Lábios de Sangue
Capitulo 20 – Para Sempre
Os vampiros das galerias começaram a se dispersar assim que Heero e o humano deixaram o salão cerimonial. Permanecendo apenas Treize e os Anciões que ainda encontravam se confusos, quanto à escolha do shuhan em escolher um humano como companheiro eterno.
Deberoux acompanhava com olhos irados a saída do shuhan e seu preferido. Ele sentia-se ultrajado, não apenas pela escolha do shuhan dos Khushrenada em querer um humano como nakama, mas também pelo fato de Nolan ter acatado sem retrucar a predileção de Yuy.
Nolan olhou para Deberoux que não escondida o fato de não estar satisfeito com sua resolução quanto a aceitar o casamento do shuhan dos Khushrenada com um humano. Em parte compreendia a insatisfação do amigo, mas tinha certeza de que se o mesmo pudesse ver o que vira nos olhos do humano, entenderia sem sobra de dúvidas de que Julian jamais seria adequado para ocupar a posição de nakama do shuhan do clã.
Como o mais sábio de seus irmãos, era sua, a responsabilidade de evitar desconfortos e desentendimentos dentro do clã e entre os Anciões, e justamente para que isso não acontecesse cabia á ele encontrar um meio de dissolver do coração de seus irmãos a ideia de que o humano não era o companheiro perfeito para Heero.
O mais antigo dos Anciões fechou os olhos por alguns instantes pensando em como faria para que seus irmãos compreendessem sua deliberação. E entre todas as opções possíveis, havia apenas uma e por mais que não gostasse dela, sabia que era a mais sensata. Por fim Nolan abriu os olhos, voltando-os para o antigo líder do clã Khushrenada.
Treize, eu quero que você leve o humano até nossa morada, para conversar conosco. – pediu Nolan, ponderando alguns segundos antes de acrescentar. - De preferência sem o conhecimento de Heero. – terminou o Ancião.
Treize olhou para Nolan diante do pedido e depois para Deberoux que até o momento não havia se pronunciado sobre a decisão de Yuy em rejeitar Julian como nakama. O antigo líder do clã Khushrenada ponderou alguns segundos, antes de se pronunciar favoravelmente ao pedido feito pelo mais antigo do clã.
Perfeitamente Nolan embora...ache que será quase que impossível Yuy não perceber a ausência do humano. – retrucou Treize, ciente de que seria uma tarefa complicada levar Duo até a presença dos Anciões. - Heero sempre sabe quando o humano não se encontra por perto. – justificou ele.
Nolan Alexandrius Macanhan sabia que trazer o humano a presença deles sem o conhecimento de Heero seria uma tarefa fadada ao fracasso, ainda assim tal ato era necessário para apaziguar os ânimos de seus irmãos de sangue.
Ainda assim faça o possível para trazê-lo, sem o conhecimento de Heero. Quero que os outros vejam o que eu vi, quando enxerguei através dos olhos do humano chamado Duo Maxwell. – disse Nolan firmemente, levantando-se e encarando Deberoux. – Não quero que haja dúvidas quanto a minha decisão e nem ações maldosas para com o escolhido do shuhan.
Os olhos de Deberoux estreitaram-se por alguns segundos diante das palavras de Nolan, antes que abaixasse por fim a fronte aceitando momentaneamente as palavras de seu irmão. Evidentemente que a atitude de Nolan era impensada, para não dizer insultante.
Como o mesmo aceitava facilmente um humano para ser o nakama do shuhan, enquanto rejeitara a ideia de seu filho ocupar tal posição? Como um simples humano poderia ser superior ao seu herdeiro?
Um nobre, como todos de sua linhagem. Um natural.
Era fato que o atual shuhan não fora afortunado com a nobreza, ainda assim o mesmo possuía qualidades magníficas que suplantavam sua misera linhagem.
Dotado de inteligência, força e uma liderança soberba, Yuy levara os Khushrenada a uma era, ainda mais gloriosa que o próprio Treize Khushrenada. Por esse motivo que via com gosto a união de seu filho Julian e o atual shuhan. Mas agora, via seus planos frustrados por conta da existência do humano Duo Maxwell.
Entretanto não podia rebelar-se contra a decisão de Nolan, pelo menos não abertamente, contudo via uma nova oportunidade de ver seus planos ainda concretizados. Se o humano não passasse na avaliação de seus irmãos de sangue, o mesmo seria descartado como a melhor escolha para ser o nakama do shuhan.
Veria o humano de perto. Formaria sua opinião sobre o mesmo e depois de encontrá-lo frente e frente, decidiria se o mesmo era ou não superior a sua linhagem, embora ao seus olhos, o mesmo jamais seria superior a seu filho. Sabia que Julian possuía defeitos, ainda assim era um nobre e como tal possuía qualidades indiscutíveis.
Por enquanto se manteria em silêncio e observaria, mas tarde tomaria uma decisão sobre o que fazer em relação ao eleito do shuhan.
Os demais Anciões concordaram sem reservas com a sugestão de encontrar o humano pessoalmente. Na opinião da maioria, essa seria a melhor forma de avaliá-lo como digno de se tornar o nakama do shuhan dos Khushrenada.
Treize meneou a cabeça diante da decisão deles, mesmo que intimamente estivesse relutante em atender ao pedido de Nolan, sabia que era necessário para espantar qualquer dúvida quanto à decisão de Heero em escolher um humano como companheiro. Ainda mais porque sabia que Deberoux fazia gosto da união do filho com o shuhan dos Khushrenada.
Ele deixou o salão pensando numa forma de falar com Duo sem que Heero descobrisse, porém tomou a decisão de conversar com o humano dali a alguns dias, uma vez que não desejava interferir no reencontro de Heero e seu amante. Sabia que ambos estiveram aguardando ansiosamente para que pudesse estar juntos novamente, após tanto tempo afastados.
Aproveitaria o fato dos lideres dos outros clãs se encontrarem hospedados na casa do shuhan para encontrar o momento certo para levar o humano para encontrar-se com os Anciões. Esperava apenas que não viesse a irritar Heero, pois tinha certeza de que o líder do clã não seria facilmente acalmado ao descobrir o que era planejado a seu amante, sem sua permissão.
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Em algum lugar na cidade de Toshima:
A noite avançava para a madrugada quando Heero desceu do carro tomando a mão do humano entre a sua para ajudá-lo a deixar o veiculo.
Duo olhou para a residência a sua frente por alguns momentos. Durante a viagem até ali, Heero lhe contará o que estivera fazendo e onde permanecerá desde que deixara a residência principal do clã.
A habitação era agradável aos seus olhos, num estilo diferente a residência do japonês, que era voltada para as residências antigas e tradicionais. A moradia onde se encontravam no momento e que era uma entre as muitas casas pertencentes aos Khushrenada era mais moderna, fugindo dos padrões tradicionais japoneses.
Duo percorreu com o olhar o lugar, pensando quanto tempo ficariam ali, mas teve os pensamentos interrompidos quando o vampiro o puxou, pela cintura aproximando seus corpos o que o permitia esfregar o nariz contra seu pescoço arrepiando-lhe a pele.
Eu quero você. – disse Heero roucamente.
O humano se afastou virando-se para o vampiro cujos olhos encontravam-se vermelhos, sentindo seu corpo responder rapidamente ao olhar de desejo do amante. Ele também desejava o japonês, sentia falta da segurança de estar entre seus braços.
Seus lábios tremeram ligeiramente e aproximou-se mais colando seus corpos, deixando que o outro sentisse sua excitação.
Também o quero. – respondeu Duo roucamente. - Leve-me para seu quarto e me ame. – pediu o humano.
Heero rosnou diante do pedido rouco e sensual. Pegou o amante em seus braços, levando-o para seu quarto rapidamente.
O vampiro o desejava tanto que beirava a insanidade, sua natureza selvagem encontrava-se agitada, mas obrigava-se a controlá-la, para não tomá-lo ali mesmo no pátio do casarão onde se encontrava há algumas semanas. Colocou o humano no chão para que pudesse abrir a porta tão logo chegou a seu quarto, fechando-a logo em seguida logo após passagem de seu amado.
- Enfim sós. – disse Heero caminhando até o americano que observava com curiosidade o quarto.
Duo voltou-se para o japonês e sorriu diante do desejo selvagem que via reluzir nos olhos do vampiro. Ele recuou até a cama chamando-o para si com um dedo, sendo imediatamente seguro pelos braços do amante, que se utilizou, de sua velocidade para aproximar-se rapidamente.
Heero esmagou os lábios do humano com fome, apertando-o junto a si. Os gemidos de Duo eram como alimento ao seu desejo e deixou que suas mãos tocassem com sofreguidão o corpo quente de seu amado. Abandonou os lábios do americano ao senti-lo ofegar pela falta de ar, devorando o pescoço esguio com prazer.
Duo procurou retribuir ao contato com a mesma avidez com que o amante o fazia, mas o mesmo que parecia ter adquirido um par extra de mãos, pois as sentia praticamente percorrendo todo o seu corpo. O beijo trocado entre eles transmitia saudade e desejo, e não desejava separar-se dos lábios frios e ainda assim ardentes, mas não pode impedir-se de ofegar fortemente à medida que se tornava mais difícil respirar. Felizmente o amante pareceu notar sua angustia, afastando os lábios que encontraram destino em seu pescoço.
Ele gemeu ao sentir os lábios de Heero sugando seu pescoço, as presas arrastando-se sensualmente sobre sua pele. Agarrou-se com força nos braços do vampiro gemendo em abandono ao sentir a língua adentrar seu ouvido, enquanto as mãos frias o tocavam com ardor.
Ahhhhhh!.- gemeu Duo em antecipação ao sentir as presas do amante roçando seu pescoço.
O vampiro ergueu seu amante depositando-o com cuidado no centro da cama. Ele podia sentir a veia do pescoço humano pulsando sob sua presa, e não se impediu de afundá-la provando do sangue quente e doce de seu amante.
Duo gemeu deliciado diante da mordida, parecia que havia se passado tanto tempo desde que sentira o prazer de ser mordido e ter seu sangue tomado por Heero.
O vampiro lambeu a mordida antes de afastar-se e olhar nos olhos de seu futuro nakama. Ele tocou a face do humano com reverência deixando que seus dedos tocassem cada contorno com cuidado.
Duo sentia a respiração descompassada e fechou os olhos diante da caricia do amante em seu rosto, ainda se encontravam vestidos, mas isso não parecia fazer nenhuma diferença, pois a pressa que sentiam em unir-se parecia ter amainado, deixando apenas o desejo calmo, mas não menos excitante.
Hee. – sussurrou Duo com medo de que se falasse mais alto, pudesse quebrar a sensação de plenitude que sentia em relação ao momento.
O vampiro encarou em silêncio o humano abaixo de si, vários pensamentos a cerca de abraçá-lo tornando-o uma criatura das trevas como ele agora que o perigo havia passado, fervilhavam em sua mente.
Assim como pensamentos quanto a estar tomando a decisão correta em relação a Duo. Há quais perigos o estaria expondo ao torná-lo um vampiro como ele? Seu amado ao tornar-se uma criatura da noite como ele conseguiria controlar a natureza insana que preenchia os da sua espécie? Essas e outras reflexões eram que o fazia recear abraçar o humano.
Não queria que Duo se arrependesse de sua escolha, ou que achasse que não estaria seguro permanecendo humano ou se tornando um vampiro. Afinal toda criatura possuí inimigos naturais, e até mesmo os vampiros os possuíam, embora nunca houvesse discutido sobre esse assunto com o amante. Ainda assim seu egoísmo o impedia de deixá-lo ir, não via mais um futuro sem Duo ao seu lado, sua alma estava presa a ele e não fazia questão em ser liberto de suas amarras. Por isso decidira em seu intimo, que ele faria de tudo para manter seu amado seguro.
Eu te amo Duo Maxwell Yuy. – disse Heero vendo o amante corar. – Minha vida não tem sentido sem você, o que tenho, eu guardo e protejo. Ninguém tocará no que me pertence, por isso ninguém ou coisa alguma jamais lhe fará mal, eu prometo a você. – afirmou o vampiro.
Duo podia sentir pelo toque do amante que algo o perturbava. Sabia que o vampiro não havia lhe contado todos os fatos a cerca de ser abraçado, entretanto confiava em Heero para que não houvesse dúvidas quanto a sua escolha em se tornar um vampiro e viver a eternidade ao seu lado. E as palavras que ouvia deixar seus lábios apenas fortaleciam sua decisão.
Eu sei. – respondeu o humano.
Duo puxou o vampiro pelo pescoço trazendo-o para si o beijando novamente. Sentiu as mãos de seu amante acariciar seu corpo de forma possessiva, sanando pouco a pouco a saudade que sentia delas.
Ouvir a confirmação de Duo a suas palavras o fez sentir-se em paz. O amante sabia que suas palavras não eram vazias, que ele as cumpriria da melhor maneira possível, esse entendimento apenas confirmava o que já sentia em, seu coração, de que Duo era o nakama perfeito para ele. Apenas o humano e ninguém mais tinha a capacidade de entendê-lo tão perfeitamente.
O vampiro deixou que seu corpo pesasse sobre o humano, sentido sua excitação, e pressionou seu corpo contra ela, fazendo com que seu membro reagisse em resposta.
Duo sentiu o corpo do vampiro pressionar-se ao seu, fazendo seus membros se esfregarem. Ele entreabriu os lábios diante da fricção que enviou pequenas descargas elétricas por sua pele, gemendo profundamente quando Heero tornou a fazê-lo.
O vampiro sorriu diante do olhar escurecido de seu amante preso ao seu, obrigou-se a deter o seu corpo, antes que ambos gozassem. Um suave protesto escapou pelos lábios de Duo, antes que um sorriso malicioso deixasse ainda mais bela à face que amava.
Os dedos do humano desenharam o contorno dos lábios frios, antes de se embrenharem por entre os cabelos do amante, descendo por seus ombros fixando-se em suas costas por alguns segundos antes de descerem mais até alcançar as nádegas do vampiro apertando-as.
Heero riu diante da apalpada de Duo, abaixando-se novamente sobre ele roçando seus lábios frios nos lábios quentes do humano, antes que eles percorressem o pescoço macio, descendo pela garganta convidativa e demorando-se na curva suave entre o pescoço e o ombro.
Duo inclinou ligeiramente a cabeça para o lado dando melhor acesso ao vampiro a seu pescoço, enquanto o mesmo explorava com os lábios o pescoço pálido. Ouviu um suave gemido partir dos lábios do vampiro, quando lhe sugou a pele fria, fazendo seu corpo se aquecer por completo.
Heero ergueu-se ligeiramente, apenas o suficiente para que seus olhos sempre frios encarassem com calor os olhos do humano o qual entregara sua alma.
Eu te quero. – disse Duo, vendo à íris de Heero avermelhar, antes que o mesmo se afastasse.
Duo sentou-se e deixou que Heero abrisse sua blusa, fechando os olhos ao sentir os lábios do amante afastar o tecido de seus ombros, beijando-lhe o corpo quente.
Heero beijou os ombros de Duo deliciando-se com a pele morna e macia. Deixou que suas mãos o desnudassem, cobrindo-lhe o corpo com seus lábios, à medida que expunha a pele a seu toque, excitando-se a cada gemido e ofego a partir dos lábios do humano.
O vampiro afastou-se um pouco, começando a se despir, mas foi impedido pelo humano, que afastou suas mãos, tomando para si a tarefa de despi-lo.
Duo fez o mesmo que Heero. Pousando os lábios ardentes na curva do ombro pálido, deliciando-se com o suspiro de prazer que escapou dos lábios do vampiro quando o mordeu. Continuou distribuindo beijos sensuais por toda extensão do pescoço até o colo, que se expunha através da abertura da roupa. Mas não teve tempo de ir mais do que isso, ao ouvir a voz do amante.
- Sem brincadeiras, eu o quero agora. – disse Heero, causando um arrepio de prazer em Duo diante da possessividade explicita em sua voz.
Heero retirou o restante de sua roupa, diante do olhar do humano. Ele deitou-se sobre Duo, unindo finalmente seus corpos tornando-se um só assim como suas almas. Gemidos de êxtase preencheram o quarto, antes que o gozo se fizesse presente entre eles.
O vampiro fixou o olhar na boca sedutora, sendo encarando por olhos nublados de prazer. Inclinou-se ligeiramente sobre o amante tomando-lhe os lábios suavemente, antes de retirar-se do corpo do humano e puxá-lo para seus braços, sentindo-o aconchegar-se a si.
- Descanse. – disse o vampiro, diante do cansaço de seu amante.
Duo fechou os olhos suspirando contra o peito do vampiro, sentindo a semente deste escorrer por sua passagem. Deu um sorriso mínimo antes de deixar que o estresse dos últimos dias o fizesse adormecer por completo.
Heero ouviu o ressonar de Duo, indicando que o mesmo havia dormido, ele deixou que um sorriso preenchesse seu rosto, beijando-lhe o alto da cabeça, se permitindo fechar os olhos. Mesmo sabendo que não dormiria, velaria o sono de seu amante, enquanto pensava nos preparativos de seu casamento com o americano dali a dez luas [1].
Sentiu sua natureza novamente agitar-se diante da perspectiva de que em breve, Duo estaria consigo na escuridão dos dias.
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Enquanto isso:
Quatre percorreu o mesmo caminho que fizera anteriormente com Duo para sair caverna. Ao deixar os túneis foi recebido pela noite clara, onde as estrelas brilhavam intensamente e por seu amante que o aguardava encostado no carro.
Trowa observou seu anjo caminhar lentamente em sua direção, sorrindo-lhe diante de seus pensamentos.
Quatre deixou-se abraçar tão logo se encontrou ao alcance dos braços de seu amante. Para ele Trowa é que era perfeito, a luz pálida da lua iluminando seus cabelos castanhos, tornava-o ainda mais belo.
- "Você é ainda mais belo e perfeito meu anjo."
Trowa não pode impedir-se de abraçar e beijar Quatre. Divagando como seu anjo poderia pensar que ele era perfeito, quanto tinha a própria perfeição em seus braços. Seu anjo sob a luz suave da lua, ao seus olhos parecia uma pintura, um anjo caído do céu, altivo, belo e mortal.
- Obrigada. – agradeceu Quatre assim que se afastou.
- De nada meu amor.
Trowa abriu a porta do carro para que o amante entrasse, antes de dar a volta no carro e sentar-se no assento do motorista. Ele havia dispensado o motorista de nome Alex, tomando para si a função de levá-los para casa, como sabia que Heero não deveria retornar tão cedo e Treize o dispensará por algumas horas, decidira ir para sua casa e ter alguns momentos a sós com seu anjo.
Uma vez que o mesmo havia permanecido ao lado de Duo durante todo o tempo em que Heero se afastara por conta de suas obrigações junto ao clã e por causa do juramento do humano.
Quatre sorriu diante dos planos que o amante tinha para ambos, sentia-se mais tranquilo agora que o juramento de Duo havia terminado, não quisera revelar ao amigo que tinha certas preocupações quanto ao seu juramento, dado ao grau de importânciaque Duo possuía em relação à Heero. Mas felizmente tudo terminara bem, o anuncio da união do shuhan com seu escolhido havia sido feita em sua opinião no momento certo. As especulações sobre o casamento de Heero com Julian Deberoux rondavam nos lábios e ouvidos do clã, o que não era nada bom para seu amigo humano.
Um sorriso maldoso transpareceu em seu rosto, diante do que poderia vir a fazer quando descobrisse quem estava espalhando tais boatos, afinal Heero havia lhe pedido para encontrar o culpado, mas não o havia proibido de tomar nenhuma providência quando o encontra-se.
Trowa estremeceu diante dos pensamentos malignos que seu anjo tinha para quando cumprisse as ordens de Heero, sobre encontrar quem dentro do clã espalhava noticias falsas sobre seu casamento. Ele tomou a mão do amante levando-a aos lábios, enquanto mantinha atenção à estrada escura.
- Apenas não o mate meu anjo, acredito que Heero tenha outros planos para o boateiro.
- Não posso prometer nada quanto a isso. – respondeu Quatre diabolicamente.
Trowa balançou a cabeça diante das palavras do amante, ele não podia negar que compartilhava da opinião de Quatre de que quem quer que fosse que estava contando mentiras sobre a união de Heero, merecia a devida punição. Entretanto não partilhava da ideia de punição que seu anjo parecia querer. Ainda assim não negava que a mesma lhe era bastante atraente, o que o fazia pensar que talvez estivesse se tornando tão maldoso quanto seu adorável amante.
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Algumas horas depois:
Duo espreguiçou-se se sentindo bem disposto após o breve descanso. Ele sentou-se na cama devagar, reparando que se encontrava sozinho. As cortinas do quarto se encontravam fechadas e o ambiente se encontrava mergulhado no escuro, não deixando perceber se ainda era noite.
Levantou-se caminhando até a janela afastando a cortina, vendo então que a lua ainda reinava na escuridão do céu. Caminhou até uma porta onde imaginou se encontrar o banheiro, encontrando o vazio, fazendo-o pensar onde poderia estar o vampiro.
Aproveitou que se encontrava sozinho para cuidar de suas necessidades básicas, antes de retornar ao quarto no instante em que a porta abriu-se dando passagem ao japonês que carregava uma bandeja.
Heero sorriu ao ver que Duo estava acordado, deixou seus olhos correrem pela forma nua do amante, sentindo seu desejo retornar. Ele caminhou até a pequena cômoda no quarto colocando sobre ela a bandeja que trouxera com a refeição do humano, antes de caminhar até o mesmo envolvendo-o pela cintura e beijando-o ardentemente.
O humano ofegou surpreso diante do beijo, sentindo reacender o desejo pelo vampiro. Ele gemeu deliciado, ao sentir as mãos de Heero, passeando por seu corpo, sentindo-se desamparado e ostentando um sorriso apaixonado quando o amante se afastou.
Duo abriu os olhos vendo um sorriso malicioso no rosto do japonês, que o fez corar.
Adorável. – disse Heero diante do rubor a cobrir o rosto do americano.
Duo não conseguiu impedir o rubor de cobrir seu rosto, diante do olhar intenso do amante, ele abaixou à cabeça envergonhado, deixando que o outro o abraçasse novamente para logo em seguida afastar-se.
Ele procurou por suas roupas, vestindo apenas a calça, antes de sentar-se na cama.
Heero pegou a bandeja seguindo para a cama e depositando-a sobre o colchão revelando aos olhos do americano seu conteúdo, havia uma pequena variedade de pães, bolo, suco e café, geleia de morango, manteiga e alguns frios.
Ele serviu o amante conversando sobre os planos que tivera a cerca do casamento deles.
Duo ouvia atentamente as palavras do vampiro de como seria o casamento, enquanto desfrutava da pequena refeição.
O plano do vampiro era que o casamento se desse em sua propriedade, dali a alguns dias, na presença dos clãs mais próximos aos Khushrenada, o japonês não podia confirmar o número de clãs a comparecer, mas podia afirmar de que todos que fossem aliados aos Khushrenada seriam convidados.
- Acho que pelo menos vinte a trinta clãs devem confirmar a presença. – disse Heero sem se ater ao olhar espantado de Duo.
- Vinte a trinta?! Quantos clãs existem? – indagou Duo sem saber se queria realmente saber a resposta.
- Não tenho um numero exato. – disse Heero com um sorriso. – Mas eu sei que pelo menos trezentos mantém relações com os Khushrenada.
Duo não conseguia imaginar o número de vampiros, que apenas trezentos clãs juntos teriam, pelo que Treize lhe contara o clã dos Khushrenada tinha aproximadamente mais de oito mil vampiros, todos sobre o comando de Heero.
O humano sentiu um friozinho na boca do estomago diante das palavras de que pelo menos os lideres de trinta clãs estariam presentes, entre eles os clãs Noventa, Maguanac, NightRose e Dhanylhos. Os quais eles convidaram pessoalmente, enquanto estavam em Epyon.
Sem contar com os vampiros do clã Khushrenada, embora apenas os das casas mais nobres, teriam a honra de estarem presentes. Pelo que o vampiro estimava algo em torno de mil a dois mil vampiros quase trinta por cento do clã Khushrenada.
É muito vampiro junto Heero. - Brincou Duo tentando não pensar na quantidade de vampiros presentes.
Heero sorriu diante da brincadeira, sabendo que na verdade o amante encontrava-se inquieto. Ele tomou a mão do humano entre a sua levando-a aos lábios frios, procurando tranquiliza-lo. Sabia que não seria uma cerimônia simples, mesmo que a desejasse, seria impossível fazê-lo devido a sua posição como líder dos Khushrenada.
O simples fato dos Anciões terem acatado seu desejo de ter o humano como seu nakama, lhe era suficiente para que aceitasse, o que quer que planejassem para a cerimônia de casamento. Tendo em vista que ninguém seria imprudente ao ponto de querer aborrecê-lo com pequenos detalhes.
Duo ficou calculando mentalmente o número de convidados imaginando como seria organizado tudo em tão pouco tempo. Ele não entendia muito sobre cerimônias de casamento, o pouco que sabia eram as das realizadas pelo tio na igreja da cidade, mas não foram muitos os casamentos realizados pelo sacerdote.
A inquietação de que o que deveria ser feito, e do que ele deveria fazer para que a cerimônia fosse bem sucedida começou a martelar em sua mente, por isso decidiu expor suas duvidas ao amante.
Heero, Como nós vamos organizar o casamento? Enviar os convites? – perguntou Duo em dúvida se deveria ser ele a providenciar tudo.
O vampiro sorriu antes de aproximar-se mais do amante, puxando-o para o circulo dos seus braços, procurando sanar suas inquietações.
Não se preocupe, dará tudo certo, além do mais não precisa se preocupar com nada. Tudo será feito conforme desejarmos, mas por outras pessoas, não precisamos nos preocupar com detalhes. Apenas se você desejar fazer algo específico ou pessoalmente. – disse Heero, diante da tensão que sentia vir do amante.
Duo meneou a cabeça, enquanto algumas ideias fervilhavam em sua mente. Antes de concordar, ele não tinha a mínima ideia de como organizar um casamento, ainda mais um com tantos convidados.
Tudo bem, eu não acho que daria conta e nem saberia quem convidar. E detestaria acabar ofendendo algum clã, ao esquecer-me de alguém.
Não se preocupe. Por mim não convidaria ninguém, a única pessoa importante na cerimônia é você. – disse o japonês, fazendo o amante sorrir. - Mas Treize já deixou claro que isso seria indelicado, por isso deixei ao cargo dele escolher quais clãs serão convidados.
E quanto à roupa? – perguntou Duo.
Não sei ao certo, mas acredito que o responsável pelo cerimonial deverá, nos mostrar alguma coisa e deixar a nossa escolha. – respondeu Heero silenciando-se.
Duo sorriu levantando-se da cama e colocando a bandeja sobre a cômoda, antes de retornar para o lado do vampiro, que o acolheu novamente nos braços.
- Quando temos que voltar? – perguntou Duo suspirando deliciado diante do carinho feito em seus cabelos.
- Apenas a noite. Prometi a Treize que voltaríamos tão logo matássemos a saudade que tínhamos um do outro, embora eu ainda não tenha sanado minha saudade por você.
- Nem eu de você. – disse Duo virando-se e olhando dentro dos olhos de Heero.
Heero beijou o humano, tocando com carinho e desejo aquele que lhe pertencia. Duo deixou que o vampiro o despisse e o amasse novamente, como ambos haviam dito, a saudade que sentiam um do outro ainda não havia sido completamente curada, embora duvidasse que a mesma fosse sanada tão cedo.
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Residência do shuhan dos Khushrenada:
Treize seguia em direção a seus aposentos. Havia conversado até alguns minutos atrás com Noventa e Auda, tudo que desejava no momento era poder descansar um pouco nos braços de sua amada, mas temia que a mesma já estivesse descansando, uma vez que havia se recolhido algumas horas antes.
Ele entrou em seu quarto surpreso, por encontrar Cath sentada à beira da cama. Ter a visão dela ao adentrar o quarto, era como ter a visão de um anjo. Seu anjo sorriu ao vê-lo, fazendo-o retribuir o gesto, aproximou-se de sua amada beijando-a suavemente, antes de sentar-se ao seu lado.
- Achei que já estivesse dormindo. – disse Treize.
- Eu queria esperar você, não temos conseguido ficar muito tempo juntos.
De fato na ausência de Heero e Duo ambos se encontravam ocupados atendendo os lideres dos clãs e os humanos que vieram com eles de Epyon. Os poucos momentos que passavam juntos, não lhes era suficientes em sua opinião.
- Tem razão, sinto se a tenho negligenciado. – desculpou-se o antigo líder dos Khushrenada.
-Não estou reclamando. – contestou Catherine. – Mas confesso que sinto falta de passar algum tempo a sós com você meu senhor.
- Creio que estamos sozinhos neste momento. – retrucou Treize enigmaticamente.
Catherine abaixou os olhos diante da intensidade com que Treize a encarava. O vampiro levou uma de suas mãos à cintura e a outra ao rosto de sua companheira tomando-lhe os lábios devagar, deixando que o desejo que tinha por ela preenchesse seus sentidos.
Cath passou os braços pelos ombros de Treize aproximando seus corpos, sentindo o desejo preenche-la por completo. Ela desejava senti-lo por inteiro. Senti-lo preenche-la com seu amor, sentir seus toques em seu corpo. Deixou que ele a deitasse na cama, que beijasse seu pescoço e colo, ofegando à medida que seu amado e senhor removia a camisola negra que vestia.
Ela afastou as vestes que a impediam de tocá-lo livremente, arqueando o corpo ao senti-lo beijar-lhe a parte intima. Seus olhos nublaram em prazer, enquanto seus sentidos eram preenchidos com a presença dele.
Treize afastou-se ligeiramente percorrendo com satisfação o corpo de sua amada com os olhos. Ela era linda, perfeita em sua gentileza, em seus atos, perfeita na forma como ofegava e gemia seu nome, enquanto tomava posse de seu corpo.
- Treize!
- Minha adorada. – disse Khushrenada, procurando prolongar o prazer de tê-la em seus braços.
Suas presas cresceram ansiando o gosto inebriante do sangue de Catherine. Ele sugou-lhe o pescoço macio, antes de afundar os caninos, perfurando a pele e sorvendo-lhe o sangue rubro, deixando que o sabor quente e aveludado descesse por sua garganta como se fosse o melhor dos vinhos.
Cath inclinou a cabeça dando ao seu amor melhor acesso ao seu pescoço. O prazer aumentava a cada gota de sangue retirada de seu corpo, assim como aumentava a necessidade de provar o sangue de seu amado. Sua boca encontrou caminho até o pescoço de Treize dando a ele o mesmo prazer, ao ter o sangue tomado.
As mãos de Treize firmaram os quadris de Catherine, enquanto sentia seu sangue fluir para sua amada, ele necessitava de libertação. Aumentando o ritmo de suas investidas, maximizando o gozo que se encontrava no limite, sentiu os lábios que antes lhe bebiam o sangue, afastar-se para gritar seu nome quando o prazer chegou ao ápice no corpo de sua eleita.
Catherine sorriu diante do prazer e da sensação da semente de Treize escorrendo por suas pernas. Não pode impedir que algumas lágrimas rubras manchassem seu rosto pálido, diante da plenitude que sempre sentia nesses momentos.
Khushrenada beijou os olhos de Cath limpando suas lágrimas, sabendo exatamente como ela se sentia. Ele retirou-se do corpo da amada, retendo-a em seus braços, acariciando seus cabelos, compartilhando do silêncio reconfortante que apenas ela era capaz de fazê-lo sentir. Estar com ela era como um bálsamo para os dias em que tudo que desejava fazer era esquecer-se de suas obrigações como antigo líder dos Khushrenada.
Catherine era sua força e sua fraqueza. Sua docilidade ainda o encantava depois de tantos séculos, mesmo quando estiveram separados, a mantinha em sua mente. Durante décadas tudo que desejava era abandonar a liderança dos Khushrenada e dedicar-se unicamente a ela, secretamente este fora um dos motivos pelo qual procurara outro para tomar seu lugar frente ao clã, não que o fosse revelar a alguém. Este era um assunto que mantinha guardado em seu coração.
- O que acha de um banho? – perguntou Treize. – Eu lavo suas costas. – murmurou o vampiro beijando o ombro desnudo, recebendo uma risada.
- Claro, se eu puder lavar as suas. – respondeu Catherine.
- O que você quiser minha adorada.
Treize levantou-se estendendo a mão a Catherine que a tomou, deixando que ele liderasse o caminho até o banheiro. Ele deixou que Cath preparasse a banheira, antes de juntar-se a ela, pensando que em poucos minutos seria dia novamente, e logo mais a noite Heero e Duo retornariam, o que lhes proporcionaria finalmente compartilhar um tempo maior a sós.
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Vila de Fushigi [2] – Distrito de Minato [3]:
Quatre abriu os olhos suspirando. Movendo-se lentamente, sentiu os braços do amante em sua cintura retê-lo suavemente, o fazendo acomodar-se novamente ao corpo junto a si, sorrindo ao lembrar-se da noite anterior. Deixou seus olhos vagarem, lentamente pelo quarto, esforçando-se para mantê-los abertos. Sentia-se com sono e a suave claridade a passar pela fresta da cortina dava-lhe a certeza de que ainda era dia.
"Volte a dormir meu anjo".
Os olhos piscaram sonolentos e sorriu diante da voz do amante em sua mente lhe dizendo para voltar a dormir. Deixou que a inconsciência o levasse novamente ao mundo dos sonhos, visto que ainda faltava muito para que pudessem levantar e retornar a residência do shuhan.
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Algumas horas depois:
Treize, Catherine e os lideres dos clãs Noventa, Maguanac, NightRose e Dhanylhos encontravam-se na entrada aguardando o retorno do shuhan dos Khushrenada e seu futuro nakama prevista para aquela noite.
Um carro aproximou-se da entrada principal, onde todos aguardavam. Chold parou o veiculo, descendo e abrindo à porta do passageiro dando passagem ao líder do clã e seu escolhido.
Duo segurou a mão de Heero para deixar o carro, sentindo o ar noturno tocar-lhe a pele. Sorriu por notar que sentira saudades, sentia-se como se voltasse para casa, depois de uma longa viagem. Sabia que talvez ele e Heero não pudessem usufruir da companhia um do outro, na quantidade que queriam, uma vez que tinham convidados e alguns preparativos para o casamento deveriam ser visto brevemente, ainda assim saber que estavam juntos sob o mesmo teto era reconfortante.
Heero apertou a mão do humano diante dos pensamentos tão semelhantes aos seus. O que mais desejava era esquecer tudo e passar os dias na companhia de seu amado, mas tinham assuntos a tratar e convidados a entreter. E por mais que desejasse esquecê-los não poderia fazê-lo.
- Sejam bem-vindos senhores. – cumprimentou Kimitsu, recebendo um aceno de Heero e um sorriso de Duo.
Todos cumprimentaram Heero e Duo que haviam ficado surpresos de encontrar a pequena recepção, imaginando que todos já houvessem se recolhido uma vez que seria dia, em breve.
-Vamos entrar. – disse o japonês a todos.
Duo meneou a cabeça em acordo, seguindo o amante, mas parando ao ouvir um carro se aproximando àquela hora da madrugada.
- Quem... –indagou o humano.
- São Trowa e Quatre. – disse o japonês antes que Duo tivesse a chance de terminar a pergunta.
Heero voltou os olhos para o caminho de pedras, aguardando o carro que trazia Trowa e Quatre chegasse à entrada.
Trowa sentiu varias presenças, além da de Heero e sabia que o mesmo deveria ter acabado de chegar, ele parou o veiculo em frente à entrada, entregando a direção do carro para um dos empregados da casa, antes de tomar a mão do amante e aproximar-se do shuhan seu companheiro e a pequena comitiva.
- Bom dia Heero, Duo – cumprimentou Trowa e Quatre primeiramente aos dois, antes de cumprimentar os demais lideres presentes.
Todos assentiram ao cumprimento. Quatre aproximou-se de Duo o abraçando, e cumprimentando Heero diretamente com um menear de cabeça, que foi respondido da mesma forma.
Heero puxou Duo pela mão para que pudessem ir para o quarto e descansar por algumas horas, antes que tivessem que se levantar e atender a seus compromissos junto aos hóspedes em sua casa o que não tinha a intenção de fazê-lo tão cedo.
Duo sorriu ao ver que o quarto que compartilhava com Heero na residência do vampiro conservava o mesmo ar de refúgio que tinha há algumas semanas atrás quando partira para realizar o juramento ao clã. Ele caminhou até as portas que devam acesso ao jardim interno abrindo-as deixando que o ar da noite entrasse no ambiente.
Heero abraçou o amante pela cintura fechando os olhos diante da paz que sentia ao tê-lo ao seu lado e em seu quarto. Era bom estar em casa novamente e desfrutar da companhia serena do americano. Ainda de olhos fechados, tomou o amante nos braços, caminhando com ele até uma das poltronas no jardim, sentando-se e mantendo Duo em seu colo.
Duo ficou surpreso ao ser erguido pelo vampiro, mas relaxou ao perceber o que o mesmo tinha em mente. Ele fechou os olhos encostando a cabeça no ombro do amante compartilhando em silêncio o céu estrelado.
- Onde quer passar nossa lua de mel? – indagou Heero após alguns minutos em silêncio.
Duo fechou os olhos por alguns segundos, virando ligeiramente a cabeça para trás para poder olhar nos olhos do vampiro que o encarava.
- Porque não ficamos aqui mesmo? Temos nosso próprio refugio, não creio que precisamos ir para algum lugar para estarmos a sós. – respondeu o humano.
- O que você quiser meu amor. – respondeu o vampiro tomando os lábios do amante entre os seus.
Heero estava feliz com a ideia de permanecerem ali após o casamento, embora ele também ficasse satisfeito em proporcionar ao amado a realização de qualquer desejo, mesmo uma viagem de lua de mel para qualquer parte do mundo, se o humano assim o desejasse.
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Dois dias depois:
Wufei, Sally e Zechs estavam tendo um pequeno almoço na companhia de Duo, que havia deixado o amante vampiro descansando, para passar algum tempo com seus amigos. Eles não haviam conversado muito desde que vieram de Epyon e sentia que deveria passar algum tempo com eles, tendo em vista que após seu casamento provavelmente não os veria tão cedo.
Quatre havia dito que gostaria de participar do almoço, mesmo ainda sendo dia, mas o amigo juntamente com Trowa estava realizando algum tipo de trabalho para Heero. Indagou o amante sobre o assunto, mas o mesmo apenas disse para não se preocupar, pois não era nada importante, o que duvidava que fosse verdade. Se o trabalho era sem importância, porque todos mantinham tanto sigilo sobre o assunto. Ainda sim não insistiu sobre o fato, se fosse necessário que tivesse ciência sobre o assunto, sabia que o amante seria o primeiro a esclarecer a situação.
- E como anda os preparativos para o casamento Duo? – perguntou Sally, ganhando a atenção do americano que lhe parecia distraído.
- Até agora...bem de certa forma, mas não sei...tenho a estranha sensação de que alguma coisa vai dar errado. – respondeu Duo apreensivo.
Ele vinha sentindo-se assim sempre que pensava nos arranjos para a cerimônia, haviam acontecido alguns contratempos, nada preocupante, mas sentia como se toda a calmaria, fosse passar de repente e que em algum momento tudo começaria a dar realmente errado.
- Não deve ser nada, meu amigo, provavelmente é apenas nervosismo. – disse Zechs calmamente, enquanto se servia de um pouco mais de salada.
- Eu espero que sim. – respondeu Duo sem acreditar no que dizia.
Wufei notou que o amigo ficara um pouco tenso, quando Sally tocara no assunto sobre o casamento dele com Heero. Mas como Zechs apontara talvez fosse apenas o nervosismo normal que acomete todos que se preparam para casar, ele mesmo sentia um frio na barriga cada vez que pensava em sua união com Sally assim que fosse para a terra de seus ancestrais na China. Entretanto Duo não parecia pensar da mesma forma, e esperava realmente que seu amigo estivesse enganado.
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Algumas horas mais tarde – em algum lugar em Shinjuku[4]:
Quatre esgueirava-se silenciosamente pelas sombras do Tokyo Metropolitan Government Office[5], havia recebido a informação de que a pessoa que procurava se encontrava lá. Das quatro pistas que tinha sobre o responsável pelo boato sobre o casamento de Heero com Julian Deberoux, duas mostrou-se infundada. A terceira pista levara ele e Trowa a um homem chamado Yamada, um vampiro que era conhecido por fazer todo tipo de trabalho escuso.
O mesmo havia confessado após um pouco de persuasão, de que recebera dinheiro de outro vampiro de nome Gerald, para espalhar a informação, entretanto Yamada não sabia de quem realmente viera o pedido, e era por esse motivo que estava agora observando Gerald.
Os olhos de Quatre avermelharam por ter de aguardar. Ele não gostava de esperar. Ter de esperar o irritava. E quando estava ele irritado, sua natureza pedia por sangue e dor, ele estava se contorcendo por dentro para ir até o ruivo agarrá-lo pelo pescoço e fazê-lo contar o que queria saber.
Ouviu uma pequena risada em seu subconsciente e suspirou antes de ouvir o amante tentar acalmá-lo em sua mente.
Trowa podia sentir a irritação de Quatre aumentar a cada minuto em que seguiam Gerald, não podia culpar o loiro, mas também sabia que não poderia deixá-lo extravazar sua irritação, já o havia deixado ameaçar e torturar Yamada para fazê-lo dizer onde encontrar Gerald Louise. Se deixasse seu anjo torturar Gerald, acabaria por deixá-lo acostumado demais em torturar os outros e não queria de forma alguma fazê-lo pensar que atenderia sempre a suas vontades.
"Tenha paciência, meu anjo. Não gosto da situação tanto quanto você, mas creio que Heero vai querer falar diretamente com Louise. E se você o torturar duvido que vá sobrar alguma informação para Yuy retirar dele."
"Estou cansado e com fome. Queria estar em casa. Eu tinha um compromisso mais cedo, com Duo e os outros hoje e estou aqui seguindo um idiota e a humana com ele. Tenho certeza de que ela não faz ideia que vai se tornar o jantar dele em breve."
Trowa não tinha dúvidas quanto a isso, ainda mais por Gerald ser um numai[6]. Numais não servem ou seguem as leis dos clãs, eles vivem por suas próprias regras, seguindo suas conveniências. Não eram fáceis de serem rastreados, uma vez que sabiam como se tornar imperceptíveis quando necessário. Muitos clãs achavam propicio usarem numais para fazer pequenos trabalhos, os quais não desejavam deixar rastros ou ligações diretas com o clã. Por outro lado quando os mesmos não eram mais necessários, eram facilmente descartados ou silenciados.
Ele não queria nem imaginar o que Heero faria quando descobrisse que alguém dos Khushrenada estava usando numais para espalhar os boatos.
"Vamos esperar que eles deixem o prédio e capturá-lo anjo. Como você disse, ele provavelmente vai matar a humana e não podemos deixar isso acontecer no território dos Khushrenada"
"Ok. Se ele tentar fugir, posso detê-lo?" – indagou Quatre sarcasticamente.
"Faça o que for necessário para detê-lo, sem matá-lo, precisamos que ele seja capaz de responder a nossas perguntas." – respondeu Trowa sabendo de antemão que Gerald não se entregaria sem lutar, uma vez que Yamada não o fizera.
Quatre sorriu maldosamente, diante da autorização de Trowa, por mais que sua natureza fosse rebelde e malévola, ele aprendera a controlá-la a contento com a ajuda do amante, uma vez que o latino era diretamente afetado por suas ações, tanto mentalmente, quanto emocionalmente. Por isso ele nunca agia sem a aprovação de Trowa. Era claro que o amante nem sempre aprovava seus métodos, mas ambos sabiam que tinham de ceder para poder manter o relacionamento. Ele cedia controlando sem temperamento o melhor que podia, e o amante cedia permitindo que ele o extravasasse de vez em quando.
Gerald podia sentir as presenças vampirescas, o que era muito comum naquele lugar, muitos vampiros costumavam ir até ali para caçar assim como ele.
Ele olhou momentaneamente para a loira em sua companhia, a mesma era atraente, e ficara completamente encantada quando dissera ser um fotografo em busca de uma nova inspiração e que encontrara nela a musa perfeita. As mulheres humanas eram presas fáceis em sua opinião, bastava um elogio e um pouco de persuasão que as mesmas caiam como peixes em sua armadilha.
Obterá as informações de que era uma estudante de arquitetura e que estava ali admirando o prédio. Que morava sozinha, e estava no Japão para um intercambio, por isso não tinha muitos conhecidos no Japão o que facilitava muito as coisas. Por isso a convidara para jantar, seria mais fácil de alimentar-se dela ao deixarem o prédio.
- O que acha de irmos? – indagou Gerald mal contendo a fome, que deixava os seus olhos parcialmente vermelhos.
A loira sorriu, mas parou antes de responder parecendo assustada, ela piscou vendo novamente os olhos verdes e não vermelhos do homem junto a si. O pensamento de que talvez não fosse uma boa ideia acompanhar o cara que conhecerá a pouco tempo, martelou em sua mente, mas ao vê-lo sorrir tais pensamentos desapareceram como se nunca houvessem passado por sua mente.
- Claro. – respondeu a mulher.
Gerald sentira a apreensão dela e os pensamentos sobre não acompanhá-lo, mas bastou usar sua presença sobre ela que tais pensamentos desapareceram. Ele colocou uma das mãos nas suas costas, guiando-a para um dos os elevadores, chamando o veiculo e aguardando que o mesmo chegasse ao andar.
Quatre viu Gerald e a humana caminhando em direção aos elevadores e falou com o amante, que se encontrava do lado de fora do prédio.
"Ele vai pegar o elevador." – informou Quatre.
"Acha que consegue entrar com eles?" – perguntou Trowa deixando sua posição e se aproximando da entrada do Tokyo Metropolitan.
"Considere feito". – respondeu Quatre.
O árabe deixou que suas habilidades vampirescas se elevassem, fazendo com que uma corrente de vento percorresse o andar levantando um pouco de poeira, obrigando a todos no andar a fechar os olhos, por meros segundos, enquanto as luzes piscaram por meio segundo, quando Gerald e a humana abriram os olhos, mal notaram que nos milésimos de segundos antes das portas se abrirem completamente uma sombra passara por eles.
Quatre se encontrava encostado na parede do elevador, os olhos escondidos por um óculo de lentes escuras, ele meneou a cabeça diante do cumprimento silencioso do outro vampiro, que voltou-se para a frente pressionando o botão para o térreo. Não vendo o sorriso diabólico a suas costas quando as portas se fecharam.
Gerald sentia uma estranha vibração do vampiro que se encontrava no elevador com eles, não que o mesmo houvesse feito algo que indicasse ser perigoso, ainda assim sentia a sua pele arrepiar, ao sentir os olhos presos a sua nuca. Ele olhou para os números dos andares, como se isso os fizesse passar mais rapidamente. Quando as portas se abriram no térreo, teve que se controlar para não deixar o elevador correndo.
Ele caminhou com sua companhia, ainda sentindo-o como se o observasse. O hall parecia estranhamente vazio, como não houvesse ninguém além deles três.
Trowa viu as portas do elevador se abrirem e seus ocupantes caminharem em direção a saída. Ele passou pelas portas, caminhando diretamente para eles. Não havia sido difícil com a ajuda do amante fazer com que todas as pessoas que estavam no hall tomassem rumos que os tirasse dali, umas oito pessoas no máximo. Ele voltou seus olhos para a humana enquanto Quatre mantinha olhos em Gerald.
O latino invadiu a mente dela, levando-a a inconsciência. Rapidamente Trowa a amparou, antes que caísse no chão uma vez que Louise simplesmente tentara escapar quando percebeu que algo estava errado. Entretanto ele mal conseguira dar alguns passos, antes que sentisse a presença perversa em sua mente, lhe pedindo para dar-lhe o gosto da caçada. Sabia que se tentasse escapar não sairia ileso, por isso simplesmente rendeu-se ao loiro que o encarava friamente. Eles haviam capturado sua presa.
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Shinjuku Sumitomo Building [7] – por volta das 02:30hs da madrugada: Heero caminhava pelos corredores silenciosos, do 52º andar, onde ficava um dos escritórios de fachada do clã Khushrenada. Trowa entrara em contato pouco depois da meia-noite informando que ele e Quatre haviam capturado um vampiro que possuía informações sobre o mandante dos boatos a cerca de seu casamento. Ordenara que levassem o para lá e aguardasse sua chegada, pois ele mesmo gostaria de obter o nome do responsável. Yuy pedira a Kimitu que colocasse sonífero na bebida de Duo, para que adormecesse rapidamente o que lhe possibilitaria de deixá-lo por algum tempo sem que o mesmo soubesse.
Ele parou a frente de uma porta de madeira escura, que foi aberta assim que sua presença fora notada. Heero entrou na sala, meneando a cabeça aos outros cinco vampiros que se encontravam no recinto, sentindo a presença de Trowa e Quatre na sala no fundo do local. Seguindo diretamente até ela.
Quatre mantinha os olhos presos a Gerald sorrindo maldosamente diante do cheiro de medo que exalava do numai. Sabia que se fizesse menção de dar um passo em sua direção o mesmo teria um colapso, achava divertido atormentá-lo apenas o observando em silêncio, sussurrando em sua mente o que faria quando obtivesse a autorização do shuhan dos Khushrenada.
Trowa apenas revirava os olhos diante do prazer que o amante tinha em torturar mentalmente Gerald, ele tinha de se esforçar para não sucumbir aos desejos malignos de Quatre e ao frenesi que parecia preencher os recantos de sua mente. Ele não podia dizer que não era divertido ver o numai pular cada vez que o árabe fazia um movimento como se o mesmo fosse simplesmente saltar sobre o mesmo como um lobo faminto sobre sua presa.
Gerald tentava sem sucesso ignorar a voz do vampiro loiro em sua mente, nunca antes encontrara outro tão sádico e malévolo. As coisas que o mesmo dizia que aconteceriam com ele tão logo o shuhan dos Khushrenada chegasse lhe causavam arrepios. O loiro não poupava os detalhes do que faria, parecendo deleitar-se com narrar cada pormenor de sua sentença.
Ele nunca havia encontrado ou visto o shuhan dos Khushrenada, mas sabia que era um vampiro poderoso, o mesmo havia derrotado Romefeller e os Peacecraft, ao unir forças com outros clãs. Quando aceitara o serviço sobre espalhar noticias falsas sobre o casamento do shuhan dos Khushrenada não imaginara que acabaria em tal situação, o dinheiro recebido fora incrivelmente atraente para que aceitasse o serviço, aliado ao fato de não possuir escrúpulos para espalhar a mentira, uma vez que seu mandante, afirmara que não era uma mentira, antecipar o inevitável.
A ansiedade do que aconteceria com ele minava suas forças, sabia que não era raro vampiros como ele serem silenciados assim que seus serviços não eram mais necessários, ou quando era capturados como seu caso. Ainda assim a liberdade de não estar preso as leis que regiam cada clã, ainda lhe era bem mais atraente do que viver sobre a proteção de um.
Sua pele arrepiou-se diante da presença que sentia aproximar-se cada vez mais. O medo que parecia começar a consumi-lo era totalmente diferente da imposta pelo vampiro loiro. Era um terror ainda mais intenso, e que era sentido em cada célula de seu corpo sem vida.
A cada segundo ele sentia a presença aumentar e sabia que a mesma dirigia-se para a sala onde se encontrava. Seu olhar cruzou com o do vampiro que o capturara e estremeceu diante do olhar vil e da voz facínora em sua mente.
"Nosso shuhan chegou, em breve você sentira em sua carne cada palavra que eu lhe disse...isso se ele mesmo não resolver cumprir minhas palavras. – disse Quatre com os olhos vermelhos"
Trowa olhou para o amante seguindo para a porta e abrindo-a para Heero. Ele curvou sua fronte em sinal de respeito ao shuhan dos Khushrenada, sendo seguido pelo amante que parou finalmente de atormentar Gerald.
O numai voltou o olhar para a porta, ficando surpreso ao ver quem era o líder do clã Khushrenada, o mesmo parecia-lhe tão jovem, o mesmo era bem diferente da imagem que projetara, ainda assim não podia negar a força que emanava de sua presença.
- É ele. – perguntou Heero sem desviar o olhar do vampiro ruivo.
- Sim meu senhor. – respondeu Quatre voltando os olhos para Gerald que se contraiu. – Ele é um numai senhor. – completou o loiro vendo o olhar de Heero avermelhar e Louise horrorizar-se.
Trowa olhou para Quatre que parecia radiante diante da cena. Sabia que o amante havia contado de propósito a natureza do caráter de Gerald.
- Um numai?! – indagou Heero.
O atual shuhan dos Khushrenada não sabia exatamente o que pensar, a possibilidade de alguém de seu clã estar usando um numai para realizar serviços o aborrecia. Numais não tinham honra, não seguiam ou obedeciam a nenhum clã, e no entanto envolviam-se com os mesmos pela quantia que lhes fosse mais atraente, sem importassem em trair seu empregador.
Ele sentou-se diante do ruivo, procurando acalmar sua natureza. Entendia a razão de Quatre ter-lhe contato acerca da posição de Louise em sua sociedade e mesmo que seu desejo fosse o de deixar a cargo do loiro o destino de Gerald, não tencionava manchar o nome dos Khushrenada derramando o sangue de um numai, sem necessidade.
- Diga-me o nome de seu empregador e eu o deixarei partir sem danos. – disse Heero.
- Senhor!- exclamou Quatre estarrecido por Yuy cogitar a idéia de deixar o outro vampiro partir livremente se respondesse a sua pergunta.
Heero apenas direcionou o olhar a Winner, fazendo-o abaixar cabeça, enquanto tremia de raiva por dentro. Trowa sorriu ciente de que Yuy jamais mataria ou torturaria alguém se o mesmo não houvesse feito algo realmente cabível a tal tratamento.
Gerald sabia que se mentisse apenas o que o aguardava era dor e sofrimento, podia ver isso nos olhos do líder dos Khushrenada, não havia oferta melhor que essa, seu empregador a essa hora já deveria estar ciente da situação e já deveria ter providenciado meios para se resguardar. Sabia que o loiro não pensaria nem por um segundo em não cumprir com suas palavras assim que fosse lhe dada à oportunidade.
- Julian Deberoux. – respondeu Louise.
Todos no andar sentiram a força esmagadora que partia de Heero. Seu antigo pretendente era o responsável pelos boatos, mesmo que não estivesse surpreso com a noticia, saber que Julian havia chegado ao ponto de contratar um numai lhe era impensável. Heero fechou os olhos por alguns segundos antes de voltar-se para Trowa e Quatre.
- Acompanhem-no até o aeroporto, não me importa o destino, apenas tirem-no da minha presença. – disse Heero, voltando-se para Louise. – E você se o vir novamente, se pensar em trabalhar com alguém dos Khushrenada outra vez, eu o darei a Quatre. Diga o mesmo a todos os outros como você, se algum de vocês se quer pensar em atender um pedido escuso de um daqueles sob minhas leis, irei varrer cada um dos seus da face do planeta.
Gerald manteve a cabeça abaixada, não se atrevendo a erguê-la não desejava aumentar a ira do atual líder dos Khushrenada ou fazê-lo cumprir sua ameaça. Ele não reagiu quando os outros dois o ergueram da cadeira retirando-o da presença de Heero, sabia que este era o melhor destino que poderia desejar. Não tencionava nunca mais cruzar seu caminho com os Khushrenada.
Heero bufou ao encontrar-se sozinho, caminhou até a janela abrindo a cortina pensando no que deveria fazer. Ele tinha todo o direito de ir até a residência de Deberoux e confrontar Julian, mas sabia que isso seria apenas desgastante e não resultaria em nada. Não tencionava ficar muito tempo longe de Duo e sabia que se fosse até Julian já seria manhã quando retornasse para casa. Por enquanto manteria essa informação em segredo, e a utilizaria a seu favor no futuro, por hora tinha assuntos mais importantes em mente, como seu casamento com seu escolhido.
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Por volta das 05:00hs:
Heero abriu os olhos ao sentir a presença no jardim anexo ao seu quarto, ele olhou para o humano que dormia tranqüilo, levantando-se da cama e seguindo até o jardim interno, encontrando Trowa.
- Ele vou enviado para a França. – informou o latino.
- Como está Quatre? – perguntou Heero, vendo outro sorrir.
- Chateado por Gerald ter podido partir quase que ileso.
- Quase?!- indagou Heero, mas curioso do que preocupado que o loiro houvesse causado algum dano ao numai.
- Sim, meu anjo atormentou Louise a viagem inteira até o aeroporto, dizem que arrancaria sua pele caso o mesmo se atrevesse a causar problemas ao casamento de você e Duo.
- A lealdade de Winner a mim e meu nakama e reconhecível. Eu já havia me decidido por isso em seu juramento, mas ainda não havia demonstrado minha vontade com palavras. Diga-lhe que me sinto honrado em tê-lo nos Khushrenada e que ele será o guardião pessoal de meu nakama a partir de hoje.
Trowa ajoelhou-se na frente de Heero sorrindo diante do reconhecimento de seu amante perante os olhos do shuhan do clã. Ele podia sentir a felicidade de Quatre diante das palavras de Heero, ao mesmo tempo em que ouvia as palavras de seu contentamento, transmitindo-as a Yuy.
- Ele diz que a honra é dele, por poder ser-lhe útil. Que nada traz-lhe mas contentamento do que cuidar de Duo.
- Tenho certeza que sim. Descanse meu amigo.
Disse Heero tocando o ombro de Trowa virando-se e retornando para o quarto junto aquele que tinha sua alma imortal.
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Trowa levantou-se assim que ouvira a porta do quarto de Heero abrir e fechar. Ele caminhou silenciosamente pelo jardim até a saída, contornando a casa até a entrada da ala oeste seguindo pelos corredores silenciosos até chegar ao quarto que ele e o amante ocupavam. Encontrou Quatre encolhido na cama, sorrindo ao notar que seu pequeno e diabólico anjo, procurava esconder suas lágrimas.
Quatre sufocou um soluço no travesseiro ou ouvir o amante se aproximar da cama, não queria que o mesmo o visse chorando, embora soubesse que seria quase que impossível o mesmo não perceber. Sentiu-o puxá-lo contra si e virou-se escondendo o rosto em seu peito.
- Tudo bem amor, eu entendo. – disse Trowa acariciando a cabeça de Quatre.
- Ele me reconhece...não é...não teme que um dia...eu possa...
- Tenho certeza disso...não duvide jamais sobre isso meu amor. Heero sabe como você é. O quão forte será, e por isso ele confia que você aprenderá se a controlar. Além do mais eu estou com você e jamais vou deixá-lo cruzar completamente a linha de sua insanidade. E Yuy também sabe disso.
Quatre olhou nos olhos do amante e meneou a cabeça, sabia que Trowa nunca o deixaria machucar seus amigos, que nunca o deixaria enlouquecer por conta de sua natureza e suas habilidades psíquicas. Eles estavam juntos e evoluiriam na mesma medida. Ele tinha muito a que proteger: seu amor, sua amizade com Duo e a confiança que Heero depositara nele e se dependesse de si jamais trairia nenhum deles.
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Alguns dias depois – Residência do shuhan dos Khushrenada:
Quatre caminhava pelo pátio externo em direção ao jardim localizado à fase leste da residência para encontra-se com Treize. O vampiro havia enviado mentalmente um pedido para encontrarem-se, não sabia o que o antigo líder do clã desejava consigo, mas aceitara o encontro, deixando o amante que se encontrava conversando com os lideres do clã Maguanac.
Ele meneou a cabeça a Kimitsu que vinha do jardim, por certo atendendo a algum pedido de Khushrenada. Encontrou o vampiro sentado a beira do lago, aguardando sua presença.
- Queria me ver Treize. – indagou Quatre.
- Peço que cumpra com sua função, servindo de guarda costas a Duo, acompanhando-nos a residência dos Anciões.
Treize viu os olhos de Quatre avermelharem, antes que o azul claro voltasse a preencher os olhos do jovem vampiro.
- Heero sabe disso? – pergunto o árabe, vendo Khushrenada balançar a cabeça negativamente.
- Foi-me pedido que levasse Duo até eles sem o conhecimento de Yuy. – respondeu o antigo líder do clã, vendo os olhos de Quatre tornarem-se rubros novamente.
- Posso perguntar o porquê? – indagou o loiro irascível.
- Nolan não desejava que se tenha dúvidas a cerca da decisão de Heero em tornar o humano Duo Maxwell como seu nakama. E antes que pergunte, eu também não gosto de esconder isso de Yuy, mas concordo com a decisão de Nolan.
Quatre assentiu ciente de que Treize jamais concordaria com o pedido se o mesmo fosse prejudicial a Duo. Na residência todos sem exceção aceitavam Duo como nakama de Heero.
A principio achará estranho à aceitação sem ressalvas dos Anciões a respeito da decisão do shuhan sobre quem deveria ser seu nakama, mas passado o tempo acabara por achar infundadas suas suposições, uma vez que os antigos do clã Khushrenada se mantiveram em silêncio até o momento.
Mas agora diante do pedido de Treize ficava imaginando o que se passava em suas mentes para solicitarem a presença de Duo. Esperava apenas que eles não tivessem a intenção de afastá-los, pois não tinha a menor intenção de deixar que seu amigo fosse pressionado ou coagido a desistir de sua união com Heero.
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No jardim Interno:
Duo e Heero conversavam com Noventa, a cerca de uma futura visita ao clã Noventa, após o casamento deles.
- Ficaria mais do que feliz se aceitassem minha hospitalidade, por alguns dias, até mesmo se decidissem passar a lua de mel de vocês em minha "casa".
- Agradeço a oferta Noventa, mas Duo e eu já decidimos por permanecer no Japão em nossa lua de mel. Entretanto ficaremos mais do que felizes em visitá-lo. – respondeu Heero, vendo Kimitsu pedir licença e aproximar-se deles.
O empregado curvou-se em sinal de respeito aos dois lideres vampiros, antes de voltar-se para Duo entregando-lhe um pedaço de papel.
Duo abriu o papel lendo o recado escrito em uma letra firme e suave.
"Duo poderia encontrar-me no jardim, sem o conhecimento de Heero, há algo que desejo falar-lhe sem a presença dele.
Treize Khushrenada"
Heero observou que a expressão no rosto de Duo se alterou para uma confusa após ler o bilhete em mãos. Procurou sondar-lhe a mente, não encontrando resposta para sua dúvida.
Duo pode sentir Heero em sua mente, indagando-lhe o que o confundia, mas ele mesmo não tinha conhecimento dos motivos pelos quais era chamado e também não queria preocupar o amante, sem motivos. Ele olhou para Kimitsu assentindo, voltando-se então para Heero e Noventa, pedindo licença.
Se me dão licença, preciso ver uma coisa. – disse Duo sorrindo e beijando suavemente os lábios de Heero que o olhava intrigado. – Volto logo.
Heero olhou para Duo que se levantara assim que leu o bilhete que Kimitsu trouxera. Não sabia o que estava acontecendo, mas o amante parecia confuso e surpreso com alguma coisa. Ainda assim o mesmo sorriu dando a entender que não era algo com o que deveria se preocupar.
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Duo acompanhou Kimitsu pelos corredores em silêncio. O recado trazido pelo empregado de que Treize pedira para falar-lhe, o deixara confuso, ainda mais porque o vampiro pedia sigilo com relação à Heero.
Chegaram ao jardim, do outro lado da casa, vendo o antigo shuhan dos Khushrenada conversando com Quatre, que não tinha uma expressão muito feliz. Kimitsu pediu licença retirando-se e deixando-os a sós.
Queria falar comigo Treize? – perguntou Duo vendo-o assentir.
Sim, gostaria que me acompanhasse até a morada dos Anciões, eles desejam encontra-lo longe de Heero. – disse Treize, notando a surpresa nos olhos ametistas.
Encontrar os Anciões? – perguntou Duo, sem entender o pedido, uma vez que os mesmos já haviam concordado com seu casamento com o shuhan dos Khushrenada.
Quatre bufou cruzando os braços. Não havia gostado nada disso. Não via motivos para levar o amigo até a presença dos Anciões, mesmo Treize lhe havendo dito que os mesmos desejavam apenas certificar-se dos motivos de Nolan em aceitar o humano tão rapidamente como nakama de Heero.
Sim eles desejam vê-lo longe de Heero, avaliá-lo na verdade e descobrir a razão de Nolan aceitá-lo tão prontamente para ser o nakama de Yuy. – respondeu Treize.
Eles...- pausou o americano, tentando controlar a apreensão que começava a ocupar seu coração, não queria que o amante percebesse seus sentimentos. -Acham que não sou digno do shuhan dos Khushrenada. – afirmou Duo inconformado.
Treize meneou a cabeça em acordo. Ele não gostava da forma como as coisas caminhavam, mesmo que soubesse que Duo seria aceito pelos demais Anciões, o simples fato de esconder de Heero o encontro do humano com os antigos do clã o aborrecia.
Não tinha dúvidas de que assim que o shuhan sentisse a presença do humano longe, saberia exatamente onde encontrá-lo. Esperava apenas que a ira de Yuy pudesse ser apaziguada tão logo o mesmo concordasse que era inevitável o encontro de seu escolhido com os Anciões.
Treize havia protelado o máximo que podia o encontro, mas não tinha mais como prorrogar o inevitável. Já haviam se passados dez dias desde o juramento de Duo e cinco dias desde o recado dado pelos Anciões. Os arranjos necessários para a cerimônia haviam se iniciado logo no dia seguinte ao juramento, mas tudo parecia dar errado nos preparativos, e nada lhe tirava da cabeça que os infortúnios que eles tinham na preparação do casamento e o adiamento da cerimônia se devia ao fato de ainda não ter levado o humano a presença dos antigos do clã.
..0.0.0Flashback..0.0.0
Oito dias atrás:
Treize conversava com Duo e Heero quando Kimitsu pediu licença interrompendo a conversa que mantinham na biblioteca.
- Perdão shuhan, mas há um mensageiro dos Anciões pedindo para falar com o senhor e seu escolhido. – disse Kimistu.
Duo sentiu seu coração saltar ao ouvir Kimitsu dizer que os Anciões enviaram um mensageiro para falar com ele e Heero. Há dias andava inquieto, sentia como se alguma coisa estivesse prestes a acontecer para impedir seu casamento com o vampiro.
Os preparativos para o casamento não estavam acontecendo da maneira prevista, sempre acontecia alguma coisa para atrasar os arranjos.
Quando não era um clã que não poderia estar presente na data marcada, eram as flores escolhidas que tinham de ser mudadas, ou a roupa que tinha que ser corrigida.
Heero sentiu a apreensão do amante e tomou-lhe uma das mãos procurando tranquiliza-lo. Sua desconfiança a cerca do responsável pelos imprevistos na preparação de seu casamento com o humano ser os Anciões não deixava sua mente, tinha certeza quase que absoluta de que eles tramavam algo mesmo que não pudesse provar.
Ele e seu escolhido sentiam-se desgastados e ficavam frustrados cada vez que eram avisados que tinham que mudar alguma e agora isso.
-Traga-o até aqui. – disse Heero.
Kimitsu meneou a cabeça e deixou a sala, retornando alguns minutos depois com um vampiro de cabelos castanhos que meneou a cabeça diante da presença do shuhan dos Khushrenada.
- Heero Yuy, o shuhan dos Khushrenada e seu escolhido Duo Maxwell, os Anciões pedem que a união de vocês seja celebrada não em dez, mas daqui a 15 luas.
Treize voltou seu olhar a Heero, no instante que a mensagem fora passada. Ele sentiu seu peito comprimir diante da intensidade do ódio presente no olhar de seu sucessor.
O chão começou a tremer proporcionalmente a raiva que partia de Heero. As estantes balançavam, derrubando livros, as janelas sacudiam, trincando os vidros, à medida que o tremor na sala aumentava.
O mensageiro recuou sentindo sua pele sacudir como se quisesse se desprender de seu corpo, ele ergueu os olhos momentaneamente, prostrando-se no chão diante do olhar avermelhado que prometia a morte.
- Yuy...- tentou Treize calando-se diante do olhar do vampiro sob si.
- COMO SE ATREVEM!. – cuspiu Heero fazendo um esforço para não deixar sua raiva toldar sua razão. – EU DEVERIA MATÁ-LOS!
Sua natureza sanguinária pedia que fosse até os Anciões e os rasgasse um a um, membro por membro, esbaldando-se no sangue daqueles que iam contra sua vontade. Um rugido colérico escapou por sua garganta, estraçalhando todos os vidros da sala. Mas por mais que desejasse dar vazão completa a sua ira sabia que isso não iria amenizá-la.
Diante do ódio que toldava sua mente, ele sentiu um toque suave e caloroso em seu rosto, fazendo-o voltar os olhos para a pessoa que se atrevia a tocá-lo em seu atual estado. No mesmo instante sentiu sua raiva amainar diante do olhar triste do amado.
Duo podia sentir a raiva de seu amante percorrer seu corpo. Sua vontade era a de se esconder em algum lugar, ao mesmo tempo em que entendia e partilhava de sua ira. Ele cerrou fortemente as pálpebras procurando impedir as lágrimas que ameaçavam romper. Ouviu a voz de Treize tentar dizer algo, para se interrompido pelo amante que esbravejou seu desgosto.
O som de vidro se estraçalhando chegou a seus ouvidos, e sabia que deveria fazer algo para deter o vampiro que detinha seu coração.
Apertou a mão do vampiro para lembrá-lo de sua presença e levou a outra até seu rosto procurando ganhar sua atenção. Estremeceu diante do olhar irado, procurando não deixar que isso o fizesse recuar, sabia que a raiva não era direcionada a ele, mas aos Anciões. Viu o azul cobalto começar a surgir por entre o vermelho, antes de ser abraçado fortemente pelo japonês.
- Me perdoe. – disse o vampiro acariciando a trança do humano, procurando suprimir sua natureza e dar ao amado a segurança que o mesmo precisava no momento. – Nada vai me impedir de torná-lo meu nakama. – afirmou Heero contra o ouvido de Duo.
O humano balançou a cabeça apertando o rosto contra o peito do vampiro, ciente de que o mesmo não deixaria nada se interpor contra a união dos dois.
- Levante-se – ordenou Heero ao mensageiro, vendo-o erguer-se com dificuldade. – Diga aos Anciões que essa será a única alteração que acatarei. Em 15 luas me casarei com meu escolhido, e nem um dia a mais.
O mensageiro meneou a cabeça, feliz por deixar a presença do shuhan. Ele deixou a sala, apertando as mãos procurando conter o tremor e temor que ainda o assolava. Por instantes receou que o líder do clã descontasse nele seu desagrado quanto à mensagem dos Anciões.
Treize olhou para Heero que sussurrava palavras de conforto ao ouvido de Duo, sabia que ele tinha que apressar suas preparações para levar o humano até os Anciões, mas aguardaria um pouco, ainda mais agora diante do adiamento imposto pelos Anciões ao casamento do shuhan.
Heero estaria ainda mais sensível no que se concerne ao humano, e afastá-lo neste momento apenas aumentaria o rancor de Yuy para com os antigos do clã.
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Nenhum dos dois havia ficado feliz com o adiamento, mas ambos se conformaram em aguardar, ele sentia que Yuy já imaginava que algo estava acontecendo sem seu conhecimento e ficava feliz pelo fato do mesmo não ter pedido explicações quanto ao atraso.
Entretanto se viu obrigado a dar uma desculpa a atitude dos Anciões, dizendo que não era possível receber todos os convidados em tão pouco tempo. Não havia mentido em tudo, vários dos clãs convidados ainda não tinham confirmado presença, alegando não ser possível chegar a menos de dois meses.
Sabia que a influência dos Anciões não se restringia apenas ao clã Khushrenada, e sentia que os mesmos haviam usado de seu prestigio para atrasar a chegada dos outros clãs, dando-lhes tempo de avaliar o humano eleito por Yuy. Havia pedido um encontro com Nolan, longe da morada dos Anciões para que pudesse confirmar suas suspeitas quanto a isso.
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Nolan sorriu diante da perspicácia de Treize ao perceber quem estava por detrás dos imprevistos acontecendo na preparação da união do shuhan e seu escolhido.
- De fato, podemos ter uma parcela de culpa, nos atuais acontecimentos. – respondeu Nolan enquanto saboreava a taça de sangue em suas mãos.
- Compreendo, Yuy provavelmente também já percebeu isso, entretanto não creio que ele vá fazer algo a principio.
- Temo que ele vá mudar de opinião quanto a isso. – disse Nolan enigmaticamente.
- O que...- tentou dizer o antigo líder dos Khushrenada antes e ser interrompido
- Fale-me sobre o humano de Yuy. Conte-me o que sabe sobre ele...sua relação com o shuhan. – pediu o mais antigo dos Anciões.
Treize ficou um pouco surpreso com o pedido de Nolan, em saber mais sobre Duo, embora devesse ter imaginado que o velho amigo acabaria por querer informar-se mais sobre o humano que ganhara a atenção do atual shuhan dos Khushrenada.
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E de fato dois dias após o encontro com Nolan, os Anciões haviam mandado um mensageiro solicitando formalmente um adiamento a união do shuhan e seu escolhido. Ele havia feito o possível para mostrar a Nolan que sua decisão em aceitar Duo como nakama de Yuy era certa. E agora ele precisava que Duo mostrasse aos demais Anciões o que Nolan Alexandrius Macanhan havia visto nele, antes mesmo de conhecer sua história.
Sendo assim havia se aproveitado do fato de Duo e Heero encontrarem-se conversando com Noventa, para afastar o humano do shuhan e falar-lhe a sós sobre o pedido dos Anciões, uma vez que sabia que o japonês não deixaria Noventa sozinho para seguir Duo, a menos que achasse necessário.
Tudo bem. – respondeu Duo, ele não queria que seu casamento com Heero se iniciasse com conflitos entre seu amado e os Anciões. – Acho que podemos ir agora, enquanto Heero está ocupado com Noventa.
Era exatamente isso que tinha em mente. – disse Treize enigmaticamente. – Quanto antes sairmos, menores as chances de Heero nos impedir.
Duo concordou seguindo Quatre e o antigo shuhan dos Khushrenada até a entrada norte onde Chold já os aguardava para levá-los. Quatre posicionou-se ao lado de Duo, assumindo seu papel como guardião do nakama do shuhan dos Khushrenada.
Treize sorriu ao ver os olhos do árabe reluzir num vermelho repleto de determinação, tudo que o inglês não desejava era expor Duo a qualquer perigo e sabia que o vampiro loiro era o protetor perfeito. Heero havia deixado clara à ocupação que Quatre teria dentro dos Khuhsrenada e sentia que esta era a decisão mais acertada para se utilizar todo o potencial do jovem vampiro. Uma vez que como nakama de Heero, Duo estaria sujeito a riscos por parte não apenas de outros clãs que não mantinham relações com os Khushrenada, bem como outros inimigos naturais aos de sua futura espécie.
Levaram pouco tempo até chegarem à casa dos Anciões. Quatre desceu primeiro, seguido por Treize e logo em seguida o humano, que foi abraçado pelo vento frio, fazendo-o encolher-se dentro do casaco.
O humano seguiu entre os dois, e assim que entraram foram imediatamente levados à presença dos Anciões, que já os aguardavam.
Duo respirou fundo procurando esconder o temor quanto ao encontro, não desejava que o amante vampiro sentisse sua apreensão, recebeu um olhar de Quatre que lhe sorriu, seguindo Treize e o amigo árabe até a sala onde os Anciões os aguardava.
Assim que entraram oito pares de olhos voltaram-se para o humano, causando-lhe um estremecimento. No mesmo instante ouviu Quatre em sua mente, assegurando-lhe sua segurança.
"Ninguém lhe fará mal tem minha palavra."
Duo meneou a cabeça ciente de que Quatre mataria qualquer um que ameaçasse sua integridade, não importando quem fosse. Respirou mais confiante, ouvindo outra voz, identificando-a imediatamente como sendo a de Heero.
"Onde você está?" – perguntou Heero.
"Sai com, Quatre e Treize". – respondeu Duo procurando acalmar-se para não deixar o amante descobrir o que se passava.
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Residência do shuhan dos Khushrenada:
Heero falava com Noventa quando sentiu que algo estava errado. O primeiro sentimento percebido foi preocupação, seguido logo por resignação e depois substituído por apreensão. Não sabia os motivos, mas sabia a quem pertenciam tais sentimentos: A seu futuro nakama.
Procurou sentir a presença de Duo, encontrando-a longe, o que imediatamente alertou-o de que algo estava muito errado. Primeiro a saída dele, quando conversavam com Noventa, em seguida sentimentos confusos, irritados e em seguida determinados, procurou desvendar o que se passava, quando o sentiu afastar-se de si e o primeiro indício de apreensão se fez presente. E agora se perguntava onde o mesmo se encontrava, mas a resposta que recebeu apenas aumentou sua desconfiança.
Fechou os olhos ignorando o que Noventa dizia, sondando a mente do humano, enquanto conversavam, finalmente descobrindo o que estava errado e onde o humano se encontrava. Seus olhos avermelharam imediatamente e esforçou-se para não deixar sua natureza sobrepujar sua razão, ao desculpar-se com Noventa.
Desculpe Noventa, mas acabei de descobrir um fato, o qual devo resolver imediatamente.
Não se desculpe Yuy, entendo perfeitamente. – disse Noventa procurando conter o tremor diante da ira que sentia irradiar de Heero.
O líder do clã Noventa havia notado que algo estava errado, no momento em que viu Heero fechar os olhos e se concentrar em algo para logo em seguida sentir a presença do líder dos Khushrenada tornar-se escura e aterrorizante.
Heero saiu da sala, passando por todos que encontrou sem dizer uma única palavra, seu único pensamento era o de ir até a casa dos Anciões e trazer seu nakama de volta para o seu lado.
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Casa dos Anciões:
Duo pode sentir a irritação de Heero em sua mente e sabia que o mesmo não tardaria a aparecer.
Ele está vindo. – avisou Duo.
Ao ouvirem isso os Anciões decidiram iniciar a avaliação do humano, antes que o shuhan chegasse e o levasse, antes que tivessem a chance de julgá-lo digno de ser o nakama do shuhan dos Khushrenada.
Neste caso devemos começar. – disse Cyrus. – Apenas o humano deve ficar, Treize e Quatre deixe-nos a sós com o escolhido de Heero.
Quatre fez menção de retrucar, mas foi impedido por Duo que colocou a mão em seu ombro olhando dentro de seus olhos.
Tudo bem. – afirmou Duo, mais confiante.
O loiro estreitou o olhar insatisfeito, mas ainda assim concordou em deixar o salão na companhia de Treize, mas não antes de lançar um último olhar avermelhado para os Anciões, que estremeceram ligeiramente, diante do aviso mental prometendo a morte a qualquer um, caso algo acontecesse ao amigo humano.
"Se algum mal acontecer a ele, vão desejar uma morte rápida, pois a que trarei a vocês, caso ele se machuque, estará longe de ser misericordiosa." – ameaçou Quatre antes de sair em companhia de Treize.
Nolan sorriu ao ver qual ocupação o loiro possuía dentro do clã, certamente uma posição digna de suas habilidades. O guardião do nakama do shuhan dos Khushrenada. Podia sentir o terror nos olhos de seus irmãos diante da ameaça do que o loiro faria, caso algum mal ocorresse com o humano. Embora esta estava longe do mal que Heero os faria passar caso o humano fosse ferido.
Duo sorriu para Quatre diante do medo nos olhos dos Anciões e apenas podia imaginar o que o amigo havia dito a eles, caso lhe fizessem algo. Viu o árabe e o antigo shuhan dos Khushrenada sair da sala deixando-o sozinho com os oitos Anciões. Voltou seu olhar para os mesmos diante da voz de um deles.
Aproxime-se Duo Maxwell, o escolhido pelo shuhan dos Khushrenada. – disse o ancião de nome Kira.
Duo aproximou-se curvando a cabeça em respeito aos Anciões. Nolan sorriu diante do que sentia vir do humano, o mesmo sabia como esconder seu medo e receio muito bem, muito diferente dos demais humanos, que exalavam medo ao depara-se com um vampiro.
Mas isso não o surpreendia totalmente, uma vez que o humano era o guardião da espada Yami e com ela havia lutado ao lado de Yuy para deter os Peacecraft e os Romefeller.
Em seu encontro com Treize poucos dias atrás o mesmo lhe contara como o humano havia sido uma das peças chaves para a derrota da profecia que cobriria o mundo de trevas, lutado em pé de igualdade contra os caçadores de Romefeller e sobrevivido.
O antigo líder do clã havia confidenciado todos os detalhes da batalha, e o relacionamento de Heero e o humano, a forma como o mesmo se arriscara para resgatar a sanidade de Yuy, sem pensar nem por um segundo em sua própria segurança somente o fazia respeitá-lo. Não havia compartilhado com seus irmãos o que sabia do humano, não desejava influenciar a decisão deles em aceitá-lo como digno de ser o companheiro eterno de seu atual líder. Queria que os mesmo descobrissem por si só o quão valioso o humano se tornaria para o clã, quando Yuy o desposasse e o transformasse em um deles.
Ele voltou seu olhar para seus irmãos que pareciam surpresos e admirados, tanto pela atitude do humano, quanto por sua beleza, que era ainda mais atraente de perto.
Os Anciões observaram em silencio o humano durante alguns segundos, antes que Deberoux se levantasse indo até ele erguendo sua fronte com um dedo em seu queixo. O humano era atraente e singular, mas ainda não via nele, nada que o tornasse melhor que seu filho.
Olhou-o com desdém, antes de olhar dentro dos olhos ametistas, deixando que sua expressão se alterasse, recuando segundos depois diante do que viu. Olhou para as próprias mãos que tremiam e obrigou-se a pará-las de tremer. O que sentiu enquanto encarara os olhos humanos, era como se sua alma afundasse na escuridão da noite e sentira isso apenas uma única vez antes. No dia em que Treize apresentou Heero Yuy como seu sucessor na liderança dos Khushrenada.
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Inglaterra 1864:
Treize se encontrava na presença dos Anciões do clã Khushrenada. Ele havia retornado para casa, trazendo consigo um vampiro que segundo diziam era incrivelmente poderoso. Sentiam uma áurea poderosa emanando do mesmo, assim como um terrível poder.
Tão terrível que o simples fato de se encontrarem no mesmo lugar que o jovem vampiro era um tormento. Seu olhar era frio e inexprimível e ainda assim era perceptível a eles a natureza selvagem e demoníaca a esconder-se por detrás da frieza cortante.
Meus irmãos de sangue lhes apresento Heero Yuy, meu sucessor. – disse Treize simplesmente.
Sucessor? – perguntou um deles.
Os Khushrenada necessitam de uma nova liderança, uma que há de levar-nos com sucesso através das eras. Uma que impedira que a desgraça recaia sobre todos nós. – disse Treize firmemente.
Refere-se à profecia vista por um de nós? – indagou Dantes. – O que o faz pensar que o jovem a seu lado será capaz de fazer o que diz Treize?
Julguem-no vocês mesmo. – disse Treize.
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E eles o julgaram, e Heero obterá a aprovação dos Anciões. O japonês se mostrara o líder à altura da confiança depositada por seu predecessor, e não apenas isso, mostrou-se integro, sábio, corajoso e forte. Força essa que sentia também emanar do humano, assim como a mesma presença ameaçadora que irradiava do atual shuhan dos Khushrenada.
Deberoux afastou-se em silêncio, meneando a cabeça para Nolan, apoiando sua decisão em escolher o humano como o nakama do shuhan dos Khushrenada. Ele viu seus irmãos um a um tremerem ao se aventurar dentro das ametistas. Deixou-se cair em seu assento incapaz de parar de tremer, vendo um a um seus irmãos partilharem da mesma decisão. Qualquer que fosse a essência que formasse o humano, ela viera da mesma fonte que formava o shuhan dos ichizoku dos Khushrenada.
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Do lado de fora:
Treize sentiu uma presença maligna aproximar-se rapidamente e olhou para Quatre que sentira o mesmo. Ambos voltaram o olhar a entrada, vendo o shuhan passar por ela como se carregasse a noite com ele, os fazendo estremecer por dentro diante do olhar, que lhes prometia a morte.
Heero chegou encontrando Treize e Quatre juntos, mas não visualizou aquele que procurava: seu amante humano Duo. Entretanto sentia-o próximo, provavelmente na sala atrás dos dois vampiros responsáveis pela atual situação.
Ele aproximou-se perigosamente de ambos, deixando que sua insatisfação fosse sentida em sua presença demoníaca, e em seus olhos que eram no momento duas jóias rubras. Nem ao menos se dignou a dirigir a palavra aos dois, certo de que se o fizesse acabaria por matá-los, pelo simples fato de terem trazido seu futuro nakama a presença dos Anciões sem o seu consentimento. Dirigiu-lhes apenas um olhar frio, que os fizera abaixar a cabeça.
Quatre sentiu seu corpo inteiro arrepiar diante do olhar de Heero. E ouvira momentaneamente um rosnado baixo em sua mente, semelhante a um animal raivoso e sabia que viera do japonês. Olhou para Treize que lhe parecia ainda mais pálido, certamente tendo o mesmo pensamento que ele, de que tão logo Heero retornasse com Duo, ambos teriam de enfrentar a fúria do shuhan dos Khushrenada.
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Nolan foi até o humano tomando-lhe a mão quente, entre as suas frias, olhando dentro dos olhos claros com apreciação.
Que você traga honra ao shuhan dos ichizoku dos Khushrenada ao tornar-se seu nakama. – disse Nolan.
Eu trarei. – afirmou Duo com determinação, ganhando um sorriso do vampiro.
O mais antigo dos Anciões não tinha dúvidas quanto a isso, ele sentia que o humano preferiria a morte a causar problemas a Heero, diferentemente do que sabia que aconteceria caso Yuy houvesse aceitado sem contestar a decisão de seus irmãos ao escolherem Julian como nakama.
Ele soltou a mão do humano, afastando-se no mesmo instante em que o shuhan adentrava o salão, com sua presença ameaçadora espalhando-se por todo o recinto.
Heero viu Nolan junto a seu escolhido e postou-se rapidamente em frente ao humano, seu olhar demonstrando abertamente seu desagrado.
Você está bem? – perguntou Heero colocando-se entre o humano e os Anciões, aguardando apenas uma palavra para matá-los caso houvesse machucado seu escolhido.
Estou bem. – disse Duo tocando o braço do japonês, ganhando sua atenção. Ciente de que a natureza assassina do amante, esperava apenas uma palavra para exterminar os oito vampiros a sua frente.
Nolan olhou para Deberoux que meneou a cabeça ciente de que deveria ser ele a dar a noticia ao shuhan. Ele aproximou-se do japonês que estreitou o olhar, fazendo-o parar onde estava.
Seu escolhido foi aprovado por nós, Heero Yuy o shuhan dos Khushrenada. – disse Deberoux.
Heero bufou irritado, fechando os olhos controlando sua natureza, focando-se no toque de Duo em seu braço deixando que isso o acalmasse. Abri-os meneando a cabeça diante das palavras do Ancião. Ele tocou a cintura do humano, levando-o consigo, dirigindo seus pensamentos a Deberoux antes de deixar a presença dos Anciões.
"Informe ao seu filho a cerca de minha decisão." – ordenou Heero mentalmente a Deberoux.
Deberoux meneou a cabeça, mantendo-a baixa até a saída do shuhan. Ele voltou então os olhos a Nolan que se aproximou de seu irmão de sangue.
- Foi à escolha mais sensata, o humano trará honra ao shuhan e ao ichizoku dos Khushrenada. – disse Nolan.
- Eu sei. - concordou Deberoux.
Por mais que ele fizesse gosto do casamento de seu filho com o shuhan, sabia que Julian, não possuía as mesmas qualidades que o humano que acabara de sair. Tinha certeza que a escuridão que o cercava agora, enquanto humano, apenas cresceria quando fosse abraçado, e não poderia nem imaginar que habilidades o mesmo possuiria ou seriam despertadas ao se tornar um filho da noite. Mas era certo que nenhum outro vampiro com exceção do atual shuhan seria tão grandioso ou temível.
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Heero deixou a presença dos Anciões, mantendo Duo ao seu lado. Como se atreviam a dúvidar de sua escolha? De achar que seu escolhido não merecia estar ao seu lado? De que haveria alguém dentro do clã que seria superior ao seu eleito?
Duo podia sentir a tensão de seu amante pela forma como o mesmo o mantinha junto a si. Sabia que se a situação fosse inversa sentir-se-ia da mesma forma. Não podia dizer que o fato dos antigos do clã duvidarem de sua capacidade como nakama de Heero não o havia perturbado. Mas ter aceitado o encontro e ter passado pela aprovação deles, evitaria futuras indisposições, entre eles e o shuhan. Por isso não se arrependia de ter vindo.
O humano parou tocando o rosto do vampiro fazendo-o olhar em seus olhos.
Eu não me importo com o que eles pensam. Basta-me saber que me achas digno de ser seu nakama. – disse Duo.
Heero sentiu toda sua irritação se esvair e enlaçou o humano pela cintura, colando seus corpos.
Tudo que tenho por certo neste mundo se encontra em meus braços neste momento. – afirmou Heero.
Duo corou ficando na ponta dos pés beijando o vampiro suavemente, mas o amante parecia ter outros planos uma vez que o beijo tornou-se selvagem e profundo em poucos instantes. Afastaram-se quando o vampiro notou que o humano precisava respirar, tocou-lhe o rosto com reverência, antes de sorrir.
- Vamos para casa.- disse o vampiro.
Duo meneou a cabeça encostando-a no ombro do vampiro.
Heero voltou-se para os culpados por estarem ali, lembrando-os de que não havia esquecido o que ambos fizeram.
"Conversaremos mais tarde, quando Duo estiver descansando." – avisou Yuy.
Treize e Quatre assentiram seguindo-os para fora. Eles entrando no veiculo que os trouxera, enquanto Duo seguira com Heero no outro carro. Todos esperavam que os preparativos começassem a transcorrer sem novos imprevistos e que dali a aproximadamente três meses e meio o shuhan e seu nakama finalmente se casassem.
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Algumas horas depois:
Heero encontrava-se na biblioteca, com Quatre e Trowa sentados no sofá a sua esquerda, enquanto Treize ocupava a cadeira a sua direita. Os mesmos haviam sido convocados por Yuy para encontrarem-se ali após Duo adormecer, o que acontecera a pouco mais de uma hora atrás.
- Bem tenho certeza de que vocês dois, podem me explicar à razão de terem levado Duo a presença dos Anciões sem minha autorização. – perguntou Heero diretamente a Treize e Quatre.
Trowa apertou a mão do amante diante do desconforto dele a pergunta de Heero. Quando percebera os pensamentos do amante diante do pedido de Treize sabia que corriam o risco de aborrecer Yuy, ainda assim sabiam que não poderiam recusar um pedido feito pelo antigo líder do clã Khushrenada.
Sabia como o amante se sentia por levar Duo sem o conhecimento do shuhan, ainda mais depois do mesmo ter dado ao loiro a função de guardião do humano, era por esse motivo que se encontrava ali junto ao árabe para interceder por ele caso, o líder do clã resolvesse puni-lo por seus atos.
Os olhos de Quatre cresceram ao ver o que o antigo líder do clã tencionava fazer para desculpar-se. Treize levantou-se de onde se encontrava ajoelhando-se diante de Heero, e tocando sua testa no chão realizando o dogeza japonês.
- Moushiwake Arimasendeshita[8]- disse Treize.
Yuy olhou para o antigo líder do clã sorrindo, não podia sentir-se aborrecido, não depois de ver Treize desculpando-se de tal forma. Ele deveria saber que o antigo líder dos Khushrenada jamais faria algo contra ele, ou que colocaria Duo em perigo, se o mesmo possuísse qualquer intenção maldosa, Treize não teria levado Quatre como guarda do humano. Assim como sabia que o árabe apenas atendera um pedido feito pelo antigo shuhan do clã. Ele levantou-se se colocando diante de Treize curvando sua cabeça.
- Oyurushi kudasai[9]- disse Heero. Sei que tudo que faz é para o bem do clã, sei que suas intenções ao levar Duo até os Anciões foram baseadas em minha satisfação em realizar minha união com meu escolhido. Levante-se Treize Khushrenada. – ordenou Yuy.
Treize levantou-se aceitando a mão que lhe era estendida. Sabia que Heero entenderia suas ações, mesmo que a raiva toldasse sua visão dos fatos momentaneamente sabia que seu escolhido para liderar os Khushrenada não manteria seus olhos fechados para sempre, mas os faria voltar e ponderar sobre as ações daqueles sobre seu comando. Afinal sabia que não havia errado ao escolhe-lo como seu sucessor.
- Quatre, você cumpriu bem sua função. Duo me disse o quanto os olhos dos Anciões tremeram, quando pediram que o deixasse sozinho com eles, certamente tal temor fora causado pela dor que você lhes traria se meu escolhido fosse ferido. – Obrigado por mantê-lo seguro. – agradeceu Heero.
- A honra foi minha, meu senhor. – respondeu Quatre
Trowa meneou a cabeça assim como o amante fizera diante das palavras de Yuy. Quando Treize curvara-se a Heero, ele soubera que obteriam o perdão do atual líder dos Khushrenada. Ao longo do tempo vira o japonês mudar, mas a mudança maior viera após o outro conhecer o humano.
Heero tornara-se mais flexível em suas decisões, cuidadoso em suas ações, atencioso aos interesses daqueles ao seu redor. Suas atitudes ainda eram desmedidas em relação a tudo que envolvia Duo, pois fazia parte de sua natureza ser assim, entretanto era por causa do humano que se tornara mais comedido, aprendendo a reconhecer seus erros e desculpando-se por eles.
- Não temos mais o que tratar. Vamos descansar, amanhã será um novo dia, um dia mais perto para meu casamento. – disse Heero.
Todos concordaram, seguindo cada um para seu aposento. Heero entrou em seu quarto olhando para a cama onde o humano dormia. O vampiro despiu-se de suas roupas, juntando-se ao amante que se aconchegou a ele, tão logo o trouxe para seus braços. Em poucos minutos seria dia, um dia mais perto para fazer Duo finalmente seu pela eternidade.
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Algumas luas depois:
Duo abriu os olhos se sentindo observado, ele bochechou sonolento e piscou procurando acostumar os olhos a pouca claridade, encontrando o olhar de Heero e sorriu para o vampiro, se espreguiçando alheio ao olhar que começava a se avermelhar. Voltou sua atenção ao amante para desejar-lhe um bom dia, mas teve os lábios tomados quase que imediatamente, não lhe permitindo terminar a frase.
Bom dia hee...
Heero estava acordado há algum tempo. O sono há muito o havia deixado, não sabia se era devido à ansiedade, mas o fato e que não conseguia acalmar-se o suficiente para ter um descanso tranqüilo. Por isso assim como todas às vezes anteriores, estivera observando o sono de Duo.
O dia que daria sentido a sua imortalidade finalmente chegara, afinal na próxima noite o humano se tornaria seu esposo pela eternidade.
Havia momentos ao longo dos dias que sentia-se como uma criança as vésperas do natal, aguardando ansiosamente pelo presente pedido. Em outros tinha vontade de ignorar o mundo e simplesmente tomar Duo e levá-lo para algum lugar onde existisse apenas os dois.
E havia manhãs como a de hoje em que tudo em que conseguia pensar era em beijar o humano, até que o mesmo desfalecesse em seus braços, não que fosse realmente fazer isso, não desejava prejudicá-lo de maneira alguma.
Por isso a visão de vê-lo despertar e se espreguiçar esticando o corpo despido, enviaram descargas elétricas por todo o seu corpo, despertando-lhe o desejo, mal dando ao amado a chance de dar-lhe bom dia, pois tudo que passava em sua mente no momento era de amá-lo novamente e depois de novo e de novo.
Duo ficou surpreso com o ímpeto que o amante o beijava, como se tirasse de seus lábios alimento para seu corpo, entretanto não se absteve de retribuir ao beijo com igual ardor ao sentir sua boca esmagada e a língua de Heero invadir-lhe os lábios impetuosamente.
O vampiro afastou os lençóis tocando o corpo do humano lentamente, preparando-o para o ato. Duo ofegou diante dos toques de Heero em seu corpo, suas mãos frias percorriam cada centímetro de sua pele deixando-a queimando. Ele fechou os olhos pensando em que não se incomodaria de acordar todos os dias dessa forma, recebendo uma suave risada em sua mente.
Heero não pode impedir-se de rir, diante dos pensamentos do amante, bem ele também não tinha reservas em fazer disso um habito matinal. Ele mordeu suavemente o queixo do humano, fazendo-o abrir os olhos que se encontravam escurecidos de prazer.
- Mantenha-os abertos, quero olhar dentro deles, enquanto tomo posse de seu corpo. – ordenou Heero mais do que pediu.
Duo balançou a cabeça suavemente em acordo, incapaz de falar. Sabia que o amante havia ordenado mais do que pedido ao dizer que mantive os olhos abertos enquanto o possuía. Embora soubesse que isso deveria aborrecê-lo, acontecia exatamente o contrário, sentia-se excitado cada vez que o vampiro deixava sua natureza domina-lo quando estava na cama. Uma vez que ela deixava o amante extremamente possessivo e dominador.
Embora não fosse uma dominação não consensual, ou agressiva a ponto de machucar, pois o amante era sempre atento para não deixar que a natureza selvagem dele o ferisse. Sentia-se afortunado cada vez que faziam amor, e pensar que estariam juntos pela eternidade o fazia sentir um frio no estomago, não de medo ou apreensão, mas sim de expectativa. Se as circunstâncias permitissem, teria pedido ao vampiro o levasse a um lugar onde pudesse ficar simplesmente os dois, mas sabia que como o shuhan dos Khushrenada, Heero tinha obrigações e protocolos a seguir, embora ás vezes sentisse que o amante gostaria de simplesmente abandona-los e fazer as coisas a seu modo.
"Você está pensando demais."- disse o vampiro interrompendo as divagações do amante.
Duo sorriu ofegando ao sentir a ponta do membro de Heero em sua entrada fazendo uma leve pressão, lembrando-o de que não era o momento para outros pensamentos que não fosse de se deixar ser completado pelo amante.
- Gomen. – desculpou-se Duo.
- Acredite penso da mesma forma que você, mas acho que não é o momento certo para você ficar divagando. – rosnou o vampiro entrando no amante de uma única vez.
Duo contraiu-se diante da investida de Heero. Mas pelo desconforto do que dor, ele havia sido preparado adequadamente pelo amante, ainda assim a entrada abrupta causava que certo desconforto muitas das vezes.
Heero manteve seus olhos presos aos de Duo e notou o desconforto, analisou os sentimentos que vinham do amante ciente de que não o havia machucado. Ele puxou o membro antes de investir novamente, sempre mantendo seus olhos conectados ao do amante.
-Ro...- gemeu o humano.
Eles já haviam feito amor muitas vezes, mas não se lembrava de nenhuma tão erótica quanto essa. Por mais que quisesse não conseguia desviar o olhar dos olhos do vampiro, podia sentia sua presença preenche-lo por completo, em sua mente e seu corpo.
Inspirou fortemente ofegando a medida que o prazer o consumia como uma chama. Ergueu a mão para tocar o amante, sendo retido pelo vampiro que a ergueu sobre sua cabeça com uma das mãos, restringindo seus toques.
- Hee...- pediu Duo querendo tocá-lo.
"Não." – foi a única resposta recebida por parte do japonês.
Heero continuou movendo-se dentro de Duo, às vezes rápido e intenso, outras de forma branda e profunda, fazendo o humano ergue-se da cama que como se temesse ser afastado de seu corpo. Ele podia ouvir o sangue fluindo rapidamente pelo coração do humano, passando pelas veias aquecendo o corpo abaixo de si, pulsando como se chamasse suas presas. Ele sentiu sua natureza começar a dominá-lo, isso vinha acontecendo com mais frequência cada vez que ele e Duo faziam amor.
Sabia que seu amante não se importava que ele deixasse sua natureza domina-lo durante o ato sexual, consciente de que ele jamais o feriria. Isso o aliviava, uma vez que não tinha que esforçar-se para mantê-la sobre total controle. Seus olhos avermelharam e ele desceu seus lábios sobre o pescoço humano cravando-as na veia saliente, bebendo do sangue quente e saboroso.
Duo viu a íris do amante ganhar a cor característica dos vampiros, segundos antes de Heero desviar o olhar, permitindo-lhe finalmente fechar os olhos, ofegando em prazer ao sentir os lábios frios em seu pescoço momentos antes da sentir as presas do amado retirando-lhe o sangue o fazendo gritar o nome daquele que tinha sua alma e coração.
- Heero!
"Eu o amo tanto. " – disse o japonês.
"E eu a você." – respondeu mentalmente Duo ciente que o vampiro o ouviria.
Heero soltou as mãos de Duo, sentindo-as envolver seu pescoço, puxando-o para tomar os lábios quentes do humano. Ele passuo o braço esquerdo por baixo, envolvendo-o pela cintura, flexionando a perna direita e depois à esquerda, enquanto seu braço direito o ajudava a ergue-lo, fazendo-o sentar na cama sobre os joelhos, trazendo o humano para sentar-se em seu colo sem em nenhum momento deixar seu corpo.
Duo ao ter controle sobre suas mãos envolveu o pescoço de Heero, beijando-o profundamente, sentindo-o manobrar seus corpos, encontrando-se sentado no colo do japonês em segundos, sentindo-o ainda mais profundamente.
- Mova-se. – disse o japonês.
Duo firmou as mãos nos ombros de Heero, erguendo-se sobre o membro do amante, para logo em seguida voltar a descer com força.
Heero manteve o amante seguro pela cintura firmando-o a medida que o mesmo o cavalgava cada vez mais rápido. Ele manteve os olhos no rosto do humano vendo a face de seu amado demonstrar abertamente o prazer que o consumia. Ele mesmo sentia-se afetado sentindo que faltava muito pouco antes que o prazer alcançasse seu ápice.
"Venha." – pediu o vampiro.
Duo lançou sua cabeça para trás gritando o nome do vampiro, gozando ao ouvi-lo em sua mente. Ele podia sentir as lágrimas escorrendo por seus olhos, mas ele não se importava, não quando se sentia tão completo sentindo a semente de seu amado escorrendo por sua passagem.
O vampiro obteve sua libertação tão logo o canal aveludado fechou-se como uma garra sobre seu membro, ele segurou o amante fortemente pela cintura, sentindo as lágrimas dele em seu pescoço quando o mesmo deitou a cabeça em seu ombro. Ele sabia como seu amante humano se sentia, a plenitude do ato era perfeita, pois nunca antes se sentira tão inteiro. Heero fez menção de sair do corpo do amante, mas o mesmo o segurou fortemente passando as pernas por sua cintura.
- Fique...por favor. – pediu Duo, ainda incapaz de deixar o amante ir.
Heero sorriu mantendo o humano ainda seguro em seus braços, até que o amante estive pronto.
Duo fungou sorrindo ao sentir as mãos e Heero a suas costas, os dedos roçando suavemente sua pele o acalmando. Ele tocou o braço do amante, se mexendo, fazendo com que o vampiro o soltasse e pudessem se separar. Heero puxou os lençóis colocando-o sobre a úmida da cama, seria o suficiente antes que tivessem de trocar os lençóis.
Ele puxou o humano para seus braços, aspirando o cheiro suave de seus cabelos. Ficaram em silêncio por alguns segundos, antes que o vampiro começasse a falar.
Amanhã à noite você será meu pela eternidade Duo. – disse o japonês.
Duo afastou-se ligeiramente olhando nos olhos do amante, antes de responder. Podia sentir seu coração bater mais rapidamente ao imaginar seu casamento com o vampiro e as conseqüências deste na noite seguinte.
Eu sei Heero e não há nada que eu mais queira nesse mundo, mas...
Você tem medo?. – indagou o vampiro. - Você pode desistir se quiser.
Falou tristemente Heero, fazendo Duo gritar e se jogar em seus braços assustado, nunca o deixaria, não se imaginava mais vivendo sem ele.
Não!Nunca!
Duo começou a beijar Heero pelo rosto enquanto repetia que nunca faria isso, o vampiro sentia as mãos e lábios do humano por todo o seu corpo, tocando-o como se confirmasse sua decisão em nunca deixá-lo
O humano se acalmou e olhou para Heero retirando os cabelos da testa pálida, esfregando o nariz contra o pescoço do vampiro, falando suavemente.
Eu amo seus olhos...seus lábios, seu cheiro. O jeito como faz amor comigo, a forma como suas mãos me tocam, o modo como você demonstra o seu amor por mim, sem precisar de palavras. – declarou Duo sentindo lágrimas formarem-se nos olhos diante da emoção que sentia.
Heero beijou os olhos de Duo sentindo-se da mesma forma que o humano. Não conseguia mais imaginar uma eternidade sem tê-lo ao seu lado, sem sentir seu carinho, sua presença. Nunca antes pensara como era sua vida, o que havia se tornado, não antes de conhecer Duo. O humano o mudara. O fizera enxergar que era possível obter a felicidade, mesmo mergulhado na escuridão. Amava-o tanto que teria abandonado os Khushrenada por ele, caso os Anciões ainda o achassem indigno de ser seu nakama.
- Minha existência tornou-se completa quando o conheci. Quando entregou seu coração a mim, soube que jamais estaria sozinho e isso me fez sentir-me afortunado por ser o que sou. Uma criatura das trevas, imortal...cada segundo a seu lado, me fazem esquecer os séculos que passei em tormento. Eu o amo e amarei por toda eternidade.
Duo ofegou diante das palavras de Heero, seu coração batia descompassado diante da declaração de amor, sempre tão rara do amante. Como poderia ter dúvidas a cerca de casar-se com o vampiro e tornar-se uma criatura das trevas como o mesmo.
Três dias atrás Wufei e Zechs o haviam indagado sobre sua decisão de tornar-se um filho da noite, e mesmo que o ponto de vista deles fizesse sentido, deixará claro que jamais se arrependeria de sua decisão.
..0.0.0 Flashback ..0.0.0
Três dias atrás:
Duo encontrava-se sentado em uma das cadeiras do jardim, observando o entardecer, aguardando que Heero acordasse de seu sono, ele havia mudado seu horário de dormir para poder passar mais tempo acordado com o amante, mas havia momentos em que o sono simplesmente o abandonava, obrigando-o a levantar-se antes do vampiro.
Ele fechou os olhos sentindo a brisa acariciar seu rosto, ao mesmo tempo em que ouvia vozes se aproximando. Duo abriu-os encontrando Wufei e Zechs caminhando em sua direção.
Havia perguntado a Kimitsu a respeito dos dois amigos, recebendo a informação de que ambos haviam saído para caminhar pela propriedade, enquanto Sally ficara na biblioteca lendo um romance, ele havia ficado alguns minutos conversando com ela, mas por fim a deixara em paz para continuar com sua leitura, o que o fizera ir para o jardim até que Heero despertasse.
- Maxwell que surpresa vê-lo neste horário. - disse o chinês.
Chang estava de fato surpreso em encontrar o amigo americano. Ele normalmente não costumava estar acordado neste horário, pois o mesmo havia criado o hábito de se levantar apenas quando o vampiro o fazia, o que costumava ser pouco tempo após o sol se recolher.
- Eu perdi o sono. – respondeu Duo sorrindo.
Zechs meneou a cabeça em acordo com as palavras de Chang. De todas as vezes que encontravam o amigo desde que haviam deixado Epyon, elas aconteciam sempre após o sol ter se posto, e geralmente em companhia do vampiro líder dos Khushrenada.
- Sentem-se. – disse Duo. – Kimitsu me disse que vocês estavam caminhando.
- De fato, a propriedade é tão grande e verdejante que é quase que impossível impedir o desejo de explora-la. – disse Zechs sentando-se em uma das cadeiras.
- É verdade, Heero possui uma bela residência. – completou Wufei, tomando a cadeira ao lado de Zechs. – Ou deveria dizer que vocês possuem uma bela propriedade. – disse o chinês sorrindo. - Como vai casar-se com Yuy tudo que ele tem e seu também.
Duo corou diante da menção de seu casamento com o vampiro, não tecendo nenhum comentário contrário as palavras de Chang.
Ambos olharam um para o outro diante do silêncio de Duo. Eles estavam preocupados a cerca da decisão dele em deixar sua humanidade para tornar-se um vampiro, apenas para estar na escuridão dos dias com o líder dos Khushrenada.
- Duo...você tem certeza de que está tomando a decisão certa?. – perguntou Wufei. – Você está pronto para as consequências de deixar sua humanidade?
Duo olhou para o amigo durante alguns segundos diante da pergunta, antes de sorrir e olhar para o céu. Sabia que seus amigos estavam preocupados com sua decisão de tornar-se um vampiro, mas ele não tinha dúvidas a cerca de que queria estar com Heero e apenas isso. Ele não se importava em tornar-se uma criatura da noite, alimentar-se de sangue, ver todos os que ama morrer, enquanto ele vive através das eras.
Ele voltou o olhar para seus amigos, ainda sorrindo, respondendo a pergunta como se esta fosse a única resposta que pudesse dar a eles.
- Se o preço para estar com Heero, pela eternidade e minha humanidade, a entregarei quantas vezes forem necessárias apenas para estar ao lado de quem amo.
- Mas Duo...- tentou Zechs, vendo o amigo balançar a cabeça.
- Eu o amo. Não vejo sentido em viver se não estiver ao lado dele, ele tem meu coração, assim como eu tenho o dele, eu definharia aos poucos, permanecendo humano a seu lado. Embora saiba que ele estaria comigo, mesmo que eu voltasse atrás em minha decisão em tornar-me um vampiro...Mas e ele?
Wufei abaixou a fronte diante do olhar doloroso de Duo e das lágrimas que escorriam por sua face triste.
- Não posso condená-lo a solidão eterna, não posso deixar de ama-lo, não posso me separar dele. Dói Fei...- disse Duo levando a mão ao coração. – apenas em pensar em deixá-lo, jamais amarei alguém como o amo, ele se tornou a minha vida. Eu morreria por ele e sei que ele faria o mesmo por mim.
- Você verá a nós todos morrer um dia. – disse Zechs. – Quatre não teve uma opção ao se transformado, mas você ainda pode voltar atrás, não precisa tornar-se o que ele se tornou.
Duo olhou para Zechs pensando em suas palavras. Era verdade que Quatre não teve uma chance de escolher tornar-se ou não um vampiro, ele teve que ser abraçado por Trowa durante uma batalha, sem escolha, apenas porque o latino não conseguiria apenas deixá-lo morrer. E ainda assim Duo sabia que Quatre jamais questionou ou culpou Barton por torná-lo o que ele era.
-É verdade que a escolha de Quatre foi lhe tirada, ainda assim eu sei que ele teria tomado à mesma decisão que eu, estar ao lado daquele que ama, sem pensar se isso e bom ou mal. Diga Chang...se Sally ainda fosse vampira, se contentaria em apenas envelhecer a seu lado? Deixando-a na solidão dos dias após sua morte?
Wufei balançou a cabeça negando, ele seria incapaz de separar-se dela. A amava mesmo antes dela tornar-se humana novamente, o simples pensamento de deixá-la lhe doía a alma.
- Vê-los morrer um dia, será doloroso, mas meu alento e de que Heero estará comigo para me confortar. E através do tempo verei com prazer a descendência de vocês prosperarem e as velarem em honra a nossa amizade.
Zechs abaixou a cabeça enxugando as lágrimas que não havia notado escorriam livremente por seu rosto.
- Então que a sua felicidade perdure pelas eras meu amigo. – disse Wufei apertando o ombro de Duo.
..0.0.0 Fim_Flashback .
Heero beijou a cabeça de Duo diante de seus pensamentos, estava ciente da preocupação dos amigos de seu amante, mas ficava feliz que ele tivesse amigos que se preocupassem dessa forma.
- Vamos tomar um banho, e encontrar seus amigos. Devemos passar algum tempo com eles até amanhã.
Duo meneou a cabeça entendendo o pensamento de Heero. Na noite seguinte seria seu casamento com o vampiro e nas noites após a cerimônia ele estaria aprendendo sobre sua nova natureza, o que o obrigaria a deixar de vê-los. Teriam muito pouco tempo antes que se separassem e por isso seu amante desejava que passasse o maior tempo possível na companhia deles. Como não amá-lo diante de tanto cuidado e atenção.
- Tudo bem. – respondeu Duo tomando a mão do vampiro, e seguindo-o.
O seguiria sem dúvidas ou receios. Heero estaria com ele e isso era tudo de que precisava ter certeza, com o restante a vida se encarregaria de resolver.
...0.0
No dia seguinte – algumas horas antes da cerimônia de casamento:
Heero andava de um lado a outro em seu quarto. Era visível seu nervosismo, afinal em poucas horas estava para desposar o homem mais lindo que já vira em toda a vida, mas mal havia visto Duo durante toda a tarde e ele havia se levantado mais cedo que o habitual apenas para que pudessem estar mais tempo juntos, antes que tivesse de se separar para a cerimônia.
Tudo porque o cerimonialista teimou em dizer que dava azar ver o noivo antes do casamento, não ligava muito para isso, tudo que desejava era tê-lo ao seu lado, tocar seu corpo macio... ele olhou para a janela, vendo que já havia anoitecido. Treize havia acabado de informá-lo que muito dos convidados já haviam chegado.
Mas a verdade era que isso pouco lhe importava, as últimas horas em sua opinião haviam sido um inferno, ouvindo o responsável pelo cerimonial repassar com ele todos os tramites que deveriam ser feitos para tornar o casamento perfeito.
- Deus eu só quero que tudo isso acabe logo, para tê-lo em meus braços. – resmungou o vampiro.
...0.0
Em outro quarto:
Ele queria ver Heero, não conseguira vê-lo durante toda à tarde, por isso sorrateiramente deixou seu quarto e seguiu na direção que ficava os aposentos em que se encontrava o vampiro. No meio da tarde, com a ajuda de Quatre, havia conseguido descobrir para onde o mestre de cerimônias havia levado o japonês.
O quarto ficava do outro lado da residência, mas ainda assim estava determinado a alcançar seu amante, nem que fosse apenas para beijá-lo.
Duo ouviu vozes se aproximando e entrou no cômodo mais próximo, felizmente o mesmo se encontrava vazio, ele aguardou alguns minutos e voltou ao corredor, verificando se havia alguém por perto antes de continuar. Não queria saber se dava ou não azar vê-lo antes da cerimônia, nem havia se arrumado ainda.
Ele parou procurando se localizar, Quatre havia lhe dito como chegar até onde Heero estava e se não estava enganado depois de deixar o quarto ele deveria seguir até o fim do corredor, cruzar o jardim até a ala norte, em seguida tinha que virar a esquerda e no próximo corredor, seguir até o pátio interno e dobrar a direita entrando na segunda porta a esquerda.
Duo começou a correr assim que avistou o pátio, rezando para que ninguém o visse. Dobrou rapidamente à direita, ansioso para encontrar logo o vampiro, mas acabou chocando-se diretamente com Treize que vinha na mesma direção.
O antigo líder dos Khushrenada segurou o humano, antes que o mesmo caísse para trás devido ao encontro brusco entre eles. Ficou surpreso ao encontrá-lo daquele lado, uma vez que o mesmo não deveria estar perambulando por ali, entretanto sabia exatamente o que o trazia até aquela ala da casa.
- Desculpe. – disse Duo erguendo os olhos para ver quem o impedira de ir ao chão, corando ao ver que era ninguém menos do que Treize.
- Você deu sorte que o responsável pelo cerimonial deixou o quarto de Heero há poucos minutos atrás. – disse Treize com um sorriso. – Tenho certeza de que Yuy ficara feliz em vê-lo.
Disse Treize soltando o braço do humano e seguindo em direção ao pátio deixando-o sozinho.
Duo sentia seu rosto quente pelo fato de Khushrenada saber de suas intenções em encontrar-se com o amante escondido. Sentia-se como um adolescente que fugia pela janela do quarto para encontra-se com o namorado escondido dos pais. Ele balançou a cabeça ciente de que deveria apressar-se antes que alguém além de Treize o encontrasse.
...0.0
Heero afastou-se da janela, sentindo presença de Duo no corredor. Ele sorriu se escondendo no quarto, assim que a porta se abriu e o humano entrou o procurando.
Duo fechou a porta atrás de si, vasculhando o quarto, procurando algum sinal do amante, não o vendo em nenhum lugar. Seguiu até onde ficava o banheiro, achando-o também vazio, mas como era possível, se Treize dera a entender que o japonês estava no quarto.
Não acredito que tive todo esse trabalho e ele não está.
Quem disse isso.
Duo pulou ao ouvir a voz de Heero atrás de si, virando-se rapidamente fazendo sua trança girar e bater contra o peito sólido do amante. Viu que o mesmo já estava arrumado, e seus olhos se deleitaram diante da visão de vê-lo vestido para o casamento deles.
Heero sorriu diante do deslumbramento de Duo, ele se aproximou e o beijou, estreitando seus corpos, suas mãos acariciando o corpo por sobre as roupas, descendo até a parte carnuda e apertando. Foi com prazer que ouviu Duo ofegar e morder seu pescoço sussurrando seu nome.
Huummmmm...Heero...
Senti sua falta...Eu quero fazer amor com você. – disse o vampiro embriagando-se com o cheiro do amante.
Não podemos...aaahhhhhh...não...agora. – tentou argumentar Duo sem sucesso, diante da mordida em seu pescoço.
Seremos rápidos. - rebateu Heero erguendo o humano e levando-o em direção a cama.
Mmmm...Heero...
Heero mordiscava a pele do pescoço de Duo, enquanto o deitava sobre a cama, sugando-lhe o pescoço, as batidas aceleradas do coração humano o estavam excitando e começou a despir o amante antes que o mesmo pudesse protestar.
...0.0
Uma hora depois:
Duo recolocou suas roupas, olhando para as roupas do amante que se encontravam no chão, ele as pegou colocando-as sobre a cadeira, franzindo o rosto ao ver que as mesmas estavam amarrotadas.
Heero sorriu abraçando o humano, colocando a cabeça sobre seu ombro olhando para o estado da roupa, William teria um ataque quando visse. Ele podia ouvir os pensamentos de Duo a cerca do quanto ouviriam se o responsável pelo cerimonial descobrisse que não apenas haviam se visto, como fizeram amor e as roupas para o casamento ficaram amassadas.
- Acho que não deveria tê-las jogado no chão. – riu Heero.
Duo ouviu a risada do vampiro e torceu o nariz. Isso não era nada divertido, quer dizer seria se não tivessem um vampiro perfeccionista como cerimonialista e o mesmo não fosse responsável pela organização do casamento deles.
- Isso não é engraçado Heero. – resmungou Duo, não querendo ter de enfrentar William.
- Não se preocupe vou pedir a Kimitsu que dê um jeito. William nunca vai saber. – assegurou Heero. – Vamos vou deixá-lo em seu quarto, antes que notem sua falta.
- Tudo bem eu posso...
Heero colocou o dedo sobre os lábios de Duo impedindo-o que terminasse a sentença.
- Eu quero deixa-lo em seu quarto, até porque eu posso sentir a presença de William e apagar a minha de forma que ele nem vai saber que fui ao seu quarto.
Duo meneou a cabeça seguindo o japonês. Eles caminhavam pelos corredores que pareciam estranhamente silenciosos, quase como se desconhecessem ou evitassem o caminho até seu dormitório. Ele olhou para o amante que simplesmente levou sua mão aos lábios frios e a beijou.
O vampiro espalhou sua presença de forma a fazer com que qualquer um próximo a eles simplesmente desviassem de seu caminho evitando encontrá-los, se não fosse assim já teriam sido vistos a muito tempo.
Eles pararam na porta do quarto onde Duo estava momentaneamente. Ambos não desejavam separa-se, mas sabiam que era apenas por pouco tempo.
Heero beijou a testa de Duo fazendo-o corar pelo gesto, tendo em vista o que havia partilhado no quarto do japonês.
- O verei em poucas horas. – disse Heero.
- Sim...- murmurou Duo abrindo a porta do quarto sorrindo antes de entrar.
O shuhan dos Khushrenada sorriu, virando-se e deixando o corredor assim que o amante entrou no quarto. Ele precisava verificar um assunto antes de retornar a seus aposentos.
"Kimitsu poderia pedir a alguém que passe minhas roupas em meu quarto. " – pediu o vampiro mentalmente ao empregado.
"Perfeitamente senhor, eu farei isso." – respondeu Kimitsu.
Heero procurou mentalmente o vampiro com quem desejava falar, localizando-o, na ala reservada aos Anciões. Ele havia tentado falar com Deberoux na noite anterior, mas o mesmo não havia retornado seu recado, o que o obrigava a confrontá-lo antes que visse a se casar com Duo.
...0.0
Ala oeste da residência do shuhan dos Khushrenada:
Deberoux caminhava nervoso pelo quarto reservado a ele, desde a noite anterior evitava encontrar-se com o shuhan, não desejava ser o portador das palavras de seu filho inconsequente, mas sabia que cedo ou tarde Yuy acabaria vindo até ele.
Como se fosse chamado, sentiu a presença do shuhan aproximar-se de onde se encontrava e sabia que não poderia adiar mais o inevitável, não se quisesse permanecer vivo. Ele caminhou até a porta, curvando-se a presença de seu líder.
- Vida e honra ao shuhan dos Khushrenada. – disse Deberoux.
Heero meneou a cabeça entrando no quarto e voltando-se para Deberoux, procurando não deixar que seu aborrecimento transparecesse em sua voz.
- Mandei que viesse a mim, ontem a noite para me dar a resposta de seu filho Deberoux, mas você optou por ignorar minhas ordens. – disse Heero vendo o ancião estremecer. – Como devo entender sua atitude? – perguntou o shuhan encarando-o friamente.
Deberoux não conseguia responder, sua voz parecia ter sumido de sua garganta, sabia que devia uma resposta a Yuy, mas ela recusava-se a deixar seus lábios pálidos. Ele ouviu a respiração profunda de seu líder, sabendo que sua paciência estava esgotando-se, entretanto ficou surpreso ao ouvi-lo novamente, a voz mais branda que o habitual.
- Julian sabe de meu casamento? – perguntou Heero.
Ele estava cansado de esperar a resposta que nunca receberia, por isso optou por ser objetivo, indo direto ao ponto que desejava realmente saber. De nada adiantaria forçar o ancião, pelo menos não neste momento, em outra hora o faria contar-lhe tudo que desejava saber.
- Deberoux, responda. – ordenou Heero.
- Sim shuhan, comuniquei meu filho pessoalmente. – respondeu o Ancião tremulo. - Ele me disse que respeita sua decisão, mas lamenta não poder estar presente à cerimônia de seu casamento com seu escolhido. – terminou de cabeça abaixada.
Heero assentiu mantendo o olhar sob o Ancião. Podia sentir que Deberoux, mentia a cerca da resposta do próprio filho, mas tinha outras preocupações em mente no momento, e elas não incluíam Julian.
- Que seja. – conversaremos novamente outra hora. – avisou Heero, retirando-se do quarto.
Deberoux deixou-se cair de joelhos ao não mais sentir a presença opressora do shuhan, sabia que o mesmo estava sendo benevolente no momento, certamente por ser um dia tão aguardado por ele. Como o mesmo dissera conversariam em outra oportunidade e por mais que amasse seu filho, não tinha a intenção de mentir novamente para o líder dos Khushrenada.
...0.0
Por volta das nove da noite:
O sol havia dado lugar a uma bela e pálida lua, e as estrelas no manto escuro do céu pareciam ainda mais brilhantes, como se reverenciassem o casamento do shuhan dos Khushrenada e seu escolhido. Todos os clãs convidados haviam chegado pouco depois do sol se por.
A cerimônia seria realizada nas terras de Heero, mas num local um pouco afastado da residência principal. Junto a um grande lago, onde lanternas flutuantes davam um toque romântico.
As cadeiras para os convidados foram cobertas de cetim branco, amarrado com tule nas cores lilás e azul, formando um drapeado que foi decorado com um arranjo de princesa da noite[10] formando pequenas cascatas. Os assentos foram dispostos em cinco grupos de fileiras formando um semi circulo ao redor do altar onde os noivos trocariam os votos. Em alguns pontos foram dispostos vasos com velas dando uma iluminação complementar.
Um tapete de pétalas de rosa, vermelha e branca foram espalhadas formando uma trilha por onde o shuhan e seu escolhido passariam. Para iluminar o caminho dos noivos, foram colocados vasos com água e velas iluminadas sobre pequenos aparadores de vime, dando um toque singelo.
Os noivos haviam optado por uma iluminação a base de velas, colocadas em pontos específicos, uma vez que os convidados possuíam uma perfeita visão noturna, não era necessária uma iluminação mais forte e abrangente.
Quanto às flores decidiram-se por rosas em sua maioria brancas e roxas e princesas da noite, não desejavam outros tipos, uma vez que as árvores de cerejeira se encontravam floridas complementavam a decoração.
O vento noturno balançava as flores de cerejeira, que se espalhavam harmoniosamente. Por entre as árvores e pelos arredores haviam sido espalhados pontos de luz extras por conta dos humanos presentes, criando uma iluminação suave e romântica.
A música era fornecida por uma pequena orquestra composta por um violino, dois violoncelos e um piano, tornando à noite menos silenciosa e mais alegre.
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Duo olhou-se no espelho sentindo um frio na boca do estômago em antecipação. Sentia-se tão nervoso que já teria roído a unhas das mãos se Quatre não o houvesse ameaçado de amordaça-lo.
Ele tinha que aguardar que Treize viesse buscá-lo, uma vez que como nakama do atual shuhan dos Khushrenada ele deveria ser entregue pelo antigo líder e acompanhado pelo seu guardião, escolhido pessoalmente pelo próprio shuhan, que era o caso de Quatre.
Ele olhou para o árabe que lhe sorriu, antes que a porta de seu quarto abrisse revelando Treize.
- O shuhan o aguarda. – disse Treize.
Duo sentiu seu nervosismo aumentar, ele fechou os olhos momentaneamente, respirando fundo, antes de dar o passo que o deixaria mais próximo a sua nova vida ao lado de Heero.
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Heero se encontrava ao lado de Trowa aguardando que fosse dado o sinal, para o inicio da cerimônia. Ficava feliz que Duo houvesse concordado com um casamento tradicional xintoísta. O traje que ambos vestiam era um kimono haori-hakama, com o haori curto de seda e da cor preta com o brasão dos Khushrenada, e a hakama de seda listrado preto e branco cobrindo o quimono longo de cor preta.
A orquestra começou a tocar a música Okuribito [11], indicando que ele deveria caminhar até o altar. Ele fez o caminho silenciosamente, embora em seu íntimo encontrava-se agitado e ansioso, imaginando como o amante ficaria em roupas tradicionais japonesas.
Duo chegou poucos minutos após Heero ocupar seu lugar no altar. O humano podia sentir os olhares sobre si, mas sua atenção encontrava-se apenas no amante o aguardando. Ele sentia seu coração bater descontrolado em seu peito, respirando fundo caminhou até o vampiro, cada passo o levando mais perto de seu amado.
Sua vontade era a de correr para seus braços, mas sabia que isso seria inadequado, mesmo que ele visse apenas Heero, ele estava casando-se com o shuhan dos Khushrenada e por isso, era sua obrigação demonstrar seu respeito e seguir todos os protocolos.
Ele podia sentir Quatre caminhando a suas costas. O amigo árabe usava roupas tradicionais de seu país, o cafia um pano quadrado preso por uma tira chamada egal era de cor creme, envolto no pescoço e o egal de marrom escuro. A túnica que ia até os joelhos e o cirwal que consiste em uma calça larga usada por baixo eram ambos dois tons mais claros que o cafia, a faixa na cintura do mesmo tom do egal, preso a ela encontravam-se as duas Heath Scythe, simbolizando que ele as usaria sempre que a vida do nakama do shuhan dos Khushrenada estivesse em perigo.
Heero não tinha olhos para nenhum outro além de seu escolhido, ele estava lindo, bem mais do que imaginara. Sua íris avermelhou-se diante da possessividade que sentia em relação a ele, podia ouvir os pensamentos de cobiça e luxuria para com seu escolhido, mas optou por bloqueá-las, por mais que desejasse causar dor a todos que cobiçavam o humano que lhe pertencia, não queria acabar causando mal estar ao seu amado, apenas por não ser capaz de impedir seu ciúme.
Ele estendeu a mão assim que o humano encontrava-se ao alcance de seu braço, tomando a mão tremula e quente entre as suas.
"Você está lindo!"- disse mentalmente o vampiro, tendo o prazer de vê-lo corar e sorrir.
Ambos se colocaram diante de Nolan que se encarregaria de casa-los sob as leis dos Khushrenada.
Nolan voltou o olhar para o shuhan e seu escolhido, os dois juntos pareciam perfeitos, apesar dos olhares carregados de amor para com seu amado, era visível a olhos experientes a escuridão aterradora nos olhos de Heero e do seu nakama humano.
O jovem humano se tornaria uma força tão ameaçadora e poderosa quanto o vampiro que o tomava como companheiro. E nada lhe dava mais honra do que ser um expectador direto dessa força.
- Irmãos, hoje sob este céu que é nosso dia, estamos reunidos para celebrar a união eterna do shuhan do ichizoku dos Khusheranda e seu nakama. – disse Nolan olhando para os dois.
Duo olhou ternamente para Heero diante das palavras do mais antigo dos Anciões, enrubescendo diante da intensidade com que o vampiro o qual se unia pela eternidade o olhava.
Heero não pode impedir-se de olhar para seu escolhido, com os olhos carregados de desejo e posse. O humano era a seu ver a joia mais rara e perfeita, e ela era unicamente sua pela eternidade.
- O nakama do shuhan dos Khushrenada deve ser alguém com valores iguais ou equivalentes aos do próprio shuhan. Alguém que deverá estar ao seu lado e viver não apenas para ele, mas também para clã Khushrenada. – continuou o Ancião.
Muitos vampiros murmuraram se o humano era apto a tão importante papel, visto que ele não era nem mesmo um vampiro, como era esperado que fosse.
- Muitos pensariam que apenas um vampiro, um nobre...teria tais qualidades. – continuou Nolan ignorando os burburinhos. – Mas eu digo que vejo neste humano qualidades semelhantes ao de nosso shuhan. – disse Nolan olhando dentro dos olhos de Duo.
"Nenhum outro trará mais honra aos Khushrenada do que você Duo Maxwell, o escolhido como nakama pelo shuhan dos Khushrenada. Eu abençoo a união de vocês pela eternidade." – disse o mais antigo dos Anciões mentalmente ao humano.
Duo sorriu diante da aprovação direta de Nolan, uma vez que o mesmo era o vampiro mais provecto e mais sábio entre os Khushrenada.
- O humano foi julgado digno pelos antigos do clã Khushrenada. Que ele traga honra a seu marido e aos Khushrenada, pois o shuhan é o clã e o clã é o shuhan.
Duo meneou a cabeça ciente de que seu casamento com Heero não envolvia apenas o vampiro, mas o clã inteiro como um todo. Assim que selassem a união pelo sangue, ele estaria casado com Heero e ligado ao clã diretamente, ainda mais profundamente do que o seu juramento de lealdade.
Deberoux aproximou-se com uma taça de cristal e um pequeno punhal de ouro entregando-os a Nolan que se voltou para Heero como um sinal para aproximar-se.
O shuhan dos Khushrenada aproximou-se do Ancião juntamente com seu escolhido. Ele havia dito a Duo como ocorreria a cerimônia de sangue, ambos teriam a palma da mão cortada, e a colocariam sobre a taça para que o sangue de ambos se juntasse nela, simbolizando a união sanguínea. Em seguida os dois beberiam da mesma taça, indicando que não havia diferenças entre eles, e que ambos eram iguais.
Duo franziu o rosto ao beber do sangue de ambos, esforçando-se para engolir o conteúdo restante da taça, mesmo que Heero houvesse bebido mais da metade dela, ainda assim não era algo agradável de se fazer. Felizmente o próximo ritual, baseado no xintoísmo ajudaria tirar o gosto metálico da boca.
Ele entregou a taça ao amante, dando-lhe um meio sorriso dizendo estar tudo bem, embora seu estômago não parecesse concordar.
Heero sabia o quão desagradável era para o humano beber sangue, mas a cerimônia era necessária para que estivessem casados perante o clã, se o amante fosse vampiro a cerimônia seria diferente eles beberiam diretamente um do pulso do outro e se beijariam fazendo com que o sangue dos dois fosse misturado. Para aliviar o desconforto de Duo, ele pedira para que o ritual do sake fosse realizado depois e não antes da cerimônia de sangue.
Normalmente uma cerimônia xintoísta começa com o ritual de purificação. Onde eles tomariam três cálices de sake em tamanhos diferentes representando o Céu, a Terra e o Homem. Simbolizam o novo vínculo familiar. Mas a ele não importava a ordem em si, mas sim que o amante estivesse disposto a passar por eles, como o fizera muito bem.
Duo entregou o terceiro cálice de sake, torcendo para que não ficasse embriagado. O gosto do sangue deixara felizmente sua garganta o o fazendo sentir-se mais confortável.
Heero tomou-lhe a mão depositando no dedo anelar de seu amado a aliança dourada, permitindo que o humano fizesse o mesmo em sua mão.
Duo olhou para agora seu marido, snetindo-o tocar seu pescoço com uma das mãos enquanto a outra o puxava pela cintura aproximando seus corpos.
- Honra a Heero Yuy o shuhan do ichizoku dos Khushrenada e seu companheiro eterno Duo Maxwell.
Heero beijou Duo sob as palavras de Nolan e todos os convidados presentes, indicando que estavam oficialmente casados.
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|Algumas horas depois:
Heero sorriu beijando agora seu esposo, ele jamais pensou que um dia viveria tamanha felicidade, tudo que imaginava para seu futuro eram trevas sem fim, repletas de solidão, mas agora ele podia vislumbrar um futuro diferente, onde as trevas ainda permaneciam, mas a solidão não tinha lugar. Tudo porque ele tinha Duo a seu lado.
Ele cumprimentou Noventa que assim como a Marquesa Kathiene do clã NightRose, fizeram questão de vir para seu casamento com Duo. Por uma questão de diplomacia ele meneou a cabeça ao Conde Amadeos do clã Dhanylhos, que havia sido convidado por Treize contra sua vontade.
Duo sentia seu coração palpitar, mal via as pessoas que o cumprimentavam, seus pensamentos se encontravam focados apenas no vampiro a segurar sua mão. Olhou para a mão pálida, vendo o anel dourado, símbolo da união deles, e sentiu o rosto esquentar como o de uma colegial apaixonada, ao pensar como seria sua noite de núpcias com Heero. Sentiu uma estranha quentura percorrer seu corpo e soube instantaneamente quem era o responsável, ninguém além de seu marido que o encarava com os olhos escurecidos de desejo.
- Ficaremos apenas mais alguns minutos, antes de nos retirarmos. – disse o vampiro.
Duo assentiu sentindo-se incapaz de dizer algo. De repente braços apertados fecharam-se ao seu redor e soltou a mão do marido para retribuir o abraço de Quatre, que se jogara contra ele assim que o viu.
- Parabéns meu amigo. – disse Quatre chorando diante da felicidade daquele que tinha como um irmão.
Duo sorriu sentindo os olhos úmidos e apertando o jovem árabe ainda mais, quando sentiu um outro par de braços envolvê-lo e virou ligeiramente a cabeça para encontrar o olhar de Wufei.
- Espero que seja feliz – desejou Wufei, certo de que dali em diante, Duo viveria uma nova vida escolhida por ele mesmo.
- Obrigado Fei, desejo que você também seja feliz. – disse Duo olhando para Sally que sorriu.
Heero manteve-se distante dos três, ciente que eles precisavam desse adeus, não tanto por Quatre que permaneceria com eles, mas pelo humano Chang Wufei que segundo o mesmo seguiria em alguns dias para a China com Sally.
Ele voltou o olhar para ela, que sorriu seguindo até ele, abraçou-a verdadeiramente, pois a tinha como uma amiga valiosa.
- Que você seja feliz Sally.
- Eu serei Heero, assim como você, eu estou com aquele que amo.
Heero concordou voltando o olhar aos três amigos que se separaram. Zechs aproximou-se assim que Quatre e Wufei parabenizaram o amigo de longa data, desejando também ao americano muitas felicidades em sua nova vida. Duo afastou-se vendo Heero a estender-lhe a mão, tomando-a.
Ele abraçou Sally rapidamente, enquanto Wufei estendia a mão a Heero que recebeu com honra o cumprimento.
- Cuide bem de Duo – pediu Wufei.
- Eu cuidarei. – afirmou Heero, olhando para o esposo que sorriu.
Wufei meneou a cabeça afastando-se, juntamente com Sally e Zechs.
Duo mordeu o canto dos lábios, abraçando o vampiro que era agora seu marido. Heero beijou o alto da cabeça do humano, sabendo como o mesmo se sentia, mas fazia parte de sua nova vida, despedir-se da antiga. Não que ele estivesse cortando para sempre os laços com ela, certamente ainda voltaria a encontrar-se com eles embora novos laços o aguardasse.
Duo procurou Treize com os olhos vendo o com Catherine, e puxou Heero naquela direção. Parando tão logo alcançou o antigo shuhan do clã dos Khushrenada.
Treize avistou Heero e Duo vindo em sua direção e sorriu meneando a cabeça, antes mesmo que o humano lhe fizesse alguma pergunta. Duo então sorriu e voltou-se para o marido.
- Eu tenho um presente para você. - disse o americano sentindo a surpresa do marido pelo olhar.
Duo soltou a mão de Heero, pegando o microfone da mão de Catherine. Ele respirou fundo, antes de voltar-se para o marido.
- Peço a atenção de todos, por favor. – pediu Duo, fazendo todos ao redor voltarem à atenção para ele.
Yuy olhou Treize que sorriu simplesmente, retornando então o olhar para seu esposo, que o encarava com cheio de carinho.
- Heero eu quero cantar uma canção que fiz para você. – disse Duo suavemente.
Heero meneou a cabeça, vendo o esposo dar o sinal a orquestra, tremendo ligeiramente, antes de tomar fôlego e liberar a voz, cantando com toda a sua alma e seu coração.
Canção de Casamento (by Yoru no Yami)
Eu sempre acreditei que o pior momento da minha vida
foi quando nasci, mas eu não sabia que nem havia começado
a viver até o instante em que encontrei você.
Muitos disseram que eu havia perdido a razão e como não haveria de ser?
se o que sinto por você me enlouquece, como uma febre a aquecer-me
o corpo, confundir-me a mente onde o único pensamento real
é o de viver e amar você.
Engraçado pensar que em todos esses anos, os momentos mais felizes
e sublimes foram ao teu lado e mesmo quando surgiram as dificuldades
e o mundo conspirou de todas as formas para nos separar, ainda assim nós
permanecemos juntos.
Heero sorriu diante das palavras de Duo, era verdade, não se lembrava de ter sido tão feliz e ter tido tanta paz, mesmo no meio de uma batalha, quanto os momentos ao lado do humano de olhar ametista.
Por isso perante este céu que tomei por confidente e a lua que te guia na noite
prometo dedicar os meus dias a te amar.
Mesmo que venha há passar o tempo, eu jamais esquecerei o momento
em que te entreguei, o que tinha de mais precioso: o meu coração.
Apenas para ter a certeza de não estaria mais só.
Duo não pode impedir que as lágrimas, descessem por seus olhos, uma vez que era tão forte o que sentia e tão certo. Sentiu o marido segurar sua mão e apertá-la confortavelmente, indicando silenciosamente que ele sentia-se da mesma forma.
No dia em que a tua vida se tornou a minha estrada
Os teus braços se tornaram o meu lar
As tuas mãos o meu alento
Os teus olhos o meu céu
A lembrança dos toques de Duo, a sensação da pele do humano na ponta de seus dedos, preencheu a mente de Heero. De fato não via outro caminho a seguir que não fosse com Duo ao seu lado, não conseguia ver esperança em seu futuro que não fosse através dos olhos de seu amado.
Tua voz se tornou minha direção
Meu sangue teu alimento
Tua fé se tornou minha crença
Teus carinhos minha oração
Tua presença se tornou minha vida
Os teus beijos minha paixão
Por que eu sei que existo apenas para completar você.
Duo fechou os olhos, deixando que mais lágrimas manchassem seu rosto, ele sentia-se completo com Heero, não havia dor, tristeza, solidão ou mágoas de seu passado que pudessem feri-lo quando estava com o vampiro. Eles eram um, metades perfeitas um do outro, luz e trevas.
Eu, acreditava que não merecia ser feliz, ser amado ou amar
e usei isso como desculpa para não deixá-lo entrar em meu coração,
no entanto o amor me fez ver que a sua verdadeira aparência não era importante,
mas sim o que sinto, e por esse sentimento seria capaz de enfrentar qualquer coisa.
Sim por Heero ele era capaz de dar sua vida, capaz de abandonar sua humanidade, viver eternamente entre os séculos, enquanto todos que conhecera em sua vida morriam.
Mas quando aceitei o que dizia meu coração,
você tentou me apagar no seu e então eu chorei.
Chorei por pensar que o perderia, mas meu coração não me deixou desistir e naquela
noite deixei que apenas o meu coração falasse.
Heero fechou os olhos diante da lembrança da noite no clube, quando Duo cantou o que sentia, dizendo claramente que não se importava que fossem de espécies diferentes: Um humano e um vampiro.
Quando vi que tinha partido, meu coração se quebrou, eu o queria em minha vida,
sem me importar com o que aconteceria depois.
E quando ouvi a sua voz me pedindo para não chorar,
e a sua mão a secar o meu rosto foi como ver a luz em meio às trevas.
Duo abriu os olhos no mesmo instante que Heero e seus olhares se conectaram. Não saberiam dizer o alivio que ambos sentiram em suas almas, ao descobrir que podiam sonhar em ter um futuro juntos. Mesmo diante das dificuldades, eles acreditaram que podiam construir algo sólido e forte capaz de resistir ao que viesse pela frente.
Meu amor
Minha razão
Meu refugio
Minha ambição
Minha esperança
Minha alegria
Meu lar
Minha família
Mesmo que eu tenha perdido a minha alma
Mesmo que tenha caído na escuridão
Mesmo que os meus dias venham a ser o céu que cobre a noite
Se estiver ao meu lado cada momento valera à pena e cada anoitecer
há de me ser tão claro quanto à luz do dia
Por que foi a você que escolhi entregar meu coração
E foi por você que esperei para abrigar-me da solidão
Mas se para viver ao teu lado pela eternidade tiver de passar mais uma vez pela morte.
Eu o farei, por que tenho a certeza de estará me esperando do outro lado.
Heero podia sentir as lágrimas escorrendo por seu rosto e mal sabia quando havia começado a chorar. Assim que Duo terminou de cantar, ele o puxou para seus braços e o beijou profundamente, afastando-se apenas quando o mesmo apertou seus braços em busca de ar.
- Eu te amo e nada nunca vai mudar o que sinto por você Duo.
Duo sorriu procurando recuperar o fôlego roubado pelos lábios de Heero. As palavras dele ecoavam em seu coração dando lhe a certeza de que o futuro reservado aos dois não seria sombrio.
- O que acha de nos retiramos agora? – perguntou Heero desejando estar a sós com o esposo.
Duo sorriu assentindo, deixando que Heero o guiasse. Embrenharam-se por caminhos que ele desconhecia, ouvindo o som da festa afastar-se até que nada mais além dos sons noturnos fosse ouvido.
Chegaram até a residência do japonês pela ala oeste, onde o vampiro nunca o levara. Entraram passando pelos corredores até chegarem ao centro, Heero soltou a mão de Duo abrindo as portas e puxando seu esposo, fechando-as assim que ambos passaram.
Duo sorriu diante do amplo jardim localizado bem no meio. Sempre tivera curiosidade em saber como era este lado da casa , mas Heero havia lhe dito que não poderia ver antes de estarem casados e agora sabia o por que.
O jardim era lindo e estava iluminado por lanternas japonesas e vasos com velas. Uma grande árvore de cerejeira se encontrava na parte mais afastada do jardim, e no canto sul a seus pés uma cama dossel.
Ele olhou para o marido que o observava ansioso, Heero queria que a noite de núpcias deles fosse especial, por isso havia mandado preparar o jardim, poderiam ter viajado para outro país como fora sugestão de Noventa, que havia oferecido uma das casas do clã Noventa para que ficassem hospedados, mas optaram por permanecer em sua terra natal.
- É lindo Hee. – disse Duo emocionado.
Havia uma trilha de pedras até a cerejeira que havia sido coberta com pétalas de rosas, da mesma forma quando fora como no castelo Khushrenada em Epyon, na noite que se entregara a Heero a primeira vez.
- Ahh!
Duo gritou pego de surpresa. Ela estava imerso em pensamentos e não percebeu os movimentos do marido até o mesmo pegá-lo no colo.
Heero sorriu carregando o esposo até a cama, esfregando o rosto contra os cabelos macios, quando o mesmo descansou a cabeça em seu ombro. Ele depositou o humano com cuidado sobre a cama coberta por lençóis de seda branca.
Duo olhou para o marido estendendo-lhe a mão o fazendo deixar de observá-lo e vir até ele. Heero tomou os lábios de Duo lentamente, como se provasse uma fruta de raro sabor. O humano fechou os olhos, tomado pela sensação de estar fazendo amor com o marido, através dos lábios. Deixou que o vampiro o despisse e o amasse, sentiu-se como da primeira vez em que se amaram e deixou que seus gemidos e ofegos exteriorizassem tal prazer e lembrança.
Heero mantinha o olhar preso ao seu esposo, podia ver sua mente, absorvendo seus pensamentos, tão semelhantes aos seus. Cada toque em seu corpo era único, bem como era as reações a cada investida sua no corpo quente sob o seu. Quando o gozo clamou seu preço, seus olhares se encontraram, no mesmo instante em que o nome amado escapava por entre os lábios entreabertos.
Duo arqueou o corpo para cima diante do prazer, chorando diante da plenitude do ato, sentiu lábios beberem suas lágrimas, sorrindo diante da felicidade que jamais sentira.
- Te amo – sussurrou Duo assim que conseguiu falar, abrindo os olhos tocando a face fria e pálida de seu marido.
- Também te amo, meu amor.
Respondeu Heero retirando-se do corpo amado e o abraçando. Ficaram observando o céu em silêncio por quase uma hora, aproveitando da companhia um do outro até que o vampiro afastou-se olhando nos olhos do humano.
- É hora de eu cumprir minha promessa e dar-lhe a imortalidade ao meu lado.
Heero olhou atentamente para o esposo. podia ver o amor e o medo refletido nos olhos ametista, e sabia que Duo estava com medo e não tinha porque censurá-lo, eles estavam casados agora, faltava agora torná-lo um ser das trevas como ele. Abraçá-lo o tornando um vampiro, não queria admitir, mas também sentia medo, medo em feri-lo, medo de que em vez abraçá-lo perdesse o controle e o matasse.
- Você ainda pode desistir. Não precisa tornar-se uma criatura da noite como eu. Ficarei ao seu lado, mesmo que decida envelhecer. – disse novamente o vampiro.
Duo sorriu erguendo a mão e tocando o rosto do seu marido, desviando o olhar para a aliança em seu dedo, sentindo o peito encher-se de felicidade. Não podia negar que tinha medo, embora este fosse apenas por causa de sua nova vida e não ao fato de que se tornaria um vampiro, como o homem o qual escolhera amar pelo resto de seus dias. Queria estar ao seu lado, não como um humano fraco que pereceria com o passar do tempo, mas como um vampiro, cujo tempo não seria capaz de afetar.
- Eu estou pronto, me faça ser como você, para que estejamos juntos pela eternidade.
Heero beijou Duo suavemente fechando os olhos por alguns instantes, afastou-se dele, abrindo os olhos e fitando o esposo. Podia ouvir o coração humano bater mais forte, mas não via mais o medo nos olhos ametistas, apenas expectativa pelo o que estava por vir. Inclinou-se sobre o humano, deixando que suas presas crescessem, roçou-as pelo pescoço pálido ternamente, antes de afundá-las, perfurando o pescoço de Duo profundamente bebendo seu sangue.
Duo trincou os dentes diante da mordida, sentindo seu sangue esvair para seu marido, sua respiração tornou-se pesada e seu coração começou a bater mais devagar, à medida que o sangue em seu corpo diminuía, assim como sua vida. Em poucos segundos seus olhos começaram a ficar pesados, o corpo parecia cansado e com sono, podia ouvir seu coração bater lentamente e ir pouco a pouco baixando o ritmo. Mal sentira Heero deixar seu pescoço, sua mente encontrava-se entorpecida.
- Duo. – chamou Heero.
Heero sabia que o humano mal o ouvia, ele passou o braço por baixo do corpo do amante, erguendo-o delicadamente, podia senti-lo morrendo, a pele antes corada, tornavam-se pálida e fria, os olhos de Duo mal se abriam, mas percebia-os quase sem vida, precisava agir rápido antes que o perdesse. Deixou que as unhas da mão esquerda crescessem e passou-as pelo próprio pescoço cortando-se. Segurou Duo pela cintura, amparando-lhe a cabeça, com uma das mãos na nuca, levando-a até seu pescoço, onde seu sangue fluía abundantemente pelo corte.
- Beba.
Duo ergueu com dificuldade a mão direita, segurando o ombro de Heero. Seus lábios tocaram o pescoço do amado tomando o que lhe era oferecido. Sua boca fechou-se sobre o corte sugando o sangue do vampiro timidamente a principio, para logo em seguida beber com ânsia e sede.
Heero fechou os olhos diante da sensação de Duo bebendo seu sangue, ele soltou o humano, uma vez que o mesmo não necessitava mais de seu amparo. Deixou que bebesse até que o momento da passagem de humano a vampiro se anunciasse através do grito de dor, que fizera o humano afastar-se e cair na cama.
- Aaahhhhhhhh!
Duo deixou-se cair na cama, seu corpo inteiro doía, sentia como se o mesmo se enrijecesse. Câimbras tomaram seu corpo por completo o fazendo gritar de dor. Agarrou o lençol fortemente rasgando-o pela força com que o segurava para em vão suportar a dor, que parecia rasgá-lo por dentro. Mordeu os lábios, sentindo seu sangue neles, era como se milhares de agulhas o ferisse por dentro, perfurando seus órgãos um a um.
Heero observou em silêncio a transformação de Duo em vampiro, o viu contorcer-se em dor, enquanto de seus olhos vertiam lagrimas e de seus lábios gritos atormentados. O viu arquear o corpo na cama, de tal forma que achou que o mesmo se partiria em dois, para logo em seguida cair inerte, como se houvesse morrido.
O que não deixava de ser verdade. O coração humano não era mais ouvido e a respiração cessara por completo, Duo estava morto. Levou pouco mais de um minuto até que o viu finalmente abrir os olhos.
Duo abriu os olhos sentindo a brisa da noite. Sentia-se estranho, olhou para o céu, vendo-o tão claro, se voltasse a fechar os olhos poderia ouvir sons que antes lhe eram imperceptíveis. Tudo parecia ter outra dimensão, como se estivesse num novo plano dimensional. Sentou-se rapidamente buscando Heero, encontrando-o a observá-lo, desviou o olhar para a própria mão, agora pálida pela morte.
- Bem-vindo, a sua nova vida. – felicitou Heero.
Duo sorriu e jogou-se nos braços de Heero, sentindo que a pele dele não era mais tão fria, mas morna, como se estivesse vida, ou talvez fosse porque agora eles eram iguais, sem diferenças, uma vez ambos eram vampiros, o que lhe permitia senti-lo assim.
- Estamos juntos para sempre? – perguntou Duo.
- Para sempre meu amor.
Heero afastou-se o suficiente para capturar os lábios de Duo num beijo suave, eles estavam finalmente juntos na escuridão por toda a eternidade, afastaram-se lentamente sem abandonar os olhos um do outro.
- Cansado? – afirmou Heero, mas do que perguntou.
- Um pouco.
- Descanse por hora. O ensinarei tudo que precisa saber sobre sua nova existência, quando acordar.
Duo assentiu ajeitando-se nos braços de seu marido, ele fechou os olhos, certo de que quando acordasse, estaria abrindo os para um novo começo ao lado daquele que escolhera amar. Sabia que apesar de desconhecido, não deveria temer seu futuro ou o que o mesmo lhe reservasse, sabia que Heero estaria sempre ao seu lado o amparando e ajudando a caminhar.
Owari
[1] A contagem é feita levando em conta que são 4 luas (crescente, cheia, minguante e nova) por mês. Neste caso então eles se casariam em dois meses e meio.
[2] Fushigi significa milagre, maravilha, mistério, prodígio.
[3] Distrito de Minato localizado na Tóquio central é um dos 23 distritos de Tóquio. Minato o distrito do porto que inclui a ilha artificial de Odaiba, os arranha-céus de Shiodome, o distrito de boates em Roppongi e os centros financeiros de Akasaka e Shinbashi.
[4] Shinjuku (新宿) é um dos 23 "bairros" ou "distritos" (ku) de Tóquio. Porém, desde 1943, quando Tóquio, passou de município a província, englobando cidades e vilas vizinhas, Shinjuku ganhou status análogo ao de cidade, enquanto Tóquio deixou de existir formalmente como cidade.
Shinjuku é um centro comercial e administrativo, considerado o mais importante da província, e por analogia pode ser considerada a capital do Japão. A estação de Shinjuku é considerada a mais movimentada do mundo, com mais de 3 milhões de usuários diários.
[5] Tokyo Metropolitan Government Office em Shinjuku é frequentemente visitado por turistas por causa do observatório localizado no 45º andar, que oferece uma panorâmica de Tóquio, sem custo de entrada. O edifício de 243 metros de altura tem duas torres, e cada uma abriga um observatório, a uma altura de 202 metros. Ele era o edifício mais alto de Tóquio, até que foi ultrapassado pela Torre Midtown em 2007.
[6] Numai significa solitário em romeno, são todos os vampiros neutros, ou seja que não seguem as leis de nenhum clã. Vistos pela maioria dos vampiros como proscritos ou párias.
[7] Shinjuku Sumitomo Building administrado pela Sumitomo Realty & é geralmente chamado de Shinjuku Sumitomo Building ou o Edifício Sumitomo, mas também é conhecido como Bill e do Triâ dos arranha-céus pioneiro em Shinjuku, muitas empresas mantém escritórios no edifício, possui também um restaurante e uma sala de observação que servem como atrativos turísticos.A plataforma de observação no andar 51 com entrada gratuita e está aberto das 10:00 às 22:00 h, durante todo o ano (exceto no primeiro domingo de fevereiro, quarto domingo de agosto, 31 de dezembro e 01 de janeiro, quando o edifício é fechado).
[8] Moushiwake Arimasendeshita significa algo como 'sou culpado e não tenho nada a declarar a meu favor.
[9]Oyurushi kudasai significa por favor, perdoe-me
[10]Princesa da noite seus botões começam a florir por volta das 15h e, às 22h, a flor já está toda aberta e exalando um perfume de baunilha.
[11] Okuribito Memory faz parte da trilha sonora do filme Okuribito (A Partida no Brasil) é umfilmejaponêsde2008dirigido porYojiro Takita. Foi o vencedor do prêmioOscardemelhor filme estrangeiroem2009. A música e linda se alguém desejar ouvir basta procurar no youtube. Até que enfim acabei, levei dez anos (gente como tempo passa rápido, parece que foi ontem que comecei Labios de Sangue), mas tá ai. Sempre tive um carinho especial por esta fic, pois foi a minha primeira inserção neste universo. Eu chorei em muitos pontos desse capitulo, tanto por ser o último, como por ser especial para mim. Espero que Lábios de Sangue tenha alegrado, divertido, feito chorar e seduzido cada um de vocês, tanto quanto fez comigo. Obrigada a todos que acompanharam, esperaram, incentivaram, criticaram e ajudaram ao longo da fic.
Até que enfim acabei, levei 10 anos (gente como o tempo passa rápido, parece que foi ontem que comecei Lábios de Sangue), mas tá ai.
Sempre tive um carinho especial por esta fic, pois foi minha primeira inserção no maundo das fanfics.
Eu chorei em muitos pontos deste capítulo, tanto por ser o último, como por ser especial para mim. Espero que Lábiosd e Sangue tenha alegrado, divertido, feito chorar e seduzido cada um de vocês, tanto quanto fez comigo.
Obrigada a todos que acompanharam, esperaram , incentivaram, criticaram e ajudaram ao longo da fic.
