Lábios de Sangue
Capitulo 18 - Lágrimas e Sangue
Quatre suspirou aliviado ao ver Duo finalmente se remexer. Já tinha quase duas horas que o amigo humano estava desacordado e sem dar mostras de que iria acordar. Assim que Duo desmaiara, ele e Hugh o colocaram deitado no sofá que ficava próximo à lareira. Não sabiam o que havia acontecido exatamente, tudo parecia irreal demais para ser descrito em poucas palavras.
Seu olhar cruzou com Auda rapidamente e sem saber o porquê acabou por desviar seus olhos.
Auda e Abdul haviam aparecido pouco tempo depois de Duo desmaiar, como se houvessem pressentido que algo não estava certo. Mesmo assim ambos os lideres do clã Maguanac não tinham nenhuma explicação plausível para o que havia acontecido.
Quatre sentiu as mãos de Trowa em seu pescoço e sorriu cobrindo-as com as suas. Assim que o amante aparecera contara o que havia acontecido embora o mesmo já soubesse de tudo através da ligação que mantinham.
Trowa ainda não compreendia o que havia acontecido, pelo que vira através de Quatre e pelo que o mesmo lhe contara, de alguma forma Heero estivera ali há poucas horas e mordera Duo bebendo de seu sangue, mas isso era impossível uma vez que o vampiro deveria estar com Mirla neste momento.
Entretanto era impossível negar a presença dele ali. Mesmo que ela agora não passasse de um pequeno resquício. E se não bastasse ainda havia a marca de uma mordida no pescoço de Duo, provas mais do que concretas de que alguém havia mordido o humano há pouco tempo.
Trowa deixou seus pensamentos de lado, ao notar que Duo parecia prestes a acordar.
Duo sentia-se estranhamente cansado. Sua mente parecia mergulhada em névoas e ele tinha a estranha sensação de que estava deixando algo passar desapercebido. Forçou seus olhos a abrirem deparando-se com Auda a observá-lo. Ele levou sua mão direita até a cabeça que doía terrivelmente, não se recordando do que havia acontecido, a não ser que parecia que um caminhão o havia atropelado.
- O que houve?
Quatre voltou seu olhar ao amigo ao ouvir a voz cansada, aproximando-se e tomando-lhe a mão, antes de sentar-se na beirada do sofá, encarando-o em silêncio por alguns segundos.
"Trowa o sangue de Heero em Duo..."
Trowa meneou a cabeça, diante da indagação não terminada de Quatre em sua mente, ao que parecia o efeito do sangue de Heero no corpo de Duo havia passado, uma vez que o mesmo parecia à beira de um esgotamento, o que era bastante natural dado aos últimos acontecimentos.
- Você não se lembra? – perguntou Quatre preocupado.
Duo olhou estranhamente para Quatre, vagando seus olhos ao redor, deparando-se com um pequeno grupo a observá-lo. Lembrava-se de que estava ali tocando, uma música que comporá. Lembrava-se de que o tempo estava instável, com trovões soando como se anunciassem uma terrível tempestade. Nada condizente com a suave garoa que parecia cair do lado de fora do castelo.
Uma dor repentina obrigou-o a levar sua mão direita ao peito. Era como se alguma coisa estivesse apertando seu coração, e instintivamente soltou sua mão esquerda das mãos do vampiro levando-a ao pescoço, lembrando-se nitidamente da sensação dos lábios de seu amante, sugando seu sangue.
Um ofego doloroso escapou de seus lábios, quando a letra de sua música penetrou no mesmo instante em sua mente. O desejo...o pedido que fizera a Heero para que o mesmo o abraçasse, sentindo que sua alma sangrava, assim como seu coração a cada nota tocada. Lembrava-se que pedira desesperadamente que o vampiro o tornasse uma criatura da noite como ele, lembrava-se do desespero de sua alma, clamando para que o outro atendesse seu pedido. Ao mesmo tempo em que sua consciência o lembrava de que não era o momento ainda.
Lembrava-se do sangue dele percorrendo seu corpo, tomando-o como se o possuísse, retirando sua sanidade, e alimentando um canto obscuro de sua mente, que lhe dizia que o momento a muito já havia passado. Algo como uma lembrança longínqua de algo que se recusava a lembrar.
Quatre tomou o rosto de Duo em suas mãos, diante do olhar de dor que escurecia os olhos sempre tão vividos do amigo. Ele parecia mergulhado em lembranças que de alguma forma lhe causavam dor e desespero.
Duo sentiu o toque frio em seu rosto e se deixou mergulhar nos olhos azuis do amigo vampiro. Trowa amparou Quatre à medida que o amante mergulhava na mente de Duo, o fazendo fechar os olhos diante da força que parecia emanar inconscientemente do humano a sua frente.
Desvendando o que se passava no mais profundo de sua mente. Os olhos de Quatre avermelharam-se momentaneamente diante dos sentimentos do amigo, e seu rosto comprimiu-se diante da dor de seu passado, sentindo-se mergulhar cada vez mais na mente do outro.
Lembranças ainda mais antigas que o passado que conheciam dele. A morte dos pais, depois do tio, o incêndio, tudo ao mesmo tempo. Pensamentos enterrados no mais profundo da alma do humano parecia a ele como um filme passado a toda velocidade.
Seus lábios tremeram, e sentiu algo quente escorrendo por sua face, dando-se conta de que chorava involuntariamente, descobrindo pela primeira vez como Duo realmente se sentia em relação a seu próprio passado.
Quatre queria sair da mente do amigo, mas parecia preso nela. Sua mente gritou ao mesmo tempo em que sentia Trowa sofrer com ele, tentou inutilmente se libertar, até que braços o empurram para longe, fazendo-o cair do sofá e cortar a ligação mental que formara com o amigo sem se dar conta.
Duo olhava ofegante para as próprias mãos. Ele havia reunido o que lhe restava de forças para empurrar Quatre para longe dele, sentia-se ainda mais exaurido do que antes, mas não guardava nenhum rancor para com o amigo. Havia ouvido o apelo angustiado do loiro, para sair de sua mente e sabia que o mesmo não mergulhara tão fundo intencionalmente. Ele apenas não sabia como quebrar a ligação que se formara entre os três.
Olhou para Quatre estendendo-lhe a mão trêmula, tocando-lhe a face pálida tão logo o amigo estava ao alcance de seus dedos. Limpou o rosto manchado pelas lágrimas antes de confirmar o que o outro já sabia.
- Eu me lembro.
o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o
Algumas horas depois:
Já havia amanhecido, mas o sono não dava mostras de que iria aparecer. Duo levantou-se com muito custo da cama, caminhando até a janela para olhar o novo dia que despontava. Abraçou o corpo sentindo-se fraco, encostando-se na parede para evitar cair, Trowa havia lhe dito que o efeito do sangue de Heero já havia passado em seu corpo, e que era natural sentir-se cansado e levemente entorpecido, mas não era exatamente por essa razão que seu coração parecia querer parar. Mas sim pelo fato de que amante ainda não havia retornado do encontro com Mirla e já era de manhã.
Encostou a cabeça na janela, suspirando levemente antes de refazer o caminho de volta a cama quente, não adiantaria nada ficar ali na janela, se mal tinha forças para manter-se de pé. Sabia que o amante retornaria assim que seu assunto com o Necro estivesse terminado, tinha apenas que esperar, e não deixar que a angústia em seu peito aumentasse.
Duo se enrolou nas cobertas descansando a cabeça no travesseiro, sentia frio apesar de saber que o quarto estava aquecido. Entretanto sabia que seu desconforto não passaria até que tivesse o vampiro a seu lado.
"Venha logo Heero."
o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o
Em alguma parte da floresta:
Mirla arrastava-se pela floresta procurando evitar os primeiros raios de sol, enquanto pensava na conversa que tivera a pouco com o atual shuhan dos Khushrenada, ela havia sido bem mais interessante do que imaginara que seria. Entretanto o que mais a fascinara foi descobrir, que a cada dia a ligação do vampiro com o humano se tornava mais forte, bem como os dois se tornavam um só. O que significava que apesar de faltar pouco para que pudesse obter sua vingança, os dois seriam um obstáculo poderoso contra ela, principalmente quando o vampiro resolvesse abraçar o amante.
Temera que o vampiro atendesse ao pedido que o outro fizera. Quando o ensinou a contatar o humano à distância através das espadas, não esperava que o mesmo conseguisse faze-lo tão facilmente. Mas não deveria se surpreender por isso, afinal a ligação deles se tornava forte a cada encontro.
Um sorriso malévolo ornou-lhe o rosto pálido, ao lembrar-se da mentira que contara ao vampiro a cerca do passado deles, ao dizer que era a segunda vinda do humano, não pudera evitar mentir-lhe, afinal eles descobririam a verdade há seu tempo. Mas ver o olhar de raiva nos olhos do vampiro cada vez que mencionava a ligação dele e do humano a deleitava.
O vampiro possuía tanto ciúme e possessividade em relação ao humano, que lhe era impossível deixar de provocá-lo quanto a seu conhecimento sobre ambos. Se ele ao menos pudesse imaginar o quanto ela conhecia deles. Tinha certeza de que o vampiro não se contentaria apenas em matá-la, mas também se certificaria de causar o máximo de dor possível.
Algo digno de sua verdadeira personalidade. Gostaria de saber por quanto tempo ele ainda a controlaria e o que aconteceria quando a deixasse livre. Desejava apenas poder vê-lo em sua plenitude e maldade.
Mirla chegou ao esconderijo, vendo-o repleto de caçadores. Sentiu sua raiva aumentar imaginando por quanto tempo ainda os ajudaria, se bem que seus atos agora dependiam apenas do que o shuhan dos Khushrenada faria com a informação que dera a ele, mas tinha certeza de que o vampiro faria bom uso. Afinal tudo caminhava de acordos com seus planos, mesmo a desconfiança de Relena e do líder dos caçadores. Logo todos pereceriam e apenas os Necros governariam a terra.
o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o
Na Terra dos Khushrenada:
Heero caminhava lentamente em direção ao castelo, sua mente meditava em tudo que Mirla havia lhe dito a cerca da profecia e da maneira de detê-la, não confiava na criatura, mas sabia também que ela não tinha motivos para mentir não em relação a isso uma vez que o Necro deixara claro, que isso iria favorecê-la mais tarde. Levou a mão ao pescoço sentindo-se cansado, e imediatamente lembrou-se do amante e do acontecera há apenas algumas horas.
Levou a mão aos lábios, ainda sentindo o gosto do sangue dele em sua boca, e a sensação de suas presas perfurando-lhe a carne. Fechou os olhos sentindo-se acalentado pela lembrança da presença dele, seu cheiro, seu calor, seu sangue...seu amor. Duo era essencial a sua sanidade, via isso a todo instante, havia feito um esforço tremendo para não abraçá-lo naquele momento Não apenas por conta de seu pedido, mas também por conta de sua natureza. Pode sentir o desejo dele preenchendo-lhe a alma, o desejo de que o tornasse uma criatura das trevas.
O desejo dele era tão forte que parecia alimentar a parte obscura de sua natureza, não sabia como havia conseguido não atendê-lo, uma vez que esse era o desejo de ambos. Sua mente o chamava de tolo a todo instante, mas sabia que havia tomado à decisão certa, o tempo de abraçá-lo chegaria, precisava apenas ser paciente.
Não adiantaria nada se precipitar quanto a isso. Duo pertencia a ele, e ele pertencia ao humano, se amavam e logo que toda essa luta acabasse o tomaria por esposo e viveriam juntos a eternidade de seus dias. Tinha apenas que ser paciente e não se deixar levar pela selvageria e nem pelos apelos do amante. Se abraçasse Duo agora tudo estaria perdido, como Mirla dissera e mesmo não gostando tinha que dar-lhe razão quanto a isso.
o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o .Flashback o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o
Hikari se encontrava pressionada contra o pescoço do Necro, que rosnava de dor, diante do olhar frio do vampiro, que queria respostas. Sentia a sede dele em atender o amante e não sabia como o mesmo havia conseguido resistir ao apelo do humano que desejava ser abraçado. Podia sentir seu conflito interno, embora a expressão em seu rosto não demonstrasse nada além de frieza e um resquício de maldade. Um sentimento tão primitivo, e ao mesmo tempo tão inebriante.
- Como isso foi possível? Porque elas possuem tanto poder?
- Não são as espadas, elas praticamente não têm poder algum sozinhas, mas unidas a seus guardiões...
Heero notou que Mirla deixou a continuação da frase incompleta, sentia que a criatura escondia algo mais. Algo que parecia importante demais para que deixasse de descobrir o que era, entretanto não tinha tempo para isso, descobriria mais tarde o que ela escondia, no momento tinha outras coisas mais importantes para arrancar do Necro.
- Continue.
Mirla sorriu sarcasticamente, tinha ciência de que o vampiro a sua frente não era tolo como Relena. Yuy tinha conhecimento de que não lhe estava contando tudo, mas apenas o necessário a seus planos. Sabia que cedo ou tarde ele iria desvendar por si mesmo a teia que ela tecia ao redor dele e do amante, mas quando descobrissem a verdade, já seria tarde demais.
-Elas os escolheram porque ambos são fortes, em corpo, mente e espírito. O poder delas é ilimitado quando unido há seus guardiões, isso enquanto seus corações soarem em harmonia com elas, por isso em hipótese nenhuma deve abraçá-lo agora. Se o fizer a união dele com Yami se enfraquecera.
Heero olhou-a penetrantemente, antes de tentar sondar-lhe a razão, embora sua mente já lhe mostrasse os motivos claramente.
- Por quê?
- Vocês estão unidos a Yami e Hikari, através de seu sangue, se você o abraçar agora ele não poderia empunhar Yami até que a banhe com o sangue dele novamente. E até que a harmonia deles seja novamente a mesma, vocês perderam um tempo que não possuem. Você já deve ter notado como elas reagem a cada um de vocês?
Heero afastou-se retirando a espada do pescoço pálido do Necro, que levou a mão ao ferimento, olhando-o com infinito desprezo, fazendo o vampiro estreitar os olhos obrigando-a a desviar o olhar.
o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o. Fim_Flashback o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.
Sim ele já havia notado que Hikari ficava mais pesada, quando seu humor se encontrava instável, ou quando sua natureza se encontrava no limite que ele impôs a si mesmo, para controlá-la. Havia notado também que isso geralmente ocorria quando tinha algum desentendimento com Duo, ou acontecia alguma coisa com o humano que ele poderia ter evitado e não o fez.
Da mesma forma como o amante não pode empunhar Yami nos dias em que seu sangue fluía pelo corpo do amante. Pelo que Treize lhe contara Duo ficara com a mão machucada, quando simplesmente se esquecera e pegara a espada para colocá-la em outro lugar e sentira uma dor profunda, que lhe impossibilitara de usar a mão direita por algum tempo.
Sabia que estavam ligados as espadas, mas não imaginava o quanto, pelo menos não até agora, em que conseguira alcançar Duo dessa forma, mordendo-o e deliciando-se com seu sangue, mesmo a distância.
Lembrava-se da primeira vez que ouviram as espadas e ambas lhes contaram um pouco de sua história e os sentimentos do ferreiro que as forjou. O amor dele pela esposa, seu desespero pela morte dela, sua loucura ao forjar Yami e a razão de se ter de criar um laço de sangue com elas.
Sangue significa vida, o ferreiro havia se dedicado à forja-las, havia dado seu suor e seus mais profundos sentimentos. Por isso, era necessário que a pessoa que estivesse disposta a empunhar as espadas desse algo que equivalente, ou seja, um peso uma medida.
Eles jamais poderiam ter os meus sentimentos que o ferreiro, mas no momento que estavam dispostos a dar seu sangue, algo tão precioso a ambos, eles haviam adquirido o direito de empunhá-las. Talvez elas tenham visto atrás de seu sangue o coração deles, e achado que eles possuíam a mesma gama de sentimentos que o ferreiro a forjá-las. Amor, medo, raiva, alegria, desespero, tristeza.
Cada um deles carregava sua gama de sentimentos, escondidos no mais profundo de suas almas, algo que nem eles sabiam, mas que as espadas haviam visto dentro deles.
Era uma surpresa que Yami houvesse se aguardado tanto tempo, até que aceitasse um dono. Não podia imaginar o que ela havia visto na alma de Duo, quando o mesmo deixou seu sangue banhá-la. Quão obscura poderia ser a alma do humano, para que Yami o aceitasse?
Quando estavam ligados por seu sangue, havia conseguido descobrir um pouco mais sobre o amante, conhecia seus temores, melhor que ele mesmo, conhecia sua alegria e principalmente a dimensão de seu amor por ele. Algo que sempre em que pensava o desconcertava, por não acreditar que um dia pudesse desfrutar de um sentimento tão magnífico. Não gostaria nem de imaginar o que seria perdê-lo.
Heero abriu os olhos e avistou o castelo ao longe, deixou que sua mente descansasse de tais pensamentos, sorrindo ao saber que em breve teria o humano em seus braços. Deixaria suas dúvidas para depois, no momento tudo que desejava era tê-lo em seus braços e sentir o calor de seu corpo. Utilizou-se de suas habilidades para chegar mais rápido e ir ter com seu amado.
o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o
O vampiro entrou no castelo, encontrando Kimitsu que meneou a cabeça ao vê-lo. Passou direto pelo empregado tendo um único pensamento em mente: Seu amado. Caminhou no castelo silencioso até seus aposentos e abriu a porta do quarto sorrindo ao ver Duo enrolado nas cobertas, abraçado ao seu travesseiro.
Viu-o abrir os olhos e sorrir ternamente, antes de sentar-se. Podia ver o cansaço em seu rosto, mas o sorriso dele ao vê-lo parecia apagar todo o sinal de cansaço, parecia-lhe ainda mais brilhante do que quando o deixara na noite anterior.
Podia sentir-lhe o cansaço minar-lhe as poucas energias que tinha e sabia o que tinha de fazer para fazê-lo descansar adequadamente. Fechou a porta atrás de si, caminhando lentamente até a cama subindo nela, e acomodando o corpo humano em seus braços. Duo aconchegou-se ao corpo do vampiro, deixando que as palavras dele o embalassem.
- Durma um pouco, eu estou aqui agora.
Duo fechou os olhos sentindo-se leve. Heero estava com ele, não precisava mais manter-se acordado, o vampiro velaria seu sono e estaria ali quando acordasse. O vampiro acariciou o rosto do amante depositando um beijo suave em seus lábios, pouco antes de fechar os olhos e adormecer com ele.
o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o
Enquanto isso em alguma parte da floresta:
Relena abriu os olhos, assim que sentiu a presença dela na caverna. Ela havia se demorado dessa vez, as informações que os caçadores que Mackaczi mandara atrás do Necro eram lhe perturbadora. Deveria ter desconfiado que Mirla estivesse ajudando Heero, a criatura não escondia o fato de que detestava os vampiros, e já havia dito inúmeras vezes que seu único objetivo era vingança aqueles que exterminaram seu clã.
Ainda assim não conseguia compreender o que levava o Necro a ajudar Heero, ainda não via qual a relação dele em sua vingança. Relena deixou seu leito caminhando até onde o Necro deveria estar, era hora de terem uma conversa e mostrar a Mirla seu lugar.
Mirla pressentiu a presença de Relena antes mesmo da líder do clã Peacecraft adentrar na caverna onde se encontrava. Sabia muito bem o motivo dela vir procurá-la, por certos os caçadores que a vigiavam já deveriam ter relatado o que estivera fazendo, embora isso não a preocupasse nem um pouco. Relena não possuía meios de ameaçá-la embora fingisse sempre que a garota tinha algum tipo de controle sobre ela.
- Sua conversa com Heero foi proveitosa?
- Muito.
Relena estreitou os olhos diante do sarcasmo na voz de Mirla. Sabia que a criatura tinha muito mais poder do que demonstrava, mas não era tola ou burra a ponto de subestimá-la ou covarde a ponto de temê-la. Ela caminhou lentamente na direção de Mirla colocando-se a frente dela, sorrindo ironicamente, colocou as mãos no bolso do vestido, retirando um colar envolto num lenço branco, que fez o Necro afastar-se imediatamente.
- Você não sabia que eu tinha isso não é? Achou realmente que eu não conhecia seus passos? Tudo que você faz, e porque eu permito que faça. Nada, além disso. Eu poderia tê-la detido há muito mais tempo se assim desejasse.
Mirla rosnou, deixando sua face desfigurada pelo ódio, que sentia por todos os vampiros. Nunca imaginou que Relena tivesse isso em seu poder, não sabia como ela o havia adquirido, mas não podia fazer nada por agora.
O que a líder do clã Peacecraft carregava era um objeto o qual não tinha a menor intenção de enfrentar. Relena sorriu diante da passividade da criatura, sabia muito bem o que tinha nas mãos, ela mesma sofria por carregá-lo consigo, sabia exatamente o poder que ele tinha principalmente contra o Necro.
- Acho que não tenho de lembrá-la de seu lugar.
- Não senhora.
- Ótimo. Acho que era isso que você queria.
Mirla curvou-se lentamente a Relena, sem esconder o olhar de ódio. Suas unhas arranhavam a terra sob seus dedos, como se as afiassem. Relena aproximou-se mais fazendo a criatura rosnar e desviar o olhar, ela jogou algo a sua frente, erguendo-se e saindo da caverna. Mirla manteve a cabeça afastada até a vampira partir, olhando para o livro que ela jogara, deixando um sorriso maquiavélico transformar seu rosto.
"Tola, você nem faz idéia do que acaba de me entregar."
o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.
Castelo Khushrenada aproximadamente 17:30hs:
Duo abriu os olhos lentamente sentindo-se descansado. Suspirou desfrutando do conforto dos braços de Heero, não desejando sair dali. Respirou o perfume do amante, deixando que suas mãos corressem pelo peito escondido sob as roupas, antes que apertassem o tecido, diante de uma estranha tristeza, sorrindo diante da voz que lhe preencheu a alma.
"Não há razões para tristeza, eu estou e sempre estarei aqui para você."
Heero abriu os olhos, acariciando o rosto do humano, a tristeza que sentira vir dele o despertara, e antes mesmo que abrisse seus olhos, deixara claro ao amante que não havia motivos para sua tristeza, mesmo que o humano não soubesse a razão dela. Duo sorriu fechando os olhos diante da caricia, rendendo-se quando o vampiro tomou-lhe os lábios num beijo terno.
Ele sentiu seu corpo incendiar-se, sendo preenchido por um sentimento que não conseguia descrever, mas que fez com que lágrimas rolassem de seus olhos, diante da alegria e plenitude que sentia. Afastaram-se lentamente mantendo o olhar preso um no outro.
Heero enxugou as lágrimas do rosto do humano, respirando profundamente, procurando assimilar os sentimentos que o preenchiam, era algo tão profundo e pleno que parecia sufocá-lo ao mesmo tempo em que parecia dar-lhe forças para superar qualquer obstáculo que se apresentasse. Sentia-se revigorado ao lado do humano e cada vez mais vivo.
O vampiro percorreu com a ponta dos dedos, a face de Duo, fazendo-o sorrir e segurar-lhe a mão depositando um beijo, antes de ouvi-lo dizer às palavras que eram sempre capazes de transformá-lo por completo e faze-lo sentir-se a mais sortuda das criaturas.
- Eu te amo.
Heero fechou os olhos abraçando o humano, sentindo cada célula de seu corpo reagir a essas palavras. Ele afundou o rosto contra os cabelos macios do amante, deixando que seus lábios percorressem-lhe o rosto até chegar ao ouvido dele, deixando que sua voz mostrasse a Duo o que ia em seu coração.
- Eu te amo, mas do que poderia um dia chegar a imaginar. Amo-te tanto que sinto que seria capaz de morrer, se não o tiver ao meu lado, pois você se tornou minha sanidade. Sinto que a cada dia esse amor, cresce mesmo quando acho que seria impossível amá-lo mais do que já o amo.
Duo ofegou apertando os braços de Heero, e escondendo o rosto contra o peito do vampiro, sentindo o corpo estremecer a cada palavra dita pelo mesmo. Eram raras as vezes que o amante o desconcertava, ao dizer-lhe de maneira tão profunda o quanto o mesmo o amava. Sabia disso a cada gesto e a cada toque, mas ouvi-lo dizer o quanto significava para o vampiro era indescritível.
- Você é como uma luz em meio à escuridão em que vivo. Estou preso a você e nunca antes me senti tão livre. Livre de minhas máscaras...de minha solidão. Seu amor me torna forte, tanto que seria capaz de qualquer coisa, pelo simples fato de saber que você me ama. Ama-me pelo que sou e por quem sou.
Heero afastou-se de Duo olhando em seus olhos, vendo a face do outro banhado pelas lágrimas. Ele limpou-lhe o rosto beijando-lhe os olhos, antes de tomar-lhe os lábios lentamente, deixando que sua mente terminasse de dizer-lhe a dimensão de seu amor.
"Amo-te não como os poetas o cantam em seus versos, amo-te muito mais do que a razão poderia compreender. Não apenas pelo que és, mas pelo fato de você estar disposto a estar comigo na minha escuridão, onde sei que não estarei mais só."
Duo afastou-se olhando nos olhos azuis do amante, tocou-lhe a face pálida e fria com carinho deixando que um sorriso brotasse em meio às lágrimas de alegria, nunca antes sentiu tanta certeza quanto a suas decisões como agora, ao encarar os olhos de Heero.
Olhos que na maioria das vezes demonstravam nada além de frieza, mas que com ele irradiavam sempre calor e amor, mesmo quando obscurecidos pela personalidade distante do companheiro. Ao lado do vampiro o futuro não importava, o futuro poderia parecer incerto para a maioria das pessoas, mas para ele havia uma única certeza, o de que estariam juntos, o resto não importava.
Heero adoraria permanecer mais tempo ali com Duo, mas tinha coisas a resolver e uma delas era encontrar Treize e contar a cerca de sua conversa com Mirla. Ele acariciou os fios longos e soltos do cabelo do amante, enrolando uma mecha na mão, antes de solta-la e vê-la deslizar pelo rosto dele como se fizesse uma caricia.
- Temos que nos levantar, preciso conversar com Treize.
- Eu sei.
Duo sentou-se se sentindo ainda meio cansado o que não passou despercebido por Heero, que sabia que o amante sofria os efeitos da ausência de seu sangue vampiro.
- Você ficara melhor depois de se alimentar.
Duo meneou a cabeça procurando levantar devagar, sendo amparado rapidamente pelo vampiro que o viu cambalear ao ficar de pé, levando-o até o banheiro, ao sentir o humano levar a mão à boca, meio nauseado.
Em pouco mais de meia hora ambos deixaram o quarto. Heero fazia questão de manter um braço ao redor da cintura de Duo que agradecia o fato mentalmente, nunca em sua vida acho que passaria tão mal.
Nem mesmo o banho frio parecia ter conseguido aliviar a náusea que sentia, e pensar em comida tinha apenas a capacidade de aumentar o embrulho desagradável em seu estomago. E não estava a fim de voltar ao banheiro e tentar retirar seu estômago pela boca como já o fizera na frente do vampiro, lembrar do fato o fazia sentir-se pior, apesar do amante apenas lhe sorrir, informando que era assim mesmo. Que ele poderia comparar isso a um processo de desintoxicação.
Heero sabia que era perfeitamente normal Duo se sentir assim, após a fase chamada controle, por isso afirmava ao amante que o mesmo se sentiria melhor após comer algo leve. Eles chegaram à cozinha onde Kimitsu já os aguardava, havia pedido mentalmente ao empregado que preparasse um caldo quente para o amante tomar, por isso não foi surpresa alguma que quando sentaram a mesa. Uma caneca fumegante já se encontrasse esperando-os.
- Tome isso vai lhe fazer bem.
- O que é isso?
- Apenas um caldo leve, vai dar-lhes forças, aquece-lo e acalmar seu estômago o suficiente para que coma algo mais substancioso.
Duo aspirou à fumaça quente deliciando-se com o cheiro apesar do seu estômago ter se contraído rapidamente. Ele assoprou bebericando o conteúdo da caneca devagar sob o olhar atento do vampiro, que fazia sua refeição matinal em outra caneca.
Duo surpreendeu-se pelo fato de realmente seu estômago ter se acalmado com o liquido quente, bem como a sensação de conforto que o preencheu à medida que terminava de tomar o caldo, que por sinal era delicioso.
Heero viu a face de Duo tornar-se um pouco mais corada, ao termino da caneca e sinalizou para que Kimitsu trouxesse o resto do desjejum, que consistia de algumas frutas, suco e pães. Duo comeu um pouco de cada um, sorrindo diante do olhar de aprovação do vampiro, que apenas o aguardava termina-la.
A porta da cozinha abriu-se permitindo a entrada de Wufei, que meneou a cabeça diante da presença de Heero. O chinês ainda possuía algumas reservas quanto a estar no castelo, mas sabia que era o melhor uma vez que a cidade se encontrava vazia em relação a presenças humanas.
Heero sabia que o humano a poucos metros deles, ainda não se sentia confortável com os da sua espécie e não o censurava, por isso simplesmente beijou Duo na testa, antes de se retirar da cozinha sob o olhar surpreso do chinês.
Duo sorriu sinalizando para que Wufei se sentasse no lugar que Heero ocupava a pouco, para acompanhá-lo no desjejum, apesar de praticamente já ser quase quatro da tarde. Viu o amigo sentar-se e pegar uma fruta, enchendo o copo que Kimitsu colocara na mesa assim que viu o chinês entrar na cozinha, com suco e deu ao amigo. Eles permaneceram em silêncio durante algum tempo, até que Duo fez uma pergunta que teve a capacidade de fazer o chinês querer matá-lo.
- Como ta a Sally?
Duo riu quando Wufei cuspiu praticamente o suco na mesa, diante da pergunta maliciosa que fizera, aumentando seu riso ao ver que o amigo se controlava para não xingá-lo. Ele tinha o tempo livre no momento e não havia melhor forma de passá-lo do que atormentando o chinês, uma vez que havia notado o interesse de Sally no amigo, e a forma como a mesma o afetava. Iam ser momentos bastante divertidos, com certeza.
o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.
Duas horas depois – Na biblioteca:
Treize meditava sobre o que o Heero lhe contara sobre a conversa com Mirla. Estava surpreso com tudo o que ouvira, ainda mais ao ouvir o que o vampiro de olhos frios dissera ter encontrado. Estivera procurando há tempos pelo túmulo de seus antepassados, e nunca poderia imaginar que os mesmo estivessem num lugar como descrito pelo outro. A informação dada por Mirla os ajudaria e muito para se prepararem para a batalha que estava por vir.
Não discordava do atual shuhan do clã quanto ao fato de que Mirla escondia algo e não contara tudo que sabia. A informação que a criatura passara os ajudava há entender um pouco a cerca da profecia, mas ainda não os permitia desvenda-la completamente, mas sabia que isso era apenas uma questão de tempo.
Tinha consciência de que o Necro sabia disso, ao que parecia ela possuía certo interesse em Heero, bem como em Duo, embora não conseguisse visualizar a razão. A mesma por diversas vezes deixara claro suas intenções, em relação a sua vingança, mas não entendia onde Duo se encaixava nela.
Heero voltou seu olhar a Treize, ponderando sobre as palavras do Necro em relação a seu passado e a ligação dele com Duo. Algo o incomodava desde a primeira vez que a criatura deixara claro, suas intenções de vingança e sua obsessão para com o sangue de Duo.
Mirla não era como eles. Não necessitava do sangue para sobreviver, corpos mortos lhe eram uma iguaria, muito mais saborosa do que sangue fresco e quente. Ainda assim ela desejava o sangue de Duo para sua vingança, deixando claro como um desafio de que o obteria a seu tempo. Não que tivesse alguma intenção de permitir que ela se aproximasse de Duo, ou obtivesse seu sangue.
O sangue dele pertencia única e exclusivamente a ele e a mais ninguém. Sentiu seu sangue se agitar e procurou acalmar sua natureza. A aproximação eminente da batalha estava fazendo sua natureza se agitar, e isso não era nada bom em sua opinião. Atitudes desmedidas eram desnecessárias e se não procurasse se acalmar, sua natureza iria subjugar sua razão colocando todos em perigo. E isso era o que menos desejava.
Treize voltou seu olhar a Heero lembrando-se de outro assunto que desejava tratar com ele, mas esquecera-se por completo até agora, tinha certeza de que o japonês ficaria de certa forma contente pela noticia.
- Esqueci-me de avisar. Noventa enviou um mensageiro, ele devera chegar a Epyon dentro de três dias.
- Três dias?
O antigo shuhan sorriu discretamente, quando Kimitsu o chamou informando que um mensageiro desejava falar com o shuhan dos Khushrenada, decidiu pessoalmente atender o mensageiro enviado por Noventa. Uma vez que Heero se encontrava com o Necro, ficando aliviado por saber que o Marechal chegaria bem antes do que esperavam. Por isso sabia exatamente como o outro deveria estar se sentindo, apesar da expressão de seu rosto e sua voz não demonstrarem nada além da habitual frieza. A vinda dos clãs Noventa, NightRose e Dhanylhos antes do momento esperado era muito bem-vinda.
Heero ainda estava surpreso com a noticia que Treize lhe contara, afinal não esperava que Noventa chegasse tão rápido a Epyon, era certo que os esperavam daqui a alguns dias, mas imaginava algo em torno de uma semana. Mas de certa forma isso o tranqüilizava um pouco.
- O mensageiro chegou ontem à noite pouco depois que você saiu para encontrar-se com o Necro. Como não estava, tomei a liberdade de recebê-lo em seu nome.
- Obrigado.
Treize meneou a cabeça embora tal agradecimento fosse desnecessário, afinal ele fez apenas o que deveria fazer, diante das circunstancias, afinal de certa forma ele era um subordinado do shuhan dos Khushrenada, apesar de saber que Heero jamais o veria dessa forma. Sempre o tratando como se ele ainda fosse o shuhan do clã, embora não se sentisse assim, afinal ele colocara alguém hábil em seu lugar, e não poderia sentir-se mais do que aliviado por ter acertado em sua escolha. Não conseguia ver nenhum outro que não fosse o japonês, na liderança do clã.
Heero voltou sua atenção a Treize meneando a cabeça diante do que o outro lhe dizia, ponderando sobre o que faria quando os outros chegassem, tinha que conversar com Duo a cerca de algumas coisas, afinal querendo ou não seu amado assim como ele, eram os guardiões das espadas destinadas a impedir a profecia. Tinha algumas providencias a tomar quanto à chegada dos outros clãs ao castelo, entretanto teve seus pensamentos cortados por Treize que parecia adivinhar-lhes os pensamentos no momento.
- Já pedi a Kimitsu que preparasse tudo, não precisa se preocupar quanto a isso.
Treize viu Heero menear a cabeça, ouvindo-o suspirar de aliviado compartilhando do mesmo sentimento ao ouvi-lo falar.
- Parece que eles chegaram a tempo.
- Felizmente algo a menos para nos preocupar.
- De fato...eu...
"Hee você ainda vai demorar muito?"
Heero parou de falar e fechou os olhos por alguns instantes deixando um sorriso preencher seu rosto, diante da voz do amante em sua mente, perguntando quanto tempo ainda ele se manteria ocupado, antes que pudesse lhe dar atenção. Infelizmente ainda tinha que falar com Trowa e os lideres do clã Maguanac, antes que pudesse dar atenção a Duo como o mesmo merecia e desejava.
" Infelizmente sim meu amor, mas prometo compensá-lo mais tarde. Não se preocupe."
Treize deu um meio sorriso diante do silêncio de Heero e da mudança repentina na expressão de seu rosto, sabia que havia uma única pessoa capaz de tal transformação no vampiro a sua frente e imaginava que o mesmo deveria estar falando com o humano mentalmente. A ligação entre os dois o surpreendia, uma vez que ela parecia tornar-se mais forte o que lhe era interessante e intrigante, uma vez que a ligação deles era completamente diferente da de Trowa e Quatre, mesmo quando o loiro ainda era humano.
Há tempos que vinha pensando sobre isso e até agora não encontrara um motivo para explicar o que ocorria com Heero e Duo, não sabia se a ligação deles se dava pelo período que o sangue de Heero corria no corpo do humano, embora houvesse notado que a ligação deles se iniciara bem antes de ambos terem dormido juntos. Às vezes imaginava que ela se devia as espadas, uma vez que eram os guardiões delas e ambas possuíam um elo, ainda assim sentia que não era isso que os unia tão plenamente.
A lembrança da conversa que tivera a pouco com o atual shuhan dos Khushrenada o vez atentar para outra alternativa, uma que Mirla não dissera diretamente, mas que deixara implícita. De que ambos já se conheciam, embora parecesse que nenhum dos dois se lembrava. Era apenas uma teoria, mas se houvesse fundamento em suas suspeitas, muitas coisas podiam ser explicadas, embora nunca antes houvesse visto algo semelhante.
A porta da biblioteca se abriu permitindo a entrada de outros quatro vampiros que eram aguardados. Treize levantou-se cumprimentando Abdul, Auda e Ahmad. Trowa curvou a cabeça em sinal de respeito à Treize, que sorriu voltando seu olhar para Heero que cumprimentava os lideres do clã Maguanac, em outro momento discutiria com o vampiro suas suspeitas, por hora o assunto que tinham a tratara era mais importante e urgente.
0...0.0.0
Duo cortou a ligação com Heero, abrindo os olhos, e massageando a nuca, ligeiramente aborrecido. Falar com Heero mentalmente ainda o exauria cada vez que faziam, apesar de que ele tinha apenas que focar seus pensamentos no amante, para que o mesmo lhe respondesse. Embora tal coisa, somente pudesse acontecer quando estavam próximos, tinha vezes em que se perguntava como conseguia fazer isso, mas nem mesmo Heero havia conseguido explicar e não parecia se importa com o fato.
Havia comentado com Quatre sobre isso, e o amigo também ficara surpreso dizendo que segundo Trowa uma ligação desse tipo somente podia ser feita e mantida se ambos possuíssem uma ligação psíquica forte.
No caso de Quatre que sempre tivera certa capacidade empática, era completamente natural que ela evoluísse ao se tornar um vampiro, mas no seu caso, era completamente diferente. Ele nunca possuirá nada semelhante antes de conhecer Heero. Ainda se lembrava da primeira vez que isso ocorreu ali mesmo no castelo, na noite anterior em que se entregara ao vampiro.
Estava no quarto que havia sido providenciado para ele aquela noite. Lembrava-se que estava no banheiro, havia acabado de entrar na banheira quando dirigiu seus pensamentos ao vampiro.
...FlashBack.0.0.0.
Duo encostou-se na parede aguardando a banheira terminar de encher, ficou pensando no quanto sua vida estava prestes a mudar. Ficou olhando para as paredes, pensando que no outro quarto estava à pessoa que havia tocado em seu coração.
Uma criatura da noite, ele sentiu um ligeiro arrepio percorrer seu corpo obrigando-o a se abraçar, nunca pensou que acabaria se apaixonando por outro homem e nem que o mesmo seria um vampiro. Embora em seu coração isso não fizesse a menor diferença.
Ele fechou a torneira testando a água, descartou suas roupas no chão, e soltou os cabelos antes de entrar na banheira, suspirando diante da água morna que acariciava seu corpo aliviando os músculos cansados. Voltou seus pensamentos a Heero, desejando que o mesmo estivesse ali com ele, tinha a certeza de que estariam juntos logo mais, e de uma maneira ainda mais intima, o simples fato de pensar que eles se uniriam na noite seguinte fez seu corpo se aquecer.
" Ah Heero eu te quero tanto. Por que não podemos ficar logo juntos. Você pode me ouvir? Pode sentir o que eu sinto? Sente meu corpo se aquecer a simples menção do seu nome".
"Sim eu sinto. Eu o sinto dentro de mim como uma chama a me aquecer. Um lugar para se ficar para sempre. Um lar. Eu o sinto Duo em cada fibra do meu ser. Pulsando... vivo.. pela primeira vez em séculos eu me sinto vivo novamente e tudo graças a você".
Duo surpreendeu-se ao ouvir Heero responder-lhe mentalmente, sentindo todo seu corpo reagir à sensação de carinho, como se o mesmo estivesse ali a seu lado o abraçando e o aninhando em seus braços. Algo o impeliu a estender a mão como se fosse acariciar-lhe o rosto de Heero, como se vampiro estivesse bem ali a sua frente e por um instante sentiu algo macio e frio toca-lhe os seus dedos.
0.0..00.0...0.-FlashBack.00...
Lembrava-se que havia ficado assustado, afinal não fora um contato mental apenas, mas um contato físico à distância, algo que se alguém lhe contasse chamaria de insanidade, uma vez que era impossível. Mas que acontecera com ele.
Havia sido a primeira e única, pois isso nunca mais acontecera, pelo menos até a noite passada quando sentira as presas de Heero contra seu pescoço e a sensação do amante sugando-lhe o sangue. Algo bem mais intenso que uma simples caricia. Levou a mão ao pescoço suspirando diante da lembrança, sabia que não deveria sentir-se assim, mas sentia-se excitado cada vez que Heero o mordia e sorvia seu sangue.
Causava-lhe prazer sentir as presas do amante perfurar-lhe a pele, enquanto a língua grossa esfregava-se contra a mordida à medida que os lábios frios sugavam-lhe o sangue com força e vontade.
Duo olhou frustrado para a parte debaixo do corpo notando o quão animado seu amiguinho se encontrava e sabendo que não podia satisfazê-lo plenamente uma vez que o responsável pela sua animação estava ocupado e não tinha idéia de quando estaria livre para cumprir a promessa de recompensá-lo.
Decidiu mudar o rumo dos pensamentos, antes que tivesse que tomar um banho frio. Não tinha idéia do que poderia fazer para passar o tempo e aconchegou-se na cama pensando em dormir um pouco para passar o tempo uma vez que assistir televisão estava fora de cogitação, já que não tinha nada interessante passando.
Ficou encarando o teto durante alguns minutos até que a idéia de procurar Quatre passou por sua mente, talvez pudessem treinar um pouco ou conversar. Decidido saiu da cama, disposto a encontrar o loiro e persuadi-lo a fazer alguma coisa, talvez na companhia também de Wufei. Tinha apenas que descobrir onde ambos estavam.
0...0.0.0
Enquanto isso na ala norte do castelo:
Wufei encontrava-se deitado em sua cama, já tinha mais de duas horas que deixara Maxwell, mas as palavras dele ainda o incomodavam, pelo simples fato de não poder negá-las completamente. O amigo tinha razão ao afirmar que ele sentia algo por Sally, algo que não gostaria de sentir pela criatura da noite que ela era.
Não sabia ao certo quando tais sentimentos começaram a surgir, talvez houvesse sido durante a batalha contra os caçadores, quando a vira ser ferida e tivera que protegê-la para que se recuperasse do ferimento. Lembrava-se da sensação dos lábios dela em seu rosto, agradecendo-lhe pela ajuda.
Ela tinha a capacidade de fazê-lo perder a paciência com suas palavras, ora maliciosas, outras verdadeiras. Sabia que ela sentia-se atraída por ele, podia ver em seus olhos uma infinidade de sentimentos, desejo, agrado, carinho e até mesmo amor, mas não sabia se estava pronto a abrir plenamente seu coração a ela, mesmo que ela já houvesse traspassado as barreiras que erguera ao redor dele.
Fechou os olhos tentando colocar sua mente em harmonia, mas cada vez que fazia isso, tudo em que conseguia, era pensar ainda mais na loira de olhos tão serenos. Nunca deveria ter aceitado a convite para morar no castelo. Ainda se lembrava do que aconteceu quando aceitara o convite pessoal de Heero para se refugiar no castelo, três dias depois da cidade ter sido completamente evacuada. Era inicio de tarde, e ele se encontrava no templo na companhia de Quatre e Duo treinando.
..FlashBack0.0...0.
Wufei viu a espada de Quatre passar a milímetros da barriga de Duo que parecia não estar dando a devida atenção ao treino sob manejo de espadas que os dois vieram buscar no templo. Não sabia a razão dos amigos terem simplesmente aparecido e pedido para treinar com ele, mas não parecia que Maxwell estava levando o treino tão sério como Quatre fazia.
- Duo você está mantendo sua guarda muito aberta.
- Sim sensei...
Duo riu descaradamente, batendo continência para Wufei que procurou ignorar as palavras do americano, torcendo o nariz diante da risada de Quatre que murmurou um desculpe diante da fuzilada do chinês, apesar de continuar a rir.
Não sabia ainda porque continuava a repreender Duo, o amigo era simplesmente impossível, e na verdade não conseguiria vê-lo de outra maneira, se por um acaso a personalidade do americano mudasse certamente seria algo estranho e de certa forma o amigo deixaria de ser ele mesmo.
Duo refreou o riso ao notar o olhar de Wufei, procurando se concentrar na luta, afinal eles haviam ido até o templo para praticar com o amigo e ele havia prometido ao amante que iria se comportar e treinar adequadamente. No mesmo instante sentiu uma suave caricia em sua mente e sabia exatamente o que isso significava, embora o deixasse surpreso, olhou para o chinês, antes de olhar para Quatre que meneou a cabeça.
O loiro também havia sentido a presença, não apenas do shuhan dos Khushrenada como também de outras cinco que o acompanhava. Quatre guardou suas armas, vendo Duo fazer o mesmo sob o olhar confuso de Wufei. Que não esperava ouvir dos amigos quem estava na entrada do templo.
- Heero está lá embaixo, na entrada do templo, aguardando permissão para subir.
Duo olhou para o amigo vendo-o estreitar os olhos antes de menear a cabeça, seguindo em direção a entrada do templo, sendo seguido pelos outros dois. À medida que descia a escadaria sua mente divagava sobre a razão do líder dos vampiros do castelo, ir até o templo, era a primeira vez que Heero vinha até ali, mesmo antes de seu avô deixar a cidade junto com a família Winner, o vampiro não viera e agora aparecia.
Eles pararam assim que chegaram à entrada do templo, ao fim da escadaria. Heero curvou-se levemente a Wufei, que meneou a cabeça diante do respeito do vampiro, uma vez que não ausência de seu avô ele era o responsável, sendo assim o guardião do templo do dragão. Duo sorriu diante do gesto de Heero em respeito à Wufei e pulou os últimos dois degraus se jogando nos braços do amante que o segurou balançando a cabeça levemente, antes de voltar sua atenção ao humano de origem chinesa.
- Eu consideração à amizade que Duo e Quatre têm por você, e por tudo o que você e seu avô já fizeram, gostaria de convidá-lo a ficar no castelo. Não apenas por sua segurança, uma vez que você é o único humano ainda na cidade, mas também porque o considero um amigo.
Wufei não sabia o que dizer, estava surpreso pelo que o vampiro dissera, não escondia o fato de não gostar da espécie dele, e ainda assim o mesmo o considerava um amigo, ele olhou para Duo que o olhava suplicantemente e depois para Quatre, que o encarava da mesma forma. Voltou seu olhar para o líder do clã Khushrenada meneando a cabeça em acordo, não sabia como seria sua ida para o castelo, mas de certa forma parecia que as coisas caminhavam nessa direção de alguma forma.
0...-Flashback..
Ele havia ido naquele mesmo dia para o castelo, e já haviam se passado quase um mês desde então. Ele ficava em um dos quartos onde ficavam os humanos do castelo, um andar acima das galerias que percorriam o subsolo do castelo, na outra extremidade bem longe de onde ficavam os vampiros, na ala norte. Duo havia dito que ele poderia ficar num dos quartos na parte de cima, mas não se sentia a vontade, ficando ainda mais perto de Sally.
Praguejou mentalmente ao notar que voltara a pensar nela, parecia que por mais que tentasse não conseguia parar de voltar seus pensamentos aquela mulher. Levantou-se disposto a fazer alguma coisa que desviasse seus pensamentos dela, talvez encontrar um lugar onde pudesse meditar e executar alguns katas.
Despiu-se trocando a roupa por uma mais leve, deixando o quarto caminhando para o pátio que descobrira na companhia de Quatre e Duo há alguns dias atrás durante a pequena excursão que fizeram pelo castelo. Tinha apenas que evitar encontrar com a mulher que atormentava seus pensamentos, o que acreditava não ser difícil, uma vez que não há havia visto ainda.
0.0...0.0
No terceiro escritório – ao lado da biblioteca:
Duo conversava com Quatre a cerca de como eles poderiam fazer para serem mais úteis quando a batalha eminente começasse. Havia procurado Wufei para que o mesmo se juntasse a conversa, mas não havia encontrado o chinês, e não fazia idéia donde o mesmo poderia estar. Pelo que Quatre dissera o amigo parecia querer ficar sozinho, mas não perguntou o que o loiro queria dizer com isso, portanto não insistiu em procurar o chinês amante da justiça.
Sendo assim decidiram ficar no escritório adjacente a biblioteca, decidindo o que poderiam fazer para melhorarem. Ainda não sabiam como havia sido a conversa de Heero com Mirla, no momento o shuhan do ichizoku dos Khushrenada estava com Trowa, Treize e os lideres do clã Maguanac conversando a pelo menos três horas. Isso depois do vampiro ficar duas horas, trancado na biblioteca conversando com Treize. O que dava o total de cindo horas longe do amante.
Eles sabiam que seus respectivos amantes contariam mais tarde como fora a conversa, ainda assim não podiam ficar dependendo de detalhes para começarem a se mover ou tomar alguma atitude quanto a suas posições quando o inevitável ocorresse.
- Acho que...
Quatre parou de falar no instante que sentiu a presença do lado de fora do escritório. Ele sabia a quem pertencia à presença, bem antes da porta abrir-se e revelar Sally. A loira sorriu para os dois, afinal desejava alguém com quem conversar e sabia que eles certamente a ajudariam, afinal o assunto de sua conversa era exatamente o amigo chinês dos dois.
- Sally não há temos visto muito ultimamente.
Ela meneou a cabeça, antes de responder, odiando a maneira como sua voz saiu a seus ouvidos, fraca e incerta.
- Eu sei...eu andei...de certa forma ocupada.
Duo olhou para Quatre que meneou a cabeça ambos tinham uma ligeira idéia do que andava ocupando Sally ou pelo menos a mantendo longe e o motivo era um cabeça-dura que atendia pelo nome de Wufei. Quatre levantou-se caminhando até a loira que já considerava uma amiga apesar do pouco tempo em que se conheciam. Ele circundou a cintura dela com o braço conduzindo-a até o sofá para sentar-se entre eles.
- Quer contar o que a entristece?
Sally sentiu seus olhos úmidos, deixando escapar um ofego que se transformou num soluço atormentado ao sentir-se abraçada pelos dois jovens. Duo apertou Sally contra si encostando sua cabeça na dela, enquanto a mesma chorava contra seu pescoço. Quatre descansou a cabeça no ombro direito da loira encostando-se nela como se assim pudesse de alguma forma minimizar a dor que sentia irradiar dela. Embora soubesse que a única forma disso acontecer era ter o motivo de sua tristeza sanado e não tinha certeza se isso aconteceria facilmente.
Sally não sabia exatamente durante quanto tempo chorou no ombro do humano. Escondendo seu rosto contra o pescoço de Duo e segurando a mão de Quatre, que a mantivera segura contra ele o tempo todo a segurando na altura do coração. Sentia-se mais confortada depois disso e completamente envergonhada por ter desabado dessa forma na presença deles.
Mas não conseguira se conter quando ouvira o loiro perguntar o que a entristecia, era como a pergunta dele houvesse simplesmente quebrado algo dentro dela, libertando em forma de lágrimas toda a angustia que vinha comprimindo em seu peito nas ultimas semanas.
Não tinha intenção de se mover da posição em que se encontrava, sabia que não conseguiria falar o que a afligia se o fizesse. Sentia-se mais segura ali alojada entre os dois, que pareciam compreender seu tormento.
- Eu não sei mais o que fazer...eu...me...
- Você se refere à Wufei.
Sally meneou a cabeça diante da afirmativa de Duo, afinal não havia sido uma pergunta. Quatre apertou suavemente a mão de Sally encorajando-a a prosseguir, entendia perfeitamente a angustia dela, conhecendo o amigo como conhecia não deveria estar sendo fácil para a loira ser tratada da forma como o amigo chinês a tratava.
- Eu...eu sinto que ele sente algo por mim...e as vezes...que...que ele me odeia por algo que não tenho a mínima idéia...de...de ter feito.
Duo fechou os olhos em silêncio abraçando o braço dela e segurando-lhe a outra mão. Sabia exatamente do que ela falava, já havia visto a forma como o amigo chinês tratava a vampira. Wufei às vezes tratava Sally como se a mesma houvesse feito algo inimaginável contra o mesmo e outras vezes como se a loira fosse à coisa mais importante para o chinês.
Sabia que o amigo tinha verdadeira aversão a mulheres e isso não tinha nada a ver com opção sexual, pois sabia muito bem que o chinês não jogava no mesmo time que ele e Quatre. O amigo simplesmente acreditava que mulheres eram fracas e descartáveis, que elas não mereciam nada alem de seu desprezo, nem sabia como ele ainda conseguia sair com alguma, dado à forma como as tratava. Se bem que sabia que havia mulheres que gostam de ser maltratadas, mas não achava isso certo, mesmo que às vezes desejasse trucidar algumas.
Entendia que Wufei havia se decepcionado muito no passado, mas isso não significava que podia tratar todas as mulheres igualmente, por conta de apenas uma imbecil. Ele não conhecia a historia por completo, apenas o que Quatre havia lhe contado e que o mesmo descobrira por um acaso pelo avô do chinês. Que não entrara em detalhes sobre o fato.
Wufei nunca os confidenciou nada em relação ao assunto e eles por o respeitarem, também nunca perguntaram. O que sabia era que uma moça chamada Merian, e noiva de Wufei não era exatamente a garota que o amigo esperava, tornando-o o que era hoje. Alguém incapaz de achar que uma mulher fosse digna de sua confiança ou de seu coração.
- Ele não faz por mal Sally. Ele simplesmente não pode evitar.
Duo olhou para Quatre que conhecia Wufei há mais tempo, o loiro havia decidido contar a Sally a razão de seu amigo chinês trata-la tão friamente algumas vezes e em outras de forma quase carinhosa. O loiro sabia que se a vampira conseguisse quebrar o amigo, o mesmo mostraria a ela o coração maravilhoso que se escondia atrás de uma antiga desilusão.
Ele tinha Duo e Wufei como irmãos e lamentava que o chinês guardasse o coração atrás de paredes tão duras e palavras tão amargas, apesar de tê-lo conhecido já assim, tinha certeza de que o mesmo podia amar tão plenamente. Quanto ele ou Duo, talvez até mais, uma vez que seu senso de honra e justiça fosse a sua opinião exagerado, embora isso o fizesse ser o que era.
Um homem de coração honrado. Sabia que Wufei moveria céus e terra pela pessoa amada, mas o faria em silêncio, pois era assim que seu amigo era. E tinha certeza absoluta de que Sally era a mulher que o amigo precisava para isso. Ele voltou a falar decidido a convencê-la, mesmo que isso viesse a trazer sofrimento a vampira, sabia que era necessário, para que ela pudesse desfrutar plenamente do verdadeiro coração de Chang Wufei.
- Não quero justificar as atitudes dele, e nem devo, mas uma vez ele confiou o coração dele a alguém que lhe era caro e ela o decepcionou profundamente.
Ele olhou dentro dos olhos de Sally a fazendo estremecer levemente obrigando-a a fechá-los para não encarar as orbes azuis claras que lhe refletiam o que deveria ser os sentimentos do humano, pelo qual se encontrava apaixonada. Ela deixou que a voz do vampiro loiro, a fizesse entender os motivos que fazendo Chang a tratá-la em sua opinião pior do que um cachorro.
- Sinto que Wufei ainda não superou seu passado, mas que está superando, mas para que isso ocorra por completo. Ele precisa de você.
Sally balançou a cabeça em negação, não acreditando que ela pudesse fazer o humano mudar da forma como o loiro dizia.
- Eu não acho...
Duo ouviu a negação atormentada de Sally, sentindo seu coração condoer-se por ela, mas sabia que Quatre estava certo, o amigo chinês havia mudado muito em sua opinião desde que viera para o castelo e o contato com a vampira havia aumentado.
Suas palavras de desprezo podiam continuar as mesmas, mas a postura dele em relação a ela mudara, mesmo que parecesse imperceptível a outros olhos, para eles que conheciam o chinês há mais tempo. Ele mudara em pequenas, mas significativas coisas. Tanto que a indiferença dele para com ela era maior, assim como os lampejos de cortesia se tornavam mais freqüentes com o passar dos dias.
- Quatre tem razão. Você foi à única até agora a fazê-lo perder a compostura a ponto de ficar dividido quanto ao que fazer. Acredite se ele não sentisse nada por você ele já teria sido claro quanto a isso.
- Como...eu não...
Quatre e Duo se olharam dando um sorriso diante da duvida de Sally, quanto ao fato de Wufei ainda não ter sido claro quanto à posição dela em relação a ele. Conheciam Chang tempo suficiente para saber que o chinês não media palavras quando o assunto era colocar uma mulher em seu lugar, ele conseguia ser direto em pouquíssimas palavras e sem se abalar se elas feririam alguém ou não.
- Ele teria dito com todas as letras que você poderia ir pro inferno que ele não estaria nem ai, isso de forma nem um pouco educada. No entanto ele apenas a trata com descaso, finge que não a ouve, mas tenho certeza que por dentro ele presta bastante atenção ao que você fala. Embora jamais vá admitir.
Sally sentia-se dividida entre acreditar no que diziam e aceitar o fato de que o humano de cabelos negros a odiava plenamente. Ela deixou que um suspiro cansado escapasse por seus lábios pálidos, seu coração já havia feito uma escolha, havia se deixado prender pela esperança de que talvez Chang pudesse retribuir seus sentimentos. Ainda assim era tão difícil.
Quatre podia sentir e compreender suas dúvidas, mas tinha plena certeza de que a loira era a única capaz de quebrar a indiferença ao redor do coração e da alma de Wufei, isso se ela estivesse disposta a lutar por ele. O que em sua opinião não seria nada fácil. Por isso deixou que sua voz soasse confortadoramente, pois sabia que era disso que ela precisava no momento.
- Sally não podemos dar garantias de que Wufei vá admitir o que sente. Tudo que podemos fazer e estar aqui pra você caso precise, mas é você quem deve decidir se vale a pena ganhar o coração dele.
Duo meneou a cabeça concordando com Quatre, compartilhava da mesma opinião do amigo de que era Sally quem devia decidir, sobre o que fazer em relação à Wufei. E independente do que ela decidisse, eles estariam ali para ela, fosse para se alegrar ou para chorar.
- Ele sente algo por você, da mesma forma que você, talvez até mais. Já pensou em confrontá-lo?
Duo sorriu diante do olhar dela, viu-a lutar contra o que dissera e quando o encarou negando com os olhos.
- Eu já pensei nisso, mas tenho medo do que posso descobrir.
- Entendo, mas eu acho que é a única maneira de realmente descobrir. É melhor sofrer de uma única vez com uma certeza, do que sofrer aos poucos pela incerteza. Não acha.
Ela deu um sorriso fraco antes de beijar o rosto de cada um deles. Eles estavam certos, preferia viver e sofrer com a certeza de seus atos do que na incógnita dos sentimentos dele por ela.
- Obrigado meninos, sei o que tenho que fazer.
Eles se levantaram abraçando-a, sabiam que não seria nada fácil para ela, mas tinham a certeza de que era inevitável.
- Vai dar tudo certo, se precisar de nós basta chamar.
Ela balançou a cabeça acariciando o rosto de Duo, diante da promessa de ajuda caso precisasse. Caminhou até a porta saindo do escritório e deixando-o a sós, precisava agora apenas tomar coragem para fazer o que havia decidido em seu coração.
000...0.0.0.
Já passava das dez da noite quando Duo finalmente conseguiu encontrar-se com Heero novamente. Após a conversa com Sally no escritório havia permanecido com Quatre durante algum tempo, e ambos haviam conseguido encontrar um meio para tornarem-se mais eficientes em batalha.
Não era nenhuma formula mágica, ou algo parecido, e sim um treinamento mais acirrado, era claro que para o mesmo ter os resultados desejados dependeriam de outras duas pessoas, mas tinha certeza de que nenhum dos dois negaria ajuda.
Um deles estava passando pela entrada do quarto da torre naquele momento. Duo sorriu ao ver o vampiro, deixando a espreguiçadeira próxima à janela, para juntar-se a seu amante que o recebeu em seus braços. Eles se beijaram profundamente antes de se afastarem.
Heero acariciou a face do humano, puxando-o em direção a espreguiçadeira novamente e sentando-se com o ele, mantendo-o junto a seu corpo, observando o luar através da janela. Permaneceram em silencio durante alguns minutos, apenas desfrutando um da companhia do outro, antes que Heero resolvesse falar sobre o encontro com Mirla, e a conversa que tivera a pouco com Treize e Trowa, certo de que Quatre já conhecia o conteúdo da conversa devido à ligação dele com o amante de olhos verdes.
000...0.0.0.
Uma e meia hora depois:
Duo fechou os olhos pensando em tudo que o amante lhe contara, saber que a criatura parecia conhecê-los tão bem, o deixava desconfortável. Heero olhou para o humano tocando-lhe os olhos fechados, antes de sussurrar palavras de conforto, sabia como o mesmo se sentia e sentia-se da mesma forma embora a raiva fosse maior que o desconforto.
- Não se preocupe quanto a isso, não importa o que ela pareça saber sobre nós, eu lhe disse que o protegeria, não importa o que aconteça. Ninguém toca no que me pertence, lembre-se disso.
Duo sorriu diante da possessividade das palavras de Heero, e abraçou-se mais ao vampiro, sentindo-se protegido pelas palavras dele. Sentiu os dedos do amante se entrelaçar com os seus e sorriu, virando-se para ele e olhando dentro dos olhos azuis cobalto. O vampiro sorriu diante do olhar carregado de carinho, tocando a face quente do humano.
- Acho que já está na hora do jantar. Suponho que não tenha jantado ainda.
Duo balançou a cabeça concordando. Não ele não havia jantado, apenas beliscara alguma coisa por volta das nove, enquanto aguardava o termino da conversa de Heero com os outros. Ainda assim não desejava sair da posição em que se encontrava, para jantar.
- Acho que poderíamos ficar aqui e pular o jantar.
- Sem chance, você tem que se alimentar. E eu também.
Heero levantou-se obrigando Duo a fazer o mesmo, apertando a ponta do nariz do humano ao vê-lo reclamar sobre ter que sair dali.
- Queria ficar aqui quietinho com você.
- Podemos voltar assim que terminarmos. E fazer alguma coisa, para passar o tempo.
Duo pulou diante da apertada de Heero em seu traseiro, e das sugestões que o amante dava em sua mente de como poderiam ocupar o tempo, quando retornassem do jantar. Ele parou um pouco antes de sair voltando-se para o vampiro, antes de responder e deixa-lo sozinho.
- Vou pensar no seu caso.
Heero meneou a cabeça seguindo o humano, certo de que seria capaz de fazê-lo mudar de idéia, afinal podia muito bem ficar mandando sugestões do que fariam em sua mente humana durante todo o jantar.
000...0.0.0.
Algumas horas depois:
Wufei não sabia como havia acabado na posição em que se encontrava agora, ele não deveria ter permanecido na sala de musica a sós com Sally, mas deveria ter saído na companhia dos demais. Havia passado bons momentos ali, quando após o jantar Duo sugeriu a todos que fossem para a sala de musica ouvir Quatre tocar seu violino, que era capaz de acalmar a mais atormentada das criaturas, havia sido até mesmo capaz de apreciar a flauta que Trowa tocara.
No entanto agora sua mente era atormentada pelo fato de não saber como deixar a sala, sem falar com Sally, o simples pensamento o desconcertava e não conseguia aceitar o fato dela perturbá-lo tanto. Ele poderia simplesmente levantar e deixa-la sozinha como já fizera diversas vezes, mas naquele momento parecia-lhe impossível faze-lo, ainda mais porque notara a forma com que ela o encarara a noite toda.
Sally estava cansada do silêncio que durava já quase uma hora, que estavam sozinhos há algum tempo e vira nisso a chance de descobrir o que queria ao ver que Wufei permanecera mesmo após a saída de todos. Ela reuniu coragem perguntando de uma única vez o motivo dele temê-la, esperando que assim conseguisse descobrir o que realmente queria.
- Porque tem tanto medo de mim?
Wufei a encarou Sally com escárnio, demorando algum tempo antes de responder a algo tão tolo, afinal de contas quem ela achava que ele era para temê-la. Quando respondeu o fez com palavras frias o que não passou despercebido pela vampira.
- Eu não tenho porque temer uma mulher.
Sally ignorou as palavras ditas de forma tão fria, embora por dentro sentisse sua resolução diminuir.
- Pois não é o que parece Chang Wufei. Além disso ações falam mais que palavras e suas atitudes deixam bem claro que você me teme, embora não consiga entender o porque. Afinal não tenho motivos para feri-lo e jamais o faria.
Wufei encarou Sally em silêncio, diante das palavras dela carregadas de tristeza. Não havia sido completamente sincero com ela, a verdade era que a temia, e não pelo que ela poderia vir a fazer com ele, mas pelo que o fazia sentir por ela. Jamais admitira isso a ninguém e muito menos a ela, mas a verdade era que Sally o fazia sentir coisas que jamais imaginou sentir. Sempre que a via, procurava ignora-la, como se isso pudesse fazê-lo esquecer ou até mesmo acabar o que começava a sentir pela vampira.
Sally bufou aborrecida era sempre assim bastava estar a sós com o humano que ele a ignorava. Quando Duo ou Quatre estavam presentes o chinês às vezes até que se dava ao trabalho de falar com ela, mas bastava ficarem sozinhos para o chinês simplesmente começar a ignorá-la, isso quando não a deixava falando sozinha e já estava cansada de ser tratada assim.
Já fazia séculos que não se sentia atraída por alguém e não se referia apenas ao desejo físico, mas a algo mais profundo, que o simples desejo sexual, embora ele existisse e fosse o suficiente para aborrecê-la, uma vez que não tinha garantia alguma de que o mesmo seria saciado.
O humano era uma incógnita sempre tão reservado e até mesmo grosso. Sally ansiava pelo carinho do humano, por um gesto ou um pequeno sinal de que ele poderia sentir ou vir algum dia a sentir algo além de desprezo por ela, não pelo fato de ser uma criatura da noite, mas por ser mulher, uma vez que o chinês parecia ter algum tipo de bronca ou ressentimento pela espécie feminina em geral.
Sally bufou alto se levantando. Estava cansada de ser ignorada pelo humano como se não passasse de nada ou não fosse digna da atenção dele. Entretanto estava cansada ainda mais de ignorar o sentia por Wufei que ele a odiasse ou qualquer outra coisa, faria o que Duo e Quatre lhe aconselharam, jogaria tudo para o alto e diria o que sentia pelo chinês e depois nunca, mais o perturbaria tentando ser amigável puxando conversa, quando o mesmo deixava claro que preferia ficar sozinho.
Ela parou a poucos metros dele, fazendo levantar-se diante da postura que ela apresentava, como se estivesse pronta para uma batalha, e ele fosse seu oponente.
- Quer saber você é um idiota, prepotente, que não vê um palmo diante do próprio nariz. Está tão mergulhado em sua amargura que é incapaz de ver que eu gosto de você assim mesmo. E estaria disposta a fazer o que me pedisse, mesmo que isso me fizesse sofrer.
Sally aguardou por alguns segundos alguma reação do humano, vendo apenas incredulidade nos olhos negros, um milhão de ofensas pipocavam em sua língua diante da inércia dele, engolindo-as antes que não pudesse refrear suas palavras e se arrependesse.
Virou-se disposta a deixá-lo sozinho e chorar em seu quarto, ou até mesmo procurar Quatre e Duo para chorar com eles. Mas não o fariam na frente do chinês, não daria a ele a chance de vê-la chorar por seu silêncio. Mal deu alguns passos, antes de ser parada pelo humano.
Wufei segurou Sally pelo pulso virou-a e segurando-lhe o queixo surpreendendo-a, antes de sorriu o tomar-lhe os lábios calidamente. Ela ofegou ao sentir a mão dele segurar-lhe fortemente a nuca, sem, no entanto machucá-la, deixou que a língua dele adentrasse seus lábios, sentindo seu corpo acender diante do prazer que o contato causava. Ele apartou o beijo vendo o desejo tornar mais escuro o olhar azulado da vampira.
- Fei...
Wufei sorriu maliciosamente diante do tom rouco a escapar pelos lábios pálidos. Sally era mais alta que ele e por mais que desejasse tomar-lhe os lábios novamente, não sabia se conseguiria continuar a beijá-la sem conseguir um problema no pescoço. Deixou que suas mãos corressem pelo corpo esguio, erguendo-a subitamente nos braços decidido a ir para a privacidade de seu quarto, afinal não queria correr o risco de que alguém entrasse na sala e os visse.
Uma estranha possessividade tomou-o por completo diante da perspectiva de que alguém poderia vir a vê-la tomada pelo desejo, e notar que sua amada se tornava ainda mais bela. Surpreendeu-se pelo fato de que apesar de alta Sally era leve, o que tornava o ato de carregá-la ainda mais atraente.
Sally surpreendeu-se por Wufei carregá-la nos braços, ele era mais baixo que ela e aos olhos de qualquer um pareceria impossível ergue-la. Sentia-se como uma adolescente e sorriu escondendo o rosto contra o pescoço do humano, sentia como se o ar lhe faltasse por completo, diante da excitação e do contentamento de ter sido ele a tomar a iniciativa. Estava tão mergulhada em seus pensamentos que não notou que o chinês a chamava já há algum tempo.
- Sally.
Wufei sorriu ao notar o leve tremor a percorrer o corpo da mulher que amava, imaginava que apesar das investidas, muitas das vezes ousadas, no momento ela lhe era como uma jovem prestes a ser tomada pela primeira vez. E o simples pensamento o encheu de completo desejo, ainda assim tinha que sair da sala e no momento suas mãos se encontravam ocupadas.
Ele esfregou o rosto contra o dela, de forma a chamar-lhe a atenção, conseguindo finalmente faze-la olhar-lhe nos olhos e ouvir suas palavras.
- Preciso que abra a porta.
Sally corou ao perceber que não fora sua imaginação e que de fato o humano a chamava e pela expressão divertida em seu rosto, já o fazia há algum tempo. Ela estendeu a mão abrindo a porta, tendo o cuidado de fechá-la assim que passaram. Felizmente o caminho até o quarto do chinês, foi guardado pela ausência de outras pessoas.
Ela trancou a porta do quarto do humano mordendo levemente os lábios, diante da súbita apreensão que a tomou, mesmo sabendo que não havia motivos para o mesmo, estava na companhia de um homem honrado e ele não faria nada que ela desejasse que fizesse.
Como se percebesse a apreensão de sua amada Wufei depositou-a com segurança na beirada da cama, ajoelhando-se frente a ela acariciando-lhe a face fria como porcelana e ainda assim macia como à pétala de uma rosa.
- Você quer continuar?
Sally fechou os olhos, diante da pergunta, sorrindo assim que os abriu. Tomou a mão que descansava em seu rosto, levando-a aos lábios, ao mesmo tempo em que deslizava para o chão aproximando-se ainda mais do humano que agora detinha seu coração e sua alma.
- Não há nada, que eu mais queira desde que o conheci, Chang Wufei.
Ela viu os olhos negros escurecerem antes que a puxasse de encontro aos lábios ávidos e firmes. Abraçou-se ao homem que a beijava deleitando-se com o beijo que parecia acender ainda mais a chama do desejo em seu corpo. Wufei segurou sua amada com firmeza pela cintura, enquanto sua outra mão a mantinha segura pela nuca e de encontro a si. Girou o corpo levemente, descendo o corpo dela contra o tapete macio.
Sally ofegou ao sentir o peso do corpo dele sobre o seu, abrindo ainda mais os lábios, deixando-o aprofundar o beijo. Sua língua tocou a dele enroscando-se, duelando pela chance de conhecer profundamente sua boca, obtendo dele a permissão que pedia.
Wufei deixou que suas mãos explorassem o corpo de sua amada, tocando-a com carinho e ardor por sobre as roupas, encontrando sob elas a pele macia e sedosa que tanto desejava ver e tocar.
- Fei...
Wufei sentiu arrepios de prazer ao ouvi-la gemer parcialmente seu nome, deixou que seus lábios e mãos obtivessem mais de seus gemidos entrecortados, excitando-se cada vez mais com eles.
Sally interrompeu o beijo perdida nas sensações que as mãos do humano provocavam em seu corpo. Sua cabeça curvou-se para trás ao sentir os lábios dele percorrerem seu pescoço sugando-lhe a pele, arrepiando-a e aquecendo-a plenamente. Já não conseguia conter os gemidos, ainda mais, quando uma das mãos de seu amado fechou-se sobre um de seus seios, invadindo sua peça intima, arreliando-lhe o mamilo já dolorido pelo prazer.
Um desejo desenfreado a fez procurar arrancar-lhe a camisa, desejando tocar à pele quente sob seus dedos.
Wufei parou o que fazia para afastar-se ligeiramente e ajuda-la a retirar a peça pela cabeça. Sentiu as mãos de Sally percorrerem seu dorso e seus braços, o fazendo sorrir diante da contemplação presente em seus olhos.
Desejou vê-la da mesma forma que ela o via, e começou a abrir os botões da blusa que ela usava, deparando-se com a pele leitosa e atraente em contraste com o lingerie vermelha. Sorriu antes de inclinar-se sobre a mulher que preenchia seus pensamentos, a fazendo deitar o corpo novamente sobre o tapete. Ainda sentado deixou que seus dedos deslizassem suavemente pelo colo e barriga de Sally, mantendo os olhos presos a seu rosto. Atento as reações que provocava.
Sally ofegou diante da sutil caricia dos dedos que percorriam cada centímetro de sua pele exposta.
Os dedos de Wufei passeavam sem pressa por seu colo, por entre os seios ainda escondidos na lingerie vermelha, deslizando por sobre a renda antes de continuar o caminho até seu abdômen e o limite de sua calça. Refazendo o caminho de volta, até retornar ao rosto acariciando-lhe com uma das mãos, enquanto a outra lhe sustentava o corpo para que não pesasse completamente sobre sua amada.
- Você é tão linda.
Lágrimas vieram aos olhos de Sally diante das palavras carregadas de carinho. Sentiu os lábios dele em seu abdômen e a língua em seu umbigo, enquanto as mãos hábeis abriam o fecho frontal, livrando-a da peça que o impedia de tocar sem barreiras seus seios.
Ela fechou os olhos à medida que os lábios do humano deixavam um rastro de fogo em seu abdômen e se dirigiam aos seus seios, gemendo quando um deles escondeu-se na quentura morna dos lábios de Wufei. Que sugava e mordia levemente, enquanto o outro era maravilhosamente acariciado por uma de suas mãos.
Wufei sentiu as mãos dela deslizando por suas costas, acariciando-lhe os músculos, antes de mergulharem dentro de sua calça, apertando-lhe as nádegas, enquanto arqueava o corpo contra si. Ele abandonou-lhe um dos seios dirigindo-se para os ombros beijando-a por completo.
Sally desejava mais de seu amante, bem como desejava provocar nele as mesmas sensações extasiantes que ele lhe provocava. Utilizando-se de sua força girou a ambos, ficando agora por cima de Wufei que sorriu diante da beleza que tinha diante de seus olhos negros.
Ela livrou-se da blusa e do sutiã inclinando-se sobre o corpo abaixo de si, fazendo os fios parcialmente longos, caíssem por seus ombros e tocassem-lhe o rosto.
Percorreu com as mãos o dorso exposto, e lambeu os lábios de Wufei, sugando o lábio inferior, enquanto suas mãos continuavam a explorar com deleite o corpo masculino. Ela explorou e lambeu cada músculo do corpo trabalhado pelos anos de treinamento que sabia que ele realizava todas as manhãs. Suas mãos passeavam livremente pelo corpo do chinês, estimulada pelos gemidos baixos e pela suave pressão das mãos dele em suas coxas.
Ela levantou-se um pouco, sentando-se por entre as pernas de Wufei, de forma a te melhor acesso a carne dura escondida pela calça leve que o mesmo usava.
Wufei arqueou o corpo soltando um grunhido ao sentir a mão dela, apertar-lhe o membro por sobre a calça, abrindo os olhos que não se lembrava de ter fechado para encontrar o olhar azulado repleto de desejo. Segurou-a pelos ombros, sentando-se e deixando que sua voz soasse rouca devido à excitação.
- Acho que ainda estamos vestidos demais para a ocasião.
Ela percorreu com os olhos o corpo dele, ansiosa para vê-lo por completo, seu olhar transmitia desejo e sabia que o seu transparecia o mesmo, meneou a cabeça em concordância com seu amante, antes que sua voz se pronunciasse em acordo.
- Concordo.
Wufei levantou-se ajudando Sally a fazer o mesmo. Ela arfou quando o viu levar as mãos ao cós da própria calça abaixando-a, revelando as pernas musculosas a seus olhos. Eles vagaram pelo corpo humano, detendo-se na cueca branca que ainda se encontrava no mesmo lugar, escondendo o membro que já se encontrava desperto. Ela arqueou a sobrancelha, antes de falar, recebendo uma resposta irônica e maliciosa.
- Acho que você se esqueceu de uma peça.
- Não mesmo, primeiro as damas.
A vampira riu curvando-se ironicamente, e com lentidão desabotoou a calça, baixando-a até os pés e jogando-a displicentemente para longe, revelando as pernas, longas e pálidas, mantendo apenas a calcinha vermelha, vendo Wufei cruzar os braços com um sorriso, aguardando que se despisse completamente a seus olhos. Ela levou os dedos à peça despindo-se dela sensualmente tendo o prazer de ver o humano arfar e seus olhos escurecerem.
Wufei aproximou-se tocando suavemente seu rosto fascinado por sua beleza, deixou que ela retirasse a última peça em seu corpo, sentindo os fios macios roçar em seu membro, o fazendo toma-la nos braços e deposita-la em sua cama.
Deslizou a mão pelo corpo perfeito, começando então a beijar-lhe as coxas, enquanto sua mão se movia por vontade própria, pelos seios e a parte interna das coxas, a fazendo apartar as pernas instintivamente dando-lhe melhor acesso.
- Ahhhhh...
Sally gemeu ao sentir os dedos de Wufei em sua intimidade, massageando o clitóris, passando delicadamente pelas laterais e pela ponta, insinuando sua invasão sem realmente faze-lo. Wufei sorriu levando os dedos a boca, sentindo o gosto dela em seus lábios.
Ele passou a mão pelos fios negros que se encontravam soltos, procurando prende-los atrás da orelha, sendo impedido por Sally segurou-lhe a mão admirada por vê-lo assim tomando a liberdade de soltar o restante do cabelo de seu amante, tocando-os e sentindo a maciez dos frios e sua negrura em contraste com sua pele pálida e mórbida.
Wufei mantinha seu olhar preso ao dela, vendo-a brincar com os fios de seu cabelo e notou quando o olhar de Sally se entristeceu por um momento indagando-se o que a fizera se entristecer tão repentinamente. Tomou-lhe a mão beijando a ponta de seus dedos, sentando-se na cama e a fazendo sentar-se entre seus braços, envolvendo-a num abraço quente e reconfortante. Antes de indagar-lhe o que havia acontecido.
- O que houve?
Sally sorriu tristemente amaldiçoando-se por pensar em tais coisas, num momento como este, estivera esperando por isso há tanto tempo, para estragá-lo com conversas sem sentido.
- Não é nada...desculpe.
Os olhos de Wufei se estreitaram diante da resposta. Sabendo não ser verdade o que ela dizia, uma vez que seus olhos lhe contavam outra coisa. Sabia que não poderiam continuar sem que soubesse o que realmente a entristecia e estava disposto a fazê-la falar.
- Sally o que houve?
Wufei a sentiu tremer ligeiramente desejando que fosse por outro motivo e não pelo que ela lhe dizia tão dolorosamente, embora o motivo fosse justificável.
- Você é humano e eu...uma...criatura morta.
Wufei ponderou durante alguns instantes quanto as palavras dela, beijando os fios loiros e sedosos, antes de afastar-se o suficiente para faze-la deitar-se novamente e olhar em seus olhos.
- Sim você é.
Wufei viu os olhos de Sally vacilarem entre a dor e a tristeza, antes que suas palavras a fizessem chorar, fazendo o olhar azul passar a transmitir apenas alegria.
- E ainda assim é a mulher que eu escolhi amar.
- Fei...
- Não pense sobre isso agora. Deixe que eu a ame Sally, que eu a proteja como manda meu coração.
Ele a viu menear a cabeça e puxa-lo para tomar-lhe os lábios, nada mais a importava nesse momento, não quando sabia e sentia que era amada com a mesma intensidade com que o amava. Ela o virou de bruços beijando-lhe as costas, sorrindo ao ouvi-lo ofegar, deixou então que sua língua percorresse toda a extensão da espinha do chinês, apreciando os sons que conseguia arrancar.
Eles não mediram o tempo em que se acariciaram e beijaram, afinal ali naquele quarto o tempo era o menos importava.
Ela se deixou se virada, deixando que seus corpos se unissem finalmente. Seus toques, seus lábios, sua voz, seu corpo tudo isso transmitia a sua alma, que tudo ficaria bem. Ela ofegou em prazer quando ele entrou em seu corpo, tornando-a sua e chorou ao ouvi-lo chamar o seu nome, quando chegou à vez dele alcançar o gozo em seu corpo.
Estariam juntos pelo tempo que ávida lhes permitisse, não pensaria mais quanto ao futuro viveria cada dia como se fosse o ultimo ao seu lado.
..
Três dias depois - Por volta das 22:00hs – Castelo Khushrenada:
Duo se encontrava sentado no sofá observando Heero, admirando a forma como o mesmo estava vestido, lembrando-se de quando o vampiro fora ao clube à primeira vez, ele estava maravilhoso como agora, vestido como a escuridão. Ele achava que preto realçava ainda mais a beleza do japonês, assim como o tornava ainda mais temível.
Heero parou de falar com Treize e olhou para Duo que o encarava, balançando a cabeça diante dos pensamentos do amante, pediu licença ao outro vampiro que meneou a cabeça, sabendo que Yuy a muito já não prestava atenção à conversa que estavam tendo.
O japonês aproximou-se do amante que se levantou, deixando que o vampiro lhe envolvesse a cintura, com um dos braços enquanto a outra mão tocava o rosto quente.
- Não deveria ficar mandando esses tipos de pensamentos para mim, ainda mais agora.
- Não pude evitar preto lhe cai muito bem.
- Não tanto quanto em você.
Duo sorriu diante da olhada de Heero em seu corpo, ainda mais porque não estava vestindo nenhuma peça escura. Ele ouviu o amante alertá-lo pela enésima vez quanto a ficar no quarto e sorriu.
- Vou tentar não me demorar muito, e você permaneça no quarto.
- Você já disse isso, não se preocupe não tenho a menor intenção de desobedecê-lo meu amo e senhor.
Heero estreitou os olhos diante das palavras irônicas de Duo, beijando-lhe o alto da cabeça. Estava ponto de retrucar quanto ao ouviu uma batida na porto pouco antes da mesma abrir revelando Kimitsu, o que significava que eles já deveriam estar próximos. Duo sorriu afastando-se do vampiro que iria receber os clãs Noventa, NightRose e Dhanylhos que estavam sendo aguardados.
- Senhor, eles chegaram.
- Obrigado Kimitsu.
Heero puxou Duo contra si, beijando-o suavemente, antes de soltá-lo, vendo os olhos carregados de ternura.
- Se você se comportar podemos brincar mais tarde.
Duo sorriu maliciosamente ciente do tipo de brincadeira que o amante tinha em mente, sacudindo a cabeça concordando.
O atual líder do clã Khushrenada olhou para Treize que meneou a cabeça, eles deixaram à sala em companhia dos lideres do clã Maganac, Trowa e Quatre. Duo viu-os deixar a sala e suspirou levantando-se e se dirigindo para o quarto.
Heero sentiu a presença do amante, seguir para o quarto e sentiu-se mais tranqüilo, pois sabia que o mesmo estaria bem enquanto recebia os três clãs. Não desejava que Duo os encontrasse, pelo menos não ainda, teria tempo para apresentado devidamente no jantar na noite seguinte.
Sabia que o humano apesar de disfarçar com piadinhas, não ficara muito contente, mas mesmo assim concordara depois que explicara que não desejava expô-lo aos demais vampiros que deveriam ter vindo.
Eles chegaram à entrada do castelo, que se encontrava tomados por carros e ônibus, não imaginava que chegariam tantos. Assim que pisaram na entrada um dos carros abriu-se revelando os três líderes aguardados. Heero caminhou até eles seguido por Treize e os lideres do clã Maganac.
Noventa deixou o veiculo, acompanhado pela marquesa Kathiene líder do clã NightRose e Amadeos líder do clã Dhanylhos que não disfarçava seu desagrado.
O líder do clã Noventa aproximou-se de Heero apertando-lhe a mão. Estava impressionado com o lugar, apesar da áurea maligna que sentira durante todo o percurso da cidade até o castelo. Havia sido uma viagem cansativa, mas sem dúvida necessária.
- Estou feliz que tenham chegado em segurança.
Noventa concordou com Yuy, antes mesmo de entrarem na cidade era possível sentir a maldade impregnando o ar, nunca imaginou voltar a sentir tamanha maldade novamente. O que reforçava a decisão de que Peacecraft e Romefeller deveriam ser detidos o quanto antes.
- Obrigado, estou feliz por ter vindo.
O líder do clã Noventa voltou-se para Treize abraçando-o, não o via fazia um bom tempo e tinha muito respeito pelo jovem Khushrenada.
-Treize é bom vê-lo novamente.
- Digo o mesmo Noventa.
- Olá Treize.
Uma voz suave chamando seu nome fez com que Treize meneasse a cabeça diante da presença da marquesa, ele curvou-se ligeiramente em respeito demonstrando sua gratidão ao vê-la.
- Marquesa.
Treize beijou a mão de Kathiene que sorriu. O antigo líder do clã Khushrenada continuava belo, como se lembrava, sempre gentil e cortês, sabia que o mesmo se encontrava envolvido, mas isso não a impedia de amá-lo em segredo.
Amadeos meneou a cabeça a Heero, apesar de ter vindo, ainda não o considerava como um deles, para ele o vampiro a sua frente seria sempre um Krynianos e nada mais que isso, mesmo que ele houvesse obtido a posição de shuhan.
Heero procurou ignorar o olhar de Amadeos, cumprimentando a Marquesa, que voltou seu olhar para os outros três vampiros que ainda não conhecia. Noventa alegrou-se por encontrar os lideres do clã Maganac, tomando a liberdade de apresentá-los aos lideres do clã Dhanylhos e NightRose.
- Amadeos, Kathiene, apresento-lhes Abdul, Ahmad e Auda, lideres do clã Maguanac.
Abdul aproximou-se os cumprimentando sendo seguido por seus irmãos de sangue. Logo em seguida tomou a mão de Noventa, cumprimentando o velho amigo.
- Fico feliz que tenha aceitado o pedido de Heero, meu bom amigo.
- Concordo com você. Não acredito que haja melhor aliança que a que fiz quando Yuy veio procurar-me.
Abdul concordou com Noventa, erguendo os olhos para o alto, ao sentir algo frio e úmido tocar-lhe o rosto.
Uma suave garoa começou a cair, e Heero decidiu que seria melhor entrarem para que todos pudessem se acomodar no castelo. Ele sinalizou para Trowa e Quatre que entraram para avisar Kimitsu. O líder do clã Khushrenada voltou-se para seus convidados, convidando-os a entrar.
- Acredito que a viagem tenha sido cansativa.
- Um descanso seria bem vindo com certeza, assim como uma boa refeição. – respondeu Noventa.
- Entremos então.
Noventa deixou que Heero os guiasse para dentro do castelo, onde os empregados estavam a postos para levar os vampiros ao salão onde se daria o jantar daquela noite e posteriormente aos seus respectivos quartos.
Assim que todos se acomodaram o jantar foi servido, Heero procurou não tocar no assunto que fizera com que os clãs presentes houvessem se reunido, o assunto poderia ser discutido na próxima noite.
o.o.o.o.o.o.o.o.o.o
Heero caminhava lentamente em direção ao quarto. Ainda não era nem meia-noite, mas todos já haviam se recolhido e não havia mais nada a se providenciado para a reunião na noite seguinte, fechou os olhos cansado, imaginando se Duo ainda estava acordado.
Abriu a porta do quarto não encontrando o americano, seus olhos se estreitaram imaginando onde o mesmo poderia estar. Havia sido bem claro quanto à permanência dele no quarto.
Ele procurou sentir-lhe a presença encontrando-a do lado de fora do castelo, aproximou-se da janela, não o vendo, resolveu procurá-lo saindo do quarto seguindo para onde sentia sua presença.
Parou a poucos metros vendo-o sozinho no pátio do outro lado do castelo, sentiu a presença de Hugh desaparecer assim que chegara, e sentiu-se mais tranqüilo, sabia que o Lycan não permitiria que ninguém se aproximasse de Duo. Manteve os olhos presos ao amante durante alguns segundos, vendo-o executar movimentos perfeitos com Yami.
Duo estava cansado de ficar trancado no quarto, ele sabia que corria o risco de aborrecer Heero, quando o mesmo descobrisse que deixara o quarto, mas preferia correr o risco a ficar sozinho. Por isso pegara Yami e decidira treinar alguns katas num dos pátios do castelo, um bem longe dos quartos onde ficariam hospedados os vampiros que Heero tivera de receber.
o.o.o.o.o.o.o.o.o
O vampiro de olhos azul cobalto retornou ao quarto para pegar Hikari, mantendo sua atenção à presença de Duo e suas emoções caso algum mal lhe acontecesse neste espaço de tempo. Ele retornou em poucos segundos, aproximando-se dele, sem que notasse.
Duo não notou a presença de Heero, não até que sentiu Yami se bloqueada, ao girar o corpo ao mesmo tempo em que a espada. Ele parou ao encontrar o vampiro e o olhar de censura do mesmo, abaixou a cabeça sabendo que estava encrencado.
- Eu acho que disse para você ficar no quarto.
- Desculpe, mas eu tava entediado lá. Você não aparecia e eu não queria ficar sozinho.
Heero olhou para Duo suspirando, havia notado que o humano parecia necessitar de companhia, mas não sabia exatamente o que havia despertado tal necessidade nele. Parecia como se o mesmo temesse ficar sozinho, não sabia se era alguma seqüela da permanência de seu sangue no organismo do americano ou alguma outra coisa. Trowa havia comentado por alto o que havia acontecido enquanto encontrava-se com Mirla.
0...0.0.0FlashBack0...0.0.0
Heero queria encontrar-se com o amante, mas tinha algumas coisas para falar com Trowa antes. Aguardou que os demais os deixassem sozinhos, antes que pudesse indagá-lo quanto ao que acontecera com Duo, na noite anterior, quando o mordera.
- Diga-me o que houve ontem à noite.
Trowa não precisou que Heero elaborasse a pergunta, sabia muito bem o que o japonês queria saber. Imaginava que cedo ou tarde ele o procuraria para isso, sabia que a demora se devia unicamente ao fato de ter assuntos demais a se resolver em tão pouco tempo.
Ele confidenciou o que viu atrás de Quatre, embora muitas coisas lhe parecessem obscuras demais. Falou das lembranças que Duo tinha de sua infância, junto ao tio e a freira. Quando o humano conhecera Quatre e sua família. O incêndio que destruiu a família de Duo o deixando sozinho no mundo, uma vez que ele não era querido pelos outros parentes.
Todas as lembranças de sua vida, as que Duo considerava como as mais importantes. Mas havia outras que não pareciam fazer o menor sentido, uma vez que lhe mostrava cenas com detalhes não condizentes a época em que viviam.
O vampiro de olhos de azul cobalto olhou para Trowa, procurando assimilar tudo que o mesmo dissera que ocorrera com Duo. Já pensara muitas vezes quanto a isso: O passado do amante. Mas nunca ultrapassara a barreira da mente humana para conhecer a resposta.
Trowa fechou os olhos por alguns segundos antes de continuar a falar, sem saber se o que dizia faria sentido ou teria lógica.
- Quatre disse, que algumas das lembranças que vimos não eram de agora. Nós acreditamos que seja algo mais...
- Antigo.
Heero calou-se fechando os olhos, ao finalmente compreender a que Mirla falava. Trowa meneou a cabeça ponderando sobre o que isso significava. Nunca acreditara em vidas passadas, mas depois de ver a mente de Duo estava pensando em mudar de idéia. Ele olhou para Heero, notando que o mesmo não parecia surpreso com o que dissera, na verdade parecia que o outro já aguardava por algo semelhante.
0...0.0.0Fim-FlashBack0...0.0.0
Sim ele já esperava por isso. De alguma forma sentia que já conhecia Duo, quando o viu pela primeira vez, correndo na frente do carro, sentiu como se o tempo houvesse parado, antes de começar novamente a correr. De alguma forma aquele encontro o marcou, passara dias sonhando com Duo e tendo sonhos estranhos e ainda assim familiares.
Ele gostaria de ter mais tempo, para aprofundar-se no assunto, mas o momento não era propicio, além do que se o que acreditava fosse verdade, que ele e Duo já haviam vivido uma vida juntos, ou pelo menos já haviam se encontrado, por isso quando o abraçasse, as lembranças de ambos seria uma só e o mistério seria por si mesmo solucionado.
Por hora preocupar-se com isso seria sem propósito. Deveria viver o presente ansiando por um futuro em que ambos estivessem juntos, por isso baixou sua espada, ciente de que deveria dar ao amante a segurança que ele necessitava e que apenas ele poderia lhe dar.
Duo viu o vampiro abaixar a espada e sorrir antes de se aproximar e tocar seu rosto, abaixando-se até que cobrisse seus lábios num beijo suave. Heero viu o humano fechar os olhos e se entregar ao beijo, enquanto falava em sua mente.
"Não está mais sozinho meu amor, nunca mais estará só. Estarei sempre com você, não importa onde esteja."
Duo deixou Yami cair, agarrando-se a Heero que deixara Hikari se juntar a outra espada no chão. Ele envolveu o corpo trêmulo do humano em seus braços, apertando-o fortemente dando-lhe a segurança de que jamais o deixaria sozinho novamente.
"Não cometerei o mesmo erro duas vezes. Eu juro pela minha alma."
A alma de Duo deixou que as palavras de Heero o acalmassem, era como se sua alma chorasse diante da promessa, que ele sabia que o vampiro finalmente a cumpriria. Como o mesmo dissera, não o deixaria novamente, estariam juntos em breve na eternidade.
o.o.o.o.o.o.o.o.o.o
Noventa olhou pela janela vendo o shuhan do clã Khushrenada, abraçado a um jovem com uma longa trança. Ao que parecia ele era o humano que conquistara o vampiro de olhos frios.
Havia se retirado antes dos demais apesar do sono não parecer dar mostras de que aparecia tão cedo, por isso decidiu observar um pouco a paisagem pela janela, encontrando então o jovem, que parecia praticar o manejo da espada.
Podia sentir uma áurea poderosa emanando do jovem humano, que manejava com maestria a espada longa, o jovem parecia alheio a tudo ao seu redor, era como se buscasse fuga de alguma coisa. Não conseguia captar-lhe os pensamentos, imaginando o que poderia estar bloqueando a mente do humano, era como se algo o estivesse protegendo e tinha quase certeza de que era a espada que o mesmo segurava. Yami a segunda espada da profecia.
Os viu apartarem o beijo, mas continuarem abraçados. Notou que o olhar de Heero voltou-se para o castelo, e sabia que o vampiro podia vê-lo confirmando quando o mesmo meneou a cabeça. Sorriu afastando-se da janela decidido a descansar, deixando os amantes sozinhos.
oo.o..o..o..o.o...oo.o.o.o.o.
Heero sentiu que eram observados, e deixou que sua mente encontrasse o observador antes que seus olhos o fizessem. Surpreendeu-se ao ver Noventa na janela do quarto observando-os, meneou a cabeça, vendo o Marechal se retirar logo em seguida.
Voltando então sua atenção ao humano em seus braços, em poucas horas amanheceria e teriam um longo dia pela frente, por isso seria melhor descansarem.
- Melhor entrarmos, teremos um dia cansativo hoje.
Duo afastou-se de Heero meneando a cabeça, abaixando-se para pegar Yami. Heero fez o mesmo com Hikari segurando logo em seguida à mão de Duo o guiando de volta ao castelo e ao quarto.
O vampiro tinha razão eles teriam um longo dia, com os preparativos e o jantar logo mais, bastava pensar nisso e um calafrio percorria seu corpo. Sabia que o vampiro estaria ao seu lado, mesmo assim não conseguia deixar de pensar que a batalha decisiva estava próxima. Esperava apenas que eles fossem os vitoriosos nela.
0...0.0.0
Em alguma parte da floresta:
Relena se encontrava irritada. As noticias que recebera na noite anterior não era das melhores, não esperava que Heero conseguisse tantos aliados em tão pouco tempo. Não tinha nenhum desejo de enfrentar Noventa ou qualquer outro clã que não fosse os Khushrenada que haviam roubado seu Heero.
Ainda assim sabia que isso seria inevitável, Romefeller não era alguém que os outros clãs apreciassem, tanto quanto os Peacecraft. Sabia que em algum momento teria de enfrentá-los, se quisesse que os outros clãs a reconhecessem. Olhou para Mackaczi que lhe sorriu antes de curvar-se ligeiramente permitindo a aproximação de alguém que fez seus olhos tremerem surpresos.
- Não tema Relena, não estará sozinha quando enfrentar o clã Khushrenada.
Relena sorriu diante da promessa, aproximando-se e segurando a mão que lhe era estendida. O ódio que ele tinha por Treize era ainda maior que a sua, deixou que ele a guiasse para fora da gruta, sorrindo diabolicamente ao ver o presente que o Duque lhe havia trazido. E alguns dias os Khushrenada seriam esmagados como insetos, juntamente com seus aliados.
0...0.0.0
Na noite seguinte - Castelo Khushrenada – Por volta das 21:00hs:
Duo se olhou pela décima vez no espelho. Sentia-se nervoso, afinal ele seria apresentado aos lideres do clã Noventa, NightRose e Dhanylhos aquela noite. Os vampiros dos três clãs haviam chegado à noite anterior e sido acomodados em seus quartos, cerca de quase cinco mil vampiros ocupavam agora o castelo. Como a viagem fora cansativa, ficara acertado de que os lideres dos clãs e alguns vampiros discutiriam sobre a batalha eminente aquela noite.
Pensar que seria o único humano no meio de mais ou menos trezentos vampiros o deixava com um frio no estomago.
Heero entrou no quarto encontrando Duo a se olhar no espelho, à expressão em seu rosto era bem diferente do que acontecia em sua mente, podia ouvir as batidas do coração dele soar apressadas, como se nervoso, e não poderia censurá-lo. Mas não era como se fosse mandá-lo como um banquete, ele estaria ao lado dele, pronto a defendê-lo ao menor sinal de perigo. Esperava apenas conseguir refrear sua possessividade. Afinal teria que apresentar Duo como seu futuro companheiro, e o guardião de Yami.
- Vai dar tudo certo, não se preocupe, estarei ao seu lado a todo instante.
Duo voltou-se para o amante diante de sua voz carregada de carinho e encorajamento. Sentia-se melhor depois de ouvi-lo e ainda melhor diante do abraço reconfortante do vampiro. Ele deixou seu corpo recostar-se no do vampiro, sentindo-o abraçar-lhe a cintura com possessividade, sabendo que o outro estava tão nervoso quanto ele.
Havia aprendido no pouco tempo que tinham, que Heero sempre que se sentia nervoso, em relação a levá-lo a algum lugar ou apresenta-lo a alguém, que o vampiro o apertava como se não desejasse que partisse, como se isso pudesse acontecer. Duo virou-se dentro do abraço do amante, tocando-lhe a pele fria com carinho.
- Eu te amo.
Heero sorriu soltando o humano e segurando-lhe a mão que lhe acariciava o rosto. Era difícil admitir a si mesmo que morria de ciúmes cada vez que tinha que apresentar Duo a alguém. Não sabia exatamente o que acontecia com ele, mas era preenchido de um sentimento incontrolável de posse, que se esvaia completamente quando o ouvia dizer que o amava. Sentia-se afortunado por tê-lo a seu lado.
- Também te amo.
Ele beijou o humano com cuidado, desfrutando do calor e maciez de seus lábios. Sua mão contornou a cintura apertando-o contra si, deixando que seu coração comandasse seus atos.
Duo levou seus braços ao pescoço do vampiro, entregando-se sem reservas ao contato com seu amante. Sentiu-se levemente erguido, para depois sentir seus pés tocarem novamente o chão. Eles se afastaram olhando-se nos olhos, vendo o amor espelhado nos olhos um do outro.
Duo puxou a manga do suéter branco que vestia, até a altura do cotovelo, deixando os pulsos a mostra. Tocando suavemente a marca que Heero fizera há pouco mais de seis meses.
Heero deslizou seus dedos, sobre os de Duo tocando a marca que fizera no pulso esquerdo do humano, reconfortado pelo mesmo se lembrar do significado da marca para os vampiros.
- Vamos.
Duo meneou a cabeça em acordo, segurando a mão do vampiro, rumo ao salão preparado para o encontro. Heero sentia que à medida que se aproximavam do salão o humano ficava mais nervoso, ele segurou firmemente a mão de Duo dando ao mesmo a certeza de que nada de mal lhe aconteceria. Encontraram Treize e Catherine os aguardando na entrada do salão.
- Estávamos o aguardando.
Heero meneou a cabeça, ciente de que assim que passasse pelas portas teria mais de duzentos vampiros olhando para ele e Duo. Sentiu uma vontade imensa de dizer ao humano que poderia voltar para o quarto, mas sabia que era imprescindível que o mesmo entrasse com ele.
Duo olhou para o amante que parecia não desejar entrar, tocou o rosto dele, sabendo que pelo vampiro, ele poderia ficar no quarto aguardando seu retorno, mas sabia por Treize que sua presença era necessária aquela noite.
- Eu estou pronto amor.
Heero beijou-o levemente diante de seu apoio, antes de bufar e menear a cabeça para Treize indicando que podiam entrar. As portas se abriram dando visão para o enorme salão, preparado especialmente para aquela noite, eles aguardaram que Treize e Catherine fossem anunciados, antes que ouvissem o anuncio que lhes permitira entrar.
- Heero Yuy, do clã Khushrenada, O atual shuhan dos ichizoku dos Khushrenada e seu companheiro Duo Maxwell.
Duo podia sentir vários pares de olhos voltados em sua direção, e sentiu que suas pernas não lhe obedeciam, um suave aperto em sua mão o lembrou de que não estava só, e ordenou seu corpo a se mover em sincronia ao corpo de Heero. Eles desceram as escadarias, encontrando os lideres dos quatros clãs presentes os aguardando.
Heero aproximou-se deles, tendo o cuidado de manter Duo junto a si, enquanto eram apresentados aos demais lideres que o humano ainda não conhecia.
- Duo está é a Marquesa Kathiene Dalphton do clã NightRose
- Marquesa é um prazer conhece-la.
- O prazer é meu, Duo não é?
- Exatamente.
Duo sorriu diante da simpatia da Marquesa Kathiene que estava simplesmente encantada com o humano, ele era de uma beleza impressionante e de certa maneira combinava perfeitamente com o shuhan do clã Khushrenada completando-o de alguma forma. O vampiro exalava antipatia, frieza e mal-humor bem diferente de seu amante humano que parecia exalar simpatia e bom humor por todos os poros. Ele com certeza não era alguém que se pudesse ignorar e Amadeos parecia ter notado isso, pois não desgrudava os olhos do humano.
- Conde Amadeos Sphius, shuhan do clã Dhanylhos.
Duo meneou a cabeça, incomodado com o olhar do Conde, não era tolo para não saber o que se passava na mente dele, já havia visto tal olhar antes e sempre o detestara, uma vez que não gostava de ser considerado um mero objeto de prazer, como parecia ser a opinião do outro vampiro.
Amadeos não sabia como alguém como Heero havia conseguido um amante tão belo, não havia dúvidas que o humano amava o shuhan do clã Khushrenada e que o mesmo retribuía aos sentimentos do vampiro. Havia posse no olhar dos dois, embora nos olhos do humano tal sentimento fosse mais brando. Tinha quase certeza de que Heero mataria sem pestanejar qualquer um que olhasse uma segunda vez para seu amante, mesmo que tivesse que enfrentar uma horda de vampiros.
Não podia censurá-lo, o humano era belíssimo e deveria proporcionar um prazer indescritível a qualquer um que o tivesse em sua cama. Não conseguia se lembrar de nenhum humano que o houvesse enfeitiçado da forma como se encontrava agora. O humano parecia exalar luxuria, convidando a qualquer um a dar uma segunda olhada, levando-os a desejá-lo.
Noventa notou a forma cobiçosa com que Amadeos olhava o humano e sabia que isso traria problemas. Por isso aproximou-se erguendo a mão ao vampiro de cabelos castanhos que fazia as apresentações, apresentando-se pessoalmente ao humano, pois já o tinha em alta estima por tudo quanto já ouvira do mesmo através de Heero.
- Marechal Noventa.
- Duo Maxwell.
Heero meneou a cabeça ao ver Noventa apresentar-se pessoalmente a Duo. O que entre os vampiros era considerado uma honra, uma vez que Noventa era um natural e seu clã era tão antigo quanto os Khushrenada. Duo simpatizou-se com o senhor de cabelos brancos e de aparência circunspeta, mas gentil.
Daisuke apresentou-os aos lideres do clã Maguanac, apesar de saber que os mesmos já eram conhecidos, uma vez que fazia parte do protocolo a apresentação de todos os clãs presentes. Ele olhou para o shuhan notando-lhe o olhar frio e sinistro. Sentiu arrepios por todo o corpo e o instinto de se afastar, não sabia o que havia ocorrido para que o líder do clã Khushrenada parecesse tão irritado. Esperava apenas que não fosse por algo que fizera sem querer, o que menos desejava era indispor-se com seu líder.
Heero sentiu o olhar de Daisuke e o sentimento de medo que o tomou. O vampiro de cabelos castanhos não havia feito nada de errado, na verdade, sua irritação devia-se a outro motivo. Ele tocou o braço de Duo indicando que o acompanhasse, não havia gostado nem um pouco do olhar de Amadeos e sabia que se continuasse ali fazia algo nada agradável com o líder do clã Dhanylhos.
- Se nos derem licença.
Daisuke fez menção de acompanhá-los, mas parou diante do olhar de Heero, que lhe dizia para ficar, o vampiro curvou-se antes de afastar-se uma vez que já havia acabado com sua obrigação de apresentar os lideres dos outros clãs.
o.o.o.o..
Trowa e Quatre observavam Heero circular com Duo por todo o salão, deixando claro de heero certa forma a quem o humano pertencia. Podiam ver que muitos notavam a marca no pulso de Duo abaixando então a fronte em sinal de respeito não como amante de Heero, mas como companheiro do shuhan do clã dos Khushrenada.
Eles circularam pelo salão durante algum tempo, antes de pararem para conversar com a marquesa Kathiene, mediante a demonstração de interesse da mesma.
Estavam conversando sobre a terra natal da Marquesa e do convite que ela fizera para irem conhecer Nápoles quando Heero sentiu Duo aperta-lhe a mão e o sentimento de desconforto irradiando do amante.
Procurou desvendar o que deixara o amante tão desconfortável, percorrendo seu olhar pelo salão parcialmente lotado. Todos os lideres dos cinco clãs estavam presentes, o clã Maganac, clã Khushrenada, clã Noventa, clã Dhanylhos e clã NightRose, além de alguns poucos vampiros de cada clã. Duo era o único humano presente, uma vez que dera ordens de que nenhum humano, além de seu amante deveria servir os convidados àquela noite.
Mas de alguma forma sabia que o desconforto de Duo, não se devia a isso. Havia olhares de interesse em seu amante, os de Kathiene líder do clã NightRose que se encontrava com eles, bem como os de encantamento por parte de muitos vampiros, dada a beleza de Duo.
Ele procurou aprofundar-se sutilmente na mente do amante e descobrir a causa de seu desconforto, tornando-se raivoso ao descobrir a razão. Já não simpatizara Amadeos a primeira vista, e agora tinha menos motivos ainda para apreciar sua vinda.
Amadeos procurou analisar o humano de forma a não atrair o olhar de Heero, sobre si, detendo-se na marca no pulso esquerdo, que entre eles significava um sinal de posse. Ele ergueu seu olhar encontrando o olhar frio de Heero, sentindo seu corpo arrepiar-se diante da escuridão que reluzia nos olhos azuis do Krynianos[1]. Levou à mão a garganta sentindo como se uma mão fria a pressionasse, mas não foi o olhar do outro que o fez gelar, mas sim a voz dele ecoando em sua mente, de maneira dolorosa e fria.
"Não cobice o que não lhe pertence. É um convidado em minha casa, mas isso não me impedira de matá-lo, se continuar a encarar o que me pertence com luxuria e cobiça."
Duo desviou o olhar da Marquesa olhando para o amante ao senti-lo ficar tenso. Depois desviou o olhar na direção em que o mesmo olhava, tremendo ao notar quem ele encarava.
Havia notado o olhar do líder do clã Dhanylhos segui-lo, sentia-se como se desnudo perante seu olhar e involuntariamente apertara mão de Heero. Mas ao ver o sentimento de luxuria dar lugar a expressão de dor nos olhos castanhos do outro, sabia que o amante deveria estar fazendo algo com o mesmo, e tudo que não desejava era causar algum de problema. Ainda mais agora quando o confronto com Relena parecia próximo.
- Heero, por favor, não vale a pena.
Heero sentiu o toque em seu rosto, libertando Amadeos diante do pedido de Duo, sabia que o amante se sentiria culpado se sucumbisse o desejo de matar o líder do clã Dhanylhos. Procurou sorrir tranqüilizando-o, poderia causar mais dor a Amadeos, quando Duo não estivesse presente.
Amadeos fechou os olhos, agradecido por Heero quebrar o contato mental. Nunca em sua vida imortal encontrara alguém assim, não se referia apenas a sua presença, que já era capaz de causar desconforto a qualquer um, mas sim à força misteriosa que irradiava dele. E quando a mente dele invadira a sua, foi tomado de um terror sem precedentes, como se a escuridão em que viviam, houvesse se originado do vampiro que agora sorria ao humano.
Ele procurou afastar-se, não desejava confrontar-se com o Kryniano's nem agora, nem nunca. Não queria ser inimigo dele de forma alguma e temia por aqueles que haveriam de ser seus inimigos, ou se atrevessem a tocar no humano.
Kathiene viu Amadeos sumir por entre os presentes no salão, se indagando o que Heero havia feito para que o mesmo fugisse de seus olhos. Olhou para o vampiro de olhos azul cobalto, vendo resquícios de uma frieza malévola em seu olhar. Sentiu o corpo inteiro tremer, imaginando como teria sido o olhar com que ele encarara o líder do clã Dhanylhos. Não conseguia entender como o humano conseguia encara-lo tão naturalmente sem que sentisse sua pele desprender do corpo, diante de tamanha força e escuridão.
Duo balançou a cabeça diante do olhar de Heero. Ficara feliz pelo amante agir em seu socorro, e apesar de uma parte sua sentir-se imensamente feliz diante da dor que vira nos olhos de Amadeos, uma outra parte sua sentia-se um pouco assustado diante do que Heero poderia ter feito com o outro ali diante de todos.
- Não devia ter feito isso.
- Não pude evitar, alem do mais ele pediu por isso.
Duo sorriu meneando a cabeça em acordo. Heero tinha razão, Amadeos havia procurado por isso, afinal o mesmo sabia a quem ele pertencia e assim mesmo ousara encara-lo com luxuria e cobiça. Ele beijou suavemente o japonês, voltando sua atenção a Marquesa que sorria parecendo ligeiramente desconfortável.
- Desculpe-me pelo ocorrido.
Heero curvou-se a Marquesa desculpando-se por sua atitude, viu-a menear a cabeça em acendimento vendo-o afastar-se depois de falar algo no ouvido do humano. Duo acompanhou o amante com o olhar, antes de sorrir para a Marquesa e retornar a conversa que estavam tendo antes que se iniciasse o jantar.
o...o.o.o
Três horas depois:
Após o jantar e o debate que era aguardado por todos ali, Duo deixara Heero em companhia de Treize, decidido a andar entre os convidados uma vez que já se sentia um pouco mais seguro. Afinal não podia ficar grudado no amante o tempo todo, apesar de saber que era exatamente isso que o mesmo desejava. Viu o Marechal vir em sua direção e sorriu, não haviam conversado muito, mas tinha certo respeito pelo mesmo.
- É um prazer conhecê-lo Marechal, Heero me falou muito do senhor.
- O prazer é meu jovem, chame-me apenas de Noventa.
Duo meneou a cabeça sorrindo levemente. Noventa observava em silêncio o rapaz, era visível que o mesmo sentia-se deslocado em meio a tantos mortos-vivos, mas que ainda assim fazia um esforço para ser sociável. Sorriu diante da contestação de que o jovem líder do clã dos Khushrenada havia feito uma excelente escolha ao escolher o humano a sua frente como companheiro.
- Fico feliz que Yuy o tenha encontrado, e não me refiro a profecia.
Duo ofegou surpreso diante das palavras do líder do clã Noventa. Na verdade era ele quem sentia-ser feliz por ter encontrado Heero, abandonando uma vida de solidão. Duo voltou os olhos ao amante, que se encontrava a alguns metros conversando com alguém, deixando que seu coração falasse.
- Eu é que me sinto feliz por ele ter me achado.
Noventa meneou a cabeça ao ver os olhos do humano voltar-se para o jovem escolhido de Treize. Era gratificante ver o sentimento deles, notou quando o vampiro sempre sério voltou os olhos ao humano ao sentir-se observado sorrindo ligeiramente para o mesmo. Pareceu-lhe a seus olhos que a áurea negra e temível que cercava Heero desaparecera por completo com o simples gesto de sorrir ao amante.
o.o.o.o..oo.o
Algumas horas depois:
Duo deitou-se na cama morto de cansaço, já estava amanhecendo quando todos finalmente resolveram se recolher. Ele queria ter ido para o quarto antes, mas Daisuke lhe havia dito que deveria fazê-lo apenas se Heero se retirasse o que não acontecera tão cedo. O japonês se retirara apenas quando Noventa o fez, o que ocorrera por volta das cinco da manhã. Entretanto o amante não o acompanhara, dizendo que tinha ainda um assunto a tratar com Trowa, dizendo que logo estaria com ele no quarto.
Por fim tomou um banho quente e vestiu apenas um short, devido à temperatura agradável da lareira, que não permitia que o quarto esfriasse devido ao clima frio que vinha fazendo nos últimos dias. Deitou-se se escondendo embaixo da manta, olhando uma última vez para o relógio, vendo que já eram seis e meia da manhã. Fechou os olhos para dormir, quando o som da porta se abrindo o fez abrir os olhos novamente, encontrando o vampiro de olhos azul cobalto.
Heero fechou a porta atrás de si, parando e olhando para a cama, sorrindo ao ver o humano agarrado a seu travesseiro. Havia ficado orgulhoso dele durante o jantar, apesar de sentir-se contrariado pelo fato do humano ter saído do seu lado, mas sentira-se feliz o vê-lo caminhar pelos vampiros conversando e socializando, mesmo se sentindo desconfortável por ser o único vivo entre eles.
Duo estranhou o fato de Heero não ter se aproximado da cama, tão logo entrou no quarto, ergueu-se ligeiramente da cama fazendo com que os cabelos caíssem por sobre os ombros, indagando o amante o motivo de manter-se afastado.
- O que está fazendo parado ai?
Heero sorriu maliciosamente, cruzando os braços, deixando que seus olhos admirassem Duo confortavelmente na cama.
- Apreciando a vista.
- De tão longe? – perguntou Duo ligeiramente brincalhão, se surpreendendo com as palavras do amante.
- As coisas mais belas, são melhores vistas de longe, onde não se pode tocar ou macular a perfeição com que foram criadas.
Duo sentiu-se lisonjeado, mas não queria ser observado, mas tocado pelo amante. Afinal a última vez que haviam se amado, fora na noite anterior ou deveria dizer na madrugada. Estavam tão ocupados nos últimos dias que seus encontros amorosos eram rápidos e na maioria se resumiam a apenas caricias. O que o fez perceber que Heero não andava cumprindo sua palavra quanto a compensá-lo pela espera.
- Você tem permissão para tocar, sempre que desejar, não precisar apenas observar.
Heero sorriu sedutoramente, respondendo ao amante, sem demonstrar qualquer intenção de aproximação.
- Eu sei, mas eu gosto de olhar para você e saber que tão bela criatura me pertence.
Duo sentiu-se arrepiado diante da possessividade do amante, embora tal gesto o deixasse feliz e aquecido.
- Completamente.
Heero sorriu diante da afirmação de Duo, quanto a pertencer a ele, caminhando por fim em direção ao leito tomando-lhe os lábios macios e quentes. Afastando-se antes que sufocasse o humano, vendo-o pegar ar longamente.
- Acho que tenho algumas promessas ou diria compensações a fazer.
- Andou lendo minha mente? – Duo perguntou fingindo indignação.
Heero não respondeu, mordendo simplesmente o ombro exposto antes de tomar-lhe os lábios entreabertos.
Duo ofegou ao sentir a mordida leve em seu ombro, ciente de que Heero o compensaria maravilhosamente. No instante seguinte perdeu qualquer pensamento racional diante das caricias do vampiro, e da forma quase selvagem com que ele o beijava.
Heero correu suas mãos pelo corpo do amante, enquanto seus lábios o devoravam, seu único pensamento enquanto o tocava era de que deveria compensá-lo adequadamente pelo mesmo ter sido tão paciente nos últimos dias.
o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o
Oito Dias depois – Na praça da cidade:
Mirla olhava com olhos maldosos, os vampiros se moverem, o solstício de inverno começaria em pouco mais de uma hora, bem como o alinhamento dos planetas com Mhorthyus se iniciaria em meia hora. Um sorriso malévolo ornou-lhe o rosto pálido ao imaginar o resultado final da batalha descrita pela profecia. Muito breve sangue seria derramado para que seus planos começassem a se realizar.
"Meu clã ressurgirá e todos os vampiros pagaram pelo que nos fizeram."
Romefeller olhou para seus caçadores, faltavam alguns minutos antes que se iniciasse o ataque ao castelo Khushrenada, em breve Treize pereceria por suas mãos e logo em seguida todos os que ousaram desafia-lo.
- Iniciaremos o ataque esta noite. Que o clã Khushrenada obtenha seu fim, sob o luar deste dia.
Os caçadores urraram diante da carnificina que esperavam iniciar. Relena olhou para Romefeller e Mackaczi, a chegada do Duque não estava em seus planos, mas já esperava por isso, sabia muito bem que a ajuda dele se devia a seus próprios propósitos e não por nenhum motivo benevolente. Sabia que o Duque não morria de amores pelo sobrinho, assim como ela que desejava Treize morto por ele ter-lhe tirado Heero.
Ela olhou para Mirla que se mantinha afastada, sabia que o Necro aguardava algo, o ataque a ser realizado dali a alguns minutos contribuíam a ela de alguma forma, sabia que Mirla faria tudo que fosse preciso para realizar seus próprios planos, mas sabia também que ela não se oporia em ajuda-la em matar o humano, apenas porque isso estava em seus planos.
Relena voltou sua atenção a Romefeller aceitando a mão que lhe era estendida, aceitaria a ajuda dele para acabar com Treize, tão logo isso ocorresse encontraria um meio de matar o Duque e tomar o lugar dele no comando dos Romefellers.
o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o
Terra dos Khushrenada:
Heero sentia uma inquietação estranha, que havia começado há pouco mais de duas horas e vinha aumentando a cada segundo. O vampiro voltou o olhar para a cama, vendo o amante adormecido, retornando o olhar para fora da janela, observando a noite pálida, tentando descobrir o que o perturbava.
Sentiu sua natureza novamente incomodá-lo e fechou os olhos procurando suplanta-la, sentindo um par de braços rodeá-lo fazendo sua natureza acalmar-se por completo, ouvindo pouco depois a voz suave de Duo a suas costas.
- O que o perturba?
Heero virou-se encontrando o olhar preocupado de Duo. Ele tocou as madeixas longas que lhe caiam pelos ombros como um véu, observando com carinho o humano, que tinha as chaves de seu coração.
Duo sorriu diante do olhar do vampiro, ele acordara diante da sensação incomoda em sua mente, como se a escuridão o envolve-se por completo angustiando seu coração. Ele se sentara na cama olhando para o outro lado do colchão não encontrando Heero, achando-o por fim junto à janela do quarto.
Podia sentir que algo o perturbava, bem como a áurea sinistra que crescia a seu redor. Havia notado que isso vinha ocorrendo muito nos últimos dias, mas ao indagar o amante, ouviu apenas a resposta de que era natural dado a expectativa da batalha. Não temia Heero ou a força selvagem que emanava dele, pois sabia que o japonês jamais o feriria, não importasse o quanto sua natureza funesta se libertasse do controle de sua mente. Sabia que estava seguro ao lado de Heero.
- Não sei, algo está para acontecer, mas não sei ao certo o que.
Heero sorriu diante da força com que Duo o abraçava sabendo que o humano, preocupava-se com seu estado atual. A verdade era que o solstício de inverno já havia se iniciado, e sentia que em breve a luta se iniciaria. Deixou tais pensamentos de lado, descendo o rosto para o pescoço de Duo aspirando seu cheiro, antes de afastar-se e olhá-lo nos olhos.
- Não deveria estar dormindo, ainda faltam duas horas para amanhecer – perguntou Heero carinhosamente.
- Algo me acordou – disse Duo encostando-se no vampiro esfregando o rosto contra o peito desnudo – Não o achei na cama e levantei.
Heero beijou o alto da cabeça de Duo ciente do que o havia acordado. Ao que parecia o amante podia sentir-lhe a preocupação e o fato de sua natureza estar prestes a aparecer, embora a mesma nunca houvesse despertado por completo.
- Acho melhor...
Heero mal teve tempo de terminar o que dizia, antes que a porta do quarto se abrisse revelando Quatre e Trowa. O loiro parecia ainda mais pálido que o normal e se encontrava amparado por Trowa, que parecia tão cansado quanto o amante.
- Os caçadores.
Os olhos de Heero se estreitaram diante da palavra, fazendo Quatre calar-se por completo. As noticias que tinha não eram das melhores, e não queria ser o portador delas, embora soubesse que não havia escolha. Ele ouviu a voz de Heero, sabendo que o mesmo já conhecia as noticias que trouxera.
- Quanto tempo?
- Já estão aqui.
Duo arregalou os olhos, diante do que ouvia, voltando-se para Heero que mantinha a expressão fria, embora pudesse sentir-lhe a tensão. Ouviu-o dar ordens aos dois amigos, sabendo que o momento que mais temia, havia chego por fim.
- Mande todos se prepararem.
Trowa e Quatre curvaram-se se retirando logo em seguida, fechando a porta. Em pouco mais de alguns segundos gritos podiam ser ouvidos pelo castelo. Da janela do quarto era possível vê-los correndo como animais em ataque.
o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o
Nas galerias do castelo:
Sophie olhou para o filho que parecia encantado com o presente que o companheiro do shuhan havia lhe dado. Era um livro que pertencera ao companheiro do shuhan e que segundo o jovem iria encantar Nichols. O que parecia ser verdade, uma vez que o menino não parecia que iria desgrudar tanto cedo do presente.
No momento estava tentando convencer o filho a ir para cama, uma vez que já passava da hora de dormir. Estava ponto de fazer, isso quando a entrada inesperada e apressada do marido, vez seu coração disparar. Sentia-se inquieta já tinha um bom tempo, e não sabia exatamente o porquê, mas agora o ouvindo falar sabia a razão de sua apreensão.
- Temos que sair agora, estamos sendo atacados.
- Atacados!
Hugh ignorou a esposa pegando rapidamente o filho nos braços, e tomando a mão dela correndo para fora do quarto. Ele parou rapidamente ao ver que os caçadores já se encontravam naquele nível do castelo. Sophie viu com terror os humanos sendo atacados por vampiros. Ela agarrou o braço do marido, procurando correr o mais rápido que podia, tentando ignorar os gritos de horror, misturados às risadas demoníacas.
o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o
Heero e Duo se afastaram trocando-se rapidamente, cientes de que não havia tempo a perder. Eles pegaram as espadas, deixando o quarto, encontrando Treize e Noventa no corredor, que já seguiam em direção ao pátio central do castelo, onde certamente os outros já deveriam estar a caminho.
Havia sido decidido que eles procurariam manter os caçadores, quanto tempo fosse possível ali, afim de que os demais que não estavam preparados para a batalha pudessem fugir. Eles haviam ajudado alguns humanos no caminho até o pátio, Kimitsu havia sido um deles, saber que o empregado já havia deixado o castelo, aliviava em parte a consciência de ambos.
Eles chegaram ao pátio, onde muitos já se encontravam, Duo correu os olhos pelo lugar, encontrando Wufei junto a Sally, imaginando se ambos, haviam se acertado. Em seu coração esperava que sim, seria triste se algo acontecesse a algum deles, antes que o houvessem feito.
Sentiu Heero tocar-lhe o braço, e virou na direção do amante, que lhe tocou o rosto, ouvindo-o falar com seriedade e preocupação.
- Não importa o que aconteça, não saia de perto de mim.
Duo assentiu, sabia que Relena aproveitaria qualquer descuido deles para pega-lo, sem que percebesse sentiu um arrepio frio percorrer-lhe o corpo, o fazendo tremer. Heero envolveu lhe a cintura com o braço esquerdo, tomando-lhe os lábios rapidamente, colocando sua alma no beijo, assegurando-lhe de que não permitiria que nada de ruim lhe acontecesse, se pudesse evitar. Afastaram-se tão logo os sons da batalha se aproximaram.
- Viveremos a eternidade juntos. Eu prometo a você, isso termina hoje.
- Eu confio em você.
Heero sorriu afastando-se de Duo o suficiente para matar o caçador que entrou no pátio, sendo seguido por outros. Duo respirou fundo, seguindo o amante para o meio da batalha, em segundos o pátio estava tomado por caçadores.
o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o
Auda e Ahmad se encontravam dentro do castelo juntamente com Amadeos, eles enfrentavam os caçadores procurando ajudar algum humano, que ainda pudesse estar no castelo. As informações que tinham era de que os andares abaixo do castelo, não estavam mais seguros, ao que parecia os caçadores já haviam conseguido chegar a área das galerias onde ficavam os quartos dos humanos e alguns vampiros.
A ferocidade dos caçadores não era maior que a determinação deles em detê-los. Tudo havia acontecido rapidamente. Muitos ainda estavam dormindo quando o ataque começou. Haviam tido tempo apenas de se vestirem e se armarem para enfrentá-los. Relena e os caçadores haviam sido audaciosos para atacá-los faltando apenas poucas horas para amanhecer, o que o fez perceber que pelo horário o sol já deveria ter se levantado.
- Auda.
Auda matou outros dois caçadores, voltando-se para o irmão que se encontrava olhando para a janela no alto. Ele meneou a cabeça assentindo, ele compreendia o que seu irmão de sangue queria dizer. O sol já deveria estar no céu, uma vez que já eram quase oito da manhã.
- Um eclipse? – perguntou Auda, enquanto agarrava um caçador pelo pescoço e jogava-o longe.
Ahmad meneou a cabeça seria uma alternativa, embora tal acontecimento não fosse esperado. Ele voltou sua atenção à luta, ponderando se o eclipse era apenas uma coincidência ou alguém havia sido o responsável por ele acontecer.
o.o.o.o.o.o.o.o.o
Parte norte do castelo:
Relena olhou deliciada diante da matança, tudo estava ocorrendo de acordo com seus planos, até mesmo o eclipse solar criado pela magia de Mirla fazia parte de seus planos, agora precisava apenas encontrar um meio de separar Heero e o humano da profecia. Ela voltou seu olhar para Mackaczi que havia acabado de matar um vampiro do clã NightRose, viu o líder dos caçadores menear a cabeça, antes de desaparecer. Ele sabia o que tinha de fazer e o faria.
Não demorou muito para localizar sua presa, na verdade sabia onde o mesmo estava desde que entrara no castelo, a força dele era sentida em cada poro de seu corpo, o ferimento que o shuhan dos Khushrenada fizera nele no ultimo confronto ainda doía.
- Está na hora de retribuir.
o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o
Dentro do castelo:
Hugh rugiu matando dois caçadores de uma única vez cortando-os ao meio com suas garras. A luta parecia desigual e tinha certeza de que se falhasse sua família estaria morta, esse era o único motivo pelo qual ainda conseguia se manter de pé. Estavam na parte inferior do castelo, mas ainda muito longe das passagens abaixo dele.
- Venham rápido.
Sophie segurava Nichols pela mão correndo atrás do marido, procurando chegar às passagens que os levaria a um lugar seguro, ela procurava fechar os ouvidos aos gritos dolorosos daqueles que não haviam conseguido escapar. Se Hugh não estivesse com eles sabia que seu destino e o do filho seria o mesmo dos outros que agonizavam na mão dos caçadores.
o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o
A mente de Heero buscou a do amante procurando saber se o mesmo estava bem, sentia-se um pouco cansado, mas nada o impediria de continuar a matar caçadores. Não sabia como os mesmo haviam entrado no castelo tão rapidamente, alguma coisa deveria ter dado errado. Não havia recebido nenhuma informação a cerca dos passos deles na cidade, nem que rumavam em direção ao castelo, descobriram tarde demais quando eles já se encontravam nas terras dos Khushrenada.
Acertou outro caçador partindo-o ao meio. Sabia que Duo se encontrava em algum lugar na parte superior do castelo, mas não sabia exatamente onde. Sentia que ele estava bem e isso de certa forma o tranqüilizava, apesar de ter dito para manter-se junto a ele, de alguma maneira haviam se separado.
O principal responsável era o líder dos caçadores a poucos metros dele. Mackaczi havia surgido de repente atacando-o o fazendo involuntariamente se afastar de Duo, que lutava facilmente com dois caçadores.
A situação não era nada boa, o castelo estava completamente tomado pelos caçadores, e ainda havia humanos que não conseguiram chegar às saídas abaixo do castelo. Mesmo com a chegada dos clãs Noventa, NightRose e Dhanylhos, os caçadores os excediam em número.
Heero olhou ao redor vendo Quatre matar três caçadores com suas Heath Scythe enquanto cortava ao meio outros dois com seus bumerangues circulares. O loiro havia sem duvida conseguido progredir muito em tão pouco tempo, manejando suas armas como se fossem extensões dele mesmo. Deixou que sua mente alcançasse o loiro enquanto defendia-se do ataque de Mackaczi, parecia que havia decidido finalmente lutar contra ele.
"Quatre desça até os túneis, e ajude os humanos que ainda restam a deixar o castelo"
Quatre ouviu a voz de Heero em sua mente ordenando que ajudasse os humanos que ainda se encontrava no castelo. Ele nem ao menos se virou, desaparecendo para obedecer às ordens do líder do clã. Encontrou outros companheiros vampiros pelo caminho, ordenando que o acompanhassem, ajudando os humanos que encontravam pelo caminho.
Ele deixou que sua mente percorresse cada extensão ao seu redor, procurando por presenças humanas, não encontrando muitas felizmente. Parecia que a maioria havia conseguido escapar do castelo, embora não achasse que estariam seguras fora dele.
Não sabiam com exatidão quantos caçadores haviam invadido as terras dos Khushrenada, sabiam apenas que eles pareciam excedê-los em numero, mas não em força ou inteligência. Os caçadores pareciam mais preocupados em matar e destruir do que qualquer outra coisa, bem típico em sua opinião.
Não sabia ao certo se poderiam vencê-los, mas sabia que não desistiriam tão facilmente. Em sua opinião o ataque havia acontecido repentinamente e fora executado com uma exatidão impressionante, o que o fazia pensar que não fora Relena quem ordenara o ataque, mas sim alguém com uma frieza e inteligência superior a líder do clã Peacecraft.
Ele entrou numas das câmaras partindo rapidamente para o caçador que estava prestes a morder uma humana. Quatre invadiu sua mente ao mesmo tempo, em que o atacava com suas foices, uma acertou-lhe as costas, fazendo-o largar à mulher, a outra lhe cortou a perna esquerda.
O grito de dor do caçador o fez sorrir, sadicamente, o fazendo guardar suas Heath Scythe nas costas, e agarrar o pescoço do caçador apertando-o até que quebrasse, terminando de destruir a mente do mesmo completamente.
Agarrou o braço da mulher, começando a arrastá-lo consigo, quando uma cena a poucos metros o vez retroceder alguns passos. Seus olhos se tornaram duas pedras rubras, o fazendo passar a mulher inconsciente a outro companheiro, deixando com ele o cargo de deixá-la em segurança.
Quatre pegou os bumerangues presos em sua cintura e jogou-los a sua frente comandando-os com sua mente, eles chegariam ao seu alvo, muito antes que ele e suas foices.
o.o.o.o.o.o.o.o..o.o.o..o.o.o
Sophie sentia-se impotente sabendo que não podia fazer nada para ajudar seu marido, tudo que podia fazer, era ficar ali, agarrada ao filho rezando para que eles pudessem deixar o castelo em segurança. Quando Hugh entrou no quarto dizendo que tinham que deixar o castelo, pois o mesmo havia sido invadido, tudo que pode fazer foi torcer para que os gritos que ouviam ecoando pelo castelo, não se tornassem os seus e o de seu filho.
Ele olhou para o marido ferido, sentindo lágrimas mancharem seu rosto, ela não podia chorar, tinha de ser forte por Nichols que se agarrava a ele chorando diante de tanto horror. Seus olhos prenderam-se no marido, arrancando-lhe um ofego ao ouvi-lo rugir de dor diante do ataque.
O rugido do Lycan ecoou em agonia quando a tacape do caçador o atingiu próximo ao olho, sua respiração encontrava-se descompassada, e suas forças começavam a decair a medida que sentia os ferimentos e o cansaço aumentarem. Hugh olhou de relance para a esposa abraçada a seu filho, acuados próximos a uma parede, a única coisa que os mantinha longe dos cinco caçadores era ele.
Ele sentiu um caçador atingi-lo com uma corrente, prendendo-lhe o braço, enquanto o outro investia contra si, pelo lado atingindo anteriormente. Ele conseguiu agarrar-lhe o pescoço, mas não antes do mesmo enfiar-lhe a espada por baixo do braço, o fazendo aperta-lhe ainda mais a garganta. Seus olhos correram ao redor procurando os outros três caçadores, quando o grito de sua esposa, o fez sofrer, uma vez que sabia que não poderia ajudá-la, não antes que o caçador os ferisse.
- Hugh!
Sophie abraçou o filho tentando inutilmente protege-lo dos dois caçadores a sua frente. O caçador sorriu diante de sua presa, olhando para o outro que sorria sadicamente diante de suas presas, nada lhes dava mais prazer do que sentir o medo e terror de suas presas. O medo tornava o sangue, mais doce e saboroso.
- O garoto é meu...
- Nããããããoooooo!
Sophie gritou ao sentir o menino ser arrancado de seus braços, ao mesmo tempo que o outro caçador se colocava a sua frente, rindo de seu sofrimento, ela tentou chuta-lo e alcançar o filho que se debatia inutilmente. Olhando com surpresa quando a cabeça do mesmo rolou a seus pés diante do olhar estarrecido do outro caçador que teve o mesmo fim segundos depois. Ela agarrou o filho, escorando-se na parede, vendo na entrada da sala, o vampiro de cabelos loiros.
- Porque não saem daqui antes que morram.
Hugh ficou feliz ao ver a chegada do vampiro, era fato que eles viviam brigando e não nutriam nenhum amor um pelo outro, mas sabia que o mesmo possuía honra e seria incapaz de ir sem ajudar. Quatre olhou para Hugh dando um meio sorriso, antes de investir contra os caçadores que mantinham o Lycan preso. Hugh arrancou a cabeça do caçador que lhe enfiara a espada abaixo do braço, caminhando pesadamente até sua esposa e filho.
Quatre matou o caçador facilmente voltando seu olhar para Hugh e a família, ele sentia a presença de outros caçadores não muito longe dali, e não tinham muito tempo até que os mesmo chegassem.
- Vocês têm que sair daqui.
Hugh olhou para o vampiro meneando a cabeça, não tinha muitas forças para continuar lutando, e sabia que era apenas questão de tempo até que outros caçadores chegassem ali. Hugh tentou levantar, vacilando fazendo com que Sophie o amparasse. Quatre rolou os olhos se aproximando e tomando o lugar da humana, ajudando o Lycan a se manter de pé e olhando para a mulher e criança, precisava ajudá-los a sair dali o quanto antes.
- Vou ajudá-los a chegar aos túneis. Há um grupo que os levara em segurança.
Hugh não podia simplesmente deixar o castelo, ele precisava ajudar o shuhan dos Khushrenada devia muito a ele, para simplesmente dar as costas e partir.
- Heero...
A voz curta e fria de Quatre interrompeu-o calando-o, diante do que o mesmo dizia.
- Se preocupe com sua família, eles precisam de você.
- Obrigado.
Quatre meneou a cabeça não muito feliz. Embora a perspectiva do Lycan lhe dever uma lhe era por demais agradável, afinal poderia vir a usar isso no futuro.
o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o
Enquanto isso na parte leste do castelo:
Duo acertou um caçador partindo-o ao meio, olhou ao redor encontrando Relena e Mirla o observando, vendo as caminhar em direção a uma das portas laterais que as levaria para fora do castelo. Seu olhar estreitou e decidiu segui-las, a invasão era culpa dela e de Romefeller, se acabasse com ela, Heero e ele teriam um pouco de paz.
Relena viu o humano seguindo-a e sorriu meneando a cabeça a Mirla num acordo silencioso, no mesmo instante elas pararam do lado de fora, onde o Necro cortou ambas as mãos, deixando que seu sangue caísse no chão. Ela conjurou um de seus feitiços, o chão começou a tremer violentamente, fazendo todos ao redor cambalearem. Segundos depois duas criaturas gigantescas brotaram do chão, Duo os reconheceu como a mesma criatura que o levara do castelo certa vez. Lembrava-se que Heero havia dito ser um Αίμα [2], ele parou de avançar certo de que não poderia enfrentar dois Αίμα.
- Pegue-o.
Duo recuou instintivamente ao vê-los vir em sua direção por sob o chão. As criaturas rodearam-no como se ele fosse uma presa e na posição em que se encontrava era exatamente isso que era. Fechou os olhos procurando senti-los, não estava disposto a ser uma presa fácil, ainda mais para Relena que parecia se divertir.
Duo girou a espada no instante que um braço ergueu-se do chão junto a sua perna esquerda, ele segurou Yami firmemente em sua mão, girando o pulso e decepando o braço do Αίμα a sua esquerda, no mesmo instante o braço tornou-se terra e sangue espalhando-se no chão. O grito raivoso da criatura ecoou pelo solo, antes dela ergue-se investindo enraivecida contra o humano.
Mirla sorriu diabólica diante da ferocidade de sua cria, podia sentir sua dor e sua raiva contra o humano, sabia que nada a deteria de matá-lo, por isso ordenou que o outro Αίμα se colocasse entre os dois.
Duo sentiu seu sangue correr violentamente em suas veias, não sabia se conseguiria detê-la, podia sentir-lhe a raiva e insanidade, tomou posição para defender-se, poucos centímetros antes da criatura se encontrar ao alcance da ponta de sua espada. A terra sob seus pés cedeu, o fazendo soltar um grito, ao ser imediatamente puxado para debaixo da terra. Fazendo a outra criatura parar o ataque.
- Leve-o para aquele lugar.
Mirla assentiu mentalmente a ordenando ao Αίμα que capturara o humano, leva-lo para a fase leste das terras dos Khushrenada.
o.o.o.o.o.o.o.o..o.o.o
Noventa viu o momento que o humano foi capturado, e tentou alcançá-lo, sendo ferido no peito por um caçador que morreu, segundos depois pelo fio de sua lâmina. Ele procurou por Heero ao redor, não vendo o shuhan dos Khushrenada em nenhum lugar. A batalha se encontrava acirrada.
Se fosse alguém que temesse a morte, acreditaria que estavam fadados a perecer. Entretanto por menor que fosse as expectativas de vitória, ainda nutria esperanças de que venceriam, por isso ele precisava encontrar Heero e avisa-lo de que Relena levara Duo com ela.
o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o
Heero sabia que alguma estava errada, ele podia sentir isso, mas não conseguia ver o que era ele sabia que o amante estava por perto, mas seus olhos não o encontravam. Sentia uma angústia crescer em seu peito e sabia que ela tinha relação com o humano que detinha seu coração vampiro.
Tentou alcança-lo com sua mente, mas não obteve resposta. Algo parecia bloquear seu contato com o humano, sua raiva começou a crescer, bem como sua natureza começou a se libertar. Ele cortou em segundos vários caçadores que estavam ao seu redor, procurando a presença de amante.
Ele olhou para Mackaczi partindo na direção do líder dos caçadores, se havia alguém que saberia o paradeiro de Duo esse seria o caçador de longos cabelos negros e olhos azuis.
- Procurando por alguém Krynianos?
Os olhos de Heero se estreitaram avermelhando-se demonstrando sua raiva. Mackaczi recuou instintivamente diante do olhar do shuhan dos Khshrenada, o vendo sorrir, sentindo um arrepio de medo transpassar-lhe o corpo. Era a primeira vez que sentia tal coisa, da outra vez que lutara com o vampiro, sua presença era sem duvida marcante e sinistra, mas estava longe de fazê-lo sentir-se acuado como agora.
- Com medo de alguma coisa Mackaczi? – perguntou ironicamente Heero.
- Não tenho medo de um simples Krynianos. – retrucou Mackaczi irritado.
Heero podia sentir o medo vindo do líder dos caçadores, seu olhar embora cruel deixasse transparecer seu temor quanto a sua presença. Ele fechou os olhos por alguns segundos, e quando os abriu deleitou-se ao ver o terror no rosto do Viesczy [3].
o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o
Duo foi jogado no chão abruptamente pelo Αίμα que desaparecera tão longo o mesmo o soltara. Ergueu-se rapidamente empunhando Yami na direção de Relena, que se defendeu da investida do humano facilmente.
A vampira não parecia abalar-se com o humano, na verdade ela divertia-se com a postura dele, tanto em atormentá-lo, quanto ao vê-lo sentir-se acuado como se encontrava agora. Entre ela e Mirla, ela havia o ferido na mão, mas isso não parecia abalá-lo, não tanto quanto estar à mercê delas.
Duo olhou ao redor, voltando o olhar para Relena ao ouvi-la começar a falar, mebora não entendesse o motivo de suas palavras.
- Convivendo com Heero, você deve saber que uma das habilidades mais comuns dos de minha espécie é o controle mental. Você já o experimentou, não foi?
Relena sorriu diabolicamente ao ver o olhar do humano voltar-se para o Necro, vendo o estremecer ligeiramente diante do olhar de Mirla, que se mantinha distante da conversa entre eles, apenas espreitando ao redor. Duo assentiu relutantemente, não desejando relembrar as vezes que o Necro invadiu sua mente, nem as coisas que ela lhe falara. Ele viu Relena sentar-se numa das lapides, olhando-o com escárnio, retornando ao dialogo que ela mesma interrompera. Falando da forma como conduzira Heero para suas garras.
- Foi fácil conduzir Heero, a seguir o caminho do cemitério, bastou entrar na mente do humano que o acompanhava aquela noite e faze-lo desafiar meu amado, eu já sabia que dado à personalidade dele. Se insistisse o japonês concordaria em caminhar pelo cemitério, se não fosse assim, Heero jamais tomaria esse caminho.
Relena se lembrava bem, ela fizera um de seus comandados seguir o japonês durante algum tempo, enquanto maquinava uma forma de trazer o japonês para seu lado, por isso sabia onde o mesmo estaria. Ele e o amigo havia ido a um festival, ela os acompanhou durante um tempo, sempre instigando o outro a quando saírem dali seguirem por outro caminho que não o habitual.
Todos evitavam o cemitério a noite, pois todos sabiam que muitos desapareciam ou apareciam mortos pela manhã. Lembrava-se bem de quando começara seu desejo de ter o japonês. Havia sido há mais de trezentos anos atrás, era inicio de inverno, os dias eram mais curtos e as noites mais longas, jamais esqueceria esse dia.
Duo olhou para Relena vendo que ela parecia de certa forma nostálgica, aproveitou o fato da vampira se encontrar perdida em pensamentos para levantar e observar ao seu redor, deparando com o olhar do Necro sobre si. Sendo jogado no chão por Relena, que se aproveitara de seu descuido e aproximara-se dele.
Duo praguejou diante da dor e do fato de que não havia uma forma de escapar das duas, embora a criatura em si, não houvesse feito nada até o momento além de observá-lo, ao que parecia Mirla aguardava alguma coisa ou alguém.
Testou sua mão, notando felizmente que o ferimento não doía tanto quanto antes, ou ele havia se acostumado à dor, isso significava de que poderia empunhar Yami, e suportar a dor de uma certa forma. Ele precisava apenas de um plano e uma oportunidade, tinha apenas que ser paciente e conseguir agüentar até que o amante chegasse.
Havia sido estúpido ao seguir Relena para fora do castelo e ainda mais estúpido por fazê-lo sozinho, estava na cara de que era uma armadilha e que a líder do clã Peacecraft desejava apenas afastá-lo de Heero. Segurou Yami fortemente ignorando a dor momentânea, ergueu-se devagar, de forma a não chamar a atenção de Relena, mas parou assim que ouviu a voz dela soar novamente e o olhar dela voltar-se em sua direção.
- A primeira vez que vi Heero, foi como um sonho.
Relena estava acompanhando cada passo do humano, sabia exatamente o que o mesmo estava fazendo. Era verdade que estava perdida em lembranças, mas isso não significava não que estava a par do que acontecia a seu redor.
Duo notou que ela sorriu não um sorriso malévolo, mas um singelo, desprovido de toda a maldade que carregava. Era o mesmo sorriso, que muitas vezes notou nos rostos das garotas da cidade, quando as mesmas estavam acompanhadas por algum rapaz, o mesmo que muitas vezes desejava para si. E que agora sabia ser o mesmo com que olhava Heero.
Relena viu a surpresa no rosto do humano, e fechou os olhos. Ainda se lembrava da primeira vez que vira o japonês, ele estava ajudando o pai a descarregar uma carroça repleta de fardos de feno.
Era inicio de noite, o sol mal havia começado a se pôr, uma das poucas vezes em que saira antes de anoitecer. Era a primeira vez em séculos que se sentia assim, ainda mais para com um humano. Desde aquele dia passara observá-lo secretamente e a cada dia crescia o desejo de tê-lo para si, o desejo de trazê-lo para a escuridão, a mesma que se encontrava escondida na frieza de seus olhos.
- Como dizia a primeira vez que o vi, soube que ele pertencia à mesma escuridão que eu.
- Nunca. – gritou Duo exasperado.
Relena sorriu diante do grito do humano, sorrindo como se ela conhecesse algum tipo de segredo de seu amante. Duo não conseguia conceber a idéia de que Heero fosse como a mulher a sua frente. A líder do clã Peacecraft ignorou o humano, continuando a falar, não importava o que o mesmo dizia. Ninguém conhecia Heero melhor do que ela, e faria com que o humano aceitasse e entendesse isso.
- Não foi apenas por capricho que abracei Heero, mas também por que a alma dele me atraia. Você já deve ter ouvido a expressão, de que os olhos, são o espelho, da alma. Você pode saber muito de alguém pela alma dela.
- Sua...
Duo olhou-a com raiva, fazendo-a rir diante de tanto sentimento. Ela olhou novamente pára Mirla ciente do que ela fazia a criatura a tomava por tola certamente, mas tinha planos para a criatura. Planos que não demorariam a serem executados.
- Você pode dizer o que quiser, mas ele tinha um olhar que chamava a escuridão, assim como você. Todos sem exceção carregam um pouco de escuridão em suas almas.
- Você quer dizer...
- Que você, eu e Heero, todos nós fazemos parte dessa escuridão que nos rodeia, pois a desejamos constantemente.
Duo balançou a cabeça negando as palavras de Relena, ela estava completamente louca, por achar que o mundo inteiro era como ela.
- É mentira...eu e Heero não somos como você. Sua existência é má, perversa.
- E você acha que Heero não é assim?
Duo ficou em silêncio, diante das palavras de Relena, algo em seu intimo dizia que as palavras dela, por pior que fosse eram verdadeira. Lembrava-se da conversa com Treize há pouco mais de um ano, quando ele e Heero se afastaram devido a problemas de personalidade do vampiro.
Lembrava-se com exatidão de cada palavra do antigo shuhan do clã dos Khushrenada a cerca do passado do japonês. Lembrava-se com terror das atrocidades que seu amado cometera quando estava ao lado de Relena.
Relena sorriu diante do horror presente no semblante e mente do humano, ele sabia das atrocidades que seu amado cometera. Cada vida que tirara apenas para saciar sua sede por sangue, não há mando dela, mas porque era do desejo dele fazê-lo. A carnificina que o japonês proporcionava, era maravilhosa e a sede de sangue que o mesmo possuía superava a de muitos. Até mesmo a dela.
Se Treize não o houvesse levado de si, tinha certeza de que o japonês a muito já estaria em sua forma mais plena. Ela levantou-se de onde se encontrava caminhando até o humano, com um sorriso cínico e repleto de maldade, parou a poucos centímetros dele, deixando que sua voz fosse carregada de cinismo.
- Você sabe, vejo em seus olhos e em sua mente. Você sabe que ele não é o que aparenta ser, não é? Você deve ter notado o medo que ele causa apenas com um olhar e como isso o alimenta.
- É...mentira...
Relena podia sentir a certeza de o humano fraquejar, viu com deleite o mesmo abraçar-se e balançar a cabeça de um lado para outro procurando negar uma verdade incontestável. Duo abraçou-se como se isso pudesse impedir que as palavras de Relena penetrassem em seus ouvidos.
Era mentira, tinha de ser, não podia deixar que as palavras dela o confundisse que o fizesse ter dúvidas quanto ao amante ou a ele mesmo. Sentiu o hálito dela em seu ouvido e as palavras venenosas saírem de seus lábios, enchendo-o de raiva e consternação.
- Hnpf não importa o que você acha ou o que pensa achar, isso não muda os fatos de que somos iguais. Feitos da mesma forma, moldados para o mesmo destino.
"Não... Não... Não... Não"
A mente de Duo duelava contra seu espírito, tinha que acreditar que as palavras dela eram mentiras, seu coração não podia estar enganado. O que sentia pelo vampiro não era uma mentira, sua voz tremeu ligeiramente ao confrontar as palavras dela, fazendo-a sorrir ainda mais diante da incerteza que sentia dele.
- Ele não é assim, não mais.
- Tem certeza?
Certeza...pensou no que isso significava, ele tinha certeza de que Heero havia mudado? Certeza de que o que viviam juntos, não seria destruído pela personalidade oculta do amante? Sua mente parecia engolfada por dúvidas, até que uma voz em seu interior, encheu-o de esperança e certeza.
"Ele jamais te deixara, ele o marcou como seu, não se lembra? Ele o ama acima de qualquer coisa, e por esse amor, ele é capaz de controlar a si mesmo."
Duo sorriu erguendo o rosto, encarando a mulher a sua frente que recuou diante da determinação que via reluzir nos olhos do humano.
- Tenho.
Duo enfrentou Relena com o olhar, vendo a fraquejar diante de si e de sua afirmação. Sabia do passado de Heero, sabia o que ele fora, o que fizera e o por que. O vampiro o amava e o mesmo já lhe confirmara seu amor diversas vezes em suas ações, ele tocou a marca em seu pulso, sentindo-a queimar. A marca do vampiro sobre seu corpo e sua alma.
Por essa razão podia dizer sem dúvidas em seu coração que o vampiro, não era mais o mostro que Relena afirmava e mesmo que em seu intimo ele ainda fosse, seu amante nunca lhe causaria algum dano ao aos que se encontravam ao seu redor. O japonês mesmo lhe dissera isso.
o.o.o.o.o.o.o..flashbacko.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o
Duo acordou encontrando o amante sentado junto a uma das janelas da torre. Seu olhar parecia distante bem como seus pensamentos. Espreguiçou-se fechando os olhos por alguns segundos, antes de voltar seu olhar para onde o japonês estava não o vendo mais. Chamou por ele, assustando-se quando o viu tão perto.
- Hee?
- Aqui.
Duo se assustou ao ver que Heero se encontrava junto ao leito, sem perceber como o outro chegara ali tão rápido. Notou seu olhar ainda mais frio e escuro como a noite lá fora e um estranho sentimento o preencheu, antes que erguesse a mão e tocasse o rosto frio e pálido de seu amado. Perguntando qual era o problema.
- O que houve?
- Duo, eu... vamos nos casar.
Duo meneou a cabeça sorrindo, desviando o olhar para as alianças. Sentia-se feliz cada vez que o a olhava e duas vezes mais estupidamente feliz quando via o aro dourado na mão pálida do vampiro. Heero deu um meio sorriso diante do olhar abobalhado do amante, sentindo-se momentaneamente mais leve por dentro, voltou a falar, causando um estremecimento perceptível a seus olhos no humano. Duo sentiu um estranho estremecimento ao ouvir a voz do vampiro novamente e o que o mesmo dizia.
- Não quero que haja segredos entre nós.
- Segredos?
- Falo do meu passado.
Duo olhou-o com surpresa ao ouvi-lo falar sobre isso, era a primeira vez que ouvia o vampiro falar sobre isso e não sabia ao certo se queria realmente ouvir o passado do amante de seus próprios lábios.
- Heero...
Heero colocou um dedo sobre os lábios de Duo o calando, ele precisava confessar aquele que se tornaria seu companheiro, a verdade sobre seu passado.
- Eu nunca lhe falei sobre meu passado, antes de encontrar Treize, nunca me aprofundei sobre meus dias depois de encontrar Relena.
- Mas...
- Deixe-me terminar.
Heero sentia dificuldades em contar a Duo sobre seu passado, não era algo de que se orgulhava, mas não partilhar dele com o humano que escolhera para ser seu companheiro de vida, o estava atormentando. Precisava contar a Duo, como realmente era, mesmo que isso significasse afasta-lo de si.
- Sei que Treize já deve ter lhe contado algo a respeito, ainda assim eu quero...compartilha-lo com você e ter certeza de que não há dúvidas em sua decisão de ter-me como seu companheiro.
Duo meneou a cabeça tomando a mão do vampiro entre a sua, e se encostando ao corpo do outro enquanto o ouvia falar de seu passado.
00.0...0.-Flashback0...0.
Naquele dia, durante quase quatro horas ele ouvira o japonês falar do animal que fora, as mortes que causara e o quanto isso o atormentava há séculos. Ele chorou nos braços do vampiro diante do relato sangrento que a vida dele fora, até encontrar Treize numa certa noite. Podia sentir a dor presente na voz do amante e imaginava o quanto deveria ser para ele confessar o monstro que era.
Mas de alguma forma isso os unira ainda mais, quando confessara ao vampiro que o passado dele não importava, mas sim o que ele fazia com a oportunidade que o destino lhe concedera.
Todos possuíam uma centelha de maldade, dar lugar a ela era apenas uma questão de vontade e oportunidade. De certa forma as palavras de Relena eram verdadeiras, mas não significava necessariamente que tinham que seguir o caminho que ela dizia ser inevitável.
Eles tinham direito a escolhas, uma vez que o caminho de suas vidas, não era uma linha reta, se precisassem retroceder em algum momento, o fariam procurando acertar, evitando o caminho que os deixaria a mercê da escuridão dentro deles.
Algo que Relena talvez nunca cogitara em fazer, mas que Heero o fizera ao aceitar a proposta de Treize, quando o mesmo se colocara em seu caminho.
- Eu sei que um lado de Heero ainda é mais negro que a noite, mas sei também que ele jamais sucumbirá a esse lado, enquanto estivermos juntos.
Os olhos de Relena se estreitaram, diante das palavras do humano, sentindo sua raiva começar a crescer diante do que seu antigo amante vira no humano. Ela rolou a espada na mão direita, descansando-a no braço, enquanto caminhava para longe do humano tomando posição para atacá-lo.
- Eu sei o que ele viu em você. E de certa forma não posso culpá-lo, eu mesma gostaria muito de destroçá-lo completamente ao mesmo tempo em que sinto uma vontade estranha de abraçá-lo como fiz com Heero. Acho que não temos mais nada a falar.
Duo olhava para a líder do clã Peacecraft mantendo sua espada erguida. Pela postura e palavras dela, sabia que a conversa havia terminado e eles continuariam a lutava que travavam.
o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o
Heero segurava Mackaczi pelo pescoço, erguendo-o alguns bons centímetros do chão. Ele poderia facilmente mata-lo, sua natureza pedia isso e estava disposto a atendê-la, causando-lhe o máximo de dor possível. Ele podia sentir seu amante e por mais que a idéia de causar sofrimento ao líder dos caçadores o alegrasse, não poderia perder tempo com ele. Aproximou-o de seu rosto deixando que suas presas crescessem à medida que sua mão apertava o pescoço do caçador.
- Não se preocupe, você logo terá companhia no inferno.
Mackaczi ofegou debatendo-se à medida que a mão de Heero o estrangulava. Ele sabia que havia chego seu fim, havia sido tolo ao subestimar o vampiro líder do clã Khushrenada, a escuridão que emanava dos olhos rubros era demoníaca, ele podia ver a insanidade transbordando em seu olhar.
Heero girou o pulso, transpassando o corpo de Mackaczi, segundos antes de separar-lhe a cabeça do corpo com a mão, banhando-a com o sangue do caçador que se transformou em cinzas tão logo as chamas o consumiram.
O shuhan dos Khushrenada olhou com desgosto para o sangue em suas mãos, ele o limpou na camisa, caminhando em direção onde sentia a presença de Duo, dizendo-lhe que estava a caminho.
o.o.o.o.o.o.o.o..o.o
Duo ofegou cansado. O duelo contra Relena não estava acontecendo da forma que esperava, Relena era muito superior a ele, não apenas em questão de força, mas também em luta.
A espada longa que a mesma empunhava era simplesmente mortal em suas mãos, por algum tipo de milagre havia conseguido escapar de um golpe fatal por duas vezes, mas não sabia se conseguiria escapar de uma terceira. Tinha quase certeza de que escapara dos outros dois, apenas porque Relena no ultimo instantes num jogo doentio, errara o golpe.
Relena olhava para o humano, sentindo cada vez mais atraída por ele, não apenas por sua beleza, mas pela alma dele. Talvez esse fosse o motivo de não tê-lo atingido fatalmente nas duas vezes, em que sua espada o acertara e por estar confidenciando ao humano, os motivos de ter abraçado Heero e desejar fazer o mesmo com ele.
No entanto não havia mais lugar para palavras, era o momento de destruí-lo antes de abraçá-lo, tornando-o como ela. Ela sorriu milésimos de segundos antes que investisse contra o humano, dessa vez sem rodeios. Duo não viu quando Relena o acertou, num instante ela estava a sua frente, no outro ela se encontrava a milímetros de seu rosto, com a espada dela cravada em seu corpo.
Relena enfiou a espada no corpo do humano, deliciando-se com o grito de dor que escapou dos lábios trêmulos. O faria sofrer antes de abraçá-lo, afinal o desejava, não da mesma maneira que desejou Heero, mas de alguma forma o humano a atraia. Ele a fazia lembrar do japonês, era como se os dois tivessem a mesma alma, a mesma escuridão em seus corpos. Sentia em cada célula de seu corpo, o mesmo temor que sentia ao estar com o japonês.
Quando o abraçara imaginava o que o mesmo se tornaria, mas de alguma forma o japonês a surpreendeu, a alma obscura que via em seus olhos, quando ainda era humano, tornou-se ainda mais sombria e malévola, quando o mesmo se tornara um vampiro através de seus lábios.
E via no humano essa mesma forma, algumas vezes ainda mais sombria que Heero, mas ainda assim tão fascinante quanto o de seu antigo amante. Queria saber o que humano se tornaria ao ser abraçado por ela, se a escuridão que via em seus belos olhos ametistas se tornariam ainda mais negras, quando o mesmo tomasse de seu sangue.
Duo respirava pesadamente, mediante a dor, então era assim que ela era quando se proponha a lutar a serio. No ataque de Relena acabara por largar sua espada, tanto por surpresa por não conseguir impedir a investida, quanto pela dor do ferimento profundo. Mal conseguia respirar diante da dor, instintivamente ergueu as mãos segurando com ambas a espada de Relena, de forma a impedir que ela continuasse a empurrar a espada em seu abdômen.
A vampira parecia deleitar-se com sua dor, e tentava encontrar um meio de escapar dessa situação, podia ouvir a voz de Heero em sua mente lhe dizendo que estava chegando e que resistisse apenas um pouco mais, no entanto não sabia se conseguiria.
- !
Relena sorriu diante do grito do amante de Heero, ao puxar a espada, cortando as palmas da mão do humano.
Duo deixou-se cair, levando as mãos ao ferimento do abdômen, tentando em vão estancar o sangue. Ergueu os olhos em direção a Relena, mal conseguindo ver, diante da escuridão a obscurecer seus olhos e sua mente, tentou murmurar o nome do amante, mas não tinha forças para fazê-lo. Fechou os tentando em vão não cair na inconsciência, seu ultimo pensamento foi para seu amante, ouvindo-o gritar seu nome em sua mente.
"Duuuuuuuuooooooooooooooo"
Relena ergueu os braços gargalhando sua vitória, ela afastou-se um pouco, andando ao seu redor como um lobo a espreita, enquanto o humano encontrava-se inconsciente no chão numa poça de sangue, que se esvaia rapidamente. Ela preparou-se para investir contra o humano novamente, e tomar-lhe o sangue, quando uma presença poderosa a deteve.
Afastou-se rapidamente sentindo seu corpo inteiro estremecer diante da forma que preenchia todo o lugar, apenas uma criatura causara tanto temor a ela em toda a sua vida imortal, no entanto a presença de agora era ainda mais temível e malévola.
Continua...
Até que enfim...terminei mais um capitulo. Depois de milênios mais um capitulo terminado.
Agradecimentos a todos os que acompanham a fic e mandam emails. Agradeço os incentivos, puxões de orelha, criticas e elogios sem os quais, certamente não me ajudariam a terminar mais um capitulo.
Agradecimentos a Mami Evil e a Yume pela revisão...muito obrigada as duas pela ajuda.
[1] Para quem não lembra Krynianos é como os naturais chamam os renascidos que se tornam shuhan.
[2] Αίμα significa sangue em grego
[3] Viesczy vampiros originários da Polônia e da Rússia
