Lábios de Sangue

Capitulo 19 - O Começo de Uma Nova Vida – Parte II

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Uma hora depois:

O humano se encontrava aninhado entre os braços de Heero, que ainda se sentia culpado por ter ferido sem querer o amante, quando na verdade deveria ser mais cuidadoso em não feri-lo.

Duo sorriu diante da caricia suave do vampiro em seu braço, e fechou os olhos suspirando ao sentir os lábios de Heero sugando o lóbulo de sua orelha direita. Ele abriu os olhos encontrando o olhar de Quatre que lhe sorria maliciosamente, o fazendo corar e tentar se afastar de Heero, que olhou friamente para o loiro o fazendo desviar o olhar rapidamente.

O carro começou a diminuir a velocidade, parando em frente a um portão de madeira que se abriu, permitindo a passagem dos carros, Duo olhou maravilhado para o lugar que parecia gigantesco.

- É aqui que vamos ficar? – perguntou.

- Sim, pelo menos até a data de você fazer o juramento, depois nós iremos para outro lugar.

- É lindo. – disse Duo deslumbrando.

- Você ainda não viu nada.

Respondeu Heero ciente de que Duo ficaria fascinado pelo jardim interno. Assim que o carro parou, eles desceram sendo recepcionados por vários vampiros e humanos, entre eles Kimitsu que havia deixado Epyon três dias antes, apenas para executar as ordens dadas pelo shuhan, de como o mesmo desejava que estivesse seu quarto. O empregado aproximou-se rapidamente assim que Heero descera do carro.

- Está tudo conforme pedido senhor. – disse Kimitsu curvando-se.

- Obrigado Kimitsu.- respondeu Heero tocando o ombro do empregado. – Mostre os aposentos dos demais, eu mesmo mostrarei o nosso a Duo.

- Como desejar shuhan.

Disse Kimitsu sinalizando para que os demais empregados acompanhassem cada um dos hospedes aos seus respectivos aposentos.

Heero voltou-se para Howard e Hansen, que curvaram a cabeça evitando encarar o humano, a fim de evitar causar outra irritação ao shuhan.

- Vocês ficaram conosco? – perguntou Heero friamente.

Ele procurou não se irritar com os pensamentos de ambos a cerca de sua decisão de escolher Duo como seu companheiro. Afinal haveria tempo para enfrentá-los mais tarde, perante o resto dos Anciões.

- Não shuhan. - respondeu Hansen. - Nós viemos apenas recepcioná-lo, nos juntaremos aos outros Anciões.

- Neste caso, os verei amanhã, até lá mantenham o que descobriram por Treize entre vocês dois.

Os dois ergueram a fronte o suficiente para olhar nos olhos do shuhan que estreitou o olhar, reforçando sua ordem. Ambos assentirão cientes de que não deveriam desobedecê-lo, pois certamente as conseqüências não seriam agradáveis.

Heero os viu retornar ao veículo que os trouxera e partir em silêncio. Voltando então sua atenção ao humano, que sorriu.

Duo seguiu com o vampiro, deixando que o amante o envolvesse pela cintura e o guiasse por dentro da propriedade cheia de corredores. Ficou imaginando que lugar era aquele, tão semelhante às antigas propriedades japonesas, com suas paredes de papel de arroz, por vezes lembrando um dojo, outras um templo.

- Na verdade a casa é um pouco de ambos. – respondeu Heero ciente dos pensamentos do amante. Os antigos moradores ensinavam artes marciais, e pelo que sei, eles também eram sacerdotes. A propriedade pertenceu ao meu pai, eu a comprei há muito tempo atrás.

Duo pode notar que seu amado parecia emocionado. Pelo que se lembrava da história, o pai do japonês havia deixado a propriedade para o filho, mas na época Heero andava com Relena e não se preocupara em assumir seus direitos como herdeiro, perdendo então a posse das terras. Ficava feliz em saber que seu amado havia conseguido comprá-la de volta e tinha certeza de que o pai dele também estava.

- Tenho certeza de que seu pai está feliz, pelas terras terem voltado a você amor. – disse Duo abraçando o vampiro, que lhe beijou o alto da cabeça.

- Você é bom, demais para mim sabia. – disse Heero baixo, tomado de um estranho sentimento diante das palavras de conforto do humano, apertando-o contra si.

- Posso dizer que você também e muito bom para mim Heero, bem mais do que poderia imaginar. – sussurrou Duo.

- Você merece minha eterna devoção, meu cuidado e meu amor.

- Hee... – balbuciou Duo escondendo o rosto no peito do vampiro diante das palavras ditas com tanto carinho.

- Vamos ou nunca chegaremos a nosso quarto, e eu o quero confortavelmente instalado na nossa cama pelas próximas horas.

Duo riu bem ciente do que o amante tinha em mente, o que no momento era o que ele também desejava. Assentiu passando um braço pela cintura de Heero, o acompanhando em silêncio.

Notou que pareciam se afastar dos demais, e olhou para o vampiro que simplesmente sorriu. Pararam ao chegar a uma porta larga, o qual Heero afastou-se o suficiente para abri-la, permitindo que o humano visse o quarto que compartilhariam.

- É lindo. – disse Duo abraçando o vampiro quando o mesmo aproximou-se dele.

- Sabia que iria gostar.

O quarto era uma cópia do quarto da torre no castelo Khushrenada, a cama, o espelho. A única diferença era que ao invés de janelas largas e altas, havia portas que davam para um jardim interno, com um pequeno lago. Podia-se ouvir o som de grilos, e da água passando por uma pequena roda d'água. Era simplesmente perfeito, quase como um paraíso particular.

Heero ficou feliz que o amante houvesse gostado. O quarto deles era isolado da casa principal, o suficiente para que tivesse toda a privacidade que quisessem. Apenas Kinitsu tinha permissão para ir até ali, o que significava que a menos que Heero o chamasse mentalmente. Ele e Duo teriam um merecido tempo a sós, antes que precisassem se separar, para a apresentação do humano ao clã e o casamento deles.

- O que acha de eu apresentá-lo as maravilhas do banho de ofurô? – perguntou Heero maliciosamente, mordiscando o pescoço do humano.

- Adoraria. – respondeu Duo estremecendo diante das presas de Heero roçando em seu pescoço.

Ele não sabia o porque de sentir-se assim, cada vez que sentia as presas do vampiro roçarem em seu pescoço era como se sua resistência fosse completamente drenada, seus pensamentos tornavam-se nebulosos e tudo que conseguia pensar era na vontade de sentir o amante mordê-lo e alimentar-se de seu sangue.

Heero levantou Duo nos braços, colocando-o na cama e deitando-se sobre o mesmo, sustentando-se por um dos braços, evitando assim cobrir o corpo do humano com o seu. Ele encarou a face que amava, inclinando o rosto sobre o do humano, esfregando seu rosto frio contra a pele quente.

Duo ofegou fechando os olhos diante da caricia suave e ainda assim sensual, entreabriu os lábios sentindo Heero sugar-lhe o lábio superior, e pressioná-lo entre as presas, mas sem perfurá-lo.

- Hee...me beije. – mendigou Duo, sentindo o vampiro cobrir seus lábios com ardor.

Heero sentiu as mãos de Duo o puxando, e ele cobriu o corpo do amante com o seu, beijando-o conforme ambos desejavam, com desejo e amor. Seus lábios dançavam juntos, assim como suas almas, e ele apartou o beijo, ao sentiu a ânsia do amante na busca por ar.

Duo encostou sua testa na de Heero, tentando normalizar a respiração, buscando o ar devagar, fazendo-o retornar a seus pulmões. Apesar de quase ter desfalecido pela falta do mesmo. Seu olhar encontrou com o do amante e ambos sorriram.

- Alguém me ofereceu um banho. – disse Duo com a respiração ainda descompassada.

- É verdade. – disse Heero sem qualquer intenção de se afastar, fazendo Duo sorrir.

- Heero, eu preciso de um banho. – disse ele manhoso, fazendo o vampiro finalmente se afastar.

- Venha – disse Heero levantando-se e tomando a mão do humano para que o seguisse.

Eles deixaram a cama, seguindo para a varanda. A poucos metros um ofurô de madeira escura podia ser visto. Heero ajudou o humano a se despir, fazendo o mesmo. O vampiro subiu as pequenas escadas que ladeavam o ofurô entrando no mesmo, abraçou o humano assim que o teve próximo a si e ambos sentaram-se sendo envolvidos pela água morna, relaxante e com cheiro de rosas.

Duo pegou uma das pétalas de rosa branca, nas mãos levando-a ao nariz, sorrindo quando a água começou a borbulhar como se fosse uma hidromassagem. Ele viu Heero levantar-se estendendo a mão para que fizesse o mesmo. Sentados à água batia no pescoço de ambos, mas de pé ela mal chegava à altura do tórax.

Heero sabia que tinha de falar com Duo sobre alguns assuntos, a cerca de sua partida em busca de Yami, e ele estava disposto a conversar com o humano somente dali a uma semana, mas dado o encontro com Hansen e Howard sabia que o assunto não poderia ser deixado de lado por muito tempo.

- Há alguns assuntos pertinentes ao meu afastamento do clã, quando sai em busca de Yami que preciso contar-lhe.

Duo meneou sua cabeça sentindo-se apreensivo, havia notado que algo estava errado, seu intimo lhe dizia isso, embora não soubesse exatamente o que poderia ser. Ele abraçou o vampiro sentindo-o beijar o alto de sua cabeça, antes de afastá-lo e sorrir.

- Mas deixemos isso para amanhã. – disse o vampiro. – Hoje eu devo compensá-lo pelo transtorno que lhe causei ao não controlar minha natureza.

- Mas se é importante. – disse Duo

- Não tanto quanto lhe dar descanso em uma cama quente e confortável. – respondeu Heero pegando um pequeno balde com itens para banho que se encontrava na borda do ofurô.

Duo assentiu sabendo que o amante não falaria sobre o assunto antes do tempo. Ele sorriu quando Heero soltou seu cabelo prendendo-os no alto da cabeça com um palito de madeira saído sabe-se lá de onde.

Heero pegou a esponja d'água molhando-a com óleo perfumado começando a esfregar os ombros de Duo. Não falaria sobre assuntos desagradáveis aquela noite, quando seu amante encontrava cansado da viagem, deixaria os para o dia seguinte, quando ambos estivessem mais descansados e após encontrar-se com os Anciões. Sua prioridade no momento era seu futuro nakama e não os Anciões ou a reação dos mesmos ao informar-los de que havia escolhido outro como companheiro.

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Residência dos Anciões:

Hansen e Howard chegaram a casa onde os Anciões do clã Khushrenada viviam, mas permaneceram dentro do carro. Ambos tinham pensamentos à cerca da decisão do shuhan do ichizoku dos Khushrenada a cerca de tomar outro como companheiro eterno.

A escolha que tinham para Yuy era completamente diferente da escolhida pelo japonês, embora devessem ter imaginado que o mesmo não acataria a decisão deles quanto a quem dentre os nobres do clã seria o nakama perfeito para o líder dos Khushrenada. Uma vez que Heero não lhes dissera nada, quando o nome daqueles que escolheram chegara a seu conhecimento.

- Hansen, o que você achou do humano? - perguntou Howard.

O vampiro de cabelos brancos queria saber do amigo se ele tivera a mesma impressão sobre o escolhido do shuhan. O humano em sua opinião era peculiar. A força de sua presença era muito semelhante à de Heero e se ele mesmo não a houvesse sentido, duvidaria de qualquer um que lhe dissesse tal coisa.

Ele possuía não apenas uma forte presença, algo que já era incomum em humanos, mas havia também o olhar. Chegara há adentrar um pouco na alma do humano quando seus olhares se encontraram no aeroporto, tudo não passou de meros segundos, mas nesses meros segundos o sentira em sua mente. O que deveria ser impossível, uma vez que humanos não tinham a habilidade e nem a força para entrar na mente de um vampiro e, no entanto mesmo relutante em admitir, por alguns instantes fora isso que acontecera.

- Não sei ao certo Howard.

Disse Hansen ponderando sobre o peso de suas próximas palavras, embora fosse exatamente isso o que sentia.

- Pode parecer estranho, mas nunca vi num humano, o que vejo nele. E como se seu corpo fosse humano, mas sua alma fosse à de um de nós, na verdade, muito mais que qualquer um de nós. Temo dizer que é como se...- calou Hansen não querendo completar o que dizia.

- Ele fosse igual à Heero. – completou Howard vendo seu amigo assentir. – Tenho a mesma impressão e acho que entendo o porquê do shuhan o ter escolhido como seu nakama.

- Deberoux não vai gostar em saber disso. – afirmou Hansen.

- Imagino que não, mas ele terá a mesma impressão que nós, quando o vir. Se bem que a última palavra será dada por Nolan, ele é o mais antigo entre nós e foi o único a se opor sobre a decisão dos demais ao escolher o filho de Deberoux como nakama de Yuy.

- Ele se opôs, mas permitiu que nós o escolhêssemos. – disse Hansen. – O que me fez pensar durante muito tempo, o porque dele aceitar a decisão dos demais.

- Não sei meu amigo, realmente não sei. - disse Howard calando-se.

Nolan Alexandrius Macanhan, o mais antigo de todos os naturais dentre os Khuhshrenada, aquele que tinha a última palavra entre os Anciões. Mesmo se todos concordassem em um assunto, mas Nolan fosse contra, era a decisão dele que prevalecia, no entanto na escolha do nakama do shuhan dos Khushrenada, apesar de ser contra a decisão de escolher Julian Deberoux como companheiro eterno de Heero Yuy.

Ele optou por aceitar a decisão dos outros Anciões e permitir que escolhessem o filho de Deberoux. Todos acharam estranho o fato de vê-lo acatar a decisão dos demais após demonstrar seu desagrado quanto à escolha.

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Japão 25 de Agosto de 2003 – Residência dos Anciões:

Os Anciões do clã Khushrenada encontravam-se reunidos para decidirem quem dentre os cinco vampiros das casas mais nobres, possuía as qualidades necessárias para ser digno a tornar-se o nakama do shuhan do ichizoku dos Khushrenada.

O favorito parecia ser o filho único de um deles, o jovem Julian Deberoux, mas enquanto todos pareciam achar lógico Julian ser o nakama do shuhan, um deles, o mais antigo, tinha suas dúvidas quanto à escolha.

Nolan mantinha os olhos fechados, enquanto ouvia seus irmãos conversarem sobre escolher Julian e não Andréas como nakama de Heero. Em sua opinião nenhum dos nomes que figurava a lista de pretendentes tinha qualidades para ser o companheiro eterno de Yuy. Faltava em todos eles à essência que tornava o shuhan do clã Khushrenada único. A seus olhos todos sem exceção possuíam mais defeitos que qualidades, principalmente Julian que era o mais arrogante de todos, apenas por seu filho de um dos Anciões.

Todos eles eram comuns, e o que um nakama não deveria ser jamais seria comum. Ele deveria ter as mesmas qualidades do shuhan a desposá-lo, e entender as necessidades do shuhan e do clã, antes mesmo que a dele próprio. E não via isso em Julian, o mesmo era vaidoso, pensava apenas em posições políticas, e nas vantagens em se tornar o nakama do shuhan. Seus pensamentos foram interrompidos diante da voz de um de seus irmãos, o chamando.

- Nolan, você ainda não deu sua opinião a cerca da escolha daquele que deverá se tornar o nakama do shunan. – disse Cyrus

- De fato. – respondeu Nolan abrindo os olhos acinzentados e percorrendo com o olhar todos os Anciões.

Ele deteve seu olhar por alguns instantes sobre Deberoux antes de pronunciar-se, causando espanto e estranheza entre seus irmãos, mediante suas palavras.

- Não acho que qualquer um dentre os indicados seja apto a ser o nakama daquele que nos lidera. – disse Nolan, ponderando sobre o que dizer ao ver Deberoux estreitar o olhar.

- Não lhe agrada a escolha de meu filho, para nakama de Heero? – perguntou Deberoux em desagrado diante do fato de Nolan dizer que seu filho não possuía as qualidades necessárias para tornar-se o nakama do shuhan.

- Não acho que seu filho ou qualquer outro entre nós, esteja à altura de Heero, entretanto por hora aceitarei aqueles que escolherem. – disse Nolan voltando a fechar os olhos.

Deberoux sentiu-se ultrajado diante das palavras do mais antigo entre eles. Nolan não apenas afirmara que seu filho não era qualificado para ser o nakama de Heero, como deixara claro que aceitaria a decisão dos demais apenas por não haver melhores pretendentes a nakama do shuhan dos Khushrenada.

Os Anciões olharam um para o outro, estranhando as palavras de Nolan e o fato dele decidir não escolher o nakama, deixando a cargo dos demais, tal decisão. No final optaram por escolher Julian Deberoux como o nakama do shuhan do clã Khushrenada e naquela mesma noite, Treize juntamente com Nolan informaram a Heero a cerca da decisão uma vez que o mesmo estaria partindo para uma cidade chamada Epyon, em busca da segunda espada da profecia.

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No fim Heero partira dois dias depois em busca de Yami, deixando Treize reger os Khushrenada até seu retorno. Muitos acreditaram que a partida de Yuy foi à forma dele dizer que não aceitava a decisão dos Anciões ou que não se importava com ela.

- Acredito que amanhã, teremos uma resposta a cerca do que o shuhan pretende. – disse Hansen.

- Concordo, manteremos calados, até amanhã.

Ambos menearam a cabeça em acordo, deixando o carro, para se juntar aos outros Anciões. Yuy havia dito que se encontrariam no dia seguinte por isso tudo que tinham de fazer era esperar e ver o que Nolan diria quanto à decisão de escolher um humano como nakama.

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No dia seguinte:

Heero passou a maior parte do tempo com Duo, aproveitando da paz e tranqüilidade do local, conversaram sobre diversos assuntos, sem se preocupar com obrigações ou qualquer outro assunto que não envolvesse desfrutar da companhia um do outro. Eles permaneceram o dia inteiro no quarto, sendo visitados apenas por Kimitsu que vinha trazer-lhes alimento. Amando-se sem pressa, tendo apenas o som da natureza como melodia.

O tempo avançou depressa e logo anoiteceu, fazendo adormecer os amantes, pelo menos um deles.

Heero abriu os olhos notando que Duo havia finalmente adormecido depois de terem feito amor, por mais que desejasse permanecer a seu lado, precisava sair e o faria enquanto o humano descansava. Ele levantou-se tomando um banho rápido e se trocando, vasculhou a casa em busca da presença de Treize localizando-o com Catherine, na sala de leitura, levantando-se assim que o viram.

- Está indo encontrar-se com os Anciões? – perguntou Treize sem rodeios.

Até o momento, não havia informado o japonês de que os Anciões haviam mandado um mensageiro, informando que eles aguardavam a visita do shuhan, para tratar de alguns assuntos, que não podiam mais ser adiados.

- Estou. – afirmou Heero. – Me acompanha? – perguntou não desejando de fato encontrar-se com os Anciões, mas sabendo que era inevitável faze-lo.

- Estava esperando apenas que me chamasse. – disse Treize, beijando a mão de sua adorada.

- Então vamos, quero estar de volta antes que Duo acorde. – disse o japonês caminhando para o jardim onde um carro já os aguardava.

Levaram pouco mais de uma hora para chegarem à residência dos Anciões, onde foram recebidos pelos vampiros que os protegiam.

Heero e Treize foram levados imediatamente à presença dos oito vampiros que compunham os Anciões. Os mesmos levantaram-se em honra ao antigo e ao atual shuhan do clã, curvando suas frontes em sinal de respeito.

Heero meneou a cabeça sentando-se entre eles juntamente com Treize. Imediatamente um jarro de cristal com sangue fresco e duas taças foram trazidos. Até o momento em que se sentaram nenhum diálogo fora iniciado, os Anciões apenas observavam seu shuhan, que lhes parecia diferente de alguma forma.

Nolan observava Heero desde que o mesmo chegara, havia alguma coisa nele que o intrigava, ele parecia diferente á seus olhos, mas não sabia dizer exatamente em que o mesmo havia mudado, entretanto tinha certeza de que descobriria em breve. Ele voltou o olhar a um de seus irmãos, quando o ouvira perguntar da viagem.

- Como foi seu regresso a "casa" shuhan dos Khushrenada?- perguntou um dos Anciões.

- Agradável. – respondeu simplesmente Heero saboreando o sangue em sua taça.

Treize sorriu diante das palavras de Heero, que apesar do tom frio, não escondia um brilho de divertimento nos olhos. Certamente por estar a pensar no que tornara a viagem de Epyon ao Japão agradável.

O Ancião meneou a cabeça diante da resposta não percebendo o brilho nos olhos de Heero ao pensar no humano. Nolan estreitou o olhar diante da mudança suave e quase que imperceptível nos olhos do japonês, tornando-se ainda mais atento ao ouvir Deberoux dirigir-se a Yuy.

- Soubemos por Hansen e Howard que trouxe convidados humanos e aquisições valiosas ao clã.

O olhar de Heero estreitou-se perigosamente, e sua natureza reagiu imediatamente às palavras de Deberoux, embora elas não dissessem nada, quanto ao tipo de conversa que Hansen e Howard, tiveram com os demais Anciões.

Todos sentiram a natureza de Heero se elevar, embora o mesmo houvesse fechado os olhos como que ponderando. Imediatamente Hansen e Howard acharam melhor intervir, antes que o shuhan se aborrecesse com eles, embora como o prometido, ambos não haviam dito nada a cerca do humano e sua ligação com o mesmo.

- Contamos apenas que você trouxera os humanos que o ajudaram, para conhecer a morada dos Khushrenada, bem como alguns candidatos ao juramento. – disse Hansen, procurando não deixar transparecer seu nervosismo.

- De fato. – disse Treize, achando melhor responder por Heero, antes que o mesmo se descontrolasse. – Durante o confronto com os caçadores de Romefeller, um humano da cidade foi abraçado por um membro do clã. Quatre Raberba Winner é seu nome, e o mesmo se tornara um psíquico poderoso, assim que aprender a controlar seu gênio.

Heero deu um meio sorriso diante do tom irônico de Treize, sabendo que Quatre precisava mais do que controlar o seu gênio, ele precisava de limites, mas sabia que Trowa estava trabalhando para conseguir isso. Embora acreditasse que levaria tempo, até Winner entender a diferença entre proteger e torturar por prazer.

- Yuy você fez um bom trabalho ao impedir a realização da profecia e os desejos imaturos de Peacecraft. – disse o mais antigo dos Anciões.

- Obrigado Nolan. – agradeceu Heero polidamente estreitando o olhar logo em seguida mediante suas palavras.

- Uma vez que já impediu a ameaça que pairava sobre todos, creio que nada mais o impede de escolher seu nakama. – disse ele notando o olhar de Heero escurecer e sua presença tornar-se ameaçadora. Bem mais do que estava acostumado a ver e sentir.

Heero sabia que precisava do apoio de Nolan caso desejasse tomar Duo como seu nakama. Ainda assim sabia que não era o momento de revelar-lhes a verdade.

- Peço que aguardem até Quatre e Duo prestarem o juramento ao clã para dizer-lhes minha decisão. – pediu Heero.

Os Anciões não compreendiam a razão de tal pedido, ainda mais após a explicação dada por Treize sobre o assunto.

- Como disse antes. – interrompeu Treize. - Quatre foi o humano abraçado e Duo é o humano da profecia. Winner deve prestar seu juramento em alguns dias, quanto a Maxwell deverá fazê-lo em algumas semanas.

- Porque em algumas semanas? – perguntou Cyrus.

- Porque eu desejo que ele faça o juramento na língua dos antigos. – disse Heero

- Na língua dos antigos? Um humano? – perguntou descrente Deberoux.

- Isso é impossível shuhan. – afirmou Howard.

- Nenhum humano jamais realizou o juramento na língua dos antigos. – disse desdenhando um dos Anciões.

Nolan observara cada um de seus irmãos tecerem comentários semelhantes à cerca do pedido do shuhan. Ele também acreditava ser impossível tal feito, ainda assim o líder dos Khushrenada parecia ter grandes expectativas à cerca do humano da profecia, uma vez que sua irritação crescia a cada segundo.

Heero levantou-se os olhos ardendo num vermelho escuro que fez todos se calarem. Como ousavam dizer que seu escolhido não tinha capacidade para atender a um pedido seu. Ele refreou sua natureza que pedia que os fizesse calar-se, uma vez que saber seria imprudência enfrentá-los, pelo menos neste primeiro momento. Poderia fazê-lo após o juramento de Duo, caso os mesmos decidissem por não aceitar sua escolha, em tornar o humano seu nakama.

- Peço que acatem, meu pedido no que se refere ao humano chamado Duo Maxwell. – disse Heero deixando claro pelo tom de voz que não toleraria nenhuma argumentação sobre tal assunto.

Os Anciões olharam um para o outro, prontos a negar o pedido do shuhan. Afinal era impossível tal feito por parte de um simples humano.

Nolan sabia que Heero se continha para não deixar sua natureza sobrepor sua razão e sentia em seu intimo que o humano o qual ele tinha tanta confiança, certamente era muito mais para o vampiro do que o mesmo demonstrava. Por isso decidiu intervir, levantando-se e indo até Heero, fazendo seus irmãos de sangue se calarem.

Nolan observou o olhar de Yuy, querendo saber o que se passava em sua mente, mas sem coragem para fazê-lo, então simplesmente virou-se retornando a seu lugar, antes de falar a seus irmãos. Ele desejava sabe o que havia por detrás do pedido do shuhan dos Khushrenada.

- Quem instrui o humano, em nossa língua? – perguntou Nolan.

- Eu pedi a Treize que o fizesse. – respondeu Heero, fazendo Nolan voltar-se para o antigo shuhan dos Khushrenada.

- Neste caso, quando Treize achar que o humano está apto, o mesmo prestara o juramento, no salão cerimonial, perante nós e o clã. Até lá nenhuma decisão sobre a escolha do nakama do shuhan do ichizoku dos Khushrenada deverá ser tomada ou comentada.

Os demais Anciões olharam para Nolan, que reforçou suas palavras com um olhar avermelhado, fazendo-os assentir. Ele voltou-se para Heero sorrindo diante do olhar de agradecimento presente no olhar azul cobalto.

O japonês meneou a cabeça aos Anciões voltando-se para Treize, indicando que já podiam ir, não havia mais nada a ser discutido, e já haviam se demorado, mais tempo do que planejara. Treize meneou a cabeça deixando a presença dos Anciões e retornando para a casa do shuhan dos Khushrenada.

Eles entraram no carro em que vieram, fazendo o caminho de volta, debatendo sobre o encontro com os Anciões e seu resultado.

- Parece que Nolan deseja descobrir os motivos que te levaram a pedir que aguardassem para anunciar seu nakama. – disse Treize.

- Eu sei, felizmente tudo ocorreu bem. – afirmou Heero. – Hansen e Howard mantiveram sua palavra e agora basta apenas esperar.

- É verdade. – disse Treize, pensando por um segundo antes de falar novamente. - Deberoux não me pareceu muito feliz com a espera, por certo ele anseia que se case logo com Julian.

- Pouco me importa seus desejos de ascensão. – respondeu Heero irritado. – Jamais trocaria um diamante por um pedaço de vidro.

Treize meneou a cabeça em acordo, realmente não havia como comparar os dois. Mesmo sendo humano, em sua opinião Duo era superior a Julian em muitos aspectos e sabia que Deberoux esperava apenas aumentar sua posição entre os nobres através do casamento do filho com Heero.

Como se o japonês fosse permitir tal coisa, sempre soube que Yuy jamais aceitaria Julian ou qualquer outro escolhido por alguém que não fosse ele mesmo. Talvez fosse uma boa idéia conversar com Nolan antes do juramento do humano, quem sabe assim pudessem aumentar as chances dos Anciões aceitarem Duo como nakama do shuhan dos Khushrenada.

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Morada dos Anciões:

Nolan havia se retirado para seus aposentos, ainda ponderando sobre o encontro com o shuhan dos Khushrenada. Seus irmãos de sangue o indagaram sobre a razão de ter aceitado o pedido de Yuy, embora ele também não soubesse o porquê de tê-lo feito, talvez fosse porque se recusasse a aceitar o nakama escolhido pelos demais Anciões.

Não que acreditasse que Yuy aceitaria Julian como nakama, sabia muito bem que o japonês possuía um gênio forte e jamais aceitaria a seu lado alguém tão inferior quanto o filho de Deberoux, mesmo que isso significasse ir contra as decisões dos Anciões. Heero apenas atendia as decisões tomadas pelos Anciões, quando as mesmas envolviam o bem estar do clã Khushrenada.

Mas isso não significava que o japonês acataria qualquer decisão, que não fosse de seu agrado, no que se referia a ele mesmo. Treize antes de partir, já o havia alertado quanto a isso e tinha de dar razão às palavras do antigo shuhan do ichizoku dos Khushrenada.

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Japão 14 de Outubro de 2004:

Treize entrou na sala da morada dos Anciões, ele havia solicitado uma audiência com Nolan. Tinha alguns assuntos a tratar e uma promessa a cumprir a Heero, o que o obrigaria a deixar o clã por algum tempo.

Nolan entrou caminhando até Treize apertando a mão do antigo shuhan dos Khushrenada, havia estranhado o pedido do encontro, mas o mesmo era providencial, uma vez que necessitava discutir alguns assuntos referentes à Heero com Khushrenada.

- Nolan, eu necessito de um favor dos Anciões. – pediu Treize.

- Diga do que precisa e verei no que podemos ajudá-lo. – respondeu o Ancião, sentando-se.

- Tenho de partir para a Itália, para cumprir uma promessa feita ao shuhan, sobre encontrar uma pessoa. Por isso peço que fiquem, à frente do clã, após minha partida, uma vez que Heero confiou-me a liderança dos Khushrenada em sua ausência.

- Claro, será feito, meu amigo. – confirmou Nolan.

- Obrigado.

Nolan meneou a cabeça voltando o olhar para janela e para a noite escurecida. Retornou o olhar para Treize disposto a pedir sua opinião sobre um determinado assunto que envolvia o atual shuhan.

- Treize, qual sua opinião sobre a escolha do nakama de Yuy?

Treize olhou para Nolan, ponderando sobre o que dizer, ele não achava que o filho de Deberoux era o vampiro certo para ser o nakama de Yuy, a menos é claro se desejassem uma morte prematura do jovem, pois tinha certeza de que Heero mataria Julian em dois tempos.

- Pode ser sincero meu amigo. – disse Nolan diante do silêncio de Treize.

- Neste caso, acho que tal escolha foi um erro. Heero jamais ira aceitá-lo. Na verdade duvido muito que ele aceite a qualquer um, que ele mesmo não tenha escolhido.

- Entendo. – disse Nolan.

- Heero entende que as necessidades do clã são mais importantes que suas próprias necessidades, mas ele não é alguém que acatara qualquer decisão, no que concerne a ele. – disse Treize ponderando sobre um assunto que o incomodava há algum tempo. – Acho que ele não deseja partilhar sua imortalidade com alguém, às vezes acho que ele, mantém a memória de alguém.

- Compreendo, neste caso será mais difícil, fazê-lo entender que é para o próprio bem dele, que aceite um companheiro.

- Dê lhe tempo. Embora não creia que haja alguém a altura de Heero, qualquer um que escolherem jamais será semelhante à Yuy.

Nolan concordou com Treize. Um nakama deveria estar à altura do shuhan, semelhante em força e habilidades e não via tais qualidades em ninguém dentro dos Khushrenada, obrigar o shuhan a aceitar alguém inferior ao mesmo, era o mesmo que ofendê-lo. Por isso mesmo se omitira de apoiar a decisão de seus irmãos, em seu intimo ansiava que durante a ausência de Heero aparecesse alguém a altura de ser o nakama do shuhan dos Khushrenada.

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Nolan fechou os olhos, desejando que fosse isso que houvesse acontecido, que Heero finalmente encontrara alguém, ou que então houvesse aceitado a escolha dos Anciões, embora esse último pensamento o desagradasse profundamente.

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Residência pessoal do shuhan dos Khushrenada:

Duo acordou espreguiçando-se lentamente. Abriu os olhos tentando identificar o ambiente, que se encontrava escuro e silencioso. Piscou algumas vezes sentando-se e recordando que se encontrava no Japão, na terra natal de seu futuro marido e a atual morada do ichizoku dos Khushrenada. Decidiu levantar-se e procurar por Heero, uma vez que parecia já ter anoitecido.

Bochechou esfregando os olhos, levantando-se. Os cabelos caíram soltos por sobre os ombros, escondendo parcialmente sua nudez. Um arrepio transpassou seu corpo diante da temperatura baixa, fazendo-o espirar.

- Acthiiimmm!.

- Saúde. – desejou Heero revelando finalmente sua presença.

- Boa noite Hee. – desejou Duo assim que o amante aproximou-se e o abraçou.

- Boa noite. – disse Heero tomando os lábios de Duo suavemente.

Duo gemeu dentro dos lábios do vampiro, que não tinha nenhum pudor ao deslizar as mãos por seu corpo. Heero sorriu diante do gemido a escapar dos lábios do humano, quando apertou uma das nádegas macias. Afastou-se relutante, olhando dentro dos olhos nublados de Duo.

- Melhor se vestir antes que pegue uma gripe. – disse Heero afundando o rosto no pescoço quente de Duo resistindo à vontade de mordê-lo.

Tinha tanto tempo que provara do sangue de seu amante, que era quase que impossível resistir à vontade de morder-lhe e beber do sangue quente, a passar pela veia embaixo de seus lábios.

Duo fechou os olhos ao sentir os lábios de Heero em seu pescoço. Ele quase podia sentir as presas do amante perfurando sua pele e sentiu as pernas falharem, sendo seguro pelo vampiro que lhe envolveu a cintura firmemente.

Heero sorriu diante dos pensamentos do humano. Sentiu-o vacilar, quando pressionou as presas no pescoço dele, antes se afastar e simplesmente arrastá-las pela pele macia. Teve de segurá-lo ou certamente o mesmo teria caído. Seus olhos avermelharam diante da vontade selvagem de sua natureza, em atender ao pedido de Duo, que ansiava por sentir suas presas perfurar-lhe o pescoço. Ainda assim se conteve, mas prometendo-lhe mentalmente atende-lo.

"Mais tarde, quando retornarmos para o quarto. Tomarei de seu sangue, como deseja."

- Heero. – gemeu Duo em necessidade.

Ele sentia o corpo trêmulo e desejoso pela mordida do amante, mas obrigou-se se afastar do vampiro e se trocar antes que acabasse resfriado.

Heero deixou que Duo se afastasse, caminhando até uma parte do quarto e abrindo as portas, permitindo que a claridade das lâmpadas externas iluminasse o quarto, ao invés de acender as luzes.

Duo seguiu para o banheiro para providenciar suas necessidades, como lavar o rosto, pentear-se entre outros. Caminhando logo em seguida até o closet, para selecionar uma roupa quente para passar a noite.

Heero terminava de arrumar a cama, quando o humano apareceu. Ele sorriu aproximando-se e enlaçando-o pela cintura.

- Você está perfeito. – disse o vampiro diante da visão do amante, vestindo uma calça verde escura e um suéter grosso num tom claro de marrom. – Vamos alimentá-lo e em seguida vou mostrar-lhe novamente os arredores.

- Está bem.

Disse Duo deixando que o amante o guiasse pelos corredores vazios. Quando chegaram à cozinha Kimitsu os recepcionara com uma mesa pronta para um lanche tardio.

- Boa noite, senhores. – disse Kimistu aos dois.

- Boa noite Kimitsu.

Respondeu Duo servindo-se de um pouco de suco, enquanto Heero simplesmente meneou a cabeça. Voltando-se para o empregado logo em seguida.

- Kimitsu onde estão os outros? – perguntou Heero.

- Senhor Barton e senhor Winner saíram em companhia dos convidados. – respondeu Kimitsu se referindo a Zechs, Sally e Wufei. – Senhor Khushrenada e senhorita Bloom também saíram, mas disseram que retornariam para o jantar.

- Tudo bem. Eu e Duo também iremos sair se perguntarem diga que retornaremos para o jantar.

- Como desejar senhor. Com sua licença. – pediu Kimitsu se afastando.

Heero assentiu, vendo o empregado retornar a seus deveres, voltando sua atenção ao amante. Ele aguardou que Duo terminasse sua refeição para saírem para dar uma volta, a noite estava morna, o que tornava a sensação de caminhar ao ar livre, agradável. Eles caminharam durante algum tempo, com o vampiro mostrando-lhe cada recanto da propriedade, depois de quase duas horas de caminhada decidiram sentar-se no balanço embaixo de uma cerejeira de inverno[12] que já se encontrava carregada de belas flores e crescera majestosa a alguns metros da casa principal.

- Vai me falar o que o incomoda? – perguntou Duo deslizando os dedos no braço do vampiro.

Heero fechou os olhos por alguns instantes antes de abri-los e olhar para o horizonte.

- Dentro de cada clã, existe um líder que governa a todos que pertençam a ele. E por detrás de cada shuhan, há um grupo de vampiros que age como conselheiros e muitas das vezes tomam decisões para o bem do clã, mesmo que tenham de ignorar ao shuhan.

Duo meneou a cabeça em assentimento, entendendo o que seu futuro marido lhe dizia.

- Dentro dos Khushrenada eles são chamados de Anciões, são os vampiros mais antigos e pertencentes às casas mais nobres.

- Você quer dizer Naturais? – perguntou Duo.

- Sim.

Respondeu Heero sorrindo diante do fato do humano não haver se esquecido sobre o que lhe falara a cerca dos nobres dentro de cada clã.

- Uma das decisões que eles tomaram, sem meu consentimento foi a de que eu precisava de um nakama. – disse Heero notando a ligeira tensão no corpo de Duo.

- Nakama? – perguntou Duo, com receio de descobrir o que tal palavra significava.

- Companheiro eterno. – respondeu Heero virando o humano para ele.

Duo não sabia o que dizer, ou se havia algo a ser dito, uma vez que não fazia idéia de como isso estava acontecendo.

Ele olhou dentro dos olhos do vampiro, buscando qualquer indicio de que o que dizia era mentira, não encontrando nada, além da verdade de suas palavras.

Ele fechou os olhos diante da constatação de que os tais Anciões haviam escolhido outro para ser o companheiro de seu amado.

Heero podia sentir o receio de Duo, mas o mesmo era infundado, jamais o trocaria por Julian. O filho de Deberoux se quer chegava aos pés de Duo e faria com que o humano entendesse isso.

Ele tocou o rosto do humano beijando-lhe os olhos fechados, antes de beijar-lhe o rosto e abraçá-lo.

- Eu escolhi você Duo Maxwell, para ser meu nakama, nenhum outro, humano ou vampiro pode substituí-lo em minha alma e em meu coração. – disse Heero, vendo Duo abrir os olhos.

- Heero. – balbuciou ele afastando-se para tocar o rosto do vampiro. -Você também é e sempre será o único para mim. – confirmou Duo.

- Eu farei valer minha vontade e eles saberão que eu o escolhi. – afirmou Heero. – Assim que prestar seu juramento farei com que saibam da minha escolha. Você me pertence, da mesma forma que eu pertenço a você. Nunca duvide disso.

- Eu não irei Heero. – afirmou Duo deixando que o vampiro o beijasse dissipando qualquer dúvida que sua alma pudesse sentir.

Eles permaneceram ali durante algum tempo, decidindo voltarem quando a noite começou a esfriar. Encontraram com Treize e Catherine que também retornavam de um passeio noturno, o inglês sorriu ao ver os dois juntos, parecia tão certo vê-los dessa forma, que acabara por tomar uma decisão. Ainda aquela noite falaria com Nolan.

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Poucas horas antes do amanhecer:

Já era alta madrugada, quando um carro preto parou, numa praça deserta. Alguns minutos se passaram, antes que outro carro, vindo na direção contrária parasse ao lado. Os vidros traseiros de cada veículo desceram revelando seus ocupantes.

- Porque me pediu para encontrá-lo aqui Treize? – indagou Nolan que havia estranhado o pedido do antigo shuhan para se encontraram num lugar longe da morada dos Anciões.

- Peço desculpas por isso, mas não desejava que ninguém mais soubesse dessa conversa. – respondeu Treize.

Nolan encarou o antigo shuhan, assentindo, não sabia os motivos de Treize pedir tal encontro e do porque do mesmo se dar bem ali no meio de uma praça deserta, longe dos outros Anciões.

- Então me diga o que deseja falar-me, longe dos outros Anciões? – perguntou Nolan.

- Você deve ter se perguntado o porquê de Heero, pedir para aguardar sua resposta sobre a escolha de seu nakama, até depois do juramento de Winner e Maxwell. – disse Treize cautelosamente.

- Não fui o único a pensar sobre isso. – respondeu Nolan.

- Na verdade, Heero planeja rejeitar Julian como seu companheiro. – disse Treize vendo Nolan assentir, parecendo aliviado com a informação. – Ele encontrou alguém em Epyon e deseja torná-lo seu nakama.

- Alguém? Quem? – perguntou Nolan, que sabia que o assunto não deveria ser tão simples, ou Treize não teria solicitado um encontro secreto.

- Prometa que não vai rejeitar a idéia, antes de conhecer o escolhido de Yuy. – pediu Treize.

Nolan estreitou o olhar percebendo que o assunto era ainda mais delicado, para Treize pedir-lhe tal coisa. Ainda assim o empenho do antigo shuhan dos Khushrenada, em ajudar Heero e seu escolhido, apenas demonstrava que quem quer que fosse, deveria ser único a ponto de obter o apoio de Treize.

- Responda-me uma coisa antes. O escolhido de Yuy, suas qualidades são dignas do shuhan do ichizoku dos Khushrenada? – perguntou Nolan.

- Não vejo qualquer outro digno de tal posição, além daquele escolhido por Heero. – disse Treize convicto.

Nolan surpreendeu-se com a convicção com que Treize afirmava que não havia ninguém mais digno a ser o nakama do shuhan, além daquele que o mesmo escolhera. Ele fechou os olhos ponderando sobre o que dizer, chegando finalmente a uma decisão.

- Neste caso, aguardarei para conhecer o escolhido de Heero, no mesmo momento que os outros Anciões, mas desde já tem minha palavra de que o mesmo não será rejeitado tão logo o conheça.

- Obrigado Nolan. – agradeceu sinceramente Treize.

- Não há de que. Nos veremos novamente apenas no dia do juramento daquele chamado Winner.

Treize meneou a cabeça vendo o carro de Nolan partir. Ele fechou o vidro do carro, suspirando, ordenou ao motorista que voltasse para a casa do shuhan, sentindo-se mais tranqüilo depois de obter a palavra de Nolan quanto a não rejeitar a idéia do humano como nakama de Heero.

Mesmo que o ancião não houvesse desejado saber a identidade do escolhido de Yuy, sabia que quando o mesmo descobrisse, ele não o rejeitaria, antes de avaliá-lo. Quanto a isso sabia que não tinha com o que se preocupar, uma vez que tinha certeza de que Duo passaria pela avaliação de Nolan e de todos os Anciões.

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Dois dias depois:

A noite estava um pouco mais fria, devido ao avanço do inverno. Os dias eram mais curtos e as noites mais longas e frias à medida que os dias avançavam.

Trowa sorriu ao ver Quatre vestir-se, sentia-se feliz em poder desfrutar da tranqüilidade ao lado do amante, e não ter que se preocupar com nada, além de seu belo e ardente anjo.

O loiro virou-se de lado diante dos pensamentos de Trowa e sorriu caminhando lentamente até ele sentando-se displicente no colo deste, vestindo apenas as calças.

- Também gosto dessa paz, uma vez que ela alivia seus pensamentos da minha natureza. – disse Quatre.

Trowa franziu o rosto diante das palavras de Quatre tocando-lhe a face pálida, sorrindo suavemente.

- Não se preocupe, meu anjo. Sei que é uma questão de tempo, até que aprenda a se conter, não o mudaria mesmo que tivesse como fazê-lo. – disse Trowa tocando o rosto do amante. – Você é perfeito do jeito que é incontrolável ou não. – brincou ele.

Quatre sorriu e beijou o amante ternamente. Ele sabia que Trowa tinha de fazer um esforço mental muito grande, para acalmá-lo quando sua natureza saída de controle, ainda assim nunca o via reclamar. Sabia que tinha de aprender a controlar-se de forma a não exaurir demais seu amando, mas era quase que impossível conter-se. Ainda assim estava determinado a conseguir domar sua natureza sombria.

Nunca imaginou que mudaria tanto ao tornar-se vampiro, quase não havia vestígios de sua natureza pacifica, na verdade era como houvesse se tornado o oposto de sua antiga personalidade.

Heero havia lhe dito que a maioria das pessoas ao tornar-se um vampiro, traziam a tona à verdade personalidade, muitas vezes desconhecida pela própria pessoa.

O que significava que ele sempre fora assim? Um monstro? Sedento por dor e loucura.

Quatre fechou os olhos diante da caricia de Trowa em suas costas, e da forma como o amante inverteu suas posições, deitando-o entre os lençóis amarrotados.

- Não pense Quatre. Você é o que é, e nada me faria deixar de amá-lo, mesmo que resolvesse enlouquecer e matar todos que encontrar, apenas por que a presença deles não o agrada. – brincou Trowa.

- Eu causo-lhe tantos problemas. – admitiu Quatre.

- Mas está aprendendo. Você foi abraçado há pouco tempo amor, não tenha pressa, eu estou aqui para ajudá-lo.

O árabe meneou a cabeça sabendo que o amante tinha razão, ele abraçou Trowa suspirando, antes de afastar-se e olhar em seus olhos, vendo seus pensamentos. Seu juramento estava marcado para dali a uma semana e por conta disso, precisava deixar a residência do shuhan e ir para outro lugar.

- Para onde vamos? – indagou o loiro.

- Para minha casa, meu anjo. Ela fica há algumas horas daqui e é longe o suficiente para que não tenha contato com o shuhan até fazer seu juramento perante o clã.

- Posso dizer tchau a Duo? – perguntou Quatre.

- Infelizmente não, Heero ainda não comunicou Duo de que eles terão de se separar, ele disse que vai esperar até o último momento para fazê-lo.

- Entendo. – triste por não poder despedir-se de seu amigo. - Quando partirmos?

- Assim que terminar de se arrumar, devemos sair antes que Duo levante e pergunte por você. – informou Trowa.

- O que Heero vai dizer, quando Duo perguntar por nós? – perguntou Quatre levantando-se assim que o amante se afastou.

- Não sei, mas Heero disse que inventaria algo. – informou Trowa começando a se vestir.

Eles trocaram-se rapidamente, pegando mudas de roupa, suficientes para uma semana. Deixando os aposentos em silêncio, se encaminhando para a garagem, e encontrando Heero aguardando-os.

O shuhan dos Khushrenada havia se levantado há poucos minutos. Sabia que Trowa e Quatre estariam partindo aquela noite e tencionava falar-lhes antes que partissem, por isso deixou o amante adormecido no quarto e seguiu para a garagem uma vez que Barton havia dito que pegaria um dos carros.

- Quatre vim desejar-lhe boa sorte em seu juramento, uma vez que não nos veremos antes de uma semana. – disse Heero.

- Obrigado shuhan. – disse Quatre abaixando a cabeça em respeito.

- Vemos-nos em uma semana. – despediu-se Trowa.

Heero meneou a cabeça apertando a mão do vampiro de olhos verdes, antes que o mesmo entrasse no carro. O japonês observou-os deixar a garagem e decidiu por retornar ao quarto antes que seu futuro nakama acordasse e desse por sua falta.

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Algumas horas depois:

Quatre desceu do carro olhando para a pequena casa branca, localizada numa vilazinha rústica próxima a região marítima. Trowa abraçou Quatre pela cintura sorrindo diante do olhar do amante, ele puxou o loiro em direção à porta, abrindo-a. Fazia muito tempo que não vinha a sua casa, por isso havia pedido a Kimitsu que encontrasse alguém para limpa-la, antes que eles viessem.

- Bem-Vindo a nossa casa amor.

- É linda. – disse Quatre sinceramente.

Trowa deixou que Quatre andasse pela casa, verificando cada cômodo, enquanto ele deixava as malas no quarto principal.

Quatre achou a casa confortável e acolhedora, alguém certamente havia limpado-a, pois a mesma exalava limpeza e organização.

- Ela é perfeita Trowa. Você mora sozinho? – perguntou Quatre maliciosamente.

Trowa sorriu diante da insinuação, puxando o amante para seus braços, beijando-lhe o pescoço pálido, antes de responder.

- Na verdade eu queria saber se gostaria de viver comigo aqui. Heero deve permanecer no Japão algum tempo, entretanto não é necessário que estejamos com ele todo o tempo. Podemos ficar aqui, quando não precisarem de nós.

- Adoraria. – disse Quatre beijando Trowa e empurrando-o para a cama. – O que acha de comemorarmos tal decisão.

Trowa sorriu antes de capturar os lábios do amante entre os seus. Ele precisava falar com Quatre sobre seu juramento, ensiná-lo sobre as palavras que ele deveria recitar perante o shuhan e o clã, bem como falar sobre alguns detalhes a cerca do clã Khushrenada. Mas falaria sobre isso mais tarde, afinal tinham sete dias antes que o árabe tivesse de se apresentar ao clã.

Quatre gruniu diante dos pensamentos do amante mordendo-o profundamente no ombro, ganhando sua total atenção.

- Pare de pensar e me ame Trowa Barton. – ordenou Quatre, vendo à íris esverdeada ser substituída pelo vermelho.

- Com prazer.

Respondeu ele deixando qualquer pensamento que não fosse o de amar seu companheiro para depois, afinal ele não queria receber outra mordida no ombro e tinha certeza de que Quatre o faria caso sua mente não estivesse voltada unicamente a satisfazê-lo.

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Dois dias depois:

Duo franziu o cenho olhando para Treize, pensando sobre quanto tempo fazia que não via Quatre e Trowa, quer dizer sabia que estava passando bastante tempo com Heero, mas ainda assim ele havia visto todos os outros menos esses dois. Ele ouviu o pigarrear de Treize e voltou sua atenção à folha em sua mão, tentando repetir as palavras, o antigo shuhan dos Khushrenada havia dito que eles precisavam iniciar os estudos sobre a língua dos vampiros, o quanto antes.

Por isso pelo menos no inicio ele passava quase duas horas com Treize. Ele olhou para o relógio na parede, vendo que as horas haviam passado rapidamente, Heero entrou na biblioteca meneando a cabeça a Treize que se levantou deixando-os a sós.

- Como vão seus estudos? – perguntou Heero beijando o humano suavemente antes de sentar-se no lugar desocupado por Khushrenada.

- Hee, eu comecei hoje. – respondeu Duo. – Você sabe por onde anda o Quatre, não o tenho visto esses dias?

- Ele viajou com Trowa, mas volta logo não se preocupe. – disse Heero olhando nos olhos do amante que concordou, jogando a folha que tinha em mãos sobre a mesa.

- O que acha de você me levar para jantar fora? – perguntou Duo maliciosamente.

- Claro. – concordou Heero levantando-se fazendo Duo acompanha-lo. – Conheço um lugar tranqüilo onde podemos ir, embora eu tivesse outros planos para nós essa noite.

- Que planos? – perguntou Duo deixando o vampiro abraçá-lo pelas costas.

- Eu lhe conto assim que chegarmos a nosso quarto. – disse Heero mordiscando o pescoço de Duo.

Duo arrepiou-se por completo diante da mordida, antes de sorrir e tomar a mão que lhe era estendida, não sabia que planos o vampiro tinha em mente para a noite, mas no momento não se importava nem um pouco em simplesmente permanecer no quarto com Heero.

Caminharam em silêncio até o aposento. Quando chegaram, Duo fez menção de abrir a porta sendo detido pelo amante.

- Feche os olhos. – pediu o vampiro.

- O que você está aprontando Hee?

- Você logo vai descobrir.

Disse Heero, pegando as mãos de Duo quando o mesmo fechou os olhos guiando-o pelo quarto em direção ao jardim. Duo podia ouvir uma musica suave e sorriu, deixando Heero guiá-lo, pelo quarto.

- Abra. – disse Heero atento à reação do humano.

Duo abriu os olhos diante do pedido de Heero, vendo deslumbrado que a varanda fora decorada para um jantar intimo. Ele voltou-se para o vampiro, caminhando até a pequena mesa, com duas almofadas grandes, uma ao lado da outra, na mesa haviam travessas tampadas e louça para duas pessoas. Um vaso com orquídeas vermelhas decorava a mesa, bem como velas acessas que davam um toque intimo.

- Adorei Heero. – disse Duo beijando o vampiro.

Heero se permitiu finalmente sorrir, ao ver a surpresa nos olhos de Duo, quando o mesmo perguntara se podiam sair, temera que o amante não apreciasse o jantar que preparara para ambos.

- Fico feliz em saber. Podemos sair mais tarde se quiser. – disse Heero.

- Talvez amanhã, hoje eu quero desfrutar apenas de você e do jantar.

Disse Duo puxando Heero com ele, sentando-se em uma das almofadas e começando a retirar as tampas das travessas e verificando seu conteúdo. Como poderia querer sair? Depois dessa surpresa agradável do vampiro, poderiam fazê-lo em outra noite, pois tinha a ligeira impressão de que o amante tinha mais surpresas reservadas para eles.

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Cinco dias depois:

Quatre estava cansado de esperar, ele e Trowa haviam chegado há duas horas para o juramento e até o presente momento nada havia acontecido. Ele olhou para o amante que lhe sorriu pedindo mentalmente para que tivesse paciência, o árabe revirou os olhos, exasperado batendo com o pé no chão tentando se acalmar.

Trowa podia sentir a irritação de Quatre crescer a cada minuto em que esperavam serem recebidos pelo shuhan e pelos Anciões e sabia que isso não era nada bom, ele tomou a mão do amante entre a sua de forma a fazê-lo desviar seus pensamentos da demora, o fazendo apenas suspirar.

A porta da sala na casa dos Anciões abriu-se e um vampiro de cabelos castanhos dirigiu-se a eles.

- O shuhan e Os Anciões vão recebê-los. – informou o vampiro aguardando para guiá-los.

- Finalmente. – murmurrou Quatre se levantando.

O vampiro estreitou os olhos diante das palavras do vampiro loiro. Quatre pode ouvir a recriminação do outro em sua mente e seus olhos avermelharam voltando-se para o vampiro que recuou assustado diante da maldade em seu olhar.

Trowa balançou a cabeça e empurrou Quatre em direção à porta fazendo-o desviar os olhos do outro vampiro que tremia.

"Comporte-se." – disse Trowa mentalmente ao árabe.

Quatre sorriu maldosamente, fazendo sua natureza se aquietar por enquanto. Ele fechou os olhos seguindo silenciosamente o amante para dentro da sala onde se encontravam os Anciões e Heero sentados sendo que o shuhan ocupava o assento do central.

Heero havia sentido a irritação de Quatre crescer a cada instante em que deixavam o vampiro loiro esperando, mas infelizmente os Anciões haviam desejado discutir alguns assuntos com ele antes do juramento do árabe, o que causou o atraso. Sentiu a natureza de Winner se elevar e esperou que Trowa domasse seu amante, sentindo em segundos a natureza de Winner acalmar o suficiente para não causar problemas.

Quatre curvou-se em sinal de respeito ao shuhan dos Khushrenada, sentindo Trowa se afastar.

Os Anciões observavam com curiosidade o jovem a sua frente, o mesmo tinha uma aparência tão serena, quase celestial, embora a presença que houvesse sentido a pouco contradissesse o que viam.

- Quatre Winner e por sua livre vontade que se apresenta ao clã dos Khushrenada, para prestar seu juramento? – perguntou Heero friamente.

- Sim meu senhor.

- Levante-se e abra seus olhos.

Quatre ergueu a cabeça abrindo os olhos e encarando os oito vampiros atrás de Heero, eles não pareciam grande coisa aos seus olhos. Seu olhar encontrou o de Trowa, que o censurou diante de seus pensamentos. O árabe abaixou os olhos sorrindo cinicamente, voltando seu olhar ao shuhan.

Heero voltou-se para os Anciões, vendo Lantis[13] levantar-se para dar continuidade ao juramento de Quatre.

- Quatre Raberba Winner, você conhece suas obrigações e deveres para com o shuhan do Ichizoku dos Khushrenada?

- Sim. – respondeu Quatre, se preparando mentalmente para o que estava por vir.

Trowa fechou os olhos procurando diminuir sua ligação com Quatre, sentiu-o preparar sua mente e intimamente torceu para que seu anjo passasse pelo julgamento. Heero colocou-se junto a Barton de forma a ampará-lo caso o árabe não conseguisse controlar sua natureza durante o julgamento de alma.

Como Quatre era um vampiro o juramento que o mesmo deveria prestar era um pouco diferente do que Duo faria.

Quando um vampiro desejava tornar-se membro do clã e mostrar fidelidade, eles passavam pelo juramento e por um julgamento de alma, com o intuito de descobrir o quão valioso ele poderia vir a ser ao clã.

Na visita que ele e Treize haviam feito aos Anciões assim que chegaram ao Japão, o antigo shuhan dos Khushrenada havia insinuado que Quatre seria um vampiro poderoso com o tempo, e quando chegara para o juramento do árabe um dos Anciões o havia sondado a cerca do quão valioso ao clã Quatre poderia vir a ser.

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Duas horas antes:

Heero entrou na morada dos Anciões para assistir ao juramento de Winner. Por decisão dos Anciões os mesmos haviam dito que o juramento do árabe poderia ser feito na morada deles. Ele havia deixado Duo estudando com Treize, enquanto estava fora, uma vez que o juramento do árabe não deveria demorar muito.

Ele entrou na sala preparada para o juramento encontrando os Anciões, que se levantaram a sua presença.

- Honra ao shuhan do ichizoku dos Khushrenada. – disse os Anciões à presença de Heero.

O japonês meneou a cabeça sentando-se entre eles, enquanto aguardava a chegada de Trowa e Quatre que chegariam alguns minutos.

Nolan voltou-se para o shuhan, a fim de indagá-lo a cerca do jovem Winner, as informações que tinham do mesmo, não pareciam dar uma dimensão real do potencial do loiro. Sabiam que o mesmo era amante de Barton, bem antes de ter sido abraçado pelo mesmo, e que era um psíquico, mas o quão forte ele se tornaria?

- Shuhan, sobre o jovem chamado Winner, acredita que ele será uma aquisição valiosa aos Khushrenada? – indagou Deberoux. – Muitos jovens psíquicos tendem a enlouquecer com o tempo.

Heero estreitou o olhar diante do tom de Deberoux, antes de sorrir cinicamente, quando uma idéia passou por sua mente.

- Vocês poderiam testar sua força. Uma vez que pelas leis todos os vampiros a prestarem o juramento devem ser julgados. – respondeu Heero cinicamente.

Deberoux olhou para seus irmãos que menearam a cabeça em acordo, antes de voltar-se novamente ao shuhan, sendo imediatamente respondido pelo mesmo.

- Vocês o julgaram, eu conheço a força de Quatre, não preciso de provas quanto a seu valor para o clã. – disse Heero friamente fazendo Deberoux abaixar a cabeça. – Apenas um aviso, não o provoque.

Nolan notou o desagrado do shuhan quanto à pergunta de Deberoux, e o fato do líder do clã não desejar julgar pessoalmente o valor do jovem de nome Quatre, bem como o aviso para não provocar o jovem a ser julgado. Mas ao olhar para Debertoux sabia que o mesmo não tencionava seguir o conselho dado pelo shuhan.

O Ancião viu o shuhan dos Khushrenada fechar os olhos por alguns instantes antes de abri-los com um sorriso ligeiramente assustador em sua opinião.

Heero sentiu a presença de Trowa e Quatre, e o sentimento que preencheu o árabe ao ouvir que teriam de esperar. Sabia que isso deixaria Winner aborrecido o que faria com que sua natureza se tornasse ainda mais irritadiça, sabendo antecipadamente o que isso causaria.

o.o.o.o. _Flashback.o.o.o.o.o

Ele sabia o que os Anciões estavam prestes a fazer e sabia também que Quatre não pegaria leve com nenhum deles. Se eles queriam ter certeza de quão valioso Winner seria para o clã deixaria que o testassem.

Deberoux levantou-se analisando o vampiro antes de dirigir-se a ele, sentiu um ligeiro desconforto ao encarar os olhos azuis, era como se olhasse nos olhos da própria maldade.

Quatre sorriu diante dos pensamentos do Ancião, ele sabia o que os mesmos planejavam, e estava disposto a mostrar-lhes o que desejavam saber, embora procurasse manter em mente que não deveria se exceder uma vez que não desejava ferir o amante.

Ele olhou para Heero ao lado de Trowa, vendo-o assentir, sentiu sua natureza se agitar e o conhecido frenesi se anunciar por sua pele.

Trowa estremecer diante da insanidade que sentia partir do amante, e sentiu o toque de Heero em seu braço, dando-lhe consentimento para deixar a natureza de seu amante se libertar.

Quatre fechou os olhos sentindo-a percorrer o seu corpo suavemente, como uma caricia a aquecer-lhe o corpo, ele estalou o pescoço, abrindo os olhos que se encontravam vermelhos, olhou para o amante, que abrira os olhos, estes tão vermelhos quanto os seus. Ouviu a voz suave em sua mente e um sorriso malévolo ornou-lhe o rosto pálido.

"Faça meu anjo. Seja você mesmo." – consentiu Trowa.

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Uma hora depois:

Heero olhou para os Anciões com um sorriso cínico. Os mesmos não tinham palavras para descrever o jovem Quatre, o mesmo havia demonstrado ser de grande valor e mesmo se não o fosse ele era perigoso demais para não tê-lo como aliado. Sua natureza era doentia e malévola, e sabiam que a única coisa que o impedira de matá-los era o shuhan e Barton.

Nunca antes haviam encontrado um psíquico tão poderoso, pelo menos não depois de Heero, que poderia ser tão cruel quanto o jovem árabe. Ainda assim era raro ver alguém tão jovem com tamanha habilidade empática e psíquica. Se o shuhan não houvesse dito que já tinha planos para o jovem loiro tornariam Quatre um de seus guardiões, uma vez que com suas atuais habilidades ele equivalia em força a dez vampiros,.

- Bem creio que não há duvidas quanto a Winner ser ou não valioso aos Khushrenada. – disse Heero, vendo todos assentirem.

- Ele...- parou Deberoux sem saber o que dizer, sua mente ainda doía do que o árabe havia feito.

- Quatre não gosta de ser provocado. – disse o shuhan a Deberoux.

Por alguns instantes Heero deixou que Quatre torturasse os Anciões, principalmente Deberoux, uma vez que o loiro conhecia os pensamentos do Ancião a cerca de não acreditar que ele realmente pudesse ser valioso. Aliado ao fato de que o mesmo merecia por não ter dado ouvido a suas palavras sobre não provocar Winner. Havia omitido que o árabe havia enfrentado um Necro e sobrevivido, por isso permitiu que Quatre fizesse o que queria, tendo o cuidado apenas de não deixa-lo matar nenhum dos Anciões e nem de deixá-lo exagerar uma vez que Trowa se encontrava quase que esgotado.

- Como não temos mais nada a tratar. – disse Heero levantando-se.

Os Anciões levantaram-se em respeito, voltando a sentar-se assim que o shuhan se retirou. Nolan olhou para seus irmãos, que se encontravam de olhos fechados, ponderando alguns instantes sobre Quatre, o simples pensamento sobre o mesmo lhe doía à alma. Treize tinham razão quanto ao fato de que o jovem se tornaria um psíquico poderosíssimo, se aprendesse a controlar sua natureza, ele esperava apenas que Trowa tivesse forças para conter seu amante, caso o contrário, o jovem vampiro seria sem sombra de dúvidas um adversário impiedoso e cruel.

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Alguns dias depois:

Os dias avançaram rapidamente. E a cada dia Duo aprendia mais e mais com Treize e Heero a cerca do clã. Suas leis, seus costumes e a língua dos antigos.

Treize sorriu ao ver Duo pronunciar o juramento na língua dos antigos quase que corretamente, se não fosse à confusão entre duas palavras. Ainda tinham que treinar um pouco mais algumas partes, mas o humano havia superado suas expectativas. Ele viu Heero entrar na sala e levantou-se em sinal de respeito.

Havia lembrado ao japonês sobre o afastamento dele do humano e sabia o quanto o mesmo estava relutante em deixá-lo.

- Treize poderia nos dar licença? – pediu Heero. – Preciso falar com meu futuro nakama.

- Perfeitamente shuhan. – respondeu Treize deixando a sala.

Duo olhou para o amante que parecia preocupado, viu-o estender-lhe a mão e levantou-se para estar junto ao vampiro.

- Vamos para nosso quarto. – disse Heero abraçando o humano pela cintura.

- Está bem.

Seguiram em silêncio até o aposento deles. Heero afastou-se para abrir a porta que dava acesso ao jardim interno, tomando a mão de Duo entre a sua, levando-o para sentarem-se em uma das espreguiçadeiras. Ele sentou-se com Duo em seus braços. Ficando em silêncio durante algum tempo até que Heero iniciou a conversa que precisava ter com ele.

- Treize me disse que você está indo muito bem, em suas lições e que talvez você venha a prestar seu juramento bem antes do que esperávamos.

- Isso é bom ou ruim? – perguntou Duo apreensivo diante do estranho diálogo.

- É bom, pois o quanto antes você fazê-lo, o quanto antes poderei apresentá-lo como meu escolhido e iniciarmos os procedimentos para nossa união. – respondeu o vampiro abraçando o amante que não parecia convencido.

- Então o que te perturba?

- Você me conhece bem demais. – disse Heero vendo-o sorrir.

Sim ele sabia quando algo incomodava o vampiro, eram pequenos gestos, detalhes imperceptíveis para a maioria, mas que Duo sabia identificar plenamente. Quando o amante estava aborrecido, irritado, preocupado, ansioso, entre outros inúmeros sentimentos que não transpareciam, nos olhos frios do vampiro.

- As leis do clã dizem que não devo manter contato com nenhum individuo a fazer o juramento. – disse Heero.

- Quanto tempo? – perguntou Duo afastando-se dos braços do vampiro.

Somente neste momento entendeu o motivo de Quatre ter sumido por quase uma semana, poucos dias depois que chegaram ao Japão. Lembrava-se de ter perguntado a Heero pelo amigo, recebendo apenas a informação de que o loiro havia ido para outro lugar com Trowa, mas que retornaria em breve.

- Não sei, vai depender de Treize e dos Anciões marcarem uma data para seu juramento, mas acredito que deva ficar longe de você por pelo menos algumas semanas.

- Algumas semanas? – repetiu Duo descontente.

- Infelizmente sim, há alguns assuntos referentes ao clã os quais andei ignorando até o momento e tenho de resolvê-los antes que possamos estar juntos pela eternidade.

- Mas...- tentou Duo.

- Será por pouco tempo. – disse Heero procurando confortar o amante. – Talvez duas a três semanas, no máximo.

- Você esta brincando não é?

Duo viu Heero sacudir a cabeça, dizendo não ser uma brincadeira. Levantou-se seguindo para o quarto e jogando-se na cama enterrando o travesseiro no rosto, segundos depois sentiu o colchão ceder e logo em seguida o travesseiro ser retirado de suas mãos.

- Acredite não gosto disso tanto quanto você amor, mas faz parte dos tramites do clã e nem mesmo eu posso ignorá-los. – disse Heero olhando com carinho para o humano

- Eu sei...mas é...tanto tempo.

- Eu sei, mas temos duas noites para torná-las inesquecíveis. – disse Heero maliciosamente.

Duo olhou para o vampiro suspirando, sabia que não havia nada para impedir que se afastasse, mas contentou-se com o fato de que seria por pouco tempo.

- Mostre-me o que você tem em mente. – disse Duo vendo a íris de Heero avermelhar, segundos antes do vampiro deitar-se sobre ele.

- Será meu prazer faze-lo. – respondeu Heero.

Duo sorriu tocando o rosto do amante suavemente. Heero capturou os lábios de Duo, trazendo-o para seus braços, ele daria ao humano, duas noites inesquecíveis, para que elas aquecessem seus corações e o ajudassem a suportar a ausência temporária.

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Algumas semanas depois:

Duo olhava pela janela do quarto, a tarde dar lugar à noite. Em algumas horas ele estaria prestando seu juramento de lealdade perante o clã Khushrenada. Seu coração bateu mais forte, diante da perspectiva de que veria Heero depois de tanto tempo afastados.

Uma batida na porta o fez desviar o olhar da janela, para a porta que se abriu dando passagem a Kimitsu que lhe trazia sua refeição. Não sentia fome, mas sabia que tinha de comer algo, nem que fosse pouco. Virou-se para o empregado, que lhe sorriu diante do agradecimento.

- Obrigado Kimitsu.

- De nada senhor Yuy. – respondeu o empregado se retirando.

Duo sorriu diante da forma que fora chamado, pegando um pouco de chá. Desde o dia em que ele e Heero se separaram Kimitsu o tratava pelo sobrenome do japonês, dizendo que havia sido ordens do shuhan. De inicio sentiu-se constrangido, mas com o passar dos dias acostumou-se, achando natural já ser tratado como esposo de Heero.

Ele sentou-se para degustar a refeição leve, que consistia de chá, suco, pães, frios e alguns tipos de pastas. Olhou para a roupa que separara para a cerimônia, que se encontrava depositada sobre a cama. Não sabia ao certo o que usar, uma vez que Treize dissera apenas que qualquer roupa era aceitável. Entretanto ele não queria estar aceitável e sim perfeito, de forma a fazer o amante lamentar ter se separado dele, mesmo que houvesse sido necessário.

Duo colocou a xícara sobre a mesa, levantando-se assim que terminou de comer. Seguindo para suíte para banhar-se uma vez que pelo horário Quatre logo estaria ali para acompanhá-lo até o salão onde se daria o juramento.

Deixou que a banheira enchesse, antes de despir-se e entrar nela, soltando os cabelos que seriam lavados.

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Em algum ponto da cidade de Toshima:

Heero olhou para o espelho vendo apenas a lua refletida. Suspirou, diante das noticias recebidas, sem saber se ficava aborrecido ou irritado, com o andamento das coisas.

- Tem certeza disso Treize? - perguntou Heero.

- Acredito que seja o melhor a ser feito. Os boatos sobre seu casamento estão percorrendo os corredores de todas as casas do clã, é apenas uma questão de tempo até descobrirem a verdade.

Heero voltou o olhar para a janela, procurando a presença de Trowa, ele precisava descobrir quem estava espalhando tais boatos, uma vez que os Anciões haviam dito que nada seria falado até o final do juramento de Duo. Localizou a presença do latino encaminhando-se para o local onde se encontrava, passando-lhe uma mensagem.

- "Trowa peça a Quatre que investigue quem está espalhando os boatos sobre meu casamento"

- "Perfeitamente Heero"– disse Trowa, parando ao ouvir dois vampiros conversando, já era o segundo grupo que encontrava, comentando sobre o mesmo assunto. - "Encontrei alguns vampiros pelos arredores do salão, e eles falavam que você escolheu Julian como seu nakama" – disse Trowa sentindo a irritação de Heero aumentar.

- "O nome de Duo foi mencionado?" – perguntou preocupado o japonês.

- "Não" – respondeu Trowa, que acabava de falar mentalmente com o amante. – "Quatre disse que será sua prioridade descobrir o fofoqueiro, assim que terminar o juramento de Duo."

- "Perfeito". – disse Heero encerrando a conversa.

Heero voltou-se para Treize meneando a cabeça, concordando com a sugestão do antigo shuhan, talvez fosse o melhor mesmo. O único problema era que não podia informar Duo sobre o anúncio uma vez que não queria que o humano se preocupasse com mais nada além do juramento.

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Em uma das casas do clã Khushrenada:

Duo fechou os olhos por alguns minutos, desfrutando da sensação relaxante, e deixando que seus pensamentos voassem pelos acontecimentos dos últimos dias. Há pelo menos quatro dias haviam trocado de residência, um dos motivos era a de irem para uma residência mais próxima ao local onde seria o juramento e onde se encontrava boa parte do clã. E outra por conta do incidente ocorrido na última residência em que havia sido acomodado, a pouco mais de uma semana após deixar a casa de Heero.

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Duo fechou a partitura olhando melancolicamente pela janela. Sabia que deveria estar dormindo, afinal já passava da uma da manhã, mas estava com saudades de Heero. Estava escrevendo uma canção pensando no amante, o que fez apenas aumentar sua saudade pelo mesmo.

Relutante decidiu deitar-se antes que Quatre resolvesse aparecer para ver se estava bem, estranhava o fato do mesmo até o momento não ter aparecido, pois o loiro andava quase que paranóico com sua segurança, embora não pudesse censurá-lo.

Duo riu ao lembrar-se das cantadas que havia recebido desde que chegara a casa de um vampiro chamado Zora, que segundo Trowa era confiável o suficiente para saber o lugar dele.

Não sabia o que isso significava, mas de fato havia visto o tal Zora apenas uma vez, quando chegou sendo o mesmo muito polido e solicito. Agora os demais vampiros que encontrou, havia sido bastante persuasivo quanto a quererem levá-lo para cama e abraçá-lo, felizmente a todos eles Quatre e Trowa haviam colocado em seu devido lugar. Se bem que no caso de Quatre a vontade do amigo era a de trucidar cada um daqueles que se atreveram a tentar tocá-lo.

Duo trocou sua roupa por um pijama preto, seguindo até a suíte, sem notar que era observado através da janela. Assim que deixou o aposento e entrou no banheiro, seu observador invadiu o quarto pela janela aberta, apagando as luzes e escondendo-se num canto.

O americano viu as luzes do quarto se apagarem e estranhou, sendo preenchido por uma estranha apreensão. Duo entrou no aposento escuro, deixando a luz do banheiro acessa, alguma coisa nele se agitou e soube imediatamente que não estava sozinho no quarto. Seu coração bateu mais rapidamente e por um segundo a idéia de se trancar no banheiro e chamar Quatre passou por sua mente, até que uma voz se vez presente no meio da escuridão.

- Não precisa ter medo de mim. – disse um vampiro de longos cabelos negros, que acendeu as luzes, tão logo sentiu a apreensão do humano.

- Quem é você e o que faz no meu quarto? – indagou Duo, mantendo-se onde estava, uma vez que sabia que o outro não deveria ter boas intenções.

- Eu me chamo Anthonie Thelarzers. – apresentou-se o vampiro percorrendo o humano com os olhos.

Ele havia visto o humano chegar a dois dias e ficara deslumbrado com sua beleza, tentou aproximar-se do mesmo, mas o humano era sempre vigiado por outros dois vampiros, que ameaçavam a qualquer um que se atrevesse a se aproximar demais do humano a sua frente.

Por isso teve de bolar uma forma de vê-lo longe dos outros dois, havia até mesmo tentado descobrir o quarto onde o humano se encontrava, não conseguindo nenhuma informação. Já havia desistido de encontrá-lo quando ao passar pelo jardim, avistou-o na varanda e decidiu que aquela seria a noite em que poderia satisfazer seus desejos.

Antonhie aproximou-se rapidamente do humano, tendo o prazer de ver os olhos dele mais de perto, viu-o recuar e tomou-lhe o braço fortemente o puxando para si, seus olhos avermelharam e procurou induzi-lo a ceder a seu controle. Surpreso diante da resistência inesperada por parte do mesmo.

Duo não vira o vampiro se mover e antes que percebesse, o mesmo estava quase que colado a ele, tentou recuar, mas o mesmo agarrara seu braço o puxando, e invadindo-lhe a mente tentando fazê-lo ceder a sua vontade. Deu um sorriso sarcástico, como se fosse tão fácil faze-lo se render.

Sentiu uma das mãos dele percorrendo seu corpo, enraivecendo-o, e fechou os olhos livrando-se do abraço e acertando um soco no rosto do vampiro que o olhou com ódio.

- Não nesta vida. – disse Duo caminhando para o meio do quarto, ele precisaria de espaço para lutar e a porta da suíte não era o melhor lugar para isso.

O vampiro sorriu diante da fúria que via reluzindo na íris ametista, e que tornava seu dono ainda mais atraente.

Antonhie moveu-se rapidamente até o humano, disposto a não desistir, afinal o outro era apenas humano e ele um vampiro, sua força e velocidade eram mais que suficientes para derrotá-lo e obter o que queria.

Duo fechou os olhos, sabia que os mesmos de nada adiantariam diante da velocidade do vampiro, Heero lhe havia ensinado a não depender deles numa luta contra vampiros, mas sim confiar em seus outros sentidos e no seu instinto.

Anthonie surgiu atrás do humano, estendeu a mão para tocá-lo, mas o mesmo conseguiu desviar-se, girando o corpo e acertando-lhe outro soco. Não sabia como o humano conseguia evitá-lo, nenhum humano antes oferecera tamanha resistência, e isso o tornava ainda mais atraente a seus olhos. Entretanto não estava disposto a ser atingido novamente, uma vez que o soco do humano era forte.

Ele moveu-se rapidamente pelo quarto procurando uma abertura, mas não encontrando, começando a se irritar.

Duo estava ofegante, seu coração retumbava em seus ouvidos e sabia que tinha de se acalmar ou não poderia ouvir os movimentos do vampiro. Procurou respirar devagar, obtendo à calma que necessitava, ele abriu os olhos momentaneamente dando de cara com o vampiro parado a poucos passos, o mesmo lhe sorriu fazendo-o estreitar os olhos.

O vampiro estava pronto para partir para cima do humano, quando uma dor alucinante preencheu sua mente. Instantes depois a porta do quarto foi partida ao meio pela entrada de um vampiro loiro e olhos flamejantes.

- Quatre. – disse Duo assim que o amigo entrou.

- Você está bem? – perguntou Quatre sem desviar os olhos do vampiro de cabelos negros.

Ele havia sentido a apreensão de Duo e no mesmo instante correra para o quarto do amigo, sentindo a presença de um vampiro no quarto do humano deixando então que sua natureza se rebelasse.

Quatre caminhou até o vampiro, vendo pelo canto do olho Duo sentar-se na cama. Seu ódio aumentou, e ele estreitou o olhar, fazendo o vampiro se contorcer diante da dor que causava em sua mente e corpo.

- Como você ousou pensar em se aproximar dele. – disse Quatre lançando o vampiro contra a parede do quarto.

Duo olhou para o amigo vendo-o torturar o vampiro de cabelos negros, e fechou os olhos diante dos gritos de dor.

Quatre sentiu o amante em sua mente, perguntando o que acontecera, informando-o de que um vampiro havia ousado entrar no quarto de Duo. Ele ouviu seu amante partilhar de sua decisão e sorriu, ele olhou para o vampiro erguendo-o do chão com sua mente, perguntando-se o quanto um corpo poderia vergar sem quebrar, decidindo descobrir uma vez que tinha um corpo disponível, mas antes ele precisava calar a voz do vampiro, uma vez que seus gritos o estavam aborrecendo.

Duo abriu os olhos diante do silêncio, imaginando que Quatre já houvesse terminado de torturar o vampiro, mas arrependeu-se de não tê-los mantido fechado.

Antonhie se encontrava suspenso no quarto, o corpo parecia que era torcido por duas mãos invisíveis, de seus lábios não saiam nenhum som, embora sua boca encontrava-se aberta e movendo-se como se gritasse, seus olhos reviravam e era visível toda a dor o qual era submetido.

Quatre pode sentir os sentimentos de Duo e decidiu que já tivera o bastante, ele soltou o vampiro que caiu como uma pedra no chão.

- Você o matou? – perguntou Duo não sabendo se gostaria de continuar a dormir naquele quarto.

- Não ele ainda está vivo. Afinal vegetais também são considerados coisas vivas não são? – perguntou Quatre cinicamente.

Duo balançou a cabeça diante do cinismo do amigo, voltando-se para a porta vendo olhos curiosos de humanos e vampiros.

Quatre voltou-se para onde Duo olhava, os olhos vermelhos em irritação ordenando que chamassem Zora. Imediatamente todos desapareceram, o fazendo rir, antes de voltar-se para o amigo ainda com um sorriso nos lábios.

- Pegue o que você precisar, você vai dormir comigo hoje. – disse Quatre, vendo o amigo assentir.

o.o.o.o. _Flashback.o.o.o.o.o

Zora aparecera minutos depois tentando se desculpar, pelo ocorrido, entretanto Quatre não havia sido nada benevolente informando o vampiro que o shuhan saberia pessoalmente o que havia acontecido com o humano que estava sobre a proteção de sua casa.

Tivera pena do vampiro, embora Trowa houvesse aparecido pouco tempo depois apenas para informar o quanto Heero estava desgostoso com o acontecimento, e de que o mesmo viria pessoalmente falar-lhe o que causou certo estremecimento no mesmo. Naquela noite dormira no quarto de Quatre, deixando para partirem apenas no dia seguinte.

Pelo tempo em que permaneceram na casa de Zora, o amigo aumentou a vigilância sobre ele ameaçando mentalmente qualquer um que o encarasse durante muito tempo.

Treize providenciara outra casa tão logo fora comunicado, hospedando-os numa casa onde havia apenas humanos, uma vez que o vampiro disse que eles eram mais fáceis de amedrontar. O que de fato era verdade, Quatre deixou bem claro o que aconteceria quem ousasse olhar ou falar com Duo, por isso assim que os outros viam Quatre, pareciam prestes a desmaiar de medo, o que apenas alimentava a natureza perversa do amigo.

Duo sorriu diante dos pensamentos de que Quatre era um monstro e que o mesmo adorava isso. Não tinha do que reclamar quanto a isso, com Heero distante sentia-se mais seguro com Quatre, do que se estivesse protegido por uma dúzia de vampiros.

Não haviam tido problemas semelhantes, como os corridos na casa de Zora, e na verdade achava o lugar em que se encontravam era bem mais agradável. Eles estavam numa vila próxima a Somei, localizada na cidade de Toshima, ela ficava a dois dias de carros, da casa de Zora, mas a pouco mais de uma hora se fossem de trem bala. Sentiu alguém observá-lo e abriu os olhos, temeroso, sorrindo ao ver que era apenas Quatre.

- Achei que estivesse dormindo. – disse o loiro sentado confortavelmente na cadeira localizada junto ao espelho que cobria toda a extensão da parede.

- Apenas pensando. – disse Duo que decidiu terminar logo o banho, uma vez que a água já estava parcialmente fria.

Quatre permaneceu em silêncio algum tempo, vendo o amigo lavar os cabelos. Quando chegara sentira a presença de Duo no banheiro, batera na porta, mas o mesmo não respondera, por isso decidiu entrar, encontrando-o de olhos fechados como se estivesse dormindo. Sentou-se na cadeira observando-o até que o mesmo pareceu notar sua presença.

- Alguma novidade? – perguntou Duo lavando o corpo, enquanto o condicionador fazia seu efeito nos cabelos.

A idéia de falar sobre o pedido de Heero, quanto a encontrar a pessoa que estava espalhando boatos a cerca do casamento, dançou em sua mente por alguns segundos, mas decidiu não queria preocupar Duo com esse assunto. Falando sobre outro que certamente deixaria o amigo feliz.

- Noventa e os outros chegaram há pouco. – disse Quatre. – Eles ficaram hospedados na casa de Heero, por ordens do mesmo. Como nem Treize e nem Heero se encontram, Catherine disse que você não deve se preocupar com nada, que ela cuidara para que todos sejam acomodados.

Duo ficou surpreso diante da noticia, em sua opinião ainda era muito cedo para os mesmos chegassem, uma vez que ainda não tinham idéia de quando seria o casamento, ainda assim a chegada deles era muito bem vinda.

- Ainda bem. Acho que não teria cabeça para me preocupar com isso agora. – disse Duo, ligando novamente o chuveiro para enxaguar o corpo e os cabelos. – Quantos vieram?

- Não sei exatamente. Todos os clãs convidados para assistirem ao casamento de vocês chegaram.

- Fico feliz em saber que estarão todos presentes. – disse Duo desligando o chuveiro pronto para sair.

- E verdade. – disse o amigo levantando-se e pegando duas toalhas e entregando-as a Duo.

- Obrigado Quatre. – agradeceu Duo pegando as toalhas.

- E claro. – disse o loiro retornando ao assunto. – Que cada um trouxe uma pequena comitiva. – ironizou o vampiro.

Duo riu enxugando parcialmente o cabelo antes de envolvê-lo com uma das toalhas, enquanto com a outra se secou, enrolando a toalha na cintura e seguindo para o quarto, sentando-se na frente do espelho, soltando os cabelos e secando-os com um secador, antes de penteá-los.

Ficou ouvindo o amigo falar, sendo informado de que apenas os lideres dos clãs ficariam hospedados na casa de Heero, os demais vampiros que vieram com os mesmos seriam alojados em outras moradias pertencentes aos Khushrenada. Pelas contas de Quatre eles tinham em media uns trezentos a quatrocentos convidados, apenas desses quatro clãs, restando ainda mais alguns clãs a serem convidados, assim que se decidissem por uma data.

Quatre pegou as toalhas levando-as para a suíte, enquanto Duo se vestia, ele retornou, encontrando o amigo a olhar-se no espelho, terminando de se arrumar. Duo estava satisfeito com o resultado obtido, ciente de que o amante aprovaria sua aparência. Virou-se para o amigo que se aproximou tomando-lhe as mãos diante do nervosismo que sentia vir do americano.

- Eu estou com tanto medo. – confessou Duo.

- Que é isso Duo, você já enfrentou coisas muito piores, além do mais você não estará sozinho lá dentro, e eu entrarei com você. Você lembra-se do juramento não é?

Duo sorriu da apreensão do amigo, sim ele se lembrava do juramento, poderia até mesmo recita-lo de trás pra frente e de cabeça pra baixo, mas esperava não se esquecer de nenhuma palavra devido ao nervosismo. Trowa havia lhe dito para encarar tudo como se fosse uma apresentação no clube, mas se fosse isso ele não teria que falar em uma língua que nunca ouvira na vida e nem enfrentar uma platéia de mais de quinhentos mortos-vivos.

- Sim Treize o repetiu comigo inúmeras vezes não se preocupe. Você...você já viu o Heero hoje? – perguntou Duo ansioso por noticias do amante.

- Não pessoalmente, o vi apenas através de Trowa. Trowa está com ele agora e. – parou Quatre procurando ver como Heero se sentia, antes de continuar a falar. - Está tão preocupado com você quanto você com ele.

- Ah!

Duo sorriu diante do que ouviu. Era interessante observar a interação de Quatre e Trowa, o que um via, era partilhado com o outro, e era apenas assim que tinha noticias de como andava Heero.

Quatre sorriu para o amigo, sabia o quanto ele queria ver Heero e sabia que o shuhan do clã sentia-se da mesma forma. Mas duas semanas após chegarem à casa do shuhan dos Khushrenada, Heero havia se afastado um pouco, para cuidar de assuntos relativos ao clã que demandavam sua atenção, e para preparar tudo para o casamento, entre outros motivos.

Fazia pelo menos três semanas que Duo não via Heero, desde que eles deixaram Epyon há mais de dois meses e chegaram ao Japão à terra natal do vampiro. Tudo porque o juramento de Duo seria essa noite, e as leis do clã dos Khushrenada dizia que o shuhan do clã não podia ter contato com quem deveria prestar o juramento.

Mas em poucos minutos Duo passaria pela cerimônia de juramento ao clã se tornando então protegido pelos Khushrenada e suas leis e somente então ele e Heero poderiam voltar a se ver.

Mas o que ansiava e o deixava ainda mais tenso era saber que logo marcariam a data do casamento e não fazia idéia de como seria. Pensar em seu casamento com o vampiro o fez suspirar e fazer Quatre olhar em sua direção, ele corou ao ver o brilho e o sorriso malicioso na face pálida do amigo, sabendo muito bem que ele sabia o que sentia.

A habilidade de Quatre havia crescido extraordinariamente, bem mais do que o esperado pelo próprio e por Trowa. Pelo que ouvira de ambos, nenhum dos dois tinha a real dimensão de até aonde iam às habilidades do loiro.

Sua mente voltou-se então para seu casamento com Heero, mas precisamente para sua lua de mel, pensar nisso causava-lhe certo frio na boca do estômago, e isso não tinha nada a ver com o fato de se deitar com o vampiro. Uma vez que eram a amantes há quase três anos, o que o estremecia por dentro era saber que sua lua de mel seria sem dúvida diferente do que planejara.

Duo olhou pela janela, o sol já havia se posto há uma hora. Ele tocou inconscientemente a marca em seu pulso, a prova de que pertencia a Heero, não que precisasse de uma marca para confirmar isso. Em alguns dias estaria entregando ao vampiro seu sangue, pois sua alma assim como seu coração já pertencia a ele. E em algumas luas se tornaria uma criatura da noite como Quatre era agora.

- Acho melhor sairmos. – disse Quatre interrompendo os pensamentos de Duo.

- Vamos. – respondeu Duo suspirando e seguindo o amigo em direção ao local do juramento.

Eles deixaram o local sob os olhos de alguns curiosos, que rapidamente desviavam o olhar diante do brilho avermelhado a reluzir nos olhos de Quatre.

"Trowa nós já estavam saindo" – informou o loiro ao amante.

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Em outra parte da cidade:

"Tudo bem, vou informar Heero." – respondeu Barton, caminhando pelos corredores que levavam ao quarto do shuhan.

Heero estava apreensivo. Desde que levantara contava cada segundo. Pois a cada um deles o tempo para ver seu amor se aproximava. Treize havia partido a pouco, depois de informar-lhe de que os clãs Noventa, Dhanylhos, NightRose e Maguanac haviam chegado e sido hospedados em sua casa, conforme seu pedido. E que Catherine estava se encarregando de tudo, uma vez que todos tinham outras preocupações no momento.

Tudo que não desejava era ainda mais complicações, já bastavam os rumores sobre seu casamento percorrendo as casas do clã. Não sabia quem havia começado a espalhar a informação de que seu casamento estava próximo, mas sabia que Quatre encontraria o culpado.

Felizmente ou não o nome de seu nakama não era conhecido, embora Trowa houvesse lhe dito que o nome de Julian havia sido mencionado em dois ou três diálogos pelos corredores. Mas não se importava com isso, se Julian estava sendo mencionado, a verdadeira identidade de seu nakama estava por enquanto preservada.

Voltou sua atenção a noite escura sorrindo diante do pensamento de que teria seu amante em sua cama, antes do nascer de um novo dia.

Trowa abriu a porta informando que precisavam ir, uma vez que Quatre lhe dissera que ele e Duo já estavam se encaminhando para o salão cerimonial.

- Heero está na hora. Quatre e Duo já partiram. – informou Barton.

- Vamos. – disse Yuy.

Eles saíram do quarto, seguindo pelos corredores até chegarem ao carro que os levaria. Em pouco mais de vinte minutos ambos adentraram o salão cerimonial.

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Salão Cerimonial:

Apenas uma parte do clã havia sido convocada para assistir ao juramento de Duo, um número bem superior ao que estivera presente ao juramento de Winner, uma vez que se encontravam no salão cerimonial, usado apenas para ocasiões especiais. Mas como havia sido uma exigência dos Anciões que o juramento do humano fosse realizado ali, sabia que a presença dos vampiros a cerimônia se devia aos mesmos.

- Honra ao shuhan do ichizoku dos Khushrenada. – brandiram todos os vampiros presentes nas galerias assim que Heero Yuy adentrou o salão.

Heero seguiu até onde Treize e os Anciões já se encontravam, sentando-se no assento reservado a ele, entre os antigos do clã, enquanto Trowa permanecia de pé junto a uma pira que se encontrava acessa a poucos metros do patamar onde Heero, Treize e os Anciões se encontravam.

Os Anciões ergueram-se de seus assentos meneando a cabeça, cada um dando honras ao shuhan. Heero assentiu ao cumprimento, permanecendo em silêncio aguardando em expectativa a chegada do aviso de que Quatre e Duo chegaram.

Fechou os olhos de forma a não pensar no amante e na saudade que sentia dele. Apenas mais alguns instantes e o teria novamente em seus braços.

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O carro que trazia Duo e Quatre parou na entrada do que parecia ser a abertura de uma enorme caverna.

- É aqui?- perguntou Duo olhando pelo vidro do carro.

- Sim. – respondeu Quatre estendendo a Duo o que parecia ser uma longa capa preta, forrada de veludo vermelho escuro.

Duo pegou a capa prendendo-a pelos ganchos dourados, enquanto Quatre arrumava-a sobre seus ombros, e a puxava para cobrir completamente o rosto do humano.

- Pra que isso?

- Ordens de seu futuro marido. – brincou Quatre sorrindo ao ver Duo corar. – Vamos ou acabaremos nos atrasando e temos ainda uns cinco a sete minutos de caminhada através dos túneis.

Eles deixaram o veículo, seguindo em direção à caverna. Duo duvidava muito que pudesse enxergar algo no escuro, ainda mais com o capuz cobrindo-lhe completamente o rosto deixando apenas os lábios a mostra. Pelo menos esses eram seus pensamentos até que uma lanterna acessa foi posta em suas mãos.

- Apenas para os três primeiros minutos, haverá luz mais à frente. – afirmou Quatre.

Duo assentiu seguindo o loiro lentamente de forma a não acabar tropeçando ou enroscando a capa em alguma coisa. Mas como o mesmo dissera poucos minutos depois encontraram tochas acessas que iluminavam o restante do caminho. Em pouco mais de sete minutos chegaram a um grande pátio, onde uma porta de madeira maciça surgia cravada na rocha.

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Heero mantinha os olhos fechados, ouvindo as mentes de todos os presentes no salão, estava começando a ficar impaciente pela espera, quando sentiu uma presença familiar do lado de fora. Finalmente abrindo os olhos.

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Duo estava admirado com o lugar em que se encontravam, tudo parecia tão majestoso e misterioso. Voltou sua atenção à frente, ao ouvir um vampiro dirigir-se a eles, assim que se aproximaram da porta que deveria ser à entrada do salão cerimonial.

- Quem são vocês? – perguntou um vampiro tão logo ambos se aproximaram.

- Ele veio prestar o juramento. – informou Quatre apontando para figura encapuzada que o seguia de perto.

O vampiro estranhou o fato do outro estar completamente coberto, tendo apenas a boca a mostra. Por isso se aproximou para ver o rosto daquele que se escondia embaixo do capuz. Quando Quatre colocou-se no caminho, os olhos duas esferas rubras e a voz tão fria e cortante quando aço.

- Toque-o e vai desejar uma morte rápida. – ameaçou Quatre.

O vampiro arrepiou-se por completo, afastando-se. Ele tentou desculpar-se, mas não encontrava sua voz que parecia congelada em sua garganta, e sabia que isso era obra do vampiro loiro.

- Quatre deixe-o ir. – pediu Duo, não vendo necessidade do loiro torturar o outro vampiro.

- Heero ordenou que o protegesse. – informou Quatre contrariado por não poder torturar o outro vampiro.

- Proteger não significa que você deve torturar todos que encontra. – debateu Duo.

- Ok...ok. – admitiu relutantemente o loiro, ouvindo em sua mente, o amante lhe dizer as mesmas palavras.

O vampiro olhou com agradecimento para a figura encapuzada, sabia que se não fosse pelo mesmo o loiro certamente continuaria a causar-lhe dor. Ele curvou-se em sinal de agradecimento, informando que avisaria sobre a chegada deles.

- Vou avisar que chegaram. – disse o vampiro desaparecendo rapidamente antes que o loiro mudasse de idéia e resolvesse torturá-lo.

Duo balançou a cabeça diante do sorriso de Quatre ao ver o vampiro quase correr para sumir de suas vistas. Eles sentaram-se num sofá de vermelho vivo, mantendo silêncio, enquanto aguardavam permissão para entrar. Alguns minutos depois outro vampiro que também guardava o salão da cerimônia surgiu e os avisou de que deveriam entrar.

Duo e Quatre se levantaram entrando no enorme salão onde o chão era tão negro e brilhante que parecia um espelho, tal era a perfeição do reflexo dele no chão. Quatre seguiu na frente, enquanto Duo abaixava a cabeça fechando os olhos ao ouvi-lo em sua mente dizendo para mantê-los fechados e se deixar ser guiado por ele.

"Duo mantenha a cabeça baixa e os olhos fechados, até que o mandem abri-los. Eu vou guiá-lo".

O salão estava repleto por vampiros do clã e eles não eram nem um terço de todo o Ichizoku dos Khushrenada. Duo segurou as dobras do capuz, mantendo-o envolvendo seu corpo e cobrindo seu rosto e sua cabeça como lhe havia sido instruído por Treize e os outros. Eles caminharam por quase 500 metros antes de pararem.

Ele podia sentir a presença de Heero assim que pararam, embora não pudesse vê-lo, mas Treize lhe havia dito de que o mesmo estaria sentado ao centro de outros oito vampiros que compunham os Anciões em um pequeno patamar, a poucos metros quando ele e Quatre parassem.

O coração de Duo bateu mais forte ao pensar que o vampiro que tinha seu coração estava ali tão perto e que logo se tornaria seu marido, obrigou-se a não sorrir, pois nesse momento não estava diante de seu amante e futuro marido, mas do shuhan do Ichizoku dos Khushrenada.

Heero sentiu a presença de Duo fora do salão das cerimônias, e o viu entrar acompanhado por Quatre, sentiu o desejo aflorar imediatamente ao ver as formas do amante escondidas pela capa que usava. Sentia falta do corpo e do calor do humano, havia sido as mais longas três semanas de sua imortalidade, mas infelizmente tivera que se afastar dele, devido a inúmeros compromissos e porque essa era a lei do clã.

Entretanto esse afastamento se daria somente até o término da cerimônia de juramento, pois logo em seguida ele tinha planos de saciar sua fome em relação ao amante e ela não se referia ao seu doce e inebriante sangue, e sim ao seu ardente e receptivo corpo.

Heero notou que assim que Duo entrou no salão, alguns dos vampiros presentes nas galerias se agitaram pela sua presença, todos ali já haviam ouvido falar do humano e de como ele ajudara a impedir a profecia. Assim que Duo se colocou à frente dele e dos Anciões, o líder dos Khushrenada se levantou para dar inicio a cerimônia quanto antes começasse, mais cedo terminara e poderia carregar Duo consigo para seu quarto.

Assim que se levantou, os vampiros se calaram em respeito ao shuhan do clã. Ao falar a voz de Heero ecoou fria e imperiosa por toda a galeria, fazendo Duo tremer ligeiramente, não por medo, mas por desejo e saudade, fazia tanto tempo que estavam afastados.

Heero sentiu as emoções de Duo facilmente e ficou feliz em saber que o humano sentira tanta saudade quanto ele, o cheiro suave de sua pele chegava facilmente a suas narinas e ele teve que se controlar para refrear o desejo que o perfume do humano causava em si.

- Será dado inicio a cerimônia de juramento do humano chamado Duo Maxwell.

Heero voltou seus olhos para Duo que ainda mantinha o corpo coberto pela capa e o rosto escondido pelo capuz, sabia que ele deveria estar de olhos fechados, pois esse era um dos detalhes da cerimônia.

De que ninguém a prestar o juramento deveria encarar o shuhan do clã, e se humano se apresentar descoberto perante ele até que o mesmo lhe permitisse apresentar-se em sua presença ou encará-lo.

Sabia que Treize havia instruído Duo quanto a isso, pois ele mesmo lhe pedira que o fizesse. Ele se dirigiu ao humano diretamente e não pode evitar que sua voz soasse menos fria ao chamar-lhe pelo nome, fazendo o humano tremer.

- Duo Maxwell e por sua livre vontade que se apresenta ao clã dos Khushrenada essa noite, para prestar o juramento?

Duo engoliu em seco e obrigou-se a responder como lhe fora ensinado, sem tremer e de forma audível.

- Sim meu senhor.

Heero balançou a cabeça podia sentir claramente que Duo estava assustado como um coelho, mas que ainda assim conseguira responder de forma correta.

- Mostre-se a mim, levante sua cabeça e me veja.

Quatre se colocou atrás de Duo retirando-lhe a capa e a dobrando colocando-a aos pés de Heero que se colocou sobre ela.

Heero sentiu um ligeiro calor aquecer-lhe o corpo frio ao vê-lo tão belo, os fios claros reluzindo a luz do fogo, as vestes negras a cobrir-lhe sedutoramente o corpo e uma bota de igual cor. Ele podia ouvir os sons de admiração ecoando pelas galerias, os sussurros exaltados diante da beleza daquele que lhe pertencia, os vampiros se encontravam admirados por tamanha beleza em um mortal.

O shuhan dos Khushrenada varreu o olhar pelas galerias, sabia o que pensavam, era visível a luxúria em seus olhos, mas quando Duo ergueu a cabeça e abriu os olhos o burburinho das galerias aumentou diante da cor exótica dos olhos do humano.

O olhar de Duo se encontrou com o de Heero que escureceu por um momento, Duo sentiu-se despido diante do olhar do vampiro e corou abaixando os olhos. Heero sorriu intimamente e pediu que Duo voltasse a olhar-lhe.

- Levante seus olhos. – pediu o shuhan.

Duo levantou os olhos para Heero que se voltou para as galerias exigindo silêncio.

- Silêncio. – ecoou a voz de Heero por todo o salão.

Os Anciões que julgariam Duo e que ainda não o haviam visto olhavam o humano com visível interesse, ele era belo, quase elementar na opinião deles, sua aparência era andrógena e sua presença marcante. Nunca antes haviam encontrado um humano com tais qualidades.

Havia humanos que eram atraentes, outros andrógenos, alguns até mesmo com uma presença marcante, mas nunca antes havia encontrando um que possuísse tais qualidades juntas.

Hansen olhou para Nolan vendo-o encarar o humano com curiosidade, enquanto seus outros irmãos o encaravam com apreciação e luxuria. Ele voltou o olhar a Howard que meneou a cabeça, diante de seus pensamentos, quanto o que Heero poderia fazer.

Heero procurou conter sua natureza diante dos pensamentos libidinosos dos vampiros do clã para com seu escolhido, sua vontade era a de declarar abertamente que o humano lhe pertencia, mas sabia que neste momento isso seria um erro. Obrigou-se a controlar sua natureza sentando-se deixando que Treize tomasse seu lugar à frente do juramento, ouvindo-o se dirigir a Duo.

- Humano você conhece suas obrigações e deveres para com o Ichizoku dos Khushrenada?

- Conheço. – respondeu Duo.

- Sabe o que acontece aqueles, que são considerados traidores? – indagou Treize.

- Sim eu sei. – disse Duo firmemente.

Treize sorriu e outro vampiro de cabelos castanhos escuros e olhos acinzentados se dirigiu ao humano, sua voz era calma e serena, apesar do olhar frio.

- Humano pronuncie o juramento e que suas palavras o julguem.

Duo respirou fundo tentando lembrar-se das palavras do juramento e da forma correta de pronunciá-lo, ele deveria ser dito na língua dos vampiros. Treize havia passado horas com ele ensinando-o a língua deles, uma língua estranha e que causava-lhe uma sensação esquisita que não conseguia explicar.

Pelo que ouvira de Quatre, ele era o primeiro humano a fazer tal juramento na língua dos vampiros, pelo que sabia o loiro havia feito o juramento em sua própria língua e não entendia o porque dele ser obrigado a faze-lo na língua dos antigos. Treize lhe dissera apenas que fora um pedido de Heero, embora os Anciões houvessem votado contra, pois nunca um humano havia conseguido fazer o juramento na língua que apenas os mais antigos sabiam.

O vampiro a sua frente assim como alguns dos Anciões não acreditavam que o humano fosse capaz de fazer o juramento, mas ao ouvir as primeiras palavras deixarem os lábios do humano, e as mesmas serem pronunciadas na língua deles, o vampiro deixou que um sorriso transparecesse em seu rosto.

- Vzu Duo Maxwell hcviog din Daniel Maxwell nis Mhyria Maxwell jnhro zvnealjhde oah shuhan dyns Khushrenada nis oah Ichizoku dyns Khushrenada. Onjhgdendo vbzas olis nis vzervndo oah clã gio fhjzxa olksue lids fruxz itacioadp. Azbdc din lzikln zunthy, oah yhut nis klin bjokhn xyes thpis dyns clã, qrets pytus ohs klins hcviogs nis yns hcviogs din klins hcviogs. Lzikln clius nis dotu uq nheto pnetrece oah clã din rofam uq ujro garbri nis relaz spleo romembs uq erevim a tarceia lzikln clius clius muns oregufi, endporvo dotu uq lids rof lids. Jnhro siajam xoper okjs meaça ohs clã pytu klins thoas, suinmdos arpa nimhs a libresnopaid es umalge din lzikln clius ohs zifre. Nis es vzu rop muns osaac brequar klin jnhroment, ierctaaie lzikln nenstaç okjs lzikln shi mecofro vbzas olis. [14]

Nolan olhou para o shuhan meneando a cabeça, ele estava surpreso que um humano conseguisse pronunciar a língua antiga com tamanha perfeição e segurança. Se não soubesse por Treize que o humano havia sido ensinado na língua antiga há pouco tempo, diria que o mesmo já a conhecia perfeitamente. Notou o olhar orgulhoso do shuhan sob o humano, voltando o olhar a Treize ponderando sobre a conversa que tiveram há algumas semanas.

Heero olhou para os demais vampiros que concordaram, mentalmente todos surpresos por ouvir um humano fazer o juramento na língua deles. Ele levantou-se juntamente com Howard, aproximando-se do humano, Trowa juntou-se a eles enquanto Quatre entregava a Heero um pequeno punhal de prata com inscrições em aramaico.

- Estenda seu braço direito. – pediu Trowa.

Ele ergueu a manga da blusa de Duo até o cotovelo e Heero ergueu a sua própria. Howard segurou Duo por trás para que ele não se movesse, enquanto Trowa segurava o braço que tinha a manga erguida.

Duo tentava respirar pausadamente e se acalmar. Notando a apreensão no amante Heero procurou tranqüiliza-lo mentalmente.

"Não vai doer muito. Acabara logo eu prometo"

"Eu sei que é tolice, mas eu estou assustado" – admitiu Duo.

"Eu estou aqui com você e serei eu a cortá-lo, então não se preocupe. Olhe em meus olhos e não para o braço". – disse Heero tentando tranqüiliza-lo.

Duo ficou encarando a íris azul cobalto de Heero, enquanto o mesmo cortava seu braço com o punhal. O cheiro do sangue impregnou o ar imediatamente, fazendo vários pares de olhos tornarem-se avermelhados.

Trowa pressionou a região acima do corte fazendo o sangue de Duo escorrer mais rapidamente.

Heero pegou a taça de cristal entregue por Quatre e colhendo o sangue do ferimento.

Duo tentava relaxar enquanto o sangue saia, ele começou a ouvir as vozes dos vampiros ecoando pela galeria. Repetindo em sua língua.

Sangue é vida. Vida ao clã.

Heero viu que a taça estava quase cheia e a entregou a Quatre. O vampiro de olhos azul cobalto cortou o próprio braço derramando seu sangue sobre o corte no braço direito do humano.

Duo mordeu os lábios internamente, o sangue de Heero pareceu queimar o ferimento em seu braço o fazendo fechar a mão para não gritar. O sangue de seu corte coagulou imediatamente e Heero enrolou o ferimento com uma atadura. Duo suava e tremia enquanto era amparado por Howard que sussurrava em seu ouvido que faltava pouco para terminar.

- Falta pouco meu jovem. Acha que pode agüentar?

Duo balançou a cabeça em assentimento, seu braço doía terrivelmente como se houvessem jogado ácido sobre ele, mas sabia que a dor logo passaria, da mesma forma quando a marca em seu pulso fora feita por Heero.

Sentiu Howard e Trowa o soltarem e viu Quatre entregar a taça com o seu sangue a Treize antes de se colocar novamente ao seu lado dando-lhe um sorriso de encorajamento.

Treize passou a taça a cada um dos Anciões que mergulharam o dedo mindinho dentro dela levando-o a boca provando do seu sangue dizendo em unísoro na língua antiga a mesma coisa.

Sangue é vida. Vida ao clã.

Treize também provou do sangue mergulhando o dedo mindinho, antes de entregar a taça ainda cheia a Heero, o vampiro elevou a taça à frente mostrando-a a toda galeria antes de levá-la aos lábios, bebendo todo seu conteúdo. Assim que terminou jogou a taça ao fogo, virando-se para Duo com um meio sorriso em seus lábios enquanto dizia.

- Sangue é vida. Vida ao clã. Seu sangue é vida e ele pertence ao clã agora, a partir de hoje, você Duo Maxwell vive pelas leis do Ichizoku dos Khushrenada.

As galerias inteiras se levantaram urrando. Duo respirou aliviado pelo fim da cerimônia, recebendo um abraço rápido de Quatre e um aperto no ombro por parte de Trowa.

Heero continuava a olhar para o humano que sorriu. O vampiro sabia que Duo desejava voltar a seus aposentos, mas ainda havia um pronunciamento a ser feito, o qual não podia mais ser ignorado. Ele olhou por sobre os ombros para Treize que meneou a cabeça levantando-se e pedindo silêncio a todos.

- Peço silêncio a todos. – disse o antigo shuhan dos Khushrenada.

Os vampiros fizeram silêncio em respeito ao antigo shuhan, que se aproximou de Heero colocando sua mão sobre seu ombro, enquanto falava se dirigindo aos Anciões e a todos os vampiros nas galerias.

- Acredito que muitos já devem ter ouvido os boatos, a cerca do casamento do atual shuhan do clã, fato este que talvez seja de conhecimento de poucos.

Um burburinho foi ouvido pelas galerias e Duo olhou para Heero que se mantinha em pé a sua frente o olhando com um sorriso nos lábios, ninguém havia informado de que seu casamento com o vampiro seria anunciado após o juramento.

Heero viu a confusão nos olhos ametistas e não pode deixar de sorrir, ele não havia planejado comunicar a todos os presentes seus planos de casamento, mas Treize o aconselhara a fazê-lo após o juramento de Duo. Para evitar que a verdade fosse descoberta e minimizar as reações que certamente viriam com o casamento.

Alguns presentes poderiam não concordar com sua escolha. Uniões entre humanos e vampiros não era muito bem aceita entre os da sua espécie, ainda mais por vampiros em sua posição, de alguma forma boatos sobre seu casamento haviam se espalhado, embora o nakama mencionado, não fosse o de sua escolha.

E por não desejar que Duo sofresse represálias quando a verdade fosse descoberta, era que optara por revelar sua escolha, uma vez que seria difícil esconde-la com a chegada dos outros clãs.

Fora que Duo era um verdadeiro banquete aos olhos de qualquer vampiro. A marca em seu pulso impedira que muitos vampiros se aproximassem do humano quando chegaram, mas a beleza de Duo era inebriante e desejável aos olhos dos de sua espécie, tornando alguns mais audaciosos.

Heero havia deixado Trowa, Quatre e Treize com a responsabilidade de proteger o humano durante seu afastamento.

E tivera que se controlar diante das coisas que ouvira deles, dos vampiros mais ousados que simplesmente ignoravam a marca em seu pulso e se insinuavam a ele tentando seduzi-lo para possui-lo ou abraça-lo.

Por diversas vezes quase sucumbira à vontade de ir vê-lo e saber se estava bem, havia se tornado dependente do calor e maciez de seu corpo, e imaginar que algum dos vampiros do clã tivesse ousado se aproximar dele o inervara.

Felizmente soubera que Quatre lidara magnificamente bem com cada um deles, principalmente por um, que ousou invadir o quarto do humano quando o mesmo se preparava para dormir. Lembrar-se desse episódio apenas o irritava, tivera uma conversa com Zora a respeito da negligência do mesmo para com o humano sob sua proteção.

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Heero conversava com Trowa a respeito do juramento que Duo deveria prestar em pouco mais de quatro dias, quando o latino simplesmente parou de falar e levantou-se com os olhos vermelhos. Sabia que deveria ser alguma coisa relativa à Quatre e temeu que alguma coisa houvesse acontecido com Duo que se encontrava sob a proteção do loiro.

- "O que aconteceu Quatre?" – perguntou Trowa assim que sentiu a natureza de Quatre explodir.

- "Um vampiro entrou no quarto de Duo, ele ousou tocá-lo." – respondeu Quatre segurando-se para não matar o vampiro de cabelos negros. – "Trowa, eu posso..." – sendo interrompido pelo amante.

- "O que você achar melhor, meu anjo. Que ele pague por sua ousadia" – respondeu Trowa, concordando com os pensamentos do loiro, sobre como torturar o vampiro.

Trowa abriu os olhos, voltando-se para Heero ciente de que o mesmo não gostaria de saber da história.

- O que aconteceu Trowa? – perguntou Heero.

- Um vampiro acaba de entrar no quarto de Duo. Quatre está com ele agora. – respondeu Trowa sentindo a presença de Heero se levantar o obrigando a recuar.

- Como ele ousou...

Heero não tinha palavras para descrever sua fúria, seus olhos avermelharam instantaneamente, parecendo duas jóias negras de tão rubras. Sabia que o amante estava bem, ele sentia isso, e sabia que Trowa não estaria tão calmo se algo mais grave houvesse acontecido ao humano. Procurou acalmar-se, pois deixar sua natureza se agitar mais do que já o fizera causaria apenas problemas.

Trowa sentiu a natureza de Heero amainar, e seus olhos voltarem ao tom azul cobalto. Aproximou-se dele, estreitando os olhos, balançando a cabeça diante do que Quatre fizera ao vampiro e da forma como o amante sentia-se extasiado.

- Quatre já lidou com ele. – disse Trowa fechando os olhos um instante para se recompor. – Na verdade duvido muito que ele tente algo semelhante novamente.

Heero pode notar o desconforto do amigo, e ficou imaginando o que o árabe havia feito, sabia que Quatre não tinha reservas em torturar mentalmente qualquer um que cruzasse seu caminho ou se atrevesse a ferir Duo, esse foi um dos motivos que o levara a deixar o loiro permanentemente ao lado do humano, durante sua ausência.

- O que Quatre fez?

- Foi terrivelmente doloroso... – parou Trowa procurando esquecer o êxtase do amante. – Ele certamente jamais esquecera o que Quatre fez. – afirmou o latino

Heero meneou a cabeça diante das palavras de Trowa, certo de que Quatre não havia sido piedoso com o vampiro que entrara no quarto de Duo. Ainda assim ele precisava tomar algumas medidas, entre elas falar com Zora sobre a sua incompetência.

- Diga a Quatre para avisar Zora sobre meu desagrado, e que eu pessoalmente falarei com ele, assim que Duo deixar sua casa. Peça a Treize que encontre outra habitação para abrigar Duo até o juramento, eu não quero que ele fique mais do que essa noite na casa de Zora.

- Será feito. – disse Trowa, ouvindo o amante em sua mente e repassando a mensagem a Heero. - Quatre disse que Duo dormira com ele em seu quarto.

- Ótimo, providencie um carro. - disse Yuy mudando de idéia, quanto a falar com Zora. - Falarei com Zora hoje mesmo. – disse Heero, vendo Trowa deixar o quarto.

Em pouco mais de uma hora Heero se encontrava a caminho do lugar onde Duo se encontrava, à vontade de vê-lo pessoalmente era grande, mas contentou-se em saber que o mesmo estava seguro com Winner. Treize já havia encontrado uma nova habitação, e logo pela manhã Duo seguiria para o novo local.

Eles chegaram à casa de Zora pouco depois das quatro da manhã, sendo recebidos pelo vampiro assim que chegaram. Era visível o desconforto do mesmo, mas Heero não queria saber de desculpas, se Quatre não houvesse intervido, não gostaria nem de pensar no que poderia ter acontecido com Duo.

- Eu deixei o humano em sua casa, pois imaginei que ele estivesse seguro Zora.

- Eu lamento muitíssimo senhor, eu não imaginei que...

- Você deveria ter imaginado. – interrompeu Heero irritado. – se Winner não aparecesse há essa hora certamente Duo não estaria repousando, na melhor das hipóteses ele seria um vampiro.

Zora manteve a cabeça abaixada diante da irritação do shuhan, sabia que havia sido negligente, mas nunca imaginou que algum dos vampiros a freqüentar sua casa, seriam tão ousados ao ponto de entrar no quarto do humano, ainda mais tendo o vampiro loiro como guardião.

Ele voltou o olhar chocado diante das palavras de Heero, encolhendo-se ainda mais diante do que poderia ter-lhe acontecido caso Anthonie houvesse conseguido o que queria.

- Eu deixei Duo em sua casa, pois imaginei que entendesse o que humano representa para mim. Uma vez que eu pessoalmente pedi que o abrigasse. – disse Heero, os olhos começando a avermelhar. – Mas se soubesse que meu futuro nakama estaria em tamanho perigo, jamais o teria deixado sob seus cuidados. Talvez eu devesse deixar Quatre demonstrar a você o tamanho de meu desagrado.

- Por favor senhor, eu te peço. – implorou Zora ciente do quanto o loiro adoraria torturá-lo.

Trowa sorriu diante do medo do vampiro à menção do nome de Quatre, certamente ciente do que o loiro era capaz de fazer quando irritado. Parecia que seu anjo era visto como a personificação de um demônio, o que estava bem próximo da verdade, e não tinham nem muito tempo no Japão.

Heero sorriu diante do medo nos olhos de Zora, apesar de desejar dar ao vampiro uma punição, sabia que isso não era necessário, uma vez que o assunto já havia se resolvido, ainda assim Zora merecia um corretivo a seus olhos e o faria a seu modo.

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E ele o fizera nada tão drástico quanto o que Winner certamente faria se tivesse a chance, mas eficiente. Zora pensaria duas vezes antes de não ser minucioso no cumprimento de suas ordens.

Seus pensamentos foram interrompidos pela voz de Treize e se aproximou de Duo colocando-se ao seu lado e segurando-lhe a mão diante dos olhares surpresos de muitos.

- Daqui a dez luas, se apoiado pelos Anciões. – disse Treize voltando-se para os mesmos, antes de prosseguir. - Será realizado o casamento do shuhan do Ichizoku dos Khushrenada com o até então humano Duo Maxwell.

Um novo burburinho foi ouvido entre os presentes, palavras de impossível e absurdo repercutiam pelas galerias, enquanto os Anciões se mantinham em silêncio avaliativo quanto ao comunicado.

Um vampiro entre as galerias se manifestou falando alto o que irritou Heero visivelmente.

- Mas isso é inadmissível. Nunca houve um casamento entre um shuhan e um humano, um companheiro vampiro é o mais adequado ao shuhan e não um simples humano.

Heero sentiu Duo tremer diante do olhar dos outros vampiros sobre si e apertou fortemente sua mão procurando passar-lhe calma e segurança, ele virou-se para as galerias seu olhar era frio e duro, e o brilho avermelhado em seus olhos fez com que muitos vampiros se encolhessem em seus lugares. Ao falar sua voz denotava força e autoridade não aceitando qualquer tipo de contestação.

- É verdade que Duo é um humano, mas apenas até o término de nosso casamento. Pois ele será abraçado por mim na mesma noite.

Os vampiros ficaram em silêncio, diante de suas palavras. Em seus olhares podia se ver que muitos ainda não aceitavam tal ato, alguns por inveja e vaidade, outros por preconceito e ignorância.

Heero se voltou para os Anciões aguardando algum pronunciamento por parte dos outros seis vampiros que não sabiam de sua decisão.

Nolan finalmente havia compreendido o pedido de Treize, ele olhou para o antigo shuhan dos Khushrenada, suspirando, ele havia dado a sua palavra quanto a não rejeitar a escolha de Heero, antes de avaliar aquele que o mesmo escolhera, e era exatamente isso que faria.

Ele se levantou caminhando até Heero e Duo, olhando dentro dos olhos do humano por alguns segundos, antes de estremecer, logo em seguida deu um meio sorriso e curvou-se diante de Duo dando sua aprovação ao escolhido pelo shuhan.

Duo meneou a cabeça ao vampiro que se pronunciou, sua voz era forte e demonstrava sabedoria em suas palavras.

- O casamento será realizado em 10 luas conforme o desejo do shuhan. Que o humano seja tratado como um de nós, em honra e respeito ao shuhan dos Khushrenada. – disse o mais antigo dos Anciões, percorrendo com os olhos os vampiros nas galerias antes de continuar. - Honra a Heero Yuy o shuhan do Ichizoku dos Khushrenada, e ao seu escolhido pela eternidade Duo Maxwell.

Os vampiros se levantaram e suas vozes soaram como uma só, ecoando como trovões pelas galerias dizendo Honra a Heero Yuy o shuhan do Ichizoku dos Khushrenada, e a seu escolhido pela eternidade Duo Maxwell.

Os Anciãos se levantaram curvando-se a Heero que meneou a cabeça deixando o salão na companhia de Duo que ainda sentia-se envergonhado diante do que acontecera.

Duo acompanhou Heero para fora do salão sentindo o vampiro apertar sua mão suavemente, ainda sentia seu coração bem na garganta. Por alguns instantes ficou apreensivo diante da objeção de alguns quanto ao seu casamento com Heero. Suspirou sentindo o cansaço do dia começar a vencê-lo, parando de andar ao notar que Heero o encarava.

- Não se preocupe. Nolan aprovou minha escolha, os demais Anciões iram aceitar sua decisão, e mesmo que não o fizesse, eu não desistiria de você.

- Iria contra seu clã por mim? Perguntou Duo temeroso, ao mesmo tempo em que se sentia aquecido diante do que ouviu do vampiro.

- Eu iria ao inferno se fosse preciso, para mantê-lo comigo.

Duo sorriu abraçando Heero, escondendo seu rosto contra o pescoço frio do vampiro, que abraçou o humano apertando-o contra si, aguardando que o mesmo se refizesse.

Quatre sorriu ao ver os dois abraçados, imaginando que ambos já se encontrassem a caminho de algum lugar mais reservado e não ali parados se abraçando.

Heero olhou na direção de Quatre que abaixou a cabeça, deixando-os a sós. Duo afastou-se olhando nos olhos de seu futuro marido, que lhe beijou suavemente a testa antes de sugerir que fossem para outro lugar.

- Venha, quero matar a saudade que me corroí por dentro e esse não é o melhor lugar para isso. – disse Heero.

- Irei onde você estiver. – respondeu Duo.

Heero tocou o rosto do humano com delicadeza, enlaçando sua cintura. Eles seguiram por um caminho diferente do feito por ele e Quatre, para deixar a caverna. Saindo depois de alguns minutos no que parecia ser um templo Xintoísta, entrando num carro onde Chold os aguardava.

Seguiram em direção à residência onde Heero se encontrava por enquanto. Por que dali a dez luas, ambos estariam morando sob a mesma escuridão, para então nunca mais se separarem.

Continua...

Estamos na reta final. * Yoru se matando pra ver se consegue terminar Lábios de Sangue antes do fim do ano, mas achando quase que impossível*

Agradecimentos a todos que me enviaram reviews, se por um acaso não respondi a algum, por favor me perdoem, e se não for incomodo, me reenviem e eu prometo responder.

Quem leu, mas não mandou review, tudo bem, faz parte né.

Segue as explicações de alguns pontos da fic:

[12] A sakura de inverno (fuyuzakura/Prunus subhirtella autumnalis) começa a desabrochar no outono e continua a desabrochar esporadicamente durante o inverno. Diz-se que ela é um cruzamento entre a variedade Tokyo Higan (edohiganzakura/P. incisa) e a Mamezakura/P. Pendula. Outras categorias incluem yamazakura, yaezakura, e shidarezakura. A yaezakura tem grandes flores, grossas e com pétalas bem rosadas. A shidarezakura, ou cerejeira chorão, tem galhos que se dependuram como os de um salgueiro chorão, aos quais se prendem cascatas de flores rosas.

[13] Em homenagem ao Lantis das Guerreiras Mágicas.

[14] Significado da sopa de letrinhas: Eu Duo Maxwell filho de Daniel Maxwell e Mhyria Maxwell juro lealdade ao shuhan dos Khushrenada e ao Ichizoku dos Khushrenada. Obedecendo suas leis e servindo ao clã da forma que me for solicitado. Abdico de minha vida, minha alma e meu sangue em favor do clã, assim como os meus filhos e os filhos de meus filhos. Minha casa e tudo que tenho pertence ao clã de forma que juro abrigar e zelar pelos membros que vierem a aceitar minha casa como um refúgio, provendo tudo que me for solicitado. Juro jamais expor ou ameaçar o clã com meus atos, assumindo para mim a responsabilidade se alguém de minha casa o fizer. E se eu por um acaso quebrar meu juramento, aceitarei minha sentença ou minha morte conforme suas leis.