Lábios de Sangue

Nota: Peço desculpas a todos, o capitulo já se encontrava pronto a um bom tempo, mas como não estava muito satisfeita com o capitulo acabei refazendo-o novamente.

Como este capítulo acabou ficando com 102 pgs, dividi em duas partes, para que não fique cansativo a leitura, mas estarei postando os dois juntos.

Agradeço a Mami Evil por betar uma parte do capitulo por mim.

No capitulo anterior (capitulo 18):

Relena sorriu diante do grito do amante de Heero, ao puxar a espada, cortando as palmas da mão do humano.

Duo deixou-se cair, levando as mãos ao ferimento do abdômen, tentando em vão estancar o sangue. Ergueu os olhos em direção a Relena, mal conseguindo ver, diante da escuridão a obscurecer seus olhos e sua mente, tentou murmurar o nome do amante, mas não tinha forças para fazê-lo. Fechou os tentando em vão não cair na inconsciência, seu ultimo pensamento foi para seu amante, ouvindo-o gritar seu nome em sua mente.

"Duuuuuuuuooooooooooooooo"

Relena ergueu os braços gargalhando sua vitória, ela afastou-se um pouco, andando ao seu redor como um lobo a espreita, enquanto o humano encontrava-se inconsciente no chão numa poça de sangue, que se esvaia rapidamente. Ela preparou-se para investir contra o humano novamente, e tomar-lhe o sangue, quando uma presença poderosa a deteve.

Afastou-se rapidamente sentindo seu corpo inteiro estremecer diante da forma que preenchia todo o lugar, apenas uma criatura causara tanto temor a ela em toda a sua vida imortal, no entanto a presença de agora era ainda mais temível e malévola.

Capitulo 19 - O Começo de Uma Nova Vida – Parte I

Relena sentia como se sua pele quisesse se desprender do corpo, tamanha a força que sentia vir do negrume que parecia aumentar ao seu redor. Das sombras da escuridão ela viu a figura de Heero surgir, fazendo-a recuar temerosa ao sentir como se uma garra gélida apertasse seu coração morto.

Em seu íntimo, sabia que não havia uma forma de fugir do shuhan dos Khushrenada. Era como se o vampiro a sua frente fosse a própria escuridão, ou melhor, dizendo a origem dela.

- COMO OUSOU TOCAR NELE! – esbravejou Heero, cólero ao ver a forma como se encontrava seu amante. -ELE...ME...PERTENCE! – afirmou ele.

Heero aproximou-se rapidamente de Relena, agarrando-a sem piedade e jogando-a para longe com apenas uma das mãos .

A líder do clã Peacecraft bateu com violência contra um muro de pedras que cedeu com a força do impacto.

Instantaneamente Heero apareceu ao lado dela pronto a estender a mão para lançá-la novamente para o outro lado, quando um Αίμα invocado Mirla apareceu repentinamente do chão segurando-lhe o braço, impedindo-o de voltar a ferir sua mestra.

Relena aproveitou a chance dada pelo Necro, para se levantar e procurar afastar-se o máximo que podia de seu antigo amante.

Heero lançou um olhar frio para o monstro que segurara seu braço, impedindo-o de continuar sua vingança. O shuhan dos Khushrenada simplesmente segurou a mão do Αίμα arrancando-o facilmente. A criatura urrou de dor, ao ter o membro arrancando.

Yuy sorriu em deleite, diante dos gritos de dor da criatura invocada pelo Necro. Sem temor fez o mesmo com o outro braço antes que ela notasse o que acontecia.

O vampiro ergueu a mão as costas, fazendo Hikari vir diretamente a sua mão esquerda, descendo-a num único e fluido movimento, partindo a criatura em segundos. Assim que o Αίμα for cortado por Hikari, transformou-se em pó.

Heero voltou seu olhar para Mirla, erguendo-a com um simples pensamento, e lançando-a contra uma árvore com força o suficiente para rachá-la de cima a baixo.

Como a criatura se atrevia a querer deter-lhe? Como ousava imaginar que tivesse poder para impedir sua vontade? Quando tudo que desejava era vingança por seu amante ferido.

O Necro sentiu as lascas da árvore, perfurarem suas costas ao chocar-se contra ela. Gemeu diante da dor, caindo no chão, enquanto sangue negro escorria por seus lábios pálidos.

- Nistus invertus.[1]

Conjurações deixaram seus lábios esquálidos, arqueando as costas fazendo as lascas que a feriam deixarem seu corpo. Ergueu os olhos, segundos antes do shuhan dos Khushrenada aparecer diante de si.

- Ahhhhhhhhhh!

O grito de dor eclodir por sua garganta, quando Heero moveu-se rapidamente até ela, fincando Hikari no chão, prendendo-a pela mão. o atual shuhan dos Khushrenada fez questão de torcer a espada para causar dor ao Necro, fazendo questão de ameaça-la caso voltasse a se intrometer na sua luta com a líder do clã Peacecraft.

- Não me atrapalhe. – avisou Heero friamente. - Você encontrara seu fim, tão logo eu matar Relena.

Heero voltou-se para Relena novamente, caminhando lentamente em sua direção, decidindo mentalmente qual a forma mais dolorosa de matá-la. Poderia destruir-lhe a mente, ou simplesmente arrancar lentamente cada um de seus membros.

Seu olhar desviou-se para Duo, diante do gemido fraco e dolorido a escapar dos lábios trêmulos, sentindo a raiva e a insanidade crescerem dentro de si ao ver cada vez mais o sangue dele juntar-se a terra.

Ele agarrou o pescoço de Relena com uma mão, apertando-o de forma atroz, tendo o prazer de vê-la ofegar e os olhos se revirar. Isso não a mataria apenas lhe causaria dor e sofrimento, pois isso era o que mais desejava vê-la sofrer por ter se atrevido a macular o que era seu por direito.

Lançou-a longe, vendo-a cair no chão, viu-a levar à mão a garganta, percebendo o medo em seu olhar. Sorriu sadicamente diante do pensamento do que faria com ela, causar-lhe-ia a mesma dor que ela causara ao seu amado. A idéia de arrancar-lhe os membros um a um, flutuou em sua mente, mas sentia que isso não o satisfaria plenamente.

Olhou para Relena com escárnio, ela era uma presença insignificante em sua opinião. Uma presença o qual ele ignorara, por saber que não era uma ameaça real a ele. Entretanto ela ferira aquele que elegera como seu companheiro pela eternidade e isso ele jamais iria ignorar ou tolerar.

A derrota de Relena havia sido decretada no momento em que ela ousara erguer suas mãos sujas para manchar o que lhe pertencia e a faria enxergar isso o mais dolorosamente possível.

Heero caminhou até a líder do clã Peacecraft erguendo-a sem nem mesmo mover um músculo, apenas sua mente se movia alimentada pela sede de vingança. Seria impiedoso em sua cobrança, teria dela seu sangue e seu sofrimento, ela pagaria por sua ignorância.

Relena olhou assustada para o vampiro a sua frente, aquele não podia ser seu Heero. A criatura a encará-la friamente era terrível aos seus olhos, mas por mais que desejasse fechá-los eles não obedeciam a suas ordens, mas sim ao vampiro que julgava conhecer.

A voz impiedosa soou em seus ouvidos, como uma lâmina a perfurar-lhe a carne.

- Você sabe a diferença entre um inseto e sua presença? – perguntou Heero não dando a Relena tempo para responder. Acho que não. – disse Heero de maneira mordaz. - Na verdade até um inseto, sabe que não deve desafiar seu predador, enquanto você. – pausou o vampiro de olhos azuis cobalto, olhando-a com desdém antes de continuar. - Não tem nem noção de que é apenas uma presa.

Relena estremeceu diante do olhar de maldade. Seu corpo inteiro tremia incontrolavelmente diante da força de Heero. Era como se a pele de seu corpo desejasse desprender-se apenas para fugir da presença aterrorizante do vampiro que a mantinha presa mentalmente.

"Esse não pode ser Heero." – pensou ela

Será que se enganara tanto assim quanto a força dele? Sempre imaginou que o fato de Heero tê-la abandonado para unir-se a Treize Khushrenada o tornara fraco, mas a realidade que se mostrava a sua frente estava longe do que supunha ser a verdade.

Heero sorriu maldosamente diante dos pensamentos de Relena, ela mal tinha idéia do que ele havia se tornado. Não havia ficado estagnado no tempo como a maioria dos vampiros, mas evoluirá para um nível que nenhum outro o fizera até o momento, pelos menos não ainda, porque sabia que seu escolhido o faria quando fosse à hora, pois Duo era como ele.

O shuhan dos Khushrenada libertou-a momentaneamente de seu controle mental, caminhando até o amante que se encontrava inconsciente. Tomou-o nos braços sentindo novamente uma vontade ensandecida de esquartejar Relena. Voltou seu olhar a Mirla que abaixou a cabeça diante da força do vampiro.

- Você sabe o que sou. – disse Heero contundente. - Diga a ela, pois a ignorância dela me aborrece. – terminou ele aconchegando o humano ferido nos braços.

Mirla olhou para o vampiro de olhos azul cobalto, voltando-se para Relena. Sabia que a jovem líder do clã Peacecraft não acreditaria nela, ainda assim contaria o que Heero era, uma vez que não seria tola em ir contra as ordens do líder do clã Khushrenada. Não poderia morrer agora e sabia que nada o impedia de fazê-lo se desejasse.

- Sim meu senhor. – respondeu Mirla obedientemente.

o.o.o.o.o.o.o.o.o.o

Enquanto isso no Castelo Khushrenada:

Sally fechou os olhos procurando sentir à presença de Heero e Duo, finalmente localizando-os a pouco mais de dois quilômetros do castelo. Ela matou outro caçador que investiu contra ela, buscando com o olhar o humano que detinha sua alma e seu coração, encontrando-o junto a Adrian e Marcos.

Como se soubesse que era observado o olhar de Wufei encontrou o de Sally, ouvindo-a dirigi-se a ele mentalmente.

"Eu vou atrás de Heero e Duo, sinto que meu amigo precisa de minha ajuda."

Wufei meneou a cabeça diante das palavras de sua amada, obtendo a promessa de que ela tomaria cuidado. Viu-a sumir diante de seus olhos e voltou sua atenção a batalha a sua frente. Eles estavam longe de um fim, mas sentia que a vitória era certa.

Não ele precisava acreditar nisso, ou acabaria sucumbindo ao cansaço e esse seria sua morte. O destino do mundo dependia da vitória deles e da derrota dos caçadores e no que dependesse dele e de sua espada, derrotaria os caçadores e a profecia.

o.o.o.o.o.o.o.o.o.o

Em outra parte do Castelo:

Quatre lançou seus bumerangues à frente, comandando-os mentalmente como se os mesmos estivessem em suas mãos, em contra partida manejava suas HeathScythes com uma precisão quase demoníaca.

Trowa voltou o olhar ao amante, vendo-o matar dez caçadores em questão de segundos, podia sentir a natureza de seu amado vibrando em êxtase e não conseguia deixar de se sentir influenciado por isso.

O sangue de um dos caçadores respingou em seu rosto, próximo a seus lábios, e inconscientemente lambeu o sangue, o que aumentou seu desejo de matar mais deles. Ele atravessou o peito de um caçador, arrancando o coração quando o mesmo colocou-se em seu caminho o impedindo de ver seu amante em sua dança de morte.

Seu anjo parecia imaculado, a pele pálida, os fios dourados, a maestria com que manejava suas armas, era como uma dança mortal, onde seus parceiros morriam pelo toque frio de suas armas. Precisava alcançar Quatre, antes que acabasse se perdendo na insanidade de seu amado.

Quatre cruzou seu olhar com Trowa lhe sorrindo, podia sentir as emoções de seu companheiro. Sua força e essência misturavam a sua, o completando. Sentia-se perdido diante do que sentia de seu amante, uma alma tão serena enquanto a sua parecia tão insana e sedenta por dor e violência. Ele ordenou que seus bumerangues retornassem a suas mãos prendendo-os nos suportes nas costas.

Moveu-se rapidamente para estar ao lado do amante unindo suas costas as dele. Deixando que a serenidade da alma de seu amado o preenchesse por completo, dando a outra metade de sua alma o alivio de sua natureza selvagem.

"Obrigado meu anjo." – disse Trowa.

"Desculpe." – murmurou suavemente Quatre.

O vampiro de olhos verdes sabia que Quatre realmente se sentia arrependido por não controlar a própria natureza, embora entendesse o quão difícil ainda era para o árabe fazê-lo, por essa razão cabia a ele manter sua alma sob controle ou ambos se perderiam.

- Temos uma guerra para vencer. – disse Trowa olhando ao redor.

- E venceremos. – respondeu Quatre convicto de que a derrota não era uma escolha.

Trowa matou outro caçador concordando mentalmente com Quatre. A derrota não era uma opção, apenas a vitória era aceitável, não haviam se preparado em vão, além do que, o preço da derrota não seria cobrado apenas deles, mas sim de todos os humanos que juraram proteger.

o.o.o.o.o.o.o.o.o.o

Nos arredores das terras dos Khushrenada:

Sons de luta ecoavam em todas as direções, os humanos que fugiam do castelo, corriam desorientados procurando afastar-se o mais longe que podiam da batalha, muitos haviam perecido, no caminho até o local onde teoricamente estariam seguros. Isso é se a guerra travada contra o clã Peacecraft e Romefeller não terminasse com a vitória de ambos, pois certamente se eles vencessem não haveria lugar seguro para os humanos.

Apesar dos ferimentos e do cansaço Hugh procurava manter sua atenção ao redor, embora estivessem sendo protegidos pelos vampiros do clã Khushrenada e NightRose, sabia que não deviam se descuidar até chegarem as cavernas subterrâneas localizadas a quase um quilometro do castelo.

O Lycan parou abruptamente cheirando o ar, podia sentir os pelos do corpo se enriçarem e sabia que isso era um problema, voltou-se para a esposa, ordenando-a que corressem o mais rápido que pudesse.

- Sophie, eu quero que você e Nichols corram.

- Mas...- tentou argumentar Sophie sendo impedida pelo marido.

- Obedeça. – cortou Hugh - Corram o mais rápido que puderem, eles estão se aproximando. Não há vampiros suficientes para proteger a todos. – Eu devo ficar e ajudar os que puderem, eu devo isso a Heero. – disse o Lycan tocando o braço de sua amada.

Sophie assentiu sabendo o quanto seu marido admirava e respeitava o shuhan dos Khushrenada. Sabia que Hugh preferiria morrer a desonrar a confiança que Yuy tinha por ele. Ela tomou o filho nos braços, começando a correr, na direção que levava as cavernas.

Muitos dos vampiros que os protegiam pararam subitamente, como se pressentissem o perigo, segundos depois ordenaram que começassem a correr sem olhar para trás.

Todos no castelo sabiam a localização das cavernas, por isso tudo que tinha de fazer e continuar na direção delas. O shuhan dos Khushrenada havia ordenado que cada humano se preparasse e soubessem sua localização, quando o confronto com os Peacecraft e os Romefeller se iniciassem.

Em poucos minutos gritos angustiados começaram a ecoar, Sophie procurou não olhar para trás, diante dos gritos, ela apertou com força seu filho, rezando para que não apenas eles, mas também seu marido e os outros que conhecera no castelo estivessem seguros.

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A alguns quilômetros a oeste do Castelo Khushrenada:

Heero acariciou a face de Duo, enquanto o chamava mentalmente, obrigando-o a retornar a consciência, demorou alguns minutos, antes que visse qualquer reação, no entanto esses minutos pareceram-lhe como horas. Sentiu-o remexer-se dolorosamente, mas finalmente o humano abriu os olhos, encarando-o com um olhar cansado.

- Hee. – balbuciou Duo, fazendo um grande esforço para manter-se consciente.

Duo mal conseguia falar, tivera que fazer um esforço sobre humano, para abrir os olhos e murmurar o nome do amado.

- Me...me perdoe por não chegar a tempo. – balbuciou Heero sentindo-se culpado.

Pensamentos de que se ele houvesse matado Relena na primeira vez em que a mesma se atrevera a seqüestrar Duo, certamente não teria agora o amante em tal estado.

- Você está aqui...isso é o que importa. – respondeu Duo tentando sorrir, e aliviar a dor que via nos olhos do vampiro, afinal ele havia sido descuidado ao seguir Relena e cair na armadilha dela.

Heero sorriu diante dos pensamentos do humano, tentando confortá-lo, e aliviar sua consciência quando deveria ser o contrário, deveria ser ele a confortar seu companheiro. Era culpa sua por Relena tê-lo ferido, era seu dever proteger Duo uma vez que o mesmo era seu futuro nakama[2]. Ele sentiu uma presença se aproximando rapidamente, identificando-a imediatamente, voltando então sua atenção ao amante.

- Acha que pode agüentar um pouco? Sally está vindo.

Duo meneou a cabeça, embora não tivesse certeza de que conseguiria realmente agüentar. Seu abdômen doía terrivelmente, e seu sangue não parava de sair, deixou que Heero cuidasse de seu ferimento, tentando estancar o sangue. Podia ver o olhar preocupado através da escuridão que escondia os olhos azuis que tanto amava e sorriu, mesmo diante de seus ferimentos e dor, sentia-se feliz pela dádiva de ter o amor do vampiro de olhos azul cobalto.

Sabia do passado cruel e sangrento do amante, e de sua natureza fria e solitária, algo bem diferente do que o japonês era agora. Era um privilégio saber que tinha sua parcela nessa transformação, embora também houvesse mudado por causa do vampiro. Não precisava esconder sua dor, podia ser ele mesmo junto a seu amado, com seus defeitos e temores. Relena estava errada se achava que Heero ainda era o mesmo, que ele não sabia ou desconhecia a própria natureza.

O shuhan dos Khushrenada...seu futuro marido, tinha a dádiva de conhecer a si mesmo, ainda se lembrava das palavras do avô de Wufei, de que Heero não era alguém que desconhecia a própria natureza ou que não a controlava. Seu amado a muito havia aprendido a controlá-la e obter dela a força para derrotar seus inimigos.

Heero rasgou a blusa que vestia, comprimindo com ela o ferimento de Duo, mesmo sabendo que isso não evitaria que o sangue fluísse livremente, o humano necessitava de cuidados imediatos ou acabaria por perdê-lo. Pensou em abraçá-lo de forma a deixar que a transformação o livrasse das garras da morte, mas não poderia fazê-lo ainda. Não queria antecipar a decisão de ambos, quanto a aguardarem até depois do matrimônio.

Sally havia decidido seguir Heero tão logo o vira matar o líder dos caçadores e sumir rapidamente. Não havia sido difícil encontrar sua presença, uma vez que ela era poderosa e perigosa demais para não ser notada, após verificar se Wufei estava bem, partiu na direção onde sentiu as presenças dos outros dois. Quando chegou encontrou o amigo segurando o humano nos braços, pelo cheiro de sangue no ar, sabia que Duo estava gravemente ferido. Ela correu até eles, notando que Relena estava no chão junto a Mirla.

- Cuide dele. – pediu Heero, levantando-se assim que Sally chegou, precisava terminar logo com Relena para que o amante recebesse os cuidados necessários.

Sally assentiu agachando e tomando Duo em seus braços. Ela olhou ao redor, decidindo tirá-lo do chão, levando-o cuidadosamente até um dos túmulos, suspensos depositando-o em cima de um deles.

Duo não pode deixar de gemer ao ser transportado. Quando Sally o ergueu do chão, e começou a carrega-lo, sentiu uma dor insuportável deixando escapar um lamento doloroso, sua vista ficar turva e obrigou-se a não desmaiar.

Heero rosnou diante do gemido de Duo, voltando o olhar a Relena. Ele caminhou a passos largos até a mesma, que possuía um olhar amedrontado e descrente, quanto às coisas que o Necro lhe havia contado.

Relena não conseguia acreditar. Ela não queria acreditar, no que o Necro dizia, era impossível e inaceitável. Mirla viu a descrença nos olhos de Relena, e se ela mesma não houvesse previsto isso, também não acreditaria, entretanto a evolução do vampiro líder do clã Khushrenada estava além de qualquer compreensão terrena.

Heero era o que muitos ansiavam ser ou se tornar se tivessem sorte, no entanto o destino o agraciara com a evolução. Psíquico, transmuto[3] e metamórfico[4] todos num único ser. O primeiro de sua espécie, o único de todos os vampiros ou talvez não. Ela voltou o olhar para o humano, ele certamente seguiria o amante nessa evolução, embora de uma forma mais branda.

- Você ainda não acredita não é? – disse o shuhan dos Khushrenada com escárnio. - Talvez eu deva ser benevolente e deixar isso claro, antes de te matar. – sorriu Heero sadicamente antes de puxar Relena pelos cabelos.

..

Castelo Khushrenada:

Amadeos chutou um caçador que lhe ferira o braço, voltando sua atenção a Noventa que ajudava a marquesa Kathiene. Após a morte do líder dos caçadores pelas mãos de Yuy, muitos debandaram como insetos. Ficou surpreso diante da presença poderosa que sentiu emanando do Krynianos, ela não era nem um décimo da força que sentira de Heero, quando ousara cobiça-lhe o companheiro.

Ainda podia sentir tal presença, embora a mesma se encontrasse distante. Aproximou-se de Noventa notando que o mesmo se encontrava cansado da batalha, mas não menos disposto a continuá-la, quando o indagou sobre quanto tempo ainda lutariam.

- Acha que ainda falta muito para vencermos Marechal?

- Não sei Amadeos, mas não desistiremos. Enquanto houver caçadores, eu lutarei. – afirmou o líder do clã Noventa.

Kathiene sorriu, diante das palavras de Noventa, sim eles tinham que continuar lutando, enquanto não desistissem á vitória pertenceria a eles. Procurou com o olhar Treize Khsushrenada, sentindo-se angustiada por não encontra-lo.

- Ele está bem Kathiene. – disse Noventa diante da angústia que via nos olhos da Marquesa. – Treize não seria derrotado tão facilmente por seus inimigos.

- Eu sei. – disse Kathiene querendo acreditar em suas próprias palavras.

Amadeos bufou aborrecido decapitando um caçador que se aproximou. Estava farto dessa paixão ridícula de Kathiene por Treize, não adiantava dizer a ela que o antigo líder do clã Khushrenada jamais a veria como uma mulher, uma vez que o mesmo tinha olhos apenas para Catherine. Procurou desviar sua mente do assunto, e se ater a batalha que ainda acontecia ao redor deles, quanto antes exterminassem os caçadores, poderia partir e voltar a sua "casa" [5].

- Acha que Yuy foi atrás de Relena? – perguntou Amadeos, enquanto matava outro caçador.

- Creio que sim, pelo que você disse Heero desapareceu logo que matou Mackaczi e a presença poderosa que senti, seguia na mesma direção que o humano foi levado.

- Vamos torcer para que Relena tenha um fim logo. – retrucou Kathiene irritada diante da menção do nome da líder do clã Peacecraft.

Noventa concordou com Kathiene, quanto antes Relena sucumbisse mais cedo terminariam essa guerra sem sentido. Esperava apenas que o sacrifício pela vitória, não fosse alto demais para nenhum deles.

..

Na área dos túmulos, a oeste do Castelo Khushrenada:

Sally viu horrorizada a forma como Heero lidava com Relena, a dor que ele provocava, parecendo deleitar-se com isso. Ela teve de fechar os olhos diante da crueldade que Yuy submetia a líder do clã Peacecraft.

Relena ergueu a espada para defender-se, mas gritou ao ter o braço arrancado pelas mãos de Heero, perdendo a espada. O vampiro agarrou-lhe os cabelos com força, rindo enquanto ela tentava inutilmente fazê-lo soltá-los, perdendo uma boa parte dos fios dourados, que ficou preso na mão do vampiro que um dia amara, quando finalmente conseguiu se libertar.

Relena olhava para Heero sem compreender como o mesmo arrancara sem remorso seu braço, da mesma forma que fizera com o Αίμα de Mirla, como se ela lhe fosse uma estranha ou não fosse feita de carne e ossos, mas de pano o qual se puxa o braço arrancando-o apenas por pura maldade. Deixou-se cair no chão, levando a mão ao ferimento, enquanto via Heero descartar seu braço como se fosse apenas lixo.

Podia sentir a força de Heero ninando-lhe a resistência, mas tentou inutilmente se impor a presença dele, que lhe era superior, bem mais do que havia imaginado, ainda assim relutava em dar-se por vencida. Não havia chego até ali para ser facilmente derrotada e se esse fosse realmente seu fim, o humano que lhe roubara seu amado a acompanharia ao inferno.

Relena reuniu o que lhe restava de forças, e recuperou a espada com a mão que ainda possuía, levantando-se do chão e encarando aquele que amava por alguns segundos, antes de desviar o olhar para o humano, nos braços daquela que abrigara em seu clã, há muito tempo atrás. De algum modo sabia que Sally era a culpada por Heero não ter se tornado aquilo que desejava uma criatura sedenta por sangue e destruição.

Sally sentiu o olhar de ódio de Relena sobre ela. Através dele podia ver que a mesma a culpava pelo fato de Heero não ter trilhado o caminho de terror que a líder do clã Peacecraft almejava para ambos. Entretanto sua alma estava tranqüila quanto a isso, na verdade alegrava lhe saber que havia sido uma parcela importante para manter a sanidade de Heero em meio ao mar de insanidade que o mesmo convivia quando estava com Relena.

Heero observou em silêncio a troca de olhar de Sally e Relena, sabendo que esta última planejava algo. Via a mente dela tão clara quanto via a escuridão ao redor deles, seu olhar carregado de ódio dirigido a Sally e Duo eram nítidos, entretanto ele não permitiria que Peacecraft causasse mais algum dano àquele que detinha sua alma e seu coração.

- Está na hora de encontrar o seu fim Relena. – disse friamente o shuhan dos Khushrenada.

Relena riu ironicamente, antes de olhar para Heero. Seu corpo tremeu involuntariamente diante do olhar frio de seu antigo amante, ainda assim perguntou a ele, o que martelava em seu coração e embora já aguardasse tal resposta, a mesma feriu-lhe bem mais que ter o braço esquerdo arrancado.

- Em algum momento você me amou?

- Se houve alguma vez tal sentimento entre nós, ele era unicamente seu. – respondeu Heero sem vacilar, enquanto caminhava até Relena.- Houve apenas um em meu coração e ele será sempre o único a ocupá-lo.

Relena fechou os olhos engolindo as palavras amargas. Seu corpo convulsionou-se incapaz de conter o ódio que sentia de tudo e de todos. Porque razão o humano lhe era superior, a ponto de Heero amá-lo mais do que a ela? Ela dera a Yuy a imortalidade, dera-lhe o dom de romper as cadeias do tempo, conservando-lhe a juventude, deu-lhe a chance de ser como ela e usufruir, da dádiva que era ser um eterno predador. E o que ele fizera? A rejeitara para unir-se a Treize Khushrenada e pior dera a outro o que era seu por direito: o amor dele.

- AAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHH!

Relena berrou enraivecida. Usando suas últimas forças para desapareceu instantaneamente, surgindo logo em seguida atrás de Sally e Duo, com a espada em punho, pronta a matá-los. Em sua mente a razão de Heero não amá-la era culpa dos dois. De Sally por sempre desafiá-la e colocar Heero contra ela e do humano por ter se intrometido em seu caminho e penetrado no coração do japonês.

Antes mesmo de Relena descer a espada para feri-los, Heero já há havia retirado das mãos dela, ele havia antecipado a ação da líder dos Peacecraft e agira um segundo antes, se colocando entre eles.

Relena fechou os olhos deixando-se cair no chão, ela deveria saber que qualquer esforço seu seria inútil. Yuy estava muito a frente dela, estava além de seu alcance, sempre estivera, mas ela era apaixonada demais para notar que o vampiro jamais a veria com os mesmos olhos.

Heero a chutou para longe, surgindo junto há ela segundos depois, pegando-a pelos cabelos e a arrastando novamente consigo, em direção onde Duo e Sally estavam. Ele ergue-a pelos fios dourados, fazendo-a inutilmente levar seu único braço a mão que lhe segurava os fios. Encarando com desgosto o humano diante de seus olhos, desviando o olhar, apenas para retorná-los a figura humana diante da ordem imperiosa.

- Olhe para ele. – ordenou Heero ao ver Relena desviar o olhar.

Duo respirava pesadamente, seus olhos estavam petrificados diante do que via. Imaginava que o verdadeiro Heero poderia ser cruel, mas a realidade se mostrava era bem diferente de seus pensamentos. Sentia por Relena, por sua dor e desespero, mas em seu intimo, sabia que ela merecia tal sofrimento. Uma parte sua, parecia triste com tal constatação, enquanto outra se sentia perversamente feliz pelo que ocorria com a garota.

Heero aproximou-se do ouvido de Relena, despejando as palavras que fizeram aumentar seu ódio pelo humano que lhe roubara o vampiro de olhos azul cobalto.

- Ele é meu companheiro e semelhante a mim. Um igual e será meu pela eternidade, e não uma criatura fraca e imperfeita como você.

Relena fechou os olhos chorando lágrimas de sangue, diante das palavras despejadas friamente. Não importava mais seu destino ou sua vontade de tornar o clã Peacecraft soberano sobre os demais, pois o mais importante, o que secretamente mais desejava era inacessível para ela. O amor de Heero jamais fora ou seria seu.

- Mate-me. – pediu Relena, a morte lhe seria bem mais apreciada que viver a solidão dos dias, sabendo que Heero era de outro.

Duo fechou os olhos diante do pedido de Relena. A sua frente ajoelhada e segura por Heero, não estava à garota que desejava o fim da humanidade ou a soberania de seu clã, mas sim uma garota desiludida pela perda do homem que amava. Ele olhou para Heero que parecia ignorar isso, pois ainda a encarava como um inimigo a ser destruído.

Heero arrastou Relena que já não mais oferecia resistência até o centro dos túmulos. Sem desgrudar sua atenção dela, pediu ao amante que o ouvisse e repetisse suas palavras.

- Duo repita depois de mim.

O Necro desapareceu no mesmo instante que ouviu o shuhan do ichizoku dos Khushrenada pedir ao amante humano, para repetir os versos da conjuração que quebraria o selo, que mantinha preso os poderes das espadas. Ela não sabia como o mesmo havia descoberto, mas não era tola para permanecer ali, sabia que o poder de liberação das espadas a mataria no mesmo instante e ainda era cedo para aceitar sua morte.

Heero sentiu a presença de Mirla desaparecer, ela havia sido sabia ao fazê-lo, uma vez que ela seria a próxima a perecer por suas mãos, tão logo Relena alcançasse seu fim. Entretanto apesar de desejar sua morte, não estava disposto a impedi-la de escapar, não naquele momento.

Na hora certa o Necro encontraria sua morte, por enquanto tinha outros objetivos mais urgentes, que se resumiam a matar a líder do clã Peacraft.

o.o.o.o.o.o.o.o.o

No pátio principal do Castelo Khushrenada:

Treize olhou para o céu na direção dos túmulos, podia ver um estranho brilho clareando o céu naquela região e se perguntava se tal fato se devia as espadas e seus guardiões. Ele voltou à atenção ao caçador com que lutava, vendo uma espada perfurá-lo ao meio, antes mesmo que tivesse a chance de matá-lo.

- Treize Khushrenada, nada me agradaria mais que matá-lo e destruir o clã dos Khushrenada. – disse Romefeller.

- Lamento que pense dessa maneira tio. – respondeu Treize suavemente.

Romefeller encarou seu sobrinho com desprezo, antes de investir contra o mesmo, não seria difícil matá-lo, afinal possuía seu ódio pelos Khushrenada e ele exigia o sangue de seu sobrinho para ser aplacado. Havia aguardado em silêncio por séculos, até que a oportunidade perfeita se apresentou quando Relena o procurara para que formassem uma aliança.

o.o.o.o.o.o.o. o.o.o.o.o.o.o.o.

Northhampton – Inglaterra – Castelo de Newtype - Ano de 1900:

As portas do salão principal do castelo Romefeller se abriram, permitindo a entrada de uma gaiola com seis humanos nela, o Duque olhou para a gaiola com apreciação, eram espécimes perfeitos em sua opinião, jovens e suculentos e o jantar ainda nem havia sido servido.

- Quem enviou? – perguntou o Duque encarando um dos humanos na gaiola com incrível interesse.

- Foi enviado por Relena Peacecraft, senhor Romefeller.

- Peacecraft...Peacecraft...- desdenhou Romefeller, causando risos nos presentes dentro do salão.

- Na verdade Duque, ela aguarda para falar com o senhor.

Estava curioso para conhecer pessoalmente a líder do clã Peacecraft, já ouvira falar dela, mas nunca tivera a chance de vê-la ou encontrá-la. Assentiu com um menear de cabeça, permitindo a entrada de Relena. Seus olhos ficaram surpresos, ao ver uma jovem atraente e com olhos perversos, podia sentir a maldade dela, a cada passo dado e isso lhe agradou.

- Então você é Relena Peacecraft? – disse Romefeller com certa ironia.

A jovem curvou-se em sinal de respeito, mas podia notar através de seus gestos, que a mesma não o considerava superior a ela. Já havia ouvido falar da jovem e sua ambição, mas não entendia os motivos dela tê-lo procurado uma vez que nunca haviam se visto.

- Duque é um prazer conhecê-lo. Acredito que minha vinda seja uma surpresa, mas acredito que temos muito em comum.

- E o que seria tal coisa, Relena, a meu ver não existe nada que nos torne semelhantes. – respondeu Romefeller com escárnio, provocando o riso dos presentes.

O olhar de Relena estreitou-se, antes dela sorrir como uma cobra a aproximar-se de sua presa.

- Acredito que muitas coisas aproximam uma pessoa de outra, o amor, a alegria, tristeza, bem como o ódio. – disse Relena pausadamente, antes de voltar a seu lugar junto aos gêmeos ruivos que a acompanhavam.

- Aonde quer chegar minha jovem, pois não vejo como qualquer um destes sentimentos poderia nos tornar semelhantes.

- Talvez se eu for mais especifica. – disse Relena encostando-se a um dos gêmeos sorrindo ironicamente, antes de seus olhos tornarem-se frios ao pronunciar o nome daquele que a atormentava há décadas. – O ódio por Treize Khushrenada.

Relena teve o prazer de ver Romefeller levantar enraivecido ao ouvir o nome do shuhan dos Khushrenada. Sabia do ódio que o Duque mantinha pelo próprio sobrinho, e estava disposta a usar isso em seu favor.

Romefeller olhou para Relena enraivecido, como ela ousava pronunciar o nome de Treize diante de sua presença? Seu sobrinho era como um espinho em sua carne. Um espinho que vinha suportando há séculos, incapaz de conseguir livrar-se desse mal.

- O que quer de mim? – perguntou o Duque procurando conter sua raiva.

- Uma aliança que favorecera a ambos. – disse Relena com malicia. – Treize levou o que me pertencia, e ele deve pagar por isso.

Romefeller notou o ódio com que Relena falava de Treize, podia ver em seu olhar e sua voz o ódio puro e sorriu. De fato ele e a jovem tinham algo em comum, eram semelhantes em seu ódio por Treize.

- Percebo que uma aliança favorecera de fato a nós dois. Mas o meu não se refere apenas a meu sobrinho. – disse Romefeller, sorrindo diabolicamente ao ouvir as palavras que se seguiram.

- Eu sei. Quando me refiro a Treize me refiro também ao clã Khushrenada, que ele e os que o seguem pereçam diante de nosso ódio. Que seus dias sejam ainda mais negros que a própria escuridão. Não descansarei em quanto eles não pagarem por terem se atrevido a tirar Heero de mim.

- Posso perguntar quem é Heero? – indagou Romefeller, vendo Relena fechar os olhos, por alguns segundos antes de responder.

- Aquele que escolhi como companheiro eterno, e que os Khushrenada se atreveram corromper.

- Entendo. – disse o Duque.

Romefeller levantou-se imediatamente. Caminhando até Relena e tomando-lhe a mão beijando-a, antes de voltar o olhar a Mackaczi dando-lhe algumas ordens.

- A partir dessa noite os caçadores se submeteram aos comandos do clã Peacecraft. Que as noites dos Khushrenada diminuam, e que Treize seja derrotado pelo nosso ódio.

Relena sorriu perversamente, se deixando guiar por Romefeller que a levou para sentar-se a seu lado, colocando sua mão sobre a do líder dos caçadores.

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Sim, haviam caminhado para isso, caminhando para a vitória sobre todos os clãs, mas principalmente para a queda dos Khushrenada. A derrota de Treize marcaria a glória dos Romefellers, sobre os demais clãs que haviam se atrevido a unir-se a Treize contra ele.

Noventa, NightRose, Dhanylhos e os Maguanac, todos eles pereceriam pela mão dos Romefeller. Quanto a Relena seria muito fácil livrar-se dela mais tarde, afinal nunca tivera intenção de tê-la como aliada. Apenas a usara para seus propósitos, assim como usaria o Necro que a acompanhava. A única pedra a ser retirada de seu caminho, era Treize, mas este não o seria por muito tempo.

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De volta ao local dos túmulos:

Duo ofegou reunindo o que restava de suas forças para fazer um pedido a Sally, mas movendo-se antes mesmo que o tivesse terminado de fazê-lo, obrigando-a a ajudá-lo.

- Leve-me até ele. – pediu Duo fracamente.

Sally amparou o humano levando-o até Heero, quando o mesmo fez menção de ir sozinho até o vampiro.

Heero viu o amante vir em sua direção e sorriu diante de sua atitude, podia sentir suas dores e imaginava o esforço que o mesmo fazia para não desmaiar, mas mesmo assim se esforçava para estar ao seu lado.

Duo segurou a espada procurando ergue-la, mas mordeu os lábios diante do esforço, sentindo a amiga segurar-lhe o braço ajudando-o a sustentar a espada.

Sally colocou sua mão sobre a do humano ajudando-o a sustentar Yami, ouvindo-o repetir o que o líder do clã Khushrenada dizia diante de Relena que mantinha a cabeça abaixada em sinal de derrota.

- Specturiun Natlilos, Proctplius. Novents Hikari nhyi Yami, quinthuis Eptezium, Unnintlus andiluys Mordylatus fhornenus imunilhius[6]

Assim que ambos começaram a conjurar as palavras Hikari e Yami começassem a brilhar, obrigando-os a fechar momentaneamente os olhos.

Duo sentiu seu abdômen queimar diante do brilho, e ofegou sentindo Sally segurá-lo com força quando ameaçou cair diante da dor inesperada, segundos depois seu ferimento se encontrava milagrosamente cicatrizado, sem indícios de que estivera algum dia machucado. Deixando não apenas ele como também Sally surpreso com o que ocorrera.

Em seguida as espadas deixaram a mão de seus guardiões, girando uma ao redor da outra como se dançassem, bem no centro dos túmulos, até que ambas se juntaram tornando-se uma única e longa espada branca, com inscrições em vermelho. Irradiando um brilho avermelhado que se estendeu até o céu, cobrindo-o de um tom rubro, antes de dissipar-se, levando consigo o eclipse e permitindo que o sol da tarde finalmente brilhasse.

Heero viu o céu clarear com o sol e voltou seus pensamentos à espada, que veio a sua mão instantaneamente, ele pegou a espada nascida da união de Yami e Hikari cravando-a sem pena no peito de Relena que ofegou. Apesar da dor dilacerante, ela manteve o olhar preso ao vampiro, que não demonstrava nenhum sentimento, nem mesmo diante de suas últimas palavras.

- Eu sempre te amei Heero. – disse Relena com amargura.

Heero nem ao menos lhe deu uma resposta ou alivio a seu sofrimento, não haveria alivio. Não para ela, que fizera tanto mal a todos que encontrou. O destino dela era o de perecer dolorosamente diante de seus olhos. Como lhe dissera antes, nunca houve de sua parte qualquer sentimento de amor ou carinho. Desejo e luxúria sim, mas o mesmo era insignificante em sua opinião.

Relena não havia sido a única com que se deitara de forma a tentar preencher o vazio de sua alma, vampiras e humanas ao longo das décadas haviam passado por sua cama, mas há todas sem exceção havia reservado apenas a indiferença e desprezo. O prazer físico era momentâneo e apenas aumentava o vazio dentro de si. Por isso ficara surpreso ao encontrar em Duo, o que necessitava para preencher-lhe por completo.

Havia percebido isso no dia em que o encontrara no instante que seus olhos mergulharam na imensidão violeta soube que estavam destinados a estar juntos. E isso era algo que Relena jamais seria capaz de entender.

Duo olhou para o vampiro que mantinha o olhar frio e malévolo sobre Relena. Em seus olhos não havia nenhum indicio de que a confissão da líder do clã Peacecraft tinha qualquer importância. Em uma das conversas que tivera com Heero, o mesmo havia lhe confidenciado como havia sido seu passado, após ter se tornado um vampiro.

Ele não pode dizer que descobrir que seu amado havia se deitado com um número considerável de pessoas, o havia chateado, não que achasse que o vampiro era um celibatário. Ainda mais dada à natureza selvagem do mesmo. Ainda assim sentiu-se um tanto quanto triste, por não ter sido o único na vida do japonês. Embora o mesmo lhe tenha afirmado que nenhuma delas havia significado algo em sua vida. Que todas não passaram de mero conforto físico, para sua alma atormentada.

o.o.o.o.o.o.o. o.o.o.o.o.o.o.o.

Um ano atrás:

Duo se encontrava deitado nos braços do vampiro, desfrutando do agradável silêncio e da companhia um do outro. A luz prateada passava pela janela da torre, banhando-os com seu brilho pálido. Não sabiam por quanto tempo à calmaria duraria, por isso antes que a batalha decisiva se iniciasse aproveitavam cada momento para estarem juntos.

Heero apertou o humano em seus braços recebendo uma risada do mesmo, o fazendo sorrir. Virou Duo em seus braços de forma que pudesse olhar em seus olhos. Era incrível a paz que sentia quando o tinha em seus braços, tão diferente da sensação vazia, de décadas atrás quando outras ocupavam sua cama.

- Em que está pensando? – perguntou Duo depois de algum tempo.

- Em como me sinto em paz, quando o tenho em meus braços. – respondeu Heero. – Cada vez que o toco é como se minha alma, ganhasse novo fôlego, tão diferente...- pausou o vampiro, sem saber como o humano reagiria se lhe contasse quantas já havia estado em sua cama.

- Diferente...? – perguntou Duo tentando fazer o amante continuar a falar.

- Diferente...- pausou Heero antes de continuar. – Das mulheres que tive em minha cama.

- Ah!. – disse Duo sem saber exatamente o que dizer sobre isso.

O silêncio voltou ao quarto, mas dessa vez ele era pesado e angustiante. Duo fechou os olhos, corroendo-se por dentro. Sabia que não havia sido o primeiro de Heero, ainda assim, ouvi-lo confirmar que houvera outras, era muito pior que saber que Relena era uma delas.

Heero sentiu a angustia de seu companheiro, e sorriu tristemente. Ele gostaria de pudesse mudar seu passado de forma a apagar a tristeza do coração de seu amante, entretanto sabia que isso seria impossível. Tudo que podia fazer era mostrar a Duo quem tinha real importância em sua vida.

- Elas não significaram nada Duo. – disse Heero fazendo o humano abrir os olhos e encará-lo. – Naquela época eu buscava apenas uma fuga para o vazio em minha alma, jamais nenhuma delas esteve em meus braços, mais do que uma noite.

- Isso não me deixa mais confortável, se você quer saber. – disse Duo desviando o olhar do amante, mas ainda permanecendo em seus braços, pensando em quantas vezes o japonês teria se deitado com Relena.

Heero sorriu pegando o queixo de Duo, com uma das mãos, o fazendo voltar a encará-lo. Ele não tinha porque ter ciúmes de Relena, ou de qualquer outra pessoa com que houvesse se deitado.

- Acredite mesmo que eu tenha me deitado com Relena mais de uma vez, não significou nada, nenhum deles significou. Você é...e sempre será o único. Minha alma tem paz apenas quando o tenho ao meu lado. Em meus braços. – disse Heero vendo os olhos de Duo fraquejarem. – Como disse antes não quero que ajam segredos entre nós, e nem dúvidas quanto o que sinto por você Duo Maxwell.

- Eu sei. – disse Duo, descansando a cabeça no peito do vampiro.

o.o.o.o.o.o.o. _FlashBack o.o.o.o.o.o.

Naquele dia ele havia aceitado e acreditado nas palavras do japonês de que era o único o qual se importava e amava. E mesmo se ainda tivesse dúvidas sobre o grau de importância que os antigos amantes de Heero tiveram na vida do vampiro, elas haviam sido apagadas.

Lamentava por Relena, ao mesmo tempo em que compreendia Heero, se não soubesse o tipo de criatura que a loira fora, e soubesse que a mesma jamais mudaria, ficaria tentado a interceder por ela.

Relena queria ter ouvido de seu antigo amante, alguma palavra de carinho ou conforto, mas sabia que isso era apenas um sonho tolo o qual ela levaria consigo para o inferno. Intimamente sempre soube que Heero jamais seria seu completamente, uma vez que ele nunca dera mostras de vê-la como companheira.

Talvez se houvesse agido diferente, o japonês pudesse ter desenvolvido algum sentimento cálido por ela ao longo dos anos, um que não fosse o ódio e o desprezo.

Ela fechou os olhos quando uma dor aguda preencheu-a por completo a fazendo gritar no mesmo instante em que fachos de luz começaram a sair de seu corpo, transformando-a em nada mais que pó em poucos segundos.

Heero assistiu em silêncio o que havia restado de Relena, ser soprado pelo vento e sentiu finalmente sua natureza se acalmar. As palavras dela quanto ao que dizia sentir por ele, não o afetara, de fato nunca chegou a sentir algo além de desprezo pela antiga lider do clã Peacecraft. Mas isso era passado e agora apenas o futuro lhe era importante, um futuro com seu escolhido.

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Em alguma parte das terras dos Khushrenada:

Hugh matou dois caçadores em segundos, mordendo o pescoço de um deles estraçalhando-lhe os ligamentos e dando uma patada no pescoço do outro separando a cabeça do restante do corpo tornando há ambos, em um monte de cinzas.

Ele voltou o olhar a outro vampiro de cabelos compridos, que pertencia aos Khushrenada, mostrando os dentes e cuspindo o que havia conseguido arrancar de um caçador. Fazendo o vampiro torcer o nariz em desagrado.

O Lycan olhou ao redor, notando que não havia muitos caçadores perseguindo-os, assim como não havia muitos vampiros leais aos Khushrenada ainda lutando.

Os caçadores os excediam em número, mas não faltava a eles a garra para continuarem lutando. Todos os humanos, pelo menos os que não haviam morrido, conseguiram alcançar as cavernas onde estariam seguros.

Ele rosnou alto uivando e batendo a pata da frente no chão, diante dos caçadores que ainda insistiam em seguir os humanos. Não estavam muito longe das cavernas, e muitos dos vampiros que haviam sido designados para a proteção dos humanos, haviam seguido com os mesmos para impedir que perecessem. Bem poucos haviam ficado para trás a fim de cobrir a retaguarda e impedir que os caçadores avançassem.

O céu começou a clarear espantando a noite criada pela magia do Necro. Assim que o céu começou a clarear, e o sol passou rasgando as nuvens, boa parte dos caçadores debandaram, bem poucos recusaram a se esconder, mesmo o sol, começando a feri-los.

- Os Khushrenada perecerão hoje. – disse com escárnio um dos caçadores, fazendo Hugh rosnar mais alto.

- Não conte com isso. – disse Ahmad transpassando o caçador com sua espada.

Ele havia deixado o castelo e partido para verificar a segurança dos humanos que escapavam pela floresta a pedido de seu irmão Abdul, haviam sentido a presença dos caçadores atrás dos humanos e sabiam que os vampiros enviados para a proteção destes, não seriam suficientes.

Quando partiu levara consigo mais quarenta vampiros do seu clã dividindo-os, ordenando que uma parte seguisse em direção as cavernas, onde vampiros do clã Noventa e NightRose procuravam manter seguro os humanos. Enquanto a outra parte seguiria com ele para ajudar os vampiros que ficaram para trás com o intuito de deter o avanço dos caçadores.

Sentiu com desagrado o sol brilhar em sua pele morta, vendo com desgosto muitos caçadores debandarem como baratas. Olhou para o Lycan dando um resmungo, voltando sua atenção aos caçadores que demonstravam mais coragem que os demais, pelo simples fato de permanecerem.

Ahmad deteve a arma de um caçador, cortando-lhe a cabeça habilmente, num único movimento. O líder do Maguanac sorriu com escárnio diante da ousadia deles ao imaginar que seriam capazes de ferir Ahmad Faruk[7], uma das três lâminas [8] do clã Maguanac.

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Área dos túmulos:

Heero voltou-se para Sally que parecia incomodada com o sol, estendendo-lhe a mão, para que viesse até ele.

A vampira seguiu com o humano até o shuhan dos Khushrenada que lhe tomou a mão a fazendo tocar no cabo da espada que se encontrava fincada onde anteriormente havia o corpo de Relena.

Heero olhou dentro dos olhos de sua velha amiga, antes de dizer mentalmente a Duo que repetisse com ele outra conjuração.

"Repita comigo Duo."

Duo meneou a cabeça repetindo as palavras que eram conjuradas pelo vampiro, sentindo um estranho calor espalhar-se por seu corpo, à medida que as palavras deixavam seus lábios.

- Nieks Yami intrinus Hikari solentus desimus intreckus corazunus.[9]

Sally arfou levando a mão ao peito ao senti-lo arder, sentiu Heero ampará-la, quando vacilou diante da dor, era como se alguma coisa a estivesse queimando por dentro, penetrando em cada célula e cada órgão em seu corpo. Suas pernas falharam e deixou-se ser sustentada pelo amigo. Apertou a mão fortemente contra o peito ao sentir uma contração que a fez dobra-se em dois, logo em seguida o ar penetrou dolorosamente por seu nariz e sua garganta.

Ela aspirou o ar tossindo fortemente, antes que a dor sumisse por completo e seu corpo se acalmasse lhe permitindo ouvir um retumbar em seus ouvidos, um som que não ouvia há anos. O som de seu próprio coração batendo.

Duo olhou para Sally não acreditando no que seus olhos viam. A pele antes pálida estava corada e viçosa. Aproximou-se dela, tocando-lhe o braço sentindo o corpo outrora frio agora quente, abraçando-a no mesmo instante, incapaz de impedir que lágrimas caíssem de seus olhos.

- Eu...eu estou... – tentou formular Sally.

- Viva – completou Heero diante da incapacidade dela em completar a frase.

Sally chorou afastando-se de Duo e abraçando Heero que sorriu, diante da felicidade dela. Ninguém merecia mais a chance de voltar a ser humana, do que a mulher que tinha como amiga.

Havia sido Sally que o ajudara a manter-se são, quando tudo em que pensava era apenas insanidade. Se alguém merecia voltar a ter uma vida mortal e envelhecer ao lado daquele que escolhera amar, esse alguém era ela.

Heero voltou seu olhar às espadas que brilharam novamente separando-se, voltando cada uma a seu respectivo guardião. Ele olhou para Duo e Sally, antes de voltar o olhar em direção do castelo.

- Vamos ainda temos alguns caçadores para derrotar. – disse Heero, ciente que os mesmos não recuariam apenas pela morte de Relena.

Sally e Duo concordaram. Não sabiam em que pé se encontrava a batalha, mas sabiam que ainda tinham de lutar, antes que pudessem finalmente dar por encerrado o confronto com Romefeller e os caçadores.

Os três retornaram ao castelo rapidamente, para descobrir que na verdade, não havia muito a ser feito. A maioria dos caçadores já havia morrido, enquanto outra parte fugira logo após a morte de Mackanzi, e o restante quando a magia que impedia o brilho do sol foi quebrada. Muitos poucos ainda lutavam pelo simples fato de que se recusavam a admitir a derrota.

Duo olhou ao redor, vendo montes de cinzas, restos de caçadores e vampiros leais aos Khushrenada. Buscou com o olhar seus amigos, vendo Wufei junto a Quatre, Trowa e Auda.

Seu coração acalmou-se ao saber que seus amigos e aqueles que aprendera a estimar se encontravam bem.

- Fiquem junto de mim. - disse Heero, mesmo sabendo que isso era desnecessário, uma vez que excediam em número.

Sally e Duo assentiram, caminhando próximo do líder dos Khushrenada. Heero procurou pela presença de Treize, sentindo próxima dali.

Encontrou-o duelando com Romefeller e sabia que assim que o mesmo caísse, a vitória sobre a profecia seria completa.

Treize desviou do golpe da espada de seu tio, enquanto procurava a presença de sua amada, localizando-a junto às presenças de Noventa, a marquesa Kathiene, Amadeos e Abdul.

Ele e sua companheira eterna haviam se separado durante a batalha contra os caçadores, estivera-a mantendo debaixo de seus olhos, mas em um instante em que se virara para enfrentar três caçadores que investiram conta ele, perdera-a de vista.

Durante algum tempo teve receio de que não poderiam vencer a batalha, entretanto e quando Heero matara o líder dos caçadores a maioria deles debandou como ratos, tornando os Khushrenada e seus aliados maiores em números.

Voltou sua atenção a Romefeller, ciente de que precisava derrotá-lo para finalmente dar um fim ao ódio que seu tio tinha por ele e pelos Khushrenada.

Romefeller praguejou diante do sol, que lhe queimava a pele como ácido, ele não esperava que seu sobrinho oferecesse tamanha resistência, acreditando que seria fácil derrotá-lo, assim como seria fácil derrotar o atual shuhan dos Khushrenada. Mas a luta já havia se estendido além do esperado e as chances que tinham diminuíam a cada minuto, ainda mais depois que o sol surgira.

Sentiu a presença de Relena desaparecer a poucos instantes e sabia que ela tivera o mesmo fim que Mackaczi, a morte pelas mãos do sucessor de Treize. A presença poderosa que sentira a pouco havia desaparecido por completo e imaginava que temível criatura teria tamanho poder.

Enquanto duelava com seu sobrinho seu olhar percebeu que Heero retornara com dois humanos, uma mulher loira e o humano que sabia ser o amante do shuhan dos Khushrenada.

Ainda podia sentir levemente a rodear o atual shuhan dos ichizoku dos Khushrenada a poderosa presença que sentira a pouco quando percebeu a presença de Relena se extinguir.

Havia sentido a presença de Yuy aumentar pouco depois de ele matar seu caçador mais importante e desaparecer atrás de Relena que levara com a ajuda do Necro o amante do japonês.

Assim como sentia a presença de seus caçadores sumir um a um, derrotados por seus inimigos, apenas ele ainda resistia, mas sabia que era apenas uma questão de tempo, antes que os que restaram morressem ou simplesmente fugissem como muitos já haviam feito.

- Creio que nossa luta, já demorou mais do que deveria – ironizou Romefeller.

- Concordo tio. – respondeu Treize ciente de que a próxima investida seria decisiva, mas não tinha a intenção de ser ele o perdedor.

Heero aproximou-se com Duo para assistir o desfecho do duelo que acontecia entre o antigo shuhan dos Khushrenada e o líder dos Romefeller.

Os vampiros dos cinco clãs: Khushrenada, Maguanac, NightRose, Noventa e Dhanylhos que não se encontravam gravemente feridos também se ajuntaram ao redor para presenciar o fim do Duque Dermail.

Apenas o Duque ainda resistia, mas mesmo que o líder do clã Romefeller derrotasse Treize, o que Heero não acreditava que aconteceria, Dermail não sairia vivo dali.

Não foi com surpresa que durante a investida final de Romefeller, ele desse a Treize a abertura necessária para que a espada que o antigo shuhan dos Khushrenada usava, arrancasse a cabeça do vampiro transformando-o em cinzas.

Catherine suspirou aliviada, ao ver que seu amor encontrava-se seguro. Ela correu até ele, jogando-se em seus braços sendo imediatamente confortada por seu amado.

- É o fim, minha adorada, vencemos. – disse Treize voltando o olhar aquele que escolhera como o shuhan dos Khushrenada.

Heero meneou a cabeça, em acordo envolvendo Duo pela cintura, olhando para os demais ao redor que urravam comemorando a vitória. Ele sabia que ainda havia muito a ser feito e não podiam perder tempo comemorando, por isso deu a ordem necessária para que pudesse dizer que tudo estava definitivamente acabado, aqueles que se encontravam por perto e a todos os demais vampiros do clã e aos aliados onde quer que se encontre na cidade.

- Os que ainda podem lutar, vasculhem cada canto, cada gruta, cada pedra da cidade e expulsem os caçadores. – disse Heero friamente. – Matem os que resistirem.

No mesmo instante aqueles sob seu comando desapareceram para cumprir a ordem, permanecendo apenas alguns poucos vampiros.

Sally suspirou procurando com o olhar o homem que detinha seu coração, encontrando-o sentado no chão junto a Quatre e Trowa. Ela correu até o chinês, lançando-se no chão e em seus braços, procurando por algum ferimento grave. Os dois vampiros olharam surpresos para ela, sentindo-a não mais como um deles, mas sim humana.

Wufei sorriu ao ver que Sally estava bem, tomando-lhe a mão e beijando-a. Em muitos momentos durante a batalha eemera que ela estivesse ferida, mas ao vê-la jogar-se em seus braços logo que seus olhares se encontraram, o encheu de alivio. Percorreu com os olhos seu corpo, procurando por algum ferimento, mas ela parecia-lhe bem, na verdade era como se Sally houvesse acabado de acordar, uma vez que sua pele parecia-lhe cheia de frescor e vitalidade.

Seus olhos demonstraram surpresa ao finalmente perceber o calor de sua pele e do corado de seu rosto. Sem acreditar tocou-lhe a face sentindo nela a mesma quentura das mãos.

Sally sorriu diante do olhar de Wufei e do assombro nos olhos negros, sentiu seus olhos úmidos, não impedindo que lágrimas vertessem deles, diante da alegria que sentia.

- Você...- tentou dizer Wufei seu conseguir terminar, com medo de que fosse uma ilusão, o que acreditava.

- Eu sou humana novamente. - disse Sally chorando.

Wufei apertou-a em seus braços, sentindo o retumbar do coração dela, contra o seu, afundando o rosto contra o pescoço de sua amada, chorando pela felicidade de poder pensar num futuro a seu lado, vendo-a envelhecer juntamente consigo.

Quatre sorriu diante da alegria do amigo. Era a primeira vez que via-o chorar. Encostou-se em Trowa compartilhando com o amante seu contentamento, procurou por Duo, vendo-o junto a Heero, sorrindo quando seus olhares se cruzaram. Voltou o olhar ao amante que assentiu. No instante seguinte ambos desapareceram para cumprir as ordens do shuhan, caçar e matar os caçadores restantes.

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A alguns quilômetros dali:

Ahmad viu o último dos caçadores perecer e sorriu diante da comemoração que os vampiros faziam pela vitória. Ele guardou sua espada, ouvindo de seus irmãos que Romefeller e Relena haviam perecido, ao mesmo tempo em que recebia do shuhan dos Khushrenada a ordem mental, para caçar e matar qualquer caçador que houvesse sobrevivido.

Ele viu os vampiros dispersarem para cumprir a ordem de Heero, sorrindo antes de partir ele mesmo para cumprir as ordens do shuhan do clã dos Khushrenada.

Hugh viu cada um dos vampiros dispersar para cumprir o que fora ordenado por Yuy. Soltou um uivou alto e longo, para que sua amada soubesse que estava vivo e bem, antes de partir para cumprir o que fora ordenado pelo vampiro líder dos Khushrenada.

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Nas cavernas nas terras dos Khushrenada:

Os vampiros dos clãs NightRose, Noventa e Maguanac, receberam as ordens do shuhan dos Khushrenada, informando aos humanos sob sua proteção, que os clãs Romefeller e Peacecraft haviam perecido. Uma parte deles deixou as cavernas para cumprirem as ordens sobre caçar os caçadores, o restante permaneceu caso algum caçador aparecesse a fim de guardar os humanos que festejavam a vitória.

Sophie abraçou o filho, pensando em seu marido e se o mesmo estaria bem, quando pela caverna vindo pela abertura principal e viajando pelos túneis um uivo alto ecoou. Ela deixou que as lágrimas viessem, sabendo que esse era o sinal de que Hugh estava vivo e que partira assim como os demais para cumprirem as ordens de Heero. Ela beijou o filho, fechando os olhos, se permitindo finalmente descansar uma vez que sabia que logo seu amado estaria com eles.

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De volta ao castelo:

Heero viu cada um dos vampiros partirem, e voltou-se para o humano, sentindo um ligeiro estremecimento, procurando ignorá-lo, viu Treize e os líderes Noventa e Abdul aproximarem-se.

- Vencemos Yuy. – disse Noventa apertando a mão do shuhan dos Khushrenada, voltando o olhar ao humano. – Fico feliz que esteja bem, temi quando vi que Relena o havia levado.

- Eu também Marechal, mas felizmente, Heero chegou a tempo. – disse Duo olhando para o vampiro que tinha o olhar estranho. – Eu estou bem amor. – disse o humano fazendo o vampiro menear a cabeça.

Treize olhou para forma como Yuy mantinha o humano junto a si, como se temesse perdê-lo de repente e se indagou o que havia acontecido quando o mesmo fora levado por Relena.

- Acho que devemos cuidar dos feridos e verificar o estrago causado por Romefeller e Relena. – disse Treize.

- Concordo. – disse Heero, voltando o olhar para Duo. – Porque não descansa? – perguntou o vampiro vendo o humano negar.

- Não, eu quero ajudar no que for possível, eu estou bem. – afirmou Duo.

- Como queira. – disse Heero sabendo que não adiantava discutir com Duo. – Treize, você e Catherine ajudem os feridos juntamente com Noventa.

- Como desejar shuhan.

Respondeu Treize curvando-se e seguindo com Noventa e Catherine para ajudar os feridos que se encontravam ali no pátio do castelo.

- Abdul pegue alguns membros dos Khushrenada e verifiquem se há algum ferido dentro do castelo. Eu e Duo vamos olhar pelos arredores.

- Será feito Yuy. – respondeu Abdul, sendo acompanhado por outros vampiros.

Heero fechou os olhos ordenando aos vampiros que saíram à caça dos caçadores, que ajudassem também os feridos. Ele abriu os olhos voltando-se para o amante que meneou a cabeça, acompanhando-o para fora do castelo em busca de feridos que necessitassem de cuidados. Levaria algum tempo antes que pudessem simplesmente sentar e descansar.

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Semanas depois:

A cidade se encontrava tranqüila. Sob as ordens do shuhan dos Khushrenada, todos os caçadores, que haviam fugido da batalha, haviam sido caçados e mortos, livrando Epyon finalmente da sombra de Romefeller e Relena. Ainda era muito cedo para pensar no retorno de seus antigos habitantes, se é que algum dia eles realmente retornariam. Afinal muitas vidas haviam sido perdidas e infelizmente jamais poderiam retornar, assim como seria impossível reverter todas as coisas ruins que haviam acontecido desde a chegada de Relena a cidade a pouco mais de dois anos.

Mas reverter à destruição causada pelo confronto com os caçadores, Relena e Romefeller era possível. Por isso, por decisão de Heero, Epyon estava sendo reconstruída.

Levaria alguns meses antes que a cidade voltasse a ser o que era, ainda assim os Khushrenada estavam empenhados em fazê-lo, não importava o custo ou o tempo que isso levasse. Mas era evidente que uma vez que não havia mais uma ameaça à humanidade, não havia motivos para que o shuhan dos Khushrenada permanecesse na cidade. Entretanto todos mereciam um devido descanso antes de partirem, cada um para sua própria "casa".

..

O quarto se encontrava silencioso e mergulhado numa agradável penumbra, entretanto apenas o humano dormia, apesar de que Heero tinha outros planos para seu futuro companheiro.

Duo acordou com o toque de Heero em seu rosto, e sorriu mantendo os olhos fechados, fingindo que ainda dormia, aproveitando da sensação de paz e da carícia feita suavemente em seu braço.

- Eu sei que está acordado – disse Heero suavemente, sorrindo diante da voz sonolenta de seu amante.

- Está tão bom...ficar assim que não quero acordar. – respondeu Duo escondendo o rosto no travesseiro.

- Te amo.

Duo abriu os olhos imediatamente diante do tom angustiado na voz do amante, levantando a cabeça e erguendo a mão tocando o rosto do vampiro, podia ver a angústia estremecer os olhos azul cobalto e inconscientemente tocou o abdômen. Não havia nenhum indicio de que havia sido ferido ali naquele local. E se sua mente não se lembrasse da dor, jamais diria que uma espada havia dilacerado seu corpo.

- Eu estou bem amor. – disse Duo procurando acalmar o vampiro.

Heero suspirou encostando a cabeça exatamente no local, onde Relena havia ferido o humano, esfregou o rosto no abdômen plano beijando-o logo em seguida. Sabia que o amante estava bem, ainda assim a simples lembrança de que poderia tê-lo perdido o atormentava.

Ergueu a cabeça inclinando-se e capturando os lábios de Duo, enquanto suas mãos afastavam as cobertas rapidamente, dando-lhe pleno acesso ao corpo que precisava tocar.

Duo sentiu as mãos de Heero o puxarem para mais perto e ofegou diante da ânsia do vampiro em tocar seu corpo. Sabia que o amante precisava disso para ter a certeza de que estava bem, por isso não se importou com a forma desenfreada com que o japonês o tocava.

Deixou-se ser puxado para o colo de Heero, sendo preparado rapidamente. Duo ofegou ao ser penetrado de uma única vez, procurando ignorar o desconforto, fechando os olhos diante da caricia suave e da forma como fora cuidadosamente deitado na cama por seu amado.

- Abra os olhos para mim amor.- pediu Heero gentilmente.

Duo abriu os olhos encarando a íris azul cobalto do vampiro. Ofegou ligeiramente quando o amante fez amor com ele lentamente, sentindo como se derretesse nas mãos de seu amante, tamanho o zelo com que o mesmo entrava e saia de seu corpo.

Heero sentiu o desconforto de seu nakama ao penetrá-lo de forma tão rápida, fazendo-o sentir-se culpado.

Duo merecia ser amado e não possuído como se fosse um mero objeto de prazer. Por isso tomou seu futuro nakama como ele merecia independente de sua ânsia em certificar-se se o mesmo estava realmente bem.

Ouviu Duo gritar seu nome, quando o gozo o abraçou, assim como ele mesmo clamara o nome do amante, quando sua semente derramou-se dentro dele. Ambos mantiveram seus olhos fechados e suas testas encostadas, incapazes de mover-se diante da plenitude do ato que ainda lhes estremecia o corpo.

"Eu te amo Duo...meu amado pela eternidade."

"Também te amo...seu...para sempre."

Duo sorriu diante da suave pressão de Heero, antes do mesmo retirar-se de seu corpo, e o puxasse para se aconchegar em seus braços. Suspirou extasiado diante do carinho que o vampiro fazia em seus cabelos soltos, rindo quando o vampiro mordeu suavemente seu ombro desnudo.

- O que acha de tomamos um banho e descermos para comer, antes de voltarmos novamente para cama. – sussurrou o vampiro no ouvido do amante.

- Acho uma idéia maravilhosa amor.

Duo deixou os braços de Heero levantando-se, e seguindo para o banheiro na companhia do vampiro, era tão bom não ter de se preocupar quando teriam que lutar novamente e apenas aproveitar da companhia um do outro que tinha medo de descobrir que tudo não passava de um sonho bom.

- Não pense amor. – disse Heero, ao ouvir os pensamentos do humano, aproximou-se de Duo tocando-lhe a face quente e macia. – Vamos apenas desfrutar da companhia um do outro, sem nos preocuparmos com o amanhã.

- Está bem. – respondeu Duo beijando Heero e deixando que o mesmo o carregasse para a banheira.

O vampiro estava certo, não precisava preocupar-se antecipadamente com o que não tinha conhecimento, o que quer que se apresentasse a sua frente no futuro, sentia que seria capaz de enfrentar uma vez que não estaria sozinho. Por hora saber que aqueles que amava e estimava, estavam bem lhe bastava.

o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o.o

Quatro meses depois:

Quatre se encontrava preguiçosamente deitado numa das chaise da biblioteca, lendo um livro, enquanto Trowa terminava algum assunto com Treize, ele olhou na direção de Duo e Heero que se encontravam partilhando o mesmo sofá, conversando reservadamente.

Duo havia lhe contado o que aconteceu desde que seguira Relena e Heero o encontrara. Sentia-se feliz por eles, uma vez que quase haviam perdido um ao outro, pois duvidava que Duo tivesse sobrevivido se não fosse por conta das espadas e seu estranho poder.

Capaz não apenas de curar instantaneamente o amigo, acabar com a magia de Mirla, bem como tornar um vampiro, novamente humano. O que o fazia pensar em Sally.

Era simplesmente incrível pensar que ela agora era humana, que poderia estar com Chang e envelhecer ao lado do amigo, ter filhos, ter uma vida.

Seu amante havia lhe indagado quanto a sua decisão de não voltar a ser humano, apesar de que por um momento a idéia lhe pareceu agradável. Mas o simples fato de saber que não seria mais capaz de estar junto a Trowa, que não tinha nenhuma intenção de retornar a sua vida humana, o fizera descartar a idéia.

Uma semana após a batalha, Heero o havia chamado, e oferecido à chance de voltar a ser humano, uma vez que agora tinha o conhecimento necessário para utilizar Hikari e Yami, juntamente com Duo, o que significava dar a ele a mesma oportunidade que dera a Sally.

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Quatre e Trowa haviam ido para o escritório encontrarem-se com Heero que os havia chamado, fazia algum tempo que não viam o shuhan dos Khushrenada, uma vez que o mesmo estava passando mais tempo com Duo.

- Quatre você gostaria de ser humano novamente? – perguntou Heero, sorrindo diante do olhar de choque de Trowa.

O loiro sentiu as emoções conflitantes do amante, diante da pergunta de Heero. Podia sentir-lhe o choque e apreensão, por não saber que resposta ele daria ao. Uma parte sua parecia quer que dissesse sim, enquanto outra temia que ele aceitasse.

Quatre ponderou durante alguns segundos sobre a proposta de voltar a ser humano. O que isso significava para ele? Ele já era um vampiro há quase um ano, ainda assim a ideia de voltar a ser humano, envelhecer, a primeira vista parecia agradável. Não ter que se alimentar de sangue ou se preocupar em manter sua natureza sob controle, mas e quanto a Trowa?

Ele voltou o olhar ao amante sentindo-se angustiado, afinal Heero havia oferecido apenas a ele possibilidade de retornar a sua mortalidade. Ele amava Trowa, não queria separar-se dele, nem mesmo se fosse para voltar a sua vida mortal.

Trowa sorriu diante das dúvidas de Quatre, indo até o amante quando o mesmo tentou sem sucesso expor suas dúvidas.

- Eu...mas..Trowa. – tentou perguntar Quatre, sentindo o amante abraçá-lo pelas costas, respondendo a pergunta não formulada.

- Eu jamais poderia ser humano novamente Quatre. Eu devo demais a Heero para voltar a minha vida humana, mas entenderei se você desejar voltar a sua antiga vida.

Heero balançou a cabeça diante das palavras de Trowa tocando-lhe o ombro, antes de deixar claro sua opinião sobre como o amigo se sentia.

- Não me deve nada Trowa, aceitarei sua decisão, caso deseje voltar a sua humanidade ao lado de Quatre. – disse Heero, mesmo sabendo que o latino não mudaria de opinião.

Quatre encostou-se mais no amante, virando o rosto para olhar dentro da íris esverdeada que tanta amava, antes de voltar seu olhar diretamente a Heero, sem dúvidas em seu coração sobre a oferta de tornar-se humano novamente.

- Neste caso não tenho o que pensar Heero. Agradeço sua oferta, mas não haveria vida para mim, longe de Trowa. – respondeu Quatre, sentindo o amante beijar-lhe o pescoço.

Heero meneou a cabeça, em acordo. Ele já sabia qual seria a resposta de Quatre e Trowa, ainda assim se viu na obrigação de perguntá-lo, uma vez que sabia que Trowa às vezes se culpava por ter sido obrigado a abraçar o loiro para que o mesmo não morresse.

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Mesmo afirmando ao amante de que não havia o que considerar quanto a permanecer como vampiro, Trowa o indagara novamente a respeito de recusar a oferta de Heero, naquela mesma noite.

Mas deixara claro que não havia volta em sua decisão. Teria aquele que amava para sempre ao seu lado e em breve seu melhor amigo, também abraçaria a imortalidade ao lado daquele que escolhera.

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Quatre mordeu o peito de Trowa o fazendo sorrir, retirando os fios loiros que cobriam os olhos de seu amado. Ele suspirou fechando os olhos durante alguns segundos, abrindo-os diante da mordida suave do amante em seu pescoço, o fazendo girar o corpo e inverter suas posições.

- Você ainda pode aceitar a oferta de Heero. – disse Trowa, vendo os olhos de Quatre estreitarem. – Pode voltar a ser humano, envelhecer, não precisa ser como eu.

- Eu quero ser como você, estar ao seu lado para sempre. – respondeu Quatre, segurando a mão do amante e a levando aos lábios, quando o mesmo acariciou-lhe o rosto.

- Mas...- tentou Trowa sendo interrompido por Quatre que já começava a demonstrar irritação.

- Você preferiria que eu aceitasse? Que eu envelhecesse e morresse como um simples humano, deixando-o? – perguntou Quatre irritado, fazendo menção de se levantar.

Trowa sorriu diante da explosão de Quatre que tinha os olhos vermelhos e tentava levantar-se o empurrando. Acalmou-o da maneira mais eficaz que conhecia, tomando-lhe, os lábios pálidos de forma calorosa, afastando-se somente quando o mesmo parou de tentar empurrá-lo.

- Eu viveria feliz ao seu lado se desejasse envelhecer. Não lhe dei uma alternativa quando o abracei e às vezes penso que fui egoísta ao trazê-lo para a imortalidade sem perguntar-lhe se desejava partilha-la comigo. – confessou Trowa.

Quatre tocou a face do amante, deixando que um suspiro escapasse de seus lábios, eles nunca haviam conversado abertamente sobre isso, mas sabia que se fosse o contrário, se fosse Trowa quem estivesse morrendo, em seu lugar teria feito o mesmo que seu amado. O teria tornado um vampiro para que sobrevivesse.

- Eu sou feliz por você ter tido a coragem de tornar-me uma criatura da noite como você. – disse Quatre sem titubear. – Quando percebi que estava morrendo tudo que desejava era de uma chance, para continuar a seu lado, tínhamos tão pouco tempo juntos...

Quatre parou de falar balançando a cabeça como se assim pudesse espantar a lembrança da dor que sentira ao perceber que estava se separando de Trowa.

Ele olhou nos olhos do amante, buscando forças para falar o que carregava em seu peito, mesmo que o amante conhecesse seus pensamentos, ele precisava falar sobre os mesmos.

- Eu me apaixonei por você, no dia em que me salvou. E desde esse dia, não houve um único momento em que não desejei ser como você, pois em meu coração e em minha alma, a simples idéia de deixá-lo, me era mais temível que perder minha mortalidade.

Trowa ofegou apertando Quatre em seus braços, não se importou com as lágrimas vermelhas que escorriam de seus olhos. Ouvir o árabe confirmar o que já conhecia em seu coração, o libertava do tormento de imaginar que privara o loiro de sua mortalidade, condenando-o a uma vida na escuridão dos dias.

- Eu te amo meu anjo. – disse Trowa afastando-se e olhando nos olhos do árabe.

- Também te amo meu amor. – respondeu Quatre beijando o vampiro de olhos cor de esmeraldas.

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Não tinha dúvidas sobre a continuar a ser um vampiro, estava aprendendo ainda a caminhar em sua nova existência, ainda tinha seus medos e receios sobre conseguir ou não controlar a si mesmo, mas tinha certeza de que conseguiria, porque tinha Trowa como companheiro e sabia que o amante jamais o deixaria sucumbir a sua natureza selvagem.

Duo não conseguiu ficar quieto, não quando o vampiro ficava brincado com a ponta de sua trança, enfiando-a no seu ouvido. Ele estapeou a mão de Heero que riu, apertando-o fortemente em seus braços, havia um assunto que precisava discutir com o humano, mas que havia protelado até que a reconstrução de Epyon estivesse em plena execução.

- Duo não há mais nada a fazer em Epyon. – começou Heero atento a reação do humano diante de suas palavras.

Assim que ouviu tais palavras Duo sabia ao que Heero se referia. O vampiro havia vindo à cidade a procura de Yami, a fim de impedir a profecia sobre a noite eterna, deter Relena e a ascensão do clã Peacecraft.

E havia feito isso, encontrara Yami, impedira a profecia e conseqüentemente matara Relena e extinguira o clã Peacecraft. As obras em Epyon já estavam encaminhadas e segundo Treize bem adiantadas, portanto não havia mais motivos para o shuhan do clã Khushrenada ficar na cidade.

- O que você fará agora? – perguntou Duo incerto quanto o que aconteceria caso Heero partisse.

Heero sorriu beijando o pescoço do humano, ao sentir a insegurança do mesmo quanto ao que aconteceria. Como se ele pudesse deixá-lo para trás.

- Eu quero que venha comigo para o Japão. – disse Heero, se perdendo no cheiro agradável do humano, afastando-se antes que viesse a deitá-lo no chão e amá-lo, bem ali na biblioteca com Quatre a poucos metros.

- Japão?! – perguntou Duo surpreso.

- Sim a morada do clã e no país de origem de cada shuhan. Há alguns séculos atrás ela estava sediada na Inglaterra, a terra natal de Treize.

- Entendo, você nasceu no Japão, e como é o atual shuhan dos Khushrenada, nada mais lógico. – concluiu Duo.

- Exato, mas não é por isso que quero que venha comigo. – disse Heero. - Eu o escolhi como meu companheiro pela eternidade, aquele a quem entreguei minha alma, aquele que amo.

Duo sorriu tocando a face do vampiro com carinho, diante da intensidade com que o mesmo dizia que o amava e o havia escolhido como companheiro.

- Quero que nos casemos na terra onde nasci e perante o clã, como o meu escolhido. – informou o vampiro.

Heero viu o humano assentir e aconchegar-se em seus braços de forma a repousar a cabeça em seu ombro, incapaz de falar. Podia sentir sua emoção e sabia que seria impossível o mesmo falar algo, vendo que estava enganado ao ouvir-lo falar junto a seu ouvido.

- Não há lugar, que eu queria estar, que não seja contigo. Eu irei aonde você for...sempre.

Heero tocou a face do humano com carinho, puxando-o de encontro a seus lábios, sabia que Duo responderia isso, afinal o havia escolhido como seu esposo.

- Partiremos em um mês. Despeça-se daqueles que você desejar. – disse Heero.

Duo assentiu voltando a repousar a cabeça no ombro do vampiro, pensando nas pessoas que precisaria se despedir. Quatre certamente iria com Trowa que automaticamente seguiria Heero para o Japão, então não havia necessidade de despedir-se do amigo.

Pensou em Wufei, Sally e Zechs não sabia o que os mesmos fariam agora que a batalha havia acabado, talvez lhes perguntasse mais tarde, quando fosse contar-lhes sobre sua decisão de acompanhar japonês.

Aproveitaria também para perguntar se não desejavam ir com eles para o Japão, mesmo que fosse apenas para assistirem á seu casamento com o vampiro.

Não conseguia lembrar-se de mais ninguém o qual se importasse de informar, a família de Quatre havia partido pouco antes da batalha contra a profecia se iniciar, juntamente com o avô de Wufei. Ou seja, não havia ninguém mais.

No mesmo instante seu coração lhe disse que havia mais duas pessoas, talvez as mais importantes dentre os outros, entretanto desses perguntaria se o japonês o acompanharia para despedir-se delas. Mesmo que as houvesse visitado há alguns dias atrás, precisava dizer-lhes que talvez nunca mais as visitasse tão cedo.

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Em um dos quartos do castelo:

Sally sorriu diante da caricia de Wufei em seu braço, ainda podia senti-lo em seu corpo e suspirou diante da plenitude que sentia. Olhou para as próprias mãos, ainda não conseguindo acreditar que era humana novamente.

- Em que está pensando? – perguntou Wufei, diante da forma com que sua amada olhava para as mãos.

- Que é um milagre eu estar viva novamente.

Wufei meneou a cabeça em acordo. Era verdade, que fosse agraciado com a oportunidade de poder envelhecer com a mulher que amava e talvez mais tarde vir a ter filhos com ela.

Apertou Sally em seus braços, sentindo a quentura de seu corpo e a vida correndo por cada célula. Antes da batalha final se iniciar não tinha muitos planos para o futuro, além de sobreviver.

Mas agora podia vislumbrar um futuro o qual não via o momento de iniciá-lo ao lado da mulher que o fizera amar novamente. Ele cheirou os cabelos loiros, apreciando o aroma suave dos cabelos macios, enquanto tomava coragem para fazer o pedido que ansiava fazer desde que Sally se tornara humana novamente.

- Sally. – chamou Wufei.

- Sim Fei. – respondeu Sally, virando-se para o chinês quando o mesmo se afastou o suficiente para encará-la nos olhos.

- O que você acha de vir comigo para a China, encontrarmos meu avô...e nos casarmos no templo de minha família em Tianjin [10]

- Fei...- disse Sally emocionada, recebendo um sorriso do chinês que se inclinou, esfregando o nariz contra a bochecha dela.

- Quero que seja minha mulher Sally, não somente minha amante.

- Eu adoraria ser sua esposa Chang Wufei.

Wufei beijou Sally com ardor, afastando-se dela quando ambos necessitaram de ar. Seus olhares se encontraram febris e repletos de amor.

- Eu te amo, futura senhora Chang Wufei.

Sally riu sentindo as lágrimas caírem por seu rosto, ela ergueu suas mãos tocando os fios negros que caiam por sobre o rosto de seu amado.

- Também te amo, meu futuro marido.

Wufei acariciou o rosto de Sally, secando as lágrimas que ainda vertiam de seus olhos, fazendo-a sorrir e segurar sua mão a beijando. Ela o puxou contra si abraçando-o fortemente diante das emoções fortes que a enchiam. Era tão bom amar e ser amada por alguém como Chang que tinha medo de não ser capaz de corresponder ao amor dele, já havia passado por tanta coisa que agora sentia se insegura.

Tinha medo de errar como mulher, como esposa. E se algum dia ele descobrisse que havia tomado à decisão errada ao pedi-la em casamento? E se um dia o passado dela fosse um empecilho para a felicidade deles?

Wufei podia sentir Sally tremendo e afastou-se lhe tocando a face angustiada, não sabia que pensamentos passavam por sua mente ou o que a aterrorizava, mas sabia que o que quer que fosse ele estaria ali para apoiá-la e tornar-la a mulher mais feliz do mundo. Não importasse as dificuldades, nada o impediria de protegê-la e de fazê-la feliz.

- Não se preocupe com o futuro meu amor, viva um dia de cada vez.

- Se você...- tentou dizer Sally sendo interrompida.

- Não importa suas escolhas no passado. O que fez ou foi obrigada a fazer, jamais me arrependerei de toma-la como esposa. - respondeu Wufei como se soubesse o que a afligia.

Sally sorriu se permitindo não planejar um futuro, como Wufei dissera, ele não se importava com o que ela fizera quando era vampira, então ela deveria fazer o mesmo e acreditar nas palavras daquele que a amava, quanto a não se arrepender por tê-la como esposa.

- Obrigada amor.

- Foi uma honra. - disse Wufei a beijando suavemente, antes de fechar os olhos para descansar um pouco.

Não havia mentido quanto ao que dissera, além do que sua honra não permitira que ele não cumprisse suas palavras de que jamais se arrependeria de sua decisão. Sally não era Meirian, na verdade se ele não houvesse ignorado seu censo de honra há muito tempo ele teria visto que Meirian jamais poderia ser digna de ser a esposa de alguém, a chinesa não possuía honra.

Diferentemente de Sally que mesmo sendo uma criatura demoníaca, mantivera sua integridade, evitando sempre ferir outras pessoas sem necessidade, se alimentando de animais ao invés de humanos, como Heero mesmo havia lhe dito.

Sabia que a loira não era perfeita, assim como ele também não era, mas ambos possuíam algo em comum, senso de honra. Embora Sally fosse mais comedida que ele. Tinha certeza de que ela o ajudaria a aprender a não ser tão rígido, ainda tinham muito á aprender um com o outro e o fariam.

Como seu avô lhe dissera uma vez, devemos sempre estar prontos a aprender com nossos erros, com nossos inimigos e com aqueles que amamos. Por isso não podia esperar para voltar à China e casar-se com Sally no templo de Nakatu, perante seus ancestrais.

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Quinze dias depois - Algumas horas depois do anoitecer:

Heero abriu os olhos, apreciando o silêncio da noite. Olhou para o corpo quente em seus braços afastando a franja para poder beijar os olhos fechados de seu amado.

O vampiro sorriu diante da expressão de felicidade de Duo que ainda dormia, continuou a beijá-lo suavemente até que o humano suspirou fortemente, piscando os olhos pouco antes de antes de abri-los.

- Bom Dia. – disse Duo.

- Bom Dia amor. Acordei você? – perguntou Heero inocentemente.

Duo espreguiçou-se nos braços do japonês, antes de esticar o braço e trazer pelo pescoço o vampiro para mais perto de seus lábios.

- Maravilhosamente. – respondeu Duo beijando o amante.

Afastaram-se lentamente desfrutando do silêncio e da companhia um do outro. Era inicio de noite, o outono mal começara, mas a temperatura já era bem típica da estação.

Heero beijou a testa de Duo, soltando-o para que o mesmo pudesse se afastar e ele pudesse levantar para começar um novo dia, precisava encontrar-se com Treize e Trowa para que começassem a providenciar a partida deles para o Japão, bem como realizar um jantar para comunicar os outros clãs hospedados em sua "casa" sobre sua partida e convidá-los para seu casamento com Duo.

Heero levantou-se caminhando para o armário e separando a roupa que usaria, após sua higiene matinal. Voltou até a cama, sentando-se enquanto dizia a Duo, que talvez não pudessem estar juntos durante o dia.

- Tenho algumas coisas para resolver, sobre nossa partida daqui a quinze dias. – disse Heero. – Talvez não possamos passar muito tempo juntos hoje. – desculpou-se o vampiro.

- Tudo bem...Vou encontrar algo para fazer.

Afirmou Duo, pensando se pedia ou não o vampiro para acompanhá-lo num determinado lugar, afinal não podia e nem queria atrapalhar o amante nos assuntos relacionados ao clã dos Khushrenada. Havia assuntos pendentes a serem resolvidos, antes que Heero pudesse deixar a cidade. Ainda assim queria que o japonês pudesse fazer-lhe companhia assunto que precisava resolver.

- Heero...será que você poderia me acompanhar até a cidade. Eu preciso falar com Tio Maxwell e irmã Hellen, sobre minha partida e os motivos dela.

Heero sorriu diante dos nomes das duas pessoas que eram a família de Duo, e meneou a cabeça em acordo, sabia que o americano iria queria compartilhar com seus entes queridos sua decisão de aceitá-lo como companheiro eterno e sua ida para o Japão.

- Claro. Vou resolver os assuntos mais urgentes e vamos juntos falar com sua família.

- Obrigado Ro.

- O prazer é meu. – respondeu Heero beijando os lábios do humano, antes de seguir para a suíte.

Duo afundou nos travesseiros, enquanto via o vampiro levantar-se e caminhar até a suíte, suspirou aliviado pelo fato de Heero querer acompanhá-lo ao ponto de deixar os assuntos do clã pendentes, imaginava que o shuhan dos Khushrenada precisava lidar pessoalmente com assuntos referentes ao clã, mesmo que ás vezes Treize cuidasse de alguns deles em nome de Heero.

Sabia que seu amado faria o possível para acompanhá-lo, precisava apenas gastar o tempo, antes que pudessem se encontrar e visitar o túmulo de sua família.

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Três horas depois:

Duo encontrava lendo na biblioteca em companhia de Catherine, estava esperando que Heero viesse buscá-lo para irem à cidade.

O japonês dissera que tentaria resolver os assuntos mais importantes em no máximo três horas, antes que pudesse se ausentar e acompanhá-lo ao cemitério. Pouco depois de acordar, perguntara ao vampiro se o mesmo poderia acompanhá-lo até o túmulo de seu tio e da irmã Hellen. Afinal precisava despedir-se deles, antes de deixar Epyon em direção ao Japão.

A porta da biblioteca abriu-se dando passagem ao japonês que localizou o amante rapidamente.

- Podemos ir. – disse o japonês. – Treize e Catherine ficaram cuidando das preparações do jantar, enquanto vamos encontrar seu tio.

Duo levantou-se segurando a mão do japonês, seguindo em direção à entrada do castelo onde o carro que os levaria a cidade já os aguardava.

O percurso até a cidade foi feito em um silêncio agradável. Tinha algum tempo que Duo não ia à cidade, por isso ficou surpreso ao ver o quão avançada se encontrava as obras desde a última vez que as vira há dez dias atrás.

- As obras estão bem adiantadas. – disse Heero, acredito que levará menos de dois anos, para que ela volte a ser como antes.

- Isso é bom, as pessoas poderão voltar para suas casas. Como ficou o cemitério e a igreja? – perguntou Duo.

Nem o cemitério havia escapado da destruição dos caçadores, lembrava-se bem da tristeza ao ver que a igreja e o cemitério haviam sido depredados, chorara nos braços de Heero que havia lhe prometido reconstruir os mesmo, da mesma maneira como eram, sem mudar um túmulo, ou um tijolo do lugar.

- Como eu prometi. – respondeu Heero apertando a mão do humano entre a sua.

O vampiro se lembrava da tristeza com que o americano vira a depredação que os caçadores fizeram a igreja e ao cemitério que ficava atrás dela.

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Duo caminhava pela rua da cidade abandonada, ele viera em companhia de Heero, Quatre e Trowa para verificar como andava o inicio das obras.

Fazia três semanas que a batalha com os caçadores havia terminado, e as obras para a reconstrução da cidade havia começado há dois dias. Era a primeira vez que ia a cidade após o termino da batalha, sabia que deveria esperar apenas prédios destruídos e desordem, mas seu coração não se encontrava preparado para ver o lugar que passara boa parte de sua vida e o qual chamava de lar destruída.

Heero sentiu o coração do americano afundar em desespero e virou-se procurando-o com os olhos, vendo-o correr para a parte norte da cidade. Rapidamente desculpou-se com Trowa e Quatre seguindo o amante, encontrando-o ajoelhado e chorando diante dos escombros da Igreja St Lucas.

Ele aproximou-se dele tomando-o nos braços confortando-o da dor. O vampiro percorreu com os olhos toda a extensão da destruição, e sabia que o cemitério atrás da igreja não se encontrava em melhor estado.

- Ela voltara a ser como antes... Eu prometo a você. Cada túmulo, e cada tijolo, voltaram ao seu lugar. – prometeu Heero.

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Heero não havia permitido que Duo retornasse a cidade até que a reconstrução da igreja e do cemitério estivesse concluída, pois sabia que isso apenas faria o humano sofrer. E apesar da reconstrução ter terminado a mais de dois meses, seria a primeira vez que Duo veria a Igreja St Lucas.

- Chegaremos logo. – disse Heero.

O carro parou a poucos metros de onde se encontrava os túmulos do Padre Maxwell e da Irmã Hellen.

Duo sorriu ao ver que o cemitério estava do jeito que se lembrava e voltou-se para o vampiro que lhe tomou a mão estendida.

- Obrigado. – agradeceu Duo, ao ver que Heero cumpriu sua promessa.

O japonês meneou a cabeça, seguindo pela trilha que os levaria até os túmulos que guardavam os restos mortais da família do americano.

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Algumas horas mais tarde:

Quando Duo e Heero retornaram da cidade tudo já estava pronto para o jantar, tiveram tempo apenas de tomar um banho rápido, antes de unirem-se a todos os amigos e os líderes de cada clã.

O shuhan dos Khushrenada se encontrava sentado ao centro da mesa, com seu futuro nakama ao seu lado. Heero havia achado agradável a idéia do amante em reunir todos a fim de convidá-los para acompanhá-los até o Japão. Mesmo que sua vontade fosse a de deixar Amadeos fora da lista de convidados, entretanto a idéia foi descartada por Duo, dizendo que não deveria deixar que coisas sem importância o impedissem de ser cortês.

Felizmente o líder do clã Dhanylhos se encontrava sentado bem longe dele e de Duo. O líder do clã Khushrenada olhou para o humano que meneou a cabeça. Heero levantou-se da mesa, seguido por Duo que pediu silêncio a todos, fazendo-os prestar atenção ao que diziam.

- Peço silêncio a todos, pois Heero quer dar uma palavrinha com vocês. – pediu Duo fazendo o japonês erguer a sobrancelha, uma vez que haviam combinado de que seria o americano quem faria o comunicado.

Duo sabia que haviam combinado de que ele é quem faria o convite, mas na hora achou que seria melhor Heero faze-lo uma vez que o vampiro era o shuhan dos Khushrenada e como tal deveria fazer o convite aos demais shuhan presentes.

- Agradeço a presença de todos. – começou Heero, olhando para cada um dos presentes antes de continuar. – As obras em Epyon, devem terminar em alguns meses, mas não há necessidade que permaneçamos mais na cidade. – disse o vampiro cutucando Duo para que terminasse.

- O que Heero quer dizer...- parou Duo diante do resmungo do vampiro o fazendo corrigir suas palavras. – Desculpe o que nós queremos dizer e que em aproximadamente quinze dias estaremos partindo para o Japão.

Duo viu seus amigos menearem a cabeça em assentimento, seu coração bateu mais rápido diante do que acabara de dizer, sentindo Heero tomar-lhe a mão, finalmente revelando os motivos do jantar aquela noite.

- Nós nos sentiríamos honrados, se todos vocês nos acompanhassem, uma vez que meu casamento com Duo devera ser realizado em minha terra Natal. – disse Heero olhando nos olhos do amante, antes de completar. – A cerimônia não deverá ocorrer antes de dois meses, ainda assim ficaríamos felizes em tê-los como convidados em nossa casa.

Todos sorriram diante do convite, sendo Noventa o primeiro a levantar-se e falar a cerca do convite do shuhan e de seu escolhido.

- Seria uma honra ao clã Noventa presenciar a união de vocês.

Disse Noventa levantando-se e curvando-se aos dois antes de voltar a se sentar. Heero e Duo menearam a cabeça diante das palavras de Noventa confirmando a presença de seu clã ao casamento. A Marquesa Kathiene seguindo o exemplo de Noventa também se levantou confirmando sua presença, cada um dos lideres de cada clã levantou-se, curvando-se e repetindo as palavras do shuhan do clã Noventa, em que se sentiriam honrados em comparecerem a cerimônia de casamento deles.

Wufei olhou para Sally que sorriu, meneando a cabeça. Ele levantou-se se curvando em sinal de respeito ao vampiro que seu amigo escolhera como companheiro.

- Nada daria mais honra a mim e minha futura esposa do que estar presente a união de vocês. – disse o chinês sentando-se.

Duo olhou surpreso para Wufei diante do que ouvira, ele olhou para Heero que sorriu para Sally diante da felicidade que via em seus olhos. Quatre abraçou Sally que se encontrava a seu lado felicitando-a pelo casamento, ele tomou a mão do amigo apertando-a feliz por ele finalmente ter encontrado a felicidade.

Todos congratularam os dois pela noticia. Duo seguiu até o amigo abraçando-o, tinha o chinês como um segundo irmão e nada lhe dava mais alegria do que saber que o mesmo havia encontrado a felicidade nos braços de outra mulher. Ele retornou ao seu lugar ao lado de Heero após abraçar Sally, vendo Zechs se levantar e fazer o mesmo que todos confirmando sua presença.

Duo sorriu ao ver que todos haviam confirmado a presença, deixando que Heero o abraçasse. O vampiro meneou a cabeça a Kimitsu que gesticulou para os demais empregados que enchessem as taças sobre a mesa, a dos vampiros foi cheia com sangue fresco e a dos humanos com vinho tinto.

- Façamos um brinde. – disse Heero erguendo sua taça, seguido por Duo. – Aos velhos amigos e aos novos, que nossos laços perdurem pela eternidade ou até o findar de nossa existência.

Todos ergueram suas taças brindando as palavras de Heero. Sim que eles pudessem continuar a estreitar os laços tanto com os humanos quanto com os vampiros, mesmo com suas diferenças, que tais laços perdurassem, enquanto vivessem mortalmente ou na eternidade dos dias.

Duo tocou sua taça com Heero, vendo o brilho avermelhado nos olhos do amante que lhe beijou suavemente os lábios. Ele afastou-se olhando para cada um de seus amigos que tinha como uma família e para cada um dos vampiros que aprendera a estimar e que sabia fariam parte de sua nova vida, tão logo abraçasse a imortalidade pelas mãos de seu futuro marido.

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Dois dias depois:

Zechs desligou o celular sorrindo, havia acabado de falar com Noin, contando-lhe sobre as últimas noticias, de que a cidade estava sendo reconstruída e mal podia esperar para vê-la novamente. A primeira providência de Heero havia sido restaurar o sistema telefônico, fazendo com que fosse possível se comunicar com as pessoas fora da cidade.

Apesar do desejo em estar com Noin, teve de contar que não se encontrariam ainda. Informando-a de que ele na verdade estaria indo para o Japão em alguns dias, para o casamento de Duo e Heero, embora soubesse que o casamento devesse demorar ainda mais de um mês, pois segundo o amigo americano eram necessárias algumas providências junto ao clã Khushrenada, antes que fosse aceito como companheiro de Heero.

Ainda era difícil de acreditar que seu amigo estaria se casando com um vampiro e que muito em breve seria um deles, embora não acreditasse que Duo poderia viver longe de Heero ou que o vampiro o deixaria partir facilmente, uma vez que era perceptível a qualquer um que os mesmos estavam completamente apaixonados.

Se fosse ele não sabia se seria capaz de abdicar de sua vida humana, para se tornar uma criatura das trevas, alimentando-se de sangue e vivendo para sempre, mas respeitava a decisão de Duo, e sua coragem em abraçar a imortalidade. Esperava sinceramente que o amigo fosse feliz ao lado de Heero.

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Dez dias depois:

Heero se encontrava na biblioteca conversando com Quatre, Trowa e Duo sobre a viagem para o Japão, quando Treize apareceu aproximando-se e perguntando se poderia ter uma palavra com o shuhan.

- Heero nós podemos conversar em particular? – perguntou Treize polidamente.

Duo olhou para Heero estranhando o pedido de Treize, quando um sorriso e um beijo do amante, bem como a promessa de se encontrarem em breve o fazendo esquecer qualquer pensamento que estivesse navegando em sua mente no momento.

- Já volto. – Se me dão licença – disse Heero levantando. - Vamos para outra sala. – disse o japonês a Treize.

Ambos pediram licença aos demais, seguindo para outra sala. Duo assentiu, vendo Heero deixar a sala, voltando à atenção a Quatre e Trowa sobre os preparativos para a viagem ao Japão.

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Heero sentou-se em uma das poltronas, seguido pelo antigo shuhan do clã dos Khushrenada que acomodou-se na poltrona de frente ao japonês.

- Os preparativos de seu retorno ao Japão já foram providenciados. Devemos partir no tempo previsto. – informou Treize.

- Isto é bom, quanto antes chegarmos ao Japão melhor. E quanto aos outros clãs? – perguntou Heero, uma vez que todos confirmaram a presença no seu casamento com Duo, mas não haviam dado nenhuma posição quanto a seguirem com eles para o Japão.

- O clã Maguanac informou que partiram no mesmo dia que seguirmos para o Japão, mas que não seguiram conosco, e sim para "casa", mas que compareceram ao seu casamento com Duo.

- Quanto a Noventa e os outros? – perguntou Heero.

- Noventa informou que ele, a marquesa e Amadeos nos encontraram no Japão. Na verdade Noventa estará partindo está noite para a Itália, onde fica o clã Dhanylhos. – disse Treize.

Heero meneou a cabeça diante das informações dadas. O seu casamento com Duo não deveria ocorrer antes de dois meses, então não havia problemas dos outros seguirem para suas "casas", antes de irem ao Japão. Além do mais antes que pudesse tomar Duo por companheiro, o humano deveria ser apresentado ao clã e passar pelo juramento, o que o fez se lembrar de pedir um favor a Treize.

- Treize, eu quero que você cuide para que Duo esteja preparado em seu juramento. Na verdade gostaria que o instruísse para que ele faça o juramento na língua dos antigos.

Treize olhou para Heero sem entender o porquê de tal pedido, nenhum humano já realizou o juramento na língua dos vampiros, e achava quase que impossível que Duo pudesse em tão pouco tempo aprender a fazer o juramento na língua deles. Afinal era uma língua que já não era falada há séculos entre os de sua espécie.

Apenas muitos poucos a usavam, uma vez que a mesma era apenas utilizada entre os antigos, o que envolvia os Anciões, embora também fosse raro ouvi-los falar.

Era verdade que movido por uma estranha curiosidade havia iniciado o humano na língua antiga dos vampiros, e que Duo mostrara habilidade em aprendê-la, entretanto não havia aprofundado seus ensinamentos, uma vez que para dominar a fala e a escrita seria necessário tempo e esforço.

Ou seja, dois meses era muito pouco tempo, para que Duo pudesse fazer seu juramento conforme o desejo de Heero, aliado ao fato de que a linguagem antiga, era desconhecida para muitos, bem diferente da usada para fazer o juramento.

Heero podia ver pela expressão no rosto de Treize que o mesmo achava seu pedido absurdo, e que não acreditava que Duo poderia fazer o que pedia. Ele deu um meio sorriso diante disso. Se fosse qualquer outro certamente compartilharia da mesma opinião de Khushrenada. Entretanto sabia que Duo conseguiria, o humano parecia ter certa familiaridade com a língua dos antigos, embora não a compreendesse plenamente, e sua aptidão se desse mais à escrita que a pronuncia em si. Mas sabia que isso não seria um empecilho ao seu nakama.

- Ele conseguira Treize, acredite em mim, não pediria isso se duvidasse que meu escolhido não fosse capaz de fazer o que pedi.

- Entendo. – disse Treize curvando a fronte num pedido mudo de desculpas por duvidar que Duo fosse capaz de fazê-lo. - Será uma honra instruí-lo quando chegarmos. – proferiu Treize – Quanto sua decisão em escolher Duo como seu companheiro, tem certeza disso? – perguntou Treize cautelosamente.

Heero estreitou o olhar diante da pergunta de Khushrenada. A seu ver não havia cabimento para tal indagação, entretanto sua parte lógica dizia que sua escolha não seria bem vista entre os Anciões, ainda mais por causa de Deberoux. Ele fechou os olhos procurando ignorar a irritação e se ater apenas ao fato de que amava Duo e não abriria mão de torná-lo seu nakama.

Treize notou a irritação crescer em Heero e procurou acalmá-lo, embora precisasse lembrá-lo, de certos assuntos, entre eles as circunstâncias que o fizeram deixar o Japão, atrás de Yami.

- Não quero aborrecê-lo Yuy, mas você sabe o que o aguarda quando apresentá-lo como seu escolhido, uma vez que partiu do Japão sem ter dado uma resposta aos Anciões quanto à escolha deles.

- Eu sei Treize, mas eu amo Duo e o escolhi como meu companheiro, não há outro com quem desejo estar a não ser ele. Não abrirei mão disso, não importa o que eles decidam.

Treize sorriu diante da determinação de Heero, de fato não conseguia ver um nakama mais adequado para o shuhan dos Khushrenada que o humano Duo Maxwell. Sabia que os Anciões entenderiam isso assim que vissem o humano. Por isso usaria de sua influência como antigo shuhan dos Khushrenada para apoiar a decisão de Heero, junto aos outros.

- Tem meu apoio quanto a sua decisão. – disse Treize curvando sua fronte. - E farei o que for necessário para que os Anciões a acatem.

- Obrigado Treize.

- Não há de que, meu amigo. – disse Treize levantando-se e deixando Heero sozinho.

Heero fechou os olhos por alguns instantes, ponderando sobre contar ou não a Duo sobre o dia em que deixara sua "casa" com o comunicado de que os Anciões haviam escolhido, um nobre como seu futuro nakama.

Optou por deixar tal conversa para quando chegassem ao Japão, não queria correr o risco de fazer Duo mudar de ideia quanto a segui-lo, até lá pensaria numa forma de dar a noticia de maneira a não deixar o humano triste ou em dúvidas quanto a seus sentimentos por ele. Como dissera a Treize amava o americano e o escolhera como meu companheiro. Não havia nenhum outro com quem desejasse estar a não ser com Duo, sendo humano ou vampiro.

"Não abrirei mão de torna-lo meu nakama, não importa o que decidam. Farei qualquer coisa , masDuo irá se tornar meu companheiro eterno."

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Depois de alguns minutos perdidos em pensamento Heero levantou-se deixando a sala e retornando a biblioteca onde Duo ainda se encontrava conversando com Quatre e Trowa. Sentou-se ao lado do humano, ouvindo-os conversar tranquilamente o fazendo sorrir intimamente diante das circunstâncias que o levaram a encontrar Duo e trazê-lo para sua vida.

Sentia-se afortunado pela existência de Duo e por ter decidido deixar sua morada junto ao clã para vir a Epyon em busca de Yami. Quando o desejo dos Anciões era que ficassem no Japão e aceitassem o vampiro escolhido por eles, como seu nakama. Nada o faria mudar de decisão, quanto a tomar o humano como seu companheiro eterno, ele moveria céus e terra caso fosse preciso, abandonaria até mesmo a liderança dos Khushrenada, mas não se afastaria do humano, nem por todas as leis do clã.

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Por volta das 22:00hs.:

Os clãs Noventa, NightRose e Dhanylhos estavam partindo para a Itália, naquela mesma noite, uma vez que não havia mais assuntos que os prendesse a Epyon. Eles haviam descansado e desfrutado da hospitalidade dos Khushrenada por tempo demais, decidindo que já era à hora de partirem.

Heero havia designado alguns vampiros do clã para acompanhá-los até o aeroporto na cidade vizinha, mesmo não sendo necessário, uma vez que não havia mais nenhum perigo, mas sim num sinal de cortesia.

Duo se aproximou da marquesa beijando-lhe a mão despedindo-se dela e prometendo uma visita. Noventa aproximou-se dele, apertando-lhe a mão com firmeza, confirmando sua presença no Japão para o casamento do shuhan dos Khushrenada.

- Foi um prazer tê-lo conhecido meu jovem, nos veremos em breve em seu casamento com Yuy.

- O prazer foi meu Marechal, seria uma honra para Heero e para mim, contar com á sua presença.

- Não perderia o casamento de vocês por nada.

Noventa abraçou Duo que sorriu retribuindo o cumprimento, diante do olhar orgulhoso de seu companheiro. Heero aproximou-se quando seu nakama e o Marechal se afastaram estendendo a mão a Noventa para despedir-se.

- Obrigado por sua ajuda Noventa, jamais esquecerei o que fez por mim. Quando precisar dos Khushrenada pode contar comigo. Meu clã está a sua disposição.

- Obrigado Yuy, espero que você e Duo venham me visitar algum dia em minha "casa".

- Seria uma honra. – disse Heero curvando-se e enlaçando Duo pela cintura.

- Nos veremos em poucas semanas. – disse Noventa, entrando no carro que os levaria.

Amadeos meneou a cabeça a Heero e Duo não se atrevendo a olhar para o humano, não queria irritar Yuy, que deu um meio sorriso diante do medo que sentiu vir do líder do clã Dhanylhos.

Duo balançou a cabeça diante do sorriso do amante, acenando para Noventa, acompanhando com o olhar os carros deixarem o pátio de entrada. Ele virou-se para Heero que o puxou em direção ao castelo, em poucos dias eles também estariam partindo rumo a uma nova vida juntos.

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Três dias depois – Castelo Khushrenada – 21:00hs.:

Duo suspirou olhando para o castelo pela última vez, boa parte de seus pertences já havia sido encaminhado para o Japão, junto com as coisas de Heero. Não que possuísse muitos bens, apenas um violão, uma guitarra, algumas roupas, alguns livros e outros itens pessoais que adquiria ao longo dos anos, uma adaga que fora presente de Auda e a espada Yami um presente de Quatre.

Se não fosse pela insistência do amante não levaria nada consigo, apenas seus livros, a espada Yami, o violão que fora um presente da Irmã Helen, a guitarra que era um presente de Heero. Ele entrou no carro sentando-se ao lado de Heero que lhe segurou a mão.

Heero podia ouvir o coração do humano batendo apressado diante da expectativa da viagem, era um grande passo, afinal Duo estava deixando tudo que conhecia para trás, apenas para segui-lo para outro país onde seria apresentá-lo ao clã e para casar-se com ele. A lembrança de que em breve o abraçaria tornando-o um ser da noite como ele, fazia seu sangue vampiro acelerar.

Sorriu beijando a mão de Duo e puxando-o para mais perto de si. Era reconfortante saber que não estava retornando para "casa", sozinho, mas sim com um companheiro escolhido por ele.

O pensamento de que tinha que ter uma conversa com Duo sobre alguns fatos que o humano desconhecia o quanto antes, martelava em sua mente, mas não queria preocupá-lo com detalhes, ainda mais diante do fato que o humano estava um tanto ansioso com a viagem. Tendo passado boa parte da noite em claro. Por isso quando chegassem ao Japão o deixaria descansar alguns dias, teria tempo para conversarem, e esperava apenas que o amante não ficasse muito aborrecido com o que tinha a lhe falar.

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Três horas depois – Aeroporto de Pecantus – A 15,53 milhas de Epyon:

Eles chegaram ao aeroporto no horário previsto, seguindo diretamente para a área privativa de embarque, onde o jato modelo Gulfstream G550[11] jáos aguardava com autorização da torre para decolarem rumo ao Japão.

Duo ficou impressionado com o jato, não acostumado a tanto luxo, apesar de Heero já o ter informado que agora que era seu companheiro, ele deveria acostumar-se com isso, uma vez que pelos protocolos do clã, o shuhan devia viver com o que há de melhor.

Quatre, Trowa, Sally, Wufei, Treize, Catherine, Zechs, Hugh e sua família, bem como alguns vampiros os acompanhariam no jato, o restante deles, os seguiria em outro avião pertencente ao clã.

Todos embarcaram no jato acomodando-se conforme a orientação das comissárias de bordo. Quatre procurou manter-se longe de Hugh e sua família, atendendo ao pedido de Duo e as ordens de Heero que ameaçara arrancar-lhe a pele, caso causasse qualquer tipo de problemas durante o vôo.

Duo acomodou-se ao lado do vampiro, sentando-se na poltrona junto à janela, sorrindo diante da expectativa de viajar ao Japão mais uma vez. Embora o motivo agora fosse outro completamente diferente. A primeira vez que fora a terra do sol nascente, foi a passeio em companhia de Quatre e Wufei, mas agora retornava com os amigos para casar-se e para conhecer um pouco mais sobre os Khushrenada.

Sentiu seu amante vampiro morder-lhe o lóbulo da orelha chamando-lhe a atenção e beijou-o suavemente nos lábios, recostando-se no assento, suspirando. Esse era o primeiro passo rumo á sua nova vida e a uma eternidade ao lado do vampiro, como um imortal.

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Muitas horas depois:

Heero olhou para Duo que dormia tranquilamente, com a cabeça em seu peito, ele afastou a franja, para observar melhor o rosto daquele que amava. Faltava apenas meia hora para aterrissarem, sorriu olhando pela janela, fazia muito tempo que não voltava a sua terra natal e agora retornava acompanhado de seu amante e futuro companheiro pela eternidade.

Decidiu acordar seu amado, antes que aterrissassem em terras japonesas. Inclinou-se sobre o humano, beijando-o suavemente, até que o mesmo retribuiu o beijo, abrindo os olhos sonolentos logo em seguida.

- Já chegamos? – perguntou Duo com a voz embargada de sono.

- Falta pouco tempo para aterrissarmos, achei que gostaria de ser acordado antes. – disse Heero acariciando o rosto do humano.

- Obrigado amor, eu acho que foi lavar o rosto, pra espantar o sono. – disse Duo se levantando.

- Vou pediu um café quente para você.

Duo sorriu beijando Heero antes de se dirigir ao banheiro, saindo em poucos minutos. Ele voltou para o lado do vampiro que o aguardava com uma pequena refeição, que consistia em café quente e alguns croissants que pareciam recém saídos do forno. Ele agradeceu com um sorriso ao notar que realmente sentia fome.

Observou que seus amigos também degustavam de um pequeno café-da-manhã, enquanto conversavam animadamente. Em pouco mais de alguns minutos o jato taxiava na pista. Levantaram tão logo o comandante anunciou o pouso e as boas-vindas ao Japão.

Eles desceram do avião, sendo abraçados pelo frio do inicio do inverno. Duo tremeu ligeiramente mediante o contraste entre Epyon e o Japão, agradecendo mentalmente ao amante pela insistência dele ao convencê-lo a trazer um casaco mais grosso. Eram aproximadamente onze da noite quando aterrissaram ainda assim havia um razoável movimento na pista de pouso.

O olhar de Heero se estreitou e o vampiro olhou diretamente para Treize. Havia sido bem especifico quanto a não desejar nenhuma recepção quando retornasse ao Japão, pois queria preservar Duo o máximo que pudesse, entretanto parecia que Khushrenada não havia acatado suas ordens.

Treize estremeceu diante do olhar de Heero e embora sentisse o desconforto pelo seu olhar em desagrado a presença dos vampiros do clã, se obrigou a sorrir ligeiramente. Mesmo que o outro não gostasse da recepção, era sua função avisar ao clã sobre o retorno do shuhan.

- Eu tinha de avisar que o shuhan estava voltando para "casa". – informou Treize curvando-se num sinal de desculpas.

Heero assentiu sabendo que por mais que não gostasse era parte do costume do clã, receber o shuhan quando o mesmo retornava para casa, ainda mais se tendo passado quase três anos desde a sua partida. Deveria saber que Treize não o obedeceria quanto a isso. Sem escolha virou-se para Duo falando-lhe mentalmente.

"Eles fazem parte do clã, Treize avisou-os de minha chegada. Fique atrás de mim, e deixe a marca que fiz em seu pulso a mostra. Não fale e nem olhe para ninguém, além de mim."

- Está bem. – murmurou Duo diante do tom de desagrado presente na voz de Heero.

Duo puxou rapidamente a manga do casaco até o meio de seu antebraço, deixando a cicatriz em seu pulso esquerdo a mostra.

- Trowa, Quatre.– chamou Heero transmitindo mentalmente suas ordens aos dois. Para que se posicionassem ao lado do humano que lhe pertencia.

No mesmo instante em que Heero passou suas ordens, ambos se colocaram cada um ao lado de Duo, cercando-o pelos lados protegendo-o.

Duo sentiu seu coração bater mais rápido e não podia dizer que isso se devia a ansiedade, mas sim ao medo, por não saber o que havia de fato irritado Heero, como que sentindo a tensão se apossar do humano. Heero tranqüilizou-o aproximando-se dele e sussurrando em seu ouvido.

- Não se preocupe. Você me pertence e eu cuido do que é meu. – disse Heero seguramente, afastando-se e olhando dentro dos olhos ametistas.

Duo balançou a cabeça, vendo o vampiro se afastar. Ele respirou fundo procurando acalmar-se, sabia que estava seguro, Heero não o colocaria em perigo. Quatre pegou sua mão e apertou-a passando-lhe uma estranha, mais bem vinda calma.

Heero voltou a caminhar à frente deles, virando-se o suficiente para ver Duo e Quatre de mãos dadas, assentindo ao ver que o humano estava mais calmo, após Winner usar seus dons empáticos para tranqüilizar o humano. Ele fechou o semblante voltando-se então para os cinqüenta vampiros a sua frente.

Dois deles puseram-se à frente, caminhando até Heero e curvando-se mediante a ele.

- Sangue e honra eterna a Heero Yuy, o shuhan do ichizoku dos Khushrenada.

Heero curvou a cabeça apenas o suficiente para que os dois a sua frente soubessem que aceitara o que disseram, os fazendo levantar. Eles abriram caminhando, para que o shuhan passasse, e assim que ele o fez, viram um humano seguindo atrás dele, sendo guardado por outros dois vampiros. Um eles identificaram como sendo Barton, o outro lhes era completamente desconhecido.

Quando Treize entrara em contato para informar que o shuhan estava retornando ao Japão, o antigo líder dos Khushrenada também informara que durante a batalha, um humano havia sido abraçado e que clã agora possuía um novo membro que supunham ser o loiro.

Podiam notar que havia outros humanos com eles, mas de alguma forma o que seguia atrás de Heero parecia mais intrigante, notaram a marca em seu pulso o que significava entre eles, que o humano pertencia a um vampiro e se indagaram se o mesmo era amante do shuhan, uma vez que seguia logo após a passagem deste.

Cruzaram o olhar com o humano, como que curiosos e maravilhados por sua beleza elementar e incomum.

Heero seguiu em frente, vendo todos os vampiros presentes curvarem o rosto diante de sua presença, ele podia sentir os olhares que eram dirigidos a Duo, bem como os pensamentos à cerca da beleza do humano que lhe pertencia.

Ele parou estreitando os olhos que se tornaram rubros, deixando que sua presença se fizesse presente em cada uma das mentes que cobiçavam o que era seu por direito.

Treize e os outros viram quando mais da metade dos vampiros presentes curvaram-se, levando às mãos a cabeça em agonia e sabia que o causador era Heero. Nem mesmo os dois anciões Howard e Hansen, escaparam da invasão mental de Yuy.

Sally segurou-se em Wufei diante da presença forte de Heero, o chinês sentia todo seu corpo estremecer diante da presença do vampiro e nem ao menos se encontrava tão perto do mesmo.

Zechs foi amparado por um vampiro de cabelos esverdeados que seguia logo atrás do humano, assim que viu o mesmo fraquejar diante da presença de Heero o segurou pelo braço, vendo seus irmãos fazerem o mesmo com os outros dois e o seguiam.

Hugh sentiu o pelo do corpo se eriçar diante da presença do shuhan dos Khushrenada e amparou sua esposa e seu filho, voltando os olhos a Heero, que parecia não notar o que fazia.

Duo sentia sua pele estremecer diante da força que sentia vir de Heero, e sua mente parecia que estava sendo sugada para a escuridão, uma vertigem roubou-lhe a firmeza das pernas e sentiu Quatre ampará-lo pelo braço e apoiou-se nele.

- Yuy. – repreendeu Treize, assim que viu o humano quase desfalecer, nos braços de Winner.

O antigo shuhan olhou para os demais humanos a acompanhá-los, vendo-os em estado semelhante.

Quatre olhou para Heero sentindo-o apagar a própria presença e voltou o olhar ao amigo que respirava com dificuldade.

Segundos depois que ouviu a voz de Treize falar com Heero, Duo sentiu como se um enorme peso houvesse sido retirado de cima de seu corpo.

Heero fechou os olhos procurando acalmar sua natureza. Ele não havia notado que acabara por deixar sua força atingir não apenas Duo, mas também a todos os humanos que os acompanhavam. Ele estendeu sua mão ao humano, sentindo-o tocá-lo hesitante, e o puxou de encontro a si, sentindo-o tremer ligeiramente.

- Perdoe-me isso não voltara a acontecer. – desculpou-se Heero.

Duo assentiu incapaz de falar, sentia a garganta seca e um tremor frio ainda percorria seu corpo. Deixou que Heero o amparasse o guiando até a limusine negra estacionada ao final da pista.

Treize olhou para ao demais humanos, vendo-os menear a cabeça, dizendo que estava bem. Ordenou mentalmente que os vampiros que os ampararam os acompanhassem, voltando o olhar para Heero e Duo. Que entraram no carro sendo seguidos por Trowa e Quatre.

Duo deixou-se ser abraçado pelo vampiro, sentindo que aos poucos seu corpo voltava a se acalmar.

Heero tocou o rosto do humano fazendo-o fitar seus olhos. Sentia-se culpado por ter-lhe causado dor, viu-o sorrir e tocar-lhe o rosto, segurou-lhe a mão levando-a aos lábios e beijando.

Treize entrou na segunda limusine em companhia de Catherine e dos outros dois anciões.

Horward massageava a têmpora esquerda olhando diretamente para o antigo líder do clã Khushrenada. Ele demorou-se alguns segundos antes de sondá-lo quanto o motivo da irritação do atual shuhan, afinal não haviam feito nada para causar o ataque, na verdade em sua opinião haviam feito uma recepção amena, uma vez que conheciam Heero o suficiente para saber que o mesmo não apreciava certas coisas. Mas nunca imaginou que a presença deles em seu retorno ao Japão o irritaria a tal ponto de atacar a todos.

- O que há com Heero? Ele simplesmente atacou todos nós deliberadamente. – disse Howard olhando para Hansen que assentiu.

- Sim, ele pareceu ligeiramente aborrecido em nos ver, foi visível isso, mas não imaginávamos que isso o irritaria tanto. – concordou Hansen - Quando nos contou que o shuhan retornava para casa, trazendo o humano que o ajudara a impedir a profecia, achamos adequado recepcioná-lo. Mesmo sabendo que isso talvez o irritasse, mas não pensamos que ele atacaria a própria família por isso. – disse Hansen ligeiramente aborrecido.

Treize olhou a esposa, pensando em como contaria aos dois os motivos por detrás da irritação de Heero, entretanto antes precisava ter certeza sobre uma coisa.

- Em que pensavam no momento que Heero os atacou? – perguntou Treize.

Howard não precisou pensar muito para responder, ele pensava no humano que seguia atrás do shuhan, nunca vira alguém com tanta beleza e uma presença tão forte. Presença essa tão semelhante a do vampiro de olhos azul cobalto. Achara intrigante sentir isso vindo de um simples humano, mas não via relação sobre seus pensamentos com o humano e o ataque deliberado de Yuy.

- No humano. – respondeu Howard.

Treize meneou a cabeça, voltando o olhar para Hansen, que havia pensado o mesmo. Sua mente estava focada no humano de olhos como o entardecer, seu olhar apesar de trêmulo, não se desviaram como a maioria dos humanos quando encaravam um vampiro. Na verdade, o humano lhe dera um leve menear de cabeça, quando passou.

- Hansen? – chamou Treize.

- O mesmo, mas o que isso tem haver? – perguntou o vampiro de cabelos negros.

- Tudo na verdade. É um pouco complicado, não creio que ele vá fazer isso novamente, pelo menos não com o humano presente uma vez que ele acabou atingindo-o sem querer. Mas dada às circunstancias peço que isso fique apenas entre nós por enquanto.

Os dois anciões assentiram, não sabiam do que se tratava, mas se Treize lhes pedia sigilo quanto ao assunto o fariam em nome da amizade que tinham.

- Heero escolheu o humano, como seu companheiro pela eternidade.

- Um humano?! – disseram surpresos os dois anciões diante da revelação.

Treize deu aos dois amigos tempo para digerir o que acabara de contar. Sabia que isso traria certas tribulações, e Heero também deveria saber disso, pois acreditava que havia sido por esse motivo, que o mesmo, mandara Duo andar atrás dele e manter a marca do pulso a mostra. Mesmo que ela não dissesse quem fora seu causador, ela demonstrava que o humano pertencia a alguém.

Antes de virem para o Japão indagara Heero quanto sua escolha em escolher Duo como nakama, embora não visse melhor companheiro para Yuy que não fosse o humano.

Entretanto shuhan's não costumavam escolher humanos, como companheiros eternos, parceiros vampiros eram mais aceitáveis dentre os costumes dos diversos clãs e não apenas entre os Khushrenada. Na verdade os Anciões já haviam escolhido alguém, embora Heero não houvesse recusado, também não dissera nada quanto a aceitar a escolha, o que certamente causaria um transtorno tão logo os outros Anciões descobrissem. Treize interrompeu seus pensamentos diante da voz de Howard, concordando com o que o mesmo dizia.

- Treize você sabe que os outros anciões deveram se opor a essa união. – afirmou Howard.

- Eu sei Howard, mas os dois se amam. – respondeu Treize - Heero escolheu o humano, e eu aprovo sua escolha. – ele ergueu a mão pedindo para terminar o que dizia. – O humano é...diferente e Heero tenciona abraçá-lo após o casamento.

- Diferente como? – perguntou Hansen.

Treize fechou os olhos por alguns instantes, ponderando sobre como dizer o que sentia em relação ao humano, o mesmo sem sombra de dúvidas era peculiar a espécie, por ter atitudes e certas qualidades que vira ao longo das eras apenas em vampiros. Mas não podia dizer que o mesmo era como os da sua espécie, não havia como explicar Duo, apenas quem havia estado com ele e o havia visto em batalha poderia entender.

- Não tenho como explicar. – disse Treize sinceramente.

Howard olhou para Hansen sentindo-se mais confuso com tudo isso, sentia que Treize sabia muito mais do que dizia, mas sabia que seria inútil tentar fazê-lo falar. Ponderou quanto Heero e seu escolhido, e a aceitação de Treize quanto a essa união, o antigo shuhan dos Khushrenada nunca havia sido um vampiro cujos atos eram regidos pela imprudência, mas sempre com muita ponderação. Deixaria então seu parecer para depois, uma vez que confiava na opinião de Treize e sabia que Heero não era alguém que se deixava levar por motivos fúteis.

Hansen não sabia o que dizer, uma parte sua dizia que a escolha de Heero, era um simples capricho, o humano era inebriante e sabia que muitos vampiros seriam atraídos por isso. Entretanto a simples lembrança do olhar do humano, quando o encarou o fazia concordar com Treize quanto ao fato de que o humano era diferente de alguma forma.

- O que o humano acha disso, quanto a ser abraçado? – indagou Hansen.

Treize riu ligeiramente diante da pergunta, se fosse por Duo o mesmo já seria um vampiro como eles há muito tempo, não sabia como Heero havia resistido ao apelo do humano, quanto ao abraçá-lo.

- Se as circunstâncias já houvessem permitido, ele teria feito Heero abraçá-lo há muito tempo.

Hansen suspirou pesadamente. Os Anciões sempre se indagaram quem estaria à altura do shuhan do clã Khushrenada, mas nunca pensaram que o mesmo escolheria um humano, Treize havia dito que Heero e o humano se amavam, ele esperava que isso fosse realmente verdade, pois não acreditava que os outros Anciãos aceitariam facilmente a escolha de Yuy.

Continua

Segue as explicações de alguns pontos da fic:

[1] Nistus invertus. – Seria inverter o estado atual das coisas, digamos que é tipo algo como deixei o copo cair e quebrou e ficou uma lasca no meu dedo, eu ordenaria ao dito cujo que sai do meu dedo e ele sairia. * Cá entre nós eu quero um desses.*

[2] Nakama significa companheiro, parceiro.

[3] Transmuto ou transmudar significa mudar, alterar, transformar, fazer mudar de lugar, converter, disfarçar, transmigrar. No caso do Heero ele pode ir de um lugar a outro, ou de um corpo a outro, como uma possessão.

[4] Metamórfico relativo à metamorfose dos insetos; transformação física e química por ações de origem interna, no caso do Heero ele pode virar uma nuvem de fumaça, ou mudar de forma de um ser para outro. Tipo vir um tigre ou outro animal, ou até mesmo outra pessoa.

[5] Casa – Lembrando que quando os vampiros se referente a casa, não significa moradia física, como ter um lar ou propriedade, mas pertencer ou estar junto ao clã ao qual pertence.

[6] Significado da sopa de letrinhas: Espectros Naturais, Protetores. Movam Hikari e Yami, que elas se Igualem, Unam-se e Destruam nossos inimigos.

[7] Faruk significa severo em árabe

[8] vide cap 13 de Lábios de Sangue página 34

[9] Significado da sopa de letrinhas: Que as trevas se tornemluz e realizem o desejo de seu coração.

[10] Tianjin ou Tientsin é uma cidade do nordeste da China, constituindo uma unidade administrativa autónoma. Tem cerca de 6.3 milhões de habitantes e é um dos maiores portos do país, bem como um grande centro industrial e comercial. Tem também várias universidades.

Em 1860 o governo chinês cedeu parte da cidade para o estabelecimento de concessões europeias, principalmente britânicas e francesas, que duraram até 1946.
Durante a Revolta dos Boxers, em 1900, a cidade foi ocupada por forças ocidentais e as suas muralhas arrasadas.

Tianjin fica à uma hora de ônibus da Capital, sendo um antigo centro cultural nacional. Ela preserva de forma intacta, antigas manifestações folclóricas como ópera regional, pinturas de ano novo e outras antiguidades. Vamos visitar inicialmente o Templo de Confúcio.

Os templos dedicados a Confúcio são encontrados em muitos lugares em sinal de homenagem a Confúcio, famoso educador e filosofo chinês. Era também um estabelecimento de ensino superior na sociedade feudal. Conforme estatísticas, há 2.000 templos deste gênero em todo o mundo, mas apenas 300 estão bem conservados. O Templo de Confúcio em Tianjin é um deles, sendo o maior e mais completo conjunto de antigas construções do local.

[11] Gulfstream G550 - Considerado um dos maiores jatos já fabricados e com apenas 164 modelos espalhados pelo mundo. Sendo o único jato de cabine longa capaz de fazer grandes viagens sem escalas, garante autonomia de vôo suficiente para um trajeto São Paulo-Moscou, sem ser necessária nenhuma parada para abastecer.

Equipado com duas turbinas Rolls-Royce, que permitem uma velocidade média de 1086 quilômetros por hora, o jatinho possui 29 metros de comprimento, pesa quase 22 toneladas (sem combustível), capacidade para até 19 passageiros e voa a uma altitude de até 15.545 metros, acima dos modelos comerciais, o que proporciona uma liberdade de rota muito maior e encurta o tempo de viagem.

O G550 é o que há de mais exclusivo e luxuoso no mercado da aviação e possui 14 janelas panorâmicas aquecidas, que evitam vidros embaçados, oferece também ao seu exigente usuário o que existe de mais avançado em aviônicos e itens de conforto, que chegam ao ponto extremo de oferecer duas toaletes separadas para a tripulação e para os passageiros, tv por assinatura, internet, telefone por satélite, fax, forno de microondas, mini-refrigerador para bebidas, cd player e dvd player, mini-ducha para banhos rápidos, guarda-roupas compacto, etc. Duas TVs de LCDs, controle de temperatura interna e assentos configuráveis conforme a necessidade dos passageiros.

Ainda por dentro, os passageiros encontram três zonas de temperatura e o sistema de pressurização torna a sensação de altitude menor, pois o ar da cabine interior é renovado a cada três minutos, tornando a viagem mais agradável. E evitando um efeito climático incômodo. Já os pilotos contam com o sistema EVS - Enhanced Vision System, que projeta na cabine uma imagem captada por câmeras de infravermelho, promovendo mais segurança em caso de aterrissagens com condições de pouca visibilidade.

Sendo um dos objetos de maior desejo entre donos de business jets e diversas celebridades do mundo, o Gulfstream G550 está avaliado em nada menos que US$ 50 milhões de dólares, e exige em média US$ 400 mil em manutenção mensal, mesmo assim, tem fila de espera para comprar. Devido à queda do dólar, a mão-de-obra e alguns componentes nos países produtores de avião ficaram mais baratas, isso motivou o investimento na fabricação de modelos menores e aumentou o número de encomendas.