Magnifico era com toda certeza um adjetivo vergonhosamente pobre para definir a esplendorosa paisagem a minha frente. Tudo parecia ser feito de ouro, uma cidade estava abaixo de nos, e a nossa frente uma ponte de ouro e metal se seguia até os confins de minha vista. A cima grandes estatuas brancas flutuavam e no meio delas uma maior se erguia em forma de mulher – Atena – e para além disso, o universo, planetas pareciam tão próximos que eu me perguntava como estes não nos atingiam.

–É lindo...

–É. -seu tom de voz estava diferente, eu podia sentir a tristeza ali contida, será que ele não queria está aqui?

–Agora eu entendo o porque de você ser tão bom em astronomia. -ele sorriu de leve.

–Temos que atravessar todas as casas andando. Está vendo aquelas estatuas ao redor da maior?

–Sim.

–Cada uma daquelas estatuas tem uma casa protegida por um cavaleiro de ouro. -ele explicou. -Em épocas de guerra, os cavaleiros de ouro não podem sair de suas casas, e devem protegê-la para que nada nem ninguém ultrapasse sua casa sem permissão.

–E a cidade abaixo, quem a habita? -perguntei curiosa enquanto começávamos a andar pela ponte.

–Há outros cavaleiros, prata e bronze, eu mesmo comecei como um cavaleiro de bronze. Há também os soldados e os serviçais. Todas essas pessoas vivem naquela cidade. -ele aponto para baixo da ponte.

–Sério, e como você fez para subir de nível? -disse brincando, mas me arrependi quando ele mordeu o lábio inferior e fechou as mãos segurando as malas com mais força, tanto que o ferro da minha se quebrou e está caiu. -Eu disse algo errado? -ele parou e fechou os olhos e ficou alguns minutos assim, e eu apenas esperei calada.

Shun suspirou e abri-o vagarosamente os olhos me fitando, deu-me um sorriso triste e murmurou um sinto muito apontando para minha mala, ele se limitou a pegá-la e voltou a andar.

–Shun? -eu ainda estava parada, então sem se virar ele começou a falar.

–Acho que fomos os primeiros cavaleiros de bronze na história da humanidade a nos tornamos cavaleiros de ouro. -me aproximei dele, sua voz parecia querer quebrar. -Um cavaleiro de ouro alcança o sétimo sentido para lutar Anna, e eu, Seiya, Shiryu, Hyoga e Ikki tivemos de despertar esse poder na ultima guerra para lutar por Atena e sobreviver. Os antigos cavaleiros de ouro morreram nos ensinado, para que tomássemos os seus lugares como protetores de suas casas e de Atena. Muitas pessoas morreram, eu matei... -encostei nossas testas e quando nossos olhos se conectaram o beijei de leve.

–Mais calmo? -ele fez que sim, então limpei as lágrimas que escorriam em seu belo rosto. -Me desculpe por fazê-lo falar de algo ruim. -puxei sua mão e sorri. -Vamos que eu estou com sede, e esse calor não esta ajudando.

–Espere. -ele me puxou de volta, e se abaixou. -Sobe nas minhas costas. Se eu te levar correndo chegaremos bem mais rápido.

–Isso é... não, eu acho que nem está tanto calor assim... frescura minha, eu cresci num país bem mais quente... -tentei argumentar. -Kyaaaaaa

Shun me puxou e se levantou me colocando no colo.

–Assim é melhor? -ele me perguntou inocente.

–Prefi... prefiro ir... prefiro ir nas costas. -ele me colocou no chão e pareceu ficar tão constrangido quanto eu.

–Tudo bem. -ele se abaixou novamente e eu enlacei seu pescoço, ele por sua vez segurou minhas pernas por debaixo do joelho me firmando e levantou. -Pronta? -virou o rosto e nossos lábios quase se encostaram.

–Pronta. -disse mais envergonhada do que antes.

–Se segure tá, se ficar desconfortável avise. -me pediu e eu rir mais leve.

–Você que está carregando as malas e a mim. -ele começou a correr.

–Isso não é nada comparado ao treino que tive. -encostei minha cabeça em seu ombro. -E você não é tão pesada.

–Isso é um elogio? -eu ri pelo nariz e pude ouvir sua risada calma.

Eu mal levantei a cabeça quando ele parrou de correr em frente a um enorme salão de ouro.

–Mu de Áries. -Shun falou em inglês, se abaixando para me colocar no chão.

–Sejam bem-vindos a minha casa. -um homem alto de longos cabelos roxos se aproximou de nós.

"De onde diabos esse demônio surgiu?" -minha consciência gritou assustada.

–Gostaria que me liberasse a passagem por sua casa para que eu possa levar minha noiva a casa de virgem. -Shun se aproximou dele e eu fiz uma pequena reverencia.

–É um prazer conhecê-lo senhor Mu, eu me chamo Lopes Anna Lyana, me perdoe por meu inglês ruim. -ele me sorriu cordial.

"Eu avisei para estudar inglês com mais afinco, mais não, quem liga para estudar inglês quando se está no Japão" -se eu pudesse me chutar, o faria com toda certeza.

–É um prazer conhecê-la senhorita Lopes, estávamos a sua espera. -olhei para Shun em uma pergunta muda, mas esse estava concentrado no cavaleiro a sua frente. -Podem passar.

Shun me estendeu a mão e agradeceu a Mu, eu a segurei e ele logo me tirou dali, atravessando aquele imenso salão.

–Eu avisei que viríamos, e Mu prometeu que nós explicaria melhor tudo, mas por hora você precisa comer algo e descansar. -concordei.

Passamos pela casa de Touro, onde o cavaleiro Aldebaran não nos deixou passar sem antes comermos com ele. Segundo ele, eramos os únicos brasileiros ali (eu e ele), e ele não me deixaria ir embora sem me mostrar que ainda tinha a educação calorosa de nosso país, ou seja, nos empanturrar de comida tipica – não que eu esteja reclamando amei comer goiaba e caju depois de tanto tempo – do Brasil.

Depois de me empanturrar, eu mal conseguia andar, e quando Shun se ofereceu para me carregar novamente não me fiz de rogada e prontamente aceitei, dormindo quase que instantaneamente com a cabeça encostada em seu ombro.

Acordei e me vi deitada em uma cama de casal em estilo dossel enorme. Me levantei e percebi que vestia a mesma roupa da viagem, mas estava sem as botas. Coloquei o pé no chão e o levantei quase que instintivamente pois este estava frio. Olhei ao redor e encontrei as malas vazias encostadas a um guarda-roupa de casal, e foi para ele que me dirigi. Minhas roupas e as de Shun estavam organizadas ali, separadas pelas cores. Peguei um vestido rodado branco e abri uma gaveta, e na primeira encontrei minhas peças intimas. E só ai me dei conta de que Shun as tinhas colocado ali. Eu com toda certeza estava com vergonha agora.

O quarto tinha duas porta, então optei pela que ficava ao lado direito da cama e ao abri-lá encontrei o "banheiro", aquilo era uma casa de banho isso sim. Tinha uma piscina redonda e a água parecia borbulhar, uma piscina termal com toda certeza. Tirei a roupa colocando-a no cesto de roupas e pendurei as que tinha levado. Aproveitei o banho relaxante o máximo que meu corpo me permitiu.

Apos me arrumar me dirigi para a outra porta e segui pelo corredor que me levou para uma sala anexa onde encontrei Shun jogado no sofá, esse sorriu para mim e me indicou a cadeira de espaldar a frente dele.

–Você está diferente. -seu cabelo parecia um pouco menor.

–Eu cortei um pouco depois que acordei. Você dormiu bem?

–Tanto que só acordei agora.

–Vamos tomar café? -oi café?

–Claro.

–Depois de comermos teremos de ir ao salão do grande mestre, eles vão nos explicar tudo lá.

O segui para comermos, rezando para conseguir enfiar algo em meu estomago, pois o nevosismo estava me matando. Não que antes eu não tenha pensado em tudo sobre ser noiva de Shun, na verdade agora a ideia me parecia ser até aceitável, mais está ali e o vê utilizando seus poderes tornava as coisas tão mais real que me assustava.

–Shun? -segurei sua jaqueta e me escondi atrás dele, quando este parou para me olhar.-O que ser sua noiva realmente significa? -ele se empertigou e sugou o ar provavelmente desconfortável.

Essa com toda a certeza não seria uma pergunta fácil de responder.