-Bom dia. -ele alisou de leve minha barriga que agora já estava visível, e eu sorri com esse seu habito matinal, e me virei para ele, brincando com nossos narizes o fazendo rir. -Tô com fome. -fiz bico e ele sorriu e o mordeu.

-Manhosa. -Shun fez menção de levantar e eu o empurrei de volta para cama e subi sentando em cima dele.

-Você não me perguntou o que eu queria comer. -fiz aquela cara e rebolei em cima de seu membro que já estava duro.

Eu vestia apenas uma blusa de manga longa verde, que pertencia a ele, o que o fazia morder os lábios desejoso ao me olhar. Ele me apertou com cuidado quando sentei em cima de seu membro começando a cavalgar vagarosamente para que ambos curtíssimos o máximo possível aquele prazer. Mas quando aumentei o ritmo Shun me ajudou e ditou a velocidade das estocadas me levando a loucura.

Eu estava um pouco ofegante ainda, então ele me carregou até o banheiro, e em meio as nossas brincadeiras infantis tomamos banho. Eu ria enquanto ele desajeitadamente secava meus cabelos, por que ele mais bagunçava do que secava, o pior eram que os seus ainda pigavam tanto que uma poça começava a se formar atrás de si.

-Shun, aconteceu algo? -ele me olhou curioso. -Você recebeu uma carta ontem e só me falou que teria uma reunião hoje com os outros cavaleiros de ouro. -dei de ombros e peguei a toalha de suas mãos e passei a enxugar seu cabelo. -Só que já faz algum tempo que você e os outros parecem mais agitados, sem falar que o Ikki saiu a mais de uma semana.

-Ikki sempre sumia assim... -ele pareceu ficar cauteloso.

-Se não quiser, ou não puder me dizer é só falar, eu vou entender. -ele sorriu triste para mim e puxou minhas mãos de sua cabeça e beijou as costas destas calmamente.

-Ikki sempre sumia assim, e eu já tinha me forçado a aceitar que isso fazia parte da natureza dele, mas sim, agora eu também estou um pouco preocupado, porque desde que te conheceu ele não saia mais, e não acredito que faria isso agora que está grávida, não sem um bom motivo, conheço meu irmão o suficiente para saber o quão superprotetor ele é com quem ama. -ele brincou com uma mexa do meu cabelo bagunçado. -Por isso eu também estranhei quando ele sumiu. E aquela carta que recebi me "convidando" para a reunião de hoje com o Grande Mestre não me ajudou em nada a ficar menos preocupado. Sim Anna, eu realmente acho que algo muito errado está acontecendo.

-Será que Ikki está bem? -perguntei aflita.

-Ei.. -ele segurou meu rosto entre as mãos e beijou de leve a ponta do meu nariz e sorriu tranquilizador. -Estamos falando do meu irmão, o homem que carrega o titulo de imortal, e que é conhecido por ser o mais forte dentre os Cavaleiros de Ouro. Por isso não se preocupe, seja lá o que esteja acontecendo ele vai dar um jeito de voltar.

Shun me beijou de leve e depois alisou minha protuberante barriga.

-Me prometa que não saíra de casa enquanto eu estiver fora. -o olhei apreensiva. -Eu sei que nada vai lhe acontecer no Santuário, mas eu ficarei mais tranquilo se tiver certeza que estará em casa Anna, por favor.

-Não sairei, pode ir tranquilo Shun. -sorri e ele me largou mais sereno.

Aquela não seria a primeira vez que Shun iria para uma reunião como Grande Mestre me deixando por algumas horas sozinha, mais era a primeira que ele me pedia para não sair, até porque todos não se cansam de dizer que enquanto eu ficar dentro do Santuário estarei segura.

"Algo está cheirando mal nessa história toda"

- "Eu também acho!"

Fomos nos arrumar, cada qual perdidos em seus próprios pensamentos. Shun esperou paciente para que eu me arrumasse e fomos para a cozinha e preparamos o café juntos, para depois nos sentarmos e comermos.

-Eles estão vindo amor. -ele me abraçou por trás e beijou meu pescoço, então parei de lavar a louça e me virei para ele. -Anna... -o beijei de leve e toquei nossos narizes.

-Vá tranquilo Shun, vou ficar no quarto lendo até você chegar, prometo. -ele suspirou afirmando.

-Bom dia Anna, Shun. -disseram quase em uníssono, e eu sorri para eles me afastando um pouco de Shun.

-Bom dia gente.

-Shun, está na hora, podemos ir? -Mu vinha com Shaka e Aldebaram. -Seiya, Hyoga e Dohko já devem está nos esperando também.

-Vamos. -foi tudo que ele se limitou a dizer e quando eles passaram por nós ele beijou minha testa e alisou minha barriga. -Volto o mais rápido que puder. -fiz que sim e ele se virou indo embora.

Fui para o quarto como o prometi assim que terminei de arrumar a cozinha, e peguei um livro para ler. Quando percebi que não estava com concentração suficiente para isso, resolvi fazer "algo de futuro" e fui bordar as fraudas do enxoval do bebê, pois apesar de não sabermos o sexo - decisão nossa – queríamos tudo pronto para quando este chegasse.

Contrariando toda e qualquer expectativa que eu tivesse de ficar no quarto até Shun chegar , não tive opções quando senti uma enorme vontade de comer, sabia que deveria está quase na hora do almoço então me resignei ao voltar para a cozinha e preparar um lanche, e tal foi minha surpresa ao perceber que não estava sozinha ali.

-O que faz aqui June? -perguntei cismada, e ela olhou primeiro para minha barriga e depois para mim.

June depois de descobrir sobre minha gravidez raramente aparecia, e lembro como se fosse ontem sua cara de espanto quando um Shun todo feliz lhe contou a "novidade".

-Bom dia para você também Anna. -disse de mal humor. -Encontrei com Shun e ele me pediu para ficar aqui com você até que ele voltasse. -deu de ombros e sentou em uma cadeira, e eu fiquei patetamente ali em pé ainda tentando assimilar tudo aquilo. -Deveria se sentar, não deve fazer muito bem para você ficar em pé por tanto tempo.

-Vou preparar o almoço, gostaria de algo em especial? -ela me olhou com uma pergunta muda. -Eu não vou envenenar a comida se é isso que quer saber. -ela riu pelo nariz.

-Não, é só que é a primeira vez que me convida para comer aqui, mesmo que implicitamente. -eu peguei algumas verduras na geladeira e uma vasilha, depois me sentei na cadeira a sua frente para começar a cortar.

-Você está aqui, mesmo que a pedido do meu marido para que eu não fique sozinha, então é o mínimo que posso fazer. -falei tranquila. -Eu também recebi educação sabe! -afirmei e ela me olhou incrédula e depois acabamos rindo juntas.

-Em que posso te ajudar? -ela perguntou apontando para a vasinha de verduras que eu descascava.

Preparamos o almoço, e eu realmente devo admitir, June é uma desgraça na cozinha. Comemos uma salada com arroz e bife ao molho vermelho, e o mais estranho era que eu estava me acostumando com sua presença ali, mesmo que nenhuma de nos perdesse a chance de dá uma "corte" na outra quando tínhamos chance.

"Isso, compactue com o inimigo"

- "Mantenha os amigos perto e os inimigos mais ainda"

"Menina esperta, quando crescer eu quero ser igual a você" -revirei os olhos.

Shun chegou pouco depois com os outros, mas nenhum deles demorou ali, mesmo June mal esperou Shun chegar para se despedir – não antes de agradecemos a ela – e ir. Ele almoçou quieto, sua aparência não demonstrava nada e isso me preocupava, ele não é do tipo que esconde seus sentimento.

-Quer ir a praça hoje a noite? -ambos caminhávamos para a sala.

-Tem algo de especial hoje lá? -a praça da cidade era sempre movimentada e animada, as pessoas sempre se juntavam lá para comer e conversar, sem falar que era um dos lugares mais arborizados da cidade.

-Não, apenas achei que você gostaria de sair um pouco de casa. -sorri terna.

-Obrigada! Mas tem que ter sorvete. -disse rindo.

-Tudo que quiser. -sentamos no sofá e o olhei pelo canto do olho.

-Então a noite promete... -ri maliciosa.

Shun deitou a cabeça em meu colo e jogou as pernas folgadamente no sofá deitando por completo ali, e eu me limitei a faze-lhe cafuné, então ele fechou os olhos apreciando o carinho.

-Ikki saiu em uma missão de investigação. -ele me disse ainda de olhos fechados. -Segundo o Grande Mestre foram ouvidos relatos de pessoas estranhas rondando algumas das entradas para o Santuário.

-Alguém sabe como chegar aqui? Achei que ninguém além dos cavaleiros de Atena soubessem o caminho.

-Durante a guerra, alguém nos traiu contando aos espectros como entrar aqui. Muitos morreram por causa disso. Até onde sei não sobrou nenhum espectro, mas não sabemos se essa informação não foi passada para outros. -ele tirou a mão do rosto e abriu os olhos, levando a mão até meus rosto fazendo carinho ali. -Não se preocupe, mesmo que consigam entrar, nunca chegariam a nossa casa. -ele afirmou tranquilo ainda fazendo-me carinho. -E de qualquer forma, isso é só uma suposição amor, nada foi confirmado ainda, só fomos avisados por puro "protocolo".

Pensando por esse lado ele tinha razão, mesmo que invadissem o lugar teriam de enfrentar os cavaleiros de prata e bronze, e mesmo que por um milagre passassem, Mu e Aldebaran cuidariam deles. Posso afirmar sem nem mesmo pestanejar que como Shun, eles dariam a vida para não deixar ninguém passar por suas casas, não só por mim, mais acima de tudo por serem Cavaleiros de Ouro de Atena, e aquela era sua função ali não?!

A tarde passou rápido, e agora eu quase pulava animada enquanto nos dirigíamos a cidade. Shun me segurava pelo ombro, me apertando contra si, e eu sorria boba quando as pessoas na rua acenavam para nós.

O Santuário estava mais para uma grande metrópole, e mesmo agora depois de tantos meses eu não conhecida todo o lugar, mas as pessoas que moravam perto das doze casas (serviçais e cavaleiros de prata com suas famílias), em sua maioria já me eram conhecidas, e sempre que podia eu caminhava entre eles para conversar.

Sentamos em um banquinho da praça, e eu sorri ao vê algumas crianças brincando no parquinho ali perto, e Shun alisou minha barriga de leve.

-Logo teremos esses risinhos em casa. -ele sorriu orgulhoso. -E se ele puxar a você não vai querer parar quieto.

-Eu só espero que não puxe a você. -Shun ficou quieto, e retirou a mão de meu ventre, mas continuou olhando para este. -Por que se sim, terei de brigar para poder ficar com ele no colo já que todos vão querer segura-ló. E quando crescer, vou ter de espantar as meninas da minha porta ou você terá problemas com os meninos. -ele riu leve.

-Eu não terei problemas com isso, tudo que desejo é que ele ou ela seja saudável e feliz. -ele levantou. -Vou comprar os sorvetes, menta e creme com passas? -sorri balando as pernas em frente ao banco.

-Com bastante cobertura de leite condensado e...

Shun me agarrou com força levantando me e girando-me, e tudo que ouvi foi um ganido de dor do meu marido quando ele cambaleou comigo.

Gritos, choros e correria, eu mal conseguia focar em algo quando fui girada novamente sentindo o atrito do corpo de Shun no meu.

"Que porra é essa?"

Shun me encostou em uma árvore e se pós protetor a minha frente, e só aí eu me dei conta do caos ao nosso redor e a situação em que estávamos. Cercados, era essa nossa situação, cinco homens vestidos com armaduras escuras, quase pretas, riam maliciosamente para nos, enquanto Shun ofegava a minha frente.