Passar a tarde com meu irmão no shopping foi incrível. Como duas boas crianças que sempre fomos, a primeira coisa que fizemos foi ir direto para a ampla sala de games, e como nos velhos tempos fizemos aquele torneio de The King of Fight nas maquinas (que perdi feio), e depois fomos para o Justdance (lavei minha alma) e para acabar o bom e velho Guitar Hero, que claro, chamou a atenção de várias pessoas (eu na guitarra e meu irmão na bateria). Quando cansamos de jogar fomos comer e eu evitei piamente a loja de sorvete, e fui direto para o Subway, e enquanto comíamos obriguei meu irmão a ir comigo comprar presentes para Shun e Ikki.
Mesmo Lyon sendo quatro anos mais velho do que eu, nos sempre fomos unidos, pois sempre soubemos que só tínhamos uma ao outro. Ele sempre me ajudou a lidar com as loucuras dos nossos pais, e não imagino que tipo de pessoa eu seria se não fosse pelo meu irmão. Mas nosso jeito não era a única coisa que fazia qualquer as pessoa ligar nosso parentesco, já que nos possuíamos os olhos azuis escuros na mesma tonalidade, herdados de nosso pai, bem como os cabelos escuros herdados de nossa mãe, só a nossa tonalidade de pele estava diferente agora (já que eu estava mais branca pela falta de sol).
Quando Shun e Ikki se aproximaram de nós eu soube que tínhamos que ir.
-Anna... -olhei para meu irmão que estava tenso. -Tenho algo para te pedir.
"Lá vem bomba"
Olhei para Shun e Ikki e fiz sinal para que esperassem. Eles pararam exatamente onde estavam e Shun me assentiu.
-Pelo jeito eu já sei que não vou gostar não é? -ele suspirou confirmando.
-A mamãe quer te ver -descruzei os braços e ajeitei a postura o olhando séria, apesar de tudo eu sempre tinha amado minha mãe. -Ela quer se desculpar pelo que aconteceu, e convidou você e sua família para passarem o natal na casa dela. -mordi o lábio, eu realmente queria ir mas... -O pai disse que se quiser será bem-vinda. -meu irmão trincou o maxilar e fiquei abismada. -Parece que o velho também se sente mal, mas não quer dá o braço a torcer.
-Eu não vou prometer nada Lyon, preciso conversar com o Shun. -suspirei e meu irmão me abraçou.
-Tudo bem monstrinha, mais não vá embora sem falar comigo tudo bem?
-Você sabe que eu não faria isso. -ele me largou e depois foi até Shun e Ikki se despedindo deles.
Voltamos para o hotel e eu estava tão perdida em meus pensamentos que me surpreendi quando o táxi parou e nos descemos.
-Podemos sentar ali naquela bancadinha por um minuto, eu gostaria de conversar com vocês? -os dois que já me olhavam curiosos apenas afirmaram e então atravessamos a rua, e eles sentaram no batente da mureta que separava a areia da praia da área de corrida dos atletas. -Meu irmão disse que minha mãe nos convidou para passar o Natal com ela. -fui direta.
-E seu pai? -Shun perguntou estranhamente tranquilo.
-Segundo o Lyon meu pai disse que seriamos bem-vindos. -mordi o lábio inferior, eu queria ir, realmente queria ver meus pais apesar de tudo, mas se Shun fosse contra eu sabia que não teria argumentos para vencê-lo.
-Então passaremos o natal com sua família. -Shun me puxou para si e me abraçou. -Não é todo dia que se tem uma chance como essa não é? -o abracei mais forte.
-Tem certeza de que não tem problema? -ele beijou minha bochecha e sorriu. -E você Ikki?
-Seus pais não podem ser tão ruins, no máximo devem ser mais loucos do que você e seu irmão. No mais, eu só terei de me preparar para mais uma crise de risos.
-Ei, eu e meu irmão não somos tão loucos. -disse indignada.
-Diga isso as maquinas de jogos que vocês tentaram destruir enquanto jogavam, ou o jeito que dançavam...
-Vocês ficaram vendo? -eles se olharam e riram como nunca.
"Gente, cadê o buraco pra eu enfiar a cara em?"
Nunca passei tanta vergonha na minha vida. E claro, eles não me deixariam em paz nem tão cedo.
Os dois dias até o natal se passaram em um piscar de olhos. Eu havia levado Shun e Ikki para conhecerem vários lugares turísticos e não turísticos da minha cidade, e eles se mostraram interessados em ir em qualquer lugar que eu estivesse disposta a mostrar. Comprei presentes para todos os cavaleiros, e bastante doce de mamão com coco para Seiya (espero que ele goste), sem falar que eu não esqueceria da goma para fazer tapioca para Aldebaran.
-Deixa que eu fecho para você Anna. -Shun se aproximou e fechou o zíper do meu vestido vermelho, e beijou meu ombro se afastando.
-Obrigada. -eu estava nervosa e ele sabia disso, então apenas sentou calmamente na cama me esperando terminar de me arrumar.
Fui para o banheiro fazer uma maquiagem leve (odeio isso), e passar um perfume básico. Eu tremia tanto que tinha certeza que se Shun não me segurasse eu certamente sofreria um acidente por causa daquela maldita sandália de salto.
Shun tinha me dado um celular e o número do meu irmão, e este só faltou me deixar surda de tanto que gritou quando eu disse que compareceria ao jantar de Natal. Depois de muita bagunça ele me explicou que deveríamos chegar no máximo ás 11 horas, por que como sempre o jantar seria servido a meia noite.
Eu sabia que não seriamos só nos três de convidados, meus pais geralmente convidavam minha tia Ângela que era tão crente (e rabugenta, fuxiqueira, chata e etc) quanto eles, contudo minha cunhada Diana era a pessoa mais fofa do mundo e eu estava aciosa para a encontrar novamente.
Sai do banheiro e Shun me sorriu.
-Por favor não me deixa cair. -ele se aproximou e me estendeu o braço.
-Nunca. -falou serio e eu o agradeci. Peguei minha bolsa e o saco de presentes e saímos.
Eu vestia um vestido rodado até os joelhos e meus cabelos estavam presos em uma trança lateral, Shun e Ikki estavam usando calças e blusas de linho, só que Shun usava uma blusa preta e Ikki uma azul, ambos tinham optado por prender os cabelos em um rabo de cavalo.
Quando o táxi nos deixou em frente ao condomínio que eu conhecia como a palma da minha mão, eu juro que me deu vontade de voltar correndo para o hotel, mas quando Shun me esticou a mão para me ajudar a sair do carro eu não me vi no direito de me acovardar e aceitei sua ajuda para sair.
Atravessamos em uma caminhada lenta o caminho até a casa de meus pais, e naquele pouco tempo eu já havia visto e até cumprimentado com um aceno de cabeça algumas pessoas ali conhecidas por mim. Pessoas que eu só conhecia de vista, que nunca se importaram com nada mais do que si mesmos, pois aquele lugar de luxo era para pessoas assim, pessoas que queriam manter a "ralé" longe. Como eu odiava aquele lugar.
Levei-os até a casa 9, e quando paramos em frente a porta eu suspirei por alguns minutos antes de tomar coragem para apertar a campainha, e fiz uma nota mental de agradecer a Shun e Ikki por me darem esse tempo.
Quando a porta foi aberta meu coração quase pulou para fora, assim como minha mãe que ao me ver pulou em meu pescoço.
-Anna filha, ô meu deus que saudades de você, como você está? Onde está vivendo? O que tem feito? O que...
-Pare de fazer cena na frente de casa Anita e deixe os convidados entrarem, o que eles pensarão de nós. -abracei minha mãe forte e depois me afastei segurando sua mãe e como Shun sempre fazia comigo beijei as costas destas, deixando minha mãe surpresa.
-Benção minha mãe, pai. -disse o olhando. -Eu estou muito bem, também senti sua falta.
-Venham, entrem por favor. -a todo momento Shun traduzia para o irmão o que era dito, só que em japonês. Entramos e fomos direto para a sala, onde meu irmão já estava com cara feia e Diana parecia triste, já minha tia se sentava confortavelmente no sofá.
A sapa velha, digo, minha tia, continuava do mesmo jeito que me lembrava, gorda feito um bujão de gás e feia como um sapo.
-Mãe, Diana, pai e Tia Angela é um prazer revê-los. -disse educada, e todos me olharam. -Estes são Shun e Ikki Amamaiya, respectivamente meu marido e cunhado.
-É um prazer enfim conhecer pessoalmente a família da minha mulher. -Shun se aproximou educado e cumprimentou meus pais e eu traduzi toda a conversa deles em japonês para Ikki. -Meu irmão não fala português e já me desculpo por não dominar tão bem sua língua também.
Ikki apertou a mão de meu pai e cumprimentou cortês minha mãe, que indicou o sofá para que ele se sentasse, ele a agradeceu com um meio sorriso e foi para o sofá e Shun pegou em minha mão e sentamos ao seu lado.
Diana se levantou e arrastou meu irmão junto e se sentou do meu lado me abraçando.
-Me diga Anna como é viver em outro país? -ambas rimos cúmplices como sempre fazíamos, e eu entendi a pergunta implícita ali quando ela olhou de relance para Shun.
-Maravilhoso, o Shun e o Ikki me ajudaram bastante na adaptação, não sei o que faria sem eles. -me aproximei do seu ouvido e confidenciei só para ela. -Ele é uma delícia. -ambas rimos maldosas.
-Me diga filha onde estão vivendo? Seu irmão procurou bastante por você até achar seu cunhado.-antes que eu respondesse Shun se adiantou me salvando.
-Moramos no Japão, mas como expliquei ao seu filho senhora Lopes, por questão de segurança não podemos dizer onde vivemos.
-Ela é nossa filha, temos o direito de saber onde ela vive. -apertei de leve a mão de Shun.
-Não querendo ser arrogante pai, contudo, o senhor deveria ter pensado nisso antes de me expulsar de casa. -minha mãe abriu a boca e meu irmão e Diana se inclinaram sorrindo perversos, como que se divertindo com a discussão ali.
-Bem que eu disse, eles são uma família de traficantes, olhe só os cabelos deles, aposto que estão escondendo as tatuagens por baixo da camisa. -minha tia os olhava com malicia.
-Hora tia, se queria tanto ver meu marido e cunhado sem camisa era melhor ter inventado uma desculpa melhor.
-ANNA... -minha mãe me repreendeu e meu irmão e Diana ficaram de boca aberta, eu nunca havia enfrentado a desgraça da minha tia, mas não ficaria calada vendo-a caluniar minha família.
-Se desculpe com sua tia.-mandou meu pai.
-Sinto muito pai, mais quem procura acha, ela insultou meu marido e cunhado e eu não ficarei calada diante disso. -falei firme e meu pai me olhou repreendedor.
-Minha família trabalha com analise de dados de grandes empresas, e por isso sempre há pessoas tentando nos encontrar, espionagem industrial, muitos gostariam de por a mão em alguns dos nossos dados, e fariam de tudo para isso. -Shun interviu antes que as coisas esquentassem mais. -Por isso, mesmo vocês sendo a família dela, nos não podemos lhes contar onde vivemos, mais jamais impediríamos a Anna de manter contato com vocês.
Os olhos do meu pai e tia brilharam com a mentira de Shun, e pelo sorriso do meu pai eu podia apostar que ele estava imaginando que eu tinha me casado com um magnata que nadava na grana.
Então até o horário em que o jantar foi servido, eu, Diana e meu irmão engatamos em uma conversa divertida em que colocamos as fofocas em dia, meu pai, Shun e Ikki conversavam sobre "negócios" e minha mãe e tia foram para a cozinha.
Meu pai era dono de uma das maiores construtoras da cidade, e minha mãe tinha largado o curso de enfermagem quando eles se casaram para cuidar da casa, já que meu pai não aceitava que sua mulher trabalhasse - ridículo, eu sei.
-Vamos comer. -minha mãe chamou.
Fomos para a mesa que estava repleta de comida e meu pai fez sua oração, onde todos demos as mãos e agradecemos pelo alimento a mesa. Shun e Ikki provaram de tudo a mesa, e elogiaram bastante a minha mãe que ficou extremamente feliz e os empanturrou mais de comida, e por incrível que pareça foi um jantar tranquilo. Quando o pavê foi servido todos já estávamos mais do que satisfeitos.
-Tenho um presente para você filha. -minha mãe disse e saiu e logo voltou com uma caixa grande entre as mãos. -Eu mesma fiz. -abri e encontrei uma colcha de casal branca toda trabalhada com fitas vermelhas.
-É linda mãe obrigada. -me levantei e beijei seu rosto.
-Que bom que gostou filha.
-Espere eu também trouxe presentes. -fui na sala e peguei minha sacola. -Este é seu. -entreguei seu presente quando voltei. -Pai, esse é seu. Diana, aqui o seu, e pra você Lyon. -entreguei cada um e me aproximei de Shun e Ikki. -Feliz Natal. -eles me sorriram pegando os presentes.
-Não precisava amor. -Shun disse em japonês, e o respondi no mesmo mesmo idioma. -Eu não lhe dei nada de aniversário nem mesmo os parabéns, aos dois. -expliquei envergonhada e triste.
-Anna, não fique assim, presente nenhum nos faria mais feliz do que vê-la sorrir. E nenhum de nos estava bem para comemorar nada. -ele beijou minha testa. -Então esqueça isso sim. -afirmei e abri um sorriso o tranquilizando.
-O quê, seu marido não te dar presentes? -perguntou maldosa a sapa velha.
-Não acho que isso interesse a senhora. -Shun disse com uma cara tão santa que foi impossível não rir.
-Se não respeita os mais velhos, pelo menos respeite a casa em que está seu delinquente. -ela sibilou entre os dentes.
-O respeito dele começa onde o seu termina. -eu rebati.
-Anna, respeite sua tia.
-Deixe Lyan, agora sabemos o porque de Deus tê-la castigado, e pelo jeito continuará a castigando. -algo na forma como ela falou me fez arrepiar.
-TIA. -meu irmão gritou puto, e minha mãe colocou a mão nos olhos.
-Não grite comigo Lyon, eu não disse nenhuma mentira, eu já tinha lhes dito isso pouco antes dela chegar.
-Do que estão falando? -perguntei e Ikki levantou também e segurou Shun que parecia querer partir para cima de minha tia.
-Pare com isso Angela. -falou meu pai.
-Não, todos concordamos que a perda do filho dela foi um castigo de Deus por desobedecer seus pais e viver como uma meretriz na casa dos outros. -eu suguei o ar e minha cabeça girou. Shun me segurou por trás e só de sentir sua áurea eu me arrepiei, nunca o tinha visto com tanto ódio de uma pessoa.
-Eu sempre me perguntei o por que da Anna não gostar de falar de sua família, mas em uma noite, em apenas uma noite aqui eu entendi, eu agora só me pergunto como minha mulher e seu irmão podem ser tão diferentes de vocês? -ele disse entre os dentes. -Por que a Anna não é mesquinha nem preconceituosa, eu nunca a vi jugar ninguém pela aparência e muito menos usar o nome de Deus em beneficio próprio, simplesmente para machucar alguém. -ele me abraçou e eu apertei seu braço e lhe sorri.
-Sabe "Tia", eu sempre quis lhe dizer uma coisa, mais antes eu não tinha coragem, mas que saber. -respirei fundo. -Vá para o quinto dos infernos, mais não esqueça de que quando chegar lá seguir em frente e descer o mais fundo possível, sua velha maldita, por que com toda certeza os demônios de lá ficarão felizes em recebê-la. -todos sugaram o ar estupefatos. -Agora escute bem, da próxima vez que abrir a boca para rogar praga em mim ou falar mal de minha família, reze, agora reze de verdade para que eu não saiba, por que eu juro, eu vou esquecer que somos família e vou fazê-la engolir cada palavra junto com seus dentes podres.
-ANNA...
-Eu sei pai, estou saindo da sua casa agora mesmo. -não olhei para ninguém ali, peguei a mão de Shun e de Ikki e me virei para sair.
Sai de casa feito um furação arrastando os dois e só parei quando tínhamos saído do condomínio.
-Anna.. -Shun começou cauteloso e do nada eu me senti aliviada, tão aliviada que comecei a rir. -Você está bem?
-Deve ser o choque. -Ikki disse preocupado.
-Não gente, eu estou bem, na verdade eu nunca me senti melhor. -eles se olharam em dúvida. -Vejam, eu nunca tinha tinha enfrentado minha família, e hoje eu fiz isso, hoje enfim eu me libertei dessa merda toda. -expliquei e Shun me abraçou. -Obrigado, aos dois por virem comigo e me desculpe pelo que aconteceu.
-LYA... -me virei para o meu irmão que vinha correndo com Diana em nossa direção. -Desculpe...
-Você não tem culpa Lyon. -eu o abracei. -Preciso ir, mas vou manter contato com vocês. -o larguei e abracei Diana.
-Se cuide monstrinha. E Shun por favor cuide bem da minha irmã!
-Nem precisa pedir. -eles apertaram as mãos e depois de nos despedimos eu fui embora.
Quando descemos do táxi eu arrastei os dois para a praia comigo, e fui molhar os pés tomando coragem para ter aquela conversa.
-Sabe, eu não sei como agradecê-los por tudo isso. -respirei fundo e eles pararam atrás de mim e eu ainda assim continuei de costas para eles. -Eu sabia, antes mesmo dos médicos me dizeres, que a Sakura estava morta dentro de mim, e por Atena, como eu me odiei por aquilo, me odiei por sentir a vida da minha filha se esvair aos poucos enquanto eu só chorava. -respirei fundo tentando conter a dor e as lágrimas.
-Quando eu recebi aquele ataque nas costas e rolei no chão com você, eu sabia que não importava o quanto eu tentasse você se machucaria ali, eu sabia que nosso filho sofreria com aquilo, eu sabia que naquela situação o máximo... -eu me virei para ele que apertava as mãos em punho de cabeça baixa. -O máximo que eu poderia fazer era não deixar que te tocassem de novo, mas eu sabia Anna, a cada vez que você gemia que você estava perdendo nosso bebê, e que eu não podia fazer nada para te ajudar, eu, um maldito cavaleiro de ouro, não pude fazer nada a não ser servir de barreira para você, enquanto você definhava. -ele me olhou com o rosto tão molhado quanto o meu e com os olhos fluorescentes cheios de dor.
-Eu tentei chegar a vocês antes do ataque começar, mais eles estavam bem formados e assim que encontrei vocês me arrependi de não voltado antes, se eu não tivesse saído, ou se tivesse estado lá para ajudar as coisas teriam terminado diferente. -me aproximei e segurei na mão de cada um.
-Por meses, eu assim como vocês me culpei pelo que aconteceu, até por que era a mim que eles queriam.
-Quando eu me casei com você eu sabia exatamente quem você era, e foi justamente por isso que aceitei você. -ele disse sério.
-Todos sabíamos os riscos, mas somos uma família Anna, sua família. -Ikki disse.
-Eu estava destruída por dentro, me sentindo uma inútil, por isso quero fazer diferente agora. -eles me olharam curiosos. -Quero que me treinem.
-Anna você não precisa disso, Eu seu que você não confia...
-Não é isso Shun, e sim, eu confio minha vida a vocês, sei que depois do que aconteceu vocês não deixariam nem mesmo uma poeira encostar em mim, mas eu quero tentar sabe, sentir que estou fazendo algo, que não vou ficar apenas chorando em casa, eu preciso de algo para ocupar minha mente quando voltarmos.
-Você sabe que nunca será tão forte nem mesmo comparado a um cavaleiro de bronze não importa o quanto treine não é? -fiz que sim. -Então eu garantirei pessoalmente que você massacre todo o resto. -ele deu um leve sorriso e eu o abracei agradecida. -Vou para o hotel.
Ikki se afastou e me virei para Shun que me observava.
-Você tem certeza disso Anna? -ele parecia calmo. -Quer mesmo fazer isso?
-Sim, eu quero fazer isso. -suspirei. -Eu realmente gostaria que você me deixasse fazer isso, que me ensinasse.
-Eu jamais te impediria de fazer algo que quer. -ele tirou a liga que prendia seus cabelos e esses esvoaçaram belamente. -Eu não vou pegar leve como você amor. -ele tocou meu rosto e me puxou para um beijo. -Não só nos treinos. -mordeu meu lábio.
-Estou ansiosa por isso...
