-Como assim? -ele tentou se virar e eu me escondi mais. -Vão nos...

-Eu sei que vão nos explicar tudo hoje, mais quero saber de você, o que eu significo para você? O que você espera de mim Shun, eu não tenho nada para te oferecer, você é um cavaleiro de ouro... -não consegui segurar o sentimento angustiante que crescia em mim, eu precisava de respostas, eu tinha um medo crescente do que viria a seguir, do que descobriríamos. Shun girou o corpo rapidamente e eu quase cai, mas ele me segurou antes que o pensamento perpassasse minha mente, e me abraçou prendendo-me em seus braços prevendo que eu tentaria escapar.

-Olhe para mim Anna. -eu tentei me esconder no seu peito, não queria olhá-lo. -Por favor, olhe para mim. -ele esperou até que eu criasse coragem para fazer o que ele me pedia.

-Você me ofereceu de bom grado mais do que qualquer outra pessoa nesse mundo. -ele encostou nossas testas. -Me confiou sua vida, e mesmo sabendo quem eu era se dispôs a ficar ao meu lado.

-Mas... -ele se inclinou mais e me trouxe para si.

Ele mordeu meu lábio inferior e quando gemi ele encostou nossos lábios e explorou com sua língua minha boca sem me pedir permissão. Ele e a lento, uma ladino explorando uma caverna em busca do tesouro ali escondido, procurando em suas paredes qualquer resquício de uma pista que lhe indicasse o caminho para o que queria, sem deixar de se sentir euforia pela aventura que se seguia. Ele foi calmo, carinhoso em todos os sentidos, em determinado momento uma de suas mãos foram parar em meu rosto alisando-o como se quisesse senti-lo ainda de olhos fechados, enquanto a outra me apertava firmemente contra si. Eu não lutei, e por que lutaria? Eu o queria, eu queria senti-lo, explorá-lo da mesma forma que ele fazia comigo, conhecer cada parte de si, e me perder na imensidão do seu ser.

Quando ele enfim separou nossos lábios ambos respirávamos com dificuldade.

-Eu acho que me apaixonei por você. -eu não imaginava que meu coração ainda pudesse bater mais rápido do que já batia, mais Shun me provou o contrario disso quando sua frase o fez ficar louco, ensurdecedoramente louco. -Não por ter sido destinada nem nada, mais por ser você Anna.

Ele estava visivelmente envergonhado, mais nem por isso me deixou de sorrir, e em momento nenhum sua voz falhou, pelo contrário, ela parecia mais firme e rouca do que nunca.

"Sexy, deliciosamente sexy" -minha sanidade foi pro inferno com toda certeza.

-Acho que eu também... -minha voz saiu tremida, culpa de meus lábios que tremiam sem parar, como se sentissem falta do calor da boca dele.

Ele me sorriu terno, e fez que sim se aproximando de mim novamente, mais parou de repente.

-Temos "visitas". -disse me soltando, mas quando fiz menção de me afastar ele se colocou a minha frente me impedindo de fugir.

-Shun precisamos ir a sala do grande mestre. -uma voz estridente gritava e eu podia ouvir vários passos, como se muitas pessoas estivessem vindo por ali. -Ai não me bate Hyoga maldito.

-Deixe de escândalos Seiya, Shun não é surdo nem lerdo para você ficar gritando, ele com toda certeza sabe que estamos aqui. -Aldebaran e Mu vinham com mais 3 homens, dois loiros e um moreno, o loiro de olhos azuis penetrantes ralhava com o moreno que caminhava displicente com as mãos atrás da cabeça, todos vestiam um tipo de armadura reluzente, de ouro?

"Não retardada de platina! Esta na cara que são cavaleiros de ouro como o Shun" -queria bater em minha testa pela burrice.

-Bom dia Shun, poderia nos permitir a passagem por sua casa? -perguntou o loiro de longos cabelos crespos, e só aí que eu percebi que Shun estava a minha frente bloqueando a visão deles sobre mim.

-Bom dia Kanon, podem passar, eu chegarei lá em alguns minutos.

-Não esqueça de que a Anna deve lhe acompanhar. -Mu disse num tom sério que me assustou e eu instintivamente me escondi mais.

-E onde está minha cunhadinha, estou louco para ver se ela tem... -o moreno desenhou um corpo esguio no ar e mordeu o lábio inferior, mais antes que terminasse Aldebaran lhe deu um tapa na cabeça. -Parem de me bater, isso doí.

-Mais respeito Seiya, Anna é uma menina ainda, e é a noiva de Shun. -eu ri com a cena, e acabou que isso chamou a atenção de todos para mim.

-Bom dia... -disse tímida, e Shun ria do meu constrangimento. -É um prazer conhecê-los. Senhor Aldebaran e senhor Mu, é um prazer revê-los.

Eles me cumprimentaram e me apresentaram Kanon de Gêmeos, Hyoga de Aquário e Seiya de Sagitário, e percebi que Seiya fez o possível para conter seus comentários sobre mim. Eles saíram logo em seguida nos deixando ali.

-Você precisa comer antes de irmos, vou te deixar na cozinha e vou vestir a armadura.

-Não estou com fome, na verdade acho impossível comer algo com meu estomago embrulhando de nervosismo. -disse sincera.

-Não tem porquê ficar nervosa, eu estarei lá com você, e no mais será apenas uma conversa. Mas se não quer comer tudo bem, podemos ir lá e acabar logo com isso. -ele se afastou um pouco de mim.

-Pode ir colocar a armadura, eu espero aqui. -ele se afastou mais 3 passos e me sorrio maroto.

Um brilho reluzente o envolveu e eu tive de fechar os olhos por que este estava me cegando, mais quando este diminuiu e eu consegui abrir os olhos, meu queixo caiu.

"PQP que homem... Não baba desgraça, não baba, olha a vergonha"

Ele vestia a armadura de ouro e me sorria sapeca.

-Exibido. -cruzei os braços em frente ao corpo e fechei a cara, enquanto ele ria vindo até mim, e sem me dizer nada me colocou no colo.

-Você estava com pressa, e essa é a única maneira de vestir a armadura, ela só responde ao meu cosmo. -ele se inclinou beijando meu rosto enquanto me ajeitava em seus braços, e rir quando sua franja fez cocegas em minha bochecha.

Passamos por todas as outras casas e em nenhuma Shun parou para pedir passagem - já que não haviam ninguém nessas - estavam completamente vazias, o que me fez imaginar que todos já estavam a nossa espera.

Paramos em um tablado de mármore branco onde todos estavam em respectivas pontas, e logo percebi que cada um estava em pé em cima de um simbolo de signo, o signo respectivo de sua casa.

-Bem vinda criança, eu sou Shaka, antigo Cavaleiro de Ouro de Virgem, e atual Grande Mestre. -um homem vestido com uma capa preta estava ao centro, e me dei conta que não o tinha visto antes por causa do rosto da estatua de Atena que flutuava atrás de si. -Peço que fique no centro e se apresente para nós.

Engoli em seco. E Shun me colocou no chão, olhando para todos ao redor.

-Vá, eu estarei no meu lugar, não precisa se preocupar, ninguém aqui ira machucá-la. -mas algo em sua voz me fez desacreditar em suas palavras.

-O que está havendo aqui, para quê essa formalidade toda por uma simples garota? -um homem se postou do meu lado me fazendo pular de susto.

"Quem sumonou esse demônio? Cruzes" -arfei com o susto e tive de me segurar para não fazer o sinal da cruz, Shun ainda me segurava com seu braço.

-Ikki-nisan. -Shun quase gritou animado.

-Ikki de Leão, como sempre atrasado. Siga para o local destinado a sua casa, logo você, assim como todos entenderão a real complexidade dos fatos. -Ikki rangeu os dentes e eu podia jurar que ouvi um rosnado, então quase que imediatamente cada um de nos seguiu para o local a nós designado.

Só havia mais uma pessoa ali a qual eu não havia sido apresentada, o cavaleiro de Libra (reconheci pelo simbolo no chão que designava sua casa), e este me analisava com um olhar de pena, e isso me fez ter ânsia, e nunca fiquei tão agradecida por não ter comido.

-Lopes Anna Lyana, brasileira, 17 anos, terceiro ano do ensino médio. -eu estava tão nervosa que não sabia o que dizer, falei em inglês, talvez por todos ali terem usado essa linguagem.

-Senhorita Lopes, você foi a única a enxergar além do feitiço imposto ao cavaleiro de virgem, sabe o que isso significa? -Shaka se aproximou, e seus longos cabelos loiro quase arrastavam no chão, mão não tirava o brilho esplendoroso daquelas cascatas loiras que eram tão belamente banhados pelo sol. Quanto mais ele se aproximava mais eu me via perdida em sua fisionomia esguia, mais nada me perturbou mais do que seus olhos sempre fechados.

-Que eu fui a escolhida para ser a noiva de Shun. -disse o que para mim era mais que óbvio.

-O óbvio é a verdade mais difícil de se enxergar criança. -ele parou a minha frente e colocou a mão em minha cabeça fazendo um pequeno cafuné, e eu me arrepiei com o pensamento de que aquele homem poderia ler minha mente. -Você foi escolhida pelos Deuses para seguir ao lado de um cavaleiro, não necessariamente ao cavaleiro a quem encontrou. -meu estomago despencou. -Você é uma das poucas humanas que nasceram com o dom de carregar um filho de um cavaleiro, você foi moldada pelos Deuses e como tal não é obrigada a servi a nenhum, e por isso todos a querem. Entende o que isso quer dizer? -eu chorei em um silencio angustiante. -Por nossas leis, o Cavaleiro que a encontrou é o cavaleiro com quem ira viver se assim você desejar, mais você não poderá mais atravessar os portões para Terra, não poderá mais sair do santuário. -eu me afastei dele. -Sua existência poderá trazer guerras, pois os outros cavaleiros serventes a outros deuses a irão querer para si. -meu corpo tremia e me vi me abraçando com a falta de possibilidades a minha frente.

-Eu não entendo... por que? Porquê assim? O que eu poderia oferecer além de vê-los como realmente são? -ele me sorriu como se fosse exatamente isso que ele esperasse que eu perguntasse.

-Você tem um poder que nem um de nos nós possuí, nem mesmo os Deuses. Seus olhos podem ver através de qualquer magia, ou seja, você poderia ser usada como arma de guerra, encontrando não só cavaleiros, mais seus lugares de treinamento e até as portas que levam aos Santuário de outros Deuses, dando a chance para que cavaleiros os matem em seus sonos de descansos ou eternos. -Wow foi a primeira coisa que ouvi, seguidos de suspiros e puxadas de ar daqueles ao meu redor. -Quando enviamos os cavaleiros de ouro para a Terra não tínhamos o real intuito de encontrá-la, até porque sua existência não passava de uma lenda, mas agora devemos fazer o possível para evitar que você caia em mãos erradas. Por isso espero que entenda que a partir do momento em que entrou aqui você fez sua escolha, pois daqui jamais poderá sair...

-NÃO... -gritei e sai correndo sem rumo.