Deitada no escuro do quarto, com apenas o som tranquilo de sua respiração em minha nuca e o calor de seu corpo no meu a me aquecer, me pego a pensar que mesmo agora depois de tanto tempo casados, eu ainda acordo de madrugada, no mesmo horário que acordaria para ir ao colégio. Sei que nesse momento um sorriso esplendoroso ilumina meu rosto, pois a meses já não sou a mesma menina, a meses que sou uma mulher casada. Não me entendam mal, eu não estou reclamando de nada, eu seria a pessoa mais idiota do mundo se o fizesse, contudo é impossível não lembrar das pequenas coisas que aconteceram no percurso até aqui. A nossa primeira noite de amor e todas as que se seguiram a essa, e a nossa primeira briga de casal, há a nossa primeira briga, como me esquecer de algo tão inusitado, e apesar de no momento eu querer "esganá-lo", tudo que sinto agora com a lembrança é uma imensa vontade de abraça-lo e ama-ló mais.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Quando Shun gemeu apertando fortemente minhas nádegas eu sabia, mesmo sem olhar para seus olhos - que geralmente se iluminavam - que ele tinha alcançado seu ápice, e mesmo assim não parei de rebolar sobre seu membro duro, eu queria prolongar o máximo possível aquele prazer, não para ele sinto dizer, mais para mim, porque eu juro, não importava quantas vezes eu o tivesse, eu o desejava mais e mais.
Mas algo sempre me incomodava, desde a nossa primeira vez ele não havia mais tomado a iniciativa de me tocar, não, ele nunca me negou seu corpo ou correspondeu menos as minhas investidas, pelo contrário, ao menor toque meu, ao menor sinal de desejo, mesmo um beijo mais exigente já o fazia me corresponder com prazer, mas era sempre eu que começava algo. Na primeira semana de casados ele mal me tocou, e sempre que o fazia era com um zelo excessivo, e até eu notar que ele precisava de alguma demonstração da minha parte para termos algo mais intimo, foi no mínimo frustrante, não que agora, quase um mês depois eu esteja menos frustrada.
-Ikki vem jantar aqui. -eu disse com a cabeça encostada em seu ombro puxando a ar com força, eu estava muito cansada.
-Quer que eu prepare o jantar? -ele beijou o topo da minha cabeça enquanto eu afirmava na esperança de que se não falasse mais, poderia voltar mais rapidamente a respirar tranquila. -Algo especial?
-Não, ele só disse que a comida dos serviçais era uma "merda". -Shun riu leve enquanto eu saia de seu colo e tentava firmar minhas pernas tremulas no chão. -E sei que ele ama sua comida, apesar de jamais admitir tão abertamente quanto eu. -ele segurou minha cintura me ajudando a manter o equilíbrio, e foi impossível não notar a vermelhidão de seu rosto. -Então, entendendo o pedido mudo dele, eu o convidei para comer aqui, você não se importa não é? -perguntei rindo e ele ficou mais vermelho.
"Tadinho, maldade" -minha consciência me repreendia.
-Não... -disse num sussurro.
Todos os cavaleiros de ouro, sem nem mesmo uma exceçãozinha apareceram na manhã seguinte ao nosso casamento, e vinheram nos parabenizar, e claro trazer os seus presentes. E mais surpreendente do que isso, foi a quebra de paradigmas que eu mesma tinha me imposto sobre eles, pois diferente do que eu esperava eles eram completamente loucos, com a exceção de Mu, todos os outros tem "probleminhas", e imaginem-me perdida no meio de um bando de homens gaiatos e extravagantes. Então sim, eles nos obrigaram a comemorar o dia inteiro, e a bagaceira foi geral, e como meu ilustríssimo amigo e conterrâneo Aldebaram bem frisou, foi uma festa "digna de brasileiros", com direito a várias bebidas e bêbado vomitando o banheiro - vulgo Seiya.
Agora tenho uma opinião bem diferente de cada cavaleiro de ouro, e querendo ou não, eu os cataloguei cada um com um adjetivo; Hyoga é sincero (sempre curto e grosso), juro que posso ouvi-lo dizer um "foda-se" sempre que lhe incomodam. Kanon é estressado, se irrita sempre, aprendi a nunca perguntar algo sem pensar (ainda me pergunto como Seiya não perdeu a cabeça de tantos tapas que leva). Mu é culto, o tipico erudito a quem pedimos conselhos sempre. Dohko a quem fui apresentada naquela manhã como sendo o cavaleiro de libra é calmo (só não o deixe bêbado, ele tem anos de piadas para contar, e isso pode acarretar uma dor no estomago, eu sei bem o que é isso). Seiya, o cínico, puts, nunca conheci alguém tão divertidamente cara de pau, mas amo conversar com ele, e claro, sem contar que Shun parece ter um leve ciúme desse, nada de mais, apenas vive com aquele olhar envergonhado como quando se é pego no flagra observando a conversa alheia. E por fim, mas não menos importante, Ikki, meu amado cunhado, ele sim foi difícil de definir, pois no começo mal falava comigo, mais como uma boa irritante que sou, o infernizei, não só por ele ser irmão de Shun, mais por que ele era muito quieto e frio. Sempre que o encontrava, seja no mercado ou mesmo quando resolvia dar um passeio entre as casas, eu o chamava para comer conosco, e apesar de no começo ele vir mais por obrigação, agora ele vinha mais pela companhia. Por algum motivo ele acabou se apegando a mim, e talvez, eu seja a única pessoa em todo o Santuário com quem ele conversa por mais do que alguns minutos, mesmo que na maioria das vezes ele só me escute falar feito uma matraca. Então no fim eu defino Ikki como sendo carinhoso, não, ele não é como Shun que demonstra seu amor, na verdade, Ikki sempre esconde por detrás de uma muralhara fria todos os seus sentimentos, mais eu sei, na verdade é só observa o cuidado que ele tem com o irmão e com tudo que faz, o carinho implícito a sua volta.
-Vou tomar um banho e volto para te ajudar no almoço.
Sim eu estava atacando meu delicioso marido na cadeira da cozinha.
-Tomarei também, mais fique no nosso quarto que irei para o de hóspedes. -concordei animada saindo da cozinha logo apos e me dirigindo para o quarto.
"Um banho gelado, porque pqp que calor!"
- "Calor é, seiiii"-ri enquanto entrava no banheiro.
"Kyaaa, tarada! Eu estava me referindo a temperatura atual sua ninfomaníaca" -gargalhei e dei graças por está sozinha ou me achariam uma louca.
Depois de tomar banho, vesti uma saia e uma regata preta (realmente estava calor), resolvi que preferia ficar descalça e me dirigi saltitante para a cozinha, mais me controlei ao ouvir risadas, e mesmo sem querer acabei "fechando a cara" antes de adentrar o local.
Sim, eu sabia quem era, e sim eu não gostava de sua presença em "minha" casa.
-Sério Shun? -sua voz parecia idolatrá-lo.
-Sim June, depois é só deixar dora e pronto. -Shun virava algo na frigideira (pelo cheiro era peixe), e June estava em cima dele, estava tão colada que seu seio encostava de leve no braço dele. -eles riam leves.
"Teremos piranha para o jantar?"
Shun estava sem camisa e seus cabelos assim como os meus estavam molhados, me dando a entender que ele tinha acabado de sair do banho também.
-Estou atrapalhando? -ambos se viraram para mim, mais diferente da loira que tinha a mascara no rosto me impedindo de ver suas feições, Shun possuía uma cara de surpresa ao me ver ali.
-Não, Shun só estava me explicando como deixar o peixe mais dourado sem queimar. -olhei para ele que confirmou e ambos se olharam e sorriram como se tivessem um segredo.
-Não sabia que precisava ficar sem camisa para assar peixe. -levantei uma sobrancelha desafiadora, e Shun ficou pasmo. -Não é educado receber visitas assim. -aponte para seu corpo, e ele sorriu envergonhado.
-Anna, quando a June chegou eu havia acabado de sair do banho, e já que ela estava aqui eu a convidei para almoçar conosco, e aproveitei para lhe ensinar algumas coisas, já que ela nunca foi lá a melhor das cozinheiras. -eles riram.
-Não se preocupe, eu não me incomodo de vê-lo sem camisa, crescemos juntos lembra. -sua voz estava tão animada que eu tive de me segurar para não partir para cima dela.
-Sei bem disso, mais ainda sim é desrespeitoso. -sibilei olhando diretamente para ele. -Ou será que eu deveria receber as pessoas aqui sem camisa também?
-Anna, deixe de... -ele deu um passo a frente e eu me virei para sair.
-Estou vendo que não precisa da minha ajuda, com licença. -sai pisando firme e o ouvi se desculpar e me seguir.
Entrei no quarto e bati a porta com tudo, mas essa logo foi aberta de novo.
-O que deu em você? -ele perguntou aflito.
-O que deu em mim? Tá me sacaneando Shun? -virei exasperada e o olhei firme. -Sério que eu tenho tanta cara de idiota assim?
-Por Atenas, do que você está falando? -ele passou a mão no cabelo nervoso. -Nós somos só amigos, e...
-O INFERNO. -gritei. -Ela estava quase se jogando em você.
-Você está vendo coisas. Estávamos apenas conversando, e...
-Você ainda a defende? -rir com escarnio. -Quer saber. FODAM-SE. -ele deu um passo em minha direção.
-Pare com isso agora. -sibilou frio, me encarando com raiva contida.
Me virei e sentei na cama ficando de costas para ele.
-Anna eu estou falando com você. -seu tom frio me angustiava mais eu não voltaria atrás.
-Eu não tenho nada para falar com você. -disse tentando soar calma. -Mas me faça um favor. Vá para o inferno e leve sua diaba particular com você.
Ele pisou duro vindo em minha direção, mais parou e deu meia volta.
"Ann Shun" -eu estava sendo maldosa? Estava, e daí?
- "Ele mereceu!"
"Mais você pegou pesado!"
- "O quê? Ela estava dando em cima dele descaradamente."
"Você viu as coisas assim, mais e ele?"
- "Ele? Para ele aquilo era uma conversa de amigos. Em que mundo aquilo era uma conversa de amigos?"
"Não estou dizendo que você está errada, apenas que se quer delimitar um território precisa avisar ao dono, ou seja, você precisa dizê-lo diretamente, e não ser uma completa idiota."
- "Eu fui idiota? Ele trouxe a louca que tentou me matar para dentro de minha casa e fica de conversinha com ela na cozinha, sem camisa, e quer que eu aceite isso de boa?"
- "Primeiro a casa é de vocês e ele pode trazer quem quiser. Segundo, eles são amigos e ela já te pediu "desculpas" por tentar te matar -legal isso cara. Terceiro, você foi idiota por mandá-los se foder, não ela, não ele, mais ambos. Então trate de engolir esse seu orgulho idiota e seja mulher para ter uma conversa clara com seu marido, e não ficar emburrada como uma pirralha chata"
Tá depois desse chá de "simancou" eu resolvi ficar quieta. Sai da cama e fui para a mesinha de estudos e comecei a ler um livro. Não, eu não iria jantar com eles, eu ainda queria enfiar uma faca na loira, e provavelmente minha presença só iria piorar as coisas entre eu e Shun, e convenhamos, depois de como eu o irritei seria melhor dá um tempo a ele.
Parei de ler aquele livro de contos quando minhas costas começaram a doer, então fui para o guarda-roupas e coloquei uma camisola de algodão, e me dirigi a minha penteadeira, e foi nesse momento que ele entrou no quarto. No primeiro momento ele olhou para cama, e não me encontrado lá vasculhou o quarto ainda da porta, e quando me viu travou a mandíbula e entrou. Pegou uma roupa e a trocou, e eu me peguei perguntando em qual momento ele tinha vestido a camisa.
"Ele realmente não saiu sem camisa do quarto? Cara isso que é moral! CHUPA JUNE!" -eu comemoraria depois, por hora precisava concertar as coisas entre nós.
Shun fez menção de ir para a cama, contudo eu me levantei e toquei seu braço.
-Shun... -mordi o lábio, e ele esperou, mais não me olhou diretamente. -Meus pais me ensinaram desde cedo...
-Seus pais? -ele disse quase num tom de deboche e aquilo me machucou, e instintivamente me afastei dele. -Desculpe. -ele passou a mão no cabelo com raiva e eu respirei fundo.
-Meus pais me ensinaram desde pequena que um casal não deve ser deitar com raiva um do outro, nem nunca sair de casa sem um beijo desejando um ótimo dia. -ele enfim me fitou. Agente nunca sabe se vamos acordar na manhã seguinte, nem se quando saímos iremos voltar. Então esses pequenos gestos nos impedem de nos arrependemos pelo resto de nossas vidas por algo de momento. Por isso por favor, eu gostaria de seguir ao menos esse ensinamento deles. -ele suspirou, e fez que sim.
Sentei na ponta da cama brincando com os dedos e esperei que ele sentasse também para começar.
-Acho que te pedir desculpas não ajuda em nada nessa situação. -ele me olhava impassível. -Mas mesmo assim eu vou fazê-lo... Sinto muito por ter gritado com você, e por ter te mandado se foder e ir para o inferno. -disse constrangida e seus lábios se comprimiram num meio sorriso. -Mas não irei me desculpar por ter agido daquela maneira na cozinha. -ele bufou. -Não é certo que você ande sem camisa pela casa quando temos visitas. O que eu não quero para mim eu não faço com os outros, certo?
-Certo e eu sinceramente não discordo disso. Só que entenda Anna, em nenhum momento eu pensei que você se ofenderia tanto por isso, e sinto muito mesmo por faze-ló, mais isso não é desculpa para a forma como você tratou a June. -ele apertava uma mão na outra.
-Ela estava quase se jogando em cima de você, como você reagiria se fosse o contrário?
-Eu não tiraria conclusões precipitadas com toda certeza, por que eu confio em você. -ele me respondeu tão calmo que me senti mal. -Eu jamais trairia você, eu não sou esse tipo de pessoa, além do mais eu sempre vi a June como uma irmã.
-Mas ela não pensa assim sobre você. -bufamos juntos. -Eu não gosto dela, ponto.
-Você nem a conhece. -ele jogou. -Nunca a deu uma chance de se aproximar. June não daria em cima de um homem casado Anna, eu conheço o caráter dela. -me controlei para não xingá-lo por me vir com uma desculpa tão esfarrapada. -Porquê você está tão insegura? Porquê não acredita em mim? Por acaso eu lhe dei algum motivo para isso? -ele perguntou sincero.
"EITA DR DO CARALH... Pera que vou buscar pipoca!"
Respirei fundo. Ele estava certo, eu estava insegura. Mais como eu diria a ele isso, como eu diria que tinha receio de que ele não me desejasse. Eu não aguentaria olhar em seus olhos e vê-lo se sentir culpado por não me desejar.
-Olhe para mim Anna, olhe e me diga o que realmente está acontecendo. -ele segurou minhas mãos e só ai me dei conta que essas tremiam. -Lembra que prometemos ser sinceros um com o outro para que esse casamento desse certo.
-Sim... -senti as lágrimas mesmo sabendo que eu não devia chorar.
-Eu fiz algo tão ruim assim? -ele perguntou quase em desespero. -Ei... Me diga o que está acontecendo Anna. -comecei a chorar -Deuses... -ele me puxou e me abraçou. -Por favor Anna, me conte... -ele esperou que eu me acalmasse antes de me solta e me fitar angustiado.
-Você não me deseja. -afirmei respirando fundo e ele pareceu confuso. -Eu não sinto que você me deseja como mulher.
Ele me olhou e ficou abrindo e fechando a boca sem conseguir formular uma frase.
-Eu não estou reclamando nem nada, já que você cumpri seu papel e sempre bem... -fiquei envergonhada.
-Por Atena, de onde você tirou isso? -ele apertou minhas mãos nas suas. -Anna eu... eu te desejo... te desejo loucamente. -ele estava vermelho. -Por que você pensa que não... que eu não te desejo?
-Você nunca tenta nada além de me beijar. -pronto, eu disse.
-Me desculpe. Droga Anna, eu realmente sinto muito... Me perdoe por ser um completo covarde e fazer você passar por isso. -Shun puxou minhas mãos e beijou carinhosamente suas costas. -Depois da nossa primeira vez. -ele olhava fixamente para nossas alianças. -Eu fiquei com medo de te machucar, de não me controlar e acabar te machucando. Eu não tinha me dado conta até você me contar sobre meus olhos, então eu não sabia o que fazer.
-Ô... -foi tudo que consegui dizer.
-Eu tenho medo de machucar você Anna, porque... -soltei minhas mãos das suas e dei um peteleco em sua testa e ele ficou me olhando sem entender aquilo.
-Baka. Se tivesse me dito antes eu não pensaria tanta besteira. -ele murmurou um desculpe abafado. -Você não vai me machucar Shun! -sentenciei.
-Você não...
-Isso com toda a certeza acontece com todo cavaleiro. Você só começa a realmente a se descontrolar quando está gozando, o que é uma reação normal do seu corpo, assim como os meus olhos se dilatam e ficam mais escuros, os seus brilhas mais fluorescentes. -eu rir de seu constrangimento. -Se não fosse assim, não sobraria uma esposa nesse Santuário. -ele ainda me olhava preocupado. -Se dúvida façamos um teste. Você não se controla e se eu sentir qualquer dor, por mínima que seja, eu te paro, tudo bem?
-Anna. -ele parecia ainda ter medo.
-Só saberemos se tentarmos. -me aproximei o beijando. -Eu confio em você amor.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Desde aquele dia as coisas não foram mais as mesmas. Não, eu não fiquei amiga da sonsa da June, mais por Shun eu a suporto educadamente, eu tento juro. Ikki me infernizou por dias para saber o que eu tinha feito para que Shun ficasse com tanta raiva, segundo ele, o irmão olhava para a comida como se essa tivesse ofendido sua mãe – palavras dele. Eu ri muito. Com Shun as coisas ficaram mais profundas, ficamos cada dia mais ligados um ao outro. Sempre conversamos, sobre tudo, e apesar de no começo termos vergonha e até um pouco de receio, no fim adquirimos confiança mutua para se abrir cada dia mais. Mesmo assim eu sei que tem muita coisa sobre ele que eu ainda não sei, muita coisa que como ele mesmo diz, não está pronto para falar e depois da nossa ultima conversa eu aceito isso tranquilamente.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
-Deixa vai Shun... -pedi fazendo bico.
-Não me olhe assim Anna. -ele cruzou os braços insatisfeito.
-Por favor, por favor, por favor vaiiiiii. -pulei agarrando sua cintura, e ele segurou firma a única peça que escondia sua intimidade de cair, a toalha.
-Anna isso não vai dar certo. -ri marota.
-Se você deixar prometo que te deixo fazer o mesmo comigo depois. -o virei para mim, e vi um leve sorriso se formar em seu rosto, e em poucos minutos suas bochechas ganharam a coloração avermelhada, e eu sabia que enfim tinha ganho aquela disputa. -Quando, onde e como você quiser gatinho. -sussurrei em seu ouvi, então ele se afastou e sentou na cadeira.
-Tudo bem. -disse tão baixo que eu mal ouvi, mais gritei em comemoração enquanto ele passava a mão pelo rosto envergonhado. -Mais eu não vou sair de casa. -confirmei feliz.
Corri para nosso guarda-roupas e escolhi a roupa para ele, sim, toda essa confusão era por que eu encasquetei que queria ver Shun vestido de uma forma mais dark e com o cabelo em estilo Samurai, ou seja, preso em um rabo de cavalo, e porque hoje? Simples, hoje iriamos fazer um pique-nique em baixo da nossa árvore para comemorar a chegada da primavera, e claro, eu tinha uma surpresa para ele, por isso precisava de um tempo sozinha na cozinha.
Terminei de arrumar seu cabelo e quando ele começou a trocar de roupa eu escondi o pequeno embrulho saindo de fininho do quarto, e após fechar a porta corri para a cozinha e encontrei a cesta que Shun havia preparado para levarmos, e escondi o embrulho preto no meio desta. Não demorou muito para Shun chegar e pegar a cesta sorrindo, e ambos nos dirigimos para o jardim que agora estava mais florido do quê antes, tinham até algumas borboletas ali, e eu podia ouvir alguns pássaros também. Forrei o chão para que nos sentássemos, e Shun começou a retirar as coisas da cesta. Meu coração batia descompassado pela ansiedade, sem falar que olhá-lo com aqueles cabelos e aquela roupa de menino roqueiro era de dar água na boca.
-Foi uma boa ideia não sairmos hoje, eu realmente entendo o porque de você querer está aqui, mais deveríamos ter convidado os outros. -eu tinha sido firme em passar aquele tempo a sós com ele, não só para vesti-lo, claro. -O que é isso? -ele pegou o embrulho e me olhou curioso.
-Um presente para você. -sorri abertamente, e ele me olhou confuso. -Abra. -ele encostou as costas na árvore e eu sentei no meio de suas pernas ficando de lado para ter uma boa visão de seu rosto, eu não queria perder nada daquilo.
-Quando você comprou isso? -ele perguntou desconfiado.
-Ante ontem, eu vi numa loja do mercado e enquanto você achava que eu estava no banheiro, eu entrei nela para comprar. -sorri sapeca enquanto ele fez uma careta de desagrado. -Desculpa mais eu queria fazer uma surpresa para você Shun.
Ele por fim tirou todos os papeis que cercavam a caixa e a abriu, meu coração batia loucamente, e quando a caixa foi totalmente aberta ele me olhou sem entender, e pegou o presente com cuidado e os colocou na palma da mão. Os sapatinhos verdes mal cabiam em sua mão de tão pequenos, e quando esta tremeu eu soube que ele tinha entendido.
-Anna... -ele respirou com dificuldade, lágrimas começaram a cair e ele me cercou com a outra mão, e com um cuidado tocou minha barriga.
-Eu queria que você fosse o primeiro a saber. -disse baixinho e levei minha mão a barriga também.
-Desde... quando? Descobriu... tempo... Anna -ele gaguejava e eu sorri leve sentindo minhas lágrimas também caírem por meu rosto.
-No mesmo dia que comprei os sapatinhos. Eu já desconfiava por isso quis ir ao médico para confirmar. -ele beijou meu rosto. -Estou com sete semanas agora, então ainda vai demorar um pouco para você me vê redondinha. -ambos rimos.
-Estou ansioso por isso. -Shun alisou meu rosto e me olhou com tanto carinho que fez meu peito se encher de um sentimento maravilhoso. -Obrigado... Anna eu não sei como te agradecer, você nem imagina como está me fazendo feliz agora. Eu não sei se riu, se choro. Tenho vontade de correr e gritar para todos saberem e ao mesmo tempo quero ficar aqui e curtir apenas com você. -ele ria e chorava e mesmo assim me beijou, foi tão brusco que nossos dentes bateram de leve nos fazendo rir ainda mais entre o beijo.
Ficamos nos curtindo assim por alguns minutos, até que ele me ajeitou entre suas pernas encostando minhas costas em seu peito, e em nenhum momento ele parou de fazer carinho na minha barriga.
-Eu não conheci meus pais, sempre fomos eu e o Ikki, e ele sempre cuidou de mim como pode, e me protegeu de todos, tanto que quando eu fui escolhido para treinar na "Ilha da Rainha da Morte" ele trocou seu papel comigo, e eu acebei indo para a "Ilha de Andrômeda". -respirou fundo e entrelaçou sua mão na minha. -Aos treze anos eu voltei para Grécia como um cavaleiro, com a ideia de que veria meu irmão e de que tudo ficaria bem, ledo engano. -ele encostou sua testa em meu ombro descansando a cabeça ali. -A partir do momento em que pisei na Grécia as coisas só pioraram, e eu perdi as contas de com quantas pessoas lutei, de quantas vezes Ikki teve de me salvar pelo simples fato de eu não querer matar o inimigo enquanto ele não exitaria em tirar minha vida. E por eu ser assim, eu... eu fiz... eu sou... -suas lágrimas molharam meu ombro e eu o sentia tremer todo.
-Tudo bem Shun, eu estou aqui, estamos, somos uma família agora. -ele me abraçou forte, e chorou bastante.
-Eu não quero essa vida para essa criança Anna, eu quero vê meu filho crescer como uma criança feliz, sem preocupações, sem guerras e sangue.
-E ele será Shun, nós dois garantiremos isso. -ele beijou minha bochecha.
Ficamos ali a tarde toda, conversando e trocando leves caricias, depois resolvemos preparar um jantar e chamamos nossos amigos para contar a novidade. E novamente foi aquele alvoroço. A euforia foi geral, tanto que o pobre do meu marido foi sacudido por todos, e ficou vermelho a noite quase toda por causa das piadinhas.
"Apressadinho você não, em menos de 4 meses de casados, quem te viu quem te vê em Shun" -Seiya disse e Shun não sabia onde enfiar a cara quando todos rimos, eu me sentiria mal depois por rir dele, mais a sua cara de vergonha naquele momento foi impagável.
Todavia o que me deixou mais feliz naquela noite foi quando todos começaram a se despedir e Ikki me puxou para um canto e sussurrou para que apenas eu ouvisse.
- "Obrigada por fazer meu irmão sorri de novo, e por nós dar uma família" -e antes que ele fugisse eu o abracei.
- "Eu que agradeço por me aceitarem entre vocês, e cuidarem tão bem de mim"
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
-Bom dia amor. -ele disse rouco em meu ouvido.
-Bom dia. -ele alisou de leve minha barriga que agora já estava visível, e eu sorri com esse seu habito matinal, e me virei para ele, brincando com nossos narizes o fazendo rir.
Na plenitude da felicidade, cada dia é uma vida inteira.
