e acolhendo-o em seus braços, diante das palavras insinuosas de que ele e Duo já haviam se encontrado antes dele vir a Epyon.
Duo agarrou o braço de Heero, apertando-se diante das palavras dela. Algo em seu íntimo o incomodou; aceitando como verdade o que a criatura dizia.
Mirla levantou-se, deixando que sua presença desaparecesse na névoa negra. Deixando que sua voz ecoasse no quarto antes de desaparecer por completo.
- Encontre-me amanhã a meia-noite. Na entrada dos túmulos localizados a leste do castelo.
Heero voltou-se para Duo com o semblante fechado. Por pouco não cedêra a vontade matá-la, mesmo sabendo que a criatura era necessária para pudessem desvendar a profecia por completo.
- Heero.
O vampiro olhou para o humano, mudando o semblante carregado diante da voz temerosa do amante; estendendo os braços ao redor do corpo amado.
- Vai ficar tudo bem, não se preocupe.
Duo deixou-se ser abraçado por Heero, vendo Trowa abaixar-se junto a Hugh e verificar se o Lycan estava bem. O moreno sorriu para ele, antes de deixá-los a sós, levando Hugh e Quatre para fora do quarto. Os dois permaneceram em silêncio, apenas observando a noite lá fora, indagando-se o que Mirla havia queria dizer quanto ao fato deles estarem juntos novamente.
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Noite seguinte – Por volta da meia-noite – Faltando doze dias para o solstício de inverno:
O vento uivava forte quando Heero chegou ao local de encontro com a criatura, no horário combinado. Encontrou-a sentada sobre um dos túmulos, que guardavam os antepassados e descendentes da família de Treize. Tanto humanos quanto vampiros. Embora sua maioria fosse humana. Mirla sorriu ao ver Heero chegar e não perdeu tempo; iniciando a conversa que trouxera o vampiro até ela.
- A profecia se inicia no solstício de inverno, no cair da primeira hora de quando a profecia foi criada.
- Primeira hora?
Mirla meneou a cabeça caminhando por entre as lapides, detendo-se em uma delas, antes de voltar-se a Heero.
- Sabe o porquê da profecia iniciar-se neste dia? Ou do porquê dela ocorrer aqui nesta cidade?
- Tem a ver com as espadas e o ferreiro. Ele morava nessa região há muitos anos atrás não é?
Mirla sacudiu a cabeça em negação. Como já imaginava, os vampiros não tinham a mínima idéia do real motivo de tudo. Embora isso não a surpreendesse, e sim a aborrecia.
- Não é esse o motivo. Eles foram apenas um dos caminhos que levam a porta, mas não a chave que a abre.
Heero olhou para a criatura sem entender. Pelo que sabia, as terras dos Khushrenada há muito tempo atrás, possuíram outro nome. O sobrenome do ferreiro que criara Yami e Hikari. Pelo que conhecia da profecia tudo girava em torno delas e do ferreiro. Mesmo que não entendesse o porquê disso. Mirla olhou para Heero, sorrindo ironicamente antes de voltar a falar.
- Sabe a razão dessas terras pertencerem aos Khushrenada?
Mirla não aguardou que Heero respondesse, simplesmente apontou para um local, aguardando que o vampiro viesse até ela. Heero caminhou até o Necro mediante o sinal para que se aproximasse. O nome que viu escrito na lápide o surpreendeu de certa forma. Uma vez que não esperava encontrar o tumulo que jazia a sua frente. Na verdade nunca acreditara que o mesmo existisse. Voltou-se para a criatura que havia se afastado e retornado para junto do túmulo de pedra, que parecia encantá-la de alguma forma.
- Você não esperava encontra-lo aqui não é? Vladz Draskuneinzh Khushrenada, nascido no inicio das eras, filho de Nellian Lanzconesk e Mickaels Khushrenada, irmão do Duque Dermail, atual shuhan do clã Romefeller.
Mirla sorriu dançando ao redor do tumulo de pedra, fascinada com tanta ironia, quanto a história do vampiro do qual falava. Ela parou, agarrando uma das pontas o tumulo e olhando para Heero sinistramente antes de continuar a falar sobre o antigo shuhan dos Khushrenada.
- Bravo, feroz, corajoso, valoroso... morto... forte, mas não o bastante para me vencer.
Um trovão ecoou ao longe, sempre completamente ignorado por eles. Heero estreitou os olhos diante do que ouvira e do sorriso cínico de Mirla, que se curvara em falsa reverência diante do túmulo. Sabia que Treize vinha procurando o tumulo há séculos, e já havia perdido a conta de quantas vezes mandaram revirar a propriedade atrás do tumulo que guardava os restos imortais do primeiro Shuhan do clã Khushrenada. O vampiro natural, que era o pai de Treize. Então fôra Mirla que o havia matado, o que significava que ela era ainda mais velha que muitos deles. Heero voltou sua atenção ao Necro, ciente de que Treize não gostaria de finalmente descobrir o que havia ocorrido ao pai.
- Tão perto e ainda assim jamais o encontraram não é? Imagino o quanto Treize Khushrenada ficará feliz em saber onde o corpo do pai dele está, depois de tantos séculos a sua procura.
- Como sabe...
- Que estavam à procura do corpo? Eu poderia dizer, até mesmo contar como o matei, mas acho que temos outros assuntos a tratar do que falar do corpo de um vampiro morto.
Heero meneou a cabeça. Sabia que o que Mirla tinha a contar sobre a profecia, no momento era mais importante que qualquer outra informação que pudesse obter acêrca de Vladz Draskuneinzh Khushrenada.
- Continue.
Mirla se aproximou, ignorando as presenças daqueles que a haviam seguido até ali. Eles eram míseros caçadores a mando de Mackaczi, que desejava descobrir seus passos. Como se isso fosse interferir em seus planos. Procurou inibir a presenças deles, para que Heero não os sentisse. Não desejava perder seu tempo assistindo a uma luta cujo final já lhe era conhecido. Os mandantes enviados pelo líder dos caçadores, eram como recém-nascidos na presença de um lobo faminto. Presas fáceis a alguém como Heero Yuy.
Ela voltou seu olhar para o céu, antes de voltar o olhar para o vampiro que a aguardava em silêncio. Recitou algumas palavras e logo as sombras ao redor se agruparam, mostrando a ambos, o que já começava a contar sobre a profecia.
- Há muito tempo atrás, numa era onde seres como vocês, Romefeller, Peacecraft e outros ainda não caminhavam neste mundo, criaturas de extrema beleza e pureza caminhavam por entre os humanos.
- Você fala de anjos?
- Não... falo de uma época bem depois da criação deste mundo. Depois da grande destruição e renovação do homem. Refiro-me aos primeiros humanos nascidos após a destruição de tudo. Falo de um ser que não conhecia a maldade ou a luxúria. Imagine um recém nascido no ventre de sua mãe, o que ele seria sem o contato com o mundo externo?
- Puro.
Mirla sorriu deslizando o dedo pela parede ao redor do tumulo, detendo seus olhos nas figuras esculpidas na pedra, contando a história de eras passadas.
- Imagine o mesmo recém nascido, exposto à maldade e a luxúria daqueles que conheciam a luz, mas preferiram abraçar a escuridão de seus corações. Imagine toda a inocência e pureza corrompida pelo desejo da imortalidade. O que ele seria?
- Está dizendo que somos a prole dos humanos corrompidos?
- Seria muita pretensão de vocês se achassem isso, estou dizendo que vocês... vampiros foram os responsáveis pela criação da profecia e de sua própria desgraça.
- Nós?!!
Mirla fez um gesto com as mãos antes de voltar-se para Heero, mostrando os túmulos a cercá-los, dizendo cada um dos nomes daqueles que haviam sido enterrados ali. Cerca de vinte túmulos, sendo dois deles, sem lapide. Os mesmos que contavam a história dos Khushrenada. Heero ouviu cada um dos nomes, detendo-se na frente dos dois túmulos sem lapide, cujo nome Mirla ainda não havia proferido.
- E esses dois. Quem são?
Heero viu Mirla sorrir e não responder a pergunta, mesmo sabendo que ela sabia a resposta. Ele voltou sua atenção ao Necro ao ouví-la voltar a falar, caminhando até onde a criatura se encontrava bem ao centro sob a abertura da abóbada que cercava a área dos túmulos.
- Você sabe por que alguns de vocês são chamados de naturais? Os naturais são aqueles que não nasceram pelo sangue, mas que já vieram ao mundo, dotados da imortalidade.
Mirla mostrou a Heero nas sombras, o nascimento de uma criança. Ela tinha cabelos ruivos e a pele translúcida. Quando o menino abriu os olhos para encarar a mulher que lhe dera a vida notou que ele tinha os olhos rubros. Assustando não apenas a mulher, mas o homem a seu lado. Heero voltou-se para Mirla que meneou a cabeça diante da constatação de como nasciam à maioria dos naturais.
- A maioria nasceu de mulheres humanas. Muitos acreditam ser uma anomalia genética, mas quem poderia afirmar de fato como eles surgem? Os primeiros foram criados por uma força superior e seus descendentes receberam a carga genética deles. Mas apenas a cada duas gerações é que humanos dão a luz a um natural. Que se desenvolve como um humano comum sem a necessidade de sangue, embora a sede esteja presente. Ela não é incontrolável, pelo menos não até serem abraçados.
Mirla sorriu ironicamente, deleitada com algo que apenas ela sabia. Era a segunda vez que sentia que Mirla lhe escondia algo a respeito dele, e pela segunda vez não teve chances de perguntar-lhe antes que a criatura voltasse a falar, fazendo-o prestar atenção ao que dizia.
- Esses naturais corromperam o homem, ao entrar em contato direto com ele. Que vislumbrados pela imortalidade, convenceram os naturais a abraçá-los, o tornando um de vocês. Entretanto o homem não estava preparado para suportar a maldade de seu coração e a Terra foi amaldiçoada por permitir que andassem por ela.
Heero caminhou ao redor, notando que havia novamente parado em frente aos túmulos sem lapide, por alguma razão isso o incomodava. O que Mirla dizia fazia certo sentido, embora não entendesse o que isso tinha haver com a profecia em si.
- Você diz que nós somos culpados pelo surgimento da profecia, mas como isso é possível?
- Os Necros existiam há mais tempo que vocês. Mas sua cobiça, medo e inveja nos destruíram. Vocês nos caçaram como se fossemos ratos em um labirinto e porque? Porque nos temiam, como ainda me temem.
Heero estreitou os olhos diante das palavras carregadas de ódio. Não conseguia nem imaginar como Mirla conseguia andar com Relena e os caçadores e até mesmo estar ali ajudando-o; carregando tanto ódio contra os de sua espécie.
- O que o extermínio de seu clã tem há ver com a profecia?
- Nós criamos a profecia. Ela existe apenas para reunir as peças, para que tudo se encaixe e nós tenhamos nossa vingança.
- Como?
- A vida é um equilíbrio de forças. O bem contra o mal. A alegria contra a tristeza. A dor contra o prazer. Se Relena ou Romefeller obtiverem sucesso, esse equilíbrio estará rompido, uma vez que a humanidade não sobrevivera à fome deles. Nem mesmo vocês viverão. Não que suas existências sejam importantes, mas o fato é que vocês precisam dos humanos para viver e eu preciso de vocês vivos, para obter minha vingança por completo.
Heero voltou-se para o céu, ponderando sobre as palavras dela. Sua mente voltou-se para a floresta ao redor e ele estreitou os olhos, olhando na direção dela, fazendo Mirla sorrir.
- Você os sente, mesmo eu tendo bloqueado a presença deles.
- Eles não são tão discretos quanto querem parecer.
- Você é um dos poucos que conhece sua força e os limites de sua habilidade, embora as esconda de todos.
Heero ignorou as palavras de Mirla, voltando sua atenção ao assunto que o levara ali. Sabia o que era. Conhecia bem suas habilidades. Apenas não se utilizava delas, por que nunca encontrara um adversário a altura e não acreditava que necessitasse delas para vencer um combate normal.
Mirla sorriu diante do espetáculo que apenas ela parecia entender. Ele havia crescido tanto ao longo das eras. Tudo graças a Treize Khushrenada. Se o vampiro de olhos frios houvesse permanecido ao lado de Relena, tinha certeza de que ela não estaria viva e ele não teria se tornado o que era agora. Alguém a se temer por completo. Era a primeira vez que encontrava um vampiro que lhe causava admiração e temor. Sentimentos bem diferentes do ódio que carregava pela espécie dele. Não pôde esconder sua satisfação ao falar sobre ele, mesmo sabendo que ele era seu inimigo.
- Eu sempre soube que você era diferente. Mesmo antes de Relena encontrá-lo naquele dia.
Mirla sorriu ironicamente diante do que transparecia nos olhos do vampiro, respondendo-lhe a pergunta não formulada.
- Sim eu estava lá. Eu sei tudo sobre vocês. O que foram, são e se tornarão ao longo dos anos.
Heero estreitou os olhos, ciente de que a criatura falava não apenas dele, mas também de Duo. Embora não entendesse o que ela queria dizer. Ao que parecia ela os andava vigiando muito mais do que gostaria de supor. Sentiu sua natureza rebelar-se ao ouví-la falar dele. Como se o conhecesse plenamente.
-Sua força física e frieza escondem sua verdadeira natureza. Aquela que Relena tanto ama. Você poderia me derrotar facilmente se quisesse. Mas diferente de mim, você não utiliza sua força para provocar o mal ou dor desnecessária. Apenas quando tocam no que lhe pertence.
Os olhos de Heero tornaram-se rubros quase negros, quando deu um passo em sua direção, fazendo Mirla tremer deliciada pela força que emanava dos olhos frios do vampiro. Era incrível que alguém com tamanha força se sujeitasse a pedir ajuda ao invés de exigir, com suas habilidades.
- Vocês já puderam ver a escrita na lâmina?
Heero resmungou algo diante da mudança de assunto, procurando lembrar-se da inscrição nas lâminas. Elas haviam aparecido uma única vez, durante a batalha contra os caçadores. Lembrava-se de ter visto a inscrição segundos antes de um calor terrível irradiar de Hikari, pouco antes de o lugar mergulhar em uma luz ofuscante. Estivera tão preocupado com o amante e com os resultados da batalha que não se lembrou de averiguar o que a inscrição dizia, ou se Duo também a havia visto. A verdade era que as espadas ainda lhe eram um verdadeiro mistério.
Mirla observou em silêncio o atual shuhan dos Khushrenada. Não esperava realmente que ele soubesse mais sobre Hikari e Yami do que ela já havia permitido que lhe fosse revelado. Entretanto, já era chegado o momento dele desvendar por completo as espadas e seu poder, de outra forma jamais veria realizados seus intentos.
- Cada uma das espadas possui uma determinada finalidade. Você, bem como o humano já devem ter sentido a essência delas.
- Sim, já sentimos.
- E ouviram suas almas.
Heero estreitou os olhos, mas meneou a cabeça em acordo; tornando a ouvir a voz da criatura ecoar sombria na noite.
- Cada uma possui três verdades distintas quanto a sua natureza e finalidade e todas elas estão relacionadas entre si através da lâmina, da bainha e empunhadura. Entretanto apenas a inscrição da bainha e o Kanji na empunhadura são visíveis, quando elas não manifestam seu poder. A inscrição da lâmina aparece apenas quando as espadas estão juntas a seus guardiões e quando os mesmos estão em perigo.
Sim, Heero se lembrava que a inscrição na lâmina apareceu no momento em que estavam prestes a sucumbir, enquanto o kanji na bainha e empunhadura estavam sempre presentes, embora não entendesse seu real significado.
- Como o próprio nome já diz Yami simboliza as trevas e o Kanji em sua empunhadura representa o escuro ou a total ausência de luz. A bainha fala sobre sua natureza o que todos nós buscamos de uma forma ou de outra, embora para muitos o significado em si varia de acordo com o que buscamos.
- Luz.
Mirla deu um meio sorriso diante das palavras de Heero acêrca da inscrição na bainha de Yami.
- Sim, Trevas para encontrar a Luz, assim como é necessário a Luz para clarear as trevas.
- Hikari.
- Exato. Ela simboliza a Luz e o Kanji em sua empunhadura representa a total ausência de escuridão. Capaz de clarear a mais negra das noites ou guiar a mais perdida das almas.
- E quanto às lâminas?
- Ambas simbolizam a passagem através de um único meio. O que é tão imprescindível a ambas as espécies, embora de maneira reversa.
- Sangue.
- Sangue para a morte ou sangue para o renascimento.
- Você se refere à passagem da vida mortal para a imortal. O caminho trilhado por aqueles que um dia foram humanos e se tornaram vampiros através do sangue.
Mirla sorriu, diante da percepção de Heero. Ele estava mais perto de descobrir o segredo do que imaginava.
- De certa forma. Yami representa a escuridão e morte pelo sangue. Enquanto Hikari representa o renascimento; a saída da escuridão para a luz através do sangue.
Heero meneou a cabeça em entendimento. Fazia certo sentido o que Mirla dizia. Tanto vampiros quanto humanos necessitam de sangue para sobreviver. Embora de maneiras diferentes. Sendo que a passagem de humano a vampiro poderia ser representado por um círculo, num determinado ciclo; sangue para a morte. Perde-lo para deixar de se mortal. Sangue para renascimento. Recebe-lo para tornar-se imortal. Mirla olhou para Heero ao ouvi-lo perguntar:
- O que mais há nelas, para saber?
- A empunhadura delas possui três finas linhas. Vermelho, dourado e branco em Hikari, Vermelho, prata e branco em Yami. Você sabe o que essas três linhas significam Heero Yuy?
- Sangue, luz e renascimento. Sangue, trevas e morte.
- Exato.
Mirla sorriu sarcasticamente ao perceber que Heero já compreendia em parte as espadas e cada parte delas.
- Sabe porque a linha branca possuiu significados diferentes para cada uma?
Heero ponderou durante alguns segundos acêrca de tudo o que ouvira de Mirla até o momento, chegando a conclusão que a criatura esperava dele.
- O branco significa a ausência total de alguma coisa. Então seria correto pensar que ela poderia ter dois significados simbolizando um ciclo, onde se termina um para começar outro.
- Exato.
- E quanta a profecia em si? Pelo que sei, ela possui três partes e você me diz que vocês criaram a profecia; mas nos culpa pelo surgimento dela.
- Se sua espécie não houvessem nos temido e nos destruído, não teríamos porque nos vingar. Mas tem razão, a profecia tem três partes, como é mesmo?
Heero grunhiu aborrecido diante da ironia de Mirla. Sabia que a criatura estava dizendo apenas o que ele deveria saber, nada além disso. E não parecia dizer nada diretamente, mas utilizando-se sempre de ironia e enigmas, como agora.
Mirla olhou o vampiro, divertindo-se com seu aborrecimento. Estava disposta a contar-lhe tudo o que fosse necessário, mas via que ele poderia descobrir por si só. Por isso indicaria apenas o caminho, deixando-o com suas divagações; uma vez que sabia que ele descobriria a verdade ao final delas. Olhou para ele, deixando que o mesmo falasse sobre a primeira parte da profecia, o que aumentou o aborrecimento do vampiro de olhos azul cobalto.
- A primeira parte fala sobre um mal que será libertado. Quando a humanidade cairá na escuridão eterna e os demônios da noite governarão os fracos e deles se alimentarão. Então a terra será coberta por trevas e sangue.
- Exatamente. E a segunda fala sobre as espadas e sobre você e seu amante humano.
- Porque?
Mirla deu de ombros antes de sorrir, formando um desenho na terra. Heero aproximou-se dela, vendo que ela desenhava um símbolo. Um círculo, com escritas num dialeto desconhecido, com duas estrelas de cinco pontas sobrepostas numa cruz invertida ao centro. Ele sabia que já o havia visto em algum lugar, mas não conseguia lembrar-se de quando ou onde.
- É familiar a você?
Heero meneou a cabeça, vendo-a apagar o símbolo com um simples varrer da mão, de sobre a superfície e voltar a se aproximar, sentando-se a sua frente sem o sorriso irônico de sempre.
- A segunda parte da profecia diz que uma na luz foi criada e pela luz será guiada. A outra nascida das trevas e pelas trevas não se pode guiá-la. A mão que as tomar, luz ou trevas o mundo encherá, mas não é a mão, mas o coração que ditará o caminho. Duas elas são e um eles deverão ser. Encontrar a elas somente não há de bastar. O escolhido não nascido, deverá ser encontrado; antes que a luz nele se apague, pois se a escuridão o tomar, a terra em trevas eternas caíra.
- Duo.
- Na época, ele ainda não havia renascido.
- Renascido?!!!
Havia surpresa na voz do vampiro e sabia que o mesmo realmente não havia notado, ou deveria dizer; se lembrado do humano que tomara por amante mais uma vez.
- Você acredita quê; quando morremos a alma volta ao inicio, a fonte que a criou e permanece lá, esperando uma chance de retornar? Ainda mais se ela tem motivos fortes para renascer novamente? Não é incomum você achar que conhece alguém, mesmo nunca tendo-o visto antes, embora saiba que a conhece?
- Então...
- É a segunda vinda dele, embora não se lembre... ainda. Vocês poderiam muito bem terem se esbarrado antes.
"Não tem medo de mim.?"
"Tenho, mas temo muito mais, ignorar o que sinto aqui dentro."
Heero piscou incerto, diante das vozes em sua mente. Sabia que uma delas pertencia a ele. Numa época em que mal conseguia distingui alguma coisa que não fosse sua sede por sangue. A outra lhe era estranhamente familiar. Embora não conseguisse se lembrar a quem pertencia.
Mirla acompanhou com o olhar a expressão de dor que tomou o rosto do vampiro, sem que o mesmo notasse. Ela gostaria de poder atormentá-lo mais um pouco, acêrca de seu passado sangrento, mas não tinha tempo para entreter-se com a confusão dele.
Heero abriu os olhos ao ouvir o Necro voltar a falar, deixando-o ainda mais confuso sobre o que ela quisera dizer sobre ele já ter encontrado Duo. Obrigou sua mente a focar-se na conversa, perdendo parte do que ela havia dito sobre a terceira parte da profecia.
- A maioria dos sortilégios e encantamentos se concentrou entre os celtas, que tinham o costume de adorar, advinha a que povo?
Heero fazia certa idéia a que povos ou deuses os celtas deveriam cultuar, bem como imaginar o que eles haviam aprendido com eles. Mirla torceu os lábios num sorriso falso, antes de voltar a falar sobre os celtas.
- Pode se dizer que eles tinham certa familiaridade com a magia de meu clã. Eles aprendiam rápido para meros humanos.
- Imagino.
- Como sabe, o solstício de inverno tem a noite mais longa do ano, o que é propício para o início da profecia, uma vez que os astros se encontram em perfeito alinhamento com uma determinada estrela.
- Que estrela?
- Mhorthyus.
Um relâmpago cortou o céu iluminando-os, como se fosse dia. O vento tornou-se mais forte, anunciando o início de uma tempestade. Heero ignorou os trovões que haviam começado a alguns minutos e estavam aumentando, disposto a sanar suas duvidas, mesmo que significasse ficar encharcado pela chuva.
- Mhorthyus?!
- Exato. Na cultura dos celtas Mhorthyus, a décima terceira estrela, da constelação de Necrythos, que segundo os magos, seria a constelação do inicio do fim. Ou deveria dizer, a estrela da destruição.
Heero fechou os olhos momentaneamente. Já havia ouvido falar de Mhorthyus. Se não estava enganado, quando estava à procura de Yami, numa cidade ao sul da Irlanda. Um velho de aparência estranha, o havia advertido sobre a busca de Yami e Hikari, dizendo-lhe que ambas eram a chave para guiar o inicio da destruição.
0.0.0.0.0.0..0.00.0.0.0.0.FlashBack0...0.00..00..00.
Sul da Irlanda – Província de Kellhys – 1850:
As construções rústicas e pobres do local pareciam contribuir para o estado de desolação da região. Estava seguindo outra pista, quanto ao paradeiro de Yami; enquanto Trowa permanecia na Turquia com Catherine. Não tinha certeza se dessa vez encontraria alguma informação que o levasse a outra espada, mas não podia simplesmente ignorar uma pista, ainda mais quando parecia que havia sido levado até onde se encontrava.
Continuou a caminhar entre as vielas escuras, a procura de um determinado endereço. Mas parecia que estava apenas dando voltas e mais voltas, sem chegar a lugar algum. Parou aborrecido, disposto a retornar a cidade e ao hotel onde estava hospedado, deixando seu regresso à Turquia para a noite seguinte. Recomeçou a andar, quando um sussurro o fez parar novamente. Olhou para o beco a poucos metros. Um velho de aparência estranha encontrava-se poucos metros a sua frente. Mesmo na escuridão podia ver que os lábios do mesmo não se moviam, mas ainda assim podia ouvir o som de sua voz.
- Mhorthyus se aproxima. O inicio do fim está próximo. Você não deve continuar sua busca, ou condenara todos a destruição.
Ele não gostou nada da forma como a voz daquele velho penetrava em seus ouvidos, mesmo o humano não movendo os lábios. As palavras dele não faziam sentido, bem como a resposta dada a sua pergunta.
- Quem é Mhorthyus?
- A mensageira de Necrythos. O senhor daqueles que não mais existem.
Heero deu um passo à frente, detendo-se ao ouvir um grito a suas costas. Voltou-se para atrás não vendo nada. Quando voltou seus olhos novamente na direção do velho, o mesmo havia sumido.
0.00.0..0.0..00..0.0.0..0 Fim- flashback 0.00.0..0.0..00..0.0.0..0
Mirla viu o vampiro abrir os olhos e sorriu. As peças finais estavam se encaixando. Faltava muito pouco para que o fim se aproximasse. Apenas doze dias.
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Castelo Khushrenada:
Duo entrou no salão, que havia sido preparado por Kimitsu; conforme seu pedido. Velas iluminavam parcialmente o salão, em sua maioria ao redor do piano. Quatre meneou a cabeça assim que viu o amigo entrar, todo vestido de negro; como se fosse a própria morte, carregando displicentemente sua guitarra.
Duo sorriu ao amigo, correndo os olhos por sua roupa. Parecia que o negro estava em alta aquela noite. Quatre vestia uma calça negra e uma camisa vermelha contrastando com a pele pálida exposta na altura do peito. Hugh vestia uma calça preta e uma camisa branca rendada nos punhos, lembrando em muito as roupas usadas no século XV.
Duo olhou através das portas abertas do terraço em direção ao céu escuro cortado pelos relâmpagos. Em poucos minutos começaria a chover. De certo modo sentia-se como a tempestade a começar do lado de fora. Não sabia ao certo porquê. Se pelo fato do sangue de Heero ainda percorrer seu corpo, ou pelo do fato do vampiro neste momento estar na companhia de Mirla em algum lugar nas terras ao redor. Tocou a marca em seu pescoço feita a poucas horas, antes de Heero sair para encontrar o Necro, sentindo a veia próxima a ela queimar.
Duo afinou a guitarra, olhando Hugh afinar o piano, sob o olhar aborrecido de Quatre, que segurava seu violino, olhando a partitura que ele havia entregado ao vampiro na noite anterior. Duo tocou a primeira nota, sentindo a música fluir por seu corpo, ouvindo em poucos segundos os acordes do violino de Quatre. Havia composto uma música para guitarra, piano e violino, de forma que pudesse integrar e unir Quatre e Hugh através da música. Aliado ao fato de que precisava fazer alguma coisa para acalmar sua mente da saudade que sentia de seu trabalho no clube.
Quatre olhou para o amigo, que tinha os olhos fechados e parecia carregado pelo acordes da guitarra. Olhou para o Lycan que esperava a deixa para entrar e tocar, quando ouviu a voz rouca de Duo ecoar pela sala.
Renaissance - Renascimento (by Yoru no Yami) [8
In the darkness of night
I hear a sound and feel
A cold touch in my soul
Na escuridão da noite
Eu ouço um som e sinto
Um toque frio em minha alma.
Someone in my dreams says
That this is the night
The night all my wildest dreams will arise
Burning me from inside like fire
And even when I succumb to my insanity
I'll revive as a pure being by the touch of your hand
Alguém em meus sonhos diz
Que esta é à noite
À noite em que meus desejos mais insanos virão à tona
Queimando-me por dentro como o fogo
E mesmo sucumbindo a minha insanidade,
eu renascerei puro pelo toque de suas mãos
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Heero voltou sua atenção em direção ao castelo. Alguma coisa o queimava por dentro. Tão forte que sentia como se estivesse sendo esmagado por dentro. O primeiro pensamento que lhe veio foi Duo. A visão dele, parado no salão, na parte mais alta do castelo, vestido de negro como a noite, um verdadeiro anjo da morte, cantando, chamando-o a abraçá-lo e consumir sua frágil alma mortal. Mirla olhou para o Shuhan e sorriu, deliciada com tão peculiar e rara ligação. Ela não se enganara ao pensar que ele e o humano estavam predestinados a serem um só em todas as suas vidas até a morte.
- Ele o está clamando a abraçá-lo.
Heero virou-se para ela, sentindo a dor aumentar. A voz do humano parecia queimá-lo por dentro e o desejo de atendê-lo fazia sua natureza agitar-se.
- Como sabe?!!!
Mirla sorriu diabolicamente, fechando os olhos. Sentindo o curso do tempo ajustar-se aos dois naquele momento. Eles sabiam tão pouco deles mesmos. Tão ignorantes e ainda assim atraentes de se observar e estudar.
- A ligação entre vocês é forte. Eu posso sentí-la através de você. Posso ouví-lo chamar através da tempestade... a alma dele pede..
Mirla parou, analisando melhor e ignorando o olhar de fúria de Heero, que não se sentia feliz em saber o quanto a criatura parecia ver sobre ele e Duo. Nunca imaginara que o Necro detivesse tamanho poder. Conhecimento sim, visto que ela detinha o conhecimento de toda a sua espécie, mas o que ela demonstrava estava além de sua compreensão. Voltou sua atenção para ela, ouvindo-a falar:
- Ele exige que você o abraçe. Que o torne como você e você também deseja fazê-lo. Deseja partilhar a imortalidade dos dias com ele, embora o temor que tenha quanto a isso sobrepuje o desejo de abraçá-lo.
Mirla olhou para Heero, ciente de que ele não se sentia satisfeito por ela saber sobre seus sentimentos em relação à transformação de Duo em vampiro. Se ele soubesse que tal temor era proveniente de uma outra história já vivida. Se ele soubesse que ele poderia muito mais do que imaginava.
- Você deseja ir até ele agora, mesmo que sua mente lhe diga que ficar é mais importante. Sua natureza não lhe permite deixar de ouví-lo e desejar estar com ele.
- Como...
- Quer que lhe mostre? Mostre-lhe como estar com ele, mesmo estando aqui comigo?
Heero recuou um passo diante da satisfação que sentia vir do Necro. Ela parecia ter tanto prazer em mostrar-lhe algo que lhe parecia impossível. Duo estava longe demais dele para que pudessem estar juntos fisicamente. Ou estaria enganado?
- Isso é impossível!!!!
Mirla gargalhou ironicamente, observando-o como se lidasse com uma criança que está aprendendo a engatinhar.
- Nada nesse mundo é impossível para aqueles que sabem o segredo sobre todas as coisas. Você mais do que ninguém deveria saber disso Heero Yuy, Shuhan do ichizoku dos Khushrenada.
- Mostre-me.
Mirla moveu-se rapidamente, deliciada com a chance que se apresentava. Sabia que ele poderia matá-la, mas não o temia. Ainda não era chegado o momento e ele tinha sede de saber sobre os dons que ela possuía. Uma alma tão forte e curiosa. O guardião perfeito. Como dizia a profecia.
- Você deu seu sangue a ele à alguns dias.
Heero estreitou os olhos, mas nada disse. A visita dela ao amante ainda não lhe saia da cabeça e a vontade de matá-la era mais forte que tudo, mas havia prometido a Duo ouví-la e não matá-la. Querendo ou não precisavam dela para desvendar a profecia.
Mirla sorriu ainda mais, antes de ajoelhar-se diante do vampiro e desenhar na terra ao seu redor o símbolo de seu clã.
- Finque sua espada no início do circulo.
Heero fincou Hikari no início do circulo formado por Mirla. Uma luz dourada percorreu o desenho, afastando a criatura que levou a mão ao peito como se houvesse sido atingida por algo. Ele a olhou, notando o filete de sangue a escorrer pelos lábios pálidos, o qual ela colheu de forma divertida, apesar dos olhos dourados demonstrarem dor.
- Seu sangue tornou o elo entre vocês ainda mais forte, é por isso que suas almas podem se ouvir dessa forma. Mesmo que ele não possa empunhar Yami, a mesma está ligada a Hikari, sustentando a ponte formada pelo sangue, entre os dois. Feche seus olhos e veja-o com sua alma imortal. Ele sentirá sua presença como se você estivesse realmente com ele. Mas não dê o que ele lhe pede. Ainda não é o momento. Não deve abraçá-lo agora, ou a profecia será completada.
Heero fechou os olhos conforme a criatura disse, deixando que sua alma encontrasse Duo. Ele se viu percorrendo como o vento toda a terra dos Khushrenada; como se houvesse alçado vôo. Em segundos avistou o castelo imponente, na parte mais alta da região. Viu o terraço e através das janelas a figura de Duo.
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Duo fechou os olhos, sentindo seu coração bater mais forte. A melodia do violino de Quatre penetrava em seus sentidos, despertos pelo sangue de seu amante em seu corpo. Sentia as presenças vampirescas ao seu redor, bem como a sensação desconfortante de que era vigiado por olhos malignos.
Quatre olhou para o amigo, que parecia mergulhado em pensamentos sombrios. Não sabia exatamente que efeitos o sangue de Heero ainda estavam causando em Duo; mas era certo de que ele não parecia bem.
Duo sentia a presença de Heero tocando-o suavemente, como se ele estivesse ali com ele, acariciando-lhe o pescoço, roçando as presas na veia por onde fluía seu sangue. Podia ouvir-lhe a voz rouca confirmando-lhe o desejo, ecoando em seu coração, dizendo que o atenderia a seu tempo, mas não antes. Duo virou-se para Quatre. Seus olhos flamejando como labaredas, enquanto sua voz alcançava tons ainda mais altos e desesperados, sobrepondo à tempestade. Era quase como um chamado a Heero, pedindo, implorando que o mesmo o abraçasse de uma vez.
Touch me like you wish to be touched
Christen me with your lips on my neck
Drink my blood
Until no humanity is left of me
Grant me immortality through your blood,
And make me a vampire like you
Toque me como desejo ser tocado
Batiza-me com seus lábios em meu pescoço
Beba do meu sangue
até que não exista mais nada de humano dentro de mim
Conceda-me a imortalidade através do seu sangue,
e me torne um vampiro assim como você
0.00.0..0.0..00..0.0.0..0
Auda sentiu algo dentro de si agitar-se, diante da voz melodiosa que ecoava pelo castelo, clamando para que sua alma mortal fosse tirada. Olhou para Abdul que sentia a mesma sensação, diante da música. Ela ressoava na mesma sintonia que a tempestade a cair fora do castelo. Na verdade ela parecia ainda mais forte e impiedosa que os relâmpagos a cortar o céu escuro.
0.00.0..0.0..00..0.0.0..0
This is the night I'll lose my soul,
And the last time I'll see the light
After this night I'll lose my dreams,
To live my immortality with you
Because today I'll become a vampire only for you
Essa e a noite em que perderei minha alma,
e a última vez que verei a luz
Depois dessa noite terei perdido os meus sonhos,
para viver minha imortalidade ao seu lado
Por que a partir de hoje eu me tornarei um vampiro somente por você
Grant me immortality
Through your blood so that I can be like you
This is the night I'll lose my soul,
And the lat time I'll see the light
Because from this night on
I'll lose my dreams,
To live my immortality by your side
Conceda-me a imortalidade
através do seu sangue para que eu seja como você
Essa e a noite em que perderei minha alma,
e a última vez que verei a luz
Porque depois desta noite
terei perdido os meus sonhos,
para viver minha imortalidade ao seu lado
Quatre sentia como se algo o possuísse a tocar mais rápido e mais forte, tal qual a força emanada pelos trovões a clarearem o salão onde se encontravam, que outrora era iluminado apenas pelo brilho pálido das velas. Olhou para Hugh que tocava o piano tão bem quanto ele e a contra a gosto tinha que concordar que o Lycan era realmente um ótimo pianista. Seu olhar voltou-se para Duo que iniciou o solo de guitarra. As notas vibravam com intensidade, dor e desejo. Não havia dúvidas quanto ao que Duo sentia e pedia. E a última estrofe cantada com tamanha paixão, para não dizer loucura simbolizava perfeitamente o desejo do amigo.
Because from this moment on,
I'll be a new person only for you
Por que a partir de hoje,
eu serei uma nova pessoa somente por você
Duo sentiu a corda da guitarra partir e ferir-lhe o dedo. Sua respiração encontrava-se pesada e ele elevou a mão ao pescoço, sentindo algo quente escorrer por ele. Ao olhar sua mão, a mesma encontrava-se coberta de sangue. Levou os dedos aos lábios, provando do líquido vermelho, como se fosse uma deliciosa iguaria.
Quatre moveu-se rapidamente até Duo ao sentir o cheiro de sangue. Seus olhos arregalaram-se diante do ferimento no pescoço do amigo. Era como se ele houvesse sido mordido por alguém, mas estavam apenas eles ali e não havia nenhuma outra presença. Tocou o braço de Duo, que parecia petrificado, sorvendo do sangue que escorria pelos dedos delgados. Seus olhos se encontraram e ele teve a nítida impressão de ver o vermelho dos vampiros no lugar das ametistas. Quatre o viu tentar balbuciar algo antes de desmaiar em seus braços.
Hugh se levantara no instante que o vampiro loiro fora na direção do humano. Por alguns instantes sentiu-se confuso diante do cheiro que emanava dele. Não era o cheiro de um ser humano, era mais parecido com o cheiro dos vampiros, o que seria impossível uma vez que Duo não era um deles.
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Heero abriu os olhos, sentindo o gosto do sangue de Duo em seus lábios. Levando a mão as presas, viu o vermelho do sangue humano em seus dedos. Olhou para a criatura com os olhos vermelhos, enquanto retirava Hikari do chão e caminhava na direção da mesma. Não tinha certeza do que havia acontecido, mas obteria suas respostas mesmo que tivesse que matar o Necro.
Continua...
[1 Não faço idéia se o General Noventa é irlandês, mas na minha fic ele é. Então se alguém souber a nacionalidade dele, ignorem o que eu escrevi.
[2 Eu te pertenço, seu pela eternidade
[3 Dublin é a capital da Irlanda
[4 Quando os vampiros se referente à casa, não significa moradia física, como ter um lar ou propriedade, mas pertencer ou estar junto ao clã ao qual pertence.
[5 Na sociedade vampiresca, acreditasse que apenas vampiros naturais, podem ser shuhan. Vampiros que foram abraçados, ou seja, já foram humanos, não tem esse direito e não são tratados com respeito por outros clãs regidos por naturais. Embora o caso de Heero seja único, sendo ele o primeiro a tornar-se um shuhan, mesmo não sendo um natural como Noventa, Romefeller e Treize.
[6 Krynianos é como os naturais chamam os renascidos que se tornam shuhan.
[7 Viesczy para quem não lembra (ver cap 7 de LS) teoricamente é uma raça de vampiros originários da Polônia e da Rússia.
[8 Essa canção é um resumo da letra original, que se chama abraça-me, ambas escritas por mim.
Agradecimentos a todos os emails enviados. Desculpas pela demora, mas mim andava meio ocupada e sem disposição.
Aguardo comentários sobre o andamento da fic.
Agradecimentos a Dhandara pela revisão.
A mami pela paciência e incentivo.
E aos fãs que não me deixam desistir, sem o qual já teria parado de escrever a muito tempo.
Agora um pouco de como seria as espadas e o que significa cada parte:
YamiInscrição na lâmina: Sangue para a morte
Inscrição na Bainha: Trevas para encontrar a Luz
Kanji na empunhadura : Escuro Hikari
Inscrição na lâmina: Sangue para renascimento
Inscrição na Bainha: Luz para clarear as trevas
Kanji na empunhadura : Luz
1 . Bainha (Saya). A bainha é feira de madeira escura e envernizada.
2. Guarda (Tsuba). A guarda protege a mão quando segura a espada.
Hikari – Ouro
Yami - Prata
3. Punho ou Empunhadura (Tsuka). O cabo da lâmina é encaixado no punho. O punho é feito de madeira, tem anéis (fuchi e kashira) em ambas extremidades. Coberto por fitas de couro preta e um conjunto de fita fina flexível em três cores. As linhas deverão acompanhar o contorno da empunhadura.
Hikari:
Vermelho - Simbolizando o sangue
Dourado- Simbolizando a Luz
Branco- Simbolizando o Renascimento
Yami:
Vermelho - Simbolizando o sangue
Prata- Simbolizando as Trevas
Branco- Simbolizando a Morte
Eu coloquei o Branco para renascimento e morte simbolizando um ciclo onde começa um termina o outro.
Colarinho (Habaki). Para prevenir que a lâmina balance dentro da bainha e/ou sair acidentalmente.
Hikari - Ouro
Yami – Prata
5. Espaçadores ou Arruelas (Seppa). Mais um dos itens que firmam a lâmina ao punho.
Hikari - Ouro
Yami – Prata
6. Anéis ou mangas (Fuchi). Além de adornar, conferem firmeza na amarração do punho.
Hikari - Ouro
Yami – Prata
8. Anel da base (Kashira).
Hikari - Ouro
Yami – Prata
